IBP1927_12 OS DESAFIOS DA COMPLEMENTARIDADE ENERGÉTICA ENTRE RÚSSIA E CHINA (THE CHALLENGES OF THE ENERGY COMPLEMENTARITY BETWEEN RUSSIA AND

CHINA) 1 Felipe Wagner Imperiano Costa , Felipe Lobo Umbelino de Souza2
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Rússia e China têm uma longa história de idas e vindas em sua relação bilateral. A partir dos anos 2000 se percebe um processo de reaproximação destes países em virtude de suas novas condições econômicas e políticas. A Rússia passou a ser um importante exportador de energia ao mesmo tempo em que o modelo de crescimento chinês se consolidou e o país passou a necessitar de importações de commodities energéticas para sustentá-lo. As transações energéticas entre Rússia e China materializam a complementaridade econômica desses países, mas dependem de acordos que vão além de questões relacionadas viabilidade financeira dos projetos de integração. Há que se construir também um ajustamento na esfera política que não vá de encontro às pretensões geopolíticas de ambos.

Abstract
Russia and China have a long, and frequently unstable, history in their bilateral relations. Since the beginning of the twenty first century it is possible to observe that these two countries started to come closer due to their new economic and political conditions. Russia rose as an important energy exporter at the same time that the Chinese growth project consolidated itself, and China needed to increase the import of energetic commodities to support it. Russia and China’s energy transactions gave form to the economic complementarity of these countries, but also depend upon agreements that go beyond issues related to the financial feasibility of the integration projects. An adjustment in the political sphere is also needed, one that doesn’t go against the geopolitical pretensions of the interested parties.

1. Introdução
A energia é um importante item da pauta de comércio internacional dos países, uma vez que não há uma distribuição geográfica homogênea dos recursos naturais (Pinto Jr. et al., 2007). Esses, via de regra, se encontram concentrados em algumas poucas nações do globo, sendo raros casos como o do Brasil que detém reservas consideráveis de mais de uma fonte energética. Porém, mesmo aqueles países que são abundantes em uma determinada fonte e que têm uma economia dinâmica, não sendo unicamente exportadores de uma commodity energética, têm uma inclinação para diversificar a sua matriz energética, seja para mitigar a falta de flexibilidade por se ter apenas uma opção de geração de energia, seja por questões climáticas. Assim, a segurança energética está ligada a gestão de incertezas e riscos relacionados à dependência e vulnerabilidade do suprimento energético. Desse modo, se imprime um caráter geopolítico na busca e manutenção de suppliers que garantam o adequado fornecimento às necessidades energéticas. Logo, se cria uma interdependência entre política energética e política externa dos países. A China vem crescendo a passos largos no decorrer dos últimos anos e desde 2010 é a segunda maior potência econômica (Anderlini e Whipp, 2010). Esse crescimento foi acompanhado por um vertiginoso aumento no consumo de energia que a tornou, ao mesmo tempo, o maior demandante de energia e emissor de dióxido de carbono (Best e Levina, 2012). Enquanto os países da OECD reduziram a sua demanda por energia, a China sozinha respondeu por 71% do crescimento do consumo mundial. Ela é o maior consumidor de carvão, cuja demanda em 2011 cresceu 9,7% em relação a 2010, chegando a 1839,4 milhões de toneladas de óleo equivalente (Mtoe), isto é, correspondeu a 49,4% do total mundial

______________________________ 1 Graduando em Ciências Econômicas – UFRJ 2 Graduando em Ciências Econômicas – UFRJ

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 (BP, 2012). Cerca de 80% da geração elétrica do país é proveniente deste recurso (Cheung, 2011). Apesar de não ter grande participação na matriz energética, é expressivo o aumento no consumo de gás na China, especialmente na última década, tornando o país importador deste recurso, a partir 2007 (EIA, 2012). O governo chinês tem o objetivo de aumentar o consumo dessa fonte nos próximos anos, para aliviar os altos índices de poluição originados pelo intenso uso do carvão (EIA, 2012). Apesar de grande parte de o consumo ser feito pelo setor industrial, nos últimos anos ocorreu uma maior demanda do setor residencial. Quanto ao petróleo, a China consumiu 9,758 milhões b/d deste recurso, em 2011, ao mesmo tempo em que suas importações atingiram 4,8 milhões b/d (EIA, 2012). A dependência chinesa do mercado externo é grande, levando em consideração também que 1/3 das suas importações têm como origem Arábia Saudita e Angola (EIA, 2012). Assim, nota-se um esforço das companhias nacionais em diversificar as fontes de abastecimento, comprando áreas de exploração no exterior e investindo na construção de oleodutos conectados a outros países. A questão energética dentro da economia russa está desenhada em contornos diferentes. A ascensão de Vladmir Putin ao poder configurou um ponto de inflexão das práticas do Estado para o setor energético. Este passa a ser visto como estratégico para o desenvolvimento do país. E como tal não poderia ser delegado às forças de mercado. Destarte, a gestão das reservas de hidrocarbonetos pelo governo é o mecanismo através do qual se dá a recuperação de destaque do país como player internacional. Em 2011 a Rússia foi o segundo maior produtor de petróleo do mundo, tendo uma participação de 12,8% do total produzido, entretanto é o oitavo país em reservas provadas, com 88,2 bilhões de barris. Além disso, detém a maior reserva de gás natural do mundo, a segunda maior de carvão (BP, 2012) e a terceira de urânio (WEC, 2010). Se configurando no único exportador líquido de energia dos BRIC (MME, 2011). Rússia e China são fronteiriços, o que torna exequível a construção de uma ampla rede de dutos de transporte, com economias de escala, ligando-os, sem que seja necessária a passagem por territórios de outros Estados, o que tornaria mais complicado a efetuação de qualquer projeto. Se observa, pois, nesse contexto, que há possibilidades de ganhos entre eles com um maior grau de comprometimento de recursos, tanto financeiros como energéticos. Este artigo será estruturado de modo a dar um breve panorama da situação interna do setor energético de Rússia e China nas seções dois e três, respectivamente. Em seguida será analisada a interação geopolítica e energética de ambos na quarta seção e por fim, à guisa de conclusão, se fazer as considerações finais na quinta. .

2. O Setor Energético Russo
O fim da URSS estabeleceu um período de dificuldades, tanto na esfera política como econômica, para a Rússia. Isso marca o início de uma fase de queda de importância do país no cenário político mundial. Essa fase começa a ser revertida com a chegada ao poder de Vladmir Putin, quando há uma mudança na política em relação à energia, com a busca pelo exercício de maior controle sobre as companhias do setor e sobre os recursos energéticos. Assim, Lelli (2008) trabalha com a hipótese de que com a crise financeira pela qual passa o país em 1998, em um contexto de desvalorização do rublo e o concomitante aumento do preço internacional do petróleo, o Estado russo passa a usar suas reservas de óleo e gás para se tornar uma superpotência energética no médio prazo. À época, a importância do setor na economia nacional russa pode ser ilustrada pelo fato dele representar 20% do PIB e 64% das receitas de exportação (Lelli, 2008). Pode-se afirmar então que não é apenas um fator econômico que rege a atividade energética russa. O setor de petróleo passou por uma tentativa de liberalização iniciada em 1991 com a criação de empresas integradas verticalmente. O que se viu a partir de então foi um movimento de concentração do setor, com a fusão de empresas. O que se intensifica desde 2004 com a tentativa de reaver o controle da empresa Yukos pelo Estado, atraído pela alta rentabilidade do setor. Como resultado o setor passa a ter apenas seis empresas principais. Já no setor de gás, a Gazprom possui quase a totalidade dos ativos do país, além de exercer o monopólio sobre a rede de gasodutos. A empresa tomou novos rumos com a posse da presidência por Putin. À época de sua posse, o Estado russo era o maior acionista da Gazprom. Para o projeto de Putin, o controle acionário da Gazprom era importante. Ele inicia mudanças na gestão da empresa indicando Dmitri Medvedev, que geriu sua campanha para a presidência, para o cargo de presidente-diretor, além de outros aliados políticos (Schutte, 2011) e assume o controle acionário de fato em 2004, tornando o Estado virtualmente o único ator no setor de gás. O governo Putin, portanto, é decisivo na estruturação atual do setor energético russo. As bases da política de Putin para o setor já haviam sido colocadas em sua tese de doutorado. De acordo com Lelli (2008) é uma antecipação de sua visão estratégica no governo, mostrando que a ideia principal da “Doutrina Putin” é que a propriedade dos recursos naturais pelo Estado é decisiva para a recuperação econômica do país. Também, se faria necessário à criação de grandes empresas integradas verticalmente, capazes de competir com as grandes multinacionais ocidentais. Desse modo, as implicações da reestruturação do setor energético vão além das questões internas da Rússia, tendo reflexos e dando o tom da política externa do país. Os países europeus apresentam grande dependência do fornecimento de energia em relação à Rússia. O que coloca o problema da confiabilidade do país como fornecedor. A 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 busca por diversificação de fornecimento pelos países europeus se dá principalmente a partir das disputas pelo preço do gás, notadamente com a Ucrânia. A diferenciação do preço pago pelos antigos integrantes da URSS em relação aos demais países e o uso dessa condição como ferramenta de manobra evidencia o uso político dos recursos naturais feito pela Rússia. Para Lelli (2008), todavia, há uma mutua dependência na relação entre a Europa Ocidental e a Rússia, uma vez que é difícil para os países europeus encontrar fornecedores com envergadura suficientemente adequada a sua demanda e, por outro lado, eles constituem o principal mercado da Rússia, que não estaria preparada para desenvolver novos mercados. É nesse sentido que Saneev (2011) coloca como prioritário o desenvolvimento do “Vetor Oriental”. Achar demandantes de envergadura suficiente para contrapor à Europa é fundamental para a Rússia. Com isso ela aumenta sua margem de barganha no cenário internacional. China, Japão e Coreia do Sul são grandes importadores de energia e necessitam de acordos de longo prazo para que a segurança energética deles seja garantida Não à toa a única planta de liquefação de gás em território russo se encontra no extremo oriente, perto desses mercados consumidores. Além disso, o governo russo tem pretensões de construir um gasoduto que chegue a Coreia do Sul.

3. O Setor Energético Chinês
Entre 2000 e 2011, o consumo de energia na China aumentou 136% (EIU, 2012). Nesse período de forte crescimento econômico ocorreu o aumento da dependência externa no consumo de combustíveis fósseis, caso evidenciado pelo aumento das importações de petróleo do Oriente Médio. Tal fato levanta dúvidas quanto à capacidade de o país manter seu processo de desenvolvimento ao longo das próximas décadas. Desde 2004, o país sofre constantes déficits de geração em energia durante os verões e invernos, um exemplo disso foi o ocorrido em janeiro de 2008, quando ocorreram apagões em 17 províncias chinesas devido à prolongada neve. Nesse período de intenso consumo de energia, redes elétricas foram danificadas e a neve bloqueou o transporte de carvão em diversas regiões. Nos recentes anos, secas severas têm atingido a rica capacidade hídrica do sul da China, deixando milhões de habitantes sem água potável e a geração de hidroeletricidade foi reduzida de forma significativa (Cheung, 2011). É evidente que essa situação nos mostra o quanto que para a China, a questão de segurança energética passou a ser um desafio para o país prosseguir seu processo de desenvolvimento. O fornecimento confiável de energia está fortemente relacionado aos fundamentos do governo chinês no objetivo de alcançar crescimento econômico e estabilidade social. No decorrer de todo esse processo em uma forma de atender a rápida expansão da indústria pesada, adicionado ao fato do aumento da demanda por energia elétrica ao longo dos anos, o país intensificou a utilização do carvão como fonte de energia primária, já que a fonte é essencial no processo de desenvolvimento econômico liderado pela indústria de transformação e exportação. Em 2009, o carvão correspondeu a 80% da energia gerada, e muitos analistas preveem que essa fonte continuará a ser a principal no médio e longo prazo. A China necessita de uma fonte de energia barata e confiável, portanto, o carvão é uma prioridade para os chineses. Apesar das extensas reservas, a importação de carvão começou a crescer a partir de 2002 porque o preço do carvão importado passou a ficar mais competitivo em relação ao carvão doméstico, e em 2009 o país passou a ser um importador líquido, sendo Indonésia, Austrália, Vietnã e Rússia os principais fornecedores (EIA, 2012). Analisando o consumo por fontes em 2010 mostrado na tabela 1, é notável a participação do carvão como fonte que representa mais de 2/3 no consumo de energia primária. Tabela 1: Consumo de energia primária na China (em milhões de tep), 2010. Petróleo 428,6 Fonte: BP, 2011. A oferta de energia elétrica também está estreitamente ligada ao carvão. Em 2009, ele respondeu por 80,3% dos 3663 TWh que foram produzidos e as térmicas a carvão constituem mais de 66% da capacidade instalada (Cheung, 2011). A participação do gás natural para geração elétrica é apenas residual, menos de 1% da eletricidade é gerada em plantas térmicas a gás (Cheung, 2011). Apesar de não ter grande participação na matriz energética, é notável o aumento no consumo de gás na China. Essa maior demanda a partir da última década levou o país a se tornar importador a partir 2007 (EIA, 2012). O governo chinês tem o objetivo de aumentar o consumo dessa fonte nos próximos anos, para aliviar os altos índices de poluição originados pelo intenso uso do carvão. Apesar de grande parte de o consumo ser feito pelo setor industrial, nos últimos 3 Gás natural 98,1 Carvão 1713,5 Nuclear 16,7 Hidráulica 163,1 Renováveis 12,1

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 anos ocorreu uma maior demanda do setor residencial. Henderson (2011) estima que a demanda de gás natural tenha um crescimento anual entre 5,6% e 6,4% em um horizonte de vinte anos, logo serão necessários grandes investimentos para compatibilizar oferta e demanda de gás. A sua dependência do fornecimento externo de petróleo é grande, levando em consideração que a sua produção representou apenas 41,9% do seu consumo em 2011 (cálculo dos autores a partir dos dados da BP Statistical Review 2012). A partir dos dados da Figura 1 se percebe que mais de 45% das importações chinesas em 2010 foram provenientes do Oriente Médio. A China, devido a isso, tem estrategicamente buscado diversificar as suas fontes de importações, visando a evitar principalmente o seu excesso de dependência do Oriente Médio (Henderson, 2011). Por outro lado, o Brasil exportou pouco mais de 53% do montante exportado pela Rússia, o que sugere um potencial de crescimento dos fluxos de petróleo da Rússia para a China, se a adequada infraestrutura de oleodutos for construída.

Figura 1: Importações Chinesas de Petróleo por País de Origem em 2010 por milhares de barris/dia (Fonte: EIA China Brief) Por isso, nota-se um esforço das companhias nacionais em diversificar as fontes de abastecimento e aumentar a produção através da compra de áreas de exploração no exterior e investindo na construção de oleodutos conectados a outros países, por exemplo. A IEA estima que em 2035 as importações chinesas correspondam a 72% do seu consumo (IEA, 2011). Vários autores, como Du (2011) e Nozaki et al. (2011), colocam que a política energética chinesa atua no sentido de fortalecer suas empresas nacionais para que elas mesmas se tornem instrumento de política externa.

4. A Construção da Complementaridade Sino-Russa
A relação sino-russa tem uma história bastante extensa. Ao longo do século XX, ela teve diversos episódios marcantes, com fases de aproximação e distanciamento. Tanto o quadro político interno, quanto a interação geopolítica com os demais países do globo influenciaram de forma decisiva o grau de relacionamento que entre ambos os países (Nozaki et al., 2011). O auge da relação se deu no decênio de 1950, no período da Guerra Fria, com a União Soviética em uma posição privilegiada, estendendo a mão para uma China debilitada em troca de seu apoio. Na era Yeltsin houve uma nova reaproximação, mas a posição pró-americana de Putin em relação à investida contra o terrorismo, no início de seu governo, arrefeceu os laços construídos anteriormente (Norling, 2007). O panorama atual é completamente oposto. Após uma queda abrupta em sua economia no início dos anos 1990 e novamente com a crise de 1998, a Rússia vem se recuperando, mas ainda não alcançou os patamares econômicos e de bem-estar que tinha antes da dissolução da URSS (Segrillo, 2008), sendo dependente da comercialização de commodities energéticas. A China, por seu turno, tem uma economia forte, bastante industrializada e complexa, com altas taxas de crescimento e dispondo de recursos técnicos e monetários capazes de garantir o investimento e sustentar a o seu crescimento. 4.1. O Estreitamento de Laços no Século XXI Rússia e China passam por um momento de forte crescimento de suas economias. As vias que trilham, entretanto, são bem distintas. O primeiro é baseado nos altos preços das commodities energéticas, enquanto o segundo está pautado por um rápido processo de industrialização. O fim da URSS implicou em uma transformação sistêmica (Pomeranz, 2009), com a passagem de uma economia planificada para uma economia de mercado. Não só uma transformação de sistema econômico, mas também uma fragmentação territorial importante. Segrillo (2000) pondera que a estrutura econômica soviética era bastante integrada 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 entre suas regiões, assim com a dissolução da URSS a sua cadeia produtiva sofre uma interrupção. A Rússia, herdeira da maior parte do território soviético, teve o seu setor produtivo desarticulado, sofrendo com a falta de investimentos e o atraso tecnológico (Nozaki et al., 2011). Antagonicamente a China passou por grandes reformas a partir de 1979, visando à obtenção de vertiginoso e constante crescimento econômico, através de reformas controladas. O modelo stalinista de incentivo industrial é substituído, se adotando um modelo de desenvolvimento econômico mais próximo ao do Japão e Tigres Asiáticos, conferindo um novo caráter ao controle governamental sobre o mercado (Santos, 2010). Assim, a China teve sua indústria fortalecida, conseguindo atrair investimentos estrangeiros devido a sua farta mão-de-obra, baixos custos e incentivos governamentais. Se tornando um importante exportador de bens manufaturados.

Figura 2: Importações Russas da China em milhares de dólares de 1995 a 2010 (Fonte: UnctadSTAT, elaboração prória). A Figura 2 mostra que na década de 2000 houve um exponencial aumento das importações russas provenientes da China. Quase a totalidade dessas importações é de bens manufaturados. A despeito disso o saldo comercial ainda é positivo para a Rússia devido aos grandes volumes de importações chinesas de petróleo russo, como mostra a Figura 3 abaixo.

Figura 3: Importações anuais chinesas de combustíveis fósseis da Rússia em milhares de dólares (Fonte: UnctadSTAT, elaboração prória) 5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 As relações sino-russas têm se intensificado nesse mesmo período não só em termos de negócios. A China tem buscado modernizar o seu exército e com isso tem elevado os gastos na compra de armamento da Rússia, bem como estreitado os laços militares. A prática de exercícios conjuntos entre as forças armadas desses países é exemplo disso (Nozaki et. al., 2011). Outra esfera de interação importante é a Organização de Cooperação de Shanghai (OCS), criada em 2001. Ela é composta por China, Rússia, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão. Do ponto de vista econômico, a OCS auxilia a complementaridade energética entre China e Rússia e torna a Ásia Central e a Sibéria russa em espaço eurasiático de ligação entre a Ásia-Pacífico e a Europa. Do ponto de vista político, a organização uniformiza o discurso de segurança nacional comum entre seus membros e promove cooperação contra movimentos separatistas, extremistas e terroristas. Em geral, é possível afirmar ainda que a OCS proporciona a conformação de um importante polo de poder político-econômico com autonomia em relação à influência regional dos EUA (Santos, 2010). Outrossim, para Nozaki et al.(2011), a OCS propicia um comprometimento formal de Rússia e China e favorece a estabilidade na Ásia Central. 4.2. Os Desafios da Complementaridade Sino-Russa A Rússia tem características políticas e institucionais que a faz diferente dos países das tradicionais regiões exportadoras de petróleo e gás, como o Oriente Médio. Ela já foi uma superpotência mundial e dominou um vasto território. O passado glorioso russo tem influências ainda hoje. Todo o pensamento estratégico de governo de Vladmir Putin é arquitetado de modo a reconduzir a Rússia a um status de destaque na esfera política internacional. É impossível se estabelecer com a Rússia a mesma relação que se tem com os países exportadores do Oriente Médio ou da África, posto que ela tem um projeto de nação que não se limita meramente a obter uma influência política no seu entorno imediato e as suas pretensões são globais. É a partir disso que surgem as situações de tensão com a China. 4.2.1. O Conflito de Interesses na Ásia Central Ambos estão envolvidos em disputas diretas por áreas de influência na Ásia Central, que em boa parte já integrou o território russo. Du (2011) em seu trabalho mostra que ainda nos dias atuais o Kremlin é importante nas decisões de política interna dos países da região. A Ásia Central tem grandes reservas de recursos naturais pouco exploradas. Azerbaijão, Cazaquistão, Turcomenistão e Uzbequistão juntos somam 38,2 bilhões de barris de petróleo e 29,1 trilhões de metros cúbicos de gás em reservas provadas (BP, 2012). Para a Rússia a região é fundamental para garantir o seu mercado de venda de petróleo e gás. Há uma série de projetos europeus para construção de gasodutos para levar o gás da região até a Europa, como o gasoduto de Nabucco. O fornecimento de gás proveniente da Ásia Central é visto pelos países europeus como uma alternativa para diminuir a dependência do gás russo. Atualmente o gás e o petróleo da região são transportados através da rede de dutos russa para chegar aos mercados consumidores europeus e até 2005 a única rota que não passava por território russo era um gasoduto que ligava o Turcomenistão ao Irã. Fora essas ligações, há apenas duas outras, um gasoduto ligando o Cazaquistão a China, que entrou em operação no final de 2005, e outro vindo do Turcomenistão, passando por Uzbequistão e Cazaquistão, inaugurado em 2009 (Du, 2011). A Rússia, assim, virtualmente monopoliza as exportações de recursos energéticos da Ásia Central. O controle russo sobre as rotas de transporte da Ásia Central faz com que esse país consiga adquirir o petróleo e o gás dos países da região por um valor pequeno. A Gazprom em 2006, por exemplo, comprava gás Turcomenistão e o revendia a um valor cinco vezes superior na Europa (Du, 2011). O autor coloca também que o crescimento da economia russa tem puxado o seu consumo energético, então a importação de recursos energéticos desses países contribui para a segurança energética russa, além de servir para que a Rússia possa liberalizar os preços praticados no seu mercado doméstico, que são historicamente subsidiados. Para a China é crucial dispor das reservas da região, uma vez que elas são significativamente grandes, contribuem para a diversificação de fornecedores e fortalecem a sua segurança energética. Por outro lado, aprofundar relações com a China é benéfico para os países da Ásia Central, pois ela oferece uma integração econômica mais profunda que a Rússia, já que eles também querem ter acesso aos bens manufaturados chineses (Du, 2011). 4.2.2. A Estratégia de Diversificação de Compradores Russa Outro ponto de tensão é a tentativa de diversificação de compradores da Rússia. Se por um lado ela é a maior a principal exportadora de gás para a Europa, por outro a Europa é seu principal comprador. É por esse motivo que Lelli (2008) vê essa situação como uma dupla dependência, que diminui o poder de barganha russo, logo a Rússia tem visado a construção de parcerias comerciais de longo prazo com China, Japão e Coreia do Sul (Nozaki et al., 2011), isto é, países com forte demanda por energia, capazes de ser um contrapeso à Europa. A proximidade russa com Índia e Japão não é vista com bons olhos pelos chineses. Por serem grandes demandantes, eles disputam recursos com a China em outras áreas, além de serem concorrentes comerciais (Nozaki et. al., 2011). No início dos anos 2000, a estatal chinesa CNPC acertou um acordo com a russa Yokos, que ainda era controlada pelo oligarca Mikhail Khodorkovsky, para a construção de um oleoduto saindo de Nakhodka e chegando a Daqing na China, que seria financiado por capital chinês. Após uma contraproposta japonesa, Putin interveio mudando o traçado do duto para uma rota favorável ao Japão, com uma ramificação para China (Norling, 2007). Assim, Putin tem atuado no sentido de valorizar os ativos energéticos russos, a fim de garantir uma melhor posição para negociar, todavia esse tipo de 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 estratégia abala a confiança chinesa. Nozaki et al. colocam que há um temor por parte da China de que seus concorrentes intrarregionais consigam autonomia energética antes dela. 4.2.3. O Papel Americano na Relação Sino-Russa Um fator preponderante de convergência nas relações sino-russas são os EUA. Não à toa, em períodos anteriores, o maior ou menor alinhamento de Rússia e China com o Ocidente interferiu de maneira decisiva em suas relações bilaterais (Nozaki et al., 2011). Para Kuchins (2007) prova disso é que a deterioração das relações entre Rússia e Estados Unidos nos anos 2000 coincide com avanços na relação sino-russa. Dadas às pretensões globais de Rússia e China, naturalmente eles irão rivalizar com os EUA em âmbito mundial, seja por mercados consumidores, seja por áreas de influência política. Du (2011) afirma que os EUA e a OTAN, sua aliança militar, são percebidos como as maiores ameaças a segurança por China e Rússia. A atuação americana na Ásia Central é, portanto, indesejada por ambos. Du (2011) lembra que a região é importante para os EUA na Guerra ao Terror. Os americanos têm instalações militares na Ásia Central que são fundamentais para o suprimento logístico das operações no Afeganistão. Além disso, os EUA têm interesse em ter acesso as reservas de petróleo e gás do Mar Cáspio. A atuação conjunta de Rússia e China resulta no fortalecimento de seus poderes relativos, aumentando suas margens de manobra perante os EUA. A OCS é, portanto, fruto do reconhecimento mútuo da importância de se ter uma instância de cooperação para contrabalançar os EUA e defender os interesses nacionais de cada um isoladamente.

5. Conclusão
A relação comercial sino-russa é um importante fator para impulsionar o desenvolvimento econômico desses países, pois, de um lado, propicia maior segurança ao suprimento energético chinês, fundamental para sustentar o crescimento de sua atividade produtiva; de outro lado, mitiga os riscos russos de ter apenas uma região importadora e providencia um parceiro que tem condições de financiar os projetos fundamentais de infraestrutura. A mútua dependência que pode se estabelecer devido a esse comércio só se realizará de fato se o governo russo for incapaz de utilizar as receitas provenientes da exportação de petróleo e gás para modernizar a sua estrutura produtiva e econômica, desenvolvendo o mercado interno e diminuindo relativamente o peso do setor de energia tanto no que se refere às receitas do Estado, quanto no crescimento do PIB. A China, por seu turno, não dispõe de tantas opções. Os principais países exportadores do Oriente Médio ou são alinhados com os EUA ou têm governos beligerantes e instáveis. Além disso, a região do Estreito de Hormuz e do Mar Arábico conta com forte presença militar americana a fim de salvaguardar o transporte marítimo de navios tanque, tornando os chineses dependentes do poderio militar norte-americano (Nozaki et. al., 2011). A exceção de Angola, os demais países africanos exportadores de energia para a China têm conflitos internos que colocam em perigo a estabilidade da exploração e transporte de recursos energéticos. Pode-se concluir, então, que a interação energética entre Rússia e China será construída a partir de um processo extremamente dinâmico e, por muitas vezes, influenciado por agentes externos. Porém, uma integração mais intensa e estreita entre Russa e China será costurada não somente através de uma discussão a respeito de preço da commodity exportada, ou mesmo de onde virão os recursos para financiar os projetos de infraestrutura que propiciem a materialização dos fluxos energéticos, mas também a partir de negociação mais ampla na esfera política, a fim de se alcançar acordos que possibilitem a acomodação das pretensões e dos interesses de ambos no cenário internacional e sugerindo a necessidade de um maior alinhamento político entre Moscou e Beijing futuramente. Assim, o maior desafio para a complementaridade energética sino-russa é a compatibilização de projetos de desenvolvimentos econômicos distintos, que têm implicações políticas profundas.

6. Agradecimentos
Agradecemos aos professores Renato Queiroz e Ronaldo Bicalho do Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ, cujos ensinamentos foram essenciais para a realização desse trabalho, a Amanda Tavares pela profícua troca de ideias e ao Programa de Formação de Recursos Humanos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (PRH-ANP).

7. Referências
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