As redes devem ser neutras, defende Bernardo

Brasília, 19/09/2012 - A neutralidade das redes na internet foi defendida pelo Ministro Paulo Bernardo ao comentar as discussões sobre o projeto de lei do marco civil da internet em tramitação no Congresso Nacional.

Acrescentou que este dispositivo estava no projeto original do governo. "Não pode haver triagem de conteúdo porque a origem é esta ou aquela", disse. "O que eu acho que é razoável acontecer é um gerenciamento técnico em caso de alguma emergência. Tirando isso, não pode ter nenhum tipo de discriminação", afirmou.

Na opinião do Ministro das Comunicações, a Anatel deve ser o órgão responsável por regulamentar as exceções à neutralidade da rede mundial de computadores.

A votação do Marco Civil da Internet foi adiada para outubro e até lá o ministro acredita que o debate será intensificado e se chegará a um consenso sobre a questão da neutralidade de rede.

A neutralidade é o principal ponto de divergência entre os grupos interessados na aprovação do projeto. Alguns defendem que não haja nenhum tipo de regulamentação e os pacotes de dados que transitam na rede devam ter tratamento igualitário, ou seja, nenhum dado poderia ter preferência. Outro grupo acha que deva haver uma banda prioritária para alguns setores, como segurança, bancos, telemedicina. Dentro destes dois extremos, existem variações.

O projeto do marco civil da internet foi enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional em agosto de 2011, depois de dois processos de consulta pública realizados pelo Ministério da Justiça. O projeto é resultado de um movimento que se iniciou em 2009 para se estabelecer o que seria uma lei para o mundo digital. Representou uma reação a iniciativas em discussão no Congresso Nacional que tipificavam penalmente várias atividades na rede.

Depois da última consulta, realizada no primeiro semestre de 2010, com cerca de 2 mil contribuições e comentários, foi formado no início de 2011, um Grupo de Trabalho com representantes do Ministério da Justiça que tinha a coordenação, Ministério das Comunicações, Ministério do Planejamento e da Ciência e Tecnologia que elaboraram proposta de um Projeto de Lei encaminhado ao Congresso Nacional em agosto de 2011.

Ao chegar ao Congresso foi formada uma Comissão Especial presidida pelo Dep. João Arruda e a relatoria entregue ao deputado Alessandro Molon que elaborou um substitutivo apresentado em julho deste ano.

O marco civil da internet vai estabelecer princípios e regulamentar alguns aspectos da utilização da rede pela sociedade como a privacidade dos dados dos usuários, as responsabilidades das operadoras de telecomunicações, provedores de conteúdo, além de diretrizes para atuação do poder público neste ambiente.

http://www.mc.gov.br/telecomunicacoes/noticias-telecomunicacoes/25784-as-redes-devemser-neutras-defende-bernardo, 24 de setembro de 2012 às 15:54