UFPB – CCEN – DGEOC Disciplina: Fundamentos de Geologia Período: 2010.

1 Turma: 01 Professor: Werner Maximilian Topitsch Seminário de Geologia Titulo: EROSÃO COSTEIRA NO NORDESTE DO BRASIL E AS SUAS CAUSAS Aluno: Michelle de Jesus Medeiros Matricula: 10821483

O Nordeste do Brasil A região Nordeste do Brasil, tem quase de 3 400 km de linha de costa, sendo constituída por 9 estados, todos costeiros: Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco (incluindo Fernando de Noronha), Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão. Em que a complexa relação entre as forças atuantes promove ampla diversidade de ambientes litorâneos, como praias, dunas, arribas (falésias), estuários, deltas, restingas, ilhas, barreiras de corais dentre outros, com dinâmicas específicas e vulnerabilidades diferenciadas. Características da costa do Nordeste Silveira (1964), com base em critérios oceanográficos, climáticos e continentais dividiu a costa brasileira em cinco setores: norte, nordeste, leste, sudeste e sul (Figura 1).

A região nordeste corresponde ao trecho Baía de São Marcos (MA) à Baía de Todos os Santos (BA) e aquela inserida no setor leste. A plataforma continental estreita e rasa da costa nordeste, com largura variando de 15 a 75 km e profundidade máxima de 70m, é quase que totalmente recoberta por sedimentos biogênicos carbonáticos. A parte semi-árida que se estende até o Cabo do Calcanhar (RN) é marcada pela presença de pequenos rios onde se desenvolvem planícies costeiras com sistemas de lagunas e estuários, e manguezais instalados em suas margens. As barreiras arenosas mostram cristas de praias quase sempre remobilizadas pelos fortes e persistentes ventos de NE, responsáveis pelos campos de dunas. A costa Nordeste Oriental ou Barreiras caracteriza-se pela presença de falésias e franjas de recifes de arenitos de praia incrustados por algas calcárias, briozoários e corais, que protegem a costa da elevada energia das ondas, criando praias abrigadas e piscinas naturais. As lagunas e estuários desse trecho do litoral também são ocupados por manguezais e cristas de praias remobilizadas por ventos SE com a formação de campos de dunas. OS recifais são inibidos na região mais ao sul por sedimentos em suspensão, provenientes do Rio São Francisco. No setor Leste, persiste as mesmas condições descritas para a Costa Nordeste Oriental. Figura 1 - Classificação da costa brasileira proposta por Silveira (1964) e modificada por Cruz et al. (1985).

Erosão costeira

É o processo que ocorre ao longo da linha de costa e se deve à ação das ondas, correntes marinhas e marés. Tanto acontece nas costas rochosas, assim como nas praias arenosas. Nas primeiras, a ação erosiva do mar forma as falésias; nas segundas, ocorre a redução da largura da praia, onde o sedimento removido pelas ondas é transportado lateralmente pelas correntes de deriva litorânea. Nas praias arenosas, a erosão constitui um grave problema para as populações costeiras. Os danos causados vão desde a destruição das habitações e infra-estrutura, até a perda e desequilíbrio de habitats naturais (SOUZA et al., 2005). Os principais fatores responsáveis pela erosão costeira e conseqüente recuo da linha de costa são: elevação do nível do mar; diminuição do aporte de sedimentos fornecidos à faixa de praia; degradação antropogênica do ambiente natural, devido à ocupação desordenada das áreas costeiras; grandes obras de engenharia costeira, a exemplo da construção de portos, com seus muros, molhes e quebramares. A erosão costeira está presente em vários pontos ao longo da costa do Nordeste brasileiro, sendo difícil definir em qual deles ela é mais intensa. Entretanto, como bons exemplos desse problema, deve ser citado o grande avanço do mar ao longo da costa do estado de Pernambuco, onde, em locais como na praia de Boa Viagem (Recife) e nas praias dos municípios vizinhos de Olinda e Jaboatão dos Guararapes, foi necessária a construção de estrutura de rocha para tentar conter o avanço do mar. Causas da erosão costeira no Nordeste As causas da erosão costeiras no Brasil, apresentadas por Souza et al. (2005), (tabela 1). No Nordeste, segundo Souza, não há relatos das causas naturais 1 e 10 e se encontra no Nordeste todas as causas antrópicas listadas.

Tabela 1 – Causas naturais e antrópicas da erosão costeira no Brasil (Souza)

Indicadores de erosão costeira No Nordeste, segundo (Souza et al., 2005), encontram-se todos os indicadores de erosão costeira: I. Pós-praia muito estreita ou inexistente devido à inundação pelas preamares de sizígia (praias urbanizadas ou não). II. Retrogradação geral da linha de costa nas últimas décadas, com franca diminuição da largura da praia, em toda a sua extensão ou mais acentuadamente em determinados locais dela (praias urbanizadas ou não). III. Erosão progressiva de depósitos marinhos e/ou eólicos pleistocênicos a atuais que bordejam as praias, sem o desenvolvimento de falésias (praias urbanizadas ou não). IV. Intensa erosão de depósitos marinhos e/ou eólicos pleistocênicos a atuais que bordejam as praias, provocando o desenvolvimento de falésias com alturas de até dezenas de metros (praias urbanizadas ou não). V. Destruição de faixas frontais de vegetação de “restinga” ou de manguezal e/ou presença de raízes e troncos em posição de vida soterrados na praia, causados pela erosão acentuada ou o soterramento da vegetação devido à retrogradação/migração da linha de costa sobre o continente. VI. Exumação e erosão de depósitos paleolagunares, turfeiras, arenitos de praia, depósitos marinhos holocênicos e pleistocênicos, ou embasamento sobre o estirâncio e/ou a face litorânea atuais, devido à remoção das areias praias por erosão costeira e déficit sedimentar extremamente negativo (praias urbanizadas ou não). VII. Freqüente exposição de “terraços ou falésias artificiais”, apresentando pacotes de espessura até métrica de camadas sucessivas de aterro erodido e soterrado por camadas de areias praias/eólicas, no contato entre a praia e a área urbanizada. VIII. Destruição de estruturas artificiais construídas sobre os depósitos marinhos ou eólicos holocênicos, a pós-praia, o estirâncio, as faces praial e litorânea, a zona de surfe/arrebentação e/ou ao largo. IX. Retomada erosiva de antigas plataformas de abrasão marinha, elevadas de +2 a +6 m, formadas sobre rochas do embasamento ígneo-metamórfico précambriano a mesozóico, em épocas em que o nível do mar encontrava-se acima do atual, durante o Holoceno e o final do Pleistoceno (praias urbanizadas ou não). X. Presença de concentrações de minerais pesados em determinados trechos da praia, em associação com outros indicadores erosivos (praias urbanizadas ou não). XI. Desenvolvimento de embaíamentos formados pela presença de correntes de retorno concentradas e de zona de barlamar ou centros de divergência de células de deriva litorânea localizados em local(s) mais ou menos fixo(s) da linha de costa. Consequências A zona costeira do Nordeste é de importância as grandes rotas mundiais do turismo. Correspondendo a uma faixa complexa, dinâmica, mutável e sujeita a vários processos, na qual se fazem sentir todas as atividades que decorrem nas bacias hidrográficas, e tendo passado a ser área preferida para lugar de moradia, lazer e turismo, o litoral está, atualmente, sujeito a grandes pressões que, em alguns casos, conduziram a situações extremamente preocupantes como a erosão costeira. A zona costeira é adotada como um recurso não vivo decorrente de inúmeras discussões promovidas durante as reuniões do Grupo de Coordenação do programa Ocean Science in Relation to Non Living Resources (OSNLR) (COI/UNESCO). A erosão costeira pode trazer várias conseqüências não somente à praia, mas também a vários ambientes naturais e aos próprios usos e atividades antrópicas na zona costeira. A erosão costeira impacta principalmente as residências costeiras, as atividades antrópicas ligadas ao turismo e lazer, pesca e aquicultura, atividades portuárias, atividades de comércio, industriais e de serviços ligadas diretamente a todas as anteriores e a conservação de ecossistemas costeiros.

Bibliografia SOUZA, C.R. de G.; Souza Filho, P.W.M.; Esteves, Sl.; Vital, H.; Dillenburg, S.R.; Patchineelam, S.M. & Addad, J.E. 2005. Praias Arenosas e Erosão Costeira. In: Souza et al. (eds.). Quaternário do Brasil. Holos Editora, p. 130-152. SILVA, Cassio Roberto da. Geodiversidade do Brasil: conhecer o passado, para entender o presente e prever o futuro. Rio de Janeiro: CPRM, 2008. SOUZA, C.R. de G. 2009. A erosão costeira e os desafios da gestão costeira no Brasil. Revista de Gestão Costeira Integrada, 9(1): 17-37. ISBN: 1677-4841----(disponível em http://www.aprh.pt/rgci/revista9f1.html). MUEHE, D. Erosão e Progradação no Litoral Brasileiro. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2006. SOARES, Cunha, E.M. Evolução atual do litoral de Natal – RN (Brasil) e suas aplicações a gestão integrada. Tese de Doutorado, Programa de Doctorado de Ciências del Mar, Universidad de Barcelona, Barcelona, 2004. (também disponível em http://www.tdx.cat/TDX-0422105-133010)

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