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Projeto Ser Humano

José Fernando Vital
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Espiritismo e Política

"Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos".
Deputado Dr. Adolfo Bezerra de Menezes

Espiritismo e Política
"Para nós, a política é a ciência de criar o bem de todos e nesse princípio nos firmaremos". Deputado Dr.

Adolfo Bezerra de Menezes
Há textos de diversos autores, pessoas esclarecidas com relação ao teor de obras espíritas, mas que, infelizmente, necessitam clarear posturas a respeito da ação dos Espíritas na sociedade. Esses autores, na defesa de que o movimento Espírita carece de participação política, sentem dificuldade para definir para a política sua ação social; estabelecem enganosamente em seus escritos, e com isso infiltram confusão de conduta, de que as Leis Morais Espíritas, inscritas em O Livro dos Espíritos e dissertadas por Kardec em O Evangelho, todas elas são leis políticas. Política é tema que tem exigido extraordinário debate. Desde Sócrates, Platão e se desenvolve por pensadores nas sucessivas eras de nossa história, discutem e oferecem reflexão sobre o que deve ser a Política. Uma coisa que nos chama a atenção, que nos toca a sensibilidade na leitura desses pontos de vista escritos por esses autores, é que as nações, as comunidades, onde vivem os homens precisam ser organizadas para que todos tenham acesso aos bens sociais; isto é, que todo o patrimônio amplo reunido socialmente seja disposto às necessidades e seja garantia de qualidade de vida para todos. Por isso, a afirmação de Bezerra de Menezes é primorosa e reúne, realmente, o que seja a política para o estudioso da Ética e da Moral Espíritas: “a ciência de criar o bem de todos”. Como vemos, caracterizando a

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Política como ciência, isto nos deve servir de aviso de que a Política tem métodos próprios, estabelece conhecimentos mui característicos à maneira de abordar a vida do indivíduo em sociedade, e descreve muito bem os aspectos de organização para as sociedades humanas. O homem age socialmente independentemente de seu posicionamento como estudante ou praticante de uma ciência, de uma filosofia ou de uma religião. Ao olhar do Psicólogo ou Psiquiatra, o homem é sujeito emocional, psíquico; aos olhos do Cientista Econômico, o homem é um produtor de riquezas e consumidor delas; para um Educador o homem é um ser que carrega potenciais para aprender e que ensina também; para um Espírita o homem é um Espírito encarnado. A manifestação do homem é integral, e da mesma forma aciona em todas essas segmentações e satisfazendo a todos esses observadores as mesmas leis da Matéria e as relativas à Vida Espiritual. Por isso, devemos entender também que a Política tem propósitos próprios, ela é aspecto do homem e da sociedade que se acrescenta ao estudo desse homem e à maneira como as comunidades sociais que ele forma devem ser lidadas e organizadas. Participar da sociedade como político é opção que o cidadão tem, dentre as demais participações obrigatórias em outras dimensões da vida social, como pensador, como cientista e também como religioso. O homem não se desliga de sua história, de seus laços sociais para tornar-se ativista político. Faz isso em nome do perfil que o constitui.

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Política e Espiritismo

A Política, a Economia, a Família, a Medicina, o Artesanato, e todas as atividades que se fundam nas ocupações de que carece a vida humana requisitam para sua realização social referencial que lhe dê estrutura ética de uma Doutrina. Enquanto que a moral, se entende, é relativa às ações práticas Bem e Mal intencionadas, isto é, as práticas de cada indivíduo repercutem na vida social de forma benéfica ao bem comum ou trazendo transtornos e lesões. O Mal e o Bem podem ser materializados em nome da intenções formuladas ao sabor da condução informal das ferramentas sociais por si mesmas, na Política, Medicina, Economia, nos Serviços; nesse modo resultam ações intencionadas mas competentes ou desastrosas, por pessoas não conscientes das repercussões das próprias ações no seio da comunidade. Podemos agir promovendo o mal estar social embora com as melhores intenções, se agimos de forma improvisada e sob a inspiração do senso-comum, sem a devida formação de competências que as ciências humanas e exatas nos oferecem.

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Deus, em sua infinita bondade e persistência nos oferecendo oportunidades renovadas para os ajustes devidos nessa manifestação de nossas formações íntimas, transforma o mal constituído em benefícios, porque cada experiência de vida estimula em nós o uso de virtudes, de especialidades que devemos adquirir para transformar as repercussões do mal em benefícios de todos. Pagar o mal com o bem. Contudo, isso não nos isenta, muito ao contrário, do compromisso de nos prepararmos para agir no estabelecimento do bem comum, com consciência, determinação e competência. É, pois, garantia de sucesso ao Político Espírita que associe à sua ação política a ética cristã descrita pelo Espiritismo com alta clareza; ela descreve os desdobramentos da atividade política no conjunto da sociedade de agora, e para a vivência de seus mandamentos nas comunidades prometidas por Jesus.

A Política com o Espiritismo

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Como qualquer outra ferramenta prá nossa ação social, a Política é uma caixa neutra de instrumentos oferecendo possibilidades de variadas ações sociais, para intervenções na sociedade, na condução dessa organização das atividades e negócios sociais muito necessária, e nos dias atuais, até mesmo, urgente. Do ponto de vista espiritual, a política é organização estratégica dos negócios humanos possibilitando que transitemos para a sociedade de Regeneração, tão propalada e aguardada. O Espiritismo, com as explicações éticas que propõe, contidas especialmente em O Livro dos Espíritos, e com sua sugestão de conduta, indicação de caminhos, em O Evangelho, Segundo o Espiritismo, real e verdadeiro Manual de Conduta Cristã, oferece ao estudo da Política e à ação Política, a qualidade Ética e Moral de que deve se revestir essa atividade humana em sociedade. Criar e liberar o acesso de pessoas, de entidades, ao patrimônio da comunidade, incentivando a educação, a cultura, o atendimento às necessidades de progresso de cada um e da sociedade como um todo, torna-se algo, em nossa sociedade hoje, impossível de ser realizado sem a devida qualificação ética e moral do político. Nossa comunidade, pelo menos aqui no Ocidente, já está infiltrada com as ideias e os ideais cristãos, trazidos e explicados por Jesus, como sendo nosso caminho como seres humanos, aqui e na vida como Espíritos que somos. Não se torna mais possível ignorar os incentivos Cristãos para a qualificação de nossas ações políticas dentro de nossa sociedade. Quem, pois, pode estar com maior competência para agir politicamente e realizar essa comunidade cristã do que aquele que aderiu às concepções do Cristianismo? E

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quem se perfila como cristão em todas as suas ações práticas como indivíduos sociais que somos?

O Espiritismo Político

O Espírita, representando o Espiritismo esclarecido pode esculpir os laços políticos em nossa comunidade. Não podemos usar a expressão "deve", porque sabemos que cada atividade em que o ser humano se entretém exige pessoas qualificadas e sensíveis. Não estamos todos prontos a participar e ter sucesso em qualquer coisa. Como Espíritos, temos tendências e afinidades, preferimos umas coisas do que outras, temos maior facilidade em certos campos de ação e não em outros. E a Política torna-se mais uma possibilidade para cada um de nós. Lembrando-nos de que, conforme nos alerta a expressão cristã de que "o amor sem obras, sem a caridade, é morto", podemos também dizer que a Política apenas baseada na intenção de fazer o bem, é inativa,

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obsoleta. Prá ativarmos a Política na condução cristã do mundo é preciso desenvolver um conjunto de atividades. Começa no estabelecimento de compromissos pessoais, com a melhoria da sociedade dos homens onde vivemos. Em seguida, chegamos ao período da eleição dos representantes ideais para a realização desses compromissos, dentro dessa nossa alegação cristã pro nosso desenvolvimento social e político. Realizados esses dois procedimentos, estabelecidas condições e pessoas que vão agir politicamente, chegamos à fase do trabalho persistente e consciente de construirmos os caminhos para que pessoas e entidades tenham acesso aos bens patrimoniais da comunidade; que sejam socialmente distribuídos. Leis e procedimentos burocráticos devem ser estabelecidos, para que distribuam igualmente a todos conforme as necessidades diversificadas de cada indivíduo e de cada entidade. Finalmente, às vésperas de período seguinte do processo eleitoral, é chegada a hora não somente para as campanhas dos candidatos, mas a hora das avaliações, dos julgamentos, a respeito do sucesso das intenções e dos procedimentos escolhidos e executados no período legislativo anterior. E o ciclo se renova a cada procedimento eleitoral. Portanto, caminhar com o Espiritismo, com esse Cristianismo atualizado, significa atuação competente, dedicada, na construção do bem comum. Política e Espiritismo devem ter propósitos harmônicos, porque sintonizam com a mesma Lei Maior: pelo Cristianismo amamos a todos, através da Política fazemos a distribuição dessa providência amorosa sem a negar a quem quer que seja. Amor e justiça no equilíbrio perfeito.

Fim

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