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Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica

S.M.Deckmann e J. A. Pomilio

3. O efeito da cintilação luminosa: causas, efeitos e soluções.
3.1. O que é cintilação luminosa ou efeito “flicker” [7] O fenômeno designado por cintilação luminosa, em inglês “flicker” ou “lamp flicker” se refere à percepção, pelo olho humano, das variações luminosas provocadas pela flutuação da tensão de alimentação. Testes com observadores, realizados nos Estados Unidos, na Inglaterra e na França, demonstraram que a sensibilidade do olho humano às variações luminosas se restringe a uma faixa bastante estreita de freqüências, entre 0 e 30 Hz. E mesmo nessa faixa a sensibilidade não é uniforme, sendo máxima em torno de 8,8 Hz, no caso da fonte luminosa ser uma lâmpada incandescente (no entanto, também pode ser observada com lâmpadas fluorescentes). A unidade para a sensação de cintilação instantânea é definida de tal forma que um valor unitário corresponde ao limite de percepção para 50% da população. A maioria das pessoas já experimentou a sensação de variação da intensidade de iluminação das lâmpadas incandescentes quando outras cargas ligadas ao mesmo circuito de alimentação variarem, repentinamente a corrente consumida. Em ambientes domésticos, aquecedores, condicionadores de ar, e impressoras a laser são exemplos comuns de equipamentos que podem gerar flicker observável. Uma descrição mais precisa de flicker é encontrada na (IEC) EN 61000-3-3 que define como "... O incômodo subjetivo da cintilação imposta à luz produzida por lâmpadas incandescentes de 230 V, 60 W pelas flutuações da tensão de alimentação ". Flicker é definido em termos da variação da luminosidade percebida nas lâmpadas incandescentes por causa do uso comum e porque elas apresentam maior sensibilidade a alterações de voltagem.

Figura 3.1 Sensibilidade relativa do olho humano às variações luminosas de lâmpada incandescente.

3.2. Efeitos provocados pela cintilação luminosa Apesar de se tratar aparentemente de um mero problema de desconforto visual, já ficou demonstrado que esse efeito pode atingir o sistema nervoso central e provocar disfunções neurológicas em observadores submetidos ao processo. Para o observador comum, as variações luminosas podem causar dificuldades para leitura, incômodo visual, dor de cabeça, cansaço visual, estresse mental, perda de concentração, etc. Isso significa que as pessoas podem ser mais ou menos afetadas por esses efeitos, mas de qualquer modo a sua capacidade produtiva física ou intelectual fica prejudicada.

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Neste último caso. Curva 2 .Limiar de percepção visual para modulação quadrada. mostrada na figura 3. baseados nessa metodologia [13. A Figura 3.14]. 9.Deckmann e J. antiga IEC . Curva 3 .4. bombas. Para avaliar os níveis de flicker existe uma metodologia específica de processamento da tensão. Medição do efeito flicker A atual norma da Comissão Internacional de Eletrotécnica IEC . laminadores siderúrgicos.Limite aceitável segundo a IEC.2 % da tensão nominal. fornos a arco. 11]. Curva 4 . Curva 1 .61000-4-15.Valores resultantes pelo método proposto pela IEC. ΔV ___ % V (3) (4) (1) (2) min-1 Figura 3.2. Pomilio 3.M. as variações da corrente podem provocar o efeito de cintilação nas lâmpadas alimentadas pela mesma rede. desenvolvidos na Unicamp. Existem até equipamentos de medição.2. as causas podem variar desde simples cargas domésticas variáveis. bombas e compressores em oficinas mecânicas até processos industriais pesados como fornos a arco. prensas e estamparias. Um exemplo típico é o do compressor de ar.555-3 [10] trata da avaliação das flutuações e. 3. Para que esta percepção se transforme em incômodo é preciso aumentar a intensidade da variação ou repetir essa variação na faixa de freqüências de maior sensibilidade. estabelecendo uma curva limite para o nível de flicker. Outros exemplos de cargas variáveis que costumam provocar o efeito flicker são: chuveiros e fornos elétricos com controle automático de temperatura. que originalmente foi proposta pela UIE (União Internacional de Eletrotermia) em 1982 [11] e aprovada em 1986 pela IEC como Std. aparelhos de solda elétrica.Limiar de percepção visual para modulação senoidal. Como se pode ver. etc.3. e atualmente IEC .61000-3 [7].3 mostra o processamento do sinal de tensão necessário para extrair o nível de flicker provocado pelas variações da amplitude sobre o sistema de iluminação [8. Isto significa que se tivermos uma carga variando ciclicamente. Causas do efeito flicker A seriedade do problema fica ainda mais evidente quando se constata que o olho é capaz de perceber a variação luminosa da lâmpada submetida a uma variação brusca de apenas 0. A. elevadores. DSCE – FEEC – UNICAMP 2 . 868 [8]. o número de pessoas afetadas evidentemente é muito maior devido ao maior alcance das variações de tensão. em particular do efeito de cintilação.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S.

A operação do Bloco 2 é mais facilmente compreendida no domínio da freqüência. simultaneamente suprimir o sinal da freqüência portadora (rede).3 mostra um diagrama de blocos para a medição de flicker. Sua função é adaptar o circuito de entrada do instrumento para o nível nominal do sinal medido. bem como de sua relação com os fenômenos fisiológicos correspondentes. a constante de tempo especificada corresponde a uma função de primeira ordem. Como exemplo.4 mostra o espectro de um sinal de corrente de 50 Hz com 1%. o circuito de AGC imita uma característica bem conhecida da percepção humana em que estímulos constantes aos sentidos. Do ponto de vista fisiológico. descritos na norma IEC 61000-4-15. 9-Hz de modulação senoidal de amplitude. É menos necessária nos instrumentos digitais. de tipo analógico. Nas seções que seguem. que pode servir para analisar mudança de tensão ao longo do tempo. Para fins de ilustração. Como a resposta espectral de alguns blocos proporciona uma maior compreensão de sua função. de nível moderado.4. De uma perspectiva de resposta de freqüência.. ao invés de transformadores.Deckmann e J. O objetivo deste bloco é a recuperação do sinal modulante e. conforme descrito na IEC 868 e na IEC 61000-4-15. Bloco 1 . pois é fácil de assegurar suficiente estabilidade de calibração. Também pode ser aplicado a um circuito opcional de medição da tensão eficaz.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. A. O nível equivalente ΔU/U é de 2%. A medição RMS é normalmente incluída no medidor de flicker de acordo com a UIE. O Bloco 2 faz uso de um circuito quadrador (multiplica o sinal por ele mesmo) como demodulador. facilidade que pode servir para alguns testes previstos na EN 61000-3-3.M. Flutuações de tensão em frequência mais elevada passam pelo AGC sem atenuação.Adaptador de tensão de entrada.00583 Hz. Esta função é adequada para garantir a precisão da calibração dos instrumentos mais antigos.Demodulador. Pomilio 3. mas não é utilizada para avaliar o valor de flicker. a Figura 3. Bloco 2 . Um controle automático de ganho (AGC) com uma característica de resposta ao degrau de 10 a 90% em 1 minuto fornece a funcionalidade necessária. mas componentes de baixa frequência são removidos. os comportamentos desses blocos no domínio da freqüência são incluídos. A principal função do adaptador de tensão de entrada é a de fornecer uma tensão RMS normalizada para a entrada do bloco 2. passa-alta com freqüência de corte ajustada para 0. Estritamente falando. O Bloco 1 também inclui uma entrada para um sinal de calibração. DSCE – FEEC – UNICAMP 3 . Instrumentos modernos podem diferir ligeiramente em virtude do uso de amplificadores diferenciais de ganho variável. o sinal de portadora de 50 Hz é mostrado normalizado para 0 dB.1 Descrição detalhada do Medidor de Flicker A Figura 3. o transformador de entrada mostrado antes Bloco 1 não faz parte do mesmo. cada bloco será descrito em detalhes no que diz respeito tanto às funções de processamento do sinal fornecido pelo bloco. gradualmente se tornam imperceptíveis. A saída do bloco 1 é aplicada à entrada do bloco 2.

Metodologia UIE/IEC para medição de flicker. A. DSCE – FEEC – UNICAMP 4 .Deckmann e J.3.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S.M. Pomilio Figura 3.

Butterworth de sexta ordem. centrada em 8. A freqüência modulante é recuperada e aparece em 9 Hz. O terceiro filtro. A. O sinal modulante é visto como um par de bandas laterais deslocadas 9 Hz acima e abaixo da portadora. está oculta em relação ao eixo esquerdo da figura. demodulado por quadramento. Aplicando o sinal da Figura 3.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. A saída do Bloco 2 é aplicada exclusivamente à entrada do Bloco 3.Deckmann e J. Pomilio Figura 3. assumindo-se uma modulação equivalente de uma tensão invariável da rede. Em seguida um filtro.4 como entrada.8 Hz. Tais componentes estão -6 dB em relação ao nível de -40 dB (1%) do sinal modulante. A única saída desejada do Bloco 2 é a componente de modulação de sinal. Como seria de esperar de uma função não-linear.1.05 Hz. remover as componentes CC e de 100 Hz. passa-baixa. mas o trabalho de remoção de freqüências indesejáveis é executado por meio de filtros no Bloco 3. o sinal mostrado na Figura 3. A portadora de 50 Hz é duplicada em frequência e aparece como um sinal de 100 Hz. resulta na saída do demodulador mostrado na Figura 3. com uma frequência de corte de 35 Hz. Um filtro passa-alta de primeira ordem tem frequência de corte de 0. fornece uma resposta passa-banda. cuja parte CC. aparecem outras freqüências na saída do Bloco 2. Deixando de lado a normalização da amplitude da portadora.4 seria a entrada do Bloco 2. O Bloco 3 inclui três filtros ligados em série e um circuito de escalonamento. Figura 3.M. Bloco 3 . Um vestígio da segunda harmônica do sinal modulante também aparece na saída.5 Sinal da figura 3. 1%).5. 50 Hz com 50% de modulação AM (no tempo) e espectro para 1% de modulação AM em 9 Hz.4. Essas duas funções visam. com as bandas laterais associadas. respectivamente. -40 dB (ou seja. O filtro passa-banda DSCE – FEEC – UNICAMP 5 .Filtros de ponderação.3. cuja resposta reproduz a curva da figura 3.

Fundos de escala em intervalos correspondentes aos níveis de ΔU / U de 0. A. com a exigência de uma resolução mínima de 1 parte em 64. 5.6. Seu objetivo é simular uma parte da resposta global filamento-olho-cérebro para um observador humano típico. No entanto. Em ambos os casos. O pico da resposta é em 8. dada a entrada mostrada na Figura 3.01 a 6400 em unidades do limiar de percepção.05 Hz e 35 Hz.Deckmann e J.4. Bloco 4 . dentro de cada faixa.M. Figura 3. Resposta em frequência composta dos filtros Figura 3. 2. mas geralmente é eliminada se classificadores não-lineares são utilizados. o instrumento deve prever medidas de sensação de cintilação instantânea (Sf) dentro de uma faixa de 0. A Figura 3. entre 0. A função de escalonamento mostrada na saída do bloco 3 é necessária em certos instrumentos que usam classificadores estatísticos no Bloco 5. não há relação direta entre os dois conjuntos de valores.7.5. as faixas de ΔU/U são especificadas para garantir que a variação da sensação de cintilação seja acomodada para qualquer freqüência de modulação. 10 e 20% são definidos.Multiplicador por quadratura e filtro de média móvel de primeira ordem. 1.7 mostra a saída do Bloco 3.6 mostra a resposta de frequência dos três filtros em série. O filtro é muito bem especificado por meio de uma equação que determina a função de transferência necessária no domínio da freqüência. DSCE – FEEC – UNICAMP 6 . Pomilio apresenta uma função de ponderação muito específica dentro da faixa de freqüência de interesse. Sinal de saída do bloco dos filtros Dado que a relação entre percepção de flicker (Sf) e ΔU / U varia com freqüência. enquanto a Figura 3.8 Hz.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S.

Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S.M. bem como a severidade do flicker de longa duração (Plt). O conjunto de percentis pode então ser obtido através de metodologia estatística. O classificador estatístico no Bloco 5 modela a irritabilidade humana na presença de flicker.Classificador. aumento da freqüência de eventos ou da sua duração. correspondentes aos da curva correspondente ao limiar humano médio (Figura 3. O contador a ser incrementado é selecionado determinando entre quais níveis pré-estabelecidos de Sf a amostra se insere. 60. no entanto. incrementando um contador. 10 ou 15 minutos. Para os testes previstos na EN 61000-3-3.3 segundos. A entrada para o bloco 5 mostra um conversor A/D. produzirão Sf na saída do Bloco 4 que constitui o valor de referência (base) para normalização em pu dos níveis de flicker gerados por outros sinais quaisquer. O classificador é dedicado a fornecer a informação estatística necessária para calcular a severidade do flicker de curta duração (Pst). uma vez que as saídas do Bloco 5 são usadas exclusivamente para determinar a conformidade das emissões de cintilação. A. mas deve ser implementado como um filtro passa-baixa de primeira ordem. O operador de quadramento converte o sinal de variação de tensão ponderada em variação de energia luminosa equivalente. No final do período de integração. Assumindo por hipótese que as amostras são acumulados a uma taxa de 100 Hz e que o período de integração de 10 minutos é usado. Em instrumentos modernos. 5. O filtro de primeira ordem é um pouco imprecisamente especificado como um filtro de média móvel tendo uma constante de tempo de 0.000 amostras individuais de Sf serão adquiridos para cada cálculo do PST. os níveis de modulação. a conversão do analógico para digital tipicamente ocorre já em blocos anteriores. Pomilio O Bloco 4 fornece condições para realizar o restante do modelo filamento-olhocérebro associado à percepção de flicker. o qual está associado a um certo nível de Sf. DSCE – FEEC – UNICAMP 7 . O percentil P95 de Sf. a contagem total acumulada de todos os contadores é igual ao número total de amostras colhidas durante o período de integração (60 mil nesse exemplo). Percentis são níveis da grandeza sob análise que são observados durante um determinado porcentual do tempo total ou do conjunto de amostras. Isso é feito por períodos de integração de 1. ou seja. estas saídas são opcionais (assumindo que o uso de um classificador não-linear no Bloco 5). simulando a característica de resposta não linear do cérebro-olho.2) para sensação de flicker. com uma freqüência de corte de 0. expressa o nível de Sf que é superado apenas 5% das vezes (num intervalo de tempo ou quantidade de amostras pré-fixado). seguido por um classificador estatístico. Sfpu = Sf/SfB . enquanto o filtro de primeira ordem simula os efeitos de persistência da imagem na retina. Quando o ganho total do instrumento é configurado corretamente.53 Hz. A tolerância diminui com crescimento da intensidade da perturbação. sendo o intervalo de 10 minutos especificado como o período de integração para as medições de conformidade.Deckmann e J. por exemplo. A perturbação é mais tolerável se ocorre com pouca freqüência em intervalos curtos. Várias etapas de processamento adicional podem ser realizadas na saída do Bloco 4 para auxiliar na escolha da escala do instrumento ou para fins de pesquisa. Cada amostra é acumulada no classificador estatístico. A severidade da cintilação de curto prazo é calculada utilizando percentis obtidos a partir do classificador estatístico. Bloco 5 .

Deckmann e J. com 10 minutos de períodos de integralização. P0.08. A notação percentual utilizado nos índices das normas deve ser entendido como % de violação.P3 + a4 . Note-se que as unidades dos indicadores de severidade Pst e PLT são alteradas de "perceptibilidade" para "irritabilidade". Os testes são realizados com uma impedância de referência IEC 725 colocada entre a fonte de alimentação e o equipamento sob teste. Pomilio Dependendo do projeto do classificador.0314 A figura 3. Testes revelaram que esses coeficientes de ponderação valem: a1=0. e assim por diante.P + a3 . a3=0.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. que podem ser linearmente ou logaritmicamente espaçadas. Limites para aprovação / reprovação para Pst e Plt são fixados na EN 61000-3-3 de acordo com estes limiares.P50 + a2 . P10 é o nível ultrapassado durante 10% do tempo. P50 representa o nível de Sf que é violado 50% do tempo. Implementações modernas normalmente usam níveis em escala logarítmica. Esta abordagem. geralmente com 1024 níveis ou mais. DSCE – FEEC – UNICAMP 8 .8 ilustra como se faz a classificação dos níveis do sinal Sf amostrado para o cálculo do valor de PST.M. pois corresponde à percentagem de amostras que ultrapassam os níveis.0657. Por exemplo.1 corresponde ao nível excedido por 0. a1 a2 a3 a4 e a5 são valores numéricos atribuídos de forma que a combinação dos cinco percentis Pi produzam valores de PST unitários para flutuações dadas pela IEC61000. A.9. assumindo uma faixa dinâmica adequada em outras partes do processamento do sinal.P0. curva 3. PST = a1.28. mostrada na Figura 3.65 é definido como o limiar de flicker de longo prazo. Assim Pst = 1pu é o limiar médio de irritabilidade para a cintilação de curto prazo e 0. a5=0.3. O uso de um projeto com o requisito mínimo de 64 níveis linearmente espaçadas exige a implementação de circuitos de escalonamento como especificado para o Bloco 3. em vez de números cumulativos de amostras.0525. Este nível é mais convencionalmente referido como o percentil 99.1) onde: Pi são percentis da classificação estatística ou níveis de Sf ultrapassados durante i % do tempo. elimina a necessidade de escalonamento do Bloco 3. Classificação logarítmica também evita problemas de precisão que surgem quando se aplica uma interpolação linear para calcular os limites percentuais entre os níveis. Por exemplo. a4=0.1 10 1 (3.1% das amostras. A severidade da cintilação de longo prazo (Plt) é calculado a partir de uma janela de 12 valores sucessivos de Pst adquiridas durante um intervalo de 2 horas.P + a5 . as classes podem ser em número reduzido como 64.2. a2=0.

no tempo é mostrado em d).1 P1 P3 P10 P50 Figura 3. Notar que existe uma pequena ondulação residual. de vários dias.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. 1pu. para cobrir. por exemplo. Pomilio P0.8 Exemplo de sinal discretizado da Sensação Instantânea de flicker (Sf) com 1000 amostras e histograma de distribuição [Prodist].714 (raiz da soma dos coeficientes). o ciclo de carga semanal: PLT = 3 1 12 ∑ (P ) 1=1 ST i 12 3 (3.8Hz. O sinal de Sf.Deckmann e J. b. pois nessa situação PST = 0. Por exemplo. A. Com isso o PST resulta 0. para modulação senoidal de 0.2) DSCE – FEEC – UNICAMP 9 .714 S f = 1 pu. deve resultar Sf constante e igual a 1 pu e portanto todos os percentis assumem o mesmo valor.9 mostra os espectros dos sinais após passagem pelos diferentes blocos de processamento (figuras a. A grandeza PLT (Long Term Probability) é definida como uma média cúbica de 12 valores consecutivos de PST (2 horas de medição) para expressar o efeito flicker para períodos mais longos. característica do processo de filtragem de Sf. A figura 3. c).M. Para ser atingido o limiar de irritabilidade é preciso ter Sf = 2 pu.125% em 8. no caso.

onde o fenômeno se manifesta através das lâmpadas.125% em 9 Hz. Esses limites são os seguintes: Limites globais de severidade de flicker PST95% diário PLT95% semanal Limite global inferior 1pu/FT 0. 2. são expressos em termos de atendimento percentual. Isto viola o limite aceitável para essa instalação.M.0pu/FT 1.0 DSCE – FEEC – UNICAMP 10 . o GQEE (Grupo de Qualidade de Energia Elétrica) propôs à ANEEL uma legislação aplicável para a chamada rede básica (operada sob responsabilidade do ONS) em sintonia com os procedimentos estabelecidos pela IEC/UIE [12]. Pomilio Figura 3. FT 0.8 1.65 0. No Brasil.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. por ex.) até a baixa tensão (220/127 V).5 Exemplo de medição de flicker Os resultados seguintes foram obtidos em uma subestação em 138 kV. confirmando as reclamações de consumidores das áreas próximas.8pu/FT Limite global superior 2. Havia reclamações de consumidores sobre a ocorrência de flicker na região. FT é o Fator de Transferência que mede a atenuação de flicker ao se propagar pela rede desde o ponto onde existe a carga perturbadora (forno a arco. Valores típicos de FT são os seguintes: Fatores típicos de transferência de flicker Nível de tensão Vnom≥ 230 kV 69 kV≤Vnom<230 kV Vnom<69 kV 3. 3 e 4 para uma modulação senoidal de 0. A. Os resultados dessa medição mostram que tanto o nível de PST como de PLT ultrapassam o valor de 1pu durante quase 30% do tempo. que alimenta uma indústria siderúrgica com forno a arco de 50 MW. Os limites.9 Sinais nas saídas dos blocos 1.6pu/FT ou seja . admite-se violação durante 5% do respectivo tempo de observação.Deckmann e J. atualmente recomendados no Brasil. durante um determinado período de observação.

6. A. Formas de atenuar o efeito flicker A atenuação do efeito flicker exige capacidade de controlar dinamicamente o nível de tensão na presença das cargas variáveis responsáveis pelo fenômeno. DSCE – FEEC – UNICAMP 11 .11 Valores de PLT medidos durante 24 horas em instalação com forno a arco.M.Deckmann e J.15]. Compensadores estáticos como o CCTCapacitor Chaveado a Tiristores tem sido usados para garantir o fator de potência da carga variável. Reatores saturados também já foram empregados. enquanto o RCT-Reator Controlado por Tiristores têm sido a solução mais eficiente quando se trata de instalações com fornos a arco [4. uma vez que o espectro de flicker vai até 30 Hz. porém o seu uso aumenta o nível de perdas introduzidas no sistema [15].Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. Pomilio Figura 3. 3. Para isso utiliza-se normalmente compensadores reativos com capacidade de resposta em até meio ciclo de 60Hz.10 Valores de PST medidos durante 24 horas em instalação com forno a arco [14]. Figura 3.

apesar de terem fatores de baixo ganho quando comparados às lâmpadas incandescentes. um nível de curtocircuito no ponto de entrega da energia ao consumidor com pelo menos 50 vezes a capacidade da maior carga reativa a ser chaveada. S. devido a flutuações de tensão. que pode ser aproximada pela relação seguinte. Bergeron.M. induzindo flutuações controladas de tensão. contribuindo para atenuar o problema de regulação da tensão reduzindo com isso o nível de flicker [15]. Burch. Essa mesma expressão também pode ser usada para estimar a capacidade reativa do compensador a ser utilizado para atenuar as variações da tensão. E. Key. L. a resposta da lâmpada pode ser determinada usando um fotômetro.html 1 DSCE – FEEC – UNICAMP 12 . A. ou um fator de ganho superior à unidade. Ao controlar a magnitude e a freqüência das flutuações de tensão. dispõem de controle da tensão local através do reajuste da excitação. Scc corresponde à potência de curto-circuito local. a lâmpada é dita ter um efeito amplificador. baseada no equivalente de Thevenin do sistema no ponto de entrega.12 Variação do “Fator de ganho” para diferentes lâmpadas. O Centro de Aplicações de Eletrônica de Potência do EPRI1 realizou testes de cintilação em vários tipos de iluminação moderna. Observou-se durante estes testes a característica de amplificação da cintilação luminosa. T.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. Pomilio No caso de novas instalações industriais com cargas variáveis. 100 % = .org/groups/1453/drpaper. para se evitar problemas de flicker. Dessa forma se estará limitando a máxima variação da tensão local. Se a percentagem de variação de luz relativa é maior que a porcentagem de flutuação de tensão. Blooming. essas máquinas síncronas aumentam o nível de curto-circuito local. A Figura 3 mostra um exemplo de fator de ganho para lâmpadas incandescentes e fluorescentes. Testes adicionais mostram como inter-harmônicas (harmônicas não-inteiras) e mudança na fase de harmônicas na alimentação podem causar cintilação em lâmpadas fluorescentes. S.3) onde: ΔQc corresponde à variação reativa da carga. ou fator de ganho. acessível em http://grouper. R. Indústrias com geração própria ou com compensadores síncronos. R. ou seja: Δ Vc ≅ Δ Qc 1 . “Voltage and Lamp Flicker Issues: Should the IEEE Adopt the IEC Approach?”.Deckmann e J. T. ΔVc corresponde à variação porcentual da tensão. que em geral são usados para melhorar o fator de potência da instalação. F. Conrad. O fator de ganho é definido e calculado medindo mudanças relativas no nível de luz. deve-se prever já na fase de projeto do alimentador.100 % = 2 % Scc 50 (3. Figura 3.ieee. Mark Halpin. Além disso.

Flickermeter. "IEC 868 (1986). pela alteração no ângulo de disparo de uma ponte retificadora ou de um RCT. "IEC 868 Amendment 1 (1990). A. Pomilio As lâmpadas fluorescentes têm pouca inércia térmica e reagem mais rápido do que as incandescentes.13 Espectros e valor final de Sf para modulação em harmônicas (3%).13 mostra uma situação em que a componente fundamental permanece constante mas ocorre uma alteração na amplitude da 3ª e da 5ª harmônicas.M.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. A. No entanto. No entanto. Uma lâmpada fluorescente típica tem uma constante de tempo de menos de 5 ms. As variações na tensão CA ficam minimizadas. Deckmann: “Flicker produced by Harmonic Modulation”. Tais harmônicas estão dentro do limite das normas (3% da fundamental). April 2003. M. IEEE Trans. 387-392. 18. Pomilio and S. 2. no. DSCE – FEEC – UNICAMP 13 . Isto significa que outros fenômenos podem provocar a cintilação luminosa. por exemplo. A constante de tempo para uma lâmpada incandescente de 120 V é de cerca de 28 ms e para uma lâmpada de 230V é cerca de 19 ms. Bibliografia adicional J." Geneva. International Electrotechnical Commission. A figura 3. A razão é que o circuito eletrônico que alimenta o tudo de descarga é alimentado por uma tensão CC. vol. International Electrotechnical Commission. Functional and design specifications. Flickermeter. 1990. além da alteração na tensão da componente fundamental. produzindo flicker acima do limite tolerável." Geneva. Observe-se que o limite tolerável de sensação de flicker é ultrapassado. pp. o qual é influenciado pelas harmônicas e suas fases. como se observa na figura 3. o fator de amplificação é muito menor na lâmpada fluorescente. Functional and design specifications. 1986. este tipo de lâmpada se mostra mais sensível ao valor de pico da tensão CA. Sua variação pode ser causada. obtida da retificação da tensão da rede.Deckmann e J. Figura 3. on Power Delivery.12.

M. Part 3: Limits–Section 3: Limitation of voltage fluctuations and flicker in low-voltage supply systems for equipment with rated current ¾ 16 A per phase." Paris.html DSCE – FEEC – UNICAMP 14 . 1996. UIE. “The UIE Flickermeter Demystified”.org/groups/1453/drpaper. Bergeron. "Flicker Measurement and Evaluation. Paris. “International Recommendation for Universal Use of the UIE/IEC Flickermeter”. Burch. Paris. T.com/archive/1999/mayjune/McKim. UIE XIII Congress on Electricity Applications. F. Revised version (1992) available from L'Union Internationale pour les Applications de L'Electricité. Conrad. R. "IEC 1000-3-3 (1994).Deckmann e J. Pomilio International Electrotechnical Commission. et al.ce-mag. Key.html# S. Blooming. “Voltage and Lamp Flicker Issues: Should the IEEE Adopt the IEC Approach?”. International Electrotechnical Commission. Testing and measurement techniques—Section 15: Flickermeter—Functional and design specifications. A.Curso Avaliação da Qualidade da Energia Elétrica S. L. Mark Halpin. James McKim. S. 1986." Geneva. Sakulin M. acessível em http://grouper. T.. 1994. "IEC 61000-4-15 (1997)." Geneva. R.ieee. E. 1997. Acessível em http://www.