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Perguntas e respostas sobre o Projeto de Apadrinhamento Afetivo

1. O que é o Apadrinhamento Afetivo? É alternativa resultante da vontade e trabalho da sociedade organizada, que visa possibilitar a convivência social e familiar às crianças e adolescentes institucionalizados, sem qualquer perspectiva ou com possibilidade remota de adoção ou reinserção à família de origem. 2. Pra que serve? O menor assistido por padrinhos é auxiliado no seu desenvolvimento social e pessoal, criando laços afetivos, experiências e histórias que possibilitarão àquele que nunca ou pouco teve de convivência familiar ser reinserido na sociedade, conquistando sua autonomia e construindo sua identidade. O padrinho ou a madrinha, que será uma espécie de referência para seu afilhado, deverá prestar-lhe assistência moral, afetiva, física e educacional. 3. A quem se destina? O apadrinhamento não é indicado para crianças menores de 3 anos de idade. Os motivos são inúmeros, entre os quais se destaca a alta possibilidade de formação de vínculo afetivo da criança em relação ao padrinho e vice-versa, natural em qualquer processo de apadrinhamento. Entretanto, sendo uma criança ainda tão pequena, suas possibilidades de adoção são grandes, de modo que o apego demasiado do menor aos

padrinhos pode vir a prejudicar sua adaptação à nova família. De outra sorte, as crianças com idade acima de 3 anos (e em raras possibilidades aquelas abaixo dessa faixa etária, sempre com inúmeras limitações, como impossibilidade de passeios) serão sempre beneficiadas pelo apadrinhamento, salientando que as crianças com mais idade (acima de 5 anos) são as que mais necessitam do referido acompanhamento. 4. Quais as obrigações dos padrinhos? Não há obrigações legais, posto que o apadrinhamento não é instituto jurídico. Há, contudo, obrigações morais e de responsabilidade próprias do programa, quais sejam: • • • • • Manter-se informado sobre a saúde e instrução do afilhado, sanando suas necessidades morais, emocionais e materiais, no limite do possível; Comparecer em datas comemorativas na escola ou mesmo na instituição, lembrando que será sempre referencia paterna ou materna do afilhado; Levar para passeios curtos (com autorização da instituição) ou longos (com autorização judicial) sempre que possível; Fazer visitas rotineiras, demonstrando presença, preocupação e afeto. Não criar expectativas no afilhado e em si próprio, mantendo o respeito em relação ao próximo.

Obs.: Incluem-se como “passeios curtos” a ida a uma pizzaria, sorveteria, cinema, clube, festas, parque ou mesmo ficar dentro de casa, com os cuidados, carinhos e programas de uma família qualquer. 5. Quais as diferenças e semelhanças entre o apadrinhamento e a adoção?

Inicialmente, cabe frisar que adoção é um ato de amor, uma vontade simples de tornar-se pais de uma criança qualquer, que só se difere das outras porque não tem a sua carga genética. De outro modo, o apadrinhamento é também um gesto de amor mas, além disso, é ainda caridade, auxílio e boa vontade, que visa melhorar a qualidade de vida atual e futura das crianças institucionalizadas. Juridicamente, a adoção cria vínculo familiar: o adotado torna-se filho do adotante, sem distinção alguma em relação aos irmãos, adotados ou não. Já o Apadrinhamento não cria vínculo jurídico algum. A responsabilidade do padrinho é “apenas” de ordem moral, não tendo eles, portanto, obrigação alguma de levar a criança em suas viagens, passeios ou comemorações. Todavia, cabe a consciência desses que assumiram tal título, no sentido de que a criança apadrinhada espera atenção, cuidado, carinho e participação na vida dos padrinhos. 6. Quais os requisitos e como me candidato ao Apadrinhamento Afetivo? Subjetivamente, pedem-se que os padrinhos sejam pessoas comprometidas e responsáveis. Objetivamente, o único prérequisito é que sejam maiores de 18 anos. Os interessados em apadrinhar deverão procurar pelo Juizados da Infância e Juventude de sua comarca ou associações que façam essa intermediação. Poderão ser solicitados outros documentos, inclusive atestados de antecedentes criminais. Feita a inscrição inicial, o candidato passará por entrevista social, que visará comprovar as intenções dos futuros padrinhos. 7. Não tenho uma boa condição financeira, isso me impede de apadrinhar?

O apadrinahmento não o obrigará a gastar qualquer quantia com seu afilhado. Muito pelo contrário: aquilo que de mais importante há no apadrinhamento é gratuito: amor. Ainda assim, é possível que o padrinho sinta-se na obrigação, ainda que não haja qualquer imposição, de presentear seu afilhado em datas festivas, como Natal e aniverssário, o que não quer dizer que tenha que gastar uma fortuna com isso. 8. O que eu e minha família recebemos com o apadrinhamento? O título de padrinhos! Sua presença constante, preocupação, participação e afeto refletirão o amor, o respeito e o desenvolvimento de seu afilhado que, ressalta-se, ERA uma criança sem referência, sem carinho e sem ninguém para darlhe atenção especial. Seus filhos também serão beneficiados com o apadrinhamento, na medida em que se trabalha a isonomia entre as pessoas, as diferenças sociais, as necessidades de cada um, a fraternidade, a caridade, o afeto e, principalmente, a valorização da vida e da família. 9. E se eu e minha família resolvermos adotar nosso afilhado? Frise-se que não é assim tão simples. A grande maioria das crianças abrigadas NÃO estão e NÃO FICARÃO disponíveis para adoção. Portanto, antes de qualquer decisão e principalmente antes de criar qualquer expectativa, procure os responsáveis pela instituição e indague sobre essa possibilidade. Após, dirija-se à Vara da Infancia e Juventude da comarca e

informe-se sobre o processo de Habilitação. Se houver real interesse no bem estar da criança, porém não havendo interesse na adoção, qualquer que seja a razão, sempre haverá a possibilidade de solicitar a guarda judicial das crianças maiores (a partir de 3 anos). 10. Há outros tipos de apadrinhamento que não o afetivo? Sim! Abaixo, seguem duas possibilidades de auxílio, para aqueles que, por qualquer motivo, não se sintam preparados para o apadrinhamento afetivo: a) Padrinho PROVEDOR Serão voluntários que contribuirão financeiramente ou com doações destinadas a uma determinada criança. O ideal é que o auxílio seja regular. Os padrinhos poderão ser pessoas físicas ou jurídicas. b) Padrinho SERVIDOR Serão voluntários profissionais liberais que usarão sua formação para assistir ou capacitar as crianças e adolescentes. Ex. Médico, dentista, marceneiro, cabelereira, etc. 11. E o projeto? Pra que serve? O Projeto de Apadrinhamento Afetivo, organizado por membros da sociedade civil, visa a divulgação da ação, assim como levar informações aos interessados, por meio dessa cartilha e também de encontros a serem realizados, no intuito de que haja trocas de conhecimentos e experiências e consequentemente uma melhor eficácia do ato. Contato: aafetivo@gmail.com