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HERMENÊUTICA JURÍDICA

Prof. Luís Rodolfo de Souza Dantas

Todo S deve ser P Segundo a fórmula acima de Kelsen, qualquer conteúdo pode ser introduzido nela. Kelsen tentou uma matemática do Direito. Lógica do Razoável (do mexicano Siches) Realiza uma flexibilização do método hermenêutico. Para Siches, todos os métodos podem ser adequados. Bibliografia: Hermenêutica e Aplicação do Direito; Carlos Maximiliano; Ed. Forense. 2 provas com 3 a 4 questões dissertativas 4 trabalhos a serem incluídos como nota de participação (até 1 ponto a mais na nota da prova).

15/02 Percurso Histórico da Hermenêutica I. Considerações Iniciais II. A Hermenêutica Teológica III. Platão, Aristóteles e a Hermenêutica I. Considerações Iniciais Hermenêutica é a ciência da interpretação. A percepção que a interpretação poderia se tornar objeto de uma ciência é moderno. A interpretação é o objeto da Hermenêutica. Hermenêutica é uma palavra de origem grega. Vem de Hermes, um deus grego. Interpretação é uma palavra de origem latina, vem de “interprés”, que significa extração. Interpretar é extrair o sentido, definir sua verdade. Daí vem que Hermenêutica Jurídica é a ciência de interpretação jurídica. II. A Hermenêutica Teológica

“Peri Hermenéias” é o outro órganon. Escolher 1 dos seguintes temas: • Hermenêutica Constitucional e Jurisprudência do STF (3 casos já está bom) . Afirma a existência de um mundo só em que existem aparência e essência. autoridade hermenêutica muito importante. Santo Agostinho vai conciliar estas duas formas de interpretação. Platão vai preconizar novas vias de conhecimento da verdade. Permitiu conhecer a bíblia por per si. e não no mundo da essência. Ela influenciou o pensamento cristão. A Hermenêutica Protestante pode ser considerada moderna. São Tomás de Aquino recepciona o método lógico-??????? de Aristóteles. A escola de Antioquia pregava a interpretação literal dos textos da bíblia. conceito e objeto.A Hermenêutica Teológica começa a se definir com a Hermenêutica Judaica. Em “Categorias” ele faz um estudo de conceitos. III. mas a maior parte delas requer interpretação para se chegar ao que o legislador pretendia. Esses religiosos se concentravam em duas escolas: de Antioquia e de Alexandria. Tratava-se da interpretação dos livros do judaísmo. fica evidente que a interpretação é um procedimento secundário. propunha o método de interpretação simbólico-alegórico da bíblia. Para Platão. Os escribas fixaram a forma escrita onde predominava a tradição oral. verdade e ilusão. A igreja protestante de Lutero está calcada em dois princípios. Na norma jurídica existem leis que permitem a interpretação literal. Aristóteles rompeu com o Platonismo em determinado momento. por si mesmo. os ????????. objeto é composto por conceitos) 22/02 Entregar dia 08/03 fichamento dos tópicos Introdução até Amplas Atribuições do Direito Moderno do livro. de aparência. Aristóteles faz distinção entre palavra. termo. O platonismo foi fundamental para Santo Agostinho interpretar a bíblia. pois está num mundo ilusório. A escola de Alexandria. no âmbito da teologia judaica. O Princípio da “Sola Scriptura” determina que a bíblia é a única referência textual. Passaram a ser. em especial da torá. conceito é representado por termos. Prova dia 26/04 Trabalho a ser entregue no dia da prova final. a interpretação dos livros sagrados era mais próxima dos fiéis. A Hermenêutica Cristã começa a tomar forma com os primeiros filósofos do Cristianismo. Platão. É o primeiro filósofo a sistematizar a lógica. Aristóteles e a Hermenêutica A Filosofia vai ter uma importância total para a Hermenêutica. (termo é composto de palavras. O Princípio do Livre Exame foi revolucionário. sobretudo no Diálogo Crátilo. fortemente influenciada pela cultura grega. Ele injeta o racionalismo na interpretação das escrituras.

servem de referência até hoje para os operadores do Direito. . Alguns jurisprudentes (ou jurisconsultos) foram Cícero. não necessitaria de alterações. O apogeu da cultura jurídica romana foi no século VI. fundamentais (glos é voz. suas lições de sabedoria jurídica. Em Pádua surgiu a idéia revolucionária que as normas precisavam de atualização para a realidade atual. que representa a crença que. eles continuavam julgando. XVI. Hermenêutica na Roma Antiga Os brocardos são os produtos da cultura jurídica da Roma Antiga. A “interpretatio” (interpretação) está vinculada à “Aequitas” (equidade).• • • Lógica do Razoável e Hermenêutica Jurídica Interpretação e Aplicação do Direito: Análise de Casos Concretos (3 casos já está bom) Escolas de Pensamento Jurídico e Hermenêutica Jurídica IV. Glossadores: método literal de interpretação. O trabalho deles era de interpretação literal das normas do Corpus Juris Civilis (apelo rigoroso ao aspecto literal-gramatical da obra). A “Aequitas” no direito romano é para a justiça em geral. Os jurisconsultos fizeram evoluir a interpretação platônica ou aristotélica para a interpretação jurídica. Os doutrinadores da Roma antiga eram frequentemente convocados para se pronunciar sobre determinadas questões. Os glossadores. A Itália é o principal palco dos glossadores e comentadores. Esta foi a primeira grande contribuição dos jurisconsultos romanos. As glossas passaram a ocupar volumes inteiros. Seus brocardos. Eles ocuparam o Tribunal dos Mortos. Criou um método de estudo e ensino do Direito. com Justiniano. Esse trabalho de verificação da “Aequitas” era realizado pelos “juris prudentes” (jurisprudentes). Além disso acharam que o Corpus era uma obra definitiva. As glossas eram a exegese dos glossadores). XIII que criou a escola de Direito. Para eles a interpretação voltava-se não apenas para textos teóricos. Séc. mesmo depois de mortos. Os glossadores passaram a reeditar glossas que tinham sido utilizadas anteriormente. XII e XIII Pós-glossadores (ou comentadores): metodologia de compreensão do Direito influenciou a Europa até o séc. O Corpus se tornou importante para o estudo do Direito e as glossas. Quintiliano e Ulpiano. Exemplos de brocardos: • “Dai-me os fatos e eu lhes darei o Direito” • “O direito não socorre a quem dorme” 01/03 Irnério era um glossador do séc. efetivamente criaram um Corpus. Os glossadores não foram criativos em termos de hermenêutica. mas também à solução concreta de litígios. A deusa romana tem os olhos fechados para mostrar a imparcialidade. Essa diferença de mentalidade em relação à cultura grega fica marcada na representação da deusa da justiça. quando resgataram a obra de Justiniano.

trabalho este que se destinava a auxiliar os estudiosos e os magistrados na aplicação do Direito. de nome Irnério. elaborou a obra chamada “Glossa Ordinária”. De fato. De outro modo registremos que os glossadores. De início foram um trabalho de exegese literal dos textos do CJC. como a hermenêutica filológica. as glossas passaram a ocupar títulos inteiros em face da complexidade e extensão destas. outro importante glossador. aspectos que os tornaram quase co-autores da obra de Justiniano. Acúrsio.O patrimônio jurídico compilado à época de Justiniano (séc. tais como o Direito Canônico. os costumes e direitos próprios de diversos povos e comunidades. Quando a interpretação do texto visa a origem do texto e o contexto histórico em que ele se insere temos uma compreensão genética. os glossadores julgavam o CJC uma obra perfeita e definitiva. principalmente por levar em conta outras fontes. que demonstra que. O primeiro é Friedrich Scheleirmacher (chamaremos de S. Compreensão Genética: a compreensão de um texto pode se dar em dois sentidos. Até então a hermenêutica estava presa a setores. As glossas eram interpretações feitas pelos juristas ao CJC. com o passar do tempo. com a afirmação do Direito como um saber autônomo passível de ser conhecido e utilizado independentemente da ética e da retórica. Cria o método de compreensão genética. etc. Neste sentido os glossadores desenvolvem um novo método de ensino e estudo do Direito pautado no CJC. deram uma nova organização e estrutura ao CJC. De alguma maneira é o pai da hermenêutica. Outra contribuição dos comentadores foi a de revelar princípios gerais de Direito a fim de aplicá-los a problemas concretos de seu tempo. Tentou criar uma hermenêutica geral. A partir do séc. ou bartolistas). tornou o estudo jurídico autônomo e realizou estudos exaustivos do CJC. O que fez foi criar uma teoria geral como interpretação ou compreensão. XIII os comentadores irão sustentar outras abordagens hermenêuticas do CJC. VI) corria um sério risco de desaparecer se não fosse o trabalho de coleta de diversos textos esparsos desenvolvido pelos glossadores para a composição de um único compêndio que rigorosamente é o CJC (Corpus Juris civilis). Para que um texto seja bem compreendido é . Hermenêutica Contemporânea No século XIX notamos a presença de pensadores fundamentais.). A extrema reverência dos glossadores ao CJC de certo modo tolheu (impediu) a liberdade hermenêutica que encontraria guarida na escola dos comentadores (ou pós-glossadores. reunidos sobretudo na Faculdade de Direito de Bolonha. S. será o precursor que a cultura condiciona. hermenêutica bíblica. É um teólogo protestante. 08/03 V. O primeiro glossador. desenvolvendo preceitos que davam mais amplitude à interpretação jurídica.

a sociedade e os processos históricos são aspectos de uma psicologia geral). As ciências do espírito tratam da vida humana. o Direito. 15/03 Wilhelm Dilthey (séc. para que se compreenda a individualidade daquele que fala ou escreve há que se retroceder à gênese das idéias. De fato. a sociologia. Por outro lado a ênfase na compreensão de produtos mentais individuais trouxa à tona uma nova preocupação: a hermenêutica psicológica (a psicologia no caso é aquela que se relaciona a constatação de que a mente. a interpretação e a compreensão deveriam enfocar o porquê de certas idéias serem expressas de determinada maneira e não de outra. o homem é o objeto. nesse sentido. expresso de uma forma particular em um momento particular. Círculo Hermenêutico: quando se lê um texto. O cientista da natureza utiliza o método analítico-esclarecedor. Compreensão Psicológica: o produtor do texto está inserido em uma psicologia mais coletiva. uma determinada frase não deve ser compreendida isoladamente. . Uma outra importante contribuição de Dilthey é a afirmação de que tanto o mundo externo afeta o conteúdo de nossa mente quanto é afetado por ela. etc. O passado é o nosso principal foco como promotor. estão marcadas pelo fato de se referirem à vida humana. que se distinguem por um método analítico-esclarecedor (as primeiras) e por um procedimento de compreensão descritiva (as segundas). Para S. A principal contribuição de Dilthey foi em busca da cientificidade da história. implicando uma relação mais estreita ou próxima entre sujeito cognoscente e objeto de conhecimento. De outro modo. temos que reconhecer que as ciências do espírito. De fato Savigny. mas sim a individualização do que é escrito e dito como pensamento de uma pessoa em particular. O texto se compreende na compreensão de outros textos. uma dimensão psicológica. Estabelece pela primeira vez uma distinção entre ciências da natureza e ciências do espírito. o foco da compreensão não é a validade do que é escrito ou dito. situa o autor em um ambiente psicológico mais abrangente.. Reconhece que o próprio juiz. em que a cultura desempenha um papel fundamental. Neste sentido foi o primeiro pensador a estabelecer a distinção entre ciências da natureza e ciências do espírito. Tanto S.importante remetê-lo ao sujeito que o produziu. o próprio magistrado é um historiador. o principal representante da Escola Histórica do Direito. por meio da chamada compreensão genética. quanto Dilthey serão fundamentais para a Hermenêutica Jurídica. Está percebendo pela primeira vez que esse sujeito é dotado de uma psique. XIX) é outro pensador fundamental. a englobar a história. Neste sentido. advogado. Dilthey foi um pensador fundamental para a Hermenêutica ao buscar a demonstração de como a experiência histórica pode tornar-se ciência. cumpre reter a verdade de que compreensão é diferente de esclarecimento e.

.desenvolverá o método histórico-crítico de interpretação a partir das idéias destes filósofos.

22/03 Interpretação Jurídica (elementos) a. mas sim conhecer a sua força e o seu poder” b. Revelar o sentido ou sentidos da norma jurídica Celso (jurista da Roma antiga): “Saber as leis não é conhecer-lhes as palavras.Definições de interpretação Jurídica Interpretar é fixas o verdadeiro sentido e alcance da norma jurídica. Interpretação Jurídica é aprender ou compreender os sentidos implícitos das normas jurídicas (Luiz Eduardo Nierta). 1ª razão: O conceito de clareza é extremamente subjetivo e relativo: o que parece claro para alguém pode ser obscuro para outra pessoa. Hermenêutica Jurídica é a teoria científica da arte de interpretar. 2ª razão: Uma palavra pode ser clara de acordo com a linguagem comum e ter. Norma jurídica A interpretação jurídica se volta para a norma jurídica. Norma jurídica é um conceito amplo. c. no entanto. III.Da Hermenêutica Jurídica e da Interpretação Jurídica I. os itens de um contrato.Definições de Hermenêutica Jurídica Carlos Maximiliano: Hermenêutica é a teoria científica da arte de interpretar. os costumes. Fixar o seu alcance Determinar o seu alcance.Necessidade da Interpretação A necessidade da interpretação das normas jurídicas inclui as normas claras (mesmo que seja simplesmente para confirmar que a norma é clara). um significado específico ou técnico diferente do seu sentido vulgar. Interpretação Jurídica é indagar a vontade atual da norma jurídica e fixar o seu campo de incidência (João Batista Herkenhoff). (subsunção: enquadramento do Direito ao caso concreto) II. contudo não se deve descurar de sua interpretação”. Interpretar a lei é revelar o pensamento que anima as suas palavras (Clóvis Bevilacqua). . Ulpiano: “Embora claríssimo o edito do pretor. aplicar e integrar o Direito. a que categoria a norma se dirige. pode ser uma lei.

Interpretação Doutrinária: é aquela realizada cientificamente pelos doutrinadores e juristas em suas obras e pareceres.484. súmulas (vinculantes ou não). Interpretação Administrativa: é aquela cuja fonte elaboradora é a própria administração pública direta ou indireta por meio de seus órgãos mediante pareceres.1) Quanto à Origem • Autêntica • Judicial • Administrativa • Doutrinária IV. Obs: Sentidos da Jurisprudência: 1. circulares. despachos. Ciência do Direito . 29/03 IV. 1º da lei 4.334/67 aclara o art.3ª razão: No caso brasileiro.3) Quanto aos Resultados • Extensiva • Restritiva • Declarativa ou Especificadora Quanto à Origem Interpretação Autêntica: é a interpretação que emana do próprio poder que produziu o ato normativo e cujo sentido e alcance ele mesmo declara por meio de outro ato normativo.2) Quanto à Natureza • Literal ou Gramatical • Lógico-Sistemática • Histórica • Teleológica IV. IV. acórdãos. portarias. o art.Espécies de Interpretação • A interpretação jurídica. 5º da lei de introdução ao código civil repele o brocardo de que na clareza cessa a interpretação pelo fato deste artigo determinar que toda e qualquer aplicação das leis devem conformar-se “aos fins sociais e às exigências do bem comum”. Decisão individual do magistrado 2. Ex: lei 5. é classificada de acordo com os seguintes critérios: origem. decisões. natureza e resultados. Interpretação Judicial: é a interpretação resultante das decisões prolatadas pela justiça por meio de sentenças. tradicionalmente.

Conjunto reiterado de decisões uniformes dos tribunais superiores. É muito utilizada. Quanto à Natureza Interpretação Literal ou Gramatical: é a exegese literal. contra legem e jurisprudência sentimental. Ex: o inciso VII só pode ser devidamente compreendido a partir do caput. mas que se encontram virtualmente nela incluída. tem caráter normativo.3. Interpretação Teleológica: busca o fim que a norma jurídica tenciona servir ou tutelar. Súmula vinculante: enunciado normativo que passa a vigorar. É calcada no pé da letra. Interpretação Lógico-Sistemática: é aquela que busca descobrir o sentido e o alcance da norma situando-a no conjunto do sistema jurídico. fichamento de Lições Preliminares de Direito. Decisões distintas dos tribunais superiores 4. Para 17 de Maio. . ler e estudar os tópicos de “Fiat Justiça” até analogia. 19/04 Matéria da prova Livro: de introdução até apreciação do resultado (inclusive). Súmula: é o enunciado normativo. Toma como ponto de partida o significado e alcance de cada palavra da norma jurídica. irá aplicá-la a situações não previstas expressamente em sua letra. Para 03 de Maio. É o assentamento da compreensão das decisões dos tribunais. alargando o campo de incidência da norma. Interpretação Histórica: A interpretação histórica indaga acerca das condições de meio e de momento da elaboração da norma jurídica. Para 31 de Maio. leitura (sem fichamento) do livro Hermenêutica Jurídica em Crise. Nesse caso afirmase que o legislador escreveu menos do que queria dizer (“minus scripsit quam voluit”). Quanto aos Resultados Interpretação Extensiva: é aquela em que o intérprete conclui que o alcance da norma é mais amplo do que indicam os seus termos. Busca compreendê-la como parte integrante de um todo em conexão com normas jurídicas e/ou princípios que com ela se articulam logicamente. bem como de causas pretéritas da solução dada pelo legislador (origo legis e occasio legis). Excluir juiz inglês. O intérprete.

Texto na xerox do DA sobre lógica do razoável. Interpretação Estrita ou Declarativa ou Especificadora : é aquela que se limita a declarar ou esclarecer o pensamento expresso na norma jurídica sem estendê-la nem restringi-la em acepções e alcance. Exemplo de proposição categórica: a bola é redonda. 10/05 Lógica Jurídica Princípio da Identidade: o que é. lei do inquilinato (nu proprietário não pode pedir o prédio para uso próprio). O melhor intérprete do Direito é aquele que consegue trabalhar com todas as técnicas de interpretação. Analogia é raciocínio importantíssimo e é uma forma de indução. Julgar é estabelecer uma relação entre o predicado e o sujeito. 5º XII (todas as demais formas de comunicação também podem ser violadas com determinação judicial). dada uma determinada relação lógica entre premissas verdadeiras. Ex: CF art. Hermenêutica plural: não há apenas 1 método de interpretação que se sobreponha sobre os demais. eliminando o intérprete desta maneira a amplitude das palavras.Interpretação Restritiva: é aquela em que o intérprete restringe o sentido da norma ou limita sua incidência. todos os métodos são válidos. para concluir que o legislador escreveu mais do que queria escrever (“plus scripsit quam voluit”). Dedução são raciocínios tais em que. Ex: normas tributárias. É aquela em que o intérprete conclui que as palavras da lei expressam de forma exata o espírito da lei. é Temos a faculdade de conceber porque somos todos sujeitos de (objetivar os conceitos) Proposição categórica pode ser verdadeira ou falsa. . deduz-se uma verdade decorrente.

Esta escola negava valor aos costumes e repudiava a atividade criativa da jurisprudência. A indução tem um caráter errático. Escola Tridimensional. diante de situação não prevista em lei.. Escola Analítica da Jurisprudência. de tal maneira a sustentar que o intérprete seria sempre capaz de encontrar na lei soluções para todas as situações jurídicas. Escola Histórico-Evolutiva. Analogia é um argumento persuasivo. Escola Sociológica Americana.... 17/05 3) Escola dos Pandectistas É uma escola germânica que esteve diretamente comprometida com o resgate do Direito Romano. Escola Vitalista do Direito. atrelavam a interpretação jurídica ao método literal-gramatical para que o juiz. 1) Introdução Algumas escolas de pensamento jurídico e suas relações com a hermenêutica jurídica Classificação de João Batista Herkenhoff • Escolas de estrito legalismo ou dogmatismo (Escola de Exegese. a interpretação literal garantiria a submissão do juiz à vontade da lei do legislador e do poder legislativo). sustentava que o magistrado. Escola Teleológica. a preconizar que o direito era revelado pelas leis e somente por elas (ao defender a lei escrita como única fonte do Direito.) 2) Escola da Exegese Esta escola está fundada no dogma da perfeição do sistema normativo. Escola dos Pandectistas. sobretudo do código civil de 1804. Analogia/indução não pode ser usada no julgamento penal.) • Escolas de reação ao estrito legalismo ou dogmatismo (Escola Histõrica.. pois ela gera dúvidas e. Constituída pelos comentadores dos códigos de Napoleão. Ex: choveu ontem. possuem probabilidade.) • Escolas que se abrem a uma interpretação mais livre (Escola da Livre Pesquisa Científica. Importa dizer que a escola leva este nome por causa das pandectas. Neste sentido. logo. São entendidos como argumentos retóricos.... Escola do Direito Livre.A indução e a analogia são raciocínios que não apresentam a certeza que a dedução apresenta. não se tornasse um agente violador do princípio da separação dos poderes. mas não certeza. que constituem a segunda parte do CJC. na dúvida. . mas ela permite que o conhecimento humano avance. irá chover amanhã. choveu ontem e choveu anteontem. que é constituído por normas de Direito Civil e comentários de jurisconsultos. Escola da Jurisprudência de Interesses. criando um sistema dogmático de normas com a utilização dos institutos de Direito Romano como modelo. devia abster-se de julgar. pró réu. em sua função estritamente declaratória..

O magistrado pode julgar “praeter legem”. 5º da LICC reflete o pensamento de Jhering (fins sociais/bem comum). Reconhecem os costumes como fonte do Direito desde que devidamente formalizadas nas decisões dos tribunais. “A insuficiência dos procedimentos racionais é suprida pela intuição”. Os métodos da Escola Teleológica não são incompatíveis com os da Escola Histórico-Evolutiva. Gabriel Saleirler é o principal representante da Escola Histórico-Evolutiva. Desde o momento da produção legislativa até o embate processual tem o caráter de luta. dentro (“praeter legem”) ou fora (“contra legem”) da lei. . A Escola Histórico-Dogmática foi encabeçada por Savigny. o Direito é composto pelo dado e pelo construído.4) Escola Analítica da Jurisprudência É uma escola inglesa que teve como principal nome John Austin.). Criou as bases da interpretação sistemática. Nasce na Alemanha e se desdobra em Escola Histórica dogmática e Escola Histórico-Evolutiva. A principal contribuição é defender a função criativa do magistrado para que o Direito acompanhe as modificações sociais. Para ele. Na vertente moderada. prevaleceria os interesses do povo. A tendência moderada é encabeçada por François Geny. o juiz teria liberdade para decidir. A tendência extremada é encabeçada por Herman Kantorowicz. Kantorowicz afirmava que o método da livre pesquisa deveria conduzir o juiz ao direito justo. 5) Escola Histórica Savigny foi o principal nome. O fim social da norma é fixado por elas em primeiro plano. 7) Escola da Livre Pesquisa Científica Apresenta a tendência extremada e a tendência moderada. O que interessa é o exame da norma como uma realidade formal. após aplicar todos os recursos (analogia. pois ambos estão preocupados com o fim da lei. O que interessa para nós é obedecer a norma. as características contrastam com as da vertente extremada. o Direito é luta. etc. costumes. O art. ou seja. Analítico é nome usado por Aristóteles para a lógica. Na vertente extremada. Pregava que deviam interpretar o código civil de forma evolutiva. Estaríamos sob o pleno domínio do arbítrio do intérprete. 24/05 6) Escola Teleológica Tem como principal representante Rudolph Jhering. Pela Escola Histórica. Proclamava a historicidade do Direito. se a lei colidisse com os interesses do povo (volkgeist). Para Geny. uma realidade vazia.

o bom juiz. que é uma perspectiva hermenêutica impregnada de critérios valorativos e que supera a pluralidade de métodos de interpretação. Tanto para a Escola do Direito Livre quanto para a Escola da Livre Pesquisa Científica. tem respaldo no âmbito social. de Claude Lévi Strauss. a lei não é a única referência. Siches ) O Direito não é um fenômeno de natureza física. que na medida em que esteja vigente é revivida de modo atual pelas pessoas que a cumprem e pelas pessoas que a aplicam e que ao ser revivida deve experimentar modificação para ajustar-se às novas realidades em que é revivida e para as quais é revivida. · a natureza axiológica do ato interpretativo. sim. o juiz é um legislador no caso concreto. Thierry Mugnaud. Assim. mas é.8) Escola do Direito Livre Segundo seus adeptos. · a destinação ética do processo hermenêutico. em que se nega o plurativismo das escolas e valoriza-se a integração. que conceitua: · a unidade do processo hermenêutico. era desta escola. tem como base a Hermenêutica Jurídica Trimensional. respectivamente. “a norma jurídica é um pedaço de vida objetivado”. a hermenêutica deve sempre contribuir para a unidade do ordenamento. 10) Escola Tridimensional do Direito (Miguel Reale) Direito é fato. . pois em cada caso o juiz deve interpretar a lei conforme o método que o leve à solução mais justa e satisfatória. axiológico e no ordenamento jurídico. e não entrar em conflito com o mesmo. · a limitação do processo hermenêutico pelos modelos jurídicos positivos. · a integração do ato interpretativo ao contexto global do ordenamento. a variação das circunstâncias no tempo. temos agora uma hermenêutica pluralística. A norma deve ser interpretada considerando-se a razão histórica. Kantorowicz também foi nome desta escola. ou seja. · a interpretação condicionada às mudanças históricas do sistema. Para Siches. para adaptar sempre a lei ao caso concreto visando sempre o bem comum e o interesse público. Portanto. o caso concreto. · a compreensão da interpretação como elemento constitutivo da visão global do mundo e da vida. um fato histórico. Reale. psíquica ou só de valoração. Ele também fala que a prática do Direito exige a “Lógica do Razoável”. · a natureza racional e razoável da interpretação jurídica. 31/05 9) Escola Vitalista do Direito ( Luís R. os magistrados devem ter uma visão de mundo (Veltan Shawung) bastante abrangente. além de Rudolph Stammler. valor e norma.