RESUMOS DE AN

´
ALISE MATEM
´
ATICA II
1
o
Semestre 2010/2011
Integrais M´ ultiplos
1. Um intervalo fechado n-dimensional [a, b], com a = (a
1
, . . . , a
n
) e b = (b
,
. . . , b
n
)
elementos de R
n
, ´e um produto cartesiano de n intervalos unidimensionais
[a
1
, b
1
] ×· · · ×[a
n
, b
n
] = {(x
1
, . . . , x
n
) ∈ R
n
: a
i
≤ x
i
≤ b
i
i = 1, . . . , n},
com a
i
< b
i
, para todo o i ∈ {1, . . . , n}.
2. O volume de [a, b], V ol([a, b]), ´e o produto do comprimento dos intervalos
unidimensionais (b
1
−a
1
) · · · (b
n
−a
n
) e a diagonal de [a, b] ´e dada por
_
(b
1
−a
1
)
2
+· · · + (b
n
−a
n
)
2
.
3. Uma parti¸c˜ ao P do intervalo n-dimensional I ´e um conjunto finito do tipo
P = P
1
×· · · × P
m
onde cada P
i
´e uma parti¸c˜ao do intervalo real [a
i
, b
i
]. Tal
parti¸c˜ao determina uma decomposi¸c˜ao D = {I
1
, . . . , I
k
} de I em subintervalos
n-dimensionais mais pequenos I
1
, . . . , I
k
, onde quaisquer dois subintervalos n˜ao
tˆem pontos interiores em comum.
4. O diˆametro de uma parti¸c˜ao P, que se denota por δ
P
, ´e o valor da maior
diagonal entre todos os subintervalos da parti¸c˜ ao P.
5. Seja D = {I
1
, . . . , I
k
} uma decomposi¸c˜ ao de um intervalo I determinada por
uma parti¸c˜ ao P. O par D

= (P, (x
j
)
j=1,...,k
), onde cada x
j
∈ I
j
, diz-se uma
decomposi¸c˜ao pontilhada de I.
6. Uma soma de Riemann de uma fun¸c˜ ao real f definida num intervalo I relativa
a uma parti¸c˜ ao pontilhada D

= (P, (x
j
)
j=1,...,k
) do intervalo I ´e definida por
Σ(f; D

) =
k

j=1
f(x
j
)V ol(I
j
).
7. Seja I um intervalo de R
n
. Uma fun¸c˜ ao f : I →R diz-se integr´avel em I (pelo
conceito de Riemann) se existe e ´e finito o limite S das somas de Riemann
Σ(f; D

) quando o diˆametro da parti¸c˜ ao P tende para zero, ou seja, para todo
o > 0 existe um δ > 0 tal que |Σ(f; D

) − S| < , seja qual for a parti¸c˜ ao
P de I com δ
P
< δ e a maneira de pontilhar essa decomposi¸c˜ ao. Esse limite
chama-se integral de f sobre a regi˜ao I e denota-se por
_
I
f ou
_
I
f(x)d x.
1
8. (Propriedades do integral) Seja I um intervalo de R
n
.
(a) (Linearidade) Para quaisquer c
1
, c
2
∈ R e fun¸c˜ oes f e g integr´aveis em I
tem-se
c
1
_
I
f + c
2
_
I
g =
_
I
(c
1
f + c
2
g)
(b) (Compara¸c˜ao) Se f(x) ≥ g(x) para todo o x ∈ I ent˜ao
_
I
f ≥
_
I
g;
(c) (Aditividade) Se I se divide em dois subintervalos I
1
, I
2
cuja intersec¸ c˜ao
´e um subconjunto das suas fronteiras ent˜ ao
_
I
f =
_
I
1
f +
_
I
2
f
9. (Integrabilidade de fun¸c˜ oes cont´ınuas) Se uma fun¸c˜ ao f ´e cont´ınua num inter-
valo I ⊂ R
n
, ent˜ ao f ´e integr´ avel em I.
10. (Corol´ario do Teorema de Fubini) Se I ⊂ R
n
e J ⊂ R
m
s˜ao intervalos e f ´e
integr´ avel em I ×J ent˜ ao
(a) a fun¸c˜ ao x →f(x, y) ´e integr´ avel em I;
(b) a fun¸c˜ ao y →f(x, y) ´e integr´avel em J; e
(c) o valor do integral pode ser obtido por integra¸ c˜ao iterada
_
I×J
f =
_
I
__
J
f(x, y)d y
_
d x =
_
J
__
I
f(x, y)d x
_
d y
11. Seja R uma regi˜ao limitada de R
n
e R

um intervalo de R
n
que contenha R.
Uma fun¸c˜ ao f definida em R diz-se integr´ avel em R se a fun¸c˜ ao f

definida
por
f

(x) =
_
f(x), se x ∈ R;
0, se x / ∈ R.
´e integr´avel em R

e define-se o integral de f em R como sendo
_
R
f =
_
R

f

.
12. (Medida nula) Um conjunto A ⊂ R
n
tem medida nula se para todo o > 0
existe uma colec¸c˜ ao numer´avel {I
k
}

k=1
de intervalos de R
n
cuja uni˜ao cont´em
A e cuja soma

k=1
V ol(I
k
) n˜ao excede .
2
Exemplos: 1) Um conjunto com um n´ umero finito de pontos tem medida nula;
2) O gr´afico de uma fun¸c˜ao f : I ⊂ R
n
→ R, com I fechado e limitado, tem
medida nula em R
n+1
; 3) a uni˜ao numer´ avel de conjunto de medida nula tem
medida nula.
13. Seja R ⊂ R
n
uma regi˜ao limitada cuja fronteira tem medida nula. Uma fun¸c˜ ao
f : R → R limitada (i.e., existe M ∈ R
+
tal que |f(x)| ≤ M, para todo o
x ∈ R) ´e integr´ avel em R se e s´o se conjunto das descontinuidades de f tem
medida nula.
14. As propriedades da Linearidade, Compara¸c˜ao e Aditividade j´a enunciadas para
integrais definidos sobre intervalos generalizam-se a fun¸c˜oes sobre regi˜oes limi-
tadas.
15. No caso em que a regi˜ao limitada R ´e um subconjunto de R
2
ou de R
3
os
integrais designam-se por integrais duplos e triplos, respectivamente, e denota-
se o integral
_
R
f por
__
R
f(x, y)d xd y e
___
R
f(x, y, z)d xd yd z,
respectivamente.
16. Uma regi˜ao R diz-se verticalmente simples se ´e do tipo
R = {(x, y) ∈ R
2
: a ≤ x ≤ b, g
1
(x) ≤ y ≤ g
2
(x)}
para certas fun¸c˜ oes g
1
e g
2
cont´ınuas em [a, b]. Uma regi˜ao R diz-se horizon-
talmente simples se ´e do tipo
R = {(x, y) ∈ R
2
: c ≤ y ≤ d, h
1
(y) ≤ x ≤ h
2
(y)}
para certas fun¸c˜ oes h
1
e h
2
cont´ınuas em [c, d].
17. Se f ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua numa regi˜ao verticalmente simples R = {(x, y) ∈
R
2
: a ≤ x ≤ b, g
1
(x) ≤ y ≤ g
2
(x)} ent˜ ao
__
R
f =
_
b
a
_
g
2
(x)
g
1
(x)
f(x, y)d yd x.
Do mesmo modo, se f ´e uma fun¸c˜ ao cont´ınua numa regi˜ao horizontalmente
simples R = {(x, y) ∈ R
2
: c ≤ y ≤ d, h
1
(y) ≤ x ≤ h
2
(y)} ent˜ao
__
R
f =
_
d
c
_
h
2
(y)
h
1
(y)
f(x, y)d xd y.
3
18. Uma regi˜ao do espa¸co E diz-se do tipo 1, se existir uma regi˜ao R do plano
xOy horizontalmente ou verticalmente simples tal que
E = {(x, y, z) ∈ R
3
: (x, y) ∈ R, φ
1
(x, y) ≤ z ≤ φ
2
(x, y)},
onde φ
1
e φ
2
s˜ao fun¸c˜ oes cont´ınuas em R. Do mesmo modo define-se regi˜oes
do tipo 2 trocando na defini¸c˜ao anterior o x e o y por y e z, respectivamente,
e do tipo 3 trocando o y por z na defini¸c˜ ao de regi˜oes de tipo 1. Uma regi˜ao
que ´e simultaneamente do tipo 1,2 e 3 diz-se uma regi˜ao s´olida simples.
19. Se f ´e uma fun¸c˜ ao cont´ınua numa regi˜ao de tipo 1, E = {(x, y, z) ∈ R
3
:
(x, y) ∈ R, φ
1
(x, y) ≤ z ≤ φ
2
(x, y)} ent˜ ao
___
E
f =
_
R
_
_
φ
2
(x,y)
φ
1
(x,y)
f(x, y, z)d z
_
d xd y.
20. (Aplica¸c˜ oes do Integral)
(a) C´alculo de ´areas e volumes: se R ⊂ R
2
tem-se
__
R
1d xd y = area de R
e se R ⊂ R
3
tem-se
___
R
1d xd yd z = volume de R
(b) Se f ´e n˜ao negativa e integr´ avel numa regi˜ao R ⊂ R
2
, ent˜ ao o volume do
s´olido limitado inferiormente por R×{0} e superiormente pela superf´ıcie
de equa¸c˜ ao z = f(x, y), ´e dado por
__
R
f(x, y)d xd y.
(c) (Teorema do valor m´edio para integrais) Existe um valor c em R que
satisfaz a rela¸c˜ao
1
volume de R
_
R
f = f(c).
(d) Se ρ(x) ´e uma fun¸c˜ao densidade de massa cont´ınua em R ⊂ R
2
(ou R
3
),
ent˜ao:
i. a massa total m em R ´e:
_
R
ρ
4
ii. o momento M
L
em rela¸c˜ ao a um eixo (ou plano) coordenado L ´e dado
por
_
R
d
L
ρ
onde d
L
´e a distˆancia de (x, y, z) ao eixo (plano) L.
iii. a i-´esima coordenada do centro de massa ´e
_
R
x
i
ρ
_
R
ρ
iv. o momento de in´ercia I
x
i
relativo ao eixo x
i
(ou I
0
relativo `a origem)
´e dado por
_
R
d
2
x
i
ρ
onde d
x
i
´e a distˆancia de (x, y, z) ao eixo x
i
(respectivamente, d
0
que
significa a distˆancia `a origem).
21. (Mudan¸ca de vari´ aveis) Seja T ⊂ R
n
um aberto. Uma mudan¸ca de vari´ avel ´e
uma aplica¸c˜ao injectiva de classe C
1
, g : T ⊂ R
n
→ R
n
, u = (u
1
, . . . , u
n
) →
(g
1
(u), . . . , g
n
(u)) cujo Jacobiano J
g
(u) da aplica¸c˜ao g nunca se anula em T.
(Em particular g tem inversa de classe C
1
).
22. (Alguns exemplos de mudan¸ca de vari´ aveis)
(a) (Mudan¸ca de vari´aveis para coordenadas polares)
Tome-se g : R
+
×] −π, π[→R
2
definida por g(r, θ) = r cos(θ)
´
i +r sin(θ)
´
j
e neste caso o determinante da matriz Jacobiana desta aplica¸c˜ao ´e r.
(b) (Mudan¸ca de vari´aveis para coordenadas cil´ındricas)
Tome-se g : R
+
×] − π, π[×R → R
3
definida por g(r, θ, z) = r cos(θ)
´
i +
r sin(θ)
´
j + z
´
k e neste caso o determinante da matriz Jacobiana desta
aplica¸c˜ ao ´e r.
(c) (Mudan¸ca de vari´aveis para coordenadas esf´ericas)
Tome-se g : R
+
×]−π, π[×]0, π[→R
3
definida por g(ρ, θ, ϕ) = ρ sin(ϕ) cos(θ)
´
i+
ρ sin(ϕ) sin(θ)
´
j + ρ cos(ϕ)
´
k e neste caso o determinante da matriz Jaco-
biana desta aplica¸c˜ ao ´e −ρ
2
sin(ϕ).
23. (Teorema de mudan¸ca de vari´aveis) Seja T ⊂ R
n
um aberto e g : T →R
n
uma
mudan¸ca de vari´avel. Seja R ⊂ T uma regi˜ao limitada de R
n
e f uma fun¸c˜ ao
integr´avel em g(R). Ent˜ ao tem-se
_
g(R)
f(x)d x =
_
R
f (g(u)) |J
g
(u)|d u
24. A f´ormula anterior ainda ´e v´alida se a aplica¸c˜ ao n˜ao for bijectiva apenas num
subconjunto de medida nula de T, ou se o Jacobiano se anular num subconjunto
de medida nula.
5