Saber-Ser e Saber-Fazer

(1º Programa: 4 de Junho)
Bom dia Alegria! O que faz um programa de psicologia na programação de uma rádio? E ainda com um nome grande e difícil de dizer? Bem, a ideia é ajudar as pessoas a serem a melhor pessoa que consigam ser e a realizarem-se o mais possível. Em suma, ajudar os ouvintes a serem mais felizes! O primeiro programa pretende explicar o nome que demos a esta crónica: saber-ser e saber-fazer. Este nome esta relacionado com os diferentes tipos de saberes e existem pelo menos 3 que são muito importantes: saber-saber, saber-ser e saber-fazer. O saber não se confunde com conhecimento, muito menos com conhecimento científico. O saber manifesta-se no saber-saber, saber-ser e saber-fazer. O que é verdadeiramente central ao saber, é termos noção que este pode adquirir várias formas conforme é percebido, integrado e utilizado pelas pessoas e que vai muito além daquilo que se aprende na escola. O saber-saber tem por base a ideia de ter conhecimentos e desenvolve-se no domínio cognitivo, ou seja do pensamento. Na pratica implica a aquisição de informações, o desenvolvimento de capacidades e estratégias cognitivas e a sua aplicação a situações novas. O saber-ser está relacionado com os comportamentos e atitudes, desenvolvendo-se no domínio social e afetivo. Se soubermos ser e estar com outros, haverá um ajustamento pessoal adequado. Assim promove-se a descoberta competências sociais de ser pessoa e estar com os outros, bem a aquisição de valores importantes para a vida em comunidade. O saber-ser não é tarefa fácil e engloba uma luta constante de crescimento pessoal. Por outro lado, o saber-fazer corresponde às competências técnicas, à habilidade de fazer algo, e desenvolve-se no domínio psicomotor. Traduz-se em saber dar uso ao que se aprende; e uma vez que estamos em constante aprendizagem, todos os dias testámos na prática o que aprendemos. O saber é uma ocupação agradável, é um meio de nos darmos a conhecer e conhecermos o mundo que nos rodeia, ainda que seja tão infinito, pois como diz a sabedoria popular: o saber não ocupa lugar e aprende-se até morrer e morre-se sem saber. Estes provérbios mostram a importância dos saberes para a vida das pessoas! Tendo explicado o nome, resta por hoje dizer que neste espaço diário vamos poder dar pistas para que o saber-ser e o saber-fazer dos nossos ouvintes seja melhorado e com eles a sua qualidade de vida. Sejam simpáticos! Até amanhã!

de forma certa. pode-se é ter uma tendência (mais ou menos acentuada) para alguns destes comportamentos. outras manipuladoras. Este perfil leva à solidão. Há pessoas assertivas. estas pessoas manifestam um volume de voz elevado e têm expressões cortantes. com medo de não falhar. Os sentimentos e emoções destes sujeitos são de impotência. não se respeita a si própria mas respeita os outros (Bolsoni-Silva & Marturano. Como seres humanos. culpa. dizem tudo o que sentem (como se costuma dizer: “têm o coração na boca”) (Castanyer. frustração. seja porque a pessoa é agressiva e isso vos inibe ou seja porque a vossa personalidade tímida vos impede de dar a vossa opinião. Estas são as pessoas assertivas. outras passivas e outras ainda agressivas. o que tu pensas ou sentes não me interessa”. deveríamos ser capazes de dizer a coisa certa no momento certo da forma certa. Podem até nem saber como o fazer porque não conseguem colocar-se no lugar do outro (Bolsoni-Silva & Marturano. carregam a culpa do mundo e têm baixa autoestima (Castanyer. Quanto à forma de pensar evitam incomodar ou ofender os outros. Têm uma postura invasiva e tendência para o contra-ataque. Acham que se não se comportarem desta forma ficam demasiado vulneráveis e colocam tudo em termos de ganhar ou perder. Estes indivíduos apresentam uma forma fluida de falar. ou seja. Idealmente. sem terem em conta os dos outros. evidentemente que ninguém é exclusivamente agressivo. Isto tem a ver com os estilos de comunicação. manipulados e ignorados. frequentemente estas pessoas magoam quem as rodeia. rosto tenso. Para eles o mais importante é serem queridos e apreciados pelos outros e manifestam sensação constante de serem incompreendidos. Interrompem os outros e recorrem a insultos e ameaças. consideram que o que sentem ou pensam não tem importância. Caracterizam-se por uma elevada honestidade emocional. a apresentar uma postura rígida. gaguez. 2002). não-assertivo e assertivo. hesitações e silêncios.Assertividade: Dizer a coisa certa. sensação de falta de controlo e irritação cada vez mais permanente e que se estende a um maior número de pessoas e situações. . Ser totalmente assertivo é difícil. esta não consegue defender os seus direitos e interesses pessoais. 2002). 2002). 2002). No que concerne à pessoa não-assertiva. a uma sensação de incompreensão. no momento certo (2º Programa: 05 de Junho) Bom dia Alegria! Provavelmente já sentiram que há pessoas com quem não conseguem dizer tudo o que pensam. dizer o que se pensa. 2002). Estes indivíduos no que toca ao comportamento exterior tendem a evitar o contacto ocular. Podem aparentar segurança mas têm uma grande ansiedade. No entanto e uma vez que. As pessoas agressivas defendem em excesso os seus direitos e interesses. mas podemos ter uma boa aproximação do “ideal” (Castanyer. Agarram-se a ideias rígidas do género “é horrível que as coisas não sejam como eu gostaria que fossem” e têm pensamentos como “Agora só conto eu. pois o que realmente importa é o que o outro sente. pode não ser adequado a todo o momento. No que toca ao comportamento exterior. Fica sempre algo por dizer.

Sejam simpáticos! Até amanhã! . ouvemse situações em que se cometeram erros. pois não se sentem superiores nem inferiores aos outros. de tirar a dúvida. Nas suas emoções está evidente uma autoestima saudável. Muitas vezes. 2002). As pessoas assertivas conhecem e acreditam nos seus próprios direitos e nos dos outros e as suas convicções são geralmente razoáveis e assentes no bom senso. Sentem satisfação nos relacionamentos e sensação de controlo emocional (Castanyer. ausência de bloqueios e gaguez. Apresentam relaxamento corporal. contacto ocular direto e não desafiador. 2002). porque se teve medo ou vergonha de perguntar. inclusivamente em contexto de trabalho. São capazes de se defender sem agressão. comodidade de postura e uma expressão natural de sentimentos positivos e negativos. são honestas. Em conclusão. a boa notícia é que a assertividade pode ser treinada e que é uma ferramenta ótima para a construção de uma a autoestima saudável e para a capacidade de se relacionar com os outros de igual para igual (Castanyer. são capazes de falar dos gostos e interesses próprios.segurança. de discordar abertamente e de pedir esclarecimentos.

tradicionalmente. por serem durante muito tempo os únicos e serem os primeiros onde os pais colocam os seus desejos futuros. A espécie humana não cumpre completamente este padrão e é capaz da compaixão. A solução nestes casos é responder com amor . existem outros factores que interferem nesta equação e que são alvo de estudo. também isto tem réplica na natureza. Estes estudos revelam-se importantes no estudo do funcionamento das famílias e nas suas assimetrias no que diz respeito à distribuição do amor.A diferenciação entre filhos por pais (3º Programa: 6 de Junho) Bom dia Alegria! O caquinho do mimo é uma expressão que designa o repositório de todo o carinho familiar e. favorecendo até os mais frágeis. Por exemplo. tenta salvaguardar o maior número de filhotes possível. Esta condição. Além da ordem em que se nasce. A galinha de água. sentem-se frustrados e às vezes até culpam os pais por não os terem preparado para a vida fora de casa. e a ordem com que se nasce influencia a relação entre pais e filhos e entre irmãos. mesmo já na fase de jovem adultas. e podem não o disfarçar. o que faz com que seja ainda mais alvo do distanciamento afetuoso dos pais. Os mal-amados sentem-se imperfeitos e rejeitados. O favoritismo de pais para filhos é uma das áreas de investigação da psicologia e há estudos científicos. Quanto ao número. que até tem vários nomes. o trio parece ser o mais problemático. tais como o número de irmãos e o sexo – se é menino ou menina. Curiosamente. replicados em vários locais e épocas. resultando em diferenças de tratamento. O bemamados sentem-se especiais e quando a vida não lhes corre tão bem. Tudo isto significa na prática que os pais têm (ou poderão ter) um filho preferido. Por vezes. É frequente ouvir em consulta as pessoas queixarem-se de que os pais gostavam mais do irmão/irmã e de que modo isso afetou a dinâmica da família e a auto-estima de todos. o que faz com que alguns pais prefiram e protejam os filhos mais vulneráveis. refere-se ao filho mais novo. comum na Europa e nas Américas. o filho do meio utiliza os comportamentos desviantes para atrair as atenções. não é “O” menino e não é “A” menina). que mostram que a ordem e o sexo com que se nasce não são inócuos. causando um grave sentimento de injustiça e desamor que perdura até hoje. não é o mais novo. Quando a sequência faz com que o filho do meio não seja único. Atendi recentemente um caso de uma senhora que interrogava porque é que a mãe lhe batia quando a irmã mais nova fazia asneiras. Também se chama o “rapa-tachos” pois é o mais novo quem tem o direito e o privilégio de rapar o fundinho do recipiente onde se bateu o bolo. Alguns autores dizem que isto é natural e que o comportamento animal replica este padrão. os pinguins põem fora do ninho os filhotes mais frágeis/jovens para que os mais fortes tenham mais hipóteses de sobrevivência. este parece ser ignorado no contexto familiar porque não se distingue em nada (não é o mais velho. nomeadamente o mais novo. Frequentemente os filhos mais velhos são preferidos.

Devem ainda tentar agir com justiça de Salomão. Assim quem parte sabe que tem que partir bem. Esta receita de amor parental prolongado acabou com meses de desentendimentos e insubordinações. Isto acontece porque na verdade as crianças e os jovens só querem ser felizes e agradar às pessoas que lhe são mais importantes e significativas. nem favoritismos. ou seja o critério deve ser “um parte. é levado a escolher uma qualquer porque as partes são iguais. Quem escolhe. A última dica a recordar é simples: cada pequeno favorecimento injustificado será sentido pelos outros irmãos e ficará gravado nos seus corações. o outro escolhe”. a uma mãe que abraçasse a filha adolescente quando se cruzasse com ela nos corredores da casa e lhe dissesse que a amava muito. Sejam simpáticos! Até amanhã! . respeitando-o sem fazer comparações com os irmãos.e carinho. noutro caso. Devem a todo o momento tratar cada filho como um ser único. É importante que os pais reflitam sobre os seus sentimentos e neste caso a franqueza é má conselheira: os pais não devem dizer nem mostrar que têm um filho preferido. Recomendei recentemente. Assim não há diferendos. senão quem vai escolher pode ficar com a melhor parte.

a partir do momento em que se nasce. A sucção proporciona prazer e acalma o bebé. que lhe permite amamentar-se quando a mãe o alimenta. Alguns. Uma dúvida frequente é quando se deve deixar a chupeta. vira o rosto para o lado estimulado. de um procedimento absolutamente correto. Portanto. após esta fase. Neste caso. Certo é que. frequência e intensidade com que a criança utilize os hábitos bucais (ex: chupeta. que os pais não ofereçam a chupeta a qualquer sinal de desconforto do bebé. A procura do seio desaparece por volta do segundo mês. é importante que o adulto não introduza a chupeta na boca do bebé. Após se verificar este momento. Quando isto acontece. permanecerá imóvel na boca do bebé. como forma de o calar a qualquer custo ou a todo o momento. a criança já apresenta a sua dentição praticamente completa. a chupeta pode ser evitada. sobretudo para os tranquilizar depois de se alimentarem e para os ajudar a adormecer. Uma dica útil é: quando o bebé .Coisas de bebés: Que função tem a chupeta? (4º Programa: 7 de Junho) Bom dia Alegria! A chupeta é um elemento habitual em muitas casas onde há crianças e o seu uso está difundido em inúmeras culturas. a função de acalmar o bebé nos momentos de maior agitação e também estimula os músculos da face. Para além de que. É fundamental também. o recém-nascido possui um reflexo chamado reflexo de sucção. dedo. nestes casos. este objecto deixa de ter a sua função. nesta idade. Trata-se então. Acrescente-se que os últimos estudos realizados pela Academia Americana de Pediatria – o organismo que agrupa os pediatras norte-americanos e que propõe normas para melhorar a saúde das crianças – recomendam o uso da chupeta para evitar a síndrome de morte súbita. ainda sentem necessidade de sugar. portanto. Quanto maior a duração. maiores poderão ser essas alterações. apesar do que se ouve frequentemente. na hora de dormir. mesmo após a amamentação. Ela não é. Este reflexo permite que o bebé abra a boca e sugue o que aparece à sua frente. biberão). A chupeta. qualquer objecto que permaneça na boca da criança poderá alterar as suas funções orais. é aconselhável deitar os bebés de barriga para cima e com a chupeta na boca. quando o reflexo de sucção passa a ser voluntário. Os pais costumam utilizar a chupeta para acalmar os recém-nascidos. nem deve ser vista como um artefacto que substitua a atenção dos pais. sem qualquer função. Esta síndrome traduz-se na morte abrupta e repentina de um bebé que permanece sem explicação mesmo após investigação e autópsia completas. Isto deve-se ao facto de que. Aproximadamente aos dois anos de vida. A chupeta tem. tornando-se um hábito. abandonando-a após este momento. Pode observar-se que o bebé suga fortemente a chupeta até que a sua necessidade satisfatória fique completa. Ao tocar qualquer região em torno da boca. é indicado que os pais ofereçam a chupeta ortodôntica aos seus filhos. tendo condições de se alimentar de forma semelhante a um adulto.

deixando-a apenas para as situações de cansaço ou sono. espera-se que a chupeta seja. Sejam simpáticos! Até amanhã! . Quando a criança começar a ficar acordada durante períodos de tempo maiores durante o dia. não criando assim. Desta forma. explorando brinquedos e começando a falar os primeiros sons. entretendo-se com as mãos. um hábito desnecessário. aos poucos. os pais poderão retirá-la para que não fique parada na boca sem qualquer função. excluída da vida da criança.adormecer com a chupeta e parar de sugar. é conveniente não se usar a chupeta.

2005). afetando o lucro e rentabilidade da instituição (Neto. 2005). e ainda. consequentemente. perderem alguma credibilidade perante o público-alvo e prejudicarem o clima organizacional. Se a equipa não funcionar bem. . cada vez maior. saber comunicar. estabelecer acordos de mutuamente benéficos. o stress causado pela pressão do cumprimento de prazos ou picos de trabalho. o historial das pessoas envolvidas (como o tempo de serviço dos envolvidos no conflito. Esta análise é necessária para que se evitem injustiças e para que o conflito tenha um final satisfatório para todos os envolvidos (Neto. antes de se tomar qualquer decisão. característica em cada organização Chiavenato (1999. as empresas que não souberem gerir conflitos poderão estar sujeitas a diversos contratempos. se investiguem os factos ocorridos. o seu comportamento e o seu desempenho). Quando se fala de clima neste contexto. é de extrema importância que. mesmo que o problema parece relativamente simples visto pelos olhos dos outros. torna-se essencial que saiba lidar com eles. Os seus elementos devem estar dispostos a partilhar quer as oportunidades quer os reconhecimentos e a comunicação deve ser aberta e direta. Para que um indivíduo possa superar conflitos. tais como: criar um ambiente afável. é necessário estabelecer objetivos claros e métodos de trabalho eficazes. não conseguirem desenvolver novos produtos. existem algumas estratégias que ajudam a gerir os conflitos. é também relevante identificar se os envolvidos trabalham efetivamente em equipa. O clima organizacional “constitui o meio interno de uma organização. não é do tempo que se fala. tendo em vista a importância. Nesse sentido. O clima organizacional está ligado à satisfação das necessidades dos colaboradores” (Neto. que devidamente articulado deve orientar a conduta de todos. que os indivíduos sejam respeitados tanto a nível pessoal como profissional (Neto. saber ouvir. Muitas pessoas não sabem como o fazer. ou seja. Na gestão de conflitos. 2005) e um mal clima pode originar um maior número de conflitos. a atmosfera psicológica. 2005). 323). o que implica saber geri-los. por exemplo.Gestão de Conflitos (5º Programa: 08 de Junho) Bom dia Alegria! A história mostra que sempre houve conflitos e conforme a humanidade se foi desenvolvendo cultural e tecnologicamente. uma vez que podem reduzir a produtividade. Para que tais competências sejam fomentadas numa organização. Os conflitos passam a ser um problema. pois numa equipa deve existir um objetivo comum. como ver reduzida a sua participação no mercado. colaborar uns com os outros e esclarecer os diferentes pontos de vista. Na prática. os conflitos foram mudando não só quanto à intensidade e magnitude. podem surgir conflitos. mas também quanto ao número de envolvidos (Neto. 2005). construir e distribuir o poder de forma positiva e partilhada. p. dada às pessoas que nelas trabalham. quando se estiver a gerir um conflito. considerar os valores da organização e levar também em consideração fatores de pressão não habituais como. Assim. A gestão de conflitos tende a crescer de importância dentro das organizações contemporâneas.

Uma vez que as empresas vivem pressionadas para o sucesso. 2005). estimulante e diferente pode ser uma vantagem competitiva. Assim. estabelecer um ambiente de trabalho agradável. Sejam simpáticos! Até amanhã! . Este tipo de ambiente proporciona uma melhor qualidade de vida. o que acarreta uma menor quantidade de conflitos desnecessários e improdutivos (Neto. criativo. de tal forma que a empresa consiga aumentar a sua rentabilidade. os colaboradores poderão desenvolver melhor as suas atividades.

se não for bem acomodado na noite do dia em que foi aprendido. São necessárias pelo menos 6 horas bem dormidas. O prazo de validade das novas informações é de 24 horas. porém. Todo o esforço transforma-se em desperdício se as horas passadas sobre os livros não forem seguidas de uma boa e longa noite de sono. Como num puzzle. Da mesma forma. Os estudos mostram que no adulto. Com esta rede de informações somos capazes de encontrar o desfecho para situações que. um papel fundamental na apreensão de conhecimentos que envolvem o desempenho de tarefas como desenhar. A investigação indica que o sono é crucial para transferir informações guardadas durante o dia. é durante o sono que o cérebro revê os conhecimentos do dia. Recostar a cabeça na almofada não é tão importante para conhecimentos mais elementares. Ocupa-se mais em promover uma tertúlia. mas é crítico na retenção de memórias visuais ou tarefas que envolvam habilidade.Somos capazes de aprender enquanto dormimos? (6º Programa: 11 de Junho) Bom dia Alegria! Os gregos temiam Morfeu. só aprende quem dorme bem. porque acreditavam que todas as noites. Também não adianta nada passar mais tempo na cama ao fim-de-semana para recuperar o que foi perdido de segunda a sexta. Trocado em miúdos. o nosso cérebro conecta os dados que acabou de guardar com outros já acumulados no decorrer dos anos. A ciência. Portanto. encaixa as informações nos lugares mais adequados e os grava na forma de memória. maior e permanente – o córtex. quase tudo do que foi absorvido se perde. a chamada massa cinzenta. como decorar números de telefone. O sono organiza as ideias. o conhecimento adquirido no decorrer do dia é revisto pelo cérebro e armazenado na forma de memória a longo prazo. temporariamente. isto quer dizer que passar a noite a estudar não é correcto. O sono. entre duas importantes regiões do cérebro: o hipocampo e o córtex. quando acordados. Não basta apenas uma sesta. no hipocampo – uma espécie de memória provisória localizada na base do órgão – para uma área mais sofisticada. acordar antes de . Passado esse tempo. andar de bicicleta. está a conseguir provar que o sono é um bom professor. desempenha então. O cérebro quase que não dá importância às informações ditas quando se está a dormir. parecem problemas insolúveis”. a divindade poderia atormentá-los ao enviar pesadelos aterrorizantes. O sono tem diferentes fases e é preciso que elas se repitam várias vezes para que o armazenamento de dados pelo cérebro seja bem feito. ensina a mente a resolver problemas e faz-nos aprender o que toda a concentração de um dia inteiro de vigília é incapaz de conseguir. que dura a noite toda. Roger Stickgold (neurologista) afirma que “enquanto dormimos. o tempo mínimo para que haja alguma retenção do que foi visto durante o dia é de 6 horas. Assim. alguém que dorme 10 horas tem a habilidade de fixar informações quase dobrada. Durante o período nocturno de repouso. o deus dos sonhos. memorizar um livro ou dançar. ao adormecer.

Sejam simpáticos! Até amanhã! . podíamos aprender o seu conteúdo durante a noite. A almofada é um bom professor. Depois de um certo período. Para recordar: Dormir é fundamental para o conhecimento. dormir pode servir apenas como descanso. durante o sono.completar as 6 horas pode fazer com que se perca tudo o que estava a ser gravado e aprendido até aquele momento. A ciência ainda não nos consegue dizer qual o número máximo de horas durante as quais o processo continua. E a aula deve ter pelo menos 6 horas por dia. Esta ideia é totalmente falsa. Há tempos atrás circulou a ideia de que se ouvíssemos uma daquelas gravações que se utilizavam para estudar idiomas.

a ausência desta substância. NA verdade. o que é uma excelente notícia! A dependência da nicotina abrange dois aspetos básicos. relacionamentos. de aliviar a angústia. 2008). tonturas. Esse companheiro de todas as horas. heroína. dificuldade de concentração. bem como outras coisas terminadas em “ina”. Aqui existe a necessidade de obter prazer.O hábito de fumar enquanto dependência psicológica (7º Programa: 12 de Junho) Bom dia Alegria! O hábito de fumar é muitas vezes visto apenas como um hábito social ou apenas como um vicio do qual o corpo depende. pois provoca uma enorme sensação de prazer no mesmo. na saúde e na doença não fuma… mas logo que recupera volta a fumar. 2008). Neste tipo de dependência. criam não só dependência física. os derivados do tabaco matam cerca de três milhões de pessoas por ano. entre outros). maior irritabilidade e agressividade.. Segundo a OMS (2002). representa uma sensação de intenso mal-estar (Oliveira. incêndios e suicídios. que não se quer que termine.. cocaína. ameaça ou outros (Silva et al. Desta forma. . Tanto é que. a dependência psicológica resulta da sensação do sujeito ver o cigarro como um apoio a ser utilizado nos momentos de stresse. etc. é normal ouvir que o cigarro o acalma. 2012). álcool.. que precisa de fumar antes de se deitar porque isso o ajuda a dormir melhor. A nicotina. Conversando com um fumador. desconforto abdominal. na alegria e na tristeza. de evitar a “dor”. de prevenir o desconforto. 2008). o número de mortes causado por doenças associados ao hábito de fumar tabaco é superior à soma das mortes por HIV. entre outros (Silva et al. ansiedade. solidão. mas é negligenciado um outro aspecto da questão. Do ponto de vista físico. Em Portugal. insônias. O tabagismo constitui um sério problema de saúde pública. esta realidade é bastante grave se se considerar a população que faz uso do tabaco e o seu impacto na saúde (Silva et al. a dependência psicológica reflete-se perceção da incapacidade de viver sensações de prazer psicológico sem que uma substância esteja presente e das alterações de comportamento levadas a cabo pela pessoa a fim de garantir a continuidade do hábito. muitas vezes em detrimento de campos importantes da sua vida (emprego. mas também psicológica e está classificada nos livros como uma substância que pode causar perturbações psicológicas. Os inquéritos mais recentes referem alguma melhoria estatística. Nesta perspetiva. é responsável por sintomas da síndrome de abstinência quando se deixa de fumar (dor de cabeça. Por sua vez. acidentes de trânsito. posição social. a nicotina passa a comandar a vida daquele que a usa. estas pessoas estão a falar da dependência psicológica do seu amigo cigarro. de encontrar bem-estar.

por alguns minutos. das horas festivas. “anestesiando” e diminuindo. sem ter que recorrer a meios prejudiciais à saúde. 2012). que poderão ajudar. Uma vez que o cigarro contém substâncias psicoativas que influenciam o funcionamento do Sistema Nervoso Central provocando uma sensação de prazer.A dependência psicológica refere-se a uma dependência subjetiva. o cigarro não serve de tratamento para a solidão. Por ser assim. porque o alívio causado pela sensação de prazer é momentâneo e só dura até se precisar do cigarro seguinte. por isso existe algo que está a incomodar. Para ajudar nisso existem outro profissionais. da qual a pessoa procura libertar-se (Oliveira. não alivia a angústia. No entanto. Sejam simpáticos! Até amanhã! . O cigarro torna-se ilusoriamente um “grande aliado. das horas de solidão. desde o médico de família ao psicólogo. de alguma coisa que está em falta e. uma sensação de mal-estar. pois é possível aprender a lidar com a vida. de stresse ou ansiedade”. não resolve os problemas. não modifica a vida nem a história de cada um. um amigo das horas difíceis. este é um falso amigo.

Deste modo. tão socialmente enraizado. pois facilmente provoca desacato. No entanto e apesar disso. leva-os a cometer crimes. Por outro lado. Em Portugal. raramente é posto em causa! O alcoolismo em Portugal constitui um dos maiores flagelos da saúde pública. mais intolerante à frustração.Álcool pior que droga (8º Programa: 13 de Junho) Bom dia Alegria! É tradição nas festas dar a provar um bocadinho de vinho ou de champagne às crianças e a partir da adolescência. pois o alcoólico. associado a um funcionamento disfuncional. as famílias devem ser o primeiro lugar onde os jovens deveriam aprender a não beber e acontece exatamente o contrário. Isto. No contexto familiar. à violência doméstica e ao abuso físico e sexual em crianças (Lino. é a terceira maior causa de morte em Portugal. burlas e em casos mais extremos homicídios. Salientese que o organismo não tem capacidade para metabolizar o álcool antes dos 17/18 anos e os consumos anteriores a essa idade. As dificuldades financeiras também são uma constante na vida social de um indivíduo dependente de álcool. e o álcool deve ser das coisas mais transversais às diferentes culturas. e quem não bebe é uma pessoa socialmente inadaptada às 6ªs e Sábados à noite. a situação é preocupante. provocam danos neuronais. discussão. Isto pode ser justificado. que culmina em prejuízos para si próprio e para os outros. acidente no próprio ou noutros. Todos conhecemos casos em que o álcool criou ou potenciou problemas sociais e pessoais. os sujeitos a não conseguirem sustentar a sua necessidade. Este hábito. 2006). sendo responsável por aproximadamente por 6% de óbitos. Não há nada mais errado. que por sua vez. cada uma à sua maneira. O consumo torna-se desencadeador de diversos problemas no relacionamento com os colegas ou superiores hierárquicos. os jovens são incentivados a beber regularmente. falta regularmente ao trabalho e as demissões também são frequentes. quem conduz sob o efeito do álcool é um herói à vista de muitos. o uso abusivo do álcool está. sendo tão natural e socialmente aceite que “dizer mal” do álcool pode mesmo parecer sacrilégio. como roubos. o vinho tem tal importância que ninguém se lembra de criar uma lei que o proíba. frequentemente. ao nível profissional. pelo facto do álcool ser algo com se lida desde muito cedo. Por isso. Naturalmente. Neste sentido. conduzindo-o a um aumento do consumo (Lino. o indivíduo que se transcende nos consumos perde a sua reputação junto de colegas. como acontece com outras substâncias que alteram os sentidos. tornando-o assim. este tende a não cumprir um papel social adequado e desejado. 2006). o hábito de beber na nossa região não varia muito dos hábitos de muitos bebedores deste mundo. levando mesmo à morte. amigos e familiares. por acidente ou doença. tendo repercussões dramáticas para a saúde dos portugueses relativamente ao consumo excessivo. No que concerne à vida social do indivíduo dependente de álcool. leva muitas vezes. pois beber excessivamente torna-se dispendioso. .

deste estudo. Não se limitaram a analisar os efeitos no indivíduo. Estes peritos britânicos avaliaram várias substâncias como o álcool e outras drogas. sendo ainda mais prejudicial. Sejam simpáticos! Até amanhã! . com consequências graves para os seus consumidores e as pessoas à sua volta. pois existem muitos casos de sucesso pelo mundo de pessoas que se libertaram desse peso e que conseguiram refazer a sua vida. Segundo os peritos. A heroína. não deixem que a pessoa se entregue ao problema e ajudem-na a procurar ajuda. é importante dizer que nem tudo é mau. mas também verificaram de que modo a sociedade sai prejudicada. onde desenvolveram uma nova metodologia que permite avaliar a perigosidade das drogas. classificando-as pela forma como são prejudiciais à saúde e nocivas para a sociedade em geral. por isso não se pode desistir de acreditar numa solução. o álcool inclui-se neste grupo. o crack e a metanfetamina são as mais letais. concluíram que o álcool é mais perigoso que determinadas drogas ilegais como a heroína e o crack.Especialistas realizaram um estudo na Grã-Bretanha. não só para a condução automóvel. mas considerando os efeitos sociais. Concluindo. o álcool torna-se mais prejudicial porque é a “droga” mais usada. Este estudo dá que pensar pois há “coisas” legais muito prejudiciais. Se conhecerem algum caso. Assim sendo.

A sua opinião é muito importante para eles. tão importantes para as crianças. que são bem aceites pelas crianças) para que a criança não fique sem comer. mas temos algumas sugestões que podem ajudar. 2-) Se a criança se recusar alimentar. são ótimas estratégias. O erro mais frequente cometido pelos pais é a oferta de outros alimentos (como: iogurtes. É importante sim. naturais e absorver este hábito para o resto da vida? Não é tarefa fácil. Inicialmente. incentivar as crianças a provarem mais do que uma vez o mesmo alimento. Procure não se preocupar muito se ele não comer. a diversidade dos alimentos consumidos pelas grávidas é muito importante para uma melhor aceitação e formação das preferências alimentares das crianças futuramente. As zangas para a criança comer acabam por criar um ciclo vicioso: ela recebe bastante atenção e faz mais birras.Coisas de bebés: Como podemos incentivar as crianças a comerem? (9º Programa: 14 de Junho) Bom dia Alegria! A alimentação é essencial para que a criança cresça e se desenvolva bem. Assim reforça-se que o doce é o “prémio”. dizendo: “que bom. mas caso a criança diga que não gostou. Dica: cozinhar a beterraba no feijão ou utilizar a água da cozedura da beterraba para fazer o arroz. Confie nos instintos do organismo do seu filho: já diziam os médicos antigos que a criança não morre de fome em casa onde haja comida. 6-) Levar as crianças para conhecer a horta é um óptimo exemplo de como torná-las mais próxima dos alimentos. deixe para outro dia que ela provará novamente. 5-) Quando você (pai ou mãe) for fazer uma refeição com o (s) seu (s) filho (a) saliente o gosto dos alimentos. Esta troca torna-se “muito vantajosa” para as crianças e esta substituição será por diversas vezes solicitada para conseguir o que quer. OK. disto já sabiam! Mas como fazer uma criança pequena e muito teimosa comer alimentos saudáveis. deixam de o ser. Desta forma garante-se uma maior quantidade de micronutrientes. 4-) Misturar as verduras com o arroz. tanto para os pais como para os filhos. o que fazer para que isso não aconteça com o seu filho? 1-) A hora da refeição ou lanche deve ser um momento de tranquilidade e prazer. o ideal é não insistir muito. portanto. É muito comum observarmos as mães tensas nestes momentos. De acordo com novos estudos é durante a gestação que se inicia o paladar dos bebés. todos os alimentos são bem aceites pelas crianças. no momento em que a criança tiver fome ofereça-lhe o prato novamente. entre outros. o que se torna um tormento para os pais. Mesmo que não consiga fazer este tipo de . Mas. conhecendo as suas origens. mas em determinado momento muitos alimentos (principalmente as verduras). bolachas. que saboroso!”. já supondo a não aceitação do alimento pelo seu filho. 3-) É muito importante que os pais não forcem ou chantageiem as crianças dizendo: “se comeres tudo dou-te um chocolate”. Retire o prato e guarde. feijão ou carne.

Sejam simpáticos! Até amanhã! . 8-) Os livros e vídeos infantis sobre educação alimentar (ex: os benefícios e malefícios dos alimentos) também podem ser uma boa estratégia. 9-) Brincar com os alimentos na hora das refeições (ex: fazer casinhas. Diga que ele é o cozinheiro (vale até um chapéu de chef improvisado ou um avental) e deixe-o colocar queijo ralado no massa. animais). mostre as árvores nas ruas. 7-) Pedir à criança para escolher e preparar um prato saudável pode ser uma ótima opção. as vossas crianças terão um crescimento mais saudável e uma melhor qualidade de vida e os pais também. plante um feijão no algodão. podem tornar estes momentos mais agradáveis. propiciando uma maior oportunidade de associação de momentos bons com boas práticas alimentares. fazer bolinhas com a massa de pão. Assim pode estimular o seu filho a ter mais senso crítico sobre os alimentos. faces.passeio. a companhia dos pais ou mesmo de irmãos pode tornar aquele momento especial. para tentar atrair o interesse da criança. preparando-o para futuramente fazer as suas próprias escolhas. Além de incentivá-lo a fazer escolhas mais saudáveis. espalhar o molho sobre a massa da pizza. Com estas dicas.

nas relações pessoais. mas devido às circunstâncias exteriores e por isso enfrentam novos desafios com expectativa de mais sucessos futuros. apesar dos reveses e das frustrações (…)”. o otimismo refere-se a uma atitude positiva e confiante perante o mundo que leva os indivíduos a ter sucesso nos estudos.O que é otimismo? (10º Programa: 15 de Junho) Bom dia Alegria! Já lhe disseram: Tens que ser otimista!? Afinal o que é isso? Alguns estudos apontam uma relação lógica entre a influência do otimismo e do pessimismo no comportamento e nas emoções das pessoas. persistência e expectativas de sucesso. O otimismo é considerado uma ferramenta muito poderosa. Assim sendo. 2008) O recente interesse pelo estudo do otimismo emerge a partir das descobertas acerca da influência do pessimismo na depressão (Peterson. 2006). acreditam que um insucesso não resulta das suas inaptidões. desenvolvendo um sentimento de controlo que os torna mais felizes. no desespero ou na depressão perante as situações desagradáveis” (Macdonald. Maier & Seligman. Maier & Seligman. o que lhes aumenta as possibilidades de obterem aquilo que desejam ou anseiam. as coisas nos vão correr bem na vida. libertando-os muito mais da ansiedade. 1088 cit. O otimismo também pode funcionar como um potenciador do bem-estar e da saúde daquelas pessoas. tais como: mantêm a sua autoestima a um nível muito saudável. desejam melhorar a sua qualidade de vida (Seligman. Sejam simpáticos! Até amanhã! . visto que dá à pessoa a confiança necessária para lidar com os bons e os maus acontecimentos. Batista. O otimismo é uma atitude que impede as pessoas de caírem na apatia. moderando os problemas daqueles que se encontram em sofrimento ou sob stress. do stresse e da depressão. De acordo com Daniel Goleman (1995). 2006). Têm muitos amigos. os otimistas são dotados de algumas características especificas. sociais. e também tem um papel como mediador em relação a acontecimentos stressantes. in Batista. confiam no seu valor. 1993 cit. 1993. ser otimista significa que se tem uma aptidão natural para a felicidade. muitos estudos demonstraram que o otimismo é um sinal de boa saúde e bem-estar. na carreira profissional e na vida em geral. promovendo o bem-estar físico e psicológico (Seligman. Desde essa altura. ou ainda. uma vez que têm tendência para se envolver em muitas atividades diferentes (Macdonald. Permite ao individuo abordar as situações com confiança. in Peterson. comparativamente com aqueles que se sentem impotentes na mudança para uma situação melhor. Seligman & Vaillant. 2006). Desta forma. o otimismo significa “ter fortes expectativas de que de um modo geral. daqueles que sofrem de doenças graves (Peterson. 2009). 2002). Estão mais aptos para tomarem as decisões necessárias relativamente aos seus objetivos. que se sabe gerir as expectativas e que se tem um papel ativo na construção do tipo de vida que se deseja (Macdonald. 2009). que não sofrendo de nenhuma perturbação ou doença específica. um autor de referencia na área da inteligência emicional. Assim. acreditam que são responsáveis pelos seus sucessos e inocentes em relação aos contratempos que encontram.