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ÁCIDOS FENÓLICOS COMO ANTIOXIDANTES | 71

REVISÃO | REVIEW

Ácidos fenólicos como antioxidantes

Phenolic acids as antioxidants
Sergio Eduardo SOARES1

RESUMO
Os compostos fenólicos têm sido muito estudados devido a sua influência na qualidade dos alimentos. Englobam uma gama enorme de substâncias, entre elas os ácidos fenólicos, os quais, por sua constituição química, possuem propriedades antioxidantes. Assim, a presente revisão procura reunir diversos estudos que avaliaram o potencial antioxidante dos ácidos fenólicos na conservação de alimentos lipídicos. Além disso, são reunidos também estudos sobre a ação antioxidante destes compostos no sistema biológico através da neutralização dos radicais livres gerados no organismo, que estão associados a diversas doenças como câncer e doenças cardiovasculares. Termos de indexação: ácidos fenólicos, oxidação lipídica, radicais livres, antioxidantes, conservação de alimentos.

ABSTRACT
The phenolic compounds have been widely studied due to their influence on food quality. They are constituted by a large amount of substances, among them the phenolic acids, which have antioxidant properties, as a result of their chemical structure. So, the present review collects several papers that evaluated the antioxidant potential of the phenolic acids for the lipid foods preservation. This study also collects papers about the antioxidant action of these compounds in biological systems through the neutralization of free radicals produced in the organism, which are associated with many pathologies like cancer and heart diseases. Index terms: phenolic acids, lipid oxidation, free radicals, antioxidants, food preservation.

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Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Marília. Av. Hygino Muzzi Filho, 1001, 17525-902, Marília, SP Brasil. , E-mail: ssoares@mii.zaz.com.br

Rev. Nutr., Campinas, 15(1):71-81, jan./abr., 2002

Revista de Nutrição

Croft. 1998. esterificado com ácido gálico ou elágico. 1998. jan. Os primeiros contêm um núcleo central de glicose ou um álcool poliídrico. ácidos fenólicos. 1998). As ligninas são polímeros complexos de grande rigidez e resistência mecânica. sendo os compostos mais diversificados do reino vegetal. Campinas. 1999). adstringência e aroma em vários alimentos (Peleg et al.. Os ácidos fenólicos são algumas das substâncias que constituem o grupo dos compostos fenólicos. SOARES INTRODUÇÃO A presença dos compostos fenólicos em plantas tem sido muito estudada por estes apresentarem atividades farmacológica e antinutricional e também por inibirem a oxidação lipídica e a proliferação de fungos (Nagem et al. taninos e ligninas). enfrentando muitos problemas metodológicos. Fernandez et al. 1997. que são constituintes dos óleos essenciais como a vanilina. identificação. conferindo propriedades antioxidantes tanto para os alimentos como para o organismo. Estes fenólicos estão divididos em dois grandes grupos: os flavonóides e derivados e os ácidos fenólicos (ácidos benzóico. Ribéreau-Gayon (1968) adotou a seguinte classificação para estes compostos: pouco distribuídos na natureza. e classificam-se em dois grupos. Estão presentes nos Revista de Nutrição Rev. flavonóides. bases ou enzimas. Alguns compostos fenólicos não se apresentam em forma livre nos tecidos vegetais. vegetais na forma livre ou ligados a açúcares (glicosídios) e proteínas (Croft. A esta família também pertencem os aldeídos derivados dos ácidos benzóicos. Bravo. 1993.. Ivanova et al. 1997. Neste grupo encontram-se as antocianidinas. COMPOSTOS FENÓLICOS Os compostos fenólicos englobam desde moléculas simples até outras com alto grau de polimerização (Bravo. Diversos pesquisadores têm trabalhado na separação. indicados para o tratamento e prevenção do câncer. flavonas. Gamache et al. Caracterizam-se por terem um anel benzênico. pois. 15(1):71-81.. Hollman & Katan. Nutr. Ferguson & Harris. Na família dos compostos largamente distribuídos na natureza estão os fenólicos encontrados geralmente em todo o reino vegetal. a hidroquinona e o resorcinol.. não prontamente hidrolisáveis por tratamento ácido. e são prontamente hidrolisáveis com ácidos. 1998. Os outros são polímeros de catequina e/ou leucoantocianidina. por isso.E.. Os flavonóides possuem uma estrutura básica formada por C6-C3-C6. que conferem ao alimento a sensação de adstringência. Na família dos compostos fenólicos pouco distribuídos na natureza estão um número reduzido deles. Aziz et al. cinâmico e seus derivados) e cumarinas./abr. 2002 . esta revisão traz uma breve descrição da química dos ácidos fenólicos e de sua utilização como antioxidantes em alimentos e em sistemas biológicos. além de participarem de processos responsáveis pela cor. doenças cardiovasculares e outras doenças (Kerry & Abbey. 1992. baseados em seu tipo estrutural: taninos hidrolisáveis e taninos condensados. 1998). 1999). Assim... cumarinas.72 | S. São aqueles presentes sob a forma de polímeros. quantificação e utilização dos compostos fenólicos em alimentos. polímeros e largamente distribuídos na natureza. 1998). mas às vezes podem estar localizados em uma só planta. e sua hidrólise alcalina libera uma grande variedade de derivados dos ácidos benzóico e cinâmico. além de englobarem em uma gama enorme de substâncias (fenóis simples. Neste grupo estão os fenóis simples. de grande polaridade. sendo. 1998). Os taninos são compostos de alto peso molecular. e suscetíveis à ação de enzimas (King & Young.. na maioria das vezes. o pirocatecol. 1998. na qual estão os taninos e as ligninas. um grupamento carboxílico e um ou mais grupamentos de hidroxila e/ou metoxila na molécula. embora estes sejam encontrados com certa freqüência. muito reativos. eles são.

R3 = OH → Ácido Ferúlico. R2 = R4 = OCH3. Donnelly & Robinson. armazenamento e preparo final dos alimentos. R1 = R2 = R3 = R4 = H → Ácido cinâmico. odor. R3 = OH → Ácido p-cumárico. Aruoma. denominado ácido quínico. ela também provoca outras alterações que irão afetar a qualidade nutricional. distribuição../abr. Os ácidos fenólicos. 1985. 1980. como cor. suas fórmulas gerais e denominações estão representadas na Figura 1. Estrutura química dos ácidos benzóicos. R2 R2 RR1 1 CH CH CHH C COOH H COO R4 R4 Oxidação lipídica nos alimentos Os lipídios nos alimentos estão sujeitos a uma série de reações que podem levar a modificações de suas estruturas. as auronas. sabor e textura (Hsieh & Kinsella. R2 = OCH3. a integridade e a segurança dos alimentos. Os ácidos fenólicos são divididos em três grupos.ÁCIDOS FENÓLICOS COMO ANTIOXIDANTES | 73 flavonóis e. R3 = OH → Ácido Vanílico. A oxidação lipídica é uma das principais reações deteriorativas a ocorrerem durante o processamento. além de se apresentarem sob sua forma natural. com menor freqüência. o qual. Nawar. R2 = R4 = OCH3. origina o ácido clorogênico. Estrutura química das cumarinas. É responsável pelo desenvolvimento de sabores e odores desagradáveis nos alimentos. O segundo é formado pelos ácidos cinâmicos. sendo sete os mais comumente encontrados no reino vegetal (Figura 2). jan. Rev. associado a um álcool-ácido cíclico. R3 = OH → Ácido Siríngico Figura 1. As cumarinas são derivadas do ácido cinâmico por ciclização da cadeia lateral do ácido o-cumárico (Figura 3). afetando o valor nutricional e também os padrões de qualidade. R2 = R3 = R4 = OH → Ácido Gálico. R2 = R 3 = OH → Ácido Protocatequínico. O primeiro é composto pelos ácidos benzóicos. 1995). que possuem sete átomos de carbono (C6-C1) e são os ácidos fenólicos mais simples encontrados na natureza. R2 = R3 = OH → Ácido Caféico. Além disso. OH OH CH CH CH CH COOH COOH Ácido o-cumárico O O O O C C CH CH CH CH Cumarina Figura 3. R1 = R4 = OH → Ácido Gentísico. dependendo do lugar. R3 = OH → Ácido p-hidroxibenzóico. calconas e isoflavonas. Kubow.. podem também se ligar entre si ou com outros compostos. R3 = OH → Ácido Sinápico Figura 2. 1993. número e combinação dos grupamentos participantes da molécula. A combinação mais importante destes ácidos ocorre com o ácido caféico. que possuem nove átomos de carbono (C6-C3). 1993). tornando-os impróprios para o consumo. R R3 3 R 2 R 1 R 3 COOH R 4 R1 = OH → Ácido Salicílico. Campinas. Estrutura química dos principais ácidos cinâmicos. Nutr. 1989. 15(1):71-81. R2 = OCH3. 2002 Revista de Nutrição . através da formação de compostos potencialmente tóxicos (Frankel. R1 = OH → Ácido o-cumárico. R2 = OH → Ácido m-cumárico.

15(1):71-81. ativação ou inativação de certas enzimas devido à reação dos radicais livres com aminoácidos constituintes da cadeia polipeptídica.•) Hidroxila (OH•) Peróxido de hidrogênio (H2O2) Alcoxila (RO•) Peroxila (ROO•) Peridroxila (HOO•) Triclorometil (CCl3•) Radicais de Enxofre Tiol (RS•) . poluição do ar. 1993). Elas podem ser geradas por fontes endógenas ou exógenas. agindo diretamente sobre alguns componentes celulares. há a ação tóxica resultante de altas concentrações de íon superóxido e peróxido de hidrogênio na célula (Halliwell et al. cicloxigenases. denominadas de peroxidação lipídica. originam-se de processos biológicos que normalmente ocorrem no organismo. 1993. alterando sua fluidez e permeabilidade. 2002 .. resultando em sua fragmentação. tais como: redução de flavinas e tióis. cross linking. como mitocôndrias. 1995). Estas moléculas têm um elétron isolado.Complexos de Metais de Transição Fe+3/Fe+2 Cu+2/Cu+ . Nos processos biológicos há formação de uma variedade de radicais livres (Erenel et al.Radicais de Nitrogênio Fenildiazina (C6H5N = N•) Óxido nítrico (NO•) Estes radicais irão causar alterações nas células. pesticidas e radiações. por exemplo. 1987). são muito vulneráveis ao ataque de radicais livres. que afetarão a integridade estrutural e funcional da membrana celular.. 1993). Os radicais livres podem provocar também modificações nas proteínas celulares. solventes orgânicos. livre para se ligar a qualquer outro elétron. em certos casos.. agregação e. resultado da atividade de oxidases. Nutr. núcleo. 1993).. presença de metais de transição no interior da célula e de sistemas de transporte de elétrons. SOARES Os ácidos graxos insaturados são as estruturas mais suscetíveis ao processo oxidativo.. Oxigênio sinlete (1O2) .74 | S. gerando mudanças em moléculas de DNA e acarretando certas aberrações cromossômicas (Erenel et al. Por fontes endógenas. e por isso são extremamente reativas./abr. anestésicos. 1987). Rice-Evans & Burdon. Campinas. retículo endoplasmático e membranas (Machlin & Bendich. desidrogenases e peroxidases. A reação de radicais livres com ácidos nucléicos também foi observada. Estas moléculas desencadeiam reações de oxidação nos ácidos graxos da membrana lipoprotéica. São eles: . peroxissomos. Além disso. jan.E. As fontes exógenas geradoras de radicais livres incluem tabaco. Além destes efeitos indiretos. havendo uma dependência direta entre o grau de insaturação e a susceptibilidade à oxidação (Cosgrove et al. Revista de Nutrição Rev. lisossomos.. Esta geração de radicais livres envolve várias organelas celulares. lipoxigenases.Radicais do oxigênio ou espécies reativas do oxigênio Íon superóxido (O2-. os produtos da oxidação dos lipídios da membrana podem causar alterações em certas funções celulares (Rice-Evans & Burdon. Os ácidos graxos poliinsaturados das membranas.Radicais de Carbono Oxidação em sistemas biológicos A oxidação nos sistemas biológicos ocorre devido à ação dos radicais livres no organismo.

por meio de dois mecanismos: o primeiro envolve a inibição da formação de radicais livres que possibilitam a etapa de iniciação. tércio-butil-hidroxiquinona (TBHQ). Ácidos fenólicos como antioxidantes em alimentos Diversos autores realizaram estudos visando verificar o potencial antioxidante dos ácidos fenólicos. são: butil-hidroxi-anisol (BHA). Nutr. poucos são os permitidos para o uso em alimentos. Tendo em vista os indícios de problemas que podem ser provocados pelo consumo de antioxidantes sintéticos. p-cumárico e ferúlico. farinha de soja desengordurada. Os estudos estão centralizados nos compostos fenólicos de origem vegetal. as pesquisas têm-se dirigido no sentido de encontrar produtos naturais com atividade antioxidante os quais permitirão substituir os sintéticos ou fazer associações entre eles. Antioxidantes fenólicos funcionam como seqüestradores de radicais e algumas vezes como quelantes de metais (Shahidi et al.ÁCIDOS FENÓLICOS COMO ANTIOXIDANTES | 75 COMPOSTOS FENÓLICOS COMO ANTIOXIDANTES Os processos oxidativos podem ser evitados através da modificação das condições ambientais ou pela utilização de substâncias antioxidantes com a propriedade de impedir ou diminuir o desencadeamento das reações oxidativas (Allen & Hamilton. 1994. Os produtos intermediários. Simic & Javanovic. Os antioxidantes são capazes de inibir a oxidação de diversos substratos. 1993). São eles: ácido clorogênico (encontrado em maior quantidade e com maior atividade antioxidante). Neste caso. entre os quais o UFV 5'. Nakatani. pois eles agem como aceptores de radicais livres. de moléculas simples a polímeros e biossistemas complexos. a oxidação lipídica é inibida por seqüestradores de radicais livres. butil-hidroxi-tolueno (BHT). com o intuito de diminuir sua quantidade nos alimentos. Cintra & Mancini Filho. caféico.. jan. 1992. 1985). 1996. 1983). interrompendo a reação em cadeia (Namiki. tri-hidroxi-butilfenona (THBP) e propil galato (PG). Campinas. tanto in vitro. devido principalmente a sua toxicidade (Shahidi et al. 1992). 1998). Williamson et al. 1994). 1992). como alcoxila e peroxila.. formados pela ação destes antioxidantes. entretanto. o segundo abrange a eliminação de radicais importantes na etapa de propagação. entre outros. Pratt. são relativamente estáveis devido à ressonância do anel aromático apresentada por estas substâncias (Nawar. os compostos mais utilizados. Na indústria de alimentos. 1992. Donnelly & Robinson. 1995. além de atuarem também nos processos oxidativos catalizados por metais. Estudos toxicológicos têm demonstrado a possibilidade de estes antioxidantes apresentarem algum efeito tóxico./abr. Os compostos fenólicos e alguns de seus derivados são. 1979) e dos ácidos cinâmicos encontrados nestes produtos... Huang & Ferraro. eficazes para prevenir a oxidação lipídica. como in vivo (Ho. interrompendo a reação em cadeia provocada por estes. 2002 Revista de Nutrição . 1990. largamente utilizados na conservação de alimentos lipídicos por chegarem a aumentar a vida útil de muitos produtos entre 15 e 200% (Durán & Padilla. agindo tanto na etapa de iniciação como na propagação do processo oxidativo. 1992. 1994. concentrado e isolado protéico de soja (Pratt & Birac. 1990). Em investigações de ácidos fenólicos presentes em grãos de soja. portanto. através da doação de átomos de hidrogênio a estas moléculas. 15(1):71-81. Ho et al. quatro apresentaram uma atividade antioxidante significativa. e o Joint Expert Committee on Food Aditives (JECFA ) da Food and Agriculture Organization (FAO) e World Health Organization (WHO) têm alterado nos últimos anos a ingestão diária aceitável (IDA) destas substâncias como resultado de algumas pesquisas científicas (Würtzen... com o objetivo de substituir os antioxidantes sintéticos. Este fato foi também observado em nove cultivares de soja produzidos no Brasil. com a maior concentração destes Rev.

O ácido caféico mostrou uma atuação maior que a do BHT. limitando em parte. Os resultados indicaram serem os ácidos fenólicos os principais responsáveis pela atividade antioxidante destes extratos e serem os ácidos clorogênico.E. A atividade antioxidante da fração polar contida em óleo de oliva refinado foi testada nele mesmo através do método de Shall (estufa a 60°C. Estes extratos foram submetidos.. gálico e sinápico possuem uma boa atividade (Dziedzic & Hudson. Medindo a eficiência de alguns ácidos fenólicos como antioxidantes em sistema lipídico. embora inferior à obtida com o BHA. caféico. possuam baixa solubilidade neste sistema. apresentaram atividade antioxidante maior que o α-tocoferol e o BHT (Von Gadow et al. embora estes compostos. enquanto os ácidos protocatequínico e siríngico. vanílico. Os resultados mostraram uma certa ação por parte da fração polar do óleo de oliva. p-hidroxibenzóico e vanílico demonstraram pouca ou nenhuma propriedade antioxidante. SOARES ácidos fenólicos. apesar de terem apresentado atividade. TBHQ e com o extrato de alecrim. assim como os demais ácidos fenólicos. protocatequínico. 1997). individualmente.. sua utilização e seu potencial antioxidante (Pratt. gentísico. foram inferiores a do BHT.4-dihidroxibenzóico) e cinâmicos (ácidos p-cumárico. ferúlico. Contudo. e 3. Na tentativa de se elucidar as diferenças de potencial antioxidante existentes entre os ácidos fenólicos. o qual possui dois grupamentos de metoxila. caféico. os ácidos o-cumárico. 1992). Extratos de seis variedades de batata também foram submetidos ao método do oxigênio ativo. na ausência de luz). através do Rancimat®. Em estudos da atividade antioxidante de extrato de farelo de trigo através do método do oxigênio ativo (Onyeneho & Hettiarachchy. Por outro lado. determinando-se o índice de peróxidos como indicador do processo oxidativo (Papadopoulos & Boskou. a ação é Revista de Nutrição Rev. p-cumárico. detectaram-se quantidades apreciáveis de ácidos fenólicos. clorogênico e ferúlico. no caso dos ácidos benzóicos. foi observado que estes compostos pelos ácidos clorogênico. protocatequínico e caféico. como o caféico e o protocatequínico. tendo o óleo de oliva como substrato (Onyeneho & Hettiarachchy. 1992). mas esta foi inferior a do BHT. 1993). através do método de Shall. em particular por ácidos fenólicos. ferúlico e p-cumárico em sistema lipídico. No caso do ácido siríngico. ainda. utilizando a mesma metodologia. verificou-se que os ácidos protocatequínico. Ademais. Em estudos realizados com extratos de casca de batata.76 | S. Após sua análise por Cromatografia Líquida de Alta Eficiência. à cromatografia em camada delgada para identificação dos compostos presentes e também foram revelados com β-caroteno/ácido linoléico para se testar a atividade antioxidante destes compostos. siríngico. foi realizada uma comparação quantitativa do comportamento cinético da inibição da oxidação de alguns ácidos benzóicos (ácidos p-hidroxibenzóico. jan. 15(1):71-81. Foi testada também a atividade antioxidante de cada ácido fenólico contido na fração polar. estas substâncias podem ser modificadas para se tornarem lipossolúveis através de alquilação ou esterificação com ácidos graxos de cadeia longa ou álcoois. Os resultados mostraram que em todos eles houve uma redução da oxidação.. 1984). alguns deles. Nutr. apresentaram atividade antioxidante similar ao BHA (Rodriguez de Sotillo et al. ferúlico. 1994). 1992). Concluiu-se que. a hidroxila presente na molécula do ácido p-hidroxibenzóico não confere a este nenhuma propriedade antioxidante. sinápico e caféico) (Marinova & Yanishlieva. O extrato contendo a fração polar é constituído praticamente por compostos fenólicos. BHT. vanílico. p-hidroxibenzóico./abr. este mostrou um grande potencial. Já a metoxila presente com a hidroxila no ácido vanílico confere a ele uma pequena atividade antioxidante. 1992).. neste caso o ácido ferúlico apresentou a maior atividade antioxidante (Nagem et al. gálico. caféico e protocatequínico os mais ativos. 1991). 2002 . em avaliação do potencial dos ácidos caféico. como protocatequínico. Campinas..

apresentaram um elevado poder antioxidante neste sistema. Os autores observaram uma inibição significativa da oxidação pelo ácido caféico (86%). Em pesquisas realizadas com vários ácidos fenólicos. Este decurso de tempo é ainda maior com a presença de duas metoxilas. a presença de uma metoxila adjacente à hidroxila. os quais apresentaram também elevado potencial antioxidante. Alguns deles. 1996. 1998). C e β-caroteno (Laranjinha et al. Neste sistema foi observado um elevado poder antioxidante de ácidos fenólicos como o caféico e o sinápico (Nardini et al.. jan. Também foram investigados os potenciais antioxidantes dos ácidos caféico e ferúlico in vitro. Campinas. mas quase nenhum poder antioxidante do ácido ferúlico (19%). 1998). 1990). Portanto. pois resultados encontrados em pesquisas demonstraram a ação deste ácido como pró-oxidante quando a oxidação de LDL é induzida pelo cobre. sendo comparado ao poder encontrado para a vitamina E. Nardini et al. caféico e clorogênico na peroxidação in vitro de microssomas (Kimura et al. o clorogênico e o caféico demonstraram uma elevada ação inibitória sobre a peroxidação de células como eritrócitos e monócitos. p-cumárico. a atividade antioxidante dos compostos estudados por estes autores possuem a seguinte ordem: ácido caféico > 3. o maior potencial antioxidante foi encontrado quando há duas hidroxilas nas posições 3 e 4.. A maioria dos modelos experimentais empregados na análise do potencial antioxidante de ácidos fenólicos sobre a oxidação de LDL in vitro utilizam o Cu2+ para promovê-la... protocatequínico e vanílico não apresentaram atividade quando induzidos pelo H2O2 (Ohnishi et al. Em estudos cinéticos mais recentes.. enquanto os ácidos cinâmico. Steinbrecher et al. 1989. 1995. 1995. Rev. como o caféico e o clorogênico./abr. Isso leva ao melhor esclarecimento da ação destes antioxidantes no processo oxidativo (Yanishlieva & Marinova.. estrutura apresentada pelos ácidos caféico e 3. Entretanto. foi verificado o efeito dos ácidos cafeoquínico. Vinson & Dabbagh. Vinson et al. Visioli & Galli. Carbonneau et al. utilizando-se triglicerídios e metil ésteres de óleo de girassol. vários autores utilizaram o modelo de oxidação de LDL in vitro para verificar o potencial antioxidante de ácidos fenólicos. foi verificado que os ácidos fenólicos participam mais efetivamente na fase de iniciação da oxidação e os ácidos ferúlico. Laranjinha et al.. 1994.4-dihidroxibenzóico. ferúlico.. foi descrito que a habilidade do ácido ferúlico neste caso está diretamente ligada ao agente utilizado. como ocorre no ácido ferúlico.4-dihidroxibenzóico > sinápico > siríngico > ferúlico > p-cumárico > vanílico.ÁCIDOS FENÓLICOS COMO ANTIOXIDANTES | 77 ainda maior. utilizando microssomas de fígado de ratos (Pulla Reddy & Lokesh. 1984). 1998). Primeiramente.. Com referência aos ácidos cinâmicos. 15(1):71-81. Os resultados mostraram eficácia de todas as formas isoméricas do ácido dicafeoquínico na inibição da peroxidação induzida de microssomas. sugerindo um mecanismo no qual há formação de um radical fenoxil ferúlico no Ácidos fenólicos como antioxidantes biológicos Algumas citações foram encontradas com relação à ação antioxidante dos ácidos fenólicos em sistema biológico.. 2002 Revista de Nutrição ... Contudo. Nutr. 1997. Considerando-se que a modificação oxidativa das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) é um iniciador importante da aterogênese (Steinberg et al. pois a atividade deste não foi significativa em relação ao controle. como ocorre no ácido sinápico. caféico e sinápico atuam também nas reações de propagação. 1994. aumenta o período de indução da oxidação duas vezes em relação ao controle. e na maioria das vezes foram realizados estudos in vitro com estas substâncias. 1995). inclusive com ação maior que os ácidos caféico e clorogênico. 1992).

n. L. v. jan. ROBINSON. 15(1):71-81.L.. CHURCH. London : Applied Science. Lipids. biodisponibilidade em condições fisiológicas e concentração plasmática ideal para sua atividade de proteção contra os radicais livres e doenças associadas. Avaliou-se também o potencial antioxidante dos ácidos caféico e p-cumárico e do ascorbato na oxidação de LDL promovida por ferrilmioglobina (Vieira et al. 1998. AZIZ.J.M. Chemistry in Britain. Nutrition Reviews.. CROFT. pois não foram encontrados dados a respeito de sua absorção. 1997.147-176.. C.43-54. Há poucas evidências que levam a crer em ação destas substâncias no sistema biológico de forma similar à vitamina C no processo de regeneração do α-tocoferol (Nardini et al. Free Radical Research. S.22. 1997). ARUOMA. Food Chemistry. London. N. 1993. J. p.. v. Annals of the New York Academy of Science. Carbonneau et al. v.P. Abstract Book.2. MICHEL. n.45-51. p. p. SOARES processo de redução do cobre. MONNIER.. S. COSGROVE. Free radical in foods. HUDSON. 1996.337-344. 1983. B. F. p.22..F./abr. Barcelona. inclusive maiores que a apresentada pelo ascorbato. DURÁN. Comparative antibacterial and antifungal effects of some phenolic compounds. Além disso.374. p.J.5. European Journal of Clinical Nutrition. v. 1997..C. Rancidity in foods. estas substâncias demonstraram um efeito sinérgico.56. DZIEDZIC..299-304. Revista de Nutrição Rev. p. 1996. RADICAL RESEARCH. CINTRA.3.. Campinas. M.682-690.A. BOURNE.A.. PRYOR. p. R.101-106.14. p.I.Z.. New York. F.. 1998). Phenolic acids and related compounds as antioxidants for edible oils. 199p.44.. Foram observadas atividades antioxidantes por parte dos dois ácidos fenólicos. ABO-ZAID. v. D. DONNELLY. The kinetics of autoxidation of polyunsaturated fatty acids. metabolism and nutrition significance.. L. DEDIEU. In: BIENNIEAL MEETING INTERNATIONAL SOCIETY FOR FREE CONCLUSÃO Apesar do conhecimento existente sobre o potencial antioxidante apresentado pelos ácidos fenólicos dos alimentos. p.. Sevilla.H. 1998.11. v. v. L. n. C..A. v.C.G. n. R. Grasas y Aceites.. n. 1987. J.51. Actividad antioxidante de los compuestos fenólicos. FARAG. considerado pelos autores um fato de grande relevância fisiológica.. Antioxidant activity of spices in different systems. B. v. Microbios. J. 1993.2. é de extrema importância o estudo da ação destas substâncias in vivo.S. C. HAMILTON.27. Nutr. n. BONNET. RICE-EVANS. J. The effect of the phenolic antioxidant ferulic acid on the oxidation of low density lipoprotein depends on the pro-oxidant used..78 | S. W. Oxford. Já na oxidação induzida por metamioglobina o ácido ferúlico apresentou um bom efeito antioxidante (Bourne & Rice-Evans. Invited review.. B. FOURET. Free Radical Research.A.3. LÉGER.. 1995. Polyphenols: chemistry. 1997).. BRAVO.93. O..E. MANCINI FILHO. n. The chemistry and biological effects of flavonoids and phenolic acids.10.D. New York. G. Champaign.K. D. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEN. pouco se sabe a respeito do comportamento destas substâncias in vivo.A.. K. 1997.210-214. ainda que tenha sido verificado um elevado potencial antioxidante destes compostos in vitro. R.M. Cambridge. Supplementation with wine phenolic compounds increases the antioxidant capacity of plasma and vitamin E of low-density lipoprotein without changing the lipoprotein Cu2+ oxidizability: possible explanation by phenolic location. 2002 . n. M. L.E.317-333.29. dietary sources. Free radicals and food.90. CARBONNEAU.F. p. 1998. Barcelona : ISFRR. v. MOUSA. 8.854. DESCOMPS. 1984. Yverdon.435-442. London. Chur. Embora tenham sido realizados diversos estudos comprobatórios da atividade antioxidante dos ácidos fenólicos in vitro. PADILLA. p.

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