Modulo 1

247 Drenagem Urbana
Prefeitura Municipal de Curitiba Instituto Municipal de Administração Pública – IMAP Série: Desenvolvimento de Competências Área: Específica

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Beto Richa Prefeito Municipal

Carlos Homero Giacomini Presidente Maria do Carmo A. de Oliveira Superintendente Elaboração: Cláudio Marchand Krüger Maurício Dziedzic Elaine Rossi Ribeiro Diretora

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ESCOAMENTO......... 129 CAPÍTULO 2 ....1 1................. 122 Dimensionamento de Canais..............................4 3...........................................................14 3.......................................... 78 Manipulação de dados de vazão ......... 49 Grandezas Características ................... 30 Variações espaciais e temporais da precipitação................................................................................................ 85 Estudos de Cheias e aspectos de modelagem matemática ................................... 103 Terminologia .. 4 Situação atual dos recursos hídricos no mundo ....... 98 Conceito de Microdrenagem.............. 59 Hidrograma Unitário..................................................... 17 Introdução............. 119 Aplicações ...........9 3.......................................................8 2...................................... 81 Vazões de Cheias...................122 Prefeitura Municipal de Curitiba ...4 4.......1 5.12 3....................................................................................................................... 23 Instrumentos e métodos de observação............. 63 Hidrograma Unitário Sintético..............................6 3.... 4 1.....3 2.6 2......................................................... 5 O Ciclo Hidrológico e a Bacia Hidrográfica...................4 1.........2 2.......................................................7 3................................................ 52 Curva de descarga (Curva-chave)............................................................5 2.......................................9 3............. 122 Hidráulica de Canais...........3 1................................10 3........... 21 Definição de chuva e tipos..........5 3............................................................................... 21 Conceito de chuva intensa ..3 A Hidrologia e o papel do Hidrólogo ........................ 22 Redes de monitoramento pluviométrico ............................. 70 Medições de Vazão ...............2 1.................................................... 11 Características fisiográficas de uma bacia hidrográfica ...................................................................................................................1 2. 103 Esquema Geral de Projeto .....................................INTRODUÇÃO..... 25 Consistência dos dados pluviométricos...Plano de Desenvolvimento de Competências 2 ..........MACRODRENAGEM ...................... 110 Dimensionamento Hidráulico.......................... 21 CAPÍTULO 3 ............13 3......................................................................................4 2..............5 4................................................................................................................. 48 CAPÍTULO 4 ................................6 4................................................................................................................ 22 Importância da precipitação em estudos de drenagem urbana............ 50 Fatores intervenientes no Escoamento Superficial ...............Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP ............................PRECIPITAÇÃO .8 3........................................... 106 Determinação da Vazão ...7 2................................................................. 8 O balanço hídrico na bacia hidrográfica ................. 29 Freqüência de totais precipitados.....................MICRODRENAGEM ............................................................................................................SUMÁRIO Módulo 1 – Drenagem Urbana CAPÍTULO 1 ................... 94 Propagação de Cheias em Rios .....5 2...................................................2 5...........2 4..2 3... 112 Galerias de Águas Pluviais..... 89 Propagação de Cheias em Reservatórios ...................11 3...............................................................1 4....... 74 Vazões máximas – Método Racional ...................103 CAPÍTULO 5 ........................................................................................................................................3 4. 121 Conceitos de Macrodrenagem.................................... Estimativa da Vazão Máxima de Projeto ... 41 Conceitos Básicos ............ 48 Componentes do escoamento nos cursos de água ..................1 3......................................15 4........................................................................................................................7 5......3 3.................... 50 Separação do Escoamento Total ..............

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................................7 Obras de Proteção .........................139 Prefeitura Municipal de Curitiba ...........................5.............6 Borda livre ..4 Propagação de Vazões................................... 132 5....................................134 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................135 ANOTAÇÕES ...........Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP ........................ 132 CORPO DOCENTE..........................................................................................................................................................Plano de Desenvolvimento de Competências 3 ...............................................................8 Aplicação............................................. 130 5....... 131 5............................... 132 5.......................................................................................................5 Estabilidade dos Canais........

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Isto inclui a previsão de obras de proteção como diques. escoamento superficial com geomorfologia. infiltração. Em 1962. por exemplo. A extensão. Prefeitura Municipal de Curitiba .S.” Como ciência da terra. escoamento de águas subterrâneas. lago. National Research Council propôs a seguinte definição de hidrologia: “Hidrologia é uma ciência que trata das águas na Terra. A Hidrologia se preocupa com a água sobre a superfície da terra ou próxima da superfície. e sua reação com o ambiente. Por controle da água entende-se o controle de extremos hidrológicos. escoamento em rios e canais e o transporte de substâncias dissolvidas ou suspensas na água em movimento. como um rio. escoamento superficial. as águas dos oceanos são um domínio da oceanografia e de outras ciências ligadas ao mar.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . circulação e distribuição. O grande desafio da pesquisa em hidrologia é justamente a solução gradual das dúvidas a respeito dos processos da natureza através da observação e aprofundamento de pesquisas teóricas. barragens. O hidrólogo trabalha principalmente com três tipos de problemas: uso da água. principalmente cheias e estiagens e a erosão e transporte de sedimentos que ocorrem durante cheias. águas subterrâneas com geologia. suas propriedades químicas e físicas.Plano de Desenvolvimento de Competências 4 . a hidrologia está muito relacionada com outras ciências naturais. por exemplo. Para compreender a precipitação e evaporação. são necessários conhecimentos de climatologia e meteorologia. indústrias e agricultura. A principal tarefa do hidrólogo é definir as entradas de água e constituintes de um sistema de recursos hídricos. controle da água e controle de poluição. rios e aqüíferos para suprimento de água de cidades. vazão nos rios com mecânica dos fluidos.INTRODUÇÃO A Hidrologia é a ciência que estuda a circulação da água e seus componentes através do ciclo hidrológico. infiltração está intimamente ligada com ciências do solo. a água que gera energia em uma usina ou serve para recreação em um lago. 1. incluindo sua relação com os seres vivos. complexidade e incerteza inerente aos fenômenos hidrológicos são tão grandes que levam algumas pessoas a pensar se algum dia a hidrologia será completamente compreendida. ou sistema de aqüíferos.1 A Hidrologia e o papel do Hidrólogo A Hidrologia é uma ciência porque lida com uma classe de fenômenos naturais governados por leis as quais o hidrólogo procura entender e prever. Da mesma forma. o U. e proteção da vida selvagem que habita estes sistemas hídricos. O hidrólogo deve calcular as entradas no sistema para condições normais e de estiagem (secas) e prever como diferentes taxas de consumo ou políticas de uso da água iriam afetar o fluxo através do sistema. e traçar o movimento da água e constituintes à medida que os mesmos passam através do sistema. sua ocorrência. Ela envolve o estudo da precipitação (em suas diversas formas).CAPÍTULO 1 . Por uso da água entende-se as retiradas de água dos lagos.

Estes valores absolutos não refletem completamente a disponibilidade hídrica dos continentes. e este número varia bastante no espaço e tempo.2 Situação atual dos recursos hídricos no mundo Quantificar a quantidade de água que circula na terra é uma tarefa das mais complicadas. meses) os valores do armazenamento na hidrosfera variam permanentemente durante os ciclos de transferência de água para os oceanos. O valor do fluxo médio dos recursos hídricos renováveis é estimado em 42750 km3 por ano. Inclui toda a água líquida ou congelada. 1. Está em permanente movimento. na superfície da terra. A quantidade total de água na hidrosfera1 consiste da água livre nos estados líquido. Além da quantidade. Estima-se que a hidrosfera contenha uma quantidade enorme de água. portanto. Entretanto.5% da água na Terra é “água doce”. Os valores acima caracterizam o chamado armazenamento estático na hidrosfera. Em termos do valor absoluto. Pelo controle de poluição entende-se a prevenção da dispersão de poluentes ou contaminantes em corpos d’água naturais ou artificiais e a eliminação da poluição existente. A tabela 1 apresenta a distribuição dos recursos hídricos e a disponibilidade nos continentes. Ártico e regiões montanhosas. aproximadamente 97. este valor pode variar em uma faixa de ±15-25% dos valores médios. estações. a maior quantidade de recursos hídricos está localizada na Ásia e América do Sul (respectivamente.5% desta quantidade é água salgada. Para intervalos de tempo mais curtos (anos. convertendo-se em líquido. definição de políticas para regular o desenvolvimento dentro das áreas sujeitas a inundação.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Águas subterrâneas compreendem mais ou menos 30% do total da água doce.Plano de Desenvolvimento de Competências 1 5 . e na crosta até uma profundidade de 2000 metros. continentes e atmosfera. a quantidade média de água contida simultaneamente nos corpos de água. Apenas 0. sendo estas as formas mais acessíveis economicamente. A maior parte da água doce (68. Estas trocas formam o chamado Ciclo Hidrológico Global. é necessário determinar também a forma (livre ou limitada) e o volume da água no nosso planeta. É o armazenamento de longo termo. a velocidade e distância de dispersão da poluição. 13500 e 12000 km3 por ano). Os menores volumes são encontrados na Europa e Austrália/Oceania (2900 e 2400 km3 por ano). aproximadamente 1386 milhões de quilômetros cúbicos. reservatórios e rios. aproximadamente. sólido ou gasoso na atmosfera. água subterrânea no solo e rochas e o vapor de água da atmosfera. Prefeitura Municipal de Curitiba . A disponibilidade hídrica dos continentes em metros cúbicos de água por km2 e por pessoa é mostrada na tabela 2. pois eles diferem muito em área e especialmente em termos de população. apenas 2.26% da água doce da terra está concentrada em lagos. Camada descontínua de água na superfície ou próxima da superfície da Terra.7%) está na forma de gelo e neve permanente na Antártida. Para anos individuais. Aqui o hidrólogo deve determinar as fontes e a extensão da poluição. devido ao fato de que a água é um elemento dinâmico. aqüíferos e atmosfera. sólido e fases gasosas.esquemas de controle como o traçado de mapas de inundação.

Plano de Desenvolvimento de Competências 6 . A maior redução anual per capita de suprimento de água ocorreu na África (2.7 5633 Recursos Hídricos (km3/ano) Média 2900 7890 4050 13510 12030 2400 42780 Potencial (1. Os valores das quantidades mostradas na tabela 2 foram calculados a partir de dados de vazão medidos em rios destes países. percebe-se que o Brasil possui o maior potencial hídrico do planeta.50 17.1 . As fontes de mais de 40% do volume de água dos rios do mundo estão nestes países. Amazonas.Devido ao grande crescimento populacional do planeta entre 1970 e 1994.40 5.000 m3/ano) Per Capita 4. Congo. Pela tabela 2. 27% dos recursos hídricos do mundo são formados pelos cinco principais sistemas fluviais: Amazonas.10 43. com déficits e sobras de água. Ganges.23 17.00 População 1994 (milhões) 685 453 708 3445 315 28. contribui com 16% de todo o volume de água dos rios.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .2 83.7 vezes). A disponibilidade hídrica na Europa diminuiu no mesmo período em apenas 16%. Yangtze. A lista mostrada na tabela 2 inclui países desenvolvidos e em desenvolvimento de todos os continentes.7 7. Tabela 1. Ásia (2. EUA.Recursos hídricos renováveis e disponibilidade hídrica por continentes (Shiklomanov.60 Europa América do Norte África Ásia América do Sul Austrália e Oceania Mundo Além da análise por continentes.72 3. mesmo não sendo o país com a maior extensão territorial. China e Índia. é interessante analisar a disponibilidade hídrica dos principais países.8 vezes menor). A maior quantidade de recursos hídricos renováveis está concentrada em seis países principais do mundo: Brasil. O maior rio do mundo. e Orinoko.30 30.0 vezes) e América do Sul (1. assim como países com economias em transição e também os maiores e menores países em área e população.46 24.000 m3/ano) Por 1 km2 277 324 134 311 672 269 316 Potencial (1. Os países incluídos na análise contém as fontes de 71% dos recursos hídricos globais e em torno de 70% da população da terra. Também foram incluídos países perto dos pólos. Canadá. a disponibilidade potencial de água diminuiu de 12900 para 7600 m3 por ano por pessoa.92 38. 2000). Prefeitura Municipal de Curitiba . Rússia.95 135. Continente Área 106 km2 10.90 8.

00 130.00 329.00 1209.08 0.05 0.11 3.00 237.67 1.78 0.13 1.00 210.00 0.00 281.54 32.00 1900.00 166.90 175.00 32.60 10.07 1.00 31.14 0.00 5.00 2200.72 10.40 50.00 0.12 466.20 2.10 623.30 9.15 0.00 34.00 21.60 0.90 8.20 423.45 5.00 361.27 0.00 234.80 4.52 313.30 42.00 2.10 3.00 397.42 5.00 730. hídrica potencial (103 m3/ano) Por km2 Per capita 637.90 47.90 10.00 265.60 (106 km2) 0.40 132.00 6.33 43.00 13.00 97.00 107.93 148.40 7.02 0.98 1.08 2.10 18.90 45.30 19.00 28.28 1.19 166.80 1.00 144.00 20.00 193.10 2.00 270.24 1.00 328.00 3287.00 313.80 84.00 2.80 39.00 989.70 4.20 55.64 25.18 9.47 10.34 Recursos Hídricos 3 (km /ano) Entrada* Local** Média Média 5.67 11.00 1053. Área Países Albânia Argentina Armênia Austrália Azerbaijão Bielorússia Bolívia Brasil Canadá Chade Chile China Colômbia Costa Rica Cuba Equador El Salvador Espanha Estônia França Gabão Gâmbia Geórgia Honduras Índia Jamaica Kazaquistão Kyrgistão Latvia Lituânia Mali México Móldova Nicarágua Niger Nigéria Nova Zelândia Panamá Peru Portugal Rússia Senegal Sudão Tadjiquistão Turquimenistão Ucrânia Uruguai USA Uzbequistão Zaire * ** População 1995 (milhões) 3.68 0.77 10.00 94.10 219.53 5.80 168.00 51.62 28.67 2.60 2.00 354.Recursos hídricos e disponibilidade hídrica por países (Shiklomanov.80 155.30 2.75 89.11 23.14 19.10 8.55 17.40 34.00 20.00 32.2 .40 0.40 0.04 17.01 2.00 4.10 3.51 345.01 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .50 94.43 16.56 3.00 1200.54 56.90 21.20 0.60 1.10 68.22 3.00 214.00 110.49 0.00 11.07 159.38 3.30 7.60 1.00 0.00 8.70 3.97 9.00 0.01 11.00 6220.20 74.56 51.28 0.00 0.27 0.70 26.70 275.00 45.00 313.00 945.78 10.08 5.40 3.51 0.00 352.80 315.00 14.18 14.92 0.30 3.00 315.00 859.40 15.28 0.10 0.55 0.00 2930.70 0.00 34.05 0.08 1.58 3.50 2.61 39.00 1354.00 445.00 15.00 36.38 436.45 2.00 6.20 120.00 Dispon.00 176.00 6.00 8.03 6.00 730.00 34.00 18.60 34.07 0. Local: Volume de água que tem origem no próprio país.11 0.00 60.10 245.00 265.70 2.00 2.90 68.30 378.06 6.90 11.72 0.10 148.20 5.76 9.01 51.00 8.09 17.97 0.21 1.00 6.90 Entrada: Volume de água que entra no país através de suas fronteiras.03 0.49 919.90 1.20 17.50 54.90 222.83 299.Plano de Desenvolvimento de Competências 7 .20 39.00 2701.93 4.00 109.56 22.00 820.09 0.00 40.00 581.75 9.58 0.00 759.06 0.90 0.70 3. 2000).20 3.00 1456.00 0.00 1800.27 0.00 946.00 93.90 17.80 26.30 1.27 0.23 35.00 4053.60 1.60 23.42 11.50 8.20 0.60 46.20 69.10 2.51 0.00 34.94 2.90 7.Tabela 1.20 262.00 144.80 9.00 1100.90 3.00 25.00 0.40 13.00 1.03 7.00 0.00 1159.00 2.30 3.43 4.65 2.60 205.00 305.50 2.00 3.51 9.18 85.85 108.50 9.00 48.36 0.20 159.40 5. Prefeitura Municipal de Curitiba .40 55.00 845.10 11.10 27.28 0.03 2.

a partir dos quais irá eventualmente evaporar novamente.1.3 O Ciclo Hidrológico e a Bacia Hidrográfica 1.Ciclo hidrológico (Adaptado de Maidment. produz recarga no aqüífero subterrâneo. Prefeitura Municipal de Curitiba .3. em unidades relativas à precipitação sobre a superfície da terra (119000 km3/ano) a qual é mostrada como 100 unidades na figura. e por último. produz escoamento superficial sobre a superfície da terra. A água evapora dos oceanos e da superfície é conduzida sobre a terra na forma de circulação atmosférica em vapor de água.1 . fazendo com que os oceanos sejam a fonte primária de precipitação sobre a superfície da terra. transforma-se em vazão nos rios.Plano de Desenvolvimento de Competências 8 .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . escoa para os oceanos. 1993) Os volumes de água que se movem anualmente através das fases do ciclo hidrológico são mostrados na figura 1. nuvens Precipitação sobre a terra (100) Vapor d’água dos oceanos que volta para o continente (39) Evaporação da terra (61) Precipitação sobre o oceano (385) Evapotranspiração Infiltração Evaporação Nível do lençol freático Lago Evaporação do oceano (424) Recarga do lençol subterrâneo Camada impermeável Descarga subterrânea (1) Descarga superficial (38) Oceano Figura 1. movido por energia solar ou conduzido por gravidade. infiltra no solo.1 Componentes do ciclo hidrológico O ciclo hidrológico é um dos princípios fundamentais da hidrologia (figura 1). Este imenso mecanismo. O volume anual de evaporação dos oceanos (424 unidades) é sete vezes maior que o volume evaporado da superfície da terra (61 unidades). O volume anual de vazão que escoa da superfície da terra para os oceanos (39 unidades) é quase todo de água superficial (38 unidades) e é contrabalanceado por uma quantidade igual de fluxo de vapor de água dos oceanos para os continentes. é interceptada por árvores e vegetação. funciona ininterruptamente na presença ou ausência de atividade humana. precipita novamente como chuva ou neve.

a precipitação anual sobre a superfície dos continentes atinge 800 mm. A bacia hidrográfica é composta basicamente por um conjunto de superfícies vertentes e de uma rede de drenagem formada por canais ou cursos de água que confluem até resultar um único leito no exutório da bacia. A bacia hidrográfica é uma área de captação natural da água da precipitação que faz convergir os escoamentos para um único ponto de saída. em termos ideais.3.3 .001 100 2.003 0.0012 1.5 10 530 000 12 870 000 16 500 24 023 500 340 600 91 000 85 400 11 470 2 120 1 120 12 900 1 385 984 610 35 029 210 0.93 0.5 Porcentagem de água doce 30.Quantidades de água nas diversas fases do ciclo hidrológico (Maidment.04 100 1.26 0. a dominância dos oceanos em suprimento de umidade atmosférica é devida em parte por um ciclo hidrológico mais ativo sobre os oceanos.Plano de Desenvolvimento de Competências 9 . Item Oceanos Água subterrânea Doce Salgada Umidade do solo Gelo polar Gelo e neve (outros) Lagos Doces Salgados Pântanos Rios Água em animais e plantas Água na atmosfera Volume total de água Água doce Volume (km3) Porcentagem do volume total de água 1 338 000 000 96.0008 0. A bacia hidrográfica. Tabela 1.1 0.0002 0.2 A bacia hidrográfica O ciclo hidrológico tem seu maior interesse na sua fase terrestre. 1993).006 0. em torno de dois terços de seu valor sobre os oceanos. é delimitada fisicamente pelos divisores de água superficiais.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .05 68. Prefeitura Municipal de Curitiba .007 0.7 0. A evaporação anual dos continentes é 480 mm. e em parte por sua maior cobertura sobre a superfície da terra.025 0. obrigatoriamente irá escoar através de seu exutório (figura 2).03 0. um terço do que ocorre sobre os oceanos. Logo.0001 0.6 1.Quando as mesmas quantidades dos volumes de água são expressas em unidades de altura de água ao invés de volume.0 0.006 0. chamado de exutório. de tal forma que a água precipitada internamente a esses divisores. onde a unidade fundamental de análise é a chamada bacia hidrográfica. e os restantes 320 mm formam o escoamento superficial dos continentes para os oceanos.76 0.

3 . Os volumes de água evaporados e infiltrados podem ser considerados como perdas intermediárias. a bacia pode ser tratada como um sistema físico que tem como entrada um volume de água precipitado e que produz como saída o volume de água escoado pelo exutório. porque seu valor multiplicado pela lâmina de chuva precipitada define o volume de água recebido pela bacia. coberturas do solo.3. Por isso.Plano de Desenvolvimento de Competências 10 . 1989) Usando uma concepção mais abstrata.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . comprimentos. 1. Fluxos  Volume    tempo     Precipitação Vazão de saída da bacia Tempo Figura 1. representada normalmente por A e dada em hectares ou quilômetros quadrados é um dado fundamental para definir a potencialidade hídrica da bacia hidrográfica.2 . A figura 3 ilustra o papel hidrológico da bacia hidrográfica. As principais informações são a área da bacia (ou área de drenagem). A área da bacia. fotografias aéreas e imagens de satélite. considera-se a área da bacia Prefeitura Municipal de Curitiba . Na figura.Representação de uma bacia hidrográfica em planta e em corte transversal (Fonte: Ramos. entre outros. o gráfico da vazão ao longo do tempo é chamado de hidrograma e o gráfico da precipitação é chamado de hietograma.3 Dados fisiográficos da bacia hidrográfica Dados fisiográficos são todos os dados que podem ser extraídos de mapas. A figura 3 ilustra esta transformação de chuva em vazão. declividades. transformando uma entrada de volume concentrado no tempo (chuva) em uma saída de água (escoamento) mais distribuída ao longo do tempo.Transformação da precipitação em vazão na bacia hidrográfica.Figura 1.

hidrográfica como a sua área projetada verticalmente. Uma vez definidos os contornos (divisores de água) da bacia, a sua área pode ser obtida através de planímetros, ou através de cálculos matemáticos de mapas arquivados eletronicamente através de um sistema de CAD ou SIG (Sistema de Informações Geográficas). 1.3.4 A bacia hidrográfica como Modelo Numérico de Terreno

Atualmente é possível arquivar eletronicamente a superfície de uma bacia hidrográfica e, a partir dessas informações, estudar computacionalmente sua fisiografia, com auxílio de um SIG. Um arquivo digital representativo da variação contínua de um terreno costuma ser chamado de Modelo Numérico de Terreno, ou MNT. O MNT é a informação básica para a geração automática dos divisores de água, a própria rede de drenagem e o cálculo dos parâmetros fisiográficos básicos, como áreas, declividades e outros. Convém lembrar que a qualidade do resultado das análises automáticas estão sempre limitadas pela resolução das informações básicas (fotografia aérea, imagem de satélite ou pontos de elevação medidos em campo).

1.4 O balanço hídrico na bacia hidrográfica
Como visto anteriormente, o ciclo hidrológico é o ciclo de circulação da água na hidrosfera, e ocorre de forma global e ininterruptamente na Terra. É de grande aplicação em Engenharia de Recursos Hídricos a avaliação do ciclo na unidade hidrológica básica representada pela bacia hidrográfica. Este balanço de volumes, conhecido como Balanço Hídrico escreve, para um dado intervalo de tempo, a equação que relaciona as entradas e saídas da bacia hidrográfica. Se a equação for escrita para uma seção representada pela superfície do solo em uma bacia (Ramos, 1989),

P = S + E S + TS + ∆VS + I
onde os índices “S” representam fenômenos ocorrendo na superfície do solo, e P é a precipitação; S o escoamento superficial; E é o volume de evaporação; T é o volume de água transpirado pelas plantas (que retorna à atmosfera); I é o volume de água infiltrado no solo; ∆VS é a variação do volume armazenado. Caso a mesma equação seja escrita para uma seção imediatamente abaixo da superfície do solo,

I = B + E B + TB + ∆V B
onde os subscritos “B” agora representam fenômenos que ocorrem no subsolo. O componente B representa o volume de escoamento subterrâneo. A partir das duas equações anteriores, tem-se a equação geral do balanço hídrico para uma bacia hidrográfica:

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P = S + B + ( E S + E B ) + (TS + TB ) + ∆V S + ∆V B
Se forem desprezados os índices,

P = S + B + E + T + ∆V
É possível ainda agrupar os escoamentos superficial S e subterrâneo B em um único termo, denominado deflúvio total D, e a evaporação E somada à transpiração T compõe a chamada evapotranspiração EVT . Portanto,

D = S + B, EVT = E +T.
Após estas modificações, chega-se à equação do Balanço Hídrico Simplificado:

P = D + EVT + ∆V
É importante tecer algumas considerações a respeito do termo ∆V . Se o intervalo de tempo considerado for longo (vários anos, por exemplo), o termo ∆V será o resultado da soma de vários armazenamentos positivos (bacia recebeu mais água do que saiu pelo exutório) e negativos (saiu mais água do que entrou), portanto é possível desprezar o termo ∆V , pois a soma dos armazenamentos durante um longo intervalo será aproximadamente nula. Isto ocorre porque o ciclo hidrológico representa um sistema fechado, sem perda ou criação de água. No entanto, para um período curto (um ano isolado, por exemplo), a desconsideração do termo ∆V pode resultar em avaliações incorretas dos componentes do balanço hídrico. Esta forma simples de avaliação do balanço hídrico permitiu estimar os principais componentes do balanço hídrico para as principais bacias hidrográficas brasileiras, conforme pode ser visto na figura 3. (Ramos, 1989) Exemplo 1 – Em uma bacia hidrográfica com área de 2 km2, o total precipitado em um ano foi de 1400 mm. Calcule a evapotranspiração total neste ano na bacia, sabendose que a vazão média anual no exutório da bacia foi de 50,0 l/s. Despreze as variações de armazenamento. Solução: A equação do armazenamento, resulta: balanço hídrico simplificado, desprezando-se o

P = D + EVT
O escoamento total D = 50 l/s deve ser transformado para a mesma unidade da precipitação P (1400 mm), que está em unidades de altura de água (ou volume precipitado dividido pela área da bacia). Para fazer a transformação, é necessário calcular o volume escoado em um ano e dividir pela área da bacia (no caso, 2 km2). O deflúvio médio anual, em m3, resulta

D = 50 x 365 x 86400 x 10-3 = 1576800 m3
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Dividindo pela área de 2 km2 = 2 x 106 m2, resulta:

D = 1576800 / (2 x 106) = 0,7884 m = 788 mm
Finalmente, a evapotranspiração pode ser avaliada por:

EVT = 1400 – 788 = 612 mm.
Os valores calculados significam que o total escoado durante um ano e o total de água evapotranspirado pela bacia representariam lâminas de água sobre a bacia equivalentes a, respectivamente, 788 mm e 612 mm. A aproximação do armazenamento ∆V nulo permite a estimativa dos componentes do balanço hídrico, de forma a caracterizar o regime hidrológico da bacia hidrográfica. Exemplo 2 – Uma bacia hidrográfica tem área de drenagem de 10 km2 e a precipitação média anual na bacia é 1585 mm. A vazão média específica no exutório da bacia é 20 l/s.km2. Um lago será criado na bacia, e a área inundada será 2,5 km2. Sabendo-se que a evaporação direta do lago é igual a 1150 mm por ano, calcule qual será a alteração na vazão média provocada pela implantação do lago. Solução: A implantação do lago aumentará a parcela da evaporação no balanço hídrico da bacia, portanto, supondo que a precipitação média seja a mesma, haverá uma correspondente diminuição na vazão média na bacia. Antes da implantação do lago:

D = 20 x 10 x 10-3 x 365,25 x 86400 / (10 x 106) = 0,631 m = 631 mm EVT = P – D = 1585 – 631 = 954 mm (desprezando o armazenamento)
Após a construção do lago, pode-se supor que a evapotranspiração permaneça igual para a área não inundada. Portanto, o novo valor da evapotranspiração pode ser estimado através de uma média ponderada:

1 3 EVT = 1150 + 954 = 1003 mm 4 4
A nova vazão média no exutório da bacia será

D = 1585 – 1003 = 582 mm = 18,4 l/s (redução de 8%)

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Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Componentes do balanço hídrico nas principais bacias do Brasil (Ramos. 1989) Prefeitura Municipal de Curitiba .Plano de Desenvolvimento de Competências 14 .4 .Figura 1.

as vazões médias de entrada e saída no volume armazenado no subsolo.Exemplo 3 (teórico) – Nos exemplos anteriores. quando não há escoamento superficial. e V é o volume armazenado no subsolo. foi desprezado nos cálculos. Aplicando a equação da continuidade ao volume armazenado em um intervalo de tempo ∆t . simplesmente. respectivamente. dt dV − αdt = . podendo-se supor que a vazão no exutório. Uma forma de representar matematicamente o comportamento deste volume armazenado e sua influência sobre o balanço hídrico é utilizar um modelo linear simples de contribuição do lençol subterrâneo para o talvegue principal da bacia. se Q = αV . V t0 V0 αV = − resultando. a vazão Qe é nula. a vazão dos rios é alimentada exclusivamente pelo lençol subterrâneo.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . ou. finalmente. resultando: V f − Vi ∆t = −Qs ∆V ∆V = −Qs . ∆V . a variação do volume armazenado na bacia. é diretamente proporcional ao volume armazenado no subsolo da bacia: Q = αV onde Q é a vazão no exutório da bacia. e −α ( t −t0 ) = que é equivalente a V V0 Prefeitura Municipal de Curitiba . V f = Vi + Qe ∆t − Qs ∆t onde os índices i e f referem-se aos instantes inicial e final do intervalo e Qe e Qs são. Durante as estiagens. proveniente apenas de contribuição subterrânea. Q = − ∆t ∆t O gráfico do comportamento da vazão do rio em período de estiagem é aproximadamente como mostrado na figura 1. Portanto. e Q=− dV . V t V dV − α ∫ dt = ∫ . Como não há precipitação.Plano de Desenvolvimento de Competências 15 . dt dV .

Plano de Desenvolvimento de Competências 16 .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .65 m3/s e no dia 01/01/1975 foi de 50 m3/s. podemos escrever: Prefeitura Municipal de Curitiba .419 m = 419 mm. do tipo Q = αV . 46. como não houve precipitação.5 × 365 × 86400 = 0. A vazão média no dia 01/01/1974 foi de 21. Conhecida a vazão Q0 no início de um intervalo de tempo durante a estiagem. pode-se estimar que: ∆V = P − D − EVT com D= portanto. é muito usada em hidrologia para representar o comportamento da vazão de um rio em épocas de estiagem. 1989) – Durante o ano de 1974.5 m3/s. a vazão média de um rio que drena uma área de 3500 km2 foi de 46. a vazão Q após um período de tempo ∆t pode ser estimada por: Q = Q0 e − α ( t − t 0 ) A constante α .e − α ( t −t0 ) = Q . também conhecida como equação de Boussinesq. podemos considerar que em períodos sem chuva a vazão está relacionada com o volume armazenado através de um modelo linear simples. Caso não tivesse chovido durante o mês de janeiro de 1975. calcule uma previsão da vazão média no rio no dia 01/02/1975. Q0 Esta equação. Nos dois meses de janeiro. 106 m3 Segundo o Exemplo 3. O total de precipitação neste ano foi 1500 mm e a evapotranspiração somou 1000 mm. chamada de constante de depleção ou constante de recessão. Para um determinado rio. este gráfico será aproximadamente linear. Não choveu durante o mês de dezembro de 1973 e também não durante dezembro de 1974. 3500 × 10 6 ∆V = 1500 − 419 − 1000 = 81 mm (acréscimo de armazenamento na bacia) ou ∆V = 0.081 × 3500 × 10 6 = 283. Uma maneira simples de determinar a constante de recessão α é traçar o gráfico do logaritmo da vazão em função do tempo. e a declividade da reta é a constante α : α=− ln Q − ln Q0 t − t0 Exemplo 4 (adaptado de Ramos. Solução – Supondo-se que a variação do armazenamento da bacia ficou concentrada apenas no lençol subterrâneo.5 . é um fator mais ou menos constante para um determinada seção de um rio e pode ser considerada uma característica física do local.

declividades e coberturas de solo medidos diretamente ou expressos por índices.65 50 − 21. A área é normalmente determinada por planimetria em mapas.765 =38. Tempo de concentração: tempo que uma gota de chuva. Os índices mais utilizados são: o coeficiente de compacidade e o fator de forma. 1.Plano de Desenvolvimento de Competências 17 .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . principalmente na ocorrência de eventos extremos.5 Características fisiográficas de uma bacia hidrográfica As caracterísitcas fisiográficas permitem um melhor entendimento do comportamento hidrológico de uma bacia hidrográfica. que cai no ponto mais distante do exutório (saída) da bacia. Basicamente são áreas. 1.5. comprimentos.21. Prefeitura Municipal de Curitiba . Os dados fisiográficos são todos aqueles que podem ser extraídos de mapas.00 = αV2 . É interessante lembrar que a constante de recessão α pode ser considerada uma constante do local. para os períodos de estiagem.1 Área da Bacia A área de uma bacia é representada por uma área plana inclusa entre seus divisores topográficos. é possível estimar a vazão no dia 01/02/1975 através da equação da curva de recessão: Q = Q0 e − α∆t Q01 / 02 / 75 = Q01 / 01 / 75 e −10 −7 ×31×86400 = 50 × 0.25 m3/s.2 Forma da Bacia A forma superficial de uma bacia hidrográfica é importante pela sua influência sobre o tempo de concentração da bacia. O tempo de concentração é fundamental nos estudos de enchentes. α∆V = 50 − 21. Subtraindo as duas equações. fotografias aéreas e imagens de satélite. leva para atingir o exutório. cuja escala depende das dimensões da bacia e do tipo de estudo a ser realizado. A forma superficial de uma bacia hidrográfica é analisada principalmente através do cálculo de índices que relacionam a forma de bacia com a forma de figuras geométricas conhecidas.5 × 10 Finalmente. 1. ou através de cálculos matemáticos de mapas arquivados eletronicamente através de um sistema de CAD ou SIG (Sistema de Informações Geográficas).65 = αV1 50.65 α= =10-7 s-1 6 283.5.

. A L2 O valor de L é obtido medindo-se o comprimento da bacia quando se segue o curso de água mais longo desde o exutório (saída) até a nascente mais distante da bacia. Indica maior ou menor tendência para enchentes em uma bacia. maior será a tendência a enchentes. .8.Quanto mais próximo da unidade for o valor desse coeficiente.Coeficiente de compacidade (Kc): relação entre o perímetro da bacia e a circunferência de um círculo de área igual à da bacia.28 P A onde: Kc = coeficiente de compacidade (adimensional). . Obs: . . maior será o coeficiente de compacidade e menor será a tendência a enchentes. A = área da bacia (km2).Uma bacia com fator de forma baixo é menos sujeita a enchentes que outra de mesmo tamanho porém com maior fator de forma.Plano de Desenvolvimento de Competências 18 . Kf = onde: Kf =fator de forma (adimensional). Fator de forma (Kf): relação entre a largura média e o comprimento axial da bacia e indica também maior ou menor tendência para cheias na bacia.Quanto mais irregular for a bacia. K c = 0. . A = área da bacia (km2).Para a condição ideal de bacia circular tem-se o valor máximo do coeficiente de forma que é de aproximadamente 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .BACIA 1: circular. L = comprimento da bacia (km). Exercício: Compare os valores do coeficiente de compacidade e do fator de forma de duas bacias hidrográficas que possuem a mesma área A. Obs: .BACIA 2: retangular com comprimento igual ao dobro da largura. P = perímetro da bacia (km). Prefeitura Municipal de Curitiba .O coeficiente mínimo de compacidade é igual aproximadamente a 1 (condição de bacia circular).

5. Ordem dos cursos de água: classificação que reflete o grau de ramificação ou bifurcação dentro da bacia.Plano de Desenvolvimento de Competências 19 . Dd = L A onde: Dd = densidade de drenagem (km/km2). determine a ordem dos cursos de água e ordem da bacia. Exercício: Dada a bacia a seguir. O sistema de drenagem é analisado principalmente em relação à: ordem dos cursos de água e densidade de drenagem.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . O estudo das ramificações e do desenvolvimento do sistema é importante porque ele indica a velocidade com que a água deixa a bacia hidrográfica. segundo a classificação de Strahler. Classificação de Strahler para determinação da ordem dos cursos de água REGRA 1 – Os primeiros tributários (afluentes) recebem a ordem 1.1. Prefeitura Municipal de Curitiba .3 Sistema de Drenagem: É constituído pelo rio principal e seus afluentes. Obs: Quanto maior a ordem da bacia. A = área de drenagem (km2). Densidade de drenagem (Dd): indica o desenvolvimento do sistema de drenagem de uma bacia hidrográfica. L = comprimento total dos cursos de água da bacia (km). REGRA 2 – Dois cursos de água de ordem i ao se encontrarem formam um curso de água de ordem i + 1. Este índice é expresso pela relação entre o comprimento total dos cursos de água e a área da bacia. mais desenvolvida a rede de drenagem.

A densidade de drenagem fornece uma indicação da eficiência da drenagem da bacia. Varia de aproximadamente 0,5 km/km2, para bacias com drenagem pobre, a 3,5 km/km2 ou mais, para bacias excepcionalmente bem drenadas. 1.5.4 Características do Relevo

O relevo de uma bacia hidrográfica tem grande influência sobre os fatores meteorológicos e hidrológicos, pois a velocidade de escoamento superficial é determinada pela declividade do terreno, enquanto que a temperatura, a precipitação e a evaporação são funções da altitude da bacia.

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CAPÍTULO 2 - PRECIPITAÇÃO
2.1 Introdução
Entende-se por precipitação a água proveniente do vapor de água da atmosfera depositada na superfície terrestre em qualquer forma, como chuva, granizo, orvalho, neblina, neve ou geada. A água que escoa nos rios ou que está armazenada na superfície terrestre pode ser sempre considerada como um resíduo das precipitações.

2.2 Definição de chuva e tipos
Precipitação é a queda de água na superfície do solo, não somente no estado líquido - chuva - como também no estado sólido - neve e granizo. A chuva é o resultado do resfriamento que sofre uma massa de ar ao expandirse, quando se eleva a temperatura, aumentando gradativamente a umidade relativa dessa massa de ar. Atingida a saturação, poderá iniciar-se a condensação e a formação das nuvens ou mesmo a precipitação, que se apresenta tanto mais intensa quanto maior for o resfriamento e a quantidade de água contida no ar ascendente. A ascenção do ar úmido é o processo que produz condensação e precipitação consideráveis; desse modo, as chuvas são classificadas segundo as causas do movimento ascendente, a saber: orográfica, ciclônica e de convecção. A chuva orográfica é causada pela elevação do ar ao galgar e transpor cadeias de montanhas, produzindo precipitações locais, mais elevadas e freqüentes no lado dos ventos dominantes. Este tipo de precipitação é comum no Brasil junto à cadeia montanhosa da Serra do Mar, onde os ventos dominantes provenientes do Atlântico carregados de umidade encontram as vertentes costeiras, forçando as massas de ar a subir, produzindo as mais altas precipitações do continente americano, atingindo valores médios anuais de até 4000 mm em alguns locais. A chuva ciclônica é causada por ciclones com depressões centrais que provocam movimentos atmosféricos ascendentes. A parte central do ciclone funciona como uma chaminé, através do qual o ar se eleva, se expande, se resfria dinamicamente, produzindo condensações, e geralmente, precipitação. Pode ser classificada como frontal e não-frontal. A precipitação frontal resulta da sobreposição de uma massa de ar quente sobre outra mais fria. Tem-se uma frente quente quando a massa de ar quente se move sobre a fria, resultando em chuvas espalhadas, de grande duração e pequena intensidade. Quando a massa fria avança sobre a quente, tem-se uma frente fria. Nesse caso, o ar frio passando sob a massa de ar quente eleva-se bruscamente produzindo queda de temperatura, e muitas vezes chuvas intensas que abrangem áreas pequenas. Quando nenhuma das massas se movimenta diz-se que a frente é estacionária; sobrevêem em geral chuvas leves e persistentes. As frentes frias produzem chuvas intensas que causam inundações em pequenas bacias, enquanto as frentes quentes são acompanhadas de chuvas mais
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i.exe

amplamente distribuídas, produzindo inundações máximas nas grandes bacias hidrográficas. A precipitação não-frontal produz-se na área de depressão, no interior das massas de ar quente e não ocorre no Brasil. A chuva convectiva resulta dos movimentos ascendentes do ar quente mais leve do que o ar mais denso e frio que o rodeia. A diferença de temperatura pode resultar de aquecimento desigual na superfície insolada, esfriamento desigual no topo da camada de ar, ou elevação mecânica, quando o ar é forçado a passar sobre uma massa de ar mais densa e mais fria. As chuvas convectivas têm em geral curta duração e grande intensidade, abrangendo áreas pequenas. Quando há associação de chuvas ciclônicas ou orográficas com as de convecção, estas podem tornar-se excepcionalmente intensas.

2.3 Conceito de chuva intensa
Em um sistema de drenagem urbana convencional, as águas pluviais são dirigidas pelas inclinações das superfícies receptoras, de modo a atingirem as sarjetas das ruas, onde são captadas pelas bocas de lobo e daí levadas às galerias de águas pluviais. Nem sempre é necessária a existência de galerias, porque as sarjetas também têm capacidade de esgotamento; assim, a construção da galeria só se faz necessária quando a vazão escoada pela sarjeta se torna inconvenientemente volumosa, prejudicando o tráfego de veículos e pedestres ou inundando propriedades próximas. Desse modo, as chuvas além de um certo limite é que interessam aos projetistas de obras de drenagem. Define-se, pois, chuva intensa como aquela que, para qualquer duração, produz precipitação superior aos limites estabelecidos para determinado projeto.

2.4 Importância da precipitação em estudos de drenagem urbana
Os estudos de drenagem urbana envolvem, geralmente, cursos de água de pequeno porte desprovidos de registros fluviométricos, nos quais a estimativa das cheias é feita com base nos dados de chuvas de curta duração e alta intensidade, que ocorrem nas respectivas bacias. Entretanto, esses dados são bastante escassos na maior parte do País e, mesmo em regiões onde a densidade dos postos pluviográficos é satisfatória, verificase que os registros disponíveis carecem de tratamento sistemático que permite a sua pronta utilização. Convém lembrar que apenas em 1957, o DNOS publicou o estudo do notável Prof. Otto Pfafstetter, denominado "Chuvas Intensas no Brasil" abrangendo 98 postos pluviográficos mais concentrados no sul do País e depois deste estudo pioneiro, pouco se produziu em termos de estudos de chuvas de maior alcance. O estudo citado e mais aqueles realizados isoladamente em centros urbanos são praticamente os únicos disponíveis em todo o território brasileiro. O número de postos englobados no referido trabalho do DNOS, que representa uma densidade média de aproximadamente 1 posto para cada 85.000 km², está longe da ideal,

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a experiência obtida através de projetos de redes hidrológicas em diferentes locais do mundo sugere algumas recomendações gerais. médias e extremos que definem a distribuição estatística do parâmetro estudado. • programar a instalação de novos postos em regiões carentes de postos pluviográficos. capazes de medir ou registrar dados com precisão suficiente para as condições nas quais são operados.5 Redes de monitoramento pluviométrico 2. Prefeitura Municipal de Curitiba . mas também análises das características físicas da região em estudo. com suficiente precisão. torna-se impraticável definir um critério uniforme para projeto de redes hidrológicas. é possível determinar. Por estas razões. A simplicidade é um fator importante e uma diversificação desnecessária de tipos deve ser evitada. as características significam todos os dados quantitativos.1 Planejamento da rede de monitoramento Devido à diversidade de características fisiográficas das bacias ao redor do mundo e dos diferentes requisitos em termos de dados dos vários modelos matemáticos encontrados na literatura. instrumentos confiáveis devem ser selecionados. Instrumentos com capacidade além dos requisitos necessários não devem ser recomendados. • manter um arquivo atualizado de dados analisados e processados. Neste sentido. A função de uma rede de monitoramento é proporcionar uma densidade e distribuição de estações em uma região de modo que.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . que é o do controle de erosão.Plano de Desenvolvimento de Competências 23 i.5. que permitam avaliar parâmetros de interesse em áreas não cobertas por pluviográfos. 2. Por outro lado. com o objetivo de se ter uma idéia da qualidade dos mesmos e sua distribuição espacial. Quanto à qualidade dos dados observados.exe . dadas por postos pluviométricos. dada a importância do conhecimento das chuvas de curta duração e alta intensidade nos estudos de drenagem de maneira geral. • realizar estudos e pesquisas de caráter regional onde for possível. por interpolação entre as séries de dados das diferentes estações. Face ao exposto e.restando imensas áreas em que as únicas informações disponíveis são as chuvas de 1 dia. é importante enfatizar os seguintes aspectos fundamentais: • necessidade de analisar e processar os dados pluviográficos atualmente disponíveis no País. Instrumentos mais caros devem ser considerados apenas quando seu uso resulta em economia substancial nos custos de processamento de dados. as características básicas das grandezas hidrológicas ou meteorológicas em qualquer local da região. A densidade e distribuição de estações em uma rede e a freqüência de observação necessária dependem da variabilidade temporal e espacial das variáveis hidrológicas ou meteorológicas a serem observadas. o projeto e aprimoramento de redes hidrológicas envolve não só considerações econômicas do tipo benefício/custo. que envolvem inclusive um problema de âmbito nacional.

A seguir são apresentadas algumas considerações sobre a densidade mínima de redes de monitoramento pluviométrico que podem servir como parâmetros de referência para projetos. a mais antiga poderá então ser abandonada. Existem ainda outros fatores que afetam a densidade ótima. construção e operação de estruturas hidráulicas. uma nova estação deve ser instalada nas proximidades. Os valores e conceitos apresentados se baseiam em recomendações da Organização Meteorológica Mundial. ao projetar a rede de monitoramento de precipitação e vazão em conjunto. particularmente as redes de monitoramento de precipitação e vazão dos rios. A densidade de ocupação populacional e o nível de atividade econômica da região também irão influenciar a definição da densidade ótima da rede. É importante estabelecer as várias redes de monitoramento de forma coordenada. muitos córregos pequenos ou alguns rios maiores. Estudos tem demonstrado que entre os fatores mais importantes que definem uma densidade ótima são: (a) as condições geográficas e hidrológicas. isto é.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . É impossível definir uma densidade de rede uniforme a qual seria aplicável para qualquer região. tanto em quantidade como em distribuição temporal dos eventos pluviais. Prefeitura Municipal de Curitiba . a experiência adquirida em regiões vizinhas pode ser útil. (b) a natureza da hidrografia. quando necessário. Deve-se tentar distribuir um número razoavelmente uniforme de estações dentro de cada área fisiográfica significativa. as diferentes redes são operadas pelo mesmo órgão gerenciador. Se a correlação não for satisfatória. mas muitas vezes cada rede é gerenciada de uma forma mais ou menos independente. A rede de estações deve ser revista a cada período de alguns poucos anos de operação e. devese considerar se é viável abandonar a estação antiga. como a necessidade de dados hidrológicos ou meteorológicos para projeto. novas estações devem ser adicionadas ou algumas estações abandonadas ou relocadas para assegurar a representatividade e precisão das medidas.Plano de Desenvolvimento de Competências 24 . A localização das estações deve também tomar em consideração condições locais. Os dados da rede existente são essenciais para o projeto de uma nova rede. Portanto. resultando em economia para ambas as redes. como acessibilidade. Se a localização de alguma estação não for inteiramente satisfatória. há um ganho em qualidade e quantidade de informação conjunta. Se a nova estação resultar satisfatória. com o objetivo de estabelecer uma correlação entre os dois registros em um período concomitante de tempo por pelo menos dois anos. Em geral. por exemplo.A configuração da rede deve ser planejada de modo que as estações proporcionem uma amostragem adequada da variação das características fisiográficas na região. Ao locar estações em áreas anteriormente sem observações. a proximidade de montanhas. particularmente as variações espaciais no regime de precipitação e no regime hidrológico. é necessário pesar todas as evidências e circunstâncias antes de qualquer decisão quanto ao abandono de uma estação da rede de monitoramento. ocasiona uma grande variação espacial no regime de precipitação. como ordem de grandeza. Por exemplo. topografia e geologia que poderiam resultar em problemas estruturais ou operacionais.

2.5.2

Distribuição espacial das estações pluviométricas

O critério mais simples e mais preciso para definição da rede pluviométrica se baseia na variação espacial da precipitação. Bastante útil é a análise de um mapa de precipitações médias anuais para a região, baseado em estações com um número aceitável de anos de observação. Este critério, quando é possível sua utilização, pode auxiliar em locais com distribuições espaciais de chuva irregulares. Em áreas montanhosas, onde o aumento de precipitação anual é considerável, são observadas variações significativas em termos da distribuição espacial dos eventos pluviais. O número e tipo de instrumentos necessário depende do tamanho e características físicas gerais da área urbana, e os propósitos da investigação. Para a derivação de relações intensidade-duração-freqüência, um mínimo de dois aparelhos por bacia até 10 km² ou três aparelhos para bacias maiores, tem sido sugerido. Em grandes áreas metropolitanas, a variabilidade temporal e espacial da chuva pode ser significativa e portanto pode exigir um maior número de aparelhos e também observações de radar. No entanto, observações de radar sempre exigem o apoio de observações de campo. Em regiões tropicais, devido a natureza própria dos eventos pluviais, o número de estações pode ser aumentado. Análises detalhadas de relações chuva-vazão, aplicadas a um projeto específico requerem uma rede mais densa, de uma estação por 30 a 50 hectares. Como base de comparação, WMO (1981) recomenda densidades mínimas para redes de monitoramento pluviométrico, incluindo-se todos os tipos de aparelhos, variando de uma estação por 600-900 km² para regiões planas até 100-250 km² para regiões montanhosas em zonas temperadas e tropicais. Estas densidades diferem grandemente dos valores recomendados para áreas urbanas, indicando que áreas urbanas necessitam de uma rede de estações muito mais densa. Para grandes áreas urbanas, pode-se sugerir, independentemente dos objetivos específicos do estudo ou restrições sociais e financeiras envolvidas, uma rede consistindo de registradores de chuva e vazão sincronizados na foz da bacia, pluviógrafos em alguns locais e pluviômetros distribuídos pela área para determinar a chuva regional.

2.6 Instrumentos e métodos de observação
2.6.1 Pluviômetro

Os pluviômetros normalmente utilizados pela maioria dos serviços hidrológicos e meteorológicos governamentais para medições oficiais geralmente consistem de reservatórios abertos com lados verticais, usualmente na forma de cilindros. Vários tamanhos de orifícios e alturas são utilizados em diferentes países. A quantidade de precipitação coletada no aparelho é medida através de um frasco graduado ou proveta. O maior problema do pluviômetro é que não se consegue registrar chuvas de pequena duração. A figura a seguir mostra um pluviômetro instalado no UnicenP.

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Figura 2.1 - Pluviômetro do tipo "Ville de Paris" na Estação Pluviométrica do UnicenP.

2.6.2

Pluviógrafo

Quando se exige o conhecimento da chuva em intervalos menores, os chamados pluviógrafos são utilizados para registrar de forma contínua a precipitação em um local. No tipo mais comum, existem mecanismos que registram graficamente a chuva acumulada ao longo do tempo. Alguns desses aparelhos podem ser utilizados para a obtenção de registros magnéticos das precipitações, inclusive via telemedição. Nesse caso, determinadas parcelas de chuva causam impulsos elétricos que são transmitidos à distância por linhas telefônicas, rádio ou microondas.

Figura 2.2 - Pluviógrafo (Fonte: Fill, 1987)
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2.6.3

Radar meteorológico

Dentro da necessidade de se obterem informações pluviométricas em tempo real, que pode ser suprida sem dúvida por uma adequada rede telemétrica, buscaramse, mais recentemente, outras formas de medida, dentre as quais destaca-se a do radar meteorológico. O radar meteorológico é um sistema de radar que opera em um comprimento de onda tal que é refletido por precipitações e onde a intensidade da onda refletida guarda uma certa relação com a intensidade da chuva. O radar meteorológico permite assim traçar o quadro da distribuição espacial da chuva em cada instante e dentro de um raio de até aproximadamente 200 km. O seu funcionamento independe do elo de comunicação entre estações telemétricas e a central de processamento, que é, em geral, o ponto mais vulnerável das redes telemétricas.

Figura 2.3 - Funcionamento do radar meteorológico. Fonte: Tucci (1993).

O radar meteorológico também permite definir com mais precisão o traçado de isoietas (linhas de igual precipitação) e, pela superposição de situações em tempos consecutivos, realizar previsões de curto prazo, acompanhando o deslocamento de chuvas isoladas. Entretanto, a precisão numéricas das intensidades de precipitação obtidas pelo radar é muito inferior aos valores medidos em pluviógrafos, além de ser um equipamento caro, cuja operação requer conhecimentos e habilidades altamente especializados. Estudos dos erros de estimativas da intensidade de chuvas por radar concluíram que, em 50% dos casos, os erros eram superiores a 30% em relação a valores medidos por pluviógrafos. Entretanto, mostra-se também que, para estimar a precipitação em pontos fora da localização exata dos registradores, a interpolação de valores observados em pluviógrafos vizinhos pode, dependendo da distância entre eles, conduzir a erros superiores aos do radar.
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O radar é operado pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar).Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . usando informações pontuais de precipitação via pluviômetros teleprocessados. Prefeitura Municipal de Curitiba .br. dispõe-se ainda de fotos de satélites meteorológicos (por exemplo.Plano de Desenvolvimento de Competências 28 . que permitem delimitar regiões de precipitações e. o satélite geoestacionário GOES).O Estado do Paraná possui um radar meteorológico instalado no município de Irati. Imagens do radar são constantemente enviadas para o site www. 2.Imagem do radar meteorológico do Simepar (as cores identificam áreas onde ocorre precipitação). estimar de forma mais precisa as chuvas sob determinadas áreas. Figura 2.4 .simepar.4 Satélites meteorológicos Finalmente.6.

A análise de consistência de dados brutos depende da natureza dos dados. o número de amostras e o comprimento das séries. Para duas séries cronológicas X(t) e Y(t). os valores acumulados de Y são plotados contra os valores acumulados de X. É também aplicável ao teste da dependência temporal ou espacial ou aleatoriedade de séries temporais. as quais podem ser causadas por erros do observador.7 Consistência dos dados pluviométricos A análise de consistência dos dados antes de realizar análises estatísticas sobre os mesmos é uma etapa muito importante e requer conhecimentos de inferência estatística e teoria da amostragem. uma estação permanente (X) pode ser utilizada como referência.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Figura 2. A hipótese a ser verificada é se as amostras pertencem à mesma população ou não.exe .7. Esta técnica é utilizada comumente para testar dados brutos de totais de precipitação média mensais ou anuais observados em diversas estações pluviométricas na mesma área climática.Imagem do satélite meteorológico GOES. ou testes podem ser efetuados entre pares de Prefeitura Municipal de Curitiba . 2.5 . Aplica-se também ao teste da homogeneidade amostral entre várias amostras de uma dada variável. O objetivo é a detecção de erros sistemáticos nas séries de dados. dos instrumentos. Os testes podem ser mais ou menos sofisticados ou justificados para cada fim específico. 2.Plano de Desenvolvimento de Competências 29 i. Se X e Y são correlacionados linearmente. ou mudanças nas condições físicas.1 Curva dupla massa ou duplo-acumulativa Um tipo de teste muito simples é a clássica curva duplo-acumulativa. qualquer alteração sistemática em uma das duas séries será detectada através da mudança na declividade da linha de regressão. assim como os objetivos a serem atingidos na pesquisa.

ainda.8.8 Freqüência de totais precipitados Em engenharia. No entanto. nem sempre interessa construir uma obra que seja adequada para escoar qualquer vazão possível de ocorrer. ou. assumido após considerações econômicas. No caso mais comum. podem-se avaliar as probabilidades teóricas de ocorrência das mesmas. Para isso. só o máximo de cada ano (série anual). localizada próximo de Curitiba. no ano seguinte. a seqüência de observações do posto retomou o comportamento original. 2. as observações obtidas nos postos pluviométricos devem ser analisadas estatisticamente. Nota-se que no ano de 1989 houve um desvio significativo na tendência da curva. avaliar este risco. o que constitui uma série total. a curva duplo-acumulativa mostra a maior pluviosidade deste local. anuais e parciais Conforme o caso.exe .Plano de Desenvolvimento de Competências 30 i. de que a estrutura venha a falhar durante a sua vida útil. sendo necessário. A série de referência pode também ser a média ou a soma dos totais de todo o grupo de estações. os dados observados podem ser considerados em sua totalidade.Curva duplo-acumulativa. Prefeitura Municipal de Curitiba .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . com relação ao restante da bacia. Convém notar que por estar localizado mais próximo da serra do mar que o restante dos postos utilizados no cálculo.estações vizinhas. A figura a seguir mostra um exemplo de curva duplo-acumulativa para a estação pluviométrica Mananciais da Serra. ou apenas os superiores a um certo limite inferior (série parcial). portanto. Em seguida. 2. Figura 2.6 . verificando-se com que freqüência elas assumem certa magnitude. pode-se correr o risco.1 Séries totais.

os dados são ordenados em ordem decrescente e a cada valor é atribuído o seu número de ordem m (m variando de 1 até n.2 Ajuste de distribuições de probabilidades Um problema bastante comum em projetos de engenharia de recursos hídricos é a estimativa da precipitação máxima diária anual. A figura a seguir mostra a distribuição de probabilidades da chuva máxima diária em Curitiba. 1977). e hidrologia (Tucci.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 1993). e estimativa de parâmetros pelo Método dos Momentos. como o método da máxima verossimilhança. Detalhes referentes a outras distribuições de probabilidades e métodos de estimativa de parâmetros podem ser encontrados em livros de estatística (Kite. onde F= m .8. pela sua facilidade de aplicação e exposição didática.Plano de Desenvolvimento de Competências 31 .Em uma série anual. deve-se ajustar uma distribuição de probabilidades teórica de modo a possibilitar uma estimativa mais correta da probabilidade. o número de anos de observação). assim como existe um grande número de funções probabilísticas teóricas aplicáveis neste caso. Existem diversas formas de proceder a esta estimativa. P Convém notar que o valor de F pode dar uma boa idéia do valor real de P apenas para tempos de recorrência bem menores que o número de anos de observação. A freqüência com que foi igualado ou superado um evento de ordem m pode ser obtida pelo método de Kimbal. n +1 Considerando F como uma boa estimativa da probabilidade teórica P e definindo o tempo de recorrência T (ou tempo de retorno) como o intervalo médio de anos em que pode ocorrer ou ser superado um dado evento. Gumbel e Exponencial. 2. Para eventos mais raros. Outros métodos de ajuste. tem-se a seguinte relação: T= 1 . Prefeitura Municipal de Curitiba . para obter uma estimativa da probabilidade teórica (P). Serão apresentados alguns modelos bastante utilizados. requerem um esforço computacional maior mas produzem estimativas mais precisas. para vários tempos de recorrência. que são a distribuição Normal.

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .7 .. 2. selecionam-se os máximos valores da chuva diária em cada ano: xi. ..Distribuição de probabilidades da precipitação máxima diária anual (Krüger. n.. A seguir. 1990) O primeiro passo no ajuste de uma distribuição teórica pelo método dos momentos é o conhecimento das estatísticas amostrais.Plano de Desenvolvimento de Competências 32 . calculam-se: Média amostral X= ∑x i =1 n i n Desvio-padrão amostral S= ∑ ( xi − X ) 2 i =1 n n −1 Coeficiente de assimetria amostral Ca = n (n − 1)(n − 2) ∑(x i =1 n i − X )3 S3 Prefeitura Municipal de Curitiba .Figura 2. Neste caso. i = 1.

desviopadrão σ e assimetria γ ) das distribuições teóricas aos momentos amostrais ( X . Distribuição Gumbel A distribuição Gumbel possui a seguinte função de distribuição inversa: 1 x(T ) = β − α ln[− ln(1 − )] T e valem as seguintes relações: σ 6 π β = µ .O método dos momentos iguala os momentos populacionais (média µ . 1977) e finalmente x(T ) = µ + t σ . S e Ca) para a estimativa dos parâmetros das funções das distribuições de probabilidades. Portanto.14 α= Distribuição exponencial ou Füller A distribuição exponencial possui a seguinte função de distribuição inversa: x(T ) = β + α ln T e valem as seguintes relações: α =σ β=µ−σ γ = 2.4500 σ γ = 1.0.Plano de Desenvolvimento de Competências 33 . sendo a assimetria nula (γ = 0).Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .0 Prefeitura Municipal de Curitiba . através de tabelas ou aproximações matemáticas (Kite. Para o cálculo do quantil x(T) da variável aleatória X calcula-se o valor da variável reduzida t a partir do valor da probabilidade acumulada (1-1/T). para cada uma das distribuições citadas obtém-se: Distribuição normal A distribuição normal não possui uma expressão analítica explícita para a função de distribuição inversa: F ( x) = 1 − 1 x −µ = Φ( ) T σ Os parâmetros da distribuição normal são a própria média e desvio padrão.

Tomando-se as intensidades máximas para um mesmo período de recorrência e as respectivas durações. constituída por n máximos para cada duração. que seria aquele capaz de estimar eventos extremos a partir de amostras diversas. nota-se imediatamente que a intensidade máxima cresce com o tempo de retorno. 2. para cada duração t. necessariamente. como o teste quiquadrado.8. as máximas intensidades ocorridas durante uma dada chuva.Plano de Desenvolvimento de Competências 34 . a duração a ser considerada.14. As pesquisas indicaram que amostras com assimetrias mais baixas (em torno de 1. a forma da real distribuição de probabilidades.0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . sempre com erros dentro de limites razoáveis. um ajuste "imperfeito" pode ser preferível. ou seja. No entanto. uma série anual. a cada vez. observa-se que quanto menor a duração considerada. de todas as chuvas ocorridas e registradas durante um certo número de n anos. Podem-se estabelecer. Para a avaliação das máximas intensidades médias prováveis de precipitações intensas é possível proceder ao ajuste de uma distribuição teórica. Prefeitura Municipal de Curitiba . pois possui assimetria igual a 2. Quando comparadas as intensidades com suas respectivas durações. Assim. é necessário fixar. pois estas não sofrem influência da assimetria amostral. pode estar oculta na amostra disponível e. que possui assimetria igual a 1. Obtém-se assim. nota-se que as intensidades decrescem com o aumento da duração. 1987) têm defendido a idéia de abandonar a técnica do melhor ajuste. da mesma forma como descrito anteriormente.3 Freqüência de precipitações intensas As precipitações são tanto mais raras quanto mais intensas. Curvas intensidade-duração-freqüência (IDF) Contando-se com dados de pluviógrafos. sem que as durações maiores devam incluir as menores. por exemplo. quanto mais raro o evento. a distribuição Exponencial seria mais indicada. que é uma estatística de grande variância.Distribuições de probabilidades "robustas" O método mais popular para a escolha de distribuições de eventos extremos consiste em se ajustar várias distribuições aos dados e escolher entre elas aquela que fornecer o melhor ajuste. obtendo-se a relação entre as chuvas intensas de uma determinada duração t e o tempo de recorrência T. Para amostras com assimetrias maiores. Num gráfico. para diversas durações. Muitas vezes o melhor ajuste é escolhido através de análises visuais do comportamento da função teórica ajustada em relação aos pontos observados. ou através de índices de adequação de ajustes. por simples variação amostral. a máxima intensidade média observada dentro de uma mesma precipitação varia inversamente com a amplitude de tempo em que ocorreu. neste caso. Alguns pesquisadores (ELETROBRÁS. maior a intensidade média. Para considerar a variação da intensidade com a freqüência. em favor da obtenção do chamado "modelo robusto".0) devem se ajustar melhor à distribuição Gumbel. Investigações realizadas no sentido de determinar quais as distribuições que mais se aproximariam destas condições levaram à conclusão que as distribuições com três parâmetros são menos robustas que as com dois parâmetros. pode-se escolher a máxima de cada ano.

Fendrich e Freitas (1994) mostram que no Estado do Paraná existem equações de chuvas intensas definidas para 26 localidades. a e b são parâmetros e m e n são exponentes determinados para cada local. b.Plano de Desenvolvimento de Competências 35 . 217 i= (t + 26)1. b e c para algumas cidades brasileiras. As tabelas a seguir fornecem os valores de α para várias durações de chuva e os valores de β. definido como: R = T ( α +β / T γ ) onde T é o tempo de retorno (anos). Estudo de Otto Pfafstetter Um trabalho pioneiro na análise de registros pluviográficos e pluviométricos para a determinação de curvas IDF foi "Chuvas Intensas no Brasil" (Pfafstetter. Prefeitura Municipal de Curitiba . 1957). Parigot de Souza (1959) obteve a seguinte expressão. o fator R permite calcular a estimativa para outros tempos de retorno. T é o tempo de recorrência. válida para durações entre 5 e 120 minutos: 5950 T 0. A partir da plotagem de curvas precipitação-duração-freqüência (PDF) em escala bilogarítmica. Para outras cidades. t é a duração. Para Curitiba.Essas conclusões estão presentes nas fórmulas empíricas do tipo i= aTn (t + b) m onde i é a intensidade máxima média. a.25). 1957). o autor ajustou para cada posto a seguinte equação empírica: P = R [at + b log(1 + ct )] onde P é a precipitação máxima (mm). O fator [at + b log(1 + ct )] fornece a precipitação em mm para um tempo de recorrência de 1 ano.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . O autor estabeleceu curvas para 98 postos localizados em diferentes regiões do Brasil. a. t é a duração da precipitação (horas). α e β são valores que dependem da duração da precipitação e γ é uma constante (adotada para todos os postos igual a 0. c são constantes para cada posto e R é um fator de probabilidade. consultar a obra original (Pfafstetter.15 onde a intensidade i é dada em mm/hora e a duração t em minutos.

08 -0.1 0.04 0.138 0.04 0.156 0.04 0.166 0.AC Salvador .12 a 0.08 0.00 0.00 -0.08 0.6 0. fornece estimativas para um certo número de locais.08 0.170 0.04 valores de β 15 min 30 min 0.04 0.08 0.PA Maceió .Valores dos parâmetros β .3 0.12 0.00 0.160 0.2 0.122 0.12 0.1 .12 0.2 0.2 0.4 b 24 31 26 30 25 33 36 30 35 33 29 33 23 22 35 31 33 42 29 c 20 20 20 20 20 10 10 20 10 10 10 20 20 20 20 20 10 10 20 Regionalização de relações IDF O estudo de Pfafstetter. apenas.04 -0.00 0.04 0.RN Porto Alegre .12 0.00 0. 15 min.04 -0.08 -0.176 0.16 -0. a.08 0.04 0.RO Rio Branco .1 0.08 0.0 0.20 0.16 0. além de necessitar de atualização com dados mais recentes.12 0.00 0.174 0. 1h 2h 4h 8h 14 h 24 h 48 h 3 dias 4 dias 6 dias α 0.2 . b e c (Pfafstetter.RJ João Pessoa .6 0.12 0.Plano de Desenvolvimento de Competências 36 .16 0.20 0.7 0.00 0. 1957) Duração 5 min.4 0.08 0.08 0.00 0.00 0.08 0.08 0.08 0.20 0.04 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .00 0.3 0.108 0.04 0.AM Natal .166 0.5 0.08 0.AL Manaus .Valores do parâmetro α (Pfafstetter.156 0.SP * Ipanema 5 min 0.3 0.08 0. 30 min.00 0.04 0.RS Porto Velho . Prefeitura Municipal de Curitiba .04 0.04 0.12 0.6 0.20 0.08 0.174 0.4 0.08 0.BA São Luiz .00 -0.04 0.00 0. sendo que a maioria destes estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste do Brasil.08 0. 1957) Postos Aracaju – SE Belém – PA Belo Horizonte – MG Cuiabá – MT Curitiba – PR Florianópolis – SC Fortaleza – CE Goiânia – GO Rio de Janeiro* .20 0. em algumas cidades.04 0.08 0.00 0.6 0.04 0.152 Tabela 2.08 -0. No restante do país.12 0.08 0.12 0. existem apenas estimativas de relações IDF produzidas através de estudos isolados.MA São Carlos .00 0.08 0.08 1h-6 d 0.08 0.4 0.00 0.08 0.Tabela 2.

2: P60. A expressão se baseia no método proposto por Torrico (1974).T = (0.54t 0. para t minutos de duração e T anos de recorrência e a chuva P60. é possível utilizar um posto com série curta.76) (0.Plano de Desenvolvimento de Competências 37 . existe grande similaridade nas relações entre intensidades médias máximas de diferentes durações.2 (60 minutos e 2 anos de recorrência): Pt .50) P60.17 M n 0.61 M 0.Para locais desprovidos de dados pluviográficos. Os valores médios destas relações obtidos para o Brasil e para os Estados Unidos são apresentados na tabela a seguir (CETESB. (1998) apresentaram uma expressão para interpolação dos dados de chuva para durações entre 10 minutos e 24 horas que pode ser utilizada em um método indireto para obtenção de curvas de chuvas intensas.33 P60.3 mm e e 1 ≤ n ≤ 80 1 ≤ n ≤ 80 onde M é a média das precipitações máximas anuais e n é o número médio de dias de tormentas. 25 − 0. baseados em estudos de regionalização de chuvas intensas. 2 = 0. para a mesma probabilidade. podem ser aplicados métodos que permitem estimar as relações IDF.67 n 0. Prefeitura Municipal de Curitiba . Para a determinação da chuva de 2 anos e 1 hora.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .8 ≤ M ≤ 114. CETESB (1979) verificou também que a chuva de 24 horas pode ser estimada com boa aproximação através da média entre as chuvas de 1 dia e 2 dias de duração. com o método das séries parciais. Método de Bell Bell (1969) obteve uma equação que relaciona a chuva intensa Pt.T. Método das relações de durações Este método se baseia na constatação de que as distribuições de probabilidade das chuvas intensas de diferentes durações são aproximadamente paralelas entre si e que para diferentes locais. Kaviski et al.33 para 0 ≤ M ≤ 50. 2 = 0. 2 .35 ln T + 0. A equação de Bell foi obtida com dados de vários continentes e é válida para durações entre 5 e 120 minutos e tempos de recorrência entre 2 e 100 anos. Bell estabeleceu uma relação para a obtenção da precipitação P60. 1979).8 mm para 50.

79 1.Plano de Desenvolvimento de Competências 38 .34 0.13 ESTADOS UNIDOS Denver 0.8. Apesar da grande variabilidade. 1979) Relação 5 min/30 min 10 min/30 min 15 min/30 min 20 min/30 min 25 min/30 min 30 min/1 h 1 h/24 h 6 h/24 h 8 h/24 h 10 h/24 h 12 h/24 h 24 h/1 dia* 24 h/1 dia** * Para a cidade de São Paulo ** Segundo Torrico (1974) BRASIL 0. 1993) mostra as duas curvas superpostas.57 0.10 ESTADOS UNIDOS USW Bureau 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . A figura a seguir (Tucci.54 0.4 Distribuição temporal das tormentas Existe grande variabilidade na distribuição temporal das chuvas durante as tempestades.84 0.14 1. válida para uma duração de 6 horas.Tabela 2.72 0.Relações entre precipitações de várias durações (CETESB.85 1.91 0. O Soil Conservation Service (SCS) desenvolveu uma curva semelhante.37 0.72 0.74 0. pode-se recorrer a disribuições temporais padronizadas. fundamentadas em um grande número de tormentas observadas.81 0.92 - 2.75 0.42 0.42 0. Prefeitura Municipal de Curitiba .82 0. Na falta de dados pluviométricos de tormentas diretamente observadas na área de estudos. Hershfield estudou um grande número de tempestades em diferentes locais com regimes diferenciados de precipitação e obteve uma curva expressa em percentagem do total precipitado versus a percentagem da duração da tempestade. o autor apresentou uma curva média para todas as durações.3 .70 0.63 0.78 0. A validade deste procedimento é função direta da homogeneidade climática das regiões envolvidas.

A tabela a seguir mostra onde ocorreram os maiores valores de chuva e a figura mostra como a equação acima se ajusta aos dados observados.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 1993) 2. Prefeitura Municipal de Curitiba .Distribuição temporal de tempestades (Fonte: Tucci. Ponce (1989) apresenta uma expressão ajustada aos maiores eventos pluviais observados: h = 39 t 0.5 onde h é a altura de precipitação em cm e t é a duração da chuva em horas.8.8 .Figura 2.5 Recordes mundiais de precipitação As chuvas de projeto normalmente utilizadas em obras de engenharia ficam muito aquém das maiores precipitações observadas em nosso planeta.Plano de Desenvolvimento de Competências 39 .

Figura 2.9 . 1989) Prefeitura Municipal de Curitiba .Plano de Desenvolvimento de Competências 40 .Recordes mundiais de precipitação (Fonte: Ponce.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .

observa-se que os acréscimos simultâneos. dia. Entende-se a precipitação média como sendo uma lâmina de água de altura uniforme sobre toda a área considerada.9. sobre um mapa da área em consideração. são diferentes. conforme a forma de ponderação que é aplicada às observações pontuais (obtidas nos postos de observação) disponíveis. A seguir são descritos alguns desses métodos. em dois ou mais pluviógrafos colocados mesmo a uma pequena distância.10 . Essa variação no espaço ocorre também para a altura total de precipitação observada durante todo o fenômeno pluvial ou durante tempos maiores. quando se considera um mesmo local. entendendo-se por isoietas as linhas que unem pontos de igual precipitação.1 Precipitação média em uma área As quantidades observadas num pluviógrafo no decorrer de uma chuva mostram que os acréscimos não são constantes ao longo do tempo. é possível traçar. Figura 2. as isoietas do total de precipitação desse ano. Este raciocínio não deixa de ser uma abstração. como um mês ou um ano. ano). Além disso. mês.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . pois a chuva real obedece a distribuições espaciais e temporais variáveis (vide figura a seguir). 1993) Existem diversos métodos para a determinação da precipitação média em uma área.Conceito de precipitação média (Fonte: Tucci. a precipitação total de um ano é quase sempre diferente da de outro ano.9 Variações espaciais e temporais da precipitação 2. O total precipitado num determinado ano varia de um lugar para outro e.2. associada a um período de tempo dado (hora. Prefeitura Municipal de Curitiba . Para cada ano.Plano de Desenvolvimento de Competências 41 .

diminuindo os erros associados à simplificação do método.i+1) e multiplicar cada área pela média das precipitações das respectivas isoietas (Pi +Pi. em seu modo mais simples.i+1)/2 e dividir pela área total A: P= (P + P ) 1 ∑ Ai. pois uma vez definida a rede. definidas geometricamente por linhas perpendiculares às retas que unem os vários pontos. de acordo com as "áreas de influência" de cada posto. interpolando-se linearmente os valores observados nos diversos pontos. Método de Thiessen Este método leva em consideração a distribuição irregular dos pontos na área considerada. O método de Thiessen facilita o cálculo automatizado. se possível. Este método fornece bons resultados em terrenos levemente acidentados. Para o cálculo da precipitação média é necessário medir as áreas entre duas isoietas (Ai. 1989). valendo-se de um mapa de relevo. variando apenas os valores das precipitações observadas Pi. A seguir deve-se esboçar as linhas de igual precipitação.Plano de Desenvolvimento de Competências 42 . quando a localização e a exposição dos pluviômetros são semelhantes e as distâncias entre eles não são muito grandes. deve ser utilizado apenas em áreas onde a densidade de postos seja grande. A precipitação média é calculada através da média aritmética dos valores medidos: P= ∑P n i Este método. o mais simples de todos. marcando-se sobre as linhas que unem os pontos os valores inteiros ou característicos das precipitações.i+1 i 2 i+1 A A figura a seguir ilustra a aplicação dos métodos descritos (Fonte: Ponce. As isoietas são linhas de igual precipitação que podem ser traçadas para um evento ou para uma duração específica. Prefeitura Municipal de Curitiba . os valores de Ai permanecem constantes. ou em regiões onde o gradiente pluviométrico seja gradual e suave. pode ser executado manualmente. O traçado das isoietas. desde que adequadamente aplicado. P= ∑AP i i A onde Ai são as áreas de influência de cada posto e A é a área total considerada. atribuindo pesos diferentes para cada ponto de observação.Média aritmética Admite-se que todos os pontos observados possuem o mesmo peso na ponderação. para definir melhor o traçado.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Método das isoietas Pode ser considerado o método mais preciso entre os métodos citados anteriormente. espacialmente.

2.Estação Precipitação (cm) Média Método da média aritmética Estação Precipitação (cm) Média Método de Thiessen Precipitação (cm) Média c) Método das Isoietas Nota: Área da bacia = 28.6 km 2 Figura 2.Ajuste de superfícies teóricas Com a disseminação dos computadores.Plano de Desenvolvimento de Competências 43 . Através do ajuste de superfícies definidas matematicamente aos valores de precipitação em uma área é possível estimar valores de chuva em qualquer ponto Prefeitura Municipal de Curitiba .2 Métodos de interpolação espacial . estimativa de valores médios de precipitação em áreas e estimativa de valores pontuais em locais sem dados observados.9.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Cálculo da precipitação média.11 . métodos computacionais para interpolação espacial passaram a ser muito vantajosos para o traçado de mapas de isoietas.

é realizada uma pesquisa para identificar os pontos onde ocorrem valores inteiros ou característicos das precipitações. configurando assim as isolinhas de igual precipitação. Prefeitura Municipal de Curitiba . Desta forma. Para o traçado de mapas de isoietas.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . havendo vantagens e desvantagens para cada um deles. 1992) podem ser utilizados. Os diversos métodos disponíveis diferem bastante em sua formulação matemática. Figura 2. pacotes de programas comerciais. com bons resultados. e da disponibilidade de dados e de recursos computacionais. Kaviski e Krüger (1993) desenvolveram programas em FORTRAN capazes de traçar mapas de isoietas.12 . como o Surfer (Golden Software.dentro da área de interpolação. A figura a seguir mostra um mapa obtida com o programa desenvolvido por Kaviski e Krüger (1993). Após o ajuste da superfície teórica. Estes valores inteiros são destacados na plotagem do mapa.Plano de Desenvolvimento de Competências 44 . o cálculo da precipitação média pode ser realizado pela simples média aritmética de um grande número de pontos igualmente espaçados na área considerada.Mapa de isolinhas geradas pelo computador. Dependendo do caso. pode ser mais recomendável a aplicação de um ou outro método de cálculo.

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Somente para tempos de retorno muito pequenos (da ordem de um ano) isso seria aproximadamente correto. é necessário conhecer a relação entre a altura média e a área. quando se deseja calculá-la para uma superfície genérica. Dependendo das condições topográficas e das características climáticas de uma região essa área limite pode variar de l km² até em torno de 25 km². Essa relação varia com a forma da bacia e com a posição do centro da chuva (ponto em que ela é máxima) em relação à área considerada (ver figura a seguir). É errado avaliar a intensidade máxima média de uma certa duração para um tempo de recorrência T em cada posto e depois supor que a média dessas intensidades represente a intensidade máxima média de mesma freqüência sobre toda a área. Figura 2. 1979) Prefeitura Municipal de Curitiba .9. Mas.3 Relação entre precipitação média e área . Isso corresponderia a admitir a ocorrência simultânea de vários eventos raros. o que corresponderia um período de retorno muito superior a T. para a duração da chuva considerada.Abatimento da chuva pontual (Fonte: Raudkivi.Plano de Desenvolvimento de Competências 45 . podese calcular qual a altura média precipitada sobre ela pelos métodos descritos anteriormente.13 .Abatimento da chuva pontual Quando se considera um determinado episódio pluvial sobre uma bacia. Os valores de precipitação registrados em um posto pluviométrico são representativos para uma pequena área ao redor do posto.2.

Diversas expressões como esta foram determinadas para vários locais do mundo. Frühling determinou a relação: i = i0 (1 − 0.4  6 2590    −1 onde im é a intensidade média na área A em mm/h e i é a intensidade num ponto em mm/h.009 L ) entre i (intensidade a uma distância L do centro do temporal) e i0 (intensidade medida neste centro).Coeficientes de abatimento para Curitiba (Fonte: Pinto et al. Supôs que o centro do temporal coincidia com o centro da área e que havia simetria a partir deste. K e n são constantes relativas ao envoltório das precipitações de uma determinada duração e A é a área da bacia.. Horton estabeleceu a expressão genérica h = h0 e − KA n sendo h a precipitação média sobre a bacia. 1976) Prefeitura Municipal de Curitiba . Outros autores estabeleceram expressões que relacionam diretamente a precipitação média sobre a área e no centro da chuva. Holtz (Pinto et al.14 . independentemente da freqüência. h0 a precipitação no centro. 1976) definiu as relações entre intensidades máximas e médias para chuvas ocorridas em Curitiba para durações entre 10 e 120 minutos de duração e áreas até 2500 hectares.Alguns pesquisadores estudaram a variação da intensidade da chuva a partir do centro da mesma. Figura 2. o que nem sempre ocorre na realidade.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP ..Plano de Desenvolvimento de Competências 46 . Geoge Ribeiro estabeleceu a seguinte expressão. a partir de dados observados em Miami (1913): i  1 A  1 +  im = 25.

15 . inclusive.Diagrama altura-área-duração para a região do Alto Iguaçu (Fonte: Krüger.Krüger (1990) definiu um diagrama altura-área-duração para a região metropolitana de Curitiba. válido para chuvas com durações entre 1 hora e 48 horas. O diagrama altura-área-duração proporciona ao projetista importantes informações sobre a variação espacial e temporal da chuva para uma dada área e também é um dos métodos mais simples de transposição de dados de tormentas. 1990) Prefeitura Municipal de Curitiba .Plano de Desenvolvimento de Competências 47 . O diagrama pode ser aplicado para toda a bacia do Alto Iguaçu até a foz do Rio Belém. A informação oriunda de um único posto pode ser aplicada à toda a bacia com o auxílio dos dados regionais de altura-área-duração. Figura 2.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .

a seguir. a partir da menor porção de chuva que. escoa pela superfície.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . O diagrama a seguir ilustra as diversas fases do movimento das águas no ciclo hidrológico e a formação do escoamento superficial. Atmosfera Precipitação vegetação Interceptação Evaporação Retenção nas depressões Infiltração Escoamento superficial Escoamento total Escoamento subterrâneo Figura 3. sucessivamente. as enxurradas ou torrentes.1 – Fases do movimento das águas no ciclo hidrológico O escoamento superficial ocorre através de uma seqüência de diferentes formas de escoamento. rios e lagos ou reservatórios de acumulação.Plano de Desenvolvimento de Competências 48 .1 Conceitos Básicos Denomina-se escoamento superficial o segmento do ciclo hidrológico que estuda o deslocamento das águas na superfície terrestre. formando a seguir as chamadas “águas livres” nestas superfícies. iniciando com uma película laminar de pequena espessura que escoa sobre as superfícies do terreno. formando. para só depois formar a rede de drenagem propriamente dita. o acúmulo de água inicia o escoamento através de uma micro-rede de drenagem. córregos. caindo sobre um solo saturado de umidade ou impermeável.ESCOAMENTO 3. Prefeitura Municipal de Curitiba . Considera o movimento da água. ribeirões.CAPÍTULO 3 .

3 – Curso de água – seção transversal Geralmente.A rede de drenagem é o conjunto de cursos de água. enquanto que no escoamento subterrâneo a ordem de grandeza da velocidade do escoamento é de centímetros por hora. Escoamento superficial Precipitação Escoamento sub-superficial nível do terreno nível do lençol freático Escoamento subterrâneo rio Figura 3. No primeiro caso. escoamento subterrâneo. Película laminar Águas livres superficiais Micro rede de drenagem Rede de drenagem Figura 3.2 – Formação do escoamento superficial 3. simplesmente.Plano de Desenvolvimento de Competências 49 . desde os pequenos córregos formadores até o rio principal. os escoamentos sub-superficial e subterrâneo são considerados em conjunto como. Prefeitura Municipal de Curitiba .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . a velocidade pode chegar à ordem de metros por segundo.2 Componentes do escoamento nos cursos de água A água das chuvas atinge o leito do curso de água através de quatro caminhos distintos: a) b) c) d) Escoamento Superficial Escoamento Sub-superficial (ou hipodérmico) Escoamento Subterrâneo Precipitação direta sobre o curso de água A figura a seguir ilustra as diferentes componentes do escoamento. As velocidades dos escoamentos superficial e subterrâneo diferem consideravelmente em magnitude.

É diretamente proporcional ao grau de impermeabilização da bacia. que.3. atinge a seção considerada. 3. l/s) Vazão específica (ou contribuição unitária): é a relação entre a vazão em uma seção transversal e a área da bacia correspondente.4 Fatores intervenientes no Escoamento Superficial Os seguintes fatores são determinantes para a magnitude e ocorrência temporal do escoamento superficial. q= Q (l/s.3 Grandezas Características a) Bacia hidrográfica: É a área geográfica coletora da chuva. escoando pela superfície.Plano de Desenvolvimento de Competências 50 . b) Vazão: é o volume escoado na unidade de tempo Q= c) ∆V ∆t (m3/s. É a duração da trajetória da partícula de água que demore mais tempo para atingir a seção transversal em estudo. a) b) c) d) Área da bacia de contribuição Topografia da bacia Condições da superfície do solo e geologia do subsolo Obras de controle ou usos a montante Prefeitura Municipal de Curitiba .km2) A d) Coeficiente de deflúvio (ou coeficiente de escoamento): é a relação entre o volume escoado e o volume precipitado.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . em um intervalo de tempo em uma bacia hidrográfica. C= e) volume escoado volume precipitado (adimensional) Tempo de Concentração: é o tempo entre o início da chuva e o momento em que todas as partes da bacia passam a contribuir com escoamento para a seção em estudo.

maiores as variações instantâneas de vazão 3o Em bacias “pequenas”.Plano de Desenvolvimento de Competências 51 .1 Influência dos fatores nas vazões 1o A descarga (vazão) média anual cresce de montante para jusante em uma bacia. 2o Quanto menor a área da bacia. as chuvas críticas possuem baixa intensidade e grande duração 4o Para uma mesma bacia. maior a vazão média anual. montante fluxo 2 1 Em perfil Bacia vista em planta jusante Para uma mesma bacia.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . grandes variações instantâneas de vazão estão correlacionadas com: Alta declividade Poucas depressões retentoras de água Cursos de água retilíneos Baixa capacidade de infiltração Pouca cobertura vegetal Prefeitura Municipal de Curitiba . quanto maior a área de drenagem.4.3. as chuvas críticas possuem alta intensidade e curta duração Em bacias “grandes”.

3. O gráfico da chuva (usualmente em mm) ao longo do tempo é chamado de pluviograma ou hietograma.Plano de Desenvolvimento de Competências 52 . Um hidrograma típico de uma bacia após a ocorrência de um evento pluvial pode ser esquematizado como se segue: P (mm) M tempo tc tp Q (m3/s) ramo em ascensão ramo em recessão Esup B A Esub tb Figura 3.5 Separação do Escoamento Total 3.4 – Componentes de um hidrograma tempo Prefeitura Municipal de Curitiba . ou l/s) é o fluviograma. a) Hidrograma Hidrograma é a denominação genérica que se dá ao gráfico da variação dos fluxos de água ao longo do tempo. O gráfico da vazão (m3/s. o escoamento total será considerado dividido em apenas duas parcelas: escoamento superficial e escoamento subterrâneo.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .1 Componentes do escoamento Para efeito dos cálculos da separação do escoamento.5.

quando representado em gráfico com escala logarítmica para as vazões e aritmética para o tempo. é o intervalo entre o centro de gravidade do hietograma e o pico do hidrograma. b) Curva de recessão do escoamento subterrâneo Antes do ponto A e após o ponto B. Este procedimento ajuda na determinação dos pontos A e B do hidrograma.Plano de Desenvolvimento de Competências 53 . é o intervalo entre o início e o final do escoamento superficial. Aplicando-se logaritmos aos dois lados da equação chega-se a: ln Q = ln Q0 − αt o que equivale à equação de uma reta do tipo y = a + bt . ajusta-se segundo uma linha reta. ln Q reta B A reta tempo Figura 3. durante uma estiagem.5 – Determinação dos pontos notáveis de um hidrograma Prefeitura Municipal de Curitiba .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . tp = tempo de pico.Pontos notáveis do hidrograma: A = início do escoamento superficial B = final do escoamento superficial M = pico da vazão (máxima vazão) Tempos característicos: tc = tempo de concentração. Conclusão importante: O escoamento subterrâneo. é razoável considerar como válida a curva de recessão da água do subsolo (equação de Boussinesq): Q = Q0 e −αt onde Q0 e Q são as vazões no início e final do intervalo de tempo t e α é a chamada constante de depleção ou constante de recessão da água do subsolo. tb = tempo de base.

Exemplo: Considere as vazões em m3/s apresentadas no quadro abaixo. Dia Vazão (m3/s) DIA 12 278 13 264 14 251 15 238 16 226 17 18 19 20 215 5350 8150 6580 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 3/s) 1540 505 280 219 195 179 170 161 153 146 Vazão (m Solução: Dia Qtotal 12 278 13 264 14 251 15 238 16 226 17 (A) 215 18 5350 19 8150 20 6580 Qsub 278 264 251 238 226 215 211 207 203 Qsup 0 0 0 0 0 0 5139 7943 6377 Dia Qtotal 21 1540 22 505 23 280 24 219 25 195 26 (B) 179 27 170 28 161 29 153 30 146 Qsub 199 195 191 187 183 179 170 161 153 146 Qsup 1341 310 89 32 12 0 0 0 0 0 Prefeitura Municipal de Curitiba . usando escala logarítmica para vazões e aritmética para tempos. O método da linha reta tem pouca precisão e tende a exagerar o volume de escoamento superficial. é o mais simples. Consiste em simplesmente ligar os dois pontos através de uma linha reta e interpolar linearmente os valores de vazão subterrânea no trecho considerado. o d) Transferir esse ponto para o 1 gráfico. o c) Identificar no 2 gráfico. b) Representar o trecho de depleção.Plano de Desenvolvimento de Competências 54 . Separe o escoamento superficial.2 Métodos de separação do escoamento Os métodos mais tradicionais para a separação do escoamento superficial e do escoamento subterrâneo são os métodos da linha reta. Considera que a variação de vazão subterrânea entre os pontos A e B pode ser considerada linear. Procedimento: a) Representar o hidrograma utilizando escalas aritméticas para vazões e para tempos. a) Método da linha reta Dentre os três métodos. o ponto em que o escoamento superficial cessou. São valores diários de um rio que drena uma bacia de 2600 km2.3. depleção dupla e do tempo fixo. usando o método da linha reta. calculando o volume resultante. e) Separar o escoamento superficial.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .5.

.Gráfico em escala aritmética 10000 Qtotal Qsub Q (m3/s) 1000 100 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 tempo Exercício . portanto Vesup = 21243 .835 km3. 109 m3 = 1. Prefeitura Municipal de Curitiba . o intervalo de tempo ∆t das medições é de 1 dia (86400 segundos).Plano de Desenvolvimento de Competências 55 . + 32 + 12) ∆t = 21243 ∆t No caso. 86400 = 1.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP ..835 .9000 8000 7000 Q (m3/s) 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 12 14 16 18 20 22 24 26 28 30 tempo Qtotal Qsub Exercício .Gráfico em escala logarítmica A taxa da progressão aritmética a ser aplicada para a interpolação das vazões entre os pontos A e B é igual a: ∆Q Q f − Qi 179 − 215 = = −4 m3/s = ∆t 26 − 17 t f − ti O volume de escoamento superficial é igual a: Vesup = ∑ Qsup ∆t = (5139 + 7943 + .

Método da depleção dupla. note que a equação da curva de recessão considera um decréscimo percentual constante da vazão a cada intervalo de tempo. na forma de uma progressão geométrica (PG): Qi +1 = Qi e −αt Qi +1 = Qi k Qi +1 = k = constante da PG Qi Portanto.b) Método da depleção dupla Como o próprio nome do método sugere. na seqüência de vazões. conforme a figura a seguir. O ponto I sempre ocorre após o máximo valor da diferença entre as vazões. tal procedimento é útil na determinação do ponto B. reta Para determinar os pontos A e B numericamente. é conveniente calcular as razões entre as vazões sucessivas e verificar quando ocorre o desvio do decréscimo constante. Prefeitura Municipal de Curitiba . Como o ponto A normalmente é óbvio. c) Determinar os pontos M (máximo do hidrograma) e I (ponto de inflexão) graficamente ou numericamente.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . são consideradas as recessões (ou depleções) antes do ponto A (início do escoamento superficial) e depois do ponto B (final do escoamento superficial).6 – Separação do escoamento. pois os trechos em recessão são aproximadamente retilíneos. ln Q Qi +1 = constante Qi reta B A tempo Figura 3.Plano de Desenvolvimento de Competências 56 . No gráfico ln Q x tempo é fácil determinar os pontos. O procedimento consiste nos seguintes passos a) Locar a vazão Q em função do tempo e ln Q em função do tempo b) Determinar os pontos A e B graficamente ou numericamente. O ponto I representa a mudança de curvatura do ramo em recessão e pode ser determinado calculando-se as diferenças entre as vazões sucessivas e verificando-se quando ocorre a máxima diferença (negativa) entre as vazões.

2 4.9 0.9 46.2 2.7 5.4 Qsup 1.0 5.4 0.2 6.9 3.8 3.0 40.0 70.0 80.7 65.6 2.8 6. Exemplo: Separar o escoamento no hidrograma a seguir.2 ≅ ≅ ≅ 0. de forma mais simples: Qi +1 = Qi k e) Traçar uma concordância (a sentimento) no trecho MI.1 6.0 Q (m3/s) 50.6 Dia 21 22 23 24 25 26 (B) 27 28 29 30 Qtotal 7.0 0.2 3.9 8.1 3.5 3.0 0.6 2.0 60.3 69.1 11.3 0.3 3.6 3.3 13.6 4.9 2.1 4.8 Qsub 4.5 O volume do escoamento superficial é Vesup = ∑ Qsup ∆t = 195.0 9.2 3.9 2.6 50.0 12 14 M Qtotal Qsub I (inflexão) A 16 18 20 22 24 B 26 28 30 tempo (dias) Exemplo numérico: Método da depleção dupla.6 4.d) Nos trechos AM e IB considerar o modelo matemático da curva de recessão Q = Q0 e −αt .1 52.3 2. utilizando o método da depleção dupla (vazões em m3/s): Solução: Dia 12 13 (A) 14 15 16 (M) 17 18 ( I ) 19 20 Qtotal 4.7 4.4 Qsub 5.4 6.7 4. 106 m3 A taxa da progressão geométrica é Prefeitura Municipal de Curitiba . Comentários sobre o exemplo numérico: - - 4.Plano de Desenvolvimento de Competências 57 .2 2.6 0.2 Qsup 0.4 15.5 3. 86400 = 16.0 10.6 5.0 0.0 0.0 0. ou.91 4.1 2.89 .0 7.6 3.4 23.9 3.5 0.0 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .0 30.7 46.0 20.5 .

10 m Prefeitura Municipal de Curitiba .9 47.5 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .3 14 13. o tempo fixo vale T ≅ 4 dias. O ponto B’ é o ponto do trecho de recessão onde cessaria o escoamento superficial.7 65.6 15 50.2 = ≅ 1.7 46. O procedimento do método do tempo fixo é o seguinte: a) Determinar os pontos A.2 4.56 .4 18 23.827 A 0. a partir do ponto de máximo do hidrograma.7 13 (A) 4. c) Interpolar linearmente as vazões subterrâneas no trecho MB’.4 8.0 Comentários adicionais: - A ∆Q 8. Linsley obteve a seguinte relação empírica: T = 0.1 19 11.3 3. 2 onde T é o tempo em dias.8 − 3.4 m3/s 4 ∆t 6 3 taxa da progressão aritmética entre M e B’ (linha reta) é - O volume do escoamento superficial é Vesup = ∑Q sup ∆t = 191.8 21 7.1 4.9 3.3 16 (M) 69. Dia Qtotal 12 4.9 20 (B’) 8. Note que o método do tempo fixo é uma composição do método da depleção dupla (trecho AM) e da linha reta (trecho MB’).c) Método do tempo fixo O método do tempo fixo determina o tempo para o fim do escoamento superficial.0 7.6 3.6 6.Plano de Desenvolvimento de Competências 58 .8 7. e A é a área da bacia.0 9.1 Qsub 4. Exemplo numérico Utilizando os mesmos dados do exemplo anterior.0 0. através de expressões empíricas.1 Qsup 0. situado um tempo fixo T adiante do ponto M (máximo do hidrograma). b) Aplicar a equação de recessão Qi +1 = Qi k no trecho AM (como no método da depleção dupla).7 4. em km2. 86400 = 16. dado que a área da bacia vale A = 2600 km2.8 17.0 0.7 .1 17 52. M e B’. em função da área da bacia.

A curva-chave ou curva de descarga é a função que transforma o nível de água (h) em vazão (Q) em uma seção transversal de um curso de água. é necessário conhecer a vazão correspondente ao nível observado.80.6 Curva de descarga (Curva-chave) 3.Plano de Desenvolvimento de Competências 59 .0 Q (m3/s) 50.0 40.0 60.0 10. Prefeitura Municipal de Curitiba .6. Para uma resposta do observador ou do linígrafo.7 – Curva-chave. a vazão em uma seção transversal de um rio é obtida a partir do nível de água observado em réguas linimétricas ou linígrafos.1 Definição De modo geral.0 12 14 16 18 20 22 tempo (dias) Qtotal Qsub M 4 dias A B' Exemplo numérico: Método do tempo fixo.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 3.0 0.0 20.0 30.0 70. h (m) Curva-chave nível h* h* vazão Q* Q* Q (m3/s) Figura 3.

usando símbolos diferentes para cada década de observações. por exemplo. cheias e vazões médias. quando ocorrem problemas de erosão e assoreamento. quando ocorrem efeitos de armazenamento local de água em vazões altas e também curvas variáveis no tempo. a forma da seção transversal provoca naturalmente uma curva-chave com traçado irregular. sendo mais conveniente neste caso ajustar visualmente uma curva interpoladora. Nem sempre é recomendável a utilização de equações matemáticas. É conveniente criar uma convenção para os pontos. É relativamente comum o ajuste.5 O traçado da curva pode ser realizado a sentimento ou através de um ajuste matemático.2 Tipos de curvas-chave Nem sempre a curva-chave é uma função unívoca (uma única resposta de vazão para cada nível observado) e estável no tempo.3 Obtenção da curva-chave Em uma situação ideal. Em muitos casos.3.5 Vazão (m3/s) Figura 3. ou alterações na seção transversal e na instalação dos equipamentos de medição da estação fluviométrica. por exemplo.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . deve-se dispor de uma série razoavelmente longa de medições de nível de água e vazões na seção de interesse. podendo ocorrer curvas com laços. Os pontos de medições devem ser locados em gráficos em escala aritmética e logarítmica e procurado o melhor traçado que represente os dados observados. pelo método dos mínimos quadrados.0 2.5 1. Curva-chave medições de vazão 2. 100 90 80 70 Cota (m) 60 50 40 30 20 10 0 0.0 1. 3.Plano de Desenvolvimento de Competências 60 . pois muitas vezes o modelo matemático escolhido pode levar a extrapolações duvidosas ou sem significado físico. Desta forma é mais fácil identificar possíveis alterações de comportamento ao longo do tempo.8 – Curva-chave.6. com um ou vários pontos de inflexão. para situações de estiagens. de expressões matemáticas como as seguintes: Prefeitura Municipal de Curitiba .6.

Locar as medições de vazão Q x h em escala bi-logarítmica. a sentimento.6. 2. b) Procedimento prático para determinação da curva-chave De posse da série de medições de vazão no local de interesse: 1. interpolando os pontos de medições de vazão. a relação Q x (h-h0) tende a uma reta. 3. (ajuste polinomial) onde a.2 a) Q = a + bh + ch + . c. portanto seu uso deve ser realizado com cautela.. . Para os trechos superior e inferior. extrapolar a curva até os limites máximo e mínimo de h (nível de água). o nível h0 também é desconhecido. Desenhar uma primeira aproximação para a curva-chave. Prefeitura Municipal de Curitiba . uma reta em um gráfico com as escalas log Q versus log(h-h0). Se considerarmos válido o modelo Q = a (h-h0)n. n b) Q = a (h − h0 ) onde a e n são parâmetros a estimar h0 = nível de água correspondente à vazão nula Normalmente. log Q = log[a(h − h0 ) n ] log Q = log a + log(h − h0 ) n o que equivale a log Q = log a + n log(h − h0 ) . o traçado deve ser realizado em gráfico na escalas aritmética e bi-logarítmica. b. Ou seja.4 Traçado e extrapolação da curva-chave a) Obtenção da curva-chave pelo método gráfico Preferencialmente. Conclusão: em um gráfico em escala bi-logarítmica. constituindo-se em mais um parâmetro de ajuste... 3..Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . são parâmetros a estimar h = nível de água Q = vazão O inconveniente do uso de modelos desta forma reside no fato de que o uso de polinômios de elevado grau pode causar flutuações indesejáveis na curva teórica e extrapolações ainda mais duvidosas.Plano de Desenvolvimento de Competências 61 .

c) Obtenção da curva-chave pelo método analítico (método dos mínimos quadrados) Com o software Excel. é fácil realizar o ajuste de uma função exponencial do tipo Q = a (h-h0)n onde a. por tentativas.0 m.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 1. Adotar um valor de cota mínima h0 e construir duas colunas: uma com (h-h0) e outra com a vazão medida Q. clicar sobre a curva ajustada para selecioná-la e selecione a opção "formatar linha de tendência" e "exibir equação e R2" 6. a curva obtida de uma distância h0 até obter uma reta. Com o botão direito do mouse selecionar a opção "adicionar linha de tendência" e escolhar uma função do tipo "potência". abaixar. 1. Adotar outros valores de h0 até obter o maior valor de R2.0 melhor o ajuste. Elevar o trecho da reta estentida cm a mesma distância h0. Para fazer aparecer a equação ajustada. 2. 3. obtendo o trecho extrapolado da curva-chave. Quanto mais próximo de 1. estabelecer a curva-chave e extrapolar o trecho superior até h = 5. d) Extrapolação da curva-chave Extrapolar a curva-chave consiste em complementar o traçado da curva para o intervalo de cotas entre os níveis mínimo e máximo. Extrapolação logarítmica: este tipo de extrapolação é adequado para extrapolação do ramo superior da curva-chave (vazões altas). O valor de h é a cota do nível de água da medição de vazão. Exemplo: Dado o conjunto de medições de descarga. Desenhar um gráfico tipo "dispersão x-y" onde o eixo x representa (h-h0) e y a vazão Q. Verifique o coeficiente de correlação (R2) do ajuste. n e h0 são os parâmetros a estimar. onde geralmente não existem medições de vazão. 7.Plano de Desenvolvimento de Competências 62 . Medição 1 2 3 4 5 h(cm) 70 120 80 100 155 Q(m3/s) 20 50 30 40 65 Medição 6 7 8 9 10 h(cm) 150 200 130 195 105 Q(m3/s) 60 90 55 85 45 Prefeitura Municipal de Curitiba . 2. 3. Estender a reta até o valor máximo de vazão a ser extrapolada. Ler graficamente os valores da curva-chave. 5. estabelecendo uma tabela com os valores do gráfico (tabela cota-vazão). Clicar com o mouse sobre os pontos para selecioná-los 4.4. Após locar em um gráfico em escala bi-logarítmica as medições de vazão (Q no eixo horizontal versus h no eixo vertical).

O período unitário é a duração da chuva unitária (1 cm ou 10 mm) que deu origem ao hidrograma unitário. adequado para locais que disponham de dados de vazão insuficientes para a realização de uma análise estatística convencional e que disponham de dados de precipitações observadas. devidas a Sherman.3. que permita prever as vazões de escoamento superficial como conseqüência hidrológica de um estímulo representado por uma precipitação unitária aplicada no “sistema hidrológico” representado pela bacia hidrográfica (figura 1).7 Hidrograma Unitário 3. A idéia básica do método é obter uma “função resposta” da bacia. são as seguintes: Prefeitura Municipal de Curitiba .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . a parte da chuva total que excede a capacidade de infiltração do solo. t 3. Dado: Chuvas P(t) (entrada) Chuvas observadas P Bacia (sistema hidrológico) Estimar: vazões Q(t) (saída) Vazões de cheias Q t Figura 3.9 – Representação da resposta da bacia a uma chuva isolada.7.2 Hipóteses básicas As hipóteses simplificadoras do método do Hidrograma Unitário.1 Definição O hidrograma unitário é um método de transformação de chuva em vazão.7.Plano de Desenvolvimento de Competências 63 . A chuva efetiva (ou excedentária) é a parte da chuva total que efetivamente escoa superficialmente. O hidrograma unitário é definido como o hidrograma de escoamento superficial resultante de uma chuva efetiva de 1 cm (ou 10 mm) para uma dada bacia e um dado período unitário. ou ainda.

Para uma dada bacia hidrográfica. portanto: Pe 1 = . Calcular a chuva efetiva 5.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . chuvas de igual duração produzem hidrogramas de escoamento superficial cujas ordenadas. Princípio da superposição dos efeitos: chuvas superpostas somam seus escoamentos superficiais. em tempos correspondentes. II.Plano de Desenvolvimento de Competências 64 . O hidrograma unitário é aquele produzido por uma chuva efetiva unitária de 10 mm (ou 1 cm).3 Obtenção do hidrograma unitário para uma chuva isolada O procedimento para obtenção do hidrograma unitário a partir de uma chuva isolada é o seguinte: 1. 3.7.I. Separar o escoamento superficial no hidrograma de vazões da cheia 3. Qe Qu Na expressão acima. III. A chuva efetiva Pe é calculada dividindo-se o volume do escoamento superficial Vsup pela área da bacia A: Pe = Vsup A “Reduzir” o hidrograma de escoamento superficial ao hidrograma unitário significa obter o hidrograma com ordenadas proporcionais ao hidrograma de escoamento superficial (ver hipótese II). Chuvas de igual duração produzem hidrogramas de escoamento superficial com igual tempo de base (duração) para uma dada bacia hidrográfica. enquanto que o hidrograma de escoamento superficial foi gerado por uma chuva efetiva Pe . são proporcionais aos respectivos volumes de escoamento superficial. as vazões do hidrograma unitário Qu são proporcionais às vazões do hidrograma de escoamento superficial Qe : Qu = Qe onde a chuva efetiva Pe é dada em cm. Reduzir o hidrograma de escoamento superficial ao hidrograma unitário. Selecionar um evento pluvial em que a chuva tenha ocorrido de forma isolada 2. Calcular o volume de escoamento superficial 4. 1 Pe Prefeitura Municipal de Curitiba .

Plano de Desenvolvimento de Competências 65 . a partir do hidrograma tabelado abaixo.Qsup Qsup 20 mm Note que a informação sobre o coeficiente de escoamento é redundante. portanto: Qu 10 mm = = 0.25 Ptotal Vtotal 80 mm ou seja.5 ∴ Qu = 0. 106 m3. Vsup A = 19.08 .10 6 = 20 mm. 24 h . d) Chuva efetiva: Pe = 6 3 ∑Q sup ∆t = 226 . 3600 s = 19. 976. Prefeitura Municipal de Curitiba . note que: Vsup Pe 20 mm = = = 0. 80 mm = 78. c) Volume de escoamento superficial: Vsup = 10 m . pois não foi utilizada.5. Dia 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Qtotal (m3/s) 11 30 59 68 55 34 25 20 17 14 11 8 Qsub (m3/s) 11 10 9 8 11 14 13 12 11 10 9 8 Qsup (m3/s) 0 20 50 60 44 20 12 8 6 4 2 0 Qunit (m3/s) 0 10 25 30 22 10 6 4 3 2 1 0 ∑Q sup = 226 m3/s Resultados: a) Separação do escoamento: Qsup = Qtotal − Qsub b) Volume de água precipitada: Vtotal = A . 25% do total precipitado transforma-se em volume de escoamento superficial.Exemplo Determine o hidrograma unitário para uma bacia de 976 km2. resultante de uma chuva de 80 mm com 12 horas de duração. hchuva = 976 km2 .53 .10 6 e) Redução ao Hidrograma Unitário: Qu → Pu = 10 mm Qsup → Pe = 20 mm . A título de verificação.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Sabe-se que o coeficiente de escoamento é igual a C = 25%.53.

Chuvas 1 2 Início 7:00 dia 10 7:00 dia 11 Fim 19:00 dia 10 19:00 dia 11 P (mm) 70 90 C 0.16 0. Por outro lado.7. que fogem ao escopo do presente curso. a vazão de escoamento superficial é proporcional ao valor da chuva efetiva: Qu 10 = Qe Pe (a chuva neste caso foi representada em milímetros). Prefeitura Municipal de Curitiba . a aplicação do hidrograma unitário de uma determinada bacia a uma seqüência de chuvas complexas. A obtenção do hidrograma unitário a partir de uma seqüência de chuvas complexas e seu respectivo hidrograma é objeto de métodos específicos.4 Aplicação do Hidrograma Unitário a “Chuvas Complexas” O termo “chuvas complexas” aqui é usado para indicar uma seqüência de eventos pluviais. neste caso.Pe 2 Para obtenção do hidrograma de escoamento superficial. conhecendo-se o hidrograma unitário da bacia.1 Obs: Note que as duas chuvas têm duração de 12 horas (período unitário). Solução: Pela Hipótese II de Sherman.2 17. é uma tarefa fácil. Portanto.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . com o objetivo de gerar o correspondente hidrograma de escoamento. consultar Pinto (1976).19 Pe (mm) 11.12.3.Plano de Desenvolvimento de Competências 66 . como veremos no exemplo a seguir. Para maiores detalhes. com intensidades variáveis. Exemplo: Calcule o hidrograma de escoamento superficial resultante da seqüência de chuvas a seguir.71. aplica-se a Hipótese III de Sherman (princípio da superposição dos efeitos).Pe1 Qe 2 = 1. Qe = Qu . C é o coeficiente de escoamento superficial. calculando os hidrogramas resultantes das duas chuvas com a defasagem correspondente no tempo e somando os resultados. logo 10 Qe1 = 1. definido para um período unitário tu igual a 12 h.Pe .

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .0 3.0 Qsup2 (m3/s) Qe total (m3/s) 0.0 0.5 37 59 42 34 24 16 8 3 1 0 Qsup1 (m3/s) 0.4 1.6 110.0 160 140 120 Vazões (m /s) 100 80 60 40 20 0 0 50 100 Tempo (horas) 150 200 Qe1 Qe2 Qe total 3 Exercício .1 26.7 0.0 11.1 47.Resultados.9 9.Plano de Desenvolvimento de Competências 67 .1 41.1 0.1 26. Hidrogramas de escoamento superficial.0 7.4 52.0 38.7 5.4 41.3 17.8 58. chamada de período Prefeitura Municipal de Curitiba .4 13.5 Variação do período unitário Uma das desvantagens do método do hidrograma unitário é o fato de que o hidrograma é obtido para uma duração fixa de chuva unitária.5 63.1 1.0 7.3 139.1 1.5 15.6 92.8 5.3 100.3 17.0 30.4 66.0 98.7. 3.1 50.9 17.9 71.0 27.7 14.7 76.Resultados: tempo (h) 0 12 24 36 48 60 72 84 96 108 120 132 144 156 168 Qu (m3/s) 0 6.7 0.

tr Exemplo: Obter o HU para uma chuva de duração de 12 horas. Desta forma. somar os resultados.unitário. Hidrograma Unitário (tu = 6h) Hora 0 6 12 18 24 30 36 42 48 54 QHU (m3/s) 0 12 24 36 30 24 18 12 6 0 Prefeitura Municipal de Curitiba . O procedimento é simples. este período unitário é escolhido como aproximadamente um terço do tempo médio de ascensão dos hidrogramas de cheias típicas do local (tempo entre o início da chuva e o pico da cheia).Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Em geral. a partir do HU de 6 horas dado a seguir. O problema se resume ao seguinte: Dado: HU para período unitário tu = tr Obter: HU para período unitário tu’ = n . é necessário fazer uma transformação. e finalmente reduzir o hidrograma resultante a um volume de chuva unitário.Plano de Desenvolvimento de Competências 68 . para obter o hidrograma unitário para durações maiores de chuvas. bastando aplicar diversas vezes o hidrograma unitário em seqüência (diversas chuvas unitárias).

como se fossem resultantes de duas chuvas de 5 mm consecutivas. para uma chuva efetiva de 10 mm. Prefeitura Municipal de Curitiba .10 – Resultado do exemplo. já com as vazões divididas por 2.Plano de Desenvolvimento de Competências 69 . totalizando o hidrograma unitário. Hidrogramas unitários. 70 60 50 Vazão (m3/s) 40 30 20 10 0 0 10 20 30 tempo (horas) 40 50 60 Q HU1 (6h) Q HU2 (6h) Q total Q HU (12 h) Figura 3.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Resultados: Hora 0 6 12 18 24 30 36 42 48 54 60 Pe = 10mm tu = 6h QHU1 (m3/s) QHU2 (m3/s) 0 12 24 36 30 24 18 12 6 0 0 12 24 36 30 24 18 12 6 Qtotal (m3/s) 0 12 36 60 66 54 42 30 18 6 QHU= Qtotal/2 (m3/s) 0 6 18 30 33 27 21 15 9 3 0 0 0 Pe = 10mm Pe = 20mm Pe = 10mm tu = 6h tu = 12h tu = 12h Uma forma alternativa de realizar o mesmo cálculo seria somar dois hidrogramas unitários defasados.

Pe Prefeitura Municipal de Curitiba . estão: a área da bacia. Vsup = volume escoado superficialmente (área do hidrograma). tais como obras em estradas.8. É uma abordagem apropriada para locais desprovidos de quaisquer dados de vazão.11 .t B 2 O mesmo volume também pode ser calculado pelo produto da área da bacia A pela chuva efetiva Pe: Vsup = A . tA = tempo de ascensão. entre outras.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . densidade da rede de drenagem.8 Hidrograma Unitário Sintético 3. O volume de escoamento superficial pode ser calculado através da área do hidrograma: Vsup = Q p . tB = tempo de base (duração do escoamento superficial).8. dimensões e rugosidade dos canais. onde é comum a travessia de pequenos córregos onde não há dados observados de vazão. Entre as características físicas que influenciam no escoamento superficial.Hidrograma Unitário Triangular Na figura acima. 3. forma da bacia.Plano de Desenvolvimento de Competências 70 .1 Definição O hidrograma unitário sintético é um hidrograma unitário construído através de características físicas da bacia. declividade dos canais.2 Hidrograma Unitário Sintético Triangular Uma forma simples de modelar matematicamente um hidrograma de cheia é considerar um hidrograma com a forma triangular: Q Qp tA n .3. tA Vsup t tB Figura 3. Qp = vazão de pico (máximo do hidrograma).

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . o tempo do início do hidrograma até o pico.3 1. c) Calcula-se tB e Qp (também é possível estimar tB inicialmente). 3. Pelo método de Snyder.76 Prefeitura Municipal de Curitiba . pode ser usado o seguinte procedimento: a) Estima-se tA (tempo de ascensão). d) Desenha-se o hidrograma unitário sintético triangular.Plano de Desenvolvimento de Competências 71 .75 Cp A tA A equação acima é a equação básica do método do Hidrograma Unitário Sintético Triangular. Fazendo C p = 2 . nos EUA. chega-se a 1+ n Qp = C p APe tA Para uma chuva unitária Pe = 10 mm.Portanto. área da bacia A em km2 e tA em horas.3 Hidrograma Unitário Sintético de Snyder Um dos métodos mais conhecidos e utilizados é devido a Snyder (1938). b) Adota-se um valor de n ou de C p = 2 . Para a aplicação do método. a vazão de pico pode ser definida por: Qp = 2 APe tB Da figura. também através de recomendações 1+ n da literatura. t B = t A + n.8. que definiu a forma do hidrograma unitário sintético a partir de medidas fisiográficas simples da bacia. chamado de tmepo de retardamento é dado por: tp = A vazão máxima é dada por: Ct ( L. resulta finalmente: Q p = 2.t A . Snyder utilizou dados de bacias situadas na região dos Montes Apalaches.33 Cp A tp Q p = 2.La ) 0. Uma alternativa é o uso de fórmulas empíricas disponíveis na literatura.t A = (1 + n).

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .5 L = comprimento da bacia (km) medido ao longo do rio principal. a duração da chuva está relacionada com o tempo até o pico através da seguinte relação fixa: tr = Nas expressões acima. conforme a faixa de valores recomendada por Snyder: Prefeitura Municipal de Curitiba .Elementos do hidrograma unitário de Snyder t Como informação adicional. CG L La Figura 3. tp 5.Q tr Qp tp Pe tB Figura 3.Características fisiográficas – HUS de Snyder Os coeficientes Cp e Ct devem ser adotados. ao longo do rio principal (km).12 .13 .Plano de Desenvolvimento de Competências 72 . La = distância da projeção do centro de gravidade da bacia até o exutório.

Q p = 3. os coeficientes Cp e Ct podem assumir valores além da faixa sugerida por Snyder. Qp = 19. C t ( L. portanto serão adotados os valores Cp = 0.67 a) Cp A . A favor da economia. Portanto. Prefeitura Municipal de Curitiba .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . devemos adotar os valores que maximizam a vazão. para: a) Critério mais a favor da segurança.7 − 19.2.1 m3/s. usando o HUS de Snyder: A vazão máxima unitária. a vazão obtida pode variar em torno de 50%.8.69 e Ct = 1.56 e Ct = 2. Exemplo: Em uma bacia hidrográfica.La ) 0. Qp = 28. devemos adotar os valores que minimizam a vazão.1.1 Conclusão do exemplo: Ao utilizar o método de Snyder. b) Critério mais a favor da economia.1 = ≅ 50% Q 19. c) Diferença percentual.56 ≤ C p ≤ 0. Convém notar que estudos realizados no CEHPAR (Krüger. Na equação acima.Plano de Desenvolvimento de Competências 73 .8 ≤ C t ≤ 2. A diferença percentual é b) c) ∆Q 28. calcule. La = 10 km. Solução: Combinando-se as equações. conforme os valores adotados dos coeficientes Cp e Ct.69 Convém lembrar que estes valores foram encontrados para bacias localizadas nos Montes Apalaches. portanto serão adotados os valores Cp = 0. portanto.3 A favor da segurança. 1988) mostraram que para as bacias do Alto Iguaçu. não necessariamente serão verificados em outras bacias. L = 20 km. com área A = 100 km2.2 0.7 m3/s.

diariamente. que registra em um gráfico ou em arquivo magnético as variações do nível de água do rio. No caso mais simples. • Elevado potencial de erosão ou sedimentação do leito • Vegetação densa ou com crescimento sazonal • Próximas da foz de afluentes • Próximas de obras hidráulicas. Fonte: Santos et al. Prefeitura Municipal de Curitiba . é composta por um conjunto de réguas linimétricas.Plano de Desenvolvimento de Competências 74 . de preferência no seu terço final Seção transversal regular.9.3.9 Medições de Vazão 3. é necessária a instalação de um linígrafo. (2001) O melhor local para instalação de uma estação fluviométrica deve ser cuidadosamente analisado. Por conveniência. em geral instala-se também uma estação pluviométrica próxima da estação fluviométrica. aproximadamente Da mesma forma. para melhores resultados nas medições de nível de água e de vazão.Estação fluviométrica. deve-se evitar seções transversais com: • Geometria irregular.3 m/s. sem taludes acentuados Velocidades do escoamento regularmente distribuídas na seção transversal e maiores que 0. provocando descontinuidades na relação entre cota e vazão. cujas leituras geralmente são realizadas às 7h e 17h. Por exemplo: remanso de barragens a jusante ou locais sujeitos a efeitos de operações de comportas de controle a montante. O raio hidráulico pode variar consideravelmente neste caso.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Figura 3. sendo conveniente escolher locais com as seguintes características: • • • Trecho retilíneo do rio.14 . preparada para a coleta sistemática de dados de vazão e nível de água. Para medidas contínuas de nível de água. Em geral.1 Estação fluviométrica É uma seção transversal de um rio. procuram-se trechos onde o regime de escoamento seja o mais estável possível.

9. calhas Parshall. retangular. a vazão é Q= b) Medindo-se o nível de água V t Este método é utilizado em estruturas hidráulicas com formas geométricas conhecidas. Figura 3.15 – Local adequado para instalação de estação fluviométrica. 3.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . consiste em medir o tempo para enchimento de um reservatório de volume conhecido.2 Métodos para medição de vazões a) Medida direta O método mais direto e mais exato possível.Plano de Desenvolvimento de Competências 75 . Desta forma. etc. pode ser mais conveniente estabelecer esta relação através de ensaios de laboratório.Nas curvas: distribuição de velocidades irregular 1/3 1/3 1/3 rio melhor local Figura 3.16 . ainda que de pouca utilidade prática na maioria dos casos reais. onde é possível definir uma relação teórica entre a vazão e o nível de água (curva de descarga teórica). Exemplos: vertedouros de seção triangular. Em alguns casos.Medição de vazão em vertedouro triangular Prefeitura Municipal de Curitiba .

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . q C s = Q C r onde Q é a vazão total do rio no ponto de coleta da amostra. A vazão é determinada por Q = q d) Método das velocidades e áreas Método utilizado em medições de vazões em estações fluviométricas convencionais.c) Processos químicos Método útil para a medição de fluxos altamente turbulentos. 3 ou mais pontos ao longo da mesma vertical. Um exemplo de procedimento para medição por processo químico é: 1. pode ser necessário medir a velocidade em 1. geralmente uma solução salina. 2. 4.17 . v é a velocidade média na seção líquida e A é a área da seção líquida. realiza-se uma integração horizontal e vertical do campo de velocidade medido. separados por verticais. Despejar a solução salina no ponto de lançamento a montante (a vazão da solução é q. estimando-se a vazão total como: Q=v A onde Q é a vazão. a seção líquida é dividida em um certo número de elementos.Micromolinete Por este processo. Em um ponto a jusante suficientemente distante para a correta diluição da solução. em mg/l). Neste caso. 2. Pelo princípio da conservação da massa. Cs Cr Figura 3. ou ainda: Prefeitura Municipal de Curitiba . com o auxílio de um medidor de velocidade. em l/s e a concentração Cs .Plano de Desenvolvimento de Competências 76 . como rios de corredeiras em montanhas. onde o aparelho é mergulhado para a medida da velocidade. Conforme a profundidade do rio. O método baseia-se na medida da diluição de uma substância química. coletar amostra da água e determinar a concentração da solução diluída (Cr) 3. por exemplo. denominado molinete.

5 0.815 + 0.485 4.50 0.93 m3/s.5 12 (MD) 0.195 A vazão total é (0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .275 + 1.10 1. onde são medidas as velocidades e profundidades v1 A1 v2 A2 v3 A3 v4 A4 v5 A5 v6 A6 Figura 3.0 6 5. em locais com profundidades menores que 0.33 5. Para a avaliação da velocidade média da vertical.Plano de Desenvolvimento de Competências 77 .18 . e a melhor posição para medição é a 60% da profundidade.45 9.0 0.00 0.24 0.195) = 10.Q = ∑ vi A i = ∑ qi ou seja.8 h 2 Em locais com grande profundidade (maiores que 1.275 1. 2 h + v 0 .40 0.5 8 4.0 0.41 8.040 3. MD = margem direita) **Velocidade média de cada elemento de área h(m) Qi (m3/s) 0. apenas um ponto de medição da velocidade com o molinete é suficiente.28 0.5 *Distância da margem (ME = margem esquerda.00 0. Dist(m)* V0.04 + 3.2 m).13 1.20 0.0 0. (2001) Para avaliação da velocidade média ao longo de uma vertical.30 0. Fonte: Santos et al. verticais. Exemplo numérico: Determinar a vazão total.485 + 4. Método das velocidades e das áreas.40 0. pode ser necessário usar múltiplos pontos para a determinação da velocidade média nas verticais.40 0.0 0.32 0. a velocidade média na vertical é a velocidade medida no ponto: v = v 0. é comum a medição em dois pontos.60 m.26 0. devendo-se baixar o molinete até 20% e 80% da profundidade.6 h Em locais mais profundos. usar: v= v 0 .5 10 1.48 0. Prefeitura Municipal de Curitiba . Neste caso.00 0.32 0.60 0.22 0.5 0.1 + 1.815 0.00 0.0 0.00 0.2 Ai V0. a vazão é o somatório das vazões em cada elemento de área.26 4.00 2 1.Estação fluviométrica.8 Vmed Vmed** (m/s) (m/s) (m/s) (m/s) (m2) 0 (ME) 0.0 4 3.12 0.100 1. da superfície para o fundo.

estimativas de riscos de alagamentos. estradas. Prefeitura Municipal de Curitiba .Hidrograma de cheia em uma bacia hidrográfica. é necessário um período de observações relativamente longo (30 anos.1 Determinação da vazão máxima A determinação da vazão máxima de um rio é uma das atividades mais importantes na Hidrologia. Q (m3/s) Qmáx Vazão na exutória da bacia Tempo Figura 3. Também em estudos de planejamento urbano.10. Em função do tipo de empreendimento em análise.19 . diques e outras obras de engenharia civil. canais. exige-se a determinação da vazão.10 Vazões máximas – Método Racional 3. usinas hidrelétricas. é importante a determinação das seguintes características: • • Determinação da vazão máxima em um evento de cheia ou intervalo de tempo. e/ou Determinação da forma do hidrograma de cheia. por exemplo).10.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . estabelecimento de níveis seguros para pontes. tais como mapeamento de áreas inundáveis. Para tal. entre outros.3. 3. As vazões extremas são importantes em projetos de obras hidráulicas como bueiros.Plano de Desenvolvimento de Competências 78 . Em geral.2 Classificação dos métodos É possível classificar os métodos para determinação da vazão máxima em três abordagens principais: a) Análise estatística: normalmente consiste no ajuste matemático de uma distribuição teórica de probabilidades a uma série histórica de vazões máximas. em função de uma probabilidade de ocorrência (ou de excedência) expressa em termos de um tempo de recorrência ou tempo de retorno T.

Ilustração dos fundamentos do método racional (Fonte: Pinto et al. Esta é uma situação comum no Brasil. Por exemplo.20 . sua aplicabilidade é restrita a bacias ou áreas muito pequenas. (ver figuras a seguir). O método se baseia nas hipóteses de que a chuva é uniformemente distribuída em toda a bacia e de que o tempo de duração da chuva é igual ou maior que o tempo de concentração da bacia.b) Métodos meteorológicos: estimativa da vazão máxima a partir da chuva. C = coeficiente de deflúvio ou coeficiente de escoamento (adimensional). mas há dados de chuvas.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .0).Plano de Desenvolvimento de Competências 79 . A = área de drenagem da bacia (km2). para fornecer uma idéia da Prefeitura Municipal de Curitiba .. i = intensidade média da precipitação (mm/h). há uma certa variação de opiniões em relação ao tamanho máximo da área.3 Método Racional O método racional é um modelo de transformação de chuva em vazão bastante simples. 1976) Devido à extrema simplicidade do método. uma bacia hipotética totalmente impermeável teria um coeficiente de escoamento de 100% (C = 1. c) Métodos de regionalização hidrológica: Usam-se dados de bacias próximas e/ou com comportamento hidrológico semelhante para estimar os dados para o local em análise. mas assim mesmo. que se baseia no uso da chamada “fórmula racional”: Q= Ci A 3. tc 15’ Q precipitação i 10’ Qmáx tc 5’ 15’ 10’ Linhas de igual tempo de concentração (isócronas) Q 5’ tc tempo Figura 3. Esta abordagem é útil quando não há dados de vazão suficientes no local. Sobre este ponto. é necessário um período de observações de chuvas relativamente longo. 3. podendo-se citar.10.6 onde Q = vazão máxima instantânea (m3/s). O coeficiente de escoamento representa a porcentagem da chuva que se transforma em escoamento superficial.

T = tempo de recorrência (anos).159 (t + 41)1. b) Estimar o tempo de concentração (tc) Existem diversas fórmulas empíricas para este fim.06 km e o desnível H é igual a 45 m. 385 onde tc = tempo de concentração (minutos). 217 i= (t + 26)1. Solução: a) Adotar um tempo de retorno (T) Para canais de macrodrenagem. existem duas equações de chuvas intensas que podem ser utilizadas para a estimativa: 5950 T 0.Plano de Desenvolvimento de Competências 80 . L = comprimento do talvegue (km) H = desnível total do talvegue (m) – diferença de cotas do ponto mais afastado da bacia até o local da estimativa. L é aproximadamente igual a 3.041 (Parigot de Souza.. Uma das mais tradicionais é a equação do Departamento de Estradas da Califórnia (Pinto et al. t = duração da chuva (minutos). Substituindo na equação acima. um valor comumente adotado é T = 20 anos. bacias menores que 5 km2 e que tenham tempos de concentração menores que 1 hora.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Exemplo de aplicação Problema: Estimar a vazão máxima em um canal projetado para o Ribeirão dos Müller dentro do Campus do Unicenp.64 T 0. Prefeitura Municipal de Curitiba .ordem de grandeza. 2003) onde i = intensidade da precipitação (mm/hora). Este valor significa que a vazão máxima calculada teria uma probabilidade de 1/20 (ou 5%) de se repetir a cada ano.15 i= 5726. 1976):  L3  t c = 57   H   0 . 1959) (Fendrich. ou de que o intervalo médio de tempo para repetição de uma vazão de cheia igual ou maior seria de 20 anos. resulta: tc = 48 minutos c) Intensidade máxima da chuva Para Curitiba. No caso em questão.

para T = 20 anos e t = tc = 48 minutos.11 Manipulação de dados de vazão 3. A curva duplo-acumulativa. favor consultar o Capítulo 4 das notas de aula. Uma análise preliminar pode ajudar a verificar erros grosseiros de observações. também pode ser aplicada aos dados de vazão.2 . resulta: Q= C i A 0. quando o observador registra na caderneta de campo alguma medida de nível de água com um metro de diferença para o valor verdadeiro. tradicionalmente utilizada para análise de consistência de dados de precipitação. Será adotado o valor C = 0. Para este fim. e) Estimativa da vazão máxima A área de drenagem do Ribeirão dos Müller na saída do campus do Unicenp é de aproximadamente A = 4. através do mesmo procedimento: escolhem-se vários postos em uma região hidrologicamente homogênea e grafam-se os totais acumulados de vazão média mensal ou anual de um posto em análise versus a vazão média acumulada dos postos da região. faz-se necessário avaliar a qualidade dos dados a serem utilizados. sobre Precipitação.9 m3/s 3. resulta i = 86.5 = = 53. ocasionando uma alteração brusca de vazão sem uma explicação aparente.5 (valor mais seguro. Para maiores detalhes.Utilizando a equação de Fendrich.5 . porém menos econômico). Substituindo na fórmula do método racional.9 m3/s 3.Plano de Desenvolvimento de Competências 81 .1 Análise de consistência de dados de vazão Antes de iniciar um estudo hidrológico.5.11. podem ser aplicados métodos de análise de consistência de dados hidrológicos.2 mm/h d) Adotar um coeficiente de deflúvio Existem inúmeras tabelas e referências na literatura. Outro instrumento útil para verificação da consistência dos dados de vazão é a curva-chave.6 A vazão máxima é Q = 53.(1995). onde através das medições de vazão e da relação cota-vazão resultante Prefeitura Municipal de Curitiba .5 km2. para “áreas com edificações e muitas áreas livres” o valor do coeficiente de deflúvio C estaria entre 0. Segundo Tucci et al. 86. tais como “erros de metro inteiro”.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .25 e 0.6 3. 4.

longo) para visualizar melhor o regime do rio no local.22 . O fluviograma é um gráfico da vazão ao longo do tempo.11.2 Fluviograma Em projetos de obras hidráulicas.Plano de Desenvolvimento de Competências 82 . de horas. para o caso de um evento específico. onde o período de tempo analisado pode ser variável. 4 3 Vazão (m3/s) 2 1 0 J F M A M J J A S O N D Meses Figura 3.11. comumente na forma de um histograma. Consiste na apresentação.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 3.21 . até dias. das vazões médias de cada mês do ano (vazão média de janeiro.3 Fluviograma médio O fluviograma médio é uma forma de caracterizar o regime fluviométrico mensal de um rio em determinado local.Fluviograma médio mensal do Rio Pequeno em Fazendinha Prefeitura Municipal de Curitiba . Neste formato é fácil detectar a presença de sazonalidade (variações cíclicas de meses secos e úmidos) e caracterizar as fases de maior e menor afluência de vazões em termos médios. serão detalhados a seguir o fluviograma e a curva de permanência.Fluviograma de vazões médias anuais do Rio Pequeno em Fazendinha 3.pode-se inferir se o comportamento do escoamento no local é estável ou não. exige-se a representação de dados de vazão relativos a um período de tempo (em geral. Além destes. etc. 6 5 Vazão (m3/s) 4 3 2 1 0 1950 1960 1970 1980 Ano 1990 2000 2010 Figura 3. fevereiro. meses ou anos.).

km2).. . Associar um contador à série ordenada (i = 1 para Qmáx. 2.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . . a freqüência acumulada e nas ordenadas as vazões. mensais ou anuais. é conveniente utilizar as vazões específicas (em l/s.. Qn: 1. A curva de vazões diárias é mais precisa. Ordenar a série em ordem decrescente. Procedimento para obtenção da curva de permanência: Dada uma série de vazões Q1.Plano de Desenvolvimento de Competências 83 . Locar em um gráfico os pares Q versus p Prefeitura Municipal de Curitiba . a menor vazão observada no histórico estaria disponível (ou seria igualada ou superada) durante 100% do tempo. permitindo visualizar e quantificar o potencial hídrico de um rio.3. Por exemplo. ocultando características importantes do regime de vazão do local. Q2. permitindo comparar a “riqueza hídrica” por área unitária em diferentes bacias. i = n para Qmín) 3. A curva de permanência é um instrumento indispensável para o planejamento de recursos hídricos. Associar a permanência por p = i × 100 n 4. As freqüências acumuladas podem ser interpretadas em termos da porcentagem de tempo em que uma dada vazão foi igualada ou superada no histórico de vazões. no eixo das abcissas. onde representam-se.4 Curva de permanência A curva de permanência é a distribuição de freqüências acumuladas das vazões diárias. geralmente. pois o cálculo de vazões médias mensais e anuais amortece as variações de vazão ocorridas. Observação: A curva de permanência pode ser construída com vazões diárias. Para comparação de bacias com diferentes áreas de drenagem.11. mensais ou anuais.

1300. Solução: Note que o valor 1300 aparece duas vezes.0 60. tal cuidado não tem grande relevância.0 perm anência (% de tem po) Figura 3. poderia ser desconsiderado o valor com menor permanência. 900. 1170. i 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Q (m3/s) 1600 1400 1300 1300 1200 1170 900 850 800 750 P 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Prefeitura Municipal de Curitiba .Plano de Desenvolvimento de Competências 84 .0 100. face ao maior número de elementos normalmente disponíveis na amostra.0 80. mas na prática. 1400. obter a curva de permanência.6 5 4 Vazão (m3/s) 3 2 1 0 0.23 . 1600. Neste caso.0 20. 1200. 850 e 750.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Curva de permanência de vazões médias anuais do Rio Pequeno em Fazendinha Exemplo Numérico: Dadas as vazões médias anuais em m3/s: 1300. 800.0 40.

Estimativa da Vazão Máxima de Projeto 3.1 Fluxograma para estimativa da vazão máxima de projeto Comparando os diversos métodos disponíveis para estimativa da vazão máxima de projeto. sugere-se o seguinte fluxograma para estimativa da vazão de cheia de projeto.Plano de Desenvolvimento de Competências 85 .1800 1600 1400 1200 Vazão (m3/s) 1000 800 600 400 200 0 0% 20% 40% 60% 80% 100% % de tem po Curva de permanência (exemplo numérico) 3.12. percebe-se que a disponibilidade de dados é um fator decisivo na escolha da abordagem mais apropriada em cada situação. Desta forma. O tamanho da bacia também é um fator de grande importância. Prefeitura Municipal de Curitiba . pois alguns métodos assumem hipóteses simplificadoras que podem não ser válidas para bacias de maiores proporções.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .12 Vazões de Cheias.

A bacia é pequena? 2 (< 5 km ?) S Método Racional N Há dados flu? (plu já existem) N Hidrograma Unitário Sintético S Série longa de dados? (> 20 anos?) N Hidrograma Unitário Convencional S Ajuste de distribuição de probabilidades (método estatístico) Figura 3. Define-se então como x(T) a vazão máxima para uma determinada probabilidade de excedência p. p pode ser interpretada como a probabilidade da vazão x(T) ocorrer ou ser superada em um ano qualquer.12. Desta forma. expressa através do tempo de recorrência T = 1/p.Fluxograma para determinação da vazão máxima de Projeto 3. Prefeitura Municipal de Curitiba . se a análise é realizada com os valores máximos anuais de vazão.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .24 .Plano de Desenvolvimento de Competências 86 . p é estimada a partir da freqüência amostral F das vazões máximas anuais observadas. de modo a relacioná-la às conseqüências de ordem econômica.2 Métodos estatísticos O objetivo dos métodos estatísticos é estabelecer a correspondência entre a magnitude da cheia e sua freqüência ou probabilidade de ocorrência. Em geral.

Plano de Desenvolvimento de Competências 87 . Estimar a freqüência amostral F com que cada vazão foi igualada ou superada e o tempo de recorrência T associado a cada vazão. a estimativa da vazão máxima de projeto através de métodos estatísticos é realizada a partir da série anual de vazões máximas instantâneas (maior valor de vazão ocorrida em um instante de tempo em cada ano da série histórica). etc. 2. n) a cada valor de vazão. .Distribuição de probabilidades de vazões máximas 3. Ordenar a série de vazões máximas anuais em ordem decrescente. Atribuir um número de ordem m (m = 1. Uma análise de freqüência de vazões máximas pode ser realizada através do mesmo procedimento usado para precipitações: Procedimento para análise de freqüência de vazões máximas anuais 1..25 . Ajustar uma distribuição teórica de probabilidades (Gumbel. 1992): Qm = 4Qd − Q1 − Q2 2 onde Qm é a vazão máxima instantânea. 3.12. onde: F= m n +1 1 T= F (critério de Kimbal) 4.. Qd é a vazão máxima média diária e Q1 e Q2 são as vazões anterior e posterior à vazão máxima diária.probabilidade P[X≤x] = 1 – p p = P[X>x] x x(T) vazão (X) Figura 3.) graficamente ou analiticamente. 5. Prefeitura Municipal de Curitiba . Exponencial. Quando a vazão diária é obtida através da média de observações manuais de níveis (em geral às 7h e 17h). 2.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .. a vazão máxima diária pode ser maximizada para um valor mais próximo da vazão instantânea ocorrida no dia.3 Análise de séries de vazões máximas anuais Comumente. Locar em um gráfico os pares Q x T . através da expressão de Sanghal (Kaviski.

é a constante de Euler. Sabendo-se que P[ X ≤ x] = 1 − p = 1 − 1 .Distribuição de Gumbel A distribuição de Gumbel (ou Extrema tipo I) é a mais conhecida distribuição de probabilidades aplicada a valores extremos em hidrologia. A estimativa dos parâmetros pode ser realizada substituindo os valores da média µ e variância σ da população pelos valores amostrais X e S . resultando: α= σ 6 π β = µ . através do método dos momentos. resulta: T 1 )] T x(T ) = β − α ln[− ln(1 − A expressão acima permite estimar o valor da vazão máxima x(T ) associada ao tempo de recorrência T através da expressão teórica da distribuição de Gumbel.Plano de Desenvolvimento de Competências 88 . respectivamente: σ = VAR[ X ] = µ = E[ X ] = β + γα π 2α 2 2 6 onde γ = 0. sendo que a média e variância da distribuição de Gumbel valem. respectivamente.57721. Sua função de distribuição acumulada é a seguinte: P[ X ≤ x] = e − e −( x − β ) α onde X é a variável aleatória (vazão) e α e β são parâmetros da distribuição.0.. O cálculo dos parâmetros pode ser feito rotineiramente..Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .4500 σ Prefeitura Municipal de Curitiba .

a 78 milhões de dólares.02 milhões de dólares. na Região Metropolitana de Curitiba. • na área de Rio Negro-Mafra. para uma enchente como à de 1983. para uma enchente como à de 1982. os danos prováveis de enchente estimados são: • de cerca de 20 milhões de US$ para uma enchente como à de 1993. o que resulta em uma média de mais de 100 pessoas por ano. para enchentes relativamente pequenas com a de 1993.Porto União variaram de 10 milhões de dólares. • em São Mateus do Sul variaram de 1 milhão de dólares. para pequenas enchentes e 9 milhões de dólares para grandes enchentes como a de 1983. para uma enchente como a de 1984 e 17 milhões de dólares para uma enchente como a de 1983. • na área de União da Vitória.23 milhões de dólares. • na área de Foz do Iguaçu variaram de 0.1 Introdução A importância dos estudos de cheias está diretamente relacionada com os prejuízos causados pelas mesmas.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . • em Porto Amazonas eles variaram de 0. com nível de água de até 130 metros. Pennsylvannia No Brasil são raros os estudos que quantificam esse impacto. mas é possível destacar algumas informações: JICA (1986) estimou o custo médio anual de enchentes em Blumenau em 7% de todas as propriedades da cidade e 22 milhões de dólares para todo o vale do Itajaí. desde 1900. considerando as enchentes mais recentes ocorridas nos anos de 1982. 1983. para enchentes relativamente pequenas com nível máximo de água de 119 metros e cerca de 3 milhões de dólares para enchentes relativamente grandes. O prejuízo previsto para uma cheia de tempo de retorno de 50 anos é de 250 milhões de dólares. e cerca de 44 milhões de dólares para uma como à de 1995. - Prefeitura Municipal de Curitiba .3.Plano de Desenvolvimento de Competências 89 . mais de 2200 pessoas morreram em 1889 na enchente em Johnstown. 1993 e 1995.13. No Paraná. mais de 10000 pessoas morreram em conseqüência de enchentes nos Estados Unidos. Como ilustração tem-se: o prejuízo médio de inundação nos Estados Unidos chegou a cerca de 5 bilhões de dólares anuais (estimativa de 1983).13 Estudos de Cheias e aspectos de modelagem matemática 3. a cerca de 10 milhões de dólares para enchentes grandes como a de fevereiro de 1995. variaram de 3 milhões de dólares. a cerca de 2 milhões de dólares para uma enchente relativamente grande como a de 1983. • na área de Morretes os danos variaram entre 5 milhões de dólares para enchentes relativamente pequenas.

000 3.1 apresenta as freqüências relativas de alguns tipos de calamidades.26 .410 1. Verifica-se que as enchentes representam o segundo tipo mais freqüente de calamidade só perdendo para os vendavais e tempestades. Tabela 3.Dez/1999 Prefeitura Municipal de Curitiba . A Figura 11. Tamandaré Jacarezinho Castro União da Vitória Morretes Fonte: Defesa Civil. segundo a Defesa Civil do Paraná.1 .Plano de Desenvolvimento de Competências 90 .000 600 400 160 150 32 40 2.Como um indicativo do problema social que uma enchente pode proporcionar a Tabela a seguir apresenta o número de pessoas desabrigadas na enchente de janeirofevereiro de 1995 no estado do Paraná.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Demonstrativo das principais calamidades Fonte: Coordenadoria Estadual de Defesa Civil Período: Jan/1990 . Figura 3.500 Destaca-se também a freqüência relativa das enchentes considerando alguns tipos de calamidades.000 20.300 10. 1995 Número de Pessoas Desabrigadas 11.Número de pessoas desabrigadas pela enchente de janeiro-fevereiro de 1995 Local Curitiba São José dos Pinhais Pinhais Piraquara Campo Largo Araucária Campo Grande do Sul São Mateus do Sul Porto Amazonas Guarapuava A.000 20 150 1.

. projetos de estradas e ferrovias. Vazão em função da área da bacia: São métodos que relacionam a vazão máxima com a área da bacia em fórmulas cuja expressão genérica é definida como Q = K An. determinação do hidrograma de cheia. elaboração de sistemas de alerta.2 Classificação dos Métodos para a Avaliação da Vazão Máxima e Estudos de Cheia a) Modelos Empíricos: modelos baseados em relações empíricas estabelecidas a partir de dados observados em algumas bacias.. planejamento urbano.59  0. A = área de drenagem (km2). 48 . Exemplo: Fórmula de Creager  A  Q = 1.Plano de Desenvolvimento de Competências 91 . PERDA DE VIDAS HUMANAS.30K '    2. destruição da malha rodoviária e ferroviária. bueiros. prejuízos à safra agrícola. dimensionamento de reservatórios.Conseqüências das cheias rompimento de barragens. vertedouros.936A −0. destruição de moradias. transmissão de doenças. Fórmulas que levam em conta a precipitação: Exemplo: Fórmula de Iszkowski Q= KmhA 1000 Prefeitura Municipal de Curitiba . 3. etc.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Utilidade de um estudo de cheias projetos de diques. K´ = coeficiente que depende das características fisiográficas da bacia.13. Produtos de um estudo de cheias determinação da vazão máxima (função do tempo de retorno – risco). estabelecimentos comerciais e indústrias.. onde: Q = vazão (m3/s). mapeamento de áreas inundáveis.

K = coeficiente que depende da morfologia da bacia.2 .160 0.70 3.080 0.460 0. Categoria II: terreno de colina ou montanha com vegetação normal. Exemplo: Fórmulas do tipo Q= onde: Q = vazão (m3/s). Tabela 3.80 IV --------0.23 2000 70 7. mas pouco permeável. Categoria IV: terreno impermeável com escassa ou nenhuma vegetação em colina íngreme ou montanhoso. Os Quadros a seguir apresentam alguns valores para os coeficientes K e m.060 0. CϕAi m 3. (1986) Tabela 3.3 .035 0. Fórmulas baseadas no Método Racional: estas fórmulas são do tipo geral Q = CiA.040 --Zona em parte plana e em parte 0.070 0.3 tem-se: Categoria I: terreno muito permeável com vegetação normal e terreno de média permeabilidade com vegetação densa.Valores de m (Fórmula de Iskowski) A (km2) A (km2) m 1 10.90 4. Categoria III: terreno impermeável com vegetação normal em colina íngreme ou montanhoso.700 0.00 500 10 9.60 10000 100 7.02 2. segundo a 0. terreno plano levemente ondulado.40 30000 Fonte: Pinto et al.800 Em relação à tabela 3. h = precipitação média anual (mm).onde: Q = vazão (m3/s). onde C é a relação entre o pico máximo da vazão por unidade de área e a intensidade média de precipitação que provoca i.00 1000 40 8.600 0.Valores de K (Fórmula de Iskowski) Orografia Valores de K da bacia I II III Zona pantanosa 0.Plano de Desenvolvimento de Competências 92 .070 --íngremes Zona com montes altos.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . m = coeficiente que depende da área da bacia.360 declividade 0.030 --Zona plana e levemente ondulada 0.210 0.77 3. A = área de drenagem (km2).017 0.185 0.030 0.055 --com colinas Zona com colinas não muito 0.025 0.600 Fonte: Holtz e Pinto (1986) m 5.6 Prefeitura Municipal de Curitiba .

Outro defeito comum a quase todas as fórmulas empíricas é a impossibilidade de se levar em conta o período de recorrência da cheia em estudo. im = intensidade média da chuva (mm/h). MA.Plano de Desenvolvimento de Competências 93 . em boa parte. obtendo-se o que se denomina comumente de máxima vazão possível. . aos locais para os quais foram obtidas. dos fins do século 19 e início do século 20 (Pinto et al.modelos do tipo autoregressivo (AR) e de médias móveis (MA) (Ex: modelos AR. c) Aplicabilidade dos modelos: Função das dimensões da bacia e dos dados de precipitação e vazão disponíveis. em geral. o comprimento e a declividade da bacia.A = área de drenagem (km2). . C = coeficiente de escoamento superficial (tabelado. a rigor. O valor de φ também é determinado por funções empíricas levando em consideração a área. Modelos Estocásticos/Estatísticos: utilizam o conceito de probabilidade. de 0.modelos de transformação chuva-vazão: procuram representar o ciclo hidrológico. pois datam. φ = coeficiente de retardo (menor que 1). Para a sua utilização em outras regiões. é necessário destacar que a maioria das fórmulas foi obtida a partir de um número reduzido de dados de vazão.05 a 0. variando. . 1986).ajuste de distribuição de freqüências aos dados de vazão.90).modelos baseados na teoria do hidrograma unitário.. seria necessário verificar se os fatores climáticos e os índices fluvio-morfológicos referentes à bacia em estudo são comparáveis aos das utilizadas no estabelecimento das fórmulas. Observações quanto ao uso dos modelos empíricos: a validade das fórmulas empíricas é limitada. b) Modelos Determinísticos: não utilizam o conceito de probabilidade. Finalmente. de significado bastante duvidoso. . ARMA e ARIMA). Prefeitura Municipal de Curitiba .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .

Qa perda de velocidade reservatório ganho de energia potencial h volume útil Qe = f(h) vertedouro Figura 3. com o aumento do nível de água do reservatório. ou vazões efluentes Qe.14 Propagação de Cheias em Reservatórios 3.27 – Propagação de vazões em reservatório. O objetivo principal do estudo é estudar o “abatimento” ou propagação da onda de cheia que entra no reservatório.14. o valor máximo da vazão efluente é sempre menor que o pico de vazões afluentes e o valor máximo efluente ocorre sempre no ponto onde as vazões de entrada e saída se igualam (Qa = Qe). Prefeitura Municipal de Curitiba . O estudo destas alterações chama-se propagação de cheias. A vazão de saída através do vertedouro é uma função da cota no reservatório. Ao entrar no reservatório. representada pelo hidrograma de vazões afluentes Qa.28 – Efeito de amortecimento do hidrograma afluente.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . conforme a figura 2.3.1 Introdução Uma onda de cheia. calculando-se o hidrograma “de saída”. Em um reservatório sem comportas. Q Qa (hidrograma afluente) Qe (hidrograma efluente Qa= Qe tempo Figura 3.Plano de Desenvolvimento de Competências 94 . ao passar através de um reservatório ou ao se deslocar ao longo de um rio sofre alterações. a onda de cheia transforma parte de sua energia cinética em energia potencial.

sucessivamente. a equação acima apresenta duas incógnitas: V2 e Qe2. Para a solução. é necessária mais uma equação que relacione volume e vazão efluente: Qe2 = f(V2). para os intervalos de tempo do hidrograma afluente. Procedimento para solução O procedimento para solução envolve a aplicação da equação (1). e considerando valores médios das vazões no intervalo de tempo.3. ∆V = Qa − Qe . ∆t 2 2     Considerando conhecidas as condições no instante t1. Esta relação pode ser obtida indiretamente. que representam o segundo membro da equação. Através de tabelas ou gráficos. deseja-se calcular as condições ao final do intervalo (t2). ou ∆t V2 − V1  Qa1 + Qa 2   Qe1 + Qe 2  = − . através das seguintes informações: a) Curva de descarga do vertedouro ou da barragem: Qe = f(h). portanto podemos isolar no lado esquerdo da equação apenas as incógnitas e no segundo membro os valores conhecidos a cada intervalo: V2 Qe 2  Qa1 + Qa 2   V1 Qe1  + = + −  ∆t 2 2 2     ∆t (1) Conhecendo-se as condições iniciais da simulação e o hidrograma afluente Qa = f(t).Plano de Desenvolvimento de Competências 95 .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . b) Curva cota-volume do reservatório: V = f(h). Como o segundo membro da equação contém apenas valores conhecidos.2 Equacionamento do problema (Método de Puls) A variação do volume dV do reservatório em um intervalo de tempo dt pode ser calculada através da equação da continuidade aplicada ao reservatório: dV = Qa − Qe dt Considerando um intervalo de tempo finito ∆t = t 2 − t1 .  ∆t   ∆t 2  Prefeitura Municipal de Curitiba . Em resumo: a) Construir duas curvas (ou uma tabela) com Qe = f  V Q  V   e Qe = f  + e  .14. a cada intervalo de tempo calcula-se a soma das incógnitas. é feita a separação das incógnitas Qe 2 e V2 .

Tabela 1 .7 480.9 240 555.0 7.2 V/∆t + Qe /2 0.Características hidráulicas do vertedor e reservatório Cota h (m) 0 0.1 600. curva de descarga do vertedor e curva cota-volume do reservatório.29 – Procedimento para solução gráfica do problema.0 9.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .6 V/∆t 0. Exercício.Qe (m3/s) V ∆t Qe2 V Qe + ∆t 2 V2 ∆t k Volumes (m3/s) Figura 3. c) Com o valor de k.472 96.830 5.25 0. Exemplo Numérico Calcular a propagação do hidrograma afluente ao reservatório.0 212.184 14.0 1111.5 21.009 Qe (m3/s) 0 3.5 75.Plano de Desenvolvimento de Competências 96 .660 41.8 10.0 1389.648 1.5 1 2 4 7 V (106 m3) 0.0 Prefeitura Municipal de Curitiba . b) Com os dados conhecidos a cada intervalo.2 60.0 169. obter graficamente ou por interpolação na tabela.6 30 84. os valores das incógnitas Qe 2 e V2 .000 0.4 26. dados o hidrograma afluente. calcular o valor de k (valor do segundo membro da equação 1).

2 310.Cálculo da propagação das vazões DIA 11 12 13 14 15 16 17 Qa1 100 350 550 400 300 200 100 Qa2 350 550 400 300 200 100 Qamed 225 450 475 350 250 150 V1/ ∆t 199. as duas últimas colunas são calculadas para auxiliar na interpolação de dados da tabela 2.90 879.90 703. Tabela 2 .90 539.90 Qe1 100 150 270 352 351. a coluna Qa1 representa o hidrograma afluente no início do intervalo de tempo ∆t.30 621. 2 ∆t 600 500 Vazões (m3/s) 400 300 200 100 0 11 12 13 14 Tempo (dias) 15 16 17 Qa1 Qe1 Exercício – Resultado: hidrogramas afluente e efluente. Prefeitura Municipal de Curitiba . a partir do cálculo através da equação (1).30 621.4 V2/∆t + Qe2/2 374.90 539. O intervalo de tempo é de 1 dia (86400 segundos).Exercício.90 877.90 Na primeira tabela. foi considerada a hipótese Qe1 = Qa1.2 310. As duas últimas colunas da tabela 2 são obtidas por interpolação na tabela 1.9 299.90 776.90 703.90 702.70 616. do fator V 2 Qe 2 + .10 Qe2 150 270 352 351.7 246.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .4 V2/∆t 299.40 492.90 674.40 492.90 702.7 246. Na segunda tabela. Para o início do cálculo.Plano de Desenvolvimento de Competências 97 .

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . de forma a produzir uma relação linear entre o armazenamento e as vazões de entrada e saída no trecho. V = volume armazenado no trecho no instante de tempo. Convém notar. Considerando-se que o volume armazenado em um intervalo de tempo ∆t é uma ponderação entre as vazões afluente e efluente. por exemplo).5).Plano de Desenvolvimento de Competências 98 .15. V = k [xQa + (1 − x)Qe ] ∆t onde: k = constante de acumulação (adimensional). Considera-se que não existe contribuição lateral no trecho de rio estudado (afluentes. Q Qa (hidrograma afluente) Qe (hidrograma efluente) tempo Figura 3. Prefeitura Municipal de Curitiba . ou que esta contribuição é desprezível.3. A máxima descarga efluente (saída) é sempre inferior ao máximo valor afluente (entrada) e ocorre com um certo atraso no tempo. x ≤ 0.15. 3.30 – Efeito de amortecimento do hidrograma afluente.2 Método de Muskingum Uma forma simples de equacionar o problema do escoamento não permanente (variável no tempo) em um trecho de rio consiste na aplicação da equação da continuidade.15 Propagação de Cheias em Rios 3. Combinando a equação anterior com a equação da continuidade. que no caso de um rio. x = “peso” aplicado às vazões afluente e efluente (tipicamente. o pico da vazão efluente não ocorrerá necessariamente no ponto onde as vazões afluente e efluente se igualam.1 Introdução A acumulação de volumes de água ao longo de um trecho de rio produz efeitos semelhantes aos de um reservatório.

3 3. C1 = k (1 − x) + 0.5 40.4 14.0 Qe 8.3 18.5 53.4 46.0 5.8 34. é necessário “calibrar” o modelo a partir de uma cheia conhecida.0 10.5 e C2 = k (1 − x) − 0.3 55.5 k (1 − x) + 0.0 15.5 40.15. por tentativas.0 60.0 40.0 31.5 53.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 3.6 28.4 26.3 67.0 29. o modelo pode ser aplicado através da equação de previsão (2).5 11.0 Qa med 6.5 11.0 20. Primeiramente.0 29.5 55. Dia 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Qa 7.2 13.8 9.8 36.3 5.5 43.5 15.8 21. onde os coeficientes C0 .0 56.0 28.8 Prefeitura Municipal de Curitiba .0 61.0 20. variando-se ∆t x até obter uma relação linear.0 56.5 A aplicação do método se dá em duas etapas.dV = Qa − Qe dt resulta Qe 2 = C 0 Qa 2 + C1Qa1 + C 2 Qe1 A equação acima é a “equação de previsão” do modelo.0 Qe med 7.0 37.5 DV/Dt= -1.0 0.0 40. C1 e C2 são definidos por (note que C 0 + C1 + C 2 = 1 ): C0 = kx + 0. através da equação (1). os valores dos parâmetros k e x.5 12.0 55.8 18.0 7.0 10.5 36.0 53.5 13.8 54.0 -15.0 15.0 23.0 7.8 49.8 11.5 24.5 .5 0.0 x= 0.8 25. Determina-se. O coeficiente angular da reta é o valor do coeficiente k. onde se conhece o hidrograma de entrada (Qa) e o hidrograma de saída do trecho do rio (Qe).8 13. Conhecidos estes parâmetros.5 − kx .Plano de Desenvolvimento de Competências 99 .3 -11. C1 e C2 da equação (2).0 70.0 24.8 -19.0 50.5 48.0 15.8 20.0 33.8 -6.2 7.5 22.5 V/Dt x= 0.3 Exemplos Numéricos Exemplo 1 Estabelecer os parâmetros k e x do método de Muskingum a partir da cheia conhecida representada pelos hidrogramas afluente Qa e efluente Qe em um trecho de rio. Os parâmetros k e x são obtidos por tentativas através da plotagem dos valores de V contra [xQa + (1 − x)Qe ] da equação (1) em uma cheia observada.0 23.3 27.0 6. k (1 − x) + 0.8 -10.3 17. considerando-se como uma característica do local os parâmetros k e x que determinam os valores de C0 .0 46.5 17.

Primeira tentativa x = 0.2 60 50 x Qa + (1 . nota-se que o primeiro valor não é utilizado.272 2 R = 0.687x + 10.Na tabela acima. Estas colunas contém os valores de [xQa + (1 − x)Qe ] que serão representados graficamente com os valores de V/ ∆t . pois gera um volume acumulado negativo (-1. convém utilizar apenas os valores relativos à cheia.X) Qe (m3/s) 40 30 20 10 0 0 20 40 V/t (m3/s) y = 0.Plano de Desenvolvimento de Competências 100 .0 60 50 x Qa + (1 . Isto ocorreu porque o hidrograma afluente contém o final da recessão anterior à cheia. As duas últimas colunas representam tentativas para o valor do coeficiente x.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Neste caso. para evitar uma influência indesejável nos resultados do valor do final da estiagem anterior.9922 60 80 Exercício – Método de Muskingum Prefeitura Municipal de Curitiba .3) logo no primeiro intervalo.X) Qe (m3/s) 40 30 20 10 0 0 20 40 V/t (m /s) 3 60 80 Segunda tentativa x = 0.

Portanto.5 22.8 40.0 40.5 12. para a cheia observada.0 24. calcule o hidrograma efluente.0 Qa2 6.9 39.9 39.3 55.8 51.0 15. indicada com um asterisco (*). podemos verificar que k =1/0.7 20.0 7. k = 1.471 C2 = 0.3 55.7 28.0 70.118 Qa 2 + 0.5 40. Como se trata do mesmo rio do Exemplo 1.0 24.3 8.5 20.0 10. nota-se que o modelo está “bem calibrado”. C1 e C2 foram calculados a partir dos valores x = 0. como o hidrograma afluente fornecido foi o mesmo do Exemplo 1.2 Qe obs 7.2.0 m3/s. no mesmo rio. Graficamente.0 15.0 6.5.7 28. Para cálculo da vazão efluente Qe2 foi utilizada a equação de previsão (2): Qe 2 = C 0 Qa 2 + C1Qa1 + C 2 Qe1 .0 20.5 22.0 33.5 20.5 53.5 determinados na etapa de calibração do modelo. são: x = 0.2 Qe2 7. o qual representa o coeficiente angular na relação entre V/ ∆t e [xQa + (1 − x)Qe ] .411 Qe1 .0 29.5.Plano de Desenvolvimento de Competências 101 . Dia 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Qa1 7. os parâmetros que resultaram na melhor calibração do modelo.No gráfico acima.4 15.0 23. ocorreu o hidrograma afluente a seguir.0 70.2 e k = 1.411 e a equação de previsão fica: Qe 2 = 0.0 Qe1 8.0 15. os valores dos parâmetros C0 . Prefeitura Municipal de Curitiba .3 8. resultando: C0 = 0. Exemplo 2 Supondo que.118 C1 = 0.8 40.0 Na tabela acima.5 12.4 15. pois reproduz bem os valores da vazão efluente Qe observada utilizada na calibração (comparar colunas Qe2 e Qeobs). Pelos resultados calculados.471 Qa1 + 0.0 53.5 11.0 56.0 53.687 ≅ 1.0 10.8 51.0 33. ou numericamente.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Foi arbitrado um valor igual a 8. pela reta ajustada aos pontos.0 50.0 50. podemos inferir o valor de k.7 20. é necessário fornecer a condição inicial da vazão efluente.

Prefeitura Municipal de Curitiba .0 70.0 30.0 60.0 Vazão (m3/s) 50.0 40.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .0 0 2 4 6 tempo (dias) 8 10 12 Qa Qe Exercício – Resultados do Exemplo 2.Plano de Desenvolvimento de Competências 102 .0 0.0 20.80.0 10.

CAPÍTULO 4 . a determinação da vazão de projeto e o dimensionamento dos seus elementos.br/portal/uploads/sp2112200506. Aqui são apresentados o conceito de microdrenagem. e por elas escoam. Via de regra. ou guia. os projetos desses elementos são desenvolvidos para garantir o escoamento de cheias com tempos de recorrência entre 2 e 10 anos. alguns dos diferentes tipos de sarjeta.1 mostra alguns elementos de microdrenagem. Prefeitura Municipal de Curitiba . a terminologia. das galerias de águas pluviais.1 Conceito de Microdrenagem A microdrenagem trata dos aspectos de drenagem urbana em micro-escala. A sarjeta é a faixa lateral da via pública.MICRODRENAGEM O presente capítulo trata da drenagem urbana em pequena escala. o esquema geral de projeto de sistemas de microdrenagem. ou jargão profissional. em seção transversal. das guias. A declividade transversal da via conduz as águas de chuva até a sarjeta.com.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .itaimpaulista.2 Terminologia A figura 4. das sarjetas.jpg). ou seja. 4. a drenagem através do pavimento das ruas. sentido do escoamento sarjeta boca de lobo Figura 4. que as conduz até a boca de lobo.Plano de Desenvolvimento de Competências 103 . A sarjeta é a receptora das águas pluviais que incidem sobre as vias públicas.1 – Elementos de microdrenagem em uma via pavimentada (http://www. e dos pequenos canais. paralela e vizinha ao meio-fio. utilizada. 4.2 mostra. A figura 4.

2001). como um canal ou reservatório de detenção. diâmetro.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . inspeção e limpeza das canalizações.3 mostra um esquema mais completa dos elementos de microdrenagem urbana. 2001).Plano de Desenvolvimento de Competências 104 . A figura 4. boca lobo de tubo de ligação poço de visita reservatório de detenção canal galeria tratamento vertedor efluente vazão excedente artificial estrutura de desvio lagoa de detenção saída Figura 4.(a) uniforme (b) composta (c) parabólica Figura 4. Os poços de visita são dispositivos localizados em pontos convenientes do sistema de galerias para permitir mudanças de direção.3 – Elementos de microdrenagem urbana (adaptado de Mays. c) parabólica (Mays. b) composta. Prefeitura Municipal de Curitiba .2 – Seção transversal de alguns dos diferentes tipos de sarjeta: a) uniforme. As galerias são canalizações que conduzem as águas provenientes das bocas de lobo e das ligações privadas de águas pluviais até um elemento de macrodrenagem. declividade. A boca de lobo é um dispositivo localizado na sarjeta para captação das águas pluviais e condução às galerias.

As galerias são canalizações fechadas usadas para conduzir as águas pluviais.sp. artificiais ou naturais. Os canais.balsamo. Uma unidade de tratamento é um dispositivo instalado no sistema de drenagem para remover substâncias e materiais indesejados das águas pluviais.gov. Um trecho é um segmento de galeria localizado entre dois poços de visita. na cidade de Bálsamo.4). Um tubo de ligação é uma canalização destinada a conduzir as águas pluviais captadas nas bocas de lobo para uma galeria ou poço de visita.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . destinadas a orientar o fluxo das águas que escoam pelas sarjetas (figura 4. SP (http://www. são canalizações a céu aberto usadas para conduzir as águas pluviais.Plano de Desenvolvimento de Competências 105 .br/administracao/infra_estrutura). Prefeitura Municipal de Curitiba . cuja finalidade é amenizar os picos de cheia. Uma estrutura de desvio é um dispositivo instalado no sistema de drenagem para desviar o excesso de escoamento que não pode ser processado pela unidade de tratamento. Lagoas de detenção e reservatórios de detenção são elementos do sistema de drenagem destinados à armazenagem temporária das águas pluviais. Figura 4. Os sarjetões são calhas localizadas nos cruzamentos das vias públicas.4 – Exemplo de sarjetão.

ou para evitar a chegada.Plano de Desenvolvimento de Competências 106 . em um mesmo poço de visita. Definir a solução mais adequada levando em conta aspectos técnicos. econômicos e ambientais.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . pode-se observar um arranjo típico de um sistema de drenagem urbana. Verificar se o sistema coletor pode ser único. fazer o lançamento em planta. São utilizadas quando se faz necessária a locação de bocas de lobo intermediárias. como rios. até as bocas de lobo. 1:2.As caixas de ligação são similares aos poços de visita. Antes de dar início ao lançamento da rede. de mais de quatro tubulações. Prefeitura Municipal de Curitiba . podendo passar por sistemas de tratamento. Cadastro: das redes existentes ou de outros serviços. Planta planialtimétrica da área do projeto (1:1. que consiste em: • • • • • Assinalar divisores de bacias e áreas contribuintes. Identificar trechos em que o escoamento seja apenas pelas sarjetas. Levantamento topográfico: nivelamento geométrico em todas as esquinas. Dados do curso de água receptor: nível de água máximo. porém não “visitáveis”. Urbanização: situação atual e futura.5 mostra um esquema geral de projeto de uma rede urbana de águas pluviais. mudanças de direção e greides das vias públicas.000). 4. 1:10. é possível definir o traçado da rede. Definir galerias sob os passeios (preferível) ou sob a via.000. As águas pluviais incidentes sobre vias públicas e propriedades particulares são conduzidas superficialmente. pela declividade natural do terreno ou pela declividade do pavimento. • • • • De posse destes dados.000. Tipo de ocupação em áreas não urbanizadas da bacia. Daí são conduzidos por tubos de ligação até poços de visita e galerias ou canais. Tipos e porcentagens de ocupação.3 Esquema Geral de Projeto Na figura 4. com pontos cotados nas esquinas e em pontos notáveis. e sendo conduzidos ao destino final. normalmente corpos naturais de águas superficiais. o projetista deve reunir os seguintes dados: • Plantas: planta geral da bacia (1:5.3. recebendo ligações de bocas de lobo de ambos os passeios. A figura 4. ou seja.000).

40.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .20 e 1. 0.30.Plano de Desenvolvimento de Competências 107 . 1995).30 m.50. as seguintes condições devem ser observadas: • • • O diâmetro deve ser no mínimo de 0. Nos projetos de galerias (figura 4.80. 1. 0. As galerias devem ser projetadas para funcionar a seção plena com a vazão de projeto. 0. 1.5 – Esquema geral de projeto de uma rede de águas pluviais (Tucci et al.. Devem ser especificados diâmetros comerciais: 0.00.Figura 4.50 m. 0.60. Prefeitura Municipal de Curitiba .6).

Devem ser locadas em pontos baixos da quadra. Figura 4. Deve-se observar um espaçamento máximo de 60 m (regra prática).7) deve obedecer aos seguintes critérios: • • • • Podem ser lançadas em ambos os lados da rua.75 m/s. Devem ser construídas pouco antes de cada faixa de cruzamento de pedestres. O recobrimento mínimo da galeria é de 1.60 a 0. esse valor é 5. A velocidade mínima admissível do escoamento em galerias de concreto é 0.Plano de Desenvolvimento de Competências 108 .• • • • A velocidade máxima admissível do escoamento é função do material (para o concreto..6 – Esquema de projeto de rede de águas pluviais com galerias sob as vias (Tucci et al.0 m/s). Prefeitura Municipal de Curitiba . se for necessário.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . As dimensões da galeria não devem decrescer para jusante.00 m. 1995). O lançamento das bocas de lobo (figura 4.

Prefeitura Municipal de Curitiba . mas não for necessário um poço de visita. Ser localizados em pontos de mudança de direção das galerias. 1980).1 – Espaçamentos máximos dos poços de visita (CETESB/DAEE. Finalmente.. Diâmetro ou altura do conduto (m) 0. Devem observar os espaçamentos máximos previstos na tabela 4. Tabela 4.Plano de Desenvolvimento de Competências 109 .Esquema de projeto de rede de águas pluviais com galerias sob a guia (Tucci et al.Figura 4. mudanças de declividade ou de diâmetro.8.00 ou mais Espaçamento máximo dos poços de visita (m) 120 150 180 Quando for necessário conectar elementos da rede à galeria.7 .30 0. cruzamento de ruas. 1995). pode-se utilizar uma caixa de ligação.90 1.50 – 0. os poços de visita (figura 4.1.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . como mostra a figura 4.8) devem: • • • Permitir o acesso para limpeza e inspeção das galerias.

. i a intensidade de precipitação (mm/h) e A é a área da bacia (km2). Q. Prefeitura Municipal de Curitiba . 4. de área inferior a 2 km . para a região de Curitiba. 2 Q= ciA 3.Figura 4.2).1). para bacias hidrográficas pequenas.8 – Localização de caixas de ligação e poços de visita (Tucci et al. i (mm/h).Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 1995). é geralmente obtido empregando-se o método racional (equação 4.4 Determinação da Vazão O pico de vazão.6 (4. pela expressão obtida por Parigot de Souza (equação 4.1) onde. pode ser obtida.Plano de Desenvolvimento de Competências 110 . A intensidade de precipitação. C é o coeficiente de deflúvio.

tempo de retorno e intensidade de precipitação. t é a duração do evento (minutos).2) onde Tr é o tempo de recorrência (anos).2.1) o coeficiente de escoamento. depende do tipo de solo. pode-se concluir que quanto menor for a duração do evento. 385  L3  t c = 57  H   (4. e I é a declividade média do talvegue. cobertura. a duração crítica do evento é tomada igual ao tempo de concentração. C. Na equação do método racional (equação 4. ou pela fórmula de Picking (equação 4. Seu valor é tabelado.3   I    (4.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .15 (4. e disponível em vários textos de hidrologia. para fins de projeto de elementos de drenagem. A tabela 4. Prefeitura Municipal de Curitiba . ocupação. Examinando-se a equação 4. Assim. que pode ser obtido pela fórmula do California Culverts Practice (equação 4.4) onde: tc é o tempo de concentração (min). 217 (t + 26)1.i= 5950Tr0. H é a diferença de elevação entre o ponto mais distante da bacia e a seção considerada (m).3) 1  L2  3 t c = 5. maior será sua intensidade.3).4) 0 . L é o comprimento do talvegue (km).Plano de Desenvolvimento de Competências 111 .2 lista valores típicos.

Zonas Edificação muito densa: Partes centrais. 4. 1978 C 0. áreas verdes.25 . mas com ruas e calçadas pavimentadas Edificações com poucas superfícies livres: Partes residenciais com construções cerradas e ruas pavimentadas Edificações com muitas superfícies livres: Partes residenciais com ruas macadamizadas ou pavimentadas Subúrbios com alguma edificação: Partes de arrabaldes e subúrbios com pequena densidade de construção Matas. campos de esporte sem pavimentação Fonte: Wilken. superfícies arborizadas. pois se esta for insuficiente pode ocorrer o alagamento de ruas e calçadas.70 .5.25 0.05 .1 Capacidade de Condução Hidráulica Inicialmente.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Devem ser verificadas duas hipóteses: 1) Água escoando por toda a calha da rua. Prefeitura Municipal de Curitiba .50 0.2 – Valores do coeficiente de escoamento C. que a velocidade excessiva do escoamento pode causar erosão do pavimento.50 .60 .5 Dimensionamento Hidráulico Nesse item são vistos os princípios de dimensionamento hidráulico dos principais elementos da rede de drenagem urbana. de uma cidade com ruas e calçadas pavimentadas Edificação não muito densa: Parte adjacente ao centro.15 m.0. de menor densidade de habitações. 4. com profundidade máxima de água na sarjeta igual a 0.0.Plano de Desenvolvimento de Competências 112 .20 Tabela 4. densamente construídas.10 . utilizados no método racional. deve-se verificar a capacidade de escoamento de ruas e sarjetas.10 m.0. parques e campos de esporte: Partes rurais. parques ajardinados.70 0. Deve-se lembrar. 2) Água escoando apenas pelas sarjetas.95 0.0. com profundidade máxima de água na sarjeta igual a 0.0.0.60 0. além disso.

10 as ilustra em seção transversal. com detalhe do escoamento na sarjeta.Em ambos os casos. e a figura 4. A figura 4. em planta. e na parte inferior escoamento pela sarjeta.9 ilustra. ambas as condições de escoamento. Figura 4. considera-se a declividade transversal da rua de 3%. Na parte superior.9 – Vista em planta das possíveis condições de escoamento na via.Plano de Desenvolvimento de Competências 113 . Prefeitura Municipal de Curitiba . alagamento de toda a via.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .

Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . vista em seção transversal. A capacidade de condução hidráulica pode ser verificada pela equação 4. y é a profundidade máxima do escoamento (m).11 – Seção típica de sarjeta.5) Onde Q é a vazão (m3/s). e i é a declividade longitudinal da via (m/m).375 Z 3 y i n 8 (4.faixa de rolamento Figura 4.Plano de Desenvolvimento de Competências 114 . com detalhe da sarjeta. n é o coeficiente de rugosidade de Manning (tabela 4.5.3). Figura 4. Q = 0. Prefeitura Municipal de Curitiba .10 – Condições de escoamento na via. Z é a declividade transversal (Z = tg θ). com faixa inundável em função do tipo de via. A figura 4.11 mostra uma seção típica de sarjeta.

016 0.0.014 0. n.0.014 .020 0.Plano de Desenvolvimento de Competências 115 .Características n 0.5.12: • • • Bocas ou ralos de guias.2 Bocas de Lobo As bocas de lobo podem ser classificadas nos seguintes tipos.015 0. são mostradas as expressões para verificação da capacidade de escoamento. y (m) é a Prefeitura Municipal de Curitiba .0.012 .3 – Valores típicos do coeficiente de rugosidade de Manning.0.016 Tabela 4. No início da galeria coloca-se o número de bocas de lobo necessárias para captar toda a água superficial a montante. Deve-se procurar captar toda a água a montante do cruzamento.060 Canais retilíneos com grama > 15 cm Canais retilíneos com capins > 30 cm Galerias de concreto: Pré-moldado com bom acabamento Moldado no local com formas metálicas simples Moldado no local com formas de madeira Sarjetas: Asfalto suave Asfalto rugoso Concreto suave com pavimento de asfalto Concreto rugoso com pavimento de asfalto Pavimento de concreto Pedras Fonte: Bidone e Tucci. ilustrados na figura 4.013 0.0.30 . 4.40 0.016 0.011 . Os seguintes critérios devem ser observados no projeto de bocas de lobo: • • • • Deve-se colocar tantas bocas de lobo quantas forem necessárias para eliminar o excesso de água nas sarjetas. Abaixo. Ralos de sarjetas (grelhas). ou “engolimento”. Nessas expressões.014 0. O número máximo de bocas de lobo interligadas é 4.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 1995 0.0.014 0.015 . Ralos combinados. das bocas de lobo.30 .

Prefeitura Municipal de Curitiba . A (m2) é a área útil de escoamento da boca de lobo (descontando-se as barras da grelha).8 e 4. a forma de funcionamento da boca de lobo é indefinida. As equações 4.703Ly 2 1 (4. 3 Q = 1.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .101Lh 2 ( y1 / h) 2 (4.Plano de Desenvolvimento de Competências 116 . a segunda.6 e 4. a segunda. quando y/h < 1 e a boca de lobo funciona como vertedouro.profundidade do escoamento próxima à abertura na guia.91Ay 2 (4. h (m) é a altura da boca de lobo.6) 1 3 Q = 3.9 se aplicam às bocas de lobo com grelha.7) As equações 4.703Ly (4.7 se aplicam às bocas de lobo com abertura na guia. quando y < 12 cm e a boca de lobo funciona como vertedouro. quando y > 42 cm e a boca de lobo funciona como orifício. A primeira. Q (m3/s) é a vazão. a forma de funcionamento da boca de lobo é indefinida.9) Para bocas de lobo combinadas (de guia e com grelha). 3 2 Q = 1. y1 (m) é a carga hidráulica na abertura da guia (y1 = y – h/2). Para valores de y entre 12 e 42 cm. a vazão é aproximadamente igual à soma das vazões da boca de lobo de guia e da boca de lobo com grelha.8) Q = 2. A primeira. quando y/h > 2 e a boca de lobo funciona como orifício. L (m) é o comprimento da boca de lobo. Para valores de y/h entre 1 e 2.

. Prefeitura Municipal de Curitiba .Figura 4.Plano de Desenvolvimento de Competências 117 . 1995).Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .12 – Diferentes configurações geométricas de bocas de lobo (Tucci et al.

0 8. 1979 Tabela 4. Essas limitações levam em conta a possibilidade de obstrução por deposição de sedimentos e detritos.4 apresenta os fatores de correção para o escoamento em sarjetas.40 0.5.5 – Fatores de correção da vazão para escoamento em bocas de lobo. Tabela 4.90 0. em função da declividade (%) da sarjeta. para levar em conta as limitações existentes em casos reais.20 Fonte: CETESB/DAEE.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .4 – Fatores de correção da vazão para escoamento em sarjetas. obtidos experimentalmente. é recomendável aplicar fatores de correção. e a tabela 4. irregularidades do pavimento e alinhamento real.5 apresenta os fatores de correção para escoamento em bocas de lobo.3 Fatores de Correção da Capacidade de Escoamento Como as equações utilizadas para o cálculo da vazão em sarjetas e bocas de lobo têm limitações uma vez que nem todas as hipóteses adotadas para sua obtenção são rigorosamente observadas.0 6.80 0.50 0. Declividade da sarjeta 0. às vazões calculadas. Localização na sarjeta Tipo de Boca de Lobo % permitida sobre o valor teórico 80 50 65 80 60 50 110* Ponto Baixo Ponto Intermediário De guia Com Grelha Combinada De guia Grelha longitudinal Grelha transversal ou longitudinal com barras transversais Combinada *Valor que multiplica os indicados nas grelhas correspondentes FONTE: CETESB/DAEE.Plano de Desenvolvimento de Competências 118 .27 0. 1979 Prefeitura Municipal de Curitiba . A tabela 4.0 10 Fator de redução 0.4 1a3 5.4.

4. Rh é o raio hidráulico (m) Rh = A . Prefeitura Municipal de Curitiba . P S é a declividade da galeria (m/m). 2 ) O recobrimento mínimo da rede deve ser de 1. A velocidade máxima admissível determina-se em função do material a ser empregado na rede.Plano de Desenvolvimento de Competências 119 .50 m. que é a equação de Manning. 0. 0. P é o perímetro molhado (m). 1. quando forem empregadas tubulações sem estruturas especiais. Para tubos de concreto a velocidade máxima admissível é de 5. Q= Onde: 1 2 1 ARh / 3 S 0 / 2 n (4.30.60 m/s. as canalizações deverão ser projetadas do ponto de vista estrutural. forem utilizados recobrimentos menores. Quando. Alguns dos critérios básicos são os seguintes: 1 ) As galerias pluviais são projetadas para funcionarem a 85% da seção plena com vazão de projeto.10) Q é a vazão (m3/s).0 m. 3 ) Nas mudanças de diâmetro os tubos deverão ser alinhados pela geratriz superior. 1.60.40. n é o coeficiente de rugosidade de Manning. 0.20. O diâmetro das galerias circulares pode ser calculado utilizando-se a equação 4. por condições topográficas.0 m/s e a velocidade mínima 0. A é área de escoamento da galeria (m2). Os diâmetros correntes são: 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .6 Galerias de Águas Pluviais O diâmetro mínimo das galerias de seção circular deve ser de 0.30 m.00. 1.10.50.

orst.htm).Figura 4. Elementos geométricos de uma galeria circular (http://www. Prefeitura Municipal de Curitiba .edu/geowater/FX3/help/7_Culvert_Basics/Geometry_of_Round_CMPs.fsl.Plano de Desenvolvimento de Competências 120 .13.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .

Prefeitura Municipal de Curitiba .14 Figura 4.4.7 Aplicações Dimensionar a rede de águas pluviais das figuras 4.Plano de Desenvolvimento de Competências 121 .. 1995).5 e 4.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .14 – Áreas de contribuição da rede de drenagem de águas pluviais (Tucci et al.

ou não-permanente. y é a profundidade do escoamento (m). ou microdrenagem. por exemplo.1 Conceitos de Macrodrenagem A macrodrenagem diz respeito à condução final das águas captadas pela drenagem primária. dependendo da região onde se encontra o canal. e quais as dimensões máximas permissíveis. O escoamento em canais pode ser classificado como permanente. 20. Além disso.1). como riachos e rios.Plano de Desenvolvimento de Competências 122 . em contato com a atmosfera. a macrodrenagem corresponde à rede de drenagem natural pré-existente nos terrenos antes da ocupação. Outro fator determinante são os possíveis impactos socioambientais de cada alternativa. Fr = Onde. Outra classificação comumente adotada é aquela que leva em conta a relação entre as forças de inércia e as gravitacionais.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . V gy (5. a configuração natural desses canais pode requerer intervenção para ampliação ou manutenção. Essas vazões podem corresponder aos períodos de retorno de 10. de suas dimensões e importância. quando não ocorrem variações no tempo.1) V é a velocidade média do escoamento (m/s). 50 ou 100 anos. os conceitos fundamentais de escoamento em canais e os principais critérios de projeto. à medida que aumentam a urbanização e as obras de microdrenagem. seja por aumento da impermeabilização e/ou redução dos tempos de concentração.MACRODRENAGEM O presente capítulo trata da drenagem urbana em grande escala. e é impulsionado pela força da gravidade. definida pelo número de Froude (equação 5. A escolha do tipo de canal e sua geometria dependem das características hidráulicas e das diretrizes urbanas locais. Em uma região urbana.CAPÍTULO 5 . principalmente para remoção de sedimentos e lixo. Estas podem. Prefeitura Municipal de Curitiba . 5.2 Hidráulica de Canais O escoamento em canal é aquele que ocorre com superfície livre. g é a aceleração da velocidade (m2/s). aumenta a vazão que é conduzida aos elementos de macrodrenagem. definir se a seção é aberta ou fechada. e as medidas de mitigação necessárias. Aqui são apresentados o conceito de macrodrenagem. Todavia. é necessário verificar se os canais naturais têm capacidade de escoar as vazões de cheia. Esta última. Dessa forma. 5. mesmo que nenhuma intervenção seja feita. englobando os canais naturais.

e. as ondas superficiais se propagam apenas para jusante (rio abaixo). o escoamento é dito subcrítico.Se o número de Froude. Prefeitura Municipal de Curitiba . T é a largura no nível da superfície livre (m). Fr. largura na superfície livre e profundidade hidráulica para as formas regulares mais usuais de canais.1 – Principais elementos geométricos do escoamento em canais: (a) perfil longitudinal. se igual a um. (b) seção transversal (White. como uma barragem ou uma soleira. Isso é importante para se julgar se determinada perturbação.2 mostra as expressões para cálculo da área. Essa classificação também pode ser entendida como uma comparação entre a velocidade do escoamento e a velocidade de propagação das ondas superficiais. P é o perímetro molhado (m). 2001). crítico. y é a profundidade do escoamento (m). é menor que um. P A figura 5. Nos escoamentos subcríticos. se é maior que um. raio hidráulico. enquanto a figura 5. perímetro molhado. T Figura 5. pode ou não influenciar o escoamento a montante. supercrítico.Plano de Desenvolvimento de Competências 123 . Na figura 5. A é a área de escoamento na seção transversal (m2). as ondas superficiais são mais velozes que o escoamento. e podem se propagar para montante (rio acima). Nos escoamentos supercríticos.1 (a) está representado o perfil longitudinal de um canal.1 mostra os principais elementos geométricos utilizados na descrição e análise do escoamento em canais. A figura 5. Rh = A é o raio hidráulico (m). tomada igual à tangente do ângulo θ que o fundo do canal faz com a horizontal.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . S é a declividade longitudinal do canal (m/m).1 (b) mostra uma seção transversal.

Figura 5. Q = VA (5.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 2001).2 – Elementos geométricos para as principais formas regulares de canais (Mays. Duas equações importantes para a análise de escoamento em canais são a equação da continuidade (5.Plano de Desenvolvimento de Competências 124 .2) e a equação da energia (5.3).2) Prefeitura Municipal de Curitiba .

A é a área da seção transversal (m2). diz-se que a profundidade de escoamento é a profundidade normal.5) Onde. V é a velocidade média do escoamento na seção transversal (m/s). O caso mais simples é o escoamento uniforme.H = y+ Onde. Na prática. proporcionalmente ao peso específico do fluido).3) H é a energia total na seção transversal (m). quando a profundidade e a velocidade se mantêm constantes. yn. As hipóteses básicas adotadas na análise do escoamento em canais são: • O fluido é incompressível. Rh é o raio hidráulico (m). S0 é a declividade do canal (m/m). n é o coeficiente de rugosidade de Manning (m-1/3/s).Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Prefeitura Municipal de Curitiba . a perda de energia por atrito entre o fluido e o contorno sólido do canal iguala a energia gravitacional fornecida pela declividade do canal.4) (5. Nesse caso.1 Escoamento Uniforme Uma outra forma de classificar o escoamento em canais é pela taxa de variação da profundidade de escoamento. A análise do escoamento uniforme geralmente é realizada com o auxílio da equação de Chézy (5. 5. Q = CA( Rh S 0 )1/ 2 Q= 1 1/ 2 AR h2 / 3 S 0 n (5.2. • A tensão tangencial é constante ao longo do perímetro molhado. Nesse caso. • A distribuição de pressões é hidrostática (a pressão varia linearmente com a profundidade.4) ou da equação de Manning (5.Plano de Desenvolvimento de Competências 125 . isso se verifica em trechos longos de canais com declividade e seção transversal constantes. p é a pressão (Pa). • A velocidade tem distribuição uniforme (não varia ao longo da profundidade).5). p γ + V2 2g (5. e para escoamentos permanentes. Q é a vazão (m3/s). • A declividade longitudinal do canal é pequena. γ é o peso específico da água (N/m3). C é o coeficiente de Chézy (m2/s).

6) para conversões.022 0. Descrição da superfície Concreto liso Concreto rugoso Gabiões Canal natural n (Manning) 0.035 – 0.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Plano de Desenvolvimento de Competências 126 .035 0.040 Prefeitura Municipal de Curitiba . Pode-se fazer uso da equação (5.2.1 – Valores do coeficiente de rugosidade C de Chézy. Descrição da superfície Aço soldado novo (usado) Ferro fundido novo (usado) Concreto bem acabado (normal) PVC C (Chézy) 130 (90) 130 (100) 130 (120) 150 Tabela 5.6) Alguns valores de C são listados na tabela 5.1 e alguns valores de n são listados na tabela 5.2 – Valores do coeficiente de rugosidade n de Manning. Tabela 5.013 0. 1 Rh / 6 C= n (5.Os coeficientes de Chézy e de Manning foram obtidos experimentalmente e são tabelados para vários tipos de revestimento de canal.

2. utilizada para a análise de escoamentos gradualmente variados é a equação 5. O próximo nível de complexidade é considerar os trechos de transição entre dois escoamentos uniformes com características distintas.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . o controle hidráulico é a região do escoamento onde a energia disponível é a mínima necessária para permitir a passagem da vazão. acima.Plano de Desenvolvimento de Competências 127 . enquanto nos escoamentos supercríticos o controle se localiza a montante.7. Distribuição hidrostática de pressões.7) O controle hidráulico é qualquer barreira ou característica geométrica do canal que restrinja. o controle hidráulico se localiza a jusante. dy S 0 − S f = dx 1 − Fr 2 5. a vazão. nos escoamentos subcríticos.5. ou seja. A forma final da equação diferencial simplificada.2.3 mostra alguns exemplos de controle hidráulico. Distribuição unidimensional de velocidade.2.2 Escoamento Gradualmente Variado O escoamento uniforme constitui-se no caso mais simples de escoamento em canais. As hipóteses fundamentais. Prefeitura Municipal de Curitiba .3 Controles Hidráulicos (5. Variação gradual na geometria da seção transversal. ou pela existência de perturbações no escoamento uniforme. Como já foi mencionado no início do item 5. A figura 5. Variação gradual da profundidade do escoamento. adotadas para simplificar a análise nesses casos são: • • • • • Variação gradual da declividade do fundo do canal. determine. Em termos de energia. Tal situação pode ser causada pela junção de canais com característica diferentes.

A figura 5. A – canais com declividade adversa. (c) entrada de canal.2. a profundidade normal é inferior à profundidade crítica.Plano de Desenvolvimento de Competências 128 .4 Curvas de Remanso Os trechos do escoamento influenciados pelos controles hidráulicos são chamados de curvas de remanso. As curvas podem ser do tipo: • • • • • S – canais supercríticos. M – canais subcríticos.Figura 5. C e M. (b) mudança de declividade.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . nos canais supercríticos. o nome da família de curvas de remanso se refere à profundidade normal do escoamento. Por exemplo. Nos tipos S. H – canais horizontais. Prefeitura Municipal de Curitiba . (d) final de canal em queda livre (Potter-Wiggert.4 mostra uma classificação das curvas de remanso. C – canais críticos.3 – Exemplos de controle hidráulico: (a) comporta. 2002). 5.

Além disso. com escoamento gradualmente variado (White.50 a 0.3 Dimensionamento de Canais Nos canais artificiais.90 m/s. em alguns casos também nos canais naturais de seção regular. Prefeitura Municipal de Curitiba . para evitar a deposição de sedimentos finos. e que velocidades da ordem de 0. podem ser empregadas as seções hidráulicas ideais.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .Figura 5. recomenda-se que as velocidades mínimas sejam da ordem de 0.4 – Classificação das curvas de remanso. que otimizam a seção. e. 2001).75 m/s são suficientes para impedir o crescimento de vegetação no interior e nas juntas dos condutos. maximizando sua capacidade de descarga. 5.Plano de Desenvolvimento de Competências 129 .

o HEC-RAS.4 Propagação de Vazões A análise de redes de macrodrenagem..5 – Seções hidráulicas ideais (Tucci et al.usace.. ou possível. e vários outros programas comerciais.A figura 5. por exemplo. Prefeitura Municipal de Curitiba .hec. junções de canais e incrementos de vazão. Figura 5.army. utilizando a equação de Manning (equação 5.5) e as relações geométricas específicas para a situação. deve ser feita por trechos uniformes.Plano de Desenvolvimento de Competências 130 .Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 1995). empregando-se os métodos mencionados nos itens anteriores do presente capítulo. levando em conta as variações de geometria do canal. isso é geralmente feito com o auxílio de programas computacionais. a definição da geometria deve ser feita por tentativas. não é a ideal. Quando a seção desejada. como. que pode ser obtido gratuitamente na internet (www. Na prática.5 mostra os elementos geométricos das seções hidráulicas ideais mais comuns.mil). 5.

8. r é a densidade do fluido (kg/m3). Além disso.. para o diâmetro crítico. e prever material de revestimento com granulometria adequada.047(γ s − γ ) (5. revestidos de concreto Argila resistente e compacta Solos argilo-arenosos Solos arenosos e argila de alta porosidade Inclinação dos taludes (H:V) 0:1 0. o material de revestimento deve ser levado em conta ao se definir as declividades dos taludes dos canais escavados.. Tabela 5. S0 é a declividade do canal (m/m). Material de revestimento Rocha Solos pedregosos Canais em terra.5:1 a 1:1 1.25:1 0. Para tanto. g é a aceleração da gravidade (m/s2). Rh é o raio hidráulico (m). 1995). Partículas com diâmetro abaixo desse valor. serão arrastadas pelo escoamento.5 Estabilidade dos Canais Tanto nos canais naturais. o método mais utilizado é o de Shields.5:1 2:1 3:1 Prefeitura Municipal de Curitiba . gs é o peso específico do sedimento (N/m3). ρgRh S 0 0.3 – Inclinação recomendada para os taludes de canais escavados (Tucci et al. é necessário verificar a tendência à erosão. quanto nos canais artificiais não revestidos. Dc = Onde.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP .3 lista os valores recomendados para alguns tipos de material. A tabela 5. sintetizado pela equação 5. Dc.8) Dc é o diâmetro crítico do sedimento (m). g é o peso específico do fluido (N/m3).5.Plano de Desenvolvimento de Competências 131 .

Transições de seção. Compare as soluções obtidas com o canal existente na região. 1995) é dada pela equação 5. y (m). Prefeitura Municipal de Curitiba . enrocamento. ainda é possível tomar precauções para garantir seu desempenho satisfatório. Determine o diâmetro do material do fundo que garante a estabilidade do canal com revestimento natural e calcule a altura de borda livre. Outra forma de proteção dos canais é o emprego de estruturas especiais. dentre outros. recomendada pelo U. deve-se prever uma altura adicional. chamada de borda livre. Blocos de dissipação.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . Confluências. gabiões. em função da profundidade. Considere pelo menos dois tipos de geometria de seção transversal. 5. Essas precauções tomam a forma de proteções. e sua durabilidade. Bureau of Reclamation (Tucci et al.9) 5. Mudanças de declividade.608 + 0. especificamente na resistência ao escoamento.7 Obras de Proteção Além de todos os procedimentos enumerados nos itens anteriores com vistas ao projeto de um canal. Degraus.037V 3 y (5. alvenaria. e compare as soluções com revestimento natural e de concreto normal. que consiste do revestimento destes com concreto. e faça os comentários pertinentes. como a proteção de taludes. V (m/s).5. Isto que pode ocorrer devido à existência de ondas causadas pelo vento e outras oscilações.Plano de Desenvolvimento de Competências 132 .. e da velocidade do escoamento. Deixe claro todas as hipóteses que adotar ao longo da solução do problema.8 Aplicação Escolha uma região de Curitiba e dimensione um canal para realizar a macrodrenagem. A altura da borda livre.6 Borda livre No projeto de canais.S. como: • • • • • • • Passagens sob pontes. Galerias. para prevenir o extravasamento. O projeto da proteção deve levar em conta sua resistência à erosão. e também sua influência no desempenho hidráulico do canal.9. hb. hb = 0.

Prefeitura Municipal de Curitiba .REFERÊNCIAS Mays. Thomson. Fluid Mechanics. Larry. McGraw-Hill. Fluid Mechanics. Potter-Wiggert. Frank M. Hydraulic Design Handbook.Plano de Desenvolvimento de Competências 133 . White. 2000. McGraw-Hill.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . 2002. 2001.

COPEL na Divisão de Hidrologia do Centro de Hidráulica e Hidrologia Prof. com mestrado em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (1988) e doutorado em Civil Engineering. como avaliador institucional e de cursos pelo Inep. Em 2002 e 2003 atuou como representante das entidades de ensino e pesquisa no Comitê de Bacias do Alto Iguaçu e Alto Ribeira. com mestrado em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (1996) e doutorando em Métodos Numéricos em Engenharia pela UFPR.Instituto Municipal de Administração Pública/IMAP . MAURÍCIO DZIEDZIC Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (1986). Atualmente é professor e Coordenador do Curso de Engenharia Civil da Universidade Positivo. onde atua como coordenador do Mestrado em Gestão Ambiental. Prefeitura Municipal de Curitiba . Fluid Mechanics and Hydraulics . análise de ruptura de barragens. Implantou o curso de graduação em Engenharia Civil do Centro Universitário Positivo UnicenP. e desenvolvimento docente. Atua como consultor em Hidrologia.Plano de Desenvolvimento de Competências 134 . Parigot de Souza . Entre 1987 e 1999 atuou como engenheiro contratado pela Companhia Paranaense de Energia . também.CEHPAR (Convênio COPEL/UFPR). Engenharia de Recursos Hídricos e Geoprocessamento. Tem experiência nas áreas de modelagem da qualidade da água.CORPO DOCENTE CLÁUDIO MARCHAND KRÜGER Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (1986). mecânica dos fluidos. engenharia hidráulica. projeto de equipamentos de laboratório de hidráulica.University of Toronto (1994). Atualmente é professor titular da Universidade Positivo. Atua.

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