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VIOLÊNCIA CONJUGAL

Filipe A. Mendes nº 26185 Francisco Barreira nº 26337 Joana N. Batista nº 28828 Mário A. C. N. Guedes nº 29542 Nicolau F. S. Carvalho nº 27498 Tiago J. S. Nunes nº 27516 Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro Licenciatura em Educação Física e Desporto Escolar Desenvolvimento Humano II

Resumo: O conceito de violência conjugal diz respeito à violência que tem lugar em contexto de relacionamento conjugal - entre dois parceiros, que coabitam, casados ou não. Aceitamos que os papéis de agressor e vítima são intermitentes, sendo que ambos podem agredir (Felson, 1999; cit in Costa, 2005 ). Para determinados indivíduos, inseridos numa determinada cultura, num determinado contexto a violência conjugal não existe e é vista como um poder exercido pelo homem sobre a mulher, ou seja, prevalece a lei do mais forte. Enquanto que para outros, em contextos, em culturas e sociedades diferentes a violência conjugal já é vista como um crime, tem sido criadas

algumas instituições e leis que apoiam as vítimas de violência conjugal. No nosso trabalho tentamos recolher o máximo de informação actualizada sobre este tema de modo a proporcionar às pessoas uma informação completa como tipos de violência, causas, motivos, consequências que levam à violência conjugal. Também foi realizado um estudo com o objectivo de comparar a teoria com a prática, ou seja, verificar se existe ligações entre ambos.

Palavras-chave: agressão.

violência

conjugal,

violência física, violência psicológica,

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alargar os nossos horizontes, ou mesmo INTRODUÇÃO fundamentar conhecimentos já adquiridos, acerca da temática referida. Devido a uma linguagem simples O nosso trabalho é sobre e cuidada temos esperança que este trabalho contribua para a consulta de outros e do seu próprio desenvolvimento a nível pessoal. Não podemos começar o nosso trabalho sem antes clarificarmos alguns conceitos, que serão fundamentais para a compreensão do nosso artigo. Começamos por definir: Violência Conjugal: o conceito de violência conjugal diz respeito à violência que tem lugar em contexto de relacionamento conjugal - entre dois parceiros, que coabitam, casados ou não. Aceitamos que os papéis de agressor e vítima são intermitentes, sendo que ambos podem agredir (Felson, 1999; cit. in Costa, 2005). Violência: definida como um Violência Conjugal e surge na Unidade Curricular de Desenvolvimento Humano do 2º semestre do 1º ano da Licenciatura de Educação Física e Desporto Escolar. No presente estudo pretendemos dar a conhecer algumas noções essenciais sobre a violência conjugal. Este estudo foi realizado com pesquisa de informação recolhida em artigos científicos, livros, monografias e num estudo de caso, onde foi aplicado a seis sujeitos que frequentam a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Os objectivos eram saber se existe algum tipo de violência conjugal praticado pelos pais entre eles, comparar com as pesquisas feitas mais na teoria e ver se existe alguma relação, identificar qual o perfil da vitima e do agressor na violência, as consequências das lesões nas vitimas entre outras questões abordadas ao longo do nosso artigo.

comportamento activo, espontâneo ou voluntário, é dirigida contra algo ou alguém com intenção de lhe trazer prejuízo ou sofrimento (Costa, 2005).

Estamos certos que este trabalho vai contribuir para a nossa formação como futuros profissionais de Educação Física e ansiamos que este nos ajude a
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Agressão: para a maioria dos autores a agressão é todos os tipos de violências físicas (incluindo as de ordem sexual) e/ou psicológicas (Costa, 2005).
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Abuso: o conceito de abuso é muitas vezes utilizado como equivalente ao de agressão. Há no entanto diferenças entre os investigadores quando definem o conceito no que diz respeito à severidade considerada necessária para que um acto seja definido como abuso (Costa, 2005). Violência Doméstica: o termo violência doméstica identifica o local do acto,” dentro de uma relação marital ou de coabitação intima, em casa (Dwyer, 1995; cit. in Costa, 2005) . Violência familiar: todo o acto exercido por uma pessoa com papel marital ou parental, contra outros membros da família com papéis recíprocos; inclui os maus tratos infligidos no âmbito do casal (independentemente da situação legal), no âmbito da relação parental (pais biológicos ou não); no âmbito da relação fraternal (irmãos contra irmãos) (Costa, 2005). Assédio: “segundo Meloy o assédio compreende diferentes comportamentos de perseguição ao longo do tempo, esta perseguição é vivida pela vítima como uma ameaça, e é potencialmente perigosa”. Violência de Género deve ser entendido como um relação de poder de dominação do homem e de submissão da mulher. Ele demonstra que os papéis impostos às
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mulheres e aos homens, consolidados ao longo da história e reforçados pelo patriarcado e sua ideologia, induzem relações violentas entre os sexos e indica que a prática desse tipo de violência não é fruto da natureza, mas sim do processo de socialização das pessoas (Calvalcanti, 2005). Violação pode ocorrer em qualquer lugar e sob diferentes formas, desde violação no seio familiar, como por exemplo, a violação marital, e o incesto; podendo também acontecer em situações de conflito armado e nos campos de refugiados (Silva, (s.d.)). Tipos de violência Os tipos de violência mais praticados contra mulheres pelo cônjuge podem ser descritos de três formas: os maus tratos físicos, psicológicos e sexuais (Heise, 1994; cit. in Mota, 2004). Seja qual for o tipo de violência assumido, a violência emocional encontra-se sempre presente (Day e tal, 2003; Saffoni, 1999; cit. in Mota, 2004). Segundo Day et al. (2003; cit. in Mota, 2004), na violência familiar contra a mulher, o abuso praticado pelo parceiro é parte de um padrão repetitivo de controle e dominação do que um acto

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único de agressão pode caracterizar-se por: Agressões físicas na forma de golpes, tapas, chutes e surras, tentativas de estrangulamento e queimaduras, quebra de objectos pessoais favoritos, ameaça de agressão física aos filhos e outros membros da família; Abuso psicológico como menosprezo, intimidação e humilhação; Comportamento de controlo como isolar da família, vigilância das suas acções e restringir o acesso a diferentes recursos. Violência Sexual as agressões físicas praticadas pelo companheiro podem incluir violência sexual. Em muitas sociedades a mulher não entende o sexo forçado como violência se ela está casada ou vive com o agressor. Violência Económica ou Financeira Engloba-se nesta definição todos os actos destrutivos ou omissões do agressor que afectam a saúde emocional e a sobrevivência dos membros da família. Incluindo: roubo, destruição de bens de pessoais bens de (roupas, sociedade e objectos, conjugal utensílios documentos, animais de estimação) ou (residência, móveis

gastos básicos para a sobrevivência do núcleo familiar. O que leva uma pessoa a agredir o seu companheiro? Segundo alguns especialistas o perfil psicológico do agressor é o de um indivíduo emocionalmente imaturo e possessivo. Exalta-se facilmente, discute por motivos fúteis e reage com muita frequência como se fosse uma criança, que “destrói” o brinquedo, quando este o desagrada. É frequente o agressor mostrar um perfil psicopático, demonstrando medos diversos e a mania da perseguição. Durante a crise a vítima é barbaramente espancada, em alguns casos possuem o complexo de Édipo exacerbado, são do tipo “bate e pede desculpa”. A relação de amor-ódio que sente pela mãe é transportada para a mulher. A seguir a uma monumental tareia, confessa-se arrependido, jura que não lhe volta a bater. Demonstra através de palavras e carícias que a ama muito e deseja fazer amor com ela, como uma forma de reconciliação. Muitas mulheres são apanhadas nesta armadilha, depois dos maus-tratos, vem a relação sexual. Toda esta situação, faz subir a adrenalina e as pessoas ficam dependentes física e mentalmente desta situação. É por isso que muitas mulheres, levam tareias com

domésticos, terras), recusa de pagar a pensão alimentícia ou de participar nos

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frequência, mas não conseguem viver sem o agressor, ficaram presas física e psicologicamente, neste jogo de amor – ódio. De um modo geral o agressor sente que tem sempre razão, é muito autoritário e sente-se ameaçado sempre que o seu companheiro dá a sua opinião. No caso deste ter razão, a situação agrava-se, pois ele não aceita que está errado, agride o outro como uma forma de se impor. Outros são movidos a álcool, sob o efeito da bebida fazem o que lhes passar pela cabeça. Desta forma libertam-se das inseguranças, incompetência e insatisfação, sejam elas devido ao trabalho ou das suas relações de amizade ou amorosas. O companheiro é o bode expiatório de todos os seus sentimentos reprimidos. Quando o casal tem uma vida sexual insatisfatória e o homem tem dificuldade em manter a erecção ou tem ejaculação precoce, não se satisfazendo a si próprio nem à sua companheira, a frustração que sente dão lugar à violência, acusa a mulher destes factos. Há também homens que agridem a mulher por se sentirem socialmente inferiores a esta. Inseguros em relação à sua masculinidade devido a insucessos na vida profissional ou por se sentirem muito à quem das expectativas que têm deles próprios. Em casa uma opinião da
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mulher, ou até uma pequena brincadeira fá-lo sentir-se ofendido. A única maneira que encontra para impor os seus pontos de vista e desejos é através da violência1. O que leva a vítima a tolerar a agressão física por parte do companheiro As pessoas que apanham tareias do companheiro, de uma forma repetida, são, de certa forma, cúmplices da situação. Normalmente desde a infância que viveram cenas de violência e castigos físicos. De uma forma inconsciente, na vida adulta, repete as relações que viveu e viu viver em criança. Quando chega a altura de escolher um parceiro, opta normalmente pelo tipo agressivo, por aquele que demonstra mais “força” para enfrentar os problemas que a vida lhe ponha. É o tipo de pessoa que admira um companheiro conflituoso, isto para ela representa que será protector. De um modo geral este tipo de casamento acaba na relação amor-ódio e em cenas de pancadaria quando a relação começa a desgastar-se. Para outras vítimas pode ser uma herança educacional, elas podem ter sido acostumadas a ver a agressão como forma de afecto, protecção e carinho. Estas pessoas podem interpretar uma

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agressão, como um acto de amor e protecção. Há também o caso das pessoas que apanham por estarem estes acomodadas casos dão-se financeiramente,

em muito do tipo de violência que foram vitima Agressões físicas: As consequências podem ser contusões com, ou sem solução de continuidade da pele, feridas contusas, feridas por arma branca e agressões mistas. Habitualmente não requerem tratamento médico, mas pode haver excepções (Furtado, 2002). Agressões violência psíquicas: pode Este tipo de

sobretudo com mulheres, uma vez que estas têm tendência a ficar em casa, limitando-se a criar os filhos. Estas mulheres sentem-se incapazes de se sustentarem a si próprias e aos seus filhos e assim não rompem com o parceiro. Outras são agredidas por sentimento de culpa, sentem-se culpadas de não terem sido capazes de realizarem um casamento perfeito. Estas de uma forma geral sofrem a violência doméstica em silêncio, escondem da família, dos amigos e dos vizinhos os sofrimentos que o companheiro lhes impõe. Como o objectivo era ter um casamento feliz, recusa-se a admitir que escolheu a pessoa errado. Apesar de ser maltratada física e verbalmente, depois de cenas de grande violência, ainda se mostra amorosa e carinhosa para com o companheiro. Alimenta a secreta esperança de que ele mude de atitude, estas pessoas levam muito tempo a tomar consciência da realidade, pois ninguém muda ninguém. Consequências das lesões na vítima As consequências são variadas e dependem

originar

patologia

psíquica ou resultar dela e pode originar dano psíquico, susceptível de reparação em direito civil tal com agressão física ou sexual (Furtado, 2002). Agressões mistas: neste caso deverá, o médico, valorizar as lesões físicas assim como o tratamento indicado e a sua evolução, sem esquecer o dano psíquico presente no momento, e consequente à relação patológica, bem como aquele que poderá vir a ter lugar no futuro (Furtado, 2002). As pessoas não reagem todas da mesma forma numa situação de vitimação. Podemos, distintas: durante o crime contudo, prever algumas reacções, distribuídas por três fases

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Quando atacada, a vítima pode sentir: pânico geral; fortes reacções físicas e psicológicas (paralisia, histeria, tremor, etc.); pânico de morrer; pânico do cativeiro e da impotência; impressão de estar a viver um pesadelo; impressão de que o agressor tem uma raiva pessoal contra si; imediatamente após o crime Embora possa não expressar qualquer tipo de emoção, sob a vítima grande está, stress geralmente, um

nas classes baixas como altas, pode haver eventualmente diferenças ao nível do tipo de violência ou do modo como é sentida essa violência, mas é importante mesmo assim não criarmos padrões. A violência contra mulheres no seio familiar ocorre nos países subdesenvolvidos e desenvolvidos de forma semelhante (Silva, (s.d.)). Violência homossexuais “A violência entre casais homossexuais é uma realidade crescente”, revela a psicóloga da Associação de Apoio à Vitima, Helena Sampaio (2006). Num estudo conduzido por esta autora na Universidade do Minho, os resultados permitem concluir que, entre casais homossexuais praticamente 21% dos a os violência mesmos atinge números inquiridos conjugal nos casais

emocional. A maioria das reacções surge quando toma real consciência do que lhe aconteceu: desorientação geral; apatia; negação; choque; nos dias seguintes Nos dias que se seguem à vitimação, a vítima tende a questionar-se sobre as suas próprias reacções e sobre a sua a volta à normalidade. grande Pode, então, manifestar ambivalência sentimento de solidão; sentimento de impotência; estado de

conhecidos sobre casais heterossexuais – homossexuais identificam-se como vitimas e 16% como agressores. É importante salientar que a polícia exclui os homossexuais da violência doméstica2.

emocional e mudanças bruscas de humor. Estas reacções estendem-se à família e amigos . Onde ocorre a violência A violência acontece em todas as classes sociais… Associar a violência conjugal a meios socialmente desfavorecidos são um mito... há violência conjugal tanto
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Factores que permitem prever a violência e o assassínio Becker (1998; cit. in Garrido, 2002) cita 29 indicadores, que nos permitem dar a entender quando estamos
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perante uma situação de tentativa de violência e ou assassínio. Não é necessário estarem presentes os 29 indicadores para que se esteja numa situação destas, basta existir um ou mais indicadores. Alguns exemplos são: a mulher tem a intuição de que se encontra em perigo; no início da relação, o homem pressionou a mulher para que se comprometessem, vivessem juntos ou casassem; ele resolve os conflitos com hostilidade, que intimidando abuso ou sendo agressivo; ele usa palavras e argumentos pressupõem psicológico (insulta, humilha, etc.).

República, III Série, n.º 159, de 12/7/90 e III Série, n.º 27, de 1/2/91). Em 1991 foi aprovada a Lei 61/91 da Assembleia da República que “garante protecção adequada às mulheres vítimas de violência”. Também em 1999, a Lei 107/99 criou a “rede pública de casas de apoio a mulheres vítimas de violência”, regulamentada pelo decreto-lei 323/2000 de 19 de Dezembro. Ainda em 1999 foi aprovada a lei 129/99 que “aprova o regime aplicável ao adiantamento pelo estado da indemnização devida às vítimas de violência conjugal”. Em 2000 procedeu-se à alteração do código penal e do código de processo Penal, reforçando as medidas de protecção a pessoas vítimas de violência, através da lei 7/2000, de 27 de Maio. Ao alterar o artigo 152º do Código Penal, vem considerar o crime de maus tratos como Crime Público. Em consequência da nova legislação foram aprovados documentos específicos, nomeadamente o I Plano Nacional contra a Violência Doméstica (2000-2003), tendo-se seguido o II Plano Nacional contra a Violência Doméstica (2003-2006). Plano Nacional Contra a Violência Doméstica 2007-2010
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O que tem sido feito em Portugal? Portugal foi um dos países que criaram provisões legais específicos para prevenir e punir a ocorrência de violência no seio da família (Cruz, 2002). A Associação Portuguesa de apoio à vítima (APAV), é uma organização sem fins lucrativos, que foi fundada em 1990, cujos serviços são gratuitos e confidenciais. O seu principal objectivo, é promover e prestar informação, protecção e apoio às vítimas de crime. A APAV é considerada uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) de utilidade pública reconhecida (Diário da

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O III Plano Nacional contra a Violência Doméstica (2007-2010) foi estruturado segundo um modelo que define cinco Áreas Estratégicas de Intervenção a partir das quais surgem as respectivas medidas para a sua operacionalização. Área Estratégica de Intervenção 1 – Informar, Sensibilizar e Educar A prevenção da violência doméstica exige a promoção de valores de igualdade e de cidadania que diminuam a tolerância social e a aceitação de uma cultura de e violência. mitos, Eliminar alterar as estereótipos

alargamento da rede social de protecção, bem como de outras respostas integradas de base comunitária dirigidas à redução dos efeitos negativos da vitimação. Por outro lado, no que se refere à prevenção da revitimação, podemos destacar a experimentação de novas metodologias de controlo penal que permitam reduzir e alterar os dos comportamentos abusivos

agressores. A segurança das vítimas deve ser preservada sem minimizar contudo a responsabilidade penal dos agressores, promovendo, por um lado, a eficácia dos mecanismos jurídico-penais, e por outro, reforçando a credibilidade das vítimas. Área Estratégica de Intervenção 3 – Capacitar e Reinserir as Vítimas de Violência Doméstica Nesta área de intervenção enfatiza-se a promoção das competências pessoais e sociais das vítimas de da violência sua doméstica, mediante o incremento do seu empoderamento, autodeterminação e da sua reinserção

representações de género e os valores que têm perpetuado a existência de relações desiguais no meio familiar, escolar e social, são os principais desafios que nos propomos alcançar. As acções de sensibilização e a mobilização da sociedade civil surgem como uma estratégia fulcral, dirigidas às escolas e às comunidades, no sentido de alterar práticas e comportamentos. Área Estratégica de Intervenção 2 Proteger as Vítimas e Prevenir a Revitimação Nesta área privilegia-se a adequação das respostas sociais às especificidades das vítimas, de forma que a segurança seja uma prioridade, sem comprometer a sua qualidade de vida. É o caso do
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social. A aplicação de medidas de discriminação positiva às vítimas de violência doméstica no acesso e mobilidade no emprego e formação profissional, assume, de igual modo, uma particular relevância nesta Área Estratégica de Intervenção.

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Área Estratégica de Intervenção 4 – Qualificar os Profissionais A intervenção em casos de violência doméstica qualificação exige, e cada vez mais, especialização

forma eficaz passa por um conhecimento aprofundado dos mecanismos, contextos, circunstâncias e dos actores envolvidos na produção deste tipo de fenómenos. Método - Estudo de caso Foram administrados quatro

profissional. Capacitar o pessoal técnico mais envolvido no atendimento a vítimas e agressores dotando-o de competências adequadas para intervirem de forma profissional, é uma tarefa fundamental para a estratégia deste Plano. Por outro lado, afigura-se destas indispensável temáticas a nos para integração especialmente intervenção. Área Estratégica de Intervenção 5 – Aprofundar São várias o as conhecimento do fenómeno da Violência Doméstica recomendações, nomeadamente do Conselho da Europa, que exortam os Estados-Membros a adoptar indicadores e metodologias que possibilitem uma análise de género associada a este fenómeno. Uma problemática multidimensional e tão complexa como a violência doméstica exige a participação e a troca de saberes entre a comunidade científica, as Organizações Não-Governamentais e os vários organismos competentes em áreas transversais a este fenómeno. Intervir de
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questionários com o objectivo de se efectuar um estudo sobre as relações entre irmãos, relações entre namorados e violência doméstica. Relativamente ao nosso tema sobre a violência conjugal, o questionário descrevia uma lista de coisas que podem ter acontecido quando os pais têm diferenças ou estão zangados um com o outro, e daí se indicava a resposta mais adequada a cada questão.

currículos dos cursos e formações vocacionados desenvolver actividades nesta área de

Participantes A amostra foi constituída por 6 sujeitos, com idades compreendidas entre os 18 e 24 anos, em que três sujeitos são do sexo masculino e três do sexo feminino. O sujeito de 18 anos é do sexo masculino, nasceu em Portugal no concelho de S. João da Madeira, está a frequentar o 1ºano do curso de EFDE na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, é apenas estudante só teve um emprego, quando teve o primeiro

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emprego era menor de 18 anos, nunca sofreu de uma doença crónica ou de uma deficiência/incapacidade. Por motivo de doença já esteve hospitalizado uma vez. Tem um irmão de sangue, que tem 10 anos e é do sexo masculino. É vivo não sofreu de nenhuma doença crónica ou deficiência e viveu sempre com ele. Os pais são vivos, tendo o pai 43 anos e a sua profissão é empresário, em relação a mãe tem 45 anos e é empregada de escritório, são casados e viveu sempre com os pais desde que nasceu até agora. O seu agregado familiar vive no concelho de São João da Madeira e é composto por ele, pai, mãe e irmão de sangue, ao todo são quatro pessoas em casa, ele vive com o seu agregado familiar durante o período de aulas. O sujeito de 19 anos é do sexo feminino, nasceu na África do Sul e veio para Portugal quando tinha menos de 7 anos, está a frequentar o 1ºano do curso de EFDE na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro é apenas estudante, nunca teve nenhum emprego, nunca sofreu de uma doença crónica ou de uma deficiência/incapacidade. Por motivo de doença nunca teve hospitalizado já esteve hospitalizado uma vez, onde passou uma semana nos primeiros seis anos de vida. Tem uma irmã de sangue, em que tem 22 anos e é do sexo

feminino. Vive, não sofre de nenhuma doença crónica ou deficiência e viveu sempre com ela. Os pais são vivos, tendo o pai 50 anos e a sua profissão é serralheiro mecânico, em relação a mãe tem 45 anos e é operária Frabil , são casados e viveu sempre com os pais desde que nasceu até agora. O seu agregado familiar vive no concelho de Albergaria-a-Velha e é composto por ele, pai, mãe e irmã de sangue, ao todo são quatro pessoas em casa, ela vive com o seu agregado familiar apenas nas férias ou fins-de-semana. O sujeito de 20 anos é do sexo feminino, está a frequentar o 1ºano de Engenharia Florestal na Universidade Trás-osMontes e Alto Douro é apenas estudante, nunca teve nenhum emprego, nunca sofreu de uma doença crónica ou de uma deficiência/incapacidade. Por motivo de doença nunca esteve hospitalizado. Tem dois irmãos de sangue, em que um tem 7 anos e é do sexo masculino e o outro 11 anos e é do sexo feminino. São vivos, não sofrem de nenhuma doença crónica ou deficiência e viveram sempre com ela. Os pais são vivos, tendo o pai 46 anos e a sua profissão é Assistente Administrativo, em relação a mãe tem 45 anos e é 1ª escritorária, são casados e viveu sempre com os pais desde que nasceu até agora. O seu agregado

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familiar é composto por ele, pai, mãe e irmãos de sangue e avó, ao todo são seis pessoas em casa, ele vive com o seu agregado familiar apenas nas férias ou fins-de-semana. O sujeito de 22 anos é do sexo feminino, nasceu em Portugal, está a frequentar o 1ºano do curso de EFDE na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro é apenas estudante já tendo cinco empregos quando teve o primeiro emprego era menor de 18 anos, nunca sofreu de uma doença crónica ou de uma deficiência/incapacidade. Por motivo de doença já esteve hospitalizado uma vez, onde passou uma semana nos primeiros seis anos de vida. Tem dois irmãos de sangue, em que um tem 18 anos e o outro 12 anos, sendo ambos do sexo feminino. São vivos, não sofrem de nenhuma doença crónica ou deficiência e viveram sempre com ele. Os pais são vivos, tendo o pai 48 anos e a sua profissão é construtor civil, em relação a mãe tem 44 anos e é doméstica, são casados e viveu sempre com os pais desde que nasceu até agora. O seu agregado familiar é composto por ele, pai, mãe e irmãos de sangue, ao todo são cinco pessoas em casa, ele vive com o seu agregado familiar apenas nas férias ou fins de semana.

O sujeito de 22 anos é do sexo masculino, nasceu em Portugal, no concelho de Vila Real, está a frequentar o 1ºano do curso de EFDE na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro, é trabalhador-estudante já tendo três empregos quando teve o primeiro emprego era menor de 18 anos, nunca sofreu de uma doença crónica ou de uma deficiência/incapacidade. Por motivo de doença nunca esteve hospitalizado. Tem oito irmãos de sangue, em que têm 62 anos, 56 anos, 50 anos, 38 anos e 32 anos ambos do sexo masculino e do sexo feminino têm 58 anos, 47 anos e 42 anos, não sofrem de nenhuma doença crónica ou deficiência, viveram todos com ele excepto os irmãos com 38 anos e 50 anos. Os pais são vivos, a profissão do pai é agricultor e a mãe é doméstica, são casados e viveu sempre com os pais desde que nasceu até agora. O seu agregado familiar é composto por ele, pai, mãe e irmãos de sangue, ao todo são seis pessoas em casa, ele vive com o seu agregado familiar no concelho de Vila Real mesmo no período de aulas. O último sujeito tem 24 anos é do sexo masculino, nasceu em Portugal no concelho de Vila Real e está a frequentar o 1ºano do curso de EFDE na Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro é apenas estudante, já teve um

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emprego quando tinha menos de 18 anos, sofreu de uma doença crónica ou de uma deficiência/incapacidade, quando tinha 15 ou mais anos. Por motivo de doença nunca esteve hospitalizado. Tem dois irmãos de sangue, em que um tem 16 anos e é do sexo masculino e o outro 7 anos e é do sexo feminino. São vivos, não sofrem de nenhuma doença crónica ou deficiência e o irmão viveu com ele desde os 2 aos 20 anos e a sua irmã dos 17 aos 20 anos. Os pais são vivos, tendo o pai 46 anos e a sua profissão é Funcionário Público, em relação a mãe é doméstica e são casados. O seu agregado familiar é composto só por ele, já não vive com os pais e saiu de casa com mais de 18 anos.

um com o outro, e daí se indicava a resposta mais adequada a cada questão. Estes questionários fazem parte de uma investigação sobre Violência Conjugal. Elaboramos uma matriz com 7 colunas e 108 linhas no Excel 2003 para a realização questionários. Apresentação resultados Não importa o tempo que os pais permanecem juntos, por vezes eles discordam, ficam aborrecidos um com o outro, querem coisas diferentes um do outro, ou simplesmente têm discussões porque estão mal-humorados, cansados ou por outra razão. Os pais também podem ter maneiras diferentes de tentar impor as suas diferenças um com o outro. Existe uma lista de coisas que podem ter acontecido quando os pais têm diferenças ou estão zangados um com o outro. Os sujeitos deveriam responder ao questionário recorrendo às idades em que tinham 10 e 14 anos e indicar o número de vezes que o comportamento aconteceu. Os comportamentos são agrupados em violência física, psicológica e económica ou financeira. Dentro dos e Discussão dos dos resultados dos

Instrumentos Foi com base num questionário sóciobiográfico (adaptado do S.E.Q.; de W.Toman, por Otilia Monteiro Fernandes & Inês Carvalho Relva, 2008), que tem como objectivo principal fazer o levantamento dos aspectos mais relevantes do seu meio familiar de origem (no qual viveu, ou vive) e num questionário Conflict Tactics Scales CTS2 (parte3) que descrevia uma lista de coisas que podem ter acontecido quando os pais têm diferenças ou estão zangados

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comportamentos físicos são exemplos: a mãe ou o pai atirou alguma coisa que podia ter magoado o seu cônjuge, torceu o braço ou o cabelo, empurrou, mostrou uma faca ou arma, deu um murro ou bateu com alguma coisa que poderia ter magoado, apertou, atirou contra deu a parede, bateu, deu um pontapé, agarrou repentinamente, comportamentos pisou, uma são bofetada, queimou ou escaldou. Dos psicológicos exemplos: a mãe ou o pai insultou ou praguejou contra o seu cônjuge, chamou gordo (a) ou feio (a), ameaçou bater ou atirar alguma coisa. Dos comportamentos económicos ou financeiros são exemplos: a mãe ou o pai destruiu alguma coisa que pertencia ao seu cônjuge. Através da análise dos resultados dos questionários comportamentos verifica-se de que os mais violência

vezes num ano, apertou, deu um pontapé e agarrou repentinamente aconteceu quatro vezes num ano, deu uma bofetada aconteceu três vezes num ano, atirou contra a parede aconteceu duas vezes num ano, atirou, torceu, empurrou, mostrou uma faca ou arma, pisou durante uma discussão, queimou ou escaldou são acontecimentos que nunca ocorreram. Os de ordem psicológica são: ameaçou bater ou atirar alguma coisa aconteceu 3 vezes num ano, insultou ou praguejou e gritou aconteceu seis vezes, nunca aconteceu chamar gordo (a) ou feio (a). Verifica-se que o sexo masculino é mais violento a nível físico do que o sexo feminino, em relação aos comportamentos psicológicos ambos os praticam mas existe um ligeiro aumento nos praticados pelo homem em relação à mulher. Verifica-se também que o sujeito com 22 anos de idade e do sexo masculino, a sua família é a que apresenta maior grau de violência, tanto a nível físico como psicológico, pelo que nos parece estarmos na presença de uma família problemática, sendo o pai o único a ter comportamentos físicos violentos com alguma regularidade e a nível psicológicos a mãe também apresenta mas o pai é superior.

frequentes são os de ordem física, a seguir vêem os de ordem psicológica e não se verifica resultados de violência de ordem económica ou financeira. Os de ordem física mais frequentes são: atirou alguma coisa que poderia ter magoado que aconteceu seis vezes num ano, empurrou, deu um murro ou bateu com alguma coisa que poderia ter magoado e bateu que aconteceu cinco

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Podemos concluir que o sujeito com 24 anos de idade do sexo masculino só apresenta comportamentos violentos do tipo psicológico com frequência de três vezes num ano, em que tanto o pai como a mãe se insultam com a mesma frequência. A família do sujeito com 18 anos de idade e do sexo masculino e a família do sujeito com 20 anos de idade do sexo feminino não apresentam qualquer tipo de violência. A família do sujeito com 19 anos e do sexo feminino só apresenta violência do tipo psicológica com frequência de uma única vez num ano sendo igual em ambos. apresenta A família do sujeito com 22 comportamentos do nível

países desenvolvidos. As razões que levam à prática de violência conjugal vão de uma simples discussão, ciúme, experiências vividas na infância, são muito variadas. As consequências das lesões nas vítimas podem ser um simples traumatismo, como levar a vítima ao hospital ou mesmo a morte, no caso das físicas. Em relação as psicológicas podem ser de chamar nomes à vítima como feio e ou gordo, humilhar, enfim existe muitos tipos de violências que as vitimas podem sofrer.

Referências Bibliográficas Cavalcanti, violação dos 15. M.V. (2005),

anos de idade e do sexo feminino psicológico com frequência de uma única vez num ano sendo igual em ambos. Jan/Jun). A violência Doméstica como direitos humanos. Revista do Ministério Público – Alagoas,

CONCLUSÃO Da elaboração deste artigo

Deeke, L. P. (2007). Dinâmica da violência a partir dos discursos da mulher agredida e de seu parceiro. Florianópolis, Agosto, 2007, Universidade Federal de Santa Catarina. Garrido, V. (2002), Amores que matam. Cascais: Algar Editorial Jenkins, R. (2007, 9 Junho). Domestic abuse among gay couples is
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cientifico concluímos que a violência conjugal, não escolhe meios, classes sociais nem idades, ou seja, ocorre tanto em classes sociais elevadas como classes baixas, tanto pode ocorrer em casais jovens como em casais com muita experiência de vida, tanto ocorre nos países em desenvolvimento como nos

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“hidden menace” Consultado na World Wibe Web a 3 de Março de 2008.

2http://latf.blogs.sapo.pt/arquivo/1004086 .html retirado no dia 6 de Maio de 2008.

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Violência Conjugal

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