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Il

LOUIS DUMO/'.'T
ç (ig!.! 2.1 a f na tradiç.ao inglcsa de lransliteraçao) c.r simboliza m chi an tes, pa-
latal a primcira e cacuminalj retroflcxa a' scgunda; pronunciar ç conw 0
francês* "ch" (inglês "sh") ; do mesmo modo mas corn a ponta da
liogua voltada para a parte mais alla do palato;
s é sem pre surdo ("55") mesmo entre vogais (dasyu como "dassyu").
Exemplos:
riIjpût pronunciar "raadj puut". Pensamos, meSIDO na transcriçâo cm caractc-
Tes romanos, consignar, coma nossas autores antigos, as formas "Râd-
ja" para raja, "Tchandala" para Candala;
çaslra, "tratado", fol. grafado cm romano, à inglesa. como sbastra;
PQlïcâyat no texto: pancayal, pronuncia-se "pantchayaC' (nas transliteraçôes
cm itâlico, 0 h marca scmpTe uma "aspiraçâo").
• e C.mWm 0 portugui:s (N. da T.).
,

INTRODUÇAO
. .. a dunocnu:ia rompt! il corr'QIU e Sqxv'O coda
um dos anm.
ALEX1S DE TOCQUEVILLE
1. AS CASTAS E N6s
Nasso sÏstema social e (" -las castas sâo tao apostas em sua ideologia
central, que sem dlivida tm;J. leitor maderna raramente estA dispasto a dedicar
ao estudo da casta toela sua atençâo. cIe é muito ignorante em saciologia,
ou tcm um espirito roJJi ra pade ser gue seu mteresse se fumte a âe-
se jar a destruiçâo 0 0 desa arecim 0 de uma instituiçâo que é nma ne-
gaçâo dos direitos do homem e surge coma nm obstacu a ao pro esso
econômlco de meio bilhao de pessoas. 0 servemas rapidamente um Cato
Dctave!: sem falar dos indianos, nenhum ecidental que tenha vivide na fndia,
__ 0 reformador mais apaixonaclo ou 0 missionârio maiS zeloso, ja-
mais, ao que sabemos, perseguiu a sÏstema das castas ou recomendou sua
aboliçâo pura e simples, seja porque tivesse consciência viva, como 0 abbé
Dubois, das funçôes positivas que 0 sÏstema preenche, ou simplesmente por-
que issa parecesse muita irrea.lizaveL
Mesmo que suponbamos que nosso leitor seja calma, nâo se pade es-
perar que ele considere a casta a nâo seT como uma aberraçâo, e os pr6prios
autores que a ela dedicaram trabalhos corn muita freqüência chegaram a ex·
plicar 0 sÏstema mais como uma anomalia do que a compreendê·lo como
uma instituiçâo. Veremos isso DO capftulo seguinte.
Se se tratasse s6 de satisfazcr nossa curiosidade e de construir para n6s
alguma idéia de um sistema social tâo estavel e poderoso quanta aposto à
nossa moral e rebelde à nossa inteligência, certamente nâo the consagraria·
Il
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"
LVVIS DL'MO.\T
mas 0 esforço de atcnç-ao que a pr cpar açao dcstc li\TO cxigiu e que, sei muita
bem, sua leitura também exige cm certa ll1ctlida. É precisa mui ta mais. é
precisa pcrsuasâo de que a casta lem alguma coisa a DOS cDsinar. Essa é, de
falo, a longo prazo, a ambiçâo dos tr abalhos de que a presente obra faz parte,
e é ncccssario fixar e escJarccer esse ponta para situar e caracterizar a cm-
preitada a que nos dcdi carnos. A ct Il ologia, digamo.s mais precisa mente a an-
tropologia social, s6 aprcscntariJ um inlercsse cspecial se as sociedades
" prirnitivas" ou "arcaicas" e as grandes cidlizaçôcs cstrangciras que cla cstu-
da de lima humanidade difcrente da nossa. A anuopol ogi a da es-
sa prova, pela compreensâo que ofcrece pOlica a pouco das socicdades c cul·
turas as mais diferentes, da unidade da hurnanidade. Ao fazê-Io, ela aclara,
evidentemente, de algum modo, nossa pr6pria espécic de sociedade. Mas é-
the inerente, e cla às vezcs a exprime, a ambiçao de chegar a fazê-Io do moQ!"t
mais racional e sistematÎeo, de realizar lima "perspectivaçao" da sociedade
rnoderna corn relaçao àquelas que a precederam e que corn ela coexistem,
trazendo assim uma contribuiçao direta e central para nossa cuItura geral c
para Bossa cducaçao. Sem duvida nao paramas ai, mas nessa relaçao 0 estu-
do de uma sociedaàe complexa, portadora de uma grande civilizaçao, é mais
favorâvel que -o· eSludo de sociedades mm simples, social e culluralmenle
menas difere:r...:iadas. A sociedade indiana pode ser, clesse ponta de \';sta, tao
mais fecunda Quanto seja mais diferente da nossa: pade-se espcrar 0 inicio,
bem sinalizadc nesse caso, de uma cornparaçao que sera mais delicada cm
outras casas.
Antecipemos dUlS palavras: as castas nos ensinam um princfpio social
fundamental, a hierarquia, cujo oposta foi aprapriado por n6s, modernos,
gue é interessante para se comp.!!cndcr a naturez.a, os limites e as COD-
diçôes de realizaçâo do igualitarismo moral e polîtico ao quâl cstamos vmcu-
ladas. Naa sera precisa cbegar la na presente obra, que se intcrromperâ
na descoberta da hierarquia, mas essa é a pcrspectiva em
que se :.nscreve toda nosso trabalho atual. Ha UID ponto que ficar hem
clara. Entende-se que 0 leitor pode recusar-se a sair de seus' pr6prios valores,
pode aflTlllar que para cie 0 homem começa corn a Declaraçâo dos Direitos
do Homem e condenar pura e simplesmcntc a que se afasta dela. AD fazê-Io,
ele corn certeza marca cstreitos limites para si, e sua prelensao de ser "mo-
derno" fica sujeita a discussào, pOT rmes nao apenas de fato mas também
de direito. Na realidadc, nao se lrata digamo-Io de maneira clara, de
atacar os valoTes modernos dircta nem sinuosamente. nos parccem,
alias, suficient emente garantidos para que tcnham algo a temer cm nossas
pesquisas. Trilla-se apenas de uma tentativa de apreender' intelectualmente
outros valores. Se houver uma recusa a isso, entaoserâ inûtil tentar compre-
das castas, e sera impossÎvel, no fim das contas, tcr de nOSSQS
pr6prios valores uma VÎsao antropo/6gica.
HOMO HIERARCHICUS 51
Pode-se compreender sem dificuldadc quc a pcsquisa assim definida
DOS profbe ccrtas facilidades. Se, coma muitos soci61ogos contcmporâncos,
nos contcntasscmos corn uma etiqueta tomada de empréstimo às nossas pr6-
prias sociedades, se nos limitâssemos a considerar 0 sislcma das castas coma
mua forma e"trema de "eslratificacâ.o social", podenamos cerlarnente regts-
trar observaç6es ioteressantcs, mas todo enriquecimento -de---oossas con-
cepç6es fundamentais estaria exc1uido par defmiçâo: a circulo que teroos de
percorrer, de n6s às castas c, na volta, das caslas a 06s, se fecharia de imedia-
lO, pois jamais tcrfamos saido da posiçao inicial. Uma outra maneira de fi-
carmas fecbados cm nés mesroas consistiria em supor sem dificuldadc que 0
lugar das idéias, das crenças e dos valores, em uma palavra, da ideologia na
vida social é secundano e pode ser par outros aspectas da socieda-
de ou a eles. 0 prÏl)cipio igualitârio e 0 principio hierilrquico &10
realidades primeiras, e das mais cerceadoras, da vida politica ou da vida so-
cial em geral. Pode-se ampliar aqui a questiio do lugar da ideologia na vida
social: metodologicamente, tudo a que segue, no pIano geral e nos detalhes,
respondcrâ a essa questao
la
• 0 pleno reconhecimcnto da importância da
ideolo,iia tem uma conseqüência aparentemente paradoxal; no dominio in-
diano ela nos leva à consideraçao tanto da heranÇ3 literâria e da civilizaçao
"superior" quanta da cu1tu;a "popu1ar". Os defensores de uma sociologia
la. A palavra "ideologia" dcsigoa comumente um conjunto ma.is ou menos iOciaI de e wlores. PQde-
assîm, falar da ideologia de uma socied3dt: e dM de grupos mais restritos, romo "'"Uma clas$e
social ou um mavimento, ou ainda de ideolopas parciais, que incidem 50bre um aspedO do slmma $0-
cial como 0 É evident.e que c::tiste ut.l.tI ideologia fundatnent.a.l, uma espécie de ideologia-mie
ligada à lingu.agem comwn e. portanto, ao gupO ou à soci«!ade giebü Certamente emtem
\'ariaçôes - às vezes contradiç6cs - 05 meios soeWs, coma par aempio as clas5c:s 5Ociaîs, mas
elas sao exprewlS na mesma linguagem: proletArios e eapitaHstas lalam. fancês na França. caso contririo
mo pocIeriam opor suas e em gen.I têm em C:Olllum muite mais do qUI: podem pemar COOl
laçâo. digamos., a um Hindu.. 0 oeces.sita de terme p3l'3 designar 1 k'eoIogia g.klbal e nia ?Ode
inclinar diante do usa especia.I que li.rnita a ideologill às cl:usc::s wciais e lbe dâ um 5entido puramente
negativo, Iançando assim com fins partidirios 0 descrédito 50bre as idéias ou "re:preseo1aç6c:s." em t eral.
Para as du1CUkIades inex1rinciveis que resultam de um ta! uso na soc:iologia do con.becimelllO. cf.. recetl·
4emenl.c, W. Stut, S«ioIogy of cap. II. cr. -M:te·Iver. Web of -
A ques110 do tug:ar ou da fimçio da no conjunto da wciedade deYe RI' dci:mda ml aberto do
ponta de vina ontol6gioo, embonl seja mctodolog:ic:amente cruc:ial Muito brevemente (cf. f 22):
a.. A distinçao entre os aspedos ideol6gicos (ou cooscienUs) e os OtIÙ'05 50C in::Ip6e metodoklgicamc:n1e
em virtude de uns e outros nia serem c:onhecidos da mesma maneira..
b. Metodolagîeamente, 0 postu1ado inîcia.I é 0 de que a ideoJogia é couroJ com relaçio ao coojunto da
realidade social (0 homem. oocscientemente, e ac:edetnos ao aspecta c:ouscient.e de SC1tS
atos).
Co Ela nio é UJda a realidade social, e 0 estudo tem seu resultado na tarera dificiI. do posicionamento re·
lativo dos aspectas ideol6gicos e do que pode cbamar de aspectes oAo ideolbpc:os. Tuda 0 que $oC po-
de supor a priori é que normalmente existe uma relaçio de oomplementaridade, .uas Y&lÜVe1, entre uns
e outras.
Deve-se observar, por uni Iado, que esse procedlmento é 0 ün.ico que pcrmile reconhecer eYentualmeDte
que 0 postulado inicial é conll"adito pela C.ato; par outra Jado, que ele sc: liberta taDto do idealismo quan·
to do materialismo ao abrir a um e outto todo 0 campo de açio a que 5e pode pretender cientirv-amen-
te, é, como ooo<lîçâo de prova. Pan um exempkl de considcrivel DO lupr de uma ideokI-
gis parcia.l e em sua coeréocia interna, ver a c:omparaçac do vocabutario cie pam::i1e5CO etl1Je a fndia do
Norte e a fndia do Sul em "Ma.niage. Ill", Contributioru to Indian Sodo/ogy, IX, 5Cd. n,
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LOUIS DU.\{ONT
menas radical aCllsarr! -:-:c.s CT/ taO de na "culturoJogia" ou na "in-
dologia" c de perder de vista a comparaç.âo, a SCUS 01h05 sufici cnt emcnlc ga-
rantida por conccitas como 0 da "cstratifï caçâo social" c pela considcraçâ o
das semeihanças, que permit cm agr upar, sob cliquetas corn uns, fcnômcnos
emprcstados a socicdades de lipa difcrcntc. l\1as uma empreitada como cssa
jamais pcrmitirâ chcgar ao gcral e, corn relaçao a nosso prop6sito comparati-
va, ela representa ainda UID curt o-ci rcuil o. 0 universal s6 pode seT atingi do
na espécie através das caract erfsti cas pr6prias, e sem pre difcrcnlcs, de cada
tipo de sociedadc. Por que ir à fndia sc nao for para contri buir para a dcseo-
bcrla de como a socicdade ou a civilizaçao indiana, por sua pr6pria parti cula-
ridade, representa uma forma do universal ou para saber cm que consiste es-
sa representaçao? Defmitivamcnte, 56 aqucle que se volt a corn humildade
para a particularidadc mais intima é que mantém aberta a rota do universal,
S6 aqucle que cstâ apto a consagrar todo 0 tempo nccessârio ao estudo de
todos os aspectos da cultura indiana lem a oportunidadc, cm cerlas con-
diç6es, de a transcender fmalmente e ai chegar a encontrar alguma verdade
para 0 seu pr6prio uso,
Para 0 momeoto, propôe-se cm primeirf.ssimo lugar, tentar com-
precnder a ideologia do das castas, ara, ela é dirctamente contradita
pela teona igualitma de yue participarnos, E é Împossivcl compreender uma,
enquanto a outra - a modr,rna - for tomada como verdade uni-
versai, nao s6 enquanto ;-jeal moral e politico - 0 que constitui uma pro-
fISSaO de ré indiscutfvel -, mas tar.l, lém coma cxpressao adequada da vida
social, 0 que é um julgamento ingênuo, Eis a rmo pela qual, para aplainar 0
caminho para 0 leitor, começarci pelo flll1, ulilizando de imediato os resulta-
dos do estudo para fazê-lo refletir, a tftulo preliminar, sobre os valores mo-
dernos, Issa equivale a uma breve introduçao geral à soci ologia. que podera
ser considerada muito elementar, mas nao inûtil. Trataremos cm primeiro
lugar da relaçao cntre valores modernos e ideologia, e depois mais cspecial-
mente do igualitarismo encarado do ponto de vista sociol6gico.
2. 0 INDMDUO E A SOCIOLOGlA
1 Por um lado, a sociologia é 0 produto. ou antes • ..e1a
j da sociedade moderna. Sua emancipaçâo 56 se dâ de maneira rcstrita e corn
1 um csforço concertado. Por outra lado, a cbave de nc:;sos val ores é facil de
ser encontrada. Nossas idéias cardinais chamam-se igualdade e liberdadc.
Elas sup6em como principio Unico e represenlaçao valorizada a idéia do in-
dividuo humano: a humanidade é constituida de homcns, e cada um desses
homens é concebido como apresentando, apesar de sua particularidade e fo-
ra dela, a cssência da humanidadc. Tcremos de voltar a essa idéia fundamen-
tal. Consideremos por enquanto alguns de seus traças evidentes. Esse indivf-
1
HOMO HIERARCHfCUS 51
duo .é quasc sagrado, absoluto; nao passui nada acima de suas cxigências
IegftlIDas; scus dircitos s6 sao limitados pelos dircilos idénticos dos outras
incüvfduos, Vma mônada, cm suma, e toda grupo hum ana é constituido de
ménadas da espécie sem que 0 problema da harmonia entre essas mônadas
se coloquc vez alguma para 0 senSQ comum. É assim que se concebe a classe
social ou isso a que se chama Desse nivel de "sociedadc", a saber, uma asso-- -
ciaç.âo. e de certa modo 3tt mcsmo uma simples coleçao dessas mônadas,
Fala-se amiude de um pretenso antagonismo entre "0 individuo" e "a socle-
dade", no quaI a "sociedade" tende a surgir coma um resfduo nao humano: a
tirani a do nÛInero, um mal fuico inevitavel oposto à rcalidade psicol6gica e
moral, que esta contida no individuo,
Esse tipo de visâo, que é a parte integrante da ideologia correote da
igualdade e da liberdade, é evidentemente muito pouco satisfat6rio para 0
observador da sociedade. Ele se insinua, entretanto, até mesmo nas ciências
sociais, O!a, ,a funçao da sociologia é bem outra; e!a deve preci-
samente prccnchcr a' lacuna que a mentalid ., . dualista introduz
J con ode 0 ideal e 0 re . om efeito, e este é nassa tcrceiro ponto, se a
sociologia surge como ta! na sociedade igualitâria, se ela a irriga, se a expri-
me num sentido a ser examinado por n&., ela lem suas raizes em alguma co-i-
sa muito difcrcnte: a apercepçâo da narureza social do homem. Ao individuo
aut o-suficiente ela opôe 0 homem social; cacia bomem, MO mais
como uma encamaçao particular da bumanidade ,abstrata, mas como um.
ponto de emergência mais ou menos autônomo bumanidade coletiva
particular, de uma sociedi1de. No universo individualista, cssa mao, para ser
rcal, deve assumir a forma de uma eXpcriência, quase uma revelaçâo pessoal,

que Calo de uma apercepçao socio/6gica. Assim escreveu 0 jovem
0 excesso de um ne6fito: <rÉ a sociedade que pensa dentro de
miro".
Essa apercepçao sociol6gica nao é fâcil de scr comunicada um livre
cidadâo do Estado moderno qpe nâo a conhecesse. A idéia queJazemos da
sociedade permanece sendo artificial enquanto, como a palavra coIIVÎda a in-
terpretar, a tomemos como uma espécie de associaçao em qne 0 individno
totalmente constituido se empenhasse de forma voIuntma oum objetivo
terminado, coma que por uma espécie de contrato. Pensemos sobretùdo na
criança lentamente levada à humanidade pela educaçao familiar, pela apren-
dizagem da linguagem e da moral, pelo eosino que a faz participar do pa-
trÎmônÎo comum - compreendidos ai, entre n6s, elementos que a humani-
dade inteira ignorava ha menos de um século. Onde estaria a humanidade
desse homem, onde sua inteligência, sem esse adestramento uma
,
para Calar mais propriamente, que toda sociedade compartilha de algum mo-
do com seus membros, que seriam seus agentes concretos? Essa verdade esta
tao longe dos olhos, que talvez fosse necessârio remeter DOSSOS contemporâ-
1
neos, mesmo os instruîdos, às hist6ri.as de meninos-lobos para que rcOctÎs-
sem que a consci ência indi\idu.:=J prO":ém do 50ciap .....
De maneira scmelhantc, zcredîta-sc, corn frcqüência, que 0 social con·
siste apenas das maneiras de componamcnto do iodivfduo supostament c to-
do construido. A esse respeito. bas ta observar que os homens CQnCTetos nao
sc componam: etes agem corn uma idéia na cabeca, gue termina por se con-
1 formar ao USD. 0 homem age cm funçao do que cie pensa e, se possui cm
ceTto grau a faculdade de agenciar seus pensamentos ao seu modo, de cons-
truir categorias novas, cie a fu a partir das categorias que SaD
dadas, e sua ligaçâo corn a lio.guagem bas la para lembrar esse fato. 0 que
nos afasta de reconhecer completamente essas evidências é urna disposiçâo
psicol6gica idiossincratica: no momento em que wna verdade repetida, mas
até entao estranha, se toma para mim uma vcrdade da experiência. eu de
bam grado imagina que a Ur<t'enteÎ.. Vma idéia comum apresenta-se coma
pessoal quando se toma plmamente rcal. Os romances estae cheies de
exemplos desse tipo: ternes tmla necessidade estranha, para reconhecê-lo
coma nosso, de imaginar que 0 que DOS acontece é ûnico, quando cIe é ape-
nas 0 pao e <> fel comuns de nossa coletividade ou humanidade particu1ar. Bi-
zarra confusâo: existe uma pessoa, uma cxperiência individual e Unica, mas
ela é fcita de elementos comUDS pan grande parte, e naD ha nada de destrui-
dor cm reconhecer este fato: extirpe de si mesmo 0 material social, c você
nao sera mais do que uma virtnalidaàe de organizaçâo pessoa1
2b

o primeira mérito da soc:iologia francesa,foi, cm virtude de seu intelec-
tualismo, tcr insistido nessa do social ao espîrito de cada homem2<=.
Durkheim foi censurado por ter recorrido. para exprimir essa idéia, às
nQÇÔcs de "representaçôes coletivas
n
e depois de "consciência coletiva". Sem
d(n..ida, a segunda expressao se presta a confusâo, mcsmo que seja ridiculo
ver Dela uma injustificaçâo fornecida ao totalitarismo. Mas, no plana cientifi-
co, os incovenientes desses termos nâo sao naeta, digamo-Io com clareza, com
relaçao à visao oomumcnte disseminada da consciêocia individual emergindo
toda aprcstada, pronta, de si mesma. Trabalhos haje em dia cansideradas so-
ciol6gicils testemunham-no cm grande quaritidade.-
Observemos ainda que 0 gênero de noçao que se critica aqui é, pelo
menos na forma desenvolvida e no logar central cm que 0 conhecemos, pro-
moderno e de ascendência crislâ. (Pode-se inclusive perguntar se
la.. ct Lucien MaIson, Les Enfarw =-oze,. mj"l« rta/iti. preciso ' admjtir que os bomens nia sio
!o11l do ambîent.e social'?" pe%plll1I-se u:m jonuilista ao raenhar esse livro (Y. R., Le Momû, 6
de maio de 1964, p. 12).
lb.. Esse pequeDO uemplo Dio pmende de modo .tJtum estotM a socialid3dc do bomem. Sabe-se muito
bem, por aemplo, que cm ai mesm.a "'a org.a.nWlçio pes.soal" nie indcpcndenle das relaçôc:5 rom ou·
tnls pes.soas q\le ocupam papéis definidos. Mas que estranha esta decJ.a.r&çio atribulda a Utta romandsta
COIltemporineo: "0 tmk:o mcio de J:IIo utar saz:inho f: nio pensar maiI;"(u M,orfIk, 2S de D<M:lllbro de
1964, p. 13). Es al es:sa "signifiœçâo !a!sa" do e'll de que se 1ament.Kva Arthur Rimbaud ,quando c:screv:ia
"'É!also di7.er. Eu pense. Dever-se-ia A1ÇIbn me peœa" (I....ettns à Iz.ambard, maïo 1871).
2c. Como jA cm Bonald, ver 0 rcsumo deA Koyré c::n ÉUldD pp. 117·134.
HOMO filERARCWnJ'i 55
clc nao aumentou seu domfnio nos espfr itos dcsdc, por exemplo, 0 inicio do
século XIX.) Os [Ù050[05 até os cst6icos, os aspectqs
colelivos do homem e os outras: cra-se um se de.
uma cidade. organismo tanto social quanto polilico. Sem duvida PIatâo fez
nascer sua Repûblica, de maneira um tanto artifi cial, apenas da divisâo do
trabalbo. Mas Arist6teles rcprovou-lhc essa idéia e se vê, no pr6prio Pla tao.
segundo a racionalidade quase estritamentc hicrarquica que reina na Repû-
blica, que é 0 hornem coletivo, e nao 0 homem particular, que é 0 homem
verdadeiro, mesmo se 0 segundo participa de forma tao estreita do prim ciro
que dele tira parti do ao vê-Io exaltado. Finalmcntc, basta lembrar um exem-
plo famoso: se Sacrates, no Criton, se recusa a rugir, é porque, no fun das
contas, ele DaO tcm vida social fora da cidade.
A apercepçâo sociol6gica do homem pode produzir-se espontaneamen-
te na sociedade moderna em ccrtas experiências: no exército. no parti do polî-
tico c cm toda coletividade fortemente unida, e sobretudo na viagem, que nos
permite - um pouça como a pesquisa etnoI6gica - apreender nos outras a
modelagem ' pela sociedade de traças que nao vernos, ou quando tomamos
por "pessoais", cm n6s. No plana do ensino, essa apercepçâo deveria ser
a oc-A-bâ da Soci%gia, mas jA a1udi 80 Cata de que a 5ociologia, enquanto
estudo apenas da sociedade modema, frequentelli-ente faz dela uma questao
dc economia. Nao se pade aqui deixar de sublinhar os méritos etnologia
coma disciplina Socio16gica. Nao se concebe, em LaSSOS dias. um trabalho e
mesrno u.m ensino etnol6gico que DaO provoque a apercepçâ!J em questao. 0
eocanto, eu diria quase a fascinaçao, que Marcel Mauss sobre a
maior parte de sens alunos e ouvintes devia-se antes de tudo a esse aspecto
de seu eosino.
Permitam-me aqui uma anedota que apresenta um Cl:cmplo surprcendcnte de aper·
cepçao sodol6gica. Mais ou menos no final da preparaçao para 0 Ccrtificado de etnologia, um
rondiscipulo que oao se destÎnava à etnologia rontou-me que lhe succdera urna coisa estranha.
Ele me disse maÎS ou menos 0 seguinte: .
UOutro dia, oum ônibus, percebi de repente que nao olhava para os meus coinpanheiros
de viagem como de costume; alguma cois:a bavia mudado em minha relaç!o corn etes, cm mi-
nha maoeira de me situar corn reJaçâo a des. Nâo havia mais 'eu e os outros'; eu era um deles.
Durante um longo momcnto me perguntci pela tazao dessa curiosa e repentÎna.
De repente ela me surgiu: cra 0 cnsÎnamento de Mauss".
o îndivfduo de ontem sentia-se social, percebera sua peISOnalÎdade como ligada à lin-
guagem, às at itudes, aos gestos, cuja imagem em devolvida pelos VÏ2inhos. Eis 0 aspecto huma·
nista essencial de um casino de etnologia.
Acrescentemos que 0 é tante dessa apercepçâo como de todas as idéias
fundameotais. Ela nao é completamentc adquirida com. um primeiro lance e
de uma vez por todas: ou hem ela se aprofunda e se ramifica em n6s., ou
entao, ao contrario, ela permanece limitada c se toma farisaica. A partir de-
la, podemos comprecnccr que a mcsipOs como indivîduos
nao é inata, mas aprcndida. Em liltima anMise, cla nos é prescrira, imposta
pela sociedade cm que vivernos. Como Durkheim disse aproxirnadamcnt e,
nossa sociedadc nos prescreve a obrigaçao de sermos livres. Par oposiçâo à
sociedade modcrna, as sociedades tradicionais, que ignoram a igualdadc e a
überdade como val ores, que ignoram, cm suma, 0 individuo, possucm no
fundo uma idéia coletiva do homem, e nossa apcrcepçâo (residual) do ho-
mcm social é a t'mica ligaçâo que DOS une a elas, 0 ûnÎco viés pelo qual po-
demas camprccndê-Ias. Esta aî, portanto, °ponta de partida de uma sociolo-
gia comparativa.
Um leitor que nao tcoba nenhuma idéia dessa apercepçâo ou que, co-
ma talvez a maioria dos fù6sofos de hoje, nao a reconheça como fundada em
verdade1tl continuarâ sem proveito a leitura deste trabalho. N6s a utili-
zaremos, para começar, com dois objetivos: por um !ado, para cercar 0 pro-
blema sociol6gico do individuo; por outro, partindo da igualdade como valor
moderno, para colocar em relevo em contrapartida, em nossa pr6pria cultu-
ra, a seu oposto, a hierarquia.
3. INDIVIDUALISMO E HOLISMO
A apercepçâo socioI6gica atua contra a vlsaO individualista do homem.
Conseqüência imediata: a idéia do individuo constitui-se T!'Lnl problema para
a sociologia. Max Weber:-pa;:aquem a apercePÇâllSocic16gica se exprime
ii"uma forma' cxtremameote indireta, vejamo-lo coma rOIL.ântico ou fil6sofo
moderno, traça-nos um programa de trabalho quando escreve numa nota de
sua Ética Protestante (ed. al. p. 95, nota 13; trad. fr. p.122, nota 23):
ld. Os fil6s0fos leodcm Mtura1Jneotc a identificat 0 ambieote em que se deseDVOlveu a tnadiçio fiIos6fica
com a huma.cidade int.eira c a relegar as outras cultw'as a uma apécie de 5ub·bumanidade. Nc:sse secti-
do, pode-se sté mesmo natar um retrocesso. Em Hegel c cm Man, a des.coberta das outras a.il.iz.açOes;
ou sociedades ditas "'primitivas .. ua objdo de mt.eresse. Nio 0 ê mai:s entre os filô5ofos poliûa:lS que sc
J.i&am a um ou outto desses auton::s. Em vez de 0 progressa. c:Io5 c:oWaccimeD1o5 a)D(juzir à r-eDOYaÇio--
de:ssas quest6es. desembaraçaDdo-as de am evoh:lcionismo elas sio puB c simp1esmentc
de lado. Correlll1ivaJ:oeD a COGtnbuiçio de Durtheim c de Max Weber îgnonIda, c a histO-
ria polilica dos a:nto e dnqücnta 6!timo5 aDOS o.io objeto de uma re1le:xio aprofundada.. apesar dos
graves problemas que a sobre:carrepm. E.riste ai um.a convergëoci.a nativel entre teGdéncias mwto dife-
renies entre ii e um retrai.meoto paradoxal da tDdiçio ocidcn1al. Sem Calar de Sartre, um nwxirta coma
Marcuse. um hegelo-kan!iaoo como Eric Weil, e 4lé melmo 0 lamentado Koyré, se situam
muito estreitamenle DO univerw do indMduo e c:x:ibem, em conseqüência, uma atitude c:ondescendente
ou hoslil cm face da considernçio 5Ocio16gica. a. em primciro Jupt, Reasoo and RDoIuzion; depois, sua
Philosophie politiqu, onde aquilo a que chama a wdedade dvil pura e simples; dcpois,
ainda, sua concJusâo ao estudo citado wbre Bon.aJd, e também iua rnaneira indireU e coma
que sub· repdcia de apresentar a hlenrquil na R.epûblica de P\a.lio (/lfII'Odlu:tion à Jo lÛ PkrIon,
pp. 131 eu.). Nesse ûlHmo casa, ta1vc:z se deva levar em CODliideTaç.iO a data dessa5 publicaçOes
(1945. 1946); aa:cdita4C ver na primeira coma a opor1wtidade de uma reOaio 0 totalitarismo, a
partIr da boa tesc de Bonald, se tram!otmou numa reatinnaçio IOICDC do jdœJ democ:ritico. (Sem dû·
vk1D a.lguma 0 que precede muito parcial; especia.l.mellte, 01 problcmas da filosofia politica sc apresen·
{am de: modo lIluilo diferente na J.nsIa1ena, cL os dois 'Volumes de Philosophy, Polilia 0IId Scde!y, Las-
icI! and ftundmJI n, Of&)
HOMO HIERAlICHlCU.'i 57
o terma indi vidua lis mo recobre as noçües mais helcrogè ncas que sc passa imaginar .. .
urna anâlise radi cal desses conccitos, do ponta de vista hist6rico, seria agora de nova (scgundo
Burckhardt) mui ta preciosa p ara a ciê nci a .. .
Para começar, muitas imprecÎ5ôcs e dificuldades provêm do que nao se
cooscgue distinguir no Hindividuo": - .
1. 0 agcntc empiri co, presente cm toda socicdade, que é nesse particul ar a matéria·
prima principal de Ioda sociologia.
2. 0 set de razao, 0 s uj e ito no rmativo das insti t uiçôcs; is!o é proprio de n6s, coma tes-
temunham os valores de igualdade e de lîberdade, é uma Tcprcsentaçao ideacional e ideal quc
possufmos.
A comparaçâo socioI6gica exige a individuo, 00 sentido pieno do
tenno, seja considerado como tal e recomcoda que se utilize outra palavra
para designar 0 aspecta em pmco. Assim serA evitada a generalizaçâo. por
inadvertência da presença do individuo em sociedadcs que nâo 0 conhecem,
de fazer dcle uma unidade de comparaçâo ou um clemento de referênda
universal. (Aqui a1guns objetarâo que todas as sociedades 0 reconhecem de
algum modo; é mais provâvel que sociedades relativamcote simples aprescn-
tem nesse sentido um estado diferente a descrcver e dosar cuidado.fAo
contrano, camo toda categoria concreta e complexa, deve-se fa1.er um esfor-
ça para reduzi-Ia analiticamente a e1ementos ou a revelaçôes quc
padern servir de coordenadas de referência comparativas. Deste po'i.' 0 de
- vista impôe-se uma pnmeira constataçâo: 0 individuo é um valor - ou':":mtes,
ele faz parte de uma configuraçâo de valores sui gefJeris.
Duas confIguraçôes desse tipo' opôem:-se de imediato, as quais caractc-
_ .respectivamente as sociedades. e a modern a_ Nas ...
. coma também oa Republica de Platao, a accoto mClde sobre a 50- ;;" J.o.l-
. ,Il ciedade cm seu cmti!!nto como Homcm co.lctiYo; a ideal defme·se pela or- l ,
J5 ganizaçâo da sociedade cm vista de sens fins (e oao em vista da.felicidadc in- \!
V) dividual); trata-se, antes de tudo, de ordem, de hicrarquia, cada homem par- II
ticuJar deve contribuir em seu lugar para a ordem-g1obal, e a justiça' consiste
cm proporcionar as funçôes sociais com rclaçao ao conjunta:
Para as sociedadcs modernas, ao contrario, 0 Scr humano é 0 homem
"elem..entar", de ser biol6gico e ao mesmo tempo
de sujeito pensante. Cada homem particular encama, oum certo sentido, a
humanidade inteira. Ele é a medida de Iodas as coisas (num sentido plcno
l
todo nove). 0 reine dos fins coincide com os fins legîtimos de cada homcm, e
assim os valores se invertem_ 0 que se chama ainda de "sociedade" é 0 meio,
a vida de cada um é 0 fim. Ontologicamente a sociedade nao existe mais., ela
o é apenas um dada irredutivel ao qual se pede em nada· contrariar as exigên-
0.) cias de Iiberdade e igualdade. Naturalmente 0 que procede é uma descriçâo
V) dos valores, uma visâo do espfrito. Quanta aD que se passa de Jato nessa so-
l'
58
LOUIS
cicdadc, a observaçâo corn fr eqüência nos rcmcte à sociedadc do prirnciro
lipa. Urna socicdadc tal como foi pclo individualismo :xis-
tiu cm parte algurua, pela razâo a que refenrnos, a sabcr, de que 0 tndlVJduo
vive de idéias sociais. Tira-se dai esta conc1 usâo importante: 0 inàivfduo do
'( lipo modcrno naD sc O,Eôe à do !ipo hicrarguÎco_ ,aD
Il toda (e Îsso é verdadclTo para 0 llpO rnodcrno, cm que nao eXIste propna-
11- 'al
J- mente nada a se fal ar de um toda conccptual),
il hQm61ogQ • Apliqucmos a
'1 idéia de Plalao (c de Rousseau) à idéia do paralclismo entre as concepçoes
do homem particuJar e da sociedade: enquanto para Platâo 0 bomem parti- !
cular é concebido como uma sociedade - um conjunto - de tendências ou 1
de faculdades, entre os modernos a sociedade, a naçao, é concebida como 1
um individuo coletivo, que tem sua "vontade" e suas como 0 in- \
dividûo elementar - mas nâo esta coma ele submetido a regras sociais. !
Se se duvidasse do esclarecimento que nossa distinçâo traz imediata-
mente, bastaria reportar-se à sociologia durkheimiana e à confusâo quc nela
introduz a duplo sentido da palavra uindividuo", ou ainda ao "comunisma
primitivo" do evolucionismo vitoriano ou marxista, que confundiu ausência
do indiViduo e propriedade colctivaJ..
Fazcr a hist6ria das origcns da sociologia devcria, ass'.:..n, consistir antes
de tudo cm delimitar sua essência principal, quer dizer, fazer a hjst6ria da
apercepçao socio16gica no mundo moderno. Na França, clé! surgc
na Restauraçâo, coma repercussao das desilusôes trazidas pela cxpr!i.ência
dos dogmas da Rcvaluçâo e coma que implic.ada na exigência socialista de
substituir a organizaçâo consciente pela arbitrariedade das leis econômicas,
Entretanto, pade-se percebê-Ia antes
3b
, por exemplo. no dircito natural, em
3a. Sobre 0 evolucionismo vitoriano, notas cm CiviL lNi. #!J Nous, cap. Il, e '1"'he Individual.." em Essays in
Ho/ICUT of D. P. MuJcvji. A assimilaçao DOtada é IOn:Jldmente Învilida em virtudc do rato de que DOSS3
noçao de propriedadc procede do indMduo. A propoœîto da 5Ociologia eis l,Ima
camderutÎca de Mauss wjas ambigÜÎdade:II devem set adaradas à lm de DOSSa dlstinçio: a prop6cito dos
"sistcmas de prestaÇÔC5 totais .. , num sobre 05 por afinidadc (AJuwairt de l'E... P. H_ E,
section. 1928, p. 4, nota), eJe escreve; "'Talvc c::u!S Uhimas obsuvoçoa causem algivn e.spanJb_ Ptl-
l1I:mfiUl/"tpU abondontzmt:n ID id&u de Morgan (_) tom.arnos en-
prestadas a Dw1chdm salm °comunismo primitivo, stJbre a confus6o dos individu.os na
col7lllnicladL Nada aim al tU conLradilOrio. As socû:dades, mam4 aqudas <['oU SlIp« dcprovidas do
smtido dos dirdJos dos tU\'UU do indt.idu.o, lM diio ('" diio a co4a homcn) um I!lgar absob.aomc-k
pr«iso; à esquuda, à dirdlo 01:. no campo; _ Isso é uma prova de que a indi}idmJ ( • . 0 homDn JXU1ic:u.-
ku) coma, rr.as i wna prt)l.'(J também que cie cona c:xclusivame.nte coquanto ser 5OdaI.men1e
Dado. E1l1reulIuo, cx:om Morgan e Dwlcht:im, 1'"...a t:Or.Jùwoçiio, uogt'fWam 0 anwrfumo do cID, e, CD-
mo MaJinowsJd fez o/)sovar, concederam umo ittsuficimu à jdija de reciprocidaih (passagem
g.rilada por mim)". _ . .
Cl tarnbém °que dO: Mauss Klbre a naçio (abaixo. Ap. D, DOtas 4-8). Relê-se corn cunœildade a Intro-
duçao à sociologia colocada por Georga Davy no inicio de sua pequena Espar:ta
coml.aUu" que um autor lia qualific.do nia consip s.e desembaraçar do labo dualismo lIldJvidUO-5OCle-
dade e justaponha corn dificuJdade, DO fim. das coQLM., a visio individualista e a visio 5OCioJ6tjca. DoDde
uma COIl)O " I.Diluéocia da vida lOcial a vida material, e do_ sa
DO", e 0 d=nvo!vimenlo correspoDdente (Georges Dary, ÉIhncJts tU 1: SCX:Jologle pollll'llU,
M 1950, especiatmente pp. 6, 9). .
3b. Ci "The Modem Conception or the Indiv1dual, Notes on it.s Geoesis", em C01l1ribuûans to lndkuf SoaD-
log)', VIII.
·c
--
/lOMO H1ERARCHlCUS 59
quc ela é um legado conti nuamente diminuido da Idade Média, e cm Rous-
seau, que marca de maneira soberba a pasSagem do homcm natural 30 bo-
mem social ncstas linhas do Contrato Social:
AqueJe que ousar emprcendcf" a inslituiçào de um povo dcve se sentir cm condiçôes de
mudar poc assim dizer a natuf"C.7..a humana, de lransformar cada individuo, que por si mesmo
é um roda perfeito solitario, ml pane de um todo do quaI esse individuo (esse homem) recebe de
a/guma maneira slla vida e seu ser (II, vii, grifos meus).
A mesma apeTcepçaO estâ presentc, numa forma indireta, na con-
cepçâo do Estado de Hegel, concepç..ao que Marx recusa, voltando assim ao
individualismo puro e simples. nâo sem paradoxo da parte de um socialista.
Vma obscrvaçâo sc impôe para englobar a ideologia e seu contexto: es-
sa tendência indiv:dualista que se vê impOr, generalizar-se c se wlgarizar do
século XVllI ao Romantismo e além, acompanha de jato 0 desenvolvimento
moderno da divisào social do trabalho, daquilo que Durkheim chamou de sa'
lidariedade orgânica. 0 ideal da autonomia de cada um se imp6e a homeus
que dependcm uns dos outros no pIano hem mais do que todos os
sens antepassados. Mais paradoxaImente ainda, esses homeus terminam por
remcar sua qen"ça. e imaginar que a sociedade inteira funciona de Cato
e1es pensarà.m. que 0 dominio politico criado por eles deve funciona.r30:. Erra
pela quaI 0 mundo moderno, a França e a AIemanha cm particular. pagaram
rouira caro. Pareee que, corn a relaçâo às socied.ades mais houve
uma troca de pIanos: no pIano do fato, elas justapunham particu1ares idênti-
CDS (solidariedade mecânica) e, no pIano do pensamento, viam a totalidade
coletiva; a sociedade maderna, ao contrario, age cm conjunto e pensa a partir
do fala do aparecimento da sociologia como disciplina parti-
cular que substitui 0 que cra representaçao comum na sociedade tradicional.
4. A IGUALDADE SEGUNDO ROUSSEAU . ..
Chegamos agora ao traça moderno que se op6e mais imediatamente ao
sistema das castas: a igualdade. 0 ideal de liberdade e de igualdade se imp6e
a partir da concepçao do homem coma individuo. Corn efeito, se se supôe
que tod3 a humanidade esta presente em cada homem. cntâo carla homem
deve ser livre e todos os homens sac iguais. É nisso que esses dois grandes
30:. Ttpico, DeSSe 5entido, é 0 desaparecimento da divis.io (social) trabalho na "sociedade" c:omuni5ta de
Man.
3d. A fOrmula é muito ,impies, test.e:munha a soc:iedade das castas, em que a divisio do tnlbaIbo é coloada
$Ob 0 signa do conjunw_ É a "raciooaliz.açao" de cada compartimellto de ,atMdade em roi que carac:te-
riza 0 desenvotvimento moderno da divisio do trabalho. Em sua t.ese wbre La ldks iga/itairer,
pp. 140-148, C Bouglé observa 0 "paradoxo" da beterogeneidade soda! que raz SUIJir oindividualismo
igualit.irio (segundo ele mesmo, Fatud e Simmel: "'Em virtude de um indMduo ser algo todo particular,
e1e se toma iZual a nia importa quaI outra").
ideais da cra modern a haurem sua racional.idade. Exalarncnte ao contrario
de um fim coletivo) rcconhecido camo se impondo a muitos homens, sua li-
berdade élimitada e sua igualdade é em questao.
É surpreendente constatar quao recente c tardio é 0 desenvolvimento
da idéia de igualdade e de suas implicaçôes. El a rcpresenta, no século XVIII,
apenas um papeI cm suma secundario, salvo para HcIvctius c MoreUy. No
pr6prio século XIX, entre os precursores ou os adeptos do socialismo na
França, 0 Iugar relativo da igualdadc e da liberdade é variâvel. Fazer aqui a
bist6na da concepçâo da igual_dade é menos dificil do que scparâ-I a das
idéias pr6ximas a cla. Tentaremos, entretanto, isola-la, guardando scruprc
um mLnimo de perspectiva mstôrica, comparando seu lugar em Rousseau e
cm Tocqueville, corn oitenta anos de intervalo.
Rousseau passa por ter-se insurgido contra a dcsigualdade, mas, na
verdade, suas idéias sâo muito modcradas e, em grande parte,
No Discurso sobre a Oljgem da Desigualdade, 0 primeiro mérito de
é 0 de distinguir entre a desigualdade natural, que é pouca coisa, e a desi-
gualdade moral ou "desigualdade de combinaçao"-'I, que resulta da valori-
zaçâo corn fms socïais da desiguaIdade natural. 0 homem da natureza, cria-
tura grosseira.. que é acessivel à piedade mas nao conhece 0 bem nem 0
que ignora as diferenciaçôes sobre as quais repousam as raroes e a !':oral, às
vezes é dito ser livre e até mesmo conhecer a igualdade (p. 171), 0 que sem
diivida deve ser entendido DO sentido de ausência de desigualdade moral
(mas DaO seria melhor dizer que ele nâo conhece nem um Dem outro dos
apostas?). Ele diz corn todas as letras que a desigualdade é inevitavel e que a
igualdade verdadeira consiste na prpP"rsâ.o (p. zn, nota 19); tem-se aqui,
portanto, algo do ideal de justiça distnbutiva à mancira de Platâo.
No pIano in_e.!iI.?YçJ....tlo_pJli!l.0. p9lilico, a
igualdade 56 pode ser defmida libgsla<iç; a igualdade
ua abjeçâo, sob 0 despotismo que marca a extremidade do desenvolvimento
social, nao é uma virtude. Em suma, a igualdade s6 é boa quando combinada
à liberdade e quando consiste de proporcionalidade, isto é, quando aplicada
razaavelmente (talvez mais eqiiidade do que igualdade). .
No ConlTOto Social (fun do livro I, p. 367), a igualdade é claramente de-
fmida camo Donna politica: ..... 0 pacto fundamental substitui ... por uma
igualdade moral e legilima aquilo que a natureza poderia ter colocado de de-
sigualdade fisica entre os homens".
Se a desigualdade é ma, ela é entretanto inevitavel em certos dominios.
Sc a igualdade é boa, ela é antes de tudo um ideal que 0 homem introduziu
na vida politica para compensar 0 fato inelutavel da desigualdade. Rousseau
provavclmente nao teria esaïto que nos homens nasccm livres e iguais em
direitos". Ele apcnas abriu seu Con/rato Social corn a frase famosa: no ho-
4a. Oeum:s compU:u:s, La t. III, p.174 (Dise. surl'inégaJili, 2
e
partie).
,
HOMO HfERARCI/ICUS 61
mem nasceu livre, e em toda parte esta preso" (grifo meu). Percebe-se c des-
lizamcnto: a vai pretender reali7..ar 0 direito natura! em dJreito po-
sitivo. Vê-se bem, corn Babeuf e a Conjuraçâo dos Estados., coma a reivindi- 1
caçâo iguali târia_varre as reslriçôes os na natureza 1\ 1
do homem, e nao apenas caloca 'a 19ualdade antes da-liberdade, mas estâ )
mesmo apta a baratear a libcrdade p.MJLrealizar
5. A IGUALDADE EM TOCQUEVILLE
Passemos a Tocqueville e sua Da Democracia na América (1835-1840)" .
Tocqueville contrasta as democracias inglcsa, americana e francesa segundo
o lugar relativo que cada uma reserva às duas virtudes cardeais. A
é a liberdade sem guase nada . .... herdou.-l<ID-&r.ande
medida a liberdade e desenvolveu a igJ!algage. A. F!i!i!<;.e§.aJez,se
totalmente sob JUignUJIa..jguaJdade. Na verdade, Tocqueville tem uma con-
cepçâo Mistocratica da liberdade, um pouco como seu mestre Montesquieu.,
e talvez MO tcnha 0 sentimento de ser mais livre como cidadao do que teria
como nobre sob 0 Antigo Regime. Defmiu a dcmocracia pela igualdadc de
condiçôes. (Observemos rapidamente que, como Montesquieu, extravasamos
aqui 0 puro polltiee.) Essa é para ele a "idéia-mae", 0 ideal e a paixâo domi-
nantes e formadores dos quais cIe tenta corn esforço deduzir as caracteristi-
cas da sociedade dos Estados Uni dos (seu lugar sendo devido aos fatores
geograficos. às leis e aos costumes). Essa igualdade, Tocqueville a vê sendo
preparada ha muito tempo. É preciso 1er as paginas notâveis em que cie
mostra que ela foi introduzida na ldade Média pela Igreja (0 C1ero recruta
por toda parte), depois favorecida pel os reis, de sorte que fina1mcnte, nas
condiçôes dadas, todos os progressos concorrem para 0 nivelamentcr>. Toc-
queville considera esse fato tâo claramente inscrito na hist6ria, que nâo hesi-
ta em qualificl-Io de fato providencial, e nao hi d6vida de que sua adesao,
corajosa a principio e sem pre lûcida, à dcmocracia nâa tenha agui raiz:
nào haveria como estabelecer Uinaoposiçâo fIei maior da hist6ria dos paises
cristâos. Tocqueville insistiuJongamente, nessa obra e em 0 Antigo Regime e
a Revoluçao, sobre 0 grau consideravel de nivelamento na França pré-revalu-
cionma, situaçâo que tornava insuportavel 0 que restava nas leis de distinçâo
dos cstados e dos privilégios, e cbamava sua destruiçâ.o. Se Tocqueville tem
s.a. As referënci.u remetem à ediçio da.s Oœvrr.s complàc, Paris, Gallimard, 1961; do mesmo modo para
L'Anden d la Rbolution (1952-1953).
Sb. Para:apreciar 0 resumo histbrico esboçado par Tocqueville sobre a igualdade, poele·se conl.r3stâ-lo com
a anâlise positivista de (op. dl.) que considera sucessivamente coma fatares de igualdade: a
quanticbde de unidades sociais, sua qualidade (bomogeoc idade e bet.ero,geneidade, acima nota 3d), •
cornplicaçio da.s sociedades (diferenciaçao dos papéis e especiali7.açAo dos !fUPamentos), a unificaçio
wcial. BoutJé discute a t.ese idealista (p. 240), mas pensa que: é, antes, 80 contrArio, a morfologia social
que Ca::z aOomrem cc:rtas idéias e: certos valores. Na JUlidade:, 0 problema nâo diz respcito apenas ao
nasdmc:nto do igUalil.ari.sOlO, mas 80 fim da bierarqui4. puna ou medistizada: uma mudança DOS valores..
LOUiS DUMONT
razao, a reivindicaçâo revolucionâria da parecia ler sida antes a ex·
pressao, principa1mcnte para as calegorias inferiores, de uma reivindicaçao
de cssência igualitâri a, a restriçâo da igualdade senda sentida como ausência
de liberdade, mas isso jâ é uma intcrpretaçào.
Corn 0 ris ca de nos afastarmos UID pouca de n OSSQ assunto principal, é
precisa dizer aqui algurnas palavras sobre uma idéia muito importante de
Tocqueville, que diz respeito ao Iugar da ideologia politica moderna no con·
junla dos valOïes. Tocqueville abordou a questao da realizaçào do idcal de-
mocrâtico. Corn muitas franccses de sua épata, cIe se perguntou quaI a cazac
do curso enganoso tornado pelos acontecimentos na França a partir de 1789.
Em suma, a França nao chegava a realizar a democracia de maneira satis-
fat6ria - e ai esta uma das origens do socialismo francês e da sociologia na
França. Tocqueville constatou que a democracia, ao contrario, funcionava
convenientemente nos Estados Unidas. Procurando a razâo dessa disparida-
de, nao se contentou cm relacionâ-Ia ao meio ambiente e à hist6ria, acredi-
tou encoDtrâ-la numa relaçao diferente, de um e de outro lado, entre a paUti-
ca e a religiâo. Desde 0 inîcio de seu livra, cIe lamenta que, na Franca. tenha
havido um div6rcio entre os bornens religiosos e os bomens p.cla..
(l, 9-10), enquanto constata que, nos Estados Unidos, aconteceu
uma aliança entre 0 espîrito de religiâo e espfrito de (l, 42-3). Eis
sua conclusâo (II, 29):
1
'1 Para mim, duvido que 0 homem jamais passa suportar ao mesmo tempo uma completa.
îndependência religiosa e uma inteira liberdade politica; e sou levado a crer que, se cIe nâo tem
a fé, é precisa que ele sirva e, se ele é livre, que creia.
Eis ai um pensamento tao aposta à tradiçâo democrâtica francesa, que
dcve chocar muitos leitores. Ela nos importa .aqui apenas no que concerne à
configuraçao geraI dos valores no universo demacrâtico e sua comparaçao
com a configuraçâo correspondente no universo hierârquico. Tocqueville poe
um limite ao individualismo (politico e reintroduz para 0 homem vivo uma
depen.dência. Esclareçamos. Ha ois as to Primeiro, a separacào necessa-
(1 ru na democracia do domfnÏo religioso e do domfnio polftico, e isso num du-
I
II plo 5entido: par um lada, é preciso gue a do dominio
polîtico e 0 e;ci.stir p'or si mesmo; por outœ..laQQJ mali que 0 dominio
p'olitico se erija cm (Tocque-
ville observa, ainda, que a Rcvoluçâo Francesa procedcu à maneira de uma
revoluçâo religiosa,A. R., 1, 89, 36, 202 e ss.)
Na Amériea, a reIigii!o é um mundo à parte onde reina 0 sacerdote, mas do quai cie
nunca se preocupa em sair; em seus limites, ele deixa os homens a cargo de si mesmos e os
abandona à independência e à instabilidade que sao pr6prias à sua natureza e ao 5eU tempo.
(Dem, Il,33).
-
HOMO HIERARCI/ICUS .3
Observar-se-a que a França consegui u chegar, mais ou menos no sécu-
xx, a realizar essa separaçâo. Mas cssa Dao é a idéia integraI de Tocque-
Il ville; a separacao nao Ihe é suficientc. cie louva sobretudo a
Il dade dos dois domini os tal como iWlcrcebe nos Estados Unidos: "Sc eIe é li-
H C, que clc creia", 0 que signifi ca, se se quiser, que a dominio particular da
politica, erigindo-se absoluta cm sua esfera, nao pode substituir de maneira
viavel 0 dominio universal da religiâo - ou, aprcsscmo-nos cm acrescentar,
da ftIosofia. Para tomar verossLmil essa idéia, seria preciso, ou bem consi-
dera-la sob a _ângulo comparativo, como jâ sc poderia fazer ao término da
leitura da presente obra, ou entâo refletir seriamente sobre as desgraças da
democracia na França do século XIX e na Europa do século XX, a que nao
se tem feito de maneira aIguma
Se
• No nfvel empi:rico, é forçoso constatar que
as duas democracias confirmadas como viaveis nos limites de suas fronteiras
fazem am.bas um apel0 complementar a outra prÎndpio, a americana segun-
do a explicaçâo de Tocqueville, e a inglesa conservando ao Iado dos valores
modernos tanta tradiçâo quanto possive!.
o que ha de mais precioso para n6s, em T ocquêvillc, é seu estudo da
mentalidade igualitâria cm contraste com 0 que ele percebe de mentalidade
hierârquica na França de regime anrigo,!. qual ele ainda esta ligado muito de
perto apesar de sua adesâo sem reservas à democracia. 0 primeiro traço a
sublinhar é °de que a concepçâo da igualdade dos bomens acarreta a de sua
similitude. Eis uma noçao que, se nâo absolutamente nova, se dissem.inou
amplamente e ganhou autoridade desde 0 século xvm, do que testemunha
Condorcet, que acreditava francamente na igualdade dos direitos, mas decla-
rava a desigualdade coma um fato ûtil em certa medida. Enquanto a iguald.a-
de for apenas uma exigência ideal que exprime a passagem 'DOS valores do
hamem coletivo ao bomem individual, eJa nao acarretara a negaçào de dife-
renças inatas. Mas, se a igualdade for concebida camo dada na naturcza do
homem e negada apenas par uma sociedade ma, e coma nâo ha mais em di-
reito diferentes condiçôes ou estados, diferentes espécies de entao
eles sao todos semelhantes, e até mesmo idênticos, ao mesmo tempo que
iguais. É 0 que nos diz Tocqueville: ali onde rema a desiguaJdade, ha tantas
humanidades distintas quantas forem as categorias sociais (II, 21, cf. A. R,
Cap. 7), ao contrârio da sociedade igualitâria (II, 12, 13, 22). Tocqueville nâo
se explica sobre esse ponta, a coisa parece scr evidente; ele parece mesmo
confundir coma todo mundo a forma social e 0 ser "natural" ou UDÏversal.
Existe entretanto um ponta distinguido par cIe, quando op6e a maneira pela
quai a igualdade do homem e da mulher é concebida nos Estados Unidos e
Sc. Uma tal reOexâo devcria evidenl.cmenl.c considenr 0 conjwuo da hist6ria do unr.-erso da dcmoallda
modcrna.- ai por um lado, as gucrns, por outra, 0 Scgundo Impéria, 0 Terœiro Rrich
ou 0 regune estalinista. As vezcs Geosura--5e a RoUMeaU 0 l.cr de abcrto 0 caminho, com·seu dopna da
vootadc teral. ao jacobinismo e ao totalitarismo. Rousseau l.cm sobretudo 0 mérito de ter vista a cootra·
djçâo do individualismo erigido cm religii o: 0 totalîtarismo a Némesis da dcmoaacia abstrata.
1
1
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1
1.
t.
L JûiS iJUMOr .. r
na França: "Hâ pessoas na Eurapa que, confundindo os atributos diversos
dos sexos, prelendcm fazer do bomem c da. mulbcr scrcs nâo exatarncote
iguais, mas semclhantes". Os americanos "as considcram como seres cujo va-
lor é igual, erobora a vida os difcrencie" (II, 219, 222). A dislinçâo expressa·
sc mesmo entre -0 nive} social, onde a mulher permanece inferior, e 0 nivel
intelectual e moral, onde ela é igual ao homem (p. 222).
Em entretanle, comprecndemos aqui, clesse modo, e aIé DO pr6-
pria Tocqueville, 0 processo de imancntizaçâo e de rcificaçâo do ideal que
caracteriza a mentalidade democrâtica moderna. A confusâo entre igualdade
e identidade instalou-se no nivel do senso comum. Ela permitc compreender
uma conseqüência séria e inesperada do igualitarismo. No universo cm que
todos os bomens sâo concebidos nâo mais como hierarquizados cm diversas
espécies sociais ou culturais, mas como iguais e idênticos em sua essência, as
diferenças de natureza e de estatuto entre comunidades sao . algum as vezes
reafirmadas de uma maneira desastrosa: ela é corno concebida coma proce-
dente de caracteres somâticos, é 0
Toda· a segunda parte da Da Democracia na América, publicada em
1840, é um estudo concreto <las implicaÇÔC5 da igualdade <las condiÇÔC5 em
todos os dominios. 0 que pcrmite a Tocqueville traçar esse retrato minucio-
so, notâveL à vezes profético, da sociedade igualitâria é que ele a olha com
simpatia e curiosidade, sem deixar de ter presente no espmto a soci.edade
arislocrâtica, da qual ainda participa de a1gum modo. As propriedades da 50-
ciedade nova surgem para cIe em oposiçâo às da sociedade precedenle. É
graças a essa comparaçâo, anaJoga àquela que esta implicita no trabalho do
etn61ogo que estuda uma sociedade estrangeira, que Tocqueville faz ohra de
soci61ogo num sentido mais profundo do que muÎtos autores posteriores que
nâo sabem sair da sociedade igualitâria.
Essa circunstância permite-nos utilizar Tocqueville em sentido inverso
para aperceber, a partir da sociedade igualitâria e sem sair de nossa civili·
zaçào, a sociedade hierarquica. Basta, coma ele mesmo costumava fazer. ''vi-
rar 0 quagxo". N6s nos contentaremos em cilar, ou um
breve capitulo, que é um dos mais favoraveis nesse e que apresenta
ainda a vanlagem de se Iigar a um tema cm que jâ tocamoS.
6. 0 INDIVIDUAllSMO SEGUNDO TOCQUEVIllE
Do individualismo nos paises democrâticos (Da Democracia na Améri-
ca, II, 2' p., Cap. 2, pp. 105·106):
Sd. cr abaim, Ap. A. - Para Bouyé (op. dL, p. 26), a iguaktade ac:arreta ,jmilitude, uw Dio K!cntidadc.
Arist6te1es ii essinalava a relaçio estttita i!ua1dadc: e "pcrfeita similitude", difettoça e desiguaJ·
dade, MO sem distinguir a igualdade de proporçfio da igualdade pura e limples 1219 a 9, 133l
b 15 e M., 1312 a 28).
1
J1'JMO HIERARCHJCUS
"
... 0 indivjdualismo é uma expressao retente que uma idéia nova fez ntlscer. Nossos pais
s6 conheciam 0 egoismo. 0 egolsmo é um amor apaixonado e exagcrado por si mesmo que leva
o homem a relacionar tudo apeoas a si e a se preferir a tudo. 0 ind ....idualismo é um seotimen-
to renetido e padfico que dîspôe cada cidadâo a se isolar da massa de seus semelhantes e a se
retirar i arte corn sua iamlua e scus ami ; de tal sorte que, tendo assim sido criada uma
quena sociedade pa seu , e e a andana de barn grada a e SOCle a e a si mesma. ( ... )
o mdMduausmo é de ongem demôci'âbca e ameaça se desenvotvet à que as
condiç6es se igualern.
Entre as paves aristocraticos, as familias pcnnanecem durante séculos no mesmo esla-
do, (reqüentemente no mesma lugar. Issa toma, por assim dizer, todas as gcraçôes contem-
poraneas. Um homem conheee quasc lodos os seus anccstrais e os respeita; acredita jâ aperce-
ber seus bisnetos e as ama. Cumpre de boa vontade seus deveres para corn uns e outros, e Ihe
acontece freqüentemente sacrificar seus prazeres pessoais a esses que nao existem mais ou nao
existem As instituiç6es aristocraticas tém coma efcito, ademais, Iigar cstreitamente cada
homem a mUllas de seus concidadaos. Sendo as classes muito distintas e im6veis no &cio de um
JXM> uma se. toma para aquele que dçtjl (az parte uma esproc de pe-
quena patna, malS VlStvel e malS qucnda que a grande. Coma, nas socicdades aristocrnticas., to-
dos os cidadâos estao em posta flIO, uns acima dos outras., disso ainda resulta que
cada um sempre apeIttbe aeuna dele um homem cuja proteçio the é necessaria e. abaixo de1e
um outro horncm cujo concuISO deve exigir. Os homens que vivem nos sécutos aristO:
cratJcos estao, entao, quase Iigados de uma maneira estreita a alguma coisa que esta fora deles
c estao dispostos a se esquecet disso. É verdade que, nesses mesmos séeulos,
naçaa geral snndharrœ obscura e que nao se sonha jamais em se a da para a cau-
sa da bumarudade, mas fn:qiientemcnte se sacrifia pot certos homens.
Nos séculos democ:raticos, ao contririo, cm que OS deveres de cada individuo para corn
a espécie sao muîto mais claros, 0 devotamento em relaçâo .a um homem se tOm.lil mais raro: 0
elo cas afeiçâes humanas se destempera e se abrc. Nos pcvos dcmocr.iticos, nows Wnüias
_saem. &cm cessar do Dada. outras nele caem sem cessac, e todas aquelas que ru:.am mudam de
C3'>.a. a 'x:ama do tempo se rompe a todo momento e a vestigio das ger:açôes se apaga. &;que.
facilmente os que vos precederam, e nao se tem nenhurna idtia daquelel que vos
guttaO. os mais proximos interessam. Otegando cacia classe a se aproximar das outras e a
elas se misturar, &eus membros se tômam e coma que estrangeiros entl'e si. A ans..
toc::r:acia Ïa.era de todos os cidadâos uma longa corrente que remontava do camponés no Tel; a
democracia quebra a ronente e separa cada um de seus elos... Aqueles nào devem. a nin-
guém, por assim dizet n3o·esperam nada de ninguém; babituam-se a se considerar sempre iso-
de boa vontade que sua vida esta completamente cm suas mâl?&-
1"- nao apenas faz cada homem esquecer seus ancestrais, mas também esconde de1e
_ __ descc:ndentes e 0 5epaIa de seus contemporâneos; ela 0 reconduz sem cessar e si mesmo e
ameaça prendUo;-ranahnente, na soIidâo de sei! pr6prio coraçâo: -
É fâcil compreender por que citei longamente esSe texto admirave\. Ele
responde com avanço, por um lado, à quesliio do individua1ismo-levantada
por Max Weber. Opœ claramente 0 individualismo moderno e 0 partieula·
rismo tradicional, coma duas percepçôes ao mesmo tempo apostas da du-
raçao. Ele evoca de um lado um romantismo que nio desapareceu nos nos-
sos dias, mesmo nos circulos sociol6gicos, e, de outra lado, para além da aris-
tocracia ocidental, 0 sistema <las castas e sua interdependência hierarquizada.
Nao encontrei nada melhor para introduzir 0 leitor moderno nesse universo
tao diferente do seu 30 quaI pretendo arrastâ-Io. Ainda_ virao outras passa-
gens que completariio 0 texto citado.
L OUIS DUMONT
7. NECESSIDADE DA
Hâ, entretanto, um ponta em que Tocqueville nos abandona. Nao nos
surpreende constatar que nossos contemporâneos, que valorizam a igualda-
de, acham que a cla 56 podern opor a dcsigualdade. Mesmo entre os soci61o-
gos e os fil6sofos, se a palavra " hierarquia" é pronunciada, parcee que isso se
faz contra a vontade e aos suss urros., coma se ela corrcspondesse às dcsi-
gualdades ioevitavcis ou residuais das aptidôes e das funçôcs ou à cadcia de
romando que toda organi7..açâo arlificial de atividades miiltiplas supêi e: "hie-
rarquia de poder", por conseguinte. Entretanto, isso nâo é a hicrarquia pro-
priamente dita, nern a rruz mais profunda do que é assim chamado. Tocque-
ville, cm contraste, œrtamentc tem 0 sentimento de outra coisa, mas a socie-
dade aristocrâtica, cuja lembrança guard;l.va, era suficiente para !he permitir
o esclarecimento desse sentimento. Os fil6sofos têm cm sua pr6pria tradiçâo
um excmplo mais fcliz, a Rep6blica de Platâo, mas eles parecem embaraça-
dos com ela (cf. nota 2d). Do lado da sociologia, no meio de tantas vulgari-
dades sobre a "estratificaçao social", constitui um mérito do soci610go TaI-
cotI ·Parsons tet colocado em plena luz a racionalidade universa! da hierar-
quia (eu sublinho a1gumas palavras):
A açiio esta orientada para ("(:1"05 objetivos; ela implica também um processo de seleçiio
quanto ft det erminaçio desses objetivos. Nessa perspectiva, todos os componclltes da açâo e da
situaçâo na quaI ela se dcsenvot ...e estio sujeit05 a avaliaçœs_ A avaliaçâo, por sua vez, quan-
do lem como quadro sistemas sociais, produz duas conseqüências Cundamentais. Primeiro, as
unidades do sistema, quer se trate de at05 elementares ou de papéis, de coletividades ou de
personalidades. devcm ser submetidas pela natureza das roîsas a urna tal avaliçâo ... uma vez.
dc:do 0 processo de awlia,âo, é prcciso que de SiIVa para diferenciar estas ou aquelas cntida-
des numa ordem lUaluquica ... Quanto à segunda conseqüência, ela é conhccida e dela depende
a estabilidade dos sisternas sociais; ela enuncia que, &Cm urna integraçiio dos critérias de ava-
liaçâo, as unidades constitutivas nao formariam um "sistema de valores comum" ... .a existência
de um tal sistema participa da mesma natureza da açao, tal como da sc desenvolve nos sjste-
mas sociais (''Nova Esboço de uma Tœna da nn Ekmentos para uma Sociolo-
gia da Açao, pp. 256-257). . - -
Em outros termos, 0 homem nâo apenas pensa, cIe age. Ele nâo tem s6
idéias, mas valores. Adotar um valor é hierarguizar. e um certo consenso so-
bre os vatoTes, uma ccrta hierarguia das idéias, das
dispensâvel à vida social. Isso é completamente independente das desigual-
dades naturais ou da ;epartiçao do poder. Sem d6vida, na maioria dos casos
a hierarquia se identificara de alguma maneira com a poder, mas 0 casa in-
diano nos ensinara que nâo ha Disso nenhuma necessidade. Ademais, é com-
preensivel e.natural que a hierarquia englobe os agentes sociais, as categorias
sociais. Corn relaçâo a essas exigências mais ou menas necessanas da vida
social, 0 ideal igualitârio - mesmo se ele for julgado superior - artificial.
Ele representa uma exigência humana que corresponde, além disso, à esco-
,"""

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"
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-,
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HOMO HIERARCHlCUS
"
lba de ccrtos fIns, uma ncgaçao voluntaria num dominio Tcstrito de um
fenômeno UDÏversal. Nâo mais do que para Tocqueville, nâo se trata para n6s
de colocar esse ideal cm questâo, mas haveria interessc cm compreendcr alé
que ponlo cIe se opôc às tendências gerais das sociedades e: portanto,
ue a sociedade é excepcional e é delicada a rcalizaçao do ideat
igualitârio.
-
Voltar, ap6s Tocqueville, à questao da realizaçiio da democracia é ccr-
tamente uma tarefa muito negligcnciada e que se impôe, mas essa nâo é nos-
sa tarefa aqui. Pretendeu-se apenas marcar corn c1areza 0 ponta em que 0
pr6prio Tocqueville deixa de nos guiar, e 0 mérito do soci610go que 0 faz,
graças à combinaçâo do intelectualismo de Durkheim (para rcconbecer que a
açao é dominada pela representaçâo) c do pragmatismo de Max Weber (pa-
ra se coIocar 0 problema nâo s6 da representaçao do mundo, ' mas também
da açiio nesse mondo representado) . . Voltando ao nosso objetivo pr6prio, ve-
que a negaçao modema da hierarquia é 0 principal obstâcûlo se
opac a compreensao do slStema das castas.
-
-

.I têm em C:Olllum muite mais do qUI: podem pemar COOl ~. falar da ideologia de uma socied3dt: e t~1Ii.!!cndcr a naturez. Se.. podenamos cerlarnente regtstrar observaç6es ioteressantcs. digamos. 5Cd.:iadas.l e em sua coeréocia interna. se fecharia de imedialO. e é ncccssario fixar e escJarccer esse po nta para situar e caracterizar a cmpreitada a que nos dcdi carnos. Pan um exempkl de dî!e~nça considcrivel DO lupr de uma ideokIgis parcia. mas todo enriquecimento -de---oossas concepç6es fundamentais estaria exc1uido par defmiçâo: a circulo que teroos de percorrer. das caslas a 06s. cr. a um Hindu.l. nao se lrata aqu~ digamo-Io de maneira clara. b . Contributioru to Indian Sodo/ogy.p~. in~).s mais precisa mente a an - tropologia social. embonl seja mctodolog:ic:amente cruc:ial Muito brevemente (cf. sua leitura também exige cm ce rta ll1ctlida. os limites e as CODdiçôes de realizaçâo do igualitarismo moral e polîtico ao quâl cstamos vmculadas. s6 aprcscntariJ um inlercsse cspecial se as sociedades " prirnitivas" ou "arcaicas" e as grandes cidlizaçôcs cstrangciras que cla cstuda pro\~essem de lima humanidade difcrente da nossa. nos contcntasscmos corn uma etiqueta tomada de empréstimo às nossas pr6prias sociedades. oocscientemente.. Web of Gcw:nrmt:zrl. é mais favorâvel que -o· eSludo de sociedades simples. em uma palavra. mas nessa relaçao 0 estudo de uma sociedaàe complexa. a hierarquia. 0 postu1ado inîcia. Deve-se observar.-UOta·54.I que li. como ooo<lîçâo de prova.e que c::tiste ut. de n6s às castas c.às vezes contradiç6cs . uma espécie de ideologia-mie ligada à lingu.becimelllO. ver a c:omparaçac do vocabutario cie pam::i1e5CO etl1Je a fndia do Norte e a fndia do Sul em "Ma. pois jamais tcrfamos saido da posiçao inicial. que esse procedlmento é 0 ün.. Ha UID ponto que ~cve ficar hem clara. a ambiçâo dos tr abalhos de que a presente obra faz parte. e sua prelensao de ser "moderno" fica sujeita a discussào.sita de terme p3l'3 designar 1 k'eoIogia g. la.a. cujo oposta foi aprapriado por n6s. no dominio indiano ela nos leva à consideraçao tanto da heranÇ3 literâria e da civilizaçao "superior" quanta da cu1tu. de falo. mm Pode-se compreender sem dificu ldadc quc a pcsquisa assim definida profbe ccrtas facilidades.I é 0 de que a ideoJogia é couroJ com relaçio ao coojunto da realidade social (0 homem.a.is ou menos iOciaI de ~ias e wlores." LVVIS DL'MO.nscreve toda nosso trabalho atual. é precisa pcrsuasâo de que a casta lem alguma coisa a DOS cDsin ar. ele corn certeza marca cstreitos limites para si. suficientemente garantidos para que tcnham algo a temer cm nossas pesquisas.tI ideologia fundatnent. entre uns e outras. pela compreensâo que ofcrece pOlica a pou co das socicdades c cul· turas as mais diferentes. Trilla-se apenas de uma tentativa de apreender' intelectualmente outros valores. Co Ela nio é UJda a realidade social. É evident. cap. e 0 estudo tem seu resultado na tarera dificiI. Os defensores de uma sociologia DOS Antecipemos dUlS palavras: as castas nos ensinam um princfpio social fundamental. evidentemente. coma par aempio as clas5c:s 5Ociaîs. mas essa é a pcrspectiva em que se :.uas . PQde~. É precisa mui ta mais. por uni Iado. clesse ponta de \'. e ac:edetnos ~ ao aspecta c:ouscient. portanto. e das mais cerceadoras. 0 prÏl)cipio igualitârio e 0 principio hierilrquico &10 realidades primeiras. ou ainda de ideolopas parciais. nossa pr6pria espécic de sociedade. caso contririo mo pocIeriam opor suas idé~ e em gen.ico que pcrmile reconhecer eYentualmeDte que 0 postulado inicial é conll"adito pela C. de atacar os valoTes modernos dircta nem sinuosamente. Uma outra man eira de ficarmas fecbados cm nés mesroas consistiria em supor se m dificuldadc que 0 lugar das idéias.l. tudo a que segue. II. tao mais fecunda Quanto seja mais diferente da nossa: pade-se espcrar 0 inicio. ~les nos parccem. respondcrâ a essa questao la • 0 pleno reconhecimcnto da importância da ideolo. fancês na França.~ 05 meios soeWs.. A ques110 do tug:ar ou da fimçio da ~ no conjunto da wciedade deYe RI' dci:mda ml aberto do ponta de vina ontol6gioo. social e culluralmenle menas difere:r. modernos.. Essa é. IX. se nos limitâssemos a considerar 0 sislcma das castas coma mua forma e"trema de "eslratificacâ.iia tem uma conseqüência aparentemente paradoxal. da ideologia na vida social é secundano e pode ser e:~:plicado par outros aspectas da sociedade ou r~duzido a eles. A ct Il ologia. W.\T HOMO HIERARCHICUS 51 mas 0 esforço de atcnç. a ambiçao de chegar a fazê-Io do moQ!"t mais racional e sistematÎeo.o social". pOT rmes nao apenas de fato mas também de direito. bem sinalizadc nesse caso. Entende-se que 0 leitor pode recusar-se a sair de seus' pr6prios valores. recetl· 4emenl. e sera impossÎvel. mas elas sao exprewlS na mesma linguagem: proletArios e eapitaHstas lalam. Ao fazê-Io.q ue a pr cpar açao dcstc li\T O cxigiu e que. portadora de uma grande civilizaçao. A distinçao entre os aspedos ideol6gicos (ou cooscienUs) e os OtIÙ'05 50C in::Ip6e metodoklgicamc:n1e em virtude de uns e outros nia serem c:onhecidos da mesma maneira. laçâo. Tuda 0 que $oC pode supor a priori é que normalmente existe uma relaçio de oomplementaridade. A sociedade indiana pode ser. de uma cornparaçao que sera mais delicada cm outras casas. A anuopol ogia da es sa prova. de algum modo. sta. na volta. Ill". digamo. trazendo assim uma contribuiçao direta e central para nossa cuItura geral c para Bossa cducaçao.Jém dM de grupos mais restritos. no pIano geral e nos detalhes. que se intcrromperâ s~tancialmcnte na descoberta da hierarquia.rnita a ideologill às cl:usc::s wciais e lbe dâ um 5entido puramente negativo. 0 5Oci6~0 oeces.a "popu1ar".c. ~as gue é interessante para se comp. S«ioIogy of lVtowl«i~. AD fazê-Io. a longo prazo. Para as du1CUkIades inex1rinciveis que resultam de um ta! uso na soc:iologia do con. ao gupO ~co ou à soci«!ade giebü Certamente emtem \'ariaçôes . que incidem 50bre um aspedO do slmma $0cial como 0 ~ntesco. . tcr de nOSSQS pr6prios valores uma VÎsao antropo/6gica. de realizar lima "perspe ctivaçao" da sociedade rnoderna corn relaçao àquelas que a precederam e que corn ela coexistem. n. Mas éthe inerente. Pode-se ampliar aqui a questiio do lugar da ideologia na vida social: metodologicamente. da unidade da hurnanidad e. -M:te·Iver. pode aflTlllar que para cie 0 homem começa corn a Declaraçâo dos Direitos do Homem e condenar pura e simplesmcntc a que se afasta dela. do posicionamento re· lativo dos aspectas ideol6gicos e do que ~ pode cbamar de aspectes oAo ideolbpc:os. romo"'"Uma clas$e social ou um mavimento. da vida politica ou da vida social em geral. no fim das contas. Na realidadc. assîm. sei muita ao bem. das crenças e dos valores.ato. cf. pa r outra Jado. que ele sc: liberta taDto do idealismo q uan· to do materialismo ao abrir a um e outto todo 0 campo de açio a que 5e pode pretender cientirv-amente.klbal e nia ?Ode ~ inclinar diante do usa especia. ela aclara. Iançando assim com fins partidirios 0 descrédito 50bre as idéias ou "re:preseo1aç6c:s. coma muitos soci61ogos co ntcmporâncos. entaoserâ inûtil tentar compre"eD(ie'.niage. Sem duvida nao paramas ai. Naa sera precisa cbegar la na presente obra. Se houver uma recusa a isso. f 22): a.~ si~tcma das castas. ~ é. Metodolagîeamente.e de SC1tS atos). Y&lÜVe1. e cla às vezcs a exprime. alias. A palavra "ideologia" dcsigoa comumente um conjunto ma. Stut.." em t eral.agem comwn e.

se a exprime num sentido a ser examinado por n&.é quasc sagrado. O!a. de uma sociedi1de.abstrata. se ela a irriga. sem esse adestramento ~ para Calar mais propriamente. ulilizando de imediato os resulta dos do estudo para fazê-lo refletir. cm suma.. Trataremos cm primeiro lugar da relaçao cntre valores modernos e ideologia. no quaI a "sociedade" tende a surgir coma um resfduo nao humano: a tirani a do nÛInero. Elas sup6em como principio Unico e represenlaçao valorizada a idéia do individuo humano: a humanidade é constituida de homcns.. que talvez fosse necessârio remeter DOSSOS contemporâ- . ela lem suas raizes em alguma co-isa muito difcrcnte: a apercepçâo da narureza social do homem. ou antes •.rna . Eis a rmo pela qual. propôe-se aqu~ cm primeirf. ela representa ainda UID curto-ci rcuil o. .compreendidos ai.-jeal moral e politico . . fcn ômcnos emprcstados a socicdades de lipa difcrc ntc. que permit cm agr upar. nao passui nada acima de suas cxigências IegftlIDas. a SCUS 01h05 sufici cnt em cnlc garan tid a por conccitas como 0 da "cstratifï ca çâo social" c pela cons idcra çâ o das sem eih anças. começarci pelo flll1. representa uma forma do universal ou para saber cm que consiste essa representaçao? Defmitivamcnte. Para 0 momeoto.for tomada como verdade universai.\{ONT HOMO H IERARCHfCUS 51 men as radical aCllsarr! -:-:c. mas nao inûtil. Ao individuo aut o-suficiente ela opôe 0 homem social. é evidentemente muito pouco satisfat6rio para 0 observador da sociedade. Por outra lado. mas tar. sobre os valores modernos. om efeito. cssa mao. 0 INDMDUO E A SOCIOLOGlA 1 j 1 Por um lado.e1a ~partejntcgrantc da sociedade moderna. quase uma revelaçâo pessoal. A idéia queJazemos da sociedade permanece sendo artificial enquanto. e toda grupo hum ana é constituido de ménadas da espécie sem que 0 problema da harmonia entre essas mônadas se coloquc vez algum a para 0 senSQ comum. que podera ser considerada muito elementar. se a sociologia surge como ta! na sociedade igualitâria. Nossas idéias cardinais chamam-se igualdade e liberdadc. até mesmo nas ciências sociais.. Onde estaria a humanidade desse homem. e sem pre difcrcnlcs. enquanto a outra . para aplainar 0 caminho para 0 leitor. de a transcender fmalmente e ai chegar a encontrar alguma verdade para 0 seu pr6prio uso. Essa apercepçao sociol6gica nao é fâcil de scr comunicada ~ um livre cidadâo do Estado moderno qpe nâo a conhecesse. Assim escreveu 0 jovem ~com 0 excesso de um ne6fito: <rÉ a sociedade que pensa dentro de miro".a ver~~deira funçao da sociologia é bem outra. Esse tipo de visâo. elementos que a humanidade inteira ignorava ha menos de um século. Esse indivf- 1 duo . apesar de sua particularidade e fora dela. uma asso-. MO mais como uma encamaçao particular da bumanidade . e!a deve precisamente prccnchcr a' lacuna que a mentalid . entretanto. nao s6 enquanto . a cssência da humanidadc.52 LOUIS DU.ciaç. entre n6s. ré ~ 2. onde sua inteligência. . Fala-se amiude de um pretenso antagonismo entre "0 individuo" e "a socledade" . a saber. ara. dualista introduz ~ J con ode 0 ideal e 0 re . ela é dirctamente contradita pela teona igualitma de yue participarnos. Issa equivale a uma breve introduçao geral à sociologia. . absoluto.a i~eologia modr. ~ ~or que Calo de uma apercepçao socio/6gica. que toda sociedade compartilha de algum modo com seus membros. coma que por uma espécie de contrato. 0 universal s6 pode seT atingi do na espécie através das caracterfsti cas pr6prias. Vma mônada. mas como um. pelo eosino que a faz participar do patrÎm ônÎo comum . Tcremos de voltar a essa idéia fundamental.âo.âo.s CT/ taO de mc rgulh~ r na "culturoJogia" ou na "indologia" c de perder de vista a comparaç.lém coma cxpressao adequada da vida social. É assim que se concebe a classe social ou isso a que se chama Desse nivel de "sociedadc".!IDa bumanidade coletiva particular. Sua emancipaçâo 56 se dâ de maneira rcstrita e corn um csforço concertado. pela aprendizagem da linguagem e da moral. E é Împossivcl compreender uma. cm cerlas condiç6es. Por que ir à fndia sc nao for para co ntri buir para a dcseobcrla de como a socicdade ou a civilizaçao indiana. Consideremos por enquanto alguns de seus traças evidentes. que esta contida no individuo. Ele se insinua. como a palavra coIIVÎda a interpretar. sob cliquetas co rn uns. e depois mais cspecialmente do igualitarismo encarado do ponto de vista sociol6gico. para ser rcal. l\1as uma emp reitada como cssa jam ais pcrmitirâ chcgar ao gcral e. deve assumir a forma de uma eXpcriência.sos val ores é facil de ser encontrada. corn relaçao a nosso prop6sito comparativa. a tftulo preliminar. po r sua pr6pria parti cularidade. e cada um desses homens é concebido como apresentando. scus dircitos s6 sao limitados pelos dircilos idénticos dos outras incüvfduos. 56 aqucle que se volt a corn humildade para a particularidadc mais intima é que mantém abe rta a rota do universal. e este é nassa tcrceiro ponto. ponto de emergência mais ou menos autônomo d~~ . um mal fuico inevitavel oposto à rcalidade psicol6gica e moral.l. S6 aqucle que cstâ apto a consagrar todo 0 tempo nccessârio ao estudo de todos os aspectos da cultura indiana lem a oportunidadc. tentar comprecnder a ideologia do s!~tema das castas. a sociologia é 0 produto. de cada tipo de sociedadc. e de certa modo 3tt mcsmo uma simples coleçao dessas mônadas . a tomemos como uma espécie de associaçao em qne 0 individno totalmente constituido se empenhasse de forma voIuntma oum objetivo de~ terminado.0 que constitui uma profISSaO de indiscutfvel -. con~idera cacia bomem. que é a parte integrante da ideologia correote da igualdade e da liberdade. No universo individualista. a cbave de nc:.ssimo lugar. Pensemos sobretùdo na criança lentamente levada à humanidade pela educaçao familiar. que seriam seus agentes concretos? Essa verdade esta tao longe dos olhos. 0 que é um julgamento ingênuo.=~~~~~:=~~~ uma criar~o.

e social'?" pe%plll1I-se u:m jonuilista ao raenhar esse livro (Y..a. e sobretudo na viagem. R. de construir categorias novas. no Criton. 0 homem age cm funçao do que cie pensa e. Como jA cm Bonald. p. 2c.. digamo-Io com clareza.tJtum estotM a socialid3dc do bomem. p. ela permanece limitada c se toma farisaica. um primeiro lance e de uma vez por todas: ou hem ela se aprofunda e se ramifica em n6s. e sua ligaçâo corn a lio. mesmo se 0 segundo participa de forma tao estreita do prim ciro que dele tira parti do ao vê-Io exaltado.ettns à Iz. de maneira um tanto artifi cial. ou entao. ver 0 rcsumo deA Koyré c::n ÉUldD d·I:is:toire. cm minha maoeira de me situar corn reJaçâo a des. n a~sep~~vam os aspectqs colelivos do homem e os outras: cra-se um h ~cm -por~~ se e!:'!. A partir de- .. se possui cm ceTto grau a faculdade de agenciar seus pensamentos ao seu modo. mj"l« ~ rta/iti. mas ela é fcita de elementos comUDS pan grande parte.Observemos ainda que 0 gênero de noçao que se critica aqui é. Ele me disse maÎS ou menos 0 seguinte: . de si mesma. Sem d(n. ~ preciso 'admjtir que os bomens nia sio ~mert5 !o11l do ambîent. Durante um longo momcnto me perguntci pela tazao dessa trans(onna~o curiosa e repentÎna. pronta.. Nao se concebe.ambard... Mas que estranha esta decJ.m. tcr insistido nessa pr~ -Sen~ do social ao espîrito de cada homem2<=. Eu pense. às at itudes. mcsmo que seja ridiculo ver Dela uma injustificaçâo fornecida ao totalitarismo. A apercepçâo sociol6gica do homem pode produzir-se espontaneamente na sociedade moderna em ccrtas experiências: no exército.nWlçio pes. cuja imagem em devolvida pelos VÏ2inhos. que é 0 homem verdadeiro. às hist6ri. às nQÇÔcs de "representaçôes coletivasn e depois de "consciência coletiva". mesmo os instruîdos. se recusa a rugir.guagem bas la para lembrar esse fato. 117·134. o îndivfduo de ontem sentia-se social. Les Enfarw =-oze. Le Momû. se toma para mim uma vcrdade da experiência. Mas.~. apenas da divisâo do trabalbo.. um trabalho e mesrno u. 0 que nos afasta de reconhecer completamente essas evidências é urna disposiçâo psicol6gica idiossincratica: no momento em que wna verdade repetida.as de meninos-lobos para que rc OctÎssem qu e a consciência indi\idu.quando c:screv:ia "'É!also di7. basta lembrar um exemplo famoso: se Sacrates..m ensino etnol6gico que DaO provoque a apercepçâ!J em questao.ida. frequentelli-ente faz dela uma questao dc economia. No plana do ensino. aos gestos. co rn frcqü ência. Acrescentemos que 0 é tante dessa apercepçâo como de todas as idéias fundameotais. Sabe-se muito bem.HOMO filERARCWnJ'i 55 1 neos. gue termina por se con1 fo rmar ao USD. ct Lucien MaIson.. ele DaO tcm vida social fora da cidade.) Os [Ù050[05 anti~s.a. 2S de D<M:lllbro de 1964. c você na o sera mais do que uma virtnalidaàe de organizaçâo pessoa12b• o primeira mérito da soc:iologia francesa. Durkheim foi censurado por ter recorrido. UOutro dia. Eis 0 aspecto huma· nista essencial de um casino de etnologia. Es al es:sa "signifiœçâo !a!sa" do e'll de que se 1ament. por aemplo.Kva Arthur Rimbaud . e naD ha nada de destruidor cm reconhecer este fato: extirpe de si mesmo 0 material social. no pr6prio Pla tao. Esse pequeDO uemplo Dio pmende de modo . e nao 0 homem particular. lb.foi. Finalmcntc. com relaçao à visao oomumcnte disseminada da consciêocia individual emergindo toda aprcstada. 13). que 0 social con· siste apenas das maneiras de componamcnto do iod ivfduo supostament c todo construido. 12). 0 inicio do século XIX. Nao se pade aqui deixar de sublinhar os méritos d~ etnologia coma disciplina Socio16gica.. clc nao aumentou seu domfnio nos espfritos dcsdc. que é 0 hornem coletivo. propriame~e moderno e de ascendência crislâ. De maneira scmelhantc.. cm n6s.er. Mas Arist6teles rcprovou-lhc essa idéia e se vê. maïo 1871).soas q\le ocupam papéis definidos. para exprimir essa idéia. zcredîta-sc. alguma cois:a bavia mudado em minha relaç!o corn etes.. uma cxperiência individual e Unica.apreender nos outras a modelagem 'pela sociedade de traças que nao vernos. a segunda expressao se presta a confusâo.. Nâo havia mais 'eu e os outros'. Vma idéia comum apresenta-se coma pessoal quando se toma plmamente rcal. que Marcel Mauss ~xercia sobre a maior parte de sens alunos e ouvintes devia-se antes de tudo a esse aspecto de seu eosino. os incovenientes desses termos nâo sao naeta. eu era um deles. um rondiscipulo que oao se destÎnava à etnologia rontou-me que lhe succdera urna coisa estranha. pelo menos na forma desenvolvida e no logar central cm que 0 conhecemos. Sem duvida PIatâo fez nascer sua Repûblica. de imaginar que 0 que DOS acontece é ûnico..!!l<:. é porque. enquanto estudo apenas da sociedade modema. Bizarra confusâo: existe uma pessoa.orfIk. ao contrario. De repente ela me surgiu: cra 0 cnsÎnamento de Mauss". uma cidade. essa apercepçâo deveria ser a oc-A -bâ da Soci%gia. bas ta observa r que os homens CQnCTetos nao sc componam : etes agem corn uma idéia na cabeca. 6 de maio de 1964. cie a fu a partir das categorias que SaD socialment~ dadas. até os cst6icos. pp. que cm ai mesm.um pouça como a pesquisa etnoI6gica . Mais ou menos no final da preparaçao para 0 Ccrtificado de etnologia. segundo a racionalidade quase estritamentc hicrarquica que reina na Repûblica. Os romances estae cheies de exemplos desse tipo: ternes tmla necessidade estranha. quando cIe é apenas 0 pao e <> fel comuns de nossa coletividade ou humanidade particu1ar. Dever-se-ia ~ A1ÇIbn me peœa" (I. Permitam-me aqui uma anedota que apresenta um Cl:cmplo surprcendcnte de aper· cepçao sodol6gica. no plana cientifico. Trabalhos haje em dia cansideradas sociol6gicils testemunham-no cm grande quaritidade.:=J prO":ém do ~ d cstramento 50ciap. eu de bam grado imagina que a Ur<t'enteÎ. 0 eocanto. eu diria quase a fascinaçao. percebi de repente que nao olhava para os meus coinpanheiros de viagem como de costume. cm virtude de seu intelectualismo. para reconhecê-lo coma nosso. organismo tanto social quanto polilico.a "'a org.r&çio atribulda a Utta romandsta COIltemporineo: "0 tmk:o mcio de J:IIo utar saz:inho f: nio pensar maiI. mas jA a1udi 80 Cata de que a 5ociologia. por exemplo. mas até entao estranha. em LaSSOS dias. (Pode-se inclusive perguntar se la. A esse respeito. ou quando tomamos por "pessoais". no fun das contas.soal" nie ~ indcpcndenle das relaçôc:5 rom ou· tnls pes.È~o de. oum ônibus. Ela nao é completamentc adquirida com.."(u M. que nos permite . percebera sua peISOnalÎdade como ligada à linguagem. no parti do polîtico c cm toda coletividade fortemente unida.

0 ûnÎco viés pelo qual podemas camprccndê-Ias.... 0 reine dos fins coincide com os fins legîtimos de cada homcm. fr. 0 individuo. uma atitude c:ondescendente ou hoslil cm face da considernçio 5Ocio16gica. para cercar 0 problema sociol6gico do individuo. Assim serA evitada a generalizaçâo.eira c a relegar as outras cultw'as a uma apécie de 5ub·bumanidade.HOMO HIERAlICHlCU. ou sociedades ditas "'primitivas. partindo da igualdade como valor moderno. Um leitor que nao tcoba nenhuma idéia dessa apercepçâo ou que. a humanidade inteira. para começar.aJd. para colocar em relevo em contrapartida.iz. Nio 0 ê mai:s entre os filô5ofos poliûa:lS que sc J. Ele é a medida de Iodas as coisas (num sentido plcno todo nove). ta1vc:z se deva levar em CODliideTaç. Par oposiçâo à sociedade modcrna. em primciro Jupt.lio (/lfII'Odlu:tion à Jo ~ lÛ PkrIon. tradicion~ e a socied~de. aa:cdita4C ver na primeira coma a opor1wtidade de uma reOaio ~ 0 totalitarismo.. ao contrario.meoto paradoxal da tDdiçio ocidcn1al.eresse. portanto. c:Io5 c:oWaccimeD1o5 a)D(juzir à r-eDOYaÇio-de:ssas quest6es. pp.. ela é apenas um dada irredutivel ao qual se pede em nada· contrariar as exigên0. Quanta aD que se passa de Jato nessa so- \! o l . al. camo toda categoria concreta e complexa. Nesse ûlHmo casa. antes de tudo.. cL os dois 'Volumes de Philosophy.. um nwxirta coma Marcuse. as quais caractc_ ~~~ .riste ai um. de hicrarquia.:aquem a apercePÇâllSocic16gica se exprime ii"uma forma' cxtremameote indireta. 1. em conseqüência. de ordem. por outro.ântico ou fil6sofo moderno. .er um esforça para reduzi-Ia analiticamente a e1ementos ou a revelaçôes unive rsa~ quc padern servir de coordenadas de referência comparativas. p. seria agora de nova (scgundo Burckhard t) mui ta preciosa p a ra a ciê ncia . nota 13. presente cm toda socicdade... cla nos é prescrira. do ponta de vista hist6rico.açOes. elas sio puB c simp1esmentc ~ de lado. .'i 57 la.felicidadc inV) dividual).' 0 de . vejamo-lo coma rOIL. 95.ua. e a justiça'consiste cm proporcionar as funçôes sociais com rclaçao ao conjunta: Para as sociedadcs modernas. Esta aî. que ignoram a igualdadc e a überdade como val ores."'. Naturalmente 0 que procede é uma descriçâo V) dos valores. as sociedades tradicionais. coma também oa Republica de Platao. muitas imprecÎ5ôcs e dificuldades provêm do que nao se cooscgue distinguir no Hindividuo": . Ontologicamente a sociedade nao existe mais. ~J prunelras. seja considerado como tal e recom coda que se utilize outra palavra para designar 0 aspecta em pmco.o.. Reasoo and RDoIuzion. cada homem par. nota 23): ld. um hegelo-kan!iaoo como Eric Weil. ponta de partida de uma sociologia comparativa. dcpois. com dois objetivos: por um !ado.a convergëoci.io ~ objeto de uma re1le:xio aprofundada.)~ ".epûblica de P\a. urna anâlise radical desses conccitos. podemos comprecnccr que a p c r cepçao~nps mcsipOs como indivîduos nao é inata. Os fil6s0fos leodcm Mtura1Jneotc a identificat 0 ambieote em que se deseDVOlveu a tnadiçio fiIos6fica com a huma.entar". modern a_ Nas . (Aqui a1guns objetarâo que todas as sociedades 0 reconhecem de algum modo. que é nesse particular a maté ria· prima principal de Ioda sociologia. e assim os valores se invertem_ 0 que se chama ainda de "sociedade" é 0 meio. a ideal defme·se pela or. Duas confIguraçôes desse tipo' opôem:-se de imediato. . se situam muito estreitamenle DO univerw do indMduo e c:x:ibem. Em liltima anMise. Conseqüência imediata: a idéia do individuo constitui-se T!'Lnl problema para a sociologia. E. traça-nos um programa de trabalho quando escreve numa nota de sua Ética Protestante (ed. a seu oposto. por inadvertência da presença do individuo em sociedadcs que nâo 0 conhecem. 0 agcntc empiri co. ind ivisivet)~ sob_s. Correlll1ivaJ:oeD a COGtnbuiçio de Durtheim c de Max Weber ~ îgnonIda. Sem Calar de Sartre.ou':":mtes.fAo contrano. p. Nc:sse sectido. e nossa apcrcepçâo (residual) do homcm social é a t'mica ligaçâo que DOS une a elas.mellte. 01 problcmas da filosofia politica sc apresen· {am de: modo lIluilo diferente na J. Em vez de 0 progressa. J5 ganizaçâo da sociedade cm vista de sens fins (e oao em vista da.respectivamente as sociedades. N6s a utilizaremos. em nossa pr6pria cultura. onde aquilo a que chama ~edade" ~ a wdedade dvil pura e simples. possucm no fundo uma idéia coletiva do homem. INDIVIDUALISMO E HOLISMO A apercepçâo socioI6gica atua contra a vlsaO individualista do homem. is!o é proprio de n6s.vista impôe-se uma pnmeira constataçâo: 0 individuo é um valor .l . A comparaçâo socioI6gica exige q~e a individuo.) cias de Iiberdade e igualdade. :_. ainda. a partIr da boa tesc de Bonald. a des.i&am a um ou outto desses auton::s. apesar dos graves problemas que a sobre:carrepm. é mais provâvel que sociedades relativamcote simples aprescntem nesse sentido um estado diferente a descrcver e dosar ~Jm cuidado. Polilia 0IId Scde!y. 00 sentido pieno do tenno. a hierarquia.a nativel entre teGdéncias mwto diferenies entre ii e um retrai.Iorn:!<} de ser biol6gico e ao mesmo tempo de sujeito pensante. deve-se fa1. Para começar. uma visâo do espfrito. mas aprcndida. Em Hegel c cm Man. oum certo sentido.. Of&) a. desembaraçaDdo-as de am evoh:lcionismo ~. nossa sociedadc nos prescreve a obrigaçao de sermos livres.iO a data dessa5 publicaçOes (1945. trata-se.II ticuJar deve contribuir em seu lugar para a ordem-g1obal. de fazer dcle uma unidade de comparaçâo ou um clemento de referênda universal.coberta das outras a. 0 Scr humano é 0 homem "elem. cm suma. Max Weber:-pa.l. se tram!otmo u numa reatinnaçio IOICDC do jdœJ democ:ritico. Como Durkheim disse aproxirn adam cnte. 0 s uje ito n o rm a tivo das insti t uiçôcs. LasicI! a nd ftu ndmJI n. sua Philosophie politiqu. coma testemunham os valores de igualdade e de lîberdade. que ignoram. e 4lé melmo 0 lamentado ~ Koyré. a vida de cada um é 0 fim. 1946).. a accoto mCld e sobre a 50. é uma Tcprcsentaçao ideacional e ideal quc possufmos. depois..nsIa1ena. . sua concJusâo in~rada ao estudo citado wbre Bon.lctiYo. trad. e também iua rnaneira indireU e coma que sub· repdcia de apresentar a hlenrquil na R.~. o terma indi vidua lis mo recobre as noçües mais helcrogè ncas que sc passa imaginar. coma talvez a maioria dos fù6sofos de hoje." J. pode-se sté mesmo natar um retrocesso. ~ ele faz parte de uma configuraçâo de valores sui gefJeris. imposta pela sociedade cm que vivernos. especia. ° 3.Il ciedade cm seu cmti!!nto como Homcm co. (Sem dû· vk1D a.). ua objdo de mt. Deste po'i. 131 eu. nao a reconheça como fundada em verdade1tl continuarâ sem proveito ~ a leitura deste trabalho.122. c a histOria polilica dos a:nto e dnqücnta 6!timo5 aDOS o. 2 . 0 set de razao.il.lguma 0 que precede ~ muito parcial. Cada homem particular encama.cidade int.l.

J!!!!.Diluéocia da vida lOcial ~ a vida material. a observaçâo corn freq üên cia nos rcmcte à sociedadc do prirnciro lipa.. . E1l1reulIuo. P.Ifkbe~ eis l. Ap. A assimilaçao DOtada é IOn:Jldmente Învilida em virtudc do rato de que DOSS3 noçao de propriedadc procede do indMd uo.. A IGUALDADE SEGUNDO ROUSSEAU . a sociedade maderna. Apliqucmos a ogQ O '1 idéia de Plalao (c de Rousseau) à idé ia do paralclismo entre as concepçoes do homem particuJar e da socieda de: e nquanto para Platâo 0 bomem parti.. e '1"'he Individual. se se supôe que tod3 a humanidade esta presente em cada homem. ass'.!~Q. que por si mesmo é um roda perfeito solitario. _ Isso é uma prova de que a indi}idmJ ( • . Entretanto. É nisso que esses dois grandes 30:. Il il 3a.ades mais simpl~. 9). A mesma apeTcepçaO estâ presentc. 4. Relê-se corn cunœildade a Introduçao à sociologia colocada por Georga Davy no inicio de sua pequena Sociol~ie J'O.n. nota). Espar:ta coml. Vma obscrvaçâo sc impôe para englobar a ideologia e seu contexto: essa tendência indiv:dualista que se vê impOr. e 0 d=nvo!vimenlo correspoDdente (Georges Dary. A fOrmula é muito . mas_com ~.U_. ° ·c ° -- . Ttpico. M 1950. mam4 aqudas <['oU ~ SlIp« dcprovidas do smtido dos dirdJos ~ dos tU\'UU do indt. esses homeus terminam por remcar sua qen"ça..io (social) ~ trabalho na "sociedade" c:omuni5ta de Man. é concebida como 1 um individuo coletivo. que marca de maneira soberba a pasSagem do homcm natural 30 bomem social ncstas linhas do Contrato Social: AqueJe que ousar emprcendcf" a inslituiçào de um povo dcve se sentir cm condiçôes de mudar poc assim dizer a na tuf"C.~Isso fala do aparecimento da sociologia como disciplina particular que substitui 0 que cra representaçao comum na sociedade tradicional. Erra pela quaI 0 mundo moderno. 1928. 0 ideal da autonomia de cada um se imp6e a homeus que dependcm uns dos outros no pIano materi~ hem mais do que todos os sens antepassados. 5~.mente nada a se fal ar de um toda conccptual). rr. MuJcvji. que 0 dominio politico criado por eles deve funciona.idu.7. é 0 desaparecimento da divis.'(J também ~ que cie cona c:xclusivame.ese wbre La ldks iga/itairer.. stJbre a confus6o dos individu. inte~~ e mo~l do_ sa ~~­ DO".§~ .e desembaraçar do labo dualismo lIldJvidUO-5OCledade e justaponha corn dificuJdade. Fazcr a hist6ria das origcns da sociologia devcria..impies.do nia consip s.! cular é concebido como uma sociedade . Corn efeito. 4.. Pareee que. no pIano do pensamento. . d e lransformar cada individuo. "'Talvc c::u!S Uhimas obsuvoçoa causem algivn e.a humana. das coQLM. em quc ela é um legado conti nuamente dim inuido da Idade Média. test.E toda (e Îsso é verdadclTo para 0 llpO rn odcrno. ! Se se duvidasse do esclarecimento que nossa distinçâo traz imediatamente. e cm Rousseau. section. DoDde uma ap~ COIl)O " I.Jùwoçiio. acompanha de jato 0 desenvolvimento moderno da divisào social do trabalho.Ima ~em camderutÎca de Mauss wjas ambigÜÎdade:II devem set adaradas à lm de DOSSa dlstinçio: a prop6cito dos "sistcmas de prestaÇÔC5 totais . daquilo que Durkheim chamou de sa' lidariedade orgânica. Chegamos agora ao traça moderno que se op6e mais imediatamente ao sistema das castas: a igualdade.spanJb_ Ptldu.os (~ dos~) na col7lllnicladL Nada aim al tU conLradilOrio.as i wna prt)l.lit/~~. DO fim. nâo sem paradoxo da parte de um socialista. DeSSe 5entido.rilada por mim)". corn a relaçâo às socied. Mais paradoxaImente ainda. 0 ideal de liberdade e de igualdade se imp6e a partir da concepçao do homem coma individuo. a visio individualista e a visio 5OCioJ6tjca. numa forma indireta. H_ E. ÉIhncJts tU Soc/Ol~. #!J Nous. cm que nao eXIste propna1'a 1. Em sua t.lLQmGm.r30:. no campo. lM diio ('" diio a co4a homcn) um I!lgar absob..um conjunto . entre os modernos a sociedade. 3d. no dircito natural.a t:Or. e1e se toma iZual a nia importa quaI outra")..aD .~-in l1I:mfiUl/"tpU abondontzmt:n ~ ID id&u de Morgan (_) ~oqudtuque tom.. cntâo carla homem deve ser livre e todos os homens sac iguais. VIII. Notes on it. em que a divisio do tnlbaIbo é coloada $Ob 0 signa do conjunw_ É a "raciooaliz.o. Na França.ada na exigência socialista de substituir a organizaçâo consciente pela arbitrariedade das leis econômicas. generalizar-se c se wlgarizar do século XVllI ao Romantismo e além. Sobre 0 evolucionismo vitoriano... clé! surgc sobr~tudo na R estauraçâo. ou ainda ao "comunisma primitivo" do evolucionismo vitoriano ou marxista. . cap. Tira-se dai esta conc1 usâo importante: 0 inàivfduo do '( lipo mod crno naD sc O ôe à sodc:.. 140-148.açao" de cada compartimellto de .m.ku) coma.. concederam umo ~ ittsuficimu à jdija de reciprocidaih (passagem g. _ . a naçao.~~de do !ipo hicrarg uÎco_CQm?_~"p'arlc ..ç9. em C01l1ribuûans to lndkuf SoaDlog)'.. pagaram rouira caro. a sabcr. por exemplo.aUu" que um auto r lia qualific. houve uma troca de pIanos: no pIano do fato. concepç. elas justapunham particu1ares idêntiCDS (solidariedade mecânica) e. 6. 3b. C Bouglé observa 0 "paradoxo" da beterogeneidade soda! que raz SUIJir oindividualismo igualit. cx:om q~ Morgan e Dwlcht:im. ml pan e de um todo do quaI esse individuo (esse home m) recebe de a/guma maneira slla vida e seu ser (II. à dirdlo 01:. de que 0 tndlVJduo vive de idéias sociais. à esquuda.. Il.ência dos dogmas da Rcvaluçâo e coma que implic. age cm conjunto e pensa a partir do individuo"' . notas cm CiviL lNi. que confundiu ausência do indiViduo e propriedade colctivaJ." em Essays in H o/ICUT of D.!!. 1: SCX:Jologle pollll'llU.de tendências ou 1 de faculdades.\ dividûo elementar .men1e ~1erml­ Dado. U rna socicdadc tal como foi conceb id ~ pclo individualismo n~n~ :xistiu cm parte alguru a. consistir antes de tudo cm delim itar sua essência principal._à ~$§~!!filiQ. C l tarnbém que dO: Mauss Klbre a naçio (abaixo. Ci "The Modem Conception or the Indiv1dual. e imaginar que a sociedade inteira funciona de Cato ~wmo e1es pensarà. grifos meus).. quer dizer. num arti~ sobre 05 ~nt. DOtas 4-8).arnos enprestadas a Dw1chdm salm comunismo primitivo. P.:.csros por afinidadc (AJuwairt de l'E. que tem sua "vontade" e suas '(relaçôe~" como 0 in. CDmo MaJinowsJd ~ fez o/)sovar. uogt'fWam 0 anwrfumo do cID. As socû:dades.0 homDn JXU1ic:u.~ondcI. 2~. Fatud e Simmel: "'Em virtude de um indMduo ser algo todo particular. 1'". bastaria reportar-se à sociologia durkheimiana e à confusâo quc nela introduz a duplo sentido da palavra uindividuo".s Geoesis". voltando assim ao individualismo puro e simples. eJe escreve. ao contrario. vii.ao que Marx recusa. pp. pade-se percebê-Ia antes3b.nte coquanto ser 5OdaI. D.mas nâo esta coma ele submetido a regras sociais. p.e:munha a soc:iedade das castas. na concepçâo do Estado de Hegel. e. A propoœîto da 5Ociologia dl. viam a totalidade coletiva.L J:!!!Q. coma repercussao das desilusôes trazidas pela cxpr!i.irio (segundo ele mesmo.atMdade em roi que carac:teriza 0 desenvotvimento moderno da divisio do trabalho.aomc-k pr«iso.l' 58 L O UIS DI'~/ON"[ /lOMO H1ERARCHlCUS 59 cicdadc.. fazer a hjst6ria da ap ercepçao socio16gica no mundo moderno.lgu l 9~ J _ hQm61 •. a França e a AIemanha cm particular. especiatmente pp. pela razâo a q ue refenrnos.

Ele diz corn todas as letras que a desigualdade é inevitavel e que a igualdade verdadeira consiste na prpP"rsâ. a igualdade s6 é boa quando combinada à liberdade e quando consiste de proporcionalidade. A. e a desigualdade moral ou "desigualdade de combinaçao"-'I. La P1~iade. coma a reivindi.) que considera sucessivamente coma fatares de igualdade: a quanticbde de unidades sociais. zn. puna ou medistizada: uma mudança DOS valores. Rousseau provavclmente nao teria esaïto que nos homens nasccm livres e iguais em direitos". s. a unificaçio wcial. Defmiu a dcmocracia pela igualdadc de condiçôes. depois favorecida pel os reis.m(:Lajgualdad~ 5. que resulta da valorizaçâo corn fms socïais da desiguaIdade natural. III.jguaJdade. É surpreendente constatar quao recente c tardio é 0 desenvolvimento da idéia de igualdade e de suas implicaçôes. que é pouca coisa. Se Tocqueville tem . extravasamos aqui 0 puro polltiee.HOMO H fERARCI/ICUS 61 ideais da cra modern a haurem sua racional. 1961.s sociedades (diferenciaçao dos papéis e especiali7. corn oitenta anos de intervalo. . Ten taremos.ero. mas estâ ) mesmo apta a baratear a libcrda de p. ela é entretanto inevitavel em certos dominios... mas pensa que: é.ande medida a liberdade e desenvolveu a igJ!algage.91!'s!!o F!i!i!<. portanto.se totalmente sob JUignUJIa. A Ing~terra é a liberdade sem guase nada (kjgualdJul~ .o (p. nessa obra e em 0 Antigo Regime e a Revoluçao. BoutJé discute a t. por uma igualdade moral e legilima aquilo que a natureza poderia ter colocado de desigualdade fisica entre os homens".u remetem à ediçio da. 0 problema nâo diz respcito apenas ao nasdmc:nto do igUalil.o. em grande parte.0. sua qualidade (bomogeoc idade e bet. a No pIano econômic~~-.. Em suma. e cbamava sua destruiçâ. nao é uma virtude.174 (Dise. 0 primeiro mérito de Rou~eau é 0 de distinguir entre a desigualdade natural. (Observemos rapidamente que. A IGUALDADE EM TOCQUEVILLE Passemos a Tocqueville e sua Da Democracia na América (1835-1840)" ... Sc a igualdade é boa. Fazer aqui a bist6na da concepçâo da igual_ dade é menos dificil do que scparâ-Ia das idéias pr6ximas a cla.aJez. Gallimard.0 pacto fundamental substitui ... e nao apenas caloca 'a 19uald ade antes da-liberdade.r3stâ-lo com a anâlise positivista de Bougl~ (op. Paris.. quando aplicada razaavelmente (talvez mais eqiiidade do que igualdade).a..:jesÏ!mi!l~de_ ~ in_ igualdade 56 pode ser defmida ing!'p~l!ct~!!l!'-'!!f!!~a libgsla<iç. guardando scruprc um mLnimo de perspectiva mstôrica. e talvez MO tcnha 0 sentimento de ser mais livre como cidadao do que teria como nobre sob 0 Antigo Regime.idade.1 caçâo iguali târia_varre as reslriçôes q~e os fù6~ofos encon~avam na natureza 1\1 do homem.. 171). ta em qualificl-Io de fato providencial. às vezes é dito ser livre e até mesmo conhecer a igualdade (p. à dcmocracia nâa tenha agui ~ua raiz: nào haveria como estabelecer Uinaoposiçâo fIei maior da hist6ria dos paises cristâos.. 0 Iugar relativo da igualdadc e da liberdade é variâvel... que nâo hesiadesao.geneidade..sOlO. comparando seu lugar em Rousseau e cm Tocqueville.. antes. na verdade.-l<ID-&r. 0 homem da natureza.. acima nota 3d). Para:apreciar 0 resumo histbrico esboçado par Tocqueville sobre a igualdade.s complàc. como Montesquieu. mas 80 fim da bierarqui4. 240). ela é antes de tudo um ideal que 0 homem introduziu na vida politica para compensar 0 fato inelutavel da desigualdade. algo do ideal de justiça distnbutiva à mancira de Platâo. a igualdade é claramente defmida camo Donna politica: . Vê-se bem. É preciso 1er as paginas notâveis em que cie mostra que ela foi introduzida na ldade Média pela Igreja (0 C1ero recruta por toda parte).p9lilico. Na JUlidade:. isola-la. mas.e§. Essa igualdade. entre os precursores ou os ad eptos do socialismo na França.) Essa é para ele a "idéia-mae". ~érica herdou.MJLrealizar utQpj. apenas um papeI cm suma secundario. No ConlTOto Social (fun do livro I. criatura grosseira. Percebe-se c deslizamcnto: a Revo~o vai pretender reali7. surl'inégaJili. Exalarncnte ao contrario de um fim coletivo) rcconhecido camo se impondo a muitos homens. No Discurso sobre a Oljgem da Desigualdade.. sua As referënci. E le apcnas abriu seu Con/rato Social corn a frase famosa: no ho4a. sob 0 despotismo que marca a extremidade do desenvolvimento social. • cornplicaçio da.tam. Tocqueville considera esse fato tâo claramente inscrito na hist6ria. salvo para HcIvctius c MoreUy. mem nasceu livre. Rousseau passa por ter-se insurgido contra a dcsigualdade. 2e partie).. .!iI. a igualdade ua abjeçâo. sobre 0 grau consideravel de nivelamento na França pré-revalucionma.ari. t. no século XVIII.ese idealista (p... suas idéias sâo muito modcradas e. R~v. Tocqueville tem uma concepçâo Mistocratica da liberdade. um pouco como seu mestre Montesquieu. tem-se aqui. Na verdade. entretanto.. . 367). dl. a morfo logia social que Ca::z aOomrem cc:rtas idéias e: certos valores. p. Ela rcpresenta. 80 contrArio. Tocqueville insistiuJongamente. de sorte que fina1mcnte. 0 ideal e a paixâo dominantes e formadores dos quais cIe tenta corn esforço deduzir as caracteristicas da sociedade dos Estados Uni dos (seu lugar sendo devido aos fatores geograficos. isto é. Oeum:s compU:u:s. todos os progressos concorrem para 0 nivelamentcr>. Sb. nota 19). No pr6prio século XIX. Se a desigualdade é ma. Tocqueville a vê sendo preparada ha muito tempo. sua liberdade élimitada e sua igualdade é po~ta em questao.açAo dos !fUPamentos). poele·se conl.?YçJ. e nao hi d6vida de que corajosa a principio e sem pre lûcida.e.ar 0 direito natura! em dJreito positivo. situaçâo que tornava insuportavel 0 que restava nas leis de distinçâo dos cstados e dos privilégios. americana e francesa segundo o lugar relativo que cada uma reserva às duas virtudes cardeais.s Oœvrr. p. Tocqueville contrasta as democracias inglcsa. e. e em toda parte esta preso" (grifo meu). que é acessivel à piedade mas nao conhece 0 bem nem 0 m~ que ignora as diferenciaçôes sobre as quais repousam as raroes e a !':oral.tlo_pJli!l. do mesmo modo para L'Anden ~ d la Rbolution (1952-1953).. às leis e aos costumes). nas condiçôes dadas. tradicion~is. 0 que sem diivida deve ser entendido DO sentido de ausência de desigualdade moral (m as DaO seria melhor dizer que ele nâo conhece nem um Dem outro dos apostas?). corn Babeuf e a Conjuraçâo dos Estados.

As vezcs Geosura--5e a RoUMea U 0 l.. ou bem consiângulo comparativo.3 razao. é precisa dizer aqui algurnas palavras sobre uma idéia muito importante de Tocqueville. quando op6e a maneira pela quai a igualdade do homem e da mulher é concebida nos Estados Unidos e ° Sc. 0 primeiro traço a sublinhar é de que a concepçâo da igualdade dos bomens acarreta a de sua similitude. Corn muitas franccses de sua épata. Mas. se se quiser. as gucrns. (Tocqueville observa. a coisa parece scr evidente. 12. R. ou entâo refletir seriamente sobre as desgraças da democracia na França do século XIX e na Europa do século XX.cmenl. de um e de outro lado. 21. seria preciso. ao contrario. que acreditava francamente na igualdade dos direitos. 13. 9-10). 7). que dcve chocar muitos leitores. é forçoso constatar que as duas democracias confirmadas como viaveis nos limites de suas fron teiras fazem am. erigindo-se absoluta cm sua esfera.inou amplamente e ganhou autoridade desde 0 século xvm. mas declarava a desigualdade coma um fato ûtil em certa medida. entao eles sao todos semelhantes. É 0 que nos diz Tocqueville: ali onde rema a desiguaJdade. nos Estados Unidos. do que testemunha Condorcet. cf. Ha ois as to Primeiro. ele parece mesmo confundir coma todo mundo a forma social e 0 ser "natural" ou UDÏversal. em seus limites. 1. a separacao nao Ihe é suficientc.ade for apenas uma exigência ideal que exprime a passagem 'DOS valores do hamem coletivo ao bomem individual. mas do quai cie nunca se preocupa em sair. cie louva sobretudo a complemegt~ri: 1 Para mim. II ru I Eis ai um pensamento tao aposta à tradiçâo democrâtica francesa. e sou levado a crer que. e a inglesa conservando ao Iado dos valores modernos tanta tradiçâo quanto possive!. Enquanto a iguald._é.c considenr 0 conjwuo da hist6ria do unr.ou. e isso num duplo 5entido: par um lada. ao contrârio da sociedade igualitâria (II. a americana segundo a explicaçâo de Tocqueville. a que nao se tem feito de maneira aIgumaSe• No nfvel empi:rico. 29): '1 Observar-se-a que a França consegui u chegar. por um lado. ainda.cla. a realizar essa separaçâo. nao se contentou cm relacionâ-Ia ao meio ambiente e à hist6ria. Il. Tocqueville abordou a questao da realizaçào do idcal democrâtico. 0 Terœiro Rrich ou 0 regune estalinista. A. 22). nao pode substituir de maneira viavel 0 dominio universal da religiâo . Uma tal reOexâo devcria evidenl.stir p'or si mesmo. mais ou menos no sécul~ xx.dência. enquanto constata que.cr de abcrto 0 caminho. Existe entretanto um ponta distinguido par cIe.cm sobretudo 0 mérito de ter vista a cootra· djçâo do individualismo erigido cm religiio: 0 totalîtarismo ~ a Némesis da dcmoaacia abstrata. e até mesmo idênticos. Corn 0 ris ca de nos afastarmos UID pouca de n OSSQ assunto principal.dos. li~e (l. Tocqueville constatou que a democracia.. se dissem. a restriçâo da igualdade senda sentida como ausência de liberdade. Desde 0 inîcio de seu livra.33). Em suma. ville. a reivindicaçâo revolucionâria da libcrda~c parecia ler sida antes a ex· pressao. se ele é livre. cIe se perguntou quaI a cazac do curso enganoso tornado pelos acontecimentos na França a partir de 1789. que diz respeito ao Iugar da ideologia politica moderna no con· junla dos valOïes. 0 Scgundo Impéria. R. H C. com·seu dopna da vootadc teral. 0 que significa. aprcsscmo-nos cm acrescentar. o que ha de mais precioso para n6s. se nâo absolutamente nova.A.!. qual ele ainda esta ligado muito de perto apesar de sua adesâo sem reservas à democracia. ha tantas humanidades distintas quantas forem as categorias sociais (II. que a dominio particular da politica. em T ocquêvillc. acreditou encoDtrâ-la numa relaçao diferente. duvido que 0 homem jamais passa suportar ao mesmo tempo uma completa. diferentes espécies de ho~ens. tenha havido um div6rcio entre os bornens religiosos e os bomens ~paixonados p. que a Rcvoluçâo Francesa procedcu à maneira de uma revoluçâo religiosa. 36.laQQJ mali que 0 dominio p'olitico se erija cm religi~. como jâ sc poderia fazer ao término da dera-la sob a _ leitura da presente obra. (Dem. 202 e ss.. 42-3). modcrna. a França nao chegava a realizar a democracia de maneira satisfat6ria . funcionava convenientemente nos Estados Unidas.LOUiS DUM ONT HOMO HIERARCI/ICUS .~~t(UlA. é seu estudo da mentalidade igualitâria cm contraste com 0 que ele percebe de mentalidade hierârquica na França de regime anrigo. 89. de uma reivindicaçao de cssência igualitâri a. por outœ. Mas cssa Dao é a idéia integraI de Tocque- Il Il dade dos dois domini os tal como iWlcrcebe nos Estados Unidos: "Sc eIe é lique clc creia". a separacào necessa(1 na democracia do domfnÏo religioso e do domfnio polftico.I!l_o. cIe lamenta que. na Franca. m as isso jâ é uma intcrpretaçào. eJa nao acarretara a negaçào de diferenças inatas.f!. Eis uma noçao que. principa1mcnte para as calego rias inferio res. por outra. Para tomar verossLmil essa idéia.fQ. Eis sua conclusâo (II. Rousseau l.ci. a reIigii!o é um mundo à parte onde reina 0 sacerdote. Esclareçamos.) Na Amériea.aqui apenas no que concerne à configuraçao geraI dos valores no universo demacrâtico e sua comparaçao com a configuraçâo correspondente no universo hierârquico.e ai esta uma das origens do socialismo francês e da sociologia na França. Tocqueville nâo se explica sobre esse ponta.bas um apel0 complementar a outra prÎndpio. ele deixa os homens a cargo de si mesmos e os abandona à independência e à instabilidade que sao pr6prias à sua natureza e ao 5eU tempo. é precisa que ele sirva e. aconteceu uma aliança entre 0 espîrito de religiâo e espfrito de liber~ç (l. é preciso gue a religiâo~a d~QQÎada do dominio polîtico e 0 deix~ e.!2 freJly. ao mesmo tempo que iguais.ls~I!f. îndependência religiosa e uma inteira liberdade politica. ao jacobinismo e ao totalitarismo. Tocqueville poe um limite ao individualismo (politico e reintroduz para 0 homem vivo uma depen.- . se cIe nâo tem a fé. Procurando a razâo dessa disparidade.. da ftIosofia. e coma nâo ha mais em direito diferentes condiçôes ou estados.. Ela nos importa . Cap.-erso da dcmoallda ai com~r~ndi. entre a paUtica e a religiâo. que creia.~gça. se a igualdade for concebida camo dada na naturcza do homem e negada apenas par uma sociedade ma.

..edade arislocrâtica. Ainda_virao outras passa- gens que completariio 0 texto citado. 2' p. quase Iigados de uma maneira estreita a alguma coisa que esta fora deles c ~uenlemente estao dispostos a se esquecet disso. Ap. A dislinçâo expressa· 1 " sc mesmo entre -0 nive} social. a partir da sociedade igualitâria e sem sair de nossa civili· zaçào. &. 219. Cap. A ans. ~ada a ninguém. MO sem distinguir a igualdade de proporçfio da igualdade pura e limples (Pol~. de outra lado. 1312 a 28).. II. Basta. 105·106): Sd.. Os homens que vivem nos sécutos aristO: cratJcos estao. 222). onde ela é igual ao homem (p.. 0 egolsmo é um amor apaixonado e exagcrado por si mesmo que leva o homem a relacionar tudo apeoas a si e a se preferir a tudo. Nos séculos democ:raticos. 222). tendo assim sido criada uma quena sociedade pa seu . cm que OS deveres de cada individuo para corn a espécie sao muîto mais claros. Em gera~ entretanle. Nao encontrei nada melhor para introduzir 0 leitor moderno nesse universo tao diferente do seu 30 quaI pretendo arrastâ-Io. ~e (reqüentemente no mesma lugar. pp. É graças a essa comparaçâo.. e nao se tem nenhurna idtia daquelel que vos 5C~ guttaO. toc::r:acia Ïa. coma duas percepçôes ao mesmo tempo apostas da duraçao. ~~ uma d~las se.. nesses mesmos séeulos. na soIidâo de sei!pr6prio coraçâo: - o abrc. a 'x:ama do tempo se rompe a todo momento e a vestigio das ger:açôes se apaga.Para Bouyé (op. as familias pcnnanece m durante séculos no mesmo eslado. p.. ju~gam de boa vontade que sua vida esta completamente cm suas mâl?&. A. Aqueles nào devem. para além da aristocracia ocidental. anaJoga àquela que esta implicita no trabalho do etn61ogo que estuda uma sociedade estrangeira. erobora a vida os difcrencie" (II. e Ihe acontece freqüentemente sacrificar seus prazeres pessoais a esses que nao existem mais ou nao existem ain~. Cumpre de boa vontade seus deveres para corn uns e outros. No universo cm que todos os bomens sâo concebidos nâo mais como hierarquizados cm diversas espécies sociais ou culturais. Iigar cstreitamente cada homem a mUllas de seus concidadaos. ( .. t. entao. Otegando cacia classe a se aproximar das outras e a elas se misturar. Ele responde com avanço. da sociedade igualitâria é que ele a olha com 1 ! simpatia e curiosidade. dL. 1"- . toma para aquele que dçtjl (az parte uma esproc de pequena patna. uns acima dos outras. Toda· a segunda parte da Da Democracia na América. notâveL à vezes profético.era de todos os cidadâos uma longa corrente que remontava do camponés no Tel. r 1 J1'JMO HIERARCHJCUS na França: "Hâ pessoas na Eurapa que.) mdMduausmo é de ongem demôci'âbca e ameaça se desenvotvet à m~ida que as condiç6es se igualern. mas também esconde de1e __ ~ descc:ndentes e 0 5epaIa de seus contemporâneos. as diferenças de natureza e de estatuto entre comunidades sao . 6. integralment~ ou q~um breve capitulo.am mudam de C3'>. e aIé DO pr6pria Tocqueville.. e.':~ _ . ademais.que.. é 0 racism~. Issa toma. outras nele caem sem cessac. 1219 a 9. É verdade que. mulbcr scrcs nâo exatarncote iguais. ~ naçaa geral ~ snndharrœ ~ obscura e que nao se sonha jamais em se d~tar a da para a causa da bumarudade. ao contririo. uw Dio K!cntidadc. . ''virar 0 quagxo". a democracia quebra a ronente e separa cada um de seus elos. e e a andana de barn grada a ~n e SOCle a e a si mesma. 0 que pcrmite a Tocqueville traçar esse retrato minucioso.-ranahnente. b 15 e M.algum as vezes reafirmadas de uma maneira desastrosa: ela é corno concebida coma procedente de caracteres somâticos. Arist6te1es ii essinalava a relaçio estttita en~ i!ua1dadc: e "pcrfeita similitude". Um homem conheee quasc lodos os seus anccstrais e os respeita. 0 processo de imancntizaçâo e de rcificaçâo do ideal que caracteriza a mentalidade democrâtica moderna. As propriedades da 50ciedade nova surgem para cIe em oposiçâo às da sociedade precedenle. 0 ind . 0 sistema <las castas e sua interdependência hierarquizada. publicada em 1840. abaixo de1e ~re um outro horncm cujo concuISO deve exigir. Sendo as classes muito distintas e im6veis no &cio de um JXM> arist~~. Ele evoca de um lado um romantismo que nio desapareceu nos nossos dias.iticos.. Coma. babituam-se a se considerar sempre isoladamenl~. onde a mulher permanece inferior. por assim dizer. 0 indivjdualismo é uma expressao retente que uma idéia nova fez ntlscer. todos os cidadâos estao coloca~os em posta flIO. 0 INDIVIDUAllSMO SEGUNDO TOCQUEVIllE Do individualismo nos paises democrâticos (Da Democracia na Améri- ca. Entre as paves aristocraticos. mas semclhantes". todas as gcraçôes contemporaneas.a um homem se tOm. sem deixar de ter presente no espmto a soci. mesmo nos circulos sociol6gicos. a sociedade hierarquica.jmilitude. nas socicdades aristocrnticas. à quesliio do individua1ismo-levantada por Max Weber. malS VlStvel e malS qucnda que a grande. de tal sorte que.. 2. nows Wnüias _ saem. mas fn:qiientemcnte se sacrifia pot certos homens. 133l É fâcil compreender por que citei longamente esSe texto admirave\.a.. clesse modo. Opœ claramente 0 individualismo moderno e 0 partieula· rismo tradicional.ql '. coma ele mesmo costumava fazer. As instituiç6es aristocraticas tém coma efcito. e todas aquelas que ru:. disso ainda resulta que cada um sempre apeIttbe aeuna dele um homem cuja proteçio the é necessaria e. que Tocqueville faz ohra de 1 1. Essa circunstância permite-nos utilizar Tocqueville em sentido inverso para aperceber. por assim dizet n3o·esperam nada de ninguém. 26). acredita jâ aperceber seus bisnetos e as ama. a iguaktade ac:arreta . ~ os mais proximos interessam.~ L JûiS iJUMOr. soci61ogo num sentido mais profundo do que muÎtos autores posteriores que nâo sabem sair da sociedade igualitâria. ela 0 reconduz sem cessar e si mesmo e ameaça prendUo. cr abaim. Nossos pais s6 conheciam 0 egoismo. mas como iguais e idênticos em sua essência. da qual ainda participa de a1gum modo.idualismo é um seotimento renetido e padfico que dîspôe cada cidadâo a se isolar da massa de seus semelhantes e a se retirar i arte corn sua iamlua e scus ami . difettoça e desiguaJ· dade. N6s nos contentaremos em cilar. 0 devotamento em relaçâo . A confusâo entre igualdade e identidade instalou-se no nivel do senso comum. prelendcm faze r do bomem c da.. &eus membros se tômam indire~ntes e coma que estrangeiros entl'e si...~ dem~ nao apenas faz cada homem esquecer seus ancestrais. confundindo os atributos diversos dos sexos. por um lado. é um estudo concreto <las implicaÇÔC5 da igualdade <las condiÇÔC5 em todos os dominios. que é um dos mais favoraveis nesse senti~o e que apresenta ainda a vanlagem de se Iigar a um tema cm que jâ tocamoS. &cm cessar do Dada. ~ facilmente os que vos precederam.lil mais raro: 0 elo cas afeiçâes humanas se destempera e se Nos pcvos dcmocr. Ela permitc compreender uma conseqüência séria e inesperada do igualitarismo. comprecndemos aqui. O s americanos "as considcram como seres cujo va lor é igual. e 0 nivel intelectual e moral.

. quando lem como quadro sistemas sociais. por sua vez. uma vez.e estio sujeit05 a avaliaçœs_ A avaliaçâo. produz duas conseqüências Cundamentais.- " . . entretanto. Quanto à segunda conseqüência. ela enuncia que. ap6s Tocqueville. todos os componclltes da açâo e da situaçâo na quaI ela se dcsenvot. œrtamentc tem 0 sentimento de outra coisa. ela implica também um processo de seleçiio quanto ft determinaçio desses objetivos. as categorias sociais. ve~mos que a negaçao modema da hierarquia é 0 principal obstâcûlo q~ se opac a compreensao do slStema das castas. no meio de tantas vulgaridades sobre a "estratificaçao social".s_p~_~­ dispensâvel à vida social. Do lado da sociologia. nâo se trata para n6s de colocar esse ideal cm questâo. ~ ue a sociedade é excepcional e é delicada a rcalizaçao do ideat igualitârio.Voltando ao nosso objetivo pr6prio. Nâo mais do que para Tocqueville. de coletividades ou de personalidades. '.epartiçao do poder. uma ncgaçao voluntaria num dominio T cstrito de um fenômeno UDÏversal..""" ~~~ '. cuja lembrança guard.açâo arlificial de atividades miiltiplas supêie: "hierarquia de poder". ela é conhccida e dela depende a estabilidade dos sisternas sociais.. Corn relaçâo a essas exigências mais ou menas necessanas da vida social. isso nâo é a hicrarquia propriamente dita. se a palavra " hierarquia" é pronunciada. 0 homem nâo apenas pensa. NECESSIDADE DA H~ERARQUlA . Ele nâo tem s6 idéias. na maioria dos casos a hierarquia se identificara de alguma maneira com a poder. e 0 mérito do soci610go que 0 faz.l. Nao nos surpreende constatar que nossos contemporâneos. coma se ela corrcspondesse às dcsigualdades ioevitavcis ou residuais das aptidôes e das funçôcs ou à cadcia de romando que toda organi7.âo. Primeiro.~ . Pretendeu-se apenas marcar corn c1areza 0 ponta em que 0 pr6prio Tocqueville deixa de nos guiar.l HOMO HIERARCHlCUS " Hâ. &Cm urna integraçiio dos critérias de avaliaçâo. mas 0 casa indiano nos ensinara que nâo ha Disso nenhuma necessidade. - -----------------------~----------~ Em outros termos.' -. das ÇQjs. ' mas também da açiio nesse mondo representado) . constitui um mérito do soci610go TaIcotI ·Parsons tet colocado em plena luz a racionalidade universa! da hierarquia (eu sublinho a1gumas palavras): A açiio esta orientada para ("(:1"05 objetivos. é compreensivel e. Entretanto.. parcee que isso se faz contra a vontade e aos suss urros. mas eles parecem embaraçados com ela (cf. cIe age.L OUIS D UMONT 7. Os fil6sofos têm cm sua pr6pria tradiçâo um excmplo mais fcliz.. tal como da sc desenvolve nos sjstemas sociais (''Nova Esboço de uma Tœna da Estralijicaçào '~ nn Ekmentos para uma Sociologia da Açao.c!p. Adotar um valor é hierarguizar. graças à combinaçâo do intelectualismo de Durkheim (para rcconbecer que a açao é dominada pela representaçâo) c do pragmatismo de Max Weber (para se coIocar 0 problema nâo s6 da representaçao do mundo. à questao da realizaçiio da democracia é ccrtamente uma tarefa muito negligcnciada e que se impôe. e um certo consenso sobre os vatoTes. além disso. uma ccrta hierarguia das idéias. 0 ideal igualitârio . as unidades constitutivas nao formariam um "sistema de valores comum".. . :. Voltar. mas a sociedade aristocrâtica. a Rep6blica de Platâo.~~e .. . as unidades do sistema..'. devcm ser submetidas pela natureza das roîsas a urna tal avaliçâo . dc:do 0 processo de awlia. mas essa nâo é nossa tarefa aqui. mas valores. à esco- -"-"'-=~---- - . Mesmo entre os soci61ogos e os fil6sofos.. nern a rruz mais profunda do que é assim chamado. 256-257). um ponta em que Tocqueville nos abandona. Nessa perspectiva. Ademais. era suficiente para !he permitir o esclarecimento desse sentimento.~ artificial. que valorizam a igualdade. pp. cm contraste. quer se trate de at05 elementares ou de papéis. mas haveria in teressc cm compreendcr alé que ponlo cIe se opôc às tendências gerais das sociedades e: portanto. nota 2d).a existência de um tal sistema participa da mesma natureza da açao..natural que a hierarquia englobe os agentes sociais. por conseguinte. é prcciso que de SiIVa para diferenciar estas o u aquelas cntidades numa ordem lUaluquica ... lba de ccrtos fIns. Tocqueville.va. Sem d6vida. acham que a cla 56 podern opor a dcsigualdade. Ele representa uma exigência humana que corresponde. Isso é completamente independente das desigualdades naturais ou da .mesmo se ele for julgado superior .