Temporada 02 Capítulo 21

Por Volta da Meia-Noite
By We Love True Blood

When you have to explore every night... even the most beautiful things that you find can be the most painful.

Juan Carlos caminhava rapidamente pelos corredores acarpetados do prédio onde ficava o escritório particular do Senador Morales. Carregava uma pasta cheia de documentos e fotos para o senador analisar com calma. Havia se passado um mês desde a pista que o levaram diretamente ao vampiro fugitivo de Tijuana. O senador tinha esse assunto como prioridade, apesar do esforço com a futura candidatura presidencial. Acreditava que tinham subestimado o vampiro e sua acompanhante, talvez o fato do senador desejar a moça o tenha colocado em risco. Por pouco, o seu chefe não foi envenenado pela moça loira que parecia odiar o marido bonitão, e eram recém-casados, ou pelo menos foi o que inventaram. Juan Carlos não se conformava com a cegueira de seu chefe, mesmo sabendo sobre o passado do vampiro não batia com as informações que tinham e muito menos a filha não se lembrando de Ramona Castela. Descobriu que o tal Eric era um vampiro poderoso na região onde morava, não só pelos negócios, mas também pela idade. Tudo foi meticulosamente planejado por Eric e sua companheira, Juan acreditava nisso. Esperaram o momento certo para agirem, e o casamento seria o cenário ideal. Por sorte, no dia do ataque de Ramona ao senador, câmeras de segurança foram instaladas em pontos estratégicos da suíte. Juan Carlos quem obrigou seu chefe a tomar providências, ele desconfiou do comportamento estranho da moça em aceitar o convite tão rapidamente. E não estava errado, bastariam alguns minutos e o senador estaria morto. Abriu a porta do escritório, o Senador Morales estava sozinho, tomava um copo de uísque, como sempre puro. Juan Carlos sorriu diante da cena, trabalhava há tantos anos com ele, nem sabia mais diferenciar o patrão de um amigo, ou até um pai. Jogou a pasta na mesa, Morales quase engasgou com a bebida. “Demorou para conseguir. Apresento Eric Henrique Colunga.”, Juan Carlos

tirou uma foto de Eric da pasta e deu para o senador. “O sorriso cínico é o mesmo, pelo menos não estava disfarçado.”, disse Morales. “Mas temos um problema e tanto, esse vampiro tem pelo menos uns 1000 anos nas costas.” “Na ficha dele tinha 150 anos, eu ainda garanti para meus homens não se preocuparem.” “Como eu disse, fomos ingênuos demais. Agora teremos que pensar bem como vamos agir.” “E a moça? Quero que descubra tudo sobre ela também, não vou descansar até encontra-la novamente.”, disse com um olhar sonhador. “Não encontrei nada ainda sobre a moça. Ela deve ser alguma assassina profissional como ele é.”, Juan Carlos respondeu irritado. “Ela não me pareceu assassina quando tentou me envenenar, e estava muito apavorada para ser uma profissional.” “Deve ser porque só olhou para ela pensando com a cabeça de baixo.”, Juan se arrependeu em seguida após dizer isso, tinha ido longe demais. “Encontre-a.”, ordenou o Senador, ignorando a última frase de Juan Carlos. “E o vampiro? Como vamos proceder?”, perguntou aliviado. “Primeiro precisamos descobrir quem está por trás disso tudo, quando tiver todas as informações discutimos o que farei com ele. Sem esquecer a moça, é claro.” Juan Carlos revirou os olhos diante da insistência de seu chefe em relação a ela, tinha receio de que essa obsessão poderia ser mais perigosa do que já tinha sido. “Teremos que fazer uma vigilância no vampiro, onde ele vai, com quem convive, se apenas é dono de uma boate como fachada.” “Sabendo o quanto você é eficiente, presumo que já tenha alguém no local.” “Sim, já coloquei alguém para ficar de olho. Acredito que logo trará ótimas

notícias.”, Juan comentou orgulhoso de si mesmo. “Assim espero. Quero que cuide disso com extremo sigilo, Juan.” O assessor concordou com a cabeça, trocaram algumas palavras e saiu em seguida da sala. Morales ficou sozinho lendo sobre Eric Colunga, de vez em quando bebericava um gole do uísque. ---------------------------------------A moça de longos cabelos castanhos estava deitada nua na cama, tinha um olhar distante e sonhador, como se estivesse em outro plano. O corpo bonito e voluptuoso estava delineado por alguns traços de sangue que escorriam de seu braço, passavam pelos seios e terminavam na barriga, e outros desciam por uma das coxas. Pam mordia delicadamente o pulso da moça, enquanto Eric mordia a coxa, estava esparramado na cama e procurava a melhor posição para continuar sugando o sangue. A moça de vez em quando soltava um gemido de prazer, se ajeitou um pouco na cama para acomodar a cabeça do vampiro apoiada em sua outra coxa. Eric não conseguia esquecer o acontecido na Autoridade, um mês havia se passado, continuava remoendo a tortura, não ter se alimentado de Sookita e principalmente ter salvado Bill, seu maior desafeto. Alimentava-se de sangue humano regularmente desde a tortura, foi tão intensa que ainda não tinha se recuperado totalmente, TruBlood não matava sua sede. Não encontrava dificuldade para achar doadoras, muitas na boate se estapeavam pela chance. Passou mais tempo em casa nesse mês do que na boate, não queria se expor enquanto estava fraco. Tinha tantos inimigos, não queria ser pego novamente na surpresa. “Obrigado por escolher tão bem o meu jantar.”, ele disse parando de sugar, as presas e a boca ainda com sangue. “Só eu conheço os seus gostos, Eric.”, Pam disse com um meio sorriso. “Se bem que estou te achando bem pouco exigente esse mês.” Ele olhou em volta no seu quarto, poderia dizer que estava cansado após tantos séculos? Pensou ao morder novamente a coxa da moça. Demorou alguns minutos para responder, estava procurando as palavras certas. “Acho que estou cansado.”, ele disse simplesmente.

“Cansado de mulheres?”, soltou uma risadinha sarcástica. “Será que depois de mil anos, finalmente temos uma evolução?”, ela queria tanto que isso fosse verdade que até fez uma prece em pensamento, coisa que não fazia há séculos. “Não estou assumindo que sou gay, se for esse o motivo de sua alegria.”, ele deu de ombros. “Já tive minha quota no passado.”, agora foi a vez dele rir. “Ser gay é ótimo, você deveria tentar.” disse divertida. Ele sentou na cama, apoiou as pernas da moça em cima das suas. Limpou o sangue que escorria da boca, as presas não estavam mais visíveis. “Passado é passado...”, ele piscou para ela. “Não estou cansado de mulheres. Estou cansado de tudo ao meu redor.” “Então eu posso me incluir nessa listinha negra. Estou com você há tanto tempo...” “Pode sim, ainda mais depois do que seu querido amigo Santiago aprontou comigo.”, ele respondeu emburrado. “Santiago? Mas a culpa foi da telepata! Você sabe, como membro da Autoridade ele não tem muita escolha diante das decisões.”, defendeu Pam. Nutria uma amizade com o vampiro há anos, ainda mais por ser espanhol como ela, e sabia que ele nunca faria nada para prejudicar seu criador. “Não me diga que achou normal essa tortura que nos foi imposta? Mesmo sendo o idiota do Bill. Desde quando a Autoridade iria matar o seu prefeito ou mesmo um agente como eu?” “Desde que fomos revelados ao mundo a Autoridade nos proibiu de matar humanos, não concordo com isso até hoje... e acho terrível vampiros serem torturados por causa de seres tão patéticos. O que me fez suportar a decisão foi saber que o prefeito imbecil estava lá com você.” “Quais humanos eu matei? Apenas os que a Autoridade mandou desde a Revelação. Bastava uma tortura qualquer como eles adoram. Não imaginava que teria uma emboscada...”, ele evitou mencionar Sookita. “E você como sempre deixou escapar a oportunidade. Afinal, por que impediu Bill de matar a telepata de uma vez? Se livraria logo dos dois...”. Ele se levantou da cama, deu alguns passos pelo quarto. Trajava apenas uma

calça de moletom preta, algumas cicatrizes ainda continuavam aparentes em seu torso, demonstrando que ele ainda não estava curado. Passou a mão nos cabelos loiros que estavam revoltos. Parou em frente à cama, colocou as mãos na cintura encarando Pam. “Se eu te disser que não sei o motivo, irá acreditar?”, uma sombra de vergonha passou rapidamente em seus olhos. “Não!”, disse ela com cara de poucos amigos. “Invente outra desculpa, essa infelizmente não colou.” “Você quer que eu minta?”, perguntou nervoso. “Não foi por faltar de incitar Bill para atacá-la, eu fiz isso.”, bateu no peito nu. “Do que adiantou incitar Bill e no final salvá-lo? Se realmente não sabe os motivos de suas atitudes, acho melhor descobrir. Na próxima eles viram o jogo contra você.”, Pam visivelmente tentava se controlar, mas por dentro estava furiosa. “Ela se arriscou por minha causa. Você sabe que eles poderiam tê-la machucado gravemente. Talvez Santiago tenha gostado dela, essa seria uma explicação para prejudicar Bill e eu.” “E desde quando você se preocupa com isso? Eric, pelo amor de Deus, você conhece Santiago. Sabe que ele posa de bom samaritano mais do que realmente é. E sobre Sookita, saiba que até hoje agradeço pelo o que fizeram com ela, foi bem merecido!”, disse aos gritos. “Não estou dizendo que ela não mereceu. Mas, fiquei surpreso, apenas isso.”, ele tampou os ouvidos por conta dos gritos dela. “Fui visitá-la no hospital e ela estava toda chorosa por causa de Bill. Quando eu digo que eles aprontam pra cima de você, não acredita em mim.” A moça na cama estava dormindo apesar dos gritos, havia sido hipnotizada por Pam e nem tinha noção de que os dois vampiros estavam discutindo. “Por que você foi visitá-la no hospital? Não entendo seu interesse nessa história toda.”, agora era ele quem estava falando alto. “Meu sadismo não se conteve ao saber que ela estava mal e hospitalizada. E também precisava saber o que aconteceu, a Autoridade não costuma dar detalhes.”, disse dando de ombros.

“Afinal, o que aconteceu com ela? Já sabem quem atacou?”, ele perguntou querendo mudar de assunto. “Não sei e nem tenho interesse.”, mentiu, não tinha motivos para entregar Jessica, se não fosse segredo ela até agradeceria a vampira ruiva. “Por acaso vai me obrigar a descobrir isso também? Eu me recuso!”, disse irritada. “Não tenho motivo para querer descobrir sobre isso. É problema da Autoridade e do prestimoso Bill. Só fiquei curioso, não imaginava que a noiva do prefeito ficasse sem proteção.”, disse ironicamente. “Infelizmente, para sua alegria, ela tem proteção. Foi o lobo bobão quem a salvou do vampiro.” “Aquele que segue Jessica por todos os lados? Acredito que até nos ouviu transando uma vez. Pelo jeito deve gostar.” “Ele mesmo, é o carrapato número 1 do prefeito.”, disse entediada. “Acho que perdi o apetite, pode ficar com a moça pra você.” Eric arqueou uma sobrancelha após ouvir as palavras de Pam e disse: “Achei que iria ficar até o fim, você escolheu essa tão meticulosamente.” “É toda sua. Faça bom proveito.”, disse indo em direção a escada, mas parou antes de descer. “Antes que eu esqueça. Eric, por que seus machucados não estão curando rapidamente? Estou preocupada.”, apontou na direção da barriga dele. Ele passou a mão instintivamente na maior cicatriz um pouco acima de seu umbigo, balançou a cabeça voltando-se para Pam. “Me excedi mais do que deveria.” não diria para ela que foi para impedir o prefeito no momento em que atacou Sookita. “Por que não chamou a doutora? Quer que eu a chame?”, Pam disse pegando o celular. “Não.”, ele respondeu irritado. “Não preciso de médicos, sobrevivi todo esse tempo sem isso.”, balançou a mão na direção dela indicando a saída. “Eu sei, mas é porque agora parece diferente, melhor, você está diferente.” “Não sei de onde tira essas conclusões. Estou bem, já disse.” , franziu o cenho.

Pam se aproximou dele, tocou levemente no rosto de Eric. Como o amava, não imaginava continuar sem ele, mas seu coração estava dilacerado ao perceber que o estava perdendo aos poucos. “Uma dia você irá entender.”, ficou nas pontas dos pés dando um beijo na bochecha dele. Se afastou novamente na direção da escada, antes que começasse a descer para o primeiro andar, o quarto de Eric ficava num mezanino. Foi chamada novamente por ele, fez uma careta irritada, não havia gostado do rumo da conversa, queria ficar longe dele pelo resto da noite. “Ah sim, esqueci de dizer... poderia procurar a pessoa que atacou Sookita?”, fingiu seriedade. “Vou procurar, juntamente com algum caçador de vampiros que trarei pessoalmente só para matá-lo. Está bom assim?” Ele tirou a calça ficando nu, Pam virou rapidamente começando a descer a escada, ouviu a sonora gargalhada dele ecoando pela casa. Sempre que a conversa tomava um rumo que ele não gostava, tratava de fingir que nada havia acontecido. Tempos atrás ele teria deixado o prefeito morrer sem mover um músculo, e não se importaria com a vítima. Não entendia essa relação estranha de Eric e Sookita. A moça estava claramente apaixonada, mas e seu patrão? Seria o efeito de não desvirginar a pobre noiva idiota do prefeito? Vingança pelo passado dos dois? Pam balançou a cabeça conforme desceu a escada. Conseguia ouvir com clareza o coração da moça que partilhava a cama com Eric, estava disparado como se fosse saltar do peito. Conseguia ouvir inclusive ele se movendo entre as pernas dela, tão intenso quanto o coração disparado. Ela abriu a porta da casa e bateu com força. Nem se importou em trancar, ele quem fizesse isso depois que mandasse a outra embora. ------------------------------------Jason usava o celular para se guiar no escuro sem correr o risco de cair no meio da sala de cinema. Lafayette se apoiava no ombro de Jason, de vez em quando reclamava quando o outro tropeçava. O filme havia começado uns cinco minutos, era a sessão da meia-noite, geralmente reservada para algum filme de terror e essa não seria diferente. “Não quero assistir esse filme, vou ficar com medo depois. Tenho pavor de

fantasmas.”, Jason falou baixinho. “Amado, foi o único horário que encontrei. Vão pensar que somos um casal vindo assistir um filme de terror para nos agarrarmos em cada susto.”, Lafa beslicou a bunda de Jason. “Onde está a pessoa?”, ele ignorou a propositalmente a insinuação de Lafayette. “Obviamente que ela é loira tingida, parece a Shakira, fingindo que não é latina.”, ele fez uma careta. “É aquela ali usando um rabo de cavalo.” Lafa apontou para uma moça alta e morena sentada no meio da sala de cinema, ninguém ocupava a cadeira atrás, provavelmente por culpa da altura dela. O cinema não estava vazio, um bom número de pessoas estava no local, de vez em quando algum engraçadinho soltava uma gargalhada por causa de alguma cena de susto. “Vamos logo com isso, essas coisas aparecendo na tela estão me assustando...”, Jason disse com o rosto franzido. Pediram licença para algumas pessoas conforme caminhavam até a moça, Jason pisou em alguns pés e recebeu olhares irritados. Sentaram-se atrás da moça, Lafayette tocou no ombro dela. “Hey, estamos aqui.”, disse o mais baixo que conseguiu. Ela não se virou, continuou impassível olhando a tela e comendo pipoca. Jason não a conhecia, era Lafa quem tinha cuiddado dos trâmites. Ela trabalhava infiltrada no Tequilla’s há duas semanas, era uma das moças de vida fácil da casa de tolerância. Lafayette a considerava uma das mais espertas, e por conta de sua beleza não teria dificuldades em seduzir Sam. “Achei que não iria aparecer mais.”, comentou olhando de lado para seu patrão. “Tive que trazer Jason hoje, sabe como é complicado lidar com esse menino. Não é, amado?”, disse se dirigindo a Jason. “Seu namoradinho...”, ela disse virando para encarar Jason. “Bem bonito, ótima escolha. Escondeu-o de nós...” “Não sou bicha. Não entendo de onde tiram essas conclusões.”, ele disse de cara amarrada.

Um rapaz que estava atrás de Jason pediu silêncio, estavam atrapalhando a sessão e chamando a atenção dos outros. Lafayette revirou os olhos diante da reprimenda e falou baixinho: “Teve alguma pista, Jane?” “Quero deixar claro uma coisa, espero ser recompensada pelas duas vezes que dormi com Sam. Apesar de não ser um cliente, não deixou de ser, entendeu?” “Caramba, você já dormiu com ele? Pensei que Sam gostasse da minha irmã, Sookita.”, Jason falou abismado. “Ele pode até gostar, mas não é burro e cego. Depois que der uma olhada melhor em mim, irá entender.”, ela virou novamente e deu uma piscadela. “Sim, sim, sim, vamos focar no que interessa? Eu sempre pago de acordo, amada. Só que antes precisamos saber se descobriu onde Sam guarda o V.”, Lafa disse sem paciência. “E também quero ser bem recompensada por todas as panelas que eu lavei. Sou puta porque odeio trabalho difícil, odiei essa experiência como ajudante de cozinha.”, ela balançou a cabeça. Lafayette resmungou alto, e novamente várias pessoas na sala reclamaram sobre o barulho. Um rapaz forte deu um cutucão na poltrona onde Lafa estava sentado. Jason evitava olhar para a tela o máximo que podia, mas quando olhou de relance um fantasma apareceu de repente. “Quase mijei nas calças depois dessa cena.”, disse esfregando as mãos nas pernas. Jane abafou uma risada com as mãos, o namorado de seu patrão era medroso demais para ser um policial, ela pensou. Olhou ao redor para ver se estava sendo observada, chegou mais perto de Lafayette e disse sussurrando: “Tem um compartimento secreto no chão da sala dele, uma vez peguei Sam mexendo em alguma coisa. Quando me viu ele escondeu rapidamente, com certeza é o local onde guarda o V.” Lafa deu um tapinha em Jason de felicidade, era a pista mais quente que tinham desde que Sam contou para Jason. Por sorte, ele ainda não tinha contado para o prefeito como havia ameaçado antes, provavelmente estava

com medo ou pretendia vender o V. “Você é maravilhosa, amada. Terá um aumento, prometo ou um raio pode me atingir agora.”, disse para sua funcionária. “Quero sair daqui.”, Jason levantou sem esperar por Lafa e cobriu o rosto com as mãos, não queria olhar para a tela. ------------------------------Eric continuava de olhos fechados, não estava com vontade de encarar a moça desconhecida embaixo dele. Movia-se num ritmo frenético, precisava gozar para esquecer a conversa que teve com Pam. Precisava voltar a ser o que era o mais rapidamente, não se sentia bem com essa sua faceta vulnerável e cheia de dúvidas, parecia um humano qualquer. Havia aprendido durante tanto tempo em deixar seu lado humano de lado e abraçar o vampirismo. Era o clichê da imortalidade, ele pensou conforme se movia mais e mais fundo na moça. Não se importou com as palavras de Pam sobre ele parecer diferente. Estava enfrentando apenas um período ruim, já passou por isso outras vezes, não era tão novidade assim. A última vez tinha ficado num passado distante, não queria relembrar, pensou balançando a cabeça e focando no movimento vigoroso que fazia. A moça gemia sem parar, arranhou as costas e entrelaçou as pernas em volta da cintura dele. De repente, os gemidos cessaram, ele ouviu uma voz familiar chamando, doce e ao mesmo tempo excitada. “Eric...” Ele balançou a cabeça em negação antes de abrir os olhos, por que estava ouvindo essa voz? Pensava que já tinha se curado, havia tido tantas mulheres desde o acontecimento daquela noite na boate. Ela nunca mais surgiu em seus pensamentos durante o sexo. E ele muito menos brochado. Abriu os olhos lentamente, e viu Sookita o encarando de volta. Estava alucinando? Ou teve perda de memória? “Sookita?”, ele perguntou confuso. “Sim...”, ela respondeu mordendo os lábios dele. Ele abriu e fechou os olhos várias vezes, tinha absoluta certeza de que estava acordado, não era um sonho. Soltou uma reclamação com a mordida forte,

havia sangue nos lábios de Sookita quando se afastou. Ela passava a língua nos lábios experimentando o sangue dele. “Como chegou aqui?”, ele perguntou se afastando um pouco dela para enxergar melhor. Ela não respondeu, avançou até ele cravando os dentes em seu peito. O sangue começou a escorrer pelo peito nu de Eric. Segurou a cabeça dela com força tentando afastá-la, mas não resistiu ao sentir seu sangue sendo sugado por ela, os gemidos altos dele tomaram conta do quarto. “Sookita...”, ele disse entre dentes. “Não, sou eu, Agata.”, a moça falou pela primeira vez naquela noite. “Agata? Quem diabos é você?”, ele se levantou e a encarou raivosamente. “Que tipo de feitiçaria é essa?” “O senhor está bem? Sou eu... Agata, sua garçonete.” Eric começou a andar de um lado para outro batendo as mãos na cabeça. Não havia uma moça de cabelos loiros, profundos olhos castanhos e um ar virginal em sua cama. Que tipo de alucinação foi aquela? Pensava apavorado enquanto observava a moça morena de longos cabelos castanhos e totalmente diferente de Sookita. “Não, você era outra pessoa. Eu vi, tenho certeza!”, gritou. “Era eu o tempo todo. Se acalme, por favor.”, disse preocupada. “Não pense que seu feitiço funcionará comigo.” Agata se levantou da cama, sua pele morena criou um contraste interessante com a dele ao se aproximar. Tocou levemente no peito dele, Eric se afastou diante do toque e a encarou como se nada tivesse acontecido. “Quem é Sookita?”, perguntou receosa. “Por que está perguntando isso?” perguntou friamente. “Você a chamou... quando estávamos transando.” “Não é da sua conta.”, ele deitou na cama pesadamente e a puxou pra cima dele.

Agora era a vez dela se mover em cima de Eric. A mente dele estava distante, procurando entender o que tinha acontecido. O gosto de seu sangue continuava em seus lábios, e por que o seu peito continuava sangrando se foi uma alucinação? ----------------------------------Tara se jogou em cima da cama de Sookita. Observava atentamente a amiga experimentando vários vestidos. Alguns eram bonitos, outros feios e uns pareciam da falecida avó. Todos enviados por Bill, ele não poupou despesas, Tara pensou com uma careta. Havia chegado o dia da tão esperada festa de noivado, todas as pessoas importantes da cidade estariam presentes e Bill finalmente apresentaria sua noiva. “Não está nervosa com sua apresentação oficial a sociedade de nossa cidade?” “Você não imagina o quanto, faz três dias que só penso nisso. Estou uma pilha de nervos.” ela colocou a mão na cabeça. “Não dormi bem a noite passada, estou com uma dor de cabeça horrível.”, ela gemeu de dor. “Vou pegar algo para você tomar.” Tara foi até o banheiro no andar de baixo, fuçou nos armários até encontrar alguns comprimidos para dor de cabeça. Pegou um copo com agua na cozinha, voltou até o quarto e estendeu o remédio para Sookita. “Acho que agora é tarde para te fazer mudar de ideia dessa loucura toda.”, Tara disse irritada sentando novamente na cama. “Não é loucura.”, disse enquanto se olhava no espelho. “Bill me ama de verdade, irá cuidar de mim e eu não tenho do que reclamar. Nem posso fazer isso.” Tara deu um sorriso irônico após ouvir as palavras de Sookita. “Quando transarem irá pensar em Eric?”, Tara sentou-se na cama. “Não adianta ficar chocada, acredito que irá transar com seu marido como boa esposa que será.” Sookita virou-se para encarar a amiga, ela estava ficando mestre em estragar o

seu humor. Por que logo agora tinha que lembra-la de Eric Colunga? Pensar em sua festa de noivado estava conseguindo deixar sua cabeça bem longe dele por um tempo. “Eu procuro não pensar nisso... por enquanto.”, disse um pouco constrangida. “Como sou uma ótima amiga, palavras de Alcide.”, ela deu uma risadinha. “Vou te ajudar contando isso... Eric bebeu do meu sangue.” “Não pode estar falando sério! Ele te forçou? O que aconteceu?”, perguntou horrorizada. “Fui a escolhida de quinta-feira. Ele anda sumido da boate, você sabe bem o motivo. Acho que ele gostou, porque fui lá duas quintas seguidas.” “E... vocês, fizeram.... alguma coisa?” “Claro, ao contrário de você, eu não sou santa.”, Tara deu de ombros. “Por que fez isso? Sabe que Eric não gosta de ninguém, ele só usa as pessoas como bem entender... não leva nada a sério. Deveria ter recusado, Tara.” “Sook, acorda, por favor. Eu sou adulta, ele é adulto e gostoso, o que é essencial pra mim. Eu só chupei ele, não se preocupe.” “Como conseguiu se humilhar desse jeito? Eu sou sua amiga, sabia? Não deveria partilhar esse tipo de coisa com as pessoas que eu odeio.”, disse cruzando os braços irritada. “Está com ciúmes, sua boba.”, ela levantou e abraçou Sookita. “Deveria ter feito um test-drive completo com ele antes de se casar.” Sookita se desvencilhou do abraço, estava extremamente chateada com a amiga. Estaria mesmo com ciúmes? Talvez, Tara tivesse razão, poderia ter feito um test-drive com ele, pelo menos não estaria dessa forma que estava agora. Evitando pensar em Bill na noite de núpcias, pensou pesarosa. “Tara, vamos mudar de assunto. Não pretendo fazer test-drive nenhum.” “Só se você quiser trair Bill. Acredito que Eric adoraria te receber nos sábados...” “Eric me odeia, se me recebesse seria só para humilhar.”, disse baixando a cabeça. “E eu não teria coragem de fazer isso com Bill. Ele não merece.”

“E de quem Bill está bebendo sangue para se recuperar? Seria o seu?”, perguntou friamente. “Claro que não. Desde do que aconteceu na Autoridade não comentei mais sobre o assunto, e ele muito menos.” Tara se afastou de Sookita, ficava irritada quando o assunto era Bill. Jamais se conformaria com a atitude que sua amiga estava tomando em se casar. No fundo tinha medo de perder ela para sempre, ser esposa de politico exigia responsabilidades. “Sim, o melhor é fingir, igual o seu relacionamento com ele. Muito saudável.”, ela bateu palmas. “Nem sempre as coisas acontecem como queremos. Estou decidida e sei que esse é o caminho certo a tomar.” “Espero que não se machuque muito nesse caminho.” Sookita não conseguiu responder Tara, os machucados já eram visíveis em sua mente. Não tinha ideia de como irá curá-los. Descobrir que até a sua amiga já tinha ficado com o vampiro só aumentava a raiva que sentia de si mesma por ter sucumbido tão facilmente a ele. Eric não amava ninguém, e desejava muito menos, apenas procurava pela próxima moça a levar para a cama. Ele sabia que Tara era sua amiga, sabia que Tara contaria o que fizeram, não tinha dúvidas do quanto ele era cruel. Decidiu não pensar mais nele e evitar o assunto com Tara o máximo que pudesse, não queria descobrir os detalhes do encontro sexual dos dois. Experimentou um vestido de cor lavanda e pediu a opinião dela. -----------------------------Bill abriu a porta de seu quarto, olhou em volta procurando sua noiva. Ela estava ali se trocando para a festa de noivado que logo mais aconteceria nos jardins da mansão dele. Ainda se recuperava do acontecido na Autoridade, não conseguiu se conformar com tudo que passou. Jamais acreditaria que poderiam fazer algo assim com ele, justo ele, o prefeito da cidade. Apenas usando de seu charme, competência e ser um ótimo cidadão, não teve dificuldades de pular de vereador para prefeito. Mesmo sendo um vampiro, e contando sempre com o apoio da Autoridade, almejavam futuramente um cargo de presidente, ele conseguiu se eleger facilmente na cidade. Algo inédito até o

momento no mundo dos vampiros e dos humanos. Bill acreditava fazer a ponte entre os interesses dos vampiros e de seus cidadãos. E quase jogaram tudo isso fora com uma punição estúpida e medieval, pensou. Jessica trouxe humanos para ele se alimentar durante essas semanas, sua filha estava tão dócil, educada, não parecia nada com a moça que deixou semanas atrás. Talvez Alcide tivesse conseguido algum tipo de progresso no comportamento dela, sabia que não havia errado em colocar o lobo vigiando. Ajeitou a gravata, fechou o terno, passou a mão no bigode e chamou por sua noiva. “Sookita? Já está vestida?” “Ainda não, espere só um pouco. Estou quase pronta.” “Precisa de alguma ajuda? Quer que eu chame Jessica?”, ele perguntou falando alto o suficiente para ela ouvir. “Não, obrigada... já pode entrar se quiser.” Ele correu na direção da porta do banheiro, abriu de uma vez, encontrou Sookita passando o batom. Estava surpreso com a beleza de sua noiva naquela noite. Ela trajava um vestido lavanda claro com uma alça do lado esquerdo e o comprimento um pouco acima do joelho. O tecido de chiffon dava uma fluidez conforme se movia. “Está linda, minha querida. Adorei que deixou os cabelos soltos.”, ele a encarava através do espelho. “Obrigada... Fico feliz que tenha gostado.” , disse um pouco sem graça. Bill se aproximou por trás, rodeou a cintura de Sookita com as mãos, beijando o pescoço dela. “Eu sofri aquela semana. Só que desde a minha volta, vendo você e Jessica se dando tão bem. Não poderia pedir outra coisa.” Jessica havia pedido desculpas a Sookita semanas atrás, mesmo a contragosto a telepata sentiu que ela estava muito simpática depois do que aconteceu. Apesar da mudança repentina, a vampira sempre a encarava com olhares estranhos, Sookita estava evitando ao máximo ficar no mesmo ambiente que ela sozinha.

“É, estamos nos dando bem ultimamente...”, mentiu. “Você e Jessica fizeram um trabalho magnifico, eu dei uma olhada lá fora. Está tudo muito bonito, igual a vocês duas, minhas mulheres favoritas.”, ele passava o lábio na linha do pescoço de Sookita. “Sim, não foi fácil organizar tudo sem a sua presença. Jessica e eu ficamos bastante cansadas, mas tudo acabou saindo perfeito.”, disse enquanto tentava se afastar do contato. “Os convidados já estão chegando, melhor sairmos...” “Por que a pressa? Não tivemos momentos só nossos desde que voltei.”, ele a virou de frente e beijou lentamente os lábios dela. Sookita retribuiu o beijo um pouco acanhada, há muito tempo não conseguia sentir algo mais forte por ele. Antes ela esperava ansiosamente por qualquer contato mais íntimo que ele pudesse oferecer. Agora tudo parecia estranho e sem sentindo, como se ele nunca tivesse feito parte de sua intimidade. Ele lentamente levantou o vestido dela agarrando na calcinha, tentava colocar a mão entre as pernas de Sookita. “Bill, agora não. Estou arrumada...”, começou a empurrá-lo. “Por que não? Um pouquinho de prazer não te fará mal. Lembra quando me pediu meses atrás?”, ele sussurrou. “Sim, mas não antes de nossa festa de noivado com todos os seus amigos importantes esperando lá fora.”, disse severamente. Ele se afastou franzindo o cenho, não estava acostumado a ser tratado dessa maneira e muito menos receber ordens. Mas, iria relevar, no fundo ela estava certa, não era o melhor momento para isso. “Vamos, chegou nosso grande momento.”, ele disse estendendo o braço para ela. ----------------------------------A mansão de Bill estava especialmente iluminada naquela noite, carros e mais carros paravam na entrada para a chegada dos convidados. O acesso a pé pela lateral até o grande jardim que ficava nos fundos do lugar. Conforme avançavam até a festa, os convidados eram recebidos por elegantes vampiros que cuidavam da segurança.

Havia instalada no meio do jardim a tenda principal, espaçosa o suficiente para cerca de 150 convidados. Uma banda tocava músicas variadas, uma pista de dança e logo atrás as mesas decoradas com flores da estação para os convidados se acomodarem. Um jardim de labirinto podia ser visto alguns metros atrás da tenda, circundado por cerca-viva e um portão de ferro redondo estava fechado para evitar a entrada dos convidados. Apenas o luar iluminava o caminho nos altos muros do labirinto. Sookita se apoiava nos braços de Bill enquanto descia a escada principal que levava até a festa. Sentiu um frio na barriga, agora não tinha mais volta, seria oficialmente futura esposa do prefeito. Não gostaria de pensar muito no significado disso e no que teria que fazer dali para frente. Forçou um sorriso, levantou a cabeça e resolveu encarar o resto daquela noite. Depois do que passou na Autoridade, uma festa não seria nada demais, mesmo que decidisse seu futuro. Bill a conduziu até a tenda principal, o casal foi anunciado pela banda, todos se voltaram para eles aplaudindo. Aproximaram-se de um grupo sentado numa das mesas. Bill rapidamente cumprimentou o homem que levantou. “Governador, gostaria de apresentar a minha noiva.” Sookita sorriu apertando nervosamente a mão do homem alto e bem vestido a sua frente, não imaginava que o governador do estado estaria presente. Bill tinha mesmo amigos poderosos, e quantos inimigos teria? Ela se perguntou enquanto olhava em volta. O lugar estava realmente muito bonito, uma decoração moderna e agradável. Mas, foi Jessica quem cuidou de tudo, Sookita opinou apenas em algumas coisas. A vampira pediu milhares de desculpas por ter atacado naquela noite, disse que o medo de perder seu pai fez com que enlouquecesse, ele era tudo o que tinha na vida. Sookita não teve escolha, aceitou as desculpas, mas exigiu que algo assim jamais voltasse a acontecer, senão iria cortar tudo para Bill. Também tinha armas para se defender da outra e iria usar se fosse preciso. Jason correu até a irmã, deram um longo abraço, ele pediu desculpas novamente por não ter aparecido tanto. Sookita correspondeu ao abraço de seu irmão, ele estava tão bonito vestindo smoking, de repente não parecia tão perdido como era. Aceitou os cumprimentos de Lafayette, não entendia muito bem essa amizade de seu irmão com o primo de Tara. Apenas sentia que algo estranho acontecia e ela não tinha vontade de descobrir. Tara apareceu logo atrás dos dois, usava um longo verde, se destacava das outras convidadas, vários olhares se voltaram conforme percorreu o salão.

“Está linda.”, Tara comentou enquanto a beijava na bochecha. “Você está muito mais...”, Sookita sorriu de volta, sentindo uma pontada ao relembrar que sua amiga tinha tido algo íntimo com Eric. Por mais que tentasse esquecer-se do assunto, a possível imagem dos dois juntos continuava a assombrar. “Voltamos a sexta-série quando essas duas brigavam quem sentaria ao lado daquele panaca do Roberto durante a aula.” Jason disse divertido. “Jason, deixa de ser tonto. Nem precisávamos brigar, fui eu quem ficou com o Roberto no final.”, Tara empinou o nariz. Sookita balançou a cabeça confirmando, não poderia negar que Tara sempre ficou com os rapazes de quem ela gostava, mas aprendeu com o tempo a não se ressentir. Pelo menos com Bill não houve interesse da parte dele e muito menos de Tara. Mas, pelo jeito a história se repetiria com Eric, e dessa vez não saberia como iria reagir. “E depois descobriu que ele era um baita viado, né amada?”, Lafayette tirou sarro de sua prima. “Ele era gay? Não acredito...”, Sookita disse chocada. “Ele é drag queen hoje em dia lá na capital. Nome de guerra Jackeline Jackson, coisa mais cafona que já ouvi.”, Lafayette deu de ombros. Sookita não reparou na aproximação de Alcide. O lobo a chamou, ela se virou e ficou surpresa o quanto ele também estava bonito, um terno cinza escuro com caimento perfeito, os cabelos para trás com gel. Nunca o viu tão limpo, pensou sufocando um riso. “Dona Sookita, desculpe interromper. Mas, Jessica ainda não chegou. Aquela moça ali não para de reclamar.”, Alcide apontou para uma mulher loira parada na escadaria. “Disse que tem coisas que ainda precisa combinar com ela.” “Aquela é a cerimonialista. Achei que Jessica já estaria por aqui. Nem reparei na ausência dela.”, Sookita respondeu. “Irei cuidar disso.”, tocou no ombro de Alcide e se afastou em direção a moça. O lobo ficou sem graça encarando Tara, Jason e Lafayette. Não conversava com muitas pessoas além de seu círculo de trabalho. Normalmente conversava com Bill, depois a sua guarda e os maltratos de Jessica eram parte de sua rotina. Estava afastado de sua alcateia desde que começou a trabalhar para o

prefeito. Sookita se aproximou da moça e ficaram discutindo por longos minutos alguns detalhes da iluminação, o momento de servir o bolo e sobre alguns jovens que estavam tentando pular o muro até o labirinto. “Coloque um dos vampiros para ficarem lá de guarda. Vão ficar com medo.”, Sookita disse divertida imaginando o susto deles. Iriam pensar que já era o Dia dos Mortos. Sua atenção foi desviada pela figura de um homem alto e loiro descendo a escada acompanhado de uma ruiva estonteante. Para surpresa de Sookita, a acompanhante era Jessica e o homem simplesmente Eric. Ele não havia sido convidado, Sookita fez questão de deixar claro isso quando montou a lista. Seu rosto ficou quente diante da visão, não o via desde a Autoridade. Ela queria matar as borboletas que insistiam em ficar voando em seu estômago conforme Eric se movia com Jessica sorridente ao seu lado. Jessica caminhava altivamente, a roupa era tão curta que corria o risco de mostrar a calcinha, e a intenção era essa mesma, chamar todos os olhares para si. Eric trajava um conjunto de calça e blazer social azul marinho com uma camisa de botão branca. Seus cabelos estavam para trás, como sempre impecáveis. Os olhos azuis observavam tudo minuciosamente. A roupa destacava ainda mais sua altura deixando o vampiro absurdamente perigoso. Os dois passaram por Sookita na escada e a ignoraram completamente. Bill se aproximou do casal e falou entre dentes para Jessica: “Onde está com a cabeça?”

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