You are on page 1of 168

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA DEPARTAMENTO DE GEOCIÊNCIAS PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA PÓS-GRADUAÇÃO

SUSTENTABILIDADE DAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO GURUJÍ – MUNICÍPIO DO CONDE (PB)

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Mestrando: Leandro Gondim De Oliveira Orientador: Prof. Dr. Eduardo Rodrigues Viana de Lima

João Pessoa-PB 2011

LEANDRO GONDIM DE OLIVEIRA

SUSTENTABILIDADE DAS PRÁTICAS AGRÍCOLAS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO GURUJÍ – MUNICÍPIO DO CONDE (PB)

Dissertação apresentada ao Programa de Pósgraduação em Geografia da Universidade Federal da Paraíba (PPPG-UFPB), em cumprimento às exigências para obtenção do título de mestre.

Banca Examinadora: ________________________________________________ Prof. Dr. Eduardo Rodrigues Viana de Lima Orientador – PPGG/UFPB ________________________________________________ Prof. Dr. Roberto Sassi Examinador Interno – PRODEMA/UFPB _________________________________________________ Prof. Dr. Sérgio Murilo Santos de Araújo Examinador Externo – UAHG/CH/UFCG _________________________________________________ Profª. Drª. Luciene Vieira de Arruda Examinador Externo – DGH/UEPB

João Pessoa-PB 2011

Dedico este trabalho a meu cunhado e amigo Jorge Costa Junior. Juninho, você estava se tornando mais que um amigo, um irmão. Tivemos apenas quatro anos de convivência, mas foi o suficiente para te considerar um irmão. Sou muito grato a Deus pelos momentos simples de alegria e divertimento, como simplesmente comprar uma bateria de carro ou lanchar e jogar conversa fora. Chegará o dia em que todos nos reencontraremos. Obrigado por ter sido meu amigo.

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço ao meu Deus, que nesses mais de dois anos esteve-me ajudando, dando-me forças para chegar ao final deste trabalho. É pela sua misericórdia que estou chegando aqui hoje. Obrigado Senhor. Agradeço a minha querida esposa Leila, que em todo momento esteve disposta a me ajudar, suportando e me ajudando a superar minhas frustrações, sendo o que sempre foi desde o início do nosso

relacionamento: minha parceira e companheira. Cheguei até aqui porque você esteve todo o tempo comigo. Agora chegou o tempo de fazermos o que há de melhor na vida: viver a vida (Jorge Costa Júnior). Ao meu orientador, o professor Eduardo Viana, que me recebeu de braços abertos e me auxiliou nesta caminhada. Foi muito mais que um orientador, foi um bom amigo. Obrigado por tudo professor. Agradeço a meu pai Indelácio, vulgo João, por todo o auxílio e apoio nas pesquisas. O campo sem você não teria sido o mesmo. Obrigado pai. Agradeço a minha irmã Lívia e a minha mãe, por sempre me abusar dizendo “termina logo esse mestrado”. Apesar das chateações, muitas vezes isso me incentivou a continuar na luta. Lívia, mãe, obrigada suas chatas. Aos meus familiares e amigos, que compreenderam a minha luta e me deram apoio para que eu terminasse meu trabalho. Agradeço a vocês. Ao professor Roberto Sassi, pelas muitas contribuições e orientações que me auxiliaram para a conclusão deste trabalho. Obrigado professor. A todos os meus colegas de mestrado, aos professores do curso, que direta ou indiretamente contribuíram para o término deste trabalho. A todos que me demonstraram apoio e compreensão, obrigado.

RESUMO

A água tem estado no centro das atenções mundiais, dando origem a diversas discussões sobre seus usos, preservação, poluição e sustentabilidade. A Lei nº 9.433/97 que instituiu a PNRH – Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o SINGREH – Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (BRASIL, 1997) é hoje a referência de vanguarda para a gestão das águas no Brasil. Atualmente, o papel de uma bacia hidrográfica tem recebido merecido destaque devido sua importância para o desenvolvimento econômico e social e como unidade mantenedora do meio ambiente. Deste modo, foi feito um diagnóstico sócio-ambiental da Bacia do rio Gurují, discutindo a existência ou não de sustentabilidade na prática agrícola dos agricultores da área. O objetivo principal deste trabalho é analisar, a partir da utilização do conceito de Desenvolvimento Sustentável, os aspectos sociais, ambientais e econômicos da Bacia do rio Gurují, identificando se existe sustentabilidade na prática agrícola dos agricultores da área. O embasamento teórico foi realizado através de estudos e pesquisas bibliográficas de características gerais e específicas sobre a área de estudo, discutindo as questões ambientais e o surgimento do conceito de Desenvolvimento Sustentável. A referente pesquisa foi realizada através da observação direta in loco e na pesquisa empírica, pois a análise de uma bacia hidrográfica necessita de diferentes tipos de abordagens. Trabalhamos o diagnóstico sócio-ambiental da bacia do rio Gurují e a sustentabilidade da agricultura local a partir de entrevistas realizadas em campo com um total de vinte (20) agricultores de quatro assentamentos diferentes. O reconhecimento da área estudada foi feito através de trilhas a pé, de carro, de motocicleta, onde foram utilizados equipamentos como GPS e máquina fotográfica para registro; aplicação de entrevista com os sujeitos locais; etc. Palavras-chave: Desenvolvimento sustentável; bacia hidrográfica; rio Gurují; agricultura.

ABSTRACT

Water has been at the center of world attention, giving rise to several discussions about its uses, conservation, pollution and sustainability. Law No. 9433/97 which established the PNRH - National Water Resources Policy and created the SINGREH - National Water Resources Management (BRAZIL, 1997) is now the leading reference for water management in Brazil. Currently, the role of a watershed has received deserved attention because of its importance for economic development and social unity as the sponsor of the environment. Thus, it made a socio-environmental diagnosis River Basin Guruji, discussing whether or not sustainability in agricultural practice of farmers in the area. The main objective of this study is to analyze, from the use of the concept of Sustainable Development, social, environmental and economic impacts of river basin Guruji, identifying whether there is sustainability in agricultural practice of farmers in the area. The theoretical basis has been achieved through studies and literature searches of general and specific characteristics of the study area, discussing environmental issues and the emergence of the concept of Sustainable Development. The related research was conducted through direct observation in situ and in empirical research, because the analysis of a watershed requires different approaches. We work the socio-environmental diagnosis of the river basin Guruji and sustainability of local agriculture from field interviews with a total of twenty (20) farmers in four different settlements. The recognition of the study area was done through trails on foot, by car, motorcycle, which was utilized equipment such as GPS and cameras to record; application interview with the local subjects, etc. Keywords: Sustainable development, river basin, river Guruji; agriculture.

LISTA DE FIGURAS

Figura 01: Tipologia de riscos Ambientais ...................................... 20 Figura 02: Mapas dos assentamentos rurais no município do Conde – PB................................................................................................. 23 Figura 03: O “Triângulo Mágico” da perspectiva do desenvolvimento espacial sustentável. ....................................................................... 30 Figura 04: O “Quadrado Real” do desenvolvimento regional sustentável. ..................................................................................................... 35 Figura 05: O Pentágono do desenvolvimento regional sustentável....... 36 Figura 06: Qualidade de sustentabilidade: um sumário ..................... 39 Figura 07: Distribuição da Água no Ambiente Terrestre.................... 43 Figura 08: Localização da bacia hidrográfica do rio Gurují, município do Conde – PB................................................................................ 52 Figura 09: Mapa Pedológico da área de estudo e adjacências (Modificado de PARAÍBA, 2004)..................................................... 54 Figura 10: Mapa de Uso e Ocupação do Solo da Bacia do rio Gurují... 60 Figura 11: Mapas dos assentamentos rurais no município do Conde.. 137 Figura 12: Área de reserva do entrevistado 12 descampada devido ao uso anterior do solo............................................................................. 141 Figura 13: Plantio de cana-de-açúcar vista por imagem de satélite.... 152 Figura 14: Exemplo de lerões........................................................ 156

LISTA DE MOSAICOS Mosaico 01: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 01 ................ 64 Mosaico 02: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 01 ................ 66 Mosaico 03: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 01 ................ 69 Mosaico 04: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02 ................ 72 Mosaico 05: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02 ................ 74 Mosaico 06: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02 ................ 75 Mosaico 07: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02 ................ 76 Mosaico 08: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02 ................ 78 Mosaico 09: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02 ................ 79 Mosaico 10: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 03 ................ 82 Mosaico 11: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 03 ................ 83 Mosaico 12: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 03 ................ 85 Mosaico 13: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 04 ................ 87 Mosaico 14: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 05 ................ 89 Mosaico 15: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 06 ................ 91 Mosaico 16: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 06 ................ 92 Mosaico 17: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 07 ................ 97 Mosaico 18: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 08 e 09 ... 100 Mosaico 19: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 08 e 09 ... 101 Mosaico 20: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados10 e 11 .... 104 Mosaico 21: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados10 e 11 .... 105 Mosaico 22: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 12 ........... 108 Mosaico 23: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 12 ........... 109 Mosaico 24: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 12 ........... 110

Mosaico 25: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 14 ........... 117 Mosaico 26: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 15 ........... 119 Mosaico 27:Ddiferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 16 .......... 123 Mosaico 28: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 16 ........... 124 Mosaico 29: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18 ... 126 Mosaico 30: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18 ... 127 Mosaico 31: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18 ... 129 Mosaico 32: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18 ... 130 Mosaico 33: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 19 .............. 132 Mosaico 34: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 20 .............. 136

LISTA DE TABELAS Tabela 01: Conversão das nomenclaturas utilizadas no Mapa Pedológico do Estado da Paraíba (2004) para o novo “Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos” (EMBRAPA, 1999)..................................... 55 Tabela 02: Dados gerais dos Agricultores Entrevistados .................. 138 Tabela 03: Culturas agrícolas dos entrevistados na área da bacia do rio Gurují... 143 Tabela 04: Agricultores que possuem sistema de irrigação............... 146 Tabela 05: Uso ou não uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos... 149

LISTA DE QUADROS

Quadro I: Lista de Assentamentos Estaduais do município do Conde.. 22 Quadro II: Lista de Assentamentos Federais do município do Conde.. 22

LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Agricultores que possuem sistema de irrigação................ 145 Gráfico 2: Uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos.................... 147

LISTA DE SIGLAS

AWB - Australian Wheat Board (Junta de Trigo Australiana) CAPTAR - Cooperativa de Profissionais de Assistência Técnica e Apoio a Agricultura Familiar CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica CEASA - Central de Abastecimento do Rio grande do Norte CMMAD - Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento CNUMAD - Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas CONSPLAN – Consultoria e Planejamento de Projetos Agropecuário CPT – Comissão Pastoral da Terra EIA - Estudo de Impacto Ambiental EMATER-PB – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EUA - Estados Unidos da América GESTAR - Grupo de Pesquisa Trabalho, Território e Cidadania IBAMA - Instituto Brasileiro de Meio Ambiente ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INTERPA – Instituto de Terras e Planejamento Agrícola da Paraíba INTRAFRUT – Indústria Transformadora de Frutos S/A. MMA - Ministério do Meio Ambiente ONU - Organização das Nações Unidas PAA – Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal

PB - Paraíba PDRH-PB - Plano Diretor de Recursos Hídricos do Estado da Paraíba PNRH - Política Nacional de Recursos Hídricos PRONAF - Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRP – Partido Republicano Progressista RIMA - Relatório de Impacto Ambiental SINGREH – Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos SUDEMA - Superintendência de Administração do Meio Ambiente UFPB - Universidade Federal da Paraíba

13 SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 15 2. OBJETIVOS ........................................................................................................ 18 2.1 Objetivo Geral .................................................................................................. 18 2.2 Objetivos Específicos .................................................................................... 18 3. METODOLOGIA E JUSTIFICATIVA ...................................................... 19 4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................ 24 4.1 Discutindo o Desenvolvimento Sustentável ............................... 24 4.2 A Bacia Hidrográfica enquanto Unidade no Planejamento e Gestão Ambiental ......................................................................... 41 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................ 50 5.1 Aspectos físicos da Bacia do Rio Gurují ................................... 50 5.2 Diagnóstico sócio-ambiental dos assentamentos estudados........ 60 5.2.1 Comunidade do Gurují II ..................................................... 60 5.2.1.1 Entrevista 01 ..................................................................... 61 5.2.1.2 Entrevista 02 ..................................................................... 70 5.2.1.3 Entrevista 03 ..................................................................... 80 5.2.1.4 Entrevista 04 ..................................................................... 85 5.2.1.5 Entrevista 05 ..................................................................... 87 5.2.1.6 Entrevista 06 ..................................................................... 89 5.2.2 Assentamento Dona Antônia ................................................. 94 5.2.2.1 Entrevista 07 ..................................................................... 95 5.2.2.2 Entrevistas 08 e 09 ............................................................ 98 5.2.2.3 Entrevistas 10 e 11 ........................................................... 102 5.2.2.4 Entrevista 12 ................................................................... 106 5.2.2.5 Entrevista 13 ................................................................... 112 5.2.3 Assentamento Capim-Assu .................................................. 114 5.2.3.1 Entrevista 14 ................................................................... 115 5.2.3.2 Entrevista 15 ................................................................... 117 5.2.4 Assentamento Ricky Charles ............................................... 120 5.2.4.1 Entrevista 16 ................................................................... 121 5.2.4.2 Entrevistas 17 e 18 ........................................................... 124 5.2.4.3 Entrevista 19 ................................................................... 131

14 5.2.4.4 Entrevista 20 ................................................................... 134 6. DISCUSSÃO ........................................................................... 136 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES.......................... 153 8. REFERÊNCIAS ....................................................................... 157 ANEXO

15 1. INTRODUÇÃO

A água tem estado no centro das atenções mundiais, dando origem a diversas discussões sobre seus usos, preservação, poluição e

sustentabilidade. A água é essencial para a sobrevivência da humanidade, que por sua vez é sua principal usuária e, também, responsável pela sua poluição. A água é um recurso peculiar, não somente pela sua amplitude de usos, mas também por ser um excelente indicador ambiental da qualidade da manipulação do solo pelo homem. Atualmente a atenção que tem sido dada ao tema água não está restrita a apenas uma área específica. Esse recurso natural tem sido objeto de debates internacionais sobre usos, conflitos e gestão das águas há pelo menos 35 anos quando a Organização das Nações Unidas assumiu a coordenação dessas discussões (ASSUNÇÃO e BURSZTYN, 2002). No Brasil, a preocupação com a gestão das águas também se intensificou com o passar dos anos. Em 1997, surgiu uma lei federal que sintetiza as principais diretrizes e recomendações das grandes

conferências internacionais sobre a questão das águas. A Lei nº 9.433/97 que instituiu a PNRH – Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o SINGREH – Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (BRAS IL, 1997) é hoje a referência de vanguarda para a gestão das águas no Brasil. Atualmente, o papel de uma bacia hidrográfica tem recebido merecido destaque devido sua importância para o desenvolvimento econômico e social, tornando-se o eixo de diversos estudos e pesquisas, fazendo com que a preservação dos recursos hídricos se tornasse um dos enfoques principais quando se estuda a preservação e a gestão dos recursos naturais. As águas dos cursos que drenam uma região apresentam

características físico-químicas próprias, que refletem a natureza do solo as atividades de uso da terra na respectiva bacia hidrográfica.

(TONELLO, 2005, apud BAKKER, 2008). As bacias hidrográficas

16 constituem as unidades naturais para informações hidrológicas, podendo, também, ser usadas como unidades naturais de manejo da terra, uma vez que nelas se observa a dependência de todos os componentes do crescimento e desenvolvimento da sociedade. Os rios são elementos indispensáveis ao desenvolvimento. São fatores importantes ao crescimento humano e, por isso, justifica-se a necessidade de estudos ligados às potencialidades ambientais, sociais e econômicas que eles podem propiciar ao crescimento das comunidades ribeirinhas, bem como aos agravos ecológicos que os afetam. (SANTOS, 2009). Os impactos sobre recursos hídricos e também as poluições que assolam a humanidade, exigem a elaboração e a execução de projetos ambientais para as unidades ambientais do Brasil, quais sejam

municípios, propriedades rurais, ecossistemas, bacias hidrográficas. Para o mesmo autor são fundamentais na execução de tais projetos os dossiês de ambiência, o manejo integrado de bacias hidrográficas, o zoneamento ambiental, o planejamento físico rural, os Estudos de Impactos

Ambientais e Relatórios de Impactos sobre o Meio Ambiente (EIAsRIMAs), dentre outros (ROCHA, 1997 apud SANTOS, 2009). A análise e preocupação com as questões ambientais ganharam mais força na década de 70 do século XX, por exemplo, da Conferência de Estolcomo (1972), Conferência sobre Meio Ambiente e

Desenvolvimento das Nações Unidas (1992), Kyoto (1997), Johanesburgo (2002) e recentemente Copenhague (2009), elementos que nos mostram a crescente preocupação da população mundial a respeito da manutenção da vida no planeta. Isso se deve ao fato de que a sociedade começa a questionar o tipo de desenvolvimento realizado até então, em que a natureza é utilizada apenas como fonte de recursos. Esse tipo de pensamento é resultante da visão mecanicista do mundo, onde o homem está no centro da relação sociedade e natureza. Inserido desenvolvimento neste contexto que surge tenta um conciliar novo conceito:

sustentável,

desenvolvimento

17 econômico com preservação do ambiente. Dentro desta ótica, estaremos analisando a área da Bacia do Rio Gurují. A partir dessas constatações é que se podem elaborar algumas medidas que se seguidas conforme orientação de um plano de manejo sustentável pode promover o desenvolvimento social e econômico das comunidades locais sem desprivilegiar a necessidade de preservação ambiental. Um dos nossos objetivos neste trabalho é discutir a história desse conceito, discutindo como ele se desenvolveu dentro da ciência e como ele veio sendo tratado pela Geografia, analisando suas diversas

definições, mostrando sua importância na relação sociedade e natureza, defendendo uma forma de trabalho mais harmônica entre suas dimensões. Para isso, iremos expor o pensamento de vários geógrafos que trouxeram suas contribuições ao estudarem diferentes estudos de caso, nacionais e internacionais, buscando entender a questão da

sustentabilidade. Foi analisado trabalhos de outros pesquisadores – como Maria Célia Nunes Coelho, Georg Kluczka, Ton y Sorensen, Ian Bowler, Júlia Adão, entre outros – que tentaram examinar criticamente diversos casos, tanto os nacionais como os internacionais, que tratavam sobre o desenvolvimento sustentável e a relação sociedade e natureza. Após este histórico, iremos analisar o conceito de bacia

hidrográfica e sua importância como unidade de gestão e planejamento ambiental. Para isso, também precisamos entender um pouco sobre as diversas problemáticas que envolvem a água, seu uso, seu manejo em si. Finalizaremos este trabalho com um diagnóstico sócio-ambiental da Bacia do rio Gurují, discutindo a existência ou não de

sustentabilidade na prática agrícola dos agricultores da área.

18 2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral •

Analisar, a partir do conceito de Desenvolvimento Sustentável, os aspectos sociais, ambientais e econômicos da Bacia do rio Gurují, identificando práticas agrícolas sustentáveis na área estudada.

2.2 Objetivos Específicos • • • •

Caracterizar os aspectos físicos da Bacia do rio Gurují, incluindo o clima, vegetação, solos, uso e ocupação. Identificar as atividades econômicas desenvolvidas na bacia do rio Gurují, destacando os tipos de uso do solo e da água; Caracterizar as atividades agrícolas na área da Bacia do rio Gurují, destacando os aspectos sociais, ambientais e econômicos; Identificar as principais práticas agrícolas utilizadas em

assentamentos rurais e em áreas que não estão inseridas nos assentamentos.

19 3. METODOLOGIA E JUSTIFICATIVA

Veremos a seguir, que existem diversos fatores que influenciam na sustentabilidade de uma bacia hidrográfica, e isso está ligado à forma de como trabalhamos com as dimensões do desenvolvimento sustentável. Deste modo, resolvemos então analisar a sustentabilidade da agricultura na área da Bacia do Rio Gurují. A escolha de uma determinada metodologia depende do suporte teórico utilizado para direcionar a pesquisa, além de ser necessária uma adaptação de acordo com a definição da área de estudo e do tipo de abordagem que será utilizada (SANTOS, 2009). Diante da complexidade que se é analisar impactos ambientais em uma bacia hidrográfica, é preciso considerar diferentes procedimentos metodológicos, mesmo que eles não sejam elementos específicos nesse estudo. Sánchez (2006) apresenta um importante documento sobre

avaliação de impactos ambientais, tanto na perspectiva conceitual, quanto metodológica. De sua base conceitual foi importante destacar três pontos: i) a idéia de degradação ambiental; ii) a noção de impactos ambientais e; iii) avaliação de impactos ambientais. Em relação ao método foi importante destacar a identificação dos impactos e análise de riscos. Um dos esquemas apresentados por Sánchez (2006, p.316) pode ser identificado como uma tipologia de riscos ambientais. (ver figura 01)

Figura 01: Tipologia de riscos Ambientais Fonte: Adaptado de Sánchez (2006, p.316)

20 Observando a figura 01, pode-se afirmar que a área de pesquisa possivelmente possui várias situações em que os riscos ambientais estão presentes, dentro da complexidade do ambiente hidrográfico do rio Gurují profundamente marcado por alterações ambientais decorrentes principalmente pelo uso intensivo das encostas pela agropecuária. Tais argumentos justificam a apresentação do esquema adaptado de Sánchez. A referente pesquisa foi realizada através da observação direta in loco e na pesquisa empírica, pois a análise de uma bacia hidrográfica necessita de diferentes tipos de abordagens. A base da pesquisa foram os conceitos de desenvolvimento sustentável e bacia hidrográfica, devido à complexidade dos elementos que compõem a área de estudo além da necessidade de se trabalhar de forma não dicotômica a relação sociedade e natureza. O embasamento teórico foi realizado através de estudos e pesquisas bibliográficas de características gerais e específicas sobre a área de estudo, discutindo as questões ambientais e o surgimento do conceito de Desenvolvimento Sustentável. Também foi feita uma discussão sobre a importância das bacias hidrográficas para o planejamento ambiental, além de trabalhos de campo na área que compreende a Bacia do Rio Gurují para levantamento de dados, aplicação de entrevistas, etc. O estilo deste estudo geográfico busca trabalhar a Geografia de forma a integrar suas áreas de conhecimento, objetivando romper com a forma dicotômica de entender a relação sociedade e natureza. Por isso a escolha de se trabalhar com o conceito de desenvolvimento sustentável, pois a análise de suas dimensões de forma harmônica também tem esse objetivo. O foco da pesquisa foi analisar a atividade agrícola na área da bacia do rio Gurují, terras e comunidades ou pequenas vilas

circunvizinhas. A escolha dessa área de estudo se deu pelo motivo da bacia estar inserida dentro do município do Conde, numa área que está em processo de expansão, além de ter um dinamismo econômico com ênfase na agricultura e extrativismo, além de ser palco de instalação de

21 assentamentos rurais e comunidades que dependem da agricultura familiar para sobreviver. De acordo com dados do INTERPA – Instituto de Terras e Planejamento Agrícola da Paraíba e do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, existe na área do município do Conde um total de oito assentamentos rurais: Sítio Tambaba/Colinas do Conde e Capim Assú, a nível estadual; e Frei Anastácio, Paripe III, Barra de Gramame, Dona Antônia, Gurují II e Rick y Charles, a nível federal. A partir dos quadros abaixo, de teremos uma data idéia de da área de e cada sua

assentamento,

número

famílias,

desapropriação

localização. (SOUSA, 2008). Na Figura 2 (próxima página) podemos visualizar a localização de cada assentamento, com exceção do

assentamento Capim Assú (localiza-se ao Sul do assentamento Rick y Charles) e do assentamento sítio Tambaba/Colinas do Conde.
Quadro I – Lista de Assentamentos Estaduais do Município do Conde – PB

Autor: http://www.interpa.pb.gov.br/informacoes_assentamentos.php acesso em junho de 2008 Fonte: Sousa, 2008, p.80 Quadro II – Lista de Assentamentos Federais do Município do Conde – PB

Autor: http://www.interpa.pb.gov.br/informacoes_assentamentos.php acesso em junho de 2008 Fonte: Sousa, 2008, p.80.

22

Figura 02: Mapas dos assentamentos rurais no município do Conde – PB. Fonte: Sousa, 2008, p.80

23 Dentro da área da Bacia do rio Gurují estão os assentamentos Gurují II, Dona Antônia, Capim Assú e Rick y Charles. São essas as comunidades em que foram feitas as aplicações das entrevistas, como veremos a seguir. Trabalhamos o diagnóstico sócio-ambiental da bacia do rio Gurují e a sustentabilidade da agricultura local a partir de entrevistas realizadas em campo com um total de vinte (20) agricultores de quatro

assentamentos diferentes. O reconhecimento da área estudada foi feito através de trilhas a pé, de carro, de motocicleta, onde foram utilizados equipamentos como GPS e máquina fotográfica para registro; aplicação de entrevista com os sujeitos locais; etc.

24 4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Neste

capítulo

estaremos

discutindo

os

conceitos

de

Desenvolvimento Sustentável e de Bacia Hidrográfica, que serão a base teórica da pesquisa. Para isso foi necessário analisar não só os conceitos, mas também o processo histórico em que eles surgiram e se

desenvolveram dentro da esfera científica e política.

4.1 Discutindo O Desenvolvimento Sustentável A partir da década de 60, as questões ambientais começaram a ganhar impulso dentro da esfera científica. Começava a surgir o entendimento de que a sociedade não poderia continuar a utilizar a natureza como fonte de recursos de uma forma tão desenfreada como vinha sendo feito. Com isso, o modelo de desenvolvimento da época, começa a ser questionado. Dentro desse contexto, em meados da década 70 do século XX, surge uma linha de pensamento, que tentaria conciliar desenvolvimento com a não-agressão ao meio ambiente, e que posteriormente deu origem ao conceito de desenvolvimento sustentável. O objetivo desta abordagem seria integrar à condição de sustentabilidade, três dimensões

consideradas essenciais do desenvolvimento sustentável: a dimensão social, ambiental e econômica (COELHO, 1994). O conceito de desenvolvimento sustentável ganhou relativa importância dentro dos vários ramos existentes no meio científico. Deste modo, pretendemos mostrar como esse conceito se desenvolveu.

Entretanto, é necessário analisarmos um pouco a sua história. A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD foi criada em 1983 pela Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), com o objetivo de elaborar uma nova forma de compreender os problemas referentes ao desenvolvimento e o meio ambiente de uma maneira mais realista. Em 1987, em resposta ao que foi discutido no CMMAD, foi lançado um Relatório intitulado “Nosso Futuro Comum”, também

25 conhecido como Relatório Brundtland, no qual discutia uma nova forma de desenvolvimento que pudesse manter o progresso no planeta. Além de apontar a pobreza como uma das principais causa e um dos principais efeitos dos problemas ambientais do mundo, ele também criticava o modelo de desenvolvimento adotado pelos países

desenvolvidos pelo fato de ser insustentável e impossível de ser acompanhado pelos países em desenvolvimento, e ao mesmo tempo trazendo o risco de se esgotar os recursos naturais de forma acelerada. Desse modo, surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, que seria "o atendimento das necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades" (WCED, 1987). Apesar de na década anterior já houvesse tido discussões sobre esse tipo de desenvolvimento, foi no Relatório de Brundtland que ele recebeu pela primeira vez o nome de

desenvolvimento sustentável. Segundo Tayra (2007), desenvolvimento sustentável significa tornar compatível o crescimento econômico com o desenvolvimento humano e qualidade ambiental. Além de atender as necessidades humanas aumentando o potencial de produção, ele também deve assegurar que a geração do presente e a do futuro tenha as mesmas oportunidades. O autor ainda afirma que nessa visão o desenvolvimento sustentável não permanece em um estado de permanente equilíbrio, mas sim de mudanças quanto ao acesso aos recursos e quanto à distribuição de custos e benefícios, ou seja,

"é um processo de tr ansfor mação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investi mentos , a orientação do desenvol vi mento tecnológico e a mudança institucional se harmoni zam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às neces sidades e às aspirações humanas" (NOSSO FUTURO COMUM, 1987, p.49).

Segundo o Relatório Brundtland, o caráter do desenvolvimento sustentável estará ligado à eliminação da pobreza, da satisfação das necessidades básicas de alimentação, saúde e habitação, além de

26 privilegiar fontes de energia renováveis e o processo de inovação tecnológica, alterando a matriz energética atual (TAYRA, 2007). Na verdade, existem diversas maneiras de uma sociedade deixar de atender as necessidades básicas da população, como por exemplo, a exploração sem limites dos recursos naturais. Apesar de o

desenvolvimento tecnológico resolver alguns desses problemas, outros maiores podem surgir. A emissão de gases poluentes na atmosfera, os desmatamentos, a extração mineral, os desvios dos cursos d’água, a monocultura, são só alguns exemplos da intervenção humana nos sistemas naturais. (NOSSO FUTURO COMUM, 1987, pp.47-48). É bem verdade que no passado as intervenções eram em pequena escala e tinha impactos limitados, porém, atualmente a intervenção se dá em grande escala e os impactos são drásticos, ameaçando não só os sistemas de vida em escala local, mas também em escala global. A Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD colocou em seu Relatório “O Nosso Futuro Comum” alguns pontos centrais do conceito de desenvolvimento sustentável, que se tornaram um eixo de referência na Agenda 21:

"... tipo de desenvol vimento capaz de manter o progresso humano não apenas em al guns lugares e por alguns anos, mas em todo o planeta e até um futuro longí nquo. Assi m, o "desenvol vi mento sustentável" é um obj etivo a ser alcançado não só pelas nações em desenvol vi mento, mas também pelas industrializadas. (RELATÓRIO BRUNDTLAND, 1987). "... atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades. Ele contém dois conceitos chaves: i) o conceito de necessidades, sobretudo as necessidades essenciais dos pobres do mundo, que devem receber a máxi ma prioridade e: ii) a noção das limitações que o estágio da tecnologia e da organização soci al i mpõem ao meio ambiente, i mpedindo-o de atender às necessidades presentes e futuras. (NOSSO FUTURO COMUM, 1987,

p.46).?
"Em essência, o desenvol vi mento s ustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investi mentos, a orientação do desenvol vi mento tecnológico e a mudança institucional

27
se harmoni zam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas".

(NOSSO FUTURO COMUM, 1987, p.49). A Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas – CNUMAD, mais conhecida como Rio 92 – Agenda 21 –, levantou propostas e compromissos para se alcançar o desenvolvimento sustentável. A CNUMAD-92 também é resultante de um processo iniciado há duas décadas na Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano, realizada em Estocolmo no ano de 1972, seguida da criação da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), a qual já foi discutida anteriormente. A CNUMAD-92 também foi uma tentativa de operacionalizar as recomendações feitas no Relatório “Nosso Futuro Comum” elaborado pela CMMAD. Deve-se destacar também que no CNUMAD-92 cerca de 160 países assinaram a Convenção Marco sobre mudança climática com o objetivo de evitar interferência antrópicas no sistema climático. A partir dessa convenção, foi realizado em 1997, na cidade Kyoto no Japão, um encontro no qual foi redigido o Protocolo de Kyoto, cujo principal objetivo era que os países desenvolvidos reduzissem a emissão de gases que provocam o efeito estufa. Para entrar em vigor, o protocolo precisava ser ratificado, e em 1998 as assinaturas começaram a serem colhidas. Entretanto, apenas em 2004 o Protocolo de Kyoto entrou em vigor, depois que a Rússia aceitou ratificá-lo, pois era necessário que o documento fosse assinado por 55 países e que representassem no mínimo 55% das emissões feitas em 1990. Segundo o protocolo, algumas medidas são necessárias para se

atingir as metas propostas:

1. Aumento da eficiência energética em setores relevantes da economi a; 2. Proteção e aumento de sumidour os e reser vatórios de gases de efeito estufa sobre o meio ambi ente como as florestas; 3. Promoção de práticas sustentáveis de manej o florestal, florestament o e reflorestamento; 4. Promoção de for mas s ustentáveis de agricultura;

28
5. Pesquisa, promoção, desenvol vi mento e aumento do uso de for mas novas e renováveis de ener gia; 6. Promoção e pesquisa de tecnologias de seqüestro de dióxido de carbono; 7. Promoção e pesquisa de tecnologias ambientalmente seguras , que sej am avançadas e inovadoras; 8. Redução gradual ou eliminação de incentivos fiscais, de isenções tributárias e tarifárias e de subsídios para todos os setores emissores de gases de efeito estufa que sej am contrários ao obj etivo do protocol o; 9. Convenção e aplicação de instrumentos de mercado que reduzam as emissões de gases poluentes; 10. Estí mulo a refor mas adequadas em setores relevantes, visando a promoção de políticas e medidas que li mitem ou reduzam emissões de gas es de efeito estufa; 11. Li mitação e/ou redução de emissões de met ano por meio de sua recuperação e utilização no tratamento de resíduos, bem como na produção, no transporte e na distribuição de ener gi a; 12. Cooperação, compar tilhamento de infor mações sobre novas tecnologias adotadas. (http://ambiente.hs w.uol.com.br/protocolo-kyoto2.ht ml em 18/05/2010).

Entretanto, ainda falta para que o objetivo do protocolo seja alcançado com êxito. É necessário mais empenho, rigor e seriedade por parte dos países que assinaram o acordo, como também a ratificação do documento por outros países como os EUA, um dos maiores emissores de gases poluentes na atmosfera do planeta. Apesar do mundo está em constante mudança, o objetivo básico do desenvolvimento sustentável ainda é o mesmo: melhorar a qualidade de vida da sociedade do presente sem comprometer as gerações futuras. Entretanto, ainda hoje, esses caminhos se apresentam como um enorme desafio para todos os países. Segundo Kluczka (2003, p. 09), uma das dificuldades se deve ao fato de existir uma,

[...] variedade de aspectos e ní veis de sustentabilidade, e devido às diferenças regionais de desenvol vimento. Além disso, sociedade, es paço e desenvol vi mento estão suj eitos a um contínuo process o de mudança que pode resultar em novos aspectos ou prioridades.

Desta forma, um país, ou até mesmo duas regiões de um mesmo país, terão diferentes níveis e formas de sustentabilidade, ou seja, um

29 planejamento de desenvolvimento sustentável não necessariamente irá funcionar em outro local. Não existe um modelo replicável, mas sim estratégias e metas a serem atingidas. Outra dificuldade está “em saber lidar de forma conjunta com os princípios fundamentais da sustentabilidade, que requer uma abordagem coesa da dimensão ecológica com a econômica e social” (BICALHO, 2003, p.509), ou seja, é preciso abordar estas três dimensões

harmonicamente, objetivando primeiro o bem estar da humanidade. A perfeita harmonia entre estas três dimensões formaria o chamado “triângulo mágico” (figura 03). Para se alcançar a sustentabilidade é necessária que estas três dimensões sejam alcançadas de forma coesa, não negligenciando nenhuma delas.

SOCIAL

Desenvolvimento Espacial Sustentável
AMBIENTAL ECONÔMICO

Figura 03: O “Triângulo Mágico” da perspectiva do desenvolvimento espacial sustentável. Fonte: Kluczka, in Bicalho e Hoefle, 2003 : p.9

Entretanto, é necessário analisarmos diferentes locais onde veremos a opinião de autores que discutem sobre o desenvolvimento sustentável em suas pesquisas. Dessa forma selecionamos alguns

exemplos que irão nos mostrar alguns caminhos para se alcançar com eficiência sustentável. Em seu texto “Desenvolvimento Rural Local Sustentável do Manejo Integrado da Bacia do Ribeirão Santana”, Oliveira e Tubaldini (2003) têm por objetivo analisar os resultados obtidos pelo programa de Manejo integrado da Bacia Hidrográfica do Ribeirão Santana em à integração entre as dimensões do desenvolvimento

30 Varginha, Minas Gerais. A finalidade é saber se a bacia hidrográfica é um território que pode ser utilizado como base para projetos de cunho sustentável no meio rural. O estudo gira em torno principalmente dos cafeicultores da região, pois a produção e a comercialização deste produto são

responsáveis por 40% do capital que circula no município de Varginha, além de ser responsável por 15% da exportação nacional. Os autores alegam a importância da valorização do local para a sustentabilidade, como podemos ver:

Ao definir o es paço l ocal da bacia do Ribeirão Santana como um marco estratégico na orientação de processos de desenvol vi mento, é necessário buscar referências que indiquem os passos dados na direção da ef etividade das políticas ali implementadas, sempre à luz do enfoque inovador orientado pela perspectiva da sust entabilidade. É este sentido que leva a uma valori zação do local como espaço para a integração de políticas públicas sob uma perspectiva de sustentabilidade, usando a criação e consolidação de padr ões alternativos e inovadores de desenvol vi mento. (OLIVEIRA e TUBALDINI, 2003, pp.408-409)

Os autores se utilizaram de entrevistas, análise e coletas de dados, além de observação direta e sistemática. Eles orientaram os resultados em quatro dimensões:

1. Ambiental: compreens ão do meio ambiente como ati vo de desenvol vi mento, considerando o princípio da sustentabilidade em qualquer opção transfor madora; 2. Econômica: resultados econômicos com adequados níveis de eficiência através da capacidade de usar e articular fatores produtivos endógenos para gerar oportunidades de trabalho e renda, fortalecendo a economia local e integrando as unidades familiares; 3. Político-institucional: novas institucionalidades que através da expressão política e com participação dos atores sociais permitam a construção de políticas territoriais que gerem um entorno inovador, favorável às transformações da economia local e o resgate da cidadania; e o desenvolvi mento de práticas de governança democrática; e 4. Social: participação do cidadão nas estrutur as de poder que possibilitem a inclusão, inserção social e participação e que repercutem na saúde, educação,

31
saneamento básico, t ransportes, assistência social; ou sej a, ações que repercutem na qualidade de vida. (OLIVEIRA e TUBALDINI, 2003, pp.409-410).

Deste

modo,

segundo

esses

autores,

para

se

atingir

o

desenvolvimento local sustentável seria necessário trabalhar articulando estas quatro dimensões. Outro fator decepcionante que os autores discutem é que a população local não tinha um papel participativo, mas sim de passividade imposta pelo projeto, no qual a população teria o papel de apenas aceitar o plano. Sendo assim, concluem que é possível sim o desenvolvimento rural sustentável através da gestão de bacias hidrográficas, mas não da maneira que foi adotada no Ribeirão Santana, pois neste projeto:

“[...] as ações des envolvidas na verdade foram fruto da implantação de técnicas para a preservação da água necessária à Varginha e com parceria com os agricultores que as aceitavam como uma compensação pelo estoque de água que eles forneci am ao sistema em conseqüência do abasteci mento urbano, ou sej a: uma troca, um capital natural a negociar. ( OLIV EIRA e TUBALDINI, 2003, p.415)

Com esses procedimentos, como a água sendo tratada apenas como recurso e a sociedade tendo uma participação passiva, não se consegue alcançar a sustentabilidade. Esse é apenas uma amostra de como o interesse econômico e/ou outros fatores podem influenciar e dificultar na abordagem integrada das dimensões do desenvolvimento sustentável. Fortalecendo ainda mais a discussão de Oliveira e Tubaldini, outros autores incluem dentro de seus trabalhos a cultura como importante componente para o desenvolvimento sustentável. Em seu texto A Integração do Ambiente na Prática e no Discurso do Desenvolvimento Sustentável Através da Participação do Cidadão e da Mobilização e de Conhecimento Local, Bryant, Do yon, Frej, et al (2003) têm por objetivo fazer uma análise das tensões entre as dimensões humana e biofísica baseado no desenvolvimento comunitário sustentável. Suas primeiras palavras, assim como defende Bicalho (2003), são sobre a

32 dificuldade de conseguir um equilíbrio entre as dimensões do

desenvolvimento sustentável: sociedade, economia e ambiente. Segundo eles, a tensão se dividiria em dois grandes fluxos. O primeiro, onde o ambiente biofísico foi focalizado, até mesmo por diversos Ministérios da Agricultura ao redor do mundo, no qual se buscava novas tecnologias para resolver os problemas. Porém, não consideravam o quadro político e econômico ou até mesmo cultural, pois segundo eles, menos “[...] atenção foi dirigida aos contextos culturais, econômicos e sociais nos quais esses problemas foram criados e nas restrições sociais, culturais e econômicas na adoção de tecnologias alternativas.” (BRYANT, DOYON, FREJ et al, 2003, p.17). No segundo fluxo, as pesquisas se concentravam em torno das discussões sobre “justiça e equidade social, acesso a serviços básicos, acesso a emprego e democratização”. Aqui, o ambiente biofísico é colocado em segundo plano (BRYANT, DOYON, FREJ et al, 2003, p.17). O autor ainda comenta que muitas vezes no desenvolvimento comunitário sustentável é difícil encontrarmos referências sobre o ambiente biofísico, fazendo com que exista uma divisão: o ambiente biofísico e ambiente humano, ou visto de outra forma, natureza e sociedade. Desta maneira, estaríamos quebrando a harmonia desejável para o início de uma sustentabilidade. Bryant et al (2003) ainda comentam que em alguns círculos de pesquisa ficou comum analisar a natureza e o conceito de

desenvolvimento sustentável como uma construção da sociedade. Eles utilizam o pensamento de Bowler, Bryant e Cocklin (2002) os quais dizem que a cada momento a sociedade está se transformando, mudando suas necessidades, nas quais sua estrutura é modificada para se adequar a novas especificidades. Porém, quando se fala de aplicar novas tecnologias para resolver os problemas que viessem a surgir, de certo modo se deixava escanteado o conhecimento local, o que pode ser percebido quando afirmam:

33
Opções alternativas podem ser i gnoradas e, em nenhum caso, as conseqüências sociais e culturais e até mes mo as verdadeiras conseqüências ambientais não são contrabalançadas adequadamente. Procurando opções alternativas, tais soluções técnicas têm si gnificado, com freqüência, ignorar o potencial do conhecimento local (nativo) como uma f onte de criatividade para resolver o problema. ( BRYANT et al, 2003, p.18, gr ifo nosso).

Deste modo, o autor revela a importância de se considerar o conhecimento local, a cultura de uma determinada sociedade no estudo de seu desenvolvimento, neste caso, o desenvolvimento comunitário sustentável. Eles também discutem que essa tentativa de valorizar o conhecimento local, fazendo com que a população participasse

ativamente dos planejamentos e dos projetos de desenvolvimento, não é uma coisa nova, mas que na verdade vem sendo proposto por pessoas que avaliam impactos ambientais e aqueles ligados ao crescimento sócioeconômico de países em desenvolvimento. Essa problemática da desconsideração da cultura como

importante elemento no estudo do desenvolvimento sustentável também é tratado por Kluczka (2003). Desenvolvimento Rural Em seu texto Teoria e Prática do há uma discussão sobre

Sustentável,

desenvolvimento sustentável na área rural. Ele faz uma crítica ao “triângulo mágico”, afirmando que existe uma lacuna a qual qualquer geógrafo naturalmente notaria essa falha. Seria a inserção da cultura como uma das dimensões e metas do desenvolvimento sustentável, pois apesar dela estar representada pela dimensão social, geralmente não é considerada como um elemento importante para se atingir o desenvolvimento sustentável. Kluczka faz esta afirmação mediante a comprovação de que na Europa e em outros continentes existe uma grande diversidade cultural-espacial. No Brasil, ou mesmo em escala local, nos municípios do Estado da Paraíba também existe diversidade cultural. Com isso, afirma que o triângulo deveria progredir “para ‘o quadrado real’ do desenvolvimento regional sustentável” (KLUCZKA, 2003: 11). (figura 04).

34 Sendo assim, estamos diante de uma nova dimensão que deve ser levado em consideração devido às várias diferenciações culturais

existentes. E já que diversas sociedades podem ser definidas pela sua identidade cultural, cada região deve fundamentar o desenvolvimento rural sustentável de acordo com seus recursos e habilidades e não por alguma determinação externa, independentemente do nível de

desenvolvimento de cada região (KLUCZKA, 2003, p.11).

CULTURA

SOCIAL

Desenvolvimento Regional Sustentável

ECONÔMICO Figura 04: O “Quadrado Real” do desenvolvimento regional sustentável. Fonte: Kluczka, 2003 : p.9

AMBIENTAL

Segundo Kluczka (2003), esse tipo de pensamento começou a surgir na Europa por volta da década de 80 do século XX, em paralelo com os trabalhos da Comissão Brundtland sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. A idéia é de aproveitar os potenciais internos de uma região e desenvolvê-los ao invés de depender de impulsos externos. Porém, a população local deve entender que ela própria tem o poder para melhorar suas condições de vida e que deve ser partícipe em todo esse processo, mesmo que recursos externos acabem sendo utilizados. Porém, como se alcançar a harmonia entre as dimensões

ambiental, social, econômica e cultural? Quando se fala de sociedade e economia, indiretamente estamos falando de política institucional. Deste modo, é preciso um maior envolvimento da esfera política dentro deste processo. O que abre espaço para a inclusão de outra dimensão dentro das metas do Desenvolvimento Sustentável: a Política. A inclusão deste novo

35 elemento transformaria o quadrado num pentágono (figura 05), como sugere Bicalho (2003).

POLÍTICO INSTITUCIONAL

SOCIAL

Desenvolvimento Sustentável

AMBIENTAL Figura 05: O Pentágono do desenvolvimento regional sustentável. Fonte: O autor ECONÔMICO

CULTURA

Bicalho (2003) em seu texto Os Desafios à Sustentabilidade Rural e a Prática Geográfica, faz uma explanação sobre os princípios e de como a sociedade pode influenciar nas decisões políticas. Ela coloca o pensamento de Kaufman (1997 , p.509 ):

A complexidade aumenta com a inclusão da sociedade civil como partícipe nos processos de decisão e na ação, associando a sustent abilidade a um novo modelo de democracia emer gido em fins do século XX que prevê a aproxi mação e a inter ação do Estado com a sociedade de for ma mais efetiva e direta. A sociedade civil não é apenas consultada sobre a adequabilidade de políticas de desenvol vi mento previamente elaboradas pelo saber tecnocrata, mas ela é ativamente envol vida no processo em si, pois a população tem o poder de defi nir a forma e a natureza da participação.

Bicalho (2003) confirma este pensamento e diz que esse novo modelo democrático é a governança quando sugere que “A governança representa essa nova prática da participação democrática entre a sociedade civil e o Estado [...]” (p.512). Bowler (2003), no seu texto Governança e Agricultura

sustentável: Experiência recente na Inglaterra, aponta para esse tipo de pensamento quando entende que o poder público, o poder privado e a sociedade organizada podem funcionar de forma articulada, na chamada

36 governança ou gestão compartilhada, tendo em vista o desenvolvimento social e econômico que ocorre no espaço, onde estão impressas as relações sociedade e natureza. Para Jessop apud Bowler (1995; p. 310) “governança se refere à mudança de relacionamentos entre três domínios: o estado, o mercado e a sociedade civil”. Nesta visão, Estado, representando o poder político; Mercado, representando o poder econômico; e Sociedade civil,

representando o poder administrativo; estariam em comum acordo, de forma a promover o desenvolvimento sustentável seja em escala local, regional ou global. A esfera política local exerce um papel fundamental neste processo de relacionamento, visto que ela pode direcionar recursos financeiros para incentivar, por exemplo, práticas sustentáveis conforme a agenda da política global, uma vez esta tendo sido elaborada com a participação desta sociedade civil e organizada. Essas práticas compreenderiam desde as agrícolas até as

industriais tais como: rotação de cultura para melhor aproveitamento do solo e um menor desgaste deste; utilização racional do potencial verde e dos recursos hídricos; uso adequado na limpeza da terra evitando as queimadas e desmatamentos; aproveitamento de defensivos orgânicos contra pragas e insetos a fim de garantir na mesa do trabalhador, sobretudo assalariado, uma qualidade de vida em saúde alimentar. Já as práticas industrial-empresariais poderiam se auto-corrigir quanto à emissão de gases poluentes na atmosfera, a exploração indiscriminada dos recursos esgotáveis e ao estimulo ao consumo desenfreado dos bens do capital descartável. Até agora, a partir dos estudos de caso mencionados, analisamos a sustentabilidade como um fim, como uma meta a ser alcançada. Contudo, nem todos compartilham da mesma opinião. É importante também colocarmos a posição do geógrafo

australiano Ton y Sorensen, que vê o conceito de sustentabilidade de forma diferente. Em seu texto “Sustentabilidade de Sistemas Versus Sustentabilidade do Lugar?”, o autor tem por objetivo analisar as contradições do termo sustentável, enfocando as situações que ocorrem

37 na Austrália. Começa discutindo o conceito de sustentabilidade

sugerindo que ele irá variar de acordo com a escala espacial de análise utilizada. (2003) Como exemplo, ele comenta o apoio americano na tentativa de viabilizar economicamente a produção nacional de carne de ovelha através da fixação de taxas nas importações dos competidores

estrangeiros, o que seria ruim para os produtores australianos. Com isso, o autor fundamenta que a sustentabilidade local em determinados locais dos Estados Unidos promove a insustentabilidade de outras localidades, como nos locais dos produtores de carne e lã de carneiros na Austrália (SORENSEN, 2003, p.43). Resumindo, a sustentabilidade de uns é as custas da insustentabilidade outros. Dentro desta ótica, o autor demonstra que a sustentabilidade será definida pelo panorama do observador, ou seja, na visão de um determinado grupo ou até mesmo de um indivíduo, de acordo com seus próprios interesses e perspectivas “[...] as quais raramente coincidem espacialmente e divergem de forma crescente à medida que nos tornamos cientes de horizontes espaciais mais amplos.” (SORENSEN, 2003, p.43). Além disso, o autor comenta que as definições individuais de determinados problemas podem variar freqüentemente, assim como o entendimento de causa e solução, fazendo com que não exista uma definição própria de sustentabilidade. Outro elemento importante que Sorensen (2003) insere dentro da problemática é o fator tempo. Para ele, o contento e o significado da sustentabilidade variam de acordo com o tempo, o que não deixa de ser uma verdade, pois uma das dimensões do desenvolvimento sustentável é o social, ou seja, a sociedade. E como a sociedade a todo tempo está modificando suas relações, conseqüentemente é natural que o conceito de sustentabilidade também venha a mudar, tentando se adequar aos novos preceitos da sociedade. Deste modo, o conceito de desenvolvimento sustentável possui um aspecto dinâmico, mutável. Assim como foi comentado anteriormente neste trabalho,

Sorensen (2003) também comenta sobre a dificuldade de se trabalhar com todas as dimensões do desenvolvimento sustentável. Ele mesmo faz

38 um esquema (figura 06) das dimensões da sustentabilidade para embasar seu pensamento e diz:

Se tomar mos as di mensões da s ustentabilidade conj untamente [...], estaremos trabalhando com um conceito muito difícil. O problema não é apenas de definição, mas também de política pública e de gerenciamento do set or pri vado, que se tornam mais difíceis devido à grande plasticidade desse termo. (SORENSEN, 2003, p.48).

Para comprovar o seu pensamento, o autor cita o caso dos conflitos entre os grandes e pequenos produtores de trigo da Austrália. O problema está na comercialização eficiente dos grãos. A Austrália possui um controle monopolista da comercialização com estatutos quase

socialistas (Junta de trigo Australiana – Australian Wheat Board), mas vários grandes produtores vêem vantagens de renda na negociação das vendas individualmente. Estes têm por longo tempo, se manifestado pela abolição do mercado centralizado.

Diversidade de Escala na Análise Espacial: definições de sustentabilidade variam de acordo com a escala de análise; problemas de múltiplas escalas de análise.

Diversidade de Grupos de interesse: participação em múltiplos grupos, cada um operando em escalas espaciais diferentes.

Arranjos para Gerenciar Conflito: ajudam a definir o que é sustentável e fornecem vias para o gerenciamento efetivo de recursos.

Definições de Sustentabilidade compreensão/percepção a) componentes b) sua importância relativa c) suas inter-relações d) alcance de acordos possíveis e desejáveis e) significado maior na situação específica

Atores Chaves têm Diferentes Horizontes Temporais: definições de “sustentável” variam de acordo com horizontes temporais.

Adaptabilidade Sistêmica: influencia a definição do que é sustentável; é afetada por uma série de relações sociais, econômicas e políticas.

Ritmo e Direção de Mudança: influencia percepções do que é sustentável e a capacidade de adaptação à mudança.

Figura 06: Qualidade de sustentabilidade: um sumário Fonte: Sorensen, 2003, p.49

39 Com isso seriam potencialmente beneficiados os grandes e lucrativos produtores cujas economias em escala permitem negociar privadamente: regiões (como Moree Plains Shire - Austrália) que abrigam grandes produtores. Quem seria potencialmente prejudicado seriam os pequenos produtores os quais não podem negociar prontamente de forma privada e estão em posição de perda substancial de renda: pequenas cidades que servem a numerosos pequenos produtores. A AWB (Junta de Trigo Australiana) foi acionada pela Suprema Corte em 2001, e foi julgada constitucional. Segundo o autor, ela estava provavelmente prestes a perder seu monopólio. Os grandes produtores tornaram-se mais sustentáveis; os pequenos menos. O autor encerra seu pensamento confirmando a decepção

comentada no início de seu texto sobre o entendimento do conceito de sustentabilidade, pois para ele é um conceito paradoxal mediante os casos australianos de sustentabilidade se mostrar insustentáveis. Outras teorias também surgiram, procurando levar em conta o saber das populações locais nas propostas de desenvolvimento, pois vários pesquisadores começaram a perceber que soluções vindas do saber popular em algumas situações tinham mais eficácia em resolver

determinados problemas do que aquelas propostas pelo saber científico. O objetivo dessas propostas era o de encontrar uma forma de alcançar ecologia, o desenvolvimento com que sustentável, a produção conciliando se torne produção e

fazendo

ecologicamente

sustentável. Entretanto, para isso é necessário uma ruptura com a forma de se relacionar com a natureza (W ILBANKS, 1994 apud ABRANCHES, 2008), ou seja, uma crítica ao modelo produtivista desenvolvimentista. Trabalhar com o conceito de desenvolvimento sustentável requer trabalhar com o princípio da harmonia na relação sociedade e natureza. Por este fato, se torna difícil as ciências naturais trabalharem com este conceito. Talvez a Geografia por sua experiência no trato entre as questões sociais/naturais, além do trabalho em escalas de diferentes abrangências – local/global – possa atender melhor essas questões (WILBANKS, 1994, COOPER e VARGAS, 2004 apud ABRANCHES, 2008).

40 O mais importante é lembrar que o desenvolvimento sustentável é uma ruptura com a modernidade e sua forma de desenvolver, pois aqui se busca apenas o pleno desenvolvimento econômico, enquanto que no desenvolvimento sustentável se procura uma inter-relação entre as questões ambientais, econômicas, sociais, culturais e político-

institucionais. Deste modo, podemos perceber através da análise dos diversos estudos de casos apresentados neste capítulo e de sua própria história, que o conceito de sustentabilidade e desenvolvimento sustentável são entendidos, de acordo com a realidade de cada local, com diferentes abordagens. Entretanto, ele já ganhou seu espaço dentro da esfera científica, inclusive na própria Geografia.

41 4.2 A Bacia Hidrográfica enquanto Unidade no Planejamento e Gestão Ambiental

Atualmente não se discute a questão dos recursos hídricos sem falar em bacia na hidrográfica. análise Ela tem tipos sido de considerada um problemas. para As fator bacias

fundamental hidrográficas

desses as

constituem

unidades

naturais

informações

hidrológicas, podendo, também, ser usadas como unidades naturais de manejo da terra, uma vez que nelas se observa a dependência de todos os componentes do crescimento e desenvolvimento da sociedade. Entretanto, não podemos falar de bacias hidrográficas sem antes entendermos um pouco sobre as diversas questões que envolvem a água. Sabemos, e hoje mais do que nunca, que a água é de vital importância e fundamental para a manutenção da vida. Apesar disso, os sistemas aquáticos vêm sofrendo, devido à ação humana, principalmente nos últimos dois séculos, uma deterioração de suas características físicas, químicas e biológicas num ritmo acelerado, contribuindo para o

desaparecimento de rios e lagos, além de afetar o ciclo da água e o clima as condições ambientais (S ILVA, AZEVEDO e MATOS, 2006). De acordo com o MMA – Ministério do Meio Ambiente (2003), a água é um insumo indispensável à produção e caracteriza-se como um recurso estratégico para o desenvolvimento econômico, ou seja, várias atividades dependem da água: a navegação, o turismo, a indústria, a agricultura e a geração de energia elétrica. Por isso a importância de proteger esse recurso valioso, buscando o correto manejo em prol do desenvolvimento, porém, de forma sustentável. O Brasil dispõe de Leis que visam regulamentar a utilização dos recursos hídricos. A Lei N° 9.433, de 08 de janeiro de 1997, conhecida como Lei das Águas, instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Seu artigo 2° traz os objetivos da Política Nacional de Recursos Hídricos:

42
I - assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; II - a utili zação racional e integrada dos recursos hídricos, incluindo o t ransporte aquaviário, com vistas ao desenvol vi mento sustentável; III - a prevenção e a defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recurs os naturais. (BRAS IL, 1997).

Deste modo, cabe ao governo garantir que estes objetivos sejam alcançados com êxitos, que as futura gerações tenham a disponibilidade de água necessária para sua sobrevivência, que a forma escolhida para se alcançar esses objetivos seja nos moldes do desenvolvimento sustentável. É preciso defendê-la contra os impactos causados principalmente pelo manejo inadequado realizado pelo homem. A água apresenta-se como recurso essencial para a vida do planeta. A simples existência de água na sua forma líquida garante a existência de vida na Terra. Do total de água disponível em nosso planeta, apenas 0,6% pode ser utilizada mais facilmente pelos seres vivos. E desta pequena fração de 0,6%, apenas 1,6% apresenta-se na forma superficial e de fácil acesso para o homem (figura 13). Por isso a importância atualmente de se preservar os recursos hídricos. Todavia, constatou-se no decorrer dos séculos, uma crescente exploração e ampliação no desperdício da água, sem haver contrapartida no planejamento e gerenciamento de seu uso.

Figura 07: Distribuição da Água no Ambiente Terrestre. Fonte: Lorandi e Cançado (2002), adaptado de Peixoto e Oort (1990)

43

O aumento da população mundial, a poluição provocada pelas atividades humanas, o consumo excessivo e o alto grau de desperdício de água contribuíram para reduzir ainda mais a disponibilidade desse recurso ambiental para o consumo humano. (HUNKA, 2006) Lorandi e Cançado (2002) citam algumas das principais fontes de poluições dos recursos hídricos: • • • • •

As de origem natural: decomposição de vegetais, erosão das margens, etc.; As águas residuárias (esgotos domésticos e industriais); As águas do escoamento superficial; As de origem agropastoris: excrementos de animais,

pesticidas, fertilizantes; Os resíduos sólidos (lixo).

Dentre os problemas ambientais enfrentados hoje, a crise da água talvez seja a mais grave, já que a situação de sua escassez em termos de quantidade e qualidade afeta, em maior ou menor grau, todos os países do mundo, inclusive o Brasil. A distribuição irregular (espacial e temporal) da água no planeta e a sua crescente deterioração, aliadas ao pouco conhecimento a sustentabilidade desse recurso e à falta de alternativas para a moradia e abastecimento geram situações complexas que acabam por envolver não só as populações que estão diretamente imersas nesses contextos como também o restante da sociedade. Isso é resultado da maneira que nossa sociedade escolheu como o caminho para o desenvolvimento e também a visão dicotômica que ela tem sobre o entendimento da relação sociedade/natureza, que acabou criando a noção de que o homem tem o domínio, o controle sobre os fatores naturais. Por este motivo, as questões sobre disponibilidade, acesso e os conflitos sobre o uso da água tem sido uma temática bastante discutida nesse início do século XXI, incluindo o manejo de bacias hidrográficas.

44 Mas o que é bacia hidrográfica? Como este conceito é definido? Segundo Guerra (1993) a bacia de drenagem consiste em um conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes. Christofoletti (1980, p.102) a define como “área drenada por um determinado rio ou sistema fluvial”. Ele ainda acrescenta que a quantidade de água que vai atingir os cursos fluviais dependerá do tamanho da área ocupada pela bacia, pelo regime de chuvas e das perdas devido a infiltração e evapotranspiração. Segundo Tundisi (2003,
p. 24 ),

podemos

considerar

bacia

hidrográfica como:

Unidade geofísica bem deli mitada present e em todo o território, em vári as di mensões, apresenta ciclos hidrológicos e de energia relati vamente bem caracterizados e integra sistemas a montant e, a j usante e as águas subterrâneas e superficiais.

A definição dada por Rebouças (2004, p. 76 ) é que esta unidade é:

Um sistema físico que define uma captação das águas precipitadas da at mosfera, demarcada por di visores de água ou cristas topográficas onde toda a água que flui nesta área e conver ge para um ponto único de saída, “o exutório”.

Lanna (1995, p. 51) nos traz uma definição um pouco mais complexa, em que envolve variáveis, como o tempo e a

imprevisibilidade:

A bacia hidrográfica pode ser considerada um quebracabeça composto de micr o e pequenas bacias, suj eito a atividades difusas e concentradas, mas que além da complexidade intrínseca da inter -relação ent re as partes e o todo, apresenta variabilidade temporal com os elementos de i mprevi sibilidade, ou sej a, trata-se de um quebra-cabeças que assume confi gurações distintas e imprevisíveis .

Teodoro et al (2007) analisando o conceito de bacia hidrográfica e sua importância na dinâmica ambiental local, coloca a definição de Barella, que entende bacia hidrográfica como:

45

[...] um conj unto de terras drenadas por um rio e seus afluentes, for mada nas regiões mais altas do relevo por divisores de água, onde as águas das chuvas, ou escoam superficialmente for mando os riachos e rios , ou infiltram no solo para for mação de nascentes e do lençol freático. As águas superficiais escoam para as partes mais baixas do terreno, for mando riachos e rios, sendo que as cabeceiras são for madas por riachos que brotam em terrenos íngremes das serras e montanhas e à medida que as águas dos riachos descem, j untam-se a outros riachos, aumentando o volume e for mando os pri meir os rios, esses pequenos rios continuam seus traj etos recebendo água de outros tributários, for mando rios maiores até desembocarem no oceano. (BARELLA apud TEODORO et al, 2007, p.138)

Tucci (1993) apud Lorandi e Cançado (2002) afirma que “bacia hidrográfica é a área total de superfície de terreno de captação natural de água precipitada, na qual um aquífero ou um sistema fluvial recolhe sua água”. Apesar das diversas definições citadas anteriormente, podemos perceber que a bacia hidrográfica e outros elementos do ambiente, estão interligados, ou seja, dependem um do outro, como um grande organismo vivo. Atualmente, o conceito de bacia hidrográfica tem se expandido e cada vez mais é utilizado como unidade de gestão na área do planejamento ambiental. Segundo Pires, Santos e Del Prette (2002), dependendo do ponto de vista, pode-se trabalhar o conceito de bacia hidrográfica de forma diferenciada:

Na perspecti va de um estudo hidrológico, o conceito de bacia hidrográfica envol ve explicitamente o conj unto de terras drenadas por um corpo d’ água pri ncipal e seus afluentes e representa a unidade mais apropriada para o estudo qualitativo e quantitativo do recurs o água e dos fluxos de sedimentos e nutrientes. ( PIRES, SANTOS e DEL PRETTE, 2002, p.17) [...] Do pont o de vista do planej ador direcionado à conser vação dos recursos naturais, o conceito tem sido ampliado, com uma abrangência além dos aspectos hidrológicos, envol vendo o conheci mento da estrutura biofísica da bacia hidrográfica, bem como das mudanças nos padrões de uso

46
da terra e suas implicações ambientais. ( PIRES,

SANTOS e DEL PRETTE, 2002, p.17) Eles ainda comentam que vários autores ressaltam que o conceito de bacia hidrográfica seja análogo ao de ecossistema, seja para estudo ou para planejamento ambiental. Essa discussão reforça a idéia de que a bacia hidrográfica está interligada a outros elementos do ambiente e que depende de cada um deles. A utilização da bacia hidrográfica como unidade de planejamento e gerenciamento ambiental não é uma coisa recente. No início, esse processo era direcionado para solucionar problemas relacionados ao recurso água, dando-se prioridade ao controle das inundações, irrigações, navegação, abastecimento público e industrial, etc. (FORBES e HODGE, 1971 apud P IRES, SANTOS e DEL PRETTE, 2002). Com o passar do tempo, houve um aumento na demanda sobre os recursos hídricos, que gerou a necessidade de agregar na abordagem inicial os aspectos relacionados aos usos múltiplos da água, com o objetivo de atender os múltiplos usuários. Essa abordagem buscava solucionar os conflitos existentes entre usuários além de dimensionar a qualidade e quantidade do recurso que cabe a cada um e suas responsabilidades sobre o mesmo. Isso se deve ao fato de que o uso dos recursos hídricos é resultado de uma série de fatores naturais, econômicos, sociais e políticos, e a água seria a penas o ponto de convergência de um complexo sistema ambiental. Pires, Santos e Del Prette (2002) também colocam que devemos entender que unidade de análise e unidade de gerenciamento são coisas distintas. O primeiro conceito é eminentemente técnico-científico; e o segundo político-administrativo. Gerenciar uma bacia hidrográfica não

significa que devemos restringir a análise apenas às determinações da realidade interna e a dinâmica da mesma, mas também devemos considerar as múltiplas relações internar e externas à bacia hidrográfica. Nesse contexto, utilizar a bacia hidrográfica como unidade de gerenciamento representa uma estratégia cuja perspectiva seria a busca do desenvolvimento sustentável, e que neste sentido, deve atingir três

47 metas: o desenvolvimento econômico; a equidade social, econômica e ambiental; e a sustentabilidade ambiental. Rutkowski e Santos (1998, p. 06) também discutem a bacia hidrográfica na perspectiva exposta no parágrafo anterior, e propõem o termo “bacia ambiental”, que é definida como:
[...] um conj unto de inter -relações entre o ambiente físico-quí mico e o meio biológico, tamponado pelas modificações no desenho natural da paisagem, ditadas pelas ações sócio-econômicas, que circunscreve, em seus limites, as drenagens naturais e/ou antrópicas das águas superficiais.

Para as autoras, a bacia ambiental é um espaço territorial com um corpo organizado, mas ao mesmo tempo, dinâmico, e seus limites são estabelecidos de acordo com os parâmetros ambientais da

sustentabilidade: ecológicos, econômico (financeiro e administrativo) e social (política, espiritual e cultural). Lorandi e Cançado (2002, p. 37) comentam que para o

gerenciamento e planejamento de bacias hidrográficas deve-se:

a) Incorporar todos os recursos ambientais da área de drenagem e não apenas o hídrico; b) adotar uma abordagem de integração dos aspectos ambientais, sociais, econômicos e políticos, com ênfase nos primeiros e, c) incluir os obj etivos de qualidade ambiental para utilização dos recursos, procurando aumentar a produtividade dos mes mo e, ao mes mo tempo, di mi nuir os i mpactos e riscos ambientais na bacia de drenagem.

Nessa acontecer

visão,

o em

desenvolvimento consideração

econômico

e

social

deve como

levando

alternativas

ambientais,

proteção e conservação dos recursos hídricos, manutenção das matas marginais, uso adequado dos solos, utilização racional dos recursos naturais, entre outros. Deste modo, o conceito de bacia hidrográfica ganha mais complex idade, pois além de englobar o problemas físicos da área, também se deve considerar as questões políticas, econômicas e sociais.

48 Para Pires, Santos e Del Prette (2002), o uso da bacia

hidrográfica como unidade de gerenciamento da paisagem é mais eficaz porque:

(i) no âmbito local, é mais factível a aplicação de uma abordagem que compatibilize o des envol vi mento econômico e social com a proteção dos ecossistemas naturais, considerando as interdependências com as esferas globais; (ii) o gerenciamento da bacia hidrográfica per mite a democrati zação das decisões, congregando as aut oridades, os planejadores e os usuários (privados e públicos) bem como os representantes da comunidade (associações sócioprofissionais, de proteção ambiental, de mor adores, etc.); e (iii) permite a obtenção do equilíbrio financeiro pela combinação dos investimentos públicos (geral mente fragmentários e insuficientes, pois o custo das medidas para a conser vação dos recursos hídricos é alto) e a aplicação dos princípios usuário-pagador e poluidor pagador, segundo os quais os usuários paga taxas proporcionais aos usos, estabelecendo-se as sim, diversas categorias de usuári os. ( PIRES, SANTOS e DEL

PRETTE, 2002, pp. 20-21). A utilização do conceito de bacia hidrográfica na conservação de recursos naturais também está relacionada com a possibilidade de avaliar o potencial de desenvolvimento e de produtividade biológica de uma determinada bacia, definindo como aproveitá-los da melhor forma possível, com o mínimo de impacto ambiental. Também devemos levar em consideração que nem sempre os autores que propõem ações relacionadas sobre as tomadas de decisões em relação ao uso do espaço e dos recursos naturais, fazem uma autoavaliação de si mesmos, dos impactos que eles próprios produzem, mas sim visam apenas lucros financeiros, satisfação pessoal. Por isso, as ações de gestão ambiental devem ser realizadas ou pelo menos mediadas pelo poder público, em seus diferentes níveis hierárquicos, levando em consideração as características do ambiente em questão, para que o desenvolvimento seja adequado e sustentável. Na verdade, as atividades não sustentáveis, aquelas que visam o lucro imediato e não computam os custos ambientais e sociais, são as principais causas de ameaças a qualidade ambiental de uma bacia

49 hidrográfica. Com isso, os problemas ambientais gerados são diversos e na maioria dos casos resultam em sérios prejuízos para a bacia.

50 5. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Este capítulo tem como finalidade trazer os resultados obtidos durante a realização da pesquisa e discutir os objetivos propostos pelo trabalho. Na primeira parte, será feito um diagnóstico sócio-ambiental

da bacia do rio Gurují, onde será feita uma descrição física da área, destacando a localização da bacia, o tipo de clima da região,

temperatura, caracterização dos tipos de solos e do tipo de vegetação, etc. Na segunda parte serão discutidos os resultados da pesquisa a partir dos questionários aplicados em campo com os agricultores da área.

5.1 Aspectos físicos da Bacia do Rio Gurují

Localizada no município do Conde, litoral sul do Estado da Paraíba, a bacia do rio Gurují possui uma área de 164,8 Km² (Figura 15). Localiza-se a 22,2 Km da capital João Pessoa. O município do Conde limita-se ao Sul com os municípios de Alhandra e Pitimbú, a Oeste com o município e Santa Rita, ao Norte com o município de João Pessoa, e ao Leste com o oceano Atlântico. A bacia do rio Gurují está inserida na mesorregião da Mata Paraibana, onde predomina o clima tropical quente-úmido (As’), com chuvas abundantes (média anual de 1.800 mm) no outono-inverno (abril, maio e junho), temperatura média anual de 26°C e umidade relativa do ar de 80%. Com essas características, esse tipo de clima domina em todo o litoral. A ausência de períodos frios (temperatura > 18°C) é outra característica marcante desse tipo de clima. A bacia do Gurují é composta pelos rios Estiva, Caboclo e Pau Ferro, além de outros rios que não possuem nomes, desaguando ao norte da Praia de Jacumã.

51

Figura 08: Localização da bacia hidrográfica do rio Gurují, município do Conde – PB. Fonte: Barbosa e Furrier, 2009, p.3.

52 A bacia do rio Gurují está inserida na mesorregião da Mata Paraibana, onde predomina o clima tropical quente-úmido (As’), com chuvas abundantes (média anual de 1.800 mm) no outono-inverno (abril, maio e junho), temperatura média anual de 26°C e umidade relativa do ar de 80%. Com essas características, esse tipo de clima domina em todo o litoral. A ausência de períodos frios (temperatura > 18°C) é outra característica marcante desse tipo de clima. A bacia do Gurují é composta pelos rios Estiva, Caboclo e Pau Ferro, além de outros rios que não possuem nomes, desaguando ao norte da Praia de Jacumã. As bacias de drenagem são delimitadas pelos divisores de água e seus tamanhos podem variar desde dezenas de quilômetros quadrados até milhões de quilômetros quadrados. As bacias de tamanhos diferentes articulam-se a partir dos divisores de água, integrando um sistema de drenagem organizado hierarquicamente. Assim, dependendo da saída única que for escolhida, uma bacia pode ser subdividida em sub-bacias e microbacias de menor dimensão; no caso deste estudo a bacia do Rio Gurují é classificada como sendo uma microbacia. (BARBOSA e FURRIER, 2009). De acordo com o mapa abaixo (figura16), encontra-se no litoral paraibano oito (8) tipos de solos: areia quartzosas marinhas distróficas, latosolos, podzol hidromórfico, podzólico vermelho-amarelo, podzólico vermelho-amarelo eutrófico, solos aluviais, solos gley distróficos, solos indiscriminados de mangue. Entretanto, na área da Bacia do rio Gurují foi identificados seis tipos de solos, que serão explicados

posteriormente.

53

Figura 09: Mapa Pedológico da área de estudo e adjacências (Modificado de PARAÍBA, 2004) Fonte: Furrier, 2007.

54 ressaltar, Vale à pena ressaltar que apesar do mapa elaborado pela SUDEMA datar de 2004, a nomenc latura utilizada para classificar os nomenclatura tipos de solos é antiga, e com a adoção em 1999 do novo sistema de classificação de solos d EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa da Agropecuária, as nomenclaturas acima sofrer sofreram algumas mudanças (ver tabela 01).

Tabela 01: Conversão das nomenclaturas utilizadas no Mapa Pedológico do Estado da Paraíba : (2004) para o novo “Sistema Brasileiro de Classificação dos Solos” (EMBRAPA, 1999) Fonte: Furrier, 2007.

Segundo o mapa elaborado pela SUDEMA (2004) utilizado por Furrier (2007), e o Plano Diretor de Recursos Hídricos do Estado da , Paraíba – PDRH-PB citado por Quintans, Silva e Lima (2006), n área da PB na bacia do Rio Gurují, en encontramos seis tipos de solos: os Neossolos Flúvicos, os Organossolos (solos de mangue), mangue) , os Neossolos Ne

Quartzarênicos, os Gleissolos, os Espodossolos Hidromórficos, e os Argissolos Vermelho-Amarelos. Amarelos. Os Neossolos Flúvicos são solos pouco desenvolvidos, originados sobre sedimentação fluvial recente. Apresentam horizonte A assentado diretamente sobre o horizonte C, composto dos estratos das recentes deposições geralmente sedimentares. pouco São solos de fertilidade drenagem natural natur moderada alta, ou

profunda,

apresentando

imperfeita. Os Neossolos Flúvicos encontrados na área de estudo são do tipo Ae1 – Solos Aluviais Eutróficos com horizonte A textural, textura indiscriminada. Esse tipo de solo também é encontrado em outro rios,

55 como o Paraíba, Cuiá, Gramame, Caboclo, Estiva e Pau Ferro.

(FURR IER, 2007) Os Organossolos ou Solos de Mangue são predominantemente halomórficos, indiscriminados, alagados, que se distribuem nos

estuários, avançando para o interior do continente até cessar a influência das marés. São, portanto, não ou muito pouco desenvolvidos, muito mal drenados, com alto teor de sais provenientes da água do mar e de compostos de enxofre que se formam nessas áreas sedimentares. Apresentam Organossolos textura variável, na desde área de argilosa estudo é até do arenosa. tipo SM1 Os –

encontrados

Organossolos, textura indiscriminada. Esse tipo de solo também está presente nos estuários do rio Gramame, Abiaí, Graú e Mucatu.

(FURR IER, 2007) Os Neossolos Quartzarênicos possuem textura arenosa, com profundidades inferiores a um metro, sendo os grãos de areia

constituídos basicamente de quartzo, mineral praticamente inerte e muito resistente ao intemperismo químico (LEPSCH, 2002 apud FURR IER, 2007). Os Neossolos Quartzarênicos encontrados na área de estudo é do tipo AMd1 - Neossolos Quartzarênicos Distróficos formados sobre cordões litorâneos e pós-praia. Esse tipo de solo também aparece nos terraços holocênicos da Restinga de Cabedelo e da Ponta do Seixas. (FURR IER, 2007) Os Gleissolos desenvolvem-se em sedimentos inconsolidados (argilosos, areno-argilosos prolongado, e arenosos) devido ao e muito lençol influenciados próximo por à

encharcamento

freático

superfície. A saturação de água por tempo prolongado, na presença de matéria orgânica, reduz os níveis de ox igênio dissolvido e provoca a redução química e dissolução dos óxidos de ferro, que são parcialmente removidos, fazendo com que surjam cores cinzentas no horizonte subsuperficial (LEPSCH, 2002 apud FURRIER, 2007). Os Gleissolos presentes na área de estudo é do tipo HGd – Gleissolos Distróficos Indiscriminados, tex tura indiscriminada, associados a Solos Orgânicos Indiscriminados, textura indiscriminada. Esse tipo de solo também ocorre no entroncamento dos rios Abiaí, Popocas e Camocim, na porção

56 sul da área de estudo e no entroncamento dos rios Gramame e Mumbaba, na porção central. (FURRIER, 2007) Os Espodossolos Hidromórficos são solos com húmus ácido e possuem horizonte B iluvial, não sendo formados por processos

puramente físicos de migração de argila, mas por uma dissolução química de compostos de ferro e húmus, nos horizontes A e E, arraste (translocação) e posterior precipitação desses compostos no horizonte B, sendo este situado abaixo de uma camada de cor desbotada (horizonte E), originando o termo spodos (cinza de madeira em grego) (LEPSCH, 2002 apud FURR IER, 2007). Os Espodossolos encontrados na área de estudo são do tipo HP2 – Espodossolos Hidromórficos, localizado na retaguarda das praias de Jacumã e Carapibus. Eles também ocorrem nos topos dos tabuleiros planos ao norte do Rio Paraíba, com altitudes variando de 20 a 80m. (FURRIER, 2007) Os Argissolos Vermelho-Amarelos encontrados na área

apresentam geralmente horizonte B textural, com argila de atividade baixa (capacidade de troca de cátions reduzida). São solos ácidos, de baixa saturação de bases e saturação de alumínio geralmente superior a 50%, refletindo, portanto, numa fertilidade natural baixa (PARAÍBA, 2004, apud FURR IER, 2007). Quanto às características físicas e

texturais, os Argissolos Vermelho-Amarelos encontrados na área de estudo apresentam considerável heterogeneidade, sendo, muitas vezes, a sua ocorrência associada a outros tipos de solos. Os Argissolos encontrados na área de estudo são do tipo PV18 – Argissolo VermelhoAmarelo Distrófico Tb, latossólico, com horizonte A moderado, textura média, associado ao Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico, com

horizonte A moderado, textura média e ao Espodossolo Hidromórfico. Esse tipo de solo também aparece nos topos planos dos tabuleiros localizados ao sul de João Pessoa e nos topos planos dos tabuleiros localizados na retaguarda da praia de coqueirinho e no sul do vale do Rio Gramame. (FURRIER, 2007) Com relação à vegetação florestal, a área de estudo apresenta dois tipos de tipologias florestais: mata perenifólia/subperenifólia e

57 floresta paludosa (manguezal), comumente conhecida na Paraíba e no Brasil como Mata Atlântica. A mata perenifólia/subperenifólia é caracterizada pela

exuberância de suas árvores e riqueza em espécies. Possui árvores com até 30 m de altura, copas largas, troncos espessos com presença de epífitas e folhagem sempre verde. São espécies comuns nesse tipo de vegetação a Sucupira (Bowdichia virgilioides), Sapucaia (Lecythis

pisonis), Copaíba (Copaifera langsdorfii), entre outras. (FURRIER, 2007) A floresta paludosa, ou simplesmente manguezal, representa a formação mais homogênea e uniforme da área de estudo. Esse tipo de vegetação é fixado em depósitos argilo-arenosos ricos em matéria orgânica em decomposição e sujeitos ao fluxo e refluxo das marés. Portanto, é um tipo de vegetação adaptada à salinidade e escassez de oxigênio, que é consumido no processo de decomposição da matéria orgânica em constante deposição. (FURRIER, 2007) Nas áreas das planícies fluviais e depressões próximas do litoral, onde dominam os Neossolos Flúvicos, sendo apenas ocasionalmente alagadas, não permanecendo a água estagnada, dominam os campos higrófilos, sendo as principais espécies, o capim-natal (Eriolaena rósea) e a grama-seda (Cynodon dactylon) (NEVES, 2003 apud FURR IER, 2007). Quintans, Silva e Lima (2006), através do processamento digital de imagens HRV/SPOT, e utilizando o procedimento de classificação digital supervisionada, criaram um mapa de uso e ocupação do solo a partir dos dados coletados e existentes sobre a área. Eles definiram 6 classes temáticas: •

Antropismo: referente às atividades humanas desenvolvidas na área, considerando a agricultura a atividade preponderante na bacia.

• •

Áreas

de

solos

expostos:

parcialmente

degradáveis

ou

degradadas. Áreas de Mata: melhor monitoramento e conservação

58 • • • Áreas de Mangue: área de proteção permanente Áreas com Água: identificação dos aqüíferos na área da bacia Areia: áreas de praias

Analisando a figura 17 na página seguinte, podemos perceber na maior parte da antropismo, área da bacia existe uma intensa ocorrência de pela cor cinza, e de solo exposto,

caracterizada

caracterizado pela cor laranja. A ocorrência de matas se restringe ás áreas próximas as margens do rio, caracterizado no mapa pela cor verde escuro. Em seguida veremos a descrição da atividade agrícola na área da bacia do rio Gurují a partir das entrevistas aplicadas em campo.

59

Figura 10: Mapa de Uso e Ocupação do Solo da Bacia do rio Gurují Fonte: Quintans, Sil va e Li ma, 2006.

60 5.2 Diagnóstico sócio-ambiental dos assentamentos estudados

Neste subcapítulo será feito um diagnóstico sócio ambiental dos assentamentos estudados a partir de entrevista realizadas com

agricultores que residem na área da Bacia do rio Gurují.

5.2.1 Comunidade do Gurují II

A comunidade do Gurují localiza-se no município do Conde, litoral Sul do Estado da Paraíba sobre as coordenadas UTM 296015E e 9196248N. Seu acesso pode ser feito pela BR-230, passando pelo centro do município do Conde, ou através da PB-008, que liga o litoral de João Pessoa ao litoral sul do Estado. Neste último, ao chegar no portal de Jacumã, deve-se dobrar para a direita e seguir pela PB-018 até chegar na comunidade. A comunidade é dividida em duas: Gurují I e Gurují II. A primeira conta com aproximadamente 200 famílias, e os agricultores já possuem título de posse de suas propriedades. Na comunidade do Gurují II, os integrantes ainda lutam pelo título de posse, que vem se arrastando ao longo dos anos. Os agricultores acreditam que até o final deste ano o INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária irá concluir o processo de desapropriação das terras. As entrevistas foram apenas aplicadas com os agricultores da comunidade do Gurují II, visto ser essa comunidade que se localiza na área da bacia do rio Gurují. Também se deve ressaltar que a comunidade do Gurují II é dividida: possui duas agrovilas e duas associações comunitárias. Todas as casas localizadas na agrovila possuem fossa, energia elétrica e água encanada. O abastecimento é feito através de um poço construído pelo INCRA. As casas localizadas na própria parcela, todas possuem fossa e energia elétrica, mas só algumas possuem água encanada. Para entendermos um pouco a história da comunidade, foi realizado entrevistas com alguns moradores, os quais nos relataram sua trajetória de vida até o presente momento.

61 5.2.1.1 Entrevista 01

Em entrevista. A agricultora de 49 anos, casada, nasceu em São Luiz do Maranhão, e estudou até a primeira fase do ensino fundamental. A agricultora foi eleita presidente de uma das associações da comunidade do Gurují II. A mesma mora na comunidade há 20 anos, quando ainda era uma área de conflito dentro de uma fazenda cujo dono é conhecido por doutor Nelson. Segundo a entrevistada, o lote que ela possui ainda está em processo de desapropriação. Ela afirma que quanto mais rápido ela obter o título de posse, mais oportunidades ela terá para desenvolver seu plantio, já que terá acesso a empréstimos como outros assentados. Os técnicos do INCRA já se encontram no local fazendo os levantamentos necessários para completar o processo de desapropriação. Quando a agricultora arrendou a terra, ela possuía dez (10) hectares, mas na medição do INCRA ela ficará com aprox imadamente seis (6) hectares. Isso se deve porque cada lote deve ter uma área de reserva legal. De acordo com o Código Florestal, Lei n° 4771 de 15 de setembro de 1965, reserva legal é:
“área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação per manente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de f auna e flora nativas.” (BRASIL, 1965)

A agricultora comenta que seis hectares é pouco para se plantar, mas foi um acordo que a comunidade aceitou para agilizar o processo de desapropriação. Essa reserva está sendo escolhida da seguinte forma: onde existir mata nativa ou já desenvolvida o INCRA está separando como área de reserva. A partir das margens do rio até cerca de 30 metros também é área de reserva e os agricultores não podem plantar. A agricultora vem respeitando esses limites. A produção da agricultora é bem diversificada, entre cultura de curta e longa duração: batata-doce, macaxeira, inhame da costa e inhame

62 são Tomé, milho, acerola, abacate, manga, caju, cajá, banana, cana-deaçúcar, maracujá, feijão macaça e mulatinho, coco, mamão, entre outros. Atualmente, a entrevistada e seu esposo, pararam de plantar mamão para que a terra pudesse descansar. Entre as pragas que ocorrem nas plantações, a agricultora comenta que a que mais tem incomodado é a mosca branca (Bemisia agentifolii). Períodos secos e quentes favorecem o desenvolvimento e a dispersão da praga, sendo, por isso, observados maiores picos

populacionais na estação seca. São hospedeiros preferenciais da moscabranca: algodão, brássicas (brócolos, couve-flor, repolho), cucurbitáceas (abobrinha, melão, chuchu, melancia, pepino), leguminosas (feijão, feijão-de-vagem, soja), solanáceas (berinjela, fumo, pimenta, tomate, pimentão), uva e algumas plantas ornamentais como o bico-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima). (EMBRAPA, 2008) De acordo com a agricultora o cupim da terra que ataca as plantações de inhame, é uma das pragas que também tem incomodado os agricultores. Mas com a ajuda dos técnicos da CONSP LAN – Consultoria e Planejamento de Projetos Agropecuário, eles estão conseguindo controlar a praga. Ela explica que quando aparece uma praga mais forte, eles se vêem obrigado a usar um veneno mais forte. Por causa disso, eles passam um tempo sem plantar na terra afetada. Apesar de apenas ter estudado até a 4ª série do antigo primário, ela procura sempre se capacitar, através de cursos, conferências, seminários, etc. São exemplos: Seminário Regional Redução da Pobreza no Nordeste do Brasil (2004); 1ª Conferência Municipal de Saúde do Conde (2003); Seminário Temático “Saúde e Meio Ambiente” (2008); Seminário Temático “Geração de Emprego e Renda” (2008); Curso de Biofertilização (2005); Curso para Manipuladores com Reaproveitamento de Alimentos (2010); Curso Profissionalizante de Gestão Associativa (2004); Seminário Temático “Inclusão Social” (2008), entre outros.

63

Foto 01 A: Residência da agricultora. Autor: Leandro Gondim, 2010

Foto 01 B: Plantação de macaxeira na propriedade da agricultora. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 01 C: Plantação propriedade da agricultora Autor: Leandro Gondim

de

Inhame

na

Foto 01 D: Ao fundo, mangueira, coqueiro e bananeira na propriedade da agricultora. Autor: Leandro Gondim

Foto 01 E: Plantação de batata-doce no sopé da encosta na propriedade da agricultora. Autor: Leandro Gondim

Foto 01 F: Pé de abacate com plantação de bananeiras ao fundo na propriedade da agricultora. Autor: Leandro Gondim

Mosaico 01: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 01. Autor: Leandro Gondim, 2010.

64 A agricultora procura usar defensivos naturais para combater as pragas. Ela fez um curso sobre Biofertilização oferecido pelo INCRA e a Cooperativa de Profissionais de Assistência Técnica e Apoio a

Agricultura Familiar – CAPTAR, no Assentamento Massangana, onde aprendeu também a combater as pragas com defensivos naturais. Um desses métodos utiliza o esterco do gado, duas rapaduras, dois litros de leite e água. Eles deixam três dias fermentando e depois usam a bomba para aplicar na plantação. Para a agricultora, a utilização desses defensivos trará uma diminuição na contaminação do solo e da água do rio por agrotóxicos. Quando eles possuíam gado na propriedade, também utilizavam sua urina como veneno contra pragas. Mesmo tendo aprendido essas técnicas naturais, ela afirmou que ainda utilizam venenos químicos, mesmo que em menor quantidade, principalmente na acerola.

Atualmente, de produtos químicos, eles apenas estão utilizando adubo químico. Segundo a agricultora, a terra é fraca e já está cansada para produzir. Eles também utilizam o esterco de galinha e o esterco de codorna como forma de fertilização. Também perguntamos se eles utilizavam a água do rio Gurují. Eles usam para a plantação. Para isso construíram uma pequena vala que liga o rio ao depositório de água; daqui o motor joga a água colina acima; também utilizam para banho doméstico, pois eles não possuem encanação em casa. Os dejetos são jogados em uma fossa séptica. A

comunidade elaborou um projeto para o INCRA, com o objetivo de colocar encanação nas casas dos moradores. No passado eles também utilizavam para beber, mas agora eles pegam água num poço na agrovila. Ela comenta que quando outros agricultores utilizavam muitos químicos, prejudicava os peixes, os camarões, que morriam. A idéia da agricultora é realizar oficinas para conscientizar a comunidade, inclusive os proprietários de terras que não fazem parte da comunidade.

65

Foto 02 A: Motor de irrigação. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 02 B: Pequena vala construída para abastecer o depósito de água que alimenta o motor de irrigação Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 02 C: Plantio de acerola. À direita, um dos canos utilizados para irrigar. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 02 D: Pé de acerola na propriedade da agricultora Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 02 E: Veículo da família. Autor: Leandro Gondim, 2010. Mosaico 02: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 01. Autor: Leandro Gondim, 2010.

66 A agricultora também comenta que a comunidade está preocupada com o novo condomínio de casas que está sendo construído, pois eles temem algum impacto no rio, além da nova fábrica de sandálias que será construída na região. A comunidade apenas sabe que o terreno já foi comprado pelo proprietário e que as obras começam no início de 2001. Para manter a plantação, a família precisa trabalhar arduamente. Começam com os nascer do sol e terminam muitas vezes ai final da tarde. Apesar de toda família, composta por dona Daurenice, seu esposo Orlando, necessitam seus dois filhos, ajudar no plantio, que muitas cobram vezes pelo eles dia

contratar

agricultores

diaristas,

trabalhado. Ela afirma que cada dia fica mais difícil contratar este tipo de mão-de-obra, pois os diaristas agora estão cobrando 25 reais por dia de trabalho. Eles costumavam cobrar até R$ 20,00 e a família não tem como arcar mais do que três dias na semana para cerca de dois diaristas. O escoamento da produção da propriedade é feito em uma caminhonete D-10 da marca Chevrolet, veículo próprio da família. Antigamente o escoamento era feito por ônibus ou por carro fretado. Atualmente, a comunidade evita fazer o escoamento da produção de ônibus, pois a empresa agora cobra por cada bagagem, ou caixa com produtos, além de dificultar o translado. Segundo a agricultora, os produtos são levados e comercializados no Mercado Central de João Pessoa e na Feira de Oitizeiro, além de vender na própria propriedade. Antigamente ela participava da feira da EMATER-PB – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba. Porém, devido à doença que sua mãe contraiu, ela teve que se ausentar da feira, e acabou perdendo sua barraca. Tudo que é produzido na propriedade também é utilizado para consumo da própria família, traço característico marcante da agricultura familiar. O que é arrecadado com a venda serve para o pagamento dos diaristas, das contas da casa, combustível da caminhonete, etc. A agricultora não recebe nenhum incentivo do governo, nem mesmo o bolsa família para as quatro crianças (netos), apesar de terem feito o cadastro neste ano e nos anos anteriores.

67 Atualmente quem está dando assistência técnica à comunidade é a CONSPLAN – Consultoria e Planejamento de Projetos Agropecuário em parceria com o INCRA. A EMATER também presta assistência doando sementes, mudas, distribuindo horas máquinas (trator, etc.), oferecendo cursos de capacitação (doce cristalizado). A agricultora participou deste curso e hoje produz doce de caju em calda e cristalizado, doce de mamão, de banana, coco, etc. O INCRA não se limita apenas ao apoio a agricultura, mas também promove palestras informativas sobre os problemas de caráter social, como as drogas (segundo a agricultora, pelo menos 70 pessoas da comunidade já experimentaram algum tipo de droga), sexualidade, etc. A agricultora diz que apesar da situação difícil para viver no campo, eles estão conseguindo sobreviver com dignidade. Ela afirma que conseguem tirar mensalmente o valor de R$ 1.000,00 com a venda de seus produtos. Na época do inhame, eles conseguem tirar um pouco mais. Segundo a agricultora, a chave para manter sempre um capital para garantir a sobrevivência é não se esquecer de investir em culturas de curta duração, como a bata-doce (seis meses), feijão (três meses), caju (seis meses), etc. Para complementar a renda, a agricultora e seu esposo utilizam seu veículo para fretar a produção de outros agricultores, ao preço de R$1,50 por caixa carregada, numa média de 50 caixas por frete. A fase em que eles mais passaram dificuldades era quando ainda não existia energia elétrica na comunidade. Os moradores não possuíam geladeira, televisão, ventiladores, produtos que atualmente a agricultora possui em sua residência. A instalação da rede elétrica começou via Projeto Cooperar, que atendeu apenas 14 residências. Em 2004, com o programa do governo federal “Luz para todos”, o restante da comunidade foi assistida com energia elétrica. O entendimento da agricultora sobre desenvolvimento sustentável é a sua nova condição de agricultora e ao mesmo comerciante, sem precisar do atravessador para escoar sua produção, o poder de negociar seu próprio produto sem exploração de sua mão-de-obra. Conceito meramente sustentável. produtivista, distante do conceito de desenvolvimento

68

Foto 03 A: Doce de caju cristalizado produzido pela agricultora. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 03 B: Doces de caju produzido pela agricultora. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 03 C: Doce de caju (visão frontal). Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 03 D: Doce de caju em calda. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 03 E: Pasta de caju em calda. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 03: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 01. Autor: Leandro Gondim, 2010.

69 Quando perguntamos sobre os problemas ambientais presentes na comunidade, a agricultora citou a degradação do rio, que agora está mais raso devido ao assoreamento de seu leito; a comunidade também estava combatendo uma prática insustentável por parte de moradores de Jacumã: a extração ilegal de areia. Foi necessário acionar instituições como a SUDEMA e o IBAMA, mas nenhum infrator foi pego em flagrante. A agricultora ainda comenta que seu plantio é realizado contornando o relevo, ou em suas palavras, “cortando a ladeira”, pois diminui consideravelmente o processo de erosão do solo. Essa é uma prática sustentável bastante utilizada pelos agricultores da área. Ela se incomoda com fato da comunidade se acomodar diante das situações difíceis. De acordo com a agricultora, devido a sua posição como presidente da associação, a comunidade espera que a presidente resolva todos os problemas da comunidade. Ela comenta a dificuldade que já existe para chegar até os órgãos governamentais, e sem o apoio da comunidade fica ainda mais difícil. A mesma cita a falta de união por parte de seus companheiros de luta.

70 5.2.1.2 Entrevista 02

O entrevistado 02, de 47 anos de idade, analfabeto, exerce a função de agricultor desde criança, a cerca de 40 anos. Sendo natural do município do Conde, reside na comunidade do Gurují desde os 19 anos, completando 28 anos vivendo dentro da comunidade. O agricultor, que vive com sua esposa, duas filhas e um filho, genro e netos. Ainda não tem o título de posse da propriedade, pois o INCRA ainda está dividindo as parcelas. A produção do agricultor é bem diversificada, desde culturas de curta duração até culturas de longa duração, além da criação de animais. Entre os produtos cultivados pelo agricultor estão: inhame, macaxeira, mandioca, alface, coentro, tomate, banana, caju, manga, jaca, abacaxi, couve-folha, couve-flor, pimentão, feijão de corda (verde), feijão macaça, beterraba, etc. Ele comenta que existe muito tipo de pragas que atrapalha a vida do agricultor, como a mosca branca. Atualmente eles estão recebendo apoio técnico do Cinturão Verde nesse ano de 2010, que lhe ensinaram a utilizar defensivos naturais. Com isso, o agricultor não utilizou nenhum tipo de inseticida ou veneno químico nas plantações este ano, exercendo seu trabalho de forma mais sustentável. O Projeto Cinturão Verde é um programa de incentivo à agricultura familiar da Prefeitura de João Pessoa. O foco principal do projeto é a produção orgânica de hortaliças folhosas, sem nenhuma utilização de defensivos e fertilizantes químicos. Os agricultores

inscritos no programa recebem treinamento sobre o cultivo de produtos orgânicos, e após do a capacitação estão de aptos para receberem Familiar

financiamentos

Programa

Nacional

Agricultura

(PRONAF). Apesar de o projeto ser voltado para os pequenos e médios agricultores do município de João Pessoa, umas das perspectivas era ampliar a programação para agricultores de outros municípios. Um exemplo de defensivo natural utilizado pelo agricultor é a “calda bordalesa”. A técnica consiste em dissolver a cal na água e

71 adicionar sulfato de cobre. Eles também utilizam a “calda de ninho” e a “calda de castanha”.

Foto 04 A: Plantio do abacaxi na propriedade do entrevistado Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 04 B: Plantação de propriedade do entrevistado Autor: Leandro Gondim, 2010.

bananeira

na

Foto 04 C: Plantação de propriedade do entrevistado Autor: Leandro Gondim, 2010.

inhame

na

Foto 04 D: Caminhonete do agricultor na propriedade do entrevistado. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 04 E: Mini-Estufa na propriedade do entrevistado Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 04 F: Mudas de beterraba germinando (mini-estufa) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 04: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02. Autor: Leandro Gondim, 2010.

72 Nesse último, eles colocam o mato de molho e esperam fermentar. Na calda de castanha, eles utilizam um litro de álcool e um quilo de castanha, depois deixa fermentar durante um dia, e a calda está pronta para uso. Todos os produtos cultivados pelo agricultor são comercializados na feira agroecológica do Bessa, antes localizada na Praça do Caju, e atualmente no Mercado Público do Bessa. Todo o escoamento da produção é feito em seu próprio veículo, uma caminhonete D-10 da marca Chevrolet, que é dirigido pelo filho do agricultor. No passado (antes de 2004), eles utilizavam ônibus de linha para levar os produtos até João Pessoa, e uma carroça que servia de transporte dos produtos até Jacumã. Posteriormente, o agricultor adquiriu uma caminhonete Saveiro, que a utilizou até adquirir seu veículo atual. O plantio de hortaliças do agricultor passa por todo um processo que é dividido da seguinte forma: primeiro, as sementes são plantadas dentro de tábuas de isopor e ficam em uma mini-estufa, durante o período de quinze (15) dias. A família do agricultor chama a mini-estufa de “berçário das hortaliças” Após esse período de 15 dias dentro da mini-estufa, com o desenvolvimento da semente, as mudas são levadas e plantadas na segunda estufa, onde são aguadas por um sistema de irrigação, e lá permanecem até a época de colher. O agricultor também possui um garrote, do qual retira esterco para utilizar na fertilização da lavoura. O agricultor também começou uma criação de frangos para o abate, os quais não recebem hormônios para crescimento devido às regras da produção orgânica exigida pelo Projeto Cinturão Verde. Segundo ele, em um mês eles estariam prontos para o abate. Essa atividade econômica foi iniciada pelo agricultor para incrementar a renda familiar. A água utilizada pelo proprietário é oriunda de uma pequena vertente que deságua no rio Gurují. A família colocou o nome de “bica”, pois eles construíram uma bica em um ponto da vertente onde eles retiram a água para beber e cozinhar. O agricultor cavou um buraco de um (1) metro e meio de profundidade com cerca de cinco (5) metros de diâmetro para servir de depósito de água.

73

Foto 05 A: Mudas de alface americano germinando (mini-estufa do agricultor). Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 05 B: Mudas de tomate germinando (miniestufa do agricultor) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 05 C: Mudas de quiabo germinando (mini-estufa do agricultor) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 05 D: Plantação de tomates. (estufa do agricultor) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 05 E: Estufa das hortaliças ma propriedade do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010. Mosaico 05: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02. Autor: Leandro Gondim, 2010.

74

Foto 06 A: Tomate quase pronto para colheita. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 06 B: Pimentão quase pronto para colheita. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 06 C: Couve-folha quase pronto para colheita. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 06 D: Alface-crespa quase pronto para colheita. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 06 E: Plantação de pimentão (estufa do agricultor). Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 06 F: Pé de feijão gandú (estufa do agricultor). Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 06: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02. Autor: Leandro Gondim, 2010.

75

Foto 07 A: Garrote do proprietário. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 07 B: Criação de Frango do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 07 C: “Bica”. Ponto da vertente que deságua no rio Gurují e onde a família retira água. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 07 D: Depósito de água construído pelo agricultor. Mangueira que puxa água ao fundo. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 07 E: Motor a diesel que abastece a caixa d’água e os pontos de irrigação. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 07 F: Depósito de água sendo limpo. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 07: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02. Autor: Leandro Gondim, 2010.

76 Ele construiu uma bifurcação em determinado ponto da vertente, a fim de desviar a trajetória da água quando precisasse encher novamente o depósito de água. Neste depósito também existe um cano para saída da água, que segue para uma vala construída pelo próprio agricultor e que deságua no rio Gurují. A água é puxada por um motor a diesel, que joga a água pela tubulação até chegar aos pontos de irrigação, além de abastecer a caixa d’água que fornece a água da casa. O depósito é aproveitado para criar peixes e camarão de água doce. O agricultor faz a limpeza do depósito de água pelo menos duas vezes no ano. A limpeza é necessária para retirar a lama que se forma no fundo do depósito, aumentando novamente sua profundidade; para retirar a vegetação em excesso que se forma dentro e ao redor do depósito de água. Os peixes também retirados e são colocados dentro de um tanque de plástico até o término da limpeza e enchimento do depósito. A caixa d’água e o encanamento necessário para o abastecimento da casa foi doada pelo Projeto Cinturão Verde. A equipe técnica do

projeto também plantou mudas da vegetação nativa na área de reserva da propriedade. Nos períodos em que a colheita não está muito boa (o agricultor afirma que estão passando por essa época) ele consegue arrecadar cerca de R$100,00 a R$120,00 reais por semana. Em época boa, esse arrecadamento sobe para R$300,00 a R$400,00 na semana. A esposa do agricultor procura ter um capital extra vendendo os produtos derivados da mandioca, como o bejú, o bolo-pé-de-moleque e goma de tapioca. As mandiocas que não servirem para produção desses produtos são trituradas na forrageira e utilizadas como ração para os pintinhos e frangos.

77

Foto 08 A: Agricultor tentando desentupir um cano submerso Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 08 B: Vala construída pelo agricultor para que a água que escoa do depósito siga para o rio Gurují. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 08 C: Trabalhadores catando os peixes e camarões. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 08 D: Camarões no balde. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 08 E: Peixe sendo colocado dentro do tanque de fibra. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 08 F: Caixa d’água que abastece a casa do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 08: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02. Autor: Leandro Gondim, 2010.

78

Foto 09 A: Prensa utilizada para extrair a água da massa de mandioca. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 09 B: Forrageira utilizada para moer a mandioca e o capim. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 09 C: Massa de mandioca de molho: 1ª etapa antes de começar a fazer a massa do bolo. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 09 D: Esposa agricultor embalando a massa da mandioca num folha de bananeira. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 09 E: Bolo pé-de-moleque assando em forno à lenha. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 09 F: Bolo pé-de-moleque e bejú prontos para comercialização. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 09: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 02. Autor: Leandro Gondim, 2010.

79 O agricultor comenta que sua maior dificuldade é a falta de recurso financeiro, de capital que pudesse tocar o negócio com mais eficiência, ou que servisse como uma reserva para momentos

inesperados. O mesmo cita sua caminhonete, que está precisando de uma manutenção e ele não possui recursos para fazer, e a sua casa, que começou a construir há dez anos e ainda não concluiu. O agricultor também comenta que às vezes é necessário contratar agricultores diaristas que o auxiliem no plantio, pois nem sempre a família consegue dá conta de todo o serviço. Seu José encerrou sua fala comentando que está sem expectativas de melhoria da vida no campo devido às diversas dificuldades que ainda existem para o trabalhador rural, o que é de certa forma estranho, já que o agricultor é um dos poucos que possui uma produção bem diversificada além de participar do Projeto Cinturão Verde, que incentiva a prática sustentável além de comprar os produtos diretamente ao agricultor garantindo um preço mais justo por seus produtos.

80 5.2.1.3 Entrevista 03

O entrevistado 03, de sessenta (65) anos de idade, trabalha na agricultura desde os cinco anos. Natural de Pedras de Fogo, o agricultor é casado, analfabeto (só assina o nome) e reside na comunidade há 50 anos. Assim como os demais assentados da comunidade do Gurují II, o agricultor ainda não possui o título de posse da parcela de 4 hectares. A realidade dele na agricultura, assim como o de muitos assentados, é bem diferente da dos agricultores que entrevistamos e relatamos anteriormente. Primeiro, a idade não lhe permite trabalhar na terra com o mesmo afinco que possuía no passado; segundo, o agricultor depende exclusivamente do regime de chuvas para trabalhar no roçado. O agricultor não possui motor de irrigação, limitando, e muito, a sua produção. Plantações de inhame, macaxeira, mandioca, por exemplo, é necessária a abundância de água. Com isso, no inverno é que o agricultor intensifica o trabalho na lavoura. No verão, ele depende quase que exclusivamente da colheita das fruteiras, como a mangabeira, o cajueiro, etc. Ao longo do ano, ele produz inhame, macaxeira, mandioca, feijão, melancia, banana, batata-doce, limão, abacaxi, milho, amendoim, coco, manga, sapoti, graviola, cana-de-açúcar, maracujá, etc. Ele nos mostrou a área de seu plantio. Porém, com a divisão do INCRA, essa área foi transformada em área de reserva. Ele ganhou permissão para retirar a produção que já está plantada, e recolher os frutos das árvores nativas (mangabeira, caju, etc.). A nova área de plantio do agricultor é em cima do tabuleiro. Com a observação feita in loco, o agricultor não teve a preocupação de fazer o plantio em curvas de nível, ou nem mesmo os “lerões”, que são pequenos montes de terra construído pelos agricultores cortando perpendicularmente o declive para diminuir a erosão do solo.

81

Foto 10 A: Antiga área de plantio do agricultor que o INCRA o proibiu de plantar. Atualmente espera apenas o tempo de colher o que já está plantado. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 10 B: Plantio de macaxeira Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 10 C: Pé de limão-galego Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 10 D: Caju no pé. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 10 E: Plantação de mandioca. Ele se estende até em cima da encosta. Autor: Leandro Gondim, 2010. Mosaico 10: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 03. Autor: Leandro Gondim, 2010.

82

Foto 11 A: Voçoroca. Neste ponto ela possui cerca de 1 metro de largura e 50 centímetros de profundidade. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 11 B: Voçoroca. Neste ponto ela possui cerca de 2 metros de largura e 2 metros de profundidade. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 11 C: Cajueiro que caiu dentro da voçoroca. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 11 D: Voçoroca. Neste ponto ela possui 3 metros de largura e 2 metros de profundidade. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 11: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 03. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Não foi observado em nenhum de seus plantios esse tipo de cuidado, a não ser com o entulhamento de uma voçoroca que surgiu nessa área devido à retirada da vegetação que protegia o solo. Ele encheu a voçoroca com restos de plantação e de mato, troncos de árvores mortas, além de plantar bananeiras dentro da voçoroca. Os técnicos do INCRA

83 que recomendaram esse procedimento para conter o aumento da

voçoroca, até agora com sucesso. O agricultor afirma que as pragas mais comuns são a lagarta, o caramujo africano e as formigas. O agricultor fala que não usa nenhum tipo de defensivo agrícola, seja ele natural ou químico. Na verdade ele está esperando a visita dos técnicos da CONSPLAN que ficaram de ensinar com combater essas pragas apenas com produtos naturais. Como fertilizante ele usa o adubo químico, esterco de galinha, codorna, de gado, bagaço da cana, etc. Outro problema que prejudica a plantação do agricultor é a falta de água. Como dito anteriormente, ele não possui motor para irrigar a lavoura com a água do rio Gurují, dependendo exclusivamente da água da chuva. Com isso, as plantações não se desenvolvem como deveriam e acabam não dando uma boa produção. O agricultor também possui uma pequena criação de porcos para revender e aumentar a renda familiar. Quando os porcos estão na fase adulta, eles são vendidos Na época da safra, ele consegue uma renda extra com o fruto das mangabeiras, árvore nativa da região. Pela estimativa do agricultor, em sua parcela existem aproximadamente 100 árvores deste tipo, tirando os cajueiros, coqueiros, mangueiras, etc. A produção do agricultor é voltada para o consumo familiar, e o excedente é vendido para atravessadores. O agricultor reclama que a falta de recursos é o principal motivo que faz com que sua parcela não seja tão produtiva. A falta do motor de irrigação para o agricultor é a peça fundamental que define se a parcela será bem produtiva ou não. Ele comenta que a renda responsável pela sobrevivência da família é sua aposentadoria. Sem ela, o agricultor afirma que estaria passando necessidade, e aos 65 anos, precisaria trabalhar como diarista na terra de particulares.

84

Foto 12 A: Graviola com mosca-preta e lagartas. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 12 B: Graviola sem praga. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 12 C: Melancia não se desenvolve pela falta de água. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 12 D: Criação de porcos do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 12 E: Pés de mangaba. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 12: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 03. Autor: Leandro Gondim, 2010.

85 5.2.1.4 Entrevista 04

O entrevistado 04, de sessenta e seis (66) anos de idade, analfabeto, nasceu no município do Conde no Estado da Paraíba, e mora na comunidade desde que nasceu, quando ainda era uma fazenda particular e as parcelas eram arrendadas aos agricultores. Vive da agricultura desde sua infância, e assim como todos da comunidade, ainda não possui o título de posse de sua parcela de 4 hectares. O agricultor também relata que sua situação não é diferente da do outro agricultor. Também depende apenas da chuva para irrigar a plantação, pois o agricultor também não possui motor para poder irrigar a sua parcela com a água do Rio Gurují. Mesmo com as dificuldades, o agricultor cultiva feijão (inverno), macaxeira, inhame, mandioca, milho, coco, bata-doce, banana, como também aproveita os frutos da mangueira, mangabeira, coqueiros. A falta de água para irrigar prejudica o crescimento das mandiocas, que não se desenvolvem, ficam pequenas. Mesmo assim, o agricultor as utiliza para produzir bejú, farinha de mandioca e goma para tapioca. O agricultor cita que as lagartas, o mofo branco e as formigas são algumas das pragas comuns nas plantações. O agricultor recorre ao uso de venenos químicos para combater as pragas. Para fertilizar a terra, ele utiliza esterco de galinha, de gado, bagaço da cana e o adubo químico. O agricultor também comentou que além das pragas comuns, existe certo tipos de plantas que matam a lavoura. Ele cita o tamanjuá, um tipo de planta que cresce se enroscando nos pés de macax eira e mandioca, sufocando-os e matando-os. Para complementar a renda, o agricultor também está trabalhando como pescador todas as manhãs, e vendendo o que pesca para os bares e moradores da comunidade. Assim como o entrevistado 03, o salário de aposentado do agricultor é a principal fonte de renda da família.

86

Foto 13 A: Plantação de mandioca do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 13 B: Mangueira. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 13 C: Coqueiros. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 13 D: Plantação de inhame. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 13 E: Plantação de macaxeira com pés de mangaba ao fundo. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 13 F: Mangaba no pé. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 13 G: Pé de macaxeira morto pelo tamanjuá. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 13: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 04. Autor: Leandro Gondim, 2010.

87 5.2.1.5 Entrevista 05

A entrevistada 05, casada, três filhos, agricultora, 46 anos de idade, nasceu no município do Conde – PB e trabalha na agricultura desde os 11 anos de idade. Assim como os demais moradores da comunidade do Gurují II, ela também não possui o título de posse de sua parcela. A agricultora possui o nível médio completo; na infância ela estudou até a segunda série do ensino fundamental; quando adulta terminou os estudos. Atualmente exerce a função de presidente da associação da comunidade. A agricultora cultiva macaxeira, mandioca, inhame, milho, feijão, bata-doce, banana, acerola, etc. Também colhe frutos como manga, coco, abacate, jaca, mangabeira, sapoti, graviola, todos de árvores presente em sua parcela. As pragas mais comuns citadas pela agricultora é a lagarta, o caramujo africano, a mosca-branca, etc. Ela usa veneno químico para combater as pragas, apesar de ter aprendido a fazer defensivos naturais com os técnicos da CONSPLAN. Ela reconhece que esse tipo de veneno faz mal para a saúde e para a terra. Também disse que estão recebendo treinamento dos técnicos da CONSPLAN para utilizar defensivos

naturais. Para fertilizar as plantações ela utiliza o esterco de galinha, bagaço da cana-de-açúcar e o adubo químico. A moradora já foi beneficiada com financiamentos do Banco do Nordeste e pelo PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. Hoje a agricultora está pagando as dívidas adquiridas. Ela também está inscrita no Programa Bolsa Família do governo Federal, um benefício que tornou-se parte da renda familiar. A falta do motor para a irrigação também é apontado pela agricultora como uma das principais causas do não desenvolvimento de seu plantio, ficando dependente ex clusivamente da água da chuva para irrigar sua plantação. No passado, os agricultores utilizavam as margens dos rios para cultivar no período do verão, hoje essa prática foi proibida pelo INCRA para evitar a poluição do rio Gurují com os agrotóxicos utilizados pelos agricultores e o assoreamento de seu leito.

88

Foto 14 A: Plantação de mandioca. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 14 B: Plantação de mandioca com mangabeiras ao fundo. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 14 C: Coqueiro. Autor: Leandro Gondim, 2010. Mosaico 14: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 05. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Como presidente da associação da comunidade, ela ressalta a falta de empenho de seus companheiros na luta por uma reforma agrária justa, o que desestimula a agricultora. Segundo ela, o povo gosta de esperar os benefícios chegar até eles, mas não querem ir à luta. Para complementar a renda familiar, pois a agricultura não é suficiente para manter a família, a agricultora virou uma revendedora da Avon. Foi a maneira que a senhora Antônia encontrou de conseguir uma renda extra e ao mesmo tempo não abandonar a sua parcela ou arrendála, como alguns da comunidade já fizeram.

89 5.2.1.6 Entrevista 06

O entrevistado 06, de 40 anos de idade, nasceu no município de Condado – PB, é casado, tem sete filhos e reside na área da comunidade há 25 anos. Trabalha como agricultor desde os sete anos de idade e estudou até a quarta série do ensino fundamental. Diferentes dos outros entrevistados, ele não faz parte da comunidade como um morador que luta por uma parcela. A terra que cultiva é própria. O agricultor começou como arrendatário. Hoje ele é proprietário de 180 hectares de terra dividido em duas partes: 106 hectares com o plantio de cana-de-açúcar e fruteiras (parte da área foi vendida para um construtor de condomínio de casas); e 74 hectares utilizados para o plantio de sua produção. Ele cultiva em sua propriedade acerola, maracujá, mamão, inhame, feijão, milho, melancia, etc. Atualmente, ele possui 25 hectares de plantação de acerola, 25 hectares de inhame, 16 hectares de mamão e 8 hectares de maracujá. O restante da área é ocupado por mata de reserva, fruteiras e cana-de-açúcar. O agricultor explicou sobre cada tipo de plantio. O mamão leva oito (8) meses para se desenvolver, desde o seu plantio até a época de começar a colher. A plantação ilustrada pela foto 88 está com cinco meses. Após a primeira colheita, os pés continuam produzindo mamão por um (1) ano e meio sem parar. O maracujá, contando o tempo do plantio até a época de colheita leva seis (6) meses para se desenvolver. Após a primeira colheita, os pés de maracujá continuam dando fruto sem parar por aproximadamente dois (2) anos e meio. O inhame leva seis meses para se desenvolver e ficar pronto para colheita, e só produz uma safra por ano. Ao final de cada safra o agricultor separa as sementes para fazer o replantio. A acerola é o principal produto do agricultor. A árvore desse fruto leva um (1) ano e meio para se desenvolver e começar a colheita. O agricultor afirma que sua plantação de acerola produz oito (8) safras por ano e que consegue colher cerca de seis (6) toneladas por dia. Segundo o produtor, é necessário contratar a quantidade de 60 diaristas para poder

90 colher essa quantidade do fruto. O preço de cada diária está no valor de 25 reais, o que dá um gasto diário de 1500 reais por dia de colheita.

Foto 15 A: Pés de acerola. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 15 B: Acerola no Pé. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 15 C: Plantação de maracujá. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 15 D: Plantação de mamão papaia. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 15 E: Mamão em crescimento. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 15 F: Área de reserva. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 15: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 06. Autor: Leandro Gondim, 2010.

91

Foto 16 A: Área onde será plantado novamente o inhame. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 16 B: Semente do inhame. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 16 C: Motor elétrico para irrigação. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 16 D: Pequeno açude feito pelo agricultor para puxar água. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 16: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 06. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Ele comercializa seus produtos no Mercado Central de João Pessoa; na Central de Abastecimento do Rio grande do Norte - CEASA (acerola); ás vezes vende para o atravessador; ás vezes para as fábricas de polpa de fruta como a IDEAL e a INTRAFRUT – Indústria Transformadora de Frutos S/A. O escoamento da produção é feito por veículo fretado. As pragas mais comuns citadas pelo agricultor são a moscabranca e o caramujo africano, que come as folhas da plantação de mamão. O agricultor afirma que não usa nenhum tipo de veneno químico o defensivo natural em suas plantações. Ele apenas aduba o plantio com

92 esterco de galinha, adubo químico, esterco de gado, etc. No período chuvoso ele acrescenta o plantio de feijão e de milho. Para o desenvolvimento do plantio, o agricultor não poderia apenas depender do regime de chuvas. Ele possui um motor e

equipamento suficiente para irrigar 20 hectares da área. Assim que termina de irrigar uma determinada plantação, ele muda os canos de posição e parte apara irrigar outra parte de sua terra. Diferente dos outros agricultores, que possuem motor a diesel, o motor do agricultor é elétrico, diminuindo os gastos que ele teria com a compra do

combustível. Ele retira água diretamente do Rio Gurují. O agricultor 800 em um e gasto isso mensal porque o com energia de paga

aproximadamente

reais,

agricultor

aproximadamente apenas 27% da energia consumida. Esse benefício foi concedido pelo Programa Tarifa Verde, que tem o objetivo da dar suporte ao cultivo de culturas irrigadas em todo o Estado, desde que a energia seja utiliza dentro dos horários propostos pelo programa. O projeto prevê dois planos de tarifas proporcionando descontos de 90% para os consumidores do Grupo A e 73% para os consumidores do Grupo B: quem irrigar das 21h30 às 6h00 do dia seguinte se enquadra no denominado Plano A (90% desconto); quem irrigar das 2h30 às 11h00 se enquadra no Plano B (73% desconto). Ele se enquadra dentro do Plano B. (JUSBRASIL, 2010) Sua taxa de energia também é isenta de ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços. O agricultor comenta que os produtores que não possuem irrigação apenas são isentos do ICMS e da taxa de iluminação pública. O agricultor comentou que cada mês de produção tem uma renda diferenciada. Mas pelos seus cálculos, e fazendo uma média do que ele produz ao ano, o agricultor afirma arrecadar em média de vinte (20) a trinta (30) mil reais por mês (valor bruto). Desse total, o agricultor afirma ter um lucro na faixa de 40% do valor bruto. Além de agricultor, ele também exerce outra função. Afiliado ao PRP – Partido Republicano Progressista, o agricultor foi reeleito em 2008 e continua no cargo de vereador pelo município do Conde –

93 Paraíba. Recebe no cargo de vereador um vencimento de três mil e setecentos reais. Ele nos conta que ex iste dois tipos de eleitores: o consciente, que vota na melhor proposta; e o inconsciente, aquele que vota esperando receber algo em troca. O agricultor afirma que a maioria de seus votos é de pessoas do segundo grupo que acham que ele tem a obrigação de lhes dar dinheiro porque o elegeram. Aquele que não atendem a expectativa desse tipo de eleitor não é reeleito. Atualmente, o agricultor diz não querer mais continuar na vida política, pois afirma que não usufrui do salário que recebe como vereador.

94 5.2.2 Assentamento Dona Antônia

O Assentamento Dona Antônia localiza-se no município do Conde, litoral Sul do Estado da Paraíba. Seu acesso pode ser feito pela BR-230, passando pelo centro do município do Conde, ou através da PB008, que liga o litoral de João Pessoa ao litoral sul do Estado. Neste último, ao chegar ao portal de Jacumã, deve-se dobrar para a esquerda e seguir por Jacumã em direção as praias do litoral Sul. No passado, a área do assentamento era uma fazenda chamada Baraúna, na qual se encontrava 11 famílias. Pelo fato da fazenda ser improdutiva, a fazenda Baraúna foi invadida por 250 famílias no dia 20 de novembro de 1995. No decorrer da luta, várias pessoas desistiram, e quando a fazenda foi desapropriada, só existiam 110 famílias, as quais receberam cada uma sua parcela. O assentamento recebeu esse nome em homenagem a Dona Antônia, uma senhora que acompanhou toda a luta e faleceu em 06 de maio de 1996 quando o assentamento ainda era um acampamento. (LIM A, 2003) No assentamento Dona Antônia as casas localizam-se na agrovila em vez de ser na parcela de cada agricultor. Todas as casas possuem fossa, energia elétrica e água encanada. O abastecimento é feito através de um poço construído pelo INCRA.

95 5.2.2.1 Entrevista 07

O entrevistado 07, de sessenta e cinco (65) anos de idade é casado, agricultor e natural de Vicência em Pernambuco. Reside no assentamento há 15 anos. Vive da agricultura desde a infância e está na profissão há 57 anos. O agricultor ainda não recebeu o título de posse de sua parcela, mas espera recebê-lo no primeiro semestre de 2011. Ele também ocupa o cargo de presidente da associação do assentamento. Recentemente, o presidente afirma que está com uma parceria com o Projeto Cinturão Verde do município de João Pessoa, que está oferecendo treinamento para os assentados sobre agricultura orgânica e defensivos naturais. Atualmente, apenas um assentado, dos cento e dez (110) parceleiros existentes no assentamento, produz sem o uso de agrotóxico. Apesar da distância da agrovila para a parcela, o agricultor informa que a existência da agrovila facilita a vida dos moradores. Ele cita o exemplo de uma pessoa doente. Se a casa fosse dentro da parcela, provavelmente uma pessoa que necessitasse de um atendimento urgente não conseguisse ser socorrido a tempo. Na agrovila não. Além de contar com o apoio dos moradores, as entidades públicas como polícia, e os hospitais tem muito mais facilidade de chegar na agrovila do que em uma das parcelas. Apesar das dificuldades encontradas no dia-a-dia, o agricultor continua tentando tocar o trabalho em sua parcela, que possui cinco (5) hectares. O agricultor cultiva macaxeira, inhame, mandioca, batata-doce, feijão, coento (inverno), melancia (inverno) e aproveita as fruteiras como coco e manga. Das pragas que atacam sua plantação, ele cita o besouro bicudo ou anel vermelho (ataca os coqueiros), formiga saúva, fungo do feijão e lagarta da roça (macax eira e mandioca). O agricultor utiliza veneno químico para acabar com as pragas, mas também está aprendendo a usar defensivos naturais como o sabão, óleo de comida, urina de vaca, fumo misturado com água, etc. O agricultor não utiliza nenhum tipo de adubo natural há cinco anos, apenas o químico na plantação de inhame.

96

Foto 17 A: Plantação de feijão de corda (feijão verde) e coqueiros. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 17 B: Plantação de macaxeira recente. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 17 C: Visão frontal com mangueira e coqueiro ao fundo. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 17 D: Plantação de macaxeira perto de colher. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 17 F: Rio Baraúna. Autor: Leandro Gondim, 2010. Mosaico 17: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 07. Autor: Leandro Gondim, 2010.

97 A plantação de coqueiro do agricultor foi feita através de um projeto de financiamento para os assentados interessados fazer a plantação de fruteiras como o coqueiro, a mangueira e sapotizeiro. Ele optou pelos coqueiros. Entretanto, o agricultor reclama de um mesmo problema discutido por agricultores do Gurují II: a falta do motor para irrigar. Apesar de sua parcela ter disponível água de uma nascente que deságua no rio Baraúna e a água deste mesmo rio, a falta do motor e da irrigação lhe priva de melhores colheitas, pois o mesmo depende apenas da água da chuva para poder irriga o plantio. Quando seu Acelino recebeu do INCRA a parcela, cada assentado recebeu um custeio para iniciar suas atividades. Atualmente, muitos dos parceleiros estão tentando pagar as suas dívidas. O agricultor ainda comenta que 60% dos assentados conseguiram financiamento para comprar o motor de irrigação. Bastava fazer um projeto e entregar ao INCRA para ter acesso ao dinheiro. Porém, o INCRA agora só libera o financiamento quando o assentamento tiver terminado o PRA, que é como um estatuto do assentamento. O PRA é um relatório que informa todos os dados do assentamento: quantidade de famílias, parcelas, posto de saúde, escola, aposentados, etc. Com isso, muitos agricultores que estavam com o projeto pronto não puderam obter o financiamento para a compra do motor de irrigação. Seu Acelino estima que até o final de dezembro este documento esteja pronto e seja entregue ao INCRA. O acompanhamento técnico é realizado pela CONSP LAN. Os técnicos têm auxiliado os assentados na elaboração do relatório do PRA. Com o novo treinamento sobre defensivos naturais que os assentados estão recebendo, quem aderir ao programa do Projeto Cinturão Verde também receberá o acompanhamento dos técnicos do projeto, além da possibilidade de acesso a novos financiamentos. A principal dificuldade enfrentada pelo agricultor hoje é a falta de recursos para tocar seu roçado. O salário de aposentado atualmente é a principal fonte de renda de sua família.

98 5.2.2.2 Entrevista 08 e 09

O entrevistado 08, de trinta e sete (37) anos, é agricultor desde a infância, natural do município do Conde – PB. Estudo até a segunda série do ensino fundamental. É casado, têm três filhos e reside no assentamento há 15 anos, e ainda não possui título de posse da parcela. O entrevistado 09 tem trinta e cinco anos (35) anos, também natural do Conde – PB, agricultor desde os seis (60 anos de idade, vive junto de sua esposa e de seus três filhos, também não possui título de posse da parcela O motivo de ter colocado os resultados de suas entrevistas juntas é porque os dois assentados, cujas parcelas são vizinhas, trabalham em parceria. Unindo as parcelas, os agricultores possuem 10 hectares para desenvolver o plantio. Os dois assentados cultivam mamão, banana, macaxeira, inhame, feijão, milho (inverno) e colhem os frutos das árvores, como a manga, seriguela (ceriguela ou ciriguela), caju, jaca, coco. Atualmente, os dois estão apenas com as plantações de mamão e feijão. A produção dos agricultores é para o consumo familiar e comércio. Os agricultores comentam que após o início da safra do mamão eles conseguem tirar sessenta (60) caixas por semana. No final da safra, eles tiram apenas quinze (15) caixas por semana. Os frutos como manga, seriguela, jaca também são aproveitados para venda. Os agricultores destacam a lagarta como a principal praga de sua plantação, que ataca os pés de mamão. Os agricultores utilizam agrotóxico para combater a praga. Também afirmam que nunca

utilizaram defensivos naturais. Como trabalham em parceria, o custo do veneno é rateado pelos dois assentados. Os agricultores também estão recebendo treinamento do Projeto Cinturão Verde. O objetivo dos agricultores é aprender como a combater pragas com defensivos naturais e abandonar os agrotóxicos. Toda a plantação dos dois agricultores é irrigada. O entrevistado 09 conseguiu o financiamento com o Banco do Nordeste para poder comprar o motor a diesel. Com o trabalho em parceria, o entrevistado 08

99 também se beneficia com o uso do motor. Eles utilizam a água do rio Baraúna.

Foto 18 A: Plantação de mamão papaia. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 18 B: Plantação de mamão adulta. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 18 C: Mamão no pé. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 18 D: Cajueiro. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 18 E: Plantação de feijão (1 mês) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 18 F: Bananeira Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 18: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 08 e 09. Autor: Leandro Gondim, 2010.

100

Foto 19 A: Pé de Seriguela Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 19 B: Coqueiros. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 19 C: Jacas no pé. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 19 D: Motor a diesel para irrigar a plantação. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 19 E: Rio Baraúna. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 19 F: Picape utilizada para fazer o escoamento da produção. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 19: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 08 e 09. Autor: Leandro Gondim, 2010.

101 Toda a plantação dos dois agricultores é irrigada. O entrevistado 09 conseguiu o financiamento com o Banco do Nordeste para poder comprar o motor a diesel. Com o trabalho em parceria, o entrevistado 08 também se beneficia com o uso do motor. Eles utilizam a água do rio Baraúna. O escoamento da produção é feito em um veículo próprio: uma picape pampa da marca FORD. A picape pertence ao agricultor Ademir, que a utiliza em benefício dos dois assentados. Eles costumam vender seus produtos na feira de Oitizeiro e no Mercado Central do município de João pessoa. Além da renda que conseguem obter com a venda de seus produtos, Ademir e Ivanildo recebem também a bolsa família. O entrevistado 08 possui os três filhos cadastrados no programa, enquanto O entrevistado 09 só possui um de seus filhos cadastrados. Este, aos domingos trabalha em uma barraca sua localizada no açude do rio Baraúna, onde ele vende bebidas e petiscos. Foi uma forma que o agricultor encontrou de ter uma renda extra. Com a conclusão do estatuto do assentamento (PRA), que lhes darão acesso a financiamentos, e do treinamento que vêm recebendo do Projeto Cinturão Verde, os agricultores acreditam que haverá uma melhoria na situação deles como trabalhadores rurais.

102 5.2.2.3 Entrevistas 10 e 11

A entrevistada 10, de quarenta e um (41) anos, natural do município do Conde – PB é agricultora e trabalha na função desde sua infância. Possui o fundamental completo. Reside o assentamento há 15 anos, é separada, e vive com um filho adolescente. A agricultora ainda não possui o título de posse de sua parcela. O entrevistado 11 têm sessenta e sete (67) anos de idade, natural do município Aliança – PE é agricultor desde a infância. Aposentado, reside no assentamento há 15 anos. Analfabeto, sabe apenas assinar o nome. É casado, têm 10 filhos, mas apenas uma filha e neto moram com ele e a esposa. Embora os dois assentados não trabalhem em parceria, a situação deles é parecida: ambos não estão mais trabalhando com plantações como macaxeira, inhame, feijão, milho, etc. Eles estão investindo apenas nas fruteiras. Outro fator a se considerar é que o entrevistado 11, devido à idade e uma cirurgia realizada no ano passado, não têm condições de trabalhar em sua parcela como no passado, nem mesmo para recolher os frutos. Deste modo, a entrevistada 10 colhe os frutos de suas parcelas e compra ao agricultor. Diferente do entrevistado 11, a entrevistada 10 é nova, porém sozinha, e sem condições de contratar trabalhadores diaristas, desistiu de investir em plantações não-permanentes, como as citadas anteriormente. Outro fator que a fez desistir desse tipo de plantação é a falta do motor para irrigação. A agricultora até fez o projeto, mas como o INCRA agora exige o estatuo do assentamento (PRA), o projeto não foi aprovado. Deste modo, ela, assim como o entrevistado 11, está investindo apenas em fruteiras, como: mangabeira (nativa), os cajueiros, os sapotizeiros, os coqueiros, as mangueiras, etc. As pragas mais comuns que atacam o plantio são a lagarta e as formigas saúvas. A agricultora utiliza veneno químico (agrotóxico) para combatê-las. Para adubar a terra ela utiliza o adubo químico e o esterco de galinha. Ela faz o processo de adubação uma vez ao ano.

103

Foto 20 A: Mangabeira. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 20 B: Coqueiros. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 20 C: Pé de Sapoti. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 20 D: Agricultora colhendo sapoti. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 20 E: Cesta com os sapotis colhidos. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 20 F: Cajueiros. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 20: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados10 e 11. Autor: Leandro Gondim, 2010.

104

Foto 21 A: Caju na mão da agricultora. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 21 B: Mangueiras Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 21: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados10 e 11. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Dona Rosilda resolveu investir em dois tipos de sementes de caju: a semente do caju do Ceará; e em sementes modificadas. Estas últimas são feitas por um jovem da comunidade do Gurují II que se formou agrônomo. O jovem agrônomo não se encontra atualmente na

comunidade, impossibilitando uma entrevista para esclarecer como essas sementes são modificadas. O apoio técnico vem da equipe da CONSPLAN. A agricultora não está participando do treinamento oferecido pelo Projeto Cinturão Verde. Ela afirma que perdeu o primeiro dia de treinamento, requisito

necessário, segundo a agricultora, para continuar o curso. Seu Severino também resolveu não participar do curso, já que não tem mais condições de cuidar da parcela. O filho da agricultora é cadastrado no programa bolsa-família, que somado a renda com a venda das frutas, ajuda na sobrevivência da família. Além desse benefício, ela ainda recebe para o filho uma pensão do ex-marido. A agricultora que a situação seria melhor se tivesse acesso a novos financiamentos. Ela tem esperança que a sua situação como agricultora melhore com o término do estatuto do assentamento (PRA).

105 O entrevistado 11, devido à idade e a saúde, não têm mais expectativa com o trabalho no campo. Seu salário de aposentado é que vem sustentando o bem-estar da família. Ele apenas deseja seguir a sua vida com dignidade e respeito.

106 5.2.2.4 Entrevista 12

O entrevistado 12, de trinta e nove (39) anos de idade, é agricultor e trabalha na função desde seus sete (7) anos. Natural do município de Rio Tinto – PB, estudou até a segunda série do ensino fundamental. Atualmente casado e com dois filhos, reside no

assentamento há quinze (15) anos. Assim como o resto dos agricultores do assentamento Dona Antônia, o assentado está aguardando a chegada do título de posse da propriedade. O agricultor se diferencia em relação aos outros assentados: ele é o único do assentamento que trabalha com agricultura orgânica. Ele não utiliza nenhum tipo de agrotóxico, apenas defensivos naturais, e também não utiliza nenhum produto químico para adubar as plantações, apenas adubos naturais. Em sua parcela, que possui cinco (5) hectares, são produzidos diversos tipos de plantio: a acerola, o mamão, o inhame, a mandioca, a banana, o feijão, o caju, a laranja, a goiaba, o limão, a manga, o sapoti, o abacate, o milho, a melancia, etc. O agricultor comenta que alguns desses plantios são introduzidos na época do inverno, como o milho.

107

Foto 22 A: Plantação de mamão (recente) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 22 B: Plantação de mamão (adulta). Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 22 C: Mamões no pé. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 22 D: Sapoti no pé Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 22 E: Sapotizeiro. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 22 F: Pequena mangueira. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 22: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 12. Autor: Leandro Gondim, 2010.

108

Foto 23 A: Mangas-rosa no pé. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 23 B: Plantio de acerola. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 23 C: Galha carregada de acerola. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 23 D: Bananeiras (em 1° plano) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 23 E: Cacho de banana. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 23 F: Feijão de corda (feijão verde) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 23: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 12. Autor: Leandro Gondim, 2010.

109

Foto 24 A: Pé de laranja-pêra. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 24 B: Laranja-pêra na galha. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 24 C: Plantação de inhame do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 24 D: Pé de abacate novinho. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 24 E: Motor de irrigação do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 24 F: Semente e folhas do ninho. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 24: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 12. Autor: Leandro Gondim, 2010.

110 O agricultor nos conta que as pragas mais comuns em suas plantações o ácaro (ataca o mamão e a acerola), a cigarrinha (ataca o mamão) e o pulgão (também ataca o mamão). Para combater o ácaro e a cigarrinha o agricultor pulveriza a acerola e o mamão com acaricida e o macerado do ninho (ou calda do ninho). A acaricida é uma mistura feita do leite de gado, farinha de trigo e óleo de cozinha. O macerado do ninho é uma mistura feita a partir da semente e da folhas do ninhoindiano e óleo de cozinha. Para combater o pulgão do mamão o agricultor utiliza a calda bordalesa. A técnica consiste em dissolver a cal na água e adicionar sulfato de cobre. Outro veneno utilizado pelo agricultor é o

biofertilizante, uma mistura das fezes e urina de gado, rapadura e leite. Como citado anteriormente, ele não utiliza nenhum tipo de produto químico para adubar a terra. Ele apenas utiliza o esterco de galinha. Ele foi um dos assentados que ainda conseguiu ser contemplado com o financiamento para a compra do motor para irrigação. O agricultor também concorda que a existência do motor e da irrigação irá determinar uma boa ou má produtividade. Para ele, sem seu equipamento de irrigação, a realidade de sua parcela seria outra: baixa produtividade, pouca diversidade, e como conseqüência, baixa rentabilidade. O escoamento da produção é feito no veículo próprio do agricultor. Ele comercializa seus produtos na feira agroecológica da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Se a produção foi maior, ele vende diretamente ao PAA – Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal.

Criado em 2003, o Pr ograma de Aquisição de Ali mentos (PAA) é uma das ações do Fome Zero e tem como obj etivo garantir o acesso a ali mentos em quantidade e regularidade neces sárias às populações em situação de insegurança ali mentar e nutricional. V isa também

contribuir para for mação de estoques es tratégicos e per mitir aos agricultores familiares que armazenem seus produtos para que sejam comerciali zados a preços mais

111
j ustos, além de promover a inclusão social no campo.

(BRAS IL, 2010)

O agricultor afirma retirar uma renda mensal bruta de R$2.000 reais. De acordo com as palavras do agricultor “não dá para eu enricar com a agricultura, mas consigo viver com dignidade. Consigo alimentar e manter o sustento de minha família”. O acompanhamento técnico da propriedade é feito pela

CONSPLAN, pela CPT – Comissão Pastoral da Terra, e por um técnico do GESTAR - Grupo de pesquisa, Território, Trabalho e Cidadania vinculado a UFPB. O apoio principal é no sentido de ensinar novas técnicas de defesa natural. O agricultor também foi beneficiado com um financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar –

PRONAF para o plantio de árvores de grande porte. Esse tipo de empréstimo se enquadra na categoria do PRONAF A, que disponibiliza crédito para projetos de assentados da reforma agrária. Ele investiu na plantação de mangueiras. Atualmente, devido à falta do estatuto do assentamento (PRA), todos estão impossibilitados de conseguir novos financiamentos. inadimplentes. Ele se diz confiante para o futuro. Desde que o agricultor começou a investir no plantio orgânico, sem uso de agrotóxico, e o apoio que vem recebendo da CPT e do GESTAR, sua situação e de sua família no campo mudaram para melhor. Segundo o agricultor, muitos assentados estão

112 5.2.2.5 Entrevista 13

A entrevistada 13, de trinta e nove (39) anos de idade, é natural do município do Conde – PB, trabalha como agricultora desde a infância e reside no assentamento há 15 anos. A agricultora é solteira, mas vive com seus filhos. Assim como os demais assentados, a agricultora também não possui o título de posse de sua parcela. Com uma área de cinco (5) hectares, a agricultora afirma cultivar apenas a macaxeira, e aproveita os frutos do cajueiro, da mangabeira e dos coqueiros. A agricultora cita a formiga saúva e a lagarta como as pragas mais comuns em sua plantação, e os combatem utilizando agrotóxicos. Ela afirma nunca ter utilizado defensivos naturais. Para fertilizar a terra ela utiliza o esterco de galinha e o adubo químico. Depende apenas da água da chuva para irrigar o plantio. O apoio técnico da parcela é realizado pela CONSPLAN. A agricultora tem um filho cadastrado no programa bolsa família. O benefício ajuda a complementar a renda familiar. Outro filho da agricultora já é adulto e trabalha fora em uma loja de material de construção. O salário do filho é outro complemento para a renda da família. Ela cita a falta de recursos e a condição de trabalho no campo como as principais dificuldades enfrentadas por ela na vida como agricultora. O motivo de não ter sido apresentado nenhuma imagem da parcela da agricultora é porque esta é a única parcela que não foi visitada. Foi realizado um total de oito (8) trabalhos de campo, e em nenhum destes trabalhos surgiu oportunidade de ir até a parcela da agricultora. Ou a agricultora não estava em sua casa ou quando estava não tinha disponibilidade para mostrar sua parcela. A entrevistada 10, agricultora também entrevistada neste

trabalho, e conhecida da entrevistada 13, nos contou que provavelmente a agricultora não queria nos levar em sua parcela por esta estar em estado de abandono. O abandono da parcela por parte de um assentado é um dos motivos pelo o qual o INCRA retoma a parcela do assentado e repassa para outro cadastrado no sistema. Em abril deste ano, o

113 assentamento Dona Antônia foi um dos 15 assentamentos vistoriados pelo INCRA desde o início de 2009 por denúncias de irregularidades como venda, troca, repasse, arrendamento e abandono de lotes (parcelas) (INCRA, 2010). Apesar da maioria das irregularidades se concentrarem nos municípios de Lucena, sapé, Cruz do Espírito Santo e Riachão do Poço, este fato justifica as dificuldades colocadas pela entrevistada para visitar sua parcela.

114 5.2.3 Assentamento Capim-Assu

O Assentamento Capim-Assu localiza-se no município do Conde, litoral Sul do Estado da Paraíba. Seu acesso pode ser feito pela BR-230, passando pelo centro do município do Conde. O caminho até o assentamento é por estradas de barro, passando por dentro da área do assentamento Rick y Charles. No passado a área do assentamento pertencia a uma fazenda de nome Capim-Assu. 32 Devido ao tamanho o INCRA de a não fazenda podia ser fazer de a

aproximadamente

hectares,

desapropriação. Deste modo, o INTERPA – Instituto de Terras e Planejamento Agrícola da Paraíba foi o responsável pela compra da fazenda e divisão para as 14 famílias que moravam no local.

115 5.2.3.1 Entrevista 14

O entrevistado 14 tem trinta e seis (36) anos de idade, é natural do município do Conde e trabalha com agricultura desde a infância. Diferente dos agricultores de outros assentamentos, ele já possui o título de posse de sua parcela de dois (2) hectares. O agricultor costuma cultivar macaxeira, inhame e bata-doce, além de aproveitas os frutos de árvores como a mangueira, o cajueiro, o coqueiro e jaqueira. Atualmente, o agricultor só está com a plantação da macaxeira e colhendo os frutos das fruteiras citadas anteriormente. A praga mais comum citada por ele é a lagarta, que como as folhas do roçado. Para combater, o agricultor faz uso de inseticidas químicos (agrotóxicos). A fertilização do solo é feito com adubo químico. A falta de acompanhamento técnico prejudica o trabalho do produtor. O agricultor também não possui motor de irrigação,

dependendo apenas da chuva para irrigar. Atualmente o agricultor comprou uma bomba para poder irrigar. Segundo ele, a bomba não vai ter nem de perto a eficiência do motor, mas será melhor do que depender apenas da chuva. O agricultor comenta que a renda adquirida da agricultura não é o suficiente para garantir melhores condições de sobrevivência. Sua produção às vezes só dá para o consumo familiar. Deste modo, ele abriu um pequeno fiteiro onde vende petiscos e bebidas, além de produtos como óleo de cozinha, biscoitos, sabão, etc. A irmã do agricultor, que reside com ele, possui um filho cadastrado no Programa Bolsa Família do governo federal. O dinheiro recebido do programa já faz parte da renda da família. Diferente dos outros assentamentos que foram visitados, no Capim Assú não existe agrovila. As casas localizam-se na própria parcela. Na casa dele não existe fossa nem água encanada. As

necessidades básicas, como urina e fezes, são feitas no ambiente. Utilizam a água de uma afluente do rio Gurují, localizado nas coordenadas 7°17’39” Sul e 34°52’01” Oeste.

116 Para o agricultor, a falta de recurso, de acesso a financiamentos, do acompanhamento técnico na propriedade, a não existência do motor para irrigar, são fatores determinantes que prejudicam a vida de um agricultor.

Foto 25 A: Plantação de macaxeira do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 25 B: Macaxeira e mangueira ao fundo. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 25 C: Cajueiro. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 25 D: Bananeiras. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 25: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 14. Autor: Leandro Gondim, 2010.

117 5.2.3.2 Entrevista 15

O entrevistado 15 é natural do município do Conde – PB, tem cinqüenta e cinco (55) anos de idade e trabalha na função de agricultor há quarenta e oito (48) anos. Vive com sua esposa, quatro (4) filhos e respectivos genros e noras e quatro (4) netos. Assim como o entrevistado 14, ele também já recebeu o título de posse de sua parcela. Com dois (2) hectares de área, o produtor cultiva na sua parcela inhame, macaxeira, bata-doce, milho e feijão. Estes três últimos são cultivados pelo agricultor apenas no inverno. Os frutos de árvores como a manga, o limão, a jaca, pinha, banana, coco, etc., também são aproveitados pelo assentado. Toda a produção de seu José é voltada para o consumo familiar, e o excedente, quando há, é vendido a atravessadores. A falta do motor de irrigação também é citada pelo agricultor como impedimento para conseguir uma melhor produção. A formiga saúva e a lagarta são as pragas mais comuns em suas plantações. O agricultor utiliza venenos e inseticidas eliminá-los. O agricultor nunca utilizou nenhum tipo de defensivo natural, nem nunca recebeu algum treinamento sobre o assunto. Para fazer a adubação da terra o agricultor utiliza apenas o esterco de galinha. Afirma que nunca usou adubo químico em suas plantações, não porque acha ruim, mas sim porque não tem condições de ficar comprando o produto. A maior parte do esterco de galinha utilizado em seu plantio é produzida na própria parcela do agricultor. Além de uma criação de galinhas de capoeira, ele iniciou a criação e pintos para abate. Ele iniciou essa criação de frangos através de um financiamento que conseguiu junto ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF no ano de 2005. Esse tipo de empréstimo se enquadra na categoria do PRONAF A, que disponibiliza crédito para projetos de assentados da reforma agrária.

118

Foto 26 A: Plantação de macaxeira. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 26 B: Mangueira nos fundos da casa. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 26 C: Pé de jaca. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 26 D: Pé de limão. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 26 E: Criação de pintos do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 26 F: Cocheira do gado. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 26: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 15. Autor: Leandro Gondim, 2010.

119 O valor do empréstimo contraído pelo agricultor foi no valor de R$12.500 reais. O valor de cada parcela ficou em R$895,00 pagas

anualmente. Em 2009 o agricultor pagou a primeira parcela. Com dinheiro do financiamento, ele comprou os pintos, as rações, construiu o galpão e o cercado de criação dos animais e construiu uma cocheira para o gado. Os pintos são alimentados com três tipos de rações: a ração préinicial, inicial e de crescimento. O agricultor também adiciona as rações farelo de mandioca e farelo de milho, pois percebeu que os pintos aceitam mais a ração misturada com esses ingredientes. Em dois (2) meses e quinze (15) dias os pintos já estão prontos para abate. O agricultor vende cada frango no valor de R$9,00 a R$10,00. Ele está aguardando um projeto do INTERPA para vender os frangos diretamente para escolas do município do Conde, onde ele teria venda garantida todos os meses e um preço mais justo pelo frango.

120 5.2.4 Assentamento Ricky Charles

O Assentamento Rick y Charles localiza-se no município do Conde, litoral Sul do Estado da Paraíba. Seu acesso pode ser feito pela BR-230, passando pelo centro do município do Conde. O caminho até o assentamento é por estradas de barro. Sua localização geográfica é nas coordenadas 7°16’56” latitude Sul e 34°52’21” longitude Oeste. Originalmente o assentamento Rick y Charles situa-se onde no passado localizava-se a fazenda “Capim Açu/Paratibe/Peixe – Stª Bárbara e Taboleirinho” cujo dono era o pernambucano Pedro Cavalcanti de Arruda Filho. De acordo com Souza Júnior et al. (2003)

Esse imóvel era cadastrado no INCRA como latifúndio por exploração, poss uía uma área registrada de 223,9 hectares, dos quais, 42 hectares correspondiam a área do conflito envol vendo quatro famílias. Porém a área

desapropriada registrada é a de 338 hectares. Após dez anos de conflito, em 1992, a fazenda foi adquirida pelo Governo do Estado da Paraíba, através do INTERPA ( Instituto de Terras da Paraíba) e transfor mada em assentamento. (p.2)

A partir da portaria nº 034/97 de 22/12/1997, do INCRA, conforme consta no relatório do Grupo de Elaboração de Projetos (INCRA, 2000), o imóvel passou a se chamar Assentamento Rick Charles e nele residem atualmente 51 famílias. (SOUZA JUNIOR ET AL, 2003) Todos os assentados residem na agrovila, a não ser aqueles que constroem casas de taipa em suas parcelas e ficam revezando os dias, passando parte da semana na agrovila e parte da semana na parcela.

Todas as casas da agrovila são de alvenaria, possuem energia elétrica, fossa séptica e água encanada. A água que supre as necessidades dos moradores é de um poço que abastece toda a agrovila.

121 5.2.4.1 Entrevista 16

O entrevistado 16 de quarenta e quatro (44) anos de idade é natural do município do Cinde – PB, reside no assentamento Rick y Charles há doze (12) anos e trabalha na função de agricultor há trinta e seis (36) anos. Divorciado, o agricultor dividiu a parcela com sua exesposa, ficando cada um com 2,5 hectares de área, e construiu uma casa de taipa em sua parte da parcela. O plantio do agricultor é composto pelo mamão, inhame, banana e maracujá, além de aproveitar para os frutos do coqueiro. O agricultor cita algumas pragas que atacam sua plantação: o ácaro e a cigarrinha, que atacam o mamão; o amarelão e a pinta preta, que atacam o inhame; e a dermatóide do maracujá. O combate a essa pragas é feitos através de agrotóxicos. Para ácaro ele utiliza caltrin e meotrin, que é um tipo de inseticida. Para combater a dermatóide do maracujá ele utiliza o inseticida decis e lannate. O agricultor não utiliza nenhum tipo de defensivo natural, apenas químico. A fertilização de seu plantio é feito com esterco de galinha e adubo químico. O agricultor também é um dos poucos assentados que possui motor de irrigação. A água utilizada para irrigar a plantação vem de um riacho que deságua em um afluente do rio Gurují que o pessoal chama de riacho do motor. O riacho localiza-se nas coordenadas geográfica 7°17’18” de latitude Sul 34° 52’25” de longitude Oeste. O agricultor comentou que todas as pessoas do assentamento tiveram acesso a financiamento para comprar o motor de irrigação. Muitos compraram, e em pouco tempo venderam sem nem usar uma única vez, para comprar carro, motocicleta, etc. Outros se viram obrigado a vender devido à inadimplência de outros, pois o financiamento estava sendo feito com grupos de cinco (5) pessoas. Se um assentado atrasar o pagamento, todos saíam prejudicados. Ele comenta que apesar das dificuldades da vida no campo, ele está sobrevivendo com dignidade. Sente-se satisfeito em ter seu pedaço

122 de terra, sua casa e o alimento do dia. Como disse o agricultor, “temos que saber viver na época das vacas gordas e das vacas magras”.

Foto 27 A: Casa de taipa do agricultor. Veículo na garagem. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 27 B: Fossa séptica que o agricultor está construindo para a casa. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 27 C: Plantação de mamão. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 27 D: Plantação bananeiras Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 27 E: Plantio sendo irrigado. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 27 F: Nascente do riacho do motor. O agricultor represou a nascente. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 27:Ddiferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 16. Autor: Leandro Gondim, 2010.

123

Foto 28 A: Represa construída pelo agricultor para armazenar a água necessária para irrigação. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 28 B: Motor de irrigação do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 28 C: Bica da nascente. Essa água é utilizada para o consumo. Autor: Leandro Gondim, 2010. Mosaico 28: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 16. Autor: Leandro Gondim, 2010.

124 5.2.4.2 Entrevistas 17 e 18

O entrevistado 17 é natural de Pedra Lavrada – PB e reside no assentamento há quatorze (14) anos. O agricultor de cinqüenta e quatro (54) anos de idade, é casado, tem seis (6) filhos e três (3) netos, e trabalha na função desde os cinco (5) anos. Seu José ainda não recebeu o título de posse. O entrevistado 18 tem quarenta e dois (42) anos de idade, é casado, tem seis (6) filhos e cinco (5) netos. O agricultor, natural de Mata Redonda, distrito de Pitimbú – PB, reside no assentamento há quatorze (14) anos e trabalha na função há trinta e cinco (35) anos. O motivo de colocarmos a discussão de suas entrevistas no mesmo subcapítulo é porque os dois assentados, além de possuírem as parcelas vizinhas uma da outra, trabalham em parceria no seguinte sentido: dividem espaço quando necessário e dividem os custos do plantio. Assim como todos do assentamento Rick y Charles, nenhuns dos dois agricultores receberam seus títulos de posse. Cada um dos agricultores recebeu uma parcela de cinco (5) hectares. Juntos, os agricultores produzem banana, inhame, macaxeira, acerola, manga, caju, coco, feijão, tomate, pimenta, alface, coento, melão caipira, abobrinha de canteiro, etc. Vale à pena ressaltar que, apesar dos agricultores se ajudarem, trabalharem no roçado um do outro, cada um tem sua plantação exclusiva. A lagarta, a formiga, o arapuá (besouro) são os tipos de praga que mais atacam suas plantações. O besouro arapuá é um tipo de abelha que geralmente atacam as bananeiras. O entrevistado 17 só usa veneno para matar as formigas. O agricultor deixou de usar os outros tipos de agrotóxicos devido a uma intoxicação que o deixou doente no passado. Ele também não utiliza defensivos naturais. O entrevistado 18 também não utiliza nenhum defensivo químico, mas utiliza defensivos naturais como à urina da vaca e a calda bordalesa (mistura de cal e sulfato de cobre na água). Para a fertilização do solo os dois agricultores utilizam adubo químico e esterco de galinha.

125

Foto 29 A: Melão caipira Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 29 B: Plantação de coento Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 29 C: Coqueiros Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 29 D: Coento Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 29 E: Galha de acerola. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 29 F: Mangueira. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 29: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18. Autor: Leandro Gondim, 2010.

126

Foto 30 A: Cajueiros Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 30 B: Caju vermelho Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 30 C: Caju amarelo Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 30 D: Pé de pimenta Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 30 E: Pimenta. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 30 F: Berinjela. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 30: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18. Autor: Leandro Gondim, 2010.

127 Os agricultores produzem o plantio com um sistema de irrigação. Eles possuíam um motor, mas devido ao roubo dos equipamentos, como canos, presilhas, braçadeiras, etc., os dois juntaram-se a outros dois agricultores, venderam o motor e compraram uma bomba com roda d’água. Diferente do motor, que os agricultores tinha gasto com óleo diesel e manutenção cara, a bomba com roda d’água é hidráulica e não necessita de combustível ou energia elétrica, utiliza apenas a força da água para bombeá-la até as plantações dos agricultores. O único gasto resulta da manutenção da bomba, feita anualmente e de baixo custo. A bomba é da marca ZM 1P Maxxi do grupo ZM Bombas, e foi comprada em Campina Grande – PB. Atualmente, a roda d’água pertence apenas aos dois entrevistados. A água não é mais transportada pelos canos de irrigação, mas sim por mangueiras, que são mais baratas e de pouco interesse para os ladrões. Também se deve ressaltar que a bomba hidráulica dos

agricultores ilustradas nas fotografias acima não estava funcionando com toda a sua capacidade. Uma das peças mecânicas estava com problema. Os agricultores tinham feito o pedido da nova peça no valor de R$75,00 incluindo o frete, mas ainda estavam aguardando sua chegada (a loja responsável pela marca no Brasil fica no município de Maringá – Paraná). Com isso, a quantidade de água bombeada não era forte o suficiente para chegar à quantidade razoável para irrigação, o que prejudicou o desenvolvimento de algumas plantações. A água utilizada pelos agricultores para irrigar suas plantações é de uma nascente, afluente do rio Gurují. Eles construíram um açude para armazenar a água em quantidade suficiente e desviá-la para girar a roda d’água. Para isso, eles fizeram um desvio da nascente, mas mantendo também o curso original. O curso do desvio deságua na rota original da nascente novamente.

128

Foto 31 A: Cacho de banana. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 31 B: Bomba hidráulica com roda d’água. (vista frontal) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 31 C: Plantio de hortaliças (tomate, alface, couve) prejudicadas pela falta de água. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 31 D: Bomba hidráulica com roda d’água. (vista oblíqua) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 31 E: Abobrinha de Canteiro morta por falta de água. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 31 F: Açude construído pelos agricultores. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 31: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18. Autor: Leandro Gondim, 2010.

129

Foto 32 A: Rota feita pelos agricultores para que a água encontre novamente a nascente Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 32 B: Plantação de agricultores. Autor: Leandro Gondim, 2010.

macaxeira

dos

Foto 32 C: Macaxeira utilizada como ração para as galinhas. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 32 D: Casa de taipa do agricultor José Francisco. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 32: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano dos entrevistados 17 e 18. Autor: Leandro Gondim, 2010.

A falta de um veículo próprio dificulta a comercialização dos produtos cultivados. Os agricultores dependem do serviço dos

atravessadores, que compram por um preço inferior daquele que eles conseguiriam e vendessem diretamente em uma feira. Outro fato importante é que o entrevistado 18 só entrega sua produção mediante pagamento imediato do atravessador. É comum o atravessador pegar a produção, vender, e só depois repassar a parte do agricultor. Ele também costumava negociar deste modo até que um atravessador levou sua produção de inhame e não retornou para repassar

130 a parte devida ao agricultor. Devido a essa nova forma de negociar, seu Severino perdeu este ano sua produção de macaxeira, pois não aceitou entregá-la ao atravessador para só depois receber sua parte em dinheiro. A plantação foi abandonada pelo agricultor, pois a mesma passou do tempo para comercialização e consumo. Hoje ele a está colhendo pouco a pouco e utilizando como ração para alimentar as galinhas. Os dois agricultores são beneficiados pelo Programa Bolsa Família do Governo Federal. O dinheiro recebido através do programa, assim como vimos em entrevistas anteriores, transformou-se em renda fixa e importante para suprir as necessidades das famílias. Assim como alguns assentados, os agricultores construíram pequenas casas de taipa para quando necessitassem ficarem na parcela alguns dias. Diferente dos assentados de Gurují II e Dona Antônia, os agricultores não recebem nenhum tipo de apoio técnico. A falta de recursos, de acesso a novos financiamentos também é apontado pelos dois produtores como mais uma dificuldade enfrentada pelo agricultor no campo. Apesar das dificuldades enfrentadas pelos assentados, eles esperam melhoras e continuam trabalhando acreditando em um futuro mais próspero.

131 5.2.4.3 Entrevista 19

A entrevistada 19, de quarenta e cinco (45) anos de idade é separada, tem cinco (5) filhos e dois (2) netos e reside no assentamento há 13 anos. Agricultora desde a infância, a assentada é natural do município de Pitimbú – PB. Assim como os demais assentados de Rick Charles, a agricultora não possui o título de posse de sua parcela. O cultivo da agricultora é composto por maracujá, batata-doce, inhame, macaxeira, milho e feijão. Os quatro últimos são cultivados pela agricultora apenas no inverno. Ela também aproveita os frutos da mangueira, do cajueiro e da bananeira. Atualmente, a agricultora está apenas com plantação de maracujá e bata-doce. Entretanto, a agricultora quase não tem ido à parcela devido a um problema de saúde na coluna. O mato já está tomando conta de suas plantações.

Foto 33 A: Plantação de maracujá. O mato está tomando conta da plantação. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 33 B: Mangueira. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 33 c: Cajueiro e bananeiras. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 33 D: Plantação de bata-doce. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 33: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 19. Autor: Leandro Gondim, 2010.

132 A agricultora afirma que sem motor de irrigação ela não tem o que fazer no roçado, a não ser quando chove. A agricultora também comenta no passado ela possuía o motor de irrigação. Porém, devido à inadimplência de alguns agricultores, ela deve que se desfazer dele. Isso se deve ao fato de que o financiamento para comprar os motores foi feito em grupo, ou seja, a parcela era conjugada, uma parcela para cada grupo de cinco agricultores. Se um deles não pagasse, todos os outros ficavam inadimplentes. Ela cita que todos no assentamento chegaram a possuir motor de irrigação, porém a maioria se desfez dele por este motivo citado pela agricultora, fora aqueles que venderam para comprar carro, motocicleta, etc. Por este motivo, ela afirma que só fará outro financiamento no futuro se for de forma individual, em que ela seja responsável pela sua própria parcela, sem depender da boa vontade de pagar de nenhum assentado. Para matar as pragas como a lagarta e insetos como os pulgões a agricultora tem usado veneno químico. Ela também utiliza calda do fumo como defensivo natural. Para fazer a calda precisa de fumo de rolo, 50 gramas de sabão de coco ou neutro e 1 litro de água. Primeiro se pica o fumo e o sabão em pedaços, se junta à água e mistura-se bem. Após, deixa de molho por 24 horas, côa e pulveriza as plantas atacadas. (COORDENADOR IA DE ASS ISTÊNC IA TÉCNICA – CATI, 2010). Ela também destaca a falta de apoio técnico aos assentados no ano corrente. Assim como muitos assentados, a bolsa família também se tornou parte da renda fixa da agricultora. O que deveria ser um benefício para amenizar os problemas de pessoas carentes está se tornando quase que um salário indispensável para sobrevivência de muitos assentados. A agricultora acaba de perder um de seus filhos, outro motivo que também a levou a deixar de lado o trabalho na parcela. A agricultora, acreditando em sua fé em Deus, tem a certeza que irá superar essa perda e que vai reerguer sua parcela. O fato de ser mulher, estar doente, não a impede de lutar. Suas palavras: “Eu sinto falta de um companheiro que me apóie, mas pode ter certeza de uma coisa: eu como mulher, sou muito mais corajosa que muito marmanjo por aí. Eu sou pau pra toda obra. Não

133 desisto fácil”. É com essa determinação que a agricultora segue adiante, não deixando de acreditar em um futuro melhor.

134 5.2.4.4 Entrevista 20

O entrevistado 20 tem trinta e três (33) anos de idade, é casado e tem quatro filhos. Natural do município do Conde e agricultor desde a infância, reside no assentamento há treze (13) anos. Ele também não possui o título de posse de sua parcela. O agricultor costuma plantar macaxeira, mamão, inhame, feijão, milho, mandioca, banana e maracujá. Os quatro últimos são cultivados pelo agricultor apenas no inverno. Atualmente Odemir está apenas com a plantação de mamão, banana e colhendo frutos como coco. Para combater as pragas que afetam sua plantação, como a lagarta, o caramujo africano, o agricultor utiliza veneno químico. Não utiliza nenhum tipo de defensivo natural. Assim como outros assentados, ele também chegou a possuir o motor de irrigação, porém o vendeu pois não tinha como mantê-lo. O agricultor possui três (3) filhos cadastrados no programa bolsa família. A renda desse benefício se tornou indispensável para a sobrevivência da família. Para obter uma renda extra, Odemir produz produtos artesanais a partir do cipó de embú. O produto é vendido para os próprios assentados e também feitos por encomenda por cliente de fora do assentamento. Ele produz abajur, peixes, bandejas, barcos e cadeiras. Veja as fotos de alguns produtos feitos pelo agricultor. O abajur, a bandeja, o peixe são vendido ao preço de R$25,00, enquanto que a cadeira é vendida por R$70,00. Nessa época do ano, com poucas chuvas, o agricultor tem se dedicado mais a fabricação dos produtos artesanais do que a parcela.

135

Foto 34 A: Plantação de mamão do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 34 B: Plantação de mamão do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 34 C: Coqueiros do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 34 D: Produtos artesanais do agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 34 E: Mais produtos artesanais. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Foto 34 F: Cadeiras produzidas pelo agricultor. Autor: Leandro Gondim, 2010.

Mosaico 34: Diferentes aspectos da vida e do cotidiano do entrevistado 20. Autor: Leandro Gondim, 2010.

136 6. DISCUSSÃO

O objetivo deste capítulo é trazer algumas considerações sobre os dados coletados em campo através das entrevistas realizadas com os agricultores. Visitamos a área do assentamento Capim Assú, Rick y Charles, Gurují II e Dona Antônia (Figura 18). O assentamento Capim Assu não aparece na figura abaixo, porém sua localização fica ao sul do assentamento Rick y Charles.

F ig u ra 1 1 : Map as d o s a s se nt a me n to s r ur a is no mu n i cíp io d o Co nd e – P B . F o nt e : So us a, 2 0 0 8 , p .8 0

137 Foram realizadas 20 (vinte) entrevistas, como vimos nos capítulos anteriores, e sua discussão é baseada nos questionamentos propostos nas entrevistas, não necessariamente na ordem das questões. A tabela 02 nos mostra informações gerais sobre os agricultores entrevistados, como local de moradia, atividade produzida, se possuem título de posse, se irrigam, etc.

Entrevistado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

Tabela 02: Dados gerais dos Agricultores Entrevistados Título Água Fossa Energia Atividade Local de Irrigação Financiamento Encanada Séptica Elétrica Produzida Posse Gurují Não Agrícola Sim Não Não Sim Sim Gurují Gurují Gurují Gurují Gurují D. Antônia D. Antônia D. Antônia D. Antônia D. Antônia D. Antônia Capim Assu Não Não Não Não Sim Não Não Não Não Não Não Sim Agropecuária Agropecuária Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agropecuária Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Agrícola Sim Não Não Não Sim Não Sim Sim Não Não Sim Não Não Não Sim Sim Sim Não Não Não Não Não Não Não Não Sim Sim Não Não Sim Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Não Não Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim Sim

Capim Assu Sim Ricky 15 Não Charles Ricky 16 Não Charles Ricky 17 Não Charles Ricky 18 Não Charles Ricky 19 Não Charles Ricky 20 Não Charles Autor: Leandro Gondim, 2010.

Observando os dados da tabela 02 percebe-se que a maioria dos entrevistados (17) realizam apenas a atividade agrícola, o que é comum quando se trata de pequenos agricultores rurais. Deve-se ressaltar que três dos entrevistados que se diferenciam da maioria, realizam a

138 atividade agropecuária em pequena escala, visto que o investimento na criação bovina, suína ou aves, está sendo novo para os assentados entrevistados. Destas, a criação de frango para o abate é que tem sido escolhido pelos assentados como uma atividade mais próspera para investir principalmente pelo custo de iniciar uma criação ser

relativamente mais baixo comparado com os outros. Metade dos entrevistados fez financiamento com bancos como o do Nordeste, Rural, etc. A maior parte desses empréstimos foi para a compra do motor de irrigação, e alguns para começar a criação de frangos. Em relação à infra-estrutura das casas dos assentados (itens 14 e 15 da entrevista), percebeu-se que aqueles que moram na agrovila possuem uma base estrutural melhor do que aquelas que moram nas parcelas. Primeiro porque todas as casas das agrovilas visitadas (Rick y Charles, Gurují II e Dona Antônia) possuem energia elétrica, água encanada abastecida por um poço e fossas sépticas para os dejetos humanos. Diferente das casas localizadas nas parcelas, que em um único caso, a do agricultor José Carlos da Silva Rodrigues do Gurují II, que possui tanto energia como água encanada (estrutura doada pelo Projeto Cinturão Verde) e fossa séptica, muitas só possuem energia elétrica. E mesmo assim não são todas. Outro fator importante destacado por alguns assentados é que na agrovila as famílias ganham um sentimento de mais segurança devido à comunidade viver junta. Outro ponto importante, é que caso alguém precise ser socorrido devido a um problema de saúde, tanto os assentados, como o poder público (hospitais e ambulâncias, polícia) tem muito mais facilidade e agilidade de ir à agrovila do que numa casa localizada dentro da parcela, que em 100% das vezes o acesso é feito por estradas de barro. Também se deve ressaltar que apenas os assentados de Capim-Assu possuem o título de posse, e o entrevistado n°06 que é proprietário de sua terra. Antes da discussão sobre os tipos de culturas cultivadas nas parcelas dos agricultores entrevistados, deve-se ressaltar primeiramente a questão da reserva legal em cada propriedade rural. A lei federal

139 n°4.771, de 15 de setembro de 1965 instituiu o Código Florestal brasileiro. A Medida Provisória de n°2.166-67, de 24 de agosto de 2001 incluiu na referida a descrição do que seria reserva legal:

III - Reser va Legal: área localizada no int erior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preser vação per manente, necessári a ao uso sustentável dos recursos naturais, à conser vação e reabilitação dos processos ecológicos , à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas . (BRASIL, 2008)

De acordo com o Decreto de n° 6.514 de 22 de julho de 2008, os agricultores de todo o Brasil teriam até o diz 17 de dezembro de 2009 para averbar a reserva legal à sua propriedade rural. Este mesmo decreto institui que aquele agricultor que deixasse de averbar a reserva legal teria como penalidade de advertência e multa diária de R$50,00 (cinqüenta reais) a R$500,00 (quinhentos reais) por hectares ou fração da área de reserva legal além de passar por todo um processo jurídicoadministrativo em que:

§ 1o O autuado será advertido para que, no prazo de cento e oitenta dias, apresente termo de compromisso de regulari zação da reser va legal na for ma das alternativas previstas na Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965.. (Redação dada pelo Decreto nº 7.029, de 2009) § 2o Durante o período previsto no § 1o, a multa diária será suspensa. ( Redação dada pelo Decreto nº 6.686, de 2008). § 3o Caso o autuado não apresente o termo de compromis so previsto no § 1o nos cento e vinte dias assinalados, deverá a autoridade ambiental cobrar a multa diária desde o dia da lavratura do auto de infração, na for ma estipulada neste Decreto. ( Incluído pelo Decreto nº 6.686, de 2008). § 4o As sanções previstas neste artigo não serão aplicadas quando o pr azo previsto não for cumprido por culpa imputável exclusivamente ao órgão ambiental. ( Incluído pelo Decreto nº 6.686, de 2008). § 5o O proprietário ou possuidor terá prazo de cento e vinte dias para averbar a localização, compensação ou desoneração da reserva legal, contados da emissão dos documentos por parte do órgão ambiental competente ou instituição habilitada. ( Incluído pelo Decreto nº 7.029, de 2009)

140
§ 6o No prazo a que se refere o § 5o, as sanções previstas neste artigo não serão aplicadas.(Incluído pelo Decreto nº 7.029, de 2009) (BRASIL, 2008)

O Decreto 6.686 de 10 de dezembro de 2008 em seu artigo 51 institui multa de R$5000,00 (cinco mil reais) para o agricultor que: “Destruir, desmatar, danificar ou explorar floresta ou qualquer tipo de vegetação nativa ou de espécies nativas plantadas, em área de reserva legal ou servidão florestal, de domínio público ou privado, sem autorização prévia do órgão ambiental competente [...]” (BRASIL, 2008) De acordo com os agricultores entrevistados, os técnicos do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária é que fizeram a demarcação da área de reserva legal. As áreas em sua quase totalidade são áreas de encosta, suscetíveis ao processo de erosão devido à perda da vegetação nativa que exercia o papel de escudo do solo, além de contribuir para a manutenção de vertentes que escoam nos rios que compõem a bacia do rio Gurují. Em algumas parcelas, a área de reserva se encontra bem preservada, e com existência de vegetação nativa; outras estão em processo de reflorestamento devido ao uso anterior as criações das reservas.

F ig u ra 1 2 : Ár ea d e r e ser v a d o e ntr e vi st ad o 1 2 d e sca mp ad a d e vid o ao u so a nt er io r d o so lo . Aut o r: L ea nd r o Go nd i m , 2 0 1 0 .

141 Vale salientar que nem todos enxergam a reserva legal como uma forma de proteger o meio ambiente. Para Dutra (2011) a reserva legal se tornou um discurso ideológico pelos ambientalistas brasileiros, além de ser um discurso vinculado a interesses internacionais do Brasil não se tornar o maior produtor de alimento do planeta. Para o autor, da forma que a reserva legal foi instituída, ela está restringindo o

desenvolvimento econômico do imóvel rural além de ser uma violação ao direito de propriedade.

A propriedade particular é um direito fundamental consagrado na Constituição Federal, tendo o proprietário o direito de ser indenizado no caso de desapropriação direta ou indireta. Qualquer restrição ao uso economicamente viável do i móvel, que venha frustrar a sua potencialidade econômica, é passí vel de indenização. Para que sej a instituída a reser va legal em propriedade particular é necessária a indenização do valor do imóvel e dos lucros cessantes , através do devido processo legal. Se todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, todos devem suportar o ônus da criação das reservas legais e não apenas os proprietários rurais. Não pode o Poder Público, sob a j ustificativa de preservação ambiental, transferir o ônus e a responsabilidade pela criação da reser va legal exclusivamente aos proprietários rurais. O proprietário rural tem a garantia constitucional do direito de propriedade, da devida e j usta compensação financeira (danos emergentes e lucros cessantes), quanto à pretensão do Estado, no exercício da sua competência j urídica, atingir o direito de propriedade em sua potencialidade econômica. (DUTRA, 2011. Acesso em: 07 fev. 2011)

Entretanto, a reserva está instituída por lei e em vigor, e agora que a discussão de sua ilegalidade está ganhando força dentro do cenário político e jurídico. Retornando à discussão sobre os tipos de culturas cultivadas (item 4 da entrevista) na área da bacia do rio Gurují, foram identificados mais de vinte (20) tipos de culturas. Entretanto a produção dos agricultores entrevistados é bem parecida um do outro, com exceção daqueles que produzem hortaliças. Vejamos a tabela 03 na próxima página.

142
Tabela 03: Culturas agrícolas dos entrevistados na área da bacia do rio Gurují.
Produtos Consumo Ocorrência % Cultivados familiar Abacaxi 2 10 2 Abobrinha 1 5 1 Acerola 5 25 5 Alface 2 10 2 Banana 12 60 12 Batata-doce 10 50 10 Berinjela 1 5 1 Beterraba 1 5 1 Cana-de-açúcar 3 15 3 Coento 2 10 2 Couve 2 10 2 Feijão 13 65 13 Frutas 20 100 20 Inhame 18 90 18 Jerimum 2 10 2 Macaxeira 16 80 16 Mamão 7 35 7 Mandioca 8 40 8 Maracujá 6 30 6 Milho 20 100 20 Pimenta 1 5 1 Pimentão 1 5 1 Tomate 2 10 2 TOTAL DE ENTREVISTAS % Comercialização % Utiliza rio para Irrigação

10 5 25 10 60 50 5 5 5 10 10 65 100 90 10 80 35 40 30 100 5 5 10

1 1 5 2 12 4 1 1 1 2 2 10 15 18 2 16 7 8 6 20 0 1 2

5 5 25 10 60 20 5 5 5 10 10 50 75 90 10 80 35 40 30 100 0 5 10

IRRIGAM = 8 AGRIC. NÃO IRRIGAM = 12 AGRIC.

20

Autor: Leandro Gondim, 2010.

Dos produtos cultivados pelos agricultores listados na tabela 03, o inhame, o milho, a macaxeira e a mandioca aparecem em no mínimo 80% das parcelas visitadas para os três primeiros, e 40% para a mandioca. Isso se deve ao fato que estes dois produtos na época de suas safras têm uma boa aceitação do mercado e rentabilidade. Alguns dos agricultores chegaram a afirmar que conseguem lucrar no inhame, por exemplo, entre R$3.000,00 a R$5.000,00, dependendo da área plantada e da qualidade do produto. Outro fator importante é que a mandioca e a macaxeira, segundo os agricultores, são tipos de plantio que conseguem sobreviver no clima

143 da região mesmo em período de baixa pluviosidade, apesar de isso resultar em baixo desenvolvimento da produção e não tão boa qualidade do produto. E mesmo que o produto não tenha uma boa aceitação no

mercado, ele é utilizado no consumo da família e em algumas parcelas utilizadas para fazer ração para os animais. Todos os agricultores entrevistados fazem o plantio do milho, sempre na época do inverno. Devido à época de festas como o São João e o São Pedro, o produto é bastante requisitado na mesa dos nordestinos bem como as comidas típicas derivadas do produto. E mesmo que a produção também não seja o suficiente para a comercialização, os agricultores utilizam o produto para o consumo próprio e para as festas comunitárias realizadas nos próprios assentamentos. Apesar das fruteiras aparecerem em 100% das parcelas visitadas, e todos aproveitarem os frutos para consumo próprio (este

principalmente) e comercialização, apenas 15% dos entrevistados (três agricultores) está investindo neste tipo de plantio, principalmente nas árvores do sapoti, da manga e do caju. Devido à falta do motor de irrigação nas parcelas da maioria dos entrevistados e a conseqüente dependência exclusiva da chuva, a colheita desses frutos tornou-se importante na complementação da renda. Por exemplo, algumas parcelas foram beneficiadas por já existir na área uma quantidade razoável de mangabeiras (de 50 a 100 pés por parcela), que mesmo em condições de escassez de água consegue se desenvolver bem e tem boa produtividade e o fruto também tem aceitação no mercado. O cultivo do caju também vem auxiliando na sobrevivência dos assentados. Além da árvore se adequar bem aos solos arenosos, o caju também tem uma boa aceitação no mercado, além da possibilidade dos produtores também investirem na venda de castanhas. Os entrevistados 03, 10 e 11 estão investindo nesse tipo de cultura, já que não possuem motor de irrigação e a árvore consegue se desenvolver em ambiente com pouca água. O feijão, a batata-doce e a banana aparecem no mínimo em 50% das parcelas dos entrevistados. O feijão cultivado é o de corda (verde) e na maior parte dos casos é utilizado para o consumo familiar. A banana

144 cultivada é do tipo pacovan e comprida. A batata-doce cultivada pelos agricultores é do tipo roxo. Diferente do feijão, que é mais utilizado no consumo familiar, a banana e a batata-doce são mais comercializados pelos agricultores devido à melhor procura. O mamão é outra cultura que está ganhando importância para os agricultores, devido à boa aceitação no mercado, período curto do plantio até a primeira safra e os curtos períodos de entressafra. Levamse oito (8) meses, desde o plantio até a primeira safra. Os agricultores entrevistados cultivam o mamão papaia/havaí e sua colheita inicia no mês de dezembro e vai até o me de outubro do ano seguinte, passando por um período de um (1) mês de entressafra e após inicia uma nova safra. Dos agricultores produtores de mamão, merece destaque o entrevistado n°06. Diferente dos outros entrevistados (todos assentados), este agricultor é proprietário de suas terras, cujo tamanho é de 180 hectares. Apesar de começar como arrendatário, hoje ele é o proprietário, e um latifundiário. Dos 180 hectares, 16 são utilizados apenas para a produção do mamão havaí. O fruto é comercializado pelo produtor na CEASA do Rio Grande do Norte, e em feiras como a de Jacumã, Oitizeiro e o Mercado Central de João Pessoa. Este mesmo agricultor também cultiva o inhame e a acerola em grande quantidade. A área utilizada para estes plantios é de 25 hectares para cada um. A acerola é o produto para o agricultor de maior rentabilidade, já que além de comercializá-la para as feiras e a CEASARN, o produto também é comprado por fábricas de polpas de frutas, como a IDEAL e a INTRAFRUT – Indústria Transformadora de Alimentos S/A. Além disso, o entrevistado n°06 também é vereador do município do Conde, o que lhe possibilita mais facilidade na produção e

escoamento. Um bom exemplo é que na época das festas juninas a prefeitura do Conde compra toda a produção de milho do agricultor. Outro fato importante é que muitos assentados trabalham como diaristas na propriedade do produtor. O agricultor possui boa sustentabilidade econômica, e pelo fato de ser vereador, é bem assessorado pelo lado

145 político-institucional, porém toda sua produção recebe adubos e venenos institucional, químicos, deixando de existir a sustentabilidade ambiental. Os demais produtos cultivados aparecem distribuídos entre as parcelas dos vinte (20) entrevistados. Como vimos através da descrição das entrevistas, apenas cinco (5) dos vinte (20) entrevistados possuem veículo próprio para fazer o escoamento da produção (item 5 da entrevista). O destino dos produtos . destes cinco agricultores é a feira de Oitizeiro, Mercado central de João Pessoa, feira Agroecológica da UFPB, feira agroecológica do Bessa, etc. Nas feiras agroecológicas apenas os produtos orgânicos, ou seja, sem ógicas nenhum uso de agrotóxicos, são comercializados. Os quinze (15) restantes pegam fretes com os agricultores que possuem veículo, ou dependem de um atravessador (mais comum) ou apenas utilizam os produtos no consumo familiar quando não conseguem comercializá onsumo comercializá-los. Dentre os entrevistados, entrevistados apenas oito (8) dos vinte (20)

agricultores possuem sistema de irrigação (item 10 do questionário) questionário), como veremos a seguir na tabela 04 e no gráfico 01. A água utilizada para irrigar pertence ao rio Gurují e a seus afluentes como o baraúna (ou rigar caboclo), rio do motor, e pequenas vertentes que não possuem nome.

Ta bela 0 4 : Ag ri cu lt o re s qu e po s s ue m si st e ma de irr ig a çã o . P o ss u e m si st e ma Não p o s s ue m si s te ma % d e ir r i gaç ão d e ir r i gaç ão 09 45 11 TO T AL = 2 0 ( 1 0 0 %) Aut o r: Lea nd ro Go n di m, 2 0 1 0 . Grágico 01: Agricultores que possuem sistema de irrigação

% 55

45% 55%

Possuem Sistema de irrigação (09) Não possuem sistema de irrigação (11)

Aut o r: L ea nd r o Go nd i m , 2 0 1 1 . :

146 Também se deve destacar que dos nove (09) agricultores, cinco (05) possuem sistema de irrigação individual, e quatro (04) possuem sistema de irrigação conjugado, em trabalho de parceria como foi visto anteriormente neste trabalho. Através dos trabalhos de campo, dos registros fotográficos mostrados anteriormente neste trabalho, e das entrevistas aplicadas com os agricultores, foi comprovado que as parcelas que mais produziam e os agricultores com maior rentabilidade em seu trabalho são aqueles que possuem o sistema de irrigação. Os próprios agricultores que não possuem esse sistema afirmaram que a situação de suas parcelas, a maioria pouco desenvolvida e com pouca diversidade de culturas, seriam completamente diferentes da realidade atual se pudessem irrigar suas plantações. Eles poderiam investir no plantio da melancia, da acerola, do mamão, entre outros produtos. Mas a falta de água e a dependência exclusivamente da chuva para obtê-la é determinante para o não desenvolvimento das parcelas e a baixa produtividade dos agricultores entrevistados. Outro fator importante, é que a situação dos outros assentados não entrevistados é semelhante aos dos entrevistados que não possuem sistema de irrigação. Segundo a palavra dos agricultores entrevistados, poucos assentados possuem esse sistema. Na comunidade do Gurují II, apenas cinco (5) agricultores possuem: três assentados, a entrevistada 01, o entrevistado 02, o cunhado da entrevistada 01, cuja parcela fica vizinha a sua (não entrevistado); o entrevistado 06 (entrevistado); e outro agricultor (não entrevistado) que arrendou a terra de um dos assentados. No assentamento Dona Antônia, aproximadamente 65 assentados tiveram acesso a financiamento para comprar o motor e o material necessário para montar o sistema de irrigação. Entretanto, muitos deles fizeram a venda do material para comprar veículos, motocicletas, etc. A situação no assentamento Rick Charles não é diferente da do assentamento Dona Antônia. A única diferença é que todos tiveram acesso ao financiamento para comprar do motor, porém 90% deles o venderam. Alguns deles alegaram o fato da parcela do financiamento ser conjugada entre cinco (5) assentados, e que muitos atrasavam,

147 prejudicando os demais. Por este motivo muitos ven deram com medo que venderam o banco tomasse o motor comprado. A realidade é que atualmente a maior parte dos assentados que residem na área da bacia do rio Gurují não possuem sistema de irrigação. Deste modo, a existência do sistema de irrigação para os agricultores agricultore s é indispensável para um bom

desenvolvimento de seus produtos. Sobre o combate contra pragas (itens 6, 7, 8 e 9 da entrevista) é importante dizer que dos vinte (20) entrevistados, apenas seis (30%), não utilizam nenhum tipo de agrotóxico (item 9 da entrevista) (ver tabela ista) 05). Destes, apenas dois agricultores (entrevistado 02 e 12) estão ). trabalhando junto com projetos de plantação orgânica. Esse mesmos Esses agricultores são os dois que não utilizam nenhum tipo de fertilizante químico como mostra a tabela 0 e o gráfico 02. 05

Tabela 0 Uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos. 05: Não utiliza agrotóxicos 6 % 30 Utiliza agrotóxico 14 % 70 Não utiliza fertilizante químico 2 % 10 Utiliza fertilizante químico 18 % 90

TOTAL = 20 (100%)

TOTAL = 20 (100%) Autor: Leandro Gondim, 2010.

Gráfico 02: Uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Utiliza Agrotóxico Não utiliza agrotóxico Utiliza fertilizante químico Não utiliza fertilizante químico 14 Entrevistados 06 Entrevistados 18 Entrevistados 02 Entrevistados

Au to r : Le a nd r o Go nd i m, 2 0 1 1 .

148 Um deles, o entrevistado n°02, está recebendo o apoio do Projeto Cinturão Verde da Prefeitura Municipal de João Pessoa cujo foco principal é a produção orgânica de hortaliças folhosas, sem utilização de defensivos e fertilizantes químicos. Esses produtos são comprados diretamente na propriedade do produtor, sem a necessidade do

atravessador ou do produtor ter que se deslocar para alguma feira. O agricultor é capacitado pelo projeto através de treinamentos, e após estão aptos a receberem financiamentos do Programa Nacional de Agricultura Familiar – PRONAF. O foco deste projeto é produzir dentro da ótica do

desenvolvimento sustentável. É um bom exemplo de que a dimensão político-institucional do D.S pode ser alcançada se houver compromisso por parte dos nossos representantes políticos. O projeto também visa alcançar a sustentabilidade social, econômica e ambiental de cada agricultor que participe do projeto. Entretanto, o entrevistado n°02 relata que possui baixa rentabilidade na sua produção, e que não enxerga um futuro melhor para o homem do campo, contrariando os objetivos do projeto. Não existe sustentabilidade econômica para esse agricultor. A maior parte dos agricultores utiliza agrotóxicos para combater as pragas e o adubo químico para fertilizar a terra. Também se deve destacar que todos, sem exceção, utilizam algum tipo de adubo natural, principalmente o esterco de galinha. Notou-se que vários agricultores conhecem técnicas de defesa naturais contra as pragas, mas preferem utilizar o agrotóxico. Outros afirmam estarem esperando a capacitação dos técnicos da CONSPLAN. Apesar de já existirem palestras e ações que visam à melhoria do homem no campo, são necessários mais projetos que capacitem os agricultores e incentive a utilização desses defensivos naturais, como exemplo do Projeto Cinturão Verde e do GESTAR-UFPB. A partir das entrevistas realizadas percebeu-se que aqueles agricultores que começam a receber sua aposentadoria, pouco a pouco vão deix ando o trabalho na parcela em segundo plano. Isso se deve ao fato que o salário de aposentado na maior parte dos casos supre pelo menos as necessidades básicas, como a alimentação.

149 Notou-se que aqueles que possuem o sistema de irrigação trabalham mais intensamente em suas parcelas, chegando a trabalhar até mais de 10 horas ao dia. Segundo os entrevistados, muitos agricultores deixam de trabalhar em suas terras, devido à condição precária (sem sistema de irrigação, por ex emplo), e trabalham como diarista em outras parcelas ou propriedades particulares. Ou ainda procuram outras

atividades econômicas, como o caso do entrevistado 04, que está entrando no ramo da pesca artesanal para ajudar na sobrevivência da família. Também existem casos de agricultores que cultivam algum produto apenas para que em caso de fiscalização feita pelo INCRA, a parcela não seja considerada em estado de abandono. Outro fato interessante, é que apesar de não ter tido como entrevistar, existe o assentado que arrenda sua terra a um agricultor particular, o que é ilegal, e caso apareça uma fiscalização, os mesmos informam que estão plantando em parceria, trabalhando juntos. Segundo os assentados, o INCRA não considera isto irregular. Sobre a questão de incentivos do governo e apoio político, foi constatado que a maioria dos agricultores considera ineficiente o envolvimento político na realidade do trabalhador do campo. assim, sabe-se que muitos destes agricultores tiveram Mesmo a

acesso

financiamento, e que a maior parte atualmente está em inadimplência, o que os impede de contrair novos empréstimos e investirem em suas parcelas. Todos, sem exceção, afirmam que a falta de recursos é o principal motivo que dificulta a vida do trabalhador rural. (item 16 e 17 da entrevista) Os agricultores também reclamam do apoio técnico feito pela CONSPLAN. Afirma que os técnicos demoram a aparecer e auxiliá-los. Vimos que dois agricultores buscam alternativas de apoio técnico, como o entrevistado 2 com o Projeto Cinturão Verde e o entrevistado 12 com o GESTAR. Outro fato importante a ser destacado é que existem na área da bacia grandes propriedades de terra, as quais são utilizadas

principalmente no planto da cana-de-açúcar. Entretanto, muitas dessas

150 fazendas pertencem a pessoas que residem em Pernambuco. Um

propriedade foi visitada, mas como o proprietário não estava presente, não foi permitida a entrada na propriedade para registro de imagens. Entretanto, podemos visualizar esse tipo de plantio a partir da imagem de satélite abaixo, retirada do programa Google Earth (Google Terra).

151

Figura 13: Plantio de cana-de-açúcar vista por i magem de satélite. Fonte: Google Earth, 2010.

152 A propriedade acima fica entre o assentamento Rick Charles e o assentamento capim Assú. Pela imagem podemos perceber o plantio de cana, feito sempre paralelamente, com exceção nas áreas de declividade, onde percebemos o plantio em forma de curva de nível. A porção preta na parte inferior da imagem é a lagoa dos Bodes, citada pelos agricultores como o local onde nasce o rio Gurují. Assim como na imagem acima, ex istem outras propriedades com este tipo de

monocultura. Deve-se ressaltar outro fator presente na vida de vários

agricultores entrevistados: a insustentabilidade econômica dos mesmos. Foram citados diversos fatores: falta do apoio político-institucional; não existência do motor de irrigação em várias propriedades visitadas; etc. Essa insustentabilidade tem forçado os agricultores a procurarem outras formas que ajudem na complementação da renda familiar. Por exemplo, o entrevistado n°04 tem recorrido à pesca artesanal; a entrevistada n°05 tornou-se revendedora da AVON; o entrevistado n°20 tem feito produtos artesanais com cipó de embú. Esses são alguns exemplos que comprovam a insustentabilidade econômica da maioria dos agricultores entrevistados. A partir do estudo realizado ficou claro que o recurso hídrico proveniente da bacia do rio Gurují é de extrema importância para o desenvolvimento da agricultura da área. Também é visível que, apesar da atividade agrícola da área não se encaixar dentro de todos os parâmetros do desenvolvimento sustentável, existe na área focos de sustentabilidade, agricultores que estão começando a abraçar a causa e projetos públicos (sejam eles municipais, estaduais ou federais) que visam o

desenvolvimento sustentável.

153 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES

A temática sobre a relação homem e ambiente parece já ser bastante mastigada, visto as grandes catástrofes naturais que vem ocorrendo no planeta, como também os discursos políticos de caráter ambientalista, porém, ineficaz. É necessária uma nova, visão mais integradora entre homem e natureza, uma visão monística do ambiente, ou seja, o ambiente sendo tratado como uma unidade na qual existiria um equilíbrio entre homem e natureza. Essa visão é abraçada pelo conceito de desenvolvimento sustentável e pelos parâmetros propostos por ele. A partir de todas as informações coletadas em campo, e das discussões feitas neste trabalho, percebe-se a importância da água como um recurso não só econômico, mas também social e ambiental. Dentro desta ótica, a bacia hidrográfica do rio Gurují é de fundamental importância para a vida dos agricultores e para o desenvolvimento local. É necessária a realização de estudos que priorize o potencial agrícola local, levando em consideração as condições naturais da área, aproveitando a bagagem cultural trazida pelos residentes locais,

objetivando uma maior rentabilidade para os agricultores, sem deixar de lados as questões relativas à proteção do meio ambiente e de possíveis impactos ambientais. O cultivo de alimentos como legumes, verduras, cereais, etc., além de garantir melhores condições de alimentação, já que maior parte dos produtos cultivados na área também abastece a mesa do próprio agricultor, também possuem um ótimo retorno financeiro com a

comercialização de seus excedentes. Entretanto, a participação dos rios e riachos que formam a bacia do rio Gurují é de fundamental importância para o desenvolvimento dessas culturas, além de ser primordial a existência de um sistema de irrigação que venha suprir a demanda de água necessária para a manutenção desses plantios, já que ficou comprovado a partir das entrevistas, que aqueles que possuem o sistema de irrigação têm um melhor desenvolvimento produtivo de sua parcela e uma maior

rentabilidade.

154 Outro problema verificado é a cultura individualista de produção. Com a exceção de alguns casos de parceria citados na entrevistas, os agricultores comentam a falta de união dos assentados. Apesar de viverem em uma comunidade, ele ressaltam que muitas vezes o

individualismo é comum entre os agricultores. Souza Júnior et al (2003) também percebe essa situação. Ele diz que

[...] esse problema está relacionado à f alta de uma “cultura de associati vis mo”, tão freqüent e em nossa sociedade, favorecendo, dentre outras distorções, a presença de atraves sadores na comerci alização da produção. Portanto, nesse ponto, se pode edificar um proj eto adequado de educação ambiental não for mal (EANF) voltado para essa comunidade com ênfase a cultura do associativis mo. Modificaria assi m, o perfil do assentamento e incentivaria ao conví vio comunitário e compartido de uma população rural. Com isso, a comunidade chegaria a uma consciência mediante a aprendizagem e pela transmissão de noções e infor mações. (p.3)

Isso facilitaria o convívio entre os assentados além de fortalecer a própria associação dos assentados, evitando que forças externas, principalmente atravessadores que procuram se aproveitar da produção do pequeno agricultor venha interferir e influenciar a dinâmica local. A necessidade de um trabalho educacional e que informe o agricultor sobre os possíveis danos que ele pode causar ao solo devido a sua prática agrícola também é necessária. Por exemplo, não se verificou nas encostas plantações em curvas de nível, nem mesmo os chamados “leirões” (ver foto 191) que são pequenos montes de terra feita perpendicularmente à descida do terreno objetivando diminuir o

escoamento superficial e a conseqüente erosão do solo. Para falar a verdade, se não fosse a ação do INCRA em parceria com órgão de proteção ao meio ambiente como o IBAMA e a SUDEMA, as áreas de várzeas e as áreas que hoje são consideradas como reserva (encostas com vegetação nativas, matas ciliares), essas áreas já teriam sido ocupadas pelos produtores, os quais são poucos os que entendem que seus métodos de plantio tem que ser ecologicamente corretos, visando novas perspectivas para o futuro.

155

F ig u ra 1 4 : E xe mp lo d e leir õ es . Aut o r: L ea nd r o Go nd i m , 2 0 1 0 .

Entretanto, nem sempre os órgãos de defesa do meio ambiente funcionam como deveriam. Apesar das diversas leis existentes em nosso país e em nosso Estado que visa assegurar a proteção dos recursos hídricos, em muitos casos os poderes do Estado em seus níveis hierárquicos são omissos, muitas vezes por falta de organização interna e sucateamento desses órgãos, e muitas vezes por falta da vontade política, que infelizmente, neste país, é mesquinha e individualista. Isso continua dando brecha para a existência dos aproveitadores do meio ambiente. Apesar da existência de palestras, a exemplo do Gurují II, boa parte delas é sobre a formação do cidadão sem fazer ligação com o meio ambiente. O esforço do Projeto Cinturão Verde da prefeitura de João Pessoa e do GESTAR-UFPB em capacitar os produtores rurais a utilizarem apenas defensivos naturais, deixando de lado os agrotóxicos e fertilizantes químicos, é com certeza louvável. Porém, devem-se incentivar ainda mais cursos de capacitação para o agricultor do campo, como também palestras formativas que ensinem sobre a importância da preservação dos rios, das matas nativas, de minimizar os impactos ambientais causados pela ação humana, e não

156 só da importância da produção orgânica. Afinal, qualquer produção, orgânica ou não, depende da existência de um meio ambiente saudável. Apesar da Bacia do rio Gurují ser considerada uma microbacia comparada a outras grandes bacias hidrográficas, a sua existência na área representa um importante papel para o desenvolvimento local e como elemento norteador para as atividades econômicas ali existentes. Também se deve fazer a inserção de uma educação ambiental nas escolas e nas comunidades rurais reforçando a importância dos recursos naturais para sua sobrevivência e das futuras gerações, pois a

consciência ecológica começa no aprendizado da vida, e não existe lugar melhor para investir em educação ambiental do que nas escolas. Ela deve levar aos alunos e ao público em geral o esclarecimento de propostas de desenvolvimento que privilegiem a gestão equilibrada de uma bacia hidrográfica, assim como os problemas mais graves suscitados nela. Isso não tira de outros seguimentos da sociedade a responsabilidade sobre a sustentação ecológica e a respeito dos graves problemas de ordem ambiental que enfrentamos atualmente. Também não devemos esquecer que a sociedade civil tem uma imensurável força, ao fazer, por exemplo, a escolha de seus

representantes, tendo sucesso se considerarem àqueles comprometidos com o lado social, cultural e ambiental. E mesmo que alguns autores vejam o Desenvolvimento

Sustentável como uma utopia, muitos acreditam que seus princípios são necessários dentro de nossa sociedade, que tem sido dominada por práticas culturalmente, socialmente, ambientalmente, politicamente e economicamente insustentável. E a existência de focos de

sustentabilidade na área da bacia do rio Gurují é uma prova de que existem pessoas que acreditam e estão lutando por um mundo

sustentável.

157 8. REFERÊNCIAS

ABRANCHES JR., Nilton. O Ambiente visto pela Geografia Agrária brasileira: de 1939 a 1995. Dissertação de mestrado apresentada a UFRJ, 2003. ABRANCHES JR., Nilton. Geografia Agrária e Ambiente no Nordeste do Brasil. Tese de Doutorado apresentada a UFRJ, 2008. ANDRADE, Maristela de Paula. Introdução: O trabalho de campo. In: ANDRADE, Maristela de Paula. Os gaúchos descobrem o Brasil. Projetos Agropecuários contra a Agricultura camponesa. São Luís: EDFMA, 2008 (p.29-58) ASSESSOR IA DO DEPUTADO QUINTANS. Quintans pede medidores da Tarifa Verde. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/noticias/1817227/quintans-pedemedidores-da-tarifa-verde>. Acesso em: 30 nov. 2010. AZEVEDO, Aroldo de. O mundo em que vivemos. Primeira série ginasial. Companhia Editora Nacional. 2ª edição. Coleção: O Brasil e o mundo. São Paulo, 1965. BARBOSA, Maria Emanuella Firmino; FURRIER, Max. Análise Morfométrica da Bacia Hidrográfica do rio Guruji, Litoral Sul do Etsado da Paraíba. In: XIII Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada: a Geografia Física Aplicada e as Dinâmicas de Apropriação da Natureza, 2009. BAYLINA, Mireia. Metodologia cualitativa y estúdios de geografia y gênero. Documentos de Análisis Geográfico. Barcelona, nº30, 1997 (p.123-138) BECKER, Bertha K. ; EGLER, Cláudio A. G. Detalhamento da Metodologia para Execução do Zoneamento Ecológico-Econômico pelos Estados da Amazônia Legal. Laboratório de Gestão do Território, LAGET/UFRJ, SAE e MMA,1996. BERNARDES, Júlia Adão ; FERREIRA, Francisco pontes de Miranda. Sociedade e Natureza. In: _______ CUNHA, Sandra Baptista da. ; GUERRA, Antonio José Teixeira. (Org.). A Questão Ambiental – Diferentes Abordagens. 2ª Edição, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. BICALHO, Ana Maria de Souza Mello. Os Desafios à Sustentabilidade Rural e a Prática Geográfica. In: ______ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil.

158 BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGETUFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. BOMBARDI, Larissa. A dialética e a geografia agrária na obra de Ariovaldo Umbelino de Oliveira. In: FERNANDES, B.M; MARQUES, M.I; SUZUKI, J.C. (Orgs.) Geografia Agrária: teoria e poder. São Paulo; Expressão Popular, 2007 (p. 315 – 338) BOWLER, Ian. Governança e Agricultura Sustentável: Experiência Recente na Inglaterra. In: _______BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. BRASIL. DECRETO Nº 6.514, DE 22 DE JULHO DE 2008. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2008/Decreto/D6514.htm>. Acesso em: 14 fev. 2011. BRASIL. DECRETO Nº 6.686, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2008. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2008/Decreto/D6514.htm>. Acesso em: 14 fev. 2011. BRASIL. LEI Nº 4.771, DE 15 DE SETEMBRO DE 1965. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2008/Decreto/D6514.htm>. Acesso em: 14 fev. 2011. BRASIL. Lei N°9.433, de 8 de Janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. BRASIL. MEDIDA PROVISÓRIA No 2.166-67, DE 24 DE AGOSTO DE 2001. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato20072010/2008/Decreto/D6514.htm>. Acesso em: 14 fev. 2011. BRASIL. Francelli Marilene. Embrapa (Org.). Pragas e métodos de controle. Disponível em:<http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Banana/ BananaAmazonas/pragas.htm>. Acesso em: 10 jan. 2011. BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. Secretaria da Agricultura Familiar. Programa de Aquisição de Alimentos. Disponível em: <http://www.mda.gov.br/portal/saf/programas/paa>. Acesso em: 30 nov. 2010.

159 BRASIL. Ministério do Desenvolvimento Agrário. INCRA. PB: Incra retoma lotes com irregularidades e assenta novas famílias. Disponível em:<http://www.incra.gov.br/portal/index .php?option=com_content&vie w=article&id=14163:pb-incra-retoma-lotes-com-irregularidades-eassenta-novas-familias&catid=1:ultimas&Itemid=278>. Acesso em: 03 dez. 2010. BRYANT, C.; DOYON, M.; FREJ, S.; GRANJON, D.; C LÉMENT, C. A Integração do Ambiente na Prática e no Discurso do Desenvolvimento Sustentável Através da Participação do Cidadão e da Mobilização e de Conhecimento Local. In: ______ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. CAPEL, Horácio. Historia de La Ciencia e Historia de lãs Disciplinas Cientificas. In: UNIVERSIDAD DE BARCELONA. Año XII. Número: 84 Diciembre de 1989, p. 1-49. [ Dsponível em http://www.ub.es/geocritic/geo84c.htm] {Acesso em março de 2007}. CASTORIADIS, Cornélius. Paixão e Conhecimento. In: Feito a ser feito: as encruzilhadas do labirinto V. Rio de Janeiro: DP&A, 1999, pp. 133-179 CHIZZOTTI, A. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006. CHRISTOFOLETI, Antonio. As Características da Nova Geografia. In: CHRISTOFOLETI, Antonio. Perspectivas da Geografia. São Paulo: DIFEL, 1982 (p.71 -101) CHRISTOFOLETTI, A. definição e classificação de sistemas. In: CHRISTOFOLETTI, A Análise de sistemas em geografia. São Paulo: Hucitec, 1979 CHRISTOFOLETTI, Antônio. Modelagem dos Sistemas Ambientais. Editora Edgard Blucher. 1999. CHRISTOFOLETTI, Antônio. Blücher, 1980. 188p. Geomorfologia. São Paulo: Edgard

COLTRO, Alex. A fenomenologia: um enfoque metodológico para além da modernidade. Caderno de pesquisas em Administração, USP, vol.1, nº11, 1º trim., 2000 (p.37-45) CUNHA, Luís Henrique; COELHO, Maria Célia Nunes. Política e Gestão Ambiental. In: _______ CUNHA, Sandra Baptista da. ; GUERRA, Antonio José Teixeira. (Org.). A Questão Ambiental – Diferentes Abordagens. 2ª Edição, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.

160 COORDENADOR IA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA - CATI. CALDA DE FUMO E SABÃO. Disponível em: <http://www.jardimdeflores.com.br/DICAS/fumo-sabao.htm>. Acesso em: 03 dez. 2010. DAALHUIZEN, Femke ; DAM, Frank van ; GOETGELUK, Roland. A Reutilização de Propriedades Agrícolas e a Urbanização Disfarçada das Áreas Rurais. In: _______ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. DRESCH, Jean. “Reflexões sobre Geografia”. In: _______ Reflexões sobre Geografia. AGB – São Paulo, 1980. DUTRA, Ozório Vieira. O discurso ideológico e a ilegalidade da “reserva legal”. Disponível em: <http://www.reservalegal.com.br/artigos.htm>. Acesso em: 07 fev. 2011. FURRIER, Max. Caracterização Geomorfológica e do Meio Físico da Folha de João Pessoa – 1:100.000. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Geografia Física. Departamento de Geografia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Universidade de São Paulo – USP, 2007. GAMA, Michellin y de Matos Bentes. Manejo de Bacias hidrográficas. In: http://www.cpafro.embrapa.br/embrapa/Artigos/manejo_bac.htm GEO Brasil. Recursos Hídricos: resumo executivo. / Ministério do Meio Ambiente; Agência Nacional de Águas; Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Brasília: MMA; ANA, 2007. GOMES, Paulo César da Costa. Geografia e Modernidade. 5ª Edição. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. GUERRA, A. T. Dicionário geológico-geomorfológico. Rio de Janeiro: IBGE, 1993. 446p. GUIMARÃES, Mauro. Sustentabilidade e Educação Ambiental. In: _______ CUNHA, Sandra Baptista da. ; GUERRA, Antonio José Teixeira. (Org.). A Questão Ambiental – Diferentes Abordagens. 2ª Edição, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. HAESBAERT, R. Filosofia, geografia e a crise da modernidade. In: Terra Livre, nº 7, 1990 (p.63 - 92) HARVEY, D. A geografia da acumulação capitalista: uma reconstrução da teoria marxista. In: HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005 (p. 41-74)

161 HENRY, J. A revolução científica: e as origens da ciência moderna. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 1997. HUNKA, Pavla Goulart. Diagnóstico sócio-ambiental e dos usos dos recursos hídricos na baci do rio Guajú – PB/RN. Dissertação apresentada no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFPB – 2006. INDRIUNAS, Luís. Como funciona o Protocolo de Kyoto. Disponível em: <http://ambiente.hsw.uol.com.br/protocolo-k yoto.htm>. Acesso em: 18 maio 2010. ISAÍAS, Fábio Bakker. A Sustentabilidade da água: proposta de um índice de sustentabilidade de bacias hidrográficas. Dissertação de Mestrado. Centro de Desenvolvimento Sustentável. Universidade de Brasília, 2008. JAPIASSU, Hilton. Introdução ao Pensamento Epistemológico. 4. Ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1986. JONES, Ro y ; TONTS, Matthew. Country Town Sustentável, Oferta de Moradias Insustentável? Algumas implicações concretas da Mudança Demográfica e Funcional em Narrogin, Austrália Ocidental. In: _______ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. KLUCZKA, Georg. Teoria e Prática do Desenvolvimento Rural Sustentável. In: ________ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. LANNA, A.E. Gerenciamento de bacias hidrográficas: conceituais e metodológicos. Brasília: IBAMA, 1995. aspectos

LAURENS, Lucette. Proximidade, uma Garantia de Qualidade de Vida? “Uma Nova Infra-estrutura é Convidada para o meu Jardim”. In: ________ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. LEFEBVRE, Henri. Lógica dialética. In: LEFEBVRE, Henri. Lógica formal, lógica dialética. 18ª.ed. México: Siglo XXI, 1998 (p.196-280) LIMA, Elisângela Silva de. Dados do Assentamento Dona Antônia. 2003. Disponível em: <http://www.multivisualnet.org/multivisualnet/Assentamentos%20do%20 Conde/DAntonia/Elisangela/index.htm>. Acesso em: 21 nov. 2010.

162 LÖWY, Michael. Ideologias e Ciência Social. 17ª Ed. São Paulo: Cortez, 2006 (p. 37-103) LOBER, Lucka. A União de Áreas Rurais diversificadas em Nova Regiões Européias: O Caso das Áreas Fronteiriças de Prekmurje (Eslovênia), Burgenland (Áustria), e Gyoer-Moson-Sopron, Vas, Zala (Hungria). In: ________ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. LORANDI, Reinaldo. ; CANÇADO, Cláudio Jorge. Parâmetros Físicos para Gerenciamento de Bacias Hidrográficas. In: SCHIAVETTI, Alexandre. ; CAMARGO, Antônio F. M. Conceitos de Bacias Hidrográficas: teorias e aplicações. Ilhéus, Ba : Editus, 2002. 293p. : il. MADRUGA, A. Bases para o estudo do “determinismo geográfico” e da “geografia quantitativa”. O positivismo e a teoria de sistemas. Geosul, Florianópolis, v.13, n.25, p.88-101, jan./jun. 1998 (pp. 88-101) MAIA, Doralice s. Os escritos etnográficos e a geografia: encontros e desencontros. In GEOUSP, nº2 , São Paulo: Dpto. Geografia – USP, 1997 MAIA, Doralice Sátyro. NATUREZA, SOCIEDADE E TRABALHO: Conceitos para um Debate Geográfico. Revista OKARA: Geografia em Debate,v.1,n.1,p. 33-42,2007. Disponível em: < http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/okara/article/view/1245/924> MASSEY, D. O sentido global do lugar. In: ARANTES, Paulo. O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000

MONTEIRO, C.A.F. Da região ao geosistema. In: MONTEIRO, C.A.F. Geografia sempre. São Paulo: Ed. Terrirorial, 2008 (PP. 101-125) MONTENEGRO, Antonio Torres. História oral e memória: a cultura popular revisitada. 5 ed. São Paulo: Contexto, 2003. MONTENEGRO, J. R. E se Feyerabend tivesse ração? Revista Cosmos, UNESP/Presidente Prudente. MORAES, Antonio Carlos Robert. Geografia – Pequena História Crítica. São Paulo: Editora HUC ITEC, 1987. Nosso Futuro Comum. Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. – 2ª Ed. – Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1991.

163 OLIVEIRA, Allain Wilham S. ; TUBALDINI, Maria Aparecida dos Santos. Desenvolvimento Rural Local Sustentável do Manejo Integrado da Bacia do Ribeirão Santana. In: _________ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil. OLIVEIRA, M.M. de. Instrumentos de pesquisa. In: OLIVEIRA, M.M. de. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes, 2007 (pp.7992). PAGOTTO, Fernanda Benetti e Josias F.. O ANEL VERMELHO E OS COQUEIROS. Revista Eletrônica de Ciências, São Carlos - Usp, n. , p.1-7, 17 abr. 2006. Disponível em: <http://cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_32/aprendendo1.html>. Acesso em: 30 nov. 2010. PIRES, José Salatiel Rodrigues. ; SANTOS, José Eduardo dos. ; DEL PRETTE, Marcos Estevan. A Utilização do Conceito de Bacia Hidrográfica para a Conservação dos Recursos Naturais. In: SCHIAVETTI, Alex andre. ; CAMARGO, Antônio F. M. Conceitos de Bacias Hidrográficas: teorias e aplicações. Ilhéus, Ba : Editus, 2002. 293p. : il. QUINTANS, Alex Garcia Ximenes. ; SILVA, Jorge Flávio Cazé Braga da Costa. ; LIMA, Eduardo Rodrigues Viana de. Potencial de Erosão dos Solos da Bacia do Rio Gurují-PB. In: Anais. Seminário LusoBrasileiro-Caboverdiano “Agricultura Familiar em Regiões com riscos de Desertificação”. III Encontro Paraibano de Geografia. III SEMAGEO – Semana de Geografia da UFPB. João Pessoa-PB, 2006. REBOUÇAS, A. da C. Águas doces no mundo e no Brasil. In: ______. et. al. (org.) Águas doces no Brasil: capital ecológico, uso e conservação. 2ª ed. São Paulo, 2002. RORTY, Richard. A idéia de uma teoria do conhecimento. In: A filosofia e o espelho da natureza. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994, pp. 139-170. RUTKOWSKI, Emilia; SANTOS, Rozely Ferreira Dos. BACIA AMBIENTAL: um outro olhar para a gestão das águas doces urbanas. In: I CONGRESO IBÉRICO SOBRE GESTIÓN Y PLANIFICACIÓN AGUAS EL AGUA A DEBATE DESDE LA UNIVERSIDAD. POR UNA NUEVA CULTURA DEL AGUA. Zaragoza, 1998, p. 1 8. Disponível em: <http://grupo.us.es/ciberico/archivos_acrobat/zaracomun3rutkowski.pdf>. Acesso em: 27 nov. 2010. ROSSI, Paulo. A idéia de progresso cientifico. In: Os filósofos e as Máquinas. Tradução de Federico Carotti. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, pp. 63-88.

164

SALGUEIRO, Teresa Barata. Cidade pós-moderna: espaço fragmentado. Território. Rio de Janeiro: LAGET/UFRJ, n. 4, 1998, p. 39- 54 SÁNCHEZ, Luis Enrique. Avaliação de Impacto ambiental – conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de Textos, 2006, 495p. SANTOS, André da Silva. Diagnóstico socioambiental e identificação dos impactos ambientais ao longo do Rio Araçagi - PB. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Geografia. Departamento de Geociências. Universidade Federal da Paraíba – UFPB, 2009. SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova: Da crítica da Geografia a uma Geografia crítica. 2ª Edição. São Paulo: Editora HUC ITEC, 1980. SANTOS, Rozel y Ferreira dos. Planejamento Ambiental : teoria e prática. São Paulo : Oficina de Textos, 2004. SCOTT W ILLIAM HOEFLE. Antropologia e geografia. Convergências e divergências históricas. Espaço & Cultura. UERJ, nº 22, p.6-31, jan./dez., 2007. SELEÇÃO DE TEXTOS. Pesquisa e trabalho de campo. AGB – Nacional, nº 11, 1985

SEVCENKO, Nicolau. A Corrida para o Século XXI: no loop da montanha-russa. Coleção virando os séculos. São Paulo: Companhia das letras, 2001. SMITH, Neil. A Produção do Espaço. In: SM ITH, Neil. Desenvolvimento Desigual: Natureza, Capital e a Produção do Espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988 (p. 109 - 147) SMITH, Neil. SMITH, Neil. Contornos de uma política espacializada: veículos dos sem-teto e a produção da escala geográfica. In: ARANTES, Antonio A. (org.) O espaço da diferença. Campinas: Papirus, 2000 (p. 132-159) SOJA, Edward W. A dialética socioespacial. In: SOJA, Edward W. Geografias Pós-modernas. A reafirmação do espaço na teoria social crítica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1993 (p.97-116) SORENSEN, Tony. Sustentabilidade de Sistemas Versus Sustentabilidade do Lugar? In: _________ BICALHO, Ana Maria de Souza Mello ; HOEFLE, Scott Willian. (Org.). A Dimensão Regional e os Desafios a Sustentabilidade Rural. LAGET-UFRJ/CSRS-UGI; 2003, Rio de Janeiro; Brasil.

165 SORRE, Max. Fundamentos de geografia humana. In: MEGALE, Januário Francisco (Org.) Max Sorre. São Paulo: Ática, 1984 (p.87-98) SOUSA, Israel Soares de. O ENS INO DE HISTÓR IA E OS MOVIMENTOS SOCIAIS: PRÁTICAS DE HISTÓR IA LOCAL NOS ASSENTAMENTOS DO CONDE. 2008. 149 f. Dissertação (Mestrado) Curso de História, Departamento de Programa de Pós- Graduação em Educação Popular, UFPB, João Pessoa, 2008. Disponível em: <http://www.biblioteca.ufpb.br/bdtd/>. Acesso em: 30 nov. 2010. SOUZA, Bartolomeu Israel ; SUERTEGARAY, Dirce Maria Antunes. Considerações sobre a Geografia e Ambiente. Revista OKARA: Geografia em Debate, v.1,n.1, p.5-15, 2007. Disponível em: < http://www.ies.ufpb.br/ojs2/index.php/okara/article/view/1243/922> SOUZA JUNIOR, Victor Alberto de et al. ANÁLISE DAS POSSÍVEIS TRANSFORMAÇÕES AMBIENTAIS NUMA COMUNIDADE DE PRODUTORES RURAIS: o Caso do Assentamento Rick Charles (Conde - PB). In: II ENCONTRO DE MEIO AMBIENTE E EDUCAÇÃO AMBIENTAL. João Pessoa, PB 2003, Disponível em: <http://www.prac.ufpb.br/anais/meae/Anais_ II_Encontro_Tematico/traba lhos/analise.doc>. Acesso em: 01 dez. 2010. TAYRA, Flávio. O Conceito do desenvolvimento sustentável. In: Revista de Economia & Desenvolvimento Sustentável. Campina GrandePB. Ano 1 - N°0 – Junho-2007. TAYLOR, Peter. El debate cuantitativo en la geografia británica. Geocrítica, nº1º, 1977 TEODORO, Valter Luiz Iost; TEIXEIRA, Denilson; COSTA, Daniel Jad yr Leite; FULLER, Beatriz Buda. O conceito de bacia hidrográfica e a importância da caracterização morfométrica para o entendimento da dinâmica ambiental local. In: Revista Uniara, n°20, 2007, pp.137156. THOMAZ, Jr. Trabalho de campo: o laboratório por excelência do geógrafo. Caderno Prudentino de Geografia, n.13. AGB-Presidente Prudente, 1991. TRICART, Jean. O campo na dialética da geografia. In: Associação dos Geógrafos Brasileiros. AGB. Reflexões sobre a geografia. São Paulo: AGB, 1980 (p.97 -119) TUNDISI, J. G. Água no século XXI: enfrentando a escassez. São Carlos: Rima / IIE, 2003, 248p. UMA VERDADE INCONVENIENTE. Direção: Davis Guggeheim. Produção: Laurie David, Lawrence Bender, Scott Z. Burns e Lesley Chilcott. Roteiro: Davis Guggeheim. Intérpretes: Al Gore. 2006.

166

WCED. Our common Future. Oxford: Oxford Universit y Press, 1987. ZUSMAN, Perla. Geografias disidentes. Caminos y controvérsias. Documentos de Análisis Geográfica, nº 40, 2002 (p. 23-44). WHITAKER, Dulce C. A. et alli. A transcrição da fala do homem rural: fidelidade ou caricatura? In: WHITAKER, Dulce C. A. Sociologia Rural. Questões metodológicas emergentes. Presidente Venceslau, SP: LetrasAmargem/CNPq, 2002 (p.115-120)

167 ANEXO

168

UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DA NATUREZA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM GEOGRAFIA PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO

PESQUISADOR: Leandro Gondim de Oliveira (Mestrando)

ENTREVISTA

1- Dados pessoais: a) Nome: b) Idade: c) Profissão: d) Cidade de origem: e) Escolaridade (até que série estudou): f) Há quanto tempo reside e trabalha no assentamento: e⁄ou g) Estado civil: h) Se agricultor, há quanto tempo trabalha na função: 234567A terra que trabalha é própria? O que cultiva? Qual o tamanho da área da propriedade? Quanto dessa área usa para plantio? Quanto Quais são as pragas mais comuns na sua plantação? Como faz pra combater essas pragas? Utiliza algum defensivo natural para combate das pragas? (Qual o nome, como prepara o que combate, como aprendeu a utilizá utilizá-lo). 8- Utiliza algum defensivo químico para combate das pragas? (Qual o nome, como prepara gum o que combate, onde compra). 9- Utiliza a água do rio Gurují ou de algum afluente para irrigação ou consumo Gurují consumo? 10- Quantas horas trabalham por dia na plantação? Tem algum outro trabalho além de agricultor? 11- Recebe algum incentivo do governo? 12- É beneficiado com algum programa social? 13- Tem acompanhamento técnico na propriedade? 14- Reside na parcela ou na agrovila? 15- Qual o destino dos resíduos sanitários da propriedade? 16- Como caracteriza (avalia) a sua agricultura? 17- Quais são as maiores dificuldades que enfrenta?