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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO ESCOLA DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO E PSICOLOGIA MESTRADO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO

FISICA NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

2010/2011

EFEITO DA FADIGA NAS VARIÁVEIS DE CARGA INTERNA, CARGA EXTERNA E NOS GESTOS TÉCNICOS - NO FUTEBOL

U. C. Jogos Desportivos Colectivos Docente: Nuno Leite

Discentes: Chantel Silva, nº 40380 Filipe Mendes, nº 40391 Luciana Fernandes, nº 40431 Nelma Dias nº 40450 Nicolau Carvalho, nº 40451 Simone Reis, nº 40479

VILA REAL, MAIO 2011

Índice
i. Resumo ....................................................................................................................................... 4 1. 2. 3. Introdução ............................................................................................................................. 6 Revisão da literatura ............................................................................................................. 7 Material e métodos ............................................................................................................. 11 3.1.Material ............................................................................................................................. 11 3.1.1. Caracterização da Amostra ....................................................................................... 11 3.1.2. Variáveis em estudo .................................................................................................. 11 3.2. Organização dos procedimentos ...................................................................................... 12 3.2.1. Descrição dos Exercícios............................................................................................ 12 3.3. Instrumentos e Equipamentos Utilizados ........................................................................ 13 3.4. Análise estatística dos dados ........................................................................................... 17 4. Apresentação dos resultados .................................................................................................. 17 5. Discussão dos resultados ........................................................................................................ 21 6. Conclusões e implicações para o treino .................................................................................. 24 7. Referências bibliográficas ....................................................................................................... 25

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Índice de Ilustrações Ilustração 1: Jogo + Yo-Yo + Jogo ................................................................................................ 12 Ilustração 2: Bateria de Testes Mor-Cristian ............................................................................... 13 Ilustração 3: Yo-Yo Intermitente Nível 2 ..................................................................................... 14 Ilustração 4: Teste de Drible ....................................................................................................... 15 Ilustração 5: Teste de Passe ........................................................................................................ 16 Ilustração 6: Teste de Remate ..................................................................................................... 17 Índice de Quadros Quadro 1: Variáveis de Carga Interna e Externa ......................................................................... 18 Quadro 2: Variáveis dos Gestos Técnicos ................................................................................... 18 Índice de Gráficos Gráfico 1: Distância Percorrida ................................................................................................... 19 Gráfico 2: Frequência Cardíaca ................................................................................................... 19 Gráfico 3: Velocidade de deslocamento ..................................................................................... 20 Gráfico 4: Gestos Técnicos .......................................................................................................... 20

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i. Resumo O objectivo deste estudo consistiu em examinar o efeito da fadiga nas variáveis de carga interna e carga externa, bem como os gestos técnicos no futebol. A amostra do estudo foi constituída por 12 jogadores amadores de uma equipa de futebol (idade 12.2±1.2 anos; peso 47.2±10.1 Kg; altura 156±11 cm; 19.1±1.9; anos de prática 3.0±1.1 anos). Os exercícios de esforço foram realizados de duas formas distintas: primeiro efectuou-se um jogo reduzido GR+5X5+GR com duração de 20´ num espaço de 40x30m, seguido da aplicação do teste do yoyo intermitent recovery test (nível 2) aos atletas, e novamente jogo reduzido GR+5X5+GR com duração de 20´ num espaço de 40x30m. Posteriormente, a segunda forma consistiu na aplicação da bateria de teste de Mor-Christian, seguido do teste yo-yo intermitent recovery test (nível 2) e novamente a bateria de teste de Mor-Christian. Antes de cada sessão houve um aquecimento de 15 minutos. A FCmáx foi determinada pelo yo-yo intermitent recovery test (nível 2) onde foram definidas 4 zonas de intensidade: Zona 1 (<75% FCmáx), Zona 2 (75-84% FCmáx), Zona 3 (85-89% FCmáx) e Zona 4 (>90% FCmáx), a distância e a velocidade percorrida foram determinadas pelo GPS e definida em 6 zonas: zona 1 (0-6,9km / h); zona 2 (7 -9,9km / h); zona 3 (10-12,9km / h), zona 4 (13-15,9km / h); zona 5 (16-17,9km / h) e a zona 6 (> 18 km / h) por fim, para determinar a eficácia das variáveis dos gestos técnicos utilizou-se a bateria de testes de Mor-Christian. No que respeita aos resultados obtidos, verificaram-se diferenças estatisticamente significativas na distância percorrida - zona 2, e na velocidade percorrida zonas 1 e 2 (p<.05), não se verificando quaisquer diferenças estatisticamente significativas nas restantes variáveis e zonas de intensidade. Estes resultados sugerem que, no treino, para retardar a fadiga, se deva recorrer a exercícios de menor duração mas com intensidades superiores, podendo assim, optar-se pelos jogos reduzidos, uma vez que, nestes o exercício é realizado num espaço condicionado, obrigando os atletas a realizar acções de maior intensidade.

Palavra-Chave: Futebol; fadiga; jogos reduzidos; variáveis técnicas; frequência cardíaca.

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i. Abstract

The aim of this study was to examine the effect of fatigue in variables of the internal and external charge, both the technical skills in soccer. The study sample consisted in 10 amateur athletes from a male soccer team. (12.2±1.2 years old, 47.2±10.1, 156±11 cm and 3.0±1.1 years of practice). The effort exercises were performed in two ways: initialy is played 5 minutes in a small-sided game GK+5+5+GK, followed by yo-yo intermitent recovery test (level 2). Each player had a field area of 40x30m. Subsequently, the second way consists in applying the test battery of Mor-Christian, followed by yo-yo intermitent recovery test (level 2) and aplication again the test battery of Mor-Christian. Before each session held 15 minutes heating. The HRmax was determined by the yo-yo intermitent recovery test (level 2) and were defined 4 intensity zones: Zone 1 (<75% HRmax), Zone 2 (75-84% HRmax), Zone 3 (85-89% HRmax) and Zone 4 (>90% HRmax), the distance and velocity were established by the GPS and were defined 6 zones: Zone 1 (0-6,9km / h); Zone 2 (7 -9,9km / h); Zone 3 (10-12,9km / h), Zone 4 (13-15,9km / h); Zone 5 (16-17,9km / h) e a Zone 6 (> 18 km / h). For define the efficience in variables technical skills was used the test battery of Mor-Christian. When we look to results, there were significant differences in the distance - Zone 2, and the velocity - Zones 1 and 2 (p <.05), there will be no statistically significant differences in other variables and intensity zones. These results suggest that, in practice, to delay fatigue, one should resort to exercises of shorter duration but with higher intensities, the small-sided games are reduced, since in such exercise is performed in a conditioned space, forcing athletes to perform activities of higher intensity.

Keywords: Soccer, fatigue, small-sided games, variables technical skills, heart rate.

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1. Introdução

Este trabalho de investigação surge no âmbito da Unidade Curricular de Jogos Desportivos Colectivos, inserida no plano de estudos do 2º Ciclo em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde pretendemos verificar o efeito da fadiga nas variáveis de carga interna e carga externa, bem como nos gestos técnicos no futebol. Actualmente, existe um vasto leque de desportos colectivos, porém o futebol é de todos aquele que mais impacto causa na sociedade, movimentando um grande número de pessoas aos estádios, não só apoiantes como amantes do desporto. Em contexto desportivo, a fadiga é muitas vezes apontada como um factor importante no desempenho dos atletas durante o decorrer do jogo. Assim, após nos depararmos com o problema, levantamos algumas hipóteses:  Será que a fadiga tem efeito directo no rendimento dos atletas e no seu desempenho técnico?  O planeamento das sessões de treino deve ter em consideração a intensidade dos exercícios, como forma de retardar a fadiga em jogo?  Serão os jogos reduzidos uma possível opção para aumentar a intensidade do treino?

Inicialmente fazemos uma breve abordagem ao futebol enquanto desporto colectivo referindo o seu impacto na sociedade. Achando de extrema relevância a questão da fadiga, pretendemos clarificar o seu conceito e a sua implicação directa ou indirectamente na performance dos jogadores, de tal forma, fez-se um levantamento da bibliografia existente sobre a mesma e variáveis de carga interna e carga externa, assim como os gestos técnicos. Posteriormente, é apresentada e caracterizada a amostra do estudo e os métodos utilizados. Por fim, são apresentados e discutidos os resultados obtidos, dando ênfase às diferenças significativas encontradas. Em suma, torna-se pertinente a realização deste estudo pois o conhecimento dos mais variados indicadores responsáveis pela performance desportiva, pode directa ou indirectamente, auxiliar treinadores na construção de programas de treino cada vez mais adequados às características da modalidade e consequente no desenvolvimento das capacidades específicas.

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2. Revisão da literatura
O futebol é provavelmente o desporto mais popular do mundo com cerca de 120 milhões de jogadores federados (Ekblom citado por Reilly, 1997). É praticado em todos os continentes e os níveis de actividade física têm aumentado tanto nos jovens, como nas mulheres e até mesmo nos veteranos. A sua popularidade faz-se notar pela imensidão de espectadores e pela enorme audiência televisiva que surge na altura das grandes competições. Porém, em alto nível existe muito stress fisiológico, associado a jogos competitivos que exigem altos níveis de actividade física. De acordo com Cruz citado por Martins (2008), as informações sobre o tipo, intensidade, duração e frequência dos movimentos individuais dos jogadores, são elementos importantes para o entendimento do esforço que está a ser efectuado pelo atleta no jogo de futebol. Todavia neste trabalho como forma de responder ao objectivo do estudo tivemos em atenção alguns aspectos que poderiam influenciar ou condicionar a performance dos jogadores, tais como a frequência cardíaca, a distância percorrida, a velocidade percorrida e ainda alguns gestos técnicos do futebol. Segundo Rebelo (1993), Ekblom citado por Martins (2008) e Rampinini et al. (2010), o jogo de futebol é um desporto de equipa que impinge a realização de exercício intermitente e prolongado, onde se combinam fases curtas de alta intensidade com longos períodos de exercício de baixa intensidade. Porém, apesar de se tratar de um jogo colectivo nem todos os jogadores apresentam a mesma capacidade física de suportar níveis mais altos de intensidade, percorrendo diferentes distâncias. Conforme Rielly citado por Rielly (1997), a intensidade do exercício durante o jogo de futebol pode ser indicada pela distância total percorrida por cada jogador. Esta é uma medida global do ritmo de trabalho, que representa uma compilação de acções discretas ou movimentos de todo o jogo. Estas actividades podem ser classificadas de acordo com o tipo de acção ou movimento, intensidade, frequência e duração (distância). Por sua vez, Soares citado por Martins (2008), afirma que, nas exigências do jogo de futebol quando aplicado aos jogadores, devemos destacar uma boa capacidade técnica, uma óptima ocupação racional do terreno de jogo a nível táctico, uma capacidade mental concentrada no rendimento e ainda uma boa capacidade física. Também, Pereira (2010) refere as movimentações e ocupação de espaços em campo pelos atletas como sendo de extrema importância sob o ponto de vista táctico. Acrescentando ainda, que a capacidade de um atleta se deslocar a alta velocidade, pode ser fundamental para o Página 7 de 26

resultado final de um jogo, pois, geralmente, através deste tipo de acção motora (corridas intensas e sprints) são desenvolvidas as movimentações e as jogadas padrão de uma equipa ou evitados os golos do adversário. Na perspectiva de Rebelo (1999), a performance dos jogadores no futebol tende a diminuir à medida que o jogo se aproxima do seu final, e para tal compreensão é necessário compreender como a fadiga se desenvolve ao longo do jogo. Astrand & Rodahl citado por Lyons et al. (2006), consideram a fadiga um conceito muito complexo, que envolve tanto factores psicológicos como fisiológicos. Todavia Gusi citado por Martins (2008), afirmou que a fadiga exerce a sua acção fundamentalmente sobre três áreas: mobilidade articular, a contracção muscular e o controlo motor. Para Ascensão (2003:2) “A fadiga pode ser definida como a incapacidade de produzir e manter um determinado nível de força ou potência musculares durante a realização do exercício.” O exercício físico é largamente descrito como um potente indutor de fadiga, sendo um fenómeno benigno de manifestação aguda (Rebelo citado por Silva 2007). Para Platanov citado por Martins (2008), o principal factor de perturbação da estabilidade das acções motoras em desporto centra-se na fadiga acumulada à medida que se desenvolve a actividade física. O treino e a competição no desporto induzem fadiga física nos atletas, podendo esta afectar a sua execução nos movimentos técnicos. Assim, a fadiga pode ser considerada como uma restrição no desempenho, afectando não apenas o processamento motor, mas também a tomada de decisão que está vinculada à execução das habilidades com bola exigidas no jogo (Thomson, Watt, & Liukkonen, 2009). Em consequência, o cansaço não deve ser visto como uma entidade única ou processo. Pelo contrário, é um fenómeno altamente complexo, que compreende diferentes e numerosos componentes, actuando em vários locais dos músculos e dentro de ambas as centrais do sistema nervoso (McKenna citado por Lyons et al, 2006). O estudo da fadiga tem sido um assunto de prática e de interesse científico para profissionais, formadores, técnicos e cientistas do desporto, quanto ao desempenho de diferentes competências. No entanto, os resultados provenientes das várias investigações feitas têm sido contraditórios, em parte devido aos projectos experimentais inconsistentes e aos procedimentos utilizados (Lyons et al., 2006). Anshel e Novak citado por Lyons et al (2006), atribuem os resultados conflituosos, em parte, ao pobre controlo da preparação física do participante e/ou aos níveis de força e intensidade da gestão da fadiga. Página 8 de 26

Assim, podemos afirmar com base na literatura que a fadiga é um importante factor no desenrolar do jogo, uma vez que, os atletas após algum tempo em exercício intermitente tendem a diminuir a sua prestação. Pereira (2010) destaca a questão da fadiga, a qual geralmente se estabelece de forma temporária após acções intensas, ou após acções mais prolongadas durante o segundo tempo de jogo, especialmente nos minutos finais. Tendo a fadiga efeito directo sobre o desempenho dos atletas em campo, comprometendo, essencialmente, a capacidade de realização e repetição de deslocamentos em velocidade. Precedentemente Rielly (1997), afirmou que a distância percorrida na segunda parte de um jogo tende a ser menor do que na primeira parte, situação esta, que pode ser justificada pelo fenómeno fadiga que se traduz num declínio da performance de um atleta. Tende a haver uma diminuição de 5 % da distância percorrida no segundo tempo em comparação com o primeiro tempo. De igual modo Bangsbo et al. citado por Rebelo (1993), mencionou que a distância percorrida a alta intensidade diminuía na segunda parte dos jogos. Porém, na opinião de alguns autores (Bangsbo, Mohr, Krustrup, 2006; Ekstrand, Waldén & Hagglund, 2004; Mohr, Krustrup, & Bangsbo, 2005; Rebelo, 2001, Rebelo & Soares, 2002; citado por Silva, 2007), os jogadores em diferentes momentos da sua actividade manifestam sinais evidentes de fadiga: no início da segunda parte do jogo; após um período de intensa actividade; no decurso da segunda parte; à medida que o jogo se aproxima do fim; nos dias seguintes à sua realização e ainda no final da época desportiva. Segundo um estudo realizado por Rebelo & Soares citado por Silva (2007), a fadiga pode manifestar-se pela redução, quer da velocidade máxima, quer da capacidade para repetir esforços máximos e esforços sub-máximos. Foi ainda sugerido por Gollnick, 1982 e Sahlin et al., 1990 citado por Rebelo (1993), que a depleção de glicogénio em exercício de resistência está correlacionada com a fadiga. Igualmente Bangsbo, citado por Nogueira & Figueiredo (1998), referiu que durante um esforço intermitente prolongado existe uma redução do glicogénio muscular, como acontece no futebol. O mesmo autor concluiu que, na maioria das vezes, durante o jogo de futebol a fadiga é breve. Em suma, podemos afirmar que dos diversos estudos feitos verificou-se um declínio no desempenho físico dos jogadores durante o jogo, sendo este acontecimento associado à fadiga. Também muitos autores supracitados concluíram que, quando o jogo é realizado em alta intensidade, a distância percorrida tende a ser menor na segunda parte do jogo.

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Porém, embora existam estudos que indiquem e comprovem que a fadiga pode conduzir ao declínio do desempenho físico no jogo, não há estudos que comprovem haver ou não um declínio dos gestos técnicos da primeira para a segunda parte. Segundo Bangsbo citado por Nogueira & Figueiredo (1998), o tempo para voltar aos níveis iniciais, após um esforço intenso, depende de vários factores, tais como: a condição física do atleta, os exercícios efectuados durante o período de recuperação e a intensidade e duração do esforço precedente. De acordo com Ekblom citado por Rebelo (1993), a capacidade física dos jogadores de futebol pode ser determinada pelo número de esforços de elevada intensidade realizados durante o jogo de futebol, logo quantas mais vezes o atleta consiga prolongar os momentos de alta intensidade melhor serão as suas capacidades físicas. Muitos treinadores recorrem aos jogos reduzidos, como forma de aprendizagem e também de desenvolvimento das capacidades físicas dos jogadores, uma vez, que apesar de o espaço ser condicionado, as condições de prática são semelhantes ao jogo formal. Segundo Rampinini et al. citado por Katis & Kellis (2009), os jogos reduzidos, constituídos por um menor número de jogadores, podem ser usados para a resistência e melhoria da condição física dos atletas, retardando dessa forma a fadiga. Também os gestos técnicos são extremamente importantes durante um jogo de futebol, pois é através destes que se responde aos problemas tácticos que o jogo demonstra, de forma a resolver situações mais complexas (Garganta e Pinto, 1994). O desempenho das habilidades técnicas na tomada de decisão, como é o caso do tempo de reacção, aumentam durante os exercícios de maior intensidade que levam à exaustão. Os desportos colectivos exigem aos atletas que eles executem essas habilidades de forma precisa e rápida durante uma intensidade máxima. Além disso, as variações na intensidade do exercício são requisitos fundamentais no jogo, pois demonstram uma tomada de decisão ajustada na execução das tarefas motoras. Estudos desportivos orientados a investigar a influência das habilidades de tomada de decisão, como antecipação e reconhecimento de padroes são consideradas provas valiosas para compreender melhor os atributos psicológicos e fisiológicos do nível de elite dos atletas (Thomson, Watt, & Liukkonen, 2009). No que respeita à frequência cardíaca (FC) Ali & Farrly, 1991; Bangsbo, 1992; Rebelo & Soares, 1993 citado por Rebelo 1993, referem-na como sendo um indicador que permite avaliar a intensidade do esforço no futebol. Esta variável apresenta alguns dados relevantes, tais como: durante o jogo a FC média é de cerca de 171 bpm (Ali & Farrly citado por Rebelo, 1993), e que em 57% do tempo total do jogo a FC média é de 85% da FC máxima (Smodlaka citado por

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Rebelo, 1993), porém estes valores tendem a diminuir na segunda parte do jogo (Bangsbo citado por Rebelo, 1993). Vários investigadores (Achten & Jeukendrup, 2003; Ali & Farrally 1991; Impelizzerri, Rampinini & Marcora, 2005; Rosoilo, 1998; Soares, 2000 citado por Silva, 2007) têm referido que o uso da FC na monitorização da intensidade do esforço traz vantagens em relação a outros indicadores de intensidade de esforço, nomeadamente:   É um método de análise da intensidade de esforço válido e fiável; Consiste numa medida objectiva, interna e individualizada da intensidade do esforço realizado e aumenta paralelamente à intensidade do trabalho do organismo;  Caracteriza-se por um meio não evasivo, tecnicamente fácil de executar e que permite uma avaliação contínua ao longo de toda a actividade física.

3. Material e métodos

3.1.Material 3.1.1. Caracterização da Amostra A amostra do estudo foi constituída por doze jogadores de Futebol, pertencentes ao Abambres Sport Club da Associação de Futebol de Vila Real, no escalão de Sub-13 (idade 12.2±1.2 anos; peso 47.2±10.1 Kg; altura 156±11 cm; 19.1±1.9; anos de prática 3.0±1.1 anos), com um volume de treino semanal de 270 minutos (3 treinos) e um jogo de competição por semana. Todos os atletas foram informados sobre os procedimentos gerais da realização do estudo, com 3 semanas de antecedência, para a melhor preparação e compreensão do objectivo pretendido, dando o seu consentimento por escrito.

3.1.2. Variáveis em estudo As variáveis independentes do nosso estudo são as de carga interna, carga externa e de gestos técnicos. As variáveis dependentes estudadas na realização do nosso trabalho foram: 1. Carga interna e externa: FC máxima; velocidade de deslocamento; distância percorrida. 2. Nas variáveis de gestos técnicos: precisão do passe; velocidade de drible; precisão do remate.

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3.2. Organização dos procedimentos 3.2.1. Descrição dos Exercícios Foram realizados dois exercícios de treino de acordo com a caracterização representada nas figuras seguintes.

Ilustração 1: Jogo + Yo-Yo + Jogo

O primeiro exercício de treino foi constituído por três fases: numa primeira fase um jogo reduzido GR+5X5+GR com duração de 20´ num espaço de 40x30m: na segunda fase aplicação do teste do yo-yo intermitente nível 2 (Chuman, Hoshikawa, & Iida, 2008); e por último, efectuou-se novamente um jogo reduzido GR+5X5+GR com a mesma organização da primeira fase (ver figura1). Este exercício foi efectuado em condições e espaço natural de prática (campo de futebol, pelado), sendo utilizado o seguinte equipamento: bolas de futebol (15 bolas), colocadas numa área próxima das linhas que delimitam o campo para potenciar ao máximo o exercício, duas balizas móveis com dimensões iguais (6x2m), sinalizadores e coletes que permitissem distinguir as equipas. Foram aplicadas as regras oficiais do futebol, sem condicionantes. O controlo da organização dos exercícios foi da nossa responsabilidade. Os treinadores da equipa estiveram presentes, tendo estes incentivado os atletas a aplicarem-se nos exercícios com máxima concentração e empenho. De resto os treinadores após o início dos exercícios limitaram-se simplesmente a observar os atletas e a dar feedbacks motivacionais. Os atletas foram agrupados por equipas, em função das suas características individuais de acordo com as orientações dos seus treinadores, nomeadamente, em relação às tarefas e funções por norma desempenhadas no jogo (GR+2+3+1). De salientar que neste exercício foi Página 12 de 26

excluído o avançado e jogaram no sistema táctico (GR+2+3), na tentativa de promover a existência de equilíbrio entre as mesmas.

Ilustração 2: Bateria de Testes Mor-Cristian

O segundo exercício de treino consistiu, numa primeira fase, na aplicação da bateria de testes de Mor-Cristian, numa segunda fase foi aplicado o teste do yoyo a três atletas de cada vez, com o objectivo de diminuir o tempo de espera dos mesmos, e por fim numa terceira fase efectuou-se novamente a bateria de Mor- Christian nas mesmas condições do que a primeira fase (ver figura 2). Este exercício foi aplicado em condições e espaço natural de prática (campo de futebol, pelado), sendo utilizado o seguinte material: 20 bolas de futebol), 8 bolas na habilidade motora passe; 8 bolas no remate e 4 bolas no drible. Desta forma, os atletas tinham sempre bolas disponíveis para realizar a acção. Uma baliza com dimensões de (7,32x2,44m); sinalizadores, fita métrica, 4 arcos, e uma corda. Os exercícios de treino foram realizados em duas sessões com um intervalo de 10 dias, sendo que na primeira sessão foi efectuado o exercício descrito na figura 1 e na segunda sessão o da figura 2. Aos exercícios precedeu-se um aquecimento inicial de 15 minutos, seguido de um período de 2 minutos de recuperação passiva, onde o aquecimento foi idêntico em ambas as sessões.

3.3. Instrumentos e Equipamentos Utilizados Para a obtenção da FC máxima (FCmáx), utilizamos o teste do yo-yo (intermittent recovery test – nível 2, (Chuman, Hoshikawa, & Iida, 2008). Devido à idade dos jogadores e ao nível de

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complexidade do teste, procedeu-se a uma sessão experimental como forma de familiarização dos jogadores ao instrumento e funcionamento do mesmo.

Neste teste, os jogadores têm como objectivo percorrer distâncias de 40 m com velocidade crescente, existindo determinado tempo de recuperação entre os diferentes patamares de velocidade (ver figura 3). Os patamares são controlados por meio de sinais sonoros, que diminuem de intervalo de recuperação com o decorrer do teste. O jogador termina a sua prestação quando, pela segunda vez consecutiva, não conseguir finalizar o percurso de acordo com o sinal sonoro, devido à fadiga. O valor absoluto mais elevado de FC registado durante o teste foi considerado a FCmáx do jogador.

Ilustração 3: Yo-Yo Intermitente Nível 2

Para recolha da FC, distância percorrida e velocidades, utilizou-se o GPS, dispositivo este que nos fornece informações e indica as trajectórias percorridas a alta velocidade, como a posição efectiva do atleta em campo, onde nos indica e mostra as trajectórias percorridas a alta velocidade, informa sobre a distância de cada sprint, o tempo de jogo em que ocorreu e as respectivas velocidades de cada pico. (Pereira, 2010). O GPS fornece-nos ainda outras informações, sendo elas de natureza motoras, tais como: distância total percorrida (total no jogo, 1º e 2º tempo), velocidade média e máxima (total no jogo, 1º e 2º tempo) e distâncias percorridas nas diferentes zonas (Pereira, 2010). Para a divisão das zonas utilizámos a divisão do autor Hill-Haas (2008) zona 1 (0-6,9km/h); zona 2 (7 -9,9km/h); zona 3 (10-12,9km/h), zona 4 (13-15,9km/h); zona 1 (16-17,9km/h) e a zona 6 (>18 km/h). Durante a sessão de treino foi pedido aos elementos da investigação, com a supervisão do responsável pelos GPS, para se verificar sistematicamente se os dispositivos estavam a funcionar correctamente e se estavam colocados no local apropriado.

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Após a sessão de treino e aplicação do teste, os dados contidos nos GPS, foram monitorizados para o computador através de um software específico para o efeito, posteriormente transportado e analisados utilizando o programa Excel 2010. Foram analisados os valores da FC em actividade e em recuperação obtidos em cada parte do exercício. Após acharmos a FC máxima, dividimos em quatro zonas de intensidade de acordo com o autor Hill-Haas (2008), são estas zonas: Zona 1 (<75% FCmax), Zona 2 (75-84% FCmax), Zona 3 (85-89% FCmax) e Zona 4 (> 90% FCmax).

Os instrumentos utilizados para o registo e aplicação do teste de habilidades técnicas foram a bateria de habilidades de Mor-Cristian (Feltrin, 2009 & Neto, 2010) e consiste no seguinte:

1º Teste de Drible: Este teste consiste na marcação de um percurso circular no campo, com um diâmetro de 18,5 m cuja linha de início/fim de 91,5 cm é traçada de modo perpendicular ao círculo. Ao redor do círculo são colocados 12 cones de 46 cm de altura com intervalos de 45 cm (ver ilustração 4). Os participantes, antes de iniciar o teste, realizavam uma volta de treino ao circuito como forma de aquecerem e se adaptarem. Na realização do teste, a bola era colocada na linha de início e ao apito o atleta dribla a bola contornando os cones, efectuando assim o percurso o mais rápido possível. O participante tem três tentativas, uma no sentido horário, outra no sentido anti-horário e por fim na direcção eleita por ele, sendo contabilizados os dois melhores tempos.

Ilustração 4: Teste de Drible

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2º Teste de Passe: Como esquematizado na ilustração 5, foi marcada uma meta de 91 cm de largura e 46 cm de altura, com dois cones e uma corda. Foram colocados outros três cones a 14 m do centro da meta, a 90º e a 45º respectivamente à direita e à esquerda do cone central. O objectivo era realizarem passes com o pé preferido entre os cones (meta) a partir dos três ângulos. Em cada ângulo, o atleta dispunha de quatro tentativas consecutivas, contemplando assim doze tentativas, onde era obtido ponto sempre que os passes passavam entre os cones ou rebatia em um deles.

Ilustração 5: Teste de Passe

3º Teste de remate: Como mostra a ilustração 6, o teste de remate era constituído por uma meta rectangular de futebol com as dimensões 7,32 m de altura e 2,44 m de largura, foi dividida em áreas de resultados por duas cordas suspensas na trave a 1,22 m de cada poste, sendo estas divididas em áreas de alvo superior e inferior. São colocados arcos de 1,20 m de diâmetro em cada área e marcada uma linha de remate a 14,5 m da meta. Os atletas poderiam chutar, com o pé preferido, ao longo da linha a 14,5 m da meta, sendolhes dado quatro tentativas para a prática e aquecimento. Após o aquecimento os atletas realizavam quatro chutes consecutivos em cada um dos arcos, com o objectivo de acertarem no arco em questão, totalizando dezasseis tentativas. Se o

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participante rematasse para dentro do alvo pretendido eram-lhe dados dez pontos, se acertasse num dos outros somava quatro pontos e se não acertasse em nenhum atribuíam-lhe zero pontos.

Ilustração 6: Teste de Remate

3.4. Análise estatística dos dados Para a análise estatística dos dados da distância percorrida, velocidade, FC e gestos técnicos, estes foram apresentados sob a forma de média e desvio padrão, e posteriormente analisados através do Student t test. Todos os dados foram analisados com o SPSS para Windows, versão 16.0 (SPSS Inc., Chicago, IL) e a significância estatística foi mantida em 5%.

4. Apresentação dos resultados
O quadro 1 apresenta os valores da estatística descritiva e inferencial da distância percorrida e da velocidade divididos pelas seis zonas e os valores da frequência cardíaca dividida pelas 4 zonas de intensidade. Os resultados evidenciam um decréscimo dos valores das distâncias percorridas pelos atletas do jogo1 para o jogo 2, com excepção da zona 2, a qual apresenta diferenças estatisticamente significativas (t=-3,3; P=0,010) (ver quadro 1 e gráfico 1). No que diz respeito aos valores da velocidade foram identificadas diferenças significativas nas zonas 1 e 2 (M=13,5; P=0,049; M=2,9; P=0,044), onde observamos que houve um aumento da velocidade na zona 1 entre o jogo 1 e 2, já na zona 2 houve uma diminuição da velocidade. A nível descritivo verifica-se que na zona 1 e na zona 6 existe um aumento da média no segundo Página 17 de 26

jogo, enquanto nas zonas 2,3 e 4 diminui e na zona 5 não se verifica qualquer alteração na média (ver quadro 1 e gráfico 3). Quanto aos valores da frequência cardíaca, não se verificaram diferenças significativas entre os valores médios das zonas de intensidade. A nível descritivo verifica-se que os atletas passam mais tempo nas zonas 1,2 e 3 existindo um aumento na média no segundo jogo, enquanto na zona 4 existe uma diminuição da mesma (ver quadro 1 e gráfico 2). No quadro 2 apresenta os valores da percentagem de eficácia de alguns gestos técnicos (passe, drible e remate). Não foram encontradas diferenças significativas entre o jogo 1 e o jogo 2, porém a nível descritivo verificamos que a média aumenta ligeiramente no passe e no remate no segundo jogo (ver quadro 2 e gráfico 4).

Quadro 1: Variáveis de Carga Interna e Externa

* Diferenças estatisticamente significativas (P<.05).
Quadro 2: Variáveis dos Gestos Técnicos

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1200 Métros percorridos (m) 1000 800 600 400 200 0 Jogo 1 Jogo 2

Distância Percorrida
Gráfico 1: Distância Percorrida

60 50 40 30 20 10 0 < 75 % 75-84 % 85-89 % Frequência Cárdica > 90 %

Tempo (min.)

Jogo 1 Jogo 2

Gráfico 2: Frequência Cardíaca

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16 14 12 Tempo (min.) 10 8 Jogo 1 6 4 2 0 0-6.9 km/h 7-9.9 km/h 10-12.9 km/h 13-15.9 km/h 16-17.9 < 18 km/h km/h Jogo 2

Velocidade de deslocamento
Gráfico 3: Velocidade de deslocamento

20 18 16 Taxa de Eficácia (%) 14 12 10 8 6 4 2 0 Drible Passe Gestos técnicos Remate Pré-Teste Pós-Teste

Gráfico 4: Gestos Técnicos

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5. Discussão dos resultados

O presente estudo teve como objectivo analisar as respostas das variáveis da carga interna e externa e das variáveis técnicas sobre o efeito da fadiga em jovens jogadores de futebol. Procurámos verificar se a realização do jogo após indução de fadiga altera significativamente os valores da distância percorrida, velocidade percorrida, frequência cardíaca e se a eficácia de gestos técnicos como passe, remate e o drible diminui sob o efeito da mesma. No que se refere à FC, verificou-se que no jogo 1 os atletas estiveram 10 minutos e 47 segundos do tempo total de jogo acima dos 90% da FCmáx, enquanto no jogo 2 verificou-se um decréscimo, permanecendo apenas 6 minutos e 3 segundos do jogo a 90% da FCmáx. Tal como no estudo de Smodlaka, 1978, Ali e Farrly, 1991, Bangsbo, 1992 citado por Rebelo, 1993, os resultados são semelhantes aos encontrados no nosso estudo onde 57% do tempo total do jogo a FC média é de 85% da FC máxima, e que estes valores tendem a diminuir na segunda parte do jogo. Verificamos que os resultados da velocidade e distância percorrida estão de acordo com a bibliografia encontrada (Rielly (1997), Bangsbo et al. citado por Rebelo (1993), (Bangsbo, Mohr, Krustrup, 2006; Ekstrand, Waldén & Hagglund, 2004; Mohr, Krustrup, & Bangsbo, 2005; Rebelo, 2001, Rebelo & Soares, 2002; citado por Silva, 2007), mas as variáveis técnicas apresentam resultados contraditórios aos encontrados na revisão da literatura. Relativamente aos valores da distância percorrida, no nosso estudo verificamos que a distância percorrida a alta intensidade diminui do primeiro para o segundo jogo, considerando que as zonas de alta intensidade são as zona 5 e a zona 6, também verifica-se que a média no primeiro jogo na zona 5 era de 3,44% e no segundo jogo de 2,69%, na zona 6 no primeiro jogo de 2,25% e no segundo jogo de 1,72%. Verifica-se que a distância total percorrida teve um decréscimo do primeiro jogo para o segundo jogo, decréscimo este que foi de 5,33%. Este resultado é semelhante ao de Rielly 1997, no qual, este comprova que existe uma diminuição de 5% da distância percorrida no segundo tempo em comparação com o primeiro. Rampinini 2009 e Bangsbo, 1991 citado por Rebelo, 1993evidenciam que a distância percorrida a alta intensidade diminui na segunda parte dos jogos. Estes dados podem ser explicados como sugere Gollnick, 1982; Sahlin et al., 1990 citado por Rebelo, 1993 que a depleção de glicogénio em exercício de resistência está correlacionada com a fadiga, ou seja que à medida que diminui o glicogénio aumenta a fadiga muscular e consequente diminuição da distância percorrida a alta intensidade. Na zona 2 existe diferenças estatisticamente significativas, no qual o P=0,010. Mais uma vez se confirma que na segunda parte do jogo a distância percorrida tende a diminuir. Página 21 de 26

Relativamente aos resultados encontrados na velocidade percorrida verificou-se que existe diferenças estatisticamente significativas na zona 1 e zona 2, nos quais o p=0,049 e p=0,044 respectivamente. Estes resultados confirmam o enunciado por Pereira 2010, em que se verifica um decréscimo da velocidade no segundo tempo de jogo, especialmente nos seus minutos finais, tendo efeito directo sobre o desempenho dos atletas em campo, comprometendo, essencialmente, a capacidade de realização e repetição de deslocamentos em velocidade. Na zona 2 este resultado verifica-se, uma vez que, a média diminui de 17,67% para 15,42%, na zona 1 a média aumenta de 68,48% para 71,82. Uma explicação para os resultados é o facto de os atletas entrarem num estado de fadiga e como tal começarem a evidenciar algum cansaço, tanto físico como psicológico e apresentarem resultados semelhantes aos encontrado na bibliografia, daí a capacidade de um jogador realizar sprints ou esforço a alta velocidade diminuir, como diminui nas zonas de alta velocidade é normal que aumente nas zonas de baixa velocidade. No que diz respeito aos resultados das variáveis técnicas, não encontramos diferenças estatisticamente significativas do primeiro para o segundo jogo, porém a nível descritivo verificou-se um aumento da média da eficácia dos gestos técnicos remate e passe, na nossa revisão bibliográfica os autores que falam sobre a eficácia dos gestos técnicos contrariam os resultados do nosso estudo. No qual Garganta e Pinto, 1994 citado por Martins, 2008 diz que o treino e a competição no desporto induz fadiga nos atletas e esta pode afectar a sua execução dos movimentos técnicos. Segundo Kelllis e Anthanasios 2005, citado por Martins, 2008 existe alguns aspectos que condicionam a performance dos gestos técnicos em especial o remate, factores estes como a fadiga. Também Platanov , 1988 citado por Martins diz que a fadiga influencia negativamente o gesto técnico. Uma justificação encontrada para os nossos estudos serem contrários ao encontrado na bibliografia é que o yo-yo recovery test nível 2 utilizado para induzir fadiga não teve o efeito desejado, ou seja não induziu fadiga nos atletas. Portanto se os atletas não estavam sob fadiga muscular, é normal que não tenha existido diferenças estatisticamente significativas e os resultados sejam contraditórios ao encontrado na bibliografia.

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Pontos-Chave:  Os Jogos reduzidos deverão ser utilizados no desenvolvimento da capacidade aeróbia dos jogadores e incorporado nas unidades de treino do treinador.  Existe uma correlação directa entre fadiga e a diminuição da distância e velocidade percorrida na segunda parte do jogo.  Nas variáveis técnicas, o teste de yo-yo recovery test nível 2 induz fadiga a nível periférico e não a nível central.

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6. Conclusões e implicações para o treino

Foram identificadas diferenças significativas em alguns indicadores de variáveis de carga interna e externa, mais especificamente na distância percorrida na zona 2 e na velocidade percorrida na zona 1 e zona 2, porém não se verificaram diferenças estatisticamente significativas na FC e nas variáveis de gestos técnicos, quando comparados o primeiro com o segundo jogo. As diferenças encontradas relativamente à distância percorrida e velocidade demonstram que sob fadiga os atletas diminuem de rendimento. Como tal para retardarmos a fadiga é necessário ter atenção na organização de planeamento das sessões de treino para a modalidade Futebol. Como o futebol é caracterizado por esforços intermitentes e durante o jogo de futebol os atletas estão constantemente a variar de intensidade, tendo períodos de alta a baixa intensidade, e como estes períodos são curtos, quanto mais vezes eles conseguirem repetir os períodos de alta intensidade melhor será a sua condição física e predisposição física para o jogo e/ou treino. Portanto sugerimos que, as condições de treino desde: a duração do treino, a intensidade, a frequência e o número de repetições, sejam o mais próximo da competição real, de modo a proporcionar aos atletas situações semelhantes às que ocorrem durante a competição. Daí os jogos reduzidos serem um óptimo método para treinar estas situações, visto que estes, permitem reduzir o espaço, o número de jogadores e aumentar a intensidade, factor este, que se deve prolongar pelo maior tempo possível procurando um bom desempenho no jogo de futebol. Além da melhoria da condição física retardar a fadiga, melhora também a componente psicológica, pois, é sabido que quando um atleta está desgastado fisicamente é acompanhado de um desgaste psicológico e vice-versa. Relativamente aos gestos técnicos, o teste por nós utilizado para induzir fadiga, não teve o efeito desejado, e como tal, sugerimos que em futuras investigações, caso pretendam avaliar as habilidades técnicas em contexto analítico e ou através de uma bateria de testes utilizem outro tipo de teste para induzir fadiga, como por exemplo um teste que seja contínuo e sem pausas. Embora, o teste intermitente e com pausas (yo-yo intermitent recovery test) seja característico e específico do futebol, nesta situação não levou os atletas à exaustão. Achamos que a utilização de suicidas seja mais aconselhada, visto que os atletas realizam o teste ao seu ritmo.

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7. Referências bibliográficas
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