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UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Talita Cristina da Silva Santos

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL E SUA RECEPÇÃO NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA

TAUBATÉ – SP 2006

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UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Talita Cristina da Silva Santos

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL E SUA RECEPÇÃO NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA

Monografia apresentada para obtenção do Certificado de Especialização pelo Curso Direito Público do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade de Taubaté. Área de Concentração: Direito Internacional dos Direitos Humanos. Orientador: Prof. Antonio Benedito do Nascimento.

TAUBATÉ – SP 2006

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TALITA CRISTINA DA SILVA SANTOS TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL E SUA RECEPÇÃO NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA

Monografia apresentada para obtenção do Certificado de Especialização pelo Curso Direito Público do Departamento de Ciências Jurídicas da Universidade de Taubaté. Área de Concentração: Direito Internacional dos Direitos Humanos. Orientador: Prof. Antonio Benedito do Nascimento.

Data: ____________________ Resultado: ________________

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. ______________________ Universidade de Taubaté Assinatura _____________________ Prof. Dr. _______________________ Universidade __________________ Assinatura _____________________ Prof. Dr. _______________________ Universidade _________________ Assinatura _____________________ Prof. Dr. _______________________ Universidade __________________ Assinatura _____________________ Prof. Dr. _______________________ Universidade __________________ Assinatura _____________________

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Dedico a minha querida família e aos meus amigos que muito me ajudaram e foram privados de minha companhia em prol da realização desta monografia.

ao meu orientador Prof. experiência e conhecimento. Lucas. que me transmitiu incentivo. e aos queridos amigos Carlos. Eulália. Leandro. Erica. pela força e inspiração para realizar este trabalho. . Fernando e Débora pelo incentivo. Antonio Benedito do Nascimento. ajuda e convívio reconfortante. Alessandra.5 Agradeço a Deus e a Nossa Senhora. eterno mestre.

” George Bernard Shaw . conforme o metal de que somos feitos.6 “A vida é uma pedra de amolar: desgasta-nos ou afia-nos.

de 8 de Dezembro de 2004. que realiza uma antiga aspiração da comunidade internacional. o princípio da complementaridade e a regra da responsabilidade penal internacional dos indivíduos. mediante a análise do processo de ratificação e aprovação do Estatuto de Roma no ordenamento constitucional brasileiro. Finalmente. a sua entrada em vigor. bem como analisa-se a relevância do TPI para proteção internacional dos Direitos Humanos. contribuindo para um melhor entendimento da importância do tema proposto para a humanidade. Posteriormente examina-se a recepção do TPI na Constituição Brasileira. analisa-se a Emenda Constitucional nº45. Prosseguindo-se é analisado a estrutura e o funcionamento do TPI. examina-se a criação do TPI. bem como sua composição. é apresentado o período de pré – TPI. da coisa julgada. onde é feita uma breve introdução histórica.7 RESUMO Trata-se de monografia que tem por objetivo analisar o Tribunal Penal Internacional e a sua recepção na Constituição Brasileira. Em seguida. Com esta monografia busca-se contribuir para que o TPI. o processo perante o Tribunal e as penas aplicáveis pelo Tribunal. possa efetivamente cumprir a sua missão de proteger os direitos humanos contra as violações mais graves. sobre antes e depois da Segunda Guerra Mundial e são analisados e discutidos os Tribunais Militares Internacionais de Nuremberg e de Tóquio. Para tanto. Palavras-chave: Tribunal Penal Internacional – Estatuto de Roma – Direito Constitucional Brasileiro. da prisão perpétua e a imprescritibilidade de crimes e da extradição de indivíduos. tendo em vista a inserção de importantes e inéditos tópicos sobre o TPI no ordenamento constitucional brasileiro. . bem como os Tribunais Penais Internacionais para a Ex-Iuguslávia e para Ruanda. com vigência a partir de 31 de dezembro. a impossibilidade de reservas ao Estatuto de Roma. sua competência.

For in such a way. the period of daily pay . as well as its composition. it is analyzed the Constitutional Amendment nº45. of the judged thing. Later it is examined reception of the ICC in the Brazilian Constitution. 31. ruling from December. With this monograph one searchs to contribute so that the ICC. on before and after the Second World War I and they are analyzed and argued International the Military Courts of Nuremberg and Tokyo.ICC is presented. by means of the analysis of the process of ratification and approval of the Statute of Rome in the Brazilian constitutional order. . 2004. that carries through one old aspiration of the international community. 2004 regarding the introduction of important and original topics concerning ICC on the Brazilian constitutional regulation. contributing for one better agreement of the importance of the subject considered for the humanity. 8.8 ABSTRACT Is about monograph that has for objective to analyze International the Criminal Court and its reception in the Brazilian Constitution. process before the Court and penalties for the Court. as well as it is analyzed relevance of the ICC for international protection of the Human Rights. the principle of the complementaridade and the rule of international the criminal liability of the individuals. as well as International the Criminal Courts for Ex-Yuguslávia and Rwanda. can effectively fulfill its mission to protect the human rights against the breakings most serious. Keywords: International Criminal Court – Rome of Statute – Brazilian Constitutional Law. dated December. Continuing itself it is analyzed the structure and the functioning of the ICC. it is examined creation of the ICC. the impossibility of reserves to the Statute of Rome. After that. Finally. its the applicable ability. where one brief historical introduction is made. its entrance in vigor. the life imprisionment and the imprescriptibility of crimes and of the extradition of individuals.

PRÉ – TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 2.......18 2.... Competência Ratione Temporis.........1......................39 3.........3.........3.... O Princípio da Complementaridade...............4............................................................................ Competência Ratione Personae........................... O Tribunal Militar de Tóquio....................50 4........33 3............................54 ......15 2..........................2............................................................1....3......4..........................2............. A Composição do Tribunal............................... Crimes contra a Humanidade ......45 CAPÍTULO IV ........................................ Competência do Tribunal.............3..1.....3............................47 4...................... O TPI e a extradição de indivíduos......................................1............. O Tribunal Militar Internacional de Nuremberg........ Breve Introdução Histórica................................................. A Regra da Responsabilidade Penal Internacional dos Indivíduos...................................................................................................................... O Processo perante o Tribunal................................................ Crimes de Guerra................ 34 3.........................3...40 3.....2.......................1..............................................48 4.......31 3..2............................. Competência Ratione Materiae...................................................................................... O Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia......3....34 3............. Entrada em vigor do Tribunal Penal Internacional e o Estatuto de Roma...........3............3........................4...4......................ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 3.......................2...........................41 3...............22 2...10 CAPÍTULO I .....1... O TPI e a Coisa Julgada.............3........................................................27 2........................1..............................................3.......................17 2......37 3.............2..................5...................31 3............O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA 4.............. Crimes de Agressão. Sede.......1............. 45 ...................................52 4...............3.....As Penas aplicáveis pelo Tribunal...............26 2.........35 3.................................... Emenda Constitucional nº...................................................................... O Tribunal Penal Internacional para Ruanda..................................A CRIAÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 2...3................... O Processo de Ratificação e Aprovação..................5...........................9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO..20 CAPÍTULO II ............ O TPI a prisão perpétua e a imprescritibilidade de crimes........................3............5.....3............12 2.......................................... Impossibilidade de reservas ao Estatuto.......................................... Crime de Genocídeo...33 3................3.......................................................3..............................................28 CAOPITULO III ....

................87 ....................................................................59 ANEXO – Anteprojeto de Lei para Implementação do Estatuto de Roma.....6.... V-A e §5º.......... Relevância do TPI para proteção internacional dos Direitos Humanos..................................................61 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....... A Federalização dos Crimes contra os Direitos Humanos (CF..........57 4.....5......................55 4...2................................ art............. §3º.............................. 5º.................10 4...5....58 CONSIDERAÇÕES FINAIS............. §4º..........7....................................56 4.............................................1............. O art. O art........................................... 5º.................109..............................................................

Finalmente. contribuindo para um melhor entendimento da importância do tema proposto para a humanidade. tendo sua sede na Haia. que ocorreu na Conferência Diplomática de Plenipotenciários das Nações Unidas. O nascimento do Tribunal Penal Internacional deu-se em 17 de julho de 1998. passando pelo Princípio da Complementaridade. hoje este sonho é realidade. bem como a sua entrada em vigor e o Estatuto de Roma. No Capítulo II se pretende mostrar a criação do Tribunal Penal Internacional. o TPI para a ex-Iugoslávia. passando pelos antecedentes históricos. o presente trabalho visa a estudar o Tribunal Penal Internacional e a sua recepção na Constituição Brasileira. o Tribunal Militar de Tóquio. analisados no capítulo I. dando enfoque ao período de pré – TPI. e o TPI para Ruanda. em Holanda. . após tantos atentados à dignidade humana ocorridos durante os vários períodos históricos marcantes. hoje temos a tão sonhada Justiça Penal Internacional.11 INTRODUÇÃO Este trabalho tem por finalidade abordar o Tribunal Penal Internacional e a sua recepção na Constituição Brasileira. que é uma inovação do TPI que se almeja ser um compatibilizador entre o Estatuto e as Constituições nacionais e a Regra da Responsabilidade Penal Internacional dos Indivíduos. Este nascimento demarca uma nova era na história do Direito Internacional. Durante muito tempo foi perseguida a idéia de ver instituída um Tribunal Penal Internacional Permanente e com jurisdição universal. com o Estatuto de Roma. Por isso. o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg.

Em anexo. será analisado o Tribunal Penal Internacional na Constituição Brasileira. O presente trabalho foi desenvolvido através de pesquisas bibliográficas. É conferido destaque ao crime de agressão. o processo de ratificação.12 Em seguida. Com relação à competência material serão apresentados os crimes considerados como mais ofensivos à humanidade em torno da sua inclusão no TPI. 5º. a Federalização dos crimes contra os Direitos Humanos e a relevância do TPI para a proteção internacional dos direitos humanos. entres livros e periódicos. Esta monografia tem o objetivo de contribuir para que o TPI. o TPI e a extradição de indivíduos. o TPI e a coisa julgada. será analisada no capítulo III a estrutura e o funcionamento do Tribunal Penal Internacional. possa efetivamente cumprir a sua missão de proteger os direitos humanos contra as violações mais graves. o processo perante o Tribunal e as penas aplicáveis pelo Tribunal. a composição do Tribunal. o TPI e a prisão perpétua. que ainda não se encontra definido no Estatuto devido a sua complexidade. bem como a independência do promotor. a Competência do Tribunal. a Emenda Constitucional nº. bem como seu art. CAPÍTULO I . sua sede. bem como os crimes de competência material. Posteriormente. encontra-se o Anteprojeto de Lei para Implementação do Estatuto de Roma a que foi feita referência neste trabalho. ou seja.45/04. que realiza uma antiga aspiração da comunidade internacional. pesquisas on line e legislações pertinentes. §§ 3º e 4º.

sendo este o tribunal mais antigo de que se tem notícia. sem sucesso. a sociedade internacional efetivamente pretendeu consagrar a responsabilidade penal internacional. lança a idéia de um tribunal internacional composto por cinco membros. para julgar e punir aqueles que. por violações a leis humanas e divinas. violassem a normatividade internacional vigente. Breve Introdução Histórica No ano de 1474. em Breisach. somente a partir do final da Primeira Guerra Mundial. durante as hostilidades. onde foram réus pessoas acusadas por tribunais ingleses e norte-americanos de terem praticado faltas internacionais. Seu crime constituiu em autorizar que suas tropas estrupassem e matassem centenas de civis inocentes e saqueassem propriedades.13 PRÉ – TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 1. Em 1862 um dos fundadores da Cruz Vermelha Internacional. Porém.1. Em 1689 o Conde Rosen foi privado do seu posto militar por James II da Inglaterra por ser o responsável por um sítio tirano contra Londonderry e pela morte de civis. sendo dois nomeados pelos beligerantes e três neutros. Isto ocorreu quando o Tratado de Versalhes pretendeu. na Alemanha. Ele era composto por 27 juizes do sacro Império Romano e julgou e condenou Peter Von Hagenbach. instituiu-se um tribunal criminal internacional. chamar a julgamento o ex-Kaiser Guilherme II por “ofensa suprema á moralidade internacional e à autoridade . o que não teve grande receptividade. No século XVIII aconteceram diversos julgamentos. o suíço Gustav Moynier.

Em 1919 uma comissão reconheceu que o massacre promovido pelos turcos contra 600. As conclusões a estudarem a 2005. no auge da Segunda Guerra Mundial. um tribunal penal internacional permanente. sempre se associou às iniciativas em favor da criação de um tribunal internacional penal de caráter permanente. Isso nunca chegou a acontecer. as potências aliadas assumiram o compromisso de levar a julgamento os autores dos chamados crimes de guerra. mas a única nação a ratificá-lo foi a Índia e esse tribunal nunca saiu do papel.1. Em 1937 foi elaborada pela Sociedade das Nações a convenção sobre Terrorismo onde estava contido o estatuto de um tribunal criminal internacional permanente. de eles chegaram foram tornadas públicas em 1950. mas esta corte não vingou e a proposta ficou esquecida durante os anos da Guerra Fria. . O Brasil. A concepção dos tribunais ad hoc para ex-Ioguslávia e para Ruanda reascenderam definitivamente os esforços para um tribunal criminal internacional permanente. p.000 armênios fosse julgado por configurar uma violação de leis e costumes de guerra. Tal fato foi o primeiro genocídio do Século XX. ed. respectivamente criaram-se os tribunais internacionais de Nuremberg e Tóquio e neste mesmo período emergiu a necessidade de proteger os direitos e garantias fundamentais. só que o Tratado de Sérvres (1923) que seria o alicerce do julgamento não chegou a ser ratificado e o Tratado de Lausanne (1927) anistiou os turcos. criação 30. em 1948 encarregaram seus especialistas em Direito de que MAZUOLLI. ele refugiou-se nos Países Baixos onde passou o resto da vida sem que alguém solicitasse a sua entrega. Tribunal Penal Internacional e o Direito Brasileiro. Em 1943. Valério de Oliveira.14 dos tratados” 1. Em 1945 e 1946. São Paulo: Premier Máxima. ____________________________ As Nações Unidas. pela voz de sua diplomacia.

____________________________ 2 Criou-se então o Tribunal Penal Internacional Permanente. 2 A criação de uma corte penal internacional instituída para julgar as violações de direitos humanos. na sede da ONU.htm>. 1. O Brasil e o TPI.br/artigos/art01/penal/26.neofito. segundo o qual: “A Conferência Mundial sobre Direitos Humanos recomenda que a Comissão de Direitos Humanos examine a possibilidade de melhorar a aplicação de instrumentos de direitos humanos existentes em níveis internacional e regional e encoraja a Comissão de Direito Internacional a continuar seus trabalhos visando ao estabelecimento de um tribunal penal internacional”. essa tarefa foi completa em 17 de abril de 1998 quando começou a Conferência Diplomática de Plenipotenciários sobre o Estabelecimento de um Tribunal Penal Internacional.2. Acesso em: 02 de Abril de 2006. O Tribunal Internacional Militar de Nuremberg . Paulo Cachapuz de. No período de 1995 até 1998 a Assembléia Geral formou dois comitês que trabalharam por 13 semanas em Nova York.15 “O Brasil integrava aquele importante órgão das Nações Unidas e votou a favor. Disponível em: <http:www. sendo uma das garantias máximas da defesa da dignidade da Humanidade. internacionais.com. considerando a necessidade de serem punidas as atrocidades que estavam sendo cometidas. mas declarou que seria melhor a instituição de um tribunal penal internacional permanente. que estabelecesse claramente a jurisdição e os procedimentos a serem seguidos”. foi em 1993 reafirmada pelo parágrafo 92 da Declaração e Programa de Ação de Viena. pelo Estatuto de Roma crimes de 1998. para dar origem ao Anteprojeto do Estatuto para o Tribunal Penal Internacional. O Tribunal tem a competência para processar e julgar os chamados MEDEIROS. por meio de uma convenção celebrada por todos os países.

Em 08 de agosto de 1945. JAPIASSÚ. CARLOS Eduardo Adriano. O Tribunal Penal Internacional: a internacionalização do direito penal. consideravam o que ocorria como assunto político ao invés de dimensioná-lo como tema legal. Americanos e Soviéticos se encontraram em Londres e assinaram um acordo que criou o Tribunal de Nuremberg. e acertaram as regras para o julgamento. A princípio muitos viam os crimes como residindo além dos limites da justiça. todos os juizes. Tornou-se o mais célere dos tribunais penais internacionais estabelecidos. Tanto a URSS quanto a França eram partidárias das execuções e os EUA defendiam que houvesse um julgamento. Embora o Tribunal tivesse a denominação de “militar”.16 No decorrer da 2ª Grande Guerra. os aliados e os governos europeus exilados debateram sobre o que seria feito com os líderes nazistas depois de terminada a guerra. no período de 1933 até 1945. Franceses. considerados responsáveis pelas atrocidades cometidas sob a égide do nazismo. “A denominação Tribunal “Militar” decorreu da necessidade dos Estados Unidos contornarem o obstáculo do princípio da anterioridade da lei previsto no Direito Penal comum interno e inexistente em seu Direito Penal Militar”. Rio de Janeiro: Lumen Jures. O Tribunal de Nuremberg entrou em funcionamento em 20 de outubro de 1945 julgando 24 membros do partido e do governo nazista e 8 organizações acusadas de crimes de guerra. os Britânicos. Deste total de pessoas julgadas boa parte eram médicos que foram qualificados como criminosos de guerra por causa das experiências . 3 ____________________________ 3 Cf. salvo o soviético. onde foram julgados alguns dos mais importantes homens do Estado alemão. p. A carta de Londres do Tribunal Militar Internacional prevê as regras do processo de julgamento para Nuremberg. 2004. oficialmente: o “Tribunal Militar Internacional”. eram civis e considerados juristas notáveis em seus países. 50.

famosa a manifestação de Nelson Hungria: “O Tribunal de Nuremberg há de ficar como uma nódoa da civilização contemporânea: fez tábula rasa do nullum crimen. Em 1 de outubro de 1946 foi criado o código de Nuremberg onde se fixou uma advertência internacional em relação à ética no que envolve a pesquisa com seres humanos e foi dado o veredicto pelo Tribunal. Disponível em: <http://jus2. desatendeu ao princípio da ‘territorialidade da lei penal’.uol.” 4. suas sentenças eram inapeláveis. que haviam os mesmíssimos fatos atribuídos aos réus. Acesso em: 17 abr. De 1945 até 1949 os diferentes governos militares julgaram 5.com. “Em 1945 o Conselho de Controle aprovou a Lei n° 10 que tinha caráter retroativo e dava aos Tribunais Alemães competência para julgar seus cidadãos e previa que os tribunais além dela poderiam chegar a aplicar leis alemãs. de Nuremberg foi severamente criticado. de efeito retroativo. fundamentando-se no fato de que as 4 potências que agora o ocupavam eram o governo do território. 5. Em fins de 1950 já haviam sido condenados por estes tribunais. O Tribunal tentou adaptar o Direito Internacional as leis internas do território Alemão. 2003. Teresina. a. destas 794 foram sentenciadas a morte e 486 foram executadas. 2006. baseados na Lei n°10. ____________________________ 4 CALETTI. ainda quando .17 feitas em humanos.asp?id=3986>. foram condenados 7 a pena de prisão e o restante deles a morte por enforcamento e condenados 4 organizações. Conforme Japiassu em seu livro: O Tribunal Penal Internacional. ficou a O Cristina. e quase todos foram soltos até 1956. n.288 pessoas. 64. abr. nulla poena sine lege (com um improvisado Plano de julgamento. Pelo veredicto do Tribunal foram absolvidos 5 réus. funcionou em nome dos vencedores. incriminou fatos pretéritos e impôs aos seus autores o “enforcamento” e penas puramente arbitrárias). mas a partir daí os crimes nazistas poderiam ser julgados conforme as leis penais alemãs. Jus Navigandi.Tribunal Os precedentes do Tribunal Penal Internacional.006 pessoas. estabeleceu a responsabilidade penal de indivíduos participantes de tais ou quais associações.br/doutrina/texto. a cidade de Nuremberg foi escolhida para sediar o tribunal por ter sido o local onde ocorreram as maiores concentrações do partido nazista e por ter sido ali que foram promulgadas as leis de perseguição racial. 7. ainda que alheios aos fatos a eles imputados. seu estatuto e sua relação com legislação brasileira. No direito brasileiro.

. França Grã-Bretanha. Nelson. p. Comentáriosisso abrigar-se no princípio de que uma 1958. Rio de Janeiro: Forense. O presidente do Tribunal era nomeado pelo Comandante Supremo e o Chefe da Acusação era norte-americano. 31. China. 1. Filipinas.3. 4 ed. pessoa não julgada mais de uma vez pelo mesmo crime. EUA. que atuou como comandante-em-chefe dos Aliados. pretendia com ao Código Penal. Grã-Bretanha. Holanda e URSS. França. Aconteceram também julgamentos realizados pela Austrália. mas não obteve o resultado esperado. estabelecendo o estatuto que é muito parecido com Nuremberg. Índia. Nova Zelândia e URSS e julgou ao todo 25 acusados.” 5 De acordo com uma concepção garantista e humanista as críticas acima transcritas procedem. China. EUA. O Tribunal Militar de Tóquio O Tribunal de Tóquio também foi criado para julgar crimes cometidos na 2ª Guerra Mundial e seguiu os mesmos moldes do Tribunal de Nuremberg. Filipinas. Holanda. Cada réu teve um advogado norte-americano e um japonês o que é ilógico visualizando-se que os EUA eram um dos acusadores. O Japão chegou a promulgar uma lei dizendo ____________________________ 5 que tomaria a responsabilidade pelo julgamento dos pode ser HUNGRIA. Ele foi fundado por uma proclamação do General MacArthur. Canadá.18 decretavam a pena de morte. criminosos. A corte era composta por Austrália.

1.4. que tenham sido cometidos no território da antiga Iugoslávia. O Tribunal Penal Internacional para a Ex . genocídio e crimes contra a humanidade. Países Baixos. ainda que tenha ele dado a ordem final de ataque a Pearl Harbour e houvesse um conjunto probatório contra ele suficiente para condená-lo. violações às leis e aos costumes da guerra. todos os indiciados em Tóquio somavam oitenta prisioneiros de guerra. Umas das grandes censuras feita a este tribunal foi o fato de que. O Tribunal Penal Internacional para antiga Iugoslávia abriu precedente ao ser composto apenas por juízes selecionados em toda a comunidade internacional e foi o . Além disso.19 O tribunal tentou adaptar as leis japonesas ao Direito Internacional baseando-se no acordo firmado pelo país com os vencedores e que previa a formação de um tribunal internacional.Iugoslávia O Tribunal Penal Internacional (TPI) para ex-Iugoslávia foi criado quase cinqüenta anos após o julgamento feito pelos Tribunais Internacionais militares de Nuremberg e Tóquio. o maior de todos os criminosos. com competência para processar e julgar violações ás Convenções de Genebra de 1949. O Tribunal de Tóquio também foi duramente criticado. para processar os transgressores que desrespeitaram os direitos humanos no território daquele antigo país europeu. a partir de 1991. O Tribunal Penal Internacional para antiga Iugoslávia foi sediado em Haia. o imperador Hirohito. contudo somente os mais importantes foram julgados. não foi levado a julgamento.

de 9 de fevereiro de 1993 (S 252754). o Tribunal Internacional para o Julgamento dos Crimes contra a Humanidade no Território da Antiga Iugoslávia. estão alguns dos mais importantes homens de Estado. basicamente. por duas etnias principais. O relatório prévio da comissão. que teve seu estatuto redigido em 3 meses. um tribunal internacional ad hoc.Montenegro. Em 1992. Sua população é composta. a Resolução 780 do Conselho de Segurança da ONU solicitava que Boutros Boutros-Ghali. O Tribunal Penal Internacional para Ruanda O Estatuto do Tribunal de Ruanda foi adaptado do Estatuto para a ex-Iuguslávia. processar e julgar as condutas delitivas perpetradas a partir de 1º de janeiro de 1991 naquela extinta nação hoje denominada Sérvia . Secretário Geral na ocasião. e os tutsis. que se tomou independente em 1962. Ruanda é um país localizado no Leste africano.20 primeiro Tribunal especial penal não-militar da história criado para conhecer. Este Tribunal somente julgava pessoas. como Slobodan Milosevic. 1. como norma fundamental. o mais célebre entre os acusados. formasse uma comissão de especialistas incumbidos de desvendar os acontecimentos da Iugoslávia. . estabelecendo.5. não havendo responsabilidade penal de pessoas jurídicas. Em 22 de fevereiro de 1993 foi criado pelo Conselho de Segurança da ONU. os hutus. levou o Conselho de Segurança a instituir provisoriamente um tribunal internacional. a responsabilidade pessoal. Entre os indiciados perante o tribunal. através da Resolução 808.

pela primeira vez um tribunal criminal internacional aplicou a Convenção de 1948 sobre Genocídio. foram mortos em um atentado que derrubou o avião onde viajavam juntos. de 08 de Novembro de 1994. O Tribunal Penal Internacional para Ruanda foi instaurado para processar criminalmente indivíduos que cometeram ou ordenaram a perpetração das graves condutas penais contrárias ao Direito Internacional Humanitário no território de Ruanda no período de primeiro de janeiro a 31 de dezembro de 1994. Ruanda. Tal fato foi o estopim para o genocídio. na Tanzânia. a pedido do Governo de Ruanda. como punições coletivas. Reconhecendo então. A Corte Internacional foi sediada em Arusha. Isto ocorreu. O número de mortos oscilaria entre 500 mil a um milhão. país da África Oriental. Entre Abril e Julho de 1994. criou o Tribunal Penal Internacional para aquele País. .21 Há relatos que desde 1959 estas duas etnias se confrontam. tomada de reféns e pilhagem. Ou seja. quando os presidentes de Ruanda e do Burundi. que graves violações ao direito humanitário estavam sendo cometidas em Ruanda. Ele foi ministro do governo provisório de Ruanda em l994. ocasião em que 1 milhão de pessoas foram mortas. sofreu um dos maiores genocídios da História Contemporânea. terrorismo. o Tribunal foi criado para julgar violações graves ao Direito Internacional. o Conselho de Segurança da ONU. E também para a persecução de cidadãos ruandeses responsáveis pela prática de genocídio e outros crimes cometido no território dos Estados vizinhos durante o mesmo período. através da Resolução 955. condenando o réu confesso Jean Kambanda à prisão perpétua. Em 4 de setembro de 1998. visando contribuir para o processo de reconciliação nacional e para a manutenção da paz na região.

Teresina: Jus Navigandi.uol. preparação ou execução de um crime previsto naquele instrumento. 6 CAPÍTULO II A CRIAÇÃO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 2. Tony Gean Barbosa de. Disponível em: <http://jus2. instigado.1 – Entrada em vigor do Tribunal Penal Internacional e o Estatuto de Roma .22 De forma muito semelhante ao Estatuto do TPI para ex-Iugoslávia. ainda que Chefe de Estado ou de Governo não livrará da responsabilidade penal nem lhe servirá como atenuante. ____________________________ CASTRO. cometido ou por outra forma auxiliado ou incitado no planejamento. 2005.br/doutrina/texto. a posição oficial de qualquer pessoa acusada. assim como no Estatuto Iugoslavo.” 6 Ou seja. ordenado.asp?id=6565> acesso em 02 abril de 2006.com. “Versa o Estatuto que um indivíduo é penalmente responsável desde que tenha planejado. o Estatuto do tribunal de Ruanda não trouxe penas específicas para cada delito e também é semelhante no que concerne à responsabilidade penal internacional do indivíduo. Consolidação da Responsabilidade Penal Internacional do indivíduo com o advento do TPI Permanente.

Bósnia. Mongólia. em Roma. O Estatuto foi aprovado por 120 votos a favor. foi aprovado o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI). a assinaturas ficaram fora de cogitação. no dia 11 de abril de 2002. Israel. em Holanda.” 7. Sri Lanka e Turquia) e 21 abstenções. dotado de personalidade jurídica própria.23 Em 17 de julho de 1998. respectivamente. Niger e Romênia ratificaram o TPI. Bulgária. os Estados Unidos e Israel acabaram assinando o Estatuto em 31 de dezembro de 2000. “através do Dr. Em Nova York. “Assim foi que em 6 de maio de 2002 e em 28 de agosto do mesmo ano. notificaram formalmente o Secretário-Geral das Nações Unidas de que não tinham a intenção de se tornar partes no respectivo tratado. Jordânia. Em 7 de fevereiro de 2000 o governo brasileiro assinou o tratado internacional referente ao Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. que obteve assim número maior de países que concordam com o estabelecimento do Tribunal do que seria necessário para seu funcionamento. que teve por finalidade constituir um tribunal internacional com jurisdição criminal permanente. Porém após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington. Congo. Estados Unidos. Previa que o TPI efetivamente existiria quando conseguisse 60 ratificações e enquanto isso não acontecia o Estatuto ficou depositado em Nova York. Irlanda. Antônio . Camboja. contra apenas 7 votos contrários (China. Eslováquia. na Conferência Diplomática de Plenipotenciários das Nações Unidas. Índia. Estados Unidos e Israel. bem como após as operações de guerra subseqüentes no Afeganistão e Palestina. Considerando a má repercussão internacional ocasionada pelos votos contrários. com sede na Haia. Filipinas.

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Paulo Cachapuz de Medeiros”8. E conforme o Dr. Sérgio Luiz Kukina, o Estatuto recebeu chancela do Congresso Nacional em 06 de junho de 2002, in verbis:
“No Brasil, o Estatuto recebeu chancela do Congresso Nacional através do Decreto Legislativo nº. 112, de 6 de junho de 2002, sendo, pouco depois, promulgado pelo Decreto Presidencial nº. 4.388, de 25 de setembro do mesmo ano (DOU 26.09.2002), em harmonia, pois, com os compromissos explicitamente assumidos na Constituição Federal de 1988, identificados com a prevalência dos direitos humanos (art.4º, II do corpo permanente) e com a formação de um tribunal internacional dos direitos humanos (art.7º das disposições transitórias).” 9.

O Tribunal Penal Internacional entrou em vigor internacional em 1º de julho de 2002, data que corresponde ao primeiro dia do mês seguinte ao termo do período de 60 dias após a data do depósito do sexagésimo instrumento de ratificação, de aceitação junto ao Secretário-Geral das Nações Unidas. Com a entrada em vigor da Emenda Constitucional nº. 45, em 8 de dezembro de
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MAZZUOLI, Valério de Oliveira.Tribunal Penal Internacional e o Direito Brasileiro. 1. ed. São Paulo: Editora Premier Máxima, 2005, p.34. 8 MAZZUOLI, Idem, 2005, p.35. 9 KUKINA, Sérgio Luíz. Apontamentos sobre o Tribunal Penal Internacional Permanente. Direito Público: Porto Alegre: Síntese: Instituto Brasiliense de Direito Público nº4/2004 – Doutrina Brasileira, p.48-49.

2004, o Brasil passou a reconhecer formalmente a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, por meio do § 4º. acrescentado ao art. 5º. da Constituição, que diz, in verbis: “O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão”. Ou seja, a Constituição está perfeitamente apta a operar com o Direito Internacional e com o sistema internacional de proteção dos direitos humanos. O Estatuto de Roma é composto de 128 artigos, que disciplinam vários aspectos referentes ao Tribunal, entre os quais: a sua competência, a composição e administração

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do Tribunal, a execução de tais penas, o financiamento e os princípios gerais de direito penal abarcados por ele. Os 128 artigos são divididos em 13 capítulos: - Capítulo I- Criação do Tribunal (art. 1 a 4); - Capítulo II- Competência, admissibilidade e direito aplicável (art. 5 a 21); - Capítulo III- Princípios gerais de direito penal (art. 22 a 33); - Capítulo IV- Composição e administração do Tribunal (art. 34 a 52); - Capítulo V- Inquérito e procedimento criminal (art. 53 a 61); - Capítulo VI- O julgamento (art. 62 a 76); - Capítulo VII- As penas (art. 77 a 80) - Capítulo VIII- Recurso e Revisão (art. 81 a 85); - Capítulo IX- Cooperação internacional e auxílio judiciário (art. 86 a 102); - Capítulo X- Execução da pena (art. 103 a 111); - Capítulo XI- Assembléia dos Estados Partes (art. 112); - Capítulo XII- Financiamento (art. 113 a 118); e - Capítulo XIII- Cláusulas Finais (art. 119 a 128). O preâmbulo anuncia o empenho dos Estados para formar um Tribunal Penal Internacional permanente e independente que se some às jurisdições penais nacionais, que tenham competência sobre indivíduos no que trata dos crimes mais graves que atingem a comunidade internacional.

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O Estatuto de Roma de 1998 conforme Valério de Oliveira Mazzuoli poderá passar a ser formalmente constitucional no Brasil, se for aprovado em cada Casa do Congresso Nacional, in verbis:
“O Estatuto de Roma de 1998 poderá passar a ser formalmente constitucional no Brasil, se for aprovado em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos seus respectivos membros, nos termos do disposto no § 3º. do art. 5º. da Constituição, também introduzido pela Emenda nº.45/2004. Neste caso, para além do status de norma materialmente constitucional, o Estatuto de Roma galgará ainda os efeitos jurídicos próprios das emendas constitucionais, passando a ser insuscetível de denúncia neste caso.” 10

2.1.1. – Impossibilidade de Reservas ao Estatuto
____________________________
10

MAZZUOLI, Valério de Oliveira. Tribunal Penal Internacional e o Direito Brasileiro. 1. ed. São Paulo: Editora Premier Máxima, 2005, p.36.

Conforme o Estatuto de Roma em seu art. 120, não pode haver nenhuma reserva ao Estatuto, é proibido expressamente. Isso evita disputa sobre quais reservas são admissíveis no direito internacional e retira dos países cépticos uma ferramenta importante para evitar suas obrigações. Se reservas fossem admissíveis, um país, poderia, por exemplo, excluir extradição de seus nacionais alegando que isso violaria sua

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Constituição, apesar da distinção correta entre extradição e entrega no art. 102 do Estatuto. Tal interpretação condenaria o Tribunal Penal Internacional à inatividade. A possibilidade de aposição de reservas ao Estatuto violaria o objeto e a própria finalidade do tratado, que consiste em entregar à jurisdição do Tribunal os responsáveis pelos piores e mais bárbaros crimes cometidos no planeta. Além do mais, a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados proíbe a formulação de reservas incompatíveis com o objetivo ou com as finalidades do tratado. O impedimento da ratificação com reservas, é, portanto, uma ferramenta eficaz para a perfeita atividade e funcionamento do Tribunal. Contudo, conforme disposto no art. 121 e parágrafos do Estatuto, depois de sete anos de sua entrada em vigor, qualquer Estado-parte poderá propor-lhe alterações, submetendo o texto das propostas de alterações ao Secretário-Geral da ONU, que convocará uma Conferência de revisão, a fim de examinar as eventuais alterações do texto.

2.2 – O Princípio da Complementaridade

O Estatuto em seu art. 17 estabelece o Princípio da Complementaridade, segundo o qual a competência originária para o julgamento é do próprio Estado-membro de onde ocorreu o delito ou o de nacionalidade de seus autores.

os Estados necessitam de uma legislação adequada que lhes permitam julgar esses criminosos.28 Conforme o Estatuto. entretanto. A Complementaridade é tida como forma de expressão do princípio da jurisdição universal. aplicando-lhes decisões punitivas. sendo a necessidade criada para o Estado de reforçar a sua legislação interna. Em suma. Deste Princípio decorrem dois importantes efeitos: o primeiro sendo a incitação em relação aos juízes nacionais que são habitualmente hesitantes e omissos. A adoção do Princípio da Complementaridade pelo Estatuto de Roma. o segundo efeito. salvo nos casos em . julgar crimes cometidos em território nacional por nacionais. e tem como objetivo assegurar punição aos infratores destas normas internacionais de conduta. que continuam tendo a responsabilidade primária de investigar e processar os crimes cometidos pelos seus nacionais. onde quer que eles se encontrem. Segundo este princípio. tendo competência para o julgamento apenas quando os referidos Estados-membros forem omissos ou não se mostrarem capazes de julgar tais crimes. com força obrigatória para os Estados-membros. o Tribunal Penal Internacional ocupa uma posição de Complementaridade. por este princípio o Tribunal Penal Internacional não pode interferir indevidamente nos sistemas nacionais. a jurisdição do Tribunal Penal Internacional deve ser exercida somente quando um Estado não possa realmente ou não deseje julgar os supostos criminosos de guerra que estejam sob sua jurisdição. significa em última análise. a possibilidade do Tribunal. Para serem beneficiados com esse princípio. buscando assim evitar serem repreendidos pela Corte. não podendo estes modificá-las. mesmo contra a vontade do Estadomembro.

damasio. . Vê-se que o Estatuto de Roma repete a conquista do Estatuto do Tribunal de Nuremberg. “O alcance do princípio da complementaridade.3. a responsabilidade penal por atos violadores deverá cair sobre os indivíduos que os perpretarem. no sentido de ignorar os cargos oficiais daqueles que praticarem crimes contra o Direito Internacional. É uma das principais virtudes do Estatuto de Roma. portanto.” 11 2. 25. abrange tanto a relação entre a jurisdição nacional e a internacional. não importando as eventuais imunidades ou cargos oficiais que porventura ostentarem. de acordo com o presente Estatuto.com. Tribunal Penal Internacional e o Princípio da Complementaridade. e parágrafos do Estatuto de Roma.br/novo/html/frame_artigos. Fábio Ramazzini. ____________________________ 11 BECHARA. dez. A Regra da Responsabilidade Penal Internacional dos Indivíduos A Consagração do princípio da responsabilidade penal internacional dos indivíduos está contida no art. in verbis: “Responsabilidade penal individual 1.htm>. O artigo 25 do Estatuto de Roma diz. 2003.29 que os Estados se mostrem incapazes ou não demonstrem efetiva vontade de punir os seus criminosos. São Paulo: Complexo Jurídico Damásio de Jesus. como também a relação entre a lei material nacional e a internacional. Por este princípio. O Tribunal terá jurisdição sobre pessoas naturais. Disponível em: <www.

3. No entanto. propor ou induzir a prática de tal crime. Em conformidade com o presente Estatuto. ou 2. 4. d) contribuir de qualquer outro modo à perpetração ou tentativa de perpetração do crime por um grupo de pessoas que tenham uma finalidade comum.30 2. ajude. e) com relação ao crime de genocídio. ser prestada com o conhecimento da intenção do grupo de perpetrar o crime. instigar direta e publicamente outrem a praticá-lo. o indivíduo que abandonar o esforço de perpetrar o crime ou de outra forma impedir a consumação do mesmo não deverá ser passível de pena em conformidade com este Estatuto pela tentativa de cometer tal crime. f) tentar perpetrar tal crime mediante atos que constituam um passo inicial importante para a sua execução. encubra ou colabore de algum modo na prática ou na tentativa de praticar o crime.” 12 Conforme o artigo transcrito do Estatuto. que de fato ocorra. o Tribunal tem competência para julgar e punir pessoas físicas. em conjunto com outrem ou por meio de outrem. se tal indivíduo: a) cometer esse crime individualmente. . um indivíduo será penalmente responsável e passível de pena por um crime sob a jurisdição do Tribunal. sendo considerado individualmente responsável quem cometer um crime da competência do Tribunal. seja este ou não penalmente responsável. Um indivíduo que cometer um crime sob a jurisdição do Tribunal será penalmente responsável e passível de pena em conformidade com o presente Estatuto. ou seja. ser prestada com a intenção de levar a cabo a atividade delitiva ou propósito criminal do grupo. tentado. Tal contribuição deverá ser intencional e. mesmo que o crime não seja consumado devido a circunstâncias alheias a sua intenção. quando tal atividade ou propósito implicar a perpetração de um crime do âmbito da jurisdição do Tribunal. inclusive fornecendo os meios para sua perpetração. c) com o propósito de facilitar a prática de tal crime. b) ordenar. se o indivíduo renunciar íntegra e voluntariamente ao propósito delitivo. 1. conforme o direito internacional. Nada do disposto neste Estatuto a respeito da responsabilidade penal das pessoas naturais afetará a responsabilidade do Estado.

12 Disponível em: . uma conquista da humanidade. sem dúvida. <http://www.31 A consagração do princípio da responsabilidade penal internacional dos indivíduos é.br/direitos/sip/tpi/esttpi.org.htm> acesso em 22 março de 2006.dhnet. ____________________________ Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional.

Vale destacar a atuação de forma independente do Gabinete do Procurador. Gabinete do Procurador (ou Promotor) e Secretaria. Sede Conforme art.1. conforme o art. 3º. a sede do Tribunal localiza-se na cidade de Haia. 42. conforme dispõe o art. órgão autônomo do Tribunal. mediante um acordo de sede com esse Estado. 3º. aprovado pela Assembléia dos Estados Partes e concluído pelo presidente do TPI em nome deste. 3. . o Tribunal se achar conveniente poderá funcionar em outro local. 2. uma de Julgamento em Primeira Instância e outra de Recursos. nos Países Baixos. A Composição do Tribunal O Tribunal é composto pelos seguintes órgãos: Presidência. 3º. Contudo. 1 do Estatuto de Roma. 3 do Estatuto. uma Seção de Instrução. segundo art.32 CAPÍTULO III ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 3.2.

que tem plena autoridade para administrar o gabinete. O Gabinete do Procurador é presidido pelo procurador. conforme art. para um período de cinco anos. 38.33 A Presidência é formada por um juiz presidente e dois juizes vices-presidentes. para um mandato de três anos ou até o termino do mandato com juiz. A Secretaria é dirigida pelo secretário. 43 e§§. As Seções de Julgamento em Primeira Instância e a de Instrução são compostas por. eleito pelos juizes em escrutínio secreto. além de outras funções conferidas pelo Estatuto. exceto do Gabinete do Procurador. seis juízes. Cabe a Presidência a adequada administração do Tribunal. certo que as Seções de Julgamento em Primeira Instância e de Instrução são predominantemente compostas por juízes com experiência em processo penal. por maioria absoluta. além da criação da Unidade de Apoio às Vítimas e Testemunhas. processual penal e internacional. adstritos à suas seções de acordo com a natureza das funções que corresponderem a cada uma. principal responsável administrativo do Tribunal. tendo em consideração as recomendações da Assembléia dos Estados-Partes. À Secretaria compete os aspectos não judiciais da administração e do funcionamento do TPI. sendo permitida a reeleição uma única vez. incluindo o pessoal. dotados de independência funcional. conforme o que expirar em primeiro lugar. os juízes também podem eleger um secretário-adjunto. pelo menos. A Seção de Recursos é composta pelo presidente e quatro juízes. com as respectivas qualificações e experiências. por uma vez. instalações e outros recursos e assistido por um ou mais procurador-adjunto. eleitos pelos Estados-membros do Tribunal. a reeleição. Se necessário. que desempenham suas funções em regime de exclusividade. de modo que cada Seção disponha de especialistas em direito penal. sendo permitida. . conforme art.

imparcialidade e integridade. 3. Competência Ratione Temporis A Competência Ratione Temporis diz respeito ao momento a partir do qual o TPI pode exercer plenamente sua competência jurisdicional internacional penal. Os juizes. conforme art. De acordo com o art.3. 3. de Figueiredo Steiner. os juízes são independentes no desempenho de suas funções e não podem exercer nenhuma atividade incompatível com essas funções ou prejudicar a confiança na sua independência. qualquer Estado-Parte poderá indicar candidatos às eleições para juiz do Tribunal Penal Internacional. que são todos de nacionalidades diferentes. vedada a reeleição.34 Os juizes do Tribunal. são eleitos por uma Assembléia dos Estados-membros dentre pessoas de elevada idoneidade moral. Entre os dezoito juízes eleitos para a composição do Tribunal Penal Internacional está a brasileira Sylvia H. são escolhidos para um mandato de nove anos. num total de dezoito.3.1.36. que reúnam os requisitos para o exercício das mais altas funções judiciais nos seus respectivos países. 36. Competência do Tribunal 3. Assim o Tribunal só terá competência relativamente aos crimes cometidos após a entrada em vigor do Estatuto. “a”. uma vez que os crimes de competência do TPI são imprescritíveis. nos termos do próprio Estatuto. 40 e §§. desembargadora afastada do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. por . Conforme art. 4. que ocupa um dos assentos reservados a especialistas em direito penal desde 11 de março de 2003. Nenhuma pessoa será considerada criminalmente responsável.

3. 3. A tentativa e a desistência voluntária estão previstas no art. os crimes mais graves que afetam todo o conjunto da sociedade . quando praticados por forças sob o seu comando ou autoridade e controle efetivos. 25. 3. “f”. 25. 28. sem nenhuma distinção fundada na qualidade oficial. com caráter permanente e independente. Competência Ratione Materiae “O Tribunal Penal Internacional é competente para julgar. 26. Competência Ratione Personae Conforme os arts. além de outras modalidades previstas no art.3. ou pelo fato de não terem exercido um controle apropriado. para o Brasil o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional passou a vigorar em 1º de setembro de 2002. que a incitação haverá de ser direta e pública. Os chefes militares e outros superiores hierárquicos serão responsabilizados pelos crimes de competência do Tribunal. por condutas posteriores à vigência do Estatuto.2. A entrada em vigor do TPI ocorreu em 1º de julho de 2002. 126. 3. conforme o caso. 25. No caso do crime de genocídio. 1.35 uma conduta anterior à vigência do Estatuto de Roma. 1º. “e”. conforme seu art. diz o art.3. todavia no Brasil.3. 24 e 27 o Tribunal Penal Internacional poderá exercer sua jurisdição sobre pessoas físicas maiores de 18 anos.

15. Essa expressão “genocídio” foi finalmente consagrada na Convenção de 1948 e tem sido adotada pela maioria dos doutrinadores. crimes de guerra e crime de agressão. conforme explica o seu ator. A definição de “genocídio” para este crime foi dada por Lemkin. Curso de Direito Internacional Público. “A palavra. crimes contra a humanidade.47. e as sentenças desse tribunal também não se utilizaram da palavra genocídio. Valério de Oliveira. 2004. De Alburquerque.1. Tribunal Penal Internacional e o Direito Brasileiro. 2005. ed. 14 MELLO. 5º são os seguintes: crime de genocídio. da Assembléia Geral das ____________________________ 13 MAZZUOLI. mas a verdadeira revolta contra este crime ocorreu com a matança e as perseguições praticadas pelo nacional-socialismo alemão.” 14. esse crime foi capitulado nos” crimes contra a humanidade” sem qualquer ‘nomen juris’ próprio. nação ou tribo) e do sufixo de origem latina “occidere” (matar).ed. pela Resolução 260-A (III).3. O Crime de genocídio é considerado a mais grave espécie de crime contra a humanidade. P. Tais crimes. em 1944. apesar de ela ter sido usada durante os debates. p.36 internacional dos Estados e que ultrajam a consciência da humanidade” 13. é híbrida. que não prescrevem. 3. na sua obra intitulada “ Axis Rule in Occupied Europe”. Esta palavra foi aceita aos poucos no mundo jurídico internacional: no Estatuto de Londres. 1. I Volume. Crime de Genocídio O Genocídio sempre existiu através da História (as perseguições aos judeus sete séculos antes de Cristo). constitutivo do Tribunal de Nurembergue. . São Paulo: Editora Premier Máxima. que levou à adoção. conforme art. uma vez que é formada do grego “genos” (raça. Celso D.3. Rio de Janeiro: Editora Renovar. 966.

6º do Estatuto. 6º gera algumas dúvidas e deixa em aberto “quantas pessoas devem ser mortas para que se tipifique o crime como genocídio”. 6º do Estatuto. 2º da Convenção. total ou parcialmente. O art. Esta interpretação também se . Em Nuremberg considerava-se que o genocídio só era praticado em tempo de guerra. visando a causar sua destruição física total ou parcial. (c) deliberadamente afligir as condições de vida do grupo. (d) impor medidas destinadas a evitar nascimentos no seio do grupo. de uma série de atos. por qualquer pessoa. (b) ofender à integridade física ou mental de membros do grupo. como massacre ou a lesão grave de membros de um grupo nacional. da Convenção sobre a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio. ou art. que entrou em vigor em 12 de janeiro de 1951. A Convenção sobre genocídio é que reconheceu que tal crime pode ser praticado em tempo de paz.37 Nações Unidas. a prática.g. étnico. em 9 de dezembro de 1948. Os atos descritos no art. e. Sobre esta questão: “O fato de a definição referir-se a qualquer um nas condições da definição empregada não significa que alguém deva morrer para que o crime seja caracterizado. de modo calculado. com a intenção de destruí-lo. Considera-se genocídio qualquer um dos atos elencados no art. 2º da Convenção são: (a) matar membros do grupo. (e) realizar transferência forçada de crianças de um grupo para outro. racial ou religioso.. bem como art.

teve como marco institucional o Acordo de Londres de 1945. enfim. a incitação direta e pública para a sua prática. Crimes contra a Humanidade Historicamente. Ou seja.3. 208. apesar de referências anteriores a 1945 (Declaração de São Petersburgo de 1868. 401 e 408 do Código Penal Militar. e nos arts.” 15. funcionários ou particulares. p. . a tentativa e a co-autoria. AMBOS. a definição dos crimes contra a humanidade. pois o que configura o crime de genocídio é a “intenção pessoal”. que é a prevenção de sua ocorrência. 2º da Convenção. Fauzi Hassan. Convenções da Haia de 1899 e 1907.199. 2. 3. No Brasil o crime de genocídio é punido pela Lei nº. a associação de pessoas para cometê-lo.3.38 aproxima dos propósitos da Convenção do Genocídio. O art. bastando para tanto a prática de qualquer ato descrito no art. de 1/10/56. Kai. que criou o Tribunal Militar de Nuremberg. Tribunal Penal Internacional. não se faz necessário que alguém morra para caracterizar o Crime de Genocídio. bem como o art. Os crimes contra a humanidade se distinguem do genocídio no tocante à intenção. sejam eles cometidos por governantes. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. e não apenas punir os perpetradores depois que os crimes tenham sido praticados. ____________________________ 15 CHOUKR. 3º da Convenção enumera os atos que são puníveis: o genocídio. por qualquer pessoa. etc). 4 º da convenção declara que os atos mencionados no dispositivo anterior são puníveis. 6º do Estatuto.2. 2000.886. O art.

desaparecimento forçado de pessoas e o crime de apartheid. . étnicos. a prostituição forçada. 973. a gravidez à força ou qualquer outra forma de violência no campo sexual de gravidade comparável. P. O crime contra a humanidade pode ser conceituado como aquele praticado de modo maciço contra à população civil mesmo fora do conflito armado. 17 MELLO. 7º do Estatuto estabelece como crime contra a humanidade. a violação. a tortura. 15. generalizado ou sistemático. Rio de Janeiro: Editora Renovar. De Alburquerque. 15. Celso D. De Alburquerque. havendo conhecimento desse ataque. Curso de Direito Internacional Público. Neste diapasão são considerados crimes contra a humanidade: o homicídio. qualquer um dos atos previstos nos seus parágrafos.. Conforme Pierre Truche “o crime contra a humanidade é. Curso de Direito Internacional Público.39 O elemento internacional. 2004. a deportação ou transferência à força de uma população. 17 16 É O art. culturais. atormentar. Celso D.. I Volume. nacionais. Rio de Janeiro: Editora Renovar. a escravidão. ou lhe prejudicar economicamente em razão das convicções ou opiniões da vítima ou dela pertencer a determinado grupo”. no sentido de querer destruir determinado grupo social. raciais.ed. quando cometido no quadro de um ataque. não existe nos crimes contra a humanidade. a negação da humanidade aos membros de um grupo de homens em aplicação de uma doutrina”. resultado de um plano para afastar os homens da comunidade dos homens. I Volume. oprimir ou discriminar a respeito de uma pessoa visandolhe causar sofrimentos físicos ou mentais. a escravatura sexual. a perseguição de um grupo ou coletividade por motivos políticos. ____________________________ 16 MELLO. Uma outra definição é a de Bassiouni que afirma ser: “A ação política de um Estado que visa a inquietar. contra qualquer população civil.ed.. 2004. o extermínio. 971. P. religiosos ou de sexo.

o ato de compelir um prisioneiro de guerra ou outra pessoa sob proteção a servir nas forças armadas de uma potência inimiga.3. Entre estes crimes. Assinale-se também que o estatuto inclui na lista dos crimes de guerra os crimes cometidos em violação do direito de guerra contra o pessoal das Nações Unidas em missão humanitária ou de manutenção da paz. Crimes de Guerra Os crimes de guerra são também conhecidos como "Crimes contra as Leis e Costumes Aplicáveis em Conflitos Armados".3. a tomada . para os efeitos do Estatuto de Roma. Fazem parte do direito costumeiro internacional e têm como principais referências de codificação o regime da Haia (diversas convenções e protocolos) . Os crimes de guerra.e as Convenções de Genebra e seus Protocolos.3. Este último aspecto suscitou acentuada preocupação por parte de potências com envolvimento militar global ou participação freqüente em situações originárias em ex-colônias e ensejou árduos esforços para a busca de soluções aceitáveis. estão elencados nos vinte e sete incisos do seu art. a privação intencional de um prisioneiro de guerra ou de outra pessoa sob proteção do seu direito a um julgamento justo e imparcial. referentes à proteção das vítimas dos conflitos. uma vez que abrangem a conduta de operações militares. por exemplo.relativos às limitações à conduta de hostilidades . inclusive a proibição do emprego de certas armas e envolvem a possibilidade da incriminação de pessoal subordinado às forças armadas. 8º. incluem-se.40 3. Algumas das questões mais sensíveis negociadas em Roma foram relacionadas a este capítulo.

8º. entre outros. uma definição de agressão suficientemente abrangente e que sirva como elemento constitutivo de responsabilidade pessoal. não existe até hoje. como a de vincular o ato de agressão exclusivamente às ações que resultassem em anexação ou ocupação do . pelo período de sete anos. e não apenas da responsabilidade do estado.4. 8º.3. e 3). “d”.41 de reféns. vilarejos.2. Portanto tal dispositivo admite uma espécie de “reserva” por um Estado em relação aos crimes de guerra cometidos por seus nacionais. De um lado. 3. 8º. que configura agressão como ilícito do Estado).”c”). Crimes de Agressão A questão da inclusão do crime de agressão no estatuto percorreu os trabalhos do Comitê Preparatório e da própria conferência. elencados em seu art.. Incluíram-se as violações cometidas em conflitos internos (art. dificuldades de natureza jurídica e política criavam obstáculos praticamente insuperáveis para sua incorporação eficaz. um Estado não aceite a jurisdição do Tribunal sobre os crimes de guerra. com as restrições. Apesar da lógica favorecer a inclusão na lista de crimes de ações que estão na raiz de grande parte dos crimes mais graves cometidos contra a humanidade. Tentativas de definição ensaiadas durante a negociação. o ataque ou bombardeio a cidades. apesar dos esforços desenvolvidos pela CDI e por outros órgãos (inclusive uma resolução da AGNU. contados da data em que entrar em vigor. habitações ou edifícios que não estejam defendidos e que não sejam objetivos militares. o Estatuto permite que.3. 2. do contido no art. Apesar de não admitir reservas ao seu texto. durante um período de sete anos. porém.

visto que essa disposição haverá de ser compatível com aquelas da Carta das Nações Unidas. do Procurador do Tribunal ou do Conselho de Segurança das Nações Unidas. nos termos do art. e ambas as modalidades somente poderão acorrer após expirado o prazo de sete anos. por força de alteração (art. o Procurador.42 território de um Estado. 121.1).123). 5º. abrir um inquérito com base em informações sobre a prática de crimes da competência do Tribunal. quando está configurada uma situação de agressão. Essa iniciativa de atuação é conhecida no meio internacional como “trigger mechanism”. O Crime de Agressão será definido. qualquer deles pode noticiar ao Procurador uma situação em que haja indícios de ter ocorrido à prática de um crime da competência do Tribunal e solicitar-lhe que a investigue. ameaça à paz ou ruptura da paz internacional. Com relação à denúncia por um Estado-membro. . Conexa a esta questão. apreciando a seriedade da informação recebida.4. O Processo perante o Tribunal A intervenção do Tribunal pode ser desencadeada por iniciativa de um Estadomembro. contado a partir da entrada em vigor do Estatuto (arts. apresentavam o inconveniente de restringir excessivamente o conceito de agressão. está a circunstância de que a Carta da ONU não definiu juridicamente agressão. e igualmente importante. 1 e 123. Além disso. deixando ao Conselho de Segurança a responsabilidade de decidir. 2. por sua própria iniciativa (ex officio). poderá. a cada caso. 3.121) ou Revisão do Estatuto de Roma (art.

Todavia. liderados pelos Estados Unidos. visando embaraçar os Estados e. o inquérito ou o processo que tiver sido iniciado. exigência acompanhada de mecanismos de notificação e de recurso. nenhum inquérito ou procedimento crime poderá ter início ou prosseguir os seus termos. o que causou mais polêmica foi a do Conselho de Segurança da ONU. O grupo formado pelos membros do Conselho de Segurança. se faltar com seus deveres. ao final. poderá ser retirado de suas funções. Argumentou-se que ele poderia levar à Corte assuntos frívolos. O Estatuto contém dispositivo que confere ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a faculdade de solicitar ao Tribunal que não inicie ou que suspenda. Temeu-se que o Procurador pudesse utilizar a Corte para fins políticos. durante os trabalhos preparatórios. atentar contra sua soberania. por um período de doze meses a contar da data em que o Conselho de Segurança assim o tiver solicitado. O pedido pode ser renovado por períodos iguais e o Tribunal fica vinculado à decisão do Conselho. portanto. Dessa forma. marcou posição importante na defesa da atuação do Conselho nos assuntos do Tribunal. o Estatuto impõe à sua liberdade de ação uma série de restrições destinadas a evitar sua politização: ele deve obter autorização da Câmara Primária antes de abrir um inquérito. especialmente pelos Estados Unidos. A independência do Procurador. De todos os mecanismos de iniciativa existentes. já que estaria protegido por sua função. por um prazo não superior a doze meses. foi aceita. e.43 A prerrogativa do Promotor de investigar crimes da competência do TPI e denunciar à Corte determinados casos encontrou enorme resistência. .

o Estado da nacionalidade do acusado estava envolvido na prática de crimes. conhecido como os "like-minded states". na condição de maior potência militar. estando eles próprios excluídos a priori de sua competência em razão de seu direito de veto em vigor no Conselho de Segurança. Alemanha nazista. em que os membros permanentes do Conselho de Segurança controlariam a jurisdição penal internacional. Tal grupo de Estados não concordava com que o poder de iniciativa da Corte estivesse atrelado ao Conselho de Segurança. a posição norte-americana. mas pode também suspender o exercício da competência do Tribunal por um período de doze meses. Há. a preocupação de subtrair seus militares à sujeição ao TPI em caso de prática de graves crimes da respectiva competência. é. a fim de evitar uma justiça seletiva. O argumento invocado pelos Estados Unidos é o de que. chamado a intervir em missões humanitárias por todo o mundo. renovável. Ao final. Iugoslávia. Essa diligência era inaceitável para a quase totalidade dos participantes. que pode incumbir a Corte de determinadas situações. pois nos casos de Ruanda. um outro grupo de delegações de Estados. temia a criação de uma relação de dependência entre o Tribunal e o Conselho de Segurança e a politização desta organização internacional. ficou definido que a iniciativa caberia tanto a um Estado-membro ou ao Procurador do Tribunal bem como ao Conselho de Segurança. portanto.44 Em sentido contrário. mais do que qualquer país. especialmente em face do princípio da irrelevância da qualidade oficial. Durante as negociações. por exemplo. fez com que se retomassem as discussões. fortemente contrária ao atual mecanismo de acionamento do tribunal. Camboja. Os Estados Unidos reivindicavam que também se exigisse. em todos os casos. o consentimento do Estado da nacionalidade do acusado. quando há a .

em situação de plena igualdade. . com genuinidade. numa língua que compreenda e fale fluentemente. o tribunal lhe nomeará um sempre que o interesse da justiça o exija. Entretanto. sem demora e de forma detalhada. sendo tal assistência gratuita se o acusado carecer de meios suficientes para remunerá-lo. (b) de ser informado. A reivindicação norte-americana não prevaleceu no documento final. (f) se não tiver defensor. (e) de estar presente na audiência de julgamento e a defender-se a si próprio ou a ser assistido por um defensor da sua escolha. Uma vez desencadeada a investigação criminal pelo TPI. para que a intervenção do TPI fosse excluída. (g) de apresentar defesa e a oferecer qualquer outra prova admissível pelo Estatuto. conduzida de forma eqüitativa e imparcial. segundo o qual bastaria que os tribunais americanos se ocupassem. tal argumentação falece diante do princípio de complementaridade. (d) de ser julgado sem atrasos indevidos. são garantidos aos acusados alguns direitos mínimos. motivo e conteúdo dos fatos que lhe são imputados. tais como: (a) de ser ouvido em audiência pública. de tais eventuais crimes. por qualquer dos meios já vistos.45 possibilidade de que possam também ser responsabilizados titulares de altos cargos do Estado. (c) de dispor de tempo e de meios adequados para a preparação da sua defesa e a comunicar-se livre e confidencialmente com um defensor da sua escolha. da natureza.

porém exaustivo. As Penas Aplicáveis pelo Tribunal Dadas as divergências de valores e concepções ideológicas existentes entre os vários Estados-membros. nem se declarar culpado. as penas aplicáveis aos condenados pela prática dos crimes previstos no Estatuto de Roma são as seguintes. oralmente ou por escrito. sem que este seja levado em conta na determinação da sua culpa ou inocência. conforme o artigo 77: (a) pena de prisão por um número determinado de anos. em sua defesa. e a guardar silêncio. até ao limite máximo de 30 anos. A solução encontrada foi a redação de um rol de penas aplicáveis a todos os crimes. . (i) de não ser obrigado a depor contra si próprio. não foi possível chegar-se a um consenso sobre penas específicas para cada crime tipificado no Estatuto. que possibilita o adequado processamento dos responsáveis pelos crimes definidos no Estatuto. (j) de prestar declarações não juramentadas.46 (h) de ser assistido gratuitamente por um intérprete competente e a serem-lhe facultadas as traduções necessárias que a eqüidade exija se não compreender perfeitamente ou não falar a língua utilizada em qualquer ato processual ou documento produzido em tribunal. 3. Tais garantias demonstram a preocupação da comunidade internacional com a consolidação de um devido processo legal (due process of law). genérico.5. Dessa forma.

47 (b) pena de prisão perpétua. bens e haveres provenientes do crime. Uma minoria significativa de delegações . o Tribunal pode aplicar a pena de multa e a de perdimento de produtos. Com relação à Constituição brasileira. a fim de amenizar a sua incompatibilidade com a Constituição de alguns países. No caso de aplicação de prisão perpétua. já que não há previsão semelhante nos estatutos dos tribunais da antiga Iugoslávia e de Ruanda. Porém.dentre as quais podem ser destacadas Portugal. argumentando incompatibilidade com sua Constituição nacional. a revisão é feita ao fim de 25 anos. XLVII. esta proíbe a cominação de pena de caráter perpétuo. CAPITULO IV . 5º. “b”: A aceitação da pena de prisão perpétua foi o único consenso possível entre as delegações cujas divergências não eram simplesmente técnicas. Brasil e demais países latino-americanos – protestou também quanto à inclusão da pena de prisão perpétua. se o elevado grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o justificarem. tal pena foi aceita com alguns temperamentos. mas refletiam profundas diferenças de valores básicos. Além da pena de prisão. Ressalte-se que este tipo de pena (pecuniária) é uma inovação do Estatuto de Roma. nos termos do seu art. As penas são revistas ao fim do cumprimento de um terço da pena.

Parágrafo Único. bem como quaisquer ajustes complementares quem nos termos do inciso I do art. foi encaminhado pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso para a aprovação do Congresso Nacional em 10 de outubro de 2001. 112. 4. fazendo-o perder a possibilidade.388. o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. de 25 de setembro de 2002. 84. assim. mediante o Decreto nº. Assinado em 7 de fevereiro de 2000. com fundamento no art. mas a sua adesão ao tratado. Os países que promoveram a assinatura do texto até 31/12/00 é que podem realizar a sua ratificação. O Congresso Nacional aprovou o texto do Estatuto de Roma. 2º Este Decreto Legislativo entra em vigor na data de sua publicação. de possuir a condição de membro originário do acordo.1. VIII. O Processo de Ratificação e Aprovação Hoje o tratado conta com 139 (cento e trinta e nove) partes e 37 (trinta e sete) ratificações. Art.48 O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL NA CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA 4. através do Decreto Legislativo nº. 49 da Constituição Federal. promulgou o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Ficam sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer atos que possam resultar em revisão do referido Estatuto. As assinaturas após esta data admitirão para o Estado não mais a ratificação ao texto. 1º Fica aprovado o texto do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. da Constituição Federal. acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. . a seguir transcrito: “O Congresso Nacional decreta: Art.” O Presidente da República. aprovado em 17 de julho de 1998 e assinado pelo Brasil em 7 de fevereiro de 2000. de 6 de junho de 2002.

destacam-se os problemas da ausência de coisa julgada. tratar destas matérias uma a uma. previsto no inciso XXXVI do art.Em que o próprio Estado se considere. da extradição de nacionais e de estrangeiros. apesar de sustentar o princípio da complementaridade. mas o Tribunal Penal Internacional entenda que os procedimentos no outro Tribunal tenham obedecido ao propósito de subtrair o . 5º da C. O TPI e a ausência de Coisa Julgada A coisa julgada consiste na qualidade da decisão ou sentença da qual não cabe mais recurso.Com condenação ou absolvição. da imprescritibilidade de crimes e da ausência de imunidade de certos agentes públicos. de 1988. bem como quaisquer ajustes complementares que possam acarretar encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional. Cumpre. (b) . quando. que essa decisão tenha resultado da falta de disposição do referido Estado de levar a cabo processo ou da impossibilidade de fazê-lo. quando o caso estiver sendo objeto de investigação ou processo em Estado que tem jurisdição sobre o mesmo: (a) . 4. prevê a atuação do Tribunal Penal Internacional.49 Um importante ponto a salientar é no que se refere a obrigatoriedade de sujeição à aprovação do Congresso Nacional de quaisquer atos que possam resultar em revisão do Estatuto. da prisão perpétua. A questão da constitucionalidade do Tratado de Roma advém de seu artigo 17. que abre exceção à feitura de coisa julgada por tribunais nacionais.F. ou considerado pelo Tribunal Penal Internacional.2. pois. Dentre as questões de maior relevância.

a complementaridade prevista para o Tribunal agride indiscutivelmente o dogma da coisa julgada interna. deve ser admitida. assim analisando um atraso injustificado no processo. Para se verificar a disposição ou não para agir. reflexamente. a forma como o mesmo.50 acusado de sua responsabilidade penal por crimes sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional. no Brasil. Desta forma.quando simplesmente o caso for suficientemente grave para justificar a ação do Tribunal Penal Internacional. pelo Supremo Tribunal Federal. Como se vê. (d) . mas o Tribunal Penal Internacional entenda que os procedimentos no outro Tribunal não tenham sido conduzidos de forma independente ou imparcial. Porém o artigo 7º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias prevê que: “O Brasil propugnará pela formação de um tribunal internacional dos direitos humanos”. era incompatível com a intenção de efetivamente submeter o indivíduo em questão à ação da justiça. Caso as decisões deste tribunal não pudessem merecer reconhecimento pátrio. promovida. o Tribunal irá considerar também os princípios do devido processo legal reconhecidos no direito internacional. se foi prevista a criação de um tribunal internacional dos direitos humanos. ou as decisões . mas de tal forma que. a jurisdição deste tribunal no Brasil.Com condenação ou absolvição. pois prevê o Tratado de Roma o reexame de questões já decididas em último grau soberano. está sendo ou foi conduzido e o fato do processo não ter sido ou não estar sendo encaminhado de maneira imparcial ou independente. em conformidade com as normas do devido processo reconhecidas pelo direito internacional. em última análise. nas circunstâncias. (c) .

de que o Estado brasileiro foi co-participe – e seu povo anuiu. ante a cláusula pétrea inserida no § 4º do artigo 60 da Carta Magna: [“Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir () IV-os direitos e garantias individuais. 4. por uma interpretação sistemática. apenas aparente. 77. da pena perpétua. nenhum sentido possuiria a participação do Brasil em órgão de tal espécie. O TPI a Prisão Perpétua e a Imprescritibilidade de Crimes O Estatuto de Roma prescreve a pena perpétua se elevado o grau de ilicitude do fato e as condições pessoais do condenado o justificarem (art. na . que a perpétua para boa parte dos crimes alcançados pelo Tribunal Penal Internacional. 1.3. há de perpassar. pela ordem constitucional brasileira. a)]. 5º. fundada em ponderação principiológica. bem como a imprescritibilidade dos crimes de competência do TPI (art. 29). XIX (art. XLVII.51 nacionais não pudessem ser revistas pelo órgão internacional. por força do mecanismo político exercido pelo Congresso Nacional de integração dos tratados no ordenamento jurídico interno – de cooperar e de se submeter a um novo sistema de jurisdição internacional. nos termos do artigo 84. “b”). A Constituição Federal brasileira já prevê pena mais severa [a pena de morte. A solução a favor da recepção. no entanto.”] O conflito entre a previsão do Tratado de Roma e a Constituição Federal é. ou para todos os crimes alcançados. algo que é vedado pela Constituição Federal e nem sequer pode ser alterada por emenda constitucional.

nesta hipótese. XLII e XLIV). E.52 medida em que a ONU atue para configurar o estado de guerra em relação aos atos criminosos praticados. do Tribunal Penal Internacional: “Em mais simples anotações. compatibilizando-se. normativa ou decorrente dos usos e costumes. de nosso ordenamento interno — traduz a consagração de um tribunal alheio aos princípios garantistas do direito penal moderno. diante de todo esse conteúdo. nas disposições estatutárias. e da disposição constitucional de se propugnar pela criação de um tribunal internacional de direito humanos. com razão. de um arcabouço jurídico internacional. que passa assim a abrigá-las sem a necessidade de qualquer alteração formal em seu texto. na medida em que a proibição da pena de prisão perpétua restringiria o legislador interno. assim. cumpriria tão somente ao Tribunal Penal Internacional. as normas do Tratado de Roma e da Constituição Federal brasileira. a afirmação do princípio da prevalência dos direitos humanos no plano internacional. Desse modo. 5º. inexistente à época da promulgação do texto da lei maior. e tão somente ele. mas previsto em suas disposições finais transitórias. Não haveria assim. afirmar que a previsão da pena de prisão perpétua — expurgada. Opção de . Finalizamos com as palavras da Juíza Sylvia Steiner. na criação de um tribunal penal internacional. tenho que a construção. no caso. civis ou militares. apenas são imprescritíveis os crimes de racismo e aqueles relativos à ação de grupos armados. A execução da pena perpétua eventualmente imposta seria impossibilitada tão apenas se o seu cumprimento devesse ocorrer no país. segundo a Carta Magna brasileira. Todavia. pode trazer alterações materiais à Constituição. para fazer valer o seu julgado e evitar expor o Brasil ao descumprimento flagrante do Tratado de Roma. já que. determinar que o cumprimento da pena se dê em outro país qualquer. Não se pode. levam ao entendimento de que as normas do Estatuto desse tribunal operaram mutações substanciais no texto constitucional. De outro lado. reflete-se esse poder difuso para provocar alteração no conteúdo da Constituição. contra a ordem constitucional e o Estado democrático (art. o condenado deveria ser posto em liberdade tão logo ultrapassado o tempo máximo de cumprimento de pena previsto pelas leis nacionais. qualquer incompatibilidade com o texto da lei maior.

102 . assevere-se. 7 do ADCT (“O Brasil propugnará pela formação de um tribunal internacional de direitos humanos”) e o art. que vê nesse tipo de pena a medida da justa retribuição aos mais graves crimes cometidos contra a comunidade internacional. 456-457. da Constituição Federal. O TPI.” 18 4. LI e LII. . por ela adotados. 2003. atuando no sistema normativo penal internacional. São Paulo: Revista dos Tribunais. de forma explícita e mediante uma redação bastante clara e objetiva. 5°. Assim. os institutos da entrega de nacionais e da extradição. O Tribunal Penal Internacional. resta a avaliação serena de sua validade. Sylvia.4. diante da redação do art.53 um grupo de nações. Isso é muito importante para a discussão desses institutos em face do contido no art. In: Escritos em Homenagem a Alberto Silva Franco. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”). 5º. sendo previsto no art. O TPI e a Extradição de Indivíduos Prevê o artigo 89 do Tratado de Roma a entrega de nacionais e estrangeiros pelo Estado. dirigido a qualquer Estado onde tal indivíduo se encontre. deverá ampliar e fortalecer a proteção dos direitos humanos. de inicio. parágrafo 2º da Lei Maior (“Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios ____________________________ 18 STEINER. p. interagindo juntamente com o Direito interno. que o Estatuto de Roma quis distinguir. e de sua compatibilidade com o texto constitucional. De imediato. afastemos a idéia de que a incorporação do Estatuto de Roma no ordenamento jurídico brasileiro implicaria ofensa indevida na soberania brasileira. a Pena de Prisão Perpétua e a Constituição Brasileira. ainda majoritário.

deferindo-o ou não. 1°).na extradição. na extradição.a extradição se rege pelo mecanismo da cooperação entre os Estados. cria relação jurídica ínsita ao princípio da complementaridade. (c) .54 A jurisdição do TPI é complementar à jurisdição penal nacional (art. a pedido deste. de caráter excepcional e complementar à jurisdição nacional. por sua vez. repita-se. não havendo que se falar em ofensa à soberania nacional.irrefutavelmente. em convenção ou no direito interno. 120. pois referem-se a institutos processuais absolutamente distintos e inconfundíveis entre si. desta forma segue algumas razões: (a) . na entrega de nacionais. libera-se o extraditando a um Estado. de caráter excepcional e complementar à jurisdição nacional. o TPI exercerá sua jurisdição penal internacional. por força da incidência do princípio da complementaridade. (b) . vale dizer. até porque a admissibilidade do processamento perante o TPI somente ocorrerá em condições específicas. contudo. por força de previsão contida em um tratado. princípio da igualdade soberana (cooperação horizontal).encerrando. conforme seu art. entrega-se um nacional à jurisdição penal internacional. enquanto que a entrega de nacionais. diante do Estatuto de Roma. jurisdição essa a que o Brasil consentiu. . acentuamos que o Estatuto de Roma não admite reservas (ou ressalvas). por outro Estado. o Estado-requerido (aquele que recebe o pedido extradicional formulado pelo Estado-requerente) apenas exercitará sua jurisdição interna quando da apreciação do mencionado pedido. Importante se faz ressaltar a distinção entre a entrega de indivíduos e a extradição. (d) . apesar de também está inserida no contexto da cooperação judiciária internacional.

de autoria do Deputado Hélio Bicudo. Parece-me óbvio a distinção entre a entrega de um nacional a uma jurisdição internacional. e a entrega de um nacional – esta sim proibida pela Constituição – a um tribunal estrangeiro. da qual o Brasil faz parte.O Princípio da Complementaridade. que exerce sua autoridade sob um outro pavilhão que não o nosso. sobre o assunto.5º. § 3º. 4. 29/ 2000. a uma jurisdição de cuja construção participamos. 2004. Metamorfoses nos conceitos de Direito e de Soberania. da Comissão de Constituição e Justiça e da Redação. introduziu importantes e esperadas modificações no Poder Judiciário brasileiro.55 Finalmente. de 8 de dezembro de 2004. conjugada com a outras nações. Revista do Tribunal Regional Federal. A Emenda Constitucional nº. 19 . portanto. publicada em 31 de dezembro do mesmo ano. quanto à admissibilidade. e que é produto de nossa vontade. em 1992. mediante a Proposta de Emenda Constitucional . A proposta recebeu parecer favorável. O TPI e a Constituição.Primeira Região.. 45. p. na verdade. que teceu longas considerações históricas acerca da estrutura do Poder Judiciário no Brasil e da necessidade de sua reforma.. ____________________________ TOMAZ. Ao passar pelo Senado Federal passou a ter o nº.45 A Reforma do Judiciário teve início. é muito valiosa a opinião de Carlos Alberto Simões de Tomaz: “. Carlos Alberto Simões. e não.5. 96-A.1. daí sua denominação: “Reforma do Poder Judiciário”. A Emenda Constitucional nº. O Art. pugnando por uma Justiça mais moderna e integrada à comunidade.PEC nº.5.” 19 4.4546.

ou seja. posto que a partir desta. nem ser contrária à esta ou à norma Constitucional. § 3º. § 1º) e havendo necessidade de publicação de decreto presidencial para dar eficácia ao tratado nos demais casos. não dependendo de nenhuma outra lei ou decreto para entrar em vigor ou ter validade. a assinatura pelo Presidente da República. Com a entrada em vigor desta Emenda acabou a polêmica sobre a hierarquia dos tratados internacionais sobre direitos humanos em face da Constituição. terão aplicação imediata.ou maioria simples nos demais casos). não havendo a necessidade de publicação de Decreto Presidencial para que o mesmo entre em vigor nos casos de tratados sobre Direitos Humanos (conforme art. sendo dada a posição de que os tratados internacionais têm eficácia de lei ordinária. a aprovação pelo Congresso Nacional da matéria a ele submetida (por três quintos dos membros de cada casa em dois turnos de votação – matéria sobre Direitos Humanos para que tenha hierarquia constitucional . ratificação do Tratado pelo Presidente da República. não podendo tratar de norma referente à lei complementar. haverá a negociação. 5º. todos os tratados aprovados pelo Congresso Nacional por três quintos dos membros de cada uma das casas legislativas. o Supremo Tribunal Federal já havia se posicionado sobre a hierarquia dos tratados em relação ao Direito Interno. serão equivalentes às emendas constitucionais. versa sobre a hierarquia constitucional dos tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos.56 O art. em dois turnos de votação. e de acordo com o § 1º da Constituição Federal. O processo de entrada em vigor dos tratados internacionais não mudará. 5º. terão eficácia de norma constitucional. . Antes da entrada em vigor desta Emenda. da Constituição Federal. Ou seja.

não inseriu expressamente no texto constitucional a adoção da primazia do direito interno sobre o internacional ou a primazia do direito internacional sobre a ordem interna. conforme já visto e possui competência para julgar os crimes mais graves que afetam a comunidade internacional. Todavia.5º. até então. 5º do Estatuto de Roma: . descrevendo que "o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão". § 4º. era omissa quanto à submissão à jurisdição de Tribunal Penal Internacional.2. entrou em vigor para o nosso país a partir de 01/09/2002. conforme Decreto Legislativo 112/2002. 4. do qual o Brasil é signatário. Se isso não ocorre. Agora. todos os tratados internacionais devem ser incorporados legislativamente pelo direito brasileiro. com a Emenda. como já o fizeram a Argentina e o Paraguai.5. como exige para que o tratado ingresse na ordem interna. e logo estabelecer duas ordens jurídicas distintas. O Tribunal Penal Internacional tem sede em Haia. 126 do Estatuto de Roma. que seja aprovado no Congresso Nacional e ao depois promulgado pelo Presidente da República. conforme disposto no art.Crime de genocídio. Crimes contra a humanidade. o tratado não tem eficácia. Logo. O Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Nestes termos. nos termos do art. assinado em 17/07/1998. A nossa Constituição. Crimes de guerra. . respectivamente em 1994 e 1992.57 O Brasil apesar de adotar o dualismo. com a edição de uma norma jurídica. O Art. tem-se entendido que o nosso sistema é dualista com primazia do direito interno. foi acrescentado o § 4º do art. tem competência para julgar os seguintes crimes. 5º da Constituição Federal.

com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais sobre direitos humanos do qual o Brasil seja parte. pois seja pela grande amplitude dos direitos humanos. De inicio. art. que o fará segundo a sua descrição. pode-se apontar desde já inúmeros constrangimentos e questionamentos decorreram deste dispositivo da federalização. Independentemente. que irá determinar o deslocamento ou não da competência da Justiça Estadual para a Justiça Federal. Também é prudente ressaltar que a implementação de tratados e acordos internacionais é obrigação indeclinável da União. da posição que será adotada pelo Legislador. A Federalização dos Crimes contra os Direitos Humanos (CF.6. poderá sucitar. incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal. VA e § 5º. o Procurador-Geral da República. para que assim a aplicação destes dispositivos legais não fiquem entregues ao poder discricionário de seus operadores e destinatários imediatos. como conseqüência direta deste silencio.109. determinará que o deslocamento de competência entre os Tribunais ficará exclusivamente a cargo do PGR. em qualquer fase do inquérito ou processo. perante o STJ. seja pela intensidade da violência.58 4. dentre eles: . assim se o legislador não se manifestar sobre a matéria. se faz necessário regulamentar a delimitação da expressão grave violação dos direitos humanos.) Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos.

como também evita a criação de tribunais ad hoc. ainda. o PGR e o STJ. apenas não se sabe se de forma positiva ou negativa. por qualquer motivo. para a eficácia dos direitos humanos.7. se determinará que alguns objetos relativos ao mesmo tema.quando nos chamados casos difíceis. cria instrumentos jurídicos-processuais capazes de responsabilizar individualmente as pessoas condenadas pelo Tribunal. e ainda. institui uma Justiça Penal Internacional que contribui.59 (a) . CONSIDERAÇÕES FINAIS . O TPI não só pretende acabar com a impunidade daqueles que violarem o Direito Internacional. 4. como visa sanar as eventuais falhas e insucessos dos tribunais nacionais. apesar de legalmente tipificada o preceito da federalização. antecipadamente e ao mesmo tempo por exclusão. e.a possibilidade de impetração de hábeas corpus. optarem por não afeta-los com a jurisdição federal.ao delimitar o alcance deste instituto. Relevância do Tribunal Penal Internacional para proteção internacional dos direitos humanos O TPI é totalmente relevante para proteção internacional dos direitos humanos e marcará essa proteção no Século XXI. (b) . com a delimitação da abrangência da em expressão grave violação dos direitos humanos. (c) . em razão de possível desrespeito ao Principio do Juiz Natural. não poderão ser atingidos pela federalização.

“É o instrumento único que reafirma a fé nos direitos humanos fundamentais protegidos e na dignidade e valor da pessoa humana. sem discriminação de qualquer natureza. estará o Brasil cumprindo sua vocação de Estado que tem por fundamento a dignidade da pessoa humana. e por objetivos a construção de uma sociedade livre. . o ordenamento constitucional brasileiro está perfeitamente apto a operar com a Justiça Penal Internacional. portanto.60 O tema proposto para a monografia de final de curso foi assaz gratificante notadamente em face do interesse pela área internacional. justa e solidária. mais nada!” 20. promovendo o bem de todos. julgar e punir os violadores dos direitos humanos. O perfil do Tribunal Penal Internacional não é apenas o de uma Corte punitiva. Ou seja. Estão sujeitos à competência da Corte crimes que envolvem centenas. que chega ao mundo em boa hora para processar. mas uma Corte que visa a reparação das vítimas. É. por vezes milhares de vítimas. Com a ratificação do Tratado de Roma e a participação no Tribunal Penal Internacional. é uma instituição nitidamente relevante no sentido de punir e retirar do convívio coletivo os responsáveis pela prática dos piores e mais bárbaros crimes cometidos no mundo. É um modelo novo de justiça penal que agrega experiências judiciais criadas para o julgamento e punição dos autores de violações massivas de direitos humanos por que passou a humanidade neste século. esse resgate da cidadania mundial que se quer ver acontecer. De tudo que foi apresentado podemos crer que o Tribunal Penal Internacional é importantíssimo para o futuro da humanidade.

p.87.. Valério de Oliveira..... . ANEXO Anteprojeto de Lei no. ed.. 1.61 ____________________________ 20 MAZZUOLI.Tribunal Penal Internacional e o Direito Brasileiro..... São Paulo: Editora Premier Máxima. de 2002.... 2005...

sendo de outra nacionalidade ou apátrida. Aplica-se esta lei aos crimes cometidos em território nacional ou. Os princípios gerais deste Título aplicam-se ao crime de genocídio. dispõe sobre a cooperação judiciária com o Tribunal Penal Internacional e dá outras providências. §1°. graça ou indulto. ingresse em território sob jurisdição brasileira. no todo ou em parte. inafiançáveis e insuscetíveis de anistia. . 3o. crimes de guerra e crimes contra a administração da justiça do Tribunal Penal Internacional. embora cometidos no estrangeiro. 4o. §3°. §2°. crimes contra a humanidade e crimes de guerra serão punidos com pena privativa de liberdade e multa. previstos no Estatuto de Roma e em outros tratados ratificados pelo Brasil. crimes contra a humanidade e crimes de guerra são imprescritíveis. nos termos do seu Estatuto. Art. bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. Art. 2o. Ressalvam-se as hipóteses de pedidos concorrentes e de entrega ao Tribunal Penal Internacional. a opção pela extradição dependerá de efetiva disposição de julgamento pelo Estado requerente. Se o agente for estrangeiro e o crime tiver sido cometido fora do território nacional. Título I DOS PRINCÍPIOS GERAIS Art. os crimes de guerra e os crimes contra a administração da justiça do Tribunal Penal Internacional. crimes contra a humanidade. previstos nesta Lei. 5o. Os crimes de genocídio. Parágrafo único. Extingue-se a punibilidade apenas pela morte do agente e pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso. crimes contra a humanidade e crimes de guerra. 1o. Art. Esta lei define o crime de genocídio. os crimes contra a humanidade.62 Define o crime de genocídio. dispõe sobre a cooperação judiciária com o Tribunal Penal Internacional e dá outras providências. o agente seja brasileiro ou. Art. Os crimes de genocídio. Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão.

podendo o juiz. O exercício de cargo ou função oficial. não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. aplicar a pena do crime consumado. Art. civil ou militar. quando: . o dano causado pela infração . Não se aplica aos crimes previstos nesta lei o disposto no art. quando. dependendo do caso. deveria saber que os agentes estavam cometendo ou pretendiam cometer tais crimes. II. em razão de não ter exercido um controle apropriado sobre esses subordinados. não eximirá o agente da responsabilidade penal. 9o. II. ou sua autoridade e controle efetivo. devia e podia evitar sua prática e omitiu-se deliberadamente quando lhe era possível impedi-lo ou fazê-lo cessar a tempo de evitar as ameaças ou danos. o comandante militar ou a pessoa que atue efetivamente como comandante militar. tentado. responde ainda pelos crimes previstos nesta lei: I. Parágrafo único. tenha reparado. 7o. e não tenha adotado todas as medidas necessárias e razoáveis no âmbito de sua competência para prevenir ou reprimir sua prática ou para levar o caso ao conhecimento das autoridades competentes para fins de investigação e persecução.63 Art. o superior pelos crimes que tiverem sido cometidos por subordinados sob sua autoridade e controle efetivo. Art. Art. iniciada a sua execução. pelos crimes cometidos por agentes sob o seu comando e controle efetivo. oficial ou não. 6o. Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime consumado. No que se refere às relações entre superior e subordinado não descritas no inciso II. em caso de excepcional gravidade. cargo ou função. nem poderá. e III. diminuída de um a dois terços. 10. Além de outros fatores determinantes de responsabilidade penal. Diz-se o crime : I. Art. per se. quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal . por não ter exercido apropriadamente o controle sobre esses agentes quando: sabia ou. II. 16 do Código Penal. constituir motivo para redução da pena. por força de ofício. permitido o livramento condicional desde que o condenado: I. quem. tenha cumprido mais de dois terços do total das penas impostas. O cumprimento da pena privativa de liberdade será integralmente em regime fechado. tenha comprovado comportamento satisfatório durante a execução da pena e apresente condições pessoais que façam presumir que não voltará a delinqüir. em razão das circunstâncias do momento. 8o. consumado. salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo. III.

se previsto em lei. mas permite a punição por crime culposo. se evitável. Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato. §3º O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Art. deliberadamente. O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo. Art. se existisse. por erro plenamente justificado pelas circunstâncias. 12. §1º É isento de pena quem. as condições ou qualidades da vítima. neste caso. tornaria a ação legítima. se inevitável. poderá diminuí-la de um sexto a um terço. não constitui causa excludente. civil ou militar. . Art. ter ou atingir essa consciência.64 a) teve conhecimento ou. e b) não tenha dado causa à situação da coação. supõe situação de fato que. não levou em consideração a informação que indicava que os subordinados estavam cometendo tais crimes ou se preparavam a cometê-los. senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime. A obediência a ordens de superior hierárquico. b) os crimes estavam relacionados com atividades sob sua responsabilidade ou controle efetivos. e c) a ordem não for manifestamente ilegal. O erro sobre a ilicitude do fato. isenta da pena. nas circunstâncias. 13. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como crime culposo. Parágrafo único. exceto nos crimes de guerra quando : a) estiver o agente obrigado por lei a obedecer a ordens emanadas de autoridade ou do superior hierárquico. 14. §2º Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. quando lhe era possível. Somente será considerada irresistível a coação decorrente de ameaça de morte ou de ofensa grave à integridade física ou à saúde exercida contra o agente ou contra terceiros. Não se consideram. e c) não adotou todas as medidas necessárias e razoáveis no âmbito de sua competência para prevenir ou reprimir sua prática ou para levar o caso ao conhecimento das autoridades competentes para fins de investigação e persecução. O desconhecimento da lei é inescusável. desde que o agente: a) atue de forma razoável e necessária para evitar a coação. Art. 11. b) não tiver conhecimento de que a ordem era ilegal.

19. 15. 20. Pena – reclusão. Associarem-se mais de 3 (três) pessoas para prática dos crimes mencionados no artigo anterior: Pena: Metade da cominada ao crime para o qual se associaram. d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo. c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionarlhe a destruição física total ou parcial. Título II DO CRIME DE GENOCÍDIO Genocídio Art. com a intenção de destruir. Associação para a prática de genocídio Art. de 5 (cinco) a 12 (doze) anos. 16. étnico. 18. Quem.65 Art. no todo ou em parte. Art. Pena . se este se consumar. racial ou religioso. de 5 (cinco) a 12 (doze) anos. de 5 (cinco) a 12 (doze) anos. b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membro do grupo. Os crimes de que trata esta lei não serão considerados crimes políticos para efeitos de extradição. Pena – reclusão. direta e publicamente alguém a cometer genocídio Pena: Metade das penas do crime incitado. e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo. Pena . Os crimes previstos nesta lei atentam contra interesses da União. de 5 (cinco) a 12 (doze) anos. sendo da competência da Justiça Federal ou da Justiça Militar da União.reclusão. Incitar. § 1º A pena pelo crime de incitação será a mesma de crime incitado. grupo nacional.reclusão. Pena . . no que não contrariarem esta lei. Incitação ao genocídio Art. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. como tal: a) matar membro do grupo. Aplica-se o Código Penal Brasileiro aos civis e o Código Penal Militar aos militares. Art 17.reclusão.

maior de 65 (sessenta e cinco) anos. num contexto de extermínio em massa. quando: a) o crime for cometido por autoridade ou agente público. maior de 65 (sessenta e cinco) anos. gestante. oficial ou não. c) a vítima for menor de 14 (catorze) anos. Título III DOS CRIMES CONTRA A HUMANIDADE Capítulo I Disposições Gerais Art. ou tiver diminuída por qualquer causa a capacidade de resistência. 25. 23. quando: a) o crime for cometido por autoridade ou agente público. aumenta-se a pena de um a dois terços.66 § 2º A pena será aumentada de um terço. . Matar alguém. gestante. portador de necessidades especiais. 22. Consideram-se crimes contra a humanidade as condutas praticadas no contexto de ações generalizadas ou sistemáticas dirigidas contra população civil. portador de necessidades especiais. Pena: reclusão. A pena é aumentada de um a dois terços. c) a vítima for menor de 14 (catorze) anos. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. Art. 21. Pena: reclusão. ou tiver diminuída por qualquer causa a capacidade de resistência. 24. com o fim de causar a destruição no todo ou em parte de população civil. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos Crime contra a humanidade de extermínio Art. em conformidade com a política de um Estado ou de uma organização. Matar alguém. Capítulo II Dos crimes contra a humanidade Crime contra a humanidade de homicídio Art. Para os efeitos desse título. de praticar ou promover essas ações. Aumento de pena Art. b) o crime for cometido mediante concurso de pessoas. b) o crime for cometido mediante concurso de pessoas. inclusive mediante privação de meios necessários à sua subsistência ou imposição de condições de vida adversas. quando a incitação for cometida por meio da imprensa.

Pena: reclusão. Pena: reclusão. Constranger alguém. à conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal. enfermidade incurável. Crime contra a humanidade de violência sexual Art. Pena – reclusão.reclusão. cruéis ou desumanos Art. tais como comprar. mediante violência. ou quaisquer outros atos que as reduzam à condição análoga à de escravo. direta ou indiretamente. Crime contra a humanidade de deportação ou deslocamento forçado Art. §3°. 30. com emprego de violência ou grave ameaça. Submeter alguém. deformidade permanente. 27. sem qualquer motivo reconhecido pelo direito internacional. Promover. do local em que se encontram legalmente. Pena . emprestar ou dar em troca. §2°. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. poder ou autoridade. ou submeter alguém a grave restrição da liberdade física. A pena aumenta-se de um a dois terços se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. §1°. de 6 (seis) a 12 (doze) anos.67 Crime contra a humanidade de escravidão Art. sob sua guarda. Exercer sobre alguém quaisquer atos próprios do direito de propriedade. deformidade permanente. enfermidade incurável. sentido ou função. Não constitui tortura a dor ou sofrimento inerentes à execução de sanções legítimas. §1°. ameaça ou qualquer outra forma de coação. Pena – reclusão. 26. Crime contra a humanidade de prisão ou restrição de liberdade Art. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. 29. Prender. perda ou inutilização de membro. A pena será duplicada se resultar morte. a intenso sofrimento físico ou mental. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. a deportação ou o deslocamento de pessoas. vender. infringindo normas do direito internacional. 28. . Crime contra a humanidade de tortura e tratamentos degradantes. sentido ou função. mediante violência ou grave ameaça. ou debilidade. perda ou inutilização de membro. A pena aumenta-se de um a dois terços se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. ou debilidade.

contra a vítima ou terceira pessoa. 36. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. A pena será duplicada se resultar morte. ou quaisquer outros atos que o reduza à condição análoga à de escravo. Pena: reclusão. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Pena: reclusão. Crime contra a humanidade de escravidão sexual Art. vender. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Constranger alguém. Pena: reclusão. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Pena: reclusão. emprestar ou dar em troca. grave ameaça. direta ou indiretamente. Crime contra a humanidade de gravidez forçada Art. Constranger alguém a presenciar a prática de violência ou de agressão sexual. de 5 (cinco) a 10 (dez) anos.68 §2°. 35. com o fim de obter qualquer tipo de vantagem. ou qualquer outra forma de coação. Engravidar ou promover a gravidez. Crime contra a humanidade de prostituição forçada Art. Crime contra a humanidade de esterilização forçada Art. praticando ou permitindo que com ele se pratique ato de natureza sexual. coação ou intimidação. 31. Esterilizar alguém sem o seu consentimento válido. Pena – reclusão. tais como comprar. Exercer sobre alguém quaisquer atos próprios do direito de propriedade. Constranger alguém. mediante violência. a qualquer forma de prostituição. 34. Crime contra a humanidade de agressão sexual Art. 32. Pena: reclusão. com o fim de modificar ou comprometer a unidade étnica de um grupo ou de cometer outras violações graves do direito internacional. mediante violência ou grave ameaça a praticar ou permitir que com ele se pratique atos obscenos. ameaça. mediante violência. Crime contra a humanidade de privação de direitos . 33. Crime contra a humanidade de presença forçada em violência ou agressão sexual Art.

Para os fins deste artigo. Pena: reclusão. 39. §2°. cultural ou de gênero. étnico. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. a ocultação da vítima ou a omissão de informações. religioso. Crime contra a humanidade de atos desumanos Art. sem justa causa. apoio ou aquiescência destes. Pena: reclusão. A pena aumenta-se de um a dois terços. Pena: reclusão. enfermidade incurável. deter ou seqüestrar alguém. ainda que não tenham agido em conluio ou com o conhecimento prévio de todas as condutas praticadas e de seus autores. racial.69 Art. Crime contra a humanidade de desaparecimento forçado de pessoas Art. 40. Ofender a integridade física ou saúde física ou mental. se a conduta não constituir crime mais grave. 37. 38. São responsáveis pela prática do delito os agentes que. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. Apreender. com o fim de manter este regime. deixando-a fora do amparo legal por um período prolongado de tempo. Praticar qualquer crime previsto neste título. sentido ou função. Pena: reclusão. perda ou inutilização de membro. Crime contra a humanidade de segregação racial Art. de seus direitos fundamentais. Privar alguém. em nome de um Estado ou organização política ou com a autorização. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. no contexto de um regime institucionalizado ou tolerado de opressão e dominação sistemáticas de um grupo racial ou étnico sobre outro. por pertencer a grupo político. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos § 1º. § 2º. A pena será duplicada se resultar morte. de qualquer forma. mas tenha sido efetivada com o objetivo de impedir a vítima ou seus familiares e afins de se valerem dos recursos legais para sua localização ou soltura. ocultando a privação da liberdade ou negando informação sobre a sua sorte ou paradeiro. considera-se praticado o delito ainda que a privação de liberdade decorra de ordem legal. ou debilidade. Título IV DOS CRIMES DE GUERRA Capítulo I Disposições gerais . participem ou contribuam para a apreensão. §1°. deformidade permanente. detenção ou seqüestro.

Art. 41. §3o. . 42. c) a população civil e os civis protegidos pela Convenção III de Genebra de 12 de agosto de 1949 ou pelo seu Protocolo Adicional I de 8 de junho de 1977. III. enquanto a vítima continuar sob o domínio da parte beligerante. 43. após cessadas as hostilidades. Consideram-se crimes de guerra os praticados em tempo de conflito armado ou. Consideram-se pessoas protegidas para efeito deste título: I. b) os prisioneiros de guerra protegidos pela Convenção III de Genebra de 12 de agosto de 1949 ou pelo seu Protocolo Adicional I de 8 de junho de 1977. §1o. no exercício do direito dos povos à autodeterminação. mesmo que essa ocupação não encontre qualquer resistência militar. ainda que o estado de guerra não seja reconhecido por um deles. II. Considera-se conflito armado internacional os casos: I. Para efeito do caput e do §1° do presente artigo. em que os povos lutam contra a dominação colonial. sob chefia de um comandante responsável. de guerra declarada ou de qualquer outro conflito armado que possa surgir entre dois ou mais Estados. 45. consagrado na Carta das Nações Unidas e na Declaração relativa aos princípios do direito internacional no que diz respeito às relações amigáveis e à cooperação entre os Estados. entre suas forças armadas e as forças armadas dissidentes. ou grupos armados organizados que. Em conflitos armados internacionais : a) os feridos. atos de violência isolados e esporádicos e outros atos análogos. que não são considerados conflitos armados. O presente artigo não se aplica às situações de tensão e perturbações internas. enfermos e náufragos e o pessoal sanitário ou religioso. de ocupação total ou parcial do território de um Estado. protegidos pelas Convenções I e II de Genebra de 12 de agosto de 1949 ou pelo seu Protocolo Adicional I de 8 de junho de 1977. A necessidade militar não exclui a responsabilidade penal. a ocupação estrangeira e contra os regimes de segregação. 44. tais como motins.70 Art. Art. Art. exerçam sobre uma parte de seu território um controle tal que lhes permita levar a cabo operações militares contínuas e concertadas. Considera-se conflito armado não-internacional todos os conflitos armados que não estejam cobertos pelo artigo precedente e que se desenrolem em território de um Estado. Também considera-se conflito armado não-internacional outras graves perturbações da ordem interna em que haja emprego duradouro de forças militares. Art. §2o. o conflito armado pode ser levado a cabo por grupos armados organizados entre si.

incluídos os membros das forças armadas que tenham deposto as armas e as pessoas colocadas fora de combate por enfermidade. estiver em poder de uma parte adversária. quando: a) o crime for cometido mediante concurso de pessoas. as pessoas definidas em um tratado do qual a República Federativa do Brasil seja parte e que sejam tuteladas de maneira similar às normas previstas nesse artigo. os bens e locais sanitários ou religiosos não são considerados objetivos militares quando utilizados para sua atividade fim. finalidade ou utilização contribuam eficazmente à ação militar e cuja destruição total ou parcial. Parágrafo único. II. captura ou neutralização ofereça. São bens especialmente protegidos os identificados por emblemas distintivos reconhecidos pelo direito internacional. Parágrafo único. 47. protegidos pelas Convenções de Genebra de 12 de agosto de 1949 ou pelo seu Protocolo Adicional I de 8 de junho de 1977. A pena é aumentada de um a dois terços. No marco dos conflitos armados internacionais ou não. 3º comum às quatro Convenções de Genebra de 12 de agosto de 1949 ou pelo seu Protocolo Adicional II de 8 de junho de 1977. conforme definição nos tratados internacionais.71 d) as pessoas fora de combate e o pessoal da potência protetora e de seu substituto. Art. 46. Mesmo pertencendo às forças armadas. ferimento. os objetivos militares limitam-se àqueles que por sua natureza. exprimir claramente a intenção de se render. for incapaz de se defender. Parágrafo único. Em conflitos não-internacionais. Art. 49. III. a depender do caso. conseqüentemente. protegidos pela Convenção II da Haia de 29 de julho de 1899. uma vantagem militar concreta. ou por qualquer outra causa. detenção. ou III. as pessoas que não participem diretamente das hostilidades ou que não mais delas participem. localização. tiver perdido os sentidos ou se encontrar por qualquer outra forma em estado de incapacidade devido a ferimentos ou enfermidade e. 48. Considera-se bem protegido todo bem que não seja considerado objetivo militar. Art. . Art. ou II. protegidas pelo Art. e) os parlamentários e as pessoas que os acompanhem. No que diz respeito aos bens. Considera-se pessoa fora de combate toda aquela que se abstenha de atos de hostilidade e não tente se evadir e: I. Aumenta-se a pena de um terço se o agente é mercenário. nas circunstâncias do caso.

gestante. A pena será duplicada se resultar morte. se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. Pena – reclusão. deformidade permanente. A pena aumenta-se de um terço se o crime é praticado com o fim de obter informação ou confissão. §2°. Crime de guerra de submissão à experiência biológica. que não seja justificada por tratamento médico.reclusão. Matar pessoa protegida. intimidar ou coagir. § 1o. médica ou científica Art. expondo sua integridade física ou saúde física ou mental à grave perigo. §2°. Crime de guerra de tortura Art. médica ou científica de qualquer tipo. deformidade permanente. sentido ou função. perda ou inutilização de membro. odontológico ou hospitalar. §2°. ou tiver diminuída. §1°. Pena: reclusão. perda ou inutilização de membro. 50. ou debilidade. enfermidade incurável. a capacidade de resistência. se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. Causar dor ou sofrimento físico ou mental intensos a pessoa protegida. A pena aumenta-se de um terço a dois terços se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. se a conduta não constituir crime mais grave. 53. Submeter pessoa protegida a experiência biológica. sentido ou função. A pena aumenta-se de um a dois terços. de 15 (quinze) a 30 (trinta) anos. A pena aumenta-se de um a dois terços. deformidade permanente. §1°. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. 52. . Ofender a integridade física ou saúde física ou mental de pessoa protegida. Crime de guerra de tratamento desumano Art. nem realizada no interesse dela. castigar. §3°. ou debilidade. sentido ou função. A pena será duplicada se resultar morte.72 b) a vítima for menor de 14 (catorze) anos. enfermidade incurável. Capítulo II Conflitos Armados de Caráter Internacional Crime de guerra de homicídio Art. 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Pena. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. perda ou inutilização de membro. maior de 65 (sessenta e cinco) anos. enfermidade incurável. portador de necessidades especiais. 51. por qualquer causa. A pena será duplicada se resultar morte. ou debilidade. Pena – reclusão.

Pena –reclusão. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. 57. pessoa jurídica ou pessoa física a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. de 6 (seis) a 12 (doze) anos Crime de guerra de confinamento ilegal Art. indevidamente. a participar de operação bélica contra seu país ou suas forças armadas ou a prestar serviço nas forças armadas de país inimigo. Crime de guerra de deportação ou transferência indevida Art. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. negando-lhe as garantias judiciais definidas nas Convenções de Genebra de 1949. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. mediante violência ou ameaça. 54. Confinar indevidamente pessoa protegida. sem imperiosa necessidade militar. Crime de guerra de constrangimento a prestar serviço em força inimiga Art. Constranger pessoa protegida. Pena – reclusão. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. Pena – reclusão. 59. uma organização internacional. Pena – reclusão. nos seus Protocolos Adicionais de 1977 ou na Constituição Federal. deter ou manter como refém pessoa protegida para obrigar um Estado. Pena – reclusão. Pena – reclusão. Capturar. inutilizar no todo ou em parte. inutilizar no todo ou em parte. Na mesma pena incorre quem destruir. subtrair ou apropriar-se de bem especialmente protegido. Crime de guerra de ataque contra a população civil ou civis . Parágrafo único. 56. Crime de guerra de tomada de reféns Art. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. Deportar ou transferir para outro Estado ou lugar. pessoa protegida.73 Crime de guerra de destruição ou apropriação de bens protegidos Art. Privar pessoa protegida de julgamento justo e imparcial. subtrair bens protegidos em grande escala ou apropriar-se deles. 58. Destruir. 55. Crime de guerra de denegação de justiça Art.

Pena .74 Art. Atacar bens civis que não sejam objetivos militares. Na mesma pena incorre quem ataca participante de missão de manutenção de paz ou de assistência humanitária. zonas desmilitarizadas e que não sejam objetivos militares. Crime de guerra de perfídia Art. que esteja na condição equivalente à de bem civil. material. assim definida na Carta das Nações Unidas. Parágrafo único. A pena será duplicada se da conduta resultar morte. Capturar adversário mediante perfídia. §1°. 60. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. Pena – reclusão. duradouros e graves ao meio ambiente que seriam manifestamente excessivos em relação à vantagem militar concreta e direta que se previa.reclusão. se o fato não constituir crime mais grave. que esteja na condição equivalente à de civil. . Crime de guerra de ataque a local não defendido Art. sentido ou função. Crime de guerra de ataque contra bens civis Art. povoados ou edificações que não estejam defendidos. de 5 (cinco) a 10 (dez) anos. 61. A pena aumenta-se de um a dois terços se da conduta resultar danos.reclusão. Na mesma pena incorre quem ataca instalação. enfermidade incurável. Atacar população civil ou civis que não participem diretamente das hostilidades. Lançar ataque sabendo que poderia causar perdas acidentais de vidas humanas. unidade ou veículo participante de missão de manutenção de paz ou de assistência humanitária. assim definida na Carta das Nações Unidas. e duplica-se se resultar mortes ou lesões a civis. Pena – reclusão. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. 63. ou debilidade. 62. 64. A pena aumenta-se de um a dois terços se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. Parágrafo único. Pena . Atacar por qualquer meio cidades. §1°. §2°. Crime de guerra de ataque excessivo e desproporcional Art. aldeias. Aumenta-se a pena de um sexto a um terço se a vítima estiver identificada pelos emblemas distintivos de proteção internacional. deformidade permanente. lesões a civis ou danos a bens de caráter civil ou danos extensos. Pena – reclusão. §2°. perda ou inutilização de membro.

66. Mutilar pessoa protegida. Atacar edificação. Pena – reclusão. Parágrafo único. sempre que não sejam objetivos militares. 65. tais como simular: I. de 8 (oito) a 12 (doze) anos. Transferir.reclusão. Pena . de Estado neutro. extirpando-lhe membro. intenção de negociar mediante o uso de bandeira parlamentar ou simular a rendição. 69. IV. parte de sua própria população civil para o território ocupado ou transferir a totalidade ou parte da população do território ocupado. Crime de guerra de ataque a bem identificado com emblema de proteção Art. Crime de guerra de transferência de população civil pela Potência Ocupante Art. órgão ou parte do corpo. Pena . ou outro bem que utilize emblema distintivo ou qualquer outro método que o identifique como protegido pelo direito internacional. direta ou indiretamente. às artes. ou uniforme. dentro ou para fora desse território. hospital ou lugar onde se agrupam doentes e feridos. de outro Estado não-Parte do conflito ou da parte adversária. II. Crime de guerra de não dar quartel Art.reclusão. Crime de guerra de atacar bem protegido Art. A pena será duplicada se resultar morte e as circunstâncias evidenciarem que o agente não quis o resultado nem assumiu o risco de produzi-lo. incapacidade causada por ferimento ou enfermidade. à instrução. 68. Constitui perfídia valer-se da boa-fé de adversário. unidade ou veículo sanitário. fazendo-o crer que tem o direito de receber ou a obrigação de assegurar a proteção prevista pelas regras de direito internacional aplicáveis a conflitos armados. às ciências ou à beneficência.reclusão. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. bandeira ou insígnia das Nações Unidas. Crime de guerra de mutilação Art. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. condição de civil ou de não-combatente. monumento histórico. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. III. Pena . condição de protegido mediante o uso de sinal ou emblema internacionalmente reconhecidos. Ordenar ou declarar que não deve haver sobreviventes. . ameaçar o adversário de tal fato ou conduzir as hostilidades em função dessa decisão.75 §3°. 67. Atacar edificação destinada ao culto religioso.

reclusão. gases asfixiantes ou tóxicos. cause dano supérfluo ou sofrimento desnecessário ou produza efeito indiscriminado. de qualquer outra forma. Crime de guerra de saque Art. 74. gás asfixiante. de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos. Submeter alguém a tratamento humilhante ou degradante ou que. Pena . por sua própria natureza. materiais e métodos de guerra proibidos Art. 71. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. de 5 (cinco) a 12 (doze) anos. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. tal como bala de capa dura que não cubra totalmente a parte interior ou que tenha incisões e outros projéteis proibidos por tratados dos quais a República Federativa do Brasil seja parte. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos.76 Pena .reclusão. de 5 (cinco) a 12 (doze) anos. 72. capazes de causar a morte ou grave dano à saúde de outrem. Pena . Destruir ou apreender bens do inimigo. Crime de guerra de uso de projéteis proibidos Art. projéteis. 70. ou líquido. Crime de guerra de uso de veneno ou armas envenenadas.reclusão.reclusão. atente contra sua dignidade. 75. 73. Praticar o saque.reclusão. ou material análogo Art. Utilizar projétil que se expande ou se alastre facilmente no corpo humano. Crime de guerra de destruição ou apreensão dos bens do inimigo Art. .reclusão. Pena . tóxico ou similar. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. Crime de guerra de uso de armas. Utilizar veneno ou arma envenenada. material ou dispositivo análogo. Pena . Pena . Pena – reclusão. a menos que uma vantagem militar precisa o torne imperativo. material ou método de guerra que. projétil. Crime de guerra de tratamentos ultrajantes Art. Utilizar arma. em violação a tratado do qual a República Federativa do Brasil seja parte.

direta ou indiretamente. ou quaisquer outros atos que a reduza à condição análoga à de escravo. Engravidar ou promover a gravidez. de 6 (seis) a 12 (doze) anos. com o fim de obter qualquer tipo de vantagem. mediante violência ou grave ameaça a praticar ou permitir que com ele se pratique atos obscenos. Pena . coação ou intimidação. ou debilidade. perda ou inutilização de membro. 77. tais como comprar. Pena: reclusão. vender. contra a vítima ou terceira pessoa. Pena: reclusão. mediante violência ou grave ameaça. Crime de guerra de agressão sexual Art. Constranger alguém. Pena: reclusão. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Pena: reclusão. . 78. com o fim de modificar ou comprometer a unidade étnica de um grupo ou de cometer outras violações graves do direito internacional. mediante violência. A pena será duplicada se resultar morte. Constranger alguém. de 5 (cinco) a 10 (dez) anos. deformidade permanente. ameaça. 81. 80. Exercer sobre alguém quaisquer atos próprios do direito de propriedade. Crime de guerra de gravidez forçada Art. praticando ou permitindo que se pratique qualquer ato de natureza sexual. 79. Crime de guerra de presença forçada em violência ou agressão sexual Art. Crime de guerra de prostituição forçada Art. Constranger alguém. §1°.77 Crime de guerra de violência sexual Art. 76. mediante violência. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Crime de guerra de escravidão sexual Art. A pena aumenta-se de um a dois terços se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. emprestar ou dar em troca.reclusão. grave ameaça. à conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal. ou qualquer outra forma de coação. enfermidade incurável. direta ou indiretamente. Constranger alguém a presenciar a prática de violência ou agressão sexual. §2°. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. sentido ou função. a qualquer forma de prostituição.

86. sentido ou função. enfermidade incurável. Crime de guerra de inanição de civis Art. Pena: reclusão. 85. 83. Recrutar ou alistar menor de 18 anos nas forças armadas nacionais ou em grupo armado organizado. Parágrafo único. §2°. 84. inclusive por meio da obstrução da chegada de suprimentos de socorro. Crime de guerra de não repatriamento Art. Pena – reclusão. de 5 (cinco) a 8 (oito) anos. Utilizar a inanição de civis como método de guerra. Crime de guerra de esterilização forçada Art. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Pena – reclusão. Crime de guerra de recrutamento ou alistamento de menor Art. Esterilizar alguém sem o seu consentimento válido. ou debilidade. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. Pena – reclusão. §1°. Utilizar a presença de civis ou outras pessoas protegidas como escudo de proteção de objetivo militar ou para favorecer. deformidade permanente.reclusão. perda ou inutilização de membro. A pena aumenta-se de um sexto a um terço se o menor participar das hostilidades. de 8 (oito) a 15 (quinze). Opor-se injustificadamente ao repatriamento de civil ou de prisioneiro de guerra. 82. dificultar ou impedir operações militares. Capítulo III Conflitos Armados de Caráter Não-Internacional . Crime de guerra de escudo humano Art. de 5 (cinco) a 8 (oito). A pena será duplicada se da conduta resultar morte. A pena aumenta-se de um a dois terços se da conduta resultar incapacidade permanente para o trabalho. de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. privando-os de meios necessários à sua sobrevivência.78 Pena – reclusão. Pena .

Fazer afirmação falsa. Pena – reclusão. 92. tradutor ou intérprete para fazer afirmação falsa. perito.79 Art. Apresentar provas perante o Tribunal Penal Internacional sabendo que são falsas. As condutas previstas no Capítulo II deste Título. material ou ideologicamente. Pena – reclusão. prometer dinheiro. recompensa ou qualquer outra vantagem à testemunha. tradutor ou intérprete no Tribunal Penal Internacional ou interferir no seu depoimento ou manifestação. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 93. também serão consideradas crimes quando praticadas em conflitos armados de caráter não-internacional. 90. 88. de 1(um) a 3 (três) anos. tradutor ou intérprete em virtude de depoimento ou manifestação prestados perante o Tribunal Penal Internacional. Pena – reclusão. de 1(um) a 3 (três) anos. 65 e 86. de 1(um) a 3 (três) anos. Uso de prova falsa Art. oferecer. quando não processados pelo Tribunal Penal Internacional. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. salvo aquelas descritas nos artigos 55. Pena – reclusão. Impedir ou dificultar o comparecimento de testemunha. estando sujeitas às mesmas penas. Capítulo II Dos crimes contra a administração da justiça do Tribunal Penal Internacional Falso testemunho ou falsa perícia Art. perante o Tribunal Penal Internacional. Dano processual . Corrupção ativa Art. Título V DOS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA DO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL Capítulo I Disposição geral Art. 89. Dar. tradutor ou intérprete. Pena – reclusão. 87. Obstrução processual Art. ou negar ou calar a verdade como testemunha. negar ou calar a verdade perante o Tribunal Penal Internacional. Retorsão Art. Compete à justiça brasileira processar e julgar os crimes previstos neste título. 91. perito. perito. Usar de violência ou grave ameaça como represália contra testemunha. perito.

tais como: a) identificação e localização de pessoas ou coisas. para si ou para outrem. 97. oferecer. mas em razão da qualidade de funcionário do Tribunal Penal Internacional. Para os fins dessa lei. Pena – reclusão. Pena – reclusão. d) requisição de documentos.prisão preventiva e outras formas de limitação de liberdade. Pena – reclusão. receber ou aceitar promessa de vantagem indevida. ainda que fora da função ou antes de assumi-la. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. 98. subtrair. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. suprimir. de 1(um) a 3 (três) anos. 94. Destruir. recompensa ou qualquer outra vantagem a funcionário do Tribunal Penal Internacional ou colocar entraves em seu trabalho para constrangê-lo ou induzi-lo a não cumprir suas funções ou exercê-las de maneira indevida. e) facilitação do comparecimento voluntário perante o Tribunal Penal Internacional de pessoas que deponham na qualidade de testemunha ou de perito. prometer dinheiro. de 2 (dois) a 5 (cinco) anos. c) interrogatórios. 95. Corrupção passiva Art. Dar. exigir. outras formas de cooperação.reclusão. exames e inspeções. Solicitar. Usar de violência ou grave ameaça como represália contra funcionário do Tribunal Penal Internacional em razão de função desempenhada por ele ou por outro funcionário ou ameaçar com objetivo de constrangê-lo a não cumprir suas funções ou exercê-las de maneira indevida. prisão e entrega de pessoas. Retorsão contra funcionário Art. 96. . III. II. retardar ou interferir em prejuízo da coleta de provas em procedimento do Tribunal Penal Internacional. falsificar no todo ou em parte. b) tomada de depoimentos e realização de perícias.80 Art. direta ou indiretamente. Título VI DA COOPERAÇÃO COM O TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL Capítulo I Disposições gerais Art. Pena . a cooperação da República Federativa do Brasil com o Tribunal Penal Internacional envolverá: I. Corrupção ativa de funcionário Art. ou alterar provas.

os motivos da recusa.81 f) transferência provisória de pessoas detidas. designado autoridade nacional de cooperação com o Tribunal Penal Internacional. a autoridade competente por sua execução celebrará consultas com o Tribunal a fim de estabelecer condições para o cumprimento da medida. §2°. Se a cooperação consistir na apresentação de documentos. Art. Art. bem como garantirão a segurança e a integridade física e psicológica dos investigados. Se a execução do ato de cooperação for proibida por violar princípio fundamental de direito. Os pedidos de cooperação serão encaminhados ao Procurador Geral da República quando se referirem a investigações a serem promovidas pelo Procurador do Tribunal Penal Internacional no território nacional. sem prejuízo dos direitos de terceiros de boa fé. §3°. §1°. As autoridades incumbidas de prestar a cooperação preservarão o sigilo na sua execução. k) qualquer outro tipo de assistência lícita e destinada a facilitar a investigação e persecução de crimes sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional. j) identificação. A cooperação não poderá ser negada sob o único fundamento de inexistência de procedimentos internos que regulamentem a execução da medida solicitada. Em caso de absoluta impossibilidade de cumpri-la a autoridade competente comunicará ao Tribunal. g) busca e apreensão. Art. das vítimas. 100. bem como preservação de provas. 99. O Ministério da Justiça encaminhará ao Presidente do Supremo Tribunal Federal os pedidos de entrega. 101. prisão preventiva ou prisão para entrega de pessoas ao Tribunal Penal Internacional. 102. Se o ato de cooperação depender de providência administrativa compreendida nas atribuições de órgão da administração pública federal caberá ao próprio Ministério da Justiça determinar as medidas cabíveis. bem como outras medidas que dependam de providências judiciais. h) proteção de vítimas e testemunhas.e l) execução de penas aplicadas pelo Tribunal Penal Internacional. a autoridade competente celebrará consultas com o Tribunal Penal Internacional a fim de resolver a questão. quando necessário. informações ou divulgação de provas que ponham em risco a segurança nacional. Os pedidos de cooperação serão recebidos pela via diplomática e encaminhados pelo Ministério das Relações Exteriores ao Ministério da Justiça. i) transmissão de documentos. das possíveis testemunhas e seus familiares. rastreamento e apreensão dos instrumentos e do produto do crime e o seqüestro ou arresto dos bens adquiridos com o produto do crime. que os encaminhará no prazo máximo de 5 dias à autoridade competente para sua execução. Art. sem demora. . Parágrafo único.

Se o preso contestar o pedido de entrega. Havendo concordância do preso e de seu defensor quanto ao pedido. A autoridade judiciária. a autoridade judiciária imediatamente ordenará a entrega e colocará o preso à disposição do Tribunal Penal Internacional. c) indagará ao preso se está de acordo com a entrega.82 Capítulo II Prisão e entrega Art. 91 do Estatuto de Roma e seu Regulamento Processual. 106. Havendo requerimento de liberdade provisória. Se a causa foi admitida. 108. Art. a ser realizada no prazo de 10 dias. 107. realizará audiência. para que esse informe se houve decisão sobre a admissibilidade da causa. Art. a autoridade judiciária dará seguimento ao pedido de prisão e entrega. Art. para que expeça as recomendações necessárias. a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão do pedido de entrega. §1°. a autoridade judiciária imediatamente consultará o Tribunal Penal Internacional. Se estiver pendente a decisão sobre a admissibilidade. d) designará nova audiência. serlhe-á nomeado defensor dativo. . alegando a ocorrência de coisa julgada. sem prejuízo da adoção de medidas adequadas para impedir a fuga e assegurar a efetivação da entrega. a autoridade judiciária comunicará ao Tribunal Penal Internacional. expedirá o mandado de prisão. 103. até a manifestação do Tribunal Penal Internacional. Em nenhuma hipótese a prisão será mantida por mais de sessenta dias. Ao apreciar o requerimento de liberdade provisória a autoridade judiciária terá que considerar as recomendações do Tribunal Penal Internacional. para que o preso e seu defensor manifestem-se quanto ao pedido de entrega. O Supremo Tribunal Federal. 104. verificando que o pedido de prisão e entrega atende aos requisitos do art. §2°. fornecendo-lhe cópia do pedido de entrega. b) facultará ao preso a nomeação de defensor de sua confiança ou. na qual: a) informará o preso sobre os motivos de sua prisão. 105. Art. Art. no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas após a prisão. se não o tiver.

Art. O preso poderá ser colocado em liberdade se o Supremo Tribunal Federal não tiver recebido o pedido de entrega e os documentos que o instruam no prazo de sessenta dias. A autoridade judiciária. 91 do Estatuto de Roma. Não havendo requerimento de liberdade provisória. . a contar da data da prisão. 109. ou sendo este indeferido. Art. em conformidade com o § 3º do art. se o pedido de entrega e os documentos que o instruam forem recebidos em data posterior. Neste caso. Art. 115. A liberdade provisória será concedida se presentes circunstâncias que a justifiquem. a autoridade judiciária ordenará a entrega e colocará o preso à disposição do Tribunal Penal Internacional. de acordo com seu Regulamento Processual. Capítulo IV Outras formas de cooperação Art. O Supremo Tribunal Federal. e haja garantias suficientes para a efetivação da entrega. O fato de a pessoa procurada ter sido posta em liberdade. 110. Art. 113. a República Federativa do Brasil procederá à entrega do preso ao Tribunal Penal Internacional o mais rapidamente possível. O preso poderá consentir na sua entrega antes de decorrido tal prazo. expedirá o mandado de prisão. não impedirá que venha a ser novamente presa. 112. 92 do Estatuto de Roma. verificando que o pedido de prisão preventiva atende aos requisitos do art. 111. o Estado brasileiro poderá requerer ao Tribunal que cumpra sua obrigação de remeter-lhe os documentos indicados no art. 92 do Estatuto de Roma e seu Regulamento Processual. fixará as medidas adequadas para impedir a fuga e assegurar a efetivação da entrega. ao conceder a liberdade provisória. sempre que o permita o direito brasileiro. Capítulo III Prisão preventiva e outras formas de limitação de liberdade Art. Recebido o pedido de notificação para comparecimento voluntário do acusado perante o Tribunal Penal Internacional. Parágrafo único.83 Art. 114. a autoridade administrativa procederá diligências necessárias para notificá-lo. Parágrafo único. Entregue o preso.

90 do Estatuto de Roma. h) proteção de vítimas e testemunhas. Art. g) busca e apreensão. 119. bem como preservação de provas. Recebido o pedido de cooperação. f) transferência provisória de pessoas detidas. i) transmissão de documentos. o Supremo Tribunal Federal determinará sua autuação e. rastreamento e apreensão dos instrumentos e do produto do crime e o seqüestro ou arresto dos bens adquiridos com o produto do crime. Art.84 Parágrafo único. será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal que poderá delegar seu cumprimento à autoridade judiciária federal comum ou militar. No caso da medida prevista na alínea f. 116. na forma da lei. O pedido de entrega prevalecerá sobre o de extradição nos termos do Art. a autoridade competente comunicará o fato a ambos os requerentes. Se o pedido de notificação para comparecimento do acusado estiver acompanhado de qualquer outra medida limitativa de liberdade distinta da prisão. Parágrafo único. exames e inspeções. Art. c) interrogatórios. Após cumprida a diligência ou certificada a impossibilidade de seu cumprimento. Havendo concorrência entre o pedido de entrega de pessoa pelo Tribunal Penal Internacional e pedido de extradição feito por outro Estado. sem prejuízo dos direitos de terceiros de boa fé. d) requisição de documentos. 118. este ficará suspenso até a decisão sobre o pedido de entrega. Havendo pedido de extradição já em tramitação. 117. ordenará. j) identificação. e k) qualquer outro tipo de assistência lícita e destinada a facilitar a investigação e persecução de crimes sob a jurisdição do Tribunal Penal Internacional. Parágrafo único. a transferência provisória de pessoas detidas dependerá do consentimento do detido. diretamente ou por delegação. b) tomada de depoimentos e realização de perícias. a autoridade devolverá o pedido ao Tribunal pela via diplomática. . Art. a realização das seguintes diligências: a) identificação e localização de pessoas ou coisas. e) facilitação do comparecimento voluntário perante o Tribunal Penal Internacional de pessoas que deponham na qualidade de testemunha ou de perito. e será executada pelas autoridades nacionais em coordenação com o Secretário do Tribunal Penal Internacional.

o Procurador poderá executar o pedido diretamente após consultas com a autoridade central brasileira sujeitando-se a condições que lhe forem impostas. por meio de tratado. se houver prova de que a pessoa que se encontra sob custódia não é a indicada no pedido. 120. de impossibilidade de localização da pessoa procurada. nos seguintes casos: se a informação for insuficiente para a execução do pedido. quando houver indício de que o crime foi cometido no território nacional. a autoridade competente estabelecerá consultas com o Tribunal Penal Internacional e o Estado requerente com vistas ao atendimento destes. Correrão à conta do Tesouro Nacional as despesas ordinárias decorrentes da execução dos pedidos de cooperação feitos pelo Tribunal Penal Internacional. Havendo concorrência de outros pedidos. §3°. O Procurador do Tribunal Penal Internacional poderá ser autorizado pelo Supremo Tribunal Federal a dar cumprimento direto no território nacional. e o Tribunal Penal Internacional houver decidido que a causa é admissível. na forma como foi apresentado. Art. Aplicam-se aos pedidos de cooperação as restrições previstas para impedir a divulgação de informações confidenciais relacionadas com a defesa ou a segurança nacional. Art. a autoridade central brasileira poderá previamente estabelecer consultas com o Tribunal Penal Internacional para resolver a questão. de acordo com as condições constitucionais e legais vigentes. no pedido de entrega. Art. 121. Em caso de delegação judicial. ou se a execução do pedido. §1°. que não sejam de entrega ou de extradição. aos pedidos de cooperação apresentados com fundamento nos artigos 93 a 96 do Estatuto de Roma. 100 do Estatuto de Roma. §2°. 123. Em outros casos de cooperação. 122. com exceção das despesas mencionadas no art. Se forem alegadas condições ou preocupações razoáveis. O pedido do Tribunal Penal Internacional que suscitar dificuldades de execução dará ensejo a consultas para solucioná-las. o Supremo Tribunal Federal indicará a autoridade judiciária perante a qual o Procurador do Tribunal Penal Internacional irá formular os pedidos de cooperação. Art. 124. Capítulo V .85 Art. estiver em aparente conflito com obrigação assumida pela República Federativa do Brasil com outro Estado.

Aos crimes da competência da Justiça Militar da União aplica-se o procedimento ordinário previsto para os crimes militares em tempo de paz. Parágrafo único. 125. Os pedidos de revisão. unificação de penas. Título VII DAS NORMAS PROCESSUAIS Art. transferência para a prisão de outro país e outros incidentes de execução. Art. quando houver de ser executada pelo Estado brasileiro. Art. Parágrafo único. não poderá ser modificada internamente. 130. 128. Art. serão de competência exclusiva do Tribunal Penal Internacional. progressão de regimes. proceder à execução de pena de multa e de perda de bens. Art. bem como os recursos.86 Execução das penas impostas pelo Tribunal Penal Internacional Art. deverá remetê-los ao Tribunal Penal Internacional. 131. e será cumprida em estabelecimento prisional federal. As autoridades brasileiras deverão permitir a livre e confidencial comunicação do condenado com o Tribunal Penal Internacional. III. proferida pelo Tribunal Penal Internacional. após instrução. A execução em território nacional de pena privativa de liberdade. receber e encaminhar o condenado para cumprimento da pena. determinar a autuação dos documentos referentes à condenação e à inclusão do nome do condenado no rol dos culpados. Art. livramento condicional. II. 129. A pena. Parágrafo único: Os pedidos serão encaminhados ao Supremo Tribunal Federal que. 127. designando o estabelecimento prisional. . 126. Aos crimes da competência da Justiça Federal brasileira aplica-se o procedimento ordinário do juiz singular. Os valores arrecadados serão imediatamente colocados à disposição do Tribunal Penal Internacional. dependerá de celebração de acordo com a República Federativa do Brasil. As execuções de penas de multa e de perda de bens serão processadas nos termos da legislação processual nacional. Compete ao Supremo Tribunal Federal: I.

Estando o réu preso. CALETTI. Excedido o prazo previsto no parágrafo anterior. 64. Disponível em: <www. 7. 402 e 406 do Decreto-Lei no 1. o acusado será colocado em liberdade. podendo o juiz adotar medidas assecuratórias da permanência do acusado no domicílio da culpa. n. Cristina.001 de 21 de outubro de 1.br/doutrina/texto. liberdade vigiada. 133. de 1o de outubro de 1956 e os artigos 208. a.com. Disponível em: <http://jus2. Revogam-se a Lei nº 2. apresentação periódica ao Juízo. Fábio Ramazzini.969. dez. de acordo com as peculiaridades do caso.uol. §3°.889.87 Art. Caberá ao juiz. seu estatuto e sua relação com a legislação brasileira. §1°. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BECHARA. tais como recolhimento domiciliar. fixar os prazos processuais de cada etapa do processo. CASTRO. 132.br/novo/html/frame_artigos. Consolidação da Responsabilidade Penal Internacional do indivíduo com o advento do TPI Permanente. Tribunal Penal Internacional e o Princípio da Complementaridade.asp?id=3986>. São Paulo: Complexo Jurídico Damásio de Jesus. 401. Tony Gean Barbosa de. §2°. retenção de passaporte. Teresina. 2003. a instrução deverá ser concluída no prazo máximo de dois anos. DISPOSIÇÕES FINAIS Art. Acesso em: 02 de abril de 2006. Teresina: Jus .com. Os precedentes do Tribunal Penal Internacional. 395.damasio. abr. 2003.htm>. Não se aplicam as normas processuais referentes à limitação do número de testemunhas e aos prazos processuais. Jus Navigandi.

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