IBP2009_12 ANÁLISE DE ESTABILIDADE DA ENCOSTA COSTA DO NAVIO NA FAIXA OSBAT ATRAVÉS DE INSTRUMENTAÇÃO GEOTÉCNICA Elidio Nunes Vieira1, Raimundo

Ronaldo Batista da Silva 2

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Este trabalho apresenta a análise do comportamento e das condições de segurança e estabilidade através de monitoramento e instrumentação geotécnica da encosta conhecida como Costa do Navio na faixa de dutos OSBAT, com aproximadamente 121 Km de extensão, e responsável pelo transporte de petróleo entre o Terminal Aquaviário de São Sebastião (TEBAR) e a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) em Cubatão, no estado de São Paulo. O OSBAT atravessa regiões extremamente acidentadas e suscetíveis eventos geológico-geotécnicos. Os resultados mostram que na encosta Costa do Navio I, foi identificado deslocamentos crescentes ao longo da profundidde e detectado profundidades onde ocorrem deslocamentos preferenciais, indicando zonas de movimentações associadas à superfícies potenciais de escorregamentos. Na encosta Costa do Navio II, foi identificado deslocamentos crescentes de baixo para cima e detectado variações significativas de deslocamentos atribuídos à passagem do equipamento de escavação utilizado para a execução das obras no local. Também foi identificada uma zona de movimentação acima de 4,0 m de profundidade, que pode estar associada a uma superfície de escorregamento potencial. E na encosta Costa do Navio III ao longo da profundidade é perceptível a ocorrência de deslocamentos e distorções. Pode-se concluir que as encostas estudadas apresentam superfícies preferenciais de rupturas bem definidas, que podem causar riscos a integridade do duto OSBAT. E que são necessárias obras geotécnicas que possam promover a diminuam as solicitações e aumentem a resistência dos maciços envolvidos. Com instalação de drenos e obras de contenção.

Abstract
This paper presents the analysis of the behavior and conditions of security and stability through geotechnical instrumentation and monitoring of the slope known as the Costa ship in the range of products OSBAT, approximately 121 km long, and responsible for the transport of oil between the Waterway Terminal San Sebastian (TEBAR) and Presidente Bernardes Refinery (RPBC) in Cubatao, state of São Paulo. The extremely rugged OSBAT across regions and geological and geotechnical likely events. The results show that the slope Coast vessel I was identified increasing displacement along the profundidde detected and preferred depths where displacements occur, indicating areas of movements associated with the surface potential of slippage. On the hillside Coast Ship II, was identified offsets increasing from bottom to top and detected significant variations of displacements attributed to the passage of excavating equipment used for the execution of works on site. They also identified a region of movement greater than 4.0 m deep, which may be associated with a sliding surface potential. And on the side of the ship Costa III along the depth is noticeable the occurrence of dislocations and distortions. It can be concluded that the hillsides surfaces studied showed well-defined preferred disruptions, which may cause risks to pipeline integrity OSBAT. And they are necessary geotechnical works that can promote the requests decrease and increase the resistance of the mass involved. With installation of drains and containment works.

______________________________ 1 Engenheiro Civil – ACV Tecline Engenharia Ltda. 2 Técnico de faixa de dutos– Petrobras Transportes S/A.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

1. Introdução
1.1. Importância da Instrumentação Geotécnica Segundo Machado (1990), citado por Vieira (2012), a instrumentação geotécnica teve seu início entre os anos de 1930 e 1940, nessa época foram empregados instrumentos mecânicos e hidráulicos. Nos últimos anos o surgimento de equipamentos baseados em princípios elétricos, tornou a sua aplicação mais corriqueira. Vieira (2012) ressalta a importância da instrumentação geotécnica em obras de engenharia, e comenta que sua utilização é justificada pelos riscos de ruptura de taludes, escorregamentos, deslizamentos e percolação excessiva de água, os quais podem acarretar em danos ou até ruína total ou parcial de obras instaladas em lugares íngremes. Segundo o mesmo autor, a instrumentação permite o monitoramento, e o acompanhamento do comportamento do maciço local durante e até mesmo ao longo da vida útil da obra, bem como a avaliação das condições de segurança e integridade e para que seja possível realização de intervenções corretivas. As obras de engenharia podem causar grandes acidentes, por estarem instaladas em lugares em que o garante nas condições de construção não oferecem condições seguras par operação. É o caso de obras executadas sobre massa de solo em instabilidade. A massa de solo em instabilidade pode facilmente se deslocar. Caso essa massa desloque sob um movimento rápido, a sua previa será difícil, entretanto, em muitas regiões acidentadas podem existir movimentações de lenta como escorregamentos. Neste caso, surge a utilização de instrumentação para identificação de deslocamentos, superficiais e profundos de encostas através de inclinômetros. Outras instrumentações fazem-se necessárias para o estabelecimento de processo de acompanhamento e avaliação permanentes do comportamento dos movimentos do solo. Além das inspeções visuais periódicas, a instrumentação por medidores de níveis d’água, respectivas pressões em que a água está submetida no interior dos solos. As águas influenciam diretamente nas características do solo que conferem capacidade de suporte e estabilidade de taludes e encostas. Segundo Vieira (2012) A água no terreno provoca redução da resistência dos solos e aumento de pressões neutras, causando assim mudanças nas características e comportamentos geotécnicos e, por sua vez, causando deslocamentos e movimentos de massa de solo, tornando necessária, a medição de níveis d’água com piezômetros. Dentro dos conceitos apresentados, pode-se dizer que a estabilidade de uma encosta depende de diversos fatores a que está submetida, tais como características de resistência, deformabilidade, condições de drenagem e permeabilidade do solo, velocidade dos deslocamentos, altura de nível d’água e profundidades das superfícies criticas. Nesse contexto, a instrumentação geotécnica é de fundamental importância, pois associado a sondagens e ensaios de laboratório, permitirão a caracterização e identificação desses fatores e a análise associada e correlacionada deles possibilitarão o controle das condições de estabilidade e a adequada intervenção. A instrumentação geotécnica visa, responder questões de aspectos do comportamento dos solos envolvidos, face às interferências causadas pelos mais variados fatores, como construção de obras, tornando-se indispensável a sua utilização quando obras são instaladas em lugares em que o comportamento do solo é uma incógnita.

1.2. Objetivos Este trabalho tem por objetivo fazer a análise do comportamento geotécnico e das condições de segurança e estabilidade através dados de instrumentação geotécnica da encosta conhecida como Costa do Navio na faixa de dutos OSBAT da Transpetro (Petrobras Transportes S/A.).

2. Caracterização da área em estudo
2.1. A faixa de dutos OSBAT OSBAT é a faixa de dutos responsável pelo transporte de petróleo entre o Terminal Aquaviário São Sebastião (TEBAR) e a Refinaria Presidente Bernardes (RPBC) na cidade de Cubatão no estado de São Paulo. Possui um duto de 24´´ e aproximadamente 121 Km de extensão. Grande parte dessa faixa está desenvolvida em terrenos do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM), unidade de conservação integral cuja gestão é de responsabilidade da Fundação Florestal da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Essa faixa é caracterizada por atravessar, em seu trecho inicial, regiões extremamente acidentadas e suscetíveis a eventos geológico-geotécnicos, como escorregamentos, deslizamentos, rastejos, quedas de taludes e corridas de detritos, em sua região mais ao norte do estado. Em seu trecho final o OSBAT atravessa regiões pantanosas, regiões costeiras protegidas e de transição entre o mar e o continente (estuários, lagunas e planícies de maré) e regiões de mangues quando próximos aos municípios de Guarujá, Santos e Cubatão. Por estarem em ambientes de baixa energia, os solos de mangues apresentam, normalmente, predominância das frações mais finas (argila e silte), elevadas quantidades de matéria orgânica e de sais solúveis em decorrência do contato com o mar, apresentado cores acinzentadas a pretas, com presença de H2S, fracamente consolidados e podendo atingir vários metros de 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 profundidade (Cintrón & Schaeffer-Novelli,1981). Este estudo está concentrado na região inicial da faixa de dutos OSBAT, por serrem bastante acidentadas e apresentar probabilidade maior de apresentar movimentos gravitacionais de massa. 2.2. Características geológico-geotécnicas da região O local de estudo insere-se no contexto geológico e geomorfológico da Província Costeira, área que compreende a serrania Costeira e a Planície Litorânea. A estratigrafia da região é composta por terrenos pré-cambrianos, além de corpos graníticos intrusivos paleozóicos e sedimentos quaternários. Estas unidades geológicas constituem domínios geomorfológicos característicos, compreendidos pela Planície Litorânea, Zona de Transição e Encostas da Serra do Mar. A Planície Litorânea, terreno caracteristicamente com baixa declividade, é subdividida em terraços marinhos, planícies fluviais e mangues. A atividade da placa Sul-Americana, que começou com a quebra do Gondwana e perdura até a atualidade, é responsável pelos depósitos quaternários. A Zona de Transição é formada por depósitos de encosta, e também por morros isolados. Os litotipos presentes nos depósitos de encosta incluem sedimentos quaternários (rampas de colúvio e corpos de tálus), ambos caracterizados pelo acúmulo de material detrítico. Fazem parte ainda da zona de transição os corpos graníticogranodioríticos que se manifestam na forma de morros isolados. As encostas da Serra do Mar compreendem o domínio geomorfológico da Serrania Costeira, que é representada por terrenos de escarpas abruptas e festonadas que ocorrem ao longo da borda do Planalto Atlântico, sendo constituída pelas unidades rochosas pré-cambrianas. O capeamento de solo nas encostas da Serra do Mar é geralmente pouco espesso, com uma dinâmica evolutiva marcada pela remoção dos materiais de alteração das encostas basicamente pela ação do rastejo, escorregamento e queda de blocos, sendo que a ação do escoamento pluvial laminar e concentrado é dificultada pela cobertura vegetal. O perfil de alteração presente nessas encostas pode ser caracterizado, de uma maneira geral, com base em WOLLE (1981) e HESSING (1976), conforme apresentado a seguir: • Solo superficial: de extensão generalizada, geralmente pouco espesso (via de regra, um metro), apresenta textura diferenciada de local para local, em função do litotipo dominante. Em regiões com predominância de rochas gnáissicas ou graníticas, o solo apresenta textura bastante arenosa. Em regiões onde predominam rochas mais xistosas, mostrase mais argiloso e siltoso. A coloração é geralmente castanha, amarelada ou avermelhada. Apresenta-se com elevada freqüência de fendas abertas, resultantes da ação do rastejo, de microescorregamentos ou de tombamento de árvores. Classifica-se também como solo residual maduro ou como solo coluvionar ou coluvião, dependendo de sua origem in situ ou transportada, respectivamente. Apresentam em seu estado natural, ângulos de atrito interno elevados, geralmente superiores a 30°. • Solo de alteração de rocha, “residual jovem” ou solo saprolítico: constitui-se por grãos de quartzo e feldspato alterado, com mica, sendo predominantemente arenoargiloso em regiões gnáissicas e graníticas, e silto-argiloso em regiões de rochas existosas. Apresenta cores variadas, nas tonalidades avermelhadas e arroxeadas. Sua estrutura é maciça, embora apresente vestígios da foliação e demais planos de fraqueza da rocha de origem. A espessura é muito variável (de menos de um metro a mais de uma dezena de metros). A permeabilidade é condicionada tanto pela matriz do solo, geralmente da ordem de 10-4 cm/s, quanto pelo sistema de descontinuidades geralmente presentes, o que confere ao conjunto uma condutividade hidráulica elevada. Sua resistência ao cisalhamento é muito errática, devido às feições estruturais e aos núcleos menos intemperizados. No entanto, para fins dos movimentos de massas, a resistência é ditada pela “matriz”, uma vez que as descontinuidades e os núcleos mais resistentes acabam imersos na massa e contornados pelas superfícies de movimentação. Apresenta elevado ângulo de atrito interno, geralmente em torno de 40°, e sua coesão também é controlada pela sucção intersticial (tensões de sucção). • Horizonte de transição (ou saprolito): caracteriza-se por ser constituído de núcleos de rocha (desde muito alterada até sã) envoltos por material de alteração geralmente em estado fofo. Em encostas íngremes geralmente apresenta movimento por rastejo, abrindo descontinuidades e conferindo-lhe uma permeabilidade elevada. As espessuras são bastante variáveis, podendo ser ausente no perfil ou atingir até 20 m. Geralmente aflora em trechos muito íngremes das encostas (55º a 60º) já desprovidos de cobertura ou em cicatrizes de escorregamentos. • Maciço rochoso: apresenta-se com características de alteração muito variáveis em profundidade, ocorrendo alternância de trechos totalmente alterados com outros em que a rocha é pouco alterada até sã. Até cerca de 50 m, aponta-se geralmente um intenso fraturamento do maciço. Existem diversos tipos de instabilizações verificados em encostas naturais e na região da Serra do Mar, WOLLE & CARVALHO (1994) utilizam uma classificação com enfoque de caráter regional, utilizando pequenas adaptações à classificação de VARGAS (1985) para que possa abranger todos os tipos de instabilizações observados na região da Serra do Mar, conforme apresentado na Tabela 1. 3

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Tabela 1: Classificação dos fenômenos de instabilização de encostas. (modificado de VARGAS, 1985).
Classificação Movimentos “plásticos” ou “Viscosos” lentos. Rastejo (creep) Movimentos de Talus Escorregamentos translacionais (planares) Escorregamento em solo Escorregamentos rotacionais Deslizamento de cunhas e lascas Escorregamentos estruturados em rocha e saprolito Escorregamentos estruturados Queda de blocos Avalanches Avalanches estruturados Corridas de massas (lama, blocos...) Modo Movimentos lentos mobilizando apenas parte da resistência ao cisalhamento. Movimento de tálus Movimentos contínuos ou intermitentes em acumulações detríticas. Deslizamento de delgados horizontes de capas superficiais de solos residuais Escorregamento em solo. Idem, porém mais espessos, às vezes contendo matacões. Deslizamentos ao longo de descontinuidades Idem aos escorregamentos rotacionais, mas envolvendo rocha muito fraturada Queda de blocos e rolamento de matacões A partir de escorregamentos ou deslocamentos de blocos nas encostas Escoamentos rápidos de massas ao longo das drenagens Ocorrência Movimento constante ou intermitente, acelerado durante períodos de chuvas. Movimentos detonados por escavações no pé ou sobrecargas no topo, na época das chuvas. Rupturas súbitas durante chuvas intensas com precipitações >100mm/dias, durante períodos chuvosos..

Rupturas súbitas durante ou após chuvas com precipitações > 100mm/dias, durante períodos chuvosos

Podem ocorrer durante chuvas intensas > 50mm/hora, nos períodos chuvosos dos anos mais chuvosos.

2.3. Região estudada O presente trabalho analisa uma região entre as tantas instrumentadas, conhecida como Costa do Navio, inserida dentro da parte acidentada da faixa de duto OSBAT, no trecho compreendido entre os km 9+000 e km 10+800 da faixa, no município de São Sebastião-SP. A Figura 1 mostra a localização da região. A região instrumentada foi dividida em três encostas, região onde passa a faixa, compreendida entre as coordenadas geográficas UMT N-7.365.078,436; E450.515,493 e N- 7.364.751,85 ; E- 449.931,48 , são elas: Costa do Navio I: encosta na região do Km 9+500 da faixa de dutos OSBAT; Costa do Navio II: encosta na região do Km 10+000 da faixa de dutos OSBAT; Costa do Navio III: encosta na região do 10+600 da faixa de dutos OSBAT.

RPBC

OSBAT

TEBAR

Região Estudada

Figura 1: Localização da região estudada, na faixa de dutos OSBAT , município de São Sebastião-SP.

3. Materiais e métodos
3.1. Monitoramento de nível d’água com piezômetros Piezômetros são instrumentos simples utilizados para medir pressões neutras no interior dos solos, desenvolvido por Casa Grande durante a construção do aeroporto de Logan em Boston (Dunnicliff, 1988). São instrumentos fáceis de instalar, de baixo custo de instalação e manutenção e oferece bons resultados. Trata-se de um tubo de PVC instalado no solo, com areia em sua extremidade inferior (parte externa e interna), e preenchido a partir do ponto de medição com calda de cimento até a boca para que haja operação hidraulicamente isolada. A leitura da pressão da água no interior do tubo é feita descendo-se um cabo elétrico com dois condutores, gradualmente. Na extremidade do cabo existe um sensor, ao atingir o nível d’água no interior do tubo, o circuito elétrico é fechado, com o tamanho do cabo mede-se a diferença de cota entre o terreno e o nível da água, com a cota do terreno descobre-se o a cota do nível d’água e pressões neutras. São 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 instrumentos importantes utilizados para controle da estabilidade dos maciços, pois a presença de água diminui as resistências dos solos.

Figura 2: Desenho esquemático dos piezômetros utilizados. 3.2. Monitoramento de deslocamentos com inclinômetros Inclinômetros são instrumentos medidores de deslocamentos horizontais no maciço em superfície e no seu interior. É utilizado extensivamente para medição e registros de deslocamentos horizontais de um determinado ponto no interior do maciço. É uma forma de avaliar a estabilidade do talude ou encosta. Mede deformações e deslocamentos de solo e também detecta regiões de concentração de deformações, ou seja, superfícies potenciais de ruptura.Trata-se de um conjunto de tubos plasticos confeccionados especialmente, com ranhuras internas, diametralmente opostas, montados atraves de luvas telescópicas em posiçõa subvertical. É instalado em um furo de sondagem, até profundidade suficiente para atravessar a zona de escorregamento e ancorar-se. Nesse tubo de quatro ranhuras instala-se um instrumento de leitura de haste cilindrica denominada torpedo, dotado de um pendulo em seu interior que mede com grande precissão a inclinação em relação aos deslocamentos e, portanto, a inclinação do tubo no ponto considerado.

Figura 3: Desenho esquemático dos inclinômetros utilizados.

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4. Resultados e discussões
4.1 Costa do Navio I – Km 9+500 da faixa OSBAT Este local denominado como Costa do Navio I, cuja coordenada de referência é N 7.365.068,971; E 450.447,703. Para monitoramento dessa área foram instalados 3 (oito) piezômetros, 12 inclinômetros e três medidores de nível d’água em pontos estratégicos. A Figura 4 mostra os principais instrumentos. As instrumentações em análise nesse trabalho são referentes a o período compreendido entre 1988 e 2011.

Figura 4: Localização da Costa do Navio I (OSBAT Km 9+500), e os principais instrumentos de monitoramento. Nessa região foi identificado a abertura de vala alívio de tensões no oleoduto na região do Costão do Navio queI provocou acréscimos de deslocamentos nos inclinômetros INC-6 e INC-8, devido à proximidade destes à vala. Além disso, nas proximidades foi executado um da faixa de dutos que também contribuiu para os deslocamentos observados. Também foi encontrado nesse região obras de estabilização em muro de gabiões com contrafortes na direção dos inclinômetros INC-1 e INC-5; estrutura de captação (bueiro) e dissipação de duas drenagens perenes, próximas ao INC-7; treze drenos profundos (DHP’s) na área compreendida entre as seções transversais dos inclinômetros INC-1, INC-5 e INC-4. No topo dos inclinômetros foram encontrados velocidades de deslocamentos que variam entre 0,11mm a 2,1 mm, sendo que os maiores deslocamentos foram observados no inclinômetros INC-6, INC-10, e os menores nos inclinômetros INC-2 e INC-3. Ao longo da profundidade os inclinômetros INC-1 ao INC-8 apresentaram deslocamentos crescentes de baixo para cima e a maioria dos inclinômetros. detectou profundidades onde ocorrem deslocamentos preferenciais, indicando zonas de movimentações cisalhantes associadas à superfícies de escorregamentos potenciais. Em termos de deslocamentos totais (acumulados entre os anos de 1988 e 2011), os inclinômetro que apresentaram maiores deslocamentos foram o INC-7 (176,5mm) e INC-2 (110,6mm), os que apresentaram menores deslocamentos totais foram os inclinômetros INC-3 (12,1mm) e INC-8A (28,8mm). Os resultados de leituras dos inclinômetros mostram a tendência de deslocamentos e uma possível zona de distorção em que se concentram as tensões e uma superfície potencial de ruptura, variando entre 2 m e 5 m (na maioria dos inclinômetro) e entre 7 m e 17,5 m (nos inclinômetros INC-2, INC-4 e INC-7) (ver Figura 5). Os medidores de níveis d’água mostram que aconteceu uma queda dos níveis nos últimos anos. Entre os drenos instalados a montante da rodovia, 6 apresentaram vazões mensuráveis totalizaram 6,20 l/min, com vazões médias de 1,03 l/min, 10 se encontram secos e 6 apresentavam apenas gotejamento. Entre os instalados a jusante rodovia, 34 apresentaram vazões mensuráveis totalizaram 74,79 l/min, com média de 1,29 l/min, 11 se encontram secos e 68 apresentavam apenas gotejamento.

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a) INC-1-Direção A

b) INC-2 –Direção A

c) INC-5 –Direção B

Figura 5: Deslocamentos em profundidade, inclinômetros INC-1, INC-2 e INC-5, mostrando que as concentrações distorções e superfície potencial de ruptura estão a 2m, 8m e 5m de profundidade respectivamente. 4.2 Costa do Navio II - Km 10+000 da faixa OSBAT Este local, denominado Costa do Navio II, cuja coordenada de referência é N- 7.364.898,648; E- 450.106,433. Para monitoramento dessa área foram instalados 3 piezômetros e 6 inclinômetros em pontos estratégicos. A Figura 6 mostra os principais instrumentos instalados nesse local.

Figura 6: Localização da região Costa do Navio II, e os principais instrumentos de monitoramento, na faixa OSBAT Km 10+000. No topo dos inclinômetros foram encontrados velocidades de deslocamentos que variam entre 0,05mm/ano a 1,73 mm/ano, sendo que os menores deslocamentos foram observados no inclinômetro INC-1, e os maiores no inclinômetro INC-4. Ao longo da profundidade todos os inclinômetros apresentaram deslocamentos crescentes de baixo para cima e o INC-2 e o INC-3 detectaram variações significativas de deslocamentos atribuídos à passagem do equipamento de escavação utilizado para a execução das obras de substituição do oleoduto no local. Em termos de deslocamentos totais (acumulados entre os anos de 1988 e 2011), o inclinômetro que apresentou maior deslocamento foi o INC-3 (130,6mm) e os que apresentou menor deslocamento total foi o inclinômetro INC-4 (6,8mm). Os resultados de leituras dos inclinômetros mostram a tendência de deslocamentos e uma possível zona de distorção em que se concentram as tensões e 7

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 uma superfície potencial de ruptura, concentrada na profundidade entre 3 m e 7 m. Os medidores de nível d’água são lidos com a mesma freqüência dos inclinômetros, mas neste caso como as suas variações de leituras são sazonais, crescendo e decrescendo em função da posição do lençol freático, não é possível afirmar quais foram as suas maiores e menores cotas no período em análise.

a) INC-3- Direção A

b) INC-2 – Direção A

Figura 7: Deslocamentos em profundidade inclinômetros INC-1 e INC-2, mostrando a superfície potencial de ruptura entre 3 m e 4m de profundidade. 4.3 Costa do Navio III - Km 10+600 da faixa OSBAT Este local, denominado como Costa do Navio III, cuja coordenada de referência é N- 7.364.787,210; E449.947,384. Para monitoramento dessa área foram instalados 2 piezômetros e 4 inclinômetros.

Figura 8: Localização da região Costa do Navio III, e os principais instrumentos de monitoramento, na faixa OSBAT Km 10+600. A análise dos resultados dos inclinômetros instalados no Costão do Navio III permite verificar que não há indícios de instabilização na área que possam colocar em risco a faixa do oleoduto da Transpetro nos locais instrumentados. 8

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Destaca-se que no local onde ocorreu um pequeno escorregamento superficial, nas proximidades do INC-1, a Transpetro iniciou a execução de uma obra de contenção. O objetivo desta obra é proporcionar uma situação mais segura ao talude no local e evitar a progressão do escorregamento em direção ao oleoduto. Os medidores de nível d’água são lidos com a mesma freqüência dos inclinômetros, mas neste caso como as suas variações de leituras são sazonais, crescendo ou decrescendo em função da posição do lençol freático, não é possível afirmar quais foram as suas maiores e menores cotas no período em análise.

a) INC-1 – Direção A b) INC-2 – Direção B b) INC-2 – Direção B Figura 9: Deslocamentos em profundidade inclinômetros INC-1 e INC-2, mostrando que não existem movimentações significativas.

5. Conclusões
Na encosta Costa do Navio I e na Costa do Navio II, apesar de serrem identificados obras de estabilização em muro de gabiões com contrafortes e trafego recente de equipamentos pesados. Foram encontrados velocidades de deslocamentos de até 2,1 mm/ano, motivo pelo qual é necessária uma atenção especial e inspeções periódicas no local. Outro fato interessante de mencionar é que a maioria dos inclinômetros detectou profundidades onde ocorrem deslocamentos preferenciais, indicando zonas de distorção em que se concentram as tensões e uma superfície potencial de ruptura. O fato de um número elevado de drenos apresentarem presença significativa de água. A partir desse dados podese concluir que nas encostas Costa do Navio I e Costa do Navio II estudadas apresentam superfícies preferenciais de rupturas bem definidas, que podem causar riscos a integridade do duto OSBAT, e que são necessárias a execução de obras de estabilização dessas encostas, como as já executadas na encosta Costa do Navio III onde é perceptível a diminuição dos deslocamentos da encosta, bem como a instalação de um numero maior de drenos e monitoramento periódico por profissional habilitado, para que se com a instalação de obra possa diminuir as solicitações e aumentem a resistência dos maciços envolvidos, e a visita de geotécnico possibilitará a avaliação mais adequada dos dados de instrumentação e avaliação de risco geotécnico.

7. Agradecimentos
À Gerência e Coordenação Suporte Técnico de Dutos e Terminais de São Paulo – Litoral, Obras e Inspeção, à Osias Pereira Filho, Guilherme Augusto Simão e Jorge Luiz Pascotto. À IPT Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo pela leitura dos instrumentos.

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8. Referências
RIZZO, SINEY DA MOTTA. Instrumentação e Monitoramento das Escavações da Área de Rejeito de Bauxita ARB8. [Rio de Janeiro] 2007. XIV, 158p 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M.Sc., Engenharia Civil. 2007) Dissertação-Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE. ARAÚJO, PAULO CÉSAR DE. Análise da suscetibilidade a escorregamentos: uma abordagem probabilística. –[Rio Claro] 2004. Instituto de ciências exatas da Universidade Estadual Paulista. Tese de Doutoramento, 2004. MACHADO, W.G.F.; PERCI, R.D. Principais causas geológicas e geotécnicas de acidentes em barragens de contenção de rejeitos, São Paulo: EPUSP, 2000. Seminário apresentado para disciplina de pós-graduação do departamento de engenharia de minhas e petróleo. CINTRÓN, G.; SCHAEFFER-NOVELLI, Y. Roteiro para estudo dos recursos de marismas e manguezais. Relatório Interno Instituto Oceanográfico Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 10, p 1-13, 1981. SILVA, M. M. DE O. Investigação e análise dos movimentos de massa gravitacionais e processos correlatos na região da Serra de Ouro Preto – Ouro Preto – MG – Escala 1:5.000. 2001. 160f. Dissertação (Mestrado em Geociências e Meio Ambiente) Instituto de Geociências e Ciências Exatas, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro. Norma Petrobrás, N-2775 - Inspeção e Manutenção de Faixas de Dutos Terrestres e Relações com a Comunidade. Norma Petrobrás, N-2098 – Inspeção de dutos Terrestres em Operação; ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 11682: Estabilidade de taludes. São Paulo, 1990.

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