APONTAMENTOS DE GESTÃO DE AMBIENTE URBANO (Elaborados por Vera Afonso

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Capítulo I – Qualidade do Ambiente Urbano

Estrutura Radiocêntrica: As ruas saiam do centro em radial até as portas das muralhas; As ruas secundárias uniam estas radiais, formando por vezes um circulo em redor do centro; As muralhas tinham uma forma circular ou elíptica; O centro era ocupado pela catedral ou pela igreja, sendo que na sua praça funcionava em geral o mercado; Os grandes monumentos ocupam geralmente o local central. Cidades lineares: formadas ao longo de um caminho, o qual se alarga para dar origem a uma praça, seguindo depois o seu percurso (em Espanha são algumas cidades do Caminho de Santiago). Cidades em cruz: com base em duas ruas que se cruzam; Cidades de esquadria: caso das bastidas em França; Cidades Nucleares: com um centro para o qual todas as ruas confluem; Vitrubrio: escreveu um livro que serviria de inspiração à arquitectura do Renascimento, incluindo definições como: As cidades deveriam ter uma estrutura que os defenda dos ventos dominantes; A planta da sua cidade era octogonal, rodeada de muralhas; Os cantos das muralhas deveriam ser curvos para, deste forma serem mais difíceis de destruir;O modelo proposto por Vitrubio foi implementado, em especial, em cidades do centro da Europa, onde os conflitos eram constantes.

Em Portugal, o maior exemplo da aplicação dos princípios do Barroco corresponde ao Terreiro do Paço e zona envolvente. Construída após o terremoto de 1755, contem alguns elementos característicos: Praça rectangular, delimitada por edifícios monumentais com arcadas; Estátua central com a figura do rei – Símbolo do poder; Ruas lineares a saírem da praça central, com um eixo central, a Rua Augusta, com um arco de acesso monumental. Extrema geometria e uniformidade dos edifícios

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Definição de Cidades Visão Histórica - “Cidade queria dizer abertura, capacidade de mudança, liberdade, capacidade de organizar intercâmbios económicos ou culturais, etc. basicamente por razões políticas. Então, a cidade foi o elemento central, o elemento básico, a célula central da sociedade moderna…” Alain Touraine (1998) in Curtit (2003). Lugar de encontro, de intercâmbio, de diferenciação e integração, condicionado pelas organizações sociais e sistemas produtivos que o constroem, lhe dão forma e moldam como tempo. Curtit (2003). Cidade=Oikos+Urbs+Civitas Oikos – Matriz ambiental que serve de base à cidade Urbs – Anatomia Arquitectónica Civitas – Organização social na cidade As cidades são elementos artificiais, construídos sobre o espaço natural, resultante da evolução histórica, espaço de fluxos de materiais e informação e de interacções sociais Em Portugal: Elevação à categoria de cidade: número de eleitores, em aglomerado populacional contínuo, superior a 8000 e possua, pelo menos, metade dos seguintes equipamentos colectivos: Instalações hospitalares com serviço de permanência; Farmácia; Corporação de bombeiros; Casa de espectáculos e centro cultural; Museu e Biblioteca; Instalações Hoteleiras; Estabelecimento de ensino preparatório e Secundário; Estabelecimento de ensino pré-primário e infantários; Transportes públicos urbanos e suburbanos; Parques e jardins públicos. Podem ainda considerar-se razões de natureza histórica, cultural e arquitectónica, como factores de ponderação.

Capítulo II – Espaço Urbano

Espaço Urbano: consiste fundamentalmente num espaço modificado pelo Homem, “afeiçoado”, “produzido.” A transformação de um determinado espaço para
o tornar mais adequado à vida humana.

O nascimento das cidades corresponde a 3 motivos: Económicos: Mais frequentes, derivam essencialmente da evolução natural/humana dos aglomerados populacionais, com aumento de profissões, comércio e serviços. A indústria também contribuiu para o surgimento de cidades baseadas nesta motivação
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especulativa e prática justificam este modo de evolução do espaço urbano Há uma correspondência entre população e habitação: Os preços (valor fundiário e montante dos alugueres) – quanto mais elevado o nível social (riqueza). os novos casais na procura de melhores preços acabam por se deslocar para a periferia.  vivendas germinadas ou meio separadas com garagens. Defensivos As cidades criadas com estas motivações tinham por base estratégica proteger determinados locais. 3 . factores de repulsa social podem estar na base do abaixamento do custo de habitação. O preço também tem influência na escolha das habitações. O tipo de residência – Vivendas associadas a famílias com filhos. o homem é o motor da cidade. O crescimento em altura. As conquistas e a criação de Impérios tiveram muitas vezes esta base de actuação Outras motivações políticas podem ser a construção de capitais novas (Ankara. implantando tropas e serviços administrativos. A dimensão dos prédios pode variar muito significativamente. consequentemente necessita de alojamento.  imóveis de apartamentos. Função residencial: é a função essencial no espaço urbano.Políticos: Derivam da necessidade estratégica de assegurar a possessão territorial por parte do Estado. mais elevados são os preços. que se torna mais estereotipada. traduz os efeitos do crescimento urbano e a necessidade de alojar cada vez mais habitantes num perímetro reduzido. onde se prevê o tipo de ocupação. onde é mais fácil viver. e apartamentos a casais celibatários e casais idosos. Algumas conseguiram um desenvolvimento económico normal Outras acabaram por sucumbir às alterações de orientação política e devido a ausência de elementos que suportassem o seu desenvolvimento Funções Urbanas: Funções de Enriquecimento: São aquelas funções passíveis de criar mais valias e acumular massa monetária. Austrália) As políticas actuais baseiam-se cada vez mais nos conceitos de cidade como local agradável ao Homem. Razões de ordem topográfica. ou sem garagens. desde os poucos andares até aos arranha-céus.  grandes vivendas isoladas no meio de jardins. As zonas antigas são mais diversificadas que as recentes. Existem várias formas de classificar as habitações:  hotéis e pensões familiares.  casas com terraços antecedidos por jardim. na Turquia ou Camberra.

4 . situam-se em locais de fácil acesso (perto das grandes vias). O mercado grossista assume geralmente 5 formas: Existência de escritórios de negócios. Qualidade urbanística limitada. MARL.Ainda que nem todas as cidades tenham no comércio a sua origem. hábitos de consumo Características dos serviços comerciais. Intermediários de comercialização de produtos alimentares frescos e instalações colectivas especializadas – Ex. O comércio de retalho é uma actividade sujeita a concorrência. como cruzamentos de grandes vias e proximidade de bairros povoados.não longe do centro da cidade. Instalações para comércio de materiais pesados. muitas vezes sem armazéns nas zonas centrais Escritórios e armazéns em zonas periféricas Grossistas especializados. regular e ocasional) Qualidade e preços praticados Acessibilidade Regras para a distribuição do comercio: -Os lugares de convergência dos meios de comunicação e os eixos de grande circulação são especialmente favorecidos -Existe um sistema hierarquizado de comércio que permite fornecer os bens aos cidadãos Assim. Função Comercial . Muitas vezes associados a zonas menos favoráveis em termos naturais. Quando o núcleo histórico usufrui de um nível de conservação e manutenção satisfatório e de uma boa acessibilidade. Zonas residenciais abastadas – qualidade urbanística. abundância de espaços verdes e pouco movimento de tráfego automóvel. Zonas residenciais modestas – aglomeram-se em torno de bairros de serviços ou junto a fábricas.Modelo possível de distribuição da população : Bairros degradados . Existem dois tipos de comércio: Grossista e de Retalho. o comércio encontra-se no coração da cidade _ O núcleo enche-se e desenvolve tentáculos que acompanham o alongamento de grandes eixos de circulação _ O crescimento torna-se insustentável numa estrutura mono-nuclear. apinhados de população. pelo que aparecem núcleos secundários. isentos de construções industriais. todas dele dependem. fábrica. segundo a natureza dos produtos que determinam a frequência (produtos de consumo diário. poder de compra. coincide com o centro comercial das cidades. _ Locais privilegiados. assim sendo existem diversas variáveis que o condicionam: A clientela – número. a expansão do comércio processa-se da seguinte forma: _ Na origem. loja e escritórios num só local.

Em cidades com elevado índice de visitas e turismo. Silicon Valley. parte da qual reverte em favor dos trabalhadores. a par das funções comerciais.transforma-os através da mão de obra. Tagus Park. onde a investigação e a produção se reúnem ex. um factor de atracção. para tirar o maior proveito da rede de comunicações convergentes (típica). normalmente. Os factores económicos (custos) e ambientais. dispõem geralmente de diversas actividades: _ cinemas _ teatros _ serviços administrativos _ equipamentos desportivos _ financeiros _ outros serviços _ O futuro: Comércio no núcleo central ou comércio de periferia. assiste-se a uma enorme expansão de novas implantações comerciais periféricas (porquê?) Os centros comerciais integrados. gerando assim valor acrescentado . _ A existência de várias lojas concentradas é. _ Actualmente. Função Industrial É uma função principal do moderno desenvolvimento urbano. etc. A Industria. (Ex. London Docks. a função turística pouco influencia a estrutura das cidades. permite a instalação em zonas afastadas das cidades Uma tendência recente resulta na criação de parques tecnológicos. Marinha Grande) _ A partir de finais do século XIX. edifícios hoteleiros ocupam em geral locais centrais e próximo do principais valores: _ praias _ monumentos _ zonas históricas _ zonas centrais 5 ._ O comércio tem tendência a procurar a posição mais central. recorrendo a materiais (primários ou não). estimulando assim o desenvolvimento residencial. A distribuição está associada a factores históricos: _ Nas cidades que evoluíram herdeiras da revolução industrial. a zona central foi tomada pela indústria.Esta actividade gera riqueza. têm provocado um progressivo abandono das zonas centrais Função Turística Quando existente em pequena escala relativamente ao número de habitantes. as industrias começam a instalar-se na periferia _ As artérias de tráfego radial favorecem a instalação da indústria surgem implantações industriais com um aspecto linear _ Actualmente a existência de meios de transporte eficientes.

e posterior reconversão ou demolição/construção. agrupados em áreas homogéneas ou em conjuntos de torres ( Ex EXPO) São o sector económico de maior dinamismo actual. estes serviços constituem uma importante fonte de emprego Funções de Transmissão Capacidade para uma cidade atrair pessoas com maior dinamismo. Formas elementares de ensino e equipamentos de saúde com recursos humanos adequados são também garantidos pela cidade (Um número mínimo de médicos deve estar garantido) As funções de responsabilidade são por esse motivo decididas e assistidas por autoridades exteriores à cidade _ regionais _ nacionais Algumas destas funções serem asseguradas por entidades Privadas: Nem sempre fica assegurada uma organização coerente ao nível da estrutura nacional Em certos casos. Mais recentemente. . os elementos de atracção turística (paisagem.. clima.). O efeito da cidade será mais relevante se: _ permitir o acesso das pessoas à sua cultura (acessos) 6 . _ Os escritórios albergam um conjunto de funções indispensáveis: _ administração _ finanças _ investigação _ serviços sociais _ informação _ ligações internas e externas. podem sofrer transformação (pistas de esqui. as cidades exercem funções de responsabilidade: Administração (s. estendendo-se e afirmando assim o poder externo da cidade A cidade precisa de uma administração própria para levar a cabo estas funções e assegurar o seu funcionamento..) com vista ao comércio (venda de bilhetes.Por vezes. autódromos. mais empreendedoras. pela criação de edifícios modernos. etc. aluguer de casas). Implantou-se essencialmente: Através da compra de edifícios ou terrenos em zonas centrais... Funções de Responsabilidade A par das funções de criação de riqueza. Por vezes os serviços ultrapassam as necessidades locais. lato) Saúde Ensino A cidade desempenha um papel essencial na vida dos seus habitantes. monumentos. Função Financeira e de Serviços Funções globalmente denominadas por serviços.

_ Suporta todas as restantes funções.Modelo Linear _ Pressupõe a definição da estrutura em torno de um eixo linear. _ Servem para suporte de transportes. estradas. é amplamente utilizado em cidades de colonos Anglosaxónicos nos Estados Unidos. linhas férreas. _ Ou para suporte de informação. 1._ der a conhecer o que oferece (meios de comunicação social) _ Hoje em dia estas funções podem adquirir um carácter global. mundial _ As funções de transmissão permitem hoje a obtenção de diversos serviços sem sair de casa Podem constituir elementos de suporte aos fluxos urbanos. _ Podem funcionar como catalisadores do crescimento urbano . etc.Modelo Reticular-Ortogonal Modelo herdado da colonização pela Roma Antiga.Modelo Concêntrico-Radial _ Possui um centro dinâmico para o qual convergem vias radiais _ Vantagens _ Percursos directos Periferia-Centro-Periferia _ Potencia o valor dos centros de negócios _ Desvantagens _ Sujeito a congestionamento central _ Dificuldades na definição das parcelas _ Ligações entre pontos divergentes do percurso radial 3. _ Vantagens _ Grande Acessibilidade _ Flexibilidade de Expansão _ Boa Orientação Psicológica _ Adaptabilidade a terrenos semiplanos _ Definição regular de parcelas _ Desvantagens _ Requer Hierarquização de vias e Sinalização _ Dificuldade em zonas sinuosas _ Monótono 2. Canada e Austrália. redes electrónicas. _ Vantagens _ Grande acessibilidade no eixo principal _ Adaptabilidade do eixo longitudinal _ Facilidades no desenho e funcionamento de infra-estruturas _ Possível definição regular de parcelas 7 .

_ Desvantagens _ Fácil Congestionamento _ Necessidade de Controlo do Crescimento _ Dificuldade de criação de serviços 4. _ Vantagens _ Adaptado aos critérios modernos da rede viária. cede vapor à atmosfera por fenómenos de transpiração.Modelo de “Prato Quebrado” ou Irregular _ Modelo desenvolvido de modo empírico sobre uma topografia irregular. adaptada ao relevo _ Variedade de Paisagens urbanas _ Bairros com características próprias _ Desvantagens _ Difícil planeamento da expansão _ Difícil introdução de infra-estruturas _ Difícil orientação Psicológica CAPÍTULO III – ESPAÇOS VERDES Espaços Verdes . sem um padrão regular. Controlo da humidade _ O coberto vegetal diminui a evaporação da água do solo. Efeito “Ilha de calor” Controlo das radiações solares -Filtragem das radiações solares e aumentam a quantidade de calor irradiado para a atmosfera.Funções: Termoregulação _ Poder reflector e difusor da radiação de grande comprimento de onda (radiações térmicas). e por outro lado. 8 . _ Vantagens _ Acolhe alternativas de negócio ao centro tradicional _ Boa Orientação Psicológica _ Não existe um único centro congestionado _ Desvantagens _ Depende da estabilidade dos núcleos secundários _ Redução do peso das zonas centrais _ 5.Modelo Multicentrado _ Ligações entra sub-centros urbanos por eixos importantes. _ A maior parte da radiação vermelha absorvida pelo coberto vegetal é gasta em processos de respiração.

_ Filtragem.logradouros e quintais). permeabilidade do solo) _ Diminuição da velocidade de escorrência superficial _ Aumento do volume de água filtrada e da retenção de água no solo.Sistema de elementos de valor cultural que se devem dispor de uma forma contínua.Constituída pelos espaços verdes localizados em áreas de maior interesse ecológico e integradas no contínum naturale. _ A delimitação dos espaços agrícolas e florestais. _ Desvio._ Diminuição de poeiras e gases em suspensão – aumento da insolação. Funções culturais. Integração. 9 .Integrada no espaço construído e constituída pelos espaços de menor dimensão (equipamentos. constituída por diversos tipos de espaços.(10m2/hab) Espaços Verdes Planeamento: PDMs: _Determinação das aptidões do solo _ e a definição dos espaços verdes. Aumento de biodiversidade Protecção contra o ruído.” _ Tem como objectivo assegurar a presença de componentes ecológicos que preencham as principais funções e relações existentes nos ecossistemas naturais através adequadas à utilização pelo Homem. hierarquizados de forma complexa Continuum culturale . Protecção contra a erosão – maior estabilidade e preservação dos solos Regulação do ciclo hidrológico (prevenção contra cheias urbanas. Estrutura verde principal . _ É um elemento fundamental na definição da identidade urbana.(30m2/hab) Estrutura verde secundária . _ Obstáculo. Absorção de CO2 e aumento do teor de O2 – purificação do ar Protecção contra o vento – 4 efeitos: _ Canalização. formando um conjunto de referências espaciais e temporais. Protecção em relação à circulação viária. Conceitos a reter _Continuum naturale – “Sistema contínuo de ocorrências que constituem o suporte da vida silvestre e da manutenção do potencial genético e que contribui para o equilíbrio e estabilidade do território. _ Poderá ser comparável a um sistema arterial da cidade.

10 . PP: . REN… PU: _Criação de áreas destinadas _ a espaços verdes em zonas urbanizadas e a urbanizar. aumentando a probabilidade de trocas genéticas entre populações de seres vivos. ajudam a manter as características do meio. galerias ripícolas). melhorando a qualidade do ar e da água. _Têm também Função Social: Promovem um forte sentido do espaço comunitário e multicultural. 2. _ Os espaços verdes da estrutura secundária deverão situar-se: _ a uma distância não superior a 400 metros em relação ao utilizador _ 100 metros. devem adequar-se à região e aos espaços em que se encontram inseridos._ A localização das zonas de recreio e lazer. Aumento da conectividade. _ Os espaços periféricos devem encontrar-se servidos de transportes públicos. A vegetação funciona como um filtro urbano. _ As definições dos espaços verdes devem assentar num levantamento rigoroso da situação existente. estar separados do trânsito automóvel Acessibilidade _ A localização dos espaços verdes deve minimizar as deslocações dos seus utentes (reais ou potenciais). Menor fragmentação. São Espaços lineares: Independentemente do fim a que estão destinados. a DGOT (1992). _ Fixação das condições relativas à ocupação edificada. no caso de espaços para idosos e crianças Corredor Verde – Definições: 1. Quando em zonas sensíveis (ex. A grande escala os C. _Na ausência de planos de ordenamento adequados. Têm uma Função Ecológica: Permitem a protecção de áreas naturais. recomendava a elaboração de um “Esquema de Estrutura Verde”. estruturando a relação espaço construído/espaço exterior. _ Delimitação dos espaços culturais e naturais. sempre que possível. _ A determinação das áreas aptas e necessárias à expansão urbana. _ Classificação dos espaços verdes em relação às suas funções e utilizações por parte das populações. 3.V. _ Os espaços verdes devem ser classificados como tal (ordenamento). _ Os materiais inertes e vegetais. _ Devem.Análise detalhada e dimensionamento dos Espaços Verdes Aspectos de Concepção de espaços verdes _ Os espaços devem estar integrados de forma equilibrada no tecido urbano. constituindo habitats para plantas e animais – manutenção de habitats integridade ecológica. _ Devem estar integrados com a rede pedonal. _ A delimitação das servidões: RAN. podem ajudar as espécies a adaptarem-se a mudanças nas condições ambientais do meio..

1994): 1. 7. vários elementos podem ser integrados nos corredores verdes (Lira.G.Permitem a protecção e valorização de recursos históricos. culturais e naturais. 1998): _ Protecção/conservação da natureza/recursos naturais _Variáveis culturais/paisagísticas/recreativas O meio Urbano é por natureza um espaço transformado. 5. 6. Educar e informar as diversas audiências sobre o conceito de corredores verdes. Promover não só a criação como também a manutenção do sistema. sem que esta última saia prejudicada. os corredores verdes devem permitir a interligação entre o homem e a Natureza.C. locais históricos e recursos culturais na rede de corredores. Globalmente. herbáceas) Alimento (plantas com flores. Considerando a dupla valência social/ecológica. Desenhar. desenvolver e manter caminhos que providenciem o acesso ao público e a apreciação e conservação dos aspectos históricos. Providenciam a ligação da população com a paisagem envolvente. 4. Estimular o público e o sector privado na criação e gestão comunitária do sistema de corredores verdes. Criar estruturas institucionais que suportem iniciativas comunitárias e de coordenação dos empenhos governamentais e privados. arbustos. 3... – Definição de uma entidade responsável. A diversidade de seres vivos em áreas urbanas tende a reduzir-se por razões complementares: _ Destruição de habitats naturais _ Redução da diversidade florística _Desaparecimento _ de espécies de fauna _ Aumento do stress ambiental _ Aumento de várias formas de poluição Os espaços verdes constituem uma excelente oportunidade para travar o processo _ O aproveitamento da estrutura verde urbana para incremento da biodiversidade deverá ter em conta três pontos fundamentais: _ A estrutura vegetal (espécies autóctones ou para a fauna) As espécies devem proporcionar: Refúgio para os animais (copas densas. Incorporar espaços abertos urbanos e rurais. Proteger e gerir uma rede de corredores verdes que providenciem ligações ecológicas. Metodologia para a introdução de corredores verdes (F. _ Permitem o contacto directo com a natureza – alivio do “stress”. recreativos e estéticos. culturais. frutos em diversas fases. 2. sementes) 11 .

incluindo veículos e infra-estruturas de suporte. Possíveis solos férteis ou naturais. 12 . desigualdades de acesso. Custos Sociais e Ambientais _ Vitimas da circulação – em particular no caso do automóvel. A ecologia – Implicações sobre os sistemas ecológicos. económicas e ambientais – integração das externalidades. A ampliação das causas e motivações das deslocações.Apresentar características próximas da vegetação natural Adequação de construções (preparação de refúgios) Alteração de mentalidades (modificar atitudes face à natureza) A Adequação de Construções: (preparação de refúgios) Diversas estruturas construídas podem facilmente ser convertidas em locais apetecíveis para a fauna. Contaminação atmosférica – impactos _ locais e planetários. os quais devem ser avaliados adequadamente (ex. A criação estruturas artificiais como abrigo/refugio permite atrair algumas espécies para os locais mais interessantes menos problemáticos Alteração de mentalidades (modificar atitudes face à natureza) Educação Ambiental Converter/adequar o jardim para a fauna Iniciativas individuais devem ser coordenadas ou aconselhadas tecnicamente Devem-se partilhar com a vizinhança para serem mais eficazes CAPÍTULO IV: TRANSPORTES E MOBILIDADE URBANA Factores a avaliar no respeitante a Transportes Causas dos problemas de transportes: O incremento do tempo e da distância dos percursos. na definição dos meios de transporte urbanos deve considerar-se : Os limites ecológicos do planeta – Procura de meios de transporte com menor consumo de energia e materiais. A distribuição das actividades no território. etc. _ Ruído – afecta de modo directo a saúde das populações. Ligação da componentes sociais. Heterogeneidade de dimensões e valores. Factores sociais – Quebras no espaço urbano. Na perspectiva de Estevan e Sanz (1996). selecção de trajectos e meios de comunicação). Por vezes implica menor velocidade. Recursos naturais como elemento colectivo – utilização sustentável. Visão global dos processos – Avaliação do ciclo global dos transportes. Consumo de superfície – No interior da cidade e na sua envolvente.

Melhoria do tráfego urbano e aumento da velocidade de circulação. número de faixas de rodagem) Meios de Transporte e o Espaço Público Os transportes (de superfície) e o espaço urbano. Redução da poluição atmosférica e sonora. Acessibilidade – Componente espacial da mobilidade – Depende das características das cidades. Serviços às populações que não podem dispor de automóvel.. Circulação e estacionamento de transportes particulares. trocar experiências. permitindo o uso parcial do automóvel particular. Vantagens : _Redução do tempo de acesso ao serviço de transporte público. são dois elementos que se complementam e se condicionam. Transporte Público vs Privado Vantagens do uso dos transportes públicos: Maior eficiência energética. condicionando o tempo de deslocação.. possibilidade de contacto humano – zonas sem carros. a redução do tempo de espera com o aumento da frequência. O espaço urbano sobrecarregado com transportes. condiciona claramente a atractividade e as características pretendidas para o espaço público. Redução da necessidade de infra-estruturas viárias (parques de estacionamento. em especial os automóveis (mais numerosos). . Circulação e transporte de transportes públicos. O espaço público deve permitir: Ventilação e iluminação dentro dos edifícios. A maioria das perspectivas sobre a cidade. Circulação e estacionamento de bicicletas. Estacionamentos: Estacionamento Periférico Constitui um meio alternativo de acesso à zona urbana central. incluindo as vias. Instalação de infra-estruturas subterrâneas Mobilidade – Representa a aspiração de cada cidadão de se mover e a forma como o faz.Efeitos sobre o ordenamento do território. Os espaços públicos devem oferecer algo que não pode ser conseguido no interior dos edifícios: possibilidades de passear. _ Diminuição do tempo real e percepcionado da viagem. conviver. A possibilidade de contacto através das áreas comuns. é medida em termos de tempo de deslocação. Hoje em dia assume-se a necessidade de criação de espaços públicos – a queda dos espaços urbanos são ao mesmo tempo causa e efeito da degradação urbana e razão de viragem. e de que forma o tecido urbano responde às aspirações de mobilidade relativamente ao meio de transporte escolhido. 13 .

_ horários. _ Aumentam os custos do estacionamento de curta duração. Pode assumir diversas formas: _ Faixas de rodagem reservadas a transportes públicos. Normalmente com restrições de tempo Proibido o estacionamento de longa duração. 14 . _ Vias para transportes públicos em sentido contrário ao trânsito automóvel _ Acesso a zonas pedonais. _ Passagens ou vias apenas para transportes públicos. _ Os aspectos anteriores devem favorecer o tráfego de transportes públicos Riscos: _ Pode incentivar o estacionamento de curta duração. O espaço restante é destinado a estacionamento. quando comparando com os estacionamentos no centro das cidades. _ Melhoria na qualidade de informação prestada. e _ Pode afectar economicamente algumas actividades. Estacionamentos: Estacionamento Controlado Impõem limites ao estacionamento à superfície numa determinada zona. lugares reservados e preço. _ Proíbe o estacionamento de longa duração. Riscos: _ A diminuição dos acessos às zonas centrais pode conduzir a um aumento da procura destes parques. Os comerciantes beneficiam da existência deste tipo de estacionamento aumenta a possibilidade de deslocações a pé. Sistema essencial sempre que se pretenda controlar o estacionamento à superfície Vantagens: _ Aumentam a capacidade da rede viária . Estacionamentos: Estacionamento Fora das Ruas A gestão de estacionamento colectivo só em parte pode passar pelas autoridades (40 a 60%): A gestão deste tipo de estacionamentos é semelhante ao do estacionamento de superfície.impede a proliferação de veículos mal estacionados. Os inconvenientes gerados são semelhantes aos do estacionamento à superfície _ é possível que a substituição do estacionamento de longa duração pelo de curta duração gere mais tráfego. podendo ocorrer congestionamento _ Este sistema favorece os habitantes que utilizam viaturas particulares. Vantagens: _Possibilita o fornecimento de melhores equipamentos aos passageiros. _ Controlo dos sinais de trânsito de modo a favorecer os transportes públicos. _ Isenção de sentido proibido em determinados locais._ Diminuição de custo na utilização dos estacionamentos periféricos. Estes espaços têm geralmente características de gestão diferenciadas: _ podem privilegiar o estacionamento curta ou de longa duração. Estacionamentos: Prioridade para os autocarros Visa permitir que os autocarros ultrapassem zonas de congestionamento.

implicando a remoção do tráfego. devendo contrariar-se a tendência de fecho de estações. Dois tipos essenciais de medidas: _ a segregação. _ estas medidas conduzem a uma melhoria da qualidade do ambiente local. Traffic calming Medidas concebidas para zonas residenciais. por vezes. onde o tráfego é permitido. bem como a um aumento das condições de segurança rodoviária. mas de forma a respeitar o ambiente circundante. Risco: Um dos principais efeitos da implementação destes sistemas pode ser um aumento do uso do transporte particular. becos e desvios. Com excepção dos veículos de emergência e. _ Melhores acessos pedonais e a veículos. Criação de células. chincanas. dada a optimização dos tempos de viagem.. com uma consequente relocalização das paragens. Criação de ruas de sentido único. Todas concebidas de modo a induzir no utilizador do automóvel uma condução mais cuidada e mais lenta. _ a integração. Focam aspectos relacionados com os impactos adversos no ambiente e na segurança provocados pelo uso de veículos. Os meios de transporte rodoviários são uma forma mais sustentável de transporte. Bandas sonoras. de forma a criar “labirintos” Desincentiva o uso de veículos nessas zonas _ há que pesar os efeitos sobre a envolvente e sobre os residentes. principalmente _ em zonas comerciais. etc. _ num ambiente dirigido aos peões. o que poderá implicar no imediato uma redução na utilização do transporte particular. numa nova concepção das ruas O principal efeito desta medida consiste na redução da rede viária. dentro das quais o trânsito é proibido. 15 . Vias Pedonais As vias pedonais implicam a proibição do tráfego motorizado. Sistemas de Controlo Implementados em zonas urbanas._ Um mais seguro ambiente de espera. _ É necessário conhecer os fluxos que abastecem os interfaces Riscos: – Escassez de espaço e de recursos para a implementação destas medidas. _Deve-se analisar o impacte para além dos locais onde serão introduzidas este tipo de medidas. O acesso dos transportes públicos poderá ser afectado se o seu percurso tiver que sofrer alterações. nas quais as condições de tráfego são monitorizadas por detectores e controladas por sinais de tráfego ligados a um sistema urbano de controlo de tráfego. imposição de limites de velocidade baixos. dos transportes públicos.

proporcionando percursos coerentes e maximizando a sua eficácia. segurança e conforto das viagens de bicicleta. . Devem funcionar complementarmente a outras infraestruturas de transporte. das estruturas construídas e seus limiares Análise das orientações a seguir nas transformações que se vão operando no território Da caracterização e avaliação dos impactes dessas transformações _ Conclui-se com uma proposta de medidas urgentes e cautelares Contexto Sócio-económico Neste caso. Contexto de gestão Devido às especificidades de cada território. a inter-relação entre as actividades e recursos são caracterizadas na perspectiva de funcionamento Do mercado. Planos Integrados entre diferentes meios de transporte _ Planos de empresas podem assumir a forma de tarifários conjuntos. de modo a constituir uma rede articulada. etc. Integração . As ciclovias podem ser identificadas e os equipamentos de apoio interligados. suas regras e servidões. _ As acções de sensibilização são fundamentais na criação da consciência pública CAPÍTULO V – PLANEAMENTO URBANO Análise Integrada: A análise integrada do planeamento urbano tem por base três grandes perspectivas temáticas: Contexto espacial Análise do suporte territorial concelhio Análise das unidades de uso do solo Análise dos invariantes físicos.inclui cruzamentos específicos para ciclistas e ciclovias separadas da via principal. Dois tipos de medidas: com e sem segregação de vias: Segregação . em especial do imobiliário Dos mercados de produção Da formação e emprego.destacam-se linhas de stop avançadas e pistas para bicicletas na estrada. decorrem limitações e condicionantes às transformações que nele se podem operar e às interrelações entre actividades existentes e a criar 16 .Equipamentos e infraestruturas de apoio a ciclistas Estes visam a implementação de infraestruturas nas vias rodoviárias.

Monitorização Acompanhamento constante das acções planeadas. que define em detalhe o uso de qualquer área delimitada do território municipal. Procura de decisões colegiais: _ Captar a pluralidade dos interesses e contribuições para o processo _ Favorecer o envolvimento das populações _ Comunicação e divulgação das análises. Tão pouco garante qualquer categoria de uso. . Esta classificação não vincula nenhuma qualificação específica para cada parcela do terreno em particular. PDM: Visa estabelecer a distribuição geográfica das classes de uso do solo. O PDM não afecta directamente as actividades urbanas. particularmente no caso do uso básico ser o urbano. bem como parâmetros de ocupação. _Avaliação e selecção permanentes: em todas as fases do projecto.reduzir as incertezas. O PDM não deve comprometer a concepção arquitectónica dos espaços 17 . _ Actualização. a classificação do solo urbano Plano de Urbanização (PU). _ Estruturação e monitorização _ Criação de estruturas hierarquizadas de acesso à informação.responder às questões prioritárias. que desenvolve a qualificação do uso do solo Plano de Pormenor (PP). em especial. _ avaliar a sua execução e corrigir eventuais problemas (Programa de Indicadores). procurando: . considerando a implantação dos equipamentos sociais. a menos que inclua estudos específicos para a afectação dos mesmos.evitar compromissos rígidos não necessários. a classificação básica do solo. . ordenando desse modo todo o solo do concelho. Procura de decisões colegiais Comunicação e divulgação Plano Director Municipal (PDM): que. das propostas e das opções.Novas Tendências Organização da informação: Recolha e compilação. e desenvolve. com base na estratégia de desenvolvimento local. estabelece a estrutura espacial. garantindo a informação das populações.

a antecipação como elemento fundamental Conteúdo Material: Os objectivos. Cada revisão deve ser um _ avanço em relação ao PDM anterior. incluindo a estrutura fundiária Definição e caracterização da área de intervenção identificando as redes urbanas. em detrimento de estudos para elementos menos relevantes. os meios disponíveis e as acções propostas A referenciação espacial dos usos e das actividades (…) Identificação das áreas e a definição de estratégias de localização. Solo rural: Aquele para o qual é reconhecida vocação Para as actividades agrícolas. florestais ou minerais Mas também: _ o que integra os espaços naturais de protecção ou de lazer _ que seja ocupado por infra-estruturas que não lhe confiram o estatuto de solo urbano Espaços agrícolas ou florestais afectos à produção ou à conservação _ Espaços de exploração mineira _ Espaços afectos a actividades industriais directamente ligadas às utilizações referidas nas alíneas anteriores _ Espaços naturais _ Espaços destinados a infra-estruturas ou a outros tipos de ocupação humana que não impliquem a classificação como solo urbano Solo Urbano: Aquele para o qual é reconhecida vocação para: o processo de urbanização e de edificação engloba os terrenos urbanizados ou cuja urbanização seja programada. social e biofísica. para dar margem de manobra ao processo de planeamento _ . Recorde-se que os PDMs são um elemento da hierarquia de instrumentos de ordenamento do território. viária. distribuição e desenvolvimento de actividades industriais. devem considerar-se métodos de projecção e de previsão .Aceitam-se omissões. e renuncias a prefigurações.não esquecer que se trata de um instrumento regulamentar e invariante. Os PDMs deveriam ser complementados pelos Planos de Urbanização e pelos Planos de Pormenor. pecuárias. Entre os aspectos relevantes a considerar. Devem valorizar-se os factores chave para o município. de transportes e de equipamentos (…). bem como os sistemas 18 . Os solos urbanizados Os solos cuja urbanização é possível programar Solos afectos à estrutura ecológicos e necessários ao equilíbrio do sistema urbano PDM – Estudos Sectoriais Os estudos sectoriais não devem ser apenas descritivos É necessário que sejam também interpretativos e explicativos. comerciais e de serviços Caracterização económica. constituindo o seu todo o perímetro urbano. turísticas.

de abastecimento de energia. culturais. indicadores e parâmetros de referência. de captação. génese histórica) Estrutura física do território (geomorfologia. recursos naturais. a estabelecer em PU e PP (…) A definição das Unidades Operativas de Planeamento e Gestão A programação da execução das opções de ordenamento estabelecidas A identificação de condicionantes (…) As condições de actuação sobre áreas críticas. política fundiária. equipamentos e serviços (localização. organização de serviços. o tempo. bem como sobre as áreas degradadas em geral As Condições de reconversão das áreas urbanas de génese ilegal A identificação das áreas de interesse público para efeitos de expropriação Os critérios para a definição das áreas de cedência Os critérios de adequação compensatória de benefícios e encargos decorrentes da gestão urbanística Articulação do modelo de organização municipal do território com outros instrumentos de gestão territorial Prazo de vigência e condições de revisão PDM – Estudos Sectoriais Enquadramento regional (aspectos inter-concelhios. tipos. (…) A definição dos sistemas de protecção dos valores e recursos naturais. acções passíveis da elaboração de programas de acção e de regulamentos de aplicação especializada. para depois.de telecomunicações. com a definição do sistema urbano municipal A definição de programas na área habitacional A especificação qualitativa e quantitativa dos índices. A integração dos sectores deve ter _ como referências: em primeiro lugar. programar acções integradas. ecossistemas. localizações) Redes de infra-estruturas. servidões e antecedentes) PDM – Integração dos estudos sectoriais Cada estudo sectorial origina por si. problemas e condicionantes. Devem avaliar-se os vários problemas para um mesmo local. ordenamento e composição da paisagem) Estrutura do povoamento (tipos de povoamento. relações locais com o nível central. situações de emergência ou de excepção. condições financeiras. identificando a estrutura ecológica municipal Definição de estratégias para o espaço rural (…) Identificação e a delimitação dos perímetros urbanos. o espaço. em função do tempo. racionalidade de traçados e capacidades) Património edificado e natural (valores estéticos e espirituais) Gestão urbanística (informação. de tratamento e abastecimento de água. 19 . comunidades. urbanísticos ou de ordenamento. e em segundo. demografia) Estrutura sócio-económica (actividades básicas e não básicas. Devem combinar-se: objectivos. agrícolas e florestais.

bem como as unidades de planeamento e gestão Planta de condicionantes – servidões e restrições de utilidade pública e outro tipo de limitações ou impedimentos Estudos de caracterização do território municipal . Planta de ordenamento – Representa o modelo da estrutura espacial do território municipal. Formação adequada dos técnicos envolvidos no planeamento e na gestão. O PDM deve definir apenas os elementos de suporte da gestão. _ Alguns autores defendem a realização de auditorias às autarquias e em particular à execução dos PDMs 20 .Texto e plantas Relatório fundamentando as soluções adoptadas Programa de execução das disposições – intervenções previstas e financiamento das mesmas _ Pela Portaria 138/2005 de 2 de Fevereiro (Fixa outros elementos que devem acompanhar os planos municipais de ordenamento do território) _ Planta de Enquadramento Regional _ Planta de Situação Existente _ Relatório e/ou planta com a indicação das licenças ou autorizações de operações urbanísticas emitidas _ Carta da estrutura ecológica municipal _ Participações recebidas em sede de discussão pública e respectivo relatório de ponderação. Integração da gestão no processo de planeamento. Organização de meios técnicos e humanos e sua articulação com os decisores. de acordo com a classificação e qualificação dos solos. Deve adoptar-se complementarmente uma atitude estratégica. aqueles que devem ser imutáveis _ as restantes definições ficam para a gestão diária e para os PU e PP _ Deve assegurar-se uma atitude pró-activa na gestão do PDM. PDM – Execução e Revisão Os PDMs como são instrumentos de carácter periódico. o que requer as seguintes condições base: Disponibilidade permanente de informação actualizada.Conteúdos Formais (Decreto-Lei 380/99) Regulamento – Aspectos regulamentares e orientadores do plano. Monitorização permanente da execução dos planos. Devem considerar-se três tipos de incertezas relativas: _ a uma realidade funcional e sócio-económica em constante mutação _ a decisões por decisores externos _ a juízos de valor dos técnicos. implicam grandes incertezas eb potenciais erros (revisão obrigatória cada 10 anos).

que se tenha que disciplinar o uso do solo para além da simples distinção entre urbano e rural. contenha a dispersão do edificado. Conteúdo Material . _ A complexidade da gestão do espaço urbano exige. que exija uma intervenção integrada de planeamento. _ Os estudos sectoriais dos PU traduzem espacialmente a malha urbana. se excedam os limites de capacidade do sistema urbano _ Devem evitar-se situações de dispersão em áreas “paraurbanas” 21 . que simultaneamente urbano. considerando as relações entre: _ o espaço livre e edificado _ espaço público e privado _ a habitação e o emprego _ a habitação e os serviços _ a habitação e os espaços de recreio e lazer.Estudos Sectoriais O tipo de análise encontrado no Plano de Urbanização reflecte aspectos mais directamente associados com o meio urbano em análise. turísticas. _ identificação das áreas a recuperar ou reconverter Adequação do perímetro urbano _ Os indicadores e parâmetros urbanísticos aplicáveis a cada uma das categorias e subcategorias de espaços Nos PU. definindo: _ a rede viária estruturante _ a localização de equipamentos de uso e de interesse colectivo _ a estrutura ecológica _ o sistema urbano de circulação de transporte público e privado e de estacionamento Definição de zonamentos para localicação de diversas funções urbanas.equilíbrio na composição urbanística _ Definição e caracterização da área de intervenção identificando os valores culturais e naturais a proteger A concepção geral da organização urbana.Plano de Urbanização Definem a organização espacial de parte determinada do território municipal.PU . a partir da qualificação do solo. Deve actuar-se: _ na definição dos perfis de ocupação (mais importante) ao nível da distribuição _ das funções no território Nos Planos de Urbanização são definidos: _ parâmetros relativos à densidade da ocupação _ o perfil funcional do espaço urbano PU . sem que no seu interior. designadamente: _ habitacionais. por vezes. devem acautelar-se as seguintes situações: _ A definição do perímetro urbano. integrada no perímetro urbano. comerciais. de serviços e industriais. em oposição ao espaço extraurbano.

De entre os índices urbanísticos habitualmente utilizados nos PU encontram-se: _ Área de construção. Deve avaliar-se se as infra-estruturas e equipamentos existentes apresentam utilizações: _ aquém do limiar de capacidade ou para lá do limiar de capacidade ou ainda se são inexistentes. novos edifícios devem possuir R/C mais três pisos. Estudos de circulação em meio urbano _ Estudo da rede actual de infraestruturas (possíveis congestionamentos) e do sistema de transportes públicos (capacidade de resposta) Vegetação nos espaços exteriores urbanos _ Classificação e avaliação dos espaços verdes existentes e definição da estrutura ecológica (Decreto-lei 380/99). aspectos urbanísticos do meio urbano. ou área edificada coberta ou área de laje. _ Definição das áreas a recuperar e reconverter. são defensáveis: _ princípios de concentração prudente dos aglomerados _ a contenção e a estabilização dos perímetros urbanos _ o crescimento controlado. _ aterros sanitários. Os PU definem. _ Altura dos edifícios – em número de pisos e/ou metros. comerciais. 1995). _ instalações de tratamento de águas residuais. Face aos dois cenários anteriores. _ Definição do zonamento das diversas funções urbanas _ Designadamente funções habitacionais (residenciais). turísticas. etc.– Por princípio. _ industrias pesadas. não deve haver operações de loteamento fora dos perímetros dos aglomerados urbanos. _ locais com actividades ruidosas.000 habitantes.000 habitantes. embora com pouco rigor. 1995). Localização da habitação _ Nos planos de urbanização deve avaliar-se a correcta colocação da habitação face a diversas situações: _ estradas ruidosas. de preferência dois (Lobo et al. Aglomerados do interior com menos de 25. de serviços e indústria. Conteúdos Formais (Decreto-Lei 380/99) 22 . o limite deve ser de dois pisos (Lobo et al. _ Densidade populacional ou Densidade habitacional (o segundo mais fiável) _ Capitações Em aglomerados com menos de 50.

_ Planta de condicionantes.) Conteúdo Material _ Regulamento _ Planta de Implantação _ Planta de condicionantes _ Relatório complementar justificativo das propostas CAPITULO VI – GESTÃO DA ÁGUA NO ESPAÇO URBANO Gestão sustentável da água em meio urbano: abastecimento público • economia e poupança nos consumos • drenagem de águas pluviais • controlo de cheias e inundações • protecção e conservação dos recursos hídricos. _ Distribuição das funções e a definição dos parâmetros urbanísticos _ Subunidades operativas de planeamento e gestão _ Indicadores de construção (materiais.Acompanhado por: _ Relatório – fundamentando as soluções adoptadas. entre outros: _ A caracterização cultural e natural com vista á sua preservação _ A situação fundiária _ O desenho urbano: espaços públicos. _ Planta de zonamento – organização urbana adoptada. superficiais e subterrâneos ._ Regulamento – Índices e parâmetros urbanísticos aplicáveis a cada unidade operativa. etc. • Protecção das águas superficiais e subterrâneas. circulação viária e pedonal.melhoria da qualidade da água • retenção e infiltração hídrica • tratamento de águas residuais • reutilização / reciclagem (rega. 23 . Orientação e critérios de gestão urbanística. melhoramento e recuperação de todas as massas de água de superfície. etc. _ Programa – contendo as disposições indicativas sobre a execução das intervenções municipais previstas e meios financeiros PP – Planos de Pormenor Contêm. estacionamento. incluindo as “fortemente modificadas”. • Alcance de estado de boa qualidade ecológica (até 2015). • Protecção. lavagem de pavimentos) • utilização como elemento estético e valorizador do meio urbano Alguns objectivos: • Planeamento e gestão por bacias.

Problemas nas relações Água/Território Maior concentração das áreas urbanas no litoral e maior densidade populacional coincidindo com: • pior qualidade da água nos troços finais dos rios e cursos de água. • formações mais permeáveis e vulneráveis à poluição de aquíferos. ponte. –Os problemas ocorrem devido à ocupação dos leitos de cheia (áreas de risco para as populações) • Cheias devido à urbanização (drenagem urbana): –escoamento de áreas urbanizadas. Cheias ribeirinhas: –Inundações naturais resultado da flutuação de rios durante os períodos de seca/chuva. geralmente pequenas bacias. • degradação ambiental e paisagística dos cursos de água. • Códigos de boas práticas. • Projectos educativos. administrativos. • áreas sujeitas a riscos de cheia. • Projectos de reabilitação. edifícios e outros obstáculos • Ao reduzir a capacidade de escoamento aumenta o nível a montante • Produz aumento de risco nas áreas da planície e nas encostas “quem produz o impacto geralmente é quem sofre” Impactos devido á Urbanização Aumento do caudal de ponta •> frequência da cheia devido à impermeabilização e canalização • Aumento da carga de resíduos sólidos transportada pela drenagem • Aumento da carga de poluentes •< qualidade da água a jusante • Deslizamento de encostas devido à falta de drenagem e ocupação de áreas inadequadas •Doenças veiculados pelo meio hídrico: leptospirose “quem produz o impacto não sofre impacto” 24 . • Instrumentos legislativos.Algumas medidas: • Estratégias de combate à poluição. económicos e fiscais. –A urbanização amplia os caudais de cheia devido à canalização e impermeabilização do solo Impactos devido a cheias ribeirinhas Períodos de cheias pequenas as populações tendem a ocupar o leito de cheia (< declive) •A ocupação do leito de cheia pode ocorrer devido a aterros.

Gestão das zonas ribeirinhas: Leito menor e rios aluvionares tem um risco de ~ 1. agricultura. •A previsão de curto prazo é a obtida com antecedência de algumas horas ou dias. barragens. Este caudal máximo. Previsão de picos de cheia: Alerta: Previsão a partir da precipitação: com base na precipitação conhecida é determinada a Qp por modelo empírico ou conceptual. etc –Medidas extensivas: actua sobre a bacia hidrográfica com reflorestação. Previsão a partir de nível ou Qp de montante: com base no conhecimento do nível ou Qp a montante e no próprio local é realizada a previsão. •sistema de processamento de informações.1. previsão de caudais de cheia. ampliação das secções.5 a 2 anos de tempo de retorno. O leito maior corresponde a ~ de 100 anos Influenciado pela variabilidade temporal dos caudais de ponta de cheia. Somente viável para bacias pequenas. •A previsão de longo prazo é a previsão com antecedência de 1 a 9 meses. protecção individual. entre outros. 25 . Avaliação das cheias: Generalidades Previsão de QP: é a estimativa do caudal de ponta de cheia com antecedência no tempo. • Caudal de ponta de cheia: é o valor associado a um risco de ser igualado ou ultrapassado. controle de erosão. canais. etc •Estruturais: modifica o sistema natural para protecção do homem: barragens. Gestão de energia. seguro. operação de obras hidráulicas e usos da água. •modelo de previsão de Qp e níveis. •procedimentos para acompanhamento e transferência de informações para a Protecção Civil e Sociedade. é utilizada em projecto de obras. Um sistema de alerta de previsão tempo real envolve os seguintes aspectos: •sistema de colecta e transmissão de informações. Utilizada para alertar a população ribeirinha. para um determinado tempo de retorno. Combinação dos anterior: utiliza as duas informações Medidas de controle: Não-estruturais: o homem convive com as inundações: zonamento. •planeamento das situações de emergência através da Protecção Civil. –Medidas intensivas: obras sobre os rios como diques. • Predição é a estimativa estatística de uma determinada variável sem relação com o tempo em que ocorre.

reduzindo o tempo de deslocamento da água na bacia •reduz o tempo de concentração que é o tempo de deslocamento da água na bacia •A soma dos dois efeitos faz com que eventos de chuva menores produzam inundações nos locais onde a rede não suporta o aumento do caudal.2. Qualidade da água pluvial RESUMO: 26 . c) sedimentação. Gestão de drenagem Urbana Impactos da urbanização na drenagem urbana Gestão mais frequente da drenagem Medidas Sustentáveis Medidas na Microdrenagem Medidas na Macrodrenagem Renaturalização Efeitos da Impermeabilização: A impermeabilização do solo faz com que maior volume de água escoe pela superfície. Mais efeitos: Temperatura Obstruções ao escoamento Projectos inadequados Erosão e sedimentação: a) alteração dos rios. b) áreas degradadas. •As condutas fazem com que a água chegue mais rápido a jusante.

legislação •Cenários •Controle sobre ampliação da cheia e transferência de impactos •Educação •Gestão •Controle permanente Mecanismos sustentáveis: Preservar os caminhos naturais do escoamento: infiltração e ravinamento. transferindo. •Canais e condutas podem custar 10 vezes mais que o controle na fonte. as inundações para jusante.Gestão actual: Drenagem Urbana Os problemas actuais resultam de um conceito errado de gestão por parte de engenheiros: “a melhor drenagem é a que escoa o mais rapidamente possível a precipitação “ consequência directa = inundações e poluição •A política baseia-se na canalização do escoamento. apenas. •a canalização aumenta os picos para jusante Princípios da gestão sustentável •A bacia como sistema •Controle do conjunto da bacia •Meios: Plano Director Urbano/Drenagem. •Implementar a ocupação urbano preservando os talvegues e dispondo residências e prédios com espaços que permitam a infiltração nas áreas permeáveis •Minimizar o armazenamento 27 .

Medidas de controlo de drenagem Urbana: Uso Múltiplo: O uso de reservatório como cisterna para controle de cheias é discutível. • A cisterna é utilizada para armazenar água • Quando chega a chuva o volume está cheio e não tem efeito para inundação • Principalmente em climas de sazonalidade definida a cisterna é ineficiente Medidas de macrodrenagem: •Principais medidas na macrodrenagem são: –armazenamento –aumento da capacidade de condução •Quando aumenta a condução não deve ocorrer transferência de impacto para jusante 28 .•Geralmente com custo 25% menor que o uso de armazenamento e drenagem natural.

Armazenamentos: Detenção são reservatórios mantidos secos na maior parte do tempo que são utilizados para controle do pico de cheia. zonas húmidas ou reservatórios urbanos. •As retenções necessitam de maior volume e mais espaço. Reutilização: Recuperar as funções naturais dos sistemas hídricos urbanos •Após colecta e tratamento de esgotos •Retenções e controle da qualidade da água •Recuperar o meio ambiente aquático e as condições naturais 29 . •As detenções fechadas podem custar até 7 vezes as enterradas. ou seja controle quantitativo. •A primeira parte da precipitação efectiva (~25 mm) possui 90% da carga poluente. Redes pluviais e Sanitárias: Mista: rede pluvial que recebe esgotos Separadora: duas redes com solução independente para os dois sistemas Sistema de transição: quando o custo é alto e inicia-se com um sistema misto em transição para separador. As detenções são chamadas de estendidas quando a água fica de 12 a 24 h no reservatório •Retenção são reservatórios mantidos com lâminas de água que têm a função de reduzir o pico de cheia e melhorar a qualidade da água. Por exemplo.