IBP2022_12 DESAFIOS DE MANUTENÇÃO E OPERAÇÃO COM A EXPANSÃO DA MALHA DE GASODUTOS: O CASO DA MALHA RJ/MG DA TRANSPETRO Fabio Gomes Lacerda1, Renato

Vieira Arruda 2, Filipe Presta Vianna3, Luiz Henrique Kruschewsky Lucas dos Santos4
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
A Malha RJ/MG de gasodutos operados pela Transpetro sofreu significativa expansão de sua capacidade instalada nos últimos anos, em virtude dos investimentos da Petrobras para garantir o abastecimento de gás para seus diferentes usuários, como indústrias, residências e automóveis. Neste contexto, muitos desafios foram impostos para a Gerência de Operação e Manutenção, entre eles a melhoria dos processos de compra de sobressalentes, a uniformização dos procedimentos, a conciliação entre as necessidades de manutenção dos equipamentos e as demandas operacionais dos clientes. Cada um destes fatores demandou esforços e adaptações na estrutura da equipe e nos processos internos. Este artigo tem o objetivo de elucidar como estes processos foram desenvolvidos, focando especialmente nas demandas por manutenção específicas da indústria de transporte de gás.

Abstract
The Rio de Janeiro and Minas Gerais gas pipelines’s Maintenance and Operations Management of TRANSPETRO suffered a huge expansion during last years, in consequence of PETROBRAS investments to guarantee gas supply for its different users, such as industries, residences and vehicles. In this context, many challenges were made for the crew, such as the improvement of Spare Part’s purchasing processes, the standardization of maintenance procedures, as well as the conciliation between the equipments and customer’s needs. Each one of these factors demanded efforts and changes on the crew’s structure and internal processes. This article has the aim to explain how these processes were developed, with special attention to the specific needs of the natural gas transportation industry.

1. Introdução
1.1. A Malha de Gasodutos RJ/MG A Diretoria de Gás Natural da Transpetro divide-se, em seu ramo de operação de campo, em gerências responsáveis pela operação e manutenção de trechos de gasodutos de acordo com sua posição geográfica. Assim, hoje, seis diferentes gerências são responsáveis por este trabalho, dentre as quais a Gerência da Malha RJ/MG. A Gerência da Malha RJ/MG é responsável pela Operação e Manutenção de gasodutos (e suas respectivas instalações) que abrangem os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e a ainda a região do Vale do Paraíba, em São Paulo. Administrativamente, divide-se em três diferentes coordenações, que tratam das atividades de manutenção, da gestão de contratações, finanças e controladoria, e ainda de aspectos de SMS (segurança, meio ambiente e saúde). A Coordenadoria de Operação e Manutenção, por sua vez, conta com três diferentes bases operacionais, em Duque de

______________________________ 1 Engenheiro - Supervisor de Plan. e Controle de Manutenção - TRANSPETRO 2 Engenheiro - TRANSPETRO 3 Engenheiro - TRANSPETRO 4 Engenheiro, Coordenador de Operação e Manutenção - TRANSPETRO

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Caxias (RJ), Betim (MG) e ainda em Volta Redonda (RJ), que abrange também a região do Vale do Paraíba. Cada uma das bases conta com supervisão própria. 1.2. Principais Instalações de Transporte de Gás Em uma malha de gasodutos, as principais instalações operadas são as válvulas de bloqueio dos dutos, os pontos de entrega de gás (anteriormente conhecidos como City Gates), as estações de transferência de custódia e as estações de compressão. Cada uma destas instalações possui suas necessidades específicas. As válvulas de bloqueio são vitais à segurança do sistema, pois garantem através do seu fechamento que o vazamento de gás em um eventual rompimento do duto seja em muito reduzido, mitigando o impacto ambiental e os riscos de acidentes de grandes proporções. Os pontos de entrega e estações de transferência de custódia são interfaces entre o transportador do gás e o distribuidor local ou o carregador. As estações de compressão servem para fornecer ao gás a energia necessária ao seu deslocamento pelo duto, principalmente através da elevação da pressão em pontos pré-determinados no projeto da rede de gasodutos. Sua operação depende de alguns fatores, como a demanda por gás pelos clientes ou alguma contingência operacional detectada pelo órgão de operação e controle (na Transpetro, o CNCO – Centro Nacional de Controle Operacional, localizado na região central do Rio de Janeiro). Como exemplo, a figura 1 apresenta um arranjo típico de um ponto de entrega de gás natural, instalação mais comum de uma malha de gasodutos.

Figura 1. Arranjo típico de um Ponto de Entrega de Gás Natural Em uma estação como esta, o gás natural, após entrar no ponto de entrega via derivação existente no gasoduto principal, passa por estágios de filtragem, aquecimento, redução de pressão para o nível contratado com a distribuidora e medição do consumo. Cada uma das instalações citadas possui equipamentos que requerem diferentes abordagens técnicas de manutenção, principalmente em função das características operacionais. Há equipamentos que demandam manutenções preventivas periódicas em função do tempo decorrido, outros que demandam preventivas em função do tempo efetivo de operação, outros que demandam manutenções preditivas e até mesmo aqueles que requerem apenas manutenções corretivas. A maioria dos equipamentos de uma malha de gasodutos demanda manutenções preventivas temporais, com intervalos que variam desde alguns meses até alguns anos entre uma intervenção e outra. A escolha da técnica de manutenção adequada deve ser fruto de um compromisso entre a disponibilidade operacional de cada item e dos custos envolvidos nas manutenções. Um fator que não costuma ser levado em conta na manutenção industrial em geral, mas que é sensível na manutenção de instalações de transporte de gás é a distância entre as instalações desassistidas e as bases operacionais, que pode chegar a centenas de quilômetros. 1.3. Necessidades Operacionais 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Na cadeia do Petróleo, a segmento de distribuição de gás tem uma característica que o distingue dos demais: o transporte por gasodutos não admite interrupções de fornecimento, pois não há um estoque disponível em caso de falhas. O volume de gás disponível limita-se apenas à quantidade de gás sendo transportada pelo duto a cada momento. Assim, uma falha de equipamento é imediatamente sentida por distribuidores e clientes, a exemplo do que ocorre no segmento de distribuição de energia elétrica. A rigor, pode-se considerar o volume de gás sendo transportado como um estoque, mas freqüentemente trata-se de quantidades de gás que não são suficientes para suprir a demanda de clientes por mais do que alguns minutos. Neste contexto, o projeto de instalações de transporte de gás natural prevê redundância de sistemas e equipamentos em praticamente todos os casos. Na figura 1 observa-se que os sistemas são em sua maioria duplicados, e aqueles que não o são contam com linhas de “bypass”, que permitem a parada temporária de manutenção.

2.Desafios para a Manutenção
2.1.Expansão da Malha de Gasodutos RJ/MG A partir de 2005 o segmento de transporte de gás recebeu grande volume de investimentos em todo o Brasil, e na malha RJ/MG em particular. A tabela 1 mostra comparativamente como operava a Malha RJ/MG em 2005 e nos dias atuais. Tabela 1. Números da Malha RJ/MG em 2005 e 2012 Instalações Gasodutos e ramais (km) Qte dutos e ramais Faixa de dutos (km) Ecomp's Scomp's Pontos de entrega Válvulas de bloqueio 2005 850 4 500 0 2 9 41 2012 1.240 12 809 2 4 22 87

O expressivo crescimento demonstrado na tabela levou, por conseqüência, ao aumento também do número de equipamentos e sistemas passíveis de sofrer ações de manutenção, cada um deles com suas características e necessidades próprias. Tendo em vista esta situação, que, no caso da Transpetro, ocorreu não somente na Malha RJ/MG, mas em toda a empresa, além do crescimento da importância do gás natural na composição da matriz energética brasileira, a Diretoria de Gás Natural tomou uma série de ações de otimização e melhoria da eficiência dos processos de manutenção. As principais ações tomadas foram: • Uniformização de procedimentos de manutenção; • Classificação de equipamentos e sistemas de acordo com padrões internacionais; • Adoção de indicadores de desempenho de manutenção para avaliação do trabalho das equipes. 2.2.Situação da Manutenção dos Ativos da Malha RJ/MG até 2010 À medida que novas instalações foram agregadas ao parque mantido pela gerência da Malha RJ/MG, as novas estratégias para tratamento das demandas foram colocadas em prática. Dado o seu pequeno volume e importância marginal no negócio da companhia até o início dos esforços de expansão, a gerência da Malha RJ/MG contratava os serviços de manutenção de seus ativos de outra gerência da Transpetro, que cuida da manutenção das instalações de Oleodutos. Esta gerência já possuía uma base de equipamentos instalada há bastante tempo sem alterações significativas, tendo experiência suficiente para cumprimento dos serviços. Com isso, a equipe de oleodutos contratava e gerenciava os serviços de manutenção complementar de todos os ativos de transporte de gás da Malha RJ/MG, ficando esta responsável apenas pela disponibilização de equipamentos para as atividades de manutenção, através de manobras operacionais. Esta situação perdurou até novembro de 2010. Vale ressaltar que, embora a expansão tivesse início 5 anos antes, o período de 2005 a 2010 foi de enormes mudanças para a malha RJ/MG. Destacam-se o acompanhamento de obras e recebimento de novos ativos em ritmo acelerado, a análise e aceitação técnica de toda a documentação oriunda dos novos projetos, além do ingresso e treinamento de um grande número de novos funcionários oriundos de concursos públicos. Estas ações possibilitaram 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 que a malha estivesse preparada para este primeiro grande ponto de mudança de paradigma interno: a administração própria do contrato de manutenção complementar. O contrato de manutenção complementar tem o objetivo de fornecer mão de obra de apoio não prevista no plano de cargos de funcionários próprios da Transpetro, além de recursos de infra-estrutura que são entendidos como necessários para a execução de serviços, porém de custo elevado para manutenção própria. Em novembro de 2010 a gerência da Malha RJ/MG assinou seu primeiro contrato de manutenção complementar administrado por sua própria equipe, sem apoio da Gerência de Oleodutos. A administração do contrato de manutenção deu à equipe da malha a oportunidade de aperfeiçoar-se nas nuances técnicas da administração da manutenção, além de trazer novas responsabilidades, como a administração de contratos de elevado valor financeiro e de longa duração. A administração deste e de outros contratos, não só relacionados diretamente à manutenção, levou à criação de novas áreas internas, como a constituição de coordenação própria para contratações, finanças e controladoria, além de outra coordenação de segurança, meio ambiente e saúde. Além dos desafios administrativos que apareceram, outra situação enfrentada foi a mudança cultural da equipe de execução de atividades de campo. Até então, os técnicos e operadores da malha RJ/MG eram habituados a atuar apenas na liberação de equipamentos na área industrial, para que outra equipe se encarregasse da execução da manutenção. Esta filosofia de trabalho deu lugar à outra, em que os próprios técnicos tornaram-se os responsáveis diretos pela execução do trabalho, passando a contar com a mão de obra contratada apenas como apoio, quando necessário. Esta mudança adequou a malha RJ/MG a uma forma de trabalhar que já era corrente não apenas nas outras gerências da Transpetro, como em outras empresas do segmento de transporte de gás natural. 2.3.Logística Poucos segmentos de manutenção industrial sofrem impacto tão forte da logística quanto o transporte por dutos. Talvez a distribuição de energia elétrica seja o segmento que melhor se aproxima, em alguns aspectos. Mas o transporte de produtos por dutos, particularmente o gás natural, possui algumas características determinantes, talvez únicas no segmento de manutenção industrial: • Instalações desassistidas em um raio de centenas de quilômetros, operadas remotamente por um Centro de Controle Operacional, como nos exemplos das figuras 2 e 3;

Figura 2. Ponto de Entrega de Gás Natural 4

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Figura 3. Válvula de Bloqueio de um Gasoduto O mesmo profissional desempenha as funções de manutenção e de operação local, quando necessário; A mesma equipe de manutenção é responsável pelas intervenções de equipamentos localizados a grande distância entre si; • O atendimento às emergências operacionais é executado por profissionais que trabalham em regime de sobreaviso, e que freqüentemente dispõem de pouco tempo para deslocar-se ao local, fazer a intervenção e retornar à instalação à sua operação normal. A observação das figuras 2 e 3 revela, mesmo para o leitor leigo, que as instalações de transporte de gás natural não tem grande complexidade, quando comparadas à plantas de processamento, como refinarias e siderúrgicas, por exemplo. Mas o simples trabalho de calibração de um equipamento pode mobilizar uma equipe que deverá ser deslocada para uma viagem que pode durar mais tempo que a execução do trabalho, como ocorre na prática. Estas características dão grande importância ao planejamento e controle de manutenção, pois o deslocamento de equipes para atendimento das demandas é o item de maior custo financeiro, ao lado da disponibilização dos recursos. 2.4.Revisão do Plano Mestre de Manutenção Com o objetivo de, minimizando os custos envolvidos, aumentar a eficiência das equipes de manutenção de campo, mesmo com o aumento expressivo da quantidade de instalações mantidas em pouco tempo, foi estabelecido um novo plano mestre de manutenção preventiva para as instalações, que leva em conta, entre outros fatores: • Aglutinação de tarefas de manutenção similares de uma disciplina, dentro de uma mesma instalação, na mesma data base de referência; • Envio de equipes multidisciplinares de execução de manutenções também simultaneamente para uma mesma instalação; • Compartilhamento de recursos especiais por equipes de diferentes disciplinas, por exemplo, equipamentos de movimentação de carga; • Concentração de manutenções de maior porte em períodos de menor demanda de gás por parte dos distribuidores, onde se observa sazonalidade no consumo; • Estabelecimento de contratos diretos de fornecimento de peças sobressalentes originais com fornecedores dos equipamentos mais críticos de cada instalação, com o objetivo de diminuir o risco de falta de itens em função de atrasos nos processos licitatórios e comerciais. • •

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 • Disponibilização de mão de obra de cada base operacional da gerência, e associação de equipes em pontos estratégicos com equipes volantes, baseadas na sede da gerência.

Com base nestas premissas, o plano mestre de manutenção foi elaborado e vem sendo aperfeiçoado ao longo do tempo. A disciplina de maior relevância para a manutenção é a de Instrumentação e Automação, já que a operação remota das instalações leva à existência de um grande número de instrumentos locais que transmitem informações para um sistema supervisório. Além disso, lança-se mão com freqüência de redundância de instrumentos, no caso de variáveis mais criticas que não podem faltar para a operação segura, dado que os tempos de latência na chegada da equipe de manutenção podem ser grandes, em função da localização geográfica das instalações. Em função do descrito acima, as bases operacionais contam com alguma estrutura de materiais e recursos humanos própria para o atendimento rápido de manutenções de instrumentação e automação. Além destas disciplinas, também existem equipes de manutenção mecânica, elétrica, de pintura industrial e caldeiraria. Ocorre que, dada a menor demanda por trabalhos deste tipo, as equipes concentram-se na sede da gerência, em Duque de Caxias / RJ, e prestam serviços ao longo de toda a malha, incluindo as demais bases operacionais. É claro que as bases operacionais não contam com a mesma quantidade de recursos disponíveis na sede. Mas a ideia é que sejam capazes de dar um primeiro tratamento e resolvam problemas mais simples, e as equipes melhor aparelhadas são chamadas no caso de falhas mais complexas, ou para as grandes manutenções programadas. Sobre a concentração de manutenções em períodos de menor demanda, a experiência mostra que há dois perfis básicos de consumo de gás por parte dos distribuidores, de acordo com os clientes finais que estes alimentam. O primeiro deles constitui-se de uma grande quantidade de pequenos usuários de gás, como residências, pequenas indústrias e estabelecimentos comerciais, como postos de combustível, restaurantes, hospitais, etc. Nestes casos não há um efeito significativo da sazonalidade, para o caso da malha RJ/MG. Um fator que poderia contribuir para a sazonalidade nestes casos seria a amplitude térmica ao longo do ano, mas este efeito não é tão acentuado nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e na região de São Paulo atendida pela malha. Em outros locais, onde há grande diferença de temperatura entre meses de inverno e verão, há contribuição deste fator no perfil de consumo é mais relevante. O segundo perfil observado é o de estações que entregam gás para um único cliente, ou que, se existam mais, um único cliente é responsável pelo maior volume consumido. Este é o caso, principalmente, dos pontos de entrega que alimentam usinas termelétricas. Neste caso, o consumo de gás está intimamente ligado á demanda por energia elétrica proveniente do despacho das usinas termelétricas, ordenado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Aí se observa, ao longo dos anos, uma menor demanda por gás nos meses do primeiro semestre do ano, principalmente no período entre fevereiro e julho, quando o volume de chuvas regulares na região é maior. O maior volume de chuvas eleva o nível de água dos reservatórios das hidrelétricas, diminuindo a necessidade de uso da energia elétrica proveniente da queima do gás natural. Isto torna estes meses mais propícios à realização de manutenções nas instalações de transporte de gás. Considerando os dois perfis de consumo descritos, o plano mestre de manutenção foi elaborado, concentrando as principais manutenções dos pontos de entrega que alimentam usinas termelétricas no período de fevereiro a julho. Em função da concentração de recursos para atendimento destas estações, os demais, que tem perfil de consumo constante ao longo do ano, foram em sua maioria deslocados para o segundo semestre. Este arranjo permite que sejam otimizados os recursos de maior custo para a realização de manutenções, distribuindo sua demanda ao longo do ano de acordo com as necessidades específicas de cada local. Outro ponto sensível tratado na revisão do plano de manutenção foi o fornecimento de sobressalentes. É sabido que toda equipe de manutenção sempre deseja ter consigo o volume de sobressalentes que lhe dê segurança de tratamento rápido de qualquer falha que ocorra, em qualquer equipamento. Mas a realidade nem sempre é essa, pois a Companhia deve levar em conta vários aspectos ao adquirir materiais, como os econômicos, e também o compromisso entre disponibilidade operacional e volume de recursos imobilizados. No caso da Transpetro, como parte integrante do sistema Petrobras, soma-se a estas premissas os controles legais previstos e necessários para uma empresa controlada pelo governo. Nos processos de compra de equipamentos e sobressalentes, devem ser realizadas licitações entre empresas do mercado, de maneira a atender a diretriz legal de dar a todos as oportunidades de relacionarem-se comercialmente com a Companhia, respeitadas as premissas técnicas. Para a gerência de manutenção, estes procedimentos trazem algumas precauções adicionais, como a preocupação de especificar e estabelecer as condições de fornecimento de maneira a não deixar margem de dúvidas para os fornecedores, minimizando assim os riscos de insucesso de um processo licitatório. Vale lembrar que a maioria dos materiais comprados conta com prazos de entrega elevados, da ordem de 60 dias ou mais, o que traz a necessidade de trabalhar o planejamento de manutenção sempre enxergando a longo prazo. A estratégia adotada para o melhor atendimento nestes casos foi a identificação dos equipamentos mais críticos à operação do processo. A partir daí, os fabricantes ou seus representantes no país foram chamados a celebrar contratos de fornecimento de peças sobressalentes, já prevendo a demanda para 3 anos de operação. 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Para realizar este tipo de contratação diretamente, sem recorrer a uma licitação, é necessário, por exigência legal, que existam algumas prerrogativas a ser atendidas pelo fornecedor, dentre elas: • O fornecedor deve ser o próprio fabricante do equipamento existente na área; • Caso não o seja, deve ser seu representante exclusivo para comercialização de peças sobressalentes originais no país. Esta condição deve ser comprovada através de documento emitido pelo fabricante, atestando esta condição. A legislação aplicável às compras de materiais pelas empresas do sistema Petrobras (Decreto 2.745/98) estabelece que o processo licitatório é inexigível para o caso de compra de sobressalentes de equipamentos que já estejam em operação. Esta regra tem a finalidade de dar à empresa a flexibilidade de não recorrer à um processo de licitação para cada evento de troca de peça de equipamento que seja necessária. Assim, a gerência da malha RJ/MG destacou os seguintes grupos de equipamentos para o estabelecimento de contratos de fornecimento de peças sobressalentes: • Válvulas reguladoras de pressão de pontos de entrega; • Válvulas reguladoras de pressão de utilidades; • Instrumentos e equipamentos de aquecedores de gás; • Válvulas de bloqueio dos gasodutos. Inicialmente, foram levantadas as necessidades de compra de materiais para três anos de operação de todos os equipamentos citados. Em seguida, foram convidadas a apresentar credenciais de fornecedor exclusivo as empresas representantes dos fabricantes das válvulas reguladoras. Assim, foram assinados contratos com cada fornecedor exclusivo de peças sobressalentes. A grande vantagem deste modelo é que o trâmite interno de compra de material é executado apenas uma vez, sendo a partir daí apenas colocado o pedido de compra diretamente para o fornecedor, ou seja, o tempo de ressuprimento de uma peça fica resumido apenas ao prazo do fornecedor, que fica obrigado por contrato a entregar o material de modo a não comprometer as manutenções. Além disso, o contrato com um horizonte de 3 anos de operação dá ao fornecedor a segurança de que vai comercializar aquelas peças, o que o encoraja a ter um estoque para atendimento rápido das demandas da empresa. Isso é particularmente importante no caso dos fabricantes estrangeiros, que demandam todo o tempo de importação, desembaraço aduaneiro etc, que antes se somava ao tempo do trâmite de compra interno da Transpetro. Os contratos também trazem outra vantagem importante: a economia de escala. As peças negociadas para utilização em várias instalações por 3 anos geram um volume interessante para o fornecedor, que reduz o seu preço de modo a atender aos anseios da Transpetro, que ganha poder de negociação. Com isso, o custo global da manutenção também diminui. 2.5.Estações de Compressão Outro desafio que vem sendo enfrentado pela gerência coma expansão da malha de gasodutos refere-se à entrada em operação de duas estações de compressão (ECOMP’s), nos municípios de Duque de Caxias (RJ) e Arapeí (SP). Conforme dito na seção 1.2, as ECOMP’s tem a função de fornecer ao gás natural energia necessária para o escoamento ao longo do duto, via aumento da pressão em alguns pontos pré-determinados. A figura 4 mostra uma ECOMP típica.

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Figura 4. Estação de Compressão (ECOMP) de Campos Elíseos – Duque de Caxias/RJ As novidades para a malha, no que diz respeito à manutenção das ECOMP’s, referem-se ao acréscimo de equipamentos rotativos ao sistema, como turbo compressores e moto geradores. Estes equipamentos, ao contrário dos demais da malha, têm seu plano de manutenção não baseado em preventivas temporais, mas em preventivas baseadas no acúmulo de horas em operação. Com isto, o plano mestre de manutenções das ECOMP’s difere das demais instalações da malha, por não ser possível o agendamento prévio de uma manutenção preventiva com grande antecedência, já que este depende da demanda operacional da estação ao longo do ano. Além disso, as ECOMP’s contam com um nível de complexidade em seu processo maior que as demais instalações da malha. Com isso, a gerência optou por, desde o início do projeto, destacar uma equipe técnica específica para os trabalhos de manutenção das ECOMP’s, dando aos colaboradores treinamentos específicos sobre estes equipamentos, no Brasil e também no exterior.

3.Conclusões
A expansão da malha de gasodutos brasileira nos últimos 7 anos, fruto de diversos investimentos da Petrobrás em produção e incentivo da demanda por este recurso energético, trouxe desafios variados para os setores de operação e manutenção de todo o país. As gerências de manutenção rapidamente foram obrigadas à adaptar-se á uma nova realidade, de demanda crescente e exigente por continuidade operacional e qualidade. Neste contexto, foram fundamentais as ações que quebraram paradigmas internos, desde a preparação de recursos humanos, passando por compras de materiais até a logística de manutenção. Os próximos passos, sem dúvida, serão a consolidação deste modelo de manutenção sem parada operacional, com atuação rápida e cada vez mais eficiente das equipes de manutenção de campo, sempre com entrosamento total com a equipe de operação remota dos gasodutos. Só assim pode-se garantir o elevado padrão de qualidade dos serviços prestados em um cenário de crescimento contínuo.

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8. Referências
BRASIL. Decreto 2745, de 24 de agosto de 1998. ABNT NBR ISO 14224: 2011. Indústrias de petróleo e gás natural — Coleta e intercâmbio de dados de confiabilidade e manutenção para equipamentos. 31/10/2011.

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