PS/Lisboa propõe comissão técnica para avaliar situação dos Lóios e Amendoeiras O PS/Lisboa vai propor terça-feira

a constituição de uma comissão técnica para avaliar a situação dos moradores dos bairros dos Lóios e Amendoeiras, cujas casas foram doadas à Fundação D. Pedro IV, com o consequente aumento das rendas. A Fundação D. Pedro IV é a actual gestora de 1.451 fogos nos dois bairros de Marvila, anteriormente pertencentes ao Instituto de Gestão e Alienação do Património Habitacional do Estado (IGAPHE). A transferência destes fogos surgiu na sequência do decreto- lei 199/2002, aprovado pelo Governo então liderado por Durão Barroso (PSD), que previa a "possibilidade de transferência, sem qualquer contrapartida" do património daquele instituto para os municípios. Os socialistas sugerem, numa moção que vão levar terça-feira à Assembleia Municipal de Lisboa (AML), que a comissão seja constituída por representantes do Governo, da Câmara Municipal de Lisboa, do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), da Junta de Freguesia de Marvila e das Associações de Moradores. Em declarações à agência Lusa, o líder do PS/Lisboa, Miguel Coelho, adiantou que a Comissão Técnica irá analisar cada caso e verificar as condições de habitação. "É preciso analisar as condições de habitação. Pode haver casos em que é menos oneroso construir de novo do que estar a reabilitar", afirmou Miguel Coelho, lembrando a degradação de alguns edifícios no bairro dos Lóios. Esta avaliação sugerida pelos socialistas vai ao encontro dos apelos dos moradores dos Lóios para que o Laboratório Nacional de Engenharia Civil avalie os edifícios degradados, bem como os custos e benefícios de eventuais obras. "O Partido Socialista está ciente de que se torna necessário resolver este problema e entende que o mesmo só poderá ser resolvido num quadro de grande convergência de objectivos com todas as forças políticas representadas nesta Assembleia Municipal, uma vez que os contornos jurídicos de todo este processo são de grande complexidade", refere a moção. Miguel Coelho considera "inaceitável" que a Fundação D. Pedro IV tenha aumentado de forma "absurda" as rendas e que o Estado tenha ignorado completamente o direito adquirido pelos moradores do bairro das Amendoeiras de vender os respectivos fogos. "Perante os inúmeros e graves acontecimentos de intimidação e prepotência que a Fundação tem exercido junto dos moradores, as suas preocupações nada têm a ver com qualquer tipo de solidariedade social", sublinha o PS/Lisboa. Na moção, os socialistas consideram estranho o "enorme silêncio" do presidente da Câmara de Lisboa, Carmona Rodrigues, e do executivo municipal ao longo de todo

este processo. "Está a Câmara disponível para aceitar este património se esta possibilidade se colocar? Está o Sr. presidente da Câmara disponível para se solidarizar de forma inequívoca com os moradores", questionam os socialistas. Nesse sentido, o Grupo Municipal do PS propõe à AML que peça ao presidente da autarquia "um activo empenhamento na prossecução destes objectivos". Na moção, os socialistas apelam ainda à Assembleia Municipal que reitere a sua solidariedade para com os moradores do Bairro das Amendoeiras e dos Lóios e manifeste a sua convicção na ilegalidade dos aumentos de rendas aplicados pela Fundação D. Pedro IV, uma vez que os fogos se encontram em estado muito degradado, o que face à actual legislação impede qualquer tipo de aumento. Por último, apelam à AML que reafirme o direito à aquisição por parte dos moradores do bairro das Amendoeiras dos respectivos fogos. Agência LUSA 2006-06-19 12:09:34