IBP2032_12 DESAFIOS NO COMISSIONAMENTO, PRÉ-OPERAÇÃO E PARTIDA DAS ESTAÇÕES DE COMPRESSÃO DA MALHA RJMG DE GASODUTOS DA TRANSPETRO Renato Vieira

Arruda¹, Marcelo Leonardo de Castro e Paula², Luiz Henrique Kruschewsky Lucas dos Santos³, Thiago Correa do Quinto4
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O cenário Brasileiro hodierno de expansão da produção de Gás Natural traz consigo uma série de desenvolvimentos e reestruturações, necessárias para atender a crescente demanda por esse combustível. Em conjunto com a construção de novos Gasodutos, surge nesse contexto a implantação de novas instalações, responsáveis por aumentar a capacidade de transporte e garantir o fornecimento de gás natural em todos os pontos do Brasil. As Estações de Compressão, como são conhecidas essas complexas instalações, são de fundamental importância e, por representarem uma novidade na cadeia de transporte de Gás Natural da TRANSPETRO, proporcionaram desafios enriquecedores nas etapas de comissionamento, pré-operação e partida. A malha de gasodutos RJMG da Transpetro, objeto de detalhamento nesse trabalho, é responsável pela operação e manutenção de duas dessas estações e seus profissionais acompanharam todos os processos de implantação dessas instalações, desde o condicionamento até a operação assistida, passando pela pré-operação e partida da planta. Vale ressaltar que, devido à sua complexidade, os principais sistemas da estação (geração de energia elétrica, ar comprimido, gás combustível e partida dos Turbocompressores, utilidades, etc.) foram comissionados separadamente e por etapas, garantindo segurança e provendo enorme ganho de experiência e aprendizado para todos os envolvidos. Ao final de todas as etapas foi possível entender que tendo em vista sua complexidade e as novidades que as estações de compressão forneceram, o processo de comissionamento desenvolveu-se de forma peculiar proporcionando aos profissionais da Transpetro aprendizado e experiência outrora não visto e que será, indubitavelmente, de muita valia não só para a garantia de uma boa operação e manutenção, mas também como exemplo para, se necessário, o recebimento de novas instalações desse porte no futuro.

Abstract
Brazilian’s current condition of expanding production of natural gas, brings a lot of development and restructuring which are necessary to meet the growing demand for this fuel. In conjunction with the construction of new pipelines, arises in this context the establishment of new facilities, responsible for increasing the transport capacity and ensure the supply of natural gas in all parts of Brazil. The compression stations, as are known these complex facilities, have a fundamental importance and, because they represent an innovation in the natural gas system of TRANSPETRO, they provided enriching challenges in the commissioning, pre-operation and starting. TRANSPETRO´s RJMG gas pipeline, object of detail in this article, is responsible for the operation and maintenance of two of these stations and their professionals followed all the processes of implementation of these facilities, from the conditioning to the assisted operation, through the pre-operation and starting of the plant. Is worth mentioning that, due to its complexity, the main systems of the station (electric power generation, compressed air, fuel gas for the turbines, utilities, etc) were commissioned separately and in stages, ensuring safety and providing enormous gain of experience and learning for all involved. At the end of these stages, it was possible to understand that, given its complexity and the news that the compression stations provided, the

______________________________ 1 Especialista, Engenheiro de Terminais e Dutos – PETROBRAS TRANSPORTE S.A. 2 Técnico, Técnico de Manutenção – PETROBRAS TRANSPORTE S.A. 3 Especialista, Coordenador de Manutenção – PETROBRAS TRANSPORTE S.A. 4 Mestre, Engenheiro de Processamento – PETROBRAS TRANSPORTE S.A.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 commissioning process was developed in a peculiar way, providing professional learning and experience not previously seen and that will undoubtedly be of great value not only to ensure good operation and maintenance, but also as an example to, if necessary, the receipt of new facilities of this magnitude in the future.

1. Introdução
A Petrobras Transporte S.A. é responsável por realizar a operação e manutenção de onze novas estações de compressão distribuídas ao longo de sua malha de gasodutos no Brasil. Para se entender melhor os desafios e dificuldades encontrados nas etapas de comissionamento, pré-operação e partida, é necessário antes ter-se uma visão geral dos equipamentos e sistemas que compõem essas instalações, além de se esclarecer o principal objetivo dessas instalações. A figura 1, mostrada abaixo, retrata a distribuição dessas novas Estações no Brasil, deixando clara a importância das mesmas no novo cenário de transporte de gás no país.

Figura 1. Estações de Compressão da Transpetro Pode-se observar que existe uma diversidade grande nos tipos de equipamentos instalados nas plantas o que corrobora a importância da experiência adquirida pelos profissionais da Transpetro ao longo do processo de implantação das estações de compressão. 1.1. Objetivo de uma Estação de Compressão Uma definição bastante usual de estação de compressão é de que é uma instalação industrial que impele o gás pelo gasoduto, aumentando sua pressão e vencendo as perdas por atrito da força de fluxo. De fato, a função principal de uma Estação de Compressão é aumentar o gradiente de pressão ao longo do gasoduto, garantindo que o gás será entregue em pressões adequadas, ainda que ocorram perdas no caminho. A figura 2 abaixo deixa claro esse fenômeno, evidenciando a diferença entre um gasoduto sem compressão e outro com compressão:

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Figura 2. Aumento de pressão ao longo do duto oferecido pela Estação Com o objetivo de garantir que esse objetivo seja cumprido de forma eficiente e segura, as instalações desse tipo da Transpetro possuem diversos e complexos sistemas, os quais serão descritos, de forma sucinta, na próxima seção.

2. Características das Estações de Compressão da Transpetro
Apesar de ter como função principal o aumento da pressão do gás, as estações de compressão da Transpetro não se restringem somente a esse sistema de compressão. Vários outros sistemas auxiliares compõem o layout da planta, sendo imprescindíveis para seu bom e adequado funcionamento. A figura 3 abaixo mostra um layout típico de uma Estação de Compressão da Transpetro com os principais sistemas que devem ser entendidos.

Figura 3. Layout típico de uma Estação de Compressão Na figura acima, pode-se identificar os seguintes sistemas: • 01 – Entrada e Saída da Estação e Filtragem principal: Composto pelos “headers” de sucção e descarga além do filtro de entrada da estação, conhecido como filtro “Scrubber”, responsável pele retenção de partículas sólidas e condensados provenientes dos gasodutos, evitando contaminação dos equipamentos da estação.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 • 02 e 04 – Sistema de Gás para Utilidades: O sistema de gás para utilidades funciona de modo similar a um ponto de entrega de gás natural; é constituído de módulo de filtragem, aquecimento, redução de pressão e medição, fornecendo gás nas condições necessárias para os equipamentos da planta. É nesse sistema que se encontram a distribuição de gás para partida dos Turbocompressores, gás combustível dos Turbocompressores e Motogeradores, gás para os aquecedores e gás de purga para a descarga de emergência. A figura 4 abaixo mostra um exemplo típico de módulo de aquecimento que se encontraria em uma dessas Estações:

Figura 4. Exemplo de módulo de aquecimento Esse módulo de aquecimento é particularmente importante, pois a queda de pressão nas Estações da malha RJMG pode chegar a atingir cerca de 80 kgf/cm², exigindo aquecimento para evitar congelamento das tubulações e válvulas. • 03 – Sistema de Compressão: Esse sistema é responsável pelo aumento propriamente dito de pressão do gás e é constituído de quatro conjuntos Turbocompressores (compressores centrífugos acionados por turbinas a gás), sendo que um conjunto é definido como reserva. Além desses equipamentos principais, esse sistema possui equipamentos auxiliares que contribuem para a eficiência desse incremento de pressão, tais como: resfriadores de ar e de óleo e válvulas de reciclo (Anti-surge). • 05 – Sistema de Compressão e Distribuição de Ar Esse sistema é responsável pelo fornecimento de ar para atuação das válvulas da estação e para selagem dos compressores centrífugos. É composto por três compressores de ar com secadoras integradas, sendo um conjunto reserva. • 06 – Sistema de Geração de Energia Elétrica A energia elétrica das estações de compressão é fornecida por conjuntos Motogeradores projetados para suprir toda a demanda elétrica da planta. Esse sistema é composto por dois conjuntos, um operando e outro reserva, formado por motores a gás com geradores elétricos. A figura 5 abaixo mostra o galpão dos Motogeradores, típico de uma estação de compressão:

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Figura 5. Exemplo de galpão de geração de energia elétrica • 07 – Sistema de descarga de Emergência As estações são constituídas de sistema de descarga de emergência que possuem duas chaminés de alívio, chamadas de “vent-stack”, conforme pode ser visto na figura 6, mostrada abaixo:

Figura 6. Chaminés de alívio A maior parte das descargas de gás da estação é realizada por essas chaminés, como os alívios de válvulas e as descargas das válvulas de “blow down”. Importante citar que, com o intuito de se manter o topo da chaminé com a mistura ar/combustível rica, existe purga constante de gás nas chaminés, proveniente do sistema de gás de utilidades. • 08 – Prédio e Sala de Controle Do exposto acima, pode-se entender a complexidade de uma estação de compressão. Todos esses sistemas descritos são fundamentais para o correto funcionamento da planta e por isso, é necessário que o processo de comissionamento, préoperação e partida desses sistemas seja feito de forma especial, com acompanhamento técnico e por etapas, sistema por sistema, de modo a corroborar o sucesso da operação de toda a instalação. Nesse contexto cabe citar a relevância do sistema de geração de energia elétrica, o primeiro a ser comissionado, já que é ele que fornece toda a alimentação elétrica da planta. 2.1. Estações de Compressão da malha RJMG A malha RJMG de gasodutos possui, atualmente, duas estações de compressão quais sejam: Estação de Compressão de Campos Elíseos e Estação de Compressão de Vale do Paraíba. Muito similares em termos de projeto, essas instalações diferenciam-se apenas por detalhes de layout e pequenas variações de parâmetros de operação. Abaixo, a figura 7, ilustrativa da Estação de Compressão de Campos Elíseos: 5

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Figura 7. Estação de Compressão de Campos Elíseos A Estação de Compressão de Campos Elíseos está localizada no município de Duque de Caxias, no estado do Rio de Janeiro e sua finalidade é comprimir o gás entre os gasodutos Japeri – Reduc, GASDUC III e GNL. Por outro lado, a Estação de Compressão de Vale do Paraíba está localizada no município de Arapeí, no estado de São Paulo e sua finalidade é comprimir o gás proveniente do gasoduto GASCAR. Como citado anteriormente, as características operacionais de ambas as estações são muito parecidas e, por motivos de informação, a figura 8 abaixo mostra esses parâmetros de processo, para a Estação de Compressão de Campos Elíseos:

Figura 8. Parâmetros de processo da estação de compressão de Campos Elíseos

3.0 Comissionamento, Pré-operação e Partida
O processo de Comissionamento é um conjunto estruturado de conhecimentos, práticas, procedimentos e habilidades aplicáveis de forma integrada a uma instalação, visando torná-la operacional, dentro dos requisitos de desempenho desejados. De forma geral, o comissionamento inicia-se com a preservação e condicionamento dos sistemas, colocando-os apto para a posterior pré-operação, partida e operação assistidas e seu objetivo é assegurar a transferência da instalação do construtor para o operador, certificando sua operabilidade em termos de desempenho, confiabilidade e rastreabilidade de informações. Há ferramentas e atividades aplicadas desde o projeto até a entrega da instalação. Dentre elas: • Comentários do projeto básico – Após elaboração do projeto básico, é formado um grupo multidisciplinar da Transpetro para discussão de possíveis não conformidades de projeto, que teriam impactos negativos na manutenção e operação da planta. Essas não conformidades são discutidas e a solução é indicada para adequação do projeto; • Levantamento de Pendências - Método analítico de apontamento, necessário para evidenciar não conformidades, inadequação ao projeto proposto, melhorias, problemas construtivos do ponto de vista operacional e de manutenção. A Transpetro nessa fase desenvolveu ferramentas e plano de ação para levantamento de pendências e armazenamento em banco de dados. • Acompanhamento das atividades de Fabricação, Construção, Montagem e Transferência do Empreendimento – Inicia-se com visitas ao empreendimento desde o estabelecimento do canteiro de obras para início da construção 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 e montagem e tem como ápice a participação de profissionais qualificados da Transpetro nas fases de préoperação e partida e é finalizada com a transferência do empreendimento. O Processo de Comissionamento tem como foco a operabilidade da instalação, representado pela figura 9 abaixo:

Engenharia

Comissionamento Construtor Cliente

Figura 9. Processo de Comissionamento de um Empreendimento com foco na Operabilidade da Instalação É importante salientar as ações da Transpetro no macro-processo Comissionamento, mostrando a atuação conjunta com as equipes de engenharia e construção e montagem, em cada fase do empreendimento. O resultado alcançado, sem dúvida, foi positivo, principalmente do ponto de vista de aprendizado e garantia de recebimento adequado da instalação. Abaixo, na figura 10, estão descritas, através do fluxograma, as fases principais do comissionamento e o envolvimento da Transpetro: Análise do Macro-processo Comissionamento com atuação da Transpetro/ DGN Fabricação, Construção, Montagem e Transferência do Empreendimento Acompanhamento Preservação Manutenção Participação

Acompanhamento Condicionamento

Participação Pré Operação & Partida Operação

Figura 10. Principais fases do comissionamento e envolvimento da Transpetro Abaixo será descrito de forma resumida cada uma dessas etapas que ocorreram no recebimento das Estações de Compressão: 3.1. Preservação Preservação é o conjunto de atividades a serem executadas em itens comissionáveis de um Sistema Operacional, com o objetivo de mantê-los nas condições de fabricação ou como foram liberados pelo fabricante, até a o início dos testes de funcionamento. A preservação dos itens e equipamentos inicia-se após conclusão dos testes em fábrica e se estende até o início dos testes de funcionamento, quando o mesmo deverá ser preparado para operação. Nesta fase, a Transpetro acompanhou as atividades para garantir um bom funcionamento futuro quando as rotinas de preservação serão substituídas pelas rotinas de manutenção, que são responsabilidade da Transpetro.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 3.2 Condicionamento Conjunto de atividades realizadas em todos os itens comissionáveis e malhas da instalação, com o objetivo de levá-los até a fase de pré-operação e partida. Esta fase engloba tipicamente as atividades de teste de aceitação de fábrica (TAF), inspeção de recebimento, preservação, calibrações de válvulas e instrumentos, inspeção física, testes de pressão de tubulações, limpeza, recomposição, testes de estanqueidade, atendimento as normas regulamentadoras tais como NR-10 e NR-13 e testes de certificação de malhas de potência, controle e comunicações. Para o caso das Estações de Compressão, é de suma importância que o TAF seja realizado por uma equipe multidisciplinar envolvendo profissionais da Transpetro, de execução do projeto e do Fabricante do sistema/equipamento que está sendo comissionado, já que muitos desses sistemas/equipamentos exigem conhecimentos em mais de uma especialidade, como por exemplo, os Turbocompressores e Motogeradores, demandando conhecimentos de mecânica, elétrica, instrumentação, automação, etc. A etapa de condicionamento da instalação contemplou uma série de atividades, das quais destacam-se: • Finalização da completação mecânica; • Teste de aceitação de fábrica, testes hidrostáticos das tubulações, “flushing” do sistema de óleo lubrificante das turbinas; • Limpeza, secagem e inertização das tubulações 3.3 Pré-operação e Partida Assistida As atividades de Pré-Operação e partida são executadas sobre itens, malhas, subsistemas e sistemas operacionais. A Pré-Operação é composta pelo conjunto de atividades executadas com o objetivo de realizar verificações e testes nas condições de funcionamento do sistema operacional em questão. Esta etapa começa com a emissão e assinatura da Autorização para Teste de Funcionamento (ATF), que tem como pré-requisito a assinatura do Certificado de Completação Mecânica – CCM, na etapa de Condicionamento. Para o caso descrito nesse artigo, depois de finalizadas as etapas de condicionamento, de posse da licença operacional (L.O.) e da análise preliminar de risco (APR) e com a quitação de todas as pendências impeditivas das plantas, iniciaram-se os serviços de pré-operação. Por possuir um número elevado de sistemas e por apresentarem-se de forma complexa, a pré-operação foi dividida por sistemas, priorizando aqueles que possuíam maior importância. Abaixo será descrito como ocorreu a divisão da pré-operação, ilustrando os principais fatos que motivaram essa estratégia de atuação para a partida das estações de compressão: • Sistemas de geração de energia elétrica e de compressão e distribuição de ar Como citado anteriormente, toda a energia elétrica das estações é fornecido pelos Motogeradores que a planta possui. Dessa forma, o primeiro sistema que deve ser pré-operado é o sistema de geração de energia elétrica para que a instalação possa contar com abastecimento de energia e permitir o funcionamento dos outros sistemas. Apesar disso, devido ao fato de as válvulas que liberam gás combustível para os Motogeradores serem comandadas a ar comprimido, o primeiro sistema que foi colocado em funcionamento foi o de compressão de ar, utilizando-se um gerador provisório. Com isso, tendo o funcionamento dos compressores de ar se estabelecido, as válvulas de gás combustível puderem ser atuadas e o sistema de geração de energia pré-operado, fornecendo energia elétrica para a estação. Como alternativa à utilização de um Motogerador provisório para o funcionamento das válvulas de combustível e conseqüentemente partida dos Motogeradores da estação, poderia ser utilizado baterias de gás nitrogênio para comandar as válvulas. • Sistema de gás para utilidades Com o sistema de geração de energia pré-operado, passou-se para o sistema de gás de utilidades. Após a realização da gaseificação do “header” de sucção e do sistema de filtragem principal da estação, permitiu-se a entrada de gás no sistema de utilidades e as verificações foram realizadas. Nesse sistema, verificou-se a gaseificação nos módulos de filtragem, aquecimento e nas tubulações de redução de pressão, mais especificamente nas linhas de gás combustível e gás de partida para as turbinas, além da tubulação de gás para os aquecedores e gás de purga. • Sistema de compressão e descarga O próximo passo foi a realização da gaseificação das “ilhas” de compressão, contemplando cada conjunto turbocompressor. Assim, foram pré-operadas as tubulações de sucção e descarga e os equipamentos que compõem o conjunto turbocompressor, como válvula de reciclo, resfriador de gás, resfriador de óleo e o próprio equipamento turbocompressor. Finalizados esses procedimentos, os Turbocompressores tornaram-se aptos a iniciar os procedimentos para partida; • Sistema de descarga de emergência Por fim, foram gaseificadas todas as tubulações e equipamentos até as torres de descarga de emergência (“vent stacks”), realizando as verificações e disponibilizando esse sistema para operação também.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 É importante ressaltar que, em todos esses sistemas citados anteriormente, as etapas de pré-operação obedeceram a um procedimento que pode ser explicado, de maneira geral, como se segue: realizada a pressurização dos sistemas e subsistemas aplicando rampas de pressurização, limitados a pressão operacional de cada sistema. Soma-se a isso, a realização de testes de aceitação de campo (TAC) que consistem em testes funcionais com atuação das lógicas de intertravamento, verificação de elementos iniciadores (Transmissores, transdutores, sensores, chaves, etc.) e atuadores (Solenóides, motores, sinalizadores visuais e sonoros, etc.) tanto da estação de supervisão e controle (ESC) quanto do Sistema instrumentado de segurança (SIS) e adequação das malhas de medição e controle, que representam mais de 7000 elementos. Cabe salientar que todos os TACs foram realizados a partir de uma base de dados de automação dos sistemas e seus itens comissionáveis e é comum acontecerem algumas falhas funcionais tais como interligações erradas e conexões em sistemas eletromecânicos indevidas. Finalizados todos os processos de pré-operação de todos os sistemas da planta, a partida assistida da instalação iniciou-se com a introdução de carga nos sistemas e realização de compressão para os gasodutos. Essa etapa é caracterizada pela realização dos testes finais de performance, estendendo-se até a comprovação do atendimento às especificações de projeto. Em função das relações de dependência entre sistemas, as atividades desta fase seguiram a seqüência definida no cronograma de comissionamento. Nessa etapa, destacou-se a partida dos Turbocompressores que, devido a sua complexidade e elevado número de componentes, representou um desafio interessante provendo muito aprendizado aos profissionais envolvidos nessa etapa. 3.4 Operação assistida A Operação Assistida tem início a partir da transferência para o operador do primeiro sistema operacional, e encerra-se depois de transcorrido um período pré-estabelecido após o término da transferência do último sistema operacional. A Operação Assistida deve estender-se até o fim do prazo contratual. Dessa forma, com o objetivo de finalizar o processo de recebimento das estações de compressão, a operação assistida iniciou-se após o término da partida assistida. Essa nova etapa foi caracterizada pela avaliação da confiabilidade da operação das plantas, com o acompanhamento e análise das falhas dos sistemas e realização dos testes de performance dos Turbocompressores e Motogeradores. É interessante detalhar-se aqui o processo de acompanhamento e aprovação do teste de aceitação dos Turbocompressores, realizados pelos profissionais da Transpetro. De acordo com a ISO 2314 o objetivo de qualquer teste de performance de campo de turbinas a gás, é determinar se as características de performance obtidas no campo estão de acordo com o que foi garantido seja em documentos de compra ou em documentos de requisitos de teste. Ainda de acordo com a ISSO 2314:2009, antes de qualquer teste ser realizado, deve-se garantir que as turbinas a gás conseguirão operar de forma confiável com carga máxima o que acrescentou mais um desafio nessa etapa uma vez que a introdução desses equipamentos na malha de gasodutos gera impactos no sistema operacional e qualquer tipo de erro deve ser evitado. Da mesma forma o API Standard 617 7th edition, enfatiza a importância de se realizar teste de funcionamento e de performance para os compressores centrífugos, existentes nas estações de compressão. Sendo assim, com o objetivo de se acompanhar e verificar de forma correta todos os testes que foram realizados, a Transpetro desenvolveu um controle próprio dessa performance indicando, baseando-se nas normas e exigências internacionais, todos os testes que deveria ser realizados para se atingir 100% de aceitação da performance do equipamento. Abaixo são relacionados alguns desses testes que fizeram parte desse relatório criado, evidenciando a importância de se realizar o teste de campo de forma satisfatória: • • • • • Boroscopia Inicial no equipamento Análise de óleo Teste de medição de Vibração Operação contínua sem falhas Operação com divisão de cargas

Muitos desafios surgiram também nessa etapa, pois por se tratarem de instalações novas com equipamentos complexos, todas as falhas foram estudadas e discutidas em conjunto com vários profissionais da Transpetro, com o intuito de avaliar de forma adequada a operação das máquinas e das estações propriamente ditas.

4. Conclusões
As estações de compressão que estão sendo operadas pela malha RJMG de gasodutos da Transpetro são instalações complexas e que, de certa forma, trouxeram novos desafios e aprendizados para seu corpo técnico. Em virtude da multidisciplinaridade existente nessas plantas, seus sistemas exigem conhecimento técnico especializado e necessitam de procedimentos específicos e cuidadosos, por apresentarem comissionamento e funcionamento complexos. Principalmente 9

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 nas etapas de comissionamento, pré-operação e partida, esses desafios ficaram evidentes diante das dificuldades que surgiram e que proporcionaram ganho de experiência e aprendizado que servirão de legado para futuras implantações de empreendimentos dessa magnitude. Da mesma forma, a operação assistida apresentou-se de maneira desafiadora, pois exigiu uma análise crítica do funcionamento de toda a estação com o intuito de se garantir o bom recebimento da instalação. Nesse contexto, os testes de performance das grandes máquinas surgiram de forma marcante demandando constantes discussões e análises em grupo para definições e decisões, corroborando o enorme ganho de aprendizado em todo esse processo. Por fim conclui-se que, desde o condicionamento e gaseificação dos primeiros sistemas até a realização dos testes de performance dos principais equipamentos, muitos desafios surgiram e foram superados com uma atuação conjunta e multidisciplinar da Transpetro, servindo de motivação para o crescimento e desenvolvimento profissional dos empregados envolvidos. Dessa forma, não só a malha RJMG de gasodutos, mas sim toda a Transpetro adquiriu um conhecimento prático de suma importância, logrando realizar a operação e manutenção dessas instalações de forma correta e eficaz.

5. Referências
MANUAL TÉCNICO PETROBRAS MG-02-ENGENHARIA/AG-015 VOL.2 – Implementação de Empreendimentos NORMAS TÉCNICAS PETROBRAS. N-464, REV. H: 2008 – Construção, Montagem e Condicionamento de Duto Terrestre. NORMAS TÉCNICAS TRANSPETRO. PE-3N3-00753-G: 2011 – Gaseificação e Pressurização de Gasodutos. NORMAS TÉCNICAS TRANSPETRO. PP-2N3-00009-A: 2010 – Diretrizes Para Secagem de Linhas e Instalações de Gás Natural API Standard 616 4th Edition – Gas Turbines for the Petroleum, Chemical, and Gas Industry Services – American Petroleum Institute; API Standard 617 7th Edition - Axial and Centrifugal Compressors and Expander-compressors for Petroleum, Chemical and Gas Industry Services – American Petroleum Institute; ISO 2314 2nd Edition – Gas Turbines – Acceptance Tests – International Organization for Standardization;

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