IBP1889_12 USO DO CARVÃO ATIVADO DO BAGAÇO DE CANA DE AÇÚCAR BRASILEIRO COMO ADSORVENTE NA PURIFICAÇÃO DE EFLUENTES DE REFINARIA CONTAMINADOS POR

FENOL V.L da Silva1 ; J.F. González2

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corr igir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Neste trabalho foi estudado o carvão ativado de bagaço de cana brasileiro obtido por ativação química com ácido fosfórico, para ser empregado como adsorvente na remoção de fenol de efluentes gerados das refinarias de petróleo. O material obtido foi caracterizado primeiramente com varias técnicas para determinar as suas propriedades físicas e químicas; as técnicas utilizadas foram: Isotermas de adsorção de N 2 a 77K, Microscopia eletrônica de Varredura fluorescência de raios X, quantificação de ponto de carga zero, quantificação dos grupos ácidos e básicos superficiais pelo método de Boehm. O carvão ativado de bagaço de cana apresentou uma área superficial aparente de 1219,29 m2/g, onde esta área foi calculada empregando o modelo BET, baseados na informação da Isoterma de Adsorção de N 2 a 77K. O adsorvente foi testado em um planejamento fatorial 23 para observar sua capacidade de adsorção variando três variáveis: pH da solução, agitação do sistema e a massa do adsorvente. Com o planejamento experimental foi possível determinar que o carvão ativado, nas melhores condições estudadas, adsorveu um 92% da concentração inicial de fenol (100 mg/L). Com os estudos cinéticos e termodinâmicos, foi possível estabelecer que o carvão ativado possa ser utilizado como adsorvente em concentrações maiores do que 100 mg/L. Também foi possível afirmar que o processo de adsorção nas condições estudadas foi mais de natureza química (quimissorção) do que natureza física (fisissorção). Portanto, o carvão ativado de bagaço de cana brasileiro pode ser visado como um material útil e de baixo custo, com capacidades promissórias na purificação de efluentes de refinaria de petróleo contaminados com fenol.

Abstract
In this work were studied the activated carbon obtained by chemical activation with phosphoric acid using as a precursor the Brazilian sugar-cane bagasse, for using as an adsorbent in the removal of phenol of effluents produced by petroleum refineries. First, the adsorbent was characterized with certain techniques in order to determine their physical properties and chemical ones; the techniques used were: N2 Adsorption Isotherms at 77K, scanning electron microscopy, X-ray fluorescence, quantification of point of zero charge, quantification of acidic and basic surface groups by Boehm’s method. The activated carbon showed an apparent surface area of 1219,29 m2/g, this area was calculated using the BET model, based on information from N2 Adsorption Isotherm. The material was tested in a factorial design 23 to observe its adsorption capacity varying three of the variables; pH’s solution, agitation of system and mass of adsorbent. With the experimental design was possible determined that the activated carbon, in the best studied conditions, adsorbed a 92% of initial concentration of fenol (100 mg/L). With the kinetic and thermodynamic studies, was possible established that in the process of adsorption studied, the activated carbon could be used like adsorbent in higher concentrations than 100 mg/L. It’s also possible to affirm that the process of adsorption of fenol presented more a chemical character than a physical one. Finally, we can conclude that the activated carbon obtained by chemical activation with phosphoric acid could be projected as an useful material with low cost and brilliant future for the purification of effluents from petroleum refineries that were contaminated with phenol.

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PhD, Química - Universidade Federal de Pernambuco, Professora Titular, Departamento de Engenharia Química. Mestre em Química – Universidade Federal de Pernambuco, Estudante de Doutorado, Departamento de Engenharia Química.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

1. Introdução
Fenol é uma substancia altamente tóxica e solúvel em água, apresentando um odor característico às águas contaminadas, inclusive em baixas concentrações (5 µg/L) e após dos processos de cloração usados para a purificação desses efluentes. A Organização Mundial da Saúde (World Health Organization-WHO) definiu 1 µg/L como limite máximo de fenol em águas para consumo, é as agências ambientais governamentais em diferentes países como USA (Environmental Protection Agency-EPA) e India (Ministry of Environment and Forests- MOEFS) têm catalogado ao fenol e seus derivados como contaminantes ou poluentes prioritários. No caso do Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) tem definido na sua resolução 357/2005 as concentrações máximas permitidas de compostos fenólicos, encontrando-se na faixa de 0,1 a 0,5µg/L. O Fenol está presente em importantes e diferentes tipos de indústria, tanto como subproduto ou como um produto final, sendo bastante importante nas indústrias petroquímicas, nas indústrias de resinas, nas refinarias de petróleo, etc., segundo o trabalho de Svirastava et. al (2006). No caso das refinarias de petróleo, o fenol está presente nos efluentes das seguintes operações: dessalinização do Petróleo Cru, Destilações Atmosféricas e a vácuo, Craqueamento térmico e Coqueamento. Portanto, é necessária a utilização de processos de tratamento para a separação, remoção ou destruição do fenol nos diferentes efluentes para minimizar os impactos ambientais. Esses processos podem ser catalogados em três principais grupos: processos físico-químicos, processos oxidativos e degradação biológica. Neste trabalho é estudado o fenômeno físico-químico da adsorção sendo empregado o carvão ativado de bagaço de cana-de-açúcar brasileiro como possível material adsorvente na purificação de efluentes de refinaria contaminados com fenol. Na adsorção em fase liquida as forças intramoleculares desequilibradas existentes na superfície de um sólido produzem atração ou repulsão das moléculas que se encontram na interfase entre a solução líquida e a superfície do sólido; dessa maneira, as moléculas que tem certa afinidade pelo sólido se acumulam na superfície de este (Moreno Piraján, 2007). Essa afinidade será refletida na quantidade adsorvida de fenol.

2. Metodologia
O carvão ativado foi obtido por ativação química utilizando ácido fosfórico com concentração 85% como agente químico, utilizando uma proporção mássica de ácido fosfórico- bagaço de cana de 2:1. A mistura de bagaço de cana e ácido fosfórico foi tratada termicamente em atmosfera de Nitrogênio e com taxa de aquecimento controlada até atingir os 500°C. Após o tratamento térmico, o material resultante foi arduamente lavado com água e bicarbonato de sódio. O carvão ativado remanescente da lavagem foi caracterizado por várias técnicas de caracterização: Isotermas de adsorção de N2 a 77K, Microscopia eletrônica de varredura (MEV), Fluorescência de raios X, Quantificação dos grupos ácidos e básicos superficiais e do Ponto de carga zero (PZC). Vários fatores afetam o processo de adsorção de Fenol em fase aquosa, portanto, foram escolhidos três fatores para analisar seu efeito individual e de interação na percentagem removida de Fenol utilizando como ferramenta quimiométrica um planejamento fatorial completo 23com ponto central em triplicata (11 exper.): pH da solução, agitação do sistema sólido-líquido e a quantidade de carvão ativado utilizado. Finalmente, a combinação dos níveis das variáveis estudadas que apresentaram a maior percentagem removida de Fenol, foi utilizada para fazer estudos cinéticos e termodinâmicos e ajustar estes dados experimentais a três modelos cinéticos: Pseudo primeira e pseudo segunda ordem e difusão intrapartícula, e a três modelos termodinâmicos: Langmuir, Freundlich e Temkin. 2.1. Caracterização do adsorvente O carvão ativado de bagaço de cana brasileiro foi caracterizado pelas seguintes técnicas: Isotermas de Adsorção de N2 a 77K: As propriedades texturais dos adsorventes foram avaliadas por adsorção física de Nitrogênio a 77K em um equipamento Micromeritics ASAP 2420, após a purificação da amostra com vácuo e temperaturas na faixa dos 200°C. As áreas superficiais aparentes são calculadas utilizando a equação do modelo BET e a distribuição de tamanho de poro é determinada mediante o modelo BJH. Microscopia eletrônica de varredura: A morfologia e tamanho de partícula superficiais do adsorvente foram observados por microscopia eletrônica de Varredura com um equipamento marca Shimadzu, Modelo SS550 com filamento de Tungstênio e com acoplamento para EDS. Fluorescência de raios x: As amostras foram pulverizadas, encapsuladas e cobertas por um filme de polipropileno. As cápsulas formadas foram analisadas semi quantitativamente para elementos pesados e alguns leves. A análise química foi feita empregando um espectrômetro de fluorescência de raios x Rigaku modelo RIX 300, equipado com tubo de Rh. Nesta análise podem ser determinados todos os elementos da tabela periódica exceto dos elementos leves H, He, Li, Be, B, C, N. Quantificação do ponto de carga zero (PZC): O método seguido para quantificar o Ponto de Carga Zero foi o estabelecido por Noh e Schwarz (1990), onde são pesadas diferentes quantidades de material adsorvente na faixa de 0,05 gramas a 0,3 gramas e colocadas em contato com 50 mL de solução de NaCl 0,1 M. Os frascos são tampados e deixados à temperatura 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 ambiente e em agitação constante durante 48 horas. Após esse tempo, o pH final da solução é medido. O PZC é determinado como o pH onde o gráfico de pH em função da massa de adsorvente apresenta tendência. Quantificação dos grupos ácidos e básicos superficiais: O procedimento experimental feito foi baseado no estabelecido por Boehm (2002): colocar 0,3 gramas de material adsorvente em contato com 25 mL de solução 0,1 M de NaHCO 3, Na2CO3, NaOH, HCl -por separado- e deixar em agitação constante e à temperatura ambiente durante 48 horas. Após esse tempo, o sistema é filtrado e tira-se uma alíquota de 10 mL para ser titulada com HCl 0,1 M (no caso de mergulho com NaHCO3, Na2CO3, NaOH) e com NaOH 0,1 M (no caso de mergulho com HCl). Estas determinações foram feitas em triplicata. 2.2. Análise quantitativa A quantificação do fenômeno de adsorção foi realizada a partir de medidas espectrométricas direta na banda do UV em 270nm, empregando um espectrofotômetro Thermo Scientific Genesys 10S UV-Vis. 2.3 Planejamento fatorial 23 completo A melhor maneira de estabelecer os efeitos que diferentes variáveis nos seus diferentes níveis possam apresentar numa respostas determinada é por meio de um planejamento experimental completo e/ou fracionado; no nosso trabalho, foi feito um planejamento fatorial 23 completo variando três variáveis: pH da solução, a agitação do sistema e a quantidade de adsorvente. Tabela 1. Planejamento fatorial 23 empregado no estudo da remoção de fenol. Ensaio 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 pH da solução - (4) +(8) + + + 0(6) 0 0 Agitação do sistema -(100rpm) +(300rpm) + + + 0(200rpm) 0 0 Massa do adsorvente -(0,1g) +(0,5g) + + + 0(0,3g) 0 0

2.4 Estudos cinéticos O estudo cinético foi realizado a partir de vários experimentos em batelada, utilizando soluções de fenol com concentração inicial de 100ppm com as melhores condições para a remoção de fenol segundo o planejamento fatorial estudado anteriormente. Foram postos em contato 0,1g de carvão ativado de bagaço de cana brasileiro em 50 mL da solução durante os tempos de 1, 3, 5, 7, 9, 15, 30, 60, 120, 180, 240, 300, 360 e 420 minutos, em Erlenmeyers com tampa de 125mL, procurando conhecer o tempo de equilíbrio no processo de adsorção. Após os tempos estabelecidos as amostras foram filtradas. O filtrado foi separado para análise quantitativa. Os dados obtidos foram ajustados a modelos cinéticos amplamente utilizados na literatura, descritos segundo as equações 1 a 3, respectivamente: pseudoprimeira ordem, pseudosegunda ordem e difusão intrapartícula; fazendo uma estimativa dos parâmetros com a ajuda de software. Os experimentos foram em duplicata, portanto, os resultados reportados são a média dos dados obtidos. 𝐿𝑜𝑔 𝑄𝑒 − 𝑄𝑡 = 𝐿𝑜𝑔 𝑄𝑒𝑐 − 𝑄𝑡 =
2 𝑄𝑒 ∗𝑘∗𝑡 𝑘

1 2,303 𝑡

(1) (2) (3)

1+𝑄𝑒 ∗𝑘 ∗𝑡 𝑄𝑡

= 𝑘𝑑𝑖𝑓 ∗ 𝑡 0,5 + 𝐶

2.5 Estudos termodinâmicos O estudo foi realizado em bateladas com solução de fenol nas mesmas condições estudadas experimentais empregadas no estudo cinético, mas agora com concentrações iniciais de fenol de 10, 25, 50, 75 e 100ppm. Estes foram realizados nos tempos de equilíbrio obtidos na etapa descrita anteriormente. Após a batelada foram separadas as fases – sólido e líquido – por filtração. O filtrado também foi separado para análise quantitativa. Os dados obtidos foram 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 avaliados nos modelos termodinâmicos de Langmuir, Freundlich e Temkin, descritos segundo as equações 4 a 6, respectivamente. Os experimentos foram feitos em duplicata. As equações dos modelos termodinâmicos utilizados são as seguintes:
1 𝑛 𝑄 = 𝐾𝐹 ∗ 𝐶𝑒

(4) (5) (6) 𝑄

= 𝑄 = 𝑄𝑜

∗𝐶𝑒 ∗𝐾𝐿 1+𝐶𝑒 ∗𝐾𝐿 𝑅𝑇 𝑏 𝐿𝑛

(𝐴𝐶𝑒 )

3. Resultados
3.1 Isotermas de adsorção de N2 a 77K. Foi calculada um área superficial aparente de 1219,29 m 2/g empregando o modelo BET, logo também foram encontradas mesoporosidade (2 nm < tamanho de poro < 50 nm) e uma ampla distribuição de tamanho de poro no carvão ativado, ilustrada na figura 2, suportado na informação obtida na Isoterma de adsorção de N2 a 77K, mostrada na figura 1, o que permite estabelecer ao carvão ativado como um material apto para meio liquido, já que os mesoporos são de vital importância no transporte das moléculas do contaminante desde o seio do fluido até os microporos (tamanho de poro< 2 nm), acelerando a cinética de adsorção das moléculas de interesse. Esta aparição pode ser confirmada com a presença do ciclo de histerese tipo H3 na Isoterma de adsorção, característico de Isotermas Tipo IV, além de ser confirmada esta conclusão observando a distribuição de tamanho de poro na figura 2 e o diâmetro médio de poro calculado, na tabela 2, sendo de 5 nm, característico de poros classificados como mesoporos (2 nm<d<50 nm).

900

incremento de Adsorçao (cm /g)

0,06

V(N2) cm /g

600

3

3

0,03

300

0,00

0,0

0,2

0,4

0,6

0,8

1,0

0

200

400

600

800

1000

1200

1400

1600

1800

2000

P/P0

Diametro (A)

Figura 1. Isoterma de adsorção de N2 a 77K.

Figura 2. Distribuição de tamanho de poro.

Tabela 2. Propriedades texturais do carvão ativado de bagaço de cana brasileiro. Área superficial aparente (m2/g) Volume de poro (cm3/g)

Material

Diâmetro médio de poro (nm)

Carvão ativado de bagaço de cana brasileiro

1219,29

1,299

5,395

3.2 Microscopia eletrônica de varredura Observando as microfotografias para o Carvão ativado de Bagaço de Cana (Figura 3) é possível observar o papel degradante que exerce o agente químico, neste caso o H3PO4, sobre o precursor, gerando rugosidade e porosidade na superfície do material, fazendo com que uma distribuição de tamanho de poro ampla seja gerada. Não foi possível determinar com MEV a morfologia e a microporosidade do material, mas é possível afirmar a natureza amorfa dos poros e variedade. 4

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Figura 3. Microfotografias do Carvão ativado de Bagaço de Cana. Esquerda: 400X, Direita: 3000X. 3.3 Fluorescência de raios X Na tabela 3, é mostrada a composição química superficial para o carvão ativado de bagaço de cana determinada por fluorescência de raios X, afirmando que o processo de ativação química e térmica faz com que mínimas quantidades de vários compostos apareçam na superfície do carvão, mas, devido à impregnação com o agente químico H3PO4, o elemento em maior concentração é o Fósforo, seguido do Silício, Ferro e o Cromo. Isto mostra que a lavagem feita não foi suficiente para remover o agente químico remanente na superfície; podendo obstaculizar porosidade e diminuindo a capacidade de adsorção do material adsorvente. Tabela 3. Composição química do carvão ativado de bagaço de cana brasileiro
Composição Química SiO2 CaO Fe2O3t Al2O3 P2O5 K2O SO3 MgO TiO2 Na2O Cl Cr2O3 MnO NiO CuO ZnO Ga2O3 Br Rb2O SrO ZrO2 Nb2O5 TOTAL Carvão ativado (CABCA) 14,4 0,38 9,43 0,6 68,8 0,04 0,32 nd 0,32 0,536 nd 3,69 nd 1,01 0,18 0,16 0,06 nd nd nd nd nd 99,926

*nd= não detectado.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 3.4 Química superficial: Ponto de carga zero (PZC) e grupos ácidos e básicos superficiais. Tabela 4. Quimica superficial do carvão ativado de bagaço de cana de açúcar brasileiro. Titulação Boehm Ponto de Material carga zero Carboxílicos Lactônicos Fenólicos Acidez total Basicidade (PZC) μmol/g μmol/g μmol/g μmol/g total μmol/g Carvão ativado de bagaço de cana 60,2 149,4 91,4 301 47,3 5,64 brasileiro. No caso do carvão ativado, pode ser confirmada sua natureza ácida (PZC=5,64 atribuída ao agente químico ácido empregado na ativação) e, portanto, em pH menores do que esse PZC a superfície se encontrará carregada positivamente e pH mais básicos do que esse PZC a superfície se encontrará carregada negativamente, este fato é muito importante para elucidar, dependendo do pH da solução, o mecanismo de interação dispersiva ou eletrostática do Fenol com a superfície do material podendo relacionar esta informação com as percentagens de Fenol adsorvidas, segundo Radovic (1997). E como era de esperar, a concentração de grupos ácidos foi maior do que os básicos no carvão, já que seu PZC foi ácido. 3.5 Planejamento fatorial 23 completo Tabela 5. Planejamento experimental e % de fenol adsorvido.
Ensaio 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 pH da solução + + + + 0 0 0 Agitação do sistema + + + + 0 0 0 Massa do adsorvente + + + + 0 0 0 % Fenol adsorvido 46,55 52,15 41,65 51,78 88,28 89,68 87,41 92,44 85,97 81,53 85,66

Estes planejamentos permitiram estabelecer as condições experimentais para realizar os experimentos cinéticos e termodinâmicos: segundo a informação da Tabela 5, a agitação no seu nível menor (100 rpm), pH da solução no seu nível maior (pH=8) e q maior massa de adsorvente (m=0,5 gramas) foram as melhores condições experimentais estudadas para adsorver fenol. 3.6 Estudos cinéticos
Estudo cinético Carvão ativado de bagaço de cana brasileiro Modelo de pseudo segunda ordem 20 18 16 14 12

Qt (mg/g)

10 8 6 4 2 0 0 50 100 150 200 t (min) 250 300 350 400 450

Figura 4. Ajuste dos dados cinéticos experimentais obtidos para o modelo de pseuda segunda ordem. 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 A partir dos estudos cinéticos experimentais foi possível determinar um tempo de equilíbrio de 3 horas e fazendo que esse tempo seja estabelecido para realizar os estudos termodinâmicos e, como é visto na Figura 4, o grau de ajuste dos dados experimentais com o modelo de pseuda segunda ordem foi bom. No entanto, na Tabela 6, encontra-se resumida a informação pertinente ao grau de ajuste e o valor das constantes cinéticas encontradas para os diferentes modelos empregando iteração não linear no programa STATISTICA 8. No nosso material, o modelo cinético de pseudo segunda ordem se ajusta melhor aos dados experimentais, sendo um indicio de que o processo de adsorção é um processo de adsorção química, portanto, baseados no mencionados por Moreno-Castilla (2004) as interações eletrostáticas podem apresentar uma maior participação do que as interações dispersivas atrativas. Tabela 6. Parâmetros cinéticos para a adsorção de fenol com carvão ativado de bagaço de cana brasileiro. MODELO PARÂMETROS Pseudo Primeira Ordem Pseudo Segunda Ordem Difusão Intrapartícula 3.7 Estudos termodinâmicos
Comparação dos modelos isotérmicos para o Carvão ativado de Bagaço de Cana (CABCA) 20 18 16 14 12
Qe (mg/g)

K1 (L/min) 0,015 Qe (mg/g) 23,89 Kid (mg/g min ) 0,5536
1/2

Qec (mg/g) 9,800 k 0,0240 C 15,153

R2 0,851 R2 0,998 R2 0,792

10 8 6 4 2 0 0 5 10 15 20 Ce (mg/L) 25 30 35 40

Experimental Langmuir Freundlich Temkin

Figura 5. Ajuste dos dados termodinâmicos experimentais obtidos para os diferentes modelos de isoterma Observando a Figura 5, é possível afirmar que devido à forma da isoterma experimental, o carvão ativado pode funcionar ainda em concentrações maiores de Fenol, já que não apresentou uma forma de saturação, isto é, o desenvolvimento de um plateau em altas concentrações estudadas. Esta conclusão pode ser conferida com o parâmetro b (Tabela 7) do modelo de Temkin (que dá uma medida da interação do adsorvato (Fenol) com a superfície do material, e que é proporcional à interação, aproveitamento e cobertura do Adsorvato na superfície do sólido poroso), demonstrando que não houve grande aproveitamento da superfície do sólido no caso do carvão, atribuído à sua distribuição de tamanho de poro, sendo comparada com o parâmetro b de outros materiais estudados por nosso laboratório, sendo o caso da cinza de bagaço de cana, quem apresentou maiores valores ( b = 884,99) do parâmetro b, sendo consistente com a saturação do material e as propriedades texturais do material, como menor área superficial aparente.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Tabela 7. Parâmetros termodinâmicos para a adsorção de fenol com carvão ativado de bagaço de cana brasileiro. Modelo Constantes termodinâmicas Qo KL (L/mg) (mg/g) R2 0,006 KF [(mg/g min)/(mg/L)1/n 0,6486 A(L/mg) 0,2201 91 1/n 0,9216 b 0,982 R2 0,980 R2

Langmuir

Freundlich

Temkin

313,41 0,9926

4. Conclusões
O carvão ativado de bagaço de cana brasileiro foi caracterizado superficial e quimicamente, sendo confirmada sua natureza mesoporosa e seu caráter ácido, permitindo fornecer os possíveis mecanismos de interação entre o fenol e a material. Mostrou-se que o carvão ativado de bagaço de cana foi efetivo na remoção do fenol em solução e apresentou maiores quantidades removidas em condições ligeiramente básicas, estando na faixa de 90% da concentração inicial de fenol adsorvida. Esta quantidade adsorvida talvez possa ser melhorada ao diminuir as percentagens remanentes de agente químico na superfície do material. Encontrou-se um tempo de equilíbrio de 3 horas, o que ajudaria bastante na redução de tempos do processo em escalas maiores. Também foram expostos os resultados termodinâmicos, onde o modelo de Temkin foi o mais apropriado no ajuste dos dados obtidos experimentalmente. O carvão ativado de bagaço de cana poderá ser utilizado no tratamento de águas de refinaria de petróleo contaminadas com fenol, devido ao baixo custo de obtenção, simplicidade, rendimento em diferentes condições de pH e capacidade de adsorção.

5. Agradecimentos
Agradecimentos a CAPES, CNPq, FINEP, PRH-28/Petrobras, UFPE e ao Laboratório de Engenharia Ambiental e da Qualidade (LEAQ) da UFPE.

6. Referências
BOEHM H.P. Surface oxides on carbon and their analysis: a critical assessment. Carbon, v. 40, p. 145-149, 1990. CONAMA, Conselho Nacional do meio ambiente. Qualidade de Água,Norma N° 357, 2005. EPA, Environmental Protection Agency. Phenols in Federal Register, Methods 604. 1984. MORENO-CASTILLA C. Adsorption of organic molecules from aqueous solutions on carbon materials. Carbon, v. 42, p. 83-84, 2004. MORENO PIRAJÁN J.C. Sólidos porosos: preparación, caracterización y aplicaciones. Capitulo 5. Bogotá: Ediciones Uniandes. 2007. NOH J.S., SCHWARZ J.A. Effect of HNO3 on the surface acidity of activated carbons. Carbon, v.28, p. 675, 1990. SVIRASTAVA V.C., SWAMY M.M., MALL L.D., PRASAD B., MISHRA I.M. Adsorptive removal of phenol by bagasse fly ash and activated carbon: Equilibrium, kinetics and thermodynamics. Colloid surface A, v.272, p.89-104, 2006. Radovic L.R., Silva I.F., Ume J.I., Menéndez J.A., León C.A., Scaroni A.W. An experimental and theoterical study of the adsorption of aromatics possessing electron-withdrawing and electron-donating functional groups by chemically modified activated carbons. Carbon. 35. P. 1339-1348. 1997. WHO, World Health Organization. Guidelines for drinking water quality, v.1, Geneva, 1984. 8