IBP2065_12 ESTUDO DA RECUPERAÇÃO DE ÓLEO ATRAVÉS DA INJEÇÃO DE CO2: INJEÇÃO CONTÍNUA E ALTERNADA COM ÁGUA.

Débora C. A. de Assis1, Nayra V. S. da Silva2, Leonardo J. do N. Guimarães3 Ana Paula A. Costa4

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O fator de recuperação representa um dos principais indicadores de produtividade do reservatório. Esse relaciona a quantidade de óleo produzida, pelo volume de óleo contido na rocha-reservatório no momento da sua descoberta. A porosidade das rochas, a miscibilidade, a diferença de viscosidade entre os fluidos existentes na jazida e os mecanismos de produção atuantes no reservatório são alguns dos fatores que determinam os valores deste indicador. Em média o fator de recuperação é de aproximadamente 20 a 30%, razão que impulsiona o estudo de metodologias avançadas que permitam extrair mais deste óleo residual, aumentando a rentabilidade dos campos petrolíferos e estendendo sua vida útil. As metodologias utilizadas para aumentar estes patamares são chamadas de técnicas especiais, secundária e terciária, a depender da complexidade do método adotado. Nessa categoria de métodos de recuperação destaca-se a Injeção Contínua de Gás (ICG) e a Injeção alternada de água e gás (WAG), técnicas que tem como base a injeção de gás. Nos últimos anos, o gás que tem sido bastante utilizado na recuperação de reservatórios é o CO2, seja pela disponibilidade, pela conotação ambiental bem como, pelo desempenho satisfatório no fator de recuperação de reservatórios improdutivos economicamente. Neste contexto, este trabalho propõe-se estudar estes dois métodos de recuperação através de uma modelagem numérica simplificada. Nesta modelagem um reservatório fictício foi submetido a ICG e WAG, no qual comportamento do reservatório foram comparados em termos da razão água-óleo/gás-óleo, pressão de poço e a eficiência dos métodos verificada pelo volume de óleo recuperado. Para cada tipo método de recuperação submetido foram realizadas simulações em três condições de pressão de injeção diferentes, 1200, 1850 e 2175psi. A ferramenta numérica utilizada foi o simulador composicional GEM, integrante do pacote comercial da CMG (Computer Modelling Group).

Abstract
The recovery factor represents a key indicator of reservoir productivity. This relates the amount of produced oil and the volume of oil contained in the reservoir rock at the time of its discovery. The porosity of the rock, the miscibility, the difference of viscosity between the fluids in the reservoir and the production mechanisms existing in the reservoir are some of the factors that determine the levels of this indicator. The average recovery factor is approximately 20-30%, so that drives the study of advanced methods that allow to extract more of residual oil, increasing the yield of oil fields and extending its useful life. The methods used to increase these levels are called special techniques, secondary or tertiary, depending on the complexity of the method adopted. In this category of recovery methods highlights the Gas Continuous Injection- ICG and Water Gas Alterning Injection – WAG, techniques that have as base the gas injection. In recent years, the gas that has been widely used on the recovery is the CO2, either by the availability, environmental connotation or by the satisfactory performance on the recovery factor of economically unproductive reservoir. In this context, this paper proposes to study these two recovery methods through a simplified numerical modeling. On this model a dummy tank was subjected to WAG and ICG, in which the reservoir behavior was assessed in terms of water-oil/ gas-oil ratio, well pressure and the efficiency of the methods verified by volume of oil recovered. For each type recovery method submitted simulations were performed in three conditions of injection pressure, 1200, 1850 and 2175psi. The numerical tool used was the compositional simulator GEM, a member of the commercial package of CMG (Computer Modelling Group).

______________________________ 1,2 Doutoranda em Engenharia Civil/ Geotecnia – Universidade Federal de Pernambuco 3 Professor Adjunto – Universidade Federal de Pernambuco 4 Engenheira Química – PETROBRAS

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1. Introdução
Devido à natureza do reservatório (ex: porosidade da rocha) e característica do petróleo (maior ou menor viscosidade) apenas uma pequena fração de óleo consegue ser retirada. Em média o fator de recuperação é de aproximadamente 20 a 30%, em raros casos podendo ultrapassar 60%, ou patamares inferiores a 10%. Isto impulsiona a estudo de metodologias avançadas que permitam extrair mais deste óleo residual, aumentando a rentabilidade dos campos petrolíferos e estender sua vida útil. Segundo Mezzomo (2000), a imiscibilidade e a diferença de viscosidade entre os fluidos existentes na jazida são um dos muitos problemas que afetam a recuperação nos reservatórios de petróleo. Uma vez que o óleo pode ser mais viscoso do que a água, isto faz com que durante o processo de escoamento simultâneo destes dois fluidos através do meio poroso que constitui o reservatório, a água tenda a se deslocar numa velocidade mais elevada em relação ao óleo no seu trajeto em direção aos poços produtores. Como consequência pode ocorrer a irrupção prematura e crescente da água nos poços produtores, comprometendo a vazão de óleo produzido e com ela a recuperação final. Por sua vez, este volume de óleo recuperado pode ser aumentado através de técnicas especiais, chamadas de recuperação secundária e terciária. Conforme a sofisticação do método adotado, dentre estas técnicas especiais cita-se a injeção de água aditivada de polímero solúvel de elevado peso molecular que provoca a aproximação da viscosidade da água (fluido deslocante) com a do óleo (fluido deslocado). Nestas condições, a água injetada no reservatório promove um deslocamento uniforme do tipo pistão em relação à fase óleo retardando a ocorrência do break-through (erupção de água do poço produtor) e assim maximizando a eficiência da recuperação. Outro método de recuperação, sendo este para óleo pesado, é o da injeção de vapor e o da combustão parcial in situ do óleo mediante a injeção de ar com pré-ignição. Este método atua na redução da viscosidade do próprio óleo, mediante o uso de energia térmica. Outra categoria de métodos de recuperação é à base de injeção de gases que Kulcarni apud Pinto (2009) destaca entre as principais a Injeção Contínua de Gás e (ICG) e a WAG - Water Alterning Gas (Injeção alternada de água e gás). A injeção contínua de gás miscível atua na viscosidade do óleo a ser recuperado mediante o efeito de solvência, porém, este método apresenta uma menor eficiência de varrido em relação à injeção de água (Santana, 1999). Uma maneira de amenizar esta problemática é a WAG, desenvolvida por Caudle e Dyes (em 1957-58) que, segundo Santana (1999), este tipo de injeção reduz a velocidade de deslocamento, melhora a razão de mobilidade na frente de deslocamento, aumenta a eficiência de varrido e atenua a instabilidade de fluidos viscosos. Dentre os gases utilizados na recuperação de reservatórios podemos destacar o CO2 que nos últimos anos vem sendo bastante utilizado por grandes companhias petrolíferas por apresentar um desempenho bastante satisfatório no fator de recuperação de reservatórios economicamente improdutivos, mas que têm quantidades significativas de óleo dentro. O CO2 tem uma forte atração pelo óleo, dissolvendo-se bem no mesmo, causando vaporização, inchamento e consequentemente deslocamento do mesmo no interior do reservatório (Rosa et al, 2007). Na injeção contínua miscível de CO2 a eficiência do deslocamento é alta, sendo a saturação do óleo reduzida para cerca de 5% do volume poroso da região contatada, mas apresenta a desvantagem de não está disponível facilmente. Já na injeção alternada de água e CO2, o CO2 afeta a permeabilidade relativa da água e a água afeta a permeabilidade relativa da fase rica em CO2 submetida a condições miscíveis (Mello, 2011). Neste trabalho propõe-se o estudo comparativo de um reservatório fictício submetido a estes mecanismos de recuperação, verificando a eficiência destes métodos em relação ao óleo recuperado.

2. Metodologia
Com o intuito prever o comportamento do reservatório diante da utilização de mecanismos de recuperação, a simulação numérica é uma das ferramentas mais utilizadas para este propósito, contribuindo na tomada de decisão. Os simuladores numéricos de reservatórios são geralmente conhecidos como simuladores numéricos de fluxo porque são utilizados para estudar o comportamento do fluxo de fluidos em reservatórios de petróleo empregando uma solução numérica. Existem modelos diferenciados pela qual o comportamento físico e a característica de desempenho são tratados matematicamente nos simuladores numéricos de fluxo, dentre este, o modelo composicional que considera não somente a pressão e a temperatura do reservatório, mas, também as composições das diversas fases presentes no meio poroso. A fase óleo não é considerada como único componente, mas sim pelos vários hidrocarbonetos que compõem o óleo. Neste trabalho será utilizada a simulação numérica para realizar previsão de comportamento de um modelo de reservatório modelo SPE5 utilizando a técnica de injeção miscível contínua de CO2 e injeção alternada de água e CO2. Tal procedimento será executado através de software específico, o GEM do pacote comercial da CMG. O GEM é um simulador de reservatório de composicional completo com recursos avançados para a modelagem de processos em que a composição do fluido e suas interações são essenciais para a compreensão do processo de recuperação. O GEM utiliza 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 uma formulação implícita adaptada que decide automaticamente, que a cada passo de tempo, se o conjunto de blocos deve ser resolvido por modelos totalmente implícitos ou explícitos, reduzindo assim a quantidade de tempo da simulação e preservando a estabilidade dos cálculos (CMG, 2008).

2.1 Formulação Nesta seção serão descrita as equações e variáveis utilizadas no GEM para solução das equações utilizadas no problema. As equações de escoamento são discretizadas usando o método adaptativo-implícito (Collins, Nghiem e Li, 1986; Thurnau Thomas, 1983 apud GEM, 2008), pois abrange tanto o método explícito, transmissibilidade e do método totalmente implícito como casos particulares. As equações de balanço de material para os componentes da fase óleo, gás e água por diferenças finitas estão detalhadas a seguir: Balanço de Massa:
m m m m m ψ i  ΔT0m yio (p n1  γ0 ΔD)  ΔTgm yig (p n1  ΔPcog  γ g ΔD)  qim 

V [N in1  N in ]  0 i=1,....nc Δt

(1)
m m m m ψ nc 1  Tw (p n1  ΔPcwo  γ w ΔD)  q nc 1 

V n n [N nc1  N nc 1 ]  0 1 Δt

(2)

Em que:

Ni(i  1,.. c ) = Moles do componente i por unidade de volume do bloco ....n

n n c 1 = Moles de água por unidade de volume do bloco
γ g o =Gravidade especifica do gás ou óleo

Pcwo = Pressão capilar água-óleo
Pcog =Pressão capilar óleo-gás yij = Fração molar do componente i na fase j
q = Taxa de injeção/produção

D = profundidade
V = Volume do bloco

Assume-se que não há transferência de massa entre as fases hidrocarbonetos e água. Quanto às sobrescrites n e n +1 esta relacionado ao tempo atual e o posterior. Já o expoente m refere-se ao n para o gridbloco explicito e n+1 para o gribloco completamente implícito. No GEM, o termo explicitamente refere-se gridbloco com transmissibilidade explícita onde a pressão é tratada apenas de forma implícita. Os N i estão relacionados com a fase porosa em função da densidade molar, saturações e composições assim como segue:

Ni   ( o So yio   g S g yig ) N nc 1   w S w
Onde:

i=1,.....nc

(3) (4)

 o-g =Densidade do óleo e do gás;
 = Porosidade; S o-g =Saturação do óleo e do gás

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Equilíbrio de Equilíbrio de Massa: Uma vez que o sistema de hidrocarbonetos está na região bifásica em uma dada p, T e N i  (i,....nc ) , a fase composicional e separações pode ser obtida resolvendo a equação de equilíbrio termodinâmico (abaixo) para moles da componente i na fase gás.

N ig , os
(5)

gi  ln f ig  ln f io  0

i=1,....,nc

Para N ig , os moles da componente i na fase gás. Os moldes da componente i na fase óleo, N io , pode ser obtido a partir de,

N io  N i  N ig

i=1,....nc

(6)

Equações de Saturação As saturações estão relacionadas com N i e m através da seguinte equação:

S w  N nc 1 /( w )
So  ( 1  S w ) N o /ρo N o /ρo  N g /ρ g
N g /ρ g N o /ρo  N g /ρ g  1  S w  So

(7)

(8)

S g  (1  S w )

(9)

Equações de Volume de Consistência ou Moles Para a definição de N i (i=1,…..nc) temos:

ψp 

nc 1 i 1

N

n 1 i

  n1(ρo S o  ρ g S g  ρw S w )n1  0

(10)

Forçando a consistência entre reescrita como segue:

N i 's e as densidades, saturações e porosidades. Assim a equação (10) pode ser

N
ψ' p  V
i 1

nc 1

n1 i

(ρo S o  ρ g S g  ρ w S w ) n1

 V n1  0

(11)

O primeiro termo da Equação (11) é o volume ocupado pelo fluido (gás, óleo e água) e o segundo termo é o volume poroso. Nesta equação força a consistência entre o volume do fluido e o volume poroso. Uma equação similar é definida para a equação do balanço de volume por Acs et al (1985) e Watts (1986) citado por GEM (2008).

3. Caracterização do problema
O modelo de reservatório utilizado é caracterizado por um sistema de ¼ five-spot invertido, possuindo um poço injetor e um produtor, completados no 1º e 3º layers, respectivamente, com raio de 0.25 ft. O reservatório está localizado a uma profundidade de 975 m do nível do mar com uma pressão referencial de 1100 psis para a profundidade de 935 m. O reservatório é composto por um grid de 7 blocos, em i e j, com dimensões para os blocos de: DI (500m), DJ (500m) e DK variável (50m, 30m e 20 m); Apresenta porosidade constante de 20% e compressibilidade da rocha de 5.0E-6 psi-1, bem como a permeabilidade variável de: PermI (200; 50 e 500 mD); PermJ (200; 50 e 500 mD); e PermK (25; 50 e 50 mD).

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Figura 01. Problema físico. Em termos de dados de poço, foram impostas restrições de operação para o poço produtor e para o injetor. O produtor deve produzir com um valor mínimo de pressão de fundo de poço de 2000 psis e uma vazão de produção máxima irrestrita. Já o poço injetor, com uma cota máxima de injeção de gás de 1.2e+07 bbl/dia. Como se trata de um problema composicional, os componentes que caracterizam a composição do hidrocarboneto são C1, C2, C3, C4, C5, C6, C7-13, C14-20, C21-28, C+29, cada um com massa molecular diferenciada. O período de simulação da produção neste modelo de reservatório ocorre durante um período de 30 anos. A injeção alternada de água e CO2 foi realizada em intervalos anuais, iniciando o ciclo com água.

4. Resultados
As análises comparativas foram realizadas entre dois cenários composicionais onde a diferenciação é dada basicamente pela técnica de recuperação utilizada no reservatório, injeção continua (ICG) e alternada (WAG). Foram analisados para três condições de pressão de injeção, 1200, 1850 e 2175 psi, no qual segundo (Assis et al, 2011), a pressão de 1200 psi estaria abaixo da escala mínima de miscibilidade (PMM). Os resultados foram analisados para a pressão de 1850psi em ambos os cenários, em termos do varrido horizontal representado pelo frente de saturação de óleo; da pressão dos blocos adjacentes ao poço produtor durante o processo de produção. O fator de recuperação, que representa o parâmetro mais expressivo para avaliação da produção, foi analisado para as pressões de 1200psi e 2175psi. Pressão: Para analisar o comportamento do five-spot (reservatório) diante destas técnicas, destaca-se primeiramente a pressão nas proximidades do poço produtor.

Figura 02. Evolução temporal da pressão no poço produtor. 5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Conforme Figura 02 observa-se que no caso utilizando a técnica de injeção contínua (Caso Base- BHP1850), quase que instantaneamente a pressão no poço alcança patamares de 2000 psi. Já na injeção alternada de água e gás (Caso WAG-BHP1850) esta elevação da pressão é retardada em aproximadamente 3 anos. Percebe-se nos anos subsequentes (10 primeiros anos) a pressão se mantém constante em ambos os sistemas de injeção (Figura 02), a partir de 2020, para a técnica de injeção alternada, a pressão aumenta. Os níveis de pressão neste caso WAG foram bem mais expressivos que no caso ICG, porém, apresentando um comportamento alternando entre picos e queda, atingindo no ano de 2030 uma pressão de quase 6000 psis. Tal comportamento deve-se a chegada de fluido no poço produtor influenciada pela atuação da técnica na alternância do tipo de fluido injetado. Razão água óleo na superfície (RAO) – Na Figura 03, observamos o comportamento da pressão e a razão água-óleo no poço produtor para o caso de injeção alternada. Diante desta, verificou-se que ambos, a pressão e RAO, apresentam um comportamento alternado de picos e quedas (Figura 03) a partir do ano de 2020 até o ano de 2040. Os pontos de picos acompanham a chegada da água no poço produtor, fato que é traduzido pelo aumento da razão água-óleo. Inicialmente até o ano de 2020, a RAO é zero indicando que não chegou água no poço produtor ou a quantidade é irrelevante. A partir do ano 2037 observa-se uma tendência à redução na pressão e na razão água-óleo indicando um grande declínio na produção.

Figura 03. Evolução temporal da razão água-óleo. Razão gás óleo na superfície (RGO) – Neste tópico verifica-se o comportamento na produção de óleo no reservatório em termos da razão gás-óleo. Diante da Figura 04 verifica-se uma tendência crescente da razão gás-óleo em ambas as técnicas, injeção contínua e alternada, até meados do ano de 2025. A técnica de injeção contínua, linha vermelha, segue em uma linha progressivamente crescente, indicando o aumento gradativo de gás na superfície. Já na WAG, linha azul tracejada, apresenta picos e níveis constantes. Este comportamento de picos mostra a chegada do gás no poço produtor e os níveis constantes, a chegada da água. No ano de 2040 os valores de RGO alcançados são praticamente os mesmos para ambas as técnicas de injeção.

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Figura 04. Evolução temporal da razão gás-óleo. Varrido horizontal - A eficiência de varrido horizontal é definida como a relação entre a área invadida pelo fluido injetado e a área total do meio poroso, ambas medida em planta (ROSA et. al. 2007). Na análise visual, conforme Figura 05, a técnica de injeção alternada contribuiu significativamente para uma melhor varredura de óleo. Este cenário pode ser observado nos períodos destacados 2015, 2030 e 2040. O impacto na redução da saturação de óleo pode ser observado nos primeiros 15 anos, no qual a diminuição da saturação de óleo é bastante significativa nas proximidades do poço injetor para a técnica WAG. Enquanto que, nesta técnica no ano de 2012 a saturação registra valores de 30-40% perto do poço injetor; na injeção continua a quantidade de óleo no meio poroso ainda é bastante elevada em torno de 70 %. Com a evolução do tempo e com a injeção do fluido em ambas a técnicas a tendência é ocorrer e evolução do varrido e a redução da saturação de óleo no reservatório. Ao final dos 40 anos de produção, o caso de injeção alternada mostra uma saturação inferior a 50%. Já na injeção contínua é verificada uma maior região areal com valores de 80% de saturação de óleo. Esta alta percentagem de óleo no reservatório indica uma baixa eficiência no varrido horizontal. A reduzida eficiência de varrido verificada na injeção contínua de CO2 deve-se as altas razões de mobilidade entre o CO2 e o óleo que provocam a formação de digitações. Já a injeção alternada de CO2 e água reduz a razão de mobilidade desfavorável entre esse solvente e o óleo, aumentando a eficiência do varrido. Fato observado também nos trabalhos de Lake, (1989) e Christensen et al. (2001).

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Figura 05. Cenários da saturação de óleo no plano areal. Fator de Recuperação (FR) – O fator de recuperação representa a relação do volume de óleo extraído da reserva pelo volume de óleo inicial desta, sendo este um parâmetro de grande importância na indústria de petróleo (Ezekwe, 2010) A Figura 06 mostra o fator de recuperação de óleo obtido no reservatório diante das técnicas analisadas para as pressões de 1200 e 2175psi. Nesta figura é verificado que a técnica de injeção alternada apresentou um fator de recuperação próximo de 72% no ano de 2025 e 85% no ano de 2040, para as pressões de 1200 e 2175psi. Enquanto que no modelo de injeção contínua de gás este fator apresentou valores próximo de 59% e 75% para os anos de 2025 e 2040, respectivamente. A curva para a técnica WAG o fator analisado cresce de forma mais acentuada aproximadamente até o ano de 2018, em seguida apresenta uma inflexão no ano de 2020 e um crescimento mais discreto a partir deste ano.

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Figura 06. Fator de Recuperação de Óleo.

5. Conclusões
Face aos resultados apresentados, nota-se que a variação de pressão no poço produtor reflete o comportamento da alternância dos fluidos injetados (água e gás) para o caso de injeção alternada. No caso de injeção contínua a pressão manteve níveis constantes e uma razão gás-óleo continuamente crescente devido à injeção de gás ocorrer de forma contínua durante todo o processo de produção. Na verificação do varrido horizontal percebeu-se que para a WAG o deslocamento do óleo ocorreu de maneira mais eficiente, registrando uma menor saturação de óleo no final do processo de simulação. O comportamento da pressão nos blocos próximos ao poço produtor, para o caso de injeção alternada, apresentou valores mais elevados comparados ao caso de injeção contínua. Na comparação dos valores do fator de recuperação, a injeção alternada provocou um aumento de 14,16% para o ano de 2025. No ano de 2040 esta discrepância foi atenuada para o valor de 8,87%. O aumento do fator de recuperação para a técnica WAG está coerente com a literatura de trabalhos publicados nesta área (Matte, 2011). Este comportamento também foi observado para as pressões de 1200 e 2175psi. Esta variação de pressão, tanto para a WAG quanto para ICG não resultou em um impacto relevante no fator de recuperação.

6. Agradecimentos
O presente trabalho foi desenvolvido com recursos provenientes do Programa de Recursos Humanos da Agencia Nacional do Petróleo, PRH-26.

7. Referências
ASSIS, D. C. A. de; SILVA, N. V. S. da; GUIMARÃES, L. J. N.; Análise do Comportamento de Um Reservatório de Oléo Com Injeção de CO2, Segundo a Variação de Pressão. In 6º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Petróleo e Gás, 2011. CHRISTENSEN, J., STENBY, E., e SKAUGE, A. Review of WAG field experience. SPE Reservoir Evaluation & Engineering (04), 2001. EZEKWE, N., Petroleum reservoir engineering practice, Pearson Education (US), 2010. GEM, CMG - Computer Modelling Group, Calgary, Alberta Canada , 2008. LAKE, L. W.Enhanced Oil Recovery. Pretince Hall, 1989. 9

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 MATTE, A. da C., Métodos Especiais de Recuperação Avançada de Petróleo Utilizando Injeção de Dióxido de Carbono Gasoso e seus Processos Derivados. Projeto de Graduação. Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011. MEZZOMO, R. F. PRAVAP - Tecnologias que Viabilizam Recuperação em Reservatórios, Boletim eletrônico da UNICAMP, 2000, <http://www.dep.fem.unicamp.br/boletim/bolnovembro/artigoPravap.htm. Data de acesso: 18/08/2009. MELLO, S. F. de; Estudo Sobre Simulação Composicional de Reservatórios de Petróleo Com Injeção de C02 mestrado --Campinas, SP: [s.n.], 2011. PINTO, T. de A., Estudo Paramétrico de Recuperação de óleo no Processo de Drenagem Gravitacional com Injeção de CO2. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Mestrado, 2009. ROSA, A. J., CARVALHO, R. de S. & XAVIER, J. A. D., Engenharia de Reservatórios de Petróleo / INTERCIÊNCIA, 2007. SANTANA, A. P. S. C. Simulação Bidimensional Alternada de Água e Gás. Universidade Estadual de Campinas, Mestrado, 1999.

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