Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP

Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20
de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento,
seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os
textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado
nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.
______________________________
1
Doutor, Engenheiro Químico – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
2
Graduando, Engenharia de Petróleo – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
3
Mestrando, Energia – UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
4
Doutor, Engenheiro Químico – PETROBRAS
IBP1988_12
MODELAGEM E SIMULAÇÃO DA PRECIPITAÇÃO
E INCRUSTAÇÃO CARBONÁTICA EM
CONDIÇÕES DE POÇO
Fabio de A. R. Pereira
1
, Wagner Q. Barros
2
,
Rafael de P. Cosmo
3
, André L. Martins
4



Resumo

A recente expansão das reservas de hidrocarbonetos no Brasil com o pré-sal representa o marco de uma nova era
no cenário da exploração offshore. Estas reservas, predominantemente em formações carbonáticas, trazem consigo novos
desafios a serem enfrentados; dentre os quais se destaca a incrustação inorgânica em poços de petróleo, neste caso a
carbonática. Esse fenômeno pode ocorrer por mais de um mecanismo, mas o principio está associado ao estado de
equilíbrio químico da formação com os sais dissolvidos que a compõe. Neste trabalho foi estudada a influência do regime
de escoamento no equilíbrio e na precipitação de carbonatos, assim como a modelagem de sua incrustação ao longo de um
duto horizontal em condições de poço. A metodologia empregada foi a da simulação numérica com uso de códigos
computacionais comerciais para representar condições de escoamento muitas vezes indisponíveis experimentalmente. Os
resultados obtidos destacaram não só a influência da pressão do sistema no equilíbrio químico que rege a precipitação,
mas também o efeito da turbulência e do campo gravitacional sobre a incrustação de carbonato nas paredes do poço.


Abstract

The recently expansion of hydrocarbon reserves in Brazil with the pre-salt, is the hallmark of a new era in the
scenario of offshore exploration. Those reserves, predominantly in carbonate formations, introduce new challenges to be
faced, which can be highlighted the inorganic scaling in oil wells, in this case carbonate. This phenomenon can occur for
more than one mechanism, but the principle is associated with the chemical equilibrium with the formation of dissolved
salts that compose it. In this work was studied the influence of flow regime in the chemical equilibrium and precipitation
of carbonates, as well as their scale modeling along a horizontal duct under well conditions. The methodology used was
the numerical simulation using commercial computational codes to represent flow conditions usually unavailable
experimentally. The results highlight the pressure influence in the chemical equilibrium of the system which governs the
precipitation, and also the effect of turbulence and the gravitational field on the scale carbonate walls of the well.


1. Introdução

A incrustação é um problema operacional que afeta diversas indústrias em seus respectivos processos. Há vários
anos estudiosos buscam entender, modelar, equacionar, quantificar e encontrar soluções para inibir ou tratar a deposição
de compostos indesejáveis aos processos industriais. Como reportam STÁHL ET AL. (2000), que estudaram a
incrustação nos sistemas geotérmicos; QUAN ET AL. (2008) que modelaram a incrustação em trocadores de calor;
BAKER ET Al. (1999) avaliariam os sistemas de painéis solares para aquecimento de água; WALY (2011) pesquisou a
deposição em sistemas de osmose reversa da água do mar; e diversos pesquisadores que buscaram entendimento sobre o
assunto relacionado aos processos envolvidos com a exploração petrolífera, como STIFF E DAVIS (1952), LO (2011),
dentre outros.
Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
2
As perdas associadas à incrustação alcançam, em escala global, a ordem de 1,4 bilhões de dólares ao ano
(FRENIER E ZIAUDDIN, 2008) somente da indústria petrolífera. Essas perdas englobam a substituição de equipamentos,
contratação de serviços, dentre outros, mas o principal impacto é devido a perdas na produção, as quais estão relacionadas
basicamente a dois fatores: o dano à formação e a garantia de escoamento, em que as incrustações nas tubulações reduzem
o diâmetro disponível para escoamento, podendo obstruir por completo um poço ou linha de produção.
Esses impactos poderão ser danosos à produção do petróleo do pré-sal brasileiro, uma vez que estes reservatórios
são predominantemente carbonáticos, ou seja, favoráveis à deposição de sais de cálcio, como o sulfato, o naftenato, os
carbonáticos, sendo o carbonato de cálcio o precipitado que apresenta o maior potencial de incrustação.
Visando mitigar o problema da deposição de carbonato de cálcio é preciso compreender a cinética do equilíbrio
químico e de sua precipitação. Nesse sentido foi desenvolvido no presente estudo uma metodologia que pudesse modelar
e simular o fenômeno do escoamento com transporte de espécies químicas sobre a influência de parâmetros operacionais e
em condições que se aproximassem daquelas encontradas em poços produtores; sendo estas muitas vezes indisponíveis
experimentalmente. Para tanto foram empregados softwares de dinâmica de fluidos computacional (CFD) da linha
ANSYS
®
, uma ferramenta robusta que permite modelar e simular as mais diversas condições de escoamento.


2. A Problemática da Incrustação

Os problemas com a formação de incrustação podem acontecer desde o início da produção até o abandono de um
poço, geralmente sendo agravados com o avanço da explotação. A incrustação pode afetar colunas de produção, as linhas
de exportação, facilidades de superfície, risers e flowlines, o poço, dentre outros equipamentos de sub-superfície.
Antes do início da perfuração e produção, os fluidos e as espécies dissolvidas estão em equilíbrio com o
ambiente do reservatório. As reações de precipitação começam a ocorrer quando forças externas como a influência da
temperatura e principalmente a pressão atuam sobre os fluidos e os sais dissolvidos, favorecendo a formação de
incrustação.

2.1. Incrustação Inorgânica
A incrustação inorgânica em termos práticos é um mineral que se forma em uma superfície devido à saturação do
ambiente local com um sal inorgânico. Em solução os sais estarão dissociados na forma de íons dissolvidos. No entanto,
se a concentração do sal for superior a sua solubilidade naquele ambiente, irá precipitar como um sólido. Diversos fatores
controlam a solubilidade de um sal numa solução, como pressão, temperatura, pH e a presença de outros íons.
A água, geralmente presente na formação, é a principal responsável por manter diversas espécies de íons (Na
+
,
K
+
, Ca
2+
, Mg
2+
, Ba
2+
, Sr
2+
, Fe
2+
, Cl

, HCO
3

, SO
4
2–
, OH

, dentre outros), gases (O
2
, CO
2
, H
2
S, CH
4
, C
2
H
6
, etc.) e
ocasionalmente alguns compostos orgânicos dissolvidos, como por exemplo: os acetatos, ácidos graxos, benzeno, tolueno,
naftenatos, dentre outros.
É frequente em reservatórios carbonáticos a presença de CO
2
dissolvido em elevadas concentrações. Antes da
produção, o equilíbrio a pressão do reservatório faz com que esse gás ácido previna a precipitação de carbonatos de
metais alcalinos e alcalinos terrosos. À medida que a produção ocorre, há uma queda natural de pressão e o potencial de
deposição aumenta, favorecendo a precipitação e a formação de incrustação. Esse fenômeno é chamado autoscaling
(CRABTREE et al., 1999). A Tabela 1 relaciona a solubilidade do carbonato de cálcio com a pressão parcial (em bar) de
CO
2
e a temperatura (COWAN E WEINTRITT, 1976).

Tabela 1. Solubilidade da calcita (em g/L) a várias temperaturas (em ºC)
e pressões parciais de CO
2
(COWAN E WEINTRITT, 1976).


Outra relevante fonte de incrustação é a corrosão. Ocorre quando fluidos corrosivos entram em contato com
qualquer metal contendo ferro (tubing, casing, válvulas, bombas, etc.). A presença de gases corrosivos, como CO
2
e H
2
S,
favorece a produção de íons de ferro, os quais podem produzir carbonato de ferro (FeCO
3
– siderita) e sulfeto de ferro
(FeS – pirita, FeS
2
– troilita, pirrotita).
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3

2.2. Carbonato de Cálcio
O CaCO
3
pode ocorrer na forma de três polimorfos cristalinos: calcita, aragonita, e vaterita; ou em três fases
hidratadas: carbonato de cálcio amorfo, mono-hidratado (monohidrocalcita), e hexa-hidratado (ikaita). A calcita é a forma
mais amplamente encontrada e a que se apresenta como o maior problema para a garantia de escoamento. Em alguns
casos pode ocorrer a dolomitização, em que Mg
2+
, outro metal alcalino terroso, pode converter a calcita em dolomita,
formando CaMg(CO
3
)
2
(FRENIER E ZIAUDDIN, 2008), mas isso a nível de reservatório durante a gênese do meio
rochoso.
Quanto à formação de incrustação, além dos cristais de calcita pura, com seu sistema cristal romboédrico
característico, as diversas espécies dissolvidas na água oleosa podem influenciar o crescimento dos cristais, alterando
principalmente sua forma conforme apresentado na Figura 1.



Figura 1. Microscopia eletrônica. Calcita: (a) pura; (b) com impureza, Mg
2+
; (c) com impureza, SO
4

; (d) com
impureza, Mg
2+
e SO
4

; (e) com impureza, Mg
2+
e SO
4

em menor teor; (TRACY ET AL., 1998) [adaptada].

A seqüência química de formação do CaCO
3
é a seguinte (DAVIES E SCOTT, 2006):
1. Dióxido de carbono (CO
2
) dissolve-se na água (H
2
O) para formar ácido carbônico (H
2
CO
3
);
2. Ácido carbônico (H
2
CO
3
) dissocia-se em carbonato (CO
3
2–
) e bicarbonato (HCO
3

), o que reduz o pH;
3. Íons carbonato (CO
3
2–
) interagem com cálcio (Ca
2+
) para precipitar calcita (CaCO
3
).
A equação geral é:

Ca
2+
+ 2 HCO
3

↔ CaCO
3
+ H
2
O + CO
2
(1)

Com o avanço da produção há a consequente queda na pressão do reservatório, e como pode ser observado na
Tabela 1, a solubilidade da calcita diminui, favorecendo a deposição pelo desprendimento de CO
2
. Através do princípio
de LeChatelier observa-se que a medida que o CO
2
sai de solução o equilíbrio é deslocado para a direita, favorecendo
ainda mais a deposição. Esse fenômeno é conhecido como flashing (FRENIER E ZIAUDDIN, 2008).


3. Termodinâmica Simplificada de Solução Aquosa

Segundo FRENIER E ZIAUDDIN (2008) as constantes de equilíbrio são muito úteis para descrever o conceito
de solubilidade de um sal na água. Quando há íons em solução para formar sal em quantidade suficiente para que a
concentração desse sal seja superior ao valor de sua solubilidade na água, ocorrerá a formação de um sólido. Para os sais
a equação generalizada toma a forma:

M
m
X
x
(s) ↔ mM
z+
(aq) + xX
z–
(aq) (2)

e a constante de equilíbrio será dada por:

{ } { }
{ }
+ −
=
m x
z z
eq
m x
M X
K
M X
(3)
Por definição, a atividade de um sólido puro é igual a 1, então a constante de equilíbrio do sal passará a ser
representada apenas pelo produto entre as atividades dos íons formadores desse sal. Nesses casos é comum chamar a
constante de equilíbrio de produto de solubilidade (K
ps
, K
s
ou K
sp
), e a expressão torna-se:

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4
{ } { }
+ −
= =
m x
z z
eq sp
K K M X (4)

PLUMMER E BUSENBERG (1982), desenvolveram uma expressão para determinar a constante de solubilidade
para a calcita em função da temperatura (Equação 5), a qual é válida para a faixa de 0 a 90 °C. Segundo os autores os
valores estão em concordância com diversos trabalhos experimentais encontrados na literatura, e leva em consideração as
constantes de dissociação e a participação das diversas espécies envolvidas no processo de formação do carbonato de
cálcio, como o CO
2
, H
2
O, H
2
CO
3
e CaHCO
3
+
.

log K
calcita
= –171,9065 – 0,077993T + 2839,319/T + 71,595 log T (5)

A formação do sal carbonato de cálcio não é tão simples como indica a Equação 1, em que os íons Ca
2+
e CO
3
2–

interagem para formar o CaCO
3
. Como destacado por THOMPSON E POWNALL (1989), espécies em solução, como
H
+
, OH

, HCO
3

, CaOH
+
e CaHCO
3
+
, afetam a cinética de formação deste sal inorgânico.


4. Mecanismos de Nucleação e Incrustação

Segundo ELIMELECH ET AL. (1995) a agregação e a deposição de partículas suspensas são processos que
exigem uma etapa de transporte e uma etapa de adesão das partículas. A agregação envolve associação de partículas para
formar grupos maiores, e ocorre quando há movimentação das partículas que permitam colisões umas com as outras, o
que irá permitir a formação de um possível contato permanente entre elas. Já a deposição envolve anexação de partículas
em uma superfície, e ocorre quando há transporte e adesão de uma partícula a uma superfície. Pode ser considerada como
um caso extremo de hetero-agregação.
CRABTREE ET AL. (1999) pontuaram que para que uma incrustação se forme ela deve crescer da solução.
Desta forma foram propostos dois mecanismos de nucleação, o homogêneo e o heterogêneo. A nucleação homogênea é
originada quando há flutuações locais na concentração de equilíbrio em soluções supersaturadas, favorecendo a formação
de sementes cristais. Pequenas sementes tendem a dissolver, e grandes sementes tendem a crescer ainda mais pela
adsorção de mais íons em imperfeições das superfícies cristais. A energia livre de superfície diminui rapidamente com o
aumento do raio após um raio crítico ser excedido. A deposição em uma superfície pode ocorrer simultaneamente com
quaisquer das etapas do processo.
A nucleação heterogênea requer um sítio de nucleação, como defeitos nas superfícies dos dutos (rugosidade,
corrosão, defeitos por impactos, etc.), incrustações pré-existentes, perfurações nos liners de produção, juntas e costuras
em tubulações, válvulas, chokes, filtros, telas, etc.. A nucleação heterogênea é mais provável que a homogênea.


5. Fluidodinâmica Computacional Aplicada a Incrustação

A investigação do fenômeno da incrustação ainda é insipiente por meio do uso das técnicas de CFD.
Direcionando a busca na literatura para incrustação inorgânica, o acervo é ainda menor, e quando se trata de carbonato de
cálcio, é quase inexistente.
Citando alguns trabalhos relevantes, HOSSAIM ET AL. (2011) estudaram a dispersão e a deposição de
partículas em tubulações horizontais usando um modelo analítico de difusão turbulenta. Foram investigados os efeitos do
diâmetro de partícula, variando de 5 a 100 µm, os efeitos da densidade das partículas, variando de 1,5 a 6,0, e os efeitos
da velocidade do fluido. LOSURDO (2009) também deu contribuição relevante ao estudo da deposição de partículas
usando CFD, em que considerou a reologia visco-elástica nos modelos de impacto das partículas.
JASSIM ET AL. (2008) investigaram a deposição de hidratos em pipelines, com o objetivo de identificar onde o
bloqueio por hidrato seria mais provável de ocorrer, além de estudar os efeitos de alguns parâmetros, como a geometria
do orifício pelo qual o fluido escoa no interior do tubo, composição do gás, comportamento do gás real, e condições de
contorno no sítio de aglomeração. Também era objetivo do trabalho validar os resultados numéricos com dados
experimentais obtidos da literatura. Outros pesquisadores também deram atenção a modelagem da formação de hidratos,
como LO (2011), BALAKIN (2010) e ANDERSEN (2007).
Simulações de deposição de asfalteno em pipelines submarinos foram realizadas por ZHU ET AL. (2010). O
trabalho focou a investigação da taxa de deposição e a influência da deposição de asfalteno nas propriedades de fluxo.
Geometria de fluxo, velocidade de escoamento do óleo pesado, pressão e temperatura foram consideradas na análise do
problema.
WEI E GARSIDE (1997) e BALDYGA E ORCIUCH (2001) pesquisaram sobre a deposição de barita (BaSO
4
).
Os primeiros investigaram dispositivos de mistura a jato, e os últimos realizaram simulações numéricas e experimentos
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5
para o escoamento em tubos. O trabalho de BALDYGA E ORCIUCH (2001) determinou o tamanho médio das partículas,
a distribuição de concentração do número de partículas, e a evolução do volume médio dos cristais, todos os parâmetros
em função do número de Reynolds.


6. Metodologia

Nesta seção será apresentada a metodologia empregada no desenvolvimento do presente trabalho, sendo
destacada a modelagem, as condições operacionais investigadas e os aspectos numéricos envolvidos nas simulações.

6.1. Modelagem
As equações que regem o escoamento de um fluido Newtoniano são apresentadas a seguir na forma
bidimensional, hipótese simplificadora adotada neste estudo visando a redução do esforço computacional. A equação da
conservação da massa, para um escoamento incompressível, permanente, em regime laminar, pode ser escrita como:

( (( ( ) )) ) ( (( ( ) )) )
0
x y
v v
t x y
ρ ρρ ρ
ρ ρ ρ ρ ρ ρ ρ ρ
∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
+ + = + + = + + = + + =
∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
(6)


E a equação da conservação da quantidade de movimento, para fluido incompressível em regime laminar, é:

2 2
2 2
2 2
2 2
x x x x x
x y x
y y y y y
x y y
v v v v v p
v v g
t x y x x y
v v v v v
p
v v g
t x y y x y
ρ µ ρ ρ µ ρ ρ µ ρ ρ µ ρ
ρ µ ρ ρ µ ρ ρ µ ρ ρ µ ρ
( ( ( ( ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ | | | | | | | | ∂ ∂∂ ∂
+ + = − + + + + + = − + + + + + = − + + + + + = − + + +
( ( ( ( | | | |
∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
\ ¹ \ ¹ \ ¹ \ ¹ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸
( ( ( ( ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ | | | | | | | | ∂ ∂∂ ∂
+ + = − + + + + + = − + + + + + = − + + + + + = − + + + ( ( ( ( | | | |
∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
( ( ( ( \ ¹ \ ¹ \ ¹ \ ¹
¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸
(7)


Para um escoamento turbulento, e utilizando-se o modelo k-ε, a equação do transporte de energia cinética, k, e a
taxa de dissipação ε, podem ser escritas como:

( ) ( )
t
i
i j j
u G
t x x x
κ κκ κ
κ κκ κ
µ µµ µ κ κκ κ
ρκ ρκ µ ρε ρκ ρκ µ ρε ρκ ρκ µ ρε ρκ ρκ µ ρε
σ σσ σ
( ( ( (
| | | | | | | | ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
+ = + + − + = + + − + = + + − + = + + −
( ( ( ( | | | |
∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
( ( ( ( \ ¹ \ ¹ \ ¹ \ ¹
¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸
(8)

2
1 2
( ) ( ) ( )
t
i k
i j j
u C G C
t x x x k k
ε ε ε ε ε ε ε ε
κ κκ κ
µ µµ µ ε ε ε ε ε ε ε ε ε ε ε ε
ρε ρε µ ρ ρε ρε µ ρ ρε ρε µ ρ ρε ρε µ ρ
σ σσ σ
( ( ( (
| | | | | | | | ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
+ = + + − + = + + − + = + + − + = + + −
( ( ( ( | | | |
∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂ ∂
( ( ( ( \ ¹ \ ¹ \ ¹ \ ¹
¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸
(9)


em que C

e C

são constantes, G
k
é um termo de geração de energia cinética turbulenta devido ao gradiente de
velocidades, e σ
ε
e σ
k
são os números turbulentos de Prandtl para ε e k respectivamente.
A concentração do CO
2
dissolvido varia com a pressão do sistema conforme Equação 10.
2
dissolvido
CO 1
sist
sat
P
P
= − = − = − = − ( ( ( (
¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸ ¸
(10)


Assim, com o aumento da perda de carga do sistema, a concentração de CO
2
na forma dissolvida diminui. Para o
cálculo da pressão de saturação, utilizou-se a equação de Antoine (Equação 11) devido à alta pressão do sistema. Assim a
equação de Antoine foi resolvida para todas as células da malha computacional e a cada passo de tempo, sendo seus
parâmetros: A=7,8101; B=987,44 e C=290 determinados a partir de dados extraídos da literatura.

log
sat
B
P A
T C
= − = − = − = −
+ ++ +
(11)


Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
6
Com a diminuição da concentração de CO
2
dissolvido, o equilíbrio químico da Equação 1 fica deslocado de
forma a produzir um adicional de CaCO
3
no sistema. Esse adicional de CaCO
3
é suficiente para ultrapassar a solubilidade
máxima da calcita, assim ocorre a precipitação de partículas. A solubilidade da calcita foi calculada segundo Equação 5.
Visando aproximar o fenômeno da nucleação do CaCO
3
, as partículas foram precipitadas a uma vazão mássica
igual à quantidade de massa que atinge a supersaturação do sistema; considerou-se o diâmetro de 50 micras sendo o
modelo DPM (discrete phase model) empregado para o transporte das partículas em meio ao escoamento. Foi utilizada
uma condição de contorno nas paredes da tubulação, visando determinar a massa incrustada calculada segundo a equação,
sendo considerado o acúmulo de massa em função da área superficial.

1
Npartículas
p
incrustação
p face
m
R
A
= == =
= == =
∑ ∑∑ ∑
& && &
(12)


6.2. Condições Operacionais
Foram simulados cinco casos, vide a Tabela 2, contemplando a variação do número de Reynolds, do diâmetro da
tubulação e da vazão do sistema. Destaca-se que o Caso 5 adota os mesmos parâmetros do Caso 3, mas as condições
foram testadas com um layout diferenciado para investigar o efeito da gravidade. Os valores de concentração das espécies
químicas envolvidas estão apresentados em kg/m
3
.

Tabela 2. Sumário dos casos simulados.

Caso
Diâmetro da
tubulação
Vazão Reynolds
[CO
2
]
inicial
[CaCO
3
]
inicial
[HCO
3

]
inicial
[Ca
2+
]
inicial
Caso 1 4 pol 2000 bpd 4,64E+04 5,452E-03 1,24E-03 9,00E-02 9,00E-02
Caso 2 4 pol 5000 bpd 1,16E+05 5,452E-03 1,24E-03 9,00E-02 9,00E-02
Caso 3 5 pol 2000 bpd 3,71E+04 5,452E-03 1,24E-03 9,00E-02 9,00E-02
Caso 4 5 pol 5000 bpd 9,28E+04 5,452E-03 1,24E-03 9,00E-02 9,00E-02
Caso 5 5 pol 2000 bpd 3,71E+04 5,452E-03 1,24E-03 9,00E-02 9,00E-02

6.3. Geometria e Malha
A geometria estudada trata de uma simplificação bidimensional para representar o poço como mostra a Figura 2.
A tubulação é caracterizada por um arranjo do tipo pressure jump, o que causa um decréscimo de pressão conhecido. O
fluido com propriedades constantes entra pela face esquerda e atravessa a condição de pressure jump, o que causa uma
redução na pressão de 90 bar.



Figura 2. Esquema da geometria e da malha utilizadas na simulação.

Ainda na Figura 2, D é o diâmetro da tubulação, a entrada possui comprimento de 1 metro, e a secção após o
pressure jump possui comprimento de 10 metros. Identifica-se ainda a malha computacional gerada em detalhe, onde é
observado um refinamento na borda nas fronteiras do domínio, considerando uma condição de camada limite.
Ao invés de se apresentar a extensão real de um poço em produção adotou-se uma hipótese simplificadora de um
termo fonte de queda de pressão (pressure jump) que promoveria no sistema uma redução na pressão do sistema de 90
bar. Esta queda de pressão seria suficiente para impactar na pressão de dissolução do CO
2
, forçando-o a deixar a fase
líquida e causando a alteração do equilíbrio químico representado na Equação 1, resultando na precipitação de CaCO
3
que
foi avaliada em uma seção de 10 metros de extensão. O fato de a seção ser compacta (10 m) está justificado pelo fato de
todo o CO
2
ter sido liberado e todo carbonato precipitado, sendo assim avaliados os efeitos da turbulência, do campo
gravitacional e do modelo de incrustação.

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7
6.4. Parâmetros Numéricos
O código computacional empregado, FLUENT
®
do pacote ANSYS13
®
, utiliza a técnica baseada em volumes
finitos com arranjo co-localizado das variáveis para converter as equações governantes, (6) a (9), em equações algébricas
que são resolvidas numericamente usando método de solução segregado.
A malha representada na Figura 2 é composta por elementos retangulares, com refinamento na região próxima as
paredes, sendo utilizados 50.875 volumes de controle.
Como parâmetros numéricos para o acoplamento pressão-velocidade foi empregado o algoritmo SIMPLE
(Pressure Implicity with Splitting of Operators) e para a discretização do sistema foram empregados o algoritmo up-wind
de 1ª ordem. Os valores dos resíduos foram normalizados através da divisão pelo valor máximo do resíduo após vinte
iterações (padrão do código computacional adotado). O critério de convergência adotado implica que os resíduos
normalizados são menores que 10
-5
.


7. Resultados e Discussões

Nesta seção estão apresentados os principais resultados obtidos nas simulações e as respectivas discussões que
visam complementar o entendimento do fenômeno da precipitação e incrustação de carbonatos no interior de poços e
dutos. Conforme a Figura 03 tem-se a representação do avanço da incrustação com o tempo, sendo que na seção inferior
para o Caso 01, observa-se que o crescimento da espessura da camada incrustada é linearmente proporcional ao tempo.
Com o avanço do tempo simulado, é notável a tendência de mudança no coeficiente angular da reta. Essa mudança nos
primeiros 40% do comprimento investigado está associada ao fato da gravidade influenciar grande parte da massa de
partículas para a seção inferior do poço, intensificando a incrustação no início do mesmo, e consequentemente reduzindo
a extensão de tubo que passará pelo processo de incrustação.



Figura 3: Avanço da incrustação com o tempo na seção inferior do poço (Caso 1).

Analisando os Casos 2 e 3, observa-se através da Figura 04 o comportamento da incrustação na seção inferior do
poço horizontal com a variação do número de Reynolds. É possível perceber que o aumento do número de Reynolds torna
a incrustação mais uniforme, desse modo prolongando comprimento do poço sob efeito da incrustação. Esse fato se deve
a preponderância do escoamento turbulento sobre o efeito do campo gravitacional nas partículas. Observa-se ainda que o
acréscimo no número de Reynolds aumenta a espessura incrustada, considerando que para tanto a vazão do escoamento
tornou-se maior, sendo desta forma uma quantidade superior de partículas para que sejam mantidas as mesmas condições
de concentração.

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Figura 04: Variação da incrustação com o tempo na seção inferior do poço (Casos 2 e 3).

Os resultados obtidos para o Caso 5 são apresentados na Figura 05, na qual indica o avanço da incrustação na
seção inferior do poço; sendo que este caso possui as mesmas condições operacionais do Caso 3, porém apresenta a
particularidade de desconsiderar o efeito transversal da gravidade ao longo do fluxo (aproximação por um poço vertical).
Dessa forma é possível observar que a incrustação torna-se mais uniforme ao longo do duto, e que a extensão do
comprimento afetado pela incrustação é maior do que quando a ação gravidade atua transversalmente ao fluxo.



Figura 05. Avanço da incrustação com o tempo, sem o efeito da gravidade atuando transversalmente ao fluxo (Caso 5).

De forma mais objetiva, ressalta-se a comparação do efeito da gravidade para uma mesma condição de
escoamento, sendo o Caso 3 onde a gravidade atua transversalmente ao fluxo e o Caso 5 onde a gravidade não atua
transversalmente. Observa-se o efeito da maior incrustação no interior do poço no Caso 3, sendo desta forma de seis a oito
vezes superiores aos resultados obtidos para o Caso 5.

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Figura 06: Averiguação do efeito da gravidade.

Destaca-se que os resultados obtidos para o Caso 4 sempre se mostraram de forma intermediária, sendo a sua
representação suprimida das figuras a fim de facilitar a interpretação das mesmas e das tendências por estas apresentadas.


8. Conclusão

Conforme resultados apresentados podem-se ressaltar os seguintes aspectos a respeito da precipitação e
incrustação carbonática em poços sob condições de elevada temperatura (80ºC) e alta pressão (10 a 100 bar).
• Foi possível modelar e simular o transporte turbulento de espécies químicas considerando o efeito da pressão
sobre o equilíbrio químico do sistema carbonático.
• A turbulência no sistema promove uma flutuação na espessura da incrustação ao longo da extensão do poço
horizontal, pode-se observar também que o aumento da turbulência promove um aumento tanto da espessura
incrustada quanto no comprimento do poço afetado.
• A ação da gravidade atuando transversalmente ao sentido do escoamento, influencia fortemente na espessura da
incrustação ao longo da extensão do poço. Sendo que nas condições investigadas, as maiores incrustações
ocorreram na região inicial de entrada do poço.
• Nas condições investigadas observou-se uma variação linearmente proporcional da espessura da incrustação com
o tempo, contudo estima-se que para elevados tempos esta tendência possa não se confirmar sendo necessária a
realização de simulações adicionais a cerca desta condição.


9. Referências Bibliográficas

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