Processo Penal

Princípios
“Princípios são as vigas mestras, a base de sustentação de todo o ordenamento jurídico. Apesar de serem mais abstratos que a norma, a sua violação é gravíssima, porque violar um princípio equivale a violar todo o ordenamento jurídico.” No conflito de princípios opera-se a razoabilidade. O único princípio que não comporta a mitigação é o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana.

1. Princípio da Proporcionalidade
Surgiu na Segunda Guerra Mundial, na Alemanha: “Nenhuma garantia constitucional tem valor absoluto de forma a aniquilar outro princípio ou garantia”. O princípio da proporcionalidade apresenta três subprincípios que lhe são consectários: 1º) adequação ou idoneidade: só se permite o ataque ao direito individual, se o meio utilizado contribuir para o resultado almejado. Exemplo: não se mantém cautelarmente preso o sujeito que ao final terá a pena privativa de liberdade substituída por restritiva de direitos. 2º) intervenção mínima: não basta uma adequação do meio ao fim. Além de ser o mais idôneo deve se causar a menor restrição possível. Exemplo: deve-se preferir as formas mais brandas de investigação, menos invasivas. 3º) proporcionalidade em sentido estrito: a necessidade de comparar na situação concreta entre os valores em conflito, qual irá prevalecer.

2. Princípio do Contraditório – art. 5º, LV, CF
Caracteriza-se pela necessidade de informação e possibilidade de reação. O réu precisa ter pleno conhecimento do fato que lhe está sendo imputado, para poder se defender. - Questões Polêmicas: 1) Denúncia abstrata: fulano... contribuiu de qualquer forma para ... = Inepta 2) Condenação com base exclusivamente em inquérito, não pode. 3) hipótese de contraditório diferido: perícias, interceptação telefônica, etc.

3. Princípio da Ampla Defesa
Os acusados em um processo penal podem se utilizar de todos os meios de provas, em benefício de sua defesa. A ampla defesa constitucional é satisfeita de duas formas: defesa técnica (advogado) mais auto-defesa (próprio réu).

Processo Penal A auto-defesa se subdivide em: 1) Direito de presença. 2) Direito de Audiência.

1) Direito de Presença: Direito de presenciar toda a instrução criminal. Casuística: o preso deve ser requisitado para audiência no juízo deprecado? Majoritário: não há necessidade da requisição do réu, desde que sua defesa técnica esteja ciente ou presente ao ato, foi observada a ampla defesa constitucional, sem qualquer irregularidade. Fernando Capez: Súmula 523, STF – se houver nulidade é relativa e seu reconhecimento depende da demonstração do prejuízo. Celso Mello – o direito de presença é um consectário da ampla defesa constitucional, logo ele deve ser conduzido sempre, sob pena de nulidade absoluta.

2) Direito de Audiência: O réu tem o direito de comparecer perante o juiz, narrando a sua versão dos fatos e causando a impressão pessoal. Isso tem sido utilizado como argumento a impedir a audiência por vídeo conferência.

Casuística: Réu que permaneceu oculto durante todo o processo e aparece após a sentença, deve ser ouvido? Pode ou deve? Três entendimentos: 1) Eugenio Pacceli – não há necessidade de o réu ser interrogado. As normas do art. 185 e 616, CPP não deram ao réu o direito subjetivo de ser interrogado a qualquer momento. Será interrogado no momento adequado, posteriormente seria uma faculdade do juiz. 2) Polastri Lima – deverá sempre ser interrogado 3) Fernando Capez e alguns precedentes do STF – em regra, o juiz deverá realizar o interrogatório, que só poderá ser dispensado por iniciativa do próprio réu.

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4. Principio da Não Auto-Incriminação
Como corolário da ampla defesa constitucional está a proibição da auto-incriminação, o réu não está obrigado a produzir prova contra si mesmo, isto está inserido no Pacto de São José da Costa Rica e implícito na ampla defesa. O réu não pode tolerar intervenção corporal invasiva (exames), se isso ocorrer há nulidade absoluta. As provas não invasivas, obtidas pela superfície do corpo do réu, são possíveis. Equilíbrio da ampla defesa com o interesse público. As não invasivas podem ser feitas contra a vontade do réu. Provas que dependem da cooperação do réu. A cooperação pode ser ativa ou passiva. Ativa – o acusado tem que fazer alguma coisa. Ex.: soprar no bafômetro, fornecer material gráfico, etc. O acusado não está obrigado a ter qualquer conduta ativa. Passiva – o acusado tolera a realização da prova. Exemplo: participar de um reconhecimento. Neste caso, pode ser obrigado.

5. Principio do Juiz Natural – art. 5º, XXXVII e LIII, CF
Quando surgiu no direito anglo-saxão trouxe consigo três garantias: 1) Proíbe a criação de juízos extraordinários, também conhecidos como tribunais de exceção. 2) Assegura que o processo irá se desenvolver perante o juiz competente. 3) Proíbe a criação de justiças especializadas. No Brasil o Princípio do Juiz Natural não foi integralmente adotado, pois são admitidas as justiças especializadas como a militar, eleitoral e trabalhista. O art. 567, CPP viola o Princípio do Juiz Natural? Dois entendimentos: a) Fere, pois o aproveitamento dos atos instrutórios, quando houver violação de regra de competência relativa. b) Rangel e Geraldo Prado – O art. 567 é inconstitucional porque o Princípio do Juiz Natural assegura que o individuo será processado e julgado pelo juiz competente sem fazer distinção entre competência absoluta e relativa. c) Ada, Tourinho, STF – não há qualquer inconstitucionalidade, porque o legislador ordinário está autorizado a regulamentar as normas de competência. Haverá ofensa ao Princípio quando forem violadas regras de competência previstas na constituição.

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6. Princípio da Presunção de Inocência.
Pode ser interpretado de duas formas: 1) Relacionado ao ônus da prova, ou seja, se há presunção de inocência, a acusação tem todo o ônus de provar a culpa. 2) Como regra de tratamento. Se há presunção de inocência, como prender o réu no curso do processo? Prisões cautelares: temporária, preventiva, flagrante, decorrente de pronúncia e decorrente de sentença condenatória recorrível. Estas ultimas de forma automática. Acontece que o CPP foi feito com a lógica do juízo de antecipação da culpabilidade. A CF passou a exigir fundamentação para a decisão judicial e a dar tratamento de inocente. Art. 393? Rangel / Frederico Marques / Afrânio / Tornaghi – é uma execução provisória da pena, válida. Tourinho – não se pode antecipar pena. Toda prisão antes do transito em julgado é cautelar. Luis Gustavo Grandineti – a prisão do 393 é inconstitucional. Pode prender com fundamento de prisão preventiva.

Juiz pode produzir prova em processo penal? 1) Pode em nome do princípio da verdade real. 2) Paceli e Geraldo Prado – em regra o juiz não pode, salvo se for pró réu, com a finalidade de equilibrar as forças do processo. 3) Grandineti e Ferrajoli – não pode, porque não precisa. Na dúvida deve absolver o réu, em louvor ao princípio da presunção de inocência.

7. Princípio da Territorialidade / P. Lex Fiori / Locus Regit Actum (art.1 º)
1.1 1.2 O CPP é válido em todo o território nacional. O CPP é único em todo o território nacional. Os Estados, se autorizados por lei complementar podem legislar sobre pontos específicos: procedimentos, juizados especiais de pequenas causas e sistema penitenciário, casos em que legisla de modo suplementar. 1.3 O CPP só vale em território brasileiro, salvo em três situações: a) Território nullius; b) Quando autorizado por país estrangeiro; e

Processo Penal c) Território ocupado por guerra. 1.4 Todo processo no Brasil segue o CPP, mesmo que supletivamente, quando há lei especial, por exemplo: Cód. Eleitoral, Cód. De Processo Penal Militar, Lei de entorpecentes, etc. 1.5 Todo crime ocorrido no Brasil é processado no Brasil. Exceções: imunidade processual do Presidente da República (art. 86, §4º, CF), imunidade diplomática (responde no país de origem – imunidade intraterritorialidade), tribunal penal internacional (Jurisdição Supletiva ou Subsdiária).

8. Princípio da Aplicação Imediata da Lei Processual (art. 2º)
Dois Grupos: 1. Leis Genericamente Processuais – cuidam de procedimentos, recursos, atos, etc. 2. Leis Processuais com reflexos penais – lei de fiança, que cuida de representação, etc. O princípio só se aplica às leis genericamente processuais, ao outro grupo dá-se o tratamento de lei penal (ex.: lei dos crimes hediondos). Art. 366, CPP – lei mista – irretroativa, STf e STJ

9. Art. 3º
Interpretação extensiva – pode. Ex.: art. 34, é possível representação e queixa. Analogia – é amplamente admitida. Exemplo: quantos dias tem o querelante para oferecer a queixa-crime em face de réu preso? Cinco dias, igual ao MP. Se não oferecer relaxa-se a prisão e o querelante tem seis meses. Princípios Gerais do Direito Costumes – aparte no júri Jurisprudência – súmula vinculante : só o STF emite. Vincula o Juiz, que está obrigado a seguila, se não o faz sofre reclamação junto ao STF. Súmula impeditiva de recursos – somente os outros tribunais emitem. O juiz pode não seguir a súmula, mas se decidir conforme a súmula não cabe RESP.