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Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a
20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento,
seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os
textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado
nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.
______________________________
1
Graduanda em Engenharia de Petróleo/UFES
2
Dr., Engenheiro Mecânico, Professor da Engenharia de Petróleo/UFES
3
Mestre, Engenheiro Químico, Engenheiro de Petróleo – PETROBRAS
4
Matemático, graduando em Engenharia de Produção/UNISAM e mestrando em Energia/UFES

IBP1891_12
PREVISÃO DO COMPORTAMENTO DE SISTEMAS DE
BOMBEIO MECÂNICO
Paula Almeida
1
, Oldrich Joel Romero
2
, Jean Carlos
Dias de Araújo
3
, Jerônimo de Moura Júnior
4



Resumo

Desde o seu surgimento, o bombeio mecânico com hastes tem sido o método de elevação artificial mais aplicado em
poços terrestres. E, por isso, surgiu a necessidade de compreender melhor o funcionamento desses sistemas. A descrição
de um sistema de bombeio mecânico pode ser feitas através da simulação do comportamento da coluna de hastes.
Entretanto, o comportamento elástico da coluna de hastes apresenta uma dificuldade na modelagem matemática do
sistema que, apenas a partir da década de 60, com o advento de computadores digitais, pôde ser modelado
numericamente. A coluna de hastes se comporta como uma barra fina, desse modo a propagação das ondas pode ser
representada por uma equação unidimensional. Gibbs (1963) apresentou um modelo matemático baseado na equação da
onda, a qual é descrita em função da análise das forças atuantes na coluna de hastes e incorporada a um problema de valor
de contorno envolvendo equações diferenciais parciais. A utilização do método de diferenças finitas permite a obtenção
de uma solução numérica através da discretização da equação desenvolvida na formulação matemática. Este trabalho
apresenta a metodologia para implementação de um código computacional que permita simular o movimento alternativo
da coluna de hastes, considerando movimento harmônico da haste polida em uma extremidade e presença da bomba de
fundo na outra, em condições ideais de operação, e gerar as cartas dinamométricas de superfície e de fundo. Essas cartas
constituem uma importante e consolidada ferramenta que auxilia no controle do sistema de bombeio através do
diagnóstico das condições operacionais da bomba de fundo (Ordoñez, 2008). A simulação realizada retrata uma coluna
não ancorada sem nenhum tipo de problema na operação de bombeio, justificando o formato da carta dinamométrica de
fundo gerada.


Abstract

Since it was created, the sucker rods pumping system has been the most widely used method for artificial lift in onshore
oil wells. In this way, it introduced a need for better understanding of these systems. The prediction of a sucker rod
pumping system can be made by simulating the behavior of the sucker rod string. However, the elastic behavior of the
sucker rod string presents a difficulty in mathematical modeling of the system and it only could be numerically modeled
after the 60's, with the advent of digital computers. The rod string behaves like a slender bar, thereby the stress waves
propagation can be represented by a one-dimensional case. Gibbs (1963) presented a mathematical model based on wave
equation, which is described by analyzing of the forces acting on the rod string, and used a boundary value problem for
partial differential equations. The finite difference method allows to obtain a numerical solution by the discretization of
the mathematical formulation. This paper presents a methodology for implementation of a computer code that allows to
simulate the reciprocating motion of the rod string, considering simple harmonic motion of the polished rod at surface and
the presence of a downhole pump, under ideal conditions of operation, through the generation of surface and downhole
dynamometer cards. These cards are an important and consolidated tool that aids to control the pumping system through
the diagnosis of pump operating conditions (Ordoñez, 2008). The simulation depicts an unanchored tubing without any
problem in pump operation, explaining the generated card format.
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2
1. Introdução

O bombeio mecânico com hastes foi o primeiro método de elevação artificial criado na indústria do petróleo e,
diante da sua ampla utilização em poços terrestres, surgiu a necessidade de estudos sobre o comportamento desses
sistemas. Este método é formado por uma unidade de bombeio, localizada em superfície, que converte o movimento
rotativo de um motor em movimento alternativo da coluna de hastes. Esse movimento aciona uma bomba de
subsuperfície, no fundo do poço, que transmite energia ao fluido para que este possa ser conduzido até a superfície. A
Figura 1 mostra uma instalação típica de um sistema de bombeio mecânico com hastes.



Figura 1. Componentes de uma configuração típica de bombeio mecânico com hastes. Adaptado de Takács (2002).

Em uma aplicação de bombeio mecânico, o comportamento da coluna de hastes e, consequentemente, da bomba
de fundo, podem influenciar diretamente na eficiência de elevação do sistema. Adicionalmente, problemas específicos que
comprometem a eficiência de bombeio são: interferência de gás, pancada de fluido, vazamento nas válvulas, checagem de
fundo, problemas na coluna e no pistão, ou ainda, uma combinação destes. Por esse motivo, deve-se verificar se o sistema
está operando próximo da sua eficiência de elevação máxima, buscando-se evitar as influências citadas anteriormente e/ou
a parada do sistema. Uma das formas mais eficazes de identificar esses problemas é por meio da análise das cartas
dinamométricas de superfície (CDS) e de fundo (CDF). A CDS é gerada através do registro do dinamômetro que é
acoplado a haste polida, enquanto que a CDF é gerada a partir da primeira através da modelagem do comportamento das
hastes, ou por dispositivos de medição especiais colocados no final da coluna de hastes. Uma discussão detalhada quanto
às características destas cartas pode ser encontrada no trabalho de Almeida (2012).
Segundo Takács (2002), a simulação do comportamento da coluna de hastes é o método mais adequado para a
descrição do sistema de bombeio mecânico. É através da coluna de hastes que ocorre a transmissão de todo o movimento
gerado na superfície pela unidade de bombeio à bomba de fundo e, também, de todos os esforços gerados pelas cargas na
bomba à superfície. A descrição matemática, entretanto, é dificultada pelo comportamento elástico da coluna de hastes,
que faz com que o curso do pistão em subsuperfície seja diferente do curso da haste polida na superfície.
Em um trabalho pioneiro, Gibbs (1963) propôs o primeiro modelo para o comportamento dinâmico da coluna de
hastes. A idéia é fundamentada na equação da onda obtida analisando-se as forças atuantes na coluna de hastes.
Mais recentemente, Barreto Filho (2001) propôs um modelo utilizando também a equação da onda sendo que
associada às informações da taxa instantânea do fluxo do líquido proveniente da bomba de fundo.
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Já Ordoñez (2008) utiliza um sistema massa-mola-amortecedor, proposto anteriormente em Snyder e Bossert
(1963), para modelagem da coluna de hastes, associando informações da pressão de fundo para se obter o controle
dinâmico do nível do anular. Entretanto, segundo Torres et al. (2010), a utilização desse tipo de sistema é mais adequado
para poços com pequenas profundidades, onde o alongamento da haste é pequeno.
Este trabalho tem por objetivo apresentar a simulação de sistemas de elevação artificial equipados com bombeio
mecânico de hastes de tal forma a efetuar a previsão de parâmetros operacionais do sistema, através da análise da carta
dinamométrica de fundo. A solução das equações transientes que governam o problema, com condições iniciais de
contorno apropriadas, é obtida utilizando o método de diferenças finitas, e implementada através de um código
computacional no software MathWorks MATLAB®. Um dos resultados principais é a obtenção da carta dinamométrica,
importante ferramenta que auxilia no controle do sistema de bombeio mecânico.


2. Formulação Matemática

2.1. Definição da Geometria
A geometria adotada (Figura 2) consiste em uma coluna de hastes vertical sem acessórios, de comprimento L e
diâmetro d constante. Esta coluna está inseria no interior de em um poço vertical não mostrado na figura. Os pontos A e B
representam, respectivamente, as conexões com a haste polida (na superfície) e a bomba de fundo (em subsuperfície).
Nesses pontos são aplicadas as condições de contorno, A – cinemática da UB e B – operação da bomba de fundo, para a
solução da equação válida nos pontos internos ao longo das hastes.



Figura 2. Representação esquemática da geometria adotada para a coluna de hastes.

2.2. Equação da onda
A equação da onda é descrita em função da análise das forças atuantes na coluna de hastes. A Figura 3 mostra as
forças atuantes em um elemento alongado de haste. O elemento possui área de seção transversal A, num tempo t, a
variável x representa um ponto qualquer na coluna de hastes e Δx é o deslocamento a partir desse ponto.
Adicionalmente na Figura 3 tem-se T(x,t) e T(x+Δx,t) as forças de tração imposta pelas seções acima e abaixo
do elemento; W o peso do elemento de haste; Fa a força de amortecimento que se opõe ao movimento das hastes; g a
gravidade; e v a velocidade do elemento.
Da segunda Lei de Newton, temos que a razão entre quantidade de movimento linear, definida pelo produto entre
a massa (m) e a velocidade (v) do elemento diferencial e o tempo (t) é igual ao somatório de forças (ΣF) atuantes no
elemento.

( ) mv
F
t
c
=
c
¿
(1)

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4


Figura 3. Esboço das direções das forças atuantes em um elemento de haste.

Deve-se observar que, apesar do elemento ser alongado, a massa é constante. Assim, a massa e o peso do
elemento de densidade µ, é dada por:

m A x µ = A (2)

W mg = (3)

Expandindo a Equação 1, de acordo com as variáveis definidas pela Figura 3, e utilizando as Equações 2 e 3
temos:

( ) ( , ) ( , )
a
A xv T x x t T x t A xg F x
t
µ µ
c
A = + A ÷ + A + A
c
(4)

Dividindo por Δx e considerando que no limite Δx→0 a Equação 4 pode ser reescrita do seguinte modo:

( )
a
Av T
A g F
t x
µ
µ
c c
= + +
c c
(5)

Considerando que o termo Fa seja aproximado pelo produto da velocidade v com a constante k, tem-se

a
F kv = ÷ (6)

A Figura 4 apresenta um esboço do deslocamento u de um elemento de haste e a definição da variável
deslocamento em função de um ponto x da coluna de hastes.


Figura 4. Deslocamento de um elemento de haste qualquer.

De acordo com as Figuras 3 e 4, a lei de Hooke, válida para a região de comportamento elástico, pode ser escrita
da seguinte forma:
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5
[ ( , ) ( , )] u x x t u x t
T EA
x
+ A ÷
=
A
(7)

onde E é o módulo de elasticidade.
Novamente, assumindo que no limite Δx→0, a Equação 7 pode ser escrita da seguinte forma:

u
T EA
x
c
=
c
(8)

e considerando que

( ( , )) ( , ) ( , )
0
x u x t u x t u x t
v
x x x
c + c c
= = + =
c c c
(9)

por fim, das Equações 6, 8 e 9, a Equação 5 pode ser reescrita como a equação diferencial parcial, unidimensional,
transiente, conhecida como a equação da onda unidimensional com atrito viscoso.

2 2
2 2
( , ) ( , ) ( , )
.
u x t E u x t k u x t
g
t x A t µ µ
c c c
= ÷ +
c c c
(10)

ou, como definido por Gibbs (1963):

2 2
2 2
( , ) ( , ) ( , )
²
u x t u x t u x t
a
t x t
ç
c c c
= ÷
c c c
(11)

onde a =
E
µ
é a velocidade de propagação da onda na haste e =
k

é o fator de amortecimento. Segundo Gibbs
(1963) esse fator de amortecimento é definido como =
. .
2
a c
L
t
; onde c é o fator de amortecimento adimensional, o qual
pode ser encontrado através de medidas de campo, e L comprimento da coluna de hastes. Na Equação 11 o termo da
gravidade é omitido por conveniência matemática, segundo ressaltado por Gibbs (1963) este termo pode ser tratado
separadamente.


2.3. Condições Iniciais e de Contorno
Como condição inicial para os cálculos, isto é em um tempo t = 0, o sistema é considerado em repouso e pode ser
matematicamente representado pelas Equações 12 e 13.

( , 0) 0 u x = (12)

( , 0)
0
u x
t
c
=
c
(13)

Outras duas condições de contorno são aplicadas nas extremidades da coluna de hastes: na superfície, através da
posição da haste polida, e em subsuperfície, através da condição de operação da bomba.
Segundo Tákacs (2002), a abordagem mais utilizada e mais antiga para descrever o movimento da haste polida é
a suposição de um movimento harmônico simples. A Equação 14 expresa a posição s(θ) da haste polida na superfície em
função do ângulo da manivela θ.

( ) (1 cos )
2
S
s u u = ÷ (14)
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6
onde S representa o curso da haste polida, cujo valor é mostrado na Tabela 1.
A condição de contorno mais importante na modelagem do comportamento da coluna de hastes é a que descreve
a operação da bomba de fundo. Segundo Gibbs (1963) é representada por:

( , )
( , ) ( )
u L t
u L t P t
x
o |
c
+ =
c
(15)

onde α, β e P(t) dependem do tipo da operação da bomba a ser simulada e L é o comprimento da coluna de hastes.
Segundo Tákacs (2002), para baixas velocidades de bombeio, o curso do pistão (S
P
), em relação ao curso da
haste polida (S), é afetado pelos elongamentos do tubo de produção (e
t
) e da coluna de hastes (e
r
), que ocorrem devido a
carga de fluido. Adicionalmente, Costa (1995) sugere que o elongamento dinâmico (era) também contribui para esta
diferença. Dessa forma, o curso do pistão poder ser representado matematicamente pela Equação 16.

( )
P ra t r
S S e e e = + ÷ + (16)

Esses elongamentos podem ser encontrados utilizando a Lei de Hooke. Assim os elongamentos do tubo de
produção e da haste polida podem ser representados pelas Equações 17 e 18, respectivamente.


t o t
e F E L = (17)


r o r
e F E L = (18)

onde F
o
é o peso do fluido no pistão, E
t
e E
r
são as constantes elásticas dos materiais da coluna de produção e da coluna
haste, respectivamente. Já o elongamento dinâmico (era), é representado pela Equação (19), como definido em Costa
(1995).


max r
ra
r
a L
e
E
µ
= (19)

onde
max
²
2
S
a
e
= é a aceleração máxima das hastes, 2 N e t = é a velocidade angular, N é a frequência de
bombeamento e
r
µ é a massa específica das hastes.
Para maiores detalhes quanto à formulação matemática apresentada, sugere-se consultar o trabalho de Almeida
(2012).


3. Metodologia

A coluna de hastes considerada como sendo unidimensional e apresentada na Figura 2, foi dividida em vários
pequenos elementos, como o apresentado na Figura 3. A equação da onda representada pela Equação 11, juntamente com
as condições iniciais e de contorno comentadas e representadas pelas Equações 12, 13, 14 e 15, que governam a
deformação da coluna de hastes foram discretizadas pelo método de diferencias finitas.
A discretização dos termos temporais foi realizada utilizando o método explícito. Nesta abordagem é calculado o
estado do sistema num tempo posterior ao estado atual. Como exigido em simulações computacionais de processos
físicos, esse método faz aproximações, utilizadas na análise numérica, para a obtenção de soluções dependentes do tempo
de equações diferenciais parciais. As aproximações para derivadas de primeira ordem são feitas usando diferenças
centrais, já para as derivadas de segunda ordem foi utilizado diferenças centrais de três pontos. O detalhe da discretização
das equações encontra-se no trabalho de Almeida (2012).
O método de diferenças finitas trata o tempo e o espaço como unidades discretas. Por isso, é necessário uma
condição de estabilidade para garantir soluções confiáveis. Essa condição e denominada condição de CFL (Courant-
Friedrichs-Lewy), a qual cria um número adimensional denominado número de Courant (C). Para que o método seja
estável, o número de Courant foi considerado igual a 1 (um), tal como comentado por Thomas (1995).
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As equações discretas resultantes foram implementadas no software MathWorks MATLAB®, uma vez que este
ambiente possui bibliotecas prontas que facilitam o cálculo iterativo no espaço e no tempo, assim como a disponibilização
gráfica dos resultados para melhor visualização das cartas dinamométricas.
Para a simulação, as seguintes hipóteses foram estabelecidas: velocidade angular dos contrapesos constante, não
há interferência de gás, a bomba é completamente preenchida de fluido e a inércia do fluido não é considerada.
Os dados de entrada requeridos para iniciar as seqüências iterativas no código implementado referem-se às
características operacionais e geométricas do sistema, são eles: velocidade do som nas hastes, módulo de elasticidade do
material das hastes, comprimento da coluna de hastes, número de incrementos na posição e no tempo, velocidade de
bombeio, curso das hastes, diâmetro das hastes, peso específico do material das hastes, fator de amortecimento
adimensional, gravidade específica do fluido e diâmetro da coluna de produção. Os valores numéricos são mostrados na
Tabela 1, com eles é possível simular as condições de bombeio do sistema.

Tabela 1. Parâmetros operacionais e geométricos utilizados na simulação.

Parâmetro Valor
Velocidade do som nas hastes, pés/s 15.700
Módulo de elasticidade do material das hastes, MPa 30,5
Comprimento da coluna de hastes, pés 3.454
Número de incrementos na posição 5
Número de discretização no tempo 500
Velocidade de bombeio, com (ciclos por minuto) 12,5
Curso das hastes, pol 42
Diâmetro das hastes, pol 3/4
Peso específico do material das hastes, lbf/pés³ 566,5
Fator de amortecimento adimensional 0,1
Gravidade específica do fluido 0,82
Diâmetro da coluna de produção, pol
Módulo de elasticidade do material do tubo de produção, pol/(lb ft)
2 3/8
0,5x10
-6




4. Resultados e Discussões

As Figuras 5, 6 e 7 foram obtidas na simulação realizada utilizando os dados listados na Tabela 1, como já
mencionado.



Figura 5. Ângulo da manivela (graus) x posição da haste polida (pol).

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A Figura 5 mostra a senóide no intervalo até 360
o
que representa a posição da haste polida em função do ângulo
da manivela. Esta senóide, obtida pela Equação 14, retrata o movimento da haste polida como um harmônico simples.
A carta dinamométrica de superfície (Figura 6) mostra o valor da carga na haste polida em função de sua
posição. As cargas máxima e mínima na haste polida foram 12.912 lbf e 4.192 lbf, respectivamente.



Figura 6. Carta dinamométrica de superfície. Posição da haste polida (pol) x carga (lbf).



Figura 7. Carta dinamométrica de fundo. Posição do pistão (pol) x carga no pistão (lbf).

A carta dinamométrica de fundo (Figura 7) mostra a carga atuante no pistão, em subsuperfície, em função da sua
posição. A Figura 7 representa uma carta dinamométrica não ancorada, o comportamento elástico da coluna de hastes faz
com que a carta assuma o formato de um paralelogramo, ou seja, a transferência de carga da válvula de pé para a válvula
de passeio, no movimento ascendente, e a transferência de carga da válvula de passeio para a válvula de pé, no
movimento descendente, ocorrem gradualmente em função do alongamento das hastes. Se esse efeito elástico não
existisse, a carta apresentaria um formato retangular.


5. Conclusões e Propostas

O presente trabalho mostra a formulação matemática da equação da onda, proposta por Gibbs (1963), utilizada
na previsão do comportamento de sistemas de bombeio mecânico, assim como a metodologia para implementação de um
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código que permita a simulação do comportamento desses sistemas em condições ideais de bombeio, através da geração
das cartas dinamométricas de superfície e de fundo.
A simulação realizada trata de uma coluna de hastes não ancorada sem nenhum tipo de problema na operação de
bombeio, justificando o formato da carta dinamométrica de fundo gerada. Os resultados obtidos neste trabalho, que
embora sejam a nível de Graduação, são extremamente promissores porque representam o comportamento esperado de
uma carta dinamométrica. Além disso, outras situações, aqui não consideradas, podem alterar drasticamente o formato da
carta são elas: presença de cargas dinâmicas na coluna de hastes, compressibilidade dos fluidos, indução de ondas de
tensão na coluna de hastes e eventuais problemas operacionais (falta de sincronismo das válvulas, pancada de fluido,
interferência de gás, entre outros).
Considerando propostas futuras, o código implementado será a base para a elaboração de um simulador de
sistemas de bombeio mecânico mais complexo.
Uma importante consideração a ser feita é quanto à incorporação de diversas geometrias da unidade de bombeio,
o que mudaria a condição de contorno na superfície. Gray (1963) faz uma análise cinemática das unidades de bombeio
mais comuns que permite calcular a posição da haste polida em função do ângulo da manivela de acordo com a geometria
da unidade de bombeio.
Outra proposta é a adequação do código para permitir a simulação de operações com coluna de hastes
combinadas, como sugerido por Costa (1995).
O termo que representa a influencia da viscosidade também deve ser incorporado à equação da onda. Lea (1990)
introduz esse termo no coeficiente de amortecimento, além dos diâmetros do pistão, do tubo e das hastes.
Diante da utilização do bombeio mecânico em poços desviados, existe também a necessidade de implementar um
código que considere trajetórias não planas do poço. Esta sofisticação de tratamento de modelos dinâmicos de poços
direcionais foram sugeridas por Lukasiewics (1991), Gibbs (1992) e Costa (1995).
Por outro lado, e com o intuito de simular condições mais próximas à realidade, informações da taxa instantânea
do fluxo do líquido proveniente da bomba de fundo durante um ciclo de bombeio podem ser adicionadas ao modelo,
conforme proposto por Barreto Filho (2001), ou ainda, informações sobre o nível do anular a partir do conhecimento da
pressão de fundo, conforme discutido por Ordoñez (2008).
Ainda como proposta, pode-se considerar a implementação da simulação das condições de aparecimento de
falhas e de ineficiências operacionais. Esta opção auxiliaria na identificação de fenômenos indesejados que ocorrem em
operações de bombeio.


6. Agradecimentos

Prof. Oldrich Joel Romero agradece ao CNPq pela concessão da bolsa de pesquisa (PQ).


7. Referências

ALMEIDA, P.. Previsão do comportamento de sistemas de bombeio mecânico. Projeto de Graduação, Universidade
Federal do Espírito Santo, São Mateus. Previsão de defesa para agosto de 2012.

BARRETO FILHO, M. de A.. Estimation of avarage reservoir pressure and completion skin factors of wells that
produce using sucker rod pumping. P.h.D thesis, The University of Texas at Austin, 2001.

COSTA, R. O.. Bombeamento mecânico alternativo em poços direcionais. Dissertação de Mestrado – UNICAMP,
Campinas, 1995.

GIBBS, S. G.. Design and diagnosis of deviated rod-pumped wells. Richardson: SPE, 1992.

GIBBS, S. G.. Predicting the Behavior of Sucker-Rod Pumping Systems. Journal of Petroleum Technology. SPE, 1963.

GRAY, H. E.. Kinematics of Oil-Well Pumping Units. API Drilling and Production Practice: 156–165, 1963.

LEA, J. F.. Modeling forces on a bean pump system when pumping highly viscous crude. SPE, 1990.

LUKASIEWICZ, S. A.. Dynamic behavior of the sucker rod string in the inclined well. Richardson, TX: SPE, 1991.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

10
ORDOÑEZ, B.. Proposta de controle de operações de poços com bombeio mecânico através da pressão de fundo.
Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.

SNYDER, W. E. e BOSSERT, A. J.. Analog computer simulation of sucker-rod pumping systems. Proc. Rocky. Mountain
Joint Regional Meeting – SPE, Denver, Colorado, 1963.

TAKÁCS, G. Sucker-rod Pumping Manual. PennWell Books, 2002.

THOMAS, J. W. Numerical Partial Differential Equations: Finite Difference. Methods, 1995.

TORRES, L. H. S., PAULA, C. A. B. de, SCHNITMAN, L., LEPIKSON, H. A. e BARRETO FILHO, M. A..
Contribuições na Validação Experimental do Modelo de um Sistema de Bombeio. In: Anais do Rio Oil & Gas 2010,
Rio de Janeiro, 2010.