RESUMOS DE AN

´
ALISE MATEM
´
ATICA II
1
o
Semestre 2010/2011
Fun¸c˜ oes de v´arias vari´aveis
1. Uma fun¸c˜ ao real f de n vari´aveis ´e uma aplica¸c˜ao que a cada n-uplo (x
1
, . . . , x
n
)
de um conjunto D ⊆ R
n
faz corresponder um ´ unico elemento real denotado por
f(x
1
, . . . , x
n
). O conjunto D ´e o dom´ınio de f e o contradom´ınio ´e o conjunto
de valores que f assume, isto ´e, ¦y ∈ R : y = f(x
1
, . . . , x
n
), (x
1
, . . . , x
n
) ∈ D¦.
As vari´aveis x
1
, . . . , x
n
s˜ao as vari´aveis independentes e y a vari´ avel depen-
dente. O gr´afico de f ´e o conjunto de pontos
¦(x
1
, . . . , x
n
, y) ∈ R
n+1
: x = (x
1
, . . . , x
n
) ∈ D, y = f(x)¦.
2. As curvas de n´ıvel de uma fun¸c˜ao f de duas vari´aveis s˜ao as curvas definidas
pelas equa¸c˜oes f(x, y) = k, onde k ´e uma constante pertencente ao con-
tradom´ınio de f.
3. As superf´ıcies de n´ıvel de uma fun¸c˜ao f de trˆes vari´ aveis s˜ao as superf´ıcies de
equa¸c˜oes f(x, y, z) = k, onde k ´e uma constante pertencente ao contradom´ınio
de f. No caso mais geral designaremos estes conjuntos por conjuntos de n´ıvel.
4. Sejam f : D ⊂ R
n
→ R, a = (a
1
, . . . , a
n
) ∈ D e L ∈ R. Diz-se que o limite
de f(x
1
, . . . , x
n
), quando x = (x
1
, . . . , x
n
) tende para a ´e o n´ umero real L, e
escreve-se lim
x→a
f(x
1
, . . . , x
n
) = L se
∀δ > 0 ∃ε > 0 : x ∈ D ∧ |x −a| < ε ⇒ [f(x) −L[ < δ
5. O limite lim
x→a
f(x) se existir ´e ´ unico.
6. Se C ´e um subconjunto pr´oprio de D e a ∈ B

diz-se que L ´e o limite relativo
a C de f quando x tende para a, e escreve-se lim
x → a
x ∈ C
f(x) = L se o limite da
restri¸c˜ao de f a C quando x tende para a ´e L. No caso em que C ´e uma curva
o limite diz-se trajectorial.
7. Seja f : D ⊆ R
n
→R. Suponhamos que D ´e uma uni˜ao finita de subconjuntos
D
1
, . . . , D
p
. Se, para todo o i ∈ ¦1, . . . , p¦, se tem a ∈ D
i
e lim
x → a
x ∈ D
i
f(x) = L,
ent˜ao lim
x→a
f(x) = L.
8. lim
(x,y)→(a,b)
f(x, y) = L se, e s´o se, lim
r→0
f(a + r cos θ, b + r sin θ) = L uniforme-
mente em θ.
1
9. As fun¸c˜ oes p
j
(x
1
, . . . , x
n
) = x
j
tˆem limite a
j
quando (x
1
, . . . , x
n
) tende para
(a
1
, . . . , a
n
). As fun¸c˜oes constantes tˆem por limite a pr´opria constante.
10. Sejam f, g : D ⊂ R
n
→R e λ ∈ R tais que lim
x→a
f(x) e lim
x→a
g(x) existem. Ent˜ ao:
(a) lim
x→a
(f(x) + g(x)) = lim
x→a
f(x) + lim
x→a
g(x);
(b) lim
x→a
λf(x) = λ lim
x→a
f(x);
(c) lim
x→a
f(x)g(x) = lim
x→a
f(x) lim
x→a
g(x);
(d) lim
x→a
f(x)
g(x)
=
lim
x→a
f(x)
lim
x→a
g(x)
, se lim
x→a
g(x) ,= 0;
11. lim
x→a
f(x) = L sse a toda a sucess˜ao (x
n
)
n∈N
de pontos em D que tende para a
corresponde uma sucess˜ao (f(x
n
))
n∈N
que tende para L.
12. Se f : D ⊂ R
n
→ R tem limite b em a ∈ D, g : E ⊂ R → R tem limite L em
b e f(D) ⊂ E ent˜ ao lim
x→a
(g ◦ f)(x) = L.
13. Uma fun¸c˜ ao f : D ⊆ R
n
→ R diz-se cont´ınua em a ∈ D se lim
x→a
f(x) = f(a).
Diz-se que f ´e cont´ınua em B ⊆ D se f ´e cont´ınua em todos os pontos de B.
14. Os conceitos anteriores s˜ao generalizados para fun¸c˜ oes vectoriais F : D ⊂
R
n
→ R
m
procedendo-se `as devidas adapta¸c˜oes. Designem-se por F
1
, . . . , F
m
as fun¸c˜oes componentes de F que s˜ao as fun¸c˜ oes reais de v´arias vari´aveis
definidas por:
F(x
1
, . . . , x
n
) = (F
1
(x
1
, . . . , x
n
), . . . , F
m
(x
1
, . . . , x
n
)) ,
para todo o (x
1
, . . . , x
n
) ∈ D.
Podemos afirmar que lim
x→a
F(x) = (L
1
, . . . , L
m
) sse lim
x→a
F
j
(x) = L
j
para todo o
j = 1, . . . , m.
15. Seja f : D ⊂ R
2
→ R, (x, y) → f(x, y) uma fun¸c˜ao de duas vari´aveis e
(a, b) ∈ int(D). Fixando a vari´ avel y = b obt´em-se uma fun¸c˜ ao de uma s´o
vari´ avel g(x) = f(x, b). Se existir a derivada de g em ordem a a ent˜ao esta
diz-se a derivada parcial de f em ordem a x, no ponto (a, b) e escreve-se
f
x
(a, b) = lim
h→0
f(a + h, b) −f(a, b)
h
.
Analogamente se define a derivada parcial de f em ordem a y no ponto (a, b),
denotada por f
y
(a, b).
16. Considerando o gr´afico de f e P(a, b, f(a, b)) um ponto desse gr´afico podemos
tomar a curva C resultante da intersec¸c˜ ao do gr´afico de f com o plano y = b.
O valor de f
x
(a, b) indica o declive da recta tangente a C no ponto P.
2
17. Na defini¸c˜ ao de derivada parcial, admitindo que o ponto (a, b) pode variar em
int(D) verificamos que estamos a definir uma nova fun¸c˜ ao de duas vari´ aveis que
se designa por derivada parcial de f em ordem a x e admite v´arias nota¸c˜oes:
f
x
(x, y) = f
x
=
∂f
∂x
=

∂x
f(x, y) =
∂z
∂x
= f
1
= D
1
f = D
x
f
onde z = f(x, y).
18. Se f admite derivada parcial f
x
(num conjunto aberto contendo (a, b)) esta
fun¸c˜ao de duas vari´aveis pode por sua vez admitir derivada parcial em ordem
a x, (f
x
)
x
(a, b) no ponto (a, b), e derivada parcial em ordem a y, (f
x
)
y
(a, b) no
ponto (a, b). Estas designam-se por derivada parcial de segunda ordem de f
em ordem a x no ponto (a, b), denotando-se por f
xx
(a, b), e derivada parcial
de segunda ordem de f em ordem a x e a y no ponto (a, b), que se denota por
f
xy
(a, b), respectivamente.
19. As derivadas parciais de segunda ordem de f s˜ao as fun¸c˜ oes de duas vari´aveis
definidas nos pontos onde existem, podendo assumir as seguintes nota¸c˜ oes:
(f
x
)
x
= f
xx
= f
11
=

∂x
_
∂f
∂x
_
=

2
f
∂x
2
=

2
z
∂x
2
(f
x
)
y
= f
xy
= f
12
=

∂y
_
∂f
∂x
_
=

2
f
∂y∂x
=

2
z
∂y∂x
(f
y
)
x
= f
yx
= f
21
=

∂x
_
∂f
∂y
_
=

2
f
∂x∂y
=

2
z
∂x∂y
(f
y
)
y
= f
yy
= f
22
=

∂y
_
∂f
∂y
_
=

2
f
∂y
2
=

2
z
∂y
2
20. (Teorema de Schwarz) Seja f uma fun¸c˜ ao de duas vari´ aveis, de dom´ınio D,
cujas derivadas parciais f
x
, f
y
e f
xy
existem numa bola aberta contendo o
ponto (a, b) ∈ D e s˜ao cont´ınuas em (a, b). Ent˜ao existe tamb´em f
yx
(a, b) e
f
yx
(a, b) = f
xy
(a, b).
21. Seja f : D ⊂ R
2
→ R uma fun¸c˜ao com derivadas parciais de primeira ordem
cont´ınuas e seja P(a, b, f(a, b)) um ponto da superf´ıcie S dada pela equa¸c˜ ao
z = f(x, y). Uma equa¸c˜ao do plano tangente `a superf´ıcie S no ponto P ´e
z −f(a, b) = f
x
(a, b)(x −a) + f
y
(a, b)(y −b).
22. Dada uma fun¸c˜ao de duas vari´aveis z = f(x, y) e um ponto (a, b) ∈ int(D),
o s´ımbolo ´f(a, b), chamado incremento de f em (a, b), denota a varia¸c˜ ao
do valor de f(x, y) quando (x, y) varia de (a, b) para uma nova posi¸c˜ao (a +
´x, b +´y), obtida pelo incremento `a primeira e `a segunda vari´aveis em ´x
e ´y, respectivamente, isto ´e, ´f(a, b) = f(a +´x, b +´y) −f(a, b).
3
23. Sejam f : D ⊂ R
2
→ R e (a, b) ∈ int(D). A fun¸c˜ ao f diz-se diferenci´avel em
(a, b) se existem as derivadas parciais f
x
(a, b) e f
y
(a, b) e
lim
(x,y)→(0,0)
´f(a, b) −f
x
(a, b)´x −f
y
(a, b)´y
|(´x, ´y)|
= 0.
A defini¸c˜ao para fun¸c˜oes reais de mais vari´ aveis ´e an´aloga.
24. Se uma fun¸c˜ ao ´e diferenci´avel em todos os pontos de um conjunto R ⊂ int(D)
ent˜ ao diz-se diferenci´avel em R.
25. Se uma fun¸c˜ ao ´e diferenci´avel num ponto ent˜ao ´e cont´ınua nesse ponto.
26. Se uma fun¸c˜ao f tem todas as derivadas parciais cont´ınuas num aberto R (i.e.
f ∈ C
1
(R)) contendo um ponto (a, b) ent˜ ao f ´e diferenci´avel em (a, b).
27. Dada uma fun¸c˜ ao f : D ⊂ R
2
→ R diferenci´avel num ponto (a, b) ∈ int(D)
define-se o diferencial (total) de f como sendo a fun¸c˜ao df(a, b) definida por
df(a, b) (dx, dy) = f
x
(a, b)dx + f
y
(a, b)dy =
_
f
x
(a, b) f
y
(a, b)
¸
_
dx
dy
_
nas vari´aveis (diferenciais) dx e dy. A matriz
_
f
x
(a, b) f
y
(a, b)
¸
correspon-
dente ao diferencial df(a, b) designa-se por matriz jacobiana de f em (a, b).
28. Para uma fun¸c˜ ao diferenci´avel em (a, b) e tomando ´x = dx e ´y = dy tem-se
´f(a, b) ≈ df(a, b).
29. Sendo f diferenci´avel em (a, b), a fun¸c˜ ao
L(x, y) = f(a, b) + f
x
(a, b)(x −a) + f
y
(a, b)(y −b)
diz-se uma aproxima¸c˜ ao linear local de f em (a, b) (No ponto anterior toma-se
´x = x −a e ´y = y −b).
30. Sejam f : D ⊂ R
n
→ R
m
uma fun¸c˜ ao vectorial e a ∈ int(D). A fun¸c˜ao f ´e
diferenci´avel em a se e s´o se as suas fun¸c˜ oes componentes forem diferenci´aveis
em a. A matriz jacobiana correspondente ao diferencial df(a) ´e
_
¸
_
∂f
1
∂x
1
(a)
∂f
1
∂x
n
(a)
.
.
.
.
.
.
∂f
m
∂x
1
(a)
∂f
m
∂x
n
(a)
_
¸
_
.
31. No caso em que m = 1 obt´em-se uma matriz linha. Se f ´e diferenci´avel a fun¸c˜ao
vectorial ∇f que a cada a faz corresponder o vector com as entradas da matriz
jacobiana diz-se o campo vectorial gradiente de f, isto ´e, ∇f =
_
∂f
∂x
1
, . . . ,
∂f
∂x
n
_
.
No caso em que n = m o determinante da matriz jacobiana diz-se o jacobiano
de f e denota-se
∂(f
1
,...,f
n
)
∂(x
1
,...,x
n
)
.
4
32. Sejam f : D ⊆ R
n
→ R
p
e g : E ⊆ R
p
→ R
m
tais que f(D) ⊆ E. Se f ´e
diferenci´avel em a e g ´e diferenci´avel em f(a) ent˜ ao g ◦ f ´e diferenci´avel em a
tendo-se d(g ◦ f)(a) = dg(f(a))df(a), ou seja,
_
¸
_
∂(g◦f)
1
∂x
1

∂(g◦f)
1
∂x
n
.
.
.
.
.
.
∂(g◦f)
m
∂x
1

∂(g◦f)
m
∂x
n
_
¸
_
(a)
=
_
¸
_
∂g
1
∂y
1

∂g
1
∂y
p
.
.
.
.
.
.
∂g
m
∂y
1

∂g
m
∂y
p
_
¸
_
(f(a))
_
¸
_
∂f
1
∂x
1

∂f
1
∂x
n
.
.
.
.
.
.
∂f
p
∂x
1

∂f
p
∂x
n
_
¸
_
(a)
33. Diz-se que uma equa¸c˜ ao F(x
1
, . . . , x
n
, y) = 0, para uma dada fun¸c˜ ao F, define
implicitamente y como fun¸c˜ao de x
1
, . . . , x
n
se existir uma fun¸c˜ao ϕ tal que
y = ϕ(x
1
, . . . , x
n
) e F(x
1
, . . . , x
n
, ϕ(x
1
, . . . , x
n
)) = 0, para todo o (x
1
, . . . , x
n
)
do dom´ınio de ϕ.
34. (Teorema da fun¸c˜ao impl´ıcita) Seja F = F(x
1
, . . . , x
n
, y) uma fun¸c˜ ao de classe
C
1
num aberto U de R
n+1
contendo um ponto (a
1
, . . . , a
n
, b). Se F(a
1
, . . . , a
n
, b) =
0 e F
y
(a
1
, . . . , a
n
, b) ,= 0 ent˜ ao existem abertos V ⊆ R
n
e W ⊆ R tais que
(a
1
, . . . , a
n
, b) ∈ V W ⊆ U e a equa¸c˜ao F(x
1
, . . . , x
n
, y) = 0 define implici-
tamente y como fun¸c˜ ao de x
1
, . . . , x
n
no conjunto V tendo-se
∂y
∂x
i
= −
F
x
i
F
y
em V.
35. (Teorema da fun¸c˜ ao inversa) Sejam f : D ⊂ R
n
→ R
n
uma fun¸c˜ ao de classe
C
1
num conjunto aberto contendo o ponto a. Se o jacobiano de f no ponto
a ´e diferente de zero, ent˜ ao existem abertos V, W ⊆ R
n
tais que a ∈ V e
f : V → W ´e bijectiva e de classe C
1
verificando-se df
−1
(b) = [df(f
−1
(b))]
−1
.
36. A derivada direccional de uma fun¸c˜ao f : D ⊆ R
2
→ R em (a, b) segundo a
direc¸c˜ao do vector unit´ario u = (u
1
, u
2
) ´e dada por
D
u
f(a, b) = lim
h→0
f(a + hu
1
, b + hu
2
) −f(a, b)
h
caso este limite exista.
Geometricamente, a derivada direccional de f em (a, b) segundo a direc¸c˜ ao de
u representa o declive da recta tangente `a curva C no ponto P(a, b, f(a, b)),
curva esta resultante da intersec¸c˜ao do gr´afico de f com o plano vertical que
passa em P e tem a direc¸c˜ ao do vector u.
Esta no¸c˜ ao generaliza-se a fun¸c˜ oes vectoriais de v´arias vari´ aveis.
37. Se f ´e diferenci´avel em a ∈ int(D) ent˜ ao f tem derivada direccional em a
segundo a direc¸c˜ ao de um qualquer vector unit´ario u e tem-se D
u
f(a) =
∇f(a) u.
5
38. (n = 2) Se o vector unit´ario u faz um ˆangulo θ com o semi-eixo positivo das
abcissas ent˜ao u = (cos θ, sin θ) podendo, neste caso, designar-se a derivada
direccional segundo u por derivada direccional de f na direc¸c˜ao de θ.
39. (n = 2, 3) Seja f uma fun¸c˜ao diferenci´avel em a ∈ int(D). A derivada di-
reccional de f em a segundo um vector unit´ario u atinge o seu valor m´aximo
quando o vector unit´ario u tem a mesma direc¸c˜ao e sentido de ∇f(a). Nesse
caso, tem-se D
u
f(a) = |∇f(a)|.
40. Sejam S a superf´ıcie de equa¸c˜ao f(x, y, z) = k, com f uma fun¸c˜ao de classe
C
1
e k uma constante, e P(a, b, c) um ponto de S. Se ∇f(P) ,= 0, o plano
tangente a S em P ´e dado pela equa¸c˜ ao
∇f(a, b, c) (x −a, y −b, z −c) = 0.
A recta normal `a superf´ıcie no ponto P tem equa¸c˜ao vectorial
(x, y, z) = (a, b, c) + λ∇f(a, b, c), λ ∈ R.
41. Dada uma fun¸c˜ ao de duas vari´aveis, a derivada direccional D
u
f de f segundo
o vector u = (u
1
, u
2
) ´e tamb´em uma fun¸c˜ ao de duas vari´aveis, pelo que pode-
mos tamb´em calcular a sua derivada direccional D
2
u
f = D
u
(D
u
f) segundo
a direc¸c˜ ao de u. Se f admite derivadas parciais at´e `a ordem 2 num aberto
contendo (a, b) e tem derivadas parciais mistas cont´ınuas em (a, b) ent˜ ao tem-se
D
2
u
f(a, b) =

2
f
∂x
2
(a, b)u
2
1
+ 2

2
f
∂x∂y
(a, b)u
1
u
2
+

2
f
∂y
2
(a, b)u
2
2
De modo an´alogo pode-se definir a derivada direccional de ordem p > 2
tomando D
p
u
f = D
u
(D
p−1
u
f). Tamb´em se obt´em, em condi¸c˜ oes an´alogas `as do
caso p = 2, a f´ormula
D
p
u
f(a, b) =
p

k=0
u
p−k
1
u
k
2

p
f
∂x
p−k
∂y
k
.
42. Seja f uma fun¸c˜ ao real definida numa aberto D ⊆ R
2
de classe C
p
, com p ≥ 1,
e (p + 1)-diferenci´avel no segmento de recta (contido em D) que une o ponto
(a, b) ao ponto (a, b) +v, para um dado vector v = (v
1
, v
2
). Ent˜ ao,
f(a+v
1
, b +v
2
) = f(a, b) +D
v
f(a, b) +
1
2!
D
2
v
f(a, b) + +
1
p!
D
p
v
f(a, b) +R
p+1
,
onde R
p+1
=
1
(p+1)!
(D
p+1
v
f(a, b) +α(v)) sendo lim
v→0
α(v) = 0. A express˜ao ante-
rior diz-se a f´ormula de Taylor de ordem p da fun¸c˜ ao f em torno de (a, b).
6
43. Dada uma fun¸c˜ ao real f : D ⊆ R
n
→ R e a ∈ D diz-se que f tem um
m´aximo relativo no ponto a se existe uma bola aberta B de centro em a tal
que f(x) ≤ f(a), para todo o x ∈ B∩D. Diz-se que f tem um m´aximo absoluto
em a se f(x) ≤ f(a), para todo o x ∈ D. Invertendo as desigualdades obtˆem-
se as defini¸c˜ oes de m´ınimo relativo e de m´ınimo absoluto, respectivamente.
Se f tem um m´ınimo ou um m´aximo relativo em a diz-se que f tem um extremo
relativo em a. Se f tem um m´ınimo ou um m´aximo absoluto em a diz-se que
f tem um extremo absoluto em a.
44. Um ponto a ∈ int(D) diz-se um ponto cr´ıtico de f se
∂f
∂x
i
(a) = 0, para i =
1, . . . , n, ou se alguma destas derivadas parciais n˜ao existe.
45. Se f tiver um extremo relativo em a ∈ int(D) e se as derivadas parciais de
primeira ordem de f existirem nesse ponto, ent˜ao a ´e um ponto cr´ıtico de f.
46. Um ponto (a, b, f(a, b)) diz-se um ponto de sela se existir uma bola B de centro
em (a, b) onde f(x, y) < f(a, b) para certos pontos de B, e f(x, y) > f(a, b)
para outros pontos de B.
47. Sejam f : D ⊆ R
2
→R uma fun¸c˜ ao de classe C
2
e (a, b) ∈ int(D).
`
A matriz
H(f)(a, b) =
_
f
xx
f
yx
f
xy
f
yy
_
(a,b)
chamamos matriz Hessiana de f em (a, b) e ao seu determinante damos o nome
de Hessiano de f em (a, b).
48. Seja f uma fun¸c˜ao de duas vari´aveis de classe C
2
numa aberto contendo um
ponto cr´ıtico (a, b) e seja D o hessiano de f em (a, b). Ent˜ao:
(a) Se D > 0 e f
xx
(a, b) > 0 ent˜ ao f tem um m´ınimo relativo em (a, b);
(b) Se D > 0 e f
xx
(a, b) < 0 ent˜ ao f tem um m´aximo relativo em (a, b);
(c) Se D < 0 ent˜ ao f tem um ponto de sela em (a, b).
49. (Weierstrass) Toda a fun¸c˜ao real cont´ınua num conjunto fechado e limitado
tem, nesse conjunto, um m´aximo e um m´ınimo.
50. (Multiplicadores de Lagrange) Sejam f, g : D ⊆ R
n
→ R fun¸c˜ oes de classe
C
1
num aberto D. Sejam a ∈ D e S o conjunto de n´ıvel dado pela equa¸c˜ao
g(x
1
, . . . , x
n
) = c, onde c = g(a). Suponhamos que ∇g(a) ,= 0. Se a restri¸c˜ ao
da fun¸c˜ ao f a S tem um extremo em a ent˜ ao existe λ ∈ R tal que
∇f(a) = λ∇g(a).
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