CONTABILIDADE E CAPITAL INTELECTUAL

Maria Thereza Pompa Antunes
Mestre em Ciências Contábeis/FEA/USP
Especialização em Finanças/IAG/PUC/RJ
Administradora de Empresas/PUC/RJ
Professora e Pesquisadora da Área Contábil
9ª Semana de ContabiIidade do Banco CentraI do BrasiI
9 e 10 de novembro de 2000
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Introdução
Verifica-se que desde a década de 60 vivenciamos um período de gradativas
mudanças na economia mundial, que vem sendo apontado por muitos autores
estudiosos do assunto, como um período de transição de uma Sociedade Industrial
para uma Sociedade do Conhecimento, pois aos demais recursos existentes, e até
então valorizados e utilizados na produção - terra, capital e trabalho, junta-se o
conhecimento, alterando, principalmente, a estrutura econômica das nações e,
sobretudo, a forma de valorizar o ser humano, pois só este detém o recurso do
conhecimento.
Nas organizações a aplicação do conhecimento vem impactando,
sobremaneira, o valor das mesmas, pois a materialização da aplicação desse
recurso, mais as tecnologias disponíveis e empregadas para atuar num ambiente
globalizado, produzem benefícios intangíveis que agregam valor às mesmas.
A esse conjunto de benefícios intangíveis denominou-se Capital Intelectual. O
aparecimento deste novo conceito conduz à necessidade de aplicação de novas
estratégias, de uma nova filosofia de administração e de novas formas de avaliação
do valor da empresa que contemple o recurso do conhecimento.
Stewart (1998:14) comenta que o conhecimento é mais valioso do que os
recursos naturais, grandes indústrias ou “polpudas’ contas bancárias e que
empresas como a Wal-Mart, a já citada Microsoft e a Toyota não se tornaram
grandes empresas por serem mais ricas do que a Sears, a IBM e a General Motors,
mas, ao contrário, por possuírem algo mais valioso do que ativos físicos ou
financeiros, ou seja, por possuírem Capital Intelectual.
Com relação à Contabilidade empresarial tradicional considera-se que um de
seus principais objetivos iniciais tenha sido o de apurar o resultado econômico e
financeiro de uma entidade, e ele continua forte até hoje. Entretanto, muito se tem
comentado nos últimos tempos que os relatórios fornecidos pela Contabilidade
Financeira
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não retratam certas realidades das empresas, visto o valor contábil das
ações estar muitas vezes abaixo do seu valor de mercado, sugerindo uma faIha da
Contabilidade.

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Relatórios divulgados para usuários externos e, no Brasil, segundo a Legislação das Sociedades por Ações.
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Essa diferença entre os dois valores vem sendo identificada como Capital
Intelectual (não tendo sido especificado se o valor contábil é aquele referente a cada
elemento patrimonial ou se o da empresa como um todo) e formas de identificar os
fatores intangíveis que o compõem e que resultam em tal diferença, vêm sendo
propostas.
A urgência da Contabilidade em considerar determinados ativos intangíveis
na mensuração do real valor da empresa parece ser senso comum e os fatos
apontados por alguns autores, retratados abaixo, confirmam as conseqüências
dessa realidade.
"A Southwest AirIines é avaIiada a um preço maior do que outras
empresas aéreas tradicionais muito maiores. A InteI depara-se com
um grande escândaIo devido a deficiências em seu principaI
produto, o chip Pentium, e o preço de suas ações maI chega a
osciIar, sendo hoje avaIiada em US$ 120 biIhões. A Netscape, uma
empresa de 17 miIhões de dóIares de patrimônio com cinqüenta
empregados, abre seu capitaI mediante uma oferta iniciaI de ações
que atribui à empresa um vaIor de US$ 3 biIhões no fim do dia. A
Microsoft, uma corporação de US$ 8 biIhões de patrimônio, anunciou
seu sistema operacionaI Windows 95 e viu o preço de suas ações
eIevarem, tornando-se uma corporação mais vaIiosa que a ChrysIer
ou a Boeing." Edvinsson & MaIone (1997:2)
"O custo tangíveI do Windows 95, produzido peIa Microsoft
representa 10% do vaIor totaI , sendo a diferença atribuída a
conhecimento." AIcântara (1995:86)
"BiII Gates é o principaI ativo de sua empresa. A justificativa dessa
afirmação é o fato de a Microsoft vaIer hoje, na BoIsa de VaIores,
aIgo em torno de US$ 51 biIhões, quase dez vezes mais do que a
empresa fatura." Sá (1996:9)
"A Oticon HoIding S/A, indústria de apareIhos auditivos
dinamarquesa, registrou um crescimento, em termos de vaIor de
mercado, de 150 miIhões de coroas dinamarquesas em 1991 para 2,4
biIhões atuaImente, embora somente 400 miIhões de coroas
encontrem-se registrados no baIanço patrimoniaI." Labarre (1996:53)
Analisando-se as citações acima, pode-se concluir, à primeira vista, que o
hiato deixado pela Contabilidade tradicional reflete-se na diferença entre o valor
patrimonial e o valor de mercado, visível no valor das ações em bolsa. Mas, dois
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outros aspectos que chamam a atenção e que, igualmente, pode-se atribuir à lacuna
deixada pela Contabilidade podem ser identificados: o comportamento inesperado
das ações de certas companhias, mesmo quando essas enfrentam alguma situação
adversa; e a mudança na composição dos custos dos produtos e serviços, pois os
custos tangíveis estão perdendo espaço para o recurso do conhecimento, fato
amplamente comentado no capítulo primeiro.
Na prática, os ativos intangíveis só vêm sendo avaliados precisamente
quando a empresa é vendida. Entretanto, os gestores necessitam ter conhecimento
(identificação e mensuração) desses ativos que a empresa possui para administrar a
continuidade da mesma e, assim, divulgar informações mais próximas da realidade
para os interessados.
Considerando que a aplicação do recurso do conhecimento nas organizações
gera benefícios intangíveis, além dos tangíveis, obviamente, que impactam o seu
valor, justifica-se uma averiguação sobre o que a Contabilidade vem fazendo no
sentido de mensurar esse valor, bem como proceder a uma análise comparativa
entre os conceitos do Capital Intelectual e do Goodwill.
Para atender tal intuito, julga-se importante tecer algumas considerações
sobre o Ativo no tocante apenas ao conceito que se firma para o entendimento do
Capital Intelectual, não objetivando, portanto, esgotar o assunto.
Ativo
Ativo, para a Contabilidade tradicional, compreende os bens e os direitos da
entidade expressos em moeda. Por sua vez, são classificados em ativos tangíveis e
ativos intangíveis. Numa diferenciação simplista, os primeiros são aqueles que
possuem existência física e os segundos são os que não possuem.
Entretanto, na prática empresarial a classificação não é tão simples assim
apresentando transtorno na identificação dos itens que compõem o grupo dos ativos
no balanço patrimonial, principalmente os ativos intangíveis, afetando, sobremaneira,
o real valor da empresa, como visto até então.
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Numa análise mais abrangente da definição de ativo, mas não admitida pelas
normas contábeis atuais (Contabilidade Financeira), pode-se considerar as
elencadas abaixo:
Paton (1962:46) ao considerar as características físicas do ativo afirma que
"os ativos não são inerentemente tangíveis ou físicos. Um ativo representa
uma quantia econômica. Pode, ou não, estar reIacionado ou ser representado
por um objeto físico". (grifo nosso)
Martins (1972:30), em sua tese de doutoramento sobre a mensuração do
ativo intangível, adota a seguinte definição para ativo: "Ativo é o futuro resuItado
econômico que se espera obter de um agente". (grifo nosso)
De forma mais analítica, Iudícibus (1994:106) corrobora com a visão de Paton
ao assumir a principal característica de um ativo:
"A característica fundamentaI é a sua capacidade de prestar serviços
futuros à entidade que os tem, individuaI ou conjuntamente com
outros ativos e fatores de produção, capazes de se transformar,
direta ou indiretamente, em fIuxos de entrada de caixa. Todo ativo
representa, mediata ou imediatamente, direta ou indiretamente, uma
promessa futura de caixa. Quando faIamos indiretamente, queremos
referir-nos aos ativos que não são vendidos como tais para
reaIizarmos dinheiro, mas que contribuem para o esforço de geração
de produtos que mais tarde se transformam em disponíveI." (grifo
nosso)
Martins (1972:29) sintetiza a principal diferença nas duas visões expostas
sobre como conceituar um ativo. Segundo o referido autor, a diferença reside entre
qualificar o agente como sendo o ativo (visão tradicional/Contabilidade Financeira) e
qualificar o resultado trazido pelo agente (visão econômica). Assim, exemplifica: o
caminhão é o agente; o transporte é o ativo. Mais adiante, o autor complementa que:
"o agente tem importância apenas na extensão em que pode trazer resuItados
econômicos futuros."
Ressalta-se que considerar o resultado - no presente e/ou no futuro - ao invés
do agente na identificação de um ativo é fator primordial para o entendimento do
Capital Intelectual, pois este emprega o conceito econômico de ativo em
contraposição ao conceito conservador que considera o agente como ativo.
Atribuir valor a um ativo tangível parece ser mais fácil do que a um ativo
intangível, pois, com raras exceções, e por definição, os ativos tangíveis possuem
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corpo e não necessitam de uma avaliação com maior grau de subjetividade,
levando-se em conta algumas considerações quanto à valoração a preço de custo,
de mercado ou de realização.
Assim sendo, a questão permanece nos ativos intangíveis, principalmente por
ser a essência dos elementos que hoje formam o valor real da entidade, e como
observa Martins (1972:54): "TaIvez a característica mais comum a todos os itens
do Ativo IntangíveI seja o grau de incerteza existente na avaIiação dos futuros
resuItados que por eIes poderão ser proporcionados." Em outras palavras, a
falta de objetividade.
Ativo IntangíveI
Ao averiguar-se a evolução histórica envolvendo a sistemática de
reconhecimento e mensuração dos ativos intangíveis pela Contabilidade, verifica-se
que essa preocupação não é recente, muito pelo contrário, remonta a séculos atrás,
embora trabalhos específicos sobre o tema datem do final do século passado.
Entre Economistas e Contadores muitos trabalhos envolvendo o tema no
geral ou em específico e, ainda, a contabilização dos recursos humanos, um ativo
tangível se considerado o agente, mas que ainda encontra resistência na
Contabilidade tradicional de ser visto como tal devido a entidade não possuir a sua
posse e propriedade, e nem mesmo o seu controle e, também, dada a complexidade
de atribuir-se valor, foram desenvolvidos durante este século.
Todo o interesse que o tema vem despertando nos meios acadêmico e
profissional durante tantos anos, gerando controvérsias e evolução em termos de
aceitação e conceito, embora não tendo encontrado, ainda, unanimidade quanto ao
seu tratamento, adquire maior urgência na medida em que os intangíveis ganham
espaço na economia atual como um todo, e nas organizações especificamente e,
conforme já comentado, vêm sendo identificados por Capital Intelectual.
A matéria publicada no The Economist (apud Gazeta Mercantil, 1998:20)
ilustra esse fato. Segundo o artigo, é crescente a securitização de ativos intangíveis,
como por exemplo, o de direitos autorais. Nota-se que o autor chamou este tipo de
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securitização de "recebíveis bem exóticos". Acredita-se que o adjetivo empregado
pode ser atribuído à mudança de paradigma ainda não assimilada pelo próprio.
Martins (1972: 58) considera que os Princípios do Custo como Base do Valor
e o da Confrontação das Despesas com as Receitas mais as Convenções da
Objetividade e do Conservadorismo têm restringido a aceitação de vários itens como
elementos componentes do ativo, impedindo a Contabilidade de evidenciar os fatos
da maneira mais próxima do real, cujos efeitos mais dramáticos se fazem sentir nos
ativos intangíveis, dando origem ao Goodwill.
Deve-se considerar que a objetividade, além de ser uma convenção para a
Contabilidade, é também perseguida pelos cientistas em geral, tornando-se algumas
vezes até uma "obsessão". Talvez, por esta convenção não poder ser aplicada
consistentemente e de forma plena pela Contabilidade Financeira aos intangíveis,
seja esta senão a única, mas a principal causa do seu não reconhecimento (outra
causa poderia ser devida ao Conservadorismo, conforme apontado por Martins e,
também devido ao Princípio do Custo como Base de Valor).
Entretanto, deve-se levar em conta a visão de Bierman Jr. (1963), referente à
essa questão, quando se afirma que é de fato impossível ter-se uma estrita
interpretação de evidência objetiva, a menos que a Contabilidade seja limitada à
mensuração do caixa. O mais perto que um contador pode chegar à exatidão
informacional é no montante de caixa disponível. Parece óbvio que o autor
imaginava um macroambiente com economia estável, ou seja, sem inflação ou
deflação, quando fez tal afirmação. Do contrário, até a mensuração do caixa estaria
sujeita a um determinado grau de subjetivismo.
Outro aspecto de igual importância, e que vale a pena ser lembrado, é que os
princípios de avaliação contábil utilizados não foram feitos para medir o valor de
venda de uma empresa e, sim, para apurar o resultado de suas atividades.
O Goodwill é um dos componentes dos Ativos Intangíveis e, como tal, vem
sendo alvo de muitos estudos e pesquisas dada a sua complexidade, relevância e
discordância entre os autores estudiosos do assunto.
A conseqüência da não-existência de um conceito conclusivo sobre o
Goodwill, ou mesmo o desconhecimento da natureza do Goodwill, pode ser sentida
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nas palavras de vários autores consultados. Entre outros, Edvinson & Malone
(1998:22) empregam a expressão "saco de gatos".
A metáfora empregada caracteriza a extensão da importância dos ativos
intangíveis e quão desigual, e até mesmo injusto, é o seu entendimento, só que o
momento atual apresenta uma tendência de não admitir subjetivações e os autores
Edvinsson e Malone apontam o Capital Intelectual como sendo o caminho para
resolver esta problemática. Entretanto, esta questão não é tão simples quanto pode
aparentar.
Após a conceituação do Capital Intelectual voltar-se-á ao assunto Goodwill.
O Conceito de CapitaI InteIectuaI
No momento presente, os conceitos de Capital Intelectual diferem em alguns
aspectos mas, na essência, apresentam o mesmo conteúdo.
Optou-se por apresentar as conceituações de 3 (três) autores, hoje
considerados os mais consistentes no assunto, os quais acredita-se terem sido os
pioneiros no desenvolvimento de pesquisas conclusivas - embora ainda não
definitivas, por tratar-se de um assunto ainda incipiente - e na publicação das
mesmas, envolvendo a mensuração e o gerenciamento do Capital Intelectual.
Brooking (1996:12-13) define Capital Intelectual como uma combinação de
ativos intangíveis, frutos das mudanças nas áreas da tecnologia da informação,
mídia e comunicação, que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que
capacitam o funcionamento das mesmas. Para a referida autora, o Capital Intelectual
pode ser dividido em quatro categorias
2
: Ativos de Mercado; Ativos Humanos;
Ativos de Propriedade InteIectuaI e Ativos de Infra-Estrutura.
A autora define a composição de cada grupo da seguinte forma:
• Ativos de Mercado. Potencial que a empresa possui em decorrência dos
intangíveis que estão relacionados ao mercado, tais como: marca, clientes,
lealdade dos clientes, negócios recorrentes, negócios em andamento (backlog),
canais de distribuição, franquias etc.

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No original: Market assets; Intellectual property assets; Human-centred assets; Infrastructure assets.
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• Ativos Humanos. Os benefícios que o indivíduo pode proporcionar para as
organizações por meio da sua expertise, criatividade, conhecimento, habilidade
para resolver problemas, tudo visto de forma coletiva e dinâmica.
• Ativos de Propriedade InteIectuaI. Os ativos que necessitam de proteção legal
para proporcionarem às organizações benefícios, tais como: Know-How,
segredos industriais, copyright, patentes, designs etc.
• Ativos de Infra-Estrutura. As tecnologias, as metodologias e processos
empregados como cultura, sistema de informação, métodos gerenciais, aceitação
de risco, banco de dados de clientes etc.
Edvinsson & Malone (1998:9) empregam uma linguagem metafórica no intuito de
melhor conceituar o Capital Intelectual. Comparando uma empresa a uma árvore,
consideram a parte visível como tronco, galhos e folhas ao que está descrito em
organogramas, nas demonstrações contábeis e em outros documentos; e a parte
que encontra-se abaixo da superfície, no sistema de raízes, ao Capital Intelectual
que são os fatores dinâmicos ocultos que embasam a empresa visível formada por
edifícios e produtos.
Os autores dividem os fatores ocultos em dois grupos, a saber:
• CapitaI Humano. Composto pelo conhecimento, expertise, poder de inovação e
habilidade dos empregados mais os valores, a cultura e a filosofia da empresa.
• CapitaI EstruturaI. Formado pelos equipamentos de informática, softwares,
banco de dados, patentes, marcas registradas, relacionamento com os clientes e
tudo o mais da capacidade organizacional que apoia a produtividade dos
empregados.
Edvinsson & Malone observam que o relacionamento com os clientes,
inserido no Capital Estrutural, pode ser desdobrado em uma categoria separada
como Capital de Clientes, denotando maior importância deste item para o valor da
empresa.
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Considerações sobre os conceitos apresentados
Analisando-se essas definições, verifica-se que existe uma diferença quanto à
classificação utilizada: o Capital Estrutural definido por Edvinsson & Malone contém
os Ativos de Mercado, de Propriedade Intelectual e de Infra-Estrutura apontados por
Brooking. Quanto ao significado do Capital Intelectual e dos elementos que o
compõem, os autores assentem.
Verifica-se, igualmente, uma outra diferença que pode suscitar algum
questionamento e, portanto, digna de nota. A autora utiliza a palavra ativo e os
autores utilizam a palavra capital, referindo-se ao mesmo objeto. Embora eles não
tenham explicado o porquê de tal procedimento, conclui-se que ambas estão
corretamente empregadas, pois todos os componentes do Capital Intelectual são
elementos essenciais para as empresas, representando recursos (ou capital) se
vistos pela Economia e ativos (bens e/ou direitos) se vistos pela Contabilidade, pois
estes se enquadram na definição de ativo adotada anteriormente. Logo, admite-se a
sua utilização como sinônimos, pois o Capital Intelectual é o conjunto de valores (ou
ativo, ou recursos, ou capital) ocultos que agregam valor às empresas e capacitam a
continuidade da mesma.
Quanto à referência que os autores fazem de considerar o Capital Intelectual
como uma explicação para a diferença entre o valor contábil da empresa e o seu
valor de mercado, julga-se esta ser uma forma muito simplista de definir a situação
e, além do mais, os autores não deixam claro a qual valor contábil se referem: se ao
valor de cada ativo, individualmente, ou se o da empresa como um todo. Além disso,
ainda, não especificam qual o critério de avaliação dos ativos empregado.
DesenvoIvimento histórico do conceito de CapitaI InteIectuaI
Verifica-se que, a despeito de proeminentes autores, principalmente Peter
Drucker e John Kenneth Galbraith, terem versado sobre o impacto do conhecimento
como recurso para a sociedade décadas atrás, a primeira matéria empregando o
conceito do Capital Intelectual, de que se tem informação, foi a publicada por
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Thomas Stewart, na Fortune, em 1994 com o título: "Your Company´s Most Valuable
Asset: Intellectual Capital" .
Esta matéria, que serviu de base para alguns artigos acadêmicos nos Estados
Unidos e no Brasil, abordava as primeiras experiências realizadas por algumas
companhias para mensurar o seu Capital Intelectual, entre elas a da Skandia AFS,
primeira organização a divulgar um relatório suplementar às Demonstrações
Contábeis divulgando o Capital Intelectual, cujo principal executivo para esse
assunto é Leif Edvinsson, diversas vezes citado anteriormente. Neste artigo, todas
as organizações empregaram a mesma denominação para explicar o mesmo
fenômeno, qual seja: Capital Intelectual.
O que se verificou em maior abundância foram estudos desenvolvidos em
torno de um dos elementos que compõem o Capital Intelectual: o Capital Humano. A
história mostra que economistas, a partir do século XV, já investiram esforços no
sentido de encontrar uma forma de atribuir valor monetário ao ser humano. Os
objetivos que impulsionaram tais pesquisas foram de caracter econômico como, por
exemplo, estimar perdas com as guerras e com as migrações.
Kwasnicka (1981:17-22), em pesquisa sobre o impacto da contabilização dos
recursos humanos numa organização, faz uma retrospectiva histórica sobre a
evolução do entendimento do ser humano como capital. Segundo a autora, a base
dos estudos em torno do tema encontra-se em William Farr (1853), Ernest Engel
(1883) e Theodor Wiltstein (1867), que desenvolveram métodos para avaliar os
recursos humanos, tendo Wiltstein definido o ser humano como bem de capital.
Entre os economistas clássicos, Tinoco (1996:54) aponta Adam Smith e Marx
Weber como aqueles que deram continuidade aos estudos sobre o tema em
questão. Entretanto, foi neste século que o conceito de recursos humanos como
capital tomou vulto por meio dos trabalhos desenvolvidos pelos economistas T.W.
Schultz e Gary Becker, entre outros, e na área da Contabilidade por Eric Flamholtz,
Roger Hermanson, Lee Brumet entre outros, complementa Tinoco.
Segundo a visão dos economistas, o ser humano é considerado capital por
possuir capacidade de gerar bens e serviços, por meio do emprego da sua força de
trabalho e do conhecimento, constituindo-se em importantes fontes de acumulação e
de crescimento econômico.
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A importância da aceitação do Capital Humano para a economia no geral é
muito bem colocada por Schultz (1967:64). Segundo o autor, um conceito de capital
restrito a estruturas, equipamentos de produção e patrimônio, é extremamente
limitado para estudar tanto o crescimento econômico computável (renda nacional)
como, o que é mais importante, todas as conquistas, no bem-estar, geradas pelo
progresso econômico em longos períodos de tempo. A instrução e o progresso no
conhecimento constituem importantes fontes de crescimento econômico.
Complementa, citando Kuznets, que o conceito de capital e de formação de capital
deveria ser ampliado de forma a incluir investimento em seres humanos, o que se
dá, basicamente, pelo investimento na instrução.
Ressalta-se que o conhecimento a que os economistas se referem é o
conhecimento no seu sentido amplo, cujo investimento na educação e ensino é a
sua base.
3
AIgumas considerações sobre Ativo/CapitaI Humano
O Capital Intelectual, como definido até o momento, abrange vários elementos
intangíveis além do próprio Capital Humano. O que se entende de tal procedimento
é o fato do Capital Intelectual ser relativo ao intelecto que só os seres humanos
possuem. Assim sendo, o Capital Intelectual abrange o elemento possuidor do
recurso do conhecimento e tudo mais que é resultante da aplicação do
conhecimento. Isto porque o conhecimento lato e stricto se materializam no: Capital
Estrutural para Edvinsson & Malone; e nos Ativos de Mercado, de Propriedade
Intelectual e de Infra-Estrutura, para Brooking.
Verifica-se que, por vezes, Capital Intelectual e Capital Humano se
confundem, sendo entendido como Capital Intelectual somente aquele que deriva do
conhecimento humano. A importância que o ser humano possuidor do recurso
fundamental do conhecimento representa para as organizações atualmente pode
conduzir a tal equívoco.
Como o Ativo Humano ou Capital Humano compreende os benefícios que o
indivíduo pode propiciar para as organizações, é natural que hoje em dia as

3
Ver a esse respeito: ANTUNES, Maria Thereza P. Capital Intelectual. São Paulo: Atlas, 2000, capítulo 1.
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empresas dediquem maiores esforços para identificar aquelas pessoas que poderão
otimizar essa relação de causa e efeito. Quanto melhor o capital humano/ativo
humano de uma organização, melhores resultados ela alcançará no Capital
Intelectual.
Consequentemente, as organizações necessitam se apoiar no Recurso
Humano do conhecimento, não mais no Recurso Humano da força braçal; a
tecnologia, à medida que por um lado supre este fator, por outro lado demanda pelo
potencial humano da inteligência. Mas a percepção de inteligência não capta apenas
o Quociente de Inteligência (Q.I.), mensurado pela aplicação de testes específicos
até então. Leva-se em conta nas organizações a Inteligência Emocional (Q.E.),
teoria desenvolvida por Goleman (1996) em obra homônima. A Inteligência
Emocional abrange aspectos como motivação e persistência diante de frustrações,
autocontrole, habilidade de não permitir que a aflição impeça a capacidade de
pensar e, principalmente, o aspecto de relacionamento em grupo e empatia.
Goleman (1996:176), referindo-se ao ambiente organizacional, cita o estudo
realizado entre os engenheiros e cientistas que apresentavam os melhores
resultados do teste de Q.I. acadêmico dos Laboratórios Bell, os quais denominou de
"profissionais-estrelas". Entretanto, observou que dentro desse banco de talentos,
alguns despontam como estrelas, enquanto outros têm apenas produção mediana, e
ressalta: "O que faz a diferença entre as estrelas e os outros não é o Q.I. acadêmico
deles, mas o Q.E. São mais capazes de motivar-se e de transformar suas redes
informais em equipes improvisadas." Em outras palavras, pode-se concluir que a
Inteligência Emocional envolve a habilidade de resolver problemas e enfrentar
situações adversas, de expor idéias com clareza e rapidez, de ser criativo e saber
fazer materializar sua imaginação.
O Conceito de Goodwill
Considerando a complexidade que envolve o tema Goodwill, pretende-se, no
momento, apenas estabelecer alguns aspectos quanto à sua natureza, avaliação e
classificação que possibilitarão uma comparação com o conceito do Capital
Intelectual.
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Monobe, em sua tese de doutoramento intitulada "Contribuição à mensuração
e contabilização do Goodwill adquirido", observa que a primeira aparição do
Goodwill foi vinculada à terra [em 1571] e gradativamente foi sendo relacionado com
o comércio, com a atividade industrial, à fidelidade da clientela, com a localização
privilegiada, à personalidade dos proprietários, a processos industriais, a conexões
financeiras e a staffs eficientes (1986:51).
Todos esses fatores vieram sendo apontados como os responsáveis (ou
fatores contribuintes) pela geração de lucro da empresa a longo prazo e não
reconhecidos pela Contabilidade. Esta característica persiste até hoje para certos
fatores e para outros tantos que foram sendo acrescidos na medida em que os
ativos intangíveis não contabilizados ou não identificados vieram aumentando
proporcionalmente aos demais ativos devido a sofisticação dos negócios. (Monobe,
1986:51-52, 63)
É sabido que a Contabilidade Financeira reconhece e contabiliza o Goodwill
apenas quando ocorre a compra de uma empresa.
Quanto ao seu valor, o referido autor afirma que, numa conceituação
moderna, o Goodwill corresponde à diferença entre o valor atual da empresa como
um todo, em termos de capacidade de geração de lucros futuros, e o valor
econômico dos seus ativos apresentando, portanto, uma característica residual.
(Monobe, 1986:65)
Segundo o The Chartered Institute of Management Accountants, o mais
importante instituto de contadores gerenciais do Reino Unido, em sua Terminologia
Oficial de Contabilidade Gerencial (1996:87) Goodwill é definido como a diferença
entre o valor de um negócio como um todo e a soma dos ativos individuais avaliados
pelo seu valor justo.
Segundo as duas significativas definições apresentadas pode-se inferir que
não existe um consenso sobre o critério de valor a ser utilizado, cujo
aprofundamento, conforme já dito, não é o objetivo no momento. Entretanto, quanto
à sua característica residual não há dúvidas.
Soma-se aos conceitos anteriores um outro que identifica a ocorrência da
sinergia numa empresa. Sob esse conceito, mesmo que se tenha identificado e
mensurado economicamente todos os ativos tangíveis e intangíveis, a soma
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individualmente seria menor do que a soma do seu conjunto. (Monobe, op.cit. 61)
Em outras palavras significa dizer que o Goodwill sempre existirá sob a ótica
sinérgica.
CIassificação do Goodwill
Conforme a classificação de Coyngton, valendo ressaltar que é datada de
1923, (apud Martins, op. cit, 74) o Goodwill assume a seguinte divisão:
• Goodwill ComerciaI: criado em função exclusivamente da empresa como um
todo independente das pessoas proprietárias ou administradoras.
• Goodwill PessoaI: decorrente de uma ou várias pessoas que integram a
empresa sendo proprietária (s) ou administradora (s).
• Goodwill ProfissionaI: desenvolvido por uma classe profissional que cria uma
imagem que a distingue dentro da sociedade propiciando condições de alta
remuneração como no caso dos médicos, advogados e contadores em alguns
países.
• Goodwill Evanescente: característico de certos produtos que a moda cria e,
portanto, possuem curta duração.
• Goodwill de Nome ou Marca ComerciaI: ocasionado pela imagem do nome da
empresa que produz o produto ou da marca sob o qual é comercializado.
Distingue-se do anterior dada a durabilidade.
Admitindo-se a classificação para o Goodwill de Paton & Paton (apud Martins,
op.cit,73), divulgada em 1952, tem-se:
• Goodwill ComerciaI: decorrente de serviços colaterais como equipe cortês de
vendedores, entregas convenientes, facilidade de crédito, dependências
apropriadas para serviço de manutenção; qualidade do produto em relação ao
preço; atitude e hábito do consumidor como fruto de nome comercial e marca
tornados proeminentes em função de propaganda persistente; localização da
firma.
• Goodwill IndustriaI: decorrente de altos salários, baixo turnover de empregados,
oportunidades internas satisfatórias para acesso às posições hierárquicas
superiores, serviço médico, sistema de segurança adequado, desde que tais
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fatores contribuam para a boa imagem da empresa e também para a redução do
custo unitário de produção devido à eficiência de uma força de trabalho operando
nessas condições.
• Goodwill Financeiro: derivado da atitude de investidores e de fontes de
financiamento e de crédito em função da empresa possuir sólida situação para
cumprir suas obrigações e manter sua imagem ou, ainda, obter recursos
financeiros que lhe permitam aquisições de matéria-prima ou mercadorias em
melhores termos e preços.
• Goodwill PoIítico: em decorrência de boas relações com o Governo.
Goodwill versus CapitaI InteIectuaI
O valor do Goodwill de uma empresa, segundo observou Monobe (op.cit. 62),
seja na sua forma convencional ou na forma definida como sinergístico, estará
sempre relacionado com a capacidade de geração de lucros dessa empresa. Da
mesma forma, os autores até então citados, relacionam o Capital Intelectual à
geração de lucros a longo prazo. Isto parece um tanto coerente com a definição de
ativo adotada.
Ao se observar os fatores responsáveis pela formação do Goodwill, segundo
Catlett & Olson (apud Martins, op. cit, 75), e pela formação do Capital Intelectual,
segundo Brooking (op. cit, 17), podem ser identificados vários pontos em comum,
conforme visto a seguir:
Fatores que geram o Goodwill:
· Administração superior.
· Organização ou gerente de vendas proeminente.
· Fraqueza na administração do competidor.
· Propaganda eficaz.
· Processos secretos de fabricação.
· Boas relações com os empregados.
· Crédito proeminente como resultado de uma sólida reputação.
· Excelente treinamento para os empregados.
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· Alta posição perante a comunidade conseguida por meio de ações filantrópicas e
participação em atividades cívicas por parte dos administradores da empresa.
· Desenvolvimento desfavorável nas operações do competidor.
· Associações favoráveis com outra empresa.
· Localização estratégica.
· Descoberta de talentos ou recursos.
· Condições favoráveis com relação aos impostos.
· Legislação favorável.
É relevante observar que os autores admitem a impossibilidade de listar todos
os fatores e condições devido à própria natureza do Goodwill.
Fatores que geram o Capital Intelectual:
· Conhecimento, por parte do funcionário, do que representa o seu trabalho para o
objetivo global da companhia.
· Funcionário tratado como um ativo raro.
· Esforço da administração para alocar a pessoa certa na função certa, considerando
suas habilidades.
· Existência de oportunidade para desenvolvimento profissional e pessoal.
· Avaliação do retorno sobre o investimento realizado em Pesquisa &
Desenvolvimento (P&D).
· Identificação do know-how gerado pela P&D.
· Identificação dos clientes recorrentes.
· Existência de uma estratégia proativa para tratar a propriedade intelectual.
· Mensuração do valor da marca.
· Avaliação do retorno sobre o investimento realizado em canais de distribuição.
· Sinergia entre os programas de treinamento e os objetivos corporativos.
· Existência de uma infra-estrutura para ajudar os funcionários a desempenhar um
bom trabalho.
· Valorização das opiniões dos funcionários sobre os aspectos de trabalho.
· Participação dos funcionários na elaboração dos objetivos traçados.
· Encorajamento dos funcionários para inovar.
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· Valorização da cultura organizacional
Um outro ponto importante trata do nascimento do Capital Intelectual. Para
Brooking (1996:12), o Capital Intelectual começou quando o primeiro vendedor
estabeleceu um bom relacionamento com o seu cliente, o que se denominou
Goodwill.
Já Edvinsson & Malone (1997:11) consideram que o Capital Intelectual pode
se apresentar como uma nova teoria, mas que ele esteve sempre presente na forma
de bom senso (considerado um dos elementos do Goodwill) e que o interesse em
entender a diferença ente o valor de mercado de uma empresa e o seu valor contábil
sempre existiu. O que se modificou foi a forma de entender esse diferencial. Antes
ele era atribuído a fatores inteiramente subjetivos e que, portanto, jamais poderiam
ser medidos empiricamente. [Goodwill?]
A afirmação dos autores sugere que o Capital Intelectual iniciou-se a partir do
Goodwill, quando de seu conceito inicial e limitado sugerindo, ainda, uma precipitada
aglutinação dos dois conceitos. Isto pode ser confirmado comparando as
classificações de ambos e os fatores responsáveis por suas formações. Entretanto,
a afirmação de H. Thomas Johnson (apud Edvinsson & Malone, op.cit, 4), ao
considerar que o Capital Intelectual encontra-se escondido no interior do "mais
misterioso lançamento contábil [sic], aquele referente ao Goodwill", dá-nos uma idéia
de complementaridade. Quanto à questão de identificação de tais elementos, esta
apresenta-se de forma muito mais complexa do que pode parecer à primeira vista,
conforme a literatura consultada.
Monobe (op. cit. 55), ao se referir à problemática da identificação do Goodwill,
assume que "um dos problemas subsistentes continua sendo a linha divisória entre o
valor atribuível ao Goodwill e aqueles atribuíveis a outros intangíveis, o que acarreta
especialmente dificuldade na sua mensuração".
Assim sendo, verifica-se que o modelo desenvolvido para mensuração do
Capital Intelectual pode ser entendido como uma tentativa de identificar e mensurar
alguns dos fatores (ativos intangíveis) que contribuem para a geração de lucros
futuros, minimizando a quantidade de intangíveis não identificados e,
consequentemente, o valor do Goodwill.
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Conclui-se, portanto, que os idealizadores do modelo estão resolvendo parte
dos componentes subjetivos do Goodwill e não o problema do Goodwill na sua
totalidade, ou melhor: "Explicando a diferença entre o valor contábil e o valor de
mercado", como se referem.
Por outro lado, supondo que consigam identificar e mensurar objetivamente
cada elemento que compõe o Capital Intelectual (ou seja, todos os elementos que
estão classificados e agrupados como Capital Intelectual) o Goodwill continuaria
existindo, segundo o conceito do Goodwill Sinergístico.
ConcIusão
A história do desenvolvimento do conhecimento contábil. Especificamente a
bibliografia existente sobre Goodwill, mais as constatações contidas neste trabalho
demonstram que a percepção da importância e a preocupação em identificar os
elementos intangíveis que interagem no sistema empresa e que, consequentemente,
agregam valor a médio e longo prazo, não é recente.
Este trabalho procurou evidenciar um pouco mais da relação existente entre a
Contabilidade e o conceito do Capital Intelectual. Pode-se concluir, portanto,
conforme demonstrado, que:
• a preocupação em identificar e mensurar os valores intangíveis de uma empresa
não é recente;
• os autores citados assumem a existência do Capital Intelectual há séculos, tendo
como origem o Goodwill;
• Goodwill e Capital Intelectual fazem parte do mesmo fenômeno, pois os fatores
que identificam a existência de um valor a mais numa organização, e que
integram o Capital Intelectual, já faziam parte do Goodwill, segundo pode ser
verificado pelas classificações mencionadas e datadas da primeira metade deste
século, podendo ser justificada a inclusão de novos elementos pela evolução
natural da sociedade;
• conceito de Capital Intelectual é uma tentativa de identificar e mensurar tais
intangíveis que, enquanto não mensurados, resultam em parte do Goodwill;
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• Capital Intelectual é um conceito que identifica e agrupa elementos intangíveis
(de acordo com as classificações apresentadas) que antes pertenciam ao
Goodwill, considerando-se o Goodwill como resultante da não aceitação pela
Contabilidade Financeira de vários itens como componentes do ativo, em virtude,
principalmente, dos Princípios do Custo como Base de Valor e o da Confrontação
das Despesas com as Receitas mais as Convenções da Objetividade e do
Conservadorismo.
Portanto, o Goodwill apresenta-se como um conceito mais abrangente do que o
do Capital Intelectual, considerando todas as conclusões. E, principalmente, Capital
Intelectual não é um conceito novo e, muito menos, desconhecido pela
Contabilidade.
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Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.
CURRÍCULO RESUMIDO
AUTORA: MARIA THEREZA POMPA ANTUNES
FORMAÇÃO: MESTRE EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS PELA FEA/USP
ESPECIALIZAÇÃO EM FINANÇAS PELO IAG/PUC/RJ
ADMINISTRADORA DE EMPRESAS PELA PUC/RJ
ATIVIDADE PROFISSIONAL: PROFESSORA E PESQUISADORA DA ÁREA
CONTÁBIL
ENDEREÇO: Rua Dr. Diogo de Faria, 513 ap. 14 Vila Clementino - CEP: 040.37-001
São Paulo - SP. Tel. (11) 539-3737 Fax: (11) 5081-3782
e-mail: teantunes@uol.com.br

 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000

,QWURGXomR

Verifica-se que desde a década de 60 vivenciamos um período de gradativas mudanças na economia mundial, que vem sendo apontado por muitos autores estudiosos do assunto, como um período de transição de uma Sociedade Industrial para uma Sociedade do Conhecimento, pois aos demais recursos existentes, e até então valorizados e utilizados na produção - terra, capital e trabalho, junta-se o conhecimento, alterando, principalmente, a estrutura econômica das nações e, sobretudo, a forma de valorizar o ser humano, pois só este detém o recurso do conhecimento. Nas organizações a aplicação do conhecimento vem impactando,

sobremaneira, o valor das mesmas, pois a materialização da aplicação desse recurso, mais as tecnologias disponíveis e empregadas para atuar num ambiente globalizado, produzem benefícios intangíveis que agregam valor às mesmas. A esse conjunto de benefícios intangíveis denominou-se Capital Intelectual. O aparecimento deste novo conceito conduz à necessidade de aplicação de novas estratégias, de uma nova filosofia de administração e de novas formas de avaliação do valor da empresa que contemple o recurso do conhecimento. Stewart (1998:14) comenta que o conhecimento é mais valioso do que os recursos naturais, grandes indústrias ou “polpudas’ contas bancárias e que empresas como a Wal-Mart, a já citada Microsoft e a Toyota não se tornaram grandes empresas por serem mais ricas do que a Sears, a IBM e a General Motors, mas, ao contrário, por possuírem algo mais valioso do que ativos físicos ou financeiros, ou seja, por possuírem Capital Intelectual. Com relação à Contabilidade empresarial tradicional considera-se que um de seus principais objetivos iniciais tenha sido o de apurar o resultado econômico e financeiro de uma entidade, e ele continua forte até hoje. Entretanto, muito se tem comentado nos últimos tempos que os relatórios fornecidos pela Contabilidade Financeira1 não retratam certas realidades das empresas, visto o valor contábil das ações estar muitas vezes abaixo do seu valor de mercado, sugerindo uma IDOKD da Contabilidade.
1

Relatórios divulgados para usuários externos e, no Brasil, segundo a Legislação das Sociedades por Ações.

2

QWHO GHSDUDVH FRP XP JUDQGH HVFkQGDOR GHYLGR D GHILFLrQFLDV HP VHX SULQFLSDO SURGXWR R FKLS 3HQWLXP H R SUHoR GH VXDV Do}HV PDO FKHJD D RVFLODU VHQGR KRMH DYDOLDGD HP 86  ELOK}HV $ 1HWVFDSH XPD HPSUHVD GH  PLOK}HV GH GyODUHV GH SDWULP{QLR FRP FLQTHQWD HPSUHJDGRV DEUH VHX FDSLWDO PHGLDQWH XPD RIHUWD LQLFLDO GH Do}HV TXH DWULEXL j HPSUHVD XP YDORU GH 86  ELOK}HV QR ILP GR GLD $ 0LFURVRIW XPD FRUSRUDomR GH 86  ELOK}HV GH SDWULP{QLR DQXQFLRX VHX VLVWHPD RSHUDFLRQDO :LQGRZV  H YLX R SUHoR GH VXDV Do}HV HOHYDUHP WRUQDQGRVH XPD FRUSRUDomR PDLV YDOLRVD TXH D &KU\VOHU RX D %RHLQJ (GYLQVVRQ 0DORQH . 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 Essa diferença entre os dois valores vem sendo identificada como Capital Intelectual (não tendo sido especificado se o valor contábil é aquele referente a cada elemento patrimonial ou se o da empresa como um todo) e formas de identificar os fatores intangíveis que o compõem e que resultam em tal diferença. $ 6RXWKZHVW $LUOLQHV p DYDOLDGD D XP SUHoR PDLRU GR TXH RXWUDV HPSUHVDV DpUHDV WUDGLFLRQDLV PXLWR PDLRUHV $ . retratados abaixo. confirmam as conseqüências dessa realidade. A urgência da Contabilidade em considerar determinados ativos intangíveis na mensuração do real valor da empresa parece ser senso comum e os fatos apontados por alguns autores. vêm sendo propostas.

2 FXVWR WDQJtYHO GR :LQGRZV  SURGX]LGR SHOD 0LFURVRIW UHSUHVHQWD  GR YDORU WRWDO  VHQGR D GLIHUHQoD DWULEXtGD D FRQKHFLPHQWR $OFkQWDUD .

%LOO *DWHV p R SULQFLSDO DWLYR GH VXD HPSUHVD $ MXVWLILFDWLYD GHVVD DILUPDomR p R IDWR GH D 0LFURVRIW YDOHU KRMH QD %ROVD GH 9DORUHV DOJR HP WRUQR GH 86  ELOK}HV TXDVH GH] YH]HV PDLV GR TXH D HPSUHVD IDWXUD 6i .

$ 2WLFRQ +ROGLQJ 6$ LQG~VWULD GH DSDUHOKRV DXGLWLYRV GLQDPDUTXHVD UHJLVWURX XP FUHVFLPHQWR HP WHUPRV GH YDORU GH PHUFDGR GH  PLOK}HV GH FRURDV GLQDPDUTXHVDV HP  SDUD  ELOK}HV DWXDOPHQWH HPERUD VRPHQWH  PLOK}HV GH FRURDV HQFRQWUHPVH UHJLVWUDGRV QR EDODQoR SDWULPRQLDO /DEDUUH .

pode-se concluir. Mas. dois 3 . visível no valor das ações em bolsa. que o hiato deixado pela Contabilidade tradicional reflete-se na diferença entre o valor patrimonial e o valor de mercado. à primeira vista. Analisando-se as citações acima.

Para atender tal intuito. 4 . portanto. compreende os bens e os direitos da entidade expressos em moeda. Na prática. principalmente os ativos intangíveis. assim. Numa diferenciação simplista. Entretanto. julga-se importante tecer algumas considerações sobre o Ativo no tocante apenas ao conceito que se firma para o entendimento do Capital Intelectual. obviamente. $WLYR Ativo. na prática empresarial a classificação não é tão simples assim apresentando transtorno na identificação dos itens que compõem o grupo dos ativos no balanço patrimonial. bem como proceder a uma análise comparativa entre os conceitos do Capital Intelectual e do *RRGZLOO. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 outros aspectos que chamam a atenção e que. além dos tangíveis. pode-se atribuir à lacuna deixada pela Contabilidade podem ser identificados: o comportamento inesperado das ações de certas companhias. não objetivando. e a mudança na composição dos custos dos produtos e serviços. pois os custos tangíveis estão perdendo espaço para o recurso do conhecimento. afetando. os primeiros são aqueles que possuem existência física e os segundos são os que não possuem. como visto até então. os ativos intangíveis só vêm sendo avaliados precisamente quando a empresa é vendida. igualmente. divulgar informações mais próximas da realidade para os interessados. mesmo quando essas enfrentam alguma situação adversa. Entretanto. sobremaneira. os gestores necessitam ter conhecimento (identificação e mensuração) desses ativos que a empresa possui para administrar a continuidade da mesma e. fato amplamente comentado no capítulo primeiro. esgotar o assunto. Considerando que a aplicação do recurso do conhecimento nas organizações gera benefícios intangíveis. para a Contabilidade tradicional. justifica-se uma averiguação sobre o que a Contabilidade vem fazendo no sentido de mensurar esse valor. são classificados em ativos tangíveis e ativos intangíveis. que impactam o seu valor. o real valor da empresa. Por sua vez.

pode-se considerar as elencadas abaixo: Paton (1962:46) ao considerar as características físicas do ativo afirma que RV DWLYRV QmR VmR LQHUHQWHPHQWH WDQJtYHLV RX ItVLFRV 8P DWLYR UHSUHVHQWD XPD TXDQWLD HFRQ{PLFD 3RGH RX QmR HVWDU UHODFLRQDGR RX VHU UHSUHVHQWDGR SRU XP REMHWR ItVLFR  JULIR QRVVR. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 Numa análise mais abrangente da definição de ativo. mas não admitida pelas normas contábeis atuais (Contabilidade Financeira).

Iudícibus (1994:106) corrobora com a visão de Paton ao assumir a principal característica de um ativo: $ FDUDFWHUtVWLFD IXQGDPHQWDO p D VXD FDSDFLGDGH GH SUHVWDU VHUYLoRV IXWXURV j HQWLGDGH TXH RV WHP LQGLYLGXDO RX FRQMXQWDPHQWH FRP RXWURV DWLYRV H IDWRUHV GH SURGXomR FDSD]HV GH VH WUDQVIRUPDU GLUHWD RX LQGLUHWDPHQWH HP IOX[RV GH HQWUDGD GH FDL[D 7RGR DWLYR UHSUHVHQWD PHGLDWD RX LPHGLDWDPHQWH GLUHWD RX LQGLUHWDPHQWH XPD SURPHVVD IXWXUD GH FDL[D 4XDQGR IDODPRV LQGLUHWDPHQWH TXHUHPRV UHIHULUQRV DRV DWLYRV TXH QmR VmR YHQGLGRV FRPR WDLV SDUD UHDOL]DUPRV GLQKHLUR PDV TXH FRQWULEXHP SDUD R HVIRUoR GH JHUDomR GH SURGXWRV TXH PDLV WDUGH VH WUDQVIRUPDP HP GLVSRQtYHO JULIR QRVVR. em sua tese de doutoramento sobre a mensuração do ativo intangível. adota a seguinte definição para ativo $WLYR p R IXWXUR UHVXOWDGR HFRQ{PLFR TXH VH HVSHUD REWHU GH XP DJHQWH  (grifo nosso) De forma mais analítica. Martins (1972:30).

no presente e/ou no futuro . e por definição. o transporte é o ativo. pois. os ativos tangíveis possuem 5 . o autor complementa que: R DJHQWH WHP LPSRUWkQFLD DSHQDV QD H[WHQVmR HP TXH SRGH WUD]HU UHVXOWDGRV HFRQ{PLFRV IXWXURV Ressalta-se que considerar o resultado . Mais adiante. Segundo o referido autor. a diferença reside entre qualificar o agente como sendo o ativo (visão tradicional/Contabilidade Financeira) e qualificar o resultado trazido pelo agente (visão econômica). pois este emprega o conceito econômico de ativo em contraposição ao conceito conservador que considera o agente como ativo. com raras exceções. Martins (1972:29) sintetiza a principal diferença nas duas visões expostas sobre como conceituar um ativo. Atribuir valor a um ativo tangível parece ser mais fácil do que a um ativo intangível. exemplifica: o caminhão é o agente.ao invés do agente na identificação de um ativo é fator primordial para o entendimento do Capital Intelectual. Assim.

Assim sendo. e como observa Martins (1972:54. levando-se em conta algumas considerações quanto à valoração a preço de custo. de mercado ou de realização. principalmente por ser a essência dos elementos que hoje formam o valor real da entidade. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 corpo e não necessitam de uma avaliação com maior grau de subjetividade. a questão permanece nos ativos intangíveis.

dada a complexidade de atribuir-se valor. um ativo tangível se considerado o agente. verifica-se que essa preocupação não é recente. remonta a séculos atrás.QWDQJtYHO VHMD R JUDX GH LQFHUWH]D H[LVWHQWH QD DYDOLDomR GRV IXWXURV UHVXOWDGRV TXH SRU HOHV SRGHUmR VHU SURSRUFLRQDGRV Em outras palavras. 7DOYH] D FDUDFWHUtVWLFD PDLV FRPXP D WRGRV RV LWHQV GR $WLYR . 1998:20) ilustra esse fato. é crescente a securitização de ativos intangíveis. Entre Economistas e Contadores muitos trabalhos envolvendo o tema no geral ou em específico e. $WLYR . Todo o interesse que o tema vem despertando nos meios acadêmico e profissional durante tantos anos. mas que ainda encontra resistência na Contabilidade tradicional de ser visto como tal devido a entidade não possuir a sua posse e propriedade. adquire maior urgência na medida em que os intangíveis ganham espaço na economia atual como um todo. gerando controvérsias e evolução em termos de aceitação e conceito. como por exemplo. ainda.QWDQJtYHO Ao averiguar-se a evolução histórica envolvendo a sistemática de reconhecimento e mensuração dos ativos intangíveis pela Contabilidade. A matéria publicada no The Economist (apud Gazeta Mercantil. ainda. embora não tendo encontrado. muito pelo contrário. e nas organizações especificamente e. o de direitos autorais. unanimidade quanto ao seu tratamento. Segundo o artigo. foram desenvolvidos durante este século. também. e nem mesmo o seu controle e. embora trabalhos específicos sobre o tema datem do final do século passado. a falta de objetividade. vêm sendo identificados por Capital Intelectual. conforme já comentado. a contabilização dos recursos humanos. Nota-se que o autor chamou este tipo de 6 .

ou seja. vem sendo alvo de muitos estudos e pesquisas dada a sua complexidade. (1963). Deve-se considerar que a objetividade. O mais perto que um contador pode chegar à exatidão informacional é no montante de caixa disponível. Parece óbvio que o autor imaginava um macroambiente com economia estável. relevância e discordância entre os autores estudiosos do assunto. Entretanto. como tal. até a mensuração do caixa estaria sujeita a um determinado grau de subjetivismo. é também perseguida pelos cientistas em geral. pode ser sentida 7 . Acredita-se que o adjetivo empregado pode ser atribuído à mudança de paradigma ainda não assimilada pelo próprio. ou mesmo o desconhecimento da natureza do *RRGZLOO. além de ser uma convenção para a Contabilidade. sim. sem inflação ou deflação. também devido ao Princípio do Custo como Base de Valor). e que vale a pena ser lembrado. conforme apontado por Martins e. para apurar o resultado de suas atividades. A conseqüência da não-existência de um conceito conclusivo sobre o *RRGZLOO. Martins (1972: 58) considera que os Princípios do Custo como Base do Valor e o da Confrontação das Despesas com as Receitas mais as Convenções da Objetividade e do Conservadorismo têm restringido a aceitação de vários itens como elementos componentes do ativo. por esta convenção não poder ser aplicada consistentemente e de forma plena pela Contabilidade Financeira aos intangíveis. deve-se levar em conta a visão de Bierman Jr. quando fez tal afirmação. impedindo a Contabilidade de evidenciar os fatos da maneira mais próxima do real. Do contrário. referente à essa questão. O *RRGZLOO é um dos componentes dos Ativos Intangíveis e. quando se afirma que é de fato impossível ter-se uma estrita interpretação de evidência objetiva. cujos efeitos mais dramáticos se fazem sentir nos ativos intangíveis. dando origem ao *RRGZLOO. Talvez. Outro aspecto de igual importância. seja esta senão a única. a menos que a Contabilidade seja limitada à mensuração do caixa. é que os princípios de avaliação contábil utilizados não foram feitos para medir o valor de venda de uma empresa e. mas a principal causa do seu não reconhecimento (outra causa poderia ser devida ao Conservadorismo. tornando-se algumas vezes até uma "obsessão". 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 securitização de "recebíveis bem exóticos".

 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 nas palavras de vários autores consultados. é o seu entendimento. lealdade dos clientes. Infrastructure assets. por tratar-se de um assunto ainda incipiente . A metáfora empregada caracteriza a extensão da importância dos ativos intangíveis e quão desigual. franquias etc. clientes. tais como: marca. frutos das mudanças nas áreas da tecnologia da informação. Após a conceituação do Capital Intelectual voltar-se-á ao assunto *RRGZLOO.QWHOHFWXDO No momento presente. Intellectual property assets. Para a referida autora. que trazem benefícios intangíveis para as empresas e que capacitam o funcionamento das mesmas. envolvendo a mensuração e o gerenciamento do Capital Intelectual. só que o momento atual apresenta uma tendência de não admitir subjetivações e os autores Edvinsson e Malone apontam o Capital Intelectual como sendo o caminho para resolver esta problemática. 2 &RQFHLWR GH &DSLWDO . canais de distribuição. Optou-se por apresentar as conceituações de 3 (três) autores.e na publicação das mesmas.QWHOHFWXDO H $WLYRV GH . e até mesmo injusto. 2 No original: Market assets. os conceitos de Capital Intelectual diferem em alguns aspectos mas. Entre outros. apresentam o mesmo conteúdo. mídia e comunicação. 8 . esta questão não é tão simples quanto pode aparentar. negócios em andamento (EDFNORJ). Potencial que a empresa possui em decorrência dos intangíveis que estão relacionados ao mercado.QIUD(VWUXWXUD A autora define a composição de cada grupo da seguinte forma: • $WLYRV GH 0HUFDGR. os quais acredita-se terem sido os pioneiros no desenvolvimento de pesquisas conclusivas .embora ainda não definitivas. Brooking (1996:12-13) define Capital Intelectual como uma combinação de ativos intangíveis. Human-centred assets. na essência. o Capital Intelectual pode ser dividido em quatro categorias2 : $WLYRV GH 0HUFDGR $WLYRV +XPDQRV $WLYRV GH 3URSULHGDGH . Entretanto. negócios recorrentes. hoje considerados os mais consistentes no assunto. Edvinson & Malone (1998:22) empregam a expressão "saco de gatos".

criatividade. relacionamento com os clientes e tudo o mais da capacidade organizacional que apoia a produtividade dos empregados. a saber: • &DSLWDO +XPDQR Composto pelo conhecimento. habilidade para resolver problemas. • &DSLWDO (VWUXWXUDO Formado pelos equipamentos de informática. aceitação de risco. patentes. Comparando uma empresa a uma árvore. tais como: . 9 . • • Edvinsson & Malone (1998:9) empregam uma linguagem metafórica no intuito de melhor conceituar o Capital Intelectual. $WLYRV GH 3URSULHGDGH . as metodologias e processos empregados como cultura. pode ser desdobrado em uma categoria separada como Capital de Clientes. inserido no Capital Estrutural. denotando maior importância deste item para o valor da empresa. tudo visto de forma coletiva e dinâmica. poder de inovação e habilidade dos empregados mais os valores. a cultura e a filosofia da empresa. FRS\ULJKW. $WLYRV GH . Edvinsson & Malone observam que o relacionamento com os clientes. galhos e folhas ao que está descrito em organogramas. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 • $WLYRV +XPDQRV Os benefícios que o indivíduo pode proporcionar para as organizações por meio da sua expertise.QRZ+RZ. nas demonstrações contábeis e em outros documentos. sistema de informação. no sistema de raízes. designs etc.QWHOHFWXDO Os ativos que necessitam de proteção legal para proporcionarem às organizações benefícios.QIUD(VWUXWXUD As tecnologias. métodos gerenciais. banco de dados. patentes. e a parte que encontra-se abaixo da superfície. banco de dados de clientes etc. conhecimento. Os autores dividem os fatores ocultos em dois grupos. softwares. ao Capital Intelectual que são os fatores dinâmicos ocultos que embasam a empresa visível formada por edifícios e produtos. consideram a parte visível como tronco. segredos industriais. marcas registradas. expertise.

uma outra diferença que pode suscitar algum questionamento e. ou se o da empresa como um todo. a primeira matéria empregando o conceito do Capital Intelectual. terem versado sobre o impacto do conhecimento como recurso para a sociedade décadas atrás. julga-se esta ser uma forma muito simplista de definir a situação e. 'HVHQYROYLPHQWR KLVWyULFR GR FRQFHLWR GH &DSLWDO . referindo-se ao mesmo objeto. Quanto ao significado do Capital Intelectual e dos elementos que o compõem. A autora utiliza a palavra ativo e os autores utilizam a palavra capital. os autores assentem. Logo. além do mais. ou capital) ocultos que agregam valor às empresas e capacitam a continuidade da mesma. principalmente Peter Drucker e John Kenneth Galbraith. Além disso. igualmente. verifica-se que existe uma diferença quanto à classificação utilizada: o Capital Estrutural definido por Edvinsson & Malone contém os Ativos de Mercado. pois estes se enquadram na definição de ativo adotada anteriormente. pois todos os componentes do Capital Intelectual são elementos essenciais para as empresas. ainda. pois o Capital Intelectual é o conjunto de valores (ou ativo. Verifica-se. conclui-se que ambas estão corretamente empregadas. foi a publicada por 10 . de Propriedade Intelectual e de Infra-Estrutura apontados por Brooking. a despeito de proeminentes autores. digna de nota. Quanto à referência que os autores fazem de considerar o Capital Intelectual como uma explicação para a diferença entre o valor contábil da empresa e o seu valor de mercado. representando recursos (ou capital) se vistos pela Economia e ativos (bens e/ou direitos) se vistos pela Contabilidade. Embora eles não tenham explicado o porquê de tal procedimento. não especificam qual o critério de avaliação dos ativos empregado. admite-se a sua utilização como sinônimos. individualmente. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 &RQVLGHUDo}HV VREUH RV FRQFHLWRV DSUHVHQWDGRV Analisando-se essas definições. ou recursos. portanto. de que se tem informação. os autores não deixam claro a qual valor contábil se referem: se ao valor de cada ativo.QWHOHFWXDO Verifica-se que.

A história mostra que economistas.W. por exemplo. todas as organizações empregaram a mesma denominação para explicar o mesmo fenômeno. cujo principal executivo para esse assunto é Leif Edvinsson. Roger Hermanson. Esta matéria. Segundo a visão dos economistas. 11 . faz uma retrospectiva histórica sobre a evolução do entendimento do ser humano como capital. o ser humano é considerado capital por possuir capacidade de gerar bens e serviços. que desenvolveram métodos para avaliar os recursos humanos. e na área da Contabilidade por Eric Flamholtz. Os objetivos que impulsionaram tais pesquisas foram de caracter econômico como. Entre os economistas clássicos. Tinoco (1996:54) aponta Adam Smith e Marx Weber como aqueles que deram continuidade aos estudos sobre o tema em questão. Kwasnicka (1981:17-22). a partir do século XV. Segundo a autora. por meio do emprego da sua força de trabalho e do conhecimento. complementa Tinoco. Schultz e Gary Becker. Neste artigo. qual seja: Capital Intelectual. estimar perdas com as guerras e com as migrações. entre elas a da Skandia AFS. Lee Brumet entre outros. foi neste século que o conceito de recursos humanos como capital tomou vulto por meio dos trabalhos desenvolvidos pelos economistas T. em pesquisa sobre o impacto da contabilização dos recursos humanos numa organização. já investiram esforços no sentido de encontrar uma forma de atribuir valor monetário ao ser humano. em 1994 com o título: "Your Company´s Most Valuable Asset: Intellectual Capital" . entre outros. O que se verificou em maior abundância foram estudos desenvolvidos em torno de um dos elementos que compõem o Capital Intelectual: o Capital Humano. primeira organização a divulgar um relatório suplementar às Demonstrações Contábeis divulgando o Capital Intelectual. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 Thomas Stewart. Ernest Engel (1883) e Theodor Wiltstein (1867). a base dos estudos em torno do tema encontra-se em William Farr (1853). tendo Wiltstein definido o ser humano como bem de capital. que serviu de base para alguns artigos acadêmicos nos Estados Unidos e no Brasil. na Fortune. diversas vezes citado anteriormente. Entretanto. constituindo-se em importantes fontes de acumulação e de crescimento econômico. abordava as primeiras experiências realizadas por algumas companhias para mensurar o seu Capital Intelectual.

por vezes. no bem-estar. A instrução e o progresso no conhecimento constituem importantes fontes de crescimento econômico. A importância que o ser humano possuidor do recurso fundamental do conhecimento representa para as organizações atualmente pode conduzir a tal equívoco. basicamente. Maria Thereza P. o que é mais importante. um conceito de capital restrito a estruturas. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 A importância da aceitação do Capital Humano para a economia no geral é muito bem colocada por Schultz (1967:64). todas as conquistas. 2000. que o conceito de capital e de formação de capital deveria ser ampliado de forma a incluir investimento em seres humanos. de Propriedade Intelectual e de Infra-Estrutura. abrange vários elementos intangíveis além do próprio Capital Humano. geradas pelo progresso econômico em longos períodos de tempo. Como o Ativo Humano ou Capital Humano compreende os benefícios que o indivíduo pode propiciar para as organizações. São Paulo: Atlas. para Brooking. capítulo 1. Segundo o autor. o que se dá. Isto porque o conhecimento lato e stricto se materializam no: Capital Estrutural para Edvinsson & Malone. é extremamente limitado para estudar tanto o crescimento econômico computável (renda nacional) como. Complementa. cujo investimento na educação e ensino é a sua base. Ressalta-se que o conhecimento a que os economistas se referem é o conhecimento no seu sentido amplo. O que se entende de tal procedimento é o fato do Capital Intelectual ser relativo ao intelecto que só os seres humanos possuem.3 $OJXPDV FRQVLGHUDo}HV VREUH $WLYR&DSLWDO +XPDQR O Capital Intelectual. o Capital Intelectual abrange o elemento possuidor do recurso do conhecimento e tudo mais que é resultante da aplicação do conhecimento. equipamentos de produção e patrimônio. citando Kuznets. sendo entendido como Capital Intelectual somente aquele que deriva do conhecimento humano. Assim sendo. e nos Ativos de Mercado. Capital Intelectual e Capital Humano se confundem. 12 . é natural que hoje em dia as 3 Ver a esse respeito: ANTUNES. Verifica-se que. pelo investimento na instrução. como definido até o momento. Capital Intelectual.

13 . mas o Q. principalmente. cita o estudo realizado entre os engenheiros e cientistas que apresentavam os melhores resultados do teste de Q. acadêmico dos Laboratórios Bell. Quanto melhor o capital humano/ativo humano de uma organização. habilidade de não permitir que a aflição impeça a capacidade de pensar e. pode-se concluir que a Inteligência Emocional envolve a habilidade de resolver problemas e enfrentar situações adversas. São mais capazes de motivar-se e de transformar suas redes informais em equipes improvisadas.I. a tecnologia. A Inteligência Emocional abrange aspectos como motivação e persistência diante de frustrações. Leva-se em conta nas organizações a Inteligência Emocional (Q. os quais denominou de "profissionais-estrelas". referindo-se ao ambiente organizacional.E. mensurado pela aplicação de testes específicos até então. de expor idéias com clareza e rapidez. não mais no Recurso Humano da força braçal." Em outras palavras. 2 &RQFHLWR GH *RRGZLOO Considerando a complexidade que envolve o tema *RRGZLOO. autocontrole.E. pretende-se. alguns despontam como estrelas.I. melhores resultados ela alcançará no Capital Intelectual.). as organizações necessitam se apoiar no Recurso Humano do conhecimento. Goleman (1996:176). à medida que por um lado supre este fator. enquanto outros têm apenas produção mediana. e ressalta: "O que faz a diferença entre as estrelas e os outros não é o Q. avaliação e classificação que possibilitarão uma comparação com o conceito do Capital Intelectual. teoria desenvolvida por Goleman (1996) em obra homônima. apenas estabelecer alguns aspectos quanto à sua natureza. no momento. de ser criativo e saber fazer materializar sua imaginação. observou que dentro desse banco de talentos. Entretanto. Mas a percepção de inteligência não capta apenas o Quociente de Inteligência (Q. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 empresas dediquem maiores esforços para identificar aquelas pessoas que poderão otimizar essa relação de causa e efeito. Consequentemente. por outro lado demanda pelo potencial humano da inteligência.I. acadêmico deles. o aspecto de relacionamento em grupo e empatia.).

 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 Monobe. com a atividade industrial. Segundo as duas significativas definições apresentadas pode-se inferir que não existe um consenso sobre o critério de valor a ser utilizado. em sua Terminologia Oficial de Contabilidade Gerencial (1996:87) *RRGZLOO é definido como a diferença entre o valor de um negócio como um todo e a soma dos ativos individuais avaliados pelo seu valor justo. observa que a primeira aparição do *RRGZLOO foi vinculada à terra [em 1571] e gradativamente foi sendo relacionado com o comércio. em termos de capacidade de geração de lucros futuros. 63) É sabido que a Contabilidade Financeira reconhece e contabiliza o *RRGZLOO apenas quando ocorre a compra de uma empresa. e o valor econômico dos seus ativos apresentando. Esta característica persiste até hoje para certos fatores e para outros tantos que foram sendo acrescidos na medida em que os ativos intangíveis não contabilizados ou não identificados vieram aumentando proporcionalmente aos demais ativos devido a sofisticação dos negócios. (Monobe. à fidelidade da clientela. não é o objetivo no momento. Sob esse conceito. com a localização privilegiada. numa conceituação moderna. portanto. o referido autor afirma que. quanto à sua característica residual não há dúvidas. 1986:65) Segundo o The Chartered Institute of Management Accountants. uma característica residual. conforme já dito. Quanto ao seu valor. cujo aprofundamento. a processos industriais. em sua tese de doutoramento intitulada "Contribuição à mensuração e contabilização do *RRGZLOO adquirido". o mais importante instituto de contadores gerenciais do Reino Unido. 1986:51-52. à personalidade dos proprietários. Todos esses fatores vieram sendo apontados como os responsáveis (ou fatores contribuintes) pela geração de lucro da empresa a longo prazo e não reconhecidos pela Contabilidade. Soma-se aos conceitos anteriores um outro que identifica a ocorrência da sinergia numa empresa. o *RRGZLOO corresponde à diferença entre o valor atual da empresa como um todo. (Monobe. a conexões financeiras e a staffs eficientes (1986:51). Entretanto. a soma 14 . mesmo que se tenha identificado e mensurado economicamente todos os ativos tangíveis e intangíveis.

facilidade de crédito. 61) Em outras palavras significa dizer que o *RRGZLOO sempre existirá sob a ótica sinérgica. divulgada em 1952.73). baixo turnover de empregados. portanto. entregas convenientes. • *RRGZLOO (YDQHVFHQWH característico de certos produtos que a moda cria e. sistema de segurança adequado. • *RRGZLOO GH 1RPH RX 0DUFD &RPHUFLDO ocasionado pela imagem do nome da empresa que produz o produto ou da marca sob o qual é comercializado. cit. 74) o *RRGZLOO assume a seguinte divisão: • *RRGZLOO &RPHUFLDO criado em função exclusivamente da empresa como um todo independente das pessoas proprietárias ou administradoras. valendo ressaltar que é datada de 1923. advogados e contadores em alguns países. dependências apropriadas para serviço de manutenção. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 individualmente seria menor do que a soma do seu conjunto. Admitindo-se a classificação para o *RRGZLOO de Paton & Paton (apud Martins. • *RRGZLOO 3URILVVLRQDO desenvolvido por uma classe profissional que cria uma imagem que a distingue dentro da sociedade propiciando condições de alta remuneração como no caso dos médicos. localização da firma. &ODVVLILFDomR GR *RRGZLOO Conforme a classificação de Coyngton. Distingue-se do anterior dada a durabilidade. op. qualidade do produto em relação ao preço. op.cit. (apud Martins. (Monobe. serviço médico. op. • *RRGZLOO 3HVVRDO decorrente de uma ou várias pessoas que integram a empresa sendo proprietária (s) ou administradora (s).cit.QGXVWULDO decorrente de altos salários. • *RRGZLOO . tem-se: • *RRGZLOO &RPHUFLDO decorrente de serviços colaterais como equipe cortês de vendedores. oportunidades internas satisfatórias para acesso às posições hierárquicas superiores. atitude e hábito do consumidor como fruto de nome comercial e marca tornados proeminentes em função de propaganda persistente. possuem curta duração. desde que tais 15 .

podem ser identificados vários pontos em comum. · Fraqueza na administração do competidor.QWHOHFWXDO O valor do *RRGZLOO de uma empresa. • *RRGZLOO 3ROtWLFR em decorrência de boas relações com o Governo. 17). Da mesma forma. ainda. · Organização ou gerente de vendas proeminente. seja na sua forma convencional ou na forma definida como sinergístico. e pela formação do Capital Intelectual. conforme visto a seguir: Fatores que geram o *RRGZLOO: · Administração superior. relacionam o Capital Intelectual à geração de lucros a longo prazo. · Propaganda eficaz. · Crédito proeminente como resultado de uma sólida reputação. segundo Brooking (op. 16 . obter recursos financeiros que lhe permitam aquisições de matéria-prima ou mercadorias em melhores termos e preços. 75). segundo observou Monobe (op. cit. op.cit. estará sempre relacionado com a capacidade de geração de lucros dessa empresa. Ao se observar os fatores responsáveis pela formação do *RRGZLOO. • *RRGZLOO )LQDQFHLUR derivado da atitude de investidores e de fontes de financiamento e de crédito em função da empresa possuir sólida situação para cumprir suas obrigações e manter sua imagem ou. 62). segundo Catlett & Olson (apud Martins. · Boas relações com os empregados. · Processos secretos de fabricação. *RRGZLOO YHUVXV &DSLWDO . 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 fatores contribuam para a boa imagem da empresa e também para a redução do custo unitário de produção devido à eficiência de uma força de trabalho operando nessas condições. Isto parece um tanto coerente com a definição de ativo adotada. · Excelente treinamento para os empregados. cit. os autores até então citados.

· Valorização das opiniões dos funcionários sobre os aspectos de trabalho. · Avaliação do retorno sobre o investimento realizado em canais de distribuição. · Existência de uma estratégia proativa para tratar a propriedade intelectual. considerando suas habilidades. · Existência de uma infra-estrutura para ajudar os funcionários a desempenhar um bom trabalho. · Associações favoráveis com outra empresa. · Desenvolvimento desfavorável nas operações do competidor. do que representa o seu trabalho para o objetivo global da companhia. · Mensuração do valor da marca. · Esforço da administração para alocar a pessoa certa na função certa. por parte do funcionário. · Sinergia entre os programas de treinamento e os objetivos corporativos. · Encorajamento dos funcionários para inovar. · Descoberta de talentos ou recursos. · Localização estratégica. · Identificação do know-how gerado pela P&D. · Participação dos funcionários na elaboração dos objetivos traçados. · Condições favoráveis com relação aos impostos. É relevante observar que os autores admitem a impossibilidade de listar todos os fatores e condições devido à própria natureza do *RRGZLOO. · Identificação dos clientes recorrentes. · Existência de oportunidade para desenvolvimento profissional e pessoal. · Legislação favorável. 17 . 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 · Alta posição perante a comunidade conseguida por meio de ações filantrópicas e participação em atividades cívicas por parte dos administradores da empresa. Fatores que geram o Capital Intelectual: · Conhecimento. · Funcionário tratado como um ativo raro. · Avaliação do retorno sobre o investimento realizado em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).

Monobe (op. mas que ele esteve sempre presente na forma de bom senso (considerado um dos elementos do *RRGZLOO) e que o interesse em entender a diferença ente o valor de mercado de uma empresa e o seu valor contábil sempre existiu. aquele referente ao *RRGZLOO". o valor do *RRGZLOO. 55). Antes ele era atribuído a fatores inteiramente subjetivos e que. ao considerar que o Capital Intelectual encontra-se escondido no interior do "mais misterioso lançamento contábil [sic]. portanto. cit. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 · Valorização da cultura organizacional Um outro ponto importante trata do nascimento do Capital Intelectual. Quanto à questão de identificação de tais elementos. ainda. dá-nos uma idéia de complementaridade. ao se referir à problemática da identificação do *RRGZLOO. 4). esta apresenta-se de forma muito mais complexa do que pode parecer à primeira vista. Para Brooking (1996:12). o Capital Intelectual começou quando o primeiro vendedor estabeleceu um bom relacionamento com o seu cliente. O que se modificou foi a forma de entender esse diferencial. quando de seu conceito inicial e limitado sugerindo. [*RRGZLOO?] A afirmação dos autores sugere que o Capital Intelectual iniciou-se a partir do *RRGZLOO. 18 . verifica-se que o modelo desenvolvido para mensuração do Capital Intelectual pode ser entendido como uma tentativa de identificar e mensurar alguns dos fatores (ativos intangíveis) que contribuem para a geração de lucros futuros. o que se denominou *RRGZLOO. o que acarreta especialmente dificuldade na sua mensuração". Assim sendo. Já Edvinsson & Malone (1997:11) consideram que o Capital Intelectual pode se apresentar como uma nova teoria. conforme a literatura consultada. consequentemente. assume que "um dos problemas subsistentes continua sendo a linha divisória entre o valor atribuível ao *RRGZLOO e aqueles atribuíveis a outros intangíveis. uma precipitada aglutinação dos dois conceitos. Entretanto. Isto pode ser confirmado comparando as classificações de ambos e os fatores responsáveis por suas formações. minimizando a quantidade de intangíveis não identificados e.cit. jamais poderiam ser medidos empiricamente. Thomas Johnson (apud Edvinsson & Malone. op. a afirmação de H.

que os idealizadores do modelo estão resolvendo parte dos componentes subjetivos do *RRGZLOO e não o problema do *RRGZLOO na sua totalidade. • conceito de Capital Intelectual é uma tentativa de identificar e mensurar tais intangíveis que. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 Conclui-se. Pode-se concluir. portanto. &RQFOXVmR A história do desenvolvimento do conhecimento contábil. segundo pode ser verificado pelas classificações mencionadas e datadas da primeira metade deste século. tendo como origem o *RRGZLOO. supondo que consigam identificar e mensurar objetivamente cada elemento que compõe o Capital Intelectual (ou seja. 19 . Este trabalho procurou evidenciar um pouco mais da relação existente entre a Contabilidade e o conceito do Capital Intelectual. Por outro lado. todos os elementos que estão classificados e agrupados como Capital Intelectual) o *RRGZLOO continuaria existindo. • os autores citados assumem a existência do Capital Intelectual há séculos. já faziam parte do *RRGZLOO. ou melhor: "Explicando a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado". pois os fatores que identificam a existência de um valor a mais numa organização. portanto. podendo ser justificada a inclusão de novos elementos pela evolução natural da sociedade. enquanto não mensurados. Especificamente a bibliografia existente sobre *RRGZLOO. como se referem. mais as constatações contidas neste trabalho demonstram que a percepção da importância e a preocupação em identificar os elementos intangíveis que interagem no sistema empresa e que. consequentemente. conforme demonstrado. resultam em parte do *RRGZLOO. e que integram o Capital Intelectual. • *RRGZLOO e Capital Intelectual fazem parte do mesmo fenômeno. segundo o conceito do *RRGZLOO Sinergístico. que: • a preocupação em identificar e mensurar os valores intangíveis de uma empresa não é recente. não é recente. agregam valor a médio e longo prazo.

principalmente. E. Capital Intelectual não é um conceito novo e. principalmente. em virtude. considerando todas as conclusões. muito menos. 6HPDQD GH &RQWDELOLGDGH GR %DQFR &HQWUDO GR %UDVLO 9 e 10 de novembro de 2000 • Capital Intelectual é um conceito que identifica e agrupa elementos intangíveis (de acordo com as classificações apresentadas) que antes pertenciam ao *RRGZLOO. desconhecido pela Contabilidade. dos Princípios do Custo como Base de Valor e o da Confrontação das Despesas com as Receitas mais as Convenções da Objetividade e do Conservadorismo. 20 . considerando-se o *RRGZLOO como resultante da não aceitação pela Contabilidade Financeira de vários itens como componentes do ativo. o *RRGZLOO apresenta-se como um conceito mais abrangente do que o do Capital Intelectual. Portanto.

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