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URINÁLISE

Setor do laboratório clínico responsável pelas dosagens e exames na urina OBJETIVOS Geral: - Realizar de forma correta o exame de urina Específicos: - Realizar o exame de forma padronizada a fim de obter resultados confiáveis; - Obter resultados válidos para influenciar decisões clínicas. INTRODUÇÃO  Histórico: - Foi com a análise da urina que começou a Medicina laboratorial. - Com base nos aspectos e características, realizava-se a interpretação da urina - 4.000 anos a. C. - Informações diagnósticas: cor, turvação, odor, volume, viscosidade, açúcar, etc. - Hipócrates – “Uroscopia” e foi o primeiro a afirmar que a urina se formava por filtração do sangue nos rins. - Invenção do microscópio (XVII) – análise do sedimento  Considerações Gerais: A urina, um dos mais importantes excretos, é formada nos rins, órgão que funciona como verdadeira válvula de segurança do organismo. É pela via renal que se elimina grande quantidade de catabólicos fixos. O equilíbrio hídrico, ácido-básico e iônico dos tecidos é mantido pelos rins, na eliminação de mais ou menos água, radicais ácidos e alcalinos. É o principal responsável pela formação eliminação da amônia e possível papel de destaque nos processos de desintoxicação do organismo.

SIST. URINÁRIO – RINS Anatomia - Os rins são em número de dois (direito e esquerdo), com a forma comparável a de um grão de feijão e tamanho aproximadamente de 12 cm de altura e 6 cm de largura. - Os rins estão situados de cada lado da coluna vertebral, estendendo-se entre a 11ª costela e o processo transverso da 3ª vértebra lombar.

- A extremidade superior de cada rim é coberta por uma glândula endócrina, a glândula supra-renal. - O sangue que vai se depurar passa pela artéria renal até os rins e sai pela veia renal, debaixo do envoltório granuloso formado pelos glomérulos de Malpighi. - Tais glomérulos são constituídos por capilares sangüíneos e arteríolas, envoltos na cápsula de Bowman. - Os rins contém dois milhões de unidades denominadas NÉFRON.

A forma da bexiga depende de quanta urina ela contém. FORMAÇÃO DA URINA O sangue penetra nos glomérulos pela arteríola aferente e sai pela arteríola eferente. fazendo com que haja no glomérulo uma pressão sangüínea relativamente elevada. que vão terminar inferiormente na bexiga urinária. desaguando nos ureteres e levando a urina já formada para a bexiga. A primeira tem quase o dobro do diâmetro da outra. Ao mesmo tempo que retém no sangue todas as substâncias que ainda são necessárias ao organismo. RELEMBRANDO FUNÇÕES RENAIS: Filtragem. envolto por uma cápsula. Secreção. O plasma é filtrado dos capilares para essa cápsula e em seguida. continua para o túbulo distal e em último lugar para o tubo coletor.A bexiga urinária é um reservatório incumbido de armazenar temporariamente a urina. o túbulo proximal. . que é o glomérulo. em seguida. tornando-se esférica quando levemente distendida à medida que o volume urinário aumenta. ela parece um balão vazio. flui dela para. para uma longa alça tubular que é a alça de Henle. de onde passa para pelve renal. BEXIGA . . - NEFRON Formado por duas partes principais: corpúsculo renal e os túbulos renais. Excreção. dele retirando as substâncias indesejáveis durante sua passagem pelo rim. NEFRON . Quando vazia. a cápsula de Bowman .Função: A função básica do néfron é a de limpar ou depurar o plasma sanguíneo. Reabsorção. A capacidade média de armazenamento da bexiga urinária é de 700 a 800 ml de urina.são dois condutos bilaterais .Mecanismos para depuração do plasma: Filtração glomerular Reabsorção tubular Excreção tubular URETERES . mais ou menos 25 centímetros de comprimento . Corpúsculo renal: formado por um tufo de capilares.

A glicose do plasma é inteiramente reabsorvida. passa pelos ureteres até a bexiga. O túbulo renal tem. aminoácidos. a cor. quando o volume depositado atinge em torno de 750 ml. quando sua concentração plasmática se mantiver normal.Os aminoácidos. O filtrado glomerular vai para os túbulos uriníferos. etc. e se contrai para expulsá-la. O exame de urina. que são observados microscopicamente. informações preciosas sobre a patologia renal e do trato urinário. amônia. o esfíncter interno da uretra que tem contrações involuntárias e impede a saída da urina contida na bexiga. usualmente requisitado pelos médicos E. etc. o proximal. icterícias. (endotélio arterial e membrana interna da cápsula de Bowman) e denominado filtrado glomerular é um verdadeiro ultra filtrado do plasma e é formado em torno de 125 ml por minuto. portanto função altamente seletiva. com exceção das proteínas e outras moléculas de grande peso molecular. bem como sobre algumas moléstias extra-renais.A urina formada nos rins. URINÁLISE O exame de urina proporciona ao clínico. . . A segunda parte. aspecto. hemácias. hormônios. Micção . IV) O volume necessário para exame pode variar de 50 a 100 ml. a urina é expulsa da bexiga pela micção.Em geral a urina é constituída por uréia e outras substâncias orgânicas e inorgânicas. vitaminas. A terceira parte. creatinina. COMPOSIÇÃO DA URINA . estéril e seco. Pela sua simplicidade e pela facilidade na obtenção da amostra para análise. cristais.Este mecanismo de excreção esta associado à manutenção do equilibro ácido-base orgânico e a troca de íons hidrogênio.No ponto da união entre bexiga e a uretra existe no anel de musculatura lisa. .- Esta pressão faz o plasma filtrar. odor. como por exemplo: I) O frasco para a coleta deve ser limpo. a maior parte da água e substâncias nela contidas serão reabsorvidas e irão constituir a urina que é formada em torno de 1 ml/min. pH e densidade. é composto de três partes. A bexiga. cálcio. aquele que mais se recorre. a uréia e o ácido úrico também são reabsorvidos nos túbulos renais. destacado por indicar casos de diabetes. Quando ultrapassa 180 mg % o excesso é eliminado na urina. Em condições normais. potássio. onde é acumulada. é exame de rotina. distúrbios hepáticos.A. Reabsorção (Túbulo Proximal) . URINA  Quando a reabsorção e secreção são completados. a pesquisa de elementos químicos anormais (pesquisa química).Uréia: resíduo metabólico produzido no Fígado a partir da utilização de proteínas e aminoácidos. a alça de Helen e o distal e atinge o tubo coletor. mostra os tipos de células. A primeira delas tem como referência. cloreto. passando pelos 3 segmentos. Este líquido que atravessou a membrana glomerular. II) Deve-se fazer uma limpeza prévia do aparelho genital (água e sabão). etc. . mas não reabsorvidas. tem significado clínico. III) Desprezar o primeiro jato de micção. . medicamentos. Alguns cuidados devem ser de sua importância na coleta do material a ser examinado. o sedimento urinário.  A urina consiste de água e substâncias que foram filtradas ou secretadas para os túbulos renais. o volume. piócitos. magnésio. . passando da luz do túbulo para as células e indo para o sangue. o líquido remanescente nos túbulos renais é transportado para os outros componentes do sistema urinário para ser excretado como urina.Após atingir determinado volume. Durante este percurso.Íons de sódio.Componentes: sódio. cloro e potássio (excretado no distal) . sendo dependente do Hormônio ALDOSTERONA. modificando a composição do filtrado glomerular e formando a urina. os caracteres físicos da urina fresca. se distende para permitir o acúmulo da urina. 80% do filtrado glomerular é reabsorvido no túbulo proximal.S (Elementos Anormais e Sedimentoscopia).. talvez.

Frio. Nota-se diminuição de volume (oligúria) nos seguintes casos: Nefrite. metabolismo. febre. Eliminação de edemas. certas afecções do sistema nervoso. Cirrose hepática.500ml de urina por dia. ou apresentar muitas variações de cores de acordo com o caso clínico ou dietético do paciente. como por exemplo: âmbar nas icterícias. Tuberculose renal. Obstrução das vias excretoras. Doenças renais. febre e edemas. avermelhada nas hematúrias. ingestão de líquidos. Hemorragias. Análise Física. moléstias cardíacas e pulmonares. A amostra de urina pode ser colhida pela técnica do jato médio. diarréia. Análise Química. dieta. Adultos saudáveis excretam em média 1. vômitos. rim contraído. prostático ou uretral. acondicioná-lo em geladeira. . Podendo variar do amarelo citrina e o amarelo avermelhado. OBS: O material a ser coletado deve ser a primeira urina da manhã. Exames Confirmatórios. EXAME DE URINA Padronização: Etapa Analítica. diarréia. Análise Microscópica. Alterações Volumétricas Poliúria Volume aumentado Oligúria Diminuição de volume Anúria Volume praticamente neutro Causado por: Ingestão aumentada de líquidos. desidratação. coma. A amostra preferida para a maioria dos exames de rotina da urina é a primeira amostra da manhã. Mulheres: fazer antes da coleta uma higiene íntima.V) O material deve ser enviado o mais rápido possível ao laboratório. enfarte hemorrágico do rim. sudorese. pressão sangüínea. Diabete mellitus Diminuição de ingestão de líquidos. Desidratação Grave. Isso evita a contaminação da amostra com o fluxo vaginal.     COLHEITA DO MATERIAL Homens: desprezar o 1º jato colhendo o restante da micção. emoções. frio. esverdeadas devido ao uso de determinados tipos de medicamentos. balanço hormonal e vários outros fatores. Insuficiência renal Cor A cor da urina é normalmente amarela. podendo também. vômitos. VOLUME A quantidade de urina formada diariamente depende da idade. ingestão excessiva de líquidos. Nas seguintes condições o volume urinário é aumentado (poliúria): Diabete mellitus.

isto é. Cetonas – são provenientes do metabolismo dos lipídios. cujo ciclo de degradação normal foi interrompido por causa hepática ou pós-hepática. células epiteliais. Com o envelhecimento. 5.).COR Amarelo-claro/Citrino Incolor Amarelo-palha Verde Avermelhada Marrom escurecida Branco leitoso Âmbar/Alaranjada Aspecto INTERPRETAÇÃO SUGESTIVA Normal Recente ingestão de líquidos Poliúria Infecção por pseudomonas. d) Hemácias e) Germes TRANSPARÊNCIA (ASPECTO) Límpido Ligeiramente turvo/ Turvo INTERPRETAÇÃO SUGESTIVA Normal Cristalúria.). filamentos de muco. número de partículas dissolvidas. Bilirrubina – sua presença significa aumento da bilirrubina direta. pode haver formação de pequeno depósito (constituído por leucócitos. Nitrito – é formado pela metabolização bacteriana do nitrato.0) Alcalino (>7. Cheiro O cheiro característico da urina tem sido atribuído a ácidos orgânicos voláteis que ela contém. e em condições normais não é encontrado na urina. bacteriúria. havendo normalmente estreita relação entre o peso específico e a osmolaridade resultante da ingestão de alimentos e bebidas e da reabsorção da água e de substâncias dissolvidas. mas persiste se for adicionado ácido acético. Hemoglobina 6. Esta nubécula é mais acentuada em urina de mulher. contaminação menstrual. é indicativo de lesão renal. Eritrócito oxidado. 2. Caso elevada ou persistente. Urobilogênio – a urina normal deve conter urobilogênio 8. Presença de sangue. o cheiro se torna amoniacal. Sob a influência de alguns medicamentos. segundo a hora do dia para a coleta. a urina recentemente emitida é límpida deixada em repouso por algum tempo. Glicose 4. 3. Normalmente. ODOR Sui generis Amoniacal Fétido  INTERPRETAÇÃO SUGESTIVA Normal Urina velha Infecção (estado patológico) DENSIDADE Até 1024 Acima de 1025 INTERPRETAÇÃO SUGESTIVA Normal Aumento de sedimentos na urina EXAME QUÍMICO DA URINA 1. Ocorre sua presença quando houver bacteriúria por Gram-negativos (exceto Pseudomonas sp. 7. células epiteliais. As substâncias que mais frequentemente turvam a urina são as seguintes: a) Fosfatos amorfos. denominado nubécula. pH – pode variar em condições fisiológicas. vitamina A. condições patológicas ou uso de medicamentos. A urina normal é levemente ácida. Proteínas – sua presença em pequenas quantidades pode ser normal. medicamentos (fenazopiridina). uso de anti-séptico urinário. a urina adquire odor particular. muco. Proteinúria maciça Consumo de cenoura.0) Interpretação básica Normal Devido a alimentação e medicamentos . Densidade A densidade de urina depende da concentração osmolar. 9. hematúria. b) Uratos amorfos – a turvação desaparece com o aquecimento. etc. leucocitúria. uso de metildopa e metronidazol. c) Pus – é reconhecido pelo exame microscópico. Leucócitos pH Ácido (< 7.

CRISTAIS • Estudos demonstram um estudo entre a cristalúria e a formação de cálculos renais. coli Leucócitos Até 10.5g em 24 horas básica CETONA Interpretação Síndrome nefrótica Ausente Normal Presente Regime alimentar. LEVEDURAS • A urina normal não deve conter leveduras. Pode ocorrer contaminação por Trichomonas vaginalis a partir de secreção vaginal ou de Enterobius vermicularis por contaminação fecal. • Podem surgir em decorrência do uso de alguns fármacos.GLICOSE Interpretação básica Ausente Normal Presente Diabetes mellitus. CLASSIFICAÇÃO DOS CRISTAIS URINÁRIOS HABITUAIS URINA COM pH ÁCIDO Oxalato de cálcio Ácido úrico Urato amorfo --URINA COM pH NEUTRO Biurato de amônio Carbonato de cálcio Oxalato de cálcio Fosfato triplo -URINA COM pH ALCALINO Fosfato triplo Biurato de amônio Carbonato de cálcio Fosfato de cálcio Fosfato amorfo .000/mm3 Mais 10. cirrose hepática. doença renal avançada. • Raras bactérias são normais – colonização uretral. obstrução biliar. Interpretação básica PROTEÍNA Até 150mg em 24 horas Normal De 150mg a 3. anemia hemolítica. Geralmente comum no paciente diabético e ocorre por contaminação a partir da genitália. PARASITAS • A urina normal não deve conter parasitas. infecção. queimaduras graves. Obstrução biliar NITRITO Interpretação básica Ausente Normal Presente Infecção por Gram-negativo. ESPERMATOZÓIDES • Aparecem em decorrência da relação sexual ou ejaculação.000/mm3 SEDIMENTOSCOPIA Interpretação básica Normal Infecção do trato urinário ou contaminação por secreção vaginal ou uretral CÉLULAS EPITELIAIS • Sua presença é comum por descamação do sistema geniturinário. especialmente E.5g em 24 horas Síndrome nefrítica Maior que 3. Aumentados em quadro irritativo do sistema geniturinário. exercício físico. BILIRRUBINA Interpretação básica Ausente Normal Presente Hepatite. distúrbio hemolítico. carência alimentar HEMOGLOBINA Interpretação básica Presente Reação transfusional. BACTÉRIAS • A urina normal não deve conter bactérias. Sua presença indica infecção ou contaminação por secreção vaginal ou uretral. UROBILINOGÊNIO Até 1:20 Aumentado Diminuído Interpretação básica Normal Doença hepática. acidose diabética. FILAMENTOS DE MUCO • Não são considerados clinicamente significativos.

nos exercícios físicos intensos. Aparecem na glomerulonefrite.Hemácias: (hematúria) cálculos renais. é normal. desordens tubulares. Aparecem na pielonefrite.. (hemácias rompidas).Albumina: (albuminúria) é muito grande para ser filtrado. Urinário. Quando for observado de 4 a 10 estruturas por campo. Aparecem na estase do fluxo urinário. . O elemento é observado no sedimento. Aparecem na glomerulonefrite. Quando não for possível contar o número de estruturas por campo. Metabólitos nitrogenados urinários Metabólito Aminoácidos Origem bioquímica Proteínas endógenas e exógenas Utilidade clínica Enfermidade hepática. erros inatos do metabolismo.Leucócitos: (piúria) infecção nos rins ou órgãos do sist. Enfermidade hepática. trauma ou outras doenças renais. Aparecem na lesão tubular renal. na doença renal crônica. enfermidade renal. enfermidade renal. . nos exercícios físicos. Quando for observado de 4 a 10 estruturas por campo.Glicose: (glicosúria) indica diabete mellitus . na infecção do trato urinário. Aparecem na estase do fluxo urinário. nos exercícios físicos intensos. Função renal Desordens da síntese purínica % de N na urina <1 10 – 20 55 – 90 2–3 1 – 1. erros inatos do metabolismo. . Quando for observado até 3 estruturas por campo. Pode estar relacionado com pressão muito alta ou lesão das membranas de filtração.5 Amônia Uréia Creatinina Ácido úrico EXAMES DE URINA Material utilizado: Aminoácidos Amônia Creatina Nucleotídeos purínicos Constituintes Anormais da Urina . Enfermidade hepática.CILINDROS HIALINOS HEMÁTICOS LEUCOCITÁRIOS EPITELIAIS GRANULARES CÉREOS ADIPOSOS LARGOS INTERPRETAÇÃO SUGESTIVA Em pequena quantidade. na insuficiência cardíaca congestiva. na pielonefrite. Aparecem na síndrome nefrótica Aparecem na estase externa do fluxo urinário CRITÉRIOS PARA EXPRESSAR AS QUANTIDADES ARBITRÁRIAS CRITÉRIO Ausente Presente Raro (s) Algum (ns) Numeroso (s) Maciça (s) DESCRIÇÃO DO CRITÉRIO Elemento não observado no sedimento. tumores.

O fungo mais comum é a Candida albicans. Figuras Células tubulares renais Célula epitelial descamativa Cristais de ácido úrico Cristais Oxalato de Cálcio Fosfato de cálcio Fosfato triplo . . são comuns em pouca quantidade na urina.Bilirrubina: (bilirrubinúria) Por destruição das hemácias a porção globina da hemoglobina é separada e o heme é convertido em biliverdina.Corpos cetônicos: (cetonúria) diabete mellitus.. anorexia. .Micróbios: variam conforme a infecção. A bactéria mais comum em infecções é a E. A maior parte da biliverdina é convertida em bilirrubina. O protozoário mais freqüente é o Trichomonas vaginalis. Coli. jejum ou pouco carboidrato na urina.

Fosfatos Uratos Cilindro Epitelial Cilindro Céreo Cristais de Colesterol Cristais de Cistina Cilindro Leucocitário Cilindro Granuloso .

Cilindro Hialino Cilindro Hemático Candida sp Células epiteliais descamativas do trato médio Cilindro granuloso Cilindro Hialino Hemácias .