Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP

Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a
20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento,
seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os
textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado
nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.
______________________________
1,2,3
Graduando, Engenheiro Mecânico – UTFPR
4
Mestrando, Engenheiro Mecânico – UTFPR/PPGEM
5,6
Dr, Engenheiro Mecânico – UTFPR/PPGEM
IBP2053_12
CONVECÇÃO NATURAL EM UMA CAVIDADE
PARCIALMENTE PREENCHIDA COM UM BLOCO POROSO:
COMPRARAÇÃO ENTRE OS MODELOS HOMOGÊNEO E
HETEROGÊNEO
Vinicius Daroz
1
, Guilherme Hanauer
2
, Vanessa G. Nardi
3
,
Fernando C. De Lai
4
, Admilson T. Franco
5
, Silvio L. M. Junqueira
6



Resumo

Este estudo compara duas abordagens microscópicas com escala da ordem de grandeza das fraturas num problema de
convecção natural em uma cavidade quadrada horizontalmente aquecida. Para tanto, o problema é modelado
numericamente segundo duas formulações matemáticas distintas. Em ambas as formulações, as fraturas são representadas
pela fase fluida enquanto a fase porosa é abordada segundo o modelo macro-poro (homogêneo) e micro-poro
(heterogêneo). Para o modelo homogêneo, a fase porosa é representada através de um bloco quadrado, poroso,
centralizado e condutor de calor, inserido em uma cavidade quadrada preenchida com fluido. Para o modelo heterogêneo,
a fase porosa é representada através de um aglomerado uniforme de blocos sólidos, quadrados, condutores de calor, onde
o mesmo é também centralizado e inserido em uma cavidade quadrada preenchida com fluido. A solução das equações de
balanço para ambos os modelos é obtida através do método dos volumes finitos. O efeito da variação do número de
Rayleigh e da permeabilidade associada a ambos os modelos é investigado através do número de Nusselt médio, avaliado
na parede isotermicamente aquecida, e de isolinhas. Ao se comparar os dois modelos, o presente estudo mostra a
influência das nuances geométricas e da presença de interfaces no comportamento do escoamento e na transferência de
calor no interior da cavidade.


Abstract

This study compares two different microscopic approaches in the scale of fracture for a natural convection problem
within a square cavity heated from the bottom. The problem is numerically modeled according to two different
mathematical formulations. In both formulations, the fractures are represented by the fluid phase while the porous phase
is approached by the macro-pore (homogeneous) and micro-pore (heterogeneous) models. For the homogenous model,
the porous domain is represented by a porous, centralized and heat conducting square block, inserted in a square cavity
saturated by fluid. For the heterogeneous model, the porous domain is represented by a centralized agglomerate of
uniform heat conducting, equally spaced square solid blocks inserted in a square cavity saturated by fluid. The solution of
the governing equations for both models was obtained by the finite-volumes method. The effect of Rayleigh number and
the associated permeability is investigated through the analysis of the average Nusselt number, streamlines and isotherms.
From the results were observed the influence of geometric characteristics and the presence of solid-fluid interfaces in
flow behavior and heat transfer within the cavity.


1. Introdução

Na indústria petrolífera, a engenharia de reservatórios desempenha papel essencial na busca de novas ideias que
corroborem com a exploração econômica do reservatório. Suas atividades incluem desde estimativas de reservas, busca
de novos reservatórios de petróleo, perfuração de poços, até a modelagem numérica desses reservatórios. Considerando
que reservatórios de petróleo e gás são compostos por rochas porosas, onde os poros permitem a armazenagem de fluido
em seu interior, o entendimento dos fenômenos de transporte em meios porosos é necessário para o estudo de problemas
dessa natureza. Reservatórios de petróleo podem ou não conter fraturas em seu interior. As fraturas proporcionam uma
Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
2
direção de escoamento preferencial ao fluido, o que em situações de perfuração de poços pode representar uma condição
desfavorável ao processo, devido à perda de fluido de perfuração para o interior da formação. Não obstante, a ocorrência
de direções de escoamento preferenciais, através do faturamento artificial da rocha, pode facilitar o processo de
recuperação, aumentando a produtividade do poço.
Meios porosos reais apresentam grande complexidade geométrica e dinâmica, sendo notória a dificuldade
intrínseca de representar com precisão as diversas nuances do domínio. Para isso, modelos de escalas micro e
macroscópicas da ordem de grandeza dos poros ou das fraturas são considerados, sendo que idealizações quanto à
geometria e disposição dos constituintes também são levadas em conta. No presente estudo foca-se o modelo
microscópico da ordem de grandeza da fratura, onde as fases sólida e fluida são diferenciáveis e constituem um meio com
dupla porosidade e permeabilidade. A geometria em questão é representada por uma cavidade quadrada, parcialmente
preenchida por um único bloco poroso, centralizado e condutor de calor. Desta maneira, a cavidade possui duas
porosidades associadas: uma externa (
E
| ), que relaciona o volume de fluido presente na cavidade com o volume total da
cavidade; e uma porosidade interna (
I
| ), que relaciona o volume de fluido presente no domínio do bloco poroso com o
volume total do bloco. A cavidade é aquecida por baixo, enquanto que as paredes verticais são adiabáticas. O bloco
poroso é abordado de duas maneiras distintas. Em uma delas, o bloco é considerado como um meio homogêneo. Na
segunda abordagem, o bloco é constituído por um aglomerado de obstáculos sólidos desconectados (sistema
heterogêneo), ao qual é associado um número ( n ) de blocos que o constitui.
Merrikh e Lage (2005) analisaram os efeitos da variação do número de blocos sólidos no interior de uma
cavidade quadrada aquecida lateralmente, encontrando uma expressão que prevê os efeitos da interferência dos blocos
sobre a região da camada limite. Nithiarasu et al. (1997) realizaram um trabalho onde uma cavidade porosa quadrada é
composta por um domínio homogêneo e investigaram uma ampla faixa de resultados para a simulação destes problemas.
Utilizando as mesmas configurações geométricas e condições de contorno, Narasimhan e Reddy (2010) e Dias et al.
(2010), trataram os blocos (anteriormente sólidos), como meios porosos, caracterizando desta forma um meio poroso bi-
disperso (BDPM). Lee e Ha (2005), estudaram os efeitos do aquecimento horizontal em uma cavidade quadrada contendo
um único bloco sólido, centralizado e condutor de calor. Esses resultados foram complementados por Hongtao (2008)
através da variação do número de blocos no interior da cavidade. Um comparação dos modelos homogêneo e heterogêneo
foi investigada por Braga e de Lemos (2005) para uma cavidade quadrada aquecida lateralmente.
Com o objetivo de corroborar esses estudos, o presente trabalho compara os efeitos na convecção natural em
duas cavidades duplamente porosas da ordem de grandeza da fratura. Para tanto, são considerados os modelos
homogêneo e heterogêneo para a região porosa (centralizada). A influência da variação de propriedades como a
permeabilidade do bloco e intensificação da recirculação de fluido no interior da cavidade é investigada através de
isolinhas e do número de Nusselt médio nas superfícies isotérmicas.


2. Formulação do Problema

A Figura 1 representa esquematicamente um reservatório de petróleo e gás natural, e ainda, a complexidade
geométrica e diferentes escalas de representação de um meio poroso real. Devido a essa complexidade, a geometria de
estudo é idealizada conforme mostrado na Figura 1.e.



Figura 1. (a) Representação esquemática de um reservatório; (b) escala microscópica da fratura; (c) escala macroscópica
do poro; (d) escala microscópica do poro; (e) idealização geométrica do meio heterogêneo.

A Figura 2, ilustra a partir da Figura 1.b, a representação da geometria e condições de contorno para os dois
modelos matemáticos. Para ambos, a razão de aspecto da cavidade é / 1 A L H = = , onde L é o comprimento horizontal e
H a altura da cavidade. As paredes superior e inferior são isotermicamente aquecidas com temperaturas
H
u e
C
u
respectivamente, onde
H C
u u > . As paredes laterais são adiabáticas ( / 0 X u c c = ). U e V são as componentes da
(a)
(c) (d)
macro-poro
meio homogêneo
micro-poro
meio heterogêneo
micro-fratura
meio bi-disperso
(b)
Rocha
Geradora
Rocha
Impermeável
Reservatório
Fraturado
macro-fratura
meio duplo-poroso
Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
3
velocidade nas direções X e Y , respectivamente. A porosidade externa do meio (
E
| ), mantida constante em 0, 36
E
| =
e definida como /
E f T
V V | = , representa a quantidade de poros existentes no meio ao se considerar o bloco centralizado
um bloco sólido ( 0
I
| = ), sendo
f
V o volume de fluido e
T
V o volume total da cavidade. A porosidade interna
I
| ,
mantida constante em 0, 4
I
| = , representa a quantidade de poros compreendida no bloco centralizado. Para o modelo
heterogêneo,
I
| é definida como a quantidade de fluido que percola o aglomerado em razão ao volume total do mesmo.




Para ambos os modelos matemáticos apresentados, as equações de balanço (massa, energia e quantidade de
movimento) são apresentadas na forma adimensional afim de se obter alguns grupos adimensionais característicos. No
desenvolvimento das equações, o problema é considerado em regime estacionário, bidimensional, com escoamento
laminar e monofásico. O fluido é considerado Newtoniano, com propriedades constantes e incompressível (exceto para o
termo de empuxo na equação da quantidade de movimento na direção Y, em que, a variação da massa específica é
modelada pela aproximação de Boussinesq). A gravidade é constante e atua somente na direção vertical. O termo de
dissipação viscosa é desprezado na equação da energia ( 0 µ| = ) e não há geração interna de calor ( 0 q =  ). Ainda, tanto
para a formulação homogênea, quanto para a heterogênea, a fase sólida encontra-se em equilíbrio térmico com a fase
fluida. Para tanto, as relações de adimensionalização são apresentadas a seguir:

( )
( )
( )
2
2
,
( , )
, , , , ,
C
f H C f f
x y T T u H pH
X Y U V P
H T T
u
u
o µ o
÷
= = = =
÷
(1)

sendo
f
o a difusividade térmica do fluido, p a pressão e
f
µ a massa específica do fluido.
Para a formulação heterogênea, as equações de Navier-Stokes são resolvidas separadamente para cada fase. Em
sua forma adimensional, tem-se para a conservação da massa, conservação da quantidade de movimento e conservação da
energia nas duas direções:

0
U V
X Y
c c
+ =
c c
(2)

2 2
2 2
U U P U U
U V Pr
X Y X X Y
| | c c c c c
+ = ÷ + +
|
c c c c c
\ .
(3)

2 2
2 2
U U P V V
U V Pr Ra Pr
X Y Y X Y
u
| | c c c c c
+ = ÷ + + +
|
c c c c c
\ .
(4)

2 2
2 2
U V
X Y X Y
u u u u c c c c
+ = +
c c c c
(5)

2 2
2 2
0
X Y
u u c c
+ =
c c
(6)
( ) ( )
( ) ( )
, ,
, , 1
f mp
I
f mp
U V U V
U V U V
n n |
= ¦
¦
¦
c c ´
=
¦
c c
¦
¹
(a)
S f
u u =
0
X
u c
=
c
Bloco poroso
C
u
H
u
g

fluido
( ) 0, 0
( ) 0, H
( ) , L H
( ) , 0 L
, X U
, Y V
D
f mp
n n
¢ ¢ c c
=
c c
f mp
m
f mp
k
n n
u u
u u
= ¦
¦
c c ´
=
¦
c c
¹

0 U V = =
a
D
f S
n n
¢ ¢ c c
=
c c

s
f S f
k
n k n
u u c c
=
c c

0 U V = =
(b)
0
X
u c
=
c
fratura
Figura 2. (a) Idealização geométrica para o modelo homogêneo e respectivas condições de contorno; (b) Idealização
geométrica para o modelo heterogêneo e respectivas condições de contorno.
Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
4
As Equações (5) e (6) representam a conservação da energia para as fases fluida e sólida, respectivamente. Nas
Equações (3) e (4), surgem dois grupos adimensionais característicos: número de Rayleigh
(
3
( ) / = ÷
H C f f
Ra g H T T | v o ), e número de Prandtl ( /
f f
Pr v o = ), sendo
f
v a viscosidade cinemática do fluido e | o
coeficiente de expansão térmica volumétrico.
Na formulação homogênea, as equações de Navier-Stokes são resolvidas para o domínio das fraturas, enquanto
que, para o domínio poroso, as equações de balanço são resolvidas simultaneamente para as duas fases constituintes a
partir da equação de Brinkman-Darcy-Forchheimer (Nield e Bejan, 1998). Aqui, faz-se mais uma hipótese simplificadora
ao se considerar o bloco poroso isotrópico. Com isso, têm-se as equações na forma adimensional para a formulação
homogênea:

0
U V
X Y
c c
+ =
c c
(7)

2 2
2 2 2 1/ 2
1
F
I I
c U V P Pr U U Pr
U V U U U
X Y X Da X Y Da | |
| | c c c c c | | | |
+ = ÷ + + ÷ +
| | |
c c c c c
\ . \ .
\ .
(8)

2 2
2 2 2 1/ 2
1
F
I I
c U V P Pr V V Pr
U V V U V
X Y Y Da X Y Da | |
| | c c c c c | | | |
+ = ÷ + + ÷ +
| | |
c c c c c
\ . \ .
\ .
(9)

2 2
2 2 m
U V k
X Y X Y
u u u u | | c c c c
+ = +
|
c c c c
\ .
(10)

Nas Equações (8), (9) e (10), surgem para a formulação homogênea, mais alguns parâmetros adimensionais
característicos como: número de Darcy (
2
/
I
Da K H = ), coeficiente de Forchheimer (
F
c ) e razão de condutividade
térmica do meio poroso em relação ao fluido ( /
m mp f
k k k = ), sendo
I
K , a permeabilidade da fase porosa,
mp
k a
condutividade térmica da fase porosa e
f
k , a condutividade térmica da fase fluida.
O coeficiente de Forchheimer (
F
c ) que aparece nas Equações (8) e (9) é definido como (Chen et. al., 2009):


3
1, 75
150
F
I
c
|
= (11)

A função linha de corrente ¢ , definida na Equação (12), satisfaz as Equações (2) e (7), equações da
continuidade (Kimura e Bejan, 1983).


1 1
, , 1 , 1, ,
j i
j i
Y X
i j i j i j i j i j
Y X
U dY V dX ¢ ¢ ¢ ¢
÷ ÷
÷ ÷
= = + = + ÷
} }
(12)

A transferência de calor no interior da cavidade é analisada quantitativamente através do valor de médio
adimensional de Nusselt (
av
Nu ), medido na parede quente.


1 1
0
0 0
0
av
av
Y
Y f
h L
Nu Nu dX dX
k Y
u
=
=
c
= = = ÷
c
} }
(13)

sendo
''
/ ( )
av av H C
h q T T = ÷ o coeficiente de transferência de calor médio,
''
:
( / )
av f av h
q k Y u = ÷ c c o fluxo de calor na parede
quente e
av
Nu número de Nusselt local que representa o gradiente de temperatura adimensional no fluido imediatamente
em contato com a superfície.
A solução do conjunto de Equações (2)-(6) e (7)-(10) é obtida numericamente através do método dos volumes
finitos. O esquema de interpolação para os termos convectivos é o Híbrido. O algoritmo utilizado para o acoplamento
pressão-velocidade é o SIMPLEC. A convergência do processo iterativo é determinada pela soma dos valores absolutos
dos resíduos locais das equações de transporte entre duas iterações sucessivas, para cada variável ( , , U V P e u ), sendo
que este deve ser menor que
6
1 10
÷
× para que a solução seja considerada convergida.



Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
5
2. Resultados e Discussões

Os resultados obtidos, são apresentados a partir do monitoramento da variável
av
Nu , medida na parede aquecida,
e de isolinhas. A compreensão das propriedades termo-hidráulicas exige a compreensão de características geométricas da
cavidade. Sendo a razão de aspecto da cavidade unitária ( 1 A = ), tal como o número de blocos que preenche a cavidade
( 1 N = ), a porosidade externa ( )
E
| pode ser obtida em função apenas de D , calculada a partir da expressão
2
1
E
D | = ÷ .
Como
E
| é constante ( 0, 36
E
| = ), consequentemente o comprimento característico adimensional do bloco centralizado
também é constante ( 0,80 D = ). Para o modelo heterogêneo, esse bloco centralizado é subdividido em n blocos
menores, caracterizando o que aqui é chamado de aglomerado central. Assim, a porosidade interna para o modelo
heterogêneo pode ser obtida em função apenas de n e
a
D a partir da expressão ( )
2
1 /
I a
n D D | = ÷ . No presente trabalho,
I
| é mantida constante ( 0, 4
I
| = ). Dessa maneira, o aumento de n implica na redução de
a
D para que
I
| seja mantida
constante. A Tabela 1 representa sucintamente os parâmetros utilizados na solução de ambos os modelos.
Para que os dois modelos sejam passíveis de comparação, é necessário que se associe um valor equivalente para
a permeabilidade do meio na modelagem heterogênea, podendo então, a partir da Equação (15), implementá-la na
formulação do modelo homogêneo. Essa correlação (Equação (14)) é baseada nos estudos de Ergun (1952) e foi proposta
para o escoamento forçado através de meios permeáveis, sendo então questionável ao se tratar de convecção natural
(Bagra e de Lemos). Portanto, para cada valor de n , tem-se um valor de
eq
Da associado.


( )
2 3
2
120 1
a I
eq
I
D
K
|
|
=
÷
(14)

2
eq
eq
K
Da
H
= (15)

Tabela 1. Parâmetros e valores para a caracterização do meio poroso bi-disperso para os modelos homogêneo e
heterogêneo

Formulação Homogênea Formulação Heterogênea
Ra
5 6 7
10 ; 10 ; 10
5 6 7
10 ; 10 ; 10
n -
0, 4, 16, 36, 64
eq
Da
4 5 5 6
1, 422 10 ; 3, 555 10 ; 1, 580 10 ; 8, 888 10 ; 0
÷ ÷ ÷ ÷
× × × × -

Ainda, os valores de Pr , | ,
p
c ,
f
µ ,
s
µ , razão de condutividade térmica sólido-fluido K e
m
k são todos
unitários.
Para cada caso estudado, uma malha é mais adequada. Segundo Hortman et al. (1990), quando os resultados
entre uma malha e outra diferem em 1% ou menos, o resultado da simulação independe da malha utilizada. O teste de
malha foi realizado para o caso mais crítico constatado, sendo ele, o caso onde se tem o maior número de Rayleigh
(
7
10 Ra = ) e a maior permeabilidade associada (
4
1, 42 10 | 4
I
K n
÷
= × = ). Dessa maneira, a malha computacional
escolhida para a solução dos problemas em questão possui 300 300 ×

volumes de controle para a formulação heterogênea
e 240 240 ×

volumes de controle para a formulação homogênea. A diferença na quantidade de volumes de controle deve-
se ao fato de não existirem interfaces sólido-fluido para o modelo homogêneo. Ambas a malhas são estruturadas,
uniformes e regulares. Os resultados numéricos para o teste de malha não são apresentados neste trabalho.


3.1. Validação do método implementado

O método utilizado para a solução do problema em questão foi comparado à solução apresentada por Hongtao
(2008), que consiste em aquecer uma cavidade por baixo preenchendo-a com blocos sólidos desconectados e igualmente
espaçados. Neste trabalho, os resultados são comparados somente para um bloco centralizado. A proximidade dos
resultados comparados à referência na literatura confere credibilidade ao método implementado. Os resultados são
apresentados na Tabela 2.


Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
6
Tabela 2.
av
Nu para cavidade preenchida com um único bloco condutivo centralizado ( 1 Pr = ).

Ra D K
Hongtao
(2008)
[Presente] EP [%]
5
1 10 ×
0,6 1
4,639 4,704 1,401
5
5 10 × 6,265 6,330 1,037
6
1 10 × 6,954 7,001 0,676
6
5 10 × 9,866 9,715 1,530

3.2. Influência do número de Rayleigh

A Tabela 4 mostra a influência do parâmetro Ra no escoamento e ainda a comparação entre os dois modelos
implementados, avaliados por
av
Nu medido na parede quente.

Tabela 3.
av
Nu

em função de Rayleigh e da permeabilidade associada.


av
Nu

eq
Da

5
10 Ra =

6
10 Ra =

7
10 Ra =

n
5
10 Ra =
6
10 Ra =
7
10 Ra =

0
1,000 9,192 13,859
0
1,000 9,192 13,859
4
1, 422 10
÷
×
2,725 8,372 12,301
4
1,693 8,786 16,182
5
3, 555 10
÷
×
1,723 8,980 13,109
16
1,000 8,981 13,185
5
1, 580 10
÷
×
1,360 9,127 13,382
36
1,000 9,139 13,526
6
8, 888 10
÷
×
1,183 9,176 13,506
64
1,000 9,168 13,708

O número de
av
Nu é uma medida quantitativa da troca de calor por convecção em uma superfície. Olhando para
a Tabela 4, percebe-se em geral, um aumento significativo de
av
Nu com o aumento de Ra . Isso é devido à Ra ser um
parâmetro que caracteriza o comportamento da transição do escoamento na camada limite de convecção, representando
um balanço entre as forças de empuxo e forças viscosas, ou seja, o aumento de Ra leva ao aumento da intensidade com
que o escoamento ocorre.
Quando a cavidade é aquecida lateralmente, ao sinal de qualquer variação na temperatura já podem ser
observadas correntes de convecção, o que não se aplica ao aquecimento por baixo. Sendo o gradiente térmico vertical, é
necessário que as forças de empuxo superem as viscosas para que se possa dar início ao escoamento. Do contrário, como
o escoamento é muito lento ou até mesmo não ocorre, a transferência de calor se dá unicamente por condução. Esse
fenômeno pode ser visualizado pelos baixos valores de
av
Nu para
5
10 Ra = , sendo ainda, para a formulação heterogênea,
unitários na maioria dos casos, caracterizando um meio completamente condutivo.
Conforme o valor de Ra

é acrescido, o escoamento ocorre de maneira mais intensa fazendo com que a troca de
calor no interior da cavidade seja mais eficiente devido ao mecanismo predominante, a advecção. Esse aumento na
intensidade de circulação é comprovado graficamente pela compressão das linhas de corrente, e numericamente pelo
aumento na troca de calor, quantificada pelo número de
av
Nu .
De maneira geral, as duas formulações matemáticas levaram a resultados muito próximos. É interessante notar
que, com exceção dos casos onde as nuances geométricas influenciam drasticamente no escoamento, como ocorre para
4 n = em que padrões conhecidos na literatura como escoamentos de Bérnard são verificados, o valor de
av
Nu
apresentou na maioria dos casos notória semelhança, mostrando a precisão de ambos os modelos para a solução do
problema em questão.
Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
7
As Figuras 3 e 4 trazem respectivamente, a comparação entre as isotermas e linhas de corrente obtidas para os
dois modelos implementados para todos os casos analisados. Por questão de espaço, as permeabilidades associadas são
diferidas apenas pelo valor de n . Dessa maneira, 0 n = representa um bloco sólido ( 0
eq
Da = ).


Figura 3. Comparação das isotermas obtidas com os dois modelos implementados.








Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
8

Figura 4. Comparação das linhas de corrente obtidas com os dois modelos implementados


3.3. Influência da permeabilidade

Tanto o número de blocos, quanto o número de
eq
Da , possui relação direta com a permeabilidade do meio.
Quanto maior o número de blocos, e menor o número de
eq
Da , mais o meio poroso centralizado tende para um bloco
sólido, expulsando o escoamento para as laterais da cavidade. Esse fenômeno pode ser visualizado na Figura 5, onde é
possível perceber que para cada valor de Ra , ao se diminuir a permeabilidade, o valor de
av
Nu tende ao valor de
av
Nu
referente ao bloco sólido.
Para a formulação heterogênea, a diminuição da permeabilidade ocasionada pelo aumento dos blocos, influi
direta e significativamente no escoamento devido à presença das interfaces sólido-fluido. Esse efeito é claramente
visualizado para
5
10 Ra = , onde ao se passar de 4 para 16 blocos, as isotermas se estratificam mostrando um meio
Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
9
completamente condutivo. O mesmo não acontece para a formulação homogênea, pois a diminuição na permeabilidade
associada representa apenas a soma de uma parcela nas equações governantes, responsável por dificultar o escoamento.
Dessa maneira, fica claro que o modelo heterogêneo é incapaz de enxergar tais singularidades geométricas.





Em geral, para os demais casos, a diminuição da permeabilidade tende a expulsar o escoamento para as paredes
da cavidade. Isso restringe a interferência da fase porosa no escoamento e explica a proximidade dos valores de
av
Nu
encontrados para as duas formulações.
Especialmente para 4 n = e
7
10 Ra = , o valor de
av
Nu

quebra o padrão encontrado nos outros casos. É
interessante notar que para essa configuração, o escoamento assume um padrão conhecido na literatura como escoamento
de Bérnard, ocorrendo a formação de duas células de recirculação, sendo responsável pelo aumento na eficiência da troca
de calor.


4. Conclusões

Nesse estudo, foi apresentada a solução numérica para o problema da convecção natural laminar em uma
cavidade quadrada horizontalmente aquecida e parcialmente preenchida com meio poroso bidisperso. Os resultados foram
apresentados segundo duas abordagens matemáticas para a fase porosa, o modelo micro-poro (heterogêneo) e o modelo
macro-poro (homogêneo). A comparação dos resultados, decorrentes da variação das propriedades termo-hidráulicas
n ,
eq
Da

e Ra , foi realizada através da comparação do valor de
av
Nu

medido na parede isotermicamente aquecida e de
isolinhas.
De maneira geral, os dois modelos quantificam de maneira muito semelhante a troca de calor no interior da
cavidade. Porém, quando a interferência das interfaces sólido-fluido é relevante, o modelo homogêneo falha pois não
enxerga tais singularidades. Esse fenômeno é verificado para quando
5
10 Ra = , no qual o aumento de blocos e
consequente aumento das interfaces, dificulta o escoamento impedindo que haja movimento global significativo e
portanto, transferência de calor por convecção. Nessa situação, a diminuição da permeabilidade é vista pelo modelo
homogêneo como apenas uma parcela a ser somada nas equações governantes para dificultar o escoamento, levando à
uma pequena queda no valor de
av
Nu .
Ao analisar as isotermas e linhas de corrente, ficou claro que o escoamento toma preferência pelas paredes da
cavidade mediante a redução da permeabilidade. Desse modo, a interferência da fase porosa no desenvolvimento do
escoamento se torna cada vez mais irrelevante conforme o valor de Ra

é acrescido. É interessante notar que nessa
situação, os valores de
av
Nu , linhas de corrente e isotermas, obtidos com as duas formulações, apresentam notória
semelhança.
Homogêneo
Heterogêneo
5
10 Ra =
6
10 Ra =
7
10 Ra =
n
N
u
s
s
e
l
t
m
é
d
i
o
0 10 20 30 40 50 60
0
5
10
15
Figura 5. Influência da permeabilidade sobre o número de Nusselt médio
Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012
10
Finalmente, os resultados mostraram que o modelo heterogêneo é mais preciso na representação do problema
devido à questão das interfaces. Ainda, esse tipo de abordagem permite a exploração de uma gama maior de
representações de um meio poroso devido às variedades geométricas que são passíveis de serem implementadas.


5. Agradecimentos

Os autores agradecem ao apoio financeiro da TEP/CENPES/PETROBRAS e da Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis – ANP – por meio do Programa de Recursos Humanos da ANP para o Setor Petróleo e
Gás – PRH-ANP/MCT (PRH10-UTFPR).


6. Referências

BRAGA, E. J.; de LEMOS, M. J. S.. Heat transfer in enclosures having a fixed amount of solid material simulated with
heterogeneous and homogeneous models. International Journal of Heat and Mass Transfer, vol. 48, pp.4748-4765,
2005a.
DIAS, R.; DE LAI, F. C.; JUNQUEIRA, S. L. M.; FRANCO, A. T.; MARTINS, A. L.; LOMBA, R. F. T.; LAGE, J. L..
Natural convection in a cavity filled with a bi-dispersed porous medium. Proceedings of the Rio Oil & Gas Expo and
Conference, Rio de Janeiro – RJ, 2010.
HONGTAO QIU.. Natural convection in a non-homogeneous enclosure. Southern Methodist University, Mechanical
Engineering, Dallas, TX, USA, 2008. PhD Thesis.
HOUSE, J. M.; BECKERMANN, C.; SMITH, T. F.. Effect of a centered conducting body on natural convection heat
transfer in an enclosure. Numerical Heat Transfer, Part A, vol. 18, pp. 213-225, 1990.
LEE, J. R.; Ha, M. Y.. A numerical study of natural convection in a horizontal enclosure with a conducting body.
International Journal of Heat and Mass Transfer, v. 48, p. 3308-3318, 2005.
MERRIKH, A. A.; LAGE, J. L.. Natural convection in an enclosure with disconnected and conducting solid blocks.
International Journal of Heat and Mass Transfer; vol. 48, p. 1361-1372, 2005.
NARASIMHAN, A.; REDDY, B. V. K.. Natural convection Inside a Bidisperse Porous Medium Enclosure. Journal o
heat transfer, vol. 132, 2010.
NIELD, D. A.; BEJAN, A.. Convection in porous media. Third ed., Springer-Verlag. New York, U.S.A., 2006.
NITHIARASU, P.; SEEHARAMU, K. N.; SUNDARARAJAN, T.. Natural convective heat transfer in a fluid saturated
variable porosity medium. International Journal of Heat and Mass Transfer, v. 40, p. 3955-3967, 1997.