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TRABALHADORES DE CENTROS ESPÍRITAS MUITO DOENTES Fazer um levantamento das vidas dos trabalhadores dos Centros, em termos de saúde

física e espiritual, vida familiar e social, ou explorar a frequência e o tipo de ocorrências que lhes surgem caídas do nada é, efectivamente, descobrir o fio de um novelo emaranhado e deveras quase impossível de dobar. E quando dizemos “caídas do nada” não nos referimos à ausência de uma causa explicável, ou pelo menos passível de ser transmitida pela nossa parca discursividade. Referimo-nos a situações que em tudo nos parece que não deviam acontecer. Senão vejamos. Como é que um medium pode dar um passe, que no fundo é um tratamento, quer físico quer espiritual, estando ele em situação de obsessão mais ou menos profunda? Como dar esclarecimento a alguém, incuntindo-lhe que a Doutrina tem resposta para os problemas, que a mesma, pelo esclarecimento, desenvolve a protecção contra as Entidades malévolas, que coloca a vida num rumo mais luminoso para Deus, se o trabalhador espírita não é capaz de exaurir os mais elementares proveitos da mesma, ou se o memo tem a vida de pernas para o ar, anda esbaforido à procura de um momento de paz e sossego? Como relacionar-se e integrar-se no andamento do quotidiano de um Centro, se tem a própria vida cheia de complicações que não é capaz de resolver? Que valor, que importância, que eficácia, que credibilidade, que veracidade há nessas pessoas e nos seus respectivos trabalhos? Como podem defender a família, numa sessão de evangelização, trabalhadores que mudam de companheiro/companheira quase como quem muda de camisa? Não será isso um discurso oco, vão, e acima de tudo perigoso? Com o passar dos anos, tem-se verificado um agravamento do estado de saúde dos trabalhadores. Os problemas que os assolam são cada vez mais e mais graves. Muitos “arrastam-se” para o Centro, ou porque, dizem, precisam de dar passes para se sentir bem, para fazer as suas obras de caridade, dar esclarecimentos, fazer o trabalho de evangelização. Defendem que tudo o que lhes acontece é kármico, não lhes passando pela cabeça que é precisamente o contrário. O desfasamento entre o que pregam e o que praticam é de tal modo grande, está de tal modo a léguas de distância que, entregues às forças negativas, têm as vidas completamente à deriva. Ainda não perceberam que não há doutrina à face deste belo planeta que proteja ninguém, se assim fosse haveria uma melhor que as outras. Ainda não perceberam, nas suas mentes discriminatórias e fechadas, que é o bem que nos salva e que esse bem tem que começar em nós, na nossa casa. Ainda não perceberam que só depois de nos limparmos é que podemos limpar os outros, ou mais correctamente, ajudarmos os outros a limpar-se. Na verdade, nós somos apenas bengalas uns dos outros, meros apoios enquanto a vigilância e a fé comandarem as hostes. A fétida alusão às Entidades trevosas como a raíz de todos os males que lhes acontecem, a fonte donde jorram todas as dores, resume o quanto ainda há muito por caminhar nesta vasta Doutrina. Tudo isso é revelador da proximidade com essas Entidades, que todos a temos, porém isso não significa, à luz do Espiritismo, que elas sejam as culpadas. É a nossa semelhança, a nossa fé, quantas vezes maior nessas Entidades que em Deus, que nos aproxima dos níveis donde, diga-se em abono da verdade, ainda não saímos. Essa necessidade de “trabalhar” no Centro advém do facto de, à custa dos que o frequentam, serem eles a limpar-se. São os frequentadores que os aliviam dos males de que padecem e, quantas vezes, não são esses mesmos os silenciados porque ignorantes nos assuntos da espiritualidade?! Por outro lado, se se fizer da Doutrina um discurso defensor do sofrimento, principalmente, então, em resposta, aí está o resultado. Confundem a ignorância, os cálculos por vezes erróneos que fazemos, tão simplesmente a nossa natureza ainda tão elementar, com sofrimento rumo ao bem supremo resultante de vidas passadas. Que sabemos nós do passado, se ele está esquecido, para nosso próprio bem? Que sabemos do presente, se a nossa consciência e concentração num ponto são infinitamente pequenas? Que sabemos nós de nós mesmos? Que sabemos nós do que quer que seja?

Múltiplos factores concorrem para que voltemos a contrair idênticas dívidas. polícas. É assim que tudo acontece. Somos nós o seu karma. o presente completamente virado no avesso é obra de vidas pretéritas. ainda não foram capazes de enfrentar o animal da vaidade e fazer uma reflexão sobre: Porque estão os trabalhadores dos Centros. de uma resistência em aceitar os ensinamentos doutrinais. nem exclusão da possibilidade de contrair outras. sem explicarmos como.. Porém. isto é. a gula. são coisas muito diferentes para uma infinidade de pessoas. épocas. civilizacionais. mas de uma vivência histórica que ainda não permite uma vida mais igualitária. Esquecem-se de que não podíamos ser melhores. a nobre e brilhante Palavra. bem como a Sua infinita misericórdia. com tantos discursos perdidos no silêncio da insensatez e da ignorância. enfim. se há que seja doente do estômago é porque noutra vida foi rico e comeu demais. Não seria mais assertivo aprender que estamos a falar de conceitos que não têm o mesmo significado para as diferentes culturas? Desbaratar. psíquicos. tiveram os mesmos problemas. Porquê? Que . pelos que nos são mais queridos. ainda não consegue caminhar sózinha. fazendo tábua rasa do que a Doutrina ensina. mas uma sequência lógica da nossa natureza. sobrar.Claro que é mais fácil culpar o passado que. tão simplesmente porque ainda não somos capazes. ele é o Adão e Eva que comeram a maçã. coitadinhos”. mas sim os espíritos que andam com ele. na sua esmagadora maioria. no dogmatismo totalizante e esmagador. culturas? Se procuramos o absoluto destes conceitos. Com tantos congressos sobre nada. Factores históricosociais. e por isso morremos. com tantas jornadas para tudo e mais alguma coisa. se. se ninguém investe na sua modificação interior. esquecem-se de que se assim fosse ficaríamos exactamente na mesma. por infinitas coisas que não nos passam pela cabeça. Se não fosse isso. nem dos vulgares arrufos que nos surgem. se ninguém combate o sensualismo. o discurso curador de todos os males. pelo nosso comodismo. também. excluem Deus da História. aliás. se resume desta forma: para alguns. corremos o risco de cair na intransigência. A elevação vem pelo arrependimento e pelo muito amar. Não é compatível com a natureza de um Deus de liberdade e de bondade a teoria de que o karma é qualquer coisa deste género: se há quem viva numa lixeira é porque desbaratou em vida anterior. etc. num tribunal defender que um ladrão ou assassino não cometeu o delito. a situação de sofrimento dos trabalhadores é concomitante com uma quase ausência de valoração da prece como o único discurso com Deus e para Deus. pela nossa indiferença. tão doentes? O que é que lhes falta? O que é que não está bem? É que não estamos a falar dos escolhos que assolam a sociedade presente. Vem por uma necessidade interior que. inocentá-lo. assuntos mais enriquecedores do sentido e da palavra. claro que é mais fácil desculpabilizar o presente. que lhe está intimamente associada. se há quem morra de fome é porque noutra existência não deu aos pobres do que lhe sobrava. o desejo de se impor seja a que preço for. num racionalismo exagerado desprezante da fé. uma inércia quanto à prática das suas máximas. como daquelas que não vemos nem sentimos. levantamo-nos ali. não contam. de consciência. Está na hora de se perceber que somos tão responsáveis pelas companhias dos de carne e osso. Não é o seu passado. Nos Centros. que Deus haja. dar. Para outros trata-se de uma herança genética: “Já os meus avózinhos. Esses trabalhadores tão doentes. em breve trecho. pela necessidade. a responsabilidade do esclarecimento é de todos. É exactamente a mesma coisa que. Não tivemos culpa? E quem diz que não? Mas não dessa forma. tal como a criança. a vaidade. Para os espíritas mais iluminados.. Estamos a falar de uma superlativização dos problemas. Caímos aqui. a dada altura nos faz despertar para coisas mais sublimes. eras. Pagar uma dívida não significa nem arrependimento. religiões. mas o presente que os empurrou para as catacumbas da miséria. uma vez que “quem faz paga”. se marido e mulher não lutam por se entender. Torna-se imperioso reflectir sobre o modo como cada um está na Doutrina. Quantos vivem em lixeiras e são inteligentes de tal forma que muito dariam à sociedade e ao mundo! Também somos os culpados por eles estarem lá. por mais inteligente que seja. O karma não é uma vingança do passado. viveríamos na mesma encaranção para todo o sempre. ser pobre ou ser rico. Por outras palavras. como de tudo. seríamos imortais.. Talvez nem se trate de culpa.

ou uma resposta. Margarida Azevedo .cada um procure a resposta. Esperemos que esta situação faça um retrocesso e a Doutrina volte a ser um discurso de esperança no coração e na boca de quaisquer dos seus trabalhadores.