IBP 1951 _12 DIÁLOGOS E ARTICULAÇÕES: OS BASTIDORES DA IMPLEMENTAÇÃO DE UM PROJETO POPULACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE EM MUNICÍPIOS RECEPTORES DE GRANDES EMPREENDIMENTOS

DO SISTEMA PETROBRAS Luis Felipe Rios1, Antônio Aparecido Carrara 2.
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O trabalho apresenta o processo que concorreu para implementar o programa Diálogos para o Desenvolvimento Social em Suape, em dezembro de 2011, nos municípios pernambucanos de Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. O programa objetiva enfrentar perturbações nas condições de saúde dos municípios relacionadas à chegada de milhares de homens para construção do complexo industrial. Nessa perspectiva, potencializar acessos aos direitos da população e desenvolver ações que possam contribuir na redução dos índices relacionados a problemas de saúde e violência (gravidez na adolescência; DST/AIDS; exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, violência masculina e violência contra as mulheres; uso abusivo de álcool e outras drogas). Gestado na interlocução entre a Refinaria Abreu e Lima da Petrobras e a Universidade Federal de Pernambuco, pela própria natureza das problemáticas sobre as quais quer atuar e das ações que se propõe a realizar, se abriu para uma multiplicidade de parceiros: outras instituições governamentais, ONGs estatais e de iniciativa privada, que têm se preocupado em articular em suas agendas o crescimento econômico com o desenvolvimento social. A interlocução para a implementação do programa foi iniciado em maio de 2010, e pode ser considerada como sua primeira fase, com foco na composição de parcerias e articulações, de acordo com as seguintes metas: a) Implicar organizações públicas e privadas, atuantes em Suape na realização do programa; b) Identificar ações correlatas na região, levadas adiante pelos futuros parceiros, de modo evitar a sobreposição de recursos, e potencializar os efeitos esperados; c) Conseguir aportes financeiros para completar os recursos necessários, em vistas do já comprometido pela Refinaria Abreu e Lima (50%). Pode-se afirmar que o projeto foi bem sucedido nesta primeira fase, dado o alcance das metas traçadas.

Abstract
The paper presents the process that contributed to implement the program Dialogues for Social Development in Suape, in December 2011, on the cities of Cabo de Santo Agostinho and Ipojuca in Pernambuco state. The program aims to address disruptions in the health status of municipalities related to the arrival of thousands of men to build the industrial complex. On this perspective, enhance access to population rights and develop actions that may contribute to decrease the indexrelated to health problems and violence (teen pregnancy, STD/ AIDS, commercial sexual exploitation of children andadolescents, male violence and violence against women, abusive use of alcohol and other drugs).Gestated in the dialogue between the Abreu e Lima Refinery of Petrobras and the Federal University of Pernambuco, by the own nature of the issues which wants to operate and the actions it proposes to make, it opened to a multiplicity of partners: government institutions, NGOs, which have been concerned to articulate in their agendas the economic growth with social development. The dialogue for the implementation of the program was initiated in May 2010and can be considered its first step, focusing on the composition of partnerships and articulations, according to the following goals: a) Involve public and private organizations, working in Suape in implementing the program; b) Identify related actions in the region, carried forward by future partners, in order to avoid overlapping of resources, and increase on the expected effects; c) Achieve financial contributions to complete the necessary resources, whereas (50%) was already compromised by Abreu e Lima Refinery. It can be stated that the project was successful in this first stage, given the scope of the goals set.

______________________________ 1 Doutor em Saúde Coletiva, Coordenador Geral do Programa Diálogos Suape – Universidade Federal de Pernambuco 2 Engenheiro Civil, Gerência de Relações Institucionais – Refinaria Abreu e Lima/PETROBRAS

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Introdução
O trabalho apresenta o processo que concorreu para a implementação do programa Diálogos para o Desenvolvimento Social em Suape, em dezembro de 2011, nos municípios de Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. Localizados na sub-região de Suape no estado de Pernambuco, os municípios possuem um população estimada em cerca de 265 mil habitantes. O programa foi gestado na interlocução entre a Refinaria Abreu e Lima da Petrobras e a Universidade Federal de Pernambuco, e, pela própria natureza das problemáticas sobre as quais quer atuar e das ações que se propõe a realizar, se abriu para uma multiplicidade de parceiros: outras instituições Governamentais e Não Governamentais, estatais e de iniciativa privada, que têm se preocupado em articular em suas agendas o crescimento econômico com o desenvolvimento social. O texto está organizado de modo que, inicialmente, descrevemos o cenário onde o programa está atuando e o que justifica a sua existência. Em seguida, apresentamos, de forma muito sintética, os princípios e ações que o compõe. Finalmente, discorreremos sobre o processo de composição de parceiros e readequação do projeto, desvelando os bastidores que concorreram para a sua existência, e enfocando algumas lições aprendidas com o processo de diálogos e articulações em busca de parcerias.

O cenário
O programa atuará em Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca que fazem parte da Sub-região de SUAPE, integrante da Região Metropolitana do Recife. Os municípios apresentavam no último censo, respectivamente, a população de 185.123 habitantes e Ipojuca 80.542 habitantes. A região, até muito recentemente, teve a sua economia centrada na produção de cana-de-açúcar e ainda apresenta fortes marcas da cultura escravocrata que se expressam significativamente na permanência das desigualdades sociais. Durante o regime militar, o município do Cabo recebeu altos investimentos públicos, através da Sudene, para o desenvolvimento de um polo industrial que funcionou relativamente bem até o início dos anos 80, vindo a reduzir substancialmente as suas atividades até meados dos anos 90, quando é paulatinamente reativado. A ausência absoluta de ações estruturadoras da economia e do desenvolvimento local levou a que as oscilações do pólo industrial tivessem pouco efeito sobre a realidade social dos municípios (SOS CORPO, 2001). Desde o ano de 1984, a região inicia um novo ciclo de enriquecimento, com a implantação do Porto de Suape, situado a 40 quilômetros de Recife. Suape foi planejado para operar em associação com um complexo industrial. Até 2005, o Porto era considerado como subaproveitado, o que mudou com o anuncio de dois grandes empreendimentos para a região, como o Estaleiro Atlântico Sul, a Refinaria Abreu e Lima, a Petroquímica Suape e, mais recentemente a montadora da Fiat. É de se esperar que todos esses investimentos tragam uma série de expectativas para a população local, com possibilidades de alterações nas relações de trabalho, modos e condições de vida da população. A mídia divulga cifras referentes à contratação. Segundo a revista Veja, quarenta mil operários trabalharão na construção das fábricas, que depois de prontas empregarão 15.000 pessoas (fonte: Revista Veja - 23/07/2008). Indicadores Apesar dos investimentos acima descritos, previstos para a região, os indicadores sociais são bem preocupantes. Analisando os dados gerados no Censo de 2000 e PNAD de 2003, vê-se que, entre 1991-2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Cabo de Santo Agostinho cresceu 12,22%, passando de 0,630 para 0,707. Não obstante, ainda que a renda per capita média do município tenha crescido 31,96% e a pobreza diminuído 10,23% (passando de 56,4% em 1991 para 50,7% em 2000) a desigualdade cresceu: o Índice de Gini passou de 0,51 em 1991 para 0,57 em 2000 (PNUD, 2003). Ipojuca, no mesmo período, teve o seu IDH-M acrescido em 24,15%, passando de 0,530 em 1991 para 0,658 em 2000. Em Ipojuca, a renda per capita média do município também cresceu, neste caso 60,67%, e a pobreza diminuiu 21,87%, passando de 77,3% para 60,4%. No entanto, a desigualdade também cresceu: o Índice de Gini passou de 0,46 em 1991 para 0,55 em 2000 (PNUD, 2003). Segundo a classificação do PNUD, os municípios estariam entre aqueles considerados de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8), ocupando, respectivamente, a 2869ª e 3629ª posições entre os municípios do Brasil (PNUD, 2003). Na área da infância e adolescência, os indicadores de vulnerabilidade familiar são eloquentes. Chamamos especial atenção para o fato de que, em 2000, 71,5 % das crianças de Ipojuca e 63,2 % das crianças do Cabo de Santo Agostinho estavam em famílias com renda inferior a meio salário mínimo (PNUD, 2003). Essa situação de precariedade econômica das famílias para dar conta do sustento das crianças cria um contexto que obriga crianças e adolescentes a assumirem atividades que gerem alguma renda, o que pode significar um distanciamento das mesmas da vida escolar, incrementando mais ainda os ciclos de exclusão. Não parece ser por acaso que, em 2000, 22,28% dos adolescentes (15 a 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 17 anos) do Cabo e 30,14 % dos de Ipojuca estivessem fora da escola. O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil chama atenção para o fato de, em 2000, 17,68 % de crianças de 7 aos 14 anos de Cabo e 32,26 % de Ipojuca serem analfabetas (PNUD, 2003). Este quadro-síntese assinala uma situação onde pobreza, trabalho e educação interagem e podem se desdobrar em diferentes matizes de violência. Um contexto especialmente propício para a emergência de agravos em saúde sexual e reprodutiva e violação dos direitos sexuais de crianças, adolescentes, jovens, de ambos os sexos, e, também, das mulheres adultas. O Atlas (PNUD, 2003) revela que em 2000 havia 13,69 % mulheres de 15 a 17 anos com filhos em Cabo e 8,79% em Ipojuca. Já a Matriz Intersetorial de Enfrentamento da Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes, coordenada pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, aponta a existência da exploração sexual comercial infanto-juvenil nos dois municípios (CAMINHOS, s/d); do mesmo modo, Pernambuco figura como o sexto estado em número de Denúncias no Disque 100, sistema do Governo Federal de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes (cf. RIOS, MENEZES-SANTOS ET AL, 2009). Destacamos ainda que as taxas de incidência à AIDS na RMR são bastante expressivas. Conforme a Rede Interagencial de Informação para Saúde (RIPSA, s/d) as regiões Sul e Sudeste apresentaram as maiores taxas ao longo da série histórica atingindo em 2003, valores de 30,9 e 27,5, respectivamente. Já a região Nordeste apresenta a menor taxa, correspondendo 9,6 em 2003. Neste mesmo ano, a RMR apresentava taxa de 22,02, bem maior que a do Nordeste como um todo. Taxa que vem crescendo ano a ano. Em 2007, ultimo dos anos dos dados disponíveis no sistema RIPSA (s/d), figurando em 26,73. A Região é também marcada por altos índices de violência contra a mulher, fenômeno bastante destacado pela mídia nacional e analisado em diversos estudos (SHRAIBER ET AL, 2007). Nesta mesma direção, destaca-se que as principais causas de adoecimento e morte dos homens na Região, especialmente os mais jovens, estão relacionadas ao que se define em saúde como “causas externas”, ou seja, aquelas resultantes de violência, acidentes de trânsito e uso abusivo de drogas.

A proposta
Num quadro já marcado por profundas desigualdades sociais, a chegada de um empreendimento como a Refinaria Abreu e Lima, e outras iniciativas do Complexo Suape, inspira preocupações. Um dos aspectos, que merece atenção são as relações existentes entre a população que já existe na região e as pessoas que chegarão atraídas pela promessa de emprego e melhoria de vida. Esse encontro será marcado por uma série de construções sociais de gênero, classe, raça, escolaridade, idade e poder econômico; os quais podem reforçar as linhas de desigualdades econômicas (já expressa no índice Gine), de idade/geração (apontadas nos números da evasão escolar e ingresso precoce no mundo do trabalho) e de sexo-gênero (que marcam a exposição à violência, a gravidez na adolescência, trabalho sexual e infecção pelo HIV e outras DST), que, na interação sinérgica que estabelecem, fatalmente ampliarão a suscetibilidade das mulheres e de crianças, adolescentes e jovens de ambos os sexos, aos supracitados agravos a saúde e violação de direitos. Pensando neste contexto e em possibilidades de atuações promotoras de mudanças, o plano de trabalho do programa Diálogos inclui oito grandes ações, cada um delas articulada por um objetivo específico, apresentados a seguir. Objetivo geral Contribuir para o desenvolvimento social de Suape, potencializando processos e acessos aos direitos humanos e sociais da população e, ao mesmo tempo, desenvolver ações que possam contribuir na redução dos índices relacionados a problemas de saúde e violência, especialmente a partir de orientações no contexto da sexualidade e da gravidez na adolescência; da prevenção das DST/AIDS; do enfrentamento à exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, à violência masculina e à violência contra as mulheres, bem como ações voltadas ao uso abusivo de álcool e outras drogas. Objetivos específicos  Ação 1 – Diálogos e Articulações: Estabelecer articulações e parcerias com organizações governamentais e não governamentais, iniciativas estatais e privadas, de modo a garantir a viabilidade técnica e orçamentária do programa; do mesmo modo, ao longo das interlocuções, adequar o desenho do programa na medida em que reconhece iniciativas já existentes, de modo a potencializar os esforços sem sobrepor recursos (humanos, técnicos e orçamentários);  Ação 2 – Conhecer o território: Conhecer as políticas, programas e equipamentos sociais reais existentes nos municípios com o objetivo de contribuir com intervenções educativas e sócio-políticas a serem efetivamente atendidas pelo poder público local e estadual; identificando a rede social existente e potencial, além dos sujeitos e atores envolvidos no processo de prestação de serviços sociais; 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012  Ação 3 - Ação Juvenil: Formar e instrumentalizar jovens de 16 a 19 anos, de ambos os sexos, enquanto lideranças capazes de atuar na produção e disseminação de informações qualificadas nos campos dos direitos da criança e adolescente, saúde sexual e reprodutiva, uso abusivo de álcool e outras drogas, e no enfrentamento a agravos de saúde e violações de direitos; Ação 4 - Caravana da Cidadania: Mobilizar as comunidades locais, e instrumentalizar profissionais dos campos da saúde, educação e responsabilização, para a promoção da saúde sexual e reprodutiva, combate a violação dos direitos sexuais e do uso abusivo do álcool e outras drogas; Ação 5 - Chá de Damas: Engajar profissionais do sexo adultos dos municípios no enfrentamento das DST/AIDS e da exploração sexual comercial de crianças e adolescentes; Ação 6 - Mulheres e educação para cidadania: Prover informações qualificadas violência doméstica e sexual de modo a mobilizar as mulheres das comunidades dos dois municípios para a prevenção e enfrentamento destas violações de direito; Ação 7 - Diálogos com os Homens das Empresas Terceirizadas: Sensibilizar e informar os trabalhadores das empresas terceirizadas para a promoção à saúde sexual e reprodutiva, prevenção da violência e do uso abusivo de álcool e outras drogas; Ação 8 - Observatório Suape: Disseminar informações e recursos desenvolvidos no âmbito do programa Diálogos para o Desenvolvimento Social em Suape.

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Implantação (processo e ação)
Em outubro de 2009 a Refinaria Abreu e Lima procura a Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e apresenta um estudo dos impactos socioeconômicos e ambientais resultantes da presença da Refinaria realizada pelas consultorias Rebouças & Associados e CEPPLA. Em face deste diagnóstico preliminar, a empresa solicitou à UFPE, integrante do projeto Suape Global, a apresentação de uma proposta fundada no princípio do desenvolvimento territorial sustentável, como parte da política de responsabilidade social da Petrobras. Para o atendimento à demanda, a Diretoria de Pesquisa, vinculada à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação, mobilizou professores-doutores vinculados ao Laboratório de Estudos da Sexualidade Humana (LabESHU); Núcleo de Pesquisas em Gênero e Masculinidades (Gema); Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Poder, Cultura e Práticas Coletivas (GEPCOL), vinculados ao Programa de Pós-graduação em Psicologia, e o Grupo de Estudos e Pesquisa sobre Trabalho (GET) e ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Políticas Sociais (NEPSS) ambos vinculados ao Programa de PósGraduação em Serviço Social. Já neste momento inicial, participaram da elaboração da proposta duas organizações nãogovernamentais, o Centro das Mulheres do Cabo e o Instituto PAPAI. Estas ONGs, além de já serem parceiras em outras ações da UFPE, foram indicadas pelas consultorias como instituições com vocação e competência para a realização de um trabalho conjunto voltado às problemáticas identificadas. Os atores supracitados montaram então as linhas gerais do programa Diálogos, calcado em três princípios:  O desenvolvimento social deve ter por base os direitos sociais e humanos e as ações devem, por um lado, buscar minimizar as desigualdades sociais e, por outro, valorizar a diversidade cultural local;  A comunidade local deve ser coautora das ações na perspectiva de fortalecer a sociedade civil e garantir o sucesso e a continuidade das ações;  Atuar junto ao poder público e redes sociais locais é fundamental para sustentabilidade, a longo prazo, das ações iniciadas por qualquer programa. De forma sintética a ideia geral do programa é a de atuar com os diferentes atores envolvidos na emergência dos agravos a saúde e violação de direitos em foco, e, assim através de ações de comunicação, educação e informação, articuladas entre si, e com outras iniciativas congêneres nos municípios, criar uma ambiência comunitária capaz de minimizar os contextos de vulnerabilidade em questão. Um desenho mais próximo do atual foi apresentado pela UFPE à diretoria da Petrobras em maio de 2010. Naquela ocasião consistia de sete ações, que, conjuntamente, davam um desenho de intervenção participativa e populacional. Participativa na medida em que busca envolver parte da população beneficiária na elaboração das estratégias de intervenção, e populacional, pois mobiliza, sinergicamente, um conjunto amplo de atores de diferentes categorias sociais (todas de alguma forma implicadas na emergência dos agravos à saúde ou violação de direitos que o programa se propõe a enfrentar), alcançando diretamente mais que dois terços dos habitantes dos municípios. O quadro 1, apresentado a seguir, apresenta a síntese das ações, categorias mobilizadas enquanto coautores, populações acessadas e estratégias. Quadro 1: Matriz pedagógica do programa Diálogos, para dois anos de execução – versão maio/2010 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 CATEGORIAS POPULACIONAIS ACESSADAS Profissionais e população em geral

AÇÃO Conhecer o Território

COAUTORES Profissionais dos equipamentos sociais

QUANTITATIVO Cerca de 2000 pessoas

ESTRATÉGIAS Levantamento e análise de dados primários e secundários; Seminários; Relatórios e cartilhas Formação de liderança; Elaboração de materiais informativos

Ação Juvenil

Adolescentes e Jovens

Adolescentes e jovens de ambos os sexos

60.000

Caravana da Cidadania

Adolescentes e Jovens

Profissionais; Cidadãos (homens e mulheres; adultos, crianças, adolescentes e jovens)

200.000 Educação popular e mobilização de pares; Recursos lúdicos; Distribuição de materiais informacionais; Formações de profissionais 4.000 10.000 Oficinas, formação de lideranças, distribuição de materiais informativos e insumos Programas de Rádio; Formações; Audiências públicas

Chá de Damas

Profissionais do Sexo

Profissionais do Sexo Clientes

Mulheres e Educação para Cidadania

Mulheres adultas e adultas jovens

Profissionais; Cidadãos (homens e mulheres; adultos, crianças, adolescentes e jovens) Trabalhadores das Empresas Terceirizadas População em geral

120.000

20.0000 Diálogos com os Homens das Empresas Terceirizadas Observatório Suape Trabalhadores das Empresas Terceirizadas Todos os coautores Formação de lideranças; pares multiplicadores; Campanhas Cerca de 5.000 pessoas Centro de Documentação e Recursos; Portal na Internet

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Os gestores da Petrobras receberam o programa de modo muito positivo. Não obstante apontaram que os obstáculos para a implementação da proposta estava na mesma ordem de grandeza das suas pretensões. Ou seja, ao mostrar os fatores que contribuem para a emergência dos agravos à saúde e violações de direitos também sinalizava os diferentes atores institucionais implicados nos mesmos. Para seguir a própria lógica do processo que pretende tomar grupos da população como coautores do processo, também as instituições (públicas e privadas) deveriam ser chamados à coautoria do programa, e não ser mero “publico alvo” de formações, seminários e audiências públicas, como inicialmente proposto. A outra questão levantada dizia do orçamento apresentado, da ordem de cinco milhões oitocentos e oitenta mil reais. Ainda que justificável pela própria dimensão do programa, este precisaria de um número maior de parceiros aportando recursos para a sua viabilização. Nesse momento começava a se configurar o que atualmente é a oitava ação, Diálogos e Articulações, e que passou a ser a prioridade no primeiro ano de funcionamento do programa. Algumas metas foram, então, estabelecidas:  Implicar outras organizações públicas e privadas na realização do programa;  Identificar ações correlatas na região, levadas adiante pelos futuros parceiros, de modo evitar a sobreposição de recursos, e potencializar os efeitos esperados;  Conseguir parceiros que aportem pelo menos 50% dos recursos necessários. Para alcançar as metas, a primeira providência foi constituir uma comissão para participar dos encontros e visitas que a constituição que Diálogos e Articulações exigiriam. Esta foi formada pela gerente de comunicação da Refinaria, Vera Caliari, e pelo coordenador do programa, o Prof. Luís Felipe Rios da UFPE. A partir de março de 2011 substituiu Vera, Antônio Carrara, pela Refinaria. Coube à comissão estabelecer os contatos iniciais e, conforme a especificidade dos parceiros, acionar outros integrantes da Refinaria ou UFPE para compor as reuniões. O segundo passo foi elaborar uma lista de possíveis apoiadores e também estabelecer, a partir da disponibilidade dos gestores das instituições, uma agenda de encontros. Os gestores municipais entraram como primeiros da lista. Ainda que muito provavelmente não aportassem recursos, são eles os mais diretamente implicados com as problemáticas e suas resoluções, sendo atores chaves para o sucesso do trabalho. Neste âmbito foram estabelecidos diálogos com representantes das secretarias de Saúde, Educação e Ação Social de Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. Também os gestores do Governo do Estado foram pensados como parceiros fundamentais. No entanto, como 2010 foi um ano eleitoral, a interlocução com estes atores aconteceu apenas no ano de 2011. Assim, entre fevereiro e abril de 2011 dialogamos com gestores da Secretaria da Mulher, Secretaria de Saúde e Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. No nível Federal, ainda em 2010 estivemos em conversa com o Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Também foram contatados a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste do Brasil, o Banco de Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e, já em 2011, o Banco do Brasil. Todos estes bancos possuem, enquanto estatais, fortes compromissos com o Desenvolvimento Econômico e Social do país e possuem linhas de aportes para projetos sociais. Vale destacar, que para todo este bloco de, naquele momento, prováveis parceiros, além de Vera Caliari e Luís Felipe Rios, os encontros contaram com a presença do próprio presidente da Refinaria, Marcelino Guedes, amplificando a importância da implementação do programa para Refinaria Abreu e Lima. Entre as empresas que se instalam em Suape, estivemos em contato com o Estaleiro Atlântico Sul e a Petroquímica Suape. Também dialogamos com as assistentes sociais das empresas terceirizadas prestadoras de serviço, e os seus diretores. No caso da reunião com os diretores das empresas terceirizadas, a presença do presidente da refinaria também foi importante na sensibilização destes atores para o apoio ao programa. Cada encontro foi pré-agendado com os gestores das instituições. Antecipadamente à reunião, enviávamos um resumo executivo do programa ou, quando solicitado, o próprio programa. Nos encontros, o programa era apresentado e discutido, e os interlocutores chamados a opinar sobre ele. Após esta primeira rodada de conversa, se perguntava como aquela instituição poderia contribuir para o sucesso da proposta, inclusive com aportes financeiros. Pensando neste momento de captação de recursos, foi pré-estabelecido um sistema de cotas, em um total de doze cotas de 490 mil reais. A etapa final da reunião consistia, então, em solicitar a participação da instituição com uma ou mais cotas, momento em que se solicitava informações sobre como submeter formalmente o programa para angariar os recursos. Em todas as ocasiões os nossos interlocutores foram muito favoráveis ao programa, elogiando seu desenho e apontado sua pertinência. Os que conhecem mais de perto a região, em um claro movimento de identificação com a proposta, exemplificavam o agravamento do quadro em que o programa vai atuar, quando do início das ações interventivas. Descreviam cenas da “perturbação” (sic.) que a chegada dos homens advindos de outros estados está provocando nas praias e centros das cidades. O abuso de álcool nos horários de laser; o assédio às mulheres; o incremento da exploração sexual infanto-juvenil eram os elementos recorrentes nas falas. No caso das instituições governamentais era sempre frisado que, mais que recursos financeiros, a contribuição destas seria a de estabelecer cooperações na direção de criar a ambiência necessária para o programa acontecer, o que poderia significar diferentes modalidades de apoio. Assim, por exemplos, já apontariam para parcerias formalizáveis a própria troca de informações sobre as problemáticas e o que já tem sido feito para enfrenta-las; a disponibilização de dados secundários; a autorização para a entrada nos estabelecimentos (escolas, postos de saúde etc) e o contato com os 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 profissionais; o incremento de estratégias e insumos já disponíveis nos municípios que provavelmente vão ser mais requeridos com as atividades previstas (procura por preservativos e teste rápido para o HIV, por exemplos); também o incentivo para que os servidores participem das atividades que o programa irá lhes dedicar.

Resultados atingidos
A Petroquímica Suape, o Ministério da Saúde e algumas das empresas prestadoras de serviço à Petrobras já sinalizaram positivamente enquanto parceiros e apoiadores financeiros do programa. O programa encontra-se tramitando no BNB. Das instituições acessadas, e que já deram uma posição, quatro não se dispuseram a apoiar diretamente o programa: o Estaleiro Atlântico Sul, o BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica. Em relação aos parceiros governamentais, todos sinalizaram positivamente quanto à formalização de parcerias. A circulação entre as organizações localizadas na região foi especialmente importante para ter uma maior aproximação da realidade local e identificar os projetos já em andamento ou em processo de implantação. O que observamos é que consistem basicamente de projetos em duas linhas: fortalecimento comunitário, atuando em escala micro, com pequenas comunidades; projetos educacionais, de formação e capacitação profissional dos moradores dos municípios para o ingresso nos postos de trabalhos abertos pelos investimentos na região, seja nas grandes empresas, seja em outras iniciativas que se abrem em função da do Desenvolvimento Econômico (por exemplos, hotelaria, estética, gastronomia etc.). De forma ampla, observamos que o programa Diálogos não virá a sobrepor ações às iniciativas já existentes, podendo sim potencializá-las, utilizando de seus recursos comunicacionais (rádio, folders, site na internet e encontros presenciais com os atores sociais) para divulga-las, ampliando o acesso da população. Ainda na linha de reconhecer o que vem acontecendo nos municípios, além das conversas com cada organização governamental individualmente, em fevereiro de 2011 realizamos um primeiro encontro de trabalho coletivo onde gestores e/ou técnicos das três esferas de governo discutiram o programa e apresentaram suas próprias políticas e programas, na expectativa de alinharmos ações e evitarmos sobreposição de recursos. Naquela ocasião nasceu o embrião de um comitê consultivo, que acompanhará o desenvolvimento do programa. Do mesmo modo, no que se refere às iniciativas públicas, o programa também não vai se sobrepor ao que já existe, mas auxiliar os municípios a realizar a intersetorialidade e integralidade, preconizado pelas políticas públicas de saúde e assistência, além de se integrar como uma atividade de formações continuadas, também preconizadas pelo SUS e SUAS. A expectativa é que as ações de comunicação possam incrementar o acesso da população a direitos e serviços públicos, ao informar e conscientizar as pessoas sobre direitos e cidadania, no sentido amplo, e sobre os agravos a saúde e violações de direitos mais especificamente. Do mesmo modo, esperam que o programa supra a carência de recursos instrucionais elaborados a partir da realidade local, e assim que as informações possam ter mais assertividade. Ainda na linha de identificar sobreposições e ter subsídios para adequar as ideias iniciais à realidade como vivida, foi especialmente importante escutar as assistentes sociais das empresas terceirizadas. Alguns encontros foram agendados no site da Refinaria, e estas puderam apresentar as ações correlatas ao programa Diálogos, já em andamento. Os temas que serão abordados pelo programa já são objeto dos Diálogos Diários de Segurança (DDS) que acontecem diariamente nos canteiros das empresas. No entanto isso se dá, nos nosso olhar, de forma assistemática e pontual, dado o conjunto de temas que precisam ser abordados, em especial os relacionados a segurança no trabalho, pauta por vocação desta atividade. As assistentes julgaram muito oportunas as iniciativas do programa Diálogos, que darão sistematicidade para as questões que elas lidam tangencialmente. No que se refere aos aportes orçamentários, das organizações governamentais, até o momento apenas o Ministério da Saúde se dispôs a apoiar financeiramente o programa, com uma cota de 490 mil reais, além de se dispor a oferecer apoio técnico e logístico com recursos próprios. A Petroquímica Suape aportará duas cotas. As empresas terceirizadas também aportarão duas cotas. A Refinaria Abreu e Lima disporá de cinco cotas, restando duas cotas que estão em negociação com o BB, BNB e Caixa Econômica Federal. Em adição, um relatório sobre esta primeira fase foi apresentado ao Prêmio Top Socioambiental da ADVB-PE, sendo premiado, ampliando assim o reconhecimento sobre o programa. De forma ampla, pode-se afirmar que o programa foi bem sucedido nesta primeira fase de sua implementação, dado o alcance das metas traçadas para a sua primeira ação, Diálogos e Articulações. Não obstante, vale ainda tecer alguns comentários sobre os facilitadores e obstáculos que encontramos neste primeiro momento, de modo que a reflexão sobre estes possam servir de aprendizagem para as futuras etapas do programa Diálogos e para outras iniciativas no campo da promoção da cidadania e saúde.

Considerações Finais
Facilitadores 7

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012     A parceria entre UFPE e Petrobras parece ter sido um ponto forte no momento de acionar os parceiros. Quase sempre surgiam comentários na direção de reconhecer a idoneidade das duas instituições no que se refere à aplicação de recursos e à competência técnica para as atividades a que se propõe realizar. A presença do presidente da Refinaria em alguns dos encontros, em especial naqueles com gestores mais centrais das instituições contatadas, parece ter tido um efeito positivo para mostra a preocupação da Petrobras com impacto da Refinaria a nível social e da importância do programa para a população. O comprometimento dos gestores governamentais com a promoção do bem estar da população, possibilitando uma abertura para a articulação com iniciativas que potencializem os recursos já existentes. A postura dialógica tomada pela comissão criada para realizar as interlocuções. Os encontros foram marcados pelo reconhecimento da competência dos futuros parceiros, demonstrado pela abertura para a escuta de críticas e sugestões, facilitando, assim, a aproximação necessária para a formalização de parcerias. A paciência e perseverança da comissão frente a burocracia interna a cada instituição, o que muitas vezes implicou em certa morosidade na oficialização das parcerias.

 Obstáculos

Como já mencionado, os processos burocráticos institucionais. Em especial a necessidade de preencher formulários próprios para cada instituição contatada, de modo a fazer o programa tramitar nas linhas de financiamento existentes.  O ano eleitoral, que atravessa a vida das instituições públicas, impediu por um período de três meses os processos de diálogos com tais instituições. Do mesmo modo, após as eleições, as mudanças de equipes fez com que tivéssemos que nos rearticular com alguns dos prováveis parceiros. Para finalizar, vale sublinhar o sucesso desse momento de Diálogo e Articulação. As expectativas da equipe, em preparação para a entrada no campo propriamente dito, quando irá lidar com aqueles que serão os parceiros de ponta de lança do programa, é que o tom dialógico continue marcando e orientando o caminho. Certamente, obstáculos virão, mas já há a certeza do apoio dos gestores, nos três níveis governamentais; do mesmo modo o sentimento de ter alcançado as primeiras metas do programa. Ademais o conselho consultivo, já existente em embrião, deverá ser fortalecido pela expertise dos técnicos em Responsabilidade Social das instituições que aportarão recursos. Esta será uma instância privilegiada para dar continuidade à primeira ação, que não finaliza com o início da etapa propriamente interventiva, iniciada em dezembro de 2011. Mais que instância de monitoramento e avaliação do programa, o conselho terá o papel de um coletivo onde os obstáculos, impasses e dificuldades poderão ser tratados e discutidos, de modo que os parceiros, de fato, possam se instituir como coautores do programa Diálogos.

Agradecimentos
Queremos registrar nossos agradecimentos às instituições que atualmente apoiam o Programa Diálogos Suape: Refinaria Abreu e Lima, Petroquímica Suape, Alusa, Consórcio EIT/Engevix, Consórcio Conest, Queiroz Galvão, Consórcio CNCC, Departamento Nacional de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Suape Sustentável, Governo do Estado de Pernambuco, Prefeituras Municipais de Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, FADE-UFPE, Serviço de Psicologia/UFPE, PPG-Psi/UFPE, Departamento de Serviço Social/UFPE.

Referências
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