M. Zorzetto e J. J.

Gremmelmaier

Aventuras de Thomas Thompson III Querubins em Guerra
Primeira Edição

Curitiba / Paraná Nova Odessa / São Paulo Edição dos Autores 2011

Maristela Zorzetto e J.J.Gremmelmaier / Querubins em Guerra Autores: M. Zorzetto e J. J. Gremmelmaier

Edição dos Autores
Nome da Obra. Aventuras de Thomas Thompson III - Querubins em Guerra

ISBN
As opiniões contidas no livro são dos personagens, em nada assemelham as opiniões dos autores, esta é uma obra de ficção, sendo os nomes e fatos fictícios. É vedada a reprodução total ou parcial desta obra. CIP – Brasil – Catalogado na Fonte Zorzetto, Maristela Gremmelmaier, João Jose Aventuras de Thomas Thompson 3 – Querubins em Guerra, Romance de Ficção, 234 pg./ Maristela Zorzetto e João Jose Gremmelmaier / Curitiba – Pr., Nova Odessa – SP. / Edição dos Autores / 2011

1. Literatura Brasileira – Romance – I – Título
85 – 0000 CDD – 978.000

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Maristela Zorzetto e J.J.Gremmelmaier / Querubins em Guerra

M. Zorzetto e J.J.Gremmelmaier

Querubins em Guerra
Aventuras de Thomas Thompson 3

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Maristela Zorzetto e J.J.Gremmelmaier / Querubins em Guerra

Queria agradecer a Thomas Thompson, o personagem que tomou vida e nos deu o prazer de nos lançarmos juntos nesta grande aventura. Agradecer novamente aos Anjos e a minha grande parceira nestas aventuras, Maristela Zorzetto. Falar que a mudança de estilo, foi culpa do Chico, quem manda ele atravessar nossa historia com suas músicas. Como diz a Maristela, acompanhando tão de perto Thomas, que qualquer hora, ele vira-se para trás e pergunta. — Quem são vocês?

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Pedro sai de casa acompanhado de sua nega, para mais um dia de trabalho, beija sua nega na saída do morro de Dona Marta, cada um vai para um lado, ela irá à zona sul trabalhar e ele, ao centro, onde o novo prédio administrativo da Petrobrás estava sendo erguido, chega como todo dia, com sua marmita, com aquele rosto de quem dormira bem, olha os companheiros, sobe os andaimes, aquele dia estava como qualquer outro, erguendo paredes de alvenaria no 26° andar e fazendo acabamento dos trechos que fazia, parou para o almoço, vendo a cidade aos seus pés, adorava sua cidade, dali podia ver o sambódromo mais ao fundo, olha a central do Brasil logo ali à frente, se olhasse para o outro lado, via a baía de Guanabara, comia como se fosse a melhor refeição que existia. Pedro olha quando um menino se aproxima da beirada e grita. — O que faz aí guri? O menino olha nos olhos de Pedro e sorri, parece conhecêlo, aqueles olhos azulados fizeram Pedro sorrir. O menino anda calmamente em sua direção, não sabia bem o que o menino faria, mas continuava se aproximando. — Como é seu nome, não deveria estar por aqui sabia? O menino lhe estende a mão, Pedro estende a dele, não consegue evitar, vê toda a sua vida passar diante de seus olhos e em seguida ouve. — Bem vindo ao paraíso!
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– Construção

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Confuso o menino fica olhando o senhor, negro, mais de um metro e oitenta lhe olhar, e uma lágrima lhe descer pelo rosto enquanto despencava, já morto os 26 andares da construção. O menino fica pensando por que o senhor ficou triste, todos ficavam alegres, mas não imaginava que Pedro pensara em Beatriz enquanto caia, torcendo para ela aceitar bem aquilo, pedindo a Deus que confortasse seu coração sofrido e sem esperança. Os amigos de Pedro olham ele pender para trás, olhando para o vazio, como se estivesse vendo uma assombração, um deles grita, mas ele já estava caindo, correm para o local vendo o corpo acelerar e bater no chão. Quando viram a marca de sangue na roupa do rapaz, na altura do coração chamaram o Instituto Médico Legal, que recolhe o corpo. Lídia embora da Polícia Investigativa, acaba no D.O.P.S., ela media 1,65, apesar da pouca estatura não era de levar desaforo para casa, tivera de agir assim, se quisesse ser respeitada em um cargo como este, todos que trabalhavam com ela a respeitavam, como se no cargo estivesse um homem, ao invés de mulher, seu cabelo castanho médio, o mantinha sempre curto, quase em estilo masculino, por ser mais prático, o estilo de roupa também era sempre sério e confortável, não tinha tempo para pensar se estava bem, a maquiagem no máximo um protetor solar, como ficava mais fora, do que dentro do escritório, queria proteger a pele tão sensível, nos lábios, batom em tons claros, não era vaidosa, bobear na maioria do tempo, nem se lembrava que era mulher e nem agia como uma.
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Lídia fica sabendo de um caso de tráfico, entre os rapazes daquela construção, a forma da morte parecia queima de arquivo, chega ao Instituto e olha ao redor, notando o total descaso com o corpo, que deveria estar largado em uma gaveta e pergunta. — Quem é o responsável? Um rapaz olha para ela, como se perguntando quem era? — O que quer garota? — Capitã Mendonza! Quero uma colaboração! — Acha que não fazemos o que podemos? – O rapaz reclamando das instalações, onde se via infiltrações nas paredes, lixo no chão, um relaxo só, os móveis em estado precário. — Quer uma diarista, pois está precisando, pelo jeito não analisam capricho nos concursos públicos! – Lídia enfezada. — Isto aqui é um lixo, afinal o que quer de mim ―Capitã‖? – O desdém ao falar a palavra Capitã fica claro. — Saber a causa da morte, do Pedreiro que veio da obra no centro! — Morreu da queda, o que mais poderia ser! — Quer complicação garoto, está quase conseguindo! – Lídia fala alto colocando a mão na arma, olhando sério nos olhos do rapaz. — Acha que me põe medo? – franzindo a sobrancelha. Lídia perdendo a paciência tira a mão da arma e dá um soco direto no nariz do rapaz, que põe as mãos no nariz xingando, ela o segurando pelo cabelo, puxa a cabeça dele com força para frente, na direção da mesa que estava perto e o rapaz bate a cabeça com força na mesinha.
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— Rápido garoto, quer o que? Já ganha muito para fazer este serviço porco! O rapaz com o nariz sangrando, olha para o sangue em sua mão, depois olha para ela com raiva e fala. — Acha que pode vir aqui me ofender, bater e vai ficar barato? Lídia pega a arma na cintura, encosta na cabeça dele e fala. — Você ia falar algo, foi o que entendi? O rapaz assustado arregala os olhos e fala. — Por que tanto interesse pelo caso? — Pelo jeito, além disto, ser mais sujo que um abatedouro, nem olha os corpos quando chegam, como pode assinar uma autopsia? O rapaz pega um papel e põe no nariz que sangrava, vai até a gaveta em que Pedro estava, abre e pergunta. — O que quer com este pedreiro? — Isto não lhe diz nada? Lídia indignada olha o corpo congelado, pega uma régua na mesa do rapaz e como o corpo estava congelado, coloca no buraco que tinha na altura do peito e a mesma atravessa o corpo e olha para o rapaz e pergunta. — O que faz um corte assim, tão preciso? Aparentemente uniforme e que parece manter uma linha única? O rapaz que até então estava ignorando a Capitã, observa atentamente o corpo do rapaz, que foi trazido depois de um mergulho de vinte e tantos andares e pensa, o que mais poderia tê-lo matado, senão a queda? Olha a moça e o vira de bruços, nu na maca, olha as costas e pede a régua da mão da moça, mede, coloca no sentido e tira do outro lado, medindo o
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comprimento do corte, o diâmetro de saída, a altura do corte e fala. — Algo muito afiado… – olha a cauterização da pele mais de perto. –… quente, mais de 200º Celsius… – olha a distância. –… e com mais de 40 cm de comprimento, mesmo diâmetro em toda a sua extensão,… – olha o corte inicial e fala. – Seja o que for, não é pontudo, rasgou ele, não cortou o ponto inicial! — E o que conhece que pode fazer algo assim? — Nunca vi um corte assim, mas com certeza, pela precisão do corte, ele morreria, embora se ele caiu logo após isso ter acontecido, sem dúvida morreu da queda, antes mesmo da circulação parar, mas teria de investigar mais a fundo! — É isto que eu quero, que me verifique se ele tomava drogas, se tinha algo estranho além deste corte perfeito! — Mas por que disto? Lídia se cala referente ao que queria saber e fala. — De preferência quero quanto antes, se não for pedir demais! – Lídia olha séria e depois se afastando sai pela porta.

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Thomas, o antigo chefe de polícia de Los Angeles, espera à hora de embarcar no sentido do Brasil, sua ideia sobre Brasil, ele mesmo viu que era meio preconceituosa, pois quando falaram em cidade de mais de 3 milhões de habitantes, não imaginou estar indo para uma região metropolitana, de mais de 11 milhões de habitantes, sentado no saguão, olha ao seu lado e vê que um senhor olhava-o, não acredita inicialmente e olha novamente. — O que faz aqui Gabriel? – ele espantado. Gabriel estava com uma pequena mala, na sua aparência humana, sorri e fala. — Pensa que já acabou de me ajudar? Thomas olha em volta, não queria espantar o Anjo e fala. — Ajuda, do que está falando? — Acha que vou deixar você se divertir e não me ajudar nada! — Não lhe devo ajuda, não mais! — Acho que esqueceu com quem está falando Thomas! Thomas olha sério, não queria brigar, mas realmente queria respostas, para algumas indagações que lhe vinham à mente. — Verdade! Com quem mesmo estou falando? Thomas fala um pouco mais alto, olhando em volta, Gabriel olha para ele sem entender e pergunta.
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– Homenagem Malandro

ao

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— Alguém o vigia? — O ser representante do que tudo sabe aqui, é você, não eu! — Fala mais baixo Thomas, não quer passar por maluco! — Eu sou maluco, sabe disto, quem mais fala com Anjos, Arcanjos, Serafins e se prepara, para ir para um país que desconhece, para enfrentar o que mesmo…! Querubins? — Querubins são seres especiais, mas alguns os confundem com os Cupidos, só por que parecem inofensivos! — Parecem? Será que algum de vocês parece inofensivo? — Alguns, mas na inocente aparência, é como uma criança, com ideias rápidas e a língua afiada, podem machucar, fazer apaixonar, ou distorcer a verdade! — Não entendi? – Thomas. — Uma criança, quando fala algo, Deus ouve, os Querubins são como crianças, Deus às vezes tenta lhes mostrar a verdade e os humanos não entendem! — Não está sendo claro, mas já deveria estar acostumado! Assim que o alto-falante anuncia o próximo vôo, os dois levantam-se e embarcam tomando seus lugares no avião, que teria uma parada em Dallas, uma na Cidade do México, Manaus, Brasília e finalmente Rio de Janeiro. Assim que os dois sentam-se Thomas pergunta. — Por que os Querubins escolheram o Rio de Janeiro, entre tantas cidades? — É a cidade do Querubim Ungido! — O que é um Querubim Ungido?

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Gabriel se cala, olha para a moça do lado pedindo um travesseiro, ela lhe arranja um, ele se ajeita e finge que dormia. No solavanco logo depois de decolarem de Dallas, Gabriel abre os olhos, Thomas lia um artigo sobre anjos, parecia querer saber tudo o que não entendia, estaria longe de casa, longe de sua equipe, nem sabia onde conseguiria apoio no Rio de Janeiro. — Quem vai lhe ajudar lá? – Gabriel curioso. — Uma senhora, do grupo de Caroline, acho que às vezes, quer dizer, desta vez, não sei nem o que vou fazer lá? — Aquela moça, Caroline, não conseguiu embarcar? — Talvez ela não apareça no Rio de Janeiro! — Por quê? — Chamaram-na de volta para o quadro de funcionários do FBI e o Rio não tem muito haver com as missões do FBI! — O que está lendo aí? — Apenas lendo, tentando pegar no sono, a viagem é longa! — Acha que me engana? — Não, se já sabe a resposta por que me pergunta? Afinal de contas, por que não quer me dizer, o que é um Querubim Ungido? — Isto não vai achar nestes livros! — Por que não me fala então? — Por que ninguém fala do destino do Querubim Ungido, eles nem tinham ideia de onde ele estava, quando falaram de seres como nós pela última vez! — Mas o que é um Querubim Ungido?
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— Um dia ouve um outro príncipe que regia os Querubins, Deus lhe deu uma missão, treinar os novos Querubins, no que os Querubins fazem de melhor! — O que eles fazem de melhor? — Eles receberam o mais alto dom da luz e da verdade, eles são os que mais conhecem e contemplam a Deus! — E alguém os treina nisto não entendi? — Sim, alguém lhe passa o dom da luz e da verdade, mas não pense que é fácil, para um Querubim julgar alguém, nos Anjos, vemos a ideia por cima, ele sente a verdade a fundo e sua luz até nós Anjos admiramos! — Mas quem é o Querubim Ungido? Gabriel olha em volta, pensa se deve falar. — Alguns o conheceram como Belial! Thomas que estava com o computador ligado, interligado a rede, apenas digita Belial e para na frase da pesquisa. — ―Belial, mais conhecido por Lúcifer‖! Gabriel se debruça no travesseiro, enquanto Thomas perde o sono, sua cabeça começa a pensar, no desafio que seria esta viagem. Na parada na Cidade do México, logo após a decolagem, a comissária de bordo acorda Thomas e pergunta, se havia visto o senhor ao seu lado. Thomas olha para o local onde Gabriel deveria estar, agora vazio, imagina que ele fora embora, da forma mais rápida e apenas responde. — Não vi senhora, estava dormindo! A senhora se desculpa e parece sair à procura de Gabriel.
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—§— No Rio de Janeiro, Lídia chega à cena de mais uma morte, não sabia por que, mas pelo segundo dia, lhe chamavam para verificar outra morte com aquele corte estranho. — Quem era o rapaz? – Lídia ao policial. — Um malandro conhecido aqui da Lapa! — Pensei que eles não existissem mais? — Não como antigamente, mas olhe para o rapaz negro, terno branco, sapatos impecáveis! — Alguém viu algo? — Não, ou se viu, ninguém está querendo falar! — Ele morava onde? — Mora num prédio na Brasil! — Algo referente ao tráfico? – Lídia curiosa. — Não, malandros não se envolvem com drogas, são espertos, não são como este pessoal do morro, que se vicia e se acha esperto! – Souza. — O que está acontecendo por aqui Souza? — Não tenho nem ideia, chamei o pessoal do IML e vamos pressionar por um laudo mais especifico! — Quero descobrir quem está fazendo isto, 4 casos entre ontem e hoje, quero saber quem foi!

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João morava na favela da Rocinha, como ele falava, bairro da Rocinha, maior bairro do Rio de Janeiro, olha para Fátima a cama e fala. — Como passou a noite amor? – olhar preocupado. — Com dor, mas já estou bem! — Não quer ficar em casa? — Não podemos nos dar ao luxo, depois me mandam embora e lá vou eu me bater para ter outro emprego! — Hoje tenho de ir pegar um gringo no aeroporto, mas não sei ainda o que está acontecendo amor! — Por quê? — A Dona Guerra me mandou andar a partir de hoje, com um ponto eletrônico no ouvido, mas é incomodo, fica muito dentro do ouvido e também não gosto deste grupo que ela faz parte! — Mas o salário é bom João, tente se acostumar! — Estou me sentindo mal ultimamente, estudei tanto, fiz faculdade de Letras, para servir de baba para um gringo qualquer! — Mas de onde ele vem? — Los Angeles, algo sobre uma reunião, que vão fazer aqui na cidade, tem gente vindo do Brasil inteiro! — Mas por que não se sente bem?

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– Eu te Amo

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— Falam o tempo inteiro em mortes, em religião, em anjos, acho que a Dona Guerra está fissurada por isto! Os dois se abraçaram se despedindo, Fátima toma um Profenid para a crise de pedras no rim e vai para o banho, enquanto João desce as ladeiras da favela para pegar o ônibus. —§— No centro da cidade, a polícia é chamada para mais um caso, e Fabio, o rapaz do IML assim que chega a estação da Luz e se depara com uma senhora morta, sentada em um banco, com o mesmo tipo de corte, mesmo não gostando da Capitã, não teve outra coisa a fazer e manda lhe comunicar da morte. Assim que fica sabendo Lídia larga tudo e vai até o local, queria o quanto antes, descobrir o que estava acontecendo na cidade. — O que tem para mim Garoto? – Lídia chegando ao local e se deparando com aquela senhora morta, sentada em um banco. — Mais um e ainda não sei o que pode cortar alguém assim! — A posição do corte? — Exatamente a mesma! — Com este já são quantos? — Não sei ao certo Capitã, mas pela minha mesa, tem passado em média 4 casos por dia, isto nos últimos 4 dias! Lídia olha para o rapaz que veio junto com ela e fala. — Souza, vê se tem as imagens da central, aqui podemos ter alguma coisa, pois este matador já está me tirando o sono!
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A senhora tinha uma tatuagem no pulso, ―Eu te amo‖. — Já identificaram a senhora? — Diarista, voltava para casa! – Fabio. Lídia olhava em volta, não estava gostando daquilo, no primeiro dia achava se tratar de uma coisa, 4 dias depois ainda não descobrira nada e a imprensa estava pressionando seus superiores, que automaticamente a pressionavam.

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Thomas chega ao aeroporto Antônio Carlos Jobim, olha em volta e vê uma placa com seu nome. — Senhor Thompson, sou João Santana, seu intérprete! O inglês do rapaz era bem puxado, mas Thompson sorri, não estava ali a passeio, apesar de não ter nem certeza do que faria naquela cidade. — Fala bem minha língua? – Pergunta Thomas. — Para o gasto! Thomas não entende o sentido do que foi falado, mas uma coisa ele entende, teria problemas em uma comunicação mais rápida. — Sabe se foi feita uma reserva no hotel? — Sim, mas a senhora Maria da Glória, pediu para lhe falar antes de ir para o hotel! — Então vamos lá! Thomas vê que o aeroporto era grande, sabia que a agitação seria grande, pois a cidade estava se preparando para receber uma Olimpíada e nestas horas tudo parece ir contra. Saem com o carro do terreno do aeroporto, por uma via rápida de 3 pistas, o rapaz ia explicando que aquela era a linha Amarela, que ligava a região do aeroporto a zona sul da cidade, estavam indo no sentido do Bairro da Barra, o rapaz mostra e comenta sobre algumas obras para a olimpíada, mas Thomas estava distante, pensando em como se portaria diante dos acontecimentos.
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- Vai Levando

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Estavam indo pela linha Amarela, quando o rapaz para abruptamente o carro, liga o pisca alerta e começa a dar ré, acelerando para trás, Thomas não teve muito tempo para entender, mas começa a ouvir os tiros à frente, outros carros começaram parar atrás. Thomas acostumado com um tipo de violência, se surpreende com pessoas invadindo aquela via expressa, com armas de alto poder de fogo, atirando primeiro para cima, depois nos carros que estavam mais a frente, Thomas vê que o rapaz da um cavalo-de-pau e começa a fazer sinal de luz, andando na contra mão, as pessoas pareciam entender o que estava acontecendo, pois viravam seus carros como se fugissem no mesmo sentido. Thomas estava olhando pelo espelho retrovisor, enquanto ouvia os tiros cada vez mais longe, o rapaz pega uma saída logo à frente e volta a andar no sentido anterior, mas agora por uma via bem mais lenta e com muitos entroncamentos. —§— Um grupo de traficantes na marginal da linha Amarela, toma a avenida e começa a atirar nos carros, estavam rindo, se divertindo com a cara de susto dos motoristas, mas este sorriso some quando viram dois helicópteros do DOPS se aproximar atirando.

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– Cálice

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Lídia invade uma das avenidas tomada, perseguindo os bandidos que começam a recuar em direção a favela, estes achavam que ali estariam seguro, quando viram também o Caveirão entrando na favela, para mais uma operação na região. A polícia com o apoio de Lídia, invade a favela e começa invadir e revistar casa por casa com seu pessoal, conforme iam avançando subindo favela adentro, andando por ruas estreitas como um labirinto, quem não conhece o caminho pode se perder ali dentro, passavam por muito moradores, que vinham no sentido contrário, tentando escapar do tiroteio, acabando por ficar entre a polícia e os marginais, Lídia sabia que sempre apareciam inocentes mortos nestas ações, mas para ela não existiam inocentes, nem ela se considerava santa. Depois de muitos tiros, o comando repara que os mandantes haviam escapado, deixando para trás, tudo o que não conseguem carregar, ficando apenas 12 meninos deixados para retardar a aproximação da polícia, enquanto eles fogem, o mais velho não tinha 14 anos ainda, a polícia apreende muitas armas, muitas drogas e até alguns telefones celulares usados na comunicação. O uso de menores para tráfico e contravenções na favela, era preferido por grandes traficantes, devido à lei Brasileira de Proteção ao Menor e Adolescente. Um ônibus é pego no seu ponto final, para levar os menores para o juizado, mais uma vez, a polícia sai da favela, sobre a gozação dos marginais, que se escondiam por trás de crianças. Embora a região estivesse muito mais calma, melhorando muito nos últimos 4 anos, mas ainda tinha índices assustadores de assassinatos.
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Quase 3 horas depois de ter desembarcado no Aeroporto, chegam a uma casa na região da Barra, casa grande, com um grande jardim, o rapaz entra com o carro pelo portão e para em frente a uma porta, sai dando a volta no carro, para abrir a porta de Thomas, mas este já estava entediado do carro e saindo do carro, estava olhando tudo em volta parado à porta, quando o rapaz chega ao seu lado. — Me acompanhe é por aqui! Thomas segue o rapaz, a casa era bonita, tinha uma sala muito ampla, lembrava as mansões dos ricos de Los Angeles, mas nas paredes, quadros caros e clássicos, de Cupidos. Foi acompanhando o rapaz que para em uma porta bate e fala. — Ela o espera, pode entrar! Thomas estranha a atitude, mas entra, vê uma senhora sentada em uma cadeira estilo Luiz XV, no pescoço da mulher havia um colar, que continha mais em ouro, do que ele recebera na vida em salário, era uma ostentação, a senhora olha para ele e pergunta em inglês, um sotaque mais para novaiorquino. — Como foi à viagem? — Bem, deve ser Maria da Glória? — Sim, quando soube que chegaria hoje, adiei todos os meus compromissos, pois precisava lhe falar! — Não entendi qual é a urgência? – Thomas se adiantando.
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– Olhos nos Olhos

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— Estamos sabendo a quatro dias, que algo errado está acontecendo, mas ontem uma morte muito estranha aconteceu e todos os olhos se voltaram para esta morte! Thomas a olha, ela parece calma, mas falava com veemência, dando ênfase a aquela morte, a vê pegar um controle sobre a mesa e apontar para uma imensa tela de TV a parede, que ligou, o programa era em português, onde se vê um apresentador, ele estava apresentando um programa de domingo, olha para um canto do palco e começa a falar alto, Thomas não entendia as palavras, mas vê que o senhor, estava diante das câmeras aparentemente passando por louco, programa ao vivo, mas todos veem quando ele estende a mão, uma lágrima desce pelo rosto e no peito se vê a mancha de sangue, a câmera corta para a câmera de trás e nesta se vê a mancha, também na parte de trás da roupa, como se algo lhe tivesse atravessado o peito, o senhor sorri e cai morto, em pleno programa de domingo, quando as pessoas do auditório, se dão conta do que está acontecendo, uma gritaria percorre por todo o ambiente, acompanhado de uma correria, ninguém consegue entender, como isto pode acontecer. Thomas olha para a senhora, entendera o que precisava saber, as cenas falavam mais do que palavras. — Queria apenas que me fosse sincero Thomas, o que matou este senhor? – Maria. — Um Querubim, de nome HAZIEL! — Tem certeza disto senhor Thomas? — Foi isto que me trouxe á cidade, nada além disto!

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— Então vou pedir para o João, arrumar suas coisa no quarto de hóspedes, amanhã pela manhã conversamos mais, deve estar cansado! Thomas concorda e vê o rapaz abrir a porta, como se soubesse que a senhora iria chamá-lo. Thomas entra no imenso quarto de hóspedes da casa, quase tão grande quanto a sua casa, móveis de luxo, riqueza, espaço de sobra e uma imensa cama, senta-se primeiro tentando entender, o que estava acontecendo, mas com o calor que estava, resolve tomar um banho com calma, um banho reconfortante, para relaxar os músculos, tensos pela viagem, depois mais disposto, senta-se a uma penteadeira, onde coloca o seu computador. Estava pesquisando sobre Beliel, quando embarcou não esperava ter de enfrentar Beliel, uma coisa é você ler a definição de Querubins, outra é saber que Beliel foi um querubim, mas não estava encontrando muito sobre o termo Querubim Ungido. Sabia que estava no significado de purificado em luz, daí vinha o termo Lúcifer, de repente ele começa a ficar tenso e sente seu corpo arrepiar, algo estava se aproximando, olha pelo espelho e não vê nada, mas ouve. — Calma amigo, alguém me mandou para te ajudar! Thomas vira-se depressa, embora o espelho não lhe mostrasse o reflexo, conhecia aquela voz, estava arrepiado, tenso, quando olha para o ser translúcido a sua frente, era seu antigo amigo Dalton que lhe fala. — É bom lhe ver de novo amigo! Thomas não sabia o que falar, meio que gaguejou. — Dadalltonn…, o que faz aqui?

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— Mandaram lhe acalmar, tem de acreditar em você mesmo Thomas, não se prenda ao que Gabriel falar, isto pode apenas lhe desviar do caminho, fazendo com que faça apenas o que ele quer! — Mas o que você é agora? – franze a testa. — Ainda um espírito, mas poucos podem me ver neste estado! — Quem pode? — Qualquer guardião do caminho pode, o próprio Beliel pode! — Mas o que queria me dizer? — Ainda nada, mandaram ficar de olho em você, mas relaxa, dorme um pouco, amanhã será um dia agitado! — Mas você não foi julgado? — Não, mas não é hora de falar sobre isto! Thomas vê Dalton ficar mais translúcido e sumir, fica ali olhando para onde ele estava a pouco, sem saber o que fazer, teria de abrir caminhos, descobrir algo que lhe desse uma pista do caminho a seguir. —§— Dona Maria da Glória chama João para conversar: — João, quero que me prometa uma coisa! — Fala senhora? — Se algo me acontecer, proteja este senhor! — Mas por que lhe aconteceria algo?

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— Tenho sonhado muito com morte, mas desta vez, com a minha morte, sei que está próxima, mas não sei quem me matará, não confio neste grupo que faço parte, me promete, se algo me acontecer, cuida de proteger este senhor! — Mas por que ele é tão importante? — João, ele é diferente de eu e você, ele vê e sente muito mais do que nós, sei que isto é estranho, mas verá, ele é protegido de Deus, mas tenho quase certeza, que alguns dentre nós vão tentar algo, não tenho como impedir, mas sei que meu fim está próximo! — Não fala assim Dona Maria! — Cuida dele, já sabe que se me acontecer algo, usa os meios que lhe disse como fazer, sei que ele estará bem, mas precisa de um porto seguro! — Pensei que ele fosse apenas seu convidado? — João, se for o caso para protegê-lo, nós o deteremos em casa, pelo menos por um tempo, mas não posso detê-lo para sempre, mas sei que quanto mais se expor, mais ele e eu correremos perigo, apenas fica atento, peço apenas isto João! João concorda com ela, estranha as palavras da Senhora Guerra, mas volta a seus afazeres.

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Thomas dormiu muito bem, acorda disposto, sai pela porta do quarto em seu paletó impecável e olha para o corredor por onde viera, começa a andar por ele, repara na cruz ao fim do corredor, inclinada, conhecia aquela cruz, a de lados iguais, a dos seguidores das palavras de Manson, estava tão longe e mesmo assim, sentia o quanto aquelas palavras eram perigosas, daquelas que levam pessoas ao suicídio. Quando dobra a direita com o corredor, vê surgir uma grande sala, passou por ali no dia anterior, mas estava tão cansado que não notou os detalhes, mas enquanto olhava os entalhes a ouro na parede, num piso de porcelanato negro, impecavelmente limpo, vê o rapaz, João, surgir a sua frente. — Dormiu bem senhor Thompson? — Sim, acho que estou meio perdido! – sorri sem jeito. O rapaz sorri e pergunta. — Quer tomar um café? Thomas acena que sim e acompanha o rapaz, que o deixa em uma grande sala, não era a mesma que falara com a senhora Maria, mas imensa também, dali se via o grande jardim muito bem cuidado ao fundo. Uma moça negra, bem vestida, acompanhada de outras duas menos negras, mas escuras também, colocaram a mesa, com várias coisas a comer, ele começa com calma, não era de

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– Samba do Grande Amor

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comer tanto, estranha o café, parecia ser mais forte do que estava acostumado, mas estava saboroso. Fazia mais de 20 minutos que comia quando a senhora, proprietária da casa veio até ele, mais a vontade, com apenas um pingente de ouro no pescoço, na forma da cruz, que se via em vários aposentos da casa. — Como passou a noite? — Dormi bem, mas acordei suando! Thomas estranhara a temperatura tão elevada logo cedo, estava em fevereiro e mesmo com todo ar condicionado sentiu o calor. — Lá fora é bem mais quente, mas esqueci de avisar para Teresa, a empregada, que você veio de uma cidade mais amena, pelo menos nesta época do ano! — Posso ser sincero senhora? — Pode me chamar de Glória, é menos formal, mas não espero nunca menos que a sinceridade! — Estava pensando, vim por impulso, mas não sei por onde começar! — Primeiro gostaria de pedir uma coisa, senhor Thompson! — Me chame de Thomas! — Thomas, o pessoal gostaria de saber como podem acreditar, que aquela ação foi feita por um Querubim? — Vi em Los Angeles os Serafins agirem, Glória, os escritos de Mal Evans, nos conduziram ao Rio de Janeiro e a seqüência nos indica os Querubins! — Por que parece meio receoso?

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— O que aconteceria, se Gabriel mudasse de posição Glória? — Do que está falando? — Pelo que estudei, na grande batalha, havia os que defenderam Deus e nos admitiram como seres a serem respeitados e se curvaram diante de nós, e os seguidores de Belial, Gabriel enfrentou com 81 seres e o poder de Deus, os mais de 315 seres alados rebelados, e venceu, mas o que aconteceria, se agora Gabriel resolvesse mudar para o lado de Belial! — Acha que Gabriel está neste caminho? — Ele está neste caminho, Glória! — Mas e estes que nos julgam? — São parte dos 81, mas diante desta cidade, não sei o que fazer! — Não entendo por que o medo de Belial, por que ele estaria aqui? — Gabriel me confirmou que ele está aqui! – Thomas. — A que horas o pessoal vai se reunir? – Glória pergunta olhando para a porta. João abre a porta e põe a cabeça para dentro, como se soubesse que a senhora lhe falaria, Thomas estranhava isto. — Depois do meio dia, Biblioteca Nacional, no auditório! – João responde e sai, voltando a fechar a porta. Glória olha o relógio, depois para Thomas e fala. — Espero que sua suspeita esteja errada!

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— Não é suspeita, mas como falei, não sei por onde começar, em minha cidade sei a quem recorrer, aqui, não tenho nem ideia! Thomas vê a senhora sair da mesa, termina de tomar o café calmamente e fica observando o jardim. Por volta do meio dia, estava quente, o rapaz trouxe um refresco de manga, Thomas gostou, saboroso e refrescante, senta-se a mesa sozinho, dali a pouco vê o rapaz se aproximar da mesa e falar. — Senhor Thompson, a senhora Glória mandou ficar a sua disposição, mas antes, gostaria que o senhor fosse comigo, a uma reunião da Cruz Rosada! — O que fazem nesta Cruz Rosada? — É um grupo de adoração a Deus, acima de qualquer coisa, seguimos as leis divinas, mas estão curiosos, referente às mortes que estão acontecendo na cidade! Thomas não sabia por que, mas algo lhe cheirava confusão, mas talvez fosse isto que mais o animou, estava tudo muito calmo. Arruma uma pasta, com seu computador, um caderno de anotações e poucas coisas, na saída pede para João levar para ele, ainda não sabia em quem confiar. À tarde foram a uma reunião no centro da cidade, Praça Marechal Floriano, onde se via uma construção antiga, na entrada Thomas olha com interesse e o rapaz fala. — Biblioteca Nacional, uma das 10 maiores do mundo! O prédio era imponente, se via na fachada uma leva de pequenas esculturas de Leões, Thomas sobe as escadas e antes de entrar no prédio olha em volta, vê um grande prédio a esquerda com uma águia dourada sobre ele, uma escultura e em
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frente, do outro lado da praça, um prédio também antigo, cheio de esculturas na fachada, teria de chegar mais perto para ver ao certo o que eram, entra no saguão de entrada do prédio, a grande escada à frente e o rapaz via admiração nos olhos de Thomas, aquilo parecia um castelo, não uma biblioteca, mas quando passam pela parte lateral, milhares de livros, ali sim, parecia com uma biblioteca, mais a frente se depara com um anfiteatro e quando entra, vê as pessoas olharem para ele, haviam pessoas de todas as idades. Um menino com lindos olhos azuis, veio a ele sorrindo e pergunta em inglês. — O senhor é Thomas Thompson? — Sou e você? – Thomas responde. — Um servo de Deus, mas é bom ver que veio até nós! Thomas acha estranho às palavras, mas vê a senhora Maria da Glória olhar para ele e falar alto. — Se aproxime Thomas, venha sentar ao meu lado, meus amigos gostariam de ouvi-lo! Thomas repara nas pessoas, todas olhando para ele, caminha calmamente até o palco, onde Maria da Glória estava sentada, ao fundo se via uma grande cruz e em todas as paredes, um símbolo do leão. Thomas pensa rápido, as pessoas falando sua língua, parecia que não estava longe de casa, mas algo estava errado e queria saber o que era, olha em volta e senta-se ao lado de Glória, a cumprimentando. — Senhores, este é o senhor Thompson, ele acaba de chegar de Los Angeles e lá eles tiveram problemas com

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Serafins, mas como lhes falava, ele acha que teremos um julgamento local por Querubins! — Mas por que ele acha isto? – Um senhor mais velho. Thomas reparava que mesmo o inglês sendo abrasileirado, estava tentando fazê-lo sentir-se bem, olha para o menino que lhe cumprimentara, parecia querer que ele falasse, mas espera com calma, paciência nesta hora parecia mais apropriado. Glória pega o livro de Mal Evans e lê a sequência de números e fala. — Mal Evans estabeleceu esta cidade como segunda, não foi Thompson que o fez, mas ele acha que por motivos de sequência, estaremos enfrentando Querubins! — Mas o que defendemos foi um julgamento, o que mudou? – Uma senhora. — Eles não vieram nos julgar Patrícia, estão julgando aleatoriamente pelas ruas, o que mudou, foi que nossos planos nos incluíam e não nos excluíam! Um pesado silêncio se fez e um senhor olha para Thomas e pergunta. — E o que veio fazer aqui? — Entender o acontecido, mas ainda não estou em condição de dizer o que vim fazer, pois ainda não sei o que é necessário! Thomas olha para a porta do auditório, vê Dalton, Thomas repara que apenas o menino, olha na direção que ele olhou, os demais nem perceberam, quando Dalton vê os olhos do Menino nos seus, apenas some, deixando um rastro de luz no local onde ele estivera, mas que se dissipou rapidamente.

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Quando Thomas olha o menino novamente, este o encarava com um sorriso maroto. — O senhor acha possível que eles nos julguem? — Como falei com Mal Evans, nos foi dada mais uma chance, não será desta vez a guerra do bem contra o mal, mas temos de ver onde cada peça se encaixa nesta historia! — Alguns falam que você o matou, o que tem a dizer a estas pessoas! — Que não sou de matar alguém só por que discordo dele, assim como não sou de passar a mão à cabeça, quando acho que está errado, mas eu e Mal Evans não nos dávamos muito bem, óbvio que quando ele morreu, muitos pensaram que fui eu! — E por que não se dava com ele? – Patrícia, a senhora alta e com vestes caras, que perguntara antes. — Por que assim como eu não me dava com ele, os seguidores de Manson também não se davam com ele, questão de acreditar ou não em Deus e de qual forma acreditar! — Você não acredita em Deus? – O menino. Thomas ia responder ao menino, mas como ninguém deu atenção para o menino, não respondeu, estranhava a forma como o ignoraram e a senhora continua. — Como se atreve a dizer, que Mal não acreditava em Deus! Thomas sorri e fala. — Não disse isto, mas eu e ele acreditávamos em Deus de modos diferentes, apenas isto! — Você não acredita em Jesus? – Pergunta um senhor.

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— Não vou entrar neste campo de discussão, vim tentar entender o que está acontecendo, mas não esperem que eu divida o que descobrir! O menino continuava a olhá-lo, vê quando um senhor com um uniforme de policial, entra na sala e fala olhando para a senhora Glória. — Tudo em ordem senhora, depois estamos às ordens! Thomas não entendeu uma palavra sequer, isto seria um problema para ele, não entendia nada de Português. Thomas sente que o clima estava pesado, mas o que deveria esperar? Fica a olhar para Glória, para o rapaz, João, para as pessoas presentes, mais uma vez, acha que algo estava fora do lugar, o menino ainda sorria. Thomas espera quieto, fizeram-lhe perguntas às quais se esquivou, não estava gostando daquilo, na saída ele pega o celular e liga para Caroline. — Tudo bem Caroline? — O que houve Thomas! Algum problema? – ela percebe que ele está tenso. — Qual a armação? – Thomas. — Não entendi a pergunta! — Esquece, estava querendo sinceridade, mas esqueço que não existe isto entre vocês! – Thomas quase desligando. — Tem de confiar um pouco Thomas! — Confiar, acho que não conhece a senhora Maria da Glória pessoalmente, Caroline! — Por que diz isto? — O grupo daqui ostenta, sabe o que é isto?
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— Sei que são os que têm mais posse do grupo, mas não é por isto que não seriam salvos! Thomas se despede e desliga. Thomas sai à porta da biblioteca, anda até a esquina e olha para a praça, entende os dizeres na fachada do prédio ―Teatro Municipal‖ e olha aquela grande fachada, algo lhe dizia de antemão que aconteceria algo por ali, mas olha para o outro lado da praça e vê João chegar ao seu lado e pergunta. — O que tem neste prédio? — Câmara dos Vereadores da Cidade! Thomas olha para o prédio, a fachada intrigava a ele, mas a imagem de um espírito, à escada do Teatro lhe chama atenção, ele parecia recitar algo, muito estranho, pois embora falasse em português, entendia o sentido das palavras, era um discurso de inauguração, olha para o ser que para um momento, vendo que Thomas o olhava. João ao lado não parece entender sua reação, mas Thomas anda até os degraus do Teatro e pergunta. — Quem é você? — Olavo Bilac! Não deveria me ver! – O espírito. — Nem entender sua língua! — Espíritos não falam, pensam alto e pensamentos, por mais complexos que sejam, são sempre na mesma frequência! — Desculpa se pergunto quem foi, pois não sou brasileiro! — Sei quem é você, Thomas! — Sabe? — Sim, os ventos nos sopram as novidades, só não me contaram que me veria, os demais lhe olham como maluco! –
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Fala o senhor em um terno preto bem cortado, camisa branca, um óculos pequeno no rosto e um bigode bem aparado. — Mas o que faz aqui? — Idolatrei minhas obras, sou condenado a dissertar o discurso de abertura do Teatro, o faço a mais de 100 anos, vendo a cidade crescer e não poder fazer nada! — Quem o condenou, não sabia da existência de condenações antes do dia final! — Idolatria a coisas da terra, se paga antes do julgamento, para mim é uma dádiva, uma chance de no dia do julgamento ter outra chance! Thomas pensa olhando em volta, alguns olhavam para ele, sorri mediante seus pensamentos e pergunta. — Por que este lugar me parece um lugar especial! — Estamos numa das primeiras praças da cidade, Thomas, diante de ti… O senhor fala olhando no sentido oposto a aquela praça comprida, onde se via bem ao fundo, se abrir em mais espaços. —… está é a cidade que Belial escolheu para viver, a cidade da luz, a cidade que atrai para ti gente de todo o planeta, a cidade do ser que Deus considerou perfeito! — Nunca entendi isto! — Todos os dias de Deus, que são muitos, foram dedicados a ensinar os seres alados, um entre todos, era forte como um touro, mas conhecia seu Deus, via mais longe, como uma águia, dentro da alma, que era temido, destemido e ágil como um leão, mas na inocência e aparência de uma criança, baseado neste ser, Deus criou o ser humano, este era Belial, mas esta criança, diante de Deus, não aceitou se curvar diante da nova
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criação e desculpa os crentes, mas ele tinha razão, veja a rua, do touro deram atenção à fúria, da águia, o comer de carniça, do leão, o esquivar-se da responsabilidade e logo cedo, matam a criança dentro de seus corações! — Mas ouve mesmo esta batalha? — Só sei o que ouvi, mas dizem que houve uma grande batalha, mas não ouve vencedores, Thomas! — Como assim? — Isto quem inventou foram os humanos, os que comem carniça e querem dizer que Deus lhes deu a carniça, Deus lhes deu os braços para trabalharem, não à carniça, a sobra, a fome, estas são coisas dos humanos, não de Deus! — Mas então ele não foi excluído? — Ele não conseguiu avançar contra os que defendiam Deus, ele não tem poder sobre o pai! — Sempre achei que havia algo a aprender, mas o que Belial faz na cidade? – Thomas. — Ele encara a vida excluído, pois ele não teve como avançar, então se sentiu excluído do paraíso, mas Deus olha por ele, por mais que alguns digam que não! — Deus olha por ele? — Se ele olha por estes que lhe cercam, por que não olharia pelo Querubim Ungido? João ao lado não entendia a conversa, não sabia nem como se portar ali, as pessoas passavam e olhavam para Thomas, conversando sozinho na calçada, a curiosidade estava nos olhos do rapaz, que vê Thomas olhando as pessoas, pedintes, trabalhadores no ponto de ônibus, gente arrogante entrando no prédio ao lado, vereadores da cidade e seus assessores.
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— Mas você sabe do julgamento? — Todos os espíritos, que estão em algo assim como o meu castigo, esperam o julgamento, para que aja a continuidade, mas dizem que você veio aqui, para que a continuidade não existisse! — Acredito que existem seres bons, que merecem uma segunda chance, sou contra um fim, apenas por que foi determinado o fim! — Thomas, de que adianta acreditar e ser excluído? Thomas olha o homem, por um segundo o brilho some no olhar de Thomas, mas olha nos olhos do espírito e fala. — Assim como um dia Belial duvidou, que deveria se curvar diante de nós, duvido que não mereçamos mais tempo, para provar que podemos melhorar! — Não os vejo melhorando Thomas! — Acha mesmo, que estaríamos onde estamos se não estivéssemos evoluindo? Thomas fala exibindo um sorriso e olhando em volta, havia os que regiam suas vidas, suas vontades, suas crenças, mas que em meio aquele caos, trabalhavam e que evoluíam, esta maioria despercebida, que fazia a sociedade cada vez melhor. — Mas você acha justo, eu ficar mais 100 anos neste martírio? — Moisés está há 8 mil anos, qual a diferença senhor Bilac? Bilac olha para Thomas, era uma comparação de peso, o que eram seus 107 anos discursando, referente aos fantasmas do passado, era algo a pensar e o poeta dirigiu-se a frente do

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Teatro, sorri e volta a declamar o discurso de inauguração do Teatro. Thomas sorri, olha para João e fala. — O que fazem nesta cidade para se descontrair? — Ali mais a frente tem uma lanchonete, o Amarelinho, quer comer algo? Thomas olha para o prédio e fala. — Vamos, já que tenho de entender este local! — Com quem falava? — Ouviu? Com Olavo Bilac! — Ouvi a sua parte, não a dele! Thomas sorri e caminharam calmamente, sentando-se na lanchonete, estranha o X na frente dos sanduíches e sorri com a explicação de João referente a isto. Thomas estava olhando as pessoas em volta, estranhando um fato que não comentaria com João, começava a ouvir como se soubesse o significado das palavras. Não saberia falar ainda, mas estava começando a entender o que os demais falavam, deveria ter algo haver com o falar com um espírito brasileiro, óbvio que alguns termos lhe eram estranhos, talvez fosse estranho até para Olavo. Thomas observa a tentativa do atendente, em lhe fazer as perguntas em inglês, talvez estivesse se preparando para a Olimpíada, estava sentindo-se bem no local, mesmo nas cadeiras de plástico, temperatura alta, experimenta uma caipirinha, forte, não repete a dose, pega seu computador pessoal, acessa a rede e começa a fazer pesquisas, sobre os locais a visitar naquela cidade. Thomas olha para João e pergunta.
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— A senhora Patrícia Motta, é parente de Hector Motta? — Sobrinha dele, ele faz parte do grupo de apoio! Esta frase não lhe sai da cabeça e pensa na possibilidade de tudo aquilo ser uma armadilha, pois Hector Motta era marido de Sueli Motta, mandante do atentado, que quase lhe tirou a vida em Los Angeles, algo não estava se encaixando. Vê que João olhava tudo que escrevia no computador, não estava escondendo nada, vê quando Gabriel entra em seu campo de visão e olha em seus olhos, parecia caminhar com calma, direto, sem desviar os olhos, sabendo a posição dos carros a rua. — Já por aqui Thomas? – Gabriel. — Sim, o que faz na cidade? — Depois falamos com calma, não gosto de testemunhas! — Gabriel, este é João, é ele quem está me ajudando a entender, o que as pessoas falam na rua! Gabriel olha fixamente para João e fala. — Poderia nos deixar um pouco a sós? Por mais que João tivesse ordem de ficar ali, não consegue dizer não a Gabriel e responde. — Volto logo Thomas, não se meta em encrenca! Thomas sorri e vê o rapaz sair no sentido da praça, depois atravessando para a Biblioteca Nacional, imagina que fora falar com Glória, mas era apenas suposição. — O que deseja Gabriel? — Que me faça um favor! — Isto eu já sei, vá direto ao assunto, sei que está aqui por algum motivo, só não imagino qual?
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— Qual? Isto é lógico Thomas, Anjos assim como não veem Arcanjos, não veem Querubins e preciso falar com Belial! Thomas sorri e fala. — Tão previsível, por que precisa falar com ele, Gabriel? — Por que lhe devo desculpas! — Estranho, vocês não se verem até hoje! — Deus decretou isto no dia final da batalha, quando se coloca os seres em comum, apenas vendo os seres em comum, se evitou a guerra, pois Serafins não matariam Serafins, talvez até matassem de outras estirpes, mas não da própria! — Então nunca houve a batalha que contam os livros? — Acha mesmo que teria como liderar 81 seres contra mais de 315 e vencermos, mas isto estabeleceu um problema, os 315 seres especiais! — Por quê? — Belial mudou de lado, enviado a conviver com estes seres, começou no principio, a mostrar como eram fracos, o Pai me ordenou acabar com Sodoma e Gomorra, quem no exílio mostrou que eram seres apegados a qualquer coisa menos a Deus foi Belial, o Pai para não se mostrar fraco, mandou extingui-los! — O que mais ele fez? — Sua mais nova prova, mostrou à Deus, que eles preferiam extinguir Deus em crença, pondo o homem como centro de tudo e provando que tudo provinha do trabalho, por conta disso o Pai me mandou estourar um reator nuclear em Chernobyl, para o Pai uma baixa de mais 300 mil mortos, mas

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o principal, por conta desta tragédia se derrubou o sistema Comunista e Deus novamente foi ouvido naquelas terras! — Você realmente não sente pelas mortes que provoca? — Thomas, vocês morrem, por que nasceram, nós fomos criados por Deus, não nascemos, não morremos, como podemos ser comparados a vocês, quando Belial não se prostrou diante de vocês, todos os seres alados duvidaram, o Pai sabe disto, pois era o ser que nos fazia invejar, pois o Pai o tratava como especial! — E Belial já errou alguma vez? — A única vez que ele errou, não sei se você consideraria como erro, pois nós seres alados somos como Jó, o único erro de Belial, juntamente com 100% dos humanos atuais, não passariam pela prova de Jó, Deus tirou a parte material, ele não pecou, Deus lhe tirou os servos, ele não pecou, Deus lhe tirou os herdeiros, seus filhos e ele não duvidou de Deus, mas me desculpe, vocês não amam a Deus a este ponto! Thomas pensa na situação, ele não duvidava de Deus, mas este levara seus filhos para longe, levara sua esposa, levara agora seu cargo e estava prestes a levar sua sanidade, como ele enfrentaria algo assim, sem duvidar, mas não duvidava neste momento, discordava, mas não duvidava, mas Jó nem discordou, Belial discordou. — Como o vou reconhecê-lo? – Thomas. — Dizem os ventos, que ele quer te conhecer! — Por quê? — Por que você discordou!

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— Ei, calma lá, não é porque discordei, que isto me coloca com ele no mesmo barco, discordamos por motivos bem diferentes! Thomas vê o rapaz entregar o pedido a mesa, olha para João chegando e ouve Gabriel se levantando. — Cuidado com eles, matam mais do que os Seres Alados! Thomas olha sério para o Anjo que se afastava. João senta-se à mesa, vendo seu sanduíche esfriando e fala. — Quem era seu amigo? — Eu não diria que o Anjo Gabriel, é amigo de alguém! João vira-se rápido para o lado que o rapaz se dirigia e o vê sumir, como um brilho do sol. — Então é verdade que eles lhe protegem? – com admiração. — Alguém sim, só não sei quem! — Mas Glória vai ficar mais receosa, sabendo que Gabriel está na cidade! Thomas entende, sabia pelo cheiro da casa, que Gabriel não entraria nela, mas não entendia de Anjos Caídos, como ele poderia enfrentar tudo isto sozinho. Thomas conversa com Call através do computador e o põe a par das coisas, ele esperava estar sendo monitorado, mas não tinha nem esta certeza. Thomas acompanhado de João, resolve dar uma de Turista, lhe caia bem naquela cidade, foram ao Pão de Açúcar.

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Glória se reúne com os membros da Cruz Rosada, no mesmo anfiteatro e fala. — Amigos, se o que ele desconfia estiver certo e o pessoal em Los Angeles acredita que sim, teremos uma guerra nas ruas! — Mas por que nos preocupar? – Patrícia. — Não disse que iríamos interferir, mas estamos aqui para decidir o que faremos, nossa ordem é de pessoas ligadas a Deus, não gosto de ideias que ouvi nos corredores! — Por que não o matamos de uma vez? – Fala um senhor e os demais começam a concordar. — É uma saída, mas e depois? Vocês falam em morte, como se ele fosse o problema, não vejo por aí! – Glória. — Se ele não interferir, já é um bom começo! – O mesmo senhor. O menino olha para os demais, que concordavam exaltados, anda calmamente na direção do senhor, ninguém parece impedir seus passos e quando o senhor fala por último. — Eu mando os meus homens para matá-lo! Todos olhavam para o homem, no momento em que levanta a mão e por na altura do coração, com o rosto contorcido pela dor, olhar a mão com sangue e cair morto, enquanto o menino olha ele caindo, com aqueles olhos azulados. Glória olha assustada para o senhor Pereira e depois para os demais.
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- Gente Humilde

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— Quem é ele? Por que os Anjos o defendem? – Patrícia fala assustada. — Se soubéssemos, já o teríamos aniquilado, mas o que faremos agora, pelo jeito ele tem seus mensageiros entre nós? – Um senhor de negro ao fundo O silêncio toma conta do local, enquanto o menino saia, como se não se importasse com o que decidiriam depois.

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Thomas olha para a cidade, do topo do Pão de Açúcar, imensa, em algo lembrava Los Angeles, só que mais quente, tinha aquela imensa baía, onde se via a ponte sobre a mesma ao fundo, se via o Cristo Redentor no topo de uma montanha à frente, as praias, Thomas estava se localizando, estava distraído ouvindo as pessoas em volta, quando uma senhora toca seu braço e pergunta. — Você não é O Anjo de Los Angeles? João ao lado estranha a frase em inglês, mas Thomas sorri e responde. — Sim, já me chamaram assim! — Passeando? – A senhora. Thomas concorda com a cabeça sem entrar em detalhes, à senhora pede para João tirar uma foto dela com Thomas, tendo a cidade ao fundo, ele concorda mesmo sem entender exatamente quem era o senhor. Saíram dali e foram a Lapa, onde Thomas vê os Arcos e pergunta. — O que mais temos pra fazer João? — Não sei, estamos só passeando! Thomas olha em volta e vê Dalton surgir de repente ao seu lado, a tal ponto de dar um susto nele. João estranhou o pulo de Thomas, mas como ele não fixou os olhos em nada e nem falou nada, fica intrigado.
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- Cotidiano

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— Vim te alertar Thomas, corre perigo! — Vem de onde? – Thomas pergunta olhando para João, mas Dalton entende que a pergunta era para ele. — Sou da região da Serra, Petrópolis! Estou a 6 anos no Rio! – João responde. — Um grupo de pseudo-assaltantes! Distância de 3 quadras, logo após a igreja! – Dalton continua. — E o que acha que devemos fazer? — Não sei amigo, não estou à par de tudo, mas as energias locais parecem conspirar a seu favor, por que ainda não entendi! – Dalton. — Que tal se andássemos até a catedral? – João. Thomas sorri, lembra-se de João atendendo ao telefone, quando estavam no Pão de Açúcar, eles começam a caminhar, não era de fugir, mas por um momento lhe veio à dúvida de como voltaria para casa. Uma coisa não lhe saia da mente, era sexta feira, fim de tarde, a noite se aproximava e ele caminhava com João ao seu lado, o que fazer, não sabia, mas no seu interior, queria ação. Dalton ainda estava ali, mas se fosse um julgamento, ele não se manteria ali por muito tempo. Thomas olha para João e pergunta. — Sabe o que está fazendo rapaz? — Não entendi a pergunta? – João se faz de desentendido. Thomas apenas o encara em silêncio. — Se sabe que é uma armadilha, por que vai de encontro a ela? – João. Thomas não responde, apenas caminhava, para de olhar para o rapaz, não queria se apegar a quem lhe queria morto, estranho como mesmo assim não desejava mal ao rapaz.
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Thomas sente que o tempo vai esquentar, olha para Dalton e fala. — Amigo, tá na hora de ir, sabe que daqui não pode passar! Dalton sorri, somente neste momento João se da conta, que havia mais alguém ali. — Se cuida Thomas, se cuida! Thomas vê Dalton desaparecer e olha em volta, se via a catedral ao fundo, a Fundição logo ao lado, os Arcos estavam às costas. Olha para aquele monte de pessoas virem descendo pela rua, no Rio se chama de Arrastão, quando gente das favelas, andam em bloco e assaltam pessoas na rua, vinham na direção de Thomas, as pessoas se afastavam do local, João para, Thomas não. Caia à noite e Thomas vê surgir um ser a sua frente, olhá-lo e perguntar. — Por que não foge como os demais? – pergunta curioso. Era um menino, olhos azuis cristal, sua feição era angelical, uma calma na voz, não sabia em que língua falara, mas Thomas entende. — Com quem falo? — Um servo do Pai! – fala o menino. Thomas parado na calçada a olhar fixamente para o menino, não vê o grupo de pessoas chegando, atravessando a rua, tão compenetrado que estava nos olhos do menino. — Por que me defendem? Queria saber! — Thomas Thompson, hoje está aqui como um observador, mas nem sempre o defendemos, nem sempre somos comunicados das vontades de nosso Pai, mas como observador, tem que manter os olhos abertos para observar!
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Thomas vê alguém passar através do menino, chegar lhe encostando uma faca e gritando em português. — Passa a pasta! Thomas olha sua pasta, olha os indivíduos lhe cercando, sabia que estaria morto, se algo muito estranho não acontecesse, sente o rapaz lhe furar com a faca, com o rosto contorcido pela dor, toca no ferimento, vê seu sangue na mão, sente a dor do corte, que morte estúpida seria esta, olha mais distante onde João falava ao telefone, em volta os demais com muitas armas riam dele e Thomas entende o que falam, mesmo sem saber como fazia isto. — Isto aqui, é que era o problema? Como se falassem dele entre si, nisto Thomas vê o rosto do rapaz que falava mudar de expressão, se vê muita dor em seus olhos, vê uma luz atravessar o peito do rapaz. Thomas olha em volta, os demais também parecem sentir dor, vê seus peitos serem transpassados pelo brilho, estavam ao todo em 25 rapazes, eles colocam a mão na altura do coração e caírem, um por um, um policial que chegava ao local, olha eles caindo e depois olha para Thomas, estaciona o carro sobre a calçada e corre até ele, que assustado olhava o sangue nas mãos. — Está bem senhor? – O policial fala em português. Thomas não entende e responde em inglês. — Não falo Português! O policial grita para o companheiro, que estava ao rádio na viatura. — Um gringo, foi esfaqueado, chama uma ambulância! O policial olha em volta para os demais mortos e grita. — Pede também o carro do IML, rápido!
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informada da ocorrência. — Capitã, temos um único sobrevivente, mas é um turista, não entendo o que ele fala! – Um policial se aproxima rapidamente, informando com ela ainda dentro da viatura. — Mas o que aconteceu aqui? – Fala olhando o carro do IML a juntar os corpos. — Estamos investigando, aparentemente parece um arrastão, mas eles não fazem parte do pessoal do morro! Lídia sai do carro, olha para a ambulância e fala. — Ele estava armado? — Não, apenas uma pasta com um computador pessoal, poucas coisas! — Gringos, onde acham que estão, quem ele é? — Ex-chefe de Polícia de Los Angeles, pelo que o sistema informou, está a passeio na cidade! — Hospedado onde? — Casa de uma magnata lá na Barra, na casa dos Guerra! Lídia entra na ambulância e pergunta em inglês olhando para Thomas. — Deve ser o senhor Thompson? — Sim, finalmente alguém que fala minha língua!

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– Roda Vida
Lídia era da Polícia de Elite, da cidade do Rio de Janeiro, chega ao local apressada assim que é

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— Poderia me narrar o que aconteceu ali? Thomas levanta a camisa e mostra o local da facada, com um curativo e fala. — Vieram em grupo,…. — Thomas para e pensa se deveria mentir, decide não entrar de cabeça, ela pode não acreditar nele. –… senti a faca me perfurar, enquanto olhava o sangue na mão, vi que eles pareciam sentir dor, até que começaram cair mortos, ainda não entendi o que aconteceu! — Esta vai ser sua versão? – Lídia impaciente. — Sim, sei que não é convincente, mas sei por experiência profissional, que vai ter um trabalho e tanto ali! – Fala Thomas olhando para fora. — Me disseram que você, era chefe de Polícia de Los Angeles, o que faz na cidade? — Uma amiga, Maria da Glória Guerra me convidou há passar um tempo aqui, estou pensando em me aposentar! A moça pergunta para o enfermeiro em português. — Qual a gravidade? — Ele teve sorte, 20 centímetros de profundidade, corte reto na altura do fígado, mas não perfurou nada além de carne! — 20 centímetros, tem certeza? – Fala olhando para Thomas – Isto quase o atravessa! — Por 4 centímetros não atravessou! – O enfermeiro confirma. Thomas presta atenção na conversa, Lídia olha para ele e pergunta. — Entende nossa língua? — Às vezes, mas não falo!
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Lídia sai pela porta, olha em volta se via a Catedral Metropolitana às costas, ela anota algumas coisas e se aproxima do rapaz que recolhia os corpos. — Boa Noite, sabe o que os matou? O rapaz olha para ela e fala. — Algo os atravessou, como uma faca, na altura do coração, mas atravessou de um lado ao outro, com a mesma dimensão, não sei se foi frontal ou pelas costas, não temos testemunhas, mas a incisão foi precisa, olhando os 25 mortos, parecem ter morrido exatamente da mesma forma! Lídia já sabia como seriam os laudos, olha para a ambulância e pergunta. — Quem atendeu o senhor ali? O rapaz apontando dois policiais em uma viatura. Lídia chega até eles e pergunta. — Boa Noite, vocês que chegaram aqui primeiro? Um dos policiais olha para a Capitã do DOPS e fala. — Sim, fomos chamados para verificar um arrastão! — Eles vinham em que sentido? — Recebemos o comunicado, de que estavam no começo da Paraguai e viemos descendo! — Não é normal arrastão neste local! — Verdade senhora! — Como estava o gringo quando chegaram? — Assustado, olhando para o próprio sangue! — Tinha mais alguém por perto? — Ao longe, todos se afastando do grupo!

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— Tinha alguém por perto, que parecesse em condição de matar todos, um grupo, ou algo assim? — Não vimos nada de anormal Capitã, é começo de noite, mas nada de suspeito! Lídia toma nota de algumas coisas e olha em volta, vê o senhor sair andando da ambulância, parece ansioso, mesmo com o rapaz falando para ele ficar parado. Os olhares se cruzam e ela anda com calma na direção da ambulância. Thomas aflito olhava o relógio e ela chega perto. — Quer falar mais alguma coisa? Thomas pensa em como falar, mas de qualquer forma que dissesse seria tido como estranho, maluco ao certo. — Se fosse à senhora tirava seu pessoal daqui! Thomas fala olhando em volta e a senhora pergunta. — Por que faria isto? — Pouparia bons homens da morte, apenas isto! – Thomas. — O que atacou aqueles rapazes? — Não sei o nome dele ainda, apenas desconfio, estou há pouco tempo na cidade, pouco mais de 24 horas! — Sabe que por omitir informações, eu posso pedir sua prisão! Thomas ri, distraído, não estava vendo o que acontecia, mas no telhado da Catedral, que forma uma grande cruz de lados iguais, ali foram surgindo os seres alados, de vários tipos, estes olhavam a cidade a baixo, esperavam HAZIEL surgir, olhavam em volta, uma cidade grande, aos seus pés sentiam as orações na igreja, mas olhavam mais a frente.
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Thomas não tinha como argumentar e atento olha em volta, vê mais a frente uma criança na aparência, surgir no meio da avenida, a Capitã olha na direção que ele olhava, vê o primeiro carro atravessá-lo e perder a direção, batendo logo após, ele caminha com calma. O menino vinha do lado do Museu do Bonde, Thomas acompanha o olhar do menino, que olhava para o topo da igreja, também olha para cima e vê os seres, os demais só viam a luz, no topo da Igreja, viram a luz mexer-se no ar, indo de encontro ao menino, a capitã olha para Thomas e pergunta. — O que é isto? Thomas olha para ela, não teria como explicar, vê pessoas olhando na direção daquela luz, que entra na catedral, as portas fecham-se, a polícia tenta abrir, mas quando consegue, a luz começa a avançar para a rua, na direção que Thomas estava, a Capitã atira na luz, mas nada acontece, Thomas não sabia o que ela estava vendo, mas sabia das consequências deste ato, vinham como se quisessem chegar a Thomas, o menino vinha a frente, parando na frente de Thomas e fala. — Bem vindo ao seu Julgamento! A capitã recuava, via por seus olhos, um ser com asas em pleno centro da cidade a tocar um senhor, que viera de longe, Thomas sorri, mas olhava mais atrás, onde várias pessoas estavam mortas, caídas no chão, mas uma menina, não mais de 15 anos, estava ao centro, um após o outro, os Anjos tocam nela e nada, os Querubins tentam por sua vez julgá-la e nada, os Arcanjos vendo que nada acontecia tentam fazer o mesmo, cada um dos seres tocou nela, mas ela continuava ali viva, como se não estivesse acontecendo nada, Thomas espantado olhava para aquilo e HAZIEL vê que algo estava fora de
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controle, mas decidido a julgar olha nos olhos de Thomas e fala. — Será julgado pelos seus crimes, por seus amores, por suas idolatrias! HAZIEL ainda estava falando, quando Thomas sente alguém lhe tocar o ombro, seus olhos estavam fixo nos olhos de HAZIEL e não consegue olhar, para quem conversava com HAZIEL, mas ouve. — HAZIEL, não é hora de julgar este ser, sabe disto, por que insiste em enfrentar isto agora? — Os Querubins não lhe seguem mais Belial! Não lhe devemos obediência! Thomas não consegue desviar os olhos de HAZIEL, para olhar para Belial, Lídia que olhava mais afastada, vê ele cercado por dois anjos, um a frente e um as costas, ela só não sabia a sorte de não estar vendo o rosto do Querubim. — Então terei de defender os humanos, pela primeira vez HAZIEL e informe a RAZIEL, que os meus seguidores protegerão os seres da cidade, quando Thomas estiver presente, não vou permitir que interfiram no que quero mostrar ao pai! Lídia olhava para os seres avançando e as pessoas morrendo, mas de uma hora para outra, vê outros seres se materializarem, não consegue contar, mas foram cercando aqueles anjos que já estavam ali, eram muitos e as mortes pararam, pois estes pareciam deter os demais. — Está tomando a defesa deles, esqueceu do seu passado Belial? — Eu não esqueci, mas vocês, sim, vocês se prostraram diante deles a mando de Deus, do mesmo modo que agora, a
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mando de Deus veem lhe julgar, eles é que deveriam estar lhes julgando, não o contrário! — Não fale absurdo irmão! – HAZIEL. — A muito que não me chama assim, HAZIEL, a muito não me ouvem, a muito escolheram ficar a adorar a luz de Deus, mas ele não quer apenas ser adorado, ele precisa que vocês mostrem a ele o que está acontecendo, não me adianta lhe ter ensinado a ver a luz da sabedoria, se não a usam! — Mas acha que aceitaremos sua interferência? — Acho que não entendeu HAZIEL, eu não estaria aqui, se não o estivesse julgando, quer julgar a cidade, esteja à vontade, mas não toque em meu protegido! Thomas sente o ser lhe apertar o pescoço, sente as pernas perderem força, a vista ficar turva e desaba no chão. Lídia que olhava de longe vê as luzes sumirem e o total de mortos no chão, anda na direção de Thomas, o toca no pescoço e vê que ele ainda vivia, mas não entendera o que aconteceu ali. A 500 metros dali, João olha para a cena, sem saber o que acontecera realmente, mas vê o corpo de Thomas ir ao chão pela segunda vez, estava olhando para Thomas, quando vê a Capitã chegar à menina ao centro e perguntar. — Tudo bem com você? Ela sacode a cabeça, parece assustada.

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Thomas estava novamente em um leito, agora de um hospital quando acorda, olha em volta e vê a menina ao seu lado e pergunta. — Quem é você menina? Ela não parecia entender o que ele perguntava, ainda estava assustada, um rapaz a porta olha para Thomas e fala ao corredor. — Ele acordou capitã! Thomas não sabia o que aconteceria, mas não sabia nem mesmo onde estava, como poderia saber de algo a mais. A capitã entrando no aposento olha para Thomas e pergunta. — Conhece a menina? — Não, por que pergunta? — Ela é uma andarilha da cidade, não fala com ninguém, mas dos que estavam lá, 79 morreram, mas você e ela estão vivos! Thomas se ajeita, estava se sentindo desconfortável, com as roupas do hospital e pergunta. — Quanto tempo eu fiquei desacordado? Lídia olha para o relógio e fala. — Umas 6 horas! — Onde estou? Estou preso?

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- Beatriz

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— Quem faz as perguntas aqui, sou eu, não o senhor, o que eram aqueles seres? — Você também viu, por que duvida Capitã! Thomas foi incisivo, grosso alguns diriam, não conhecia a fama da moça a sua frente, mas mesmo que conhecesse, não mudaria sua forma de ser. — Acha que está em casa? — Estamos todos na mesma casa Capitã, a pergunta é, se nos é permitido pular fora, ou não? A Capitã não entende, mas olha para ele. — Anjos não existem! — Vocês são todos iguais, dizem-se religiosos, mas seu Deus não mora em nenhum lugar, todos o renegarão no dia do juízo final, mas quer saber, quem se importa! A capitã olha para os rapazes e fala. — Leva ele para o quartel, se já está bom para desacatar, já está bom para nos dizer o que queremos! Thomas olha a menina, esta apenas sorri, ele sai pela porta, levado ao Centro de Operações Especiais, foi colocado em uma sala fechado, olha em volta e sabia que estavam lhe observando, o local era um nojo, sujeira e lixo por toda a parte, não sabia o que aconteceria ali, mas ouvira muitas barbaridades dos policiais brasileiros, estava pronto para esta prova. Vê a moça chegar até ele com dois rapazes, o levarem até uma cadeira, amarrar e ela se aproxima dele, anda em volta da cadeira parece estar observando, sem dizer nada e quando ele olha para ela, começa a lhe socar, socou várias vezes, ele não estava nem sendo interrogado, estava apenas apanhando, sorria a cada vez que a moça cansava de bater, gente que mantinha a
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fama pela violência, seres que não passariam pela mira do julgamento. Estava apanhando a um bom tempo, quando ela lhe pergunta. — O que veio fazer aqui Thompson? — Ver os seus morrerem! — Acha isto engraçado? — Não, engraçado é alguém me socar porque tem medo, você fede a medo, se os rapazes aí ao lado, soubessem o quanto treme por dentro, não lhe dariam ouvidos! Thomas sente mais um soco, seu supercílio abre e olha para ela, não sabia mais o que esperar de um buraco daquele. — Acha que me ofende? – grita ela irritada. — Não, é esperta demais para se ofender com a verdade! Thomas sente mais um soco. — O que era aquele ser que lhe tocou, o que ele queria? — O nome dele, HAZIEL, o que ele queria…, me matar! — E por que não está morto? — Se soubesse não estaria apanhando, estaria morto! – zombando. O rapaz a porta ri alto e a moça olha para ele atravessado, ele fala sem tirar o sorriso do rosto. — Ele tem razão! — Acho que esqueceu seu posto subtenente! — Capitã, sabe que ele sobreviveu a dois atentados lá, algo o protegeu, algo que não terá como dar explicação, mas bater nele não vai adiantar nada! – Souza.

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Thomas olha para o rapaz, que o vira apanhar, mas não falara nada, estanhava isto, mas sabia que muitos faziam isto, mas não estava querendo complicação, é que Thomas não sabia, que logo que Souza começou a trabalhar com a Capitã, ele havia tentado impedi-la de espancar alguém e levou um soco na boca, desde então nunca mais tentara. Vê quando alguém bate à porta e entrando olha para ele, depois para a capitã e fala enfurecido. — Dá um jeito nele, a embaixada quer saber, por que o detivemos e você resolve espancá-lo? — Ele se nega a cooperar! — Não me interessa, desamarre-o, melhor convencê-lo a não falar nada, podemos ter um problemão, ele é americano de férias no Brasil e se não tem nada contra ele, melhor soltá-lo logo! – sai em seguida, mostrando que a conversa acabara e que não aceitaria desobediência. — Capitã o que quer que eu diga? Se você não acredita em seus próprios olhos, o que poderei lhe dizer que a convença? – um sorriso. A capitã olha para Souza e fala. — Veste ele e o põe para correr! Ela sai irritada pela porta, sem olhar para trás e Thomas não sorri, mais meia hora estava sendo deixado, do lado de fora do local, olha em volta, inicialmente sem ver ninguém, depois vê a menina, olha para ela que ao ver que ele a vira, começa a se afastar, Thomas estava dolorido, mas a segue, foi mais de 3 horas andando, estava amanhecendo quando vê ela sentada a uma praça e senta-se ao lado. — O que é você menina? Nem deve entender o que falo!
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Thomas vê a menina lhe tocar na mão, sente como se o supercílio estivesse puxando, mas ela segura sua mão, ele não se via no espelho, mas se estivesse olhando, veria as marcas de agressão sumirem de seu rosto. Ela não fala nada, mas vê em seus olhos, uma lágrima descer pelo rosto, sorrir e sai correndo pela rua, Thomas sente o corpo estranho, estava cansado, não sabia nem onde estava, mas vê aquele sorriso se afastar, sabia que não adiantaria segui-la, mas aquele sorriso lhe parecia familiar. Thomas olha a carteira, a única coisa que deixaram com ele e começa a pensar na atitude da Capitã, por que alguém agiria assim, pensa que se ele fosse designado, para desvendar as mortes e alguém como ele cruzasse a sua frente, o que ele faria, não entendia das leis locais, mas seria difícil ter mortes sem explicação e se deparar com 79 mortos a mais. Thomas pensa e fala para si. —―Um dia e meio, 79 mais 25, tenho de saber qual o objetivo disto logo!‖ Thomas queria falar com algumas pessoas, mas sem seu celular, nem saberia por onde começar, sentado no banco de praça, puxa o curativo, temia que com a surra que havia levado, os pontos estivessem abertos e vê que havia cicatrizado, não sobrou nem a marca de que houvesse um corte ali, fica pensando na menina, quem seria?

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A Capitã chega a sua sala e pergunta para o Subtenente. — Descobriu alguma coisa? — Sim, ninguém dos 25 mortos iniciais, mora na favela, todos moram na zona sul da cidade! — Então não era um arrastão? – ela intrigada. — Era, mas um arrastão com outro propósito, falamos com mais de 12 testemunhas, que falam que nem levaram suas coisa! — Levanta o nome de todos e para quem trabalhavam, o que faziam na vida, pois as famílias vão começar a contestar a historia, os mortos virão santos nesta cidade! — Outra coisa Capitã, estava recolhendo dados, este Thomas, se afastou de vez da polícia de Los Angeles, quando começaram mortes semelhantes, as que vimos ontem em frente à igreja! — Teria alguma ligação com ele, ou apenas alguém na hora errada, no lugar errado? — Ele parece saber mais do que fala, no computador dele, existe vários artigos sobre anjos, arcanjos, mas principalmente sobre Querubins! — Quem alertou a embaixada Americana, que estávamos com ele? — Cia., parece que estão de olho nele também!

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– Apesar de Você

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A senhora se debruça nos papéis, não sabia para onde olhar, mas antes do rapaz sair pergunta. — E aquela menina, o que temos? — Esta há mais de 8 anos na rua, ninguém sabe de onde ela veio, não fala, não se expressa, parece que alguns comerciantes da região, dão um prato de comida duas vezes ao dia, por isto estava por lá! Lídia olha os papéis, mortes com a mesma causa, estas não eram por causas naturais, sempre alguém atravessado por algo cortante.

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Thomas senta-se em uma Lan House, passa suas coordenadas para Maria da Glória e para os demais amigos em Los Angeles, estava terminando de escrever, quando vê João parar a porta e ao localizá-lo, se aproximar dele. — Onde passou a noite? – João. — Detenção de algo parecido com DOPS, ou algo assim! — Pelo menos não lhe bateram, parece bem! — Preciso de um banho e um bom sono, não dormi nada! João sorri, dá uma carona para Thomas, que naquele dia não viu Glória, fica confinado em seu quarto pensando, toma um banho e apaga assim que se deita na cama.

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– Meu Caro Amigo

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Thomas acorda e ao tentar sair vê que a porta está fechada, tenta a janela e vê que também está fechada, bate a porta durante um tempo, mas ninguém atende, estava batendo na porta quando se vê no espelho, se aproxima e olha seu rosto, algo estava acontecendo, suas rugas, seu cabelo branco estavam na cor natural, olha as mãos, pega seus documentos, parecia aquele moço das fotos de identificação, de mais de 10 anos atrás, não sabia se sorria ou estranhava, bate novamente a porta, ninguém atende, toda manhã era a mesma coisa, acordava com uma bandeja, sobre a pequena mesa próxima a porta, mas não via ninguém. Thomas acorda mais um dia, a cada dia estranhava aquela imagem no espelho, olha as mãos e a imagem da menina lhe veio à mente, mas embora parecesse conhecer aqueles movimentos, não conhecia aquele rosto, achou estar ficando maluco, tentando achar algo de conhecido na menina, mas sabia que estava rejuvenescendo e não entendia por que. Thomas lembra do olhar da menina, que lhe lembrava de alguém que não estava mais entre eles, lembra-se da última vez que viu os olhos de sua esposa. Ele ao pé da cama de Beatriz no hospital, ela ainda viva, lhe sorrindo com dor, aquela lembrança lhe fez chorar, até hoje chorava daquelas lembranças, uma tristeza lhe tomou o corpo, deitou-se não querendo ver mais nada naquele dia.

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– Atrás da Porta

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Thomas pensa na esposa, que há muito tempo morreu de câncer, que sofrera durante o tratamento e que era sua ligação mais forte com Deus, antes de tudo isto, alguém que saberia o que lhe falar nesta hora, alguém que mesmo morrendo, lhe sorria, mas hoje, a lembrança daquele sorriso, o fazia chorar. —§— Na Lapa, sentada num banco a frente dos Arcos da Lapa, uma moça começa a olhar suas mãos, deveria ter ganhado uns 10 anos nas últimas horas, estava quieta e vê um menino surgir a sua frente e falar. — Sabe que não pode contar nada para ele! — Por que não? – pergunta sem levantar a cabeça. — Você não é mais quem ele acha que foi, não pode viver isto, não faz parte do seu penar, você o idolatrou, Deus quer que enxergue que errou e não que volte a idolatrá-lo! — Por que me aproximou dele então? — Não faço as regras Beatriz, por sinal, não sou eu que mando neste universo, sabe que ninguém gosta de minha presença, mesmo o Pai me quer longe dos olhos! — Nunca me disse quem você é? Sempre aquele papo de Servo do Pai, ou de Deus! O menino mudando de forma olha para Beatriz, primeiro a forma de um ser com corpo humano, mas com uma grande cabeça de touro, o rosto manteve os chifres e foi para a forma de um leão, de quem manteve as presas e a moça vê surgir as grandes asas negras às costas, ele olha para ela e fala.

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— Um dia fui o braço direito de Deus, hoje, Gabriel está lá, mas não pronuncio meu nome, alguns me chamavam de Querubim Ungido, outros de Querubim de Luz, outros de Inteligência de Deus, mas nunca acreditei nisto, nunca me coube analisar o certo, apenas indicar o caminho! — Mas nunca fala seu nome? — Não gosto do que ele causa, não gosto da confusão que se fez em meu nome, não gosto do rumo que tomou minha decisão, prejudicando mais dos meus, do que queria! — Parece triste? — Thomas está no caminho que trilhei, não existe sol neste caminho, sei que lhe disse, que não pode falar nada para ele, mas sabe que a decisão é sua, pois estará trazendo sobre ele um peso, que não sei se ele está pronto para carregar! — Poderia me responder uma coisa? — Se souber respondo! — Por que pareço envelhecer desde que o toquei? — Nisto não posso ajudar Beatriz, lhe vejo pela alma e sua alma é jovem, experiente como a dele, jovem como todas as almas criadas há mais de 22 mil anos! Beatriz vê o ser, voltar à forma de menino e sumir da sua frente.

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Thomas depois de 6 dias, vê abrirem a porta do quarto, João parece estranhá-lo, mas não fala nada, lhe entrega um convite para uma peça. Meia hora depois, Thomas vê Gloria entrar pela porta e falar. — Sei que deve estar estranhando Thomas, mas é para sua segurança que fizemos isto! Thomas não discute, sabia que deveriam ter montado algo desta vez sem falhas, olha para o espelho antes de sair, ainda se estranhava ao espelho. Saem da Barra da Tijuca no sentido do centro, foram convidados a uma peça teatral, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, sabia que algo o levaria lá, o que não tinha ideia, mas os olhos de João não saiam dele, parecia diferente. Param o carro a meia quadra do teatro, Thomas observa as pessoas entrando, não olhavam para ele, mas vê aquele menino, de olhos azuis, não sabia quem era, mas os olhos lembravam o de HAZIEL, mas já deveria agora estar sobre o comando de ALADIAH, mas as pessoas pareciam não querer olhar para ele, estranha aquilo, mais ainda quando entra no prédio e sente o cheiro de álcool e mirra. João se despede de Glória, os deixando a porta do Teatro. Na entrada ele observa as imagens no vitral frontal e depois um imenso painel no segundo piso. O teatro era bonito por
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- Bastidores

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dentro, parecia reformado, estava muito bem cuidado, a senhora Glória parecia tentar lhe apresentar tudo, como se tudo estivesse normal, como se não tivesse passado 6 dias preso num quarto. A senhora o apresenta ao teatro e vão a um Camarote, de onde dava para ver o palco lateralmente, quase dentro do palco. Thomas olha em volta, algo não está certo, mas não consegue saber o que é, o relógio dele alerta para as oito horas, verão lá fora, o fim do dia vai se aproximando, a sexta se despede dos Cariocas. As luzes se apagam, as pessoas começam a aplaudir e Thomas vê uma criança subir ao palco. Conhecia aquela criança ou era apenas a aparência, que estava vendo na maioria das crianças. A criança olha para ele e pede que todos o aplaudam, Thomas fica sem saber o que estava acontecendo. — Gostaria de uma salva de palmas a Thomas Thompson! Fala o menino, não era um anjo, mas tinha os olhos de um, era humano, olha para as pessoas presentes, vê que trouxeram uma cadeira lá do fundo do palco, amarrada a ela a menina de uma semana atrás. Na aparência, parecia ter envelhecido, ele estava remoçando e ela envelhecendo, olha em seus olhos, pareceu por um segundo confundi-la com alguém, ela sorri e uma lágrima triste desce pelo rosto, neste instante ela olha-o e sorri. Thomas vê o menino pegar uma espada e fazer um movimento, o vê passar perto da moça, que parecia não ter medo, não entende, mas nas saídas, olha e vê outras pessoas, uns seguranças bem grande, pensa o que estaria acontecendo,
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ele vê um segurança entrar no Camarote em que estava, o segurar e um segundo, chegar e atravessar uma espada em Glória, que cai morta e no segundo seguinte, parece que o rapaz apenas sai, desaparece, olha para o menino, que ainda estava no palco falando algo em Português, mas soube que estava encrencado, vê as pessoas serem mortas a espada, enquanto tentavam sair, o menino ao palco olha para a moça, ela lhe sorri e ele vendo os demais chegando perto, enfia a espada em seu próprio peito, caindo morto, os policiais surgiram no começo do teatro. Thomas sai pela porta do camarote onde estava, pensa nas possibilidades, não sabia o que fazer, começa a descer a escada, olha para o lado de fora, onde carros de polícia estavam estacionando, olha para as estátuas no começo do corredor e uma fala. — Por baixo da escada, desce mais um pouco! Thomas entre o susto de ver a estátua falar e na falta de outra ideia, vai para onde a estátua olhava. Thomas não sabia o que estava fazendo, parecia querer enfrentar, mas ao mesmo tempo sabia que se ficasse ali, não sobreviveria para tentar se defender, acha uma pequena porta por trás da escada e desce mais 3 lances de escada. Depois Thomas se depara, com um corredor escuro com uma porta, quando abre vê um espelho, não consegue tirar os olhos dele. Na ponta de baixo do espelho um Querubim, depois dois símbolos da coroa portuguesa, depois duas águias cada qual numa ponta olhando para o centro do espelho, depois dois leões e bem no topo, dois touros, escuta as pessoas virem pela
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escada, ele olha para o espelho, sente algo lhe empurrar de encontro a ele e ergue a mão para não bater no espelho, mas sente o corpo atravessar o mesmo, olha para trás, a tempo de ver os policiais passando pela sala, de onde ele acabara de sair, outros chegaram por uma porta lateral e perguntaram algo, mas pela cara de descontentamento, parecia não terem encontrado nada, Thomas olhava para eles, até vê um deles ajeitar o cabelo, parecendo olhar em seus olhos. Thomas fica ali parado, primeiro tenta sair e não consegue, mas não havia outra passagem, estava em uma peça brilhante como metal de todos os lados e a parte translúcida à frente. Thomas espera um bom tempo, acaba adormecendo, acorda assustado quando ouve alguém batendo no espelho e perguntando. — Senhor Thomas, está aí? João estava do lado de fora, parecendo olhar para ele, não sabia dizer se o via, mas toca no vidro e vê o corpo passar e olha para João, não sabia o que pensar, novamente uma artimanha, mas pelo jeito não saiu como eles queriam, ou saiu, como entender estes malucos. — Temos de sair daqui senhor Thompson! — A moça está bem? — Sim, não sei de onde pareço conhecer ela, mas a polícia a desamarrou! — Quem está lá encima? — Polícia criminal, dizem que você é o culpado, hoje melhor não aparecer dentro deste Teatro! Perdido Thomas parece não saber o que fazer, viu mais de mil pessoas serem mortas, como animais.
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— Quem matou eles? – Thomas. — Sabe bem quem, vamos sair daqui! Thomas pensa na possibilidade e segue o rapaz, o vê descer uma escada a mais, atrás de uma coluna e percorreram um corredor de não mais de 500 metros e começaram a subir, saíram no auditório em que estivera outro dia, na Biblioteca Nacional, olha para João e o segura pelo braço. — Onde vamos? — Não pode ficar por aqui, não entende isto? — Mas para onde vamos? — Uma casa em Paquetá! — Onde é isto? — Uma ilha na baía, lá conversamos, agora temos de sair daqui, vamos sair pelos fundos, nada de aparecer na praça!

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John Frins está em Washington, a esperar por uma reunião, pelo qual fora chamado às pressas, espera por um tempo até que seu chefe, o chama a sala. — John, que bom que veio rápido! — O que aconteceu? — Estamos com um problema e você vai partir para o Brasil ainda hoje! — Brasil? – Fala John, que trabalhava a serviço da Cia. a mais de 12 anos, mas não era muito de casos na América do sul. — Sim, queremos que veja uma coisa! O senhor põe uma reportagem, com a narração de que um Norte Americano, em meio a uma peça, no teatro municipal aproveita-se da distração das pessoas e executa os 1245 convidados, não deixando nenhum para contar a historia, matando até os 4 atores e mais 12 ajudantes de palco. — O que quer que faça, sabe que não sou bom com assassinos! — Isto aconteceu há uma hora John, quero você lá rápido! — Mas não tenho experiência nisto!

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– Trocando Miúdos

em

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— Sua experiência nos basta John, qual a chance de uma única pessoa, matar todos os espectadores de um teatro, sem que ninguém estranhe e fuja? John sabia que seria muito difícil. — Dependendo do Teatro, impossível, mas não conheço este teatro! — John, queremos que vá ao Rio de Janeiro e ache Thomas Thompson, eles querem acusá-lo desta autoria! — Thompson nunca faria isto senhor! — Sei disto, por isto estou lhe mandando lá, estou lhe pondo a frente de 10 agentes, para tentar achar e proteger Thomas, tente convencê-lo a sair de lá enquanto pode! — Isto é mais difícil ainda, mas o que acha que aconteceu no teatro? — Não sei, sabe que ainda estão tentando explicar, fatos semelhantes em Los Angeles, ele sai daqui e vai direto para outro incidente, se puder nos relatar tudo bem, se não, acredito que fará o melhor John! O investigador olha para os documentos e sai, sabendo que teria algumas horas de vôo até o Brasil.

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Thomas ao lado, vê João acelerar o carro no sentido do mar, não sabia o que aconteceria, mas vê João estacionar perto da doca de iates, saem do carro e Thomas segue João até um iate e entram, um rapaz já os esperava, solta as amarras e começam a navegar, vê os grandes navios entrando na baía, mais a frente, passam por baixo da grande ponte Rio - Niterói, Thomas fica admirando a altura daquilo, Thomas sente o vento quente passar por seu rosto e cabelos, começam a entrar no sentido da Baía de Guanabara, param numa ilha, num pequeno deck, não tinha ninguém esperando, desembarcam do iate que saem em seguida, saem do pequeno deck e vão na direção de uma casa e entram, João olha sério para Thomas. — Não sei o que você é senhor, mas uma coisa eu sei, não é como a gente! — Não entendi? – Thomas franzindo a testa. — Eu vi o estrago que fizeram em você na prisão, vi levar uma facada, vi enfrentar aqueles seres de luz, olha para o senhor, parece a cada dia melhor, todos os que estiveram naquela praça estão morrendo! Thomas não fala nada e ouve quando um rapaz vai entrando tranquilamente, como se estivesse acostumado a fazer isto, olha para João e fala. — Manero este pisante!

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- Passaredo

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— Tá de sacanagem né? – João. — Qual foi? – Fala o rapaz. Thomas tentava acompanhar a conversa, mas era complicado entender alguma coisa. — Na moral Pedro, to bolado, fica de olho! — É cana? — Não sei o que é, mas não desenrola sobre ele por aí! Thomas entende que era um assunto sobre ele, o rapaz olha para Thomas e pergunta. — Coééééé parceiro, tranquilidade irmão? — Ele é americano, se liga! – João fala rindo. Thomas vê que o pouco do português que entendia, ali parecia não fazer o menor sentido. — Pode vir por aqui Thomas, deve estar precisando descansar! – João lhe mostra o quarto. O cheiro da baía parecia entrar pelas janelas, mas pelo menos ali não estava preso, só não sabia o que acontecia na cidade, que dali desse para se ver. Thomas olha para fora, ruas com charrete, ruas bem calmas, parecia que estava nos anos 30, ele pensa em como o lugar era bonito, ao mesmo tempo, aquele cheiro da água da baía, lhe lembrava o cheiro de poluição, dos tempos atuais. Caminha um pouco naquele fim de tarde, estava tentando entender o que acontecera, quando vê João vindo em sua direção, chega ao seu lado e fala. — Glória me pediu para cuidar de você! — Pensei que queria minha morte, depois do que vi naquele dia na frente da igreja!
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— Senhor, sou só um funcionário, se me mandam fazer algo, faço, não tenho orgulho disto, mas não dou as cartas, mas ela mandou lhe manter no quarto, pois corria perigo, depois sabe o que aconteceu, mas minha função é dar tempo para que as coisas aconteçam e manter você longe, de alguns membros da polícia local, eles não são nada gentis! — Já sei disto, da pior maneira possível! — Estamos numa ilha, ainda é município do Rio de Janeiro, Glória achava que o atrair para locais assim, poderia certificar que as coisas tivessem controle, mas muitos pediam sua morte! — Onde estamos? — Ilha de Paquetá! — Algo haver com um romance que eu li, ―A Moreninha‖ acho? — Sim, um clássico de Joaquim Manuel de Macedo! Thomas sorri e pergunta. — Quantas pessoas moram nesta ilha? — Não mais de 4.500 pessoas! — Que praia é esta? João sorriu, pois se deu conta de que estava conversando em inglês com alguém e fala. — Praia Manoel Luiz, mais conhecida como Praia dos Frades! Os dois voltaram juntos para a casa, Thomas deitasse na cama e consegue dormir um pouco, mesmo estando agitado.

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Thomas acorda com o ruído do mar, a calma do lugar lhe fez espreguiçar-se, olhar em volta, vê João surgir à porta e pergunta. — Como faz isto? – Thomas espantado. — O que? — Parece saber quando me mexo? João aponta para o ouvido e fala. — Acompanho os passos da casa inteira, mas por um botão sei que acabam de invadir a casa da Dona Glória! Thomas sorri e pergunta: — Sou prisioneiro aqui? — Não, a ilha é calma, da população da cidade, a maioria ou trabalha nos serviços do estado, ou no Rio, estes pegam há balsa todos os dias, mas isto torna a cidade agitada, apenas no início e fim de cada dia e nos fins de semana! — Acho que estou perdendo tempo! – Thomas impaciente. — Não sei por que Thomas, mas Glória me disse para lhe trazer para cá, não para outro lugar, mas quando você achar que devemos voltar, voltaremos! Thomas olha para o rapaz, estava tentando ser prestativo. — Mas o que acontece agora no Rio? — Procuram os assassinos do massacre no Teatro Municipal, não sei o que eles acharam lá ainda, mas estão

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– Pedaços de Mim

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revirando muitos lugares na cidade, muita gente de dinheiro morreu lá ontem! — Mas como foram as mortes? — Não foram os Querubins Thomas, foram pessoas mesmo que mataram aquele pessoal! — Sei disto João, mas não sei como os presentes não saberiam que era uma arapuca, era evidente demais, o que preciso saber é quem e por quê? — Sabe a resposta Thomas, mas não entendo disto, era apenas um funcionário de confiança, que deve estar sendo procurado há esta hora. Neste país, os pobres são sempre os culpados, enquanto os ricos apenas se defendem, ―legitima defesa‖, é o que sempre afirmam! – João olha sério para Thomas. — A ilha é pequena Thomas, a condução aqui é por charrete ou bicicleta, os únicos caminhões na ilha, são os de coleta de lixo, então não pegando a balsa, estará na ilha! — Tem uma balsa, mas para onde vai? — Centro da cidade do Rio! Thomas vê o rapaz sair e voltar apenas à cabeça e falar. — O café está na mesa, se quiser! Thomas vê João sair pela porta, o calor começa a subir e quando ele se manda com uma lancha, fica apenas com aquele rapaz de nome Pedro, que não falava inglês e nada que se entendesse. Thomas resolve dar uma volta, sai pela rua calçada, vê algumas bicicletas, algumas charretes e depois de uma meia hora, estava em uma praça, fica um tempo a olhar a grande balsa encostar e alguns moradores embarcarem, no sentido do
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centro do Rio de Janeiro, olha na pequena praça à frente e vê aquele rosto, parecia que a conhecia a uma eternidade, mas por que tinha esta sensação não sabia. Thomas olha a moça por um tempo, não sabia seu nome, ali sentada, distraída a olhar o movimento, ele chega perto, sentase ao lado olhando em seu rosto, ela não fala nada, olhava em volta, parecia não se dar conta de sua presença. Thomas começa a observar o movimento, almas de Índios, de Negros, de Brancos, de muitos pássaros, estranha isto, nunca viu almas de animais à rua, fica a observar aqueles espíritos de pássaros e fica pensando o porque, estava ali olhando distraído, quando vê que a moça olhava-o, como se o estivesse observando e fala. — Não entendo quem é você moça, por que está aqui? Thomas sem imaginar, que a muito a moça não falava com um ser vivente, estranha as palavras saírem em inglês, mas com uma dificuldade de pronúncia. — Thomas, tudo se explica com um simples gesto? Thomas estranha e pergunta. — Sabe meu nome? — Quem não sabe? — Não entendi? A moça pega um jornal, estava em Português, ele não entendeu nada do escrito, mas tinha a imagem de várias pessoas morta, fotografado de cima do palco, do teatro municipal na direção da platéia, com gente morta nos 3 pisos e a imagem dele na ponta do jornal, olha para ela e fala. — Não fiz isto, mas… – desanimado Thomas desvia o olhar, pensando que a moça achava que ele era um assassino.
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— Sei que não foi você que fez aquilo, te vi na praça aquele dia, o que era aquilo Thomas? — Um julgamento, mas não sei onde isto vai parar! A moça olha as almas e fala. — Este é um local especial Thomas! — Por quê? — Vê os índios na rua? — Sim, nus, como se estivessem perdidos, sem rumo! — Isto foi tomado pelos Franceses na descoberta, ano de 1555, os portugueses afirmavam com apoio de um Papa, que as terras eram de Portugal, os índios haviam sido aliciados pelos franceses, mas os portugueses invadiram a ilha, os Franceses se foram, mas eles mataram toda a população de índio da ilha, estas almas são as dos 550 índios, que aqui habitavam e foram massacrados, pelos que se diziam colonizadores! — E os negros? — Muitos escravos morreram nestas terras, mais de 300 anos de escravos morrendo, sendo judiados, sendo explorados! — E os brancos, parecem tristes! — Das historias tristes desta terra, os habitantes já moravam aqui quando nas brigas pela República, uma parte da Marinha, ainda fiel as ideias Imperialistas, se alojaram na ilha a força, contra o governo de Marechal Floriano Peixoto, quando o exército do país retomou a ilha a força, culparam os antigos moradores por cumplicidade, muitos morreram, então a ilha que muitos acham que tem o encanto, apenas pelas paisagens bonitas, atrai as pessoas, mexe com a parte triste no seu interior, pois existem muitas mortes por injustiça, por arrogância, por poder!
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Thomas olha em volta, sente a tristeza, ver espíritos era estranho, estava olhando os pássaros e pergunta. — E os pássaros? — Sua missão passa por aqui Thomas, mas não posso falar tudo agora! — Por quê? A moça aponta os policiais vindo pela rua ao longe e fala. — Melhor darmos uma volta! A moça estende a mão para Thomas, que olha para ela e pergunta. — Por que estou remoçando e você envelhecendo? — Um Querubim me falou, que todos temos a mesma idade! — Mesma idade? — Sim, 22 mil anos, a idade de cada alma com certeza neste planeta! Thomas vê a moça começar a andar com calma, olha para trás e ela fala. — Calma, não o viram, estão apenas indo à praça, esperar a próxima balsa! Thomas a vê parar em um pequeno avanço sobre o mar, com trepadeiras e bancos e sentou-se ali, olhando ao fundo, os policiais a olhar para uma balsa saindo e outra despontando na baía. Uma agitação se formou no cais com vários policiais chegando, olha para a moça da polícia a frente, embora não fosse padrão, estavam com motos na balsa e se reuniram na

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pequena praça onde estiveram antes e saíram, andaram pelo caminho que Thomas fizera. — Eles me procuram! A moça sorri, olha para Thomas, ainda estava bonito, ela estava num corpo que ele não reconhecia, não como ela, estar próxima e ao mesmo tempo tão longe e fala. — Vamos caminhar, talvez venham e saiam com rapidez! — Acho que não! — Achar não lhe cai bem! Fala Beatriz, Thomas olha para ela, conhecia aquela frase, por um segundo ele olha muito sério para ela que continua. — Vamos, depois pode conhecer esta parte com calma! A moça, não era mais uma menina, pelo menos 10 anos a mais, o que estava acontecendo, ele não tinha ideia, mas viu ela lhe mostrar o canhão, que usavam para anunciar a chegada do rei na ilha, depois pararam diante de um grande baobá, árvore tipicamente africana. — Esta é Maria Gorda! – Fala a moça. — Maria Gorda? — Sim, existe uma lenda, que diz que um negro trouxe a semente dela nas suas vestes, plantou aqui, depois de crescido, espalhou a lenda que quem fizesse mal a árvore, teria a alma do negro por 7 anos atrasando sua vida, a árvore já está aí a mais de 100 anos e dizem que se tratá-la bem, lhe fizer um agrado, ela traz sorte, mas se lhe fizer mal… – A moça falava e Thomas vê um rapaz alto, encorpado ao lado da grande árvore falar. — Se lhe fizer mal, eu dou um jeito de atrasar a vida da pessoa, de todas as formas possíveis!
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Thomas olha para o espírito e a moça olha para o mesmo lugar, via apenas uma névoa escura, não ouvia como Thomas, mas ouve-o falar. — Bom dia, quem seria você? – Thomas. — Eu, um amigo de João Bengala! — E quem foi João Bengala? — Um amigo, que plantou esta árvore para se arraigar a sua amada, do outro lado do grande mar e a união da grande Baobá, do seu amor incondicional a sua amada, a seus filhos, as suas crenças, lhe deram direito a recomeçar e ir de encontro à amada! Thomas chega perto e toca a grande árvore e sente as energias em volta e olha para o grande negro e pergunta. — Como é seu nome? — Ben-ali-noa! Mas os brancos me chamavam de José! — Quer recomeçar Ben? — Você saberia como o fazer, gostaria de uma chance em minhas terras! — Não posso garantir isto, apenas o recomeçar! O negro olha em volta e pergunta. — Mas e como fica o grande Baobá! — Mesmo ele, um dia vai entregar o espaço a seus descendentes, tem de escolher quando vai ser isto! Se quiser ficar aqui e sofrer com a morte do grande Baobá, que um dia, por um motivo ou outro, seja apenas por ser sua hora, vai morrer, ou escolhe recomeçar agora? — E meus irmãos? Thomas olha para cima e fala.
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— Gabriel, onde se esconde? O sorriso nos lábios da moça, alegraram Thomas, o negro olha o anjo e pergunta para Thomas. — A quem agradeceremos? — A Deus, único, a quem mais? O negro sorri enquanto Gabriel olha em volta se localizando. — Onde se escondeu? – pergunta olhando para Thomas. — O que estava fazendo, dormindo? – Thomas. Thomas olha para a moça e Gabriel pergunta. — Sabe que está se complicando com isto? Thomas olha para a moça, que sorria e fala. — As escolhas não sou eu que faço Gabriel, sabe disto, mas temos uma leva de Negros, que querem recomeçar! Gabriel olha o grande negro e sorri, vendo outros chegando perto e Thomas apenas se despede, vendo o negro sorrir, outros sorrirem, mas óbvio, alguns ficariam para trás, mas depois ele veria o que faria como os demais. A moça olha para Thomas e pergunta. — Não sabia que conhecia Gabriel! — Pensei que todos soubessem! – Thomas responde rindo. — Me disseram que o peso em seu ombro era grande, que não era para atrapalhar, mas não resisti, quis saber um pouco mais, mas parece que está bem assessorado senhor Thomas! — Apenas Thomas, já me sinto velho sem o senhor! A moça sorri, atravessaram a ilha por uma rua, quando chegam a praia ela fala. — Esta é a praia da Moreninha!
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Thomas olha a forma que a moça andava, lembranças de seu passado vieram, lembra de Beatriz a andar na praia de Avalon a mais de 30 anos, sente como se a estivesse traindo, fecha a cara, senta-se a vendo se afastar, quando ela percebe volta e pergunta. — Algum problema? Thomas não responde, apenas a olha. — Fiz algo errado? – Beatriz. — Não, mas as lembranças de meu passado, ao ver você andando na praia, me pareceram uma traição a minha falecida esposa, desculpa, mas devo a ela até minhas lagrimas! Beatriz olhava para Thomas, de repente vira o rosto, ele pensa que ela se ofendeu, mas ela não queria que ele visse a lágrima correr em seu rosto e fala andando. — Desculpa, não quero que me entenda errado! Thomas vê a moça sumir no sentido do extremo da praia, fugindo aos seus olhos, mas ele fica ali parado, sem saber o que fazer.

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Thomas estava distraído, sentado a mureta, olhando para a parte onde a areia branca sem ondas, daquela baía fazia um local meio mágico, olha em volta e vê um rapaz chegar perto e olhá-lo. — Anda pintando o cabelo Thomas? – John Frins. — John, você por aqui? Ao ver John ali o desconcertou, sabia que algo estava além de seus conhecimentos, de suas previsões, não apenas no caso estranho que se metera, mas tudo parecia um pouco fora do lugar. — Mandaram-me em uma missão impossível! — Algo é impossível para você John? – surge um sorriso. — Mandaram-me para lhe convencer a voltar para casa Thomas! Thomas sorri e pergunta. — E lhe tiraram de casa apenas para isto? — As notícias que me passaram, foi que deveria ter sofrido na mão da polícia local, mas parece melhor que da última vez que nos vimos, faz o quê? Thomas desvia os olhos para o mar, a última vez que se viram, fazia 8 anos, no enterro de sua esposa, a irmã de John, não parecia ser coincidência, parecia que algo estava lhe dirigindo a memória de sua esposa já morta, não sabia exatamente o que, mas olhava em volta.
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- Fantasia

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— 10 agentes só para me tirarem daqui? – Pergunta Thomas. John olha em volta e fala. — Um dia vou ser tão bom como você Thomas, mas o que faz aqui? — Complicado de explicar, ao mesmo tempo, todas as pessoas que envolvo nisto, acabam morrendo, em casa seria apenas quem investiga, aqui viro suspeito número um, estampado nas páginas dos jornais! — Está hospedado onde? — Onde a polícia local inteira e mais uma guarnição da cidade, estão batendo a porta neste instante! — Acha que eles vão achar algo que indique que está aqui? — Se tiverem um Hector por aqui sim, senão, pouco provável! — Mas aqui eles batem para valer nas pessoas que acham, para que falem o que sabem! — Mas aí eles não estão levantando, estão induzindo, sabe disto! — Temos de tirá-lo daqui Thomas, não é seguro! — John, não se complique, se apresenta a moça que está a frente disto tudo, como alguém que quer me pegar, assim talvez ela divida algo com você, senão, volta para casa, algo grande vai acontecer aqui, só não sei exatamente o que! — Mas promete se cuidar? – John. Thomas sorri e fala levantando-se. — Vai logo, daqui a pouco estarão por aqui, então melhor sair daqui!
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Thomas começa a andar no sentido norte, no sentido da praia, molha o pé nas águas quentes da baía e caminha no sentido da pedra da Moreninha, no sentido do Morro de São Roque. A calma de Thomas, contrastava com a agitação no sul da ilha, mas não sabia o que estava acontecendo, ainda seguia as cegas pela ilha. Thomas contorna a pedra e começa a mudar de praia, andava pela areia branca, foi forçado a ir a uma estradinha pelo fim da praia, calma, uma mureta para o mar, um pequeno morro ao lado, vê outra praia, agora já não haviam as areias brancas, mas viu um grande sobrado, rosado, janelas grandes, estilo colonial, um senhor que estava a porta daquele casarão olhou-o, parecia um local cultural, ou algo assim, Thomas não entendia nada do escrito, estava divagando que viveria algo assim, em quase todos os locais que fosse, vê o homem falar algo a um menino, que veio até ele e pergunta em português, Thomas não conseguia compreender, por que entendia as vezes. — É o mensageiro? Thomas não entende a pergunta e olha para o senhor, que sorri e grita da porta. — O convida a entrar, Filho! Thomas não entende o porquê, mas acompanha o menino até o senhor que lhe estende a mão e fala, em um inglês estranho: — Boa Tarde, já almoçou? Thomas olha curioso para o homem e pergunta. — O que quis dizer com Mensageiro?
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— Dizem que alguém um dia, viria libertar o peso que está ilha traz sobre as pessoas, mesmo elas fazendo de conta, que não existe este peso! — De que peso está falando? — Vamos entrar, precisa comer algo! Thomas entra algo estranho estava acontecendo, mas ainda não sabia o que. —§— Gabriel estava a induzir ao renascer o negro de número 2.025, quando um homem, barba bem cortada, branco, olha para ele e pergunta. — Quem se atreve a libertar os negros? Gabriel olha o homem e fala. — Alguém que não lhe deve satisfação! O espírito fecha a cara e grita com Gabriel. — Absurdo, quem achas que és, para libertar meus escravos! Gabriel olha o homem, atrás dele alguns brancos, senhores, senhoras, jovens e velhos, todos brancos. — Pensei que estava no convento de São Vicente de Fora! – Fala Gabriel ignorando a veemência e arrogância do senhor. — Achas que és quem? – Fala o senhor. — Não me queira como inimigo João VI, és um covarde e pode mandar nestes que lhe seguem, mas aí não está nem seu filho, nem seu neto, pois sabe que embora Rei, foi um covarde!

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— Achas que pode me ofender, quem pensa que és? Pelo jeito um revolucionário abolicionista! — Eu, muitos me chamam de braço direito de Deus, Gabriel para os amigos, Anjo Gabriel aos inimigos, baixa a voz senhor, que não é dono de nada aqui! O senhor recua vendo as asas do anjo ficarem visíveis, a cor dele muda, indo a vermelha, olha para o homem, os demais deram um passo atrás e Gabriel ouve, sem conseguir vê-lo. — Não gaste suas energias com ele irmão Gabriel! Os espíritos olharam no sentido de um menino, este movimento, fez com que Gabriel soubesse de onde vinha a voz, viu alguns negros abrirem o caminho e ouviu novamente. — Sabe que não adianta brigar com eles, deixa eles comigo irmão, não se desgaste! — Queria lhe pedir desculpas irmão! Os demais não entenderam, o Rei olha o menino e pergunta. — E você, quem é? Todos viram o menino deixar suas asas negras a vista, as mesmas pareciam conter milhares de olhos, o ser cresce e sua feição ganha dois chifres, olha para o rei e fala. — Me chamam por aí de Belial! O Rei recua, os negros pareceram não ter medo dele e Gabriel sorri. — Pelo menos este nome eles respeitam! — Irmão, se eles tivessem fé de verdade, lhe respeitariam muito mais que a mim, eu prejudiquei meus irmãos, você, destrói a pedido de Deus, o que faz aqui irmão?

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— Queria lhe falar! — Vi que não protege os seus, aquele Thomas teria morrido! — Acha mesmo que algo o mataria? — O que fez irmão? — Não fui eu, mas olhe para ele irmão, não é um macaco como estes aí! — E você se curvou a eles! Gabriel olha os seres, um ódio lhe toma a alma e fala. — Conheci poucos que valessem o esforço Belial, não existem mais seres como aquele Jó! — Seu a séculos que não existem, isto que me intriga irmão, não é o por serem como aquele ser que evoluíram, eles amam os seus, hoje ninguém passaria por aquela prova, mas hoje são mais fortes, bem por que não passariam por aquilo, não por passar! — Não entendi! – Gabriel. — Senti a dúvida em HAZIEL, quando há alguns dias ele mandou um rapaz ao paraíso! — Não entendi, o que poderia por dúvida em um Querubim? — A tristeza, após lhe ser dado o direito ao paraíso! — Quer dizer que alguém ficou triste por ir ao paraíso? Os demais olhavam os dois, uma conversa sem que um visse o outro, respondendo aos sons. — Sim, pensando no amor de sua vida, que ficava sozinha naquele segundo, isto pôs dúvida em HAZIEL, que passou a frente sua indecisão, daí RAZIEL concordou com o fim de
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Thomas, como se ele fosse o culpado, mas ele não tem haver com isto! — E com o que tem haver? — Com sentimentos, amor, eles amam a outros seres, acima do que amam a Deus! — Um absurdo! — Sim, mas algo nisto nosso pai gosta, lembro de você vindo a esta mesma ilha, faz muitos anos, para levar um rapaz, a pedido do pai, para os braços de sua amada, que morrera após ser pega, o filho morreu no caminho, no oceano, mas ela morreu no período de quarentena e você veio levá-lo aos braços da amada! — Nunca contestei o que o pai mandava, mas agora ele quer dividir com eles o futuro, como ficamos nós os filhos? Se Gabriel pudesse ver o sorriso nos lábios de Belial, entenderia que o mesmo estava conduzindo a conversa, mas não se viam. — Não sei Gabriel! Belial abre as asas violentamente e uma onda de energia passa por todos os espíritos dos brancos, que foram mudando de forma e se transformando em almas de pássaros, Gabriel sorri e fala. — Às vezes esquecemos quem são os verdadeiros aliados, irmão! — Acha mesmo que vou dar chance de recomeço a estes, que não mereciam o pão que comiam? Os espíritos em forma de ave começam a se debater, primeiro caíram, depois começam a se olhar e se deparar com asas, os negros riram e Belial continua.
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— Cuida destes, ainda vamos conversar muito irmão! Belial se retira, deixando Gabriel ali, a oferecer aos demais o renascimento. —§— Na praia dos Frades, John chega a casa onde Thomas deveria estar, pede para falar com o responsável, depois de um tempo, entra na casa e vê o rapaz, Pedro, com o nariz sangrando, amarrado a uma cadeira e olha para a policial. — Boa Tarde, sou John Frins, CIA., oferecendo nossos serviços, se tivermos o mesmo objetivo! — E qual seria seu objetivo? – Capitã Lídia. — Parar as mortes, que seguem este Thomas Thompson! — E tem alguma coisa que o incrimine? — Se tivéssemos já o teríamos prendido, mas parece mais liso que os criminosos comuns! — Sabe com o que lida? John pensa rápido e fala. — Alguns dizem que é uma nova droga, mas é mais que isto! — Novas drogas não fazem cortes perfeitos na altura do peito! — As mortes no Teatro senhora, não foram perfeitas! Lídia olha furiosa para o Subtenente a porta e este fala. — Não foi por nós que vazou Capitã! — Senhora, tentamos evitar aquilo, mas um grupo semelhante, gerou muitas mortes em Los Angeles, na época
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pensávamos que Thomas, estava do lado de quem caçava eles, não o contrário! — E o deixam vir para cá? – Lídia. — Senhora, este grupo é mundial, precisamos que alguém nos indique onde eles estão, pessoas que matam com uma frieza incomum aos humanos! — E se parecem com anjos na aparência? – Lídia fala sério olhando para John. — Sim, muito disto não entendemos, mas se lá, foi uma briga grande, aqui também pode ser! — E por que foi indicado para isto, qual sua especialidade? John sorri e fala. — Por conhecer pessoas, antes de terem se metido em encrenca, são poucos os que o conhecem! — Conheceu Thompson antes, por isto lhe colocaram nisto? — Sim, mas estou aqui apenas para auxiliar e dar apoio técnico, eu não pretendo meter-me na sua alçada e nem transgredir suas leis! Lídia ouve aquilo, mas acreditar que eles não transgrediriam, já era outra historia. —§— Thomas almoça, não reclama de nada, estava muito bom aquele cozido com chuchu, embora não estivesse acostumado com o vegetal, olha o senhor e pergunta. — Por que acha que sou o Mensageiro!
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O senhor olha para Thomas e fala. — Não sei o que o senhor é, mas as energias locais mudaram e não vi ninguém diferente, além de você! — Mas o que faria este mensageiro? — De tempos em tempos, o amor provou a esta ilha, que mesmo os mais trágicos acontecimentos, não são suficientes para matar o amor dos que amam, o mensageiro, já foi de várias formas, um casal de índios, um negro com saudade de casa, um pintor com encantamento pelas coisas da ilha, mas está na hora de haver mais alguma coisa assim, a ilha está sobre um penar forte! — E se não for o mensageiro? — Será bem vindo assim mesmo, mas gostaria que aceitasse nossa hospedagem, para que pudéssemos mostrar a você, o valor destas terras! Thomas não teve como recusar, não sabia onde estava pisando, mas estava perdido em meio a uma aventura, que ainda não entendera, mas parecia algo maior para ele, começava a acreditar que um caminho foi desenhado e lhe cabia trilhar.

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Thomas acorda de sobressalto, o cheiro da baía entra pelo nariz e olha em volta, meio desnorteado tenta se localizar, pensando onde estava, lembra e senta-se na cama, ao se levantar, na cômoda ao lado da cama, estava um bilhete em inglês. — ―Quando acordar, o esperamos para o café‖! Thomas sorri, as pessoas invadiam sua vida e não mais saiam dela, por anos ele se depara com invasões, mas as afastava, parecia bem no fundo, ter medo de perder algo mais na vida, está angustia estava crescendo dentro dele e não entendia bem por que. Desce para o térreo, observando os detalhes da casa, um centro cultural, ao mesmo tempo, uma residência, chega à sala, o menino olha para ele e argumente agora em inglês. — Por aqui Thomas! Thomas estava meio confuso, tenta lembrar-se de tudo que passara, nos poucos dias que estava no Brasil, quando se olha no espelho pela manhã, sorri por não ter rejuvenescido mais, daqui a pouco seria uma criança se continuasse como antes. — Junte-se a nós? – Pergunta o senhor. Thomas concorda com a cabeça e ouve. — Ontem deve ter ficado confuso? — Sim, por que me deu abrigo?

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– Gota D’água

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— Por que a polícia o procurava, passaram por aqui a pouco, mas dormia, acho que antes de enfrentar o que vem por aí, precisa saber onde pisa! — Quem é o senhor? — Um dia me chamaram de RANAK, um querubim, hoje, apenas um velho a cuidar que tudo não desande! Thomas olha para o senhor e fala. — Mas almas não envelhecem! — Sim, mas a aparência de criança de um Querubim, não facilita as pessoas nos levarem a sério! – O senhor vira-se para o menino e fala – Não é HAFKA? Thomas olha para o menino e o vê crescer aos olhos, conhecia aquela aparência, o rosto misto de uma criança, uma águia, um touro e um leão, este menino senta-se e fala. — Bem vindo a um pseudo-paraíso, senhor Thomas Thompson! — Por que me ajudam? O senhor sorri, olharam-se e HAFKA fala. — Por que tem de decidir em que lado ficara Thomas, a escolha, o livre arbítrio é seu, existem os que seguem nosso Pai e os que contestam nosso Pai, mas todos, não deixamos de ser filhos, só por que contestamos nosso Pai! — O que quer dizer com isto? — Que você pode não acreditar em Deus, pode não orar a Deus, mas não é por isto, que ele não os veja como uma criação dele, mas a escolha é sempre de vocês, ou acreditam ou não! Thomas serve seu café, olhando aqueles seres, fica pensando qual seria sua missão ali e o senhor fala.
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— Entenda, não existe vitória, para vocês humanos! Thomas sorri e fala. — Então por que me ajuda? — Quero que entenda, em que encrenca está entrando, depois, vamos ter de lhe mostrar o que não sabe! Tomaram o café calmamente, depois que terminam o senhor se levanta da mesa e sai para fora, Thomas o acompanha de perto, param um pouco olhando em volta. Estavam na frente de uma praça, olha para a mesma, cheia de espíritos andando sem rumo, tenta imaginar quais eles viam e quais não viam, ainda não entendia isto direito, mas Thomas vê que o senhor olha para onde ele olhava. Entende neste momento que seus olhos e pensamentos, eram o que lhes mostrava o caminho, se não os chamassem a uma ação, então Deus, não deveria ter dado todo o acesso a eles, mas era óbvio que parte da historia, ele não acompanhara. — Thomas, está praça já viu muitas coisas, de lendas, a crueldades, mas nunca viu alguém como você! — Como assim, eu? Não entendi. Thomas vê que eles, ou estavam querendo enganá-lo, ou esclarecê-lo, mas não tinha como duvidar no momento, então ouviu. — Gostaria de lhe mostrar uma coisa! – O senhor sorri. Thomas olha para o senhor, tentando ignorar a quantidade de pessoas espalhadas naquela praça, igreja, poço, coreto, mas também com muitas almas, andaram pela praça e entraram por uma porta lateral da igreja e Thomas vê a imagem no altar, uma igreja pequena, os bancos de madeira. Assim que Thomas olha para o Querubim, este lhe joga uma vela comum, pequena,
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não mais de quinze centímetros de comprimento, estreita, não mais de 2 cm de diâmetro e começa a falar. — Está é a nossa arma! — Tá de brincadeira, né??? – Thomas olhando para a vela na mão. Thomas vê o Querubim tomar sua forma original e vê a pequena vela se tornar um instrumento de luz, seu comprimento aumenta para mais de 70 cm, parecia um cristal, mas Thomas sente de longe a temperatura, não era afiado, parecia um tubo de luz, sobre a sua mão, a vela formou uma outra mão, como se segurasse na mão do Querubim, Thomas o viu brandir aquilo na mão e falar. — Esta é nossa arma Thomas! Saiba que nunca na historia, alguém que a viu se transformar e sobreviveu para contar a historia! Thomas sorri, ou era mais uma arapuca, ou um teste. — Sabe que me surpreende Thomas, a maioria estaria tentando sair pela porta! Thomas olha para a vela em sua mão, não entendeu, mas viu a mesma crescer, sentiu uma mão se formar vindo da vela e segurar na dele, como uma bainha de espada da vela segurasse e abraçasse sua mão, viu o tubo crescer em sua mão, senti o calor e ergue aquilo, que lhe parecia uma espada, olha para ela encantado, sem reparar que o Querubim deu um passo atrás, a mexe no ar e olha para RANAK. — Por que eu posso fazer isto? Thomas somente neste momento, olha para os olhos do Querubim, vê que estava surpreso. — Sabe que assim me assusta Thomas?
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— Querubins se assustam? – Thomas provocando. O senhor sorri voltando a forma humana e fala. — Agora entendo por que Belial lhe protege! — Então me explique, pois não sei por que ele faria algo assim? O senhor se cala, Thomas entendeu que o Querubim não poderia falar, mas olha para a mão, pensa na vela e vê o objeto encolher, abre a mão e olha a vela, olha para RANAK, não resiste e pergunta. — Esta é uma vela especial? — Na mão de um Querubim, qualquer vela é especial! Thomas se cala diante da frase, o próprio RANAK pensa em sua frase, olha para suas mãos e muda de assunto. — Então vamos à diversão, já que pensei em lhe informar, onde achar a ajuda dos Querubins, mas parece já dominar a frente disto! — O que queria me mostrar? O senhor olha para as pequenas esculturas de anjos, as pequenas formas dos vitrais, as pequenas esculturas de pássaros, de bois, de felinos dentro daquela igreja e fala. — Todos os Querubins são temidos pelos demais Thomas, um Querubim fraco como eu, poderia com um exército de Anjos, um exército de Arcanjos ou mesmo de Tronos! — Por quê? O senhor olha para as esculturas e fala. — Por que toda a criação humana, na forma de pássaros, de bovinos, de felinos e humanos nos obedecem, Thomas!

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O senhor brilha e Thomas vê suas asas negras, eles raramente mostravam as asas, estas com milhares de olhos, estes olhos fitaram cada um, uma estátua, uma gravura, um vitral, e os mesmos foram se esticando e tomando vida. Thomas vê de estátua de santos, a esculturas de pássaros, de pequenos anjos de gesso, a vitrais se materializarem e tomarem a forma de RANAK e olhar para Thomas, que estranha todos eles falarem ao mesmo tempo. — Este exército, sou apenas eu! Thomas olha para o Querubim e entende, onde estava o medo dos demais ao Querubim Ungido, pensa no poder que estava vendo, com a inteligência que lhe foi ungida por deus. — Sim Thomas, eles nos temem, mas diante de Belial eles se prostram e pedem inteligência e clemência! — Gabriel quer falar com ele RANAK! — Eles conversaram ontem, mas Belial não confia em Gabriel a este ponto, não é tolo ao ponto de confiar no braço direito de Deus! — Nunca entendi, se Gabriel sempre foi o braço direito, quem era Belial? — O esquerdo! – Fala o ser recolhendo as asas, Thomas vê os seres se desmancharem na luz e voltarem a seus lugares, imóveis. O senhor sai pela porta lateral, da pequena igreja de São Roque e olha para a praça, mas o senhor não via as almas, que andavam por ali sem rumo certo e isto não lhe fazia um Querubim. — Nisto tenho de pensar Thomas, é verdade, você vê os espíritos, isto lhe foi dado por alguém especial, nos é passado
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isto apenas para momentos especiais, quando vínhamos a estas terras ou outras, a serviço do Pai! — Quem lhes passava isto? O Querubim não respondeu, Thomas olha para a praça e vê uma moça se aproximando, na forma de um espírito, olhar para Thomas e perguntar. — Quem é você, que me vê e os Querubins respeitam? — Sabe quem eles são? — Estou nestas terras antes deles Thomas! — Antes dos seres Alados? RANAK olha espantado, quando Thomas começa a conversar com algo que ele não via, no meio daquela praça ao lado da fonte, que hoje já não era mais aberta, a igreja a fechou, já há alguns anos. — Sim, antes mesmo destas terras terem humanos! — Mas sua aparência é a nossa! — Tenho a aparência que bem quero Thomas! — E o que eu sou? Já que vive há mais tempo, que os seres alados, deve saber! — Isto é algo que não lhe cabe saber, não de graça, acha que somos bons ou ruins? Não, estamos aqui para ver onde vocês vão chegar! — Então quem é você? – Thomas decepcionado com a resposta que recebera. — Alguém que lhe observa! RANAK estava vendo Thomas se afastando enquanto falava, quando o vê sumir da praça, de uma hora para outra, Thomas olha em volta e sente como se estivesse em outra
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época, à praça estava mais rústica, algumas casas sumiram, a igreja ao fundo estava em construção, com acabamentos em pedra, olha para o poço aberto e depois para a moça. — Agora podemos falar! – A moça, chega até a fonte, pega uma cuia de casca de coco, serve água e oferece para Thomas. Thomas pega e toma um gole e olha para a moça, que muda de forma, sua pela avermelhada, seu rosto não se parecia com nada que conhecera, grandes entranhas, como se fossem rugas, que vinham da altura da testa e terminavam em um mesmo ponto na altura do queixo, não tinha nariz, apenas duas cavidades, olhos profundos, avermelhados, o corpo não continha seios, não continha sinais de um ser sexuado, mas estava nu, as costas pareciam existir asas, mais para asas de morcego, mas avermelhadas. — Não se assuste Thomas! Thomas não parecia temer e isto lhe deu uma certeza, ela não lia seus pensamentos, sentia até os pensamentos mais leve diante dela, mais do que diante do Querubim. Thomas a olhava, esperando que respondesse a sua pergunta. — Sou uma geradora, mas não espere entender isto! — Não sei mesmo o que faz uma geradora! — Não sou existência Thomas, você me vê por que é especial, mas mesmo eu não entendo o que é, pois não sou vista, pois não existo em existência, sou energia, a que Deus usa para dar vida às coisas, como os Anjos, a energia que é fornecida aos Querubins, para que eles possam dar vida às imagens criadas!

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— Então não é um ser, por isto não parece com um ser sexuado? — Eu tenho milhares de formas e nenhuma ao mesmo tempo, sou essência, mas as religiões tendem a tentar me desacreditar ou nomear, mas não sou nem para uma coisa e nem para outra! — E por que eu posso vê-la? — Eu que perguntei isto, Thomas! Thomas sorri, fora mesmo ela que lhe perguntara aquilo, olha para a praça e pergunta. — Em que ano estamos? — Não existe tempo Thomas, não para a energia, ela existe, apenas muda de forma, mas não existe ontem e amanhã, assim como as almas, mas não espere encontrar explicação disto nas leis dos homens, pois eles não teem como explicar ainda, o que descobriram há tão pouco tempo! — E por que me observava? — Thomas, você em si, tem duas coisas que admiro em sua energia e acredito que venha a descobrir mais, por algum motivo o Pai lhe pôs nisto! — Você também chama Deus por Pai? — Ele é pai de tudo, mas nem a palavra Pai o define! — Mas o que admira em mim? — Thomas, você pode não saber, mas algo superior o tocou, não sei ainda o que, mas sinto suas asas! — Asas? — Pense nelas Thomas!

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Thomas não acredita, então por mais que olhasse as costas, não via nada e fala. — Estou alucinando, ou ficando maluco de vez? — Sabe que não é apenas um ser normal, mas apenas vendo suas asas, saberá quem é, mas não posso fazer isto por você! — Humanos não tem asas! – Afirma Thomas. — Humanos, macacos, pássaros, porcos, ratos, todos tem suas asas, mas eles não sabem, então são apenas seres de uma vida limitada, enquanto não verem quem são, não sairão disto! — Mas se temos por que nunca nos disseram isto? — Alguém deve ter dito, que o acreditar é parte de uma escolha, mas não o deixa de ser apenas por não acreditar! — Por que vocês falam tudo por enigmas? A moça muda de forma, para algo incandescente, muito reluzente, Thomas fecha os olhos por reflexo, RANAK vê Thomas surgir na praça e ao abrir os olhos, olha para a fonte, ele tinha uma cuia com água na mão, toma um gole ao mesmo tempo em que RANAK chega e bate na cuia que voa longe. — Não tome isto! – Fala RANAK gritado. Thomas olha sem entender o que estava acontecendo e pergunta. — O que tem de mais tomar está água? Thomas olha para onde a cuia tinha caído, a água escorre pela terra e naquele pequeno espaço de terra vê surgir uma flor, onde antes não tinha nada, em minutos surgiu no chão e desabrochou uma linda flor, azulada. — Para onde você foi?

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— Não sai daqui! – Thomas, que sentia como se seus pensamentos estivessem leves, sorri. — Com quem falava? Thomas pensa no que vira, sem conseguir explicar e o Anjo fica olhando para ele como se esperasse a resposta. — Agora vou ter de falar? – Fala Thomas abaixando-se e pegando a flor ao chão. — Pelo jeito…! – RANAK.

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Lídia estava retornando a Ilha em uma lancha da polícia, seu cabelo estava desarrumado pelo vento, no rosto o óculo escuro lhe protegiam os olhos, na testa uma ruga de preocupação, queria dar uma última olhada, algo não estava certo, Thomas não teria como ter escapado, o subtenente estava junto. — Como ele nos escapou? – Lídia balança a cabeça intrigada. — Sabe que ainda não temos nada que o incrimine Capitã! — Mas quem mais sobreviveu que esteve lá? — Pelo que o pessoal do departamento técnico está analisando, mais de 100 pessoas estiveram lá e não estão mortas, sabe disto! — Aqueles cagões da técnica, não acham nada, o Diretor me pressionando, o carnaval chegando em duas semanas, os turistas chegando e crimes as ruas sem explicação! — Acha que alguém o escondeu lá? — Só pode ser, mas também ele pode estar em algum morro, ouviu o rapaz da CIA., tem haver com drogas, então pode estar em algum morro escondido! — Mas então por que estamos voltando à ilha? — Pedi reforço e não consegui, sempre que isto acontece, vou para onde não me deram reforço, pois vão revirar 3 regiões, mas a ilha o Diretor disse que não tinha contingente!
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– Deus Lhe Pague

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— Você e esta sua ideia de Conspiração! A Capitã não falou mais nada, na voadora que estavam, cruzavam as águas da baía, ao chegar à ilha, quando pára os motores não desembarcou, ela com um binóculo na mão fala. — Dá uma volta, antes de pararmos! O rapaz concorda, passaram olhando a praia dos Frades, contornaram o morro da Cruz, Praia da Guarda, olhava ao longe com o binóculo, Casa José Bonifácio, Ponta da Pedreira com a ponte da Saudade, Sedae, Morro da Pedreira, Conlurb, Praça Manuel de Macedo, Praia da Moreninha, Bombeiros, Morro de São Roque, Pedra da Moreninha, casa de Artes de Paquetá, Pousada São Roque, Capela de São Roque, Coreto, Poço de São Roque, pára um momento e faz sinal apontando para a praia, o rapaz nem precisou perguntar, viu Thomas Thompson conversando com um senhor, desliga a voadeira e chegam quietos, deixa o barco encostar na mureta, saem rápido e ouvem Thomas falar. — Agora vou ter de falar? – Thomas abaixa-se pegando a flor no chão. — Pelo jeito…! – RANAK. Quando ouve a resposta, a capitã fala alto com a arma a mão. — Parado, está detido! Thomas surpreso levanta e vira-se na direção do som, com a flor a mão, a capitã, vendo que ele tinha algo na mão atira e somente depois de ver Thomas caindo para trás, reconhece a flor na mão. Thomas sente a dor da bala lhe perfurando, olha em volta, novamente vê o sangue em suas mãos, esta aventura estava
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doida, de várias maneiras, o subtenente pega o celular e pede reforços, mas uma ambulância também, vendo a capitã pegar uma arma a cintura, olhar para o senhor, colocar a arma em sua mão e dar um tiro, Thomas com dor, nem teve como reagir, mas sabia bem o que estava acontecendo, ela afirmaria que atirou em legítima defesa. Thomas olha para ela com decepção nos olhos e fala. — Pensei que pelo menos honra você tivesse! A uns 500 metros dali, na ponta Lameirão, Beatriz vê o que aconteceu, sente a dor lhe atingir o peito e coloca a mão assustada, mas não havia sangue, não nela, mas se concentra, sabia que tinha de controlar a dor, ao mesmo tempo ela e Thomas sorriem, com a flor terminando de desabrochar na mão de Thomas. RANAK olha para a capitã e fala. — Acha que pode com ele, não sabe com quem está lidando! — Você também está preso, por proteger fugitivo da polícia! — Ele nem indiciado foi Capitã, sabe disto, mas me prender, já é outra historia! – levanta uma sobrancelha. Com um sorriso RANAK abre os braços, a moça recua um passo, vendo as asas surgirem, a feição mudar e ao bater as asas o ser some, como se houvesse se desmanchado em pó. As horas seguintes foram de transporte e de detenção, mesmo sem uma acusação formal contra Thomas, assustada a capitã não sabia mais o que estava enfrentando.

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Thomas foi levado para o hospital ainda na Ilha, na praça Bom Jesus do Monte, depois que tiram a bala, Thomas é levado a um quarto que a porta era vigiada por dois policiais militares, para a imprensa, anunciava-se a prisão de Thomas, um americano envolvido na morte das 2.306 pessoas no teatro municipal, a opinião pública manipulada por jornais sensacionalistas, começa a pedir justiça, mas o próprio secretário de Justiça sabia que a prisão e as informações a imprensa, eram apenas uma ilusão, para não perder os turistas, diante de um carnaval se aproximando. O secretário entra na direção do Hospital em Paquetá, ao entrar pela porta procura pela Capitã Lídia e olha para os demais. — Poderia me dar um momento a sós com a Capitã? Os demais saíram, ela sabia que vinha bomba, mas o secretário lhe devia alguns favores também, duas serpentes na arte de armar as coisas. — Como foi de verdade Capitã? Ela sorri, pois ele a conhecia bem e fala. — Não quero problemas Antônio, no que está pensando? — Que precisamos de um culpado, mas o que acha deste Thompson? — Com todo respeito senhor, sabemos que não foi ele, sabemos até o nome de mais de 30 dos envolvidos, mas você
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– Bom Conselho

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não quer que na antevéspera do carnaval, comece a prender pessoas influentes da cidade! Ou quer? — E este Thompson, o que acha dele? — Alguém resistente e que deixa os médicos, meio sem saber o que falar! — Não entendi? – Ele surpreso. — Tiro na altura do coração, desvia a aorta passa entre duas vértebras, o pulmão se recolhe e a bala se aloja as costas, quase saindo, a cicatrização dele encanta os médicos e se olhar amanhã, pode ser que descuidamos e ele sai pela janela, como se não tivesse levado um tiro! — Não estava falando disto Lídia! — Eu sei o que o senhor quer dizer, ele é ex-chefe de polícia de Los Angeles, lá comandava com austeridade mais de 10 mil homens, com viaturas, lanchas, helicópteros, aviões, câmeras as ruas e um centro de analise de provas, altamente capacitado, não é como aqui, eu sei de tudo isto! — O que tem contra ele? — Apenas a arma, que eu mesma pus na mão dele Antônio, pelo que vejo, a defesa dele não é feita por gente deste mundo! – Lídia. — Aquele papo de ter visto anjos…, sabe que não acredito! — Eu mesma não acreditaria se não tivesse visto, não posso duvidar de meus olhos, senão duvidaria também, sei o que acha, mas eu o deteria, analisaria tudo, pediria a ajuda da CIA. para levantar dados, para que não pareça que vamos espancálo! – Lídia eloqüente. — E por que achariam, que iríamos espancá-lo? Lídia sorri e fala.
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— Este aí é bom de bater Antônio, não fica marca! — Tem de se controlar Lídia, nem sempre vai poder sair livre! Antônio sai pela porta e fala com a imprensa, queriam uma resposta para as mortes, mas não tinham ideia da encrenca, que estavam se metendo. —§— Thomas pega no sono e se vê em uma praia, parecia conhecer a mesma e olha em volta, não era nenhuma exata, era daqueles locais que conhecemos em sonhos, mas não na vida, olha-se sentado a uma cadeira na beira da praia e vê Beatriz ao seu lado. — Como está Thomas? — Saudade, há muito tempo não sonho mais! — Mentir para mim não vale Thomas! — Acha que morro desta vez, para lhe encontrar? — Não entendeu amor, morrendo não me encontrara! — Você renasceu? — Não, fui condenada a penar, não a renascer! — Mas você sempre foi tão boa, dedicada, boa mãe, frequentava a igreja, você sempre acreditou mais que eu! Beatriz sorri, pois achava o mesmo do marido, para Thomas aquilo era apenas um sonho, olha em volta e pergunta. — Onde estamos? — Há anos sonha com este lugar e não sabe onde é Thomas?
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— Não! – Thomas olha em volta. — Se olhar para cima, verá o Pão de Açúcar, esteve lá há poucos dias, estamos na praia Vermelha, deveria reconhecer agora! – Beatriz Thomas olha em volta e concorda, estivera ali, olha em volta e pergunta. — Mas como se encontra alguém que pena? — Não se encontra, não adianta tentar me ver Thomas, nunca voltamos com o mesmo rosto e mesmo que estivesse ao seu lado, não me reconheceria! — Por quê? — Por que é teimoso demais! Thomas sorri e vê ela se dissipar no ar, sente dor e abre os olhos ainda sorrindo, vê a Capitã sentada a sua frente, e fala. — Quanto tempo dormi? — Pouco, vai ser transferido para o centro! — Melhor, assim me lincham de uma vez! — Não tem medo de morrer? Thomas olha o policial a porta e depois para ela e fala. — Você que sabe como os matara, depois que me matarem, por acaso acha que gosto de ver gente ser morta, odeio, mas preso pelo menos, não poderão me acusar das mortes que sabe, irão continuar acontecendo! — E como paro isto? — Se soubesse, não estava nesta caçada, se soubesse já teria parado com todas as mortes e talvez tivesse ficado em casa descansando! — Acha que acredito em você?
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— Sei que acredita, você os viu, mas levou sorte, quer dizer, não sei a regra para seres já expulsos do paraíso! — O que era aquele ser? — A aparência humana de um dos Querubins, que lutaram a grande batalha ao lado de Lúcifer! O policial a porta ri e Thomas olha sério para ele. — Ainda vai se arrepender deste sorriso! Lídia olha para o policial, faz um sinal para ele e este se retira, olha para Thomas e pergunta. — Em que enrascada está metido, senhor Thompson? — Não sei ainda, mas me cheiram a mais mortes…, muitas mortes! — Acha que não sei que terão mais mortes, a pergunta é, acha que temos como detê-los? Thomas nem sabia onde estava, pelo cheiro sabia que era próximo a baía, mas nem sabia se estava ainda na ilha, olha para a senhora a sua frente, pensa no que poderia dividir com ela e fala. — Sempre se tem como detê-los, a pergunta é se vale à pena! — Acha que eles teem o direito de nos matar? — Carrega um crucifixo no pescoço senhora, então é cristã, sua religião prega que Deus nos julgara no dia do juízo, qual a diferença de quando vai ser o julgamento? — Mas aquilo não parece obra de Deus! — Verdade, aquele ser foi legal, lhe deixou viva para contar a historia! — Para me passar por maluca, é isto que quer dizer?
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— Sabe que não foi ilusão, mas vejo que não adianta tentar trazê-la a lucidez! — E eu é que sou louca! Lídia sorri o homem falando em anjos e achando que ela que não estava lúcida. Sobre forte aparato de segurança, Thomas é transferido para Bangu I, com cobertura completa de todas as emissoras de TV do país, no momento em que o prisioneiro era transportado para a viatura, que o levaria para o presídio, é cercada por milhares de pessoas, que queriam que a justiça fosse feita, todos os policiais disponíveis, estavam tendo dificuldade de controlar a população enraivecida, a viatura em questão foi alvo de pedras e ovos e tudo mais que conseguiam achar pelo caminho. Após a dificuldade inicial, continuou-se a trajetória inicial, para o presídio de segurança máxima, mas ao se aproximarem do presídio, já a certa distância, puderam ver a quantia exorbitante de pessoas, em frente ao portão de entrada. Outra vez os policiais tiveram problemas, para conter o avanço da multidão, as coisas melhoraram após o portão se fechar, mesmo assim o som era ouvido por mais que se afastassem do local. Já dentro do presídio, Thomas foi acompanhado por dois policiais, até uma cela isolada onde foi posto, durante o caminho até lá, até os presos fizeram barulho, gritando ser contra a carceragem, de Thomas neste local.

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aquilo era bom ou ruim. Thomas olha para o rapaz na cela ao lado e fica na dúvida, se aquele seria um bom lugar para estar, em caso de ter problemas, para onde ele correria? No centro da cidade, Lídia chega há mais um dia ao serviço e ouve o Subtenente falar. — Pegamos aquele João, que trabalhava para os Guerra! — Onde ele estava? — Em casa, na favela na Rocinha! — Quero falar com ele! – deixando o celular sobre a mesa, acelera em direção a sala. — Vai com calma, não temos nem as digitais dele, no local daquela matança! — Mas a casa que Thomas estava escondido, era dos Guerra! — Não o encontramos na casa, lembra! Lídia para um instante pensando, seus olhos vão de um lado para o outro, fecha a cara e entra na sala, João a olha e pergunta. — Deve ser meu pesadelo! – João desanimado. — Por acaso você me conhece?

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– Ole, Olá!
Thomas se vê preso, mas sabia que em parte, para ele era uma boa coisa, mas para cidade não sabia se

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João sorri e fala. — Não, nem quero! — Afiado, acha que não temos provas, que te ligam as mortes no Teatro? — Que teatro? – João olhando em volta, tinha certeza que estavam gravando, nem que fosse para ver depois. — Acha que sai livre, depois de matar todo aquele pessoal? –Lídia. — Você sabe, tanto quanto eu, seu auxiliar e os demais que não fui eu, o que mais quer saber senhora? – João foi ao ponto, não estava querendo enrolação. — Saber como Thomas fez aquilo? — O senhor Thompson não fez aquilo, também sabe disto, estava como eu naquela guerra em frente à igreja, sabe que não foi ele, mas se for por este caminho, melhor eu ir para casa de novo! — Chama aquele lixo de casa? — Não sabe onde moro senhora, não adianta ofender assim! — O que é este Thomas Thompson? — Minha patroa achava, que ele era a resposta para o problema, mas não sei qual é o problema! — Aqueles seres, não seria o problema? – A moça olhando sério para João. — Acho que eles são a conseqüência, temos de saber o problema, para entender como deter algo acima de nossas leis! — Nada está acima de nossas leis! – Lídia provocando. — Então por que não os prendeu naquele dia, senhora?
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Lídia olha para a porta que se abre e vê o Chefe de Polícia entrar pela porta e olhar para João. — De que estão falando? — Ele diz que estava naquela praça, naquele dia das mortes, com as 25 pessoas com feridas iguais, e os demais mortos como se nem tivessem uma causa aparente para a morte! — Você estava lá? – pergunta o Chefe de Polícia. — Sim! – João olhando o Chefe de Polícia. — E por que não estava ao lado de Thomas? — Ele sabia que era uma arapuca e mesmo assim foi em frente! — Que arapuca? — O senhor Peres pediu a morte dele! — Quem é o senhor Peres? — Carlos Peres, morto outro dia no Teatro! – Lídia. O Chefe de Polícia sorri olhando para Lídia e fala. — Temos já a primeira coisa, o motivo, vingança! João ri, a moça olha séria para o Chefe e fala. — Acho que não entendeu senhor, aquelas mortes não existem, são mortes idênticas, a algumas que surgiram na cidade, mesmo antes dele chegar aqui, não temos como acusálo de retaliação, por algo que já estava acontecendo! — Mas pode ter sido contratado para isto! – Chefe de Polícia insistindo. — Se quer perder seu cargo com uma estória destas, senhor, pode levar à público, mas depois não reclama das consequências! – João.
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— E você o veria morrer e não faria nada? — Desculpa, mas eu não me enfiaria na frente de 25 assassinos armados, nem o mais experiente dos homens, sairia vivo daquela roda, se eu estivesse lá, estaria tão morto quanto os demais! — Acha que acredito em sua inocência? — Ninguém aqui é inocente, senhor, sabe disto, mas vim por bem, não existem provas contra mim, mas tem de decidir se encara isto, antes ou durante o carnaval na cidade! — Prenda-o! – Fala o Chefe de Polícia olhando para a Lídia, sabendo que cumpriria as suas ordens. — Depois não reclama! – desanimada ela sacode a cabeça negativamente e olha a porta que se abre. João, vendo um rapaz entrar pela porta e olhar para o chefe de segurança da cidade. — Senhor podemos conversar? — Quem é você? — CIA., apenas comunicando que estamos saindo da cidade, quando precisarem de ajuda, melhor não pedir! John olha para Lídia e fala. — Gente que planta armas em locais de crimes, estragam toda a verdade, pior, acabam gerando linchamentos, não compactuamos com este tipo de segurança pública! John sai pela porta e alguns homens o acompanham, o chefe da polícia olha para Lídia e pergunta. — Como eles souberam?

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— Eles teem meios, mas se quer ir por este caminho, depois não reclama, estava tentando entender, vou para casa, vou almoçar e depois ver quem morre na cidade! – Lídia irritada. Lídia foi cínica diante do superior, prender pessoas sem provas também não ajudava e ela sabia em parte, que o chefe estava protegendo alguns amigos, que suas digitais apareceram em espadas achadas, há alguns dia jogadas na baía de Guanabara. João preso, Thomas preso e outros 4 dias passam, sem comunicação, sem mudança alguma, mortes sem explicação, mas algo estava errado e João sabia disto, Thomas não estava preocupado, mas João sim. Thomas sonha todos os dias com Beatriz, parecia que sua ligação com ela se refizera, estava vendo o quanto ela lhe fazia falta, quanto ele se apegara ao emprego para esquecê-la, mas não tinha como esquecer alguém como ela, pelo menos ele jurava para si, que nunca a esqueceria.

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Em meio à ilha de Paquetá, surge no fim do dia de sexta, HAHAMIAH, olha para a ilha como se esperasse algo, olha distraído para cima, quando vê RAZIEL, príncipe dos Querubins, surgir ao seu lado. — O que lhe aflige irmão? — Quem é a moça? — Não sei, mas estou cheio de surpresas, começa por ela o julgamento! Beatriz estava distraída à praia, quando um menino surge ao seu lado e pergunta. — Acha que da conta deles? — Não sei nem o que vieram fazer aqui? — Julgá-la, escolheram este local, pois é onde você está! — Então o julgamento começa por mim? — Eles não teem como lhe julgar, já disse isto! Beatriz franziu a testa, olha o menino e fala. — Por que já fui julgada, mas por que eles não sabem? — Por que não foram eles que te julgaram, Beatriz! — E quem é você diante de Deus, que julga e escolhe quem e como as pessoas vão viver? — Apenas um servo do Pai!

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– Murro em Ponta de Faca

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O menino some, antes que ela pudesse fazer mais perguntas e Beatriz vê os demais seres surgirem às costas do que estava ali, a lhe olhar, os vê saírem pelas ruas julgando, às pessoas começam a cair mortas e o ser se aproximando, chega a sua frente e fala. — Quem é você moça? — Beatriz e você? – Totalmente calma. — HAHAMIAH, qual seu último desejo, antes de ser julgada? — Por que eu teria este direito, já que para os demais, não lhes foi dado este direito? – Ela olhando os corpos no chão. — Não sou de todo injusto, mas o que eles podem fazer, recusar o julgamento de Deus? — Sim, eles teem o livre arbítrio real, vocês não, mas não oferecem esta possibilidade a eles! — Eles são apenas seres em evolução! – HAHAMIAH olha para Beatriz e continua. – Mas você me parece bem mais, do que apenas uma pedinte na rua! Beatriz lhe estende a mão, o Querubim estranha. — HAHAMIAH, sou apenas um ser em penar, não deveria ser julgada, mas se quer me julgar, sinal que meu penar termina hoje! HAHAMIAH olha em volta, não entendera, seres em penar não estavam a terra sabendo quem eram, na maioria não estavam a terra e sim, em algum local do paraíso a penar. HAHAMIAH pega na mão de Beatriz, vê toda a sua vida, olha para ela e fala. — Você é o motivo dele estar entre nós! – Sua voz sai irritada.
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Se vê a impavidez nos olhos do Querubim, os olhos brilharem e uma luz tomar o corpo de Beatriz, que sente uma dor na altura do coração, fecha os olhos e lembra-se de Thomas, novamente abre os mesmos, HAHAMIAH ainda estava ali a olha-la, vê ele retirar a lança de seu coração, não sentiu dor, não sentiu paz, apenas o ser continua a sua frente a olhá-la assustado, ela ainda vivia, a cicatriz fecha assim como abriu e olha para ele. — Acho que seu Pai, acha que ainda devo penar mais! HAHAMIAH olha para os demais, uma dúvida lhe surge na mente e RAZIEL, sentindo a sua dúvida chega ao seu lado. — O que houve irmão? — Ela foi julgada e submetida a penar por estas terras irmão! — Mas por que fez isto? — Não fui eu, foi Belial quem o fez! Somente neste momento Beatriz soube, que o menino que lhe falava era Belial, fora ele que a julgara e mandara ao penar, não entende por que, mas os dois Querubins parecem esquecerse dela, ficando discutindo alto um com o outro. —§— No presídio João pede para ver Thomas, ficara preso um dia, depois por falta de provas o soltaram, agora estava tentando soltar Thomas, mas a opinião pública queria linchá-lo, engoliram a estória do secretário de justiça. — O que faz aqui João? – Thomas. — Hoje é sábado para eles, esqueceu?
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— E por que veio aqui? — Estava lendo e quero saber, como escapo desta morte, você sabe, pois alguns amigos seus sobreviveram, a olhar para estes seres! Thomas olha para o lado e João estranha. — Tem mais alguém aqui? — Sim João, mas chegou agora! – Fala olhando para Dalton – O que houve? — Regras que não entendo Thomas, RAZIEL autorizou HAHAMIAH a julgar novamente, a moça que conheceu recentemente! — Mas por que então está aqui? – Thomas. — Eles ao tentar julgá-la, descobriram que ela já fora julgada anteriormente por Belial, uma briga vai surgir aí Thomas! — Quem vai se apresentar a guerra? — Não sei, mas espere confusão! Você vira alvo por ser protegido dele, não esquece! Thomas olha para Dalton sumindo e depois olha para João. — Sai daqui João, enquanto pode! — O que vai acontecer? — Não sei, mas desconfio ter sido usado, para que algo maior se desencadeasse na cidade! — Mas não pode ficar preso! Thomas olha sério para o guarda e fala. — Tira ele daqui, não quero falar com ninguém! — Ele não entende inglês! – João

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— Então some, por favor! – Thomas encostando João na parede, os policiais vieram rápido e separaram eles. No centro da cidade, o menino anda calmamente, quando vê um outro menino lhe parar! — O que quer RAZIEL? – Belial. — Uma guerra, não pode julgar, deveria se contentar em olhar, não vou deixar você prejudicar os seus novamente! — RAZIEL, não lhe devo satisfação, colho minhas escolhas! — Mas vamos acabar com você, com os seus e com seus desmandos! Belial volta a sua aparência normal, vendo uma multidão de Querubins às costas de RAZIEL, sabia que os demais deveriam estar por ali, mas não os via, pelos olhos de seu irmão, Belial vê os antigos aliados surgirem as suas costas, RAZIEL sente que era chegada à hora da batalha, que não viveram há 3 mil anos, olha para os seus, meio temeroso, sabia que seu Pai, não lhe dera autonomia para a guerra, mas sim para julgar os primatas. — Por que quer esta guerra RAZIEL? Você foi o que mais ganhou com este desentendimento? — Não quero a guerra, mas não posso deixar que você dite as regras! Gabriel surge ao lado dos dois e fala. — Que tal nos acalmar-mos? — Gabriel, até você aqui? – Belial estranha. RAZIEL olha no sentido do som e pergunta. — O que o pai acha disto irmão?

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Os três ouvem do outro lado, de frente a Gabriel as palavras de Michael. — Ele não se envolvera em nossas lutas, ele autorizou o julgamento RAZIEL, todos que se colocam contra, estão contra o Pai! Eles estavam no meio da Praça XV, região das balsas. Belial olha na altura dos olhos de Michael e fala. — Michael, meu irmão, esta discussão é entre Querubins, se quer meter-se, depois não reclame se vier a interferir em sua cidade! — Não se atreveria! – Michael. Belial não responde, fez o mesmo com cada príncipe, olha novamente para RAZIEL e fala. — O que falávamos mesmo? — Quer mesmo seu lugar de volta, sempre desconfiei! — Não quero o que não existe RAZIEL, mas não sou de fugir a uma discussão, às vezes até fujo de uma boa briga, mas nunca de algo que mostra o erro dos demais! Os demais príncipes foram retirando os seus seres, Belial olha para trás e apenas os Querubins ficaram ali, os demais entenderam que não era hora de interferir. No centro da cidade, à noite avançando e os querubins cada vez mais visíveis, Belial fez uma espada com a pequena vela que tinha a mão e vê RAZIEL avançar sobre ele, a energia das duas hastes de energia se tocando, fez um deslocamento violento de ar, os Querubins fixaram suas garras ao chão para não serem afastados, mas uma balsa que encostava vinda de Niterói, desmancha-se ao contato com tamanho impacto de energia e começa a afundar, enquanto Belial e RAZIEL
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lutavam, muitos lutavam por suas vidas nas águas da baía, a luta dos dois era assistida, mas não demora muito para outros querubins começarem a se digladiarem, enquanto lutavam, se deslocavam a oeste, passando por debaixo do Viaduto Juscelino Kubitschek, este começa a ruir, andavam se digladiando e derrubando tudo no caminho, as pessoas a rua só viam as luzes, os clarões e a destruição, mas se passavam por prédios com figuras como leões na fachada, estes ganhavam vida e avançavam também sobre os humanos, que estavam tentando se esconder. Chegam à altura do Museu Histórico Nacional, Belial pega RAZIEL pelo pescoço e arremessa sobre a fachada do prédio, que racha com o impacto, RAZIEL levanta-se e olha para os seus e fala. — Esqueçam estes aí, eu cuido de BELIAL, quero a cabeça de Thomas Thompson! Os Querubins viram que RAZIEL, usa a frequência de Deus para falar o nome de Belial, este olha sério para RAZIEL e pergunta. — Acha mesmo que ele vai intervir? – BELIAL olhando firme nos olhos. — Não, estou apenas informando, que ainda lhe acho um irmão, BELIAL, mas não me nego a fazer o que o Pai pede! — Mas baixa a cabeça para estes macacos! – Belial. — Sim, mas aprendemos com ele, o que nosso Pai gosta nestas criaturas, assim como em outras, ele pode destruir uma multidão de seres, mas não vai extinguir algo, pois ele sabe o que virá, pois a criação só precisa de tempo para evoluir e tempo para ele não é problema!
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Belial olha para RAZIEL distraído e tenta acertá-lo, o mesmo desvia e empurra violentamente Belial sobre a entrada do prédio, este desaba sobre Belial, RAZIEL fica olhando para Belial se erguer. —§— No bairro de Bangu, a Capitã Lídia chega para ver o prisioneiro Thomas, era noite, já fica sabendo na entrada, que Thomas pôs João para fora, pede apenas para ficarem de olho, vai calmamente a cela dele, a informação de destruição no centro da cidade, ainda não havia chegado a ela. Na entrada do presídio, numa imensa luz surgem ao mesmo tempo vários Querubins, cada qual levanta sua vela, de onde filetes de luz se materializam, os guardas da guarita de segurança, vendo aquelas luzes estranhas, dão o alerta de invasão. Todos ao mesmo tempo, o grupo de 8 Querubins, toca na parede com seus filetes de energia, em 8 pontos diferentes, a parede naquele ponto se desfaz, HAHAMIAH a frente abre suas asas e os indivíduos no interior do presídio, veem primeiro o muro externo desabar, depois aquele ser abrindo suas asas. Lídia estava esperando Thomas, quando um rapaz entra pela porta e fala alto. — Algo derrubou o murro ao norte! Lídia olha para ele e pergunta. — Como assim algo? — Um ser de asas! Thomas era trazido pela porta neste exato momento e olha para a moça e fala.
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— Péssimo lugar para estar hoje, Capitã! A maioria não entendia o que ele falava, mas ela olha sério para Thomas e pergunta. — O que vem a nós? — A nós não, a mim, alguém querendo me matar! — Anjos? – Ela pergunta. Thomas olha para o rapaz, que viera dar a notícia e este fala. — Se aquilo é um anjo, não quero ir ao paraíso! Thomas sorri e fala. — Querubins, com certeza! Ouvem mais um estrondo e ela olha para o policial e fala. — Tem alguma saída por aí? – Mostrando no sentido em que eles vieram. — Não, apenas a detenção! Olha para Thomas e pergunta. — Para onde iremos? Os policiais estranharam, mas como não entenderam a pergunta, eles ficam esperando a moça falar. — Onde tem uma capela? – Thomas pergunta ao policial. — Não é hora de orar! – Ela olha séria para ele e traduz para o guarda. — Na direção do som! – O guarda a porta. — Vamos lá! – Thomas — É loucura! Avançam por um corredor e veem um dos prédios, cheio de condenados virem ao chão de vez, olham-se assustados, Thomas tentava não parecer assustado, mas tremia por dentro.
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— Por que lá? Thomas vê na outra extremidade do pátio interno um Querubim e olha para o guarda. — Onde? A moça traduz e ele assustado aponta o local, um lugar bem pequeno, os policiais nas guaritas atiravam sobre os seres, mas estes não pareciam sentir nada, as balas apenas os atravessavam. Thomas entra na pequena capela, vai à frente e olha em volta, não acha uma vela sequer, olha para a moça e pergunta. — Não tem vela nesta capela? — Para que quer uma vela? — Tem ou não tem, se não tiver, temos de sair rápido! — Tem vela nesta capela? – Ela pergunta para o policial. Os dois olham para o rapaz, que vai a um canto e pega uma vela, das pequenas e fala. — Não sei no que está pensando Capitã, mas deveríamos estar saindo daqui e não procurando por velas! Thomas entende a frase e fala. — Isto ele tem razão, mas não tenho como fugir, eles virão atrás de mim para onde for! A capitã olha os rapazes e fala. — Boa sorte a todos, mas evitem cruzar no caminho destas coisas e nem adianta atirar, fujam! Os rapazes saíram e ela olha para Thomas. — O que está acontecendo? — Uma Guerra entre Querubins! — Você é um Querubim? – Pergunta ela.
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— Eu não, eu sou a causa da guerra, se eles virem atrás de mim, sinal que RAZIEL não quer brigar com Belial! — Você sempre fala por enigma? – Pergunta ela soltando as algemas dele. – Mas se comporte! Thomas pega a vela, se concentra e a moça vê aquela haste de luz se formar, olha para a moça e fala. — Melhor ficar no fundo! – Olha na direção do pequeno altar. – Atrás do altar deve ser seguro! Lídia odiava parecer fraca, mas resolve não discutir, vê Thomas girar a espada a frente do corpo e depois a atravessa a porta da frente, estava aprendendo a lidar com ela na prática, vê o rombo na porta. Vendo que HAHAMIAH se aproximava, olha para a mão e o filete de luz, volta à forma de vela novamente, pega outra vela e põe no outro bolso, vendo o Querubim entrar na pequena capela, acompanhado de outros Querubins. — Acha que não entramos em capelas? – Ri o Querubim. Thomas não fala nada, olha para os demais se aproximando, estavam na forma de Querubins, não na de meninos. — O que quer HAHAMIAH? – Thomas pergunta para o Querubim. — Sabe quem sou? — Um Querubim, mas por que veio aqui, matar estes inocentes? O Querubim olha para trás e fala. — Nada que vá fazer falta! — Acho que um dia, terão de aprender o significado da palavra Morte, para darem valor à vida! – Thomas.

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— Acha que viemos conversar? – Fala o Querubim armando o seu filete de luz. Thomas pega a vela com a esquerda e fala. — Quer mesmo me desafiar HAHAMIAH? Os demais riram, mas quando Thomas olha para a mão e seu filete de Luz se forma, HAHAMIAH olha desconfiado, Thomas pega a outra vela e um segundo filete de Luz se forma, gira eles no ar, lembra das aulas de esgrima na academia, olha para o Querubim e fala. — Acha, que se me matar fosse fácil, já não estaria morto? HAHAMIAH olha sério e pergunta. — O que você é, um Querubim? — Não HAHAMIAH, eu vejo Querubins, almas, Anjos, Arcanjos, Serafins, então não sou apenas um Querubim! – Thomas estava jogando com as palavras, pois tinha apenas aquela porta para sair. — Mas o que você é? — Quando souber, conto a vocês! Os Querubins ficaram na dúvida, mas viram HAHAMIAH avançar sobre Thomas, que desvia ele com o filete de luz, o Querubim era rápido, Thomas sente o filete passar por seu braço, a queimadura doeu, mas Thomas olha sério para o Querubim, que olhava seu braço pensando, que Thomas era de carne, então era mortal, mas vê a queimadura fazer uma casca e cair em segundos, avança novamente e Thomas bloqueia o filete de energia de HAHAMIAH com os seus e o empurra para trás, Thomas se surpreende com a força, mas não pretendia ficar ali brigando eternamente, guerras entre seres assim demoram a eternidade.
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Thomas passa o filete na parede abrindo um buraco, indica para Lídia sair por ali e fala. — Vai indo, já lhe alcanço! Lídia sai sem olhar para trás, o Querubim tenta avançar mais duas vezes, Thomas consegue empurrá-lo sobre os demais e aproveita a confusão para sair pelo buraco, corre pelo campo interno, abrindo caminho, chega ao muro do fundo onde Lídia estava encostada, sem saber para onde ir, vê Thomas girar aquele filete de luz e abre um buraco no muro, outros vendo que havia uma saída, começaram também a sair por ali, Lídia vê que Thomas apenas indica o caminho, não sabia ao certo onde iria parar, mas não era hora de pensar nisto. Anda no sentido de Padre Miguel por duas horas, estava amanhecendo quando os dois se olham, Thomas põe as velas no bolso e senta-se a calçada. — Isto é maluquice demais para mim! – Thomas desanimado. — O que você é? Vi que nem eles acreditaram no que fez! — Não sei, estou em uma historia maior que minha própria existência, mas acho que alguém desconfiava, que isto pudesse acontecer! — Quem? — Belial! — Quem é este Belial que eles tanto falam? — Vocês conhecem por Lúcifer! — Você é maluco! — Moça, eu vim para a cidade e a primeira coisa que descobri, ainda no aeroporto de Los Angeles, é que iria me

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deparar com Lúcifer na cidade do Rio de Janeiro, não me acho um maluco, pois malucos teriam saído correndo! — Mas e aquele truque com as velas, como faz? Thomas olha para a moça e sorri achando graça no termo ―Truque‖.

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Os bombeiros estavam resgatando as pessoas na Baía de Guanabara, alguns vivos, alguns mortos, quando Jonathan chega irritado e olha para o seu auxiliar e pergunta. — O que aconteceu Marcos, por que me acordaram? Marcos sorri, só Jonathan para querer aparentar que as coisas estavam normais, diante daquela bagunça. — Não sei Jota, mas já tiraram 35 mortos da baía, pelo menos conseguiram salvar a maioria, mais de 400 pessoas estavam na balsa na hora! Jonathan olha para o viaduto da Juscelino, olha em volta e pergunta. — O que passou por aqui? — Nem ideia Jota, se olhar, o prédio de venda e controle, se despedaçou, o choque disto foi transferido para a balsa, que parava naquela hora, o cais se desfez, no tranco a balsa foi jogada para trás, por mais de 200 metros enquanto se desfazia, as testemunhas dizem que tudo ruiu, como se estivesse se desmanchando, algumas pessoas que já estavam no cais, foram jogados a mais de 500 metros, para dentro da baía, estes foram os que mais morreram, pois aparentemente, bateram numa grande velocidade contra a água e desacordaram! — Mas sabem a causa?

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– Boi Voador Não Pode

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— Não sabemos nada ainda, estamos recolhendo material, mas algo capaz de abrir um rombo de 300 metros no viaduto, os vidros dos prédios da Praça XV, todos estouraram, tem portas e janelas soltas em toda a praça, tem monumentos históricos em pedaços! — Como foram as mortes no viaduto? — O mais grave foi um ônibus, que não viu que não existia mais o viaduto e desabou com tudo! — Deveria querer chegar logo no ponto, chegou ao céu antes! — Isto não teve graça Jota! Jonathan não fala nada e olha em volta. — Por que me parece tudo fora do lugar? Marcos ri e fala. — Quando ouvir os depoimentos, aí vai entender a encrenca! — Tem bomba? — Tem gente dizendo que seres horríveis, demônios estavam brigando na rua, que tudo isto foi causado por eles! — O carnaval nem chegou e já estão bêbados? — Sério Jota, o que aconteceu aqui, se arrastou até a frente do Museu Nacional, lá sobrou pouco, os bombeiros ainda estão apagando o fogo! — Lá se foi meu fim de semana com a família! – Jonathan pegando o telefone e liga para a esposa, explicando que teria de adiar para a semana seguinte, teria trabalho sério, Jonathan desliga o telefone e fala para Marcos. — Se casar um dia, mude de emprego! Jonathan olha o pessoal chegar e fala.
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— Isola a área, vamos apoiar os bombeiros, mas isolando onde eles não precisam usar, vamos fazer um pente fino, quero descobrir o que aconteceu aqui! Jonathan não estava preparado para aquilo, quando começaram achar a estátua da Praça XV em frente ao Museu, com a espada enfiada em um pedestre, não havia como explicar. Cabeças de gesso, soltas em toda parte, pinturas das paredes sem os personagens, até cartazes na rua sem as pessoas, apenas os fundos, parecia tudo bem montado, mas Jonathan não tinha respostas, apenas muitas perguntas. Estavam terminando quando Marcos fala. — Temos 79 mortes estranhas em Paquetá, mas o principal, temos o 3 prédios de detenção do Complexo do Bangu, que vieram ao chão com 4 muros divisórios, está um terror, para onde quer ir primeiro? — Não sei, para casa, não posso relatar que a estátua de Dom Pedro I, matou um pedestre em frente ao Museu Nacional! — Não entendi aquilo, mas na verdade não entendi nada deste acontecimento! — O prefeito deve estar dando pulos, esta é uma ligação importante da cidade, pelo que vi, terá de implodir mais duas divisões e refazer, mas isto é trabalho para um ano, não para 15 dias, fechando um dos acessos ao Aeroporto Santos Dumont, que é o maior fluxo de turistas da cidade! — Vamos para onde? — Presídio, se vai dar mais trabalho, manda recolherem os corpos em Paquetá, vamos ao que não dá para deixar para depois!
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Os dois se direcionam a região de Bangu, atravessando a cidade. —§— Thomas ainda estava sentado, quando vê distante, no começo da rua, dois seres na forma de meninos, olhos azuis, olhavam todos à rua, parecendo procurar algo, olha para Lídia e fala. — Vamos, ainda não acabou! — Como não? — Quer morrer, é só ficar! — Por que morreria? — Você viu um ser alado, entrou na lista dos seres a serem julgados, quem manda estar lá! — E para onde vamos? Thomas vê a igreja à frente deles, do outro lado da pequena praça, olha coisas estranhas saírem pela porta, à moça olha aquilo, estátuas mudando de forma, crescendo, o busto a frente da igreja olha para ela, para Thomas e olha na direção dos meninos: Thomas levanta-se rápido e começa a correr pelas ruas, no sentido oposto a que eles vinham, as pessoas assustadas se afastavam, os meninos estavam calmos na aparência, mas Thomas estava atravessando o Bairro de Padre Miguel, olha para ela e pergunta. — Tem um telefone? — O que quer? — Sair daqui, não vamos escapar deles a pé!
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A moça estava na dúvida do que fazer, quando passam para o Realengo, estavam andando pelas ruas a passos acelerados, às vezes correndo, Lídia para e olhando para ele pergunta. — O que acontece se não conseguirmos fugir? — Nada de mais, você será julgada, pena máxima, renascer! — Mas não quer isto? — Não sou de fugir, mas algo me diz que eles vão tentar me matar, ou me fazer penar, o que quer dizer, não vou renascer, vou perder a chance diante do futuro, apenas para observar, ou esperar o fim dos tempos! A moça entrega o celular e Thomas se esforça um pouco, tentando lembrar na pressa o número de João, liga e fala. — João, onde pode nos ajudar? — Onde está? Thomas olha para a moça e pergunta onde estavam. — Realengo! — Ponto de referência? – Thomas. A moça não parecia estar pensando. — Tem uma faculdade a frente, tem um campo de futebol no campus! – fala olhando meio perdida. — Que faculdade? A moça parece meio em transe, mas fala. — Avenida de Santa Cruz, Universidade Castelo Branco! João disse que em 15 minutos na praça, mas que era para estarem lá. Thomas e Lídia continuaram a caminhar, estavam quase na universidade, quando Thomas olha a sombra que se fez sobre eles, sobre as árvores, olha para trás e vê um grupo de seres
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alados voando, os procuravam olhando para todos os lados, para com Lídia em baixo de uma árvore com mais galhos. — Pelo jeito vamos ter de resistir, até a hora que João chegar por aqui! — Vai fazer o que? — Não sei ainda! Vai entrando, rápido, se lhe virem será julgada! Lídia não entende, mas vê Thomas pegar as velas do bolso, e correr para frente da Universidade, havia um espaço um pouco mais aberto, onde haviam carros estacionados, que abaixo das árvores, os seres começaram a olhar para o brilho, do instrumento de corte a mão de Thomas, ele não sabia de onde vieram aqueles seres alados, mas passa a haste cortante ao ar, ficando de frente para os seres, havia cortado uns 10, que após cortados, caiam na forma de origem, às vezes gesso em pedaço, mas Thomas corta um e vê a grande águia de prata cair sobre ele, ele se esgueira com dificuldades da águia, no arrastar-se deixa uma das velas cair no chão, sem notar quando sai de baixo, só vê um menino a sua frente, enquanto olha para o menino, sente algo lhe agarrar pelo ombro e começar a subir, começa a ver as casas cada vez mais longe, o chão cada vez mais distante, vê o helicóptero ao fundo chegando, pensa no que faria, estava muito longe do chão quando sente o ser lhe soltar. Thomas vê o ser se afastar com um sorriso e começa a sentir o corpo cair, não queriam julgar, estavam querendo matá-lo, o deixar esperar o julgamento final, Thomas sente o corpo acelerar, abre os braços, solta a vela, vendo que o chão se aproximava, segundos onde a lembrança de Beatriz lhe fez sorrir, depois do sorriso lembra de uma frase.
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—―Sabe que não é apenas um ser normal, mas apenas vendo suas asas, saberá quem é‖! Thomas olha para ele mesmo, pensa se era possível, por que não seria, tudo o que vivia era uma experiência, mas o corpo acelerava. Lídia que atravessara a faculdade, passa por uma passarela de divisa, com a rua dos fundos, olhava para cima, via Thomas desabar, parecia que em poucos segundos, ele chegaria ao chão, parece que cairia no centro do campo de futebol. Thomas lembra da frase de Dalton ―Eles vão tentar julgá-la, quando descobrirem que ela já foi julgada anteriormente por Belial, uma briga vai surgir aí Thomas‖ e algo lhe passou quase como certeza a mente, mas teria de acreditar, olha para o chão, abre os braços um pouco mais e sente o ar, imagina as asas. Lídia que estava no chão, olhando de um lado o helicóptero chegar e do outro Thomas desabar, vê as grandes asas brancas surgirem e ele apenas planar no fim e parar na sua frente. Os Querubins à volta, olham para aquilo e meio sem ação, pegos pela surpresa, não eram feitos para coisas simples como a surpresa, pois para eles não existia improviso, era tudo muito bem calculado, ficaram sem ação. Thomas abaixa os braços e Lídia vê os braços dele voltarem ao normal, sem palavras, assim como os Querubins. Nestes segundos sem ação, Thomas e Lídia sobem no Helicóptero e João pergunta. — Para onde? — Cemitério dos Pássaros, Paquetá! – Thomas. João dá as coordenadas, tinham um heliporto na ilha e de lá seria fácil chegar ao cemitério.
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—§— Jonathan e Marcos chegam a Bangu, avançam pela estrada Guandu de Sena, passam pela administração do presídio e pegam a Muniz Sodré e se deparam com os carros do corpo de bombeiro, a polícia local estava separando o pessoal, Jonathan e Marcos se identificaram e o rapaz fala. — Melhor irem a pé! A cara de Jonathan foi tão feia, que Marcos tira sarro. — Não liga para à careta senhor, ele é sempre animado assim! Jonathan fecha a cara de vez, estacionaram o carro e começaram a caminhar, passando pelos 3 e pelos 4 e se deparando com Bangu I ao fundo, olham e Jonathan fala. — O que aconteceu na cidade está noite, estamos no meio de uma guerra? Marcos pega a máquina e começa a tirar fotos, Jonathan chega perto e fala. — Vamos ter de investigar com calma aqui, o que é capaz de derrubar um prédio assim? — Não sei, mas vou pegar mais coisas no carro! – Marcos. — Explica para o rapaz o que precisaremos e tenta entrar com o carro! Marcos concorda e olhando em volta fala. — O que derruba um muro mandando destroços a que…? Estamos a 600 metros do muro?

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— Não sei ainda, mas se reparar, boa parte da destruição seguiu uma linha, pergunta para o rapaz quem escapou e por onde? — Vou pedir que um deles nos relate o que sabe! Marcos volta para o carro com calma, olhando os estragos feitos na Penitenciária. —§— Às vezes Thomas perde o chão, mesmo com todos olhandoo como alguém especial, ele estava perdido, sem saber qual seria o seu próximo passo, começava a achar que algo maior guiava seu caminho, Lídia olha para ele, desembarcando em Paquetá. — O que você é, faz de velas armas, tem asas, o que você é? Thomas não responde, olha para João e pergunta. — Algo me passou pela mente e preciso fazer, teria como me ajudar? — O que precisa? — Álcool, mirra e que me leve a três pontos na ilha! — Quais? Sei que quer ir ao cemitério dos pássaros, mas o que pretende fazer? — Parar a guerra entre Querubins! — Não entendi? – Lídia. — Às vezes, temos de colher as consequências, depois disto sei que vou precisar de tudo que tiver, mas tenho de parar a guerra entre eles! João olha para Thomas, pega o celular, disca e fala.
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— Pedro, já está na ilha? — Sim! — Nos pega na Praça Augusto Silva! — Muita gente? — Só 3 além de você! Thomas olha para João, estranha ele parecia saber que iriam para lá de novo, mas não era de desconfianças infundadas. Caminharam por uma trilha, até a pequena praça, todas as praças de Paquetá eram minúsculas, lá Pedro já esperava com uma charrete, olha os demais, Lídia sorri, entraram e foram na direção do Cemitério dos Pássaros, Thomas olha para o fundo da charrete, Mirra e Álcool, sorri, a senhora Guerra deveria têlos deixado em alerta, mas não falou nada para ele. Thomas entra no pequeno cemitério, olha em volta, ele via milhares de almas, olha para o céu, muitos se aproximaram, ele estranha, pois alguns pássaros vieram juntos, olha para João e pergunta. — O que entende disto? — Somente o que Dona Glória falava! — E o que ela falava? — Para nunca vir a discutir com Querubins, eles poderiam lhe garantir um futuro nebuloso, por muito tempo! — O que ela queria dizer com isto? – Thomas. — Ela dizia, eu não acredito muito nisto senhor, sou Evangélico! — Certo, o que ela dizia? — Que eles transformavam almas humanas, em almas de pássaros, então eles renasceriam pássaros e uma vez renascido pássaro, não voltariam nunca a ser humanos!
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Thomas sorri e olha para Pedro, depois fala com João, que foi traduzindo o que queria para Pedro. — Pega o galão de mirra e o de álcool e mistura 50/50! — Para que? — Depois que fizer, pega a mistura e dá uma volta inteira…. – Thomas olha que o cemitério da cidade estava encostado no dos pássaros. –… nos dois cemitérios derramando esta mistura, não precisa muito, apenas uma linha bem tênue! Pedro sorri e pergunta. — É bruxaria? — Não, é proteção contra Querubins! – Thomas explica. João não entende, mas faz sinal para Pedro fazer isto, Thomas olha em volta e pensa em como poderia reverter tudo isto, estende a mão e toca em um pequeno pássaro que lhe veio à mão, sente o medo do espírito. Thomas vê que havia um pássaro que acompanhava de longe, teria de haver outra forma de fazer isto, ou uma forma de reverter tudo aquilo. Thomas senta-se em um canto, tinha de pensar, fica ali a meditar, sem saber exatamente o que iria fazer, mas precisava pensar. Pedro veio depois de quase uma hora e Thomas olha para Lídia e fala. — Você não sai do cemitério! – Olha para João e fala. – Nem você! — Por quê? – João. — Tenho de ter algo para barganhar, mas se saírem eu não poderei ajudá-los! — Certo, mas o que vai fazer?
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— Ainda tenho de saber exatamente o que fazer, mas temo ter problemas! — Por quê? – Lídia. Thomas tinha tantas dúvidas, mas vendo os pássaros cada vez mais próximos, pareciam saber que dentro do cemitério estariam protegidos, uma remessa de espíritos começa a sair dos túmulos, era como se antes estivessem escondidos, mas Thomas queria fazer direito e para isto precisava fazer duas coisa. — Pedro,…. – se tocou que ele entendia pouco o que ele falava. —… João, eu vou precisar que Pedro me leve a dois lugares, a ponte da Saudade e no monumento aos Pescadores Mortos! — O que pretende fazer? — Forçar um renascer dos demais, depois… – Thomas olha para os céus. –… que Deus me proteja, pois acho que vou precisar! Thomas abaixando-se pega uma vela no chão, que fora colocada ali em homenagem e que não queimara. João explica para Pedro e os dois saem de charrete na direção da praia da Guarda e pegaram a direita assim que chegou à beira mar, na direção da Ponta da Pedreira, onde fica a Ponte da Saudade, tem este nome, pois um negro, com saudades de sua amada, toda noite ia a ponte orar, para os orixás que lhe levasse para perto de sua amada, em uma noite todos ouviram um grande estrondo e um clarão na ponta daquela ponte, que era apenas um cais onde se atracavam os navios negreiros, que ficavam 40 dias de quarentena, antes de entrarem na ilha, na pequena ilha lateral, a de Brocoió, mas

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depois daquele dia, nunca mais se viu o negro, ele era chamado de João Saudade, ou João de Benguella. Pára a uns 60 metros da ponte, Thomas olha para Pedro e aponta um dos barcos a praia e o rapaz entende, fala com um pescador, que lhes deu carona até um local específico, não existia nada ali. Há muitos anos, houve um cais, mas não existia mais nada ali, Thomas toca na água pensando no ser de energia, que vira em frente à fonte de São Roque e vê a moça surgir a sua frente, os demais não a via. — Teria como ver, onde escondem as almas dos negros? – Thomas. — Disse que era especial. – A moça fala sorrindo. Thomas a vê tocar a água, os dois ao barco viram tudo em volta mudar, embora parecesse passado, era uma névoa bem rala, de uma visão do passado, o pescador se assustou ao ver o ser no barco, mas Thomas fez sinal para ele encostar ao cais, onde havia pelo menos 3 navios negreiros. Thomas desce, não era um ano específico, era uma prisão de almas, olha para os navios e olha para o céu, sabia que não adiantaria apelar para Gabriel, então olha ao céu e fala. — Michael, está por aí? Pedro e o pescador recuaram ao ver um ser descer do céu, eles estavam amedrontados no barco, enquanto Thomas estava no cais, olhando para o ser que se apresentava. — O que quer Thomas? – Michael olha em volta e pergunta. – Onde estamos? — Uma boa pergunta, onde estamos? – Thomas responde com outra pergunta.

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O Anjo olha em volta, fecha os olhos e parece cheirar o ar, sentir o tempo, olha em volta e fala. — Achou uma prisão de almas, está me surpreendendo Thomas! — O que é uma prisão de almas? — Um local onde almas ficam retidas, para que não renasçam, mas poucos seres alados tem conhecimento disto! Thomas pensa em Belial, sente que mesmo Michael não lia mais sua mente, estava estranhando isto e fala. — Como os libertarei Michael? — Não posso intervir neste lugar, se chegou aqui, tem que destruir o local! — Como faço isto? Michael deu de ombro e some da frente, Thomas olha para o ser no barco e pergunta. — Como? — Terá de libertar os navios! — Mas eles navegarão pela eternidade inteira? — Não, eles são presos ao cais, assim que os navios saírem das divisas do cais, tendem a aparecer no mundo real, uma vez lá, eles são livres para tocar suas mortes! — Mas eles terão de esperar o fim dos tempos? — 99,9999% esperam Thomas, qual a diferença? Thomas pega a vela na mão e esta se torna uma haste brilhante, ele desce com força nas amarras de cada um dos navios, se vê os mesmos apinhados de almas negras. O primeiro começa a se afastar e depois de uns 100 metros, some, faz o mesmo com os outros dois e olha para Pedro, que olhava espantado, a vela voltar ao normal.
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— Let´s Go! Mesmo Pedro entende, vê Thomas entrar no barco novamente e o ser tocar no mar, Pedro e o Pescador viram primeiro os navios sumirem, depois, viram o ser sumir e os navios reaparecerem flutuando perdidos na direção de Paquetá, outros pescadores a praia, olhavam admirados os 3 navios negreiros a flutuar ali. Thomas fez sinal para o Pedro, dizendo que os navios eram do pescador, que parece não entender, mas sorri. Voltam à praia e Thomas começa a caminhar no sentido da charrete, embora Pedro falasse muitas coisas, ele não estava entendendo nada. Atravessam a ilha na diagonal e se deparam com a pedra, que era homenagem aos pescadores mortos. Thomas não sabia bem o que cada lugar significava, estudando a ilha chegou a estes locais, mas não tinha certeza do por que deles. Pedro olhava Thomas, às vezes não entendia o que estava acontecendo, mas vê a cara de surpresa, de encanto do pescador, pensa na possibilidade de existir algo realmente especial naquele senhor, que parecia mais jovem do que a primeira vez que o viu, mas agora parecia ter parado de rejuvenescer, olhava para o senhor quando vê ele lhe olhar e falar. — Não me entende mesmo, mas… – Fez sinal com as mãos para ele dar uma volta e apontando o relógio, mostra um dedo esticado e Pedro fala. — Uma hora?

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Thomas concorda e o rapaz sai a andar pela rua beirando o mar. Os olhos dele estavam olhando em volta, quando vê a moça sentada ao longe, caminha até ela e senta-se. Como saber o que queria, ela poderia não ser quem achava, e isto poderia magoá-la, mas não poderia ficar com dúvida, não agora no meio do caminho. Beatriz olha Thomas e sorri. — Voltou? — Posso fazer uma pergunta estranha? — Faz, posso não responder se não souber? Thomas balança a cabeça e pergunta. — Por que me disseram, que já foi julgada e condenada a penar, como aconteceu? As memórias de Beatriz foram a um hospital muito longe dali, ela vendo seu marido chorar e bater do botão a parede, desesperado por que ela havia parado de respirar, vendo os enfermeiros entrar e começar a fazer o que podiam, mas lembra do menino surgir ao seu lado e perguntar. — Sabe o que está acontecendo Beatriz? — Sim, eu morri e agora, quem é você? — Um servo de deus! O menino olha os olhos de Thomas e pergunta. — Ele pelo jeito lhe amava? — Ainda ama, não o conhece, é alguém que leva as coisas até o fim! — Me disseram ser um grande ser, mas Beatriz, estou aqui em nome de Deus e lhe foi dado a chance de concertar seus erros, renascendo longe daqui!
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— Longe quanto? — Não importa, poderia ser ao lado, mas não se lembraria dele! Beatriz lembra do menino lhe dar a mão e surgir as ruas do Rio de Janeiro, sem entender o que as pessoas falavam a rua, se viu uma menina, sem saber o que fazer, foram horas difíceis, mas não lembrava de nada, até poucos dias, quando tocou em Thomas e parece que suas memórias se refizeram, não entendia o que acontecera, mas estava ali, diante do amor de sua vida. Beatriz olha para Thomas e fala. — Não sei quem poderia lhe contar isto, Thomas? — Um espírito, um amigo, Dalton, morreu a alguns dias em Los Angeles, ele aparece às vezes para me alertar das coisas, mas não entendo qual o estado de um espírito, que morreu e esta diante de mim para me ajudar! Beatriz lembra de Dalton e pergunta sem perceber. — Dalton morreu de que? Thomas para diante da pergunta, surge algo tão direto que sua cabeça quase lhe deu a certeza, mas responde. — Ele viu um Anjo, pela regra, morreu por isto! — Então ele não foi julgado, foi analisado, quem vê os anjos, ou seres alados, podem não ser anjos, não são julgados, são analisados, podem até sobreviver à análise, se forem mais úteis vivos, mas serão instrumentos de Deus em suas vontades! Thomas olha para ela e pergunta. — Por que você me lembra alguém? — Como posso lembrar alguém, nunca conheceu este rosto! – Uma lágrima foge dos olhos de Beatriz.

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— Mas almas se identificam, não são carne, algumas são partes de um único ser, não tem como não se identificar! Beatriz olha para Thomas, com uma lágrima lhe descendo pelo rosto e fala. — Não pode confundir as coisas Thomas, sua missão é muito grande, não se distraia, ou eles acabam com você! — Mas me esperaria retornar…? – Thomas tenta falar o nome de Beatriz, mas não consegue, uma lágrima lhe corre pelo rosto. Beatriz levanta-se e fala sério, enxugando as lágrimas. — Tem de ser forte Thomas, não pode ser fraco nesta hora! Beatriz olha ao longe e fala. — Melhor eu ir! Thomas olha para onde ela olhava, vê um grupo de Querubins vindo em sua direção e se distrai por um momento tentando identificá-los, quando se vira para Beatriz, ela estava a mais de 100 metros, afastando-se rápido, sem olhar para trás. —§— No cemitério, João olha em volta e vê um menino chamar Lídia e fala. — Isto não é um menino, policial! — Mas... — Acredite, vai lá e esquece sua vida policial! — Mas é apenas um menino! João não iria obrigar ninguém a sobreviver, vê que uma porção de seres estava chegando à volta, quando somou mais de 300 soube que eram os anjos caídos, embora não fossem
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apenas anjos, Lídia fica na dúvida, pois o menino a chamava insistentemente. — Acha que ele é apenas um menino? — Sim! – Ela parecia aérea. — Então não lhe de permissão de vir aqui e vê se ele consegue? Lídia olhava o menino e fala. — Fica aí fora, depois nos falamos! O menino olha em volta os outros seres, vê o menino se tornar um pequeno pássaro, tomar altura e ganhar tamanho, João vendo a manobra a puxa pela mão e entram no cemitério dos moradores da ilha e se escondem em um jazigo. O menino pousa do lado de fora e fala. — Acha mesmo que apenas cercar nos deteria? João olha os espíritos e fala. — Não, mas quem é você? — RANAK e vocês não vão me escapar rapaz! João retira um pouco de sal do bolsos, entrega para Lídia e fala. — Põe nos bolsos! Ela olha o sal, não discute, João sai, olha para RANAK e jogando o sal no ar fala calmamente. — ―Seja bendito o nome do Senhor, desde agora e para sempre‖. RANAK ouvindo o salmo, vê o sal se espalhando no ar, tenta abrir as asas, mas não consegue, sente o sal lhe queimar a pele, os demais que tinham alçado vôo ao céu e estavam pousando no cemitério viram suas asas sumirem e veem as almas e os espíritos de pássaros, avançarem sobre eles bicando,
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eles como imortais, começaram a recuar, se recolhendo a um canto, sem as asas não conseguiam passar para o outro lado, de uma simples linha de álcool e mirra, mas sentem as picadas. Lídia olha aquilo, não entendera e pergunta. — O que aconteceu? — Todo Querubim obedece a este salmo, o sal é um símbolo de Deus, a conservação das leis de Deus, eles diante das leis de Deus não podem nos julgar, ou nos atacar! — Sabia disto, mas não falou isto para Thomas? — Ele é mais do que apenas salmos Lídia, ou acha que seres normais teem asas? — O que seria ele? — Um mensageiro, mas os dois lados sempre disputam as boas novas! — Não entendi? — Deus manda mensageiros, Moises era um, foi penalizado por ter atribuído feitos de Deus a ele, Jesus era outro, mas perdeu o respeito dos anjos, por ter duvidado do pai na cruz? — Jesus não duvidou do pai! João olha para ela e fala. — Ele disse, ―Deus, por que me abandonaste‖, por menos que isto Moises ficou 30 anos no deserto Lídia, ele com esta frase, se pôs inferior a Jó, então diante dos anjos, ele perdeu o respeito, para os anjos tudo é com base em Jó! — Isto é maluquice! – Lídia contrariada. — Sim, mas não tira o sal dos bolsos! Lídia sorri, estava em um mundo que não entendia as regras, mas deu graças por ali ter alguém que entendia.

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Thomas vê RAZIEL a sua frente e uma porção de Querubins as suas costas, estavam de várias formas, alguns uma mistura de Humano com Águia, outros Touros com Águia, outros Leões com Humanos e alguns apenas como meninos desprovidos de tudo. — Acha que pode se esconder por muito tempo? – RAZIEL. Thomas não queria enfrentá-los, foi ali para tentar algo, mas começava parecer que não seria como ele pensou. — Sabe que não tenho alternativa RAZIEL, o que esperar de um macaco como eu, diante de seres alados como vocês? — Que aceite a morte, como a maioria! — Acho que nem eu nem você, precisaríamos estar brigando RAZIEL, mas não acredito que um Querubim, saiba voltar atrás em suas decisões, mesmo que elas estejam erradas! Thomas vê o ser avançar ameaçador mudando de forma, para a de um touro, Thomas desvia-se, tentando se esgueirar, o Querubim vem e o acerta no peito, Thomas cai a uns 10 metros, a dor era grande, vê o ser avançar mudando de forma e segura a boca do grande leão que lhe ataca. Thomas não sabia até onde ele poderia aguentar aquela briga, empurra o leão com força e tenta se erguer, pega a vela no bolso, olha para ela, a colocando no bolso novamente, não queria brigar, olha os braços esfolados. RAZIEL olha para Thomas e avança novamente, sem pena, o atinge novamente e este voa uns metros para trás, batendo no muro da casa mais próxima. Thomas abre suas asas e da um impulso, se vê no ar, mas enquanto concentrava em suas asas, RAZIEL na forma de um
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touro com asas, lhe acerta novamente, ele se debate e cai com força sobre o telhado de uma casa. Thomas bate a cabeça com força, vê o anjo chegando perto, mas desacorda. Beatriz olhava de longe, não poderia ir lá neste momento, não era para os dois serem derrotados, tinha de se manter firme, sabia que Thomas estava sentindo dor, mas ainda estava ali. Pedro se aproxima depressa e ela o barra. — Moça, eu tenho de ajudá-lo! Ela sacode a cabeça negativamente e o toca, ele ouve em sua mente. ―— Se for lá, os dois estarão mortos!‖ Pedro da um passo a trás recuando e pergunta: — Mas o que podemos fazer? —―Me leve até seus amigos, vamos precisar de ajuda e rápido‖! — Como faz isto? Beatriz sorri e não responde, Pedro vê os seres em volta de Thomas, no telhado da casa no fim da rua, mesmo na dúvida foram até a charrete e atravessaram no sentido do Cemitério.

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Chegando à frente do cemitério, Beatriz vê que o local está cheio de seres, entra por uma ponta. — Onde está Thomas? – João pergunta. — Foi atacado, mas a moça disse, que se eu fosse lá ele estaria morto! – Pedro responde preocupado. João olha para a moça e pergunta. — Quem é você? — Do you speck ingles? — Yes! – João e Lídia ao mesmo tempo. — Sou uma amiga, mas Thomas está precisando de ajuda, mas acredito que tenhamos de terminar aqui, para que possamos resgatá-lo! — Como assim? — Ele está enfrentando os Querubins ainda da ativa, o que quer dizer, as mãos de Deus, ele não pode reagir a isto, vai sofrer isto na pele, mas os Querubins estão com raiva, por acharem que ele está de conluio com Belial! João olha para os seres ao canto, sendo bicados por aqueles espíritos de pássaros e pergunta. — Mas o que temos de fazer? — Ele já libertou os escravos? – Pergunta Beatriz. — Sim!

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– Você vai me seguir

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— Pelo jeito ele cercou o local? – Fala Beatriz olhando para João. — Ele nos fez cercar o local, mas o que deveríamos fazer? Beatriz olha para Pedro e o toca no braço. — ―Tem sal na charrete, pega ele, vela e álcool‖! Pedro concorda com a cabeça, João e Lídia ficam olhando o rapaz correr até à charrete e voltar. — E agora? – Pedro. Beatriz chega ao centro daquele pequeno cemitério, faz um círculo, olha para João e fala. — No centro do outro cemitério, faz o mesmo, um círculo de sal, uns dois palmos de diâmetro, forra o chão totalmente neste pequeno círculo com sal. – Beatriz pega o vaso de um dos túmulos e coloca bem no centro do círculo. – Depois coloca um pequeno vaso no centro do círculo, enche de álcool e coloca fogo! — O que é isto, feitiçaria? — Não! – Beatriz foi enfática, mas não entra em detalhes, toca em Pedro novamente. — ―Pega o sal, aquele saco grande e dá uma volta inteira por onde havia colocado o álcool com mirra‖! Pedro concorda e Beatriz olha para Lídia. — Tem um segundo saco de sal,… faz uma linha de sal, até o ponto que Pedro vai fazer o círculo maior. Beatriz risca o chão. — Para norte. Risca uma segunda vez. — Ao sul.
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Risca novamente dois traços e fala. — Leste e Oeste, que vou fazer no segundo ponto à mesma coisa! — Por que disto? – João. — Discutimos isto depois! Thomas continua a apanhar lá, temos de ser rápidos aqui! Cada um foi fazer o que ela falou e nem 15 minutos depois, se reuniram no local, onde era o centro do cemitério dos Pássaros. Beatriz olha para João, Lídia e Pedro: — Cada um fica num dos gomos deste círculo! – Se posicionaram e Beatriz pega um pouco de sal e fala: — ―Seja bendito o nome do Senhor desde agora e para sempre.‖ Da uma pausa. — Em homenagem a HAZIEL: ―Lembra-te, Senhor, da tua bondade e da tua misericórdia, que datam dos séculos passados.‖ Em Homenagem a ALADIAH: ―Exerça-se, Senhor, sobre nós a tua misericórdia, segundo esperamos em ti.‖ Em homenagem a LAOVIAH: ―Por isso eu, Senhor, te louvarei entre as nações e cantarei um salmo ao teu nome.‖ Em homenagem a HAHAMIAH: ―Em ti confiam os que conhecem o teu nome. Pois não abandonas os que te procuram, Senhor Deus.‖ Em homenagem a YEZALEL: ―O céu anuncia a sua justiça e os povos todos contemplam a sua glória.‖ Em homenagem a MEBAHEL: ―Ele julga o mundo com justiça e governa os povos com retidão.‖ Em homenagem a HARIEL: ―O Senhor será a minha fortaleza. Deus será a rocha onde me abrigo.‖ Em homenagem HAKAMIAH: ―Senhor meu Deus, de
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dia eu te peço auxílio e de noite eu grito em tua presença.‖ Pois em nome do segredo de Deus, RAZIEL, liberto as almas dos homens, mulheres e crianças aprisionados nos pássaros! A cena que os outros presenciaram, foi à queda de vários pássaros mortos, nada agradável aos olhos, mas logo após, a pequena alma se torna grande, embora os demais não vissem isto. — Trás em nome do segredo de Deus, RAZIEL, as almas de humanos novamente a forma de humanos! Beatriz olhava para as almas dos pássaros, pousando no chão e crescendo, ficando na forma de almas humanas, João acompanhava o acontecido pelos olhos da moça. —… e por fim, mostra a estas almas o caminho da salvação, ó piedoso, ó justo, ó misericordioso! Beatriz toca o chão, onde havia os dois pequenos potes com álcool queimando, se fez duas colunas imensas de luz, os olhos dela brilharam, os caminhos de sal, ergueram-se como paredes translúcidas, olha no sentido do centro e tira a mão do chão, uma luz saindo das colunas, atravessa todos os presentes que haviam se erguido, uma foi purificando, outra aliviando o peso, foi passando pelas almas que iam sumindo, os Querubins caídos, ao canto, olharam como se estivessem com raiva, mas os demais viram eles voltarem a forma humana, os pássaros não estavam mais no céu, vários caídos no chão, mortos, pela ilha toda, a luz dos dois pontos se espalha, passando primeiro pela ilha, atravessando todos os moradores, depois saindo dela atravessando balsas e perdendo força em meio a baía de Guanabara.

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RAZIEL estava olhando Thomas no chão, quando sente a luz atravessar os seus e olha para o céu, olha para os seus e desaparecem ao mesmo tempo, como se voltando para seus reinos.

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Thomas inconsciente, não viu como o tiraram do telhado, não viu como foi parar no hospital e como quadro indefinido, não viu Beatriz se afastar, sem saber como se portar neste momento. João entra no quarto de Thomas, olha para o médico e pergunta. — Qual a situação? — Inconsciência, pura e simplesmente, nenhum problema aparente, nem hemorragia, parece saudável, estou esperando os exames da ecográfica, que chega em minutos, antes não posso adiantar nada! Lídia entra com dois policiais e olha para João. — Sabe que ele ainda está encrencado? — Ele não foge de homens Lídia, sabe disto! Os policiais olham sem entender nada e ouvem-na falar. — Ainda não entendi o que aconteceu! — Ele distraiu parte dos Querubins, quase com sua própria vida, para nos dar o tempo necessário de agir, apenas isto! Um outro investigador entra e pergunta. — Querubins, o que é isto, um grupo carnavalesco? João sorri, olha para o investigador e fala sério. — Daqueles que rezamos, para nunca cruzarem a nossa frente!

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– Tanto Mar

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— Sei que estão falando de um grupo, altamente mortal na cidade, sou da corregedoria, o secretário de segurança nos pôs no caso! – o investigador olha cismado para eles. João olha para Lídia e fala. — Se Paulo Carnier está no caso, esquece minha colaboração! João olha meio desconfortável para Thomas na cama e sai pela porta, Lídia olha para Paulo, que fala. — Ele me conhece? – o investigador estranhando. A investigadora soube que tinha mais um problema e pergunta. — Não sei, quem é você e o que faz aqui? — Me mandaram comandar, o caso das mortes no Teatro Municipal, assumindo o controle da ação da polícia e redobrando o cuidado com nosso principal suspeito! Lídia olha para Thomas inconsciente na cama e depois para o rapaz, pega o celular e disca, espera o Secretário atender, ninguém atende e ela disca 1, 2, 3, 4, 5 vezes, na quinta vez ele atende. — Fugindo de mim Secretário? — Quem fala? — Não se faz de desentendido, se quer me afastar do caso é só falar, não precisa mandar um fedelho cheirando a bosta, para fazer isto! — Dizem que está envolvida! — Secretário, estou saindo, mas avisa este rapaz, ele acha que sabe, mas tenho certeza, não tem a mínima ideia, da encrenca que está se metendo!

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Lídia sai pela porta e fala para os policiais. — Vamos nos retirar, a corregedoria que coloquem engravatados na porta! Os policiais sorriem e acompanham-na. Paulo estava ali olhando para Thomas, quando o médico fala algo que ele nem prestou atenção, olha em volta, vai ao fim do corredor onde ninguém o ouvia e da alguns telefonemas.

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Jonathan olhava uma cena gravada, pelas câmeras de segurança do presídio distraído, assusta-se com Marcos entrando com um refrigerante e dois sanduíches. — O que tanto olha? Jonathan aproxima a imagem para uma parte do fundo, estava muito desfocada, pois a distância era grande, mas Marcos olha o homem sair pela porta com duas hastes na mão e correr para o fundo, onde as pessoas se escondiam, olha aquele clarão sair logo a trás do homem que corria, mas o que intrigou foi o homem tocar a parede do fundo e eles veem o buraco surgir no muro, às pessoas saindo assustadas por ali. — O que aquele senhor empunhava? — Não sei, mas parece com o objeto que procuramos Marcos! — Acha que alguém tem algo portátil que faz aquilo? — Tem de ser portátil, senão não estava preocupado! — Mas eram tantos presos, como vamos saber, a cena está tão distante? Jonathan aponta uma moça no fundo e fala. — Se reparar ele vai de encontro a esta moça! — Reparei! Jonathan recua a cena e Marcos vê a Capitã tentar por um caminho, chegando perto da câmera e somente depois, ir para o fundo.
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– Tantas Palavras

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— Merda! – Fala Marcos. – Não poderia ser outra pessoa? — Conhece? — Capitã Mendonza, deve ter ouvido falar! — Mas pelo menos, temos a quem perguntar o que é aquilo? — Da última vez que esteve aqui, ela me acertou o nariz, tentando descobrir o que era, agora está envolvida com alguém que sabe, acha que é uma boa ideia? — Temos de parar isto Marcos, não temos alternativa! Marcos pega o telefone e disca: — Capitã Mendonza? — Sim! — Marcos, aqui do IML! — O que quer rapaz, apanhar mais um pouco? — Temos aqui uma cena interessante e meu superior, quer conversar com você! — Tem mais de um porco neste chiqueiro? — Se não vem fala de uma vez, ele que insistiu em lhe falar! — Dou uma passada aí, fazer o que, não tenho nada de interessante para fazer hoje! Marco desliga e Jonathan pergunta: — Vem? Marcos apenas acena afirmativamente com a cabeça. —§—

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João chega em casa na Favela da Rocinha e vê um rapaz a olhar para sua casa, entra e olha para Fátima sua esposa, companheira, amor de infância, ela não lhe sorri olhando alguém as suas costas. — Calma Fátima! – João pisca e ela olha em seus olhos, ele olhava para ela firme, ela apenas ouve alguém gritar. — Parado! — Para que, para me matar mais facilmente? – João sem olhar para trás. — Isto é um assalto! João sorri, faz sinal para Fátima sair lentamente, ela dá meio passo atrás, a pessoa ia protestar, mas vê João se virar de frente para ele. — Assalto? – Olhando nos olhos do rapaz. O rapaz encosta a arma no peito de João e sente quando alguém encosta, uma arma em sua cabeça. — Moço, melhor largar está arma! – fala um rapaz negro, as costas do pseudo-assaltante. Fátima sai pela porta do fundo, vê seu irmão chegar e falar. — Tudo bem irmã? — Tem um rapaz lá! — Polaco já está lá! João tira a arma da mão do rapaz e olhando para ele pergunta. — Quem quer me matar? — Acha que vai sair vivo João? — Isto não está em discussão, ainda mais com um bando de fracos e covardes!
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— Sabe quem sou? — Não sei e nem em quero saber! Polaco amarra às mãos do rapaz às costas, colocando um capuz na cabeça. — Trabalho limpo? – Perguntando para João. — De preferência, mas deve ter alguém olhando! — Pegamos dois no beco em baixo e dois no de cima, tem um que escapou! — Então faz o mais limpo possível! João sabia que não veria aquele rapaz novamente, então não queria saber seu nome, Fátima chegando o abraça e pergunta. — Quem são estes? — Os que mataram a Dona Guerra! — Tenho medo disto João! João a beija e abraça, não tinha o que falar, ele por dentro estava com medo, Fátima sente que João também estava com medo e apenas cuida dele, estava tenso, precisando acalmar. —§— Lídia chega ao IML e vê o rapaz sentar-se a sua frente, não era o mesmo que conhecera antes. — Deve ser a temível Capitã Mendonza! – Jonathan a olha e pergunta — Pelo jeito minha fama já se espalhou! — Bonita demais para o que me falaram! Lídia olha fechando a cara, não foi ali para ser cantada e pergunta:
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— O que quer saber, senhor? Jonathan pôs o vídeo para rodar, vira o monitor para ela e pergunta depois de uma pausa. — Preciso saber o que é esta arma, que aquele senhor carregava! Lídia vê que estava se envolvendo em algo maior e fala. — Vai dizer que foi você, que fez o Secretário de Segurança me afastar do caso? Jonathan sorri e fala. — Não tenho um cargo de Q.I., tenho de trabalhar Capitã! — Mas o que quer saber? — Tenho dois tipos de mortes e preciso saber, se aquilo se encaixa e com qual dos casos que temos! — Dois tipos? — Sim, temos um bem perfeito, que não deve ter ponta, pois rasga a carne para entrar, mas de uma perfeição e constância na altura da incisão que intriga e temos um que é feito por um instrumento quente e pontudo, que é o caso das mortes no Teatro Municipal e mais umas 32 mortes nas últimas semanas! — Não me falaram deste segundo conjunto de crimes? — De qual estava responsável? — Do pessoal do Teatro, mas o Secretário me afastou hoje, levantamos o nome de 30 pessoas, que aparentemente estavam ligadas àquelas mortes, mas parece que o secretário, não quer envolver os amigos no crime e quer transformar este senhor do vídeo, no único culpado! — Mas o que ele tem na mão?
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— Somente vendo para entender! — Como assim? — Todos pra quem falo isto, acham que sou maluca, então evito entrar em detalhes, mas é uma haste de luz, de não mais de 80 cm, parece quente, mas é difícil entender algo, que corta um muro como o de um presídio, como se fosse papel! — Mas você não estava procurando quem fazia aquele corte? — Como é seu nome mesmo? – Lídia. — Jonathan, diretor do setor mais triste do IML! — É, a sujeira aqui assusta! – ela olhando em volta. Jonathan não entra na provocação e fica olhando para a moça esperando que falasse. — Eu vejo mortes assim nas ruas, a mais de 12 dias, mas não sabia que havia dois métodos de morte! — Na verdade, estamos aqui dentro em 3 grupos e pelo jeito você pegou Marcos, meu assessor direto, naqueles dias em que estava encarregado de tudo, pois separamos em 3 grupos, mesmo assim estamos perdidos e ele sobrecarregado, pois todo o resto passa pela mesa dele! — Vai dizer que existem 3 métodos? — 2 métodos e 1 com mortes sem explicações, estava olhando a ficha deste senhor, que aparece na gravação, ele parece ter se envolvido em mortes semelhantes em Los Angeles! — Não entendi, como assim sem explicações? — Seres que morrem sem causa definida, gente que parece mais saudável nos exames, 12 horas depois da morte, do que antes de mortos!
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— Alguma teoria? — Nada, mas além destes dois tipos de mortes, uma feita por um instrumento perfeito e um por gente tentando imitar o método, mas começaram a matar muito antes deste novo método, à primeira vista parecia ser uma evolução do primeiro método, mas enquanto num dos casos, parece que limpam todas as provas antes do crime, no outro, não existe limpeza aparente, mas não se acha vestígios de autoria! — Como as mortes na frente da Igreja há alguns dias? — Sim, mas lá tivemos dois tipos de mortes, do que determinamos como segundo tipo, então estabelecemos primeiro, segundo e terceiro pela ordem que surgiram, as primeiras são as que deve ter lhe afastado, que sabemos que nos foi retirado os corpos e as evidências, o segundo parece algo mais perfeito, mas gostaria de saber o que causa aquele corte perfeito! — Senhor, se fizer uma análise nas paredes do presídio, verá que não terá resíduos de explosivos, verá que os corpos não morreram nas quedas das paredes, que não vai existir explicação para os cortes, para mortes estranhas lá e numa trilha que atravessa Bangu, Padre Miguel e Parte do Realengo! — Parece saber o que fez aquilo! — Ninguém vai falar a verdade senhor, quem tentar, vocês tratarão como maluco! Marcos entra na sala e fala olhando Jonathan. — Sabe aquela lista de gente envolvida no crime do Teatro? — Sim! — 5 apareceram boiando na Baía, estão trazendo os corpos!
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— Já estão começando a limpar os rastros! – Lídia. Marcos fica olhando para Jonathan, que vendo que o mesmo não falaria nada. — O que não contou Marcos? — Lembra que pediu para um pessoal, ficar de olho naquele João? — Sim, alguém está pagando contas altas dele e não está saindo das contas da antiga patroa, mas o que tem haver? – Jonathan. — Um dos rapazes afirmou ver um grupo de pessoas, seguindo ele no sentido da Rocinha! Jonathan fica apenas olhando Marcos, era seu jeito de ser. — Um deles afirmou, que um dos mortos na baía, era um destes rapazes! Lídia olhando para Jonathan, pega o celular e fala. — João? — Fala Lídia? Lídia deixa no viva-voz. — O que aprontou rapaz? João olha em volta e fala: — Não vou morrer na mão deste pessoal Lídia, pode me acusar de me defender, mas não vou ficar vendo o seu pessoal cruzar os braços, vê-los subirem e deixarem me matar! — Está se complicando João! — Quer enfrentar o próximo sábado sozinha, é só deixar eles me matarem! — Se cuida, mas a polícia vai bater aí, sobe o morro! — Já sabem?
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— Pelo jeito alguém escapou e já deu o serviço! — Como Pedro fala, estes Cana um dia acabam com nossa cidade bonita! — Se cuida! – Lídia desliga, olha para Jonathan e fala. — Eu ficaria de olho em quem denunciou, se pensar bem é muito estranho mesmo, alguém saber que os mortos são os mesmo, que estavam de olho no João, já que os corpos ainda nem chegaram aqui! — Pelo jeito você está envolvida até o pescoço! — Senhor, quando ver o que nós estamos enfrentando e souber que a condenação por tê-los visto é a morte, vai perder alguns medos, João viu e sabe mais do que fala, mas de que adianta, enquanto o secretário estiver escondendo os fatos, ele apresenta as provas, elas somem e ele morre! — Mas o que estamos enfrentando? — Um grupo de fanáticos, que agora transformaram João em alvo e Thomas Thompson, o americano em culpado, também estamos enfrentando um julgamento, dirigido por um bando de Querubins malucos, sobre isto não entendo! — Acha que vou acreditar que existem Querubins? — Lógico que não, você vai dizer que a estátua de Dom Pedro, criou vida e matou 6 pessoas, ontem a praça XV e no Museu Nacional! – Lídia sarcástica. Marcos sorri, sabia que algo estranho estava acontecendo e olha para a capitã e pergunta. — E o que derrubou o viaduto? — Alguém me disse, que foi Belial brigando com Raziel, mas que não deveria acontecer, não aqui em baixo, na terra!

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— Quem é Belial ou Raziel? – Jonathan com aquele seu jeito descrente de alguém, que enfrenta o mundo com dados, não com Deus. Lídia sorri, pois há poucos dias a trás, nem pensaria ouvir isso sair de sua boca. — Sei que é estranho o que vou falar, mas Belial é mais conhecido por seu apelido, depois de ser um Querubim Ungido, ganhou a denominação de Lúcifer, que significa Ungido por luz de inteligência! Jonathan ri e fala: — Quer que acredite nisto? Lídia séria olha para o homem e pergunta. — Já deve ter visto as cenas da destruição do Presídio, então me responda primeiro, o que destruiu aquele lugar? Segundo, o que são as luzes estranhas que se vê nas imagens? Por último, por que todos estavam fugindo, até os policiais armados? Jonathan olha para Marcos e fala. — Como você definiu isto? — Uma guerra! — Vou ficar maluco, não consigo ouvir mais merda! Lídia impaciente olha para o senhor e fala. — Quer algo mais, ou posso ir embora?

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Belial aparece no centro da cidade do Rio, depois de ficar um dia invisível aos olhos, vê os estragos na Praça XV, olha em volta e não vê os seus companheiros de exclusão, caminhava vendo os estragos, sorri ao ver a quantidade de mortos, mesmo sem estar pensando sobre aquilo naquele momento, abre as asas, não teria balsa para Paquetá por 15 dias dizia a placa. Sobrevoa a baía de Guanabara e para na praia São Roque, olha em volta estranhando, olha para o céu, sem pássaros, vê as pessoas da cidade recolhendo vários pássaros a rua e levá-los ao cemitério dos pássaros, olha em volta sabendo que algo tinha lhe passado despercebido, pois não havia mais almas dos pássaros no ar. Caminha a ver pássaros mortos aos milhares, não entende o que aconteceu, parece que as almas presas em pássaros, todas haviam morrido, mas não fazia sentido. Belial chega ao cemitério, não sente o cheiro de uma única alma, olha para os lados, ia entrar e sente seu corpo ser barrado, não consegue avançar, olha para o chão, o cheiro de Mirra e o círculo de sal, lhe fizeram pensar que fora enganado, mas o que faria?

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– Cálice

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Lídia fala com alguns companheiros da Polícia Civil, apenas avisando para não interferirem, achava que seria vítima da banda podre daquela instituição, não tinha noção de onde estava pisando. Nunca havia entrado sem proteção policial na Favela da Rocinha, mas naquele dia ela foi à favela, começa a subir, tinha o endereço de João e quando em frente ao boteco do Ceará, na viela conhecida por uns como à viela do Ceará, por outros por 48, vê um rapaz negro a sua frente, ele a mede de cima a baixo e pergunta. — Cana não é bem vinda aqui! — Preciso falar com João! — Assunto? — Temos de proteger o Gringo, antes que o matem! — Por que o interesse moça? — Não sei por que, mas estamos à beira de uma guerra, mas nossa maior arma está numa cama, indefeso! — Por aqui! – Polaco indica o caminho e sobe com ela na direção da casa do mesmo. —§— Belial surge no hospital onde sente o cheiro de Thomas, para a beira da cama, o toca e vê que não poderia fazer mais
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- Pivete

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nada por ele, não estava mais na sua alçada, olha em volta, vê um homem suspeito chegar e por um remédio no tubo, que iria diretamente ao sangue de Thomas, sem que este o visse, chega e lhe toca no peito, o homem grita e cai morto, outros dois entram no quarto, veem a seringa na mão do homem e um fala para o outro. — O que o matou? — Ele é protegido, sabe disto! — Mas garanto, que desta vez não vai escapar! Os dois estavam sorrindo, mas não viram o menino por a mão no bolso, pegar duas velas, as modificar e atravessá-los, os dois caem junto ao corpo do primeiro, uma enfermeira entra para ver o estado do paciente e assustada, sai correndo do quarto para chamar os médicos. Este ao entrar no quarto, vendo a seringa na mão de um deles, manda que chamem a segurança, faz sinal para a enfermeira e fala. — Tira o soro, não sei o que é, mas… – o médico cheira o conteúdo. –… parece morfina, tira o soro, mas como eles morreram? — Não sei senhor, me assustei com o sangue no chão! Neste exato momento Paulo aparece à porta e o médico olha para o segurança do hospital ao lado e fala. — Isola este quarto, ninguém entra! — Quem acha que é, para fazer isto? – Paulo. — O médico e você? — Ministério Público, estamos mantendo este senhor sobre vigilância máxima e não vamos deixar de vigiá-lo! O medico olha para o Segurança e fala olhando o homem.
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— Chama a polícia, pois se este senhor estava vigiando o paciente, vai responder por cumplicidade, ou por assassinato! Temos aqui 3 mortos, que ele não vai poder dizer, que não os viu morrer e nem que tentaram matar o paciente! — Está me acusando? — Melhor detê-lo na sala da segurança, até a polícia chegar! O segurança chama outro para ajudar e o conduzem à sala da segurança. —§— Lídia chega a uma porta simples e Polaco faz sinal que ela entraria e os dois abrem a porta, João estava sentado à mesa almoçando com sua esposa, olha Lídia e pergunta. — Almoça? — Temos que conversar! — Come um pouco, a semana vai ser longa! — Estou preocupada com o Gringo! – Lídia. — Sei disto, acabaram de tentar matá-lo no hospital! — E o que aconteceu? — Aquele Paulo se fez de cego, para 3 rapazes entrarem no quarto, estávamos quase intervindo, quando vimos que algo o estava protegendo! — Como assim? — Corte reto, altura do coração, corte perfeito, com instrumento de alta precisão, lembra lhe de algo? — Mas quem o está defendendo?
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— Não sei ainda, mas se não tivesse intervindo teríamos tirado de lá, mas seria mais complicado! Lídia pega o celular e disca, olha para João e fala ao telefone: — Por gentileza o senhor Jonathan! Ela espera um pouco e depois da apresentação fala. — Jonathan, tem três corpos, com as características das mortes que você está de olho, na porta de Thomas Thompson, se conseguir recolher os corpos antes de sumirem seria bom! — Ele os matou? — Jonathan, cai na real ele está em Coma, estavam tentando matá-lo, mas algo o defendeu, mas tenta recolher os corpos, antes do secretário se mexer! — Vou tentar! Lídia desliga, olha para João e fala. — A polícia vai acusá-lo das mortes do pessoal, que apareceu na Baía, espero que esteja pronto para isto! — Já tentam me acusar de muitas coisas, mas uma coisa que eles querem e que não estão conseguindo, é ter acesso aos contatos da Dona Glória e ao seu dinheiro, que eles precisam para manter os grupos funcionando! —§— Beatriz estava à beira do mar, a olhar as ondas da praia de Copacabana, quando Pedro chega ao seu lado e fala. — Como fez aquilo?

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Beatriz sorri, ninguém falava com ela, não conseguia falar aquela língua, já tentara, mas parecia ser parte do seu destino não conseguir, estava convencida que tudo o que fizera, era para este momento, por dentro estava mais feliz, mas tinha de se manter longe, muitos não entenderiam, mas juntos eram alvo fácil, seria a destruição de algo a mais, mas não estava conseguindo se afastar muito. — Sei que não fala minha língua, vi falar com João, mas ele é covardia, fala inglês, espanhol e francês, eu mal falo o português! Beatriz o toca no braço e pensa. — ―Eu entendo o que fala, Pedro, mas não tenho como falar sua língua, mas não sei o motivo!‖ — Por que não ficou lá, vi que se afastou, vi suas lágrimas! Beatriz tira a mão do braço do rapaz e faz sinal para ele ficar e começa a caminhar pelo calçadão no sentido do forte.

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Thomas abre os olhos e olha em volta, onde estaria, quem era, o senhor olha suas mãos, olha em volta, pareciam terras nevadas, toca o chão e era frio, mas uma dúvida lhe veio a mente, qual seu nome, olha em volta e pensa. — ―Quem sou e onde estou?‖ Thomas olha distante um vale e começa caminhar, nas primeiras horas ele caminha por um longo planalto, era liso e gelado, branco e sem nada, tenta falar algo e não ouve a própria voz, neste momento repara que não havia som, raspa o pé no chão e não ouve nada, bate palmas e nada, estala os dedos, nada, volta a caminhar naquele mundo gelado. Ao longe RAZIEL olha para Thomas, YEZALEL estava ao seu lado e pergunta: — ―O que observa príncipe‖! — ―Pensando em como ajudá-lo‖! — ―Mas fomos nós, que o colocamos aqui RAZIEL‖! — ―Mas ele tinha instruído o pessoal, para libertar os espíritos YEZALEL, aqueles que BELIAL havia prendido, ele estava tentando parar a guerra e nos deixamos levar por nossa arrogância‖! — ―Por que não o tiramos dali então‖? — ―Não temos acesso à penitência YEZALEL, sabe disto, principalmente o penar do isolamento, ele nem lembra quem é, não adiantaria tirá-lo dali, seria um zumbi sem memória, a
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– Cio da Terra

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andar pela terra, mas queria poder concertar isto, mas ele no mundo dele nos põe medo‖! — ―Tens medo de algo RAZIEL‖? — ―Da inteligência com autonomia, com arbítrio, ele anda as cegas, mas avança sempre, ele nos encara pela segunda vez, achei que ele era mais forte, que teria força para reagir, errei nisto‖! — ―Você não tinha saída Príncipe, apenas segue as ordens do pai‖! Thomas sente fome, estranha, pois até aquele momento pensava que estava morto, mas mortos tem fome? Olha ao longe e vê o gelo descendo até um pequeno vale, começa a seguir por ali, estranhava aquele local, tinha apenas os seus pensamentos, suas dúvidas de quem era, mas o que mais estranhava era não ouvir nada, a água corria sem som. Seus pés começam a doer, olha para eles, estavam nus, mas não sentia o frio do gelo, começa a observar os detalhes, olha suas mãos, dois anéis na mão esquerda, ele fora casado, o que era ser casado, afirmações e negativas ao mesmo tempo, deixavam sua cabeça ainda mais confusa. Continuava andando, quando vê o pequeno rio que corria despencar, vê as nuvens, deveria ser alto, muito alto, pois não via o chão, vê depois de uma boa distância, um monte, que subia e passava das nuvens, mas como chegaria lá? Olha para a parede do local e começa a descer, não tinha nada melhor a fazer, estranhava, pois sentia dor nas mãos, nos pés enquanto descia aquela grande parede de pedra, depois de uns 15 minutos, começa ver as nuvens a frente, vê a queda d’água, mas o chão estava longe, pensa em desistir, mas não era de
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desistir, como assim…? Pensa ele se deparando, com uma afirmação de seu caráter, como poderia ser isto, se nem sabia quem era, tentava lembrar quem era, mas um vazio se estabelecia. Thomas desce aquela grande parede, quando toca o chão, vê pequenas plantas, parecia uma espécie de trigo, senta-se e come um pouco daquilo.

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Belial senta-se na praia de Ipanema e ouve alguém falar com ele, era Gabriel, eles trocam ideias, Belial é informado, que enquanto RAZIEL dava uma baita de uma surra em Thomas, alguém liberta as almas dos antigos pássaros em Paquetá, ele não tinha acesso, mas parece que os seguidores de Belial, precisariam dele para ressurgirem. — E eu ainda fui defendê-lo, só pode ter sido este Thomas! – Belial fingindo ressentimento. — Irmão, RAZIEL mandou Thomas para um penar, nem sei onde, mas não o sinto, então deve ser nos campos dos Querubins! — O vale do silêncio? — Tudo indica que sim, irmão! — Aquilo é uma prova de alto conhecimento, muito grande, Gabriel, por que RAZIEL fez isto? — Por que viu ele como seu aliado, você se pôs assim, então eles o isolaram! — Mas ele pode conseguir sair de lá, ainda vive do lado de cá! — Ele não tem lembranças de quem é, foi jogado no vale do silêncio, com a inteligência que tem, mas sem a memória! — E dizem que eu que sou mal, isto deixa qualquer um maluco, ainda mais gente inteligente, os burros ficariam parados, não sofreriam, mas os inteligentes sofrem!
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– Valsinha

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— Mas irmão, tem de ajudar seus irmãos a voltar! — Não sei como fazê-lo Gabriel, não sem uma ajudinha! — Acha que estou aqui para que? — Não confio em você! – Belial. — E quem confia? Eu sou o braço de Deus, quem quer ser julgado por este braço forte! — Mas em que pode me ajudar? — Belial, tente se lembrar das invocações de volta, terá de fazer quando os demais anjos estiverem por aqui! — Mas por que trazê-lo de volta! — Acho que apenas você pode deter Thomas, eu acho que ele volta daquele vale e foi ele que condenou os seus a isto! Belial olha no sentido do som e fala. — E você ganha o que com isto? — Eles não ganhando um lugar ao lado do pai, para mim já é uma grande vitória! — Estranho como as coisas mudam! — Eles podem ter gente como Thomas, mas existe seres mais burros, que animais no pasto! Belial sorri ao ouvir aquilo e fechando os olhos, fica a ouvir o mar, imaginando o silêncio onde Thomas estava preso.

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Pedro já há 3 dias seguia Beatriz, vendo que a moça não falava com ninguém, ouvira a voz dela apenas em inglês, sabia agora que ela era especial, algo o fazia querer ajudá-la, sentia como se ela fosse especial. — ―Não pensa besteira, ela é especial, ela me fala na alma‖! A ligação dele com Beatriz, o fazia estranhar a forma que os demais a olhavam, não imaginavam existir ali alguém especial, como não conseguiam ver a força daquele ser, que era frágil apenas para quem não a olhava, pois ele a admirava e a observava pensando que poderia ser ela, uma das chaves das coisas que João contara para ele. Senta-se ao seu lado e fala novamente: — Estou aqui de novo, espero que não tenha ficado brava comigo, por causa do outro dia! Beatriz sorri com facilidade, gostava de ver que o menino ainda estava ali, sente como se Thomas ainda estivesse caminhando, no sentido da praia onde se encontrariam, ela sabia que ele teria uma grande prova, mas esperava que ele chegasse lá, antes do fim da próxima sexta feira. — ―Não gosto de falar sobre isto‖! — Por quê? — ―Ele está numa prova Pedro, mas ainda não posso intervir‖!
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– Pois é

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— Mas e como vai saber quando chegar à hora? — ―Não sei, sempre me disseram para não chegar perto dele, agora ele está diante de mim e não sei como me afastar, tento acreditar no que me falaram, mas…‖ – a voz falha e a frase fica no meio sem conclusão. Pedro vê que uma lágrima volta a correr no rosto de Beatriz, não fala nada, não queria afastá-la, sai dali e vai falar com João: — Amigo, temos de falar! — O que aconteceu Pedro? — Lembra da moça de outro dia de Paquetá? — Sim, soube que anda a olhá-la, só não entendo como você consegue falar com ela, mas o que quer falar? — Quando ela me toca ouço seus pensamentos, eu sei que parece maluquice, mas acontece! João olha para Pedro como se esperando, começa a se interessar pela historia. — Sinto como se a moça, tivesse uma ligação forte com Thomas, não sei qual, mas parece ser alguém intima dele! — Como assim? — Ela fala como se alguém tivesse imposto, que ela tem de se manter longe dele! — Acha que ela é parte do passado dele? – João. — Acho que é a falecida esposa dele! João olha sério para Pedro, a informação não parece ter sentido. — Isto seria algo sério demais Pedro, mas por que ela estaria aqui?
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— Nunca soube por que às vezes me ouve e às vezes não? Queria saber!! — Pedro, você lembra quando éramos pequenos e estudávamos a bíblia na igreja? — Sim, você dizia que eu só falava maluquice! — Eu achava na época, mas depois descobri que você sente a verdade, não sei como, mas sente e fala sem pensar nela, e isto que me faz prestar atenção, quando você quer impressionar eu não presto atenção, mas quando você se mostra assim, precisando dividir algo, é a hora que sei que algo profundo vai ser revelado! — Mas então acha, que ela poderia ser a falecida esposa? — Não é o que penso que importa Pedro, é o que você sente, não é o que sei, é como quando você me disse, quando líamos Jesus no apocalipse e você não conseguia ler Jesus e eu briguei com você! — Nunca entendi isto, não consigo até hoje! — Pedro, há meio ano a Dona Glória me pos para estudar, o original do Apocalipse e me veio uma certeza, você sempre foi especial! — Por quê? — Sabe quantas vezes tem a palavra Jesus, na versão original do Apocalipse? — Nunca contei! — Nenhuma Pedro, você não lia, pois não conseguia ver isto como verdade, você sempre foi assim, as igrejas trocaram todas as vezes que esta escrito ―cordeiro de Deus‖, por ―Jesus‖! — Mas não é a mesma coisa?

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— Se fosse você conseguiria ler Pedro, mas o que sente que ela está fazendo aqui? — Penando, esperando o dia que poderá descansar! João sorri e fala. — Me faça um favor, ajuda ela, fica de olho, pois se isto for verdade, temos de deixá-la por perto! Pedro sorri, ficar de olho em Beatriz lhe deixava feliz e nem sabia por que, sai feliz pela porta.

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Thomas está há 6 dias num caminho, que parecia interminável, aquele silêncio incômodo, a falta de memórias exatas, parecia perdido em meio a não saber bem quem ele era, a uma angustia que o sufocava. Dúvidas lhe vinham à mente, estava a cada dia mais confuso, tinha como destino o topo de uma colina, às vezes sentava-se para comer e não ouvia nem seu mastigar, estava cada vez mais triste, estranhava aquele sentimento de ausência, que lhe apertava o peito, era como se estivesse deixando para trás, algo muito importante para ele. O caminho agora tinha espinhos e folhas rasteiras com espinhos, então seu caminhar era em meio a tudo aquilo, a sentir os cortes na perna, a pisar muitas vezes em espinhos, às vezes doía muito, mas ele pôs na cabeça que tinha de chegar a uma colina. Segue firme por dias naquele caminho, vê como um desafio a enfrentar, um local para chegar, mas a ausência de som fazia ele às vezes até achar que ouvia o próximo pensamento, mas era apenas lembrança, pois ali, não havia som, aquele silêncio estava deixando-o muito frágil. Os olhos dele estavam focados na colina, não desviava, mas já estava perdendo a esperança de chegar a algum lugar, de ouvir algo, de lembrar quem era, não tinha noção de quanto tempo havia passado, então às vezes contava os próprios passos, para manter a lucidez dos pensamentos.

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– Brejo da Cruz

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Depois de uma boa caminhada, começa ver que o caminho passava por um grande brejo, sente um enorme alívio em por os pés na água gelada, senta-se, tira os espinhos enfiados no pé e na perna, começa a atravessar o brejo, aquelas árvores deformadas, eram a única coisa viva naquele lugar, nem um inseto, um peixe, ou algo diferente de tudo que já conhecera, mais uma dúvida lhe veio a cabeça, mas para ele está era sua única certeza.

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Lídia se sente angustiada com tantas mortes em sequência, com mais um Sábado se aproximando, vai falar com João, mas não sabia se ele poderia lhe ajudar, mas queria se inteirar das novidades, estavam a uma semana do carnaval e as festas já começavam nas ruas, em meio a mortes. — João, estamos a poucas horas do fim de sexta, por que acho que as coisas continuam do mesmo jeito! — Como está Thomas? – João curioso. — O médico andou arrumando briga com Paulo e o secretário teve de tirá-lo de lá, mas não sei o que fazer? Mas como estão a protegê-lo? – Lídia. — A CIA. infiltrou 10 pessoas no hospital e por mais que não apareçam, eles estão lá de olho! — Mas o que eles querem ao certo? — Algo que pode ser apenas uma desconfiança! — Surpresa na certa? — Sim Lídia, John foi cunhado de Thomas, ele não está aqui para prendê-lo e sim para lhe dar cobertura, mas parece que Thomas não quer colocá-lo nisto! — Aquela estória de estarmos condenados? — Acho que aí tem algo a mais Lídia, mas não sei ao certo o que, mas ainda estou observando, mas espere mais mortes para esta noite!
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– Quando chegar o carnaval

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— Meu Deus do céu, quando toda esta loucura vai acabar? – para pensativa fechando os olhos, depois tomando uma decisão. – No vou ficar parada esperando por um milagre, João estou indo para o IML, qualquer coisa ligue pra mim, mas qualquer coisa mesmo! — Lídia, temos que dividir o que sabemos com mais alguém, será muito perigoso ficar só entre nós! Lídia abaixa a cabeça pensativa, ele tinha razão, mas ela teria que pensar direito no que fazer, tinha que planejar a próxima cartada, ou todo o esforço seria em vão, inspira profundamente levanta a cabeça, olha para todos e sai sem dizer mais nada.

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Belial em meio ao campus da Federal do Rio, na Ilha do Fundão, olha observando tudo em volta do local onde está, às pessoas ao longe atarefadas em uma marcha acelerada, os prédios imponentes parecendo desafiar os homens, por que tinha que ser ali não sabia, mas estava quase na hora da intervenção dos seres alados, senta-se e espera pacientemente, quem via aquele menino sentado não diria quem era, com muita calma, pega um pergaminho, desenrola, põe a sua frente e começa a ler Salmos invertidos, sabia que essa era uma prova de que ainda era filho do Pai, que estava ali para mostrar as coisas da Terra por que o Pai mandou, começa a ler, sabia que teria de chegar até o meio dos Salmos, para que começassem a se materializar e fazer os demais surgirem, sente as energias circularem no local. Belial toca o chão enquanto lê, a energia começa a se concentrar sobre ele, pessoas que olhavam de longe veem o menino brilhar, se soubessem do que se tratava, teriam começado a fugir, mas não, a curiosidade os traz para mais perto. Continua a ler os salmos, a noite vai caindo lentamente, quando sobre a catedral surgiram os demais seres alados, Belial sente as energias dos mundos, se ligando com a energia que se concentrava nele, expandirem-se ao mesmo tempo, jogando os curiosos contra os prédios próximos, a energia que se expandiu foi tão grande, que os 3 prédios à volta caíram, causando uma
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– Angélica

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correria em quem estava mais distante do local, Belial como se não houvesse acontecido nada, continua a ler os salmos, tira a mão do chão e a ergue aos céus, se ainda houvesse observadores por perto, teriam visto uma coluna de luz se erguer e subir até o céu, abre-se uma fenda por onde os seres alados condenados começam a surgir, pulando para fora daquela coluna de luz, embora eles tivessem saído bem da fenda, Belial toca novamente o chão e torna-se translúcido, sua energia estava no limite, mas precisava terminar, toca o chão novamente e todos os seres que ali estavam, veem a onda de energia cruzar por eles, acertando mais 3 prédios da faculdade, que se desintegram, com tudo que estava em seu interior. Belial fraco, olha para todos os que haviam saído, os seus 315 aliados, a muito não via alguns deles, desde que Deus os separou em espécies, sorri, mesmo não lhe restando forças para mais nada, algo muito grande havia acontecido, pois agora ele estava em condições de por seus planos em prática

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Estavam reunidos Jonathan, Marcos e Lídia, tentando achar um meio de parar as mortes, quando Lídia recebe a ligação informando, tudo o que havia acontecido. — Como é??? – Lídia parece exaltada. – Quando foi isto???? Para escutando o que a pessoa do outro lado fala, assim que desliga, fica algum tempo olhando para o telefone, como se não acreditasse no que ouviu. — O que aconteceu, você está pálida, parece que viu um fantasma. – Marcos chegando mais perto. — Fale logo, estamos ficando preocupados. – Jonathan segurando firme o braço dela. — Vocês não vão acreditar…, mas 6 prédios no campus da Federal acabaram de desabar, tudo virou poeira… — Mas como foi isto? — Eles não sabem…, querem que eu vá para lá correndo! – Lídia ainda não havia se recuperado do susto. — E o que estamos esperando, eu vou junto com você! – Jonathan tomando a iniciativa. — Também vou. – Marcos. Correram para o carro, que estava a poucos metros dali e vão juntos ao campus ver os estragos, Lídia exige do veículo,
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– Noite Massacrados

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uma velocidade a mais de sua capacidade, pondo em risco sua vida e de todo o resto. Chegaram junto com o carro do IML, assim que chegam ao local todos param abismados, mesmo vendo não acreditavam, tentavam imaginar o que acontecera ali, poderia ter sido causado por um tornado, ou coisa do gênero. — Mais uma destruição sem explicação, como querem que consiga respostas assim, em cima da hora! – Jonathan desanimado. — Parem o mundo que quero descer! – Marcos rindo da reação de Jonathan. Os prédios desintegrados fazem à polícia isolar a área, pois muitas pessoas queriam chegar perto, para tentar achar algum sobrevivente, vaza a informação de que um grande atentado à bomba, havia destruído 6 prédios da Federal do Rio, fazendo o pânico tomar conta da cidade, Lídia liga para João e pede para encontrá-lo no dia seguinte, estava na hora de se prepararem realmente para esta guerra, ela estava falando com João, enquanto Marcos recolhia os pedaços das pessoas, a cena era triste, não teriam nem os corpos para entregar aos familiares.

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A continuação das mortes em sequência na cidade, põe no início de sábado Lídia, João, Marcos e Jonathan em uma sala, João mostra a diferença entre dois tipos de crimes, um feito imitando os moldes do outro, mas diferentes em certos detalhes, Jonathan anota os dados. — Então você que é o João? – Jonathan. — O que mais precisa saber? — A confirmação do que está acontecendo! João olha para Jonathan e pergunta. — O que o senhor pensa estar enfrentando? — Já não sei mais, as mortes na noite anterior foram terríveis, aquelas pessoas, nem tiveram tempo de saber que estavam morrendo! João pega uma vela no bolso e olha para Lídia que sorri. — O que acha que é isto? Jonathan olha e fecha a cara. — Vou ter de aturar mais um humorista? João quebra a vela no meio e fala: — Sempre me disseram em algumas rodas, que era possível usar uma vela como arma, senhor, mas antes de ver Thomas usar, achava que era apenas estória! João pega a vela e põem na mão, os dois veem a mesma envolver a mão do rapaz e surgir o que eles tanto queriam ver,

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– Mil Perdões

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a haste luminosa, Marcos chega perto e toca com um equipamento que marca a temperatura. — Não entendo como poder acontecer, mas isto, não deixa de ser apenas uma vela! João olha para Jonathan vendo o objeto se tornar uma vela, a pega na mão vendo se ele não havia substituído. — Como isto é possível? – Marcos. — Mas não é isto que vim fazer aqui! Jonathan estranhando olha para João e pergunta. — O que veio fazer aqui então? João tira um D.V.D. do bolso da calça, com a filmagem que fora feito pela janela da biblioteca nacional, onde mostra a saída das pessoas do teatro municipal no dia do crime, no mesmo momento que parte da policia entrava, que os policiais que chegaram lá, por primeiro, não dão bola para as pessoas saindo, com suas espadas manchadas de sangue, entrega o DVD para Jonathan, ele começa a ver o vídeo e João fala. — O problema é que narrar isto que você vai ver agora, nos torna alvo fácil de gente de dinheiro da cidade! Jonathan olha as imagens filmadas da Biblioteca Nacional, do Teatro Municipal e depois João pega uma lista e põem em sua mão e fala. — Esta é a lista com os nomes de 100 homens, que entraram e saíram por aquelas portas, após matar as pessoas lá dentro, e dos 30 policiais que chegaram logo após o acontecido! Jonathan olha incrédulo e fala. — Isto é uma bomba que vai parar a cidade!

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— Jonathan, não é isto que vai parar a cidade, mas não sei como lhe dizer! — Desembucha logo! — O mundo que estou lhe mostrando agora, os do topo já sabem, Lídia já sabia de 30 destes nomes, mas sem fazer uma mudança brutal, não vamos conseguir enfrentar isto! Jonathan vê o nome do filho do prefeito e de gente ligada a grandes empresas de comunicação do país, gente ligada a políticos de Brasília e pergunta. — Então por que está me mostrando? – olha cismado. — Porque acho que mais alguém precisava saber, pois não sei se termino vivo, a semana que vem, mas acredito piamente que semana que vem, vai ser bem dramática, lembra do que viu a noite na Universidade? — Como esquecer! — Se fosse daqui duas semanas, com aulas em todas as salas, como acha que teria sido? — Terrível! — Acredito que teremos problemas semana que vem, com as ruas cheias de turistas se divertindo! — Que tipo de problema vai acontecer? — Não sei exatamente o que está acontecendo, é só Thomas que fala com eles, para nos adiantar o que vai acontecer! — Fala com quem, do que você está falando? – Marcos. — Podem não acreditar, mas ele fala com o Anjo Gabriel, então ele é uma ligação importante, quando ele se pôs como alvo, ele parou a briga entre Querubins, que foi o que viram na Praça XV, há uma semana a trás!
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— Acha mesmo que aquilo foi causado por seres, que deveriam ser a nosso favor? — Pelo jeito nunca leu o Apocalipse! — Todos falam dele, mas quem consegue ler? – Marcos. Os demais olham para Marcos, sabiam que em parte era verdade, quem teria o vício de ler pedaços de algo, que era uma leitura difícil, mas o pouco que era lido, transformava qualquer afirmativa em real.

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Pedro observava Beatriz pensativa, parada à praia Vermelha, como se esperasse algo, vê que ela parece triste, não resiste e chega ao seu lado. Pedro toca em Beatriz e pergunta: — O que a aflige? — ―Ele ainda não chegou aqui‖! — Tem de dar mais tempo para a ele, sabe disto! — ―Não sei o que ele está passando, mas sinto seu coração triste, mas não posso ir ao hospital‖! — Por que não? Beatriz não responde, mas não queria ver seu irmão nos corredores do hospital, era estranho o que estava sentido, tudo parecia distorcido, mas o menino estava ali e isto ela não entendia. — ―Por que me vigia‖? — Por que acho que almas gêmeas teem de viver juntas, não sei por que, mas você parece ser a metade que falta, naquele homem inconsciente na cama! — ―Eu não sei ao certo o que fazer, Pedro, estou tentando me afastar e ao mesmo tempo, sinto que não deveria fazer isto!‖ Pedro sente que ela está triste, mas não sabe o que falar.

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– Não Sonho Mais

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Thomas chega em um local alto, de onde olha tudo em volta, até onde a vista alcança, repara nos detalhes daquele mundo, não ouvia sua própria voz e isto o estava deixando a cada hora mais confuso, tentava achar lembranças em sua mente, mas parecia não saber nem quem era, o que fazia ali, o que queria. Andara por 6 dias seguidos, achando que ali teria algo que lhe despertaria a memória, a esperança dele parecem se desfazer, as dúvidas diante de nunca mais ser alguém, mas nem tinha certeza se fora algo, apenas sentia isto, quer dizer, tudo indicava que sim, mas quem fora, como saber? Olha em volta procurando um destino, bem ao fundo vê uma praia e sente uma força invisível o atraindo para lá, parece que seria ali seu destino, olha o paredão no lado oposto, de onde ele havia vindo, seria mais ou menos a mesma distância, esperava não ter de voltar por aquele caminho, pois não fora fácil chegar até ali. Seus pensamentos estavam focados na viagem, não queria desistir, mas não sabia bem o porquê, nem do que não queria desistir, às vezes sentava-se e chorava, um vazio apertava em seu peito e ele chorava, desabafando a angustia que o perseguia, mas não entendia de onde vinha aquela tristeza, mas sentia-se bem depois e continuava a caminhar. Não existia dia ou noite ali, não existia frio ou calor, mas as pernas às vezes doíam, às vezes eram os braços, às vezes o
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– Sem Fantasia

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peito, mas não queria desistir, olha na direção da praia, marca em sua mente 12 pontos a alcançar, para que soubesse se estava indo no sentido certo e começa a caminhar novamente.

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Os Querubins se concentraram em uma festa, num barracão de escola de samba, em Madureira, que se estenderia madrugada a dentro, as mortes foram discretas e só começaram a aparecer na manhã de domingo, tamanha a confusão, que houve na Universidade. Marcos vai ao local e vê as marcas na altura do peito, quando termina a contagem e soma o morto de número 81, mas sendo apenas 8 com as marcas na altura do peito, liga para Jonathan e passa os dados, este aciona o pessoal do IML para recolher os corpos.

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– Todas Maneiras

as

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Lídia espera dois dias para conseguir falar com governador, que a recebe sem entender, por que o seu assessor insistiu tanto que a recebesse. — Moça, não sei por que quer me falar! Lídia entrega um dossiê para ele e fala. — Estou alertando o senhor, não tenho como denunciar estas pessoas, pois todos os que já tentaram foram mortos! – Lídia mente para dar mais impacto. — Mas o que tem aqui? Lídia olha impaciente para ele e fala. — Tem um D.V.D. com a identificação das pessoas, que participaram do crime no Teatro Municipal, mas como temos de filho de prefeito, a amigos do secretário de justiça, seu secretário envolvidos, não temos ninguém realmente envolvido sendo preso! — Sabe que está acusação é grave? — Sei que estou marcada para morrer governador, como um amigo me disse, eles estão matando os que aparecem aí e acusando outras pessoas, mas temos mais de 2 mil mortes, antes do acontecido no Teatro, que podem estar relacionadas a este grupo! O governador olha para o assessor e pergunta. — Por que acha que devo ouvir isto?

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– Cordão

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— Por que quem vai pagar caro, se não fizer nada vai ser o senhor, por que eles nunca lembram do secretário, mas nunca esquecem do Governador! — Mas… O governador ia falar algo, quando vê na filmagem, o grupo saindo com as espadas nas mãos e o vídeo vai narrando quem eram, um a um, pôs a mão na cabeça e acrescenta. — Acha que ele não vai se voltar contra mim? — Senhor, quem levantou estes dados foi a CIA., não foi ninguém que eles possam pressionar politicamente! — Por que não falaram nada? — Eles não sabem do envolvimento do Secretário, ele sabe deste material a mais de duas semanas, mas não vai denunciar os filhos de amigos e nem os amigos! – Lídia. O governador pede um tempo para pensar, teria de pensar em uma forma de fazer isto. —§— Era fim de tarde quando o Governador chama Lídia, ele concorda que deveria efetuar a prisão dos culpados e lhe consegue os mandatos de prisão, esta sai dali diretamente para falar com seu superior, que já não ia muito com a pessoa do secretário de segurança e num início de noite, 100 prisões eram efetuadas. O governador, junto com um novo secretário de segurança, convoca a impressa para anunciar, a existência de dois grupos de extermínio na cidade e que estavam prendendo mais de 100 pessoas, para tentar parar as mortes nas ruas.

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Thomas perde a noção de quanto tempo andou, pára olhando em volta, quando percebe mais ao longe, que havia mais gente com ele ali, não os reconhece e não sente vontade de se aproximar, sente-se triste e sozinho, mas nem isso faz querer a companhia deles. Thomas já há algum tempo desce do monte na direção daquela praia, estava há 13 dias em coma, o caminho acaba a beira do mar, olha em volta, sabia que conhecia aquele lugar, parece ter a visão de uma memória, embora não lembrasse quem era, vê aquela moça em sua lembrança, como alguém linda, inteligente, carinhosa e com aquele sorriso, que mesmo sem o som, parece esquentar sua alma. Ele senta-se a praia olhando as ondas silenciosas a sua frente e pensa tentando se lembrar, quem seria aquela moça, sente como se ela fosse muito importante em sua vida, olha para sua mão e acha que deveria ser a dona daquela aliança, um sorriso surge em seu rosto cansado, parecia até se sentir mais leve. Thomas olha novamente para as águas, sabia que estava ali por algum motivo, sabia que era onde tinha de estar, agora era esperar, suas pernas doíam, depois de dias, ele sorri novamente. RAZIEL olhava para ele de longe, fica feliz em ver aquele sorriso, naquele momento acredita ser possível ele sair dali, ele
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– O Que Será?

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deveria estar se lembrando de algo, mas isto o deixa inseguro, quem seria capaz de sair dali, ele nem deveria ter vontade de viver e estava a caminhar a dias, o Querubim olha para ele admirado pela persistência. Thomas olha em volta, ele andara muito para chegar ali, cansado sentasse em uma pedra e fica olhando para o mar, mesmo sem poder ouvi-lo, estava de cabeça baixa, pensando como teria chegado neste lugar, não se lembra nem de onde vinha e nem para onde ia, alheio diante desses pensamentos, sente como se um raio de sol começasse a lhe aquecer a costa, vira-se para trás para olhar o que era aquilo. Levanta-se movido por uma necessidade, de chegar mais perto daquela fonte de luz e calor, vê que a origem da claridade se escondia, atrás de um pequeno monte, que havia a poucos metros dali.

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– Acorda Amor!

Pedro vendo que ela ainda estava triste, aproxima-se para conversar com Beatriz e lhe fala: — O amor foi feito para ser vivido Beatriz! — ―Mas me proibiram de chegar perto dele‖! — Beatriz, sei que não sou bom com palavras, mas a vida foi feita para se encarar, ela se completa pela experiência do que vivemos e não pelo que observamos, mesmo que vivendo um pouco, as vezes este pouco vale mais, do que a maioria poderia conseguir durante uma vida inteira, mas não temos esta noção antes de vivermos. — ―Mas por que eles dizem o contrário‖? — Eles não falaram ou lhe explicaram por que disto? — ―Não sei, já estou perdida nos meus pensamentos‖! — Acredite, nem tudo que vivemos é fácil, mas tudo que não vivemos, acaba um dia nos magoando! — ―Mas nem posso entrar mais no hospital‖! Pedro sorri e fala: — Deixa isto comigo! Pedro levanta-se e vai até à casa de João, explica para ele o que planejava e ele liga para Lídia, depois de tudo acertado vira-se para Pedro e fala: — Se for para tê-lo ao nosso lado, não podemos perder tempo, já estamos em cima da hora!
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Pedro sorri e volta à praia, explica o plano para Beatriz e vai com ela ao hospital, só os dois entram no quarto. Beatriz chora ao ver Thomas sem consciência a cama, senta-se ao seu lado, pegando sua mão fica um tempo olhando para o rosto dele, lembra-se dos momentos felizes que tiveram, os filhos, todo apoio, amor, carinho e atenção que lhe dera, durante toda sua vida de casados. Não podia se conformar, de ver um homem forte como ele, preso em uma cama, sem lutar como sempre fizera, sempre lhe impressionara sua capacidade de ir em frente, nunca deixara para amanhã, o que podia fazer agora. Sorri diante de tantas lembranças doces, tanto que nem percebe as pessoas passando apressadas pelo corredor, médicos, enfermeiras, pessoal da limpeza.

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Belial já está a 7 dias se recuperando, exauriu todas as suas energias, tanto que nos primeiros dias nem se via, de tão fraco que estava, consumira toda sua energia para conseguir trazer os seus, mas quando vê que tamanha energia permitiu, ver os que há anos não via, esperar suas energias se refazerem, foi apenas um prazer a mais, estava a beira do cais do porto e vê RANAK, parar ao seu lado: — Como está BELIAL! Belial sorri, pois RANAK perdera o medo de falar seu nome. — Bem, como estão os aliados? — Visíveis! – RANAK fala sorrindo. – Não sei como fez, mas é bom ver os irmãos de novo! — RANAK preciso saber, o que aconteceu no dia que vocês sumiram? — Fomos subjugados por aquela pessoa, que anda com Thomas e aquela sua protegida, Beatriz! — Destes macacos, sempre espero que não respeitem seus superiores, mas junta o pessoal, observem quem está apoiando Thomas e vamos tirá-los deste mundo! RANAK sorri e sai a passos apressados pelo cais, Belial fica ainda algum tempo sentindo o calor do sol no rosto, ouvindo o mar, sente em tudo isto a força do pai.
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– Quem te viu, quem te vê!

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Belial sai do cais, caminhando na direção das balsas, pela Avenida Juscelino Kubitschek, interditada depois do acidente, que desabou parte dela. Belial chega à praça XV, era um lugar que ele gostava, mas se direciona ao bonde da Lapa, já começava o anoitecer de mais uma sexta feira, a cidade em polvorosa aos pés, pois era início de carnaval. Sobe no sentido do Cristo Redentor, vendo as pessoas passarem fantasiadas, sai do bondinho e sobe na direção do Cristo, olha o pedestal, abre suas asas, mudando de forma, as bate subindo rapidamente os 8 metros da base do cristo, toca nos pés do Cristo Redentor, este começa a tomar vida, a mudar de forma, toma a forma de um imenso querubim, de 30 metros, um prédio de 10 andares, para se ter comparação, Belial some da vista, mas os olhos da grande estátua brilham, como os olhos azuis de Belial, havia assumido a alma daquela grande estátua, que mostra seus pés dando um passo, os turistas assustados veem a grande estátua, mudar para o rosto de uma criança, viram os chifres crescerem, viram ele pisar sobre um bonde parado e o teto vir ao chão, pisoteando quem ali estava, olha em volta como se procurasse onde agiria. Aquela estátua na forma de uma criança com chifres e garras, começa a descer pela encosta da montanha, olhando para o centro da cidade, o pânico toma parte da cidade, que era invadida por uma criatura de 30 metros, em meio a uma cidade no começo do carnaval.
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– Doze Anos

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Marcos estava no IML, olhando para mais um corpo, depois de algum tempo examinando, percebe que é a mesma forma de agir, ainda com as luvas sujas de sangue, por causa da autópsia, fica algum tempo de cabeça baixa perto do corpo, estava cansado quando Jonathan entra pela porta. — Quando isto vai parar? – Jonathan desanimado. — Está parando Jota, agora temos apenas dois tipos de mortes, o pessoal ligado ao grupo que estava matando, deu uma parada! Os dois estavam conversando distraídos, quando ouvem o segurança da entrada dar tiros, vão à janela e veem uma estátua imensa avançar pelo portão, se olham incrédulos, pois era a estátua de Manuel Bandeira que entrava pela porta, as balas desviavam dele, os olhos da estátua se fixam nos de Marcos, que vê ele abrir as asas e voar violentamente em sua direção, Marcos hipnotizado com a cena, perde a chance de recuar, estava a janela quando percebe o ser atravessar por ela e lhe enfiar a haste de luz, Jonathan quis defender Marcos, mas quando vê a luz lhe atravessar, sai correndo pela porta, não havia mais o que fazer, desce correndo ouvindo os seguranças atirar, entra no carro e acelera no sentido do centro, ligando imediatamente para Lídia, passando todos os limites de velocidade e da sanidade mental.
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– Flor da Idade

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Apesar de toda pressa que Thomas sentia e da tentativa de chegar logo, parecia se aproximar lentamente, ao fazer a curva da praia. Contornando a primeira pedra, para ao ver uma moça sentada em uma rocha, a poucos passos dele, ela está de costas, cabeça baixa e parece não perceber a sua presença. Sente ser ela a origem desta claridade, que lhe aquece a alma, olhando para ela sente como se só agora achasse o que estava perdido, mas como podia saber que havia perdido algo, se nem se lembrava quem era e onde estava? Volta a apressar o passo, queria chegar logo, mas parecia estar se aproximando em câmera lenta, sente vontade de sorrir, está sentindo-se leve, já estava bem perto dela, quando ela virase para ver quem estava chegando, vê o sorriso dele e lhe sorri de volta, parece que a claridade e calor que vinha dela, aumentaram de intensidade. Thomas olha aquela moça a praia, o único lugar onde consegue sorrir desde que chegou ali, olha para os olhos da moça a olhá-lo, ouve o som de sua voz depois de dias num total silêncio. — Oi. – diz Thomas sorrindo. — Oi. – responde Beatriz sem jeito. Beatriz achava que devia se manter afastada dele, mas era como se algo lhe indicasse este caminho, a emoção de estar diante de Thomas a impedia de se mexer, vê ele se aproximar,
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– Tanto Mar

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mas não expressa nenhuma reação. Ele como se não soubesse o que estava fazendo, se aproxima dela cada vez mais, vagarosamente, tinha medo que isto assustasse ela, Thomas a ouve falar. — Confuso Thomas? — Você me conhece? — Sim, temos de enfrentar os desafios Thomas, não fugir deles! — Não lembro quem sou! — Eles estavam lhe punindo, mais um pouco e penaria pela eternidade sem saber quem era! — Quem é você, há vi outro dia aqui mesmo? — Não tenho mais este rosto Thomas, meu nome é Beatriz, mas preciso que acorde, que encare o mundo como sempre o fez, sem medo! — Mas como saio daqui? Thomas parece frágil, Beatriz deixa uma lágrima correr por seu rosto, vendo ele tão frágil naquele lugar, o mesmo local em que se encontravam nos últimos anos. Ele como se não soubesse o que estava fazendo, se aproxima cada vez mais dela, vagarosamente, tinha medo que isto assustasse ela. Aproxima-se mais e olha para os lábios dela, que continuam a sorrir, até parecia que os dois estavam em transe, ele se aproxima mais dela e olha seus lábios, quando olha de novo em seus olhos, vê que ela também olhava para os seus lábios, a segura delicadamente em seus braços e chega mais para beijá-la, vê o momento em que ela entregue, fecha os olhos, desliza suavemente seus lábios sobre os dela, quando ela entreabre os lábios, retribuindo ao beijo, o coração dos dois
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batem aceleradamente no peito, em Thomas, uma onda começa crescer em seu peito, ouve o som do mar as suas costa, sente o calor do sol lhe aquecer. Se olham meio que perdidos na emoção de Beatriz, no confuso coração de Thomas. —§— Beatriz estende a mão para Thomas, que olha pelos olhos dela e vê um senhor deitado, em uma cama de hospital e pergunta. — Quem é o senhor na cama? — Você, está se vendo pelos meus olhos! Thomas vê pelos olhos de Beatriz, João entrar pela porta e falar olhando Pedro. — Marcos acabou de ser morto no instituto médico legal, por uma estátua, que um dia foi a de Manoel Bandeira, acho que viramos alvo! Beatriz olha para João e fala. — Preciso de mais um tempo, para trazê-lo a luta! — Acha que consegue, ele saberia o que fazer! A TV do quarto entra com a música, que anunciava geralmente tragédias ou grandes acontecimentos. — Direto do centro da cidade do Rio de Janeiro, na Cinelândia, a saída do Bola Preta, maior bloco de carnaval do mundo, foi interrompida, o que veem é uma imensa estátua de mais de 30 metros, que entrou pela avenida e começou a pisotear as pessoas!

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A cena mostra gente fugindo da grande estátua, que em nada lembrava a do cristo redentor, avançava sobre as pessoas, mas o pânico, no centro de uma cidade lotada para os acontecimentos de carnaval, viram notícia nacional. — Vamos tentar impedir, mas tem de saber, que eles virão para cá atrás de vocês! — João, pega o pessoal põe num helicóptero, destino, teto da catedral Metropolitana! – Beatriz. — Tem certeza disto? — Não tenho certeza de nada, mas tenho de tentar algo! João sai pela porta, Jonathan que escapara do Instituto Médico Legal em seu carro, atravessando o portão do local a toda, após ver a morte de Marcos, se direcionava ao centro da cidade, de encontro a Lídia, que recebe um telefonema. — Fala João! — Catedral Metropolitana! — Por quê? – Lídia estranha. — Não sei direito, mas Beatriz está ao lado de Thomas, tentando trazê-lo para a luta, mas marcou com a gente lá! — Soube da morte de Marcos? — Soube, já perdemos muitos, temos de parar isto agora! Lídia desliga o telefone e vai ao centro da cidade.

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Thomas que até agora falava com a moça, de repente a vê sumir, olha em volta desorientado, já começava achar que estava delirando, quando vê a moça surgir a sua frente, como se não estivesse mais no quarto e pergunta. — Quem são aqueles? — Gente que precisa de você Thomas! — Mas como posso ser algo que alguém precise, se nem lembro quem sou! — Thomas, não sei como lhe tiraram a memória, mas se lhe mentir e isto te ajudar, não tenha raiva de mim! — Por que teria raiva de alguém? Ainda mais de você! Beatriz olha para Thomas e fala. — Você é um anjo Thomas! — Anjo, está brincando? — Não, estou falando sério, olhe suas asas! Thomas olha para sua costa e vê surgir suas asas, olha para Beatriz e fala. — Nunca fui um anjo Beatriz, sabe disto! Beatriz sorri, pois as asas, são a revelação de quem a pessoa é e fala. — Estamos precisando de você Thomas! Thomas pega as mãos de Beatriz e fala. — Tenho muita saudade de você!
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– Eu Te Amo

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Thomas aproxima os lábios e beija Beatriz, que fecha os olhos estreitando-o em seus braços, seu coração estava disparado, um amor eterno, um amor que estava atravessando uma barreira, muito difícil de se retornar. — Beatriz! Eu te Amo! Falara mais alto do que pretendia, o que fez com que acordasse e quando abre seus olhos, estava deitando em um leito de hospital, seus olhos demoram a fixar em algo, olha em volta a procura de sua amada, sabia que não podia ser só um sonho, tenta se levantar da cama com urgência, já ficara muito tempo longe dela, a vê segurado sua mão, seu coração estava num misto de urgência e alegria, descobrindo que aquela moça era sua amada, o coração falando uma coisa, os olhos lhe dando a dúvida por outro. Thomas toma coragem, olha nos olhos dela novamente e pergunta, ainda inseguro de tudo. — Seria capaz de ainda me amar Beatriz? — Nunca deixei de lhe amar, Thomas! O sorriso de Thomas foi cortado, pela visão de um ser de asas, ereto como um homem, mas com grandes presas e garras, atravessar pela porta do quarto, a imagem que ficou para trás, devido à passagem do ser, confirmava o sangue em suas garras, olha para Thomas e fala. — Achamos onde se esconde, achamos finalmente o casal! Aquela informação parece ter sido passada, imediatamente aos demais e todos os seres, começam a caminhar no sentido do hospital, Thomas olha para Beatriz e pergunta. — Como saímos daqui?

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Beatriz olha para a janela, tira o lençol de cima de Thomas e olha em seus olhos, o ser não entende de cara, mas os dois saem correndo direto para a janela, um prédio de dez andares e se jogam pela janela, começando a cair. Thomas abre suas asas e olha para Beatriz e a vê abrir suas asas, lhe dá a mão e sobrevoam a cidade, no sentido do centro.

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Os dois estavam sendo seguidos por uma multidão de criaturas, Thomas olha para Beatriz e mudando a direção, começaram a voar por cima da Baía, sobrevoando a cidade, estavam sorrindo felizes, em meio a uma guerra por estarem ali, um ao lado do outro. Os pensamentos estavam na guerra, mas os olhos estavam um no olho do outro, ela sorri, pois muitos dos seres estavam a seguilos, mas nem mesmo isto tira a felicidade deles, os dois subiram a uma grande altura, fugindo dos seres. Thomas olha suas vestes e sorri pensando, na ótima roupa que estava para um reencontro daquele, a roupa do hospital solta por cima do corpo, uma leva de 20 seres os perseguiam, eles desviaram e começaram a mergulhar no espaço, abaixo as águas da Baía de Guanabara, na altura do Aterro do Flamengo, os Querubins vieram junto, apenas uma pequena distância os separava, mas quando mergulham de súbito na Baía, os seres não tiveram como desviar a tempo, entrando na água com sal da Baía, Thomas mergulha com Beatriz, no escuro da Baía, os olhos dos dois parecem brilhar ao mar, juntos começaram a nadar no sentido da praia, enquanto os seres se debatiam as suas costas parecendo sentir dor, Thomas normalmente teria sentido pena, mas não tinha mais. Thomas e Beatriz chegam à superfície da água. Thomas toca na água, o sal da água começa a se concentrar e fazer uma
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– Essa moça está diferente!

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camada fina, mas resistente sobre a água, ele ajuda Beatriz subir e os dois juntos vão caminhando até a margem da praia, saíram na praia do Flamengo e olhando em volta, saem caminhando na direção da catedral.

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Lídia, Jonathan, Pedro e João pousam de helicóptero no topo da igreja, olham em volta, não sabiam o que estava acontecendo, mas viam a grande estátua avançar no sentido da catedral, chutar o arco da Lapa e avançar, outros seres foram cercando a catedral, não apenas os Querubins, todos os 315 seres alados, excluídos do paraíso após a revolta. Estavam tão distraídos que nem viram Beatriz e Thomas pousar as costas deles até Thomas falar. — Se alguém tiver uma roupa, eu aceito! João olha assustado, vê Thomas com a roupa do hospital, sorri primeiro, mas lembrando da encrenca pergunta para Beatriz. — Por que aqui? — Existem símbolos de união com Deus na cidade do Rio, mas este é dos mais chamativos! – Aponta o teto da catedral com uma cruz de lados iguais. — Mas somos vulneráveis aqui! — Sim! – Thomas olha para Beatriz e fala. – Cuida deles? Ela balança a cabeça afirmativamente e os demais viram quando Thomas abre as asas e sai voando, indo pousar a frente da catedral, a grande estátua avançava sobre Thomas que continuava ali, parado, olhando para a grande estátua, que o vendo de asas brancas totalmente abertas, sabendo que ele não era um Querubim, mas então o que era, não tinha ideia alguma.
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– Não existe pecado ao sul do equador

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— Veio pagar o preço por me desafiar? – Belial ameaçador. — Você se acha, Belial, mas não passa de um ser com muita conversa e pouca ação! – Thomas, resolve ir ao ataque, deixa de lado a posição defensiva pela ofensiva. — Não sou eu que usa asas, que não lhe pertencem! Thomas olha para o ser imenso a sua frente, mais de 30 metros e fala. — É!!! Mas não sou eu que está usando um corpo, que não é seu, BELIAL! A palavra do nome de Belial, pronunciada na frequência certa, faz o ser se desprender da estátua, fazendo com que surgisse em frente da igreja, agora podendo olhar nos olhos de Belial continua. — O que quer Belial? — Por que se atreveu a soltar as almas que aprisionei? — Por que sou humano! — Não me parece humano! — Sinal que você não é mesmo quem diz a lenda, Belial, é apenas um fofoqueiro arrogante, não se curvou diante de nós, não por que saiba que somos inferiores e sim, por que nos vê como inferiores! — Óbvio que os vejo como inferiores! — Mas isto mostra que não é um bom observador, que suas avaliações não são passíveis de considerações! — Vai me dizer que é apenas um primata! Thomas encolhe os braços a frente do corpo e as asas somem, estava em sua veste de hospital, ele se sentia ridículo assim, olha para Belial e fala.
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— E o que sou além de um primata? Belial olha para Thomas, o sente como primata, o sente como humano, como ser e fala. — Mas não sinto suas asas! — Como alguém disse, para sentir tem de acreditar que está lá, para vocês, é fácil acreditar no pai, já o viram, já falaram com ele, nós, sentimos ele no ar, mas somos seres capazes de crer sem ter visto, quando ouvi que a fé dos anjos é como as de Jó, pensei pela primeira vez uma coisa, não tem como ser, a não ser que Jó fosse um anjo, pois nossa fé, é muito maior que a de vocês, pois vocês veem Deus para crer! — E vocês distorcem tudo que Deus criou, para provarem ser maior! — E o que você faz Belial, não é diferente de nós, mas nos inveja, pois não existe outro motivo para uma ação tão mesquinha, como prender almas na forma de pássaros, você as inveja e não quer que isto venha à tona! — Não fale barbaridades, vou acabar com você, Thomas! Thomas abre as asas e espera. — Pode vir, estou lhe esperando! Beatriz convence João a chamar o helicóptero de volta, saíram do topo da igreja e pararam a uns 300 metros de Thomas, que espera Belial atacar. Thomas olha Belial tomando a forma de um touro, quando ele chega perto, Thomas segura o pelos chifres e o joga na calçada do outro lado, os demais seres alados recuaram, quem era este humano, que tinha a força de Belial. Belial toma a forma de um grande Leão e avança sobre Thomas, este desvia e lhe empurra, contra a parede da igreja.
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No topo da Igreja, surgem os Querubins para mais um dia de matança na cidade, RAZIEL olha a luta e faz sinal para os seus não interferirem. Thomas se endireita e vê Belial avançar como uma águia, Thomas segura a águia pelo pescoço e joga contra a igreja novamente, Belial tenta avançar por mais de 30 vezes e no fim fala exausto. — Não pode ser um humano, você me derrota como se eu fosse um fraco! — Você é fraco Belial, mas não entende que não lhe quero mal! — Mas você me desafiou! — E vai pagar caro à morte de cada alma, ou acha que vai escapar do julgamento, acha mesmo que somos bons, acho que não se lembra de uma época, em que Deus só analisava as ações do homem, mas de tanto nos ver orar, começou a notar que nós o adorávamos, mesmo sem vê-lo e somamos a isto, o amar sem conhecê-lo! — Mas vocês amam ao próximo mais que a Deus! — Não, amamos ao próximo, mas amamos Deus, não são amores iguais, Deus é um amor incondicional, incomensurável em tamanho, um amor pela eternidade de nossas almas, outro, um amor por uma vida, ou pelo tempo que conseguirmos viver! — Mas não pode ser mais forte que eu! — Você é um velho Belial, eu sou um jovem, você falou a alguém, que somos seres de 22 mil anos, novos, jovens, temos a energia dos jovens, a agilidade de pensamento de um jovem, mas a maioria ainda não sabe, que somos feitos na mesma medida!
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No topo da Igreja RAZIEL olha Gabriel e pergunta. — Como ele pode com Belial, quando nem para nós foi páreo! Como posso lhe ver novamente? — Cego é o que não quer ver irmão! — Sabia destas asas? — Não consigo vê-las, nem você, mas sabemos que estão aí, mas este Thomas é algo que ainda não entendo, o pai quer nos mostrar algo! — Acha que ele vai tentar ir, a todos os lugares que nosso pai nos determinou? — Se não morrer antes! – Gabriel. No chão, Belial olha para Thomas e fala. — Mas como um ser de carne, pode com um ser em essência? — Pois você está no mundo real, não no de essência, lá nem sei que tipos de regras regem Belial! — Mas não admito perder! Belial muda de forma muito rápido e avança como um touro, Thomas pego de surpresa, que é empurrado violentamente no sentido da parede da catedral, sente suas asas, e sente uma aura lhe protegendo, algo reluzente, quando toca a parede da igreja, as pessoas que ao longe observavam, assustados, ouvem o choque de Thomas contra a parede e ouvem o estrondo das estruturas da igreja ruírem e vir para baixo de uma vez, os anjos e seres alados, abrem suas asas e pousam as costas de Thomas, que segura o chifre de Belial e o mesmo sente seu corpo voltar a forma da criança, olha para Thomas e vê a aura lhe cercando, a aura divina, multicolorida, Belial olha nos olhos de Thomas, meio sem saber o que estava
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sentindo, por um longo tempo, todos olhando, os pensamentos de Belial estavam entre uma adoração e um respeito. — Por eles ainda não, Thomas Thompson, mas diante de você me curvo! Os demais seres as costas de Belial, vendo o mesmo se curvar diante de Thomas, chegam perto e vão se curvando, Thomas ouve um grande estrondo no céu e todos na praça ouvem. — Bem vindo a casa novamente filho! Belial sorri, Gabriel não. Os seres que se curvaram diante de Thomas, começam a se tornar reluzentes e somem da praça.

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Thomas vira-se para Gabriel e fala. — Sei que não está feliz, mas não foi minha escolha, sabe disto! — O que você é? — Thomas Thompson! RAZIEL olha para Thomas e pergunta. — Como pode com Belial, não pareceu nem um pouco forte diante de nós! — Covardia! Não me falaram que os Querubins eram covardes, bater e submeter alguém a penitência eterna, alguém que estava tentando dar fim à guerra de vocês, alguém que não impôs resistência a uma agressão de vocês! Se RAZIEL tivesse visto, o sorriso nos lábios de Gabriel se irritaria, mas entende que Thomas não revidara aos ataques, apenas se defendera. — O que quer dizer com isto, não estava lá para nos enfrentar? — Sabe que não, não enfrento as determinações de Deus! RAZIEL olha sem entender tudo aquilo.

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– Até o Fim

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a Paquetá: — O que viemos fazer aqui? – João. — Algo me trouxe a este lugar rapaz, muita coisa mudou nos últimos dias, da minha forma de ver a minha vida, a forma de encarar, o que os demais consideram desafios! — Enigmático! – Lídia. — Não, mas os pescadores estão presos nesta homenagem, Belial estava fazendo um caminho à apreensão de almas, João, queria que fosse a cada canto desta baía e olhasse atento, para tentar ver onde estão as almas aprisionadas, e as libertar! — Se me cabe isto não fugirei, Thomas! Thomas olha para a pedra, que era uma homenagem aos pescadores e a toca, os demais, fora Beatriz, não viram as almas começarem a ser libertas dali, apenas sentiram-se mais leves, milhares de pescadores mortos na baía por anos, olha para os seres a caminhar por aquela terra, dá a mão para Beatriz e os dois caminham pela praia.

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– De todas Maneiras

as

Thomas volta na manhã seguinte

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Thomas e Beatriz sentam-se a pedra da Moreninha. — Está me estranhando neste corpo, sei disto Thomas! – Beatriz não consegue olhar em seus olhos. Thomas sorri, seus pensamentos estavam distantes, era mais uma prova, ele teria de continuar, mas agora sabendo que alguém o esperava, se preocupando em não morrer facilmente. Thomas tira uma das alianças da mão e olha nos olhos de Beatriz. — Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença e nem a morte nos separara! – Colocando a aliança no dedo de Beatriz. Beatriz sorri, mas uma lágrima lhe corre pelo rosto novamente, ele põe a aliança em seu dedo, os dois se abraçam e se beijam, Beatriz desliza seus dedos pelo cabelo de Thomas, o envolve firme em seus braços, só ela sabia a falta que um havia feito ao outro. Sente a saudade ainda apertar no peito, seus lábios deslizando possessivos nos dele, dizem a ele que o amor nela só havia aumentado, mesmo depois de todos esses anos afastados. Thomas desliza sua mão suavemente pela costa de Beatriz, a estreitando nos braços, tinha medo de acordar e descobrir que tudo não passara de um sonho, a aperta mais nos braço e sente o coração dela bater forte, comprovando que estava ali. O beijo parecia não mais ter fim, por tanto tempo sonharam com isto,
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– Vida

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que um não conseguia mais se separar do outro, como se fosse possível não se verem mais depois disto. Afastam-se um pouco e perdem a noção do tempo se olhando nos olhos, o coração começa a bater mais calmamente, ela olha no rosto de seu amado, relembrando aqueles traços que tanto adorava e ele olhava o rosto dela, se acostumando a ver nela, a mulher por quem se apaixonara perdidamente, quando os olhos dos dois ao mesmo tempo, se fixam um nos lábio do outro, voltam a se beijar, mas agora com uma ternura e paz, de quem sabia que nunca mais nada os afastaria. Os dois abraçadinhos ficam a olhar o mar, diante da baía, talvez os corações estivessem leves depois de anos, mas Thomas tinha de falar. — Beatriz, sei que estou pedindo demais, mas me esperaria? — Sei que tem de manter seu caminho, para quem esperou longe tanto tempo, espero um pouco mais! Beatriz passa a mão no rosto com barba por fazer de Thomas e o beija novamente. Thomas sente-se nas nuvens, por saber que ela estaria lhe esperando quando voltasse e isto aumentava a certeza de que venceria está guerra de qualquer jeito.

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Thomas embarca para a cidade do México, deixando uma cidade diferente da que chegou, a estátua do cristo redentor, estava diante dos restos da Catedral Metropolitana, muitas obras seriam aceleradas naquela cidade, mas sua cabeça começava a se desviar para o próximo passo, foi difícil deixar Beatriz no aeroporto, mas estava defendendo algo muito maior, a continuidade desta espécie que ele pertencia, a dos teimosos humanos! Sorri ao pensar assim, mas sabia que a partir de agora, seu propósito só havia aumentado, sabendo que teria um lugar para voltar, suspira feliz pensando em sua amada, no quanto ainda teria para viver e ser feliz, enquanto o seu vôo segue o seu caminho pelas nuvens, ele também seguia por nuvens, acaba por adormecer sorrindo, esta viagem de férias, foi a mais cansativa de toda a sua vida, mas também a melhor que teve, desde que sua esposa morreu, pois antes dela morrer, todas as férias que teve, foram motivo de comemoração…

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– Bye, Bye Brasil

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Esta parceria esta partindo para sua quarta realização, deixando agora a cidade do Rio de Janeiro e indo a Cidade do México. Esta parceria deu mais que certo, está gerando uma série que a muito não escrevia, de livros independentes, e interligados, uma estória maior e ao mesmo tempo independente: Demos um tempo para as ideias refrescarem mas em breve continuaremos esta grande saga de Thomas Thompson.

O Quarto livro, chamado: Aventuras de Thomas Thompson IV Guerra dos Thronos
Leia um trecho de Guerra dos Thronos

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Um rapaz anda calmamente no centro da cidade do México, ele transitava como todo dia, sem nada de importante a fazer, olha as moças a conversar, os senhores mais velhos ao fundo, não tinha nada de especial naquele dia. Um outro rapaz, chega a ele pelas costas e fala. — É um assalto, quieto, passa a carteira! O rapaz treme de medo, pega a carteira tremendo e fala. — Leve, mas não me mate! O rapaz sorri pegando a carteira. — Continua andando, não olha para trás que lhe mato! O rapaz continua a andar, não olha para trás por um bom tempo, quando acha que era seguro, olha de relance e não vê mais ninguém, em meio ao tumultuo da cidade. Senta-se em um banco e respira fundo, seu coração estava acelerado, suava de medo, pôs os cotovelos apoiados na perna e a cabeça apoiada a mão para pensar no que faria, estava ali respirando fundo quando ouve alguém lhe falar ao lado. — Tudo bem Rapaz? Ele olha assustado, a voz era fina, aparentemente masculina, olha aquele ser ao seu lado, um rosto perfeito, olha para o corpo para saber, se era um homem ou uma mulher, tamanha a perfeição do rosto, estava difícil de definir. — Bem…, agora estou bem! — Quer uma ajuda, Gabriel?
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— Sabe meu nome? O ser estende a mão, Gabriel sem se dar conta estende a sua, sentado naquele banco, sente o ser lhe entrar na mente e perguntar num sussurro. — Por que tamanho medo Gabriel? — Temo tudo que existe, não sei, sempre fui assim! — Renascera quantas vezes for necessário, até que sua alma perca o medo! O rapaz estranha a frase, sente suas forças sumirem, os demais em volta olham para o rapaz e o vê cair, muitos que passavam pelo local, nem notaram que o rapaz já não estava entre eles. Depois de uns 15 minutos um senhor mais velho, veio da parte oposta da praça, toma o pulso do rapaz, a procura de um sinal de vida, chama um policial informando o acontecido. —§—

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