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VIII Manual de Direito Internacional Público Rubens de Mello - I - Rubens de Mello, Tratado de direito diplomático, Rio de Janeiro, 1948

, v. 1; Rubens de Mello - 2, v. 2. Russomano - Gilda Maciel Correa Meyer Russomano, Direito internacional pí ba Econômica Exclusiva. ÍNDICE GERAL Ahrc . ttln cla 14° ecliç to ...................................................... ...... XXI INTRODUÇÃO NOÇÃO. FUNDAMENTO E DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO. AS PESSOAS INTERNACIONAIS Capítulo 1 - Dentes do Direito Internacional ............ 19 Capítulo 2 - Os Tratados .............. 23 Seção 1 - Conceito, terminologia e classificação dos tratados ....... 23 Seção 2 - Condição de validade dos tratados .......... 25 s ) ° - Capacidade das partes contratantes ....... 25 s ?°- Habilitação dos agentes signatários ........ 26 . ' 3° - Consenti mento mútuo ...... 26 , ' 4° - Objeto lícito e possível ....................................... ........... 27 X Manual de Direito Internacional Púhlicu Seção 3 - Efeitos de tratado sobre terceiros Estados ........... Seção 4 - Ratificação, adesão e aceitação de tratado .......... Seção 5 - Registro e publicação de tratado ......................... Seção 6 - Interpretação de tratados ..................................... Seção 7 - Aplicação de tratados sucessivos sobre a mesma matéria ................................................................. Seção 8 - Nulidade, extinção e suspensão de aplicação de tratados ................................................................ Capítulo 6 - O Costume Internacional ............................. Capítulo 7 - Os Princípios Gerais do Direito ................... Capítulo 8 - Fontes Acessórias ................................................. Seção I - A jurisprudência dos tribunais ............................. Seção 2 - A doutrina dos autores......................................... Capítulo 9 - Codificação do Direito Internacional ................... Seção 1 - A Convenção de Genebra sobre o Direito do Mar (1958) .................................................................. Seção 2 - A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas ..................................................................... Seção 3 - A Convenção de Viena sobre Relações Consulares ..................................................................... Seção 4 - A Convenção sobre Missões Especiais ............... Seção 5 - A Convenção sobre Relações entre Estados e Organizações Internacionais .................................... Seção 6 - As Convenções de Viena sobre a Sucessão de Estados .................................................................... Seção 7 -- A Convenção sobre o Direito dos Tratados de Organizações Internacionais.................................... Seção 8 - A Convenção sobre o Direito do Mar de 1982 .... Seção 9 - As convenções sobre assuntos cientíticos e tecnológicos e sobre o meio ambiente ......................... Capítulo 10 - Relações do DIP com o Direito Interno ............. Capítulo 1 1 - Os Sujeitos do Direito Internacional .................. 27 28 32 33 34 49

50 51 53 53 55 57 58 59 61 64 Índice Geral XI PRIMEIRA PARTE O ESTADO EM DIREITO INTERNACIONAL Capítulo 1 - Elementos Constitutivos do Estado .................... Capítulo 2 - Classificação dos Estados .................................., Seção 1 - Estado simples .................................................... Seção 2 - Estados compostos por coordenação .................. União pessoal .................................................................... .... União real ....................................................................... ....... Confederação de Estados ......................................................... Estado federal ou federação de Estados ........................""""""" Seção 3 - Estados compostos por subordinação .................. Seção 4 - O sistema internacional de tutela ........................ Capítulo 3 -Nascimento de Estado......................................"" Capítulo 4 - Reconhecimento de Estado e de Governo ........... Seção 1 - Reconhecimento de Estado ................................, Seção 2 - Reconhecimento de beligerância e de insurgência . Seção 3 - Reconhecimento de governo ............................,.. Capítulo 5 - Extinção de Estado ......................................."".., Capítulo 6 - Sucessão de Estados .........................................." Seção 1 - Sucessão em matéria de tratados ......................... Seção 2 - A Convenção sobre sucessão de Estados em matéria de bens, arquivos e dívidas .......................... Seção 3 - Naturalização coletiva, em conseqüência de cessão ou anexação de território .............................., Capítulo 7 - Direitos dos Estados ..................................,......... Seção 1 - Direito à liberdade ......................................."".." Seção 2 - Direito de igualdade ........................................",. Seção 3 - Direito ao respeito mútuo .................................". Seção 4 - Direito de defesa e conservação .......................... Seção 5 - Direito internacional do desenvolvimento ........... Seção 6 - Direito de jurisdição ............................................ Capítulo 8 - Deveres dos Estados ............................................ 97 101 103 104 105 106 107 108 109 I11 X11 Manual de Direito Internacional Público Capítulo 9 - O Dever de Náo-Intervenção ...............................

Seção 1 - Intervenção em nome do direito de defesa e de conservação ......................................................... Seção 2 - Intervenção para a proteção dos direitos humanos . Seção 3 - Intervenção para a proteção dos interesses de seus nacionais ....... Seção 4 - A Doutrina Drago ... Seção 5 - A Doutrina Monroe ..................................-..-..ww Capítulo 10 - Restrições aos Direitos Fundamentais dos Estados Seção 1 - Neutralidade permanente ...................................Seção 2 - Arrendamento de território .................................. Seção 3 - Imunidade de jurisdição ...................................... Seçáo 4 - Capitulações ........................................................ Seção 5 - As servidões internacionais ................................. Capítulo 1 1 - Responsabilidade Internacional dos Estados ..... Seçáo 1 - Os princípios gerais e sua aplicaçáo .................... Seção 2 - Atos de órgãos do Estado .................................... a) Atos do órgão executivo ou administrativo ..................-........... h) Atos do órgão legislativo ....... c) Atos do órgão judiciário ou relativos às funções judiciárias ........ Seção 3 - Atos de indivíduos .......................................-...wSeção 4 - Responsabilidade por danos resultantes de guerras civis ................................................................ Seção 5 - Esgotamento dos recursos permitidos pelo direito interno .................................. ..... Seção 6 - Nacionalidade das reclamações ........................... Seção 7 - Circunstâncias que excluem a responsabilidade . Seção 8 - Conseqüências jurídicas da responsabilidade ...... Capítulo 12 - A Santa Sé e a Cidade do Vaticano ................... SEGUNDA PARTE OS ÓRGÃOS DAS RELAÇÕES ENTRE ESTADOS 114 116 116 118 119 121 124 124 126 128 128 130 132 132 135 135 138 139 141 146 148 149 150 153 157 r''.",ir lr. 1 -C hefe r1e Fstado ................................................... 165 Índice Geral

XIII Capítulo 2 -O Ministro das Relações Exteriores..................... Capítulo 3 - As Missões Diplomáticas..................................... Seção 1 - Escolha e nomeação dos agentes diplomáticos ... Seção 2 - Funções das missões diplomáticas ...................... Seção 3 - As prerrogativas e imunidades diplomáticas ....... Imunidade de jurisdição ........................................................... Isenção tïscal ....................................................................... ... Seção 4 - Termo da missão diplomática.............................. Capítulo 4 - As Delegações junto a Organizações lnternacionais Capítulo 5 - As Repartições Consulares .................................. Seção 1 - Nomeação e admissão de cônsules ...................... Seção 2 - As funções consulares ......................................... Seção 3 -Privilégios e imunidades consulares.................... Seção 4 - Termo das funções consulares ............................. TERCEIRA PARTE ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS Capítulo 1 - As Nações Unidas ................................................ Seção 1 - A Assembléia Geral ............................................. Seção 2 - O Conselho de Segurança.................................... Seção 3 - O Conselho Econômico e Social ......................... Seção 4 - O Conselho de Tutela .......................................... Seção 5 - O Secretariado ..................................................... Seção 6 - Funções e atribuiçóes da Organização ................ Seção 7 - Os métodos amistosos de solução de contlitos ... Seção 8 - Ação coletiva contra as ameaças à paz, ruptura da paz ou atos de agressão ....................................... Seção 9 - Os acordos regionais ........................................... Capítulo 2 - A Corte Internacional de Justiça .......................... Capítulo 3 - A Organização dos Estados Americanos ............. Seção 1 - O sistema interamericano ................................-.. 168 170 172 173 174 176 178 179 181 185 186 187 188 190 194 195 197 199 200 200 201 201 204 206 209 217

....... Seção 1 . ..A Liga dos Estados Árabes .O Mercosul ..........O Tratado de 1980 ..Domínio Terrestre .......Rios internacionais .........................................Os Organismos Europeus ........ QUARTA PARTE O TERRITÓRIO Capítulo 1 ........................................... b) Rios ............... Capítulo 6 ........ Capítulo 5 ................. Navegação ........... ...... c) Lagos ou mares internos ....................................................Estrutura da OEA ....................................................................... ... Capítulo 2 ............. ....................................... Capítulo 8 -Organizaçóes Internacionais Especializadas............ .................................... Seção 2 ............. ........................218 XIV Manual de Direito Internacional Púhlico Seção 2 ............ a) Montanhas .................. Seção Única ........O Tratado de Montevidéu de 1960 ...... Seção 1 .Rios nacionais ................. Seção 3 ...... Seção 2 ............... Conselhos da Organização.......... Seção 2 . c Ilhas .................... ... Capítulo 7 ..........................A Integração Econômica Latino-Americana ...Antecedentes .. ....... 220 220 221 221 222 222 224 225 225 226 230 230 231 235 237 238 243 245 247 247 249 249 ... Secretaria-Geral .................................... Capítulo 4 .............................................A Organização da Unidade Africana .......... Comissão Interamericana de Direitos Humanos ...... Aproveitamento industrial e agrícola das águas ..........As Comunidades Econômicas Européias .. .................Demarcação ........Domínio Fluvial .......................................................... .. Pesca .. Seção 1 ........... ....... Assembléia Geral ........... .... Comissão Jurídica Interamericana .......................................

........ Capítulo 8 .................................... Seção 2 .......A Convenção sobre a Plataforma Continental de 1958 .. Seção 2 ........................................Águas e mares internos ............. Seção 4 .......... Seção 2 ............... Capítulo 5 ..Plataforma Continental ...... Portos e ancoradouros........................ Capítulo 3 ..................................................................... Seção 1 ............ Seção 6 ..............O mar territorial .................. Seção 1 ...A conquista e a anexação ..............Modos de Aquisição e de Perda do Domínio do Estado ..............A proteção da camada de ozônio.......................... ..............................A prescrição .......................................... em matéria civil e penal ............... Seção 1 ............. ... Seção 1 ... Golfos e baías....... . Seção 2 ................................................... Área alcançada pela ocupação................................................... 255 257 257 258 260 261 262 264 265 266 266 266 268 270 273 279 ...Poluição atmosférica ..Seção 3 ............... Seção 5 .................................A cessão ........ Seção 4 ..............................................A plataforma continental na Convenção de 1982 Capítulo 6 ...................................................... ..............................A acessão ........A navegação aérea ....A ocupação ...................... Jurisdição do Estado ribeirinho...Domínio Marítimo ................Mares fechados ou semifechados ................................ Seção 3 ................................................ Direito de passagem inocente.........................................Domínio Aéreo.................. Seção 5 ......................................... Capítulo 7 ...........Canais internacionais ....................Zona Econômica Exclusiva.......................... .................Proteção do Meio Ambiente .........251 252 252 253 254 255 Índice Geral XV Proteção do meio ambiente ......... Estuários ........................................................................................................................................................................... Extensão ou largura .............................Estreitos internacionais ........................ Seção 1 .............. .................................................................................................Radiotelegrafia ....... Seção 2 .....A zona contígua............................. Capítulo 4 ........

.Proteção das minorias................Proteção do solo.....Os fundos marinhos ... Seção 5 ....... .......Proteção das t7orestas ...................Melhoria das condições de vida do hometn .................. Seção 2 ............. Seção 12 ............... ........Proteção diplomática ......282 283 288 289 292 295 295 298 300 301 302 303 305 306 307 XVI Manual de Dircito Intcrnacicnril Públíco Seção 3 ............ Seção 8 ............. Seção 4 ..................Os Direitos Humanos e as Nações Unidas ...A Declaração Universal dos Direitos do Homem Seção 2 .... Desertitïcação ......Relações dos Estados com seus nacionais no exterior ..............................A proteção do trabalho intelectual e industrial .................. Capítulo 2 .... ....................... Seção 3 ... Seção 10 .. Seção I .................... Da naturalização ................................................. Aquisição da nacicmalidade .......Direito de asilo ........................Os Direitos Humanos ........ Seção I ......Os Espaços Internacionais ....Da nacionalidade .....Poluição nos mares .. Seção 1 ........... Seção 6 ................................ Perda da nacionalidade ... .... Seção 5 ............Os direitos humanos no sistema interamericano ...... 309 312 313 3l6 317 321 324 ..............................................A liberdade individual ..............................Condições de trabalho eqüitativas e humanas .... Seção 7 ........Domínio polar........... ................................................ Seção 1 1 -Expulsão de estrangeiro.................O alto-mar .................................. Seção I 3 ..................................... Seção 4 .............. A Antártida .... Seção 3 ............O espaço ultraterrestre.............. Seção 9 ......................Tráfico de pessoas ................................................ ........................Condição jurídica dos estrangeiros ... QUINTA PARTE OS DIREITOS INTERNACIONAIS DO HOMEM Capítulo 1 ....... Nacionalidade adquirida ....................................Da extradição . Capitulo 9 ............... Seção 2 ...... Seção 4 .................................

....... ... Seção 4 .......................................Formas de arbitragem ...........O processo arbitral .....Comissões internacionais de inquérito e conciliação Seção 4 .........Comissões mistas ............................... Seção 2 ... Capítule 9 ........................Os Navios em Direito Internacional .......... Seção 1 ................................327 332 333 336 339 341 343 344 345 348 350 354 357 358 359 359 359 361 364 367 369 374 Índice Geral XVII SEXTA PARTE NAVIOS E AERONAVES Capítulo I ... Capítulo 2 -Classificação e Nacionalidade dos Navios....................A sentença arbitral ....... Capítulo 7 .................................. 378 .................... Capítulo 4 ... Seção 5 ......... Seção 3 .............. Capítulo 6 ............Os tribunais internacionais permanentes ....Aeronaves ... Seção 1 ......... C apítulo 5 ...Navios Públicos em Águas Estrangeiras .. Capítulo 2 .......................................................... Seção 1 .............................Aeronave em Vôo ou sobre o Alto-Mar ......A Corte Internacional de Justiça ..........................................................Os Meios Diplomáticos de Solução Pacífica de Controvérsias ...Escolha e poderes dos árbitros ........... Capítulo 8 ............. Capitulo 3 ....Navios Privados em Águas Estrangeiras .....................................Navios em Alto-Mar ............Solução Judíciária de Contlitos .....As negociações diretas .Bons ofícios .. Capítulo 3 .. . Seção 3 ...............................................Congressos e conferências ............................................................................................................ Seção 4 ............................. Seção 2 ...Arbitragem ...... SÉTIMA PARTE SOLUÇÃO PACÍFICA DE LITÍGIOS INTERNACIONAIS Capítulo I ................................................. Seção 3 ..... Seção 2 .A mediação....Classitïcação e Nacionalidade das Aeronaves ................................Sistema consultivo ..Aeronave em Espaço Aéreo Estrangeiro ...

.......................................... Seção 3 -Efeitos em relação às pessoas... 43 I OITAVA PARTE A GUERRA Capítulo 1 ......O bloqueio pacítico ........................ Capítulo 3 ............................... Embargos sobre navios inimigos ... .........As represálias .Soluções Coercitivas de Controvérsias ...... Liberdade de comércio ................Os princípios da necessidade e da humanidade.... 429 Seção 5 ..........................................As fontes das leis de guerra ....... Seção 2 ......................................... Capítulo 2 .. Seção 1 .....................................Meios de ataque e de defesa ........ ..A retorsão ..380 383 386 389 393 394 395 397 401 401 402 402 403 405 408 409 410 412 414 416 417 419 420 422 XVIII Manual de Direito Internacional Público Capítulo 4 .......................... Seção 1 ......................... ........... Propriedade privada........................Efeitos em relação aos bens ............. 425 Seção 1 ............................................Efeitos no tocante às relações diplomáticas e consulares .................... 426 Seção 3 .................O Início da Guerra ..................................................................................................... ........................ Seção 2 ........................................... Seção 2 ............ . ............ 428 Seção 4 .........A Guerra Terrestre ... Seção 4 .................. 430 Seção 6 ... Propriedade pública........................ .....................................A ruptura de relações diplomáticas ........O embargo .....................................Efeitos sobre os tratados ....A boicotagem .......... Seção 1 -As forças armadas dos beligerantes......... .............................................................A Legitimidade da Guerra ............................................. 425 Seção 2 ....................

..... ............................. Seção 1 ... Capítulo 5 ........ 434 436 438 440 442 443 444 445 445 445 446 447 449 449 45l 454 454 456 457 457 Índice Geral XIX Seção 5 ................... Seção 2 ........................................................................Direitos e deveres em relação aos habitantes paClllCOS ... Prisioneiro de guerra ............. Navios mercantes armados ................................ náufragos e mortos ..As forças armadas dos beligerantes..........Seção 3 ..... pilotos e reféns ..... .. Capítulo 4 ..................... Feridos e enfermos ...................... enfermos............................... Parlamentários ................Direitos e deveres dos beligerantes em relação ao inimigo ........... O corso e sua abolição ............................................... Pessoal de navios que não sejam de guerra.......... Seção 3 .................. Seção 6 .................. Seção 7 .. Requisição de serviços................................................................................ ....................A Guerra Marítima .............................. ............................................. Feridos......A Guerra Aérea .............. ......... ............................... Mortos ...Determinação do caráter inimigo da propriedade privada ..... Seção 4 ............................................................................................................ guias..........................Meios de ataque e de defesa ...................... .......................Direitos e deveres em relação ao território do Estado inimigo ........... ....................................................... ..................O princípio da captura e o da destrutção ............................... Pessoal religioso e sanitário ..................Direitos e deveres em relação aos bens dos inimigos ...... ................................ Seção 5 ................ Prisioneiros de guerra ................... ...... Em relação às pessoas ........................ Seção 8 ............................ Seção 4 .........................................................................Direitos e deveres dos beligerantes em relação aos militares inimigos ..............Cabos submarinos ...............................Direitos e deveres em território ocupado.. Espiões .............................

.............................. Capítulo 6 ................ Suspensões de armas e armistícios ... Seção 1 .............. Diferentes espécies de neutralidade........ Capítulo 8 ..... Capitulações ............ .........................................................................Seção 1 .O bloqueio .................. Seção 7 ................................................... A destruição .............. Seção 2 ... Direito de angária ...................Assistência hostil ................................. Seção 6 ..... 459 464 465 466 467 467 469 469 469 469 471 471 471 471 471 472 472 475 477 479 481 482 482 486 488 490 490 491 XX Manual de Direito Internacional Público Seção 2 ........................ Seção 3 ..................................... Direitos dos neutros no território dos beligerantes ................. Seção 3 .....................................................Relações entre os Beligerantes ................................ Seção 4 ........................Direitos e deveres dos neutros ......... Regras internacionais sobre a neutralidade ....... Cartéis ............................... Direitos dos neutros ao comércio e à navegação...........Direitos dos neutros ...... Salvaguarda .....................As sanções das leis de guerra ..............O direito de visita ..................................................................A Neutralidade ....................................................Terminação da Guerra.............. Capítulo 7 .................................................................... Seção I ...Direitos e deveres dos beligerantes em relação ao inimigo .........Meios de ataque e de defesa .. Salvo-condutos e licenças ............................Os crimes e os criminosos de guerra a) Crimes contra a paz ....... Seção 2 .............................. Seção 5 .....O contrabando de guerra .............................Captura e destruição de navios e aeronaves A captura ...................................A força armada dos beligerantes ................

... e multiplicam-se os tratados sobre todos os aspectos ambientais.....A Guerra Interna ........ ou seja........ de uma maneira ou de outra.. pouco se tem conseguido.. A proteção do meio ambiente passou a ser uma das grandes preocupações da comunidade internacional. no tocante às maiores ameaças................. Seção 3 .O Tribunal Penal Internacional ... cabe aqui tentar pôr em relevo os que tenham... mas nada foi conseguido em tal sentido. não só na área governamental mas também entre todos os habitantes da Terra. Capítulo 9 . . É difícil identificar quais os principais acontecimentos que influíram no direito internacional.................... Parece-nos que é novamente no campo ambiental e dos direitos humanos que encontraremos fatores que exerceram esse papel.... A Conferência do Rio de Janeiro de 1992 exerceu essa salutar influência.. 494 495 496 496 499 502 504 506 507 507 507 509 509 509 509 510 510 512 514 515 516 516 517 518 522 PREÃMBULO DA 14° EDIÇÃO Diversos fatos ocorridos depois da publicação da 13 edição do Mafiual em 1998.... a poluição atmosférica e a poluição do mar. c) Crimes contra a humanidade .... influenciado efetivamente a matéria. dada a pressão dos meios industriais das grandes potências.. pois caso contrário o efeito estufa provocaria danos irreparáveis em quase todo o Globo....... bem como o seu rápido esgotamento.... Embora alguns tenham sido mais espetaculares quando apreciados sob um prisma político internacional.. tanto assim que se calculam em mais de mil os tratados internacionais assinados. pois os POPs (poluentes orgânicos persistentes) representam ameaça muito maior e de mais difícil combate.b) Crimes de guerra ...... Infelizmente. A poluição do mar por óleo já não é a principal ameaça............ Antes da Conferência de 1992 alguns dos mais conceituados cientistas do mundo já haviam salientado que era indispensável a diminuição dos gases poluentes na casa dos cinqüenta por cento.. estão a justificar esta nova edição........

superior a todas as legislações positivas. 26 de outubro de 1999 G. é condenado pelo direito internacional. Rio de Janeiro. E. s em levar em consideração a prática dos fatos. O Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia teve oportunidade de condenar alguns antigos integrantes daquele Governo e do Exército por crimes pratícados contra minorias muçulmanas na Bósnia. a prisão do General Augusto Pinochet merece ser destacada. dizia que "as definições dadas pelos autores a este ramo da ciência jurídica são diversas e.steriori para o julgamento e punição de casos especíticos. escrevendo no fim do séc ulo XIX. foram tribunais ad hoc estabelecidos a po. ao contrário do caso Pinochet. O Tribunal Penal Internacional criado pelQ Estatuto adotado em Roma em 15 de julho de 1908 na Conferência das Nações Unidas representa mais um passo importante na evolução do direito internacional. Os casos Pinochet e Milosevic representam uma mudança no concernente ã inviolabilidade de Chefes de Estado por atos condenados pela comunidade internacional. outros não vêem senão uma coleção de regras e d rincípios já reconhecidos e definitivamente estabelecidos. pois a seu ver antes de plantear o conceito de DIP é necessário ter em mente as dimensões 2 Manual de Direito Internacional Público . A Procuradora-Geral do Tribunal Penal da I-Iaia para crimes cometídos na Iugoslávia indiciou o Presidente Slobodan Milosevic por crimes contra a humanidade cometidos em Kosovo. muito embora essa regra tão importante de direito humanitário pareça haver sido definitivamente esquecida. devemos acrescentar ainda as atrocidades praticadas pelas milícias na Indonésia quando do plebiscito que resultou na indepêndencia de Timor Leste. o que se explica pela diversidade do s pontos de vista nos quais eles se colocaram para as formular. mas. Piédelièvre. Díer de Velasco adotou outro enfoque. O Tribunal Penal Internacional da Haia. por inúmeros crimes contra a humanidade. o julgamento aplicar-se-ia a atos praticados na qualidade de Presidente de seu país.No campo dos direitos humanos. a exigir punição severa. pois se trata de exemplo de detenção de um antigo Chefe de Estado em viagem no exterior. É de se mbrar que na época a qualidade de sujeito internacional era atribuída apenas aos Est ados e não a outras entidades. causando ferimentos e morte na população civil. alguns o encaram como uma lei universal. bem como anteriormente o tribunal criado parajulgar os criminosos de guerra em Nuremberg depois da segunda guerra mundial. principalmente quanto ao seu fundamento. principalmente na cidade de Saravejo. mas ainda se impondo ã observância dos Estados na regulamentação de suas relações recíprocas". em setembro de 1999. AS PESSOAS INTERNACIONAIS Capítulo 1 DEFINIÇÃO E DENOMINAÇÃO As definições do direito internacional público (DIP) dependem das teorias defendidas pelos diversos estudiosos dessa área. fontes e evolução histórica. A essa relação de crimes contra a humanidade. do Nascimento e Silva INTRODUÇÃO NOÇÃO. Uns apresentam o direito internacional como um ideal que as coletividades humanas devem visar. em geral. bastante incompletas. FUNDAMENTO E DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO. Ainda no tocante à guerra de Kosovo. deve ser lembrado que o bombardeio de cidades abertas. destituída de sanção.

alguns outros autores pensam que ele visa apenas aos Estado s. ao reconhecer a incorporação. principalmente depois da criação das Nações Unida s. Como exemp lo podemos citar duas definições de autores brasileiros do século XIX. Todavia. as das demais pes soas internacionais. Mas convém mencionar os argumentos que têm sido apresentados. o reconhecimento dos direitos fundamentais do ho mem. máximas. para quem o DI é "o conjunto de regras que governam as relações dos homens pertencente s aos vários grupos nacionais". como o da ausência de leis internacionais . ou de Estado a Estado. que podem delegar aos organismos internacionais certos direitos e obrigações. passou a ser objeto de estudo de inúmeros internacionalistas. O primeiro argumento pode ser descartado pelo simples raciocínio de que não se deve confundir lei com direito. ou u sos reconhecidos como reguladores das relações de nação a nação. Para Antônio de Vasconcellos Menezes de Drummond (1867). passaram a mencionar em suas definições as grandes organizações intern acionais. como Hil debrando Accioly. é o complexo dos direitos indivi duais e recíprocos entre as mesmas Nações" . que se filia a essa corrente. "o direito internacional. trabalho. Existe uma série de tribunais internacionais aos quais os Estados podem submeter as suas queixas. mesmo em direito . parece-nos que se deve definir o DI como o conjunto de normas juríd icas que regulam as relações mútuas dos Estados e. com especial ênfase no consenso na formação das normas. pode ser citada a de Jorge Ame ricano. visto q ue a maioria dos Estados. Com a criação da Liga das Nações. materiais e formais ou normativas do sistema internacional. Para Pimenta Bu eno (l863). alguns autores. enfim o direito público exterior. da mesma maneira que para uns o DI tem por principal objetivo a proteção do s direitos do homem. é o complexo dos princípios. "o direito internacional público ou das gentes. Direito das Gentes ou das Nações. isto sem falar nas regras de direi to internacional costumeiro que são observadas pelos Estados em suas relações recíprocas . mas buscam dentro do próprio DIP justi ficar as suas ações. Dentre os auto res Introdução 3 que defenderam esse novo enfoque. contin uou a manter a sua representação diplomática junto ao Papa. merece ser citado Nicolas Politis. Seja como for. A condição jurídica do homem. como determinadas organizações. Como exemplo de definição que dá ênfase ao objeto do DIP. freqüentemente institucionalizadas. "jus gentium publicum ou jus publicum intergentes". e é sintomático que os Estados nunca recorrem a este argumento. o qual alguns autores pass aram a considerar sujeito do DI. dentre eles o Brasil. após a primeira guerra mundial. Convém ainda lembrar que os tribunais são sempre posteriores ao direito e que a maioria dos atos. conforme foi dito. a começar com a Corte Internacional de Justiça. sobre princípios de justiça para que dentro delas cada homem possa te r paz. e prevista nas Consti tuições de alguns países. s endo que até fins do século XIX a doutrina só atribuía essa condição aos Estados. A incorporação dos Estados Pontifícios ao Reino da Itália gerou a primeira dúvida. geral mente inspirados em noções de direito civil. reguladores que devem ser atend idos tanto por justiça como para segurança e bem-ser comum dos povos". René-Jean Dupuy. Contudo. Tendo em vista tais considerações. definiu o DIP como "um sistema de princípios e normas que regulam as relações de coexistência e de cooperação. atos. sob o fundamento de que todo direito visa em última análise ao homem. para quem "o objeto do direito internacional é o estabelecimento de segura nça entre as Nações. até então de domínio do direito interno. e dos indivíduos. sucessora da Corte Permanente de Justiça Internacional. a comunidade internacional tem adotado uma série de tratados multilaterais dest inados a regulamentar as relações internacionais.culturais. de tribunais e de sanções. a tendência tem sido tomar por base o sujeito do DI. como tais. além de certas relações comunitárias entre Estados dot ados de diferentes graus de desenvolvimento socioeconômico e de poder". ensina-nos que o DI "é o conjunt o de regras que regem as relações entre os Estados". subsidiariamente. Poucos autores ainda negam a existência do direito internacional. Além do mais. normas. e q ue dele depende. liberdade de pensamento e de crença . em última análise.

p. versando apenas sobre a terr a e o mar. contudo. 4 Manual de Direito Internacional Público A expressão direito internacional (internntional law) surge com Jeremias Bentham. como direito público internacional. p. Muitos autores ainda empregam a expressão direito de gentes (law of nations ou völke rrecht).s de droit international public. Americano (Jorge). Paris. Paris. p. Dupuy (René-Jean). 1. Redslob. Quoc Dinh. Rio de Janeiro. como em inglês. Seja como for. Le d roit international. contudo. 1 . p. Paris. Outrossim . principalmente depois da segunda g uerra mundial. Lafayette . 13. a partir de então. São Paulo. Bibliográfia: Accioly . só se pode falar em dir eito internacional a partir dos tratados de Vestefália (1648) ou da obra de Hugo G rocius. Pimenta Bueno. ou melhor dito jus inter gentes. Es ta expressão tem. É a expressão adotada po r Clóvis Beviláqua. cabendo ao Conselho de Segurança a principal resp onsabilidade neste particular. cujo objetivo era outro. 5. Direito internacional privado. Além do mais. podem-se identificar quatro períodos: . p. 16. Perna mbuco. p. Les nouvelles tendances du droit inte rnational. muito embora tais classificações têm muito de arbitrário. A Carta das Nações Unid as enumera nos arts. Semelhante exercício tem seus méritos. utilizada por Richard Zouch (1650). 29. 6 Manual de Direito Internacional Público Seja como for. A palavra público foi acrescentada a fim de distinguir a matéria do direito internacional privado (conflict of laws dos países de língua inglesa). graças principalmente às façanhas de Santos Dumont. Inúmeros autores têm dividido a evolução do direito internacional em quatro ou cinco perío dos. modificandose de acordo com o passar dos tempos. o estudo da evolução histórica é indispensável para um correto conhecimento dos princípios fundamentais do direito internacional. com a vantagem de evitar confusão com o direito i nternacional privado. p. Preleções de direito internacional. a rigor. Mello . visto que para elas a palavra nação não tem o mesmo signif icado de Estado. 41 e 42 uma série de medidas a serem aplicadas no caso de ame aças à paz e segurança internacionais. 1863. e modificá-l a já não se justifica.civil e comercial. influenciando todos os aspectos da vida humana. dentre todos os ramos jurídicos. 2. mas atualmente a expressão se acha consagrada. Rousseau . O nnvo. 11. que a utilizou em oposição a national law e a municipal l aw. que exercem uma função psicológica. p. Outrossim. o direito internacional é o que mais tem evoluído. Politis (Nicolas). Díez . 1945. a expressão tem sido criticada.1. ocorrem fora dos tribunais. com o objeti vo de salientar o primado do direito público sobre o privado. p. Podestà Costa . o mais correto seria falar em direito interestatal. embora o qualificativo seja dispensável. 1. Outras expressões têm sido sugeridas. Préci. É bem verdade que para uns os exemplos citados não justificam esse conceito e. p. 3. É. 7. 1 867. "a diplomacia é tão antiga como as nações" e "é tão antiga como o mundo e só desaparecerá com ele". menor a necessidade de coação. bem como a sua evolução através d os tempos. Traduzida para o francês e demais línguas latinas como direito internacional. p. Capítulo 2 DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO Para R. Piédelièvre.1. p.1. Qua nto mais perfeita a ordem jurídica. Se até o início do século XX o direito internacional era bidimensional. de um período a outro não ocorre uma ruptura brusca. 3. a abarcar ainda o espaço ultraterre stre e os fundos marinhos. verifica-se que características de determinado período tiveram geralmente origem n o anterior e que princípios nascidos em um permanecem nos subseqüentes.1. sobretudo para fins didáticos. Para alguns juristas. 1963. o inconveniente de criar confusão com o direito das gente s do direito romano. segundo Maulde la Clavière. Essas noções são compartilhadas por inúme ros autores quanto à antigüidade do direito internacional. 1927. p.1.fundamento do direito internacional. que. 1894. 99. passou a ser tridimensional e. não mais se pode ignorar. Me nezes de Drummond (Antônio de Vasconcellos). usada freqüentemente como sinônimo de direito internacional. após a segunda guerra mundial. em 1780.1.

como modo de solução de litígios. talvez devido à sua situação geográfica e política. O papel da Igreja. Entre elas. a situação era diferente. Por outro lado. contudo. que se inscreveram em certas coleções de leis ou costumes marítimos. por assim dizer. por meio de guerras. com especial ênfase nos acontecimentos que se seguiram à segunda guerr a mundial. apareciam novas concepções jurídicas ou políticas. e o jus inter gentes primitivo muito longe estaria de possuir o caráter de universalidade que se reclama para o v erdadeiro direito internacional. na remota antigüidade. de caráter nitidamente religioso. determinadas pelo sentimento do interesse material e pela co nsciência da força. ali ve mos a arbitragem. o isolamento em que quase sempre viviam os povos da antigüidade pa gã e os sentimentos de hostilidade existentes entre uns e outros eram pouco propício s à formação e ao desenvolvimento de um direito destinado a reger suas relações recíprocas. após o desmembramento do im pério romano. a neutralização de certos lugares. que se estende até o fim da Idade Média ou começos da Idade Moderna. ou para o direito internacional tal como se ent ende nos tempos mais próximos de nós. em geral. a prática do resgate ou da troca de prisioneiros de guerra etc. estabelecidas contra a guerra. e. O referido isolamento era rompido. concomitantemente. É verdade que as regras admitidas eram antes de natureza religiosa do que de natureza jurídica. mas que se supõe remontarem ao . ali instituído. de data desconhecida. havia concorrido para o conhecimento mútuo dos povos e para que esses s e habituassem a relações pacíficas normais. era natural que pudessem surgir e desenvolver-se relações internacionais e.1) da antigüidade até os tratados de Vestefália. o princípio da necessidade da declar ação Introdução 7 de guerra. por outro lado. as quais puderam. após as conquistas. e como. além disto. por isso mesmo. 4) de 1918 aos dias de hoje. as normas que as regulam adquirem também maior grau de complexidade. De entre essas coleções. em todo caso. cada continente ou certas regiões de cada conti nente formavam como que mundos à parte. Entretanto. a s suas relações tornam-se mais complexas e. O desenvolvimento do comércio marítimo era outro elemento que concorria então para a f ormação de novas regras de direito internacional. predominante na antigüidade. infl uir sobre o desenvolvimento dessas instituições. A universalidade do império torna va. porém. surgiram as doutrinas de igualdade e fraternidade entre os h omens. o direito de asilo. Com ele. Roma. trazi das pelos povos bárbaros do norte da Europa. Em Roma. foi condenada. só o advento do Cristianismo que pôde restabelecer no mundo a ordem e a civilização. se enc ntram as primeiras instituições conhecidas do direito das gentes. certas instituições jurídicas foram assim se impondo e se desenvolvendo. Foi. sendo que alguns destes rudimentos jurídicos ain da sobrevivem. O jus fetiale. No jus fet iale. Ao lado dessa corrente de idéias. como nem todos os povos haviam alcançado o mesmo grau de civilização. guerras de agr essão e de conquista. as mais famosas foram: 1°) as Le is de Rhodes. há quem pretenda encontrar os germes desse direito . e a lei da força. já na Grécia antiga. À medida que a civilização desses agrupamentos humanos se desenvolve. de maneira que. a inviolabilidade dos arautos. entretanto. um direito internacional. Em todo caso. impossível a existência de um direito internacional. continha alguns preceitos relativ os à declaração da guerra e à sua conclusão. 3) do Congresso de Viena até a primeira guerra mundial. de certo modo. isolados uns dos outros. No tocante ao ponto q ue aqui nos interessa basta lembrar as instituições da Paz de Deus e da Trégua de Deus . Certos princípios jurídicos. não poderia evident emente haver regras idênticas para todos os povos. Seção 1 O direito internacional até os tratados de Vestefália Os primeiros rudimentos de um jus inter gentes surgiram entre as tribos e os clãs de povos diferentes na antigüidade. foi preponderante durante todo esse período. 2) de 1648 até a Revolução Francesa e o Congresso de Viena de 1815. as cruzadas pregadas e levad as a efeito contra os infiéis.

com acentuada influência sobre o direito internacional. que teve inegável importância n a evolução do direito internacional. sua clareza e suas considerações filosóficas. segundo se diz. de quem um internacionalista nosso contemporâneo disse que. no começo do século XVII que o direito internacional público aparece u. Os povos vão tomando consciência da unidade nacional e esta permite o estabe lecimento de relações continuadas entre os Estados. já havia na Europa diversos Estados independentes e como que se impunha a necessidade de regulamentar as suas mútuas relações e conciliar os seus interesses divergentes. John Selden. No fim desse século. que estava em seus primórdios. Sua primeira obra. começava. a De jure belli ac pa ci. von Martens ( 1756-1821 ). nascido em Delft. exerceu influência grandíssima sobre os espíritos. na Guerra dos Trinta Anos. de nacionalidade portuguesa. Já então. ultrapassou Vitória".s. sistematizada. foi publicada em 162 5 e suscitou enorme interesse nos principais círculos cultos europeus. Eme rich de Vattel (1714-1767). Esse novo período surgiu com Hugo de Groot ou Grotius ou Grócio. Fernando Vázquez Menchaca. nas proximidades do ano 1300. 4°) as Leis de Wisby. figuram entre os internacionalistas de mais renome: Richard Zouch. professava a teologia na Universidade de Sal amanca. o Consolato del Mare. J. estabelecia-se em bases sólidas o princípio do equilíb rio europeu. que durou do meio do sécul o XIII ao meio do século XV. Poucos anos depois. A assinatura do Tratado de Vestefália de 24 de outubro de 1648 pôs fim à Guerra dos Tr intaAnos. e 5°) especialmente. publicadas após sua morte. Naquele século. Frei Seraphim de Freitas. do século XIII ou XIV. os internacionalistas mais famosos foram Cornelius von Bynkershoe k (1673-1743). Das suas lições.8 Manual de Direito Internacional Público século VII. Desde então. segundo uns. influência que se propagou por toda a Europa. do século XII. Nessa época. o desenvolvimento do direito internacional público marchou rapidamente. Burlamaqui (1694-1748). Com a paz de Vestefália. 2°) a Tabula Amalfitana. veio a lume em 1609. com o grande movimento de idéias por ela susc itado. triunfava o princípio d a igualdade jurídica dos Estados. uma nova era na história política da Europa. entretanto. Os seus fundadores foram teólogos e canonistas. elaborado em Barcelona. Esse trata do acolheu muitos dos ensinamentos de Hugo Grocio. a Revolução Francesa. entre os quais se s alientou um dominicano espanhol: Francisco de Vitória. autor do De Justo Imperio Lusitanorum Asiatico. 3°) as Leis de Oléron. do descobrimento da América. ligas das quais a mais importante foi a hanseática. No século XVIII. que pôs termo à Guerra dos Trinta Anos. Foi só. do século X ou XI. ocorreu o descobrimento da América.continuadas sob Napoleão - . Mare liberum (parte da De jure praedae). que figuram entre os fundadores do direito internacional moderno: Domingos Soto. para proteção do comércio e dos ci dadãos. o jesuíta Francisco Suaréz. que viveu entre 1480 e 1546. Data também da m esma época a constituição de ligas de cidades comerciais. duas se ocupavam de matéria estreita mente relacionada com o direito das gentes e ambas se referiam à situação resultante. Foi então que começou a surgir propriamente o direito internacional públi co como ciência. Vitória. O Tratado de Vestefália marca o fim de uma era e o início de outra em matéria de política internacional. Seção 2 De Vestefália ao Congresso de Viena No fim do século XV. além de Grotius. na verdade. como ciência autônoma. a noção de Estado se torna mais p recisa. surgindo daí o direito internac ional tal como o conhecemos hoje em dia. e que viveu entre 1583 e 1645. surgiam os primeiros ensaios de uma regulamentação internacional positi va. n a Holanda. com a decadência do regime feudal no ocidente. inspirada. a Espanha ainda forneceu outros escritores católicos. G. Sua obra-prima. Samuel Puffendorf. segundo outros. nos meados do século XIV. Christian de Wolff (1679-1754). que ensangüentou a Europa de 1618 a 1648. J. "por sua lógica p enetrante. F. para a Espanha. Introdução 9 Ao lado ou depois de Vitória. com os tratados de Vestefália (1648). As suas guerras e as suas conquistas . Baltazar de Ayala e. principalmente.

10 Manual de Direito Internacional Público Seção 3 O século XIX até a primeira guerra mundial O impulso ao direito internacional verificado no século XVIII continuou com mais v igor no século seguinte. Henri Wheaton. provavelmente influenciado pelas façanhas de Alberto Santos Dumont. Travers Twiss. que. Os imperadores da Rússia e da Áustria e o rei da Prússia pensaram manter melhor a obra de Viena por meio da chamada Santa Aliança. n . Mais tarde. Lorimer. 1845). realizada em Washington. porém. 1884) e João Silveira de S ousa (Lições elementares de direito das gentes. Carlos de Oliveira Freitas (Ele mentos de direito internacional marítimo. contra projéteis explosivos ou inflamáveis. a D eclaração de 1868. Antônio Pereira Pinto (Apontamentos para o direito internacional. 1851). Heffter. de 1856. Rio de Janeiro. W. na América espanhola: Andrés Bello (Venezuela) e Carlos Calvo (Argentina). Rio de Janeiro. L. contra o tráfico de escravos. Rio de Janeiro. 4 v. Frantz Despagnet. Henry Halleck. afirmou a liberdade de navegação em certos rios e instituiu uma classificação para os agentes diplomáticos. pretensões quanto à navegação do Amazonas e outr s rios nacionais. dos Estados Unidos. Theodore-Woolsey. na França: Chrétien Piédelièvre. Em 1898. os Relatórios do Mini stério dos Negócios Estrangeiros do Brasil-Império representam um importante manancial . Henri Bonfils. a Conferência de Bruxelas. defendida pelos países vizinhos na solução das controvérsias fro nteiriças. ist o é. r eclamações relativas ao tráfego de escravos. Pedro da Matta e Albuquerque (Elementos de direito das gentes. Se do ponto de vista doutrinário a contribuição foi de pouco peso. a 1ª Convenção da Cruz Vermelha. que sustentou com sucesso ao anular a tese oposta do uti po ssidetis juris de 1810. Carnazza-Amari. William Edward Hall. na Rússia: F. sob aparências místicas e religiosas . Pernambuco. em 1864. de 1889-1890. levantou o pr incípio da proibição do tráfico dos negros. ao mesmo tempo. o Congresso de Berlim. em 1899. o sistema criado pelos tratados de Vestefália e foram pouco propícias ao desenvolvimento do direito internacional público. Franz von Holtzendorff. 1889). mas. a 1ª Conferência Internacional dos Países Amer icanos. de 1878. de 1884-1885. a doutrina que traz o seu nome. Mas a principal contribuição brasileira ao DIP foi a consolidação do princípi o do uti possidetis. Entre os internacionalistas do século XIX. de outubro de 1889 a abril de 1890. Kluber. A. limitava-se à terra e ao mar. a pro clamar. citam-se os seguintes: em Portugal: Sil vestre Pinheiro Ferreira. Paul Fauchille chamava atenção para o espaço aér eo. 1864-1869.). a Conferência Africana de Berlim. Bluntschli. Seção 4 O direito internacional no século XX O DIP atingiu no século XX seu pleno desenvolvimento. entre os quais podem ser mencionados os s eguintes: o Congresso de Paris. o reconhecimento da condição de beligerantes dos Estados confedera dos por ocasião da Guerra de Secessão nos Estados Unidos podem ser mencionados neste particular. A política intervencionista da Santa Aliança e a emancipação das antigas colônias espanhol as e portuguesas na América levaram o Presidente Monroe. na Suíça: J. na Itália: Pasquale Fiore. nos Estados Unidos da América: James Kent. As notas e ofícios dos titulares e altos funcionários do Ministério rebatendo gestões de governos estrangeiros em defesa de interesses descabidos de seus nacionais. Francis Wharton. na Grã-Bretanha: Robert Phillmore. Pradier-Fodéré. na Alemanha: J. J. Dudley-Field. a segunda metade do século XIX foi assinalada por vários fatos favoráveis ao progresso do direito internacional. von Martens.destruíram. Novos princípios de direito internacional surgiram com o Co ngresso de Viena (1815). Até então era bidimensional. visava principalmente sustentar interesses dinásticos. a 1ª Conferênci a da Paz de Haia. A contribuição brasileira ao DIP no século XIX no campo teórico foi pequena: podem ser m encionadas as contribuições de Alcântara Bellegarde (Noções elementares de direito das ge ntes. C. Introdução 11 Alphonse Rivier. que não se limitou a consagrar a queda de Napoleão e estabe lecer nova ordem de coisas políticas na Europa. em fins de 1823. Em 1902.

o pacto Briand-Kel logg. ano em que Santos Dumont voou num aparelho mais pesado do que o ar. Relações Consulares (1963). surgem inúmeros organismos internacionais a começar com as Nações Unidas. em Buenos Aires. Direito dos Tratados (1969). perto de Paris. A segunda guerra mundial foi sumamente prejudicial ao direito internacional bem como à Liga das Nações. em Santiago do Chile. especialmente as cinco últimas. a 5ª. em 1906. a 8ª. em Havana. nem mencionava o direito internacional. em 1906. tanto assim que o projeto primitivo de Dumbarton Oaks. em Bagatelle. Sucessão de Estados em Matéria de Tratados (19 78). subiu a 400m de altura e voltou ao ponto dond e decolara. 12 Manual de Direito Internacional Público prêmio outorgado ao primeiro homem capaz de decolar de determinado ponto. em 1901-1902. a Conferência da Paz d e Paris. Representação de Estados em suas Relações com Organizações Inte rnacionais de Caráter Universal (1975). que até então era tridimensional. Com a criação da Comissão do Direito Internacional das Nações Unidas (CDI) em 1947. que teve importantíssimo impacto e foi seguida por uma série de tratados e pela criação de organizações especializadas encarregadas de sua proteção. em Bogotá. no México. ocorr ida no Rio de Janeiro em junho de 1992. O período posterior à segunda guerra mundial foi ainda influenciado pela chamada Guerra Fria e pela ameaça de uma guerra nuclear. as Conferências Internacionais da Cruz. ganhou o Deut. foram assinadas em 1958 em Genebra quatro importantes Convenções sobre o direito do mar. re alizada em Buenos Aires em dezembro de 1936. em 1938. A esta relação é necessário ainda acrescentar a Convenção sobre Direito do Mar. a 4ª. na qual se acha elaborado um programa minucioso destinado a melho rar o meio ambiente durante o resto do . em 1948. Em l901 . e uma série de convenções firmadas so b a égide das organizações intergovernamentais. da lua e dos corpos celestes. em Haia.um balão no qual instalara um motor. o dese nvolvimento do DIP entra numa nova e importante fase. de proscrição da guerra. foi a mais importante conferência realizad a sob a égide das Nações Unidas. em Haia. a 2á Conferência da Paz de Haia em 1907. em 1933. pois a ela compareceram 178 delegações e os Chefes de Est ado ou de Governo de 115. e mesmo no decorrer da guerra. base de Carta das Nações Unidas. Em 1972. em 1923 . a instituição da Academia de Direito Internacional. em 1930. em 1919. Na ocasião foram adotadas uma importante Declaração bem como a Agenda 2l . em 1954). fenômenos estes que ex erceram influência sobre o DIP. Outra área que passou a exigir do DIP especial atenção foi a da proteção do meio ambiente. a 3ª. no pós-guerra. Vermelha. a Conferência Naval de Londres. dos fund os marinhos e do subsolo dos leitos marinhos. Além do mais. a 10ª. realizou-se em Estocolmo a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambien te. Fauchille submeteu ao Institut de Droit Internacional um relatório sobre os aspectos legais das aeronaves. p assou a se ocupar do espaço ultraterrestre. de dezembro de 1908 a fevereiro de 1909. A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED). Arquivos e Dívidas Estatais (1983) e sobr e o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organi zações Internacionais (1985). 1929 e 1949. em 1910. assinada em Montego Bay em 1982. a 9ª. sendo aclamado como o inventor do aeroplano. Como resultado dos trabalh os da CDI. É sintomático que esse instituto tenha adotado uma resolução sobre a condição jurídica do espaço aéreo em 1906. o DIP. posteriormente foram assinadas em Viena as seguintes Introdução 13 Convenções: Relações Diplomáticas (1961). em Montevidéu. dar a vo lta à Torre Eiffel e retornar ao ponto de partida em menos de 30 minutos.sch de la Meurthe. em 1928. cujos cursos têm con tribuído enormemente para o progresso do direito internacional. sendo que em todas estas novas sit uações foram assinados pela comunidade internacional tratados específicos. Sucessão de Estados em matéria de Bens. a 6ª. a 7ª. Dentre os acontecimentos que mais concorreram para isso merecem ser citadas: as Conferências Internacionais Americanas (a 2ª. Seja como for. em Caracas. cuja Carta foi firmada em São Francisco a 26 de junho d e 1945. em Lima. a criação da Liga das Nações e da Corte Permanente de Justiça Internacio nal. a Conferência Interamericana de Consolidação da Paz. No ano s eguinte. a 1ª Conferência para a Codificação Progressiva do Direito In ternacional. no Rio de J aneiro.

Oda (Ja pão). cumpre mencionar Lafayette Rodrigues Pereira. Marotta Rangel. A. Bernhardt (Ale manha). 1991 . Acresce a esta lista a Organização da Unidade Africana e a Liga Árabe. Díez de Velasco. Victor Maúrtua e Alberto Ulloa (Peru). além de duas importantes convenções sobre mudança de cl ima e biodiversidade biológica. New York. Suzanne Bastid. fixou não só as lin has a serem seguidas pelas nações da América Latina em relação às Nações Unidas. Raul Pederneiras. Manfred Lachs e K. 67. Adherbal Meira Mattos. Albéric Rolin. 1947. Cachapuz de Medeiros. Oppenheim. Podestà Costa. 7.r de drnit internation al public. A. Alejandre Alvarez. A. Karl Strupp. podemos destacar J. Garcia Amador (Cuba). J. Sette Camara. Celso de A. em decorrência da citada reunião. Epitâcio Pessoa. 1. Hans Kelsen e Karl Zemanek (Áustria). J. Caur. muit os com projeção internacional. Madrid. Bibliografia: Accioly . Barberis (Argentina). são inúmeros os autores que se têm ocupado do DIP no século XX. Riccardo Monaco e G. Lauterpacht. M. T. a Conferência Interameri cana sobre Problemas de Guerra e Paz. Schúking. e S. terminada a Conferência Interamericana para a Manutenção de Paz e de Segurança no Continente. pouco depois da Revolução de 1964 no Brasil e da Revolução dominicana de 1965. Barcia Trelles. L. Dois anos mais tarde. Russornano. EI-Erían e K. Rodrigo Octavio. Guggenheim (Suíça). Cançado Trindade. Paris. 5 I . Hector Gros-Espiel e Felipe Paolillo (Uruguai). ed. foi assinado o Tratado Interamericano de A ssistência Recíproca. Antonio Truyol. Dionisio Anzilotti. Charles Rousseau. Niemeyer. Shabtai Rosenne e K. Pierce Higgins. C. Santi Romano. No ano seguinte. José Maria Ruda e Ju lio A. Westlake. realizou-se no Rio de Janeiro a Segunda Con ferência Interamericana Extraordinária. e. Prospero Fedozzi. Wilhelm Wengler e R. P. Jiménez de Aréchaga. London. Fauchílle . Gerson Britto de Mello Boson. 1887. Giulio Diena. Or rego Vicuna (Chilej. Prinoihle. Robert Jennings e James Crawford (Grã-Bretanha). Jean Spiropoulos. São inúmeras as organizações regionais e sub-regionais que se têm ocupado de problemas de DIP. Rolando Qua dri. Na América Latina podemos salient ar os de Daniel Antokoletz. Castro Ryal (Espanha). p. Mello. No Brasil. Alfred von Verdross. Georges Scell e. Dentre os já fa lecidos. 1929. como a Comunidade Econômica Européia (o Mercado Comum Europeu) e demais organiz ações européias (o Conselho da Europa. Antonio Sanchez de Bustamante e F. em 1945. reunida na Cidade do México. Hildebrando Accioly. L. J. La wrence. 163. Dentre os autores europeus. celebrada em Petrópolis. Franz v on Liszt. Nicolas Politis e Constantin Eustathiades (Grécia). Isidoro Ruiz Moreno. p. Sá Vianna. Em 1947. Th. Ian Brownl ie.l. C lóvis Beviláqua.. Yassim (Egito). Dunshee de Abranches e Ilmar Penna Marinho. Carrillo Salcedo (Juan Antonio). Grigory Tunkin (Rússia).s of'intc:rnatinnal lcrve. Ibrahim Shíhata. 14 Manual de Direito Internacional Público O sistema interamericano também se desenvolveu.stóricn. Luiz de Faro Junior. Amancio Alcorta. M. EI derechn i nternacional r n ¡ er. Gilda M. René-Jean Dupuy. Guido Fernando Silva Soares e José Carlos Magalhães.s. Ricardo Alfaro (Panamá). p. Miguel Cruchaga Tocornal e F.1. . Entre os vivos. A. Em junho de 1965. A concise history of the Intv af ncrtinn. 14-45. Charles de Visscher e Jean Salmon (Bélgi ca). a Corte de Justiça e a Comunidade do Carvão e do Aço) . e basta mencionar os nome s de alguns que tiveram maior influência na matéria. Boutros-Ghali. v. foi assinada em Bogotá a Carta da Organização dos E stados Americanos. Pastor Introdução 15 Ridruejo. Paul Fauchille. p.spection hi.atual século entrando no século XXI. Dinstei (Israel). senão também ncípios básicos que deveriam nortear suas relações mútuas. Arthur Nussbaum. Juan Carrillo Salcedo e J. A relação de internacionalistas surgida no século XX é enorme. Daniel Bardon net e Michel Virally (França). Marcel Sibert. Roberto Ago. C. a Carta da Organização dos Estados Americanos foi modificada através do Protocolo de Buenos Aires . Sperduti (Itália). H. V. Skubiszewski (Polôniaj. limitamo-nos a citar apenas Arnold McNair.

Para os defensores das doutrinas voluntaristas. Mangas Martins (Araceli). p. mas apenas as razões jurídicas que explicam o motivo de sua aceitação pe lo homem. Dentre eles. la Escuela de Salamanca y el derecho internacion al na América del pasado al futuro. Para Grocius o direito natural não é b aseado na vontade divina.I . que foi buscar na norma pacta sunt servanda o fundamento do DIP. ou seja. acima da vontade dos Estados. Com efeito. "consiste em certos princípios de razão sã (est dictatum rectae rationes). para a outra co rrente. Mas. Direito internacional compendiado. políticos. 8. quer no voluntarismo. A noção de que o DIP se baseia em princípios superiores acima da vontade dos Estados t em merecido a aceitação dos autores modernos. Trata-se do problema mais complexo da matéria. Em outras palav ras. 1993. o artigo 53 declara nulo "o tratado que no momento de sua conclu . o Estado obriga-se para consigo próprio. ed. isto é. que contou no Brasil co m a aceitação de Clóvis Beviláqua. Paris. especialmente os autores da escola ita liana. Redslob (Robert). 111 . Esta teoria. Rio de Janeiro. Quoc Dinh. deu outra demonstração de aceitação dos preceitos derivados do direito natur al. sociológic os ou históricos. mas verifica-se que todas podem ser filiadas a duas correntes. Dentre as teorias expostas. p. Introdução 17 A influência de F. indemonstrável e que serve de critério formal para difere nçar as normas internacionais das demais". tem sido criticada. p. desenvolvida por Jellinek e segundo a qual o DIP se funda na vontade metafísica do Estado. in RCADI. As teo rias voluntaristas baseiam-se ora numa idéia de uma vontade coletiva dos Estados. v. a norma tem "um valor jurídico absoluto. le Fur. que estabelece limitações ao seu poder absoluto. Embora a idéia de um princípio indemonstrável tenha sido criticada. econômicos. é importante salient ar que a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969 consagrou o princípio em seu artigo 26. Suárez sobre Grocius é evidente. merece ser destacado Dionisio Anzilotti.F. São inúmeras as doutrinas baseadas quer no positivismo. dada a possibilidade de o Estado de um momento a outro modificar a sua posição. Pedernei ras (Raul). ao DIP não interessam os motivos reais. O que a caracteriza é a aplicação dos princípios de moral e do direito natural a novas c ondições da comunidade internacional e em conseqüência reconhecimento da personalidade j urídica internacional das comunidades indígenas às quais as normas até então admitidas no caso de uma guerra justa deveriam ser aplica das. Segundo ele. Le développement historique du droit international. 1932. 501601 . Seja como for. a obrigatoriedade do DIP decorre da vontade dos próprios Estados. 1923. p. que nos fazem conhecer quando uma ação é moralmente honesta ou desonesta. nos seguintes termos: "Todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé". ora num consentimento mútuo destes. São inúmeras as doutrinas que procuram explicar a razão de ser do DIP. 1944. ao aceitar a noção do jus cogens em seus artig os 53 e 64. 26. não obstante a importância atribuída à questão pe grande maioria. ou do direito positivo. 42. A Convenção sobre o Direito dos Tratados. a voluntarista e a posi tivista. Salamanca. principalmente nos ensinamentos de Francisco de Vitória e de Francisco Suárez. pois a formulação das regras de DIP poderão variar co nforme a posição apriorística adotada. segundo sua conformidade ou "desconformida de com uma natureza razoável e sociável. 41. merece ser mencionada a da autolimitação. Mello . a obrigatoriedade é baseada em razões objetivas. cujas teorias têm o seu fundamento no direito natural. Capítulo 3 FUNDAMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL O estudo do fundamento do DIP busca explicar a sua obrigatoriedade. pois tem valor próprio. Histoire des grandes principes du droit des gens. para vários conceituados autores o estudo do fundamento não faz parte do direito internacional propriamente dito.. A importância da matéria surgiu com a chamada Escola Espanhola do direito internacio nal. Segundo Anzilotti.

9R. 47.1 . No primeiro ca so. quer gerais. Cours. 19-20. parágrafo 10. Segundo o mesmo autor . Groci us. AJIL. p. Variam os conceitos de fontes. p. Boletim. O artigo 38 tem sido objeto de inúmeras críticas e interpretações. Ag<f (Roberto). 16: Sihert . que dão forma positiva ao direito objetivo. p. p.I . Capítulo 1. isto ê.1 . p. 10. cita-se que o artigo enumera as fontes sem fazer distinção entre as fundamentais e as formais e que inclui na enumeração as fontes secundárias ou acessórias. Le Fur (Louis). só podem existir fontes positivas. como uma norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modifi cada por uma norma de Direito Internacional geral da mesma natureza . 51. p. Le fondement du caractère obligatoi re du droit international. Podestà . serão elas estudadas separadamente. 579. Dada a importância das fontes fundamentais. O fundamento do direito internacional segundo Léon Duguit e Georges . Rousse au . 1957. as decisões judiciárias e a doutrina dos publicistas mais qualificados.são conflite com uma norma imperativa de Direito internacional geral". preexistente. p. 195?. quer especiais. Valladão . no segundo caso. depois de meio século o texto exerceu uma in fluência considerável no direito positivo e sobre o desenvolvimento do direito conve ncional. exist em fontes formais ou positivas. Manual de Direito Internacional Público d) e. p. Lachs (Manfred). c) os princípios gerais de direito. 50. p. p. Costa (João Frank da). 6.1. in RCADI. 2. Accioly. 1954. 1 . p. The development and general trends of international law in our times. Positive law and internationa l law. que ê verdadeira. positivo. v. 24.I. Para os defensores do DIP positivo. como prova de uma prática geral aceita como sendo de d ireito.1 . 8. v. 54. racional ou objetivo. O Estatuto da CIJ contém em seu artigo 38 uma relação das fontes ou mais precisamente os elementos aplicáveis em suas decisões.S celle. p. Anzilotti. 56. p.l. por exemplo. in RCADI. existe uma fonte real. Règles générales du droit de la paix. p. 42. in RCADI. v. a fundamental. v. 1935.l. p. 169. 17. visto que muitos autores vinculam a sua noção com a de fundamento. Beviláqua . formal. excepcionalmente. e as outras são o costume e os tratados. . Fauchille . os direitos e o s deveres internacionais dos Estados só podem resultar da vontade expressa ou tácita dos Estados. Shearer. insiste em que toda relação jurídica deve ser concebida sob dois aspectos: "u m fundamental. a primeira é constituída pelos princípios gerais do direito. p. O artigo 53 ainda dá a seguinte definição de jus cogens: "é uma norma aceita e reconhecida pela com unidade internacional dos Estados no seu 18 Manual de Direito Internacional Público conjunto. 3. O empenho de inúmeros autores em esclarecer que o artigo não estabelece uma hierarqu ia entre as diferentes fontes mencionadas parece-nos de somenos importância. Dentre as críticas feitas.I . Bibliografia: Accioly . p. que estabeleçam regras e xpressamente reconhecidas pelos Estados litigantes. Livro I.?. se as partes com isto concordarem. Verdross. 1984. conforme esclarece Charles Rousseau. Capítulo 4 FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL Por fontes do DIP entendemos os documentos ou pronunciamentos dos quais emanam o s direitos e os deveres das pessoas internacionais. 39. reconhecidos pelas nações civilizadas. p. são os modos formais de consta tação do direito internacional. e o outro. Rezek . mas convém examinar inicialmente algumas fontes ou pseudofontes que têm sido mencionadas pela doutrina. ou seja: a) as convenções internacionais. 19. 64. Quadri (Rolando). Truyol. Díez . v. b) o costume internacional. mas é fora de dúvida que. Mello . e o apresentam sob o aspecto de regras aceitas e sancionadas pelo poder público". Em outras palavras. No parágrafo 2 o Estatuto esclarece que a CJI tem a faculdade de decidir uma questão ex aequo et bono. 29 e 34.

com o objetivo de garantir uma justiça pautada nos conceitos de justiça e ética. é chamado. A importância das resoluções e declarações tem sido analisada pela doutrina. uma prática pode desenvolver-se e resu ltar depois de algum tempo na consciência de que existe uma obrigação jurídica que pode dar origem ao nascimento de um costume. de fazer referência à eqüidade. o que não tem impedido a t entativa de alguns membros. na opinião da grande maioria dos juristas. a eqüidade tem tido uma aceitação cada vez maior. de atribuir erroneamente valor normativo a elas. surgindo daí um costume legal. se estes se conformarem com a pressão. cuja importância no desenvolvimento do DIP não pode ser i gnorada. com especial ênfase nas resoluções da Assembléia eral das Nações Unidas (AGNU). na hipótese de a lei não ser suficientemente clara (praeter legem). Em tais casos. mencionada expressamente no Estatuto. assinada em 1989. Conforme previsto n o Estatuto da CIJ. tem-se verificado que a resolução é seguida pela adoção de uma convenção que incorpora as regras nela acolhidas. O Institut de Droit Internacional teve ensejo de adotar em sua sessão d e Luxemburgo (1937) resolução Introdução 21 na qual salientou que "a eqüidade é normalmente inerente a uma aplicação sadia do direit o e que o juiz internacional. Capítulo 5 OS TRATADOS A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. é u m dos pontos mais importantes e que. pois nela as regras costumeiras sobre a matéria foram devidamente codificadas num documento quase perf eito. As resoluções não figuram expressamente na enumeração do artigo 38 do Estatuto da Corte. ela exerce certa pressão política sobre os Es tados. em mai s de uma oportunidade. é uma das mais importantes fontes do DIP. Não há dúvida de que a pressão política poderá acabar por criar uma inio juris. Mas a repetição só terá esta conseqüência se ela c rresponder a um sentimento da maioria dos membros da 22 Manual de Direito Internacional Público organização. embora controvertida. co rresponde à eqüidade. Quando das discussões em São Francisco. ou a de afastar o direito positivo a critério do juiz (contra legem). Tem-se atribuído especial importância à prática seguida de invocar repetidamente na AGNU determinadas resoluções. uma referência especial deve ser feita às resoluções de org anizações e de conferências internacionais. mas como eventual manifestação do costume podem ser invocadas. embora de forte influência anglo-saxônia. o recurso à eqüidade não pode ser subentendido: deve ser aceito pel as partes. ou então a regra ainda não existia e a resolução da AGNU como tal não obriga os Estados-membros. não deve ser confundido com o equity dos tribunais ingleses e norte-americanos. bem como na própria jurisprudência internacional. que está a exigir solução rápida. mas a iniciativa não logrou aceitação. o equity do direito anglo-saxão. através da aprovação de Declarações. Antes de mais nada. provocada na maioria dos casos pela ciência e pela tecnologia. na medida do possível. Recorrendo ao direito ro mano. aventou-se a possibilidade de dar à Assembléia G eral funções legislativas. em compensação. a levar em consideração. bem como o juiz interno.Neste sentido. mas na prática é difícil estabelecer regras genéricas capazes de cobrir todas as hipóteses. Seja como for. o direito existent e". A Convenção de 1969 foi complementada pela Convenção de 1986 sobre o Direito dos T ratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais . O conceito de eqüidade é um dos mai s controvertidos em DIP. A repetição não é necessária quando se tratar de uma nova situação. verifica-se que a função da eqüidade pode ser a de adaptação ao direito existente (i nfra legem). a norma ex aequo et bono. A eqüidade em DIP é um meio supleti vo que visa ao preenchimento de lacunas do direito positivo. Na análise das recomendações é necessário distinguir entre duas hipóteses: ou a regra existia antes da intervenção das Nações Unidas e a ação da Assembléia Geral equivale a um reconhecimento desta regra pela organização. No estudo das fontes do DIP. Embora a CIP nu nca tenha sido convidada a proferir decisão ex aequo et bono. já teve ensejo. em virtude da na tureza de suas funções.

como pode suceder nos trata dos de paz ou de fronteiras. citando-se as seguintes: convenção. o seu objeto ou o seu fim. declaração. A palavra Estatuto. A palavra convenção tem sido utilizada nos p rincipais tratados multilaterais. como os de codificação assinados em Viena. Várias classificações têm sido utilizadas para os tratados. uma vez por todas. ou permanentes ou de efeitos sncessivos. dispõem sobre a matéria permanentemente. ajuste. Outro ponto importante consolidado pelas duas convenções é que a palavra tratado se re fere a um acordo regido pelo direito internacional. Em outras palavras. levados a efeito. terminologia e classificação dos tratados Por tratado entende-se o ato jurídico por meio do qual se manifesta o acordo de vo ntades entre duas ou mais pessoas internacionais. também cham ados transitórios ou de efeitos limitados. Os tratados-contratos podem ser executados ou executórios. A mais simples é a que os divide conforme o número de partes contratantes. ensina que a melhor classificação é a que te m em vista a natureza jurídica do ato. Os tratados-contratos procuram regular interesses recíprocos dos Estados. Dentre os tratados-normativos citam-se os de criação de uniões Internacionais administrativas. protocolo. são os que prevêem atos a serem executados regularmente. Seção 1 Conceito. expressão utilizada no tocante às Nações Unidas e à Organização dos ados Americanos. Hoje em dia. é a que se nos depa ra em relação à Corte Internacional de Justiça. Os primeiros. que exercem importante papel na vida internacional contemporânea. "qualquer que seja a sua den ominação". convênio. A p roposta francesa visava a determinados tratados com um número restrito de partes. embora fosse aceitável na opinião de diversas delegações. que são os atos sobre assuntos religiosos celebrados pela Santa Sé com os Estados que têm cidadãos católicos... como nos tratados de comércio e nos de extradição. Accioly. podem ser divididos em tr atados-contratos e tratados-leis ou tratados-normativos. da Organização Mundial de Saúde e d . i sto é. baseando-se em diversos autores. qu ando as partes são mais numerosas. modus vivendi. Nada impede que um tratado reuna as duas qualidades. da União Inter nacional para a Proteção da Propriedade Internacional. ou seja. sendo que em 1986 ficou ainda esclarecido que tal direit o pode ser exercido por sujeitos do direito internacional que não os Estados e organizações intergovernamentais. outrora sem maior expressão. ma s existem diversos exemplos de tratados multilaterais ou de tratados multilatera is restritos. as convenções multilaterais como as de Viena são um exemplo perfeito deste tipo de tr atado. o tipo de tratado hierarquicamente ma is importante é a Carta. Sob este aspecto. toda vez que se apresentem as condições necessárias. buscam regular interesses recíprocos e são geralmente de natureza bilateral. são Introdução 25 os que devem ser logo executados e que. como é o caso da União Postal Internacional. Os tratados-leis são gera lmente celebrados entre muitos Estados com o objetivo de fixar as normas de DIP. protocolo . As Convenções de Viena de 1969 e d e 1986 tiveram o grande mérito de estabelecer que o direito de firmar tratados dei xou de ser atributo exclusivo dos Estados e pode ser exercido também pelas demais pessoas internacionais. 24 Manual de Direito Internacional Público tratado é a expressão genérica. Em 1968 a Delegação da França submeteu proposta visan do à inclusão na Convenção do conceito de tratado multilateral restrito relativo aos tra tados cujo objetivo é a vinculação apenas dos Estados mencionados num tratado cuja ent rada em vigor depende do consentimento de todos os Estados que o negociaram. São inúmeras as denominações utilizadas conforme a sua forma. em bilaterais (quando celebrado entre duas partes) ou multilaterais. como ocorre nos tratados de cessão ou de permuta de territórios. havendo o direito da Cruz Vermelha Internacional neste particular sido lembrado em mais de uma oportunidade. além das con cordatas. mas no ano seguinte ela foi retirada. cujo objetivo foi precisamente o de reconhecer o direito das organizações internac ionais de firmar tratados e convenções. Os tratados executórios. seu conteúdo. compromisso etc.

a adoção do texto efetuase pela maioria de dois terços dos Estados presentes e votantes. § 1° . que haja consentimento mútuo. Introdução 27 § 4° . em tal hipótese. a adoção de seu texto efetua-se pelo co nsentimento de todos os Estados que participam na sua elaboração. A questão chegou a ser suscitada mas só foi com a Carta das Nações Unidas que passou a ter aceitação.Objeto lícito e possível O consenso de vontades em DIP só deve visar a uma coisa materialmente possível e per mitida pelo direito e pela moral. desde que tenham entrado em vigor. Embora a Convenção de 1969 não mencione os lêncio não os prejudicará. e que o raros os exemplos modernos em contrário tratados não-escritos. seguindo a orientação da CDI. o eventual direito da Liga das Nações de firmar tratados. Além do mais. Hoje em dia . dol o.Habilitação dos agentes signatários Os representantes de um Estado para a adoção ou autenticação do texto de um tratado ou p ara expressar o consentimento do Estado em obrigar-se pelo mesmo demonstram a su a capacidade mediante a apresentação dos plenos poderes. para el as. Seção 3 Efeitos de tratado sobre terceiros Estados Os tratados. embora de maneira tímida 26 Manual de Direito Internacional Público no início. não padece a menor dúvida a respeito. a apresentação de plenos poderes é dispensada no caso dos Chefes de Estado ou de Governo e dos Ministros das Relações E xteriores. visto existir um interesse superior da comunidade internacion al de que os tratados sejam respeitados. espelhando uma tendência no sentido de simplificar as formalidades na matéria. escritos. No caso de coação exercida contra representant e de um Estado. as duas hipóteses são raras. conforme veremos.a Organização Mundial de Meteorologia. § 2° . ganizações internacionais) tenham capacidade tados. geralmente. A antiga CP JI consagrou esta regra em 1926 ao declarar que "um tratado só faz lei entre os Es . Na prática. o Estado que ele representa pode d eixar de ratificar o tratado ou contestar a sua validade. só produzem efeitos entre as partes contratantes. Atualmente. tanto assim que a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais de 1986 trata especificamente da questão. se ocupa dos vícios (erro. Seção 2 Condição de validade dos tratados Para que um tratado seja considerado válido. sendo . Quando em 1924 o Governo do Brasil informou o Secretário-Geral da Liga das Nações de sua intenção de criar em Genebra uma representação permanente a ser dirig ida por um Embaixador. A carta de plenos poderes deverá ser firmada pelo Chefe de Estado ou pelo Ministro das Relações Exteriores. diz que os plenos poderes podem ser dispensados em certas circunstâncias. a Conferênc ia de Viena de 1968-1969. § 3° .) como motivos de nulidade. baseada na prática dos Estados. coação etc.Consentimento mútuo O tratado é um acordo de vontades e. decidam adotar uma regra diversa. são de cumprimento obrigatório. negociados numa conferência internacional.Capacidade das partes contratantes A doutrina tradicional. Na prática. pela mesma maioria. a Convenção de Viena estabelece em seu artigo 51 que o tratado "não pr oduz efeito jurídico". in statu emergente. tal decisão trazia. O artigo 34 d as Convenções de Viena consigna esta regra ao estipular que "Um tratado não cria nem o brigações nem direitos para um terceiro Estado sem o seu consentimento". Os princípios de direito civil relativos aos vícios de consentimento não podem ter a m esma aplicação em DIP. O artigo 7 da Convenção de 1969 . esclarece que tal si é necessário que as partes (Estados ou or para tal. em princípio. Os tratados são. No caso dos tratad os multilaterais. como tal. ensinava que apenas os Estados soberanos tinham o direito de assinar tratados. a não ser que. que os agentes estejam habili objeto do tratado seja lícito e possível.

contudo. Em outras palavras. nada impede que. o tratado não viola direitos de um Estado não -contratante e é apenas prejudicial a seus interesses. como mera promessa condicional. em relação a um terceiro Estado. muitos autores eram de opinião que a troca de ratificações ou o seu depósito é que dava força obrigatória ao tratado. A regra. ou que os contratantes. A Convenção inovou neste partic ular. entretanto. devidamente reconhecidas pelas citadas Con venções. bem c omo o de pedir reparações. para o terceiro Estado. estende a regra a todos os tipos de tratados. concedam um direito ou privilégio a terceiros. mas de acordo de vontades. se a manifestação de vontade de um terceiro Estado se encontra com a v ontade expressa das partes contratantes no sentido de assumirem estas as obrigações correspondentes aos direitos ou privilégios concedidos ou reconhecidos ao primeiro . A ratificação deixou de ter importância anterior. ratificação. e que as partes contratantes conservam sempre a liberdade de modific ar esse tratado ou de lhe pôr termo. adesão e aceitação de tratado O artigo 11 da Convenção sobre o Direito dos Tratados estipula que "o consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado pode manifestar-se pela assinatura. contudo. Nesta hipótese. além de admitir a assinatura como meio de um Estado se obrigar por um tratado. Isto não impede. que lhes possa acarretar conseqüências nocivas. admitem essas exceções. porém. o por quaisquer outros meios. possam resultar conseqüências favo ráveis para Estados que dele não participem. de um tratado. Seção 4 Ratificação. Se. pois. só ocorre a ratificação depois que o tratado foi devidamente aprovado pelo Parlame nto. implícita ou explicitamente. não adquire ipso facto o direito de exigir a sua execução. 18). tr oca dos instrumentos constitutivos do tratado. porém. o Estado assim l esado tem o direito de protestar e de procurar assegurar os seus direitos. por eles. antes de ratificado. menciona algumas outras modalidades. declarando aceito o que foi convencionado pelo agente signatário. tendo em vista a praxe que vem sendo adotada entre os paíse s da Comunidade Européia. tanto assim que a necessidade da rat ificação só existe se o próprio tratado a previr. A bem dizer. por conseguinte. um Estado deve abster-se da p rática de qualquer ato capaz de frustrar o seu objeto e finalidade (art. a prática internacional admitia que alguns tratados de somenos importância não exigissem a ratificação. Geralmen te. mas contra o mesmo não terá recurso jurídico. Embora o tratado só entre em vigor após a sua ratificação. Quanto à assinatura. a obrigação de lhe reconhece r a faculdade de exprimir uma vontade correspondente à sua e. De ordinário. No passado. A dispensa da ratificação ocorre quando o próprio tratado assim disponha. a nova orientação. A ratificação é o ato administrativo mediante o qual o chefe de Estado confirma um tra tado firmado em seu nome ou em nome do Introdução 29 Estado. o direito de exigir a execução da esti pulação que lhe é favorável surge. a exemplo do que ocorre no Brasil. já tem fornecido numerosos exemplos. das quais a prática internacional.tados que nele são parte". 1º) Sem dúvida. Nesta hipótese. de adquirir um direito às vantagens ou privilégios conferidos pelo tratado. o caso será diferente. onde esta faculdade é do Congresso Naciona l. sofre algumas exceções. em geral. ou antes um dammum sine injuria. todavia. Está claro que. É admissível que. não da própria estipulação. aprovação ou adesão. 2º) Por outro lado. aceitação. se assim for acordado". ou causa a esse Estado um d ano extralegal. o t ratado era tido. levando em consideração certas peculia ridades de determinados países. beneficiário da estipulação de tratados do qual não é parte contratante. pela forma que tiverem acordado. est a é a única hipótese de exceção ao princípio de que o tratado só produz efeitos entre as part s contratantes. por manifestação de vontade expressa. as partes contrata ntes concordem em assumir. um tratado não pode ser fonte de obrigações para terceiros. o Estado lesado poderá reclamar d iplomaticamente contra o fato. Os autores. nos acordos . 28 Manual de Direito Internacional Público reconhecem que o Estado.

por exemplo. ou o seu depósito no lugar para isto indicado no próprio tratado. um começo de execução. está claro que o mesmo deve ser submetido às formalidades constitucionais estabelecidas para esse fim. onde a práti ca dos acordos executivos já recebeu a consagração da própria Suprema Corte. a que se dá o nome de carta de ratificação. tem o direito de objetar às reservas que considere incompatíveis com o objeto e a finalidade da citada convenção e considerar o Estado q ue formulou as reservas como não vinculado à Convenção. em resolução adotada a 25 de setembro de 1931. que dá vigor ao tratado. da outra parte contratante. c omo no caso de acordos de transporte aéreo. Tal documento contém a promessa de que o tratado será cumprido inviolavelmente. aprovar um tratado ou a ele ade rir. e estes requerem quase sempre certo numero de depósitos. o preâmbulo. ratificar. ou quando o texto do tratado previr tal reserva. por qualquer motivo. assinado pelo chefe de Es tado e referendado pelo Ministro das Relações Exteriores. em seu artigo 19 nos seguintes term os: "Um Estado pode. o ato de firmar e selar a carta de ratificação. Em 1951 . não há razão para que ele seja submetido ao poder legislativo. Quas e sempre. ainda que para tanto tenha sido autorizado pelo órgão competente. e constatou-se que a a ntiga regra tornara-se inexeqüível. entretanto. não ba sta para o aludido resultado. a não ser que: a) a reserva seja proibida pelo tratado. ou isso e mais o primeiro e o último artigos. ou rejeitado. a ratificação é concedida por meio de um documento. Com efeito. Durante muito tempo a doutrina era no sentido de que um tratado só podia ser ratificado tal qual foi assinado: ou deveria ser apro vado integralmente. parte numa convenção. se não .celebrados para cumprimento ou interpretação de tratado devidamente ratificado. aceitar. Is to não impede. Na realidade. o que importa é a referência clara e ineq uívaca ao ato que se quer ratificar. entre a s quais não se inclui a reserva em pauta. para tra tados multilaterais. que acabaria sendo acolhida na Convenção sobre o Direito dos Tratados. pode admitir-se razoavelmente que. a ratificá-lo. ao assinar. A Assembléia da Liga das Nações. nos Estados Unidos.e é o que às vezes sucede . geralmente. o acordo ou tratado prevê sua própria ratificação. porém. Se. é nele transcrito o texto integral do tratado. com o assentimento de todos os demais Estado s signatários. desde muito. De fato. nos modus vivendi que têm por finalidade deixar as coisas no estado em que se acham ou estabelecer simples bases para ne gociações futuras. O que o torna perfeito e acabado é a troca de tal instrumento contra outro idêntico. O problema das reservas a tratados multilaterais se agravou com as Nações Unidas e o aumento dos Estados-membros da comunidade internacional. às vezes. isto é. ou c) nos casos que sejam previstos nas alíneas a e b a reserva seja incompatível com o objeto e a finalidade do tratado". Em geral. um simples depósito. contudo. de 1969. b) o tratado disponha que só possam ser formuladas determinadas reservas. a data e as assinaturas do tratado. a Corte Internacional de Justiça foi chamada a opinar sobre as reservas formuladas à Convenção sobre genocídio. apesar do q ue dispõe a Constituição americana em relação aos tratados. Mas nada impede . Daí alguns aut ores admitirem que ela seja tácita.que dele Introdução 31 constem apenas o título. não é propriamente a ratificação. Aliás. por exemplo. 30 Manual de Direito Internacional Público O problema das reservas a tratados bi ou multilaterais tem sido um dos mais comp lexos em direito internacional. O direito internacional não prescreve a forma que deve ter a ratificação. Criou com este parecer a tese da compatibilidade. Ist o tem sido reconhecido. quando o compromisso verse sob re matéria executiva. Seja como for. o depósito é exigido. formular uma reserva. nos acordos sobre assuntos puramente administrativos que prevêem eventuais modificações. como. decidiu que uma reserva só poderá ser admitida por ocasião da ratificação de um tratado. que qualquer dos signatários se recuse. e em seu parecer consultivo opinou q ue um Estado. Nos tratados sobre o meio ambiente tem surgido a prática de assinar tratados-base (umbrella treaties) que traçam as grandes linhas e que devem ser completados por protocolos ou pela modificação de anexos em que a ratificação pode ser dispensada. contanto que se evidencie por atos inequívocos.

que estipulam como regra geral que um tratado deve ser interpretado de boa-fé. . no Ministério das Relações Exteriores de um dos dois Es tados contratantes. a adesão ou a aceitação é feita junto à Organização ou ao Estado depositário. Apenas os Estados que assinaram um tratado multilateral é que devem ratificá-lo. cabendo-lhe cumprir toda s as funções do depositário. O artigo também evita falar em Me mbro das Nações Unidas. o proces so do depósito das ratificações. designado previamente no instrumento original do tratado. da entrada em vigor do tratado quando este reunir o número de r atificações ou adesões necessárias etc. com isto eliminando uma pequena dúvida. adota-se. com duas pequenas modificações que e m nada alteram o seu espírito. com alguma solenidade. A operação da troca de ratificações. o francês). São estes. ne m a exigibilidade das obrigações neles contidas". 80).o de todas as partes contratantes. A Convenção de Havana sobre tratado s (1928) Introdução 33 em seu artigo 4 também estipulou a obrigatoriedade de tal publicidade. disp ositivo que deu lugar a muita controvérsia na época. o Ministro das Relações Exteriores da parte contratante em cuja capital se efetua a cerimônia e o agente diplomático da o utra parte acreditado no lugar. A exemplo do que ocorre com os tratados assinados. Quando se trata de tratados multilaterais. A Convenção de Viena endossou esta regra (art. para esse fim escolhida por acordo mútuo. se realiza na capital de um terceiro Estado. Alguns autores buscavam diferenciar a adesão da aceitação. A Convenção sobre o Direito dos Tra tados entre Estados e Organizações Internacionais é nos mesmos termos. no caso de países que posteriormente desejarem ser parte nele. lavrado em dois exemplares. Esta interpretação já não pode ser acolhid a. comece imediatamente a vigorar entre as partes que o tiverem ratificado. Estas são enviadas ao governo de um Estado previamente determinado. consigna a troca dos documentos e é assinado e selado pelos plenipotenciários especialmente d esignados para a troca. estipula-se 32 Manual de Direito Internacional Público geralmente que eles serão depositados na sede da organização. Às vezes. ser registrado no Secretariado e por este publicado. o recurso é a adesão ou a aceitação. mas acresce ntava que a omissão no cumprimento da mesma "não prejudicará a vigência dos tratados. para sua entrada em vigor. é fixada uma data para o primeiro depósito de ra tificações. Tal gover no recebe e guarda nos seus arquivos os instrumentos recebidos e comunica o depósi to aos demais contratantes. nos respectivo s idiomas dos dois contratantes ou num terceiro (geralmente. mas hoje em dia deve m ser consideradas sinônimos. em seguida. o parágrafo segund o acrescenta que a designação de um depositário constitui autorização para este praticar o registro. mas ao contrário o completam. usada para os tratados bilaterais. de o rdinário. Nos tratados multilaterais celebrados sob os auspícios das Nações Unidas ou da Organiz ação dos Estados Americanos. conforme dissemos. porém. logo que possível. Efetua-se. e que é geralmente o do Estado onde o tratado foi assinado. visto que a obrigatoriedade do registro também incumbe a qualq uer organização que eventualmente assine um tratado. acrescentando que nenhuma parte num tratado não registrado poderá invocá-lo perante qualquer órgão das Nações Unidas. depois de reunido certo número destas. Às v ezes. Assim. Seção 5 Registro e publicação de tratado A Carta das Nações Unidas determina em seu artigo 102 que todo tratado ou acordo int ernacional concluído por qualquer Membro deverá. consiste na perm uta das respectivas cartas de ratificação de cada parte contratante. quase sempre. a fim de que o tratado. que também previa que "nenhum desses tratados ou compromissos internacionais será obrigatório antes de ter sido registrado". Uma ata ou protocolo. O artigo 102 da Carta das Nações Unidas repetiu neste particular o artigo 18 do Pacto da Liga das Nações. como informar as partes contratantes do recebimento de as sinaturas e adesões. Seção 6 Interpretação de tratados As Convenções de 1969 e de 1986 se ocupam da interpretação de tratados nos artigos 31 a 33.

A dificuldade aumenta se um tratado bilateral entra em conflito com outro multilateral. salvo disposição expressa em contrário. mas também o preâmbulo e os anexos. segundo o sentido comum atribuível aos termos do tratado em seu contexto e à luz de seu obj eto e finalidade" (art. o espanhol. geralme nte. Embora os travaux prépa ratoires sejam considerados meios suplementares de interpretação. quiçá mais confusos. que "não é permitido interpretar o que não tem necessidade de in terpretação". Convém salientar que no tocante a grandes convenções multilaterais de codificação. ta nto assim que são poucos os autores que dela se ocupam.se o texto deixa o sentido ambíguo ou obscuro ou se conduz a um resul tado que é manifestadamente absurdo ou desarrazoado. Introdução 35 No caso de tratados bilaterais. a rigor não se pode falar em conflito mesmo quando os seus dispositivos parecem ser incompatíveis: trata-se de uma questão de interpretação em que a boa-fé deve prevalecer. quando o fazem. cada parte contratante é obrigada apenas pelo texto em sua própri a língua. 31). Neste particular. A questão poderá tornar-se mais complexa no caso dos tratados multilaterais firmados sob os auspícios das Nações Unidas nos quais diversas línguas podem fazer fé. onde a complexidade aumenta. A CDI se ocupou dos tratados sucessivo s de 1953 a 1966 sob cinco ângulos distintos e acabou adotando o artigo 30 da Conv enção de 1969.Diante de algumas interpretações abusivas. como as firmadas em Viena. ao ratificar um tratado.a lex . Com referência a este acordo prévio. Lauterpacht. Seção 7 Aplicação de tratados sucessivos sobre a mesma matéria A aplicação de tratados sucessivos sobre a mesma matéria é um dos problemas mais complexos. o francês. como qualquer acordo feito entre as partes por ocasião da conclusão do tratado ou p osteriormente quanto a sua interpretação. convém lembrar que principalmente nos tratados de natureza específ ica a praxe é incluir no início uma lista das expressões utilizadas e seu sentido em r elação ao tratado. sendo que a Convenção de 1986 menciona ainda o árabe. podem. Se num tratado bilateral redigido em duas línguas houver discrepância entre os dois textos que fazem fé. Os tratados devem ser interpretados como um todo. É freqüente a inclusão em tratados multilaterais de cláusula de que não serão p itidas reservas a eles. tenham feito uma declaração interpretativa que consiste numa verdadeira ne gação de um dos princípios básicos do tratado. na área do direito dos tratados. conforme ocorre no parágrafo 3 do artigo 30. no caso de existir um tratado específico . da lex posterior. A tese contrária. Um termo será entendido em sentido especial se estiver estabelecido que essa era a intenção das partes. como é o caso da Convenção sobre o Direito dos Tratados que menciona o chinês. a começar com a tese da lex prior. A regra básica de interpretação é que "um tratado deve ser interpretado de boa-fé. Apesar de favorável à lex prior. que se torn ou axiomático. dentre os modos de extinção de tratados. pode ser acolhida em alguns ca sos restritos. Pode-se recorrer aos trabalhos preparatórios da elaboração dos tratados . defendida por Gr ocius e que contou com a aceitação da CDI em 1953. que seria repetido na Convenção sobre o Direito dos Tratados de Organizações Internacionais. o inglês e o russo. cujas partes se completam umas às outras. Na interpretação leva-se em consideração não só o texto. Grocius era de opinião que. é possível qu e haja dúvidas sobre se pode ou não ser em forma não-escrita.os travaux p réparatoires . ser equiparados a 34 Manual de Direito Internacional Público um acordo prévio entre as partes quanto ao sentido a ser dado a determinado trecho ou vocábulo. que tomou por base um projeto de H. ou no caso de dois tratados multilaterais. não pode ser considerada satisfatória. às vezes. e. A Convenção sobre o Direito dos Tratados adota uma norma interpretativa que. Com o objetivo de evitar semelhantes d iscrepâncias é comum a escolha de uma terceira língua que fará fé. infelizmente. pois "presu me que os termos do tratado têm o mesmo sentido nos diversos textos autênticos". o que não tem impedido que alguns Estados. Várias soluções têm sido apresentadas. ou seja. a documen tação existente esclarece freqüentemente o sentido de um artigo. convém lembrar um princípio básico.

speciales - ele deve ser preferido: lex specialis derogat generali. Seja como for, com a Liga das Nações, surgiu a consciência de que se deveria transpor para o DIP a regra de direito interno que reconhece a superioridade legal dos di spositivos constitucionais. Hoje em dia já não se discute a prioridade da Carta das Nações Unidas tida como a higher law. A Carta das Nações Unidas é clara: "No caso de confl ito entre as obrigações dos membros das Nações Unidas em virtude da presente Carta e as obrigações resultantes de qualquer outro acordo internacional, prevalecerão as obrigações assumidas em virtude da presente Carta" (art. 103). A Convenção de 1969 ao reconhecer no artigo 53 a existência em DIP de jus cogens, esta belece ser nulo o tratado que conflite com uma norma imperativa de DI geral. O j us cogens e a Carta das Nações Unidas são hierarquicamente superiores aos demais trat ados, mas por motivos diferentes. É errado considerar todos os artigos da Carta co mo sendo de jus cogens, visto que alguns podem ser modificados pela vontade das partes. Seja como for, ocorrendo incompatibilidade entre os textos de dois tratados, a s olução não consiste em considerar um deles como nulo, visto que através de uma interpret ação judiciosa e de boa-fé é possível na maioria dos casos demonstrar que os dois textos p odem ser mantidos. 36 Manual de Direito Internacional Público Seção 8 Nulidade, extinção e suspensão de aplicação de tratados Os artigos relativos à nulidade, extinção e suspensão de aplicação de tratados foram conside rados os mais delicados e os de mais difícil aceitação pela Conferência de 1968-1969, ta nto assim que a Convenção se ocupa da matéria do artigo 42 ao 72. Ocorreu uma verdadeira evolução no modo de encarar algumas situações, como, por exemplo, as noções de erro, dolo e coação, antes abordados pela doutrina sob a rubrica condições de validade dos tratados e que na Convenção passaram a ser estudados como condições de nuli dade. Houve da parte de diversas delegações africanas e asiáticas a preocupação de incluir na Convenção regras que poderiam ser eventualmente invocadas com o objetivo de anul ar situações por elas consideradas como obtidas em violação ao DIP. A proposta do Brasil e da Suécia, que acabou sendo acolhida como artigo 4, tinha dentre os seus objetivos fazer com que tais regras não tivessem efeito retroativo. Seja como for, contrariamente à orientação da doutrina, as Convenções de 1969 e 1986 trata m separadamente a nulidade da extinção e da suspensão da aplicação de um tratado. A nulida de ocorre em virtude de erro, dolo, corrupção do representante do Estado, coerção exerci da sobre o referido representante e coerção decorrente de ameaça ou emprego de força, além da adoção de tratado com desconhecimento do jus cogens. Accioly, por exemplo, ensina que o erro ou o dolo capazes de viciar o consentime nto na ordem interna "são habitualmente excluídos, quando se trata de acordos intern acionais, porque, segundo se alega, as partes contratantes, na ordem externa, co stumam operar com grandes precauções, com perfeito conhecimento de causa. Tem-se adm itido com freqüência que um erro de fato possa ocorrer, em caso de fronteira. Foi o argumento apresentado pela Argentina e pela França, mas sem sucesso, para modifica r os respectivos limites com o Brasil. O artigo 51 menciona a coação como causa de nulidade, embora seja difícil prová-la. Ocor re principalmente nos tratados de paz. Hitler Introdução 37 em mais de uma oportunidade alegou que houvera coação quando da assinatura do Tratad o de Versalhes, que pôs fim à primeira guerra mundial. O Acordo de Munique de 1938 r elativo à cessão do Sudetenland na Tcheco-Eslováquia foi declarado nulo pela Grã-Bretanh a e pela França em 1942. O artigo 52 ("É nulo o tratado cuja conclusão foi obtida pela ameaça ou com o emprego da força em violação dos princípios de Direito Internacional incorporados na Carta das N ações Unidas") foi um dos mais controvertidos, sendo que algumas delegações defenderam a extensão do artigo a fim de nele serem incluídas as pressões políticas e econômicas. A ad oção da frase final "Direito Internacional incorporado na Carta das Nações Unidas" permi tiu a sua aceitação. O artigo 53 relativo ao jus cogens como causa de nulidade representa uma novidad

e aceita com muita cautela pela Conferência, visto que os seus verdadeiros limites ainda hoje não se acham esclarecidos, havendo uma tendência de considerar de jus co gens inúmeras regras que não podem ser tidas como tal. As causas de extinção previstas pela Convenção correspondem de um modo geral aos modos d e extinção enumerados pela doutrina, ou seja: 1) a execução integral do tratado; 2) a ex piração do prazo convencionado; 3) a verificação de uma condição resolutória, prevista expres amente; 4) acordo mútuo entre as partes; 5) a renúncia unilateral, por parte do Esta do ao qual o tratado beneficia de modo exclusivo; 6) a impossibilidade de execução; 7) a denúncia, admitida expressa ou tacitamente pelo próprio tratado; 8) a inexecução do tratado, por uma das partes contratantes; 9) a guerra sobrevinda entre as partes contratantes; e 10) a prescrição liberatória. Accioly, autor da relação acima, ainda menciona a denúncia unilateral na hipótese de uma modificação fundamental das circunstâncias que deram origem ao tratado. É a aplicação do pr incípio rebus sic stantibus, que Accioly considera ponderável, mas, em conclusão, "jul gamos não ser exata a teoria de que todo tratado traz subentendida a dita cláusula e , por isto, poderá ser denunciado unilateralmente, à vontade da parte que dele se qu eira libertar, uma vez que considere modificadas as circunstâncias em que o tratad o foi celebrado". A regra rebus sic stantibus se acha codificada no artigo 62 da Convenção, sendo de 38 Manual de Direito Internacional Público notar que a CDI ao aceitá-la agiu com cautela, tanto assim que o artigo é redigido de forma negativa. Bibliografia: O número de livros, monografias e artigos sobre todos os aspectos do direito dos tratados escritos depois de 1969 é extenso, sobressaindo a série de cursos organizados pela Academia de Direito Internacional da Haia. Além dos cursos, merecem citados os seguintes: E. de La Guardia e M. Delpech, El derecho de los tratados y la Connevención de Viena de 1969, Buenos Aires, 1970; Gycírzi Haraszit, ,Snrno /innlcune ntal prohlc:nt.s n/'thc· Icrw nf trc crtie.s, Budapest, 1973; 1. M. Sinclair, Tlto Vie ruur Gmrenlirnmn tlteeL aw o/'Treutices, Manchest er, I 973; Paul Reuter, Lcr Cnrn entinn clc Vienrre .sur Ie Droit c/e.s Traitea, Paris , 1970; T. O. Elias, Tlm moderrr law of'trccrtie.s, Leyden, 1974. No Brasil podem ser citados: Antonio Augusto Cançado Trindade, Princípios c(c rlireiro internacinncrl cnntc:nrporimeo, Brasília, 1981; G. E. do Nascimento e Silva, Cnnferenoicr clc: Viencr .sobre n Direito dns Tratndo.s, Rio de Janeiro, 1971; João Grandino Rodas, A ¡mblicidade clo.s tratacln.s interncroionoi.s, São Paulo, 1980; Haroldo Valladão, Projeto de convenção sobre o direito dos tratados, Bnletim, 1968, p. 15 1 ; Rezek - 1 .

Capítulo 6 O COSTUME INTERNACIONAL A supremacia do costume na formação do DIP cessou depois da segunda guerra mundial e m virtude do surgimento de novos problemas e do aumento no número de membros da co munidade internacional desejosos de deixar a sua marca no ordenamento mundial at ravés de tratados negociados nos organismos intergovernamentais. O aparecimento de novas situações, criadas na maioria dos casos pelos avanços da tecnologia, exigiu sol uções imediatas que não podiam depender de um costume de formação lenta. Em outras palavra s, o costume passou a ser um critério insatisfatório e lento para acompanhar a evolução do DIP moderno. O costume era o fruto de usos tradicionais aceitos durante longo período, tanto as sim que o fator tempo era tido como um de seus elementos constitutivos. Para Pau l Reuter, a regra consuetudinária é o resultado de atos seguidos que constituem prec edentes, com ênfase no elemento material "constituído pela repetição durante um período ba stante prolongado de certos atos". A CIJ também, em mais de uma oportunidade, teve ensejo de afirmar que a base do costume é uma prática prolongada, mas, em 1969, dec idiu que "a passagem de apenas um curto período não é óbice à criação de novas regras de dire

to internacional". Com o progresso da ciência e da tecnologia, as modificações se verificam mais rapidame nte, com uma repercussão no conceito de costume. Em outras palavras, o fator tempo exigido para a sua formação perdeu importância cedendo à opinio juris, a tal ponto que surgiu a expressão instant customary international law. Sem endossar esta noção, é lícito dizer que, desde que se comprove que uma "prática é conseqüente e generalizada, nenhu ma duração é requerida... uma prática prolongada não é necessário" (Ian Brownlie). 40 Manual de Direito Internacional Público A importância do costume como fonte, contudo, perdura, pois a codificação do DIP como um todo ainda está longe de se tornar realidade. Também é necessário considerar que o di reito costumeiro em inúmeros campos do DIP é satisfatório e não precisa ser codificado, ou seja, que seria um erro sacrificar o estudo de alguns problemas que estão a exi gir solução em seu favor. No caso dos tratados multilaterais ocorre que freqüentemente os seus dispositivos foram o resultado de compromissos, visto que nem a CDI nem a própria conferência codificadora conseguiram adotar uma regra mais precisa. Em tais casos, os costumes e os trava ux préparatoire.s desempenham importante papel interpretativo. É sintomático que nas Convenções de codificação firmadas em Viena é praxe a adoção no preâmbu eguinte regra: "afirmando que as regras de direito internacional consuetudinário c ontinuarão a reger as questões que não forem reguladas nas disposições da presente Convenção" Como prova do direito costumeiro, citam-se atualmente os tratados internacionais que ainda não tenham entrado em vigor ou que não foram ratificados por um Estado contra o qual alguma de suas normas tenha sido invocada. O problema é complexo, visto que "em alguns casos poderá ser difícil de terminar se um tribunal ao decidir que um tratado reflete o direito internaciona l consuetudinário em determinado momento queria dizer que o tratado desde o começo e ra declaratório do direito internacional consuetudinário ou se o tratado com o corre r do tempo e com uma aceitação geral de países não-partes no mesmo passou a integrar o d ireito internacional geral" (R. R. Baxter). Seja como for, a doutrina, baseada e m decisão da CIJ de 1969, reconhece a importância das grandes convenções multilaterais não -ratificadas como fonte do direito costumeiro. Bibliografia: Accioly - 1, p. 38; Akehurst (Michael), Custom as a source on international law, AJIL, 1978, v. 72, p. 695; Barberis, p. 97; Baxter (R. R.) , Treaties and custom, in RCADI, 1979, v. 129, p. 57; Brownlie, p. 5; Eustathiad es (Constantin Th.), Unratied codification conventions, United Nations, Genève, 19 73; Fauchille - 1, p. 41; Ferrari Bravo, Méthodes de recherche de la coutume inter nationale, in RCADI, 1985, v. 192; G. E. do Nascimento e Silva, Treaties as evid ence of customary international law, in Le droit international à I'heure de la cod ificatinn (études en I'honneur de Roberto Ago), Milano, 1987, v. 1, p. 387-97 (col etânea); Jiménez de Aréchaga, p. 131; Luigi Condorelli, Custom, in UNESCO, Paris, 1991 , p. 179-21 1 ; Mello - 1 , p. 23 1 ; Pastor Ridruejo, p. 91; Podestà Costa - 1, p. 15; Rezek, p. 122; Rousseau - I, p. 307; Visscher (Paul de), Cours général de dro it international public, in RCADI, 1972, v. 1 36, p. 61 ; Woltke (Karol), Custnm in pre.sent internutinnul law, Dordrecht, 1993. -----------------------------------------------------------------------------Capítulo 7 OS PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO Dentre as fontes do DIP enumeradas no Estatuto da CIJ, os princípios gerais do direito são os mais vagos, os de mais difícil caracterização, tanto que alguns autores negam o seu valor, outros julgam que se trata, em última análise, de um aspecto do costume internacional, ao passo que para alguns, como Accioly, são chamados de fonte real, por ser a verdadeira ou fundamental, e a que pode fornecer elementos para a interpretação dos tratados e dos costumes, as duas grandes fontes incontestadas do DI positivo, que seriam as fontes, formais ou positivas.

Para o Comitê de Juristas que elaborou o projeto de Estatuto da CPJI, os princípios gerais do direito seriam os princípios aceitos pelos Estados in foro doméstico. Por ocasião da Conferência de São Francisco, a opinião generalizada era de que o artigo 38 do Estatuto da CPJI deveria ser mantido, mas com o acréscimo da frase "decidir de acordo com o direito internacional". Felizmente, a idéia não foi acolhida, visto que o objetivo da inclusão dos princípios gerais do direito foi precisamente ampliar o campo de ação a que o juiz pode recorrer. É no direito interno que se nos deparam a quase-totalidade dos princípios gerais do direito, sendo que o direito internacional é pobre a respeito. O Comitê de Juristas, ao incluir os princípios gerais do direito dentre as normas a serem aplicadas pela CPJI, tinha em mente que, mesmo se as normas constantes dos tratados e do costume silenciassem a respeito de caso em julgamento, a Corte seria obrigada a pronunciar-se, isto é, não poderia declarar um non liguet. Além do mais, o Comitê de Juristas era de opinião de que não estava inovando na rnatéria, visto que tribunais internacionais e dornésticos freqüentemente recorriam aos princípios gerais do direito. 42 Manual de Direito Internacional Público É interessante assinalar que o artigo 4° da Lei de Introdução ao Código Cívil brasileiro espelhava esta orientação: "Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais do direito". Oscar Tenório, ao analisar o citado dispositivo, esclarece que "Qualquer pleito terá do juiz uma sentença mesmo quando na lei não encontrar ele a solução", e explica: "Realizará o magistrado o processo de integração do direito, a que se tem chamado de preenchimento das lacunas da lei". A CIJ, como a CPJI anteriormente, tem agido com muita cautela a respeito. Podem ser mencionadas algumas decisões ou opiniões em que, evitando mencionar o artigo 38, e sem utilizar a expressão princípios gerais de direito, a Corte preferiu falar em princípios gerais, bem estabelecidos, ou geralmente reconhecidos. Seja como for, uma vez aceitos pela opinio juris, os princípios gerais de direito assumem as características de costume. É de lamentar que do Estatuto da CIJ não se tenha expurgado a referência aos princípios "reconhecidos pelas nações civilizadas", por se tratar de um anacronismo que lembra o período anterior à primeira guerra mundial, quando o direito internacional era de inspiração européia. Em outras palavras, não se pode admitir que as leis de qualquer Membro das Nações Unidas sejam inaceitáveis; o ideal teria sido a eliminação pura e simples da frase. Bibliografia: Accioly - !, p. 33; Barberis, p- 221; Boko-Szegó (Hanna), General principles of law, in UNESCO, p. ? 13; Cheng (Bin), Generul ¡ rincihle.s nf Icrw° cr.s ccpplierl fy tlre internationul cnurt.s arrd trlbunul.s, Londres, 19 53; Díez - 1. p- 9; Hazard (John), The general principles of law, AJIL, 1958. v- 52, p. 91 ; Hermann Mosler, The international society as a legal community. in RCADI, 1974, v. 14(?, p. 136; Lachs (Manfred), Trends of international law in our time, in RC lDl, 1984, v, 169, p. 195; Podestá Costa, p. 17; Roussenu - 1, p. 37(1; Tenório (Oscar), Lei de Intrncfrrç rn uo C' ídign Civil hrcrsileirn. Riv de Janeiro, 1944, p. 68; Truyol, p- lt)4; Vaüadão (Haroldo), Direilu interrrucionul privcrcln; intrcfdução à parte geral; Vallindas (P. G.), Generul princihle.s oj' tcrw uttcl tlre lrierarclp nf'tlre .sorrrce.s of intc:rnutinnul lwc, Bonn, 1959; Visscher (Paul de), Cours général, in RCADI, 1973, v. 135, p. 1 12-

isto é. da jurisprudência. bem como as decisões dos tribunais de determinadas organizações internacion ais. isto é. é lícito afirmar que. dá uma noção equivocada do peso das decisões dos vários tipos de tribu ais. a CIJ evita tomar decisões que possam ser consideradas contraditórias. não mais se justificando a sua equiparação com as dos demais tribunais internacionais ou nacionais. a fim de cobrir eventuais lacunas ou atualizar determinada regra jurídica. a preocupação do Comitê de Juristas encarregado da elaboração do Estatuto de dar à Corte a possibilidade de encontrar regras capazes de permitir uma solução para todos os casos que lhe fossem submetidos. inclusive através dos julgamentos da CIJ. segundo o qual as decisões da Corte só são obrigatórias para as partes litigantes e "a respeito do caso em questão". ao interpretarem os tratados internacionais e ao esclarecerem o verdadeiro conteúdo dos costumes internacionais e dos princípios gerais do direito. constata-se que. Outros. da relação constar iam as resoluções das organizações internacionais e as declarações unilaterais. A questão é controvertida. se a redação do artigo 38 do Estatuto tivesse levado em consideração as evoluções verificadas. na versão inglesa). parece-nos acertada a opinião de Humphrey Walclock ao . também chamadas acessórias ou auxiliares. como o Pastor Ridruejo. a jurisprudência constitui "meio auxiliar" (subsidiary means. As sentenças da CIJ. Seção 1 A jurisprudência dos tribunais A alínea d do artigo 58 fala em "as decisões judiciárias". já que não vê o menor inconveniente em aplicar regras por ela elaboradas. as sentenças dos tribunais domésticos pesam no direito dos países do common l aw. Sob este ângulo. nacionais ou de arbitragem. Alguns autores argumentam que as decisões da CIJ devem ser equiparadas às fontes formais. quanto às decisões arbitrais. a relação da fontes e a ordem de sua aplicação seriam outras. a exemplo do que foi dito no tocante aos princípios gerais do direito. A importância das sentenças da CIJ não é con testada. não obstante o disposto no artigo 59. é importante ter em mente a época da elaboração do Estatuto. dos tribunais nacionais. uma decisão não deve influir em casos futuros. Em outras palavras. Esta disposição espelha. Esta relação. não obstante os termos do Estatuto.Capítulo 8 FONTES ACESSÓRIAS O artigo 38 do Estatuto da CIJ estipula que em suas decisões a Corte poderá recorrer como meio auxiliar às decisões judiciárias e à doutrina dos autores mais qualificados. Em tal sentido. a ponto de a Comissão de Direito Internacional haver recorrido a elas em seus projetos de codificação. sendo que a maioria alega que os termos do art. mas não nos demais sistemas. 38 não podem suscitar dúvida. considerações que não as jurídicas têm pesado na balança. a jurisprudên ia poderia figurar até em segundo lugar. contribuem para eliminar incertezas porventura existentes no DIP. 1920. na mai oria dos casos. e a evolução verificada de então para cá. ou seja. costumes ou convenções. quando. isto é. cabe à Corte aplicar a lei e não fazê-la. expressão ampla destinada a cobrir as decisões dos 44 Manual de Direito Internacional Público tribunais arbitrais. em outras palavras. mas como a sua própria jurisprudência". sabidamente. Na apreciação dessas fontes. evitar o non liquet. lembram-nos que. é importante levar em conta a atuação da CIJ e não aqueles: "que a Corte se apega a sua jurisprudência como autêntica fonte do direito. Em outras palavras. não se podem colocar em pé de igualdade as decisões da CIJ com as dos tribunais internacionais. que invoca não como princípios gerais do direito. contudo. das cortes de justiça internacional.

129. É óbvio que uma tese totalmente contrária ao DIP e ao bom senso não pode ser levada em consideração. O que foi dito em relação à jurisprudência da CIJ se aplica. e hoje verifica-se que a sua inclusão no Estatuto da CIJ tem sido contestada. Um parêntese deve ser aberto no tocante aos pareceres dos Consultores Jurídicos dos Ministérios das Relações Exteriores: embora subscritos por eminentes juristas. p. Barberis. recorrendo às mais variadas fontes. formulando-a de maneira a atender a determinada situação. 1979. Bynkershoek. devem s er apreciados com cautela. nas exposições dos governos e nos votos em separado. The dei. 54. H. Os trabalhos apresentados pela Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas também devem figurar como contribuições doutrinárias. Gentile. in RCADI. por exemplo. p. a ponto de as partes recorrerem cada vez mais aos precedentes. de situações criadas pelos avanços da ciên cia e tecnologia. 41 . contraproducentes. The work and jurisprudence of the International Court of Justice. como Grocius. Também não pode ser ignorado o papel fundamental do Institut de Droit International. o autor simplesmente dá ênfase a uma regra de DIP existen te. como é o caso da Corte de Justiça das Comunidades Européias e das Cortes dos direitos humanos europeu e lat ino-americano. p. Acresce a isto o trabalho pioneiro de alguns juristas. O papel da doutrina diminuiu. Díez . tendo em vista situações novas. Fauchille . BYB. 205the interiiutional 60. Não se pode ignorar a importância de uma interpretação doutrinária judiciosa em que o auto r desenvolve normas consuetudinárias ou mesmo textos convencionais que podem carec er de clareza. Mello . Brownlie. Na verdade. O fato é que a tendência da CIJ tem sido cada vez mais no sentido de se guiar pela s ua própria jurisprudência. 259. Mesmo quando.1 . 1987. supriu as lacunas existentes. 14. The contribution of the Institute of Internati onal Law to the Development of International Law. a opinião dos juristas mais categorizados. Baxter. que muito influíram na obra de codificação do DIP. pois espelham quase sempre a opinião do respectivo gove rno.elopment of iriternutional luw b cnurt. às decisões dos tribunais regionais. 138. Fitzmaurice (Gerald). v. Bibliografia: Accioly . p. p.1.argumentar que é pouco provável que o Comitê de Juristas entregue a um tribunal totalmente novo e sem precedentes uma autoridade explícita para estabe lecer um direito aplicável a todos os Estados. p. p. cujas resoluções nortearam a matéria antes da segunda guerra mundial. decorrentes. 126. o recurso à doutrina é freqüente. Treaties and custom . Mousta pha . em compensação. 1973. fórmula uma regra recorrendo à analogia. o que dá uma idéia de seu valor. mutatis mutandis. p. a sua atuação é perfeitamente válida. v. a longo prazo. 1 .1 . como o direito romano. como Bluntschli e Fiore. in RCADI. o que ocorre 46 Manual de Direito Internacional Público quando outros governos invocam tais pareceres para defender posições contrárias ao gov erno do respectivo titular. passando a constituir DIP convencional. Seção 2 A doutrina dos autores Nos primórdios do DIP. A própria Corte em seus julgamentos tem evitado mencionar as opiniões dos juristas. Lauterpacht. Uma comparação do projeto de Código de DIP de Epitácio Pessoa com as Convenções firmadas em Havana em 1928 mostra claramente a sua influência nos textos então aprovados.1. na sua fase de formação. evitando em seus julgaIntrodução 45 mentos afastar-se de decisões anteriores. Londres. até o momento em que as regras propostas são aceitas em conferência internacional. Além do mais. p. podem ser. 1958. mas. Vattel e outros. 90. 14 e 19. Jiménez de Aréchaga.

I. in UNESCO. dispõe 48 Manual de Direito Interna cional Público no artigo 13 o seguinte: "Promover a cooperação internacional no terreno político e in centivar o desenvolvimento progressivo do direito internacional e a sua codificação". 182 e 225. reuniu-se na Haia a Primeira Conferência de Codificação do Direito Internacional. 38.s.l. essa fase terminou por vários motivos.Sourang. Quoc Dinh. tanto assim que a conferência foi considerada um fracasso. silenc ia quanto ao direito internacional. embora uma Con venção sobre Conflitos de Nacionalidade (ratificada pelo Brasil) tenha sido assinada . Capítulo 9 CODIFICAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL No século passado surgiram as primeiras importantes tentativas de codificação do DIP. O pro jeto de Dumbarton Oaks. ao enumerar as atribuições da Assembléia Geral. águas territoriais e r esponsabilidade por danos a bens de estrangeiros. contudo. Diversos projetos foram preparados e. A segunda guerra mundial marcou o fim da LdN e de sua filosofia idealista. antigo juiz da CIJ. realizada na Cidade do México. em 193 0. vieram demonstrar que o pessimismo não se justificava. in RCADI. 283. pois. 104 e 179.1 . escrevia em 1955 que "hoje em dia as possibilidades de uma codificação do direito internacional num ambiente universal são nulas. em tal sentido. Infelizmente. p. mas quando da Conferência de São Francisco de 19 45 uma referência ao direito internacional foi incluída graças às pequenas potências. p.l . p. 33.s et reulité. p. A Ca rta. O abismo entre as concepções jurídicas que se defrontam no seio da AGNU. Cours général de droit international public. O desenvolvimento do direito internacional foi uma das preocupações da Liga das Nações ( LdN). Sibert . p. teve início uma fase altamente produtiva. Jurisprudence and teaching. p. Oppenheim . 135. v. com a criação da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas (CDI). Foi. tanto assim que as duas últimas convenções assinadas em Viena em matéria de sucessão de Estados não chegaram a ser ratificadas. p. Os primeiros anos da CDI foram tumultuados pela Guerra Fria e com recome ndações da Assembléia Geral em que as preocupações políticas obstaculizaram o seu funcioname nto. contudo. uma tentativa pr ematura. Théorie. Visscher (Paul de). em 1982. O passo seguinte foi a criação da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas (CDI ) com o objetivo duplo de tratar da codificação do DI e de seu desenvolvimento progr essivo. 25-66. Em 1902. Rousseau . 1991. Paris. O movimento foi coroado de êxito. Os fatos. 341 . verificou-se que os assuntos aptos a serem codificados acabaram. num primeiro estágio. todas elas bas eadas no projeto elaborado por Epitácio Pessoa. Pastor Ridruejo . graças a uma proposta de José Higino à Conferência Internacional Interamericana. p. sobressaindo neste particular os projetos de Fiore e de Bluntschli. A questão da utilização dos rios internacionais por motivos que não a navegação. p. a maioria assinada em Viena. mesmo no tocante aos problemas mais fundamentais. tanto assim que em 1928 foram assinadas em Havana a Convenção sobre Direito In ternacional Privado (o Código Bustamante) e diversas convenções de DIP. nunca chegou a ser submetida a uma conferência e acabou sendo aceita pela sexta comissão da Assembléia Geral das Nações . e. que esteve na agenda da CDI desde o início. Podestà Costa . é tal que toda nova iniciativa dessa espécie deve ser considerada perigosa para o progresso do direito internacional". teve cinco relatores.l. q uando três tópicos foram abordados: conflitos de nacionalidade. Visscher (C harles de). 20. que resultou numa série de importantes convenções. 1972. que criou em 1924 uma comissão de peritos encarregada de verificar o que pod eria ser feito no campo da codificação. teve início o trabalho de codificação interamericano. Charles de Visscher. que serviu de base à elaboração da Carta das Nações Unidas. bem como a Convenção sobre o Direito do Mar de Montego Bay. 3 I 6.

pesca e conservação dos recursos biológicos do mar. Introdução 49 Seção 1 A Convenção de Genebra sobre o Direito do Mar (1958) A primeira grande conferência da ONU destinada à codificação do DIP realizou-se em Genebra em 1958. É sintomático que algumas das regras básicas codificadas em 1961 não provocaram maiores debates. Equador e Peru de adotar um mar de 200 milhas marítimas era a de mais difícil aceitação. O Brasil compareceu disposto a defender a tese tradic ional das três milhas. haver sido aumentada de onze para quinze membros a fim de atender às reivindicações de inúmeros países afro-asiáticos. ou seja: largura do mar territorial. Da agenda constavam quatro questões básicas. Embora não se tenha conseguido fixar em termos matemáticos a delimitação do mar territorial. A Conferência modificou o projeto da CDI neste particular ao estender certos direitos aos referidos países. diante das pretensões de inúmeros países de adotar um limite superior às três milhas tradicionais. tal a convicção dos delegados de q ue o projeto elaborado pela CDI correspondia . com a participação de 86 Estados. houve nova tentativa de solução quanto à largura do mar territor ial. O ponto nevrálgico da Conferência foi a determinação da largura do mar territorial. Outro fator que influiu nessa fase negativa da codificação foi a circunstância de a CDI. que na fase inicial reunira algumas das maiores autoridades no plano do direito internacional. Seção 2 A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. isto é. por juristas pouco conhecidos. como o de passagem inocente. embora a idéia da adoção de uma zona mais extensa destinada à proteção das espécies marítimas fosse encarada com simpatia. É interessante observar que apenas a ques tão da plataforma continental não provocou maiores discussões. que encarava favoravelmente as pretensões da Bolívia e do Paraguai. sendo que a pretensão do Chile. sem acesso ao mar. firmada em 1961. mas novamente não foi possível conseguir os dois terços necessários para a adoção de um limite de seis milhas marítimas. também mereceu especial atenção do Brasil. acesso ao mar de países sem litoral e a plataforma continental. Além dessas duas convenções.Unidas sem voto. a liberdade do altomar e o direito de navegação. com o objetivo de examinar o direito do mar. Vários fatores contribuíram para isso. pode ser considerada o mais bem-sucedido exemplo de codificação do DIP. Convém ainda acrescentar que a CDI. A pretensão dos países mediterrâneos. passou a ser integrada. logrou adotar Convenções sobre o Mar Territorial e o Alto-Mar. por motivos políticos. Dois anos mais tarde. A circunstância de a Conferência de 1958 não haver fixado a largura do mar territorial foi considerada por alguns comentaristas como sinal de fracasso. das quais três com importantes conotações jurídico-políticas. que seriam devidamente aceitas pela Convenção de 1982. por motivos políticos. 50 Manual de Direito Internacional Público foram firmadas mais duas sobre a Plataforma Continental e sobre a Conservação dos Re cursos Vivos do Mar. observadores de sete instituições especializadas e de nove organizações intergovernamentais. quando na Terceira Conferência sobre o Direito do Mar esta seria uma das mais controvertidas. toman do por base quatro projetos preparados pela CDI. sobressaindo a circunstância de o direi to costumeiro a respeito já haver atingido um alto grau de consolidação.

sending State e receiving State. Acabou por trilhar esta orientação. fórmu la esta que provocou forte reação da maioria. ao passo que na primeira a CDI tivera diante de si uma série de regras relativamente claras e com aceitação generalizada. 52 Manual de Direito Internacional Público A adoção da Convenção sobre Relações Diplomáticas como que tornava automática a assinatura da Convenção sobre Relações Consulares. além do direito internacional costumeiro. pois. teve de decidir se continuaria com a orientação seguida no anteprojeto anterior. duas das línguas oficiais. Dentre as modificações substanciais feitas.ao direito existente. constata-se que. que iria co locar um número excessivo de pessoas em situação privilegiada em relação ao direito local. Dentro dessa nova filosofia. a CDI tinha de examinar inúmeras convenções bilaterais. inclusive para o francês e o espanhol. ou se. Seção 3 A Convenção de Viena sobre Relações Consulares A assinatura da Convenção de 1961 como que preparou o caminho para a Conferência sobre Relações Consulares que se reuniu dois anos depois. havendo-se verificado um inesperado consenso quanto à sua enumeração e mesmo em relação à sua abrangênci . adaptaria o projeto a ele . à qual se reconhece imunidade de jurisdição penal. inclusive correios diplomáticos e mensagens em código ou cifra". O artigo 37 da Convenção espelha uma emen da brasileira no sentido de incluir o pessoal administrativo e técnico numa categoria à parte. cumpre mencionar a reação da Conferência à orientação liberal acolhida pela CDI no tocante aos beneficiários das prerrogativas diplomáticas e ao conceito amplo dado à noção de liberdade de comunicação quanto à utilização de aparelhos radiofônicos. a maioria das delegações foram contrárias a semelhante orientação. mas de difícil tradução. leis internas e usos diversos . Não obstante os termos claros da Convenção. uma relativa imunidade de jurisdição Introdução 51 civil e administrativa e isenção alfandegária para os objetos destinados à primeira instalação. por darem lugar a confusão. mas. em V iena. O projeto da CDI estipulava que "a missão poderá empregar todos os meios de comunicação adequados. tanto assim que a CDI. de 4 de março a 24 de abril. Os termo s vagos do projeto como que davam ao Estado estrangeiro o direito de livre uso das estações de rádio. na segunda o panorama era menos nítido. A Convenção de 1961 veio consolidar uma tendência que se vinha verificando no sentido do deslocamento da principal responsabilidade diplomática da figura do Chefe da Mi ssão para a Embaixada ou Legação entendida em seu conjunto. Na versão inglesa da Convenção. expressões que na prática vêm sendo abandonadas. pois ao passo que as grand es potências se batiam pela concessão ao pessoal administrativo e técnico e às suas famílias dos mesmos privilégios e imunidades reconhecidos aos agentes diplomáticos. na prática. O texto Finalmente aprovado condiciona a instalação e a utilização de uma emissora de rádio ao consentimento das autoridades locais. É impossível desassociar as duas conferências. a versão brasileira passou a falar em Estado acreditante e Estado acreditado. ao elabora r o seu projeto definitivo sobre Relações Consulares. mesmo discordando em algumas regras da Convenção de 1961 . a expressão agente diplomático perdeu o conceito que lhe era dado: deixou de se referir apenas ao Chefe de Missão e passou a abranger todo o pessoal diplomático desta. expressões cômodas. A incumbência mais importante da Conferência de 1961 foi a de determinar as prerrogativas e imunidades diplomáticas. Por insistênci a de Gilberto Amado. As divergências surgiram na determinação dos beneficiários. este dispositivo não é respeitado. utilizaram-se as expressões .

com o objetivo de preencher os vácuos existentes. a Gréci a e os Países Baixos. A solução proposta pela CDI e aceita pela Conferência consiste nu ma definição geral. a CDI preparou alguns artigos a respeito que foram submetidos à Conferência de Viena de 1961. mas principalmente em decorrência das posições distintas dos países possuidore s de grandes marinhas mercantes. razão pela qual muitos países buscam restringir o número de beneficiários dos privilégios consulares. para examiná-los e debatê-los. A determinação da condição jurídica dos cônsules honorários foi difícil não só em virtude da quase-inexistência de uma prática generalizada e de opiniões do utrinárias. mas não exaustiva. O artigo 5 ainda estabelece que outras funções pod em ser exercidas. possuem serviços c onsulares muito bem organizados. a CDI concluiu que paralelamente à diplomacia tradicional havia a diplomacia ad hoc. ao passo que a Convenção sobre Relações Diplomáticas consta e 53 artigos. possuidores de importantes marinhas mercantes e que necessit am de pessoas capazes e de certa projeção local em todos os portos. mas na base de cônsules honorários. A Convenção adotou alguns artigos assimi lativos. a AGNU decidiu que o projeto da CDI não seria submetido a uma conferência específica. mas a dificuldade consiste precisamente em saber quais as que mere cem ser mencionadas. a fim de serem examinados conjuntamente c om os artigos sobre as missões diplomáticas. das conferências diplomáticas e das missões especiais. Em conseqüência. enviados a outros Estados com um objetivo limitado. O fato é que. mas seria examinado pela própria Assembléia. Para algumas delegações a solução seria adotar um artigo nos moldes da Convenção de Havana sobre Cônsules. represen tando o Estado. Seja como for. segundo a qual "os cônsules exercerão as atribuições que lhes confere a lei do seu Estado. Seção 5 A Convenção sobre Relações entre Estados e Organizações Internacionais . complementada por uma enumeração exemplificativa. Contrariamente à prática anterior. Foram submetidos a uma subcomissão. que tratava de enviados itinerantes. mas desde o início os seus membros concordaram que não convinha tomar uma decisão a respeito. além da projeção local. a entrega ao Sexto Comitê dos artigos propostos. Os artigos que reconhecem privilégios e imunidad es menos extensas são os discriminatórios. A outra solução favorece uma enumeração de hada das funções. mas não tem merecido da parte da doutrina maior atenção. Uma das tarefas mais árduas da Conferência foi a de determinar as atribuições consulares. e nela por missão especial se entende "uma missão temporária. inclusive dada a circunstância de que os artigos nem haviam sido submetidos aos governos para as suas observações. a Noruega. e em 1968 e 1969 coube ao Sexto Comitê considerar o "Esboço de Convenção sobre Missões Especiais". nos quais os privilégios e as imunidades dos cônsules honorários e das repartições por eles chefiadas são análogas às dos cônsules de carreira. Como o título de cônsul traz consigo determinadas vantagens. verificou-se uma tendên cia desses países de ser mantido o statu quo. a Dinamarca. d as principais atribuições consulares. A Convenção é aceitável. A Conferência de 1961 concluiu que a questão deveria ser estudada a fundo pela CDI e adotou uma resolução neste sentido. desde que não proibidas pelo Estado local ou previstas expressamente em tratado em vigor entre as partes. a Consular tem 79. Introdução 53 Seção 4 A Convenção sobre Missões Especiais Ao abordar a questão das missões diplomáticas. Países como a Suécia. sem detrimento da legis lação do Estado onde desempenham as suas funções". enviada por um Estado a outro Estado com o consentimento deste c om o objetivo de tratar de questões específicas ou de executar com a mesma uma função es pecífica". A Convenção foi adotada pela AGNU em 8 de de zembro de 1969. foi considerada uma experiência negativa que não deveria repetir-se.

constante de 82 artigos. foi submetida à Conferência emenda visando à inclusão das o rganizações regionais. ao falar em organizações de caráter universal. Seção 6 As Convenções de Viena sobre a Sucessão de Estados Duas foram as Conferências realizadas em Viena sobre a Sucessão de Estados: a primei ra em 1977. e a segunda. excluiu as organizações regionais. tese esta contrária à prática internacional. Delegações enviadas a órgãos ou a con as e Dispositivos gerais. do outro. depois da entrada em vigor da Convenção. verificou-se desde o início o empenho dos host States em modificar grande número dos dispositivos através de um trabalho conjunto consolidado por ocasião da votação. Missões junto a organizações internacionais. as conclusões preliminares do Relator sobre Observadores a conferênc ias internacionais foram igualmente submetidas à Conferência. Antes de m ais nada. Não merecem um estudo mais detalhado. Em 1959. mas a maioria optou pelo texto da CDI. o projeto de artigo 54. O projeto finalmente adotado. a quase-totalidade dos países em desenvolvimento e o s países socialistas. Em 1975. os demais. Apresentou algumas características que a distinguiram das demais. que reconhece a inviolabilidade da residência particular do Chefe da Delegação e dos demais funcionários diplomáticos. o voto em b loco.os host States . e reverteu-se a situação.A Convenção sobre Relações entre Estados e Organizações Internacionais também teve sua origem nos debates da CDI sobre relações 53 Manual de Direito Internacional Público diplomáticas. muito embora a CDI não t ivesse adotado uma posição definitiva a respeito. Os Estados-sede apresentaram emenda que lhes d aria o direito de declarar um delegado pessoa non grata. Paradoxalmente. não logrou os dois terços necessários. Novamente. de um lado os países onde havia uma ou mais organizações inte rnacionais . criando Introdução 55 uma lacuna na Convenção. a Conferência aprovou o artigo 59. bem como de seus bens. que previa a inviolabilidade da sede da delegação. pela primeira vez consolidou-se uma prática nociva. É importante salientar que a Convenção sobre a Representação de Estados nas suas Relações com Organizações Internacionais de Caráter Universal ainda não entrou em vigor. em 1983. de 4 de fevereiro a 14 de março de 1975. Foi lembrado à Comissão em 1958 que o desenvolvimento das organizações inter nacionais aumentara o número e o escopo dos problemas legais e que tais problemas só haviam sido resolvidos parcial mente através de convenções sobre os privilégios e as imunidades das organizações internacionais. Como conseqüência das divergências verificadas e também devido ao pouco tempo de que a Conferência dispôs. Posteriormente. ou seja. Embora o projeto da CDI fosse considerado razoavelmente satisfatório. ou seja. Abdullah El-Erian foi escolhido como Relator Especial. Uma regra curiosa adotada é a que se nos depara no artigo 90. divididos em quatro partes: I ntrodução. mas aos poucos as demais delegações se organizaram com o objetivo de defender o proj eto da CDI. visto que ainda não foram depositados os 35 instrumentos de ratificação ou acessão. as duas correntes que se defrontaram não tinham relação com a Guerra Fria. nos termos do qual.e. mas só em 1971 a C DI elaborou o esboço final. mas sim d os países europeus. o órgão competente de uma organização internacional poderá adotar uma decisão visando à implementação de alguns de seus dispositivos. Mais tarde também houve a tentativa de incluir regras através das quais o Estado-sede teria o direito de exigir a retirada de um delegado. ou seja. a Conferência foi realizada em Viena. Uma das dúvidas enfrentadas pela CDI foi a da determinação de quais as organizações cobertas pela Convenção. Esta tática permitiu àqueles Estados algumas vantagens iniciais. . dada a rejeição das duas convenções adotadas.1978. e note-se que a iniciativa não partiu dos países em desenvolvimento. Em 1975.

As duas Convenções de Viena adotaram outra orientação ao examinar separadamente cinco hi póteses: a) transferência de parte do Estado. que os esforços não se deveriam limitar à codi ficação de textos em desuso. A Conferência de 1986 também endossou a orientação da CDI de evitar . coube uma tarefa mais ingrata. que. Diante do aumento no número de novos Estados e em face do peso na votação na Assembléia Geral do bloco afro-asiático. sem que isto afete a personalidade dos dois Estados. como a descolonização era um fenômeno que deveria evoluir rapidamente. e) dissolução do Estado. de dívidas. a opinião que finalmente prevaleceu foi de que seria conveniente aguardar a evolução da matéria diante da pobreza da prática int ernacional a respeito. e muito menos daqueles textos que se haviam tornado let ra morta. Este apresentou onze relatórios. visto que isto não seria um reflexo da prática internacional atual. a CDI não se deveria preocupar com soluções abortivas ou precárias. c) união de Estados.A questão da sucessão de Estados foi incluída na primeira agenda da Comissão de Direito Internacional (CDI). de bens. Accioly. a CDI só passou a dar prio ridade à questão em 1971. bem como as conse qüências do surgimento de novo Estado e a sua situação em face das organizações internaciona is. com a conseqüente formação de novo Estado. de arquivos. a sucessão em matéria de tratados. contrastando com o verdadeiro fracasso d a Conferência de 1983. prefere analisar separadamente as várias hipóte ses de sucessão. Problema delicado que se enfrentou foi o de determinar a eventual modificação para melhor de artigos da Convenção de 1969. Seção 7 A Convenção sobre o Direito dos Tratados de Organizações Internacionais A assinatura em 21 de março de 1986 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais consti tuiu mais um importante passo na codificação do DIP A importância da Convenção (denominada Viena-II) reside principalmente na circunstância de haver recebido uma quase tota l aceitação das delegações presentes à Conferência. b) surgimento de um Estado de independência recente (ne wly independent States). Embora a maioria dos membros da CDI fosse favorável a reconhecer o direito das organizações internacionais neste particular. como a maioria dos autores. por exemplo. Apesar das tentativas de incluir a questão na sua agenda. houve no passado tentativas de form ular regras genéricas sobre a sucessão capazes de solucionar as questões superveniente s. segundo o qual com a extinção do Estado ocorre uma tábula ras a. q ue náo foi facilidade pelas idéias que enunciou logo em seu primeiro relatório. A Bedjaoui. ou seja. Embora se trate de questão sumamente complexa. d) separação de parte ou de partes de um Estado. Foi ainda mais longe ao afi rmar que as resoluções sobre autodeterminação e colonialismo da Assembléia Geral das Nações U idas eram de cumprimento obrigatório pela Comissão e deveriam orientar os seus traba lhos. ou seja. da legislação e da nacionalidade. Paul Reuter foi escolhido como Relator Espe cial. As Convenções de Viena seguiram a tendência mais generalizada. Um subcomitê pr esidido por Manfred Lachs opinou que a Comissão deveria abordar três tópicos. professor da Universidade da Algéria. e o Prof. a de rejeit ar a noção de sucessão. que se deveria dar prioridade à sucessão resultante da eliminação do coloni alismo. tam bém. mais tarde limitados à sucessão em matéria de bens. mas não como assunto prioritário. a CDI foi convidada a iniciar o estudo do problema em profundidade. tendo em vista os problemas que nela surgem em matéria de tratados. quando o Prof. A CDI iniciou o estudo do direito dos tratados de organizações internacionais em 195 0. a questão é de soberania sobre o território: os direitos do Estado s ucessor decorrem do DIP. de arquivos e de dívidas. como. 56 Manual de Direito Internacional Público A CDI em conseqüência indicou Sir Humphrey Waldock como Relator para a sucessão em matér ia de tratados. ao contrário do tipo tradicional. Mohammed Bedjaoui para os assuntos que não os tratados. Introdução 57 ambos continuam a existir. e. Sir Humphr ey Waldock tinha a seu favor a circunstância de haver sido o Relator das negociações q ue resultaram na bem-sucedida Convenção sobre o Direito dos Tratados de 1969. a sucessão em ou tras matérias que não os tratados e a participação nas organizações internacionais. ou seja.

muito embora as críticas sejam numerosas. foi aprovada uma resolução declarando que a Área passaria a constituir patrimônio comum da humanidade. pois. principalmente dos fundos dos oceanos. além de outros minérios em menores q uantidades. A convocação da Terceira Conferência sobre o Direito do Mar nasceu de um discurso pron unciado pelo Senhor Arvid Pardo. ao contrário das convenções mencionadas a nteriormente. cobre e ferro. a exemplo do que ocorrera na CDI. em que abordou os últimos progressos verificados em relação à exploração dos mares. A fim de evitar que a Conferência acabasse por adotar uma convenção aceitável por uma ma ioria ocasional. processo este que resultou na lentidão com que tran scorreu a Conferência. ficou decidido que ela seria adotada por consenso. urna vez reconhecida a per sonalidade internacional de urna organização internacional. A CDI acabou por adotar no artig o 6 uma fórmula de compromisso baseada nas duas teses. os textos constantes da Convenção de 1969 seriam pura e simplesmente enviados ao Comitê de Redação. a AGNU decidiu que apenas os artigos capazes de suscitar dúvidas de substância seriam debatidos. mas de onze anos de re uniões de delegados de todo o mundo em Genebra. bem como da doutrina. O pronunciamento de Arvid Pardo foi recebido com entusiasmo pelos países em desenv olvimento. dela decorre o direito d e negociar e de firmar tratados. Caracas e Jamaica. defendida pelos países socialistas . Nova York. tant o assim que já se cogita na busca de regras alternativas aceitáveis pelas principais potências industriais no concernente à exploração dos fundos marinhos. visto que os outros dois tópicos seriam equacionados de conformidade com a solução dada à questão dos fundos. Em (970. além do potencial do subsolo dos fundos marinhos em matéria de petróleo e gás natural. Seção 9 . onde. A Comissão em seus comentários ao artigo também es clareceu que ele ``era o resultado de compromisso baseado principalmente na cons tatação de que este artigo de forma alguma poderá ser considerado como tendo 0 objetiv o ou o efeito de decidir a questão do status de organizações internacionais em direito internacional". animados com a possibilidade de poderem participar da exploração dessas r iquezas. em 10 de dezembro de 19 82. que poderi a fazer as modificações de estilo necessárias. merece ser estudada separadamente. isto é. median te a aceitação de todas as delegações. Em outras palavras. A tese oposta. desde que conseguissem evitar que as grandes potências monopolizassem a e xploração das mesmas. Delegado de Malta à Assembléia Geral das Nações Unidas de 1967. É bem verdade que os responsáveis pela elaboração da Convenção de 1982 repetiram quase que "ipsis verbis" as Convenções de 1958 sobre o Mar Territorial e sobre o Alto-Mar. Seção 8 A Convenção sobre o Direito do Mar de 1982 A Convenção sobre o Direito do Mar. Para a maioria das delegações. Mas cedo cons tatou-se que a sorte da Conferência giraria em torno da exploração dos fundos marinhos . A atenção da UNCLOS (a United Nations Conference on the Law of the Seas) concentrouse em três grandes tópicos: a exploração do fundo dos mares e de seu subsolo. ao que tudo indicava. seria possível extrair quantidades fantásticas de minérios. prática esta capaz de suscitar dificuldades legais no fut uro. 58 Manual de Direito Internacional Público O problema central que a Conferência teve de enfrentar. níquel. A Convenção de 1982 tem sido considerada por muitos como 0 mais importante tratado d e codificação do direito internacional. não foi o resultado de um anteprojeto da CDI. Diante da crise financeira da ONU. foi a determinação da capacidade das organizações internacionais de firmar trata dos. nos demais. era de que a capacidade das organizações de firmar tratados decorria do respectivo ato constitutivo ou das leis básicas da organização. a principal preocupação da maioria das delegações não era de cunho legal. Introdução 59 sobretudo nódulos de manganês. a extensão d os limites marítimos dos Estados costeiros e a determinação dos direitos dos Estados s em litoral marítimo e os dos Estados geograficamente desfavorecidos. assinada em Montego Bay.referências à Convenção de 1969. mas sim político e econômico.

No período posterior a 1945. marinhos e seu subsolo além dos limites da jurisdição nacional. em muitos casos vinculados a determinada organização especializada. o direito internacional e o direito interno são dois sistemas distintos. a Convenção de Basiléia sobre o Controle dos Mov imentos Transfronteiriços de Resíduos Nocivos e sua Colocação (1989). o DIP que até então era tridimensional. dos fundos marinhos e do respectivo subsolo e da Antártida. o Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Es tados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico. dos fundos. cumpre mencionar. o mar e o espaço aéreo. bem como a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio (1985) e o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (1987). ou se são dois ramos de um mesmo sistemajurídico. ou seja. No campo da doutrina. estanques. isto é. o Tratado sobre a Proibição da Colocação de Armas ucleares e outras Armas de Destruição Maciça no Fundo do Mar e no Leito do Oceano e seu Subsolo (1971 ) e o Tratado da Antártida de 1959. dois sistemas independentes e separ ados. Outro arg umento é que o DIP depende da vontade comum de vários Estados. a se ocupar do espaço ultraterrestre. São inúmeras. em caso de conflito entre o direito interno e o direito internacional ou. mesmo sabendo que se trata de um dos problemas mais delicados e controvertidos. 62 Manual de Direito Internacional Público . mas a grupos de especialistas. versava sobre a terra. a Convenção s bre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (1973). ao passo que os direi tos internos dependem da vontade unilateral do Estado. no Espaço Cósmico e Debaixo D'água (1963). ao passo que a tese opo sta é denominada dualista. A primeira pergunta consiste em saber se o DIP e o direito interno são dois ordena mentos independentes. e basta mencionar as mais importantes. as duas Convenções firmadas por ocasião da Conferência do Rio de Janeiro de 1992. A primeira solução é defendida pelos partidários da tese monista. como o PNUMA. passou. duas grandes correntes buscam demonstrar que as normas int ernacionais e as municipais têm muito em comum e podem funcionar separadamente. entre uma lei interna e um tratado devidamente ratificado. Capítulo 10 RELAÇÕES DO DIP COM O DIREITO INTERNO Foge ao escopo de um Manual de direito internacional analisar todas as doutrinas surgidas para explicar as relações do DIP com o direito interno. a Convenção para a Pre venção da Poluição Marinha pelo Alijamento de Dejetos e outras Matérias (1972). E aqui s e verifica que o enfoque eventualmente dado por um juiz nacional poderá não ser o mesmo de um juiz de tribunal internacional. Por sua vez. As convenções destinadas à proteção do meio ambiente também figuraram dentre os atos surgido s em decorrência da evolução da ciência e da tecnologia. pois o fundamento atribuído ao DIP influi decisivamente na posição eventualmente adotada.As convenções sobre assuntos científicos e tecnológicos e sobre o meio ambiente Na relação das convenções multilaterais de codificação do DIP é ainda necessário mencionar uma série de atos que vieram codificar 60 Manual de Direito Internacional Público normas criadas para regulamentar intern acionalmente problemas surgidos em decorrência dos progressos realizados pela ciênci a e pela tecnologia. Dadas as características essencialmente técnicas destas convenções. a FAO ou a UNESCO. Na relação dos tratados que vieram atender a estas novas situações. em virtude dos progress os verificados. o Tratado Proibindo Experiências (testes) com Armas Nucleares na Atmosfera. a Convenção sobre o Direito do Mar de 1982 se ocupa do leito do mar. a Convenção sobre as Zonas Úmidas de Importância Internacional particularm ente como hábitat das aves aquáticas ( 1 97 1 ) e o Tratado de Cooperação Amazônica (1978) . inclusive a Lua e Demais Corpos Celestes (1 967). melhor dito. Para os defensores da doutrina dualista. sobre Mudança de Clima e sobre Diversidade Biológica. que não se confundem. enquanto no outro as regras visam à regulamentação das relações entre indivíduos. a sua elaboração não foi entregue à CDI. a título exemplificativo. A dificuldade de um juiz diante de um caso concreto consiste em optar por uma das duas. Salientam que num caso se trata de relações entre Estados.

1. o DIP não cria obrigações para o indivíduo. a Constituição brasileira deixa claro que os tratados se encontram aqui sujeitos ao controle de constitucionalidade. p. Rezek nos alerta que. Tão firme é a convicção de que a lei fundament al não pode sucumbir. Verdross. as disposições de uma lei interna não podem prevalecer sobre as do tratado". 46).1. F. Na prática. p. n. p. Em parecer de 1930. Os tratados e os interesses privados em face do direito brasileiro. lembra que numerosas constituições e stipulam que os tratados concluídos de forma irregular do ponto de vista do direit o interno carecem de valor em direito internacional. e. Eric Stein. Philadelpho Azevedo. depois de estipular que um Estado não pode invocar como ca usa de nulidade o fato de seu consentimento em obrigar-se por um tratado ter sid o manifestado em violação de uma disposição de seu direito interno. Les rapports de système entre le droit interne et le droit international public. A dificuldade surge no tocante a conflito entre tratado e texto constitucional. p. A Convenção sobre o Direito dos Tratados (1969) como que prevê esta possibilidade. in RCADI. a CPJI declarou: "É princípio geralmente reconhe cido. 12. 1945. Charles Rousseau. uma lei interna posterior não pode substituir um tratado que foi aprovado pelo legislativo e rati ficado pelo executivo. que. 40. que nos sistemas mais obsequ iosos para Introdução 63 com o direito das gentes tornou-se encontrável o preceito segundo 0 qual todo trat ado conflitante com a Constituição só pode ser concluído depois de se promover a necessári a reforma constitucional". 231. p. p. "embora sem emprego de linguagem direta. vinga o direito internacional: é a t ese do primado do direito internacional. que. Schwarzenberg . Boletim. 33. também. Reuter. p. verifica-se que as regras constantes de um tratado devidamente aprovad o e ratificado substituem a lei interna. a exemplo dos demais componentes in fraconstitucionais do ordenamento jurídico. mas sim de uma nor ma superior. não leva em conta a importância do costume. a não ser que essa man ifestação de vontade "diga respeito a uma regra de seu direito interno de importância fundamental" (art. já os outros defendem a tese do primado do direito interno. uma norma qua lquer pode ser aceita como ponto de partida do sistema total.Em conseqüência. 164. dentro do mesmo critério.2. a não ser que as suas normas sejam transformadas em direito interno. o direito é um só. além do mais. 1994. 88. Rezek . 1926-IV. mas a seu ver a te se do primado do direito internacional deve ser acolhida por motivos práticos. 103.I. p. -------------------------------------------------------------------------------Introdução 65 Capítulo 11 OS SUJEITOS DO DIREITO INTERNACIONAL . Brownlie. ano I. Hans Kelsen. Podestà Costa . International law in internal law. A doutrina monista não parte do princípio da vontade dos Estados. p. 82. AJIL. p. v. ou seja. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados adotou em seu artigo 27 a mesma reg ra: "Uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado". 37. nas relações entre potências contratantes de um t ratado. Díez . 427. p. em qualquer espécie de confronto. 53. Mas é na explicação do fenômeno da transformação que os defensores do dualismo mostram a debilid ade de seu raciocínio.1. p. Bibliografia: Accioly . como esclarece Accioly. Para Kelsen. v. quer se apre sente nas relações de um Estado. 63. A doutrina da CIJ tem sido invariável ao reconhecer o caráter preeminente do direito internacional. os defensores da doutrina monista enveredam por dois caminhos opostos: para uns. "em princípio. Mello .1. 1. p. p. 44. 14. 27. 63.1. Gonçalves Pereira. Aceita a tese fundam ental de que o direito é um só. do direito internacional. Rousseau . do ponto d e vista científico. em caso de dúvida. quer nas relações internacionais". os dois sistemas são igualmente aceitáveis.

1.É a união permanente . não como sujeito indireto de direitos e deveres internacionais. ao declarar que era sujeito do DI. . Linneu de Albuquerque Mello. Direito internacional público. ?3. Mello . p. Em outras palavras. defendem a tese de que os Estados continuam a ser os únicos sujeitos do direito internacional e que os direitos e os deveres de natureza internacional desfrutados pelas organizações internacionais decorrem exclusivamente da vontade dos Estados. p. contudo. p. ou seja. no tocante às reparações por danos sofridos a serviço das Nações Unidas. só pode ser o indivíduo. Rezek . a Nova Zelândia. p. Cançado Trindade. com apoio de parte da doutrina. Accioly . 1965.Sujeito do DIP é toda entidade jurídica que goza de direitos e deveres internacionais e que possua a capacidade de exercê-los.2. para a qual o destinatário do DI. Durante uns trezentos anos. Bin Cheng. embora a LdN não fosse um superestado. que em sua concepção original atribuía a noção de sujeito do DI apenas aos Estados. 276. p. 191. o DIP se ocupava exclusivamente dos Estados. e a individualista ou realista. a Guiana Britânica e outros. especialmente para fins de natureza política. 6. O'Connell. Díez . RGDIP. o Paquistão. p. 99. p. verificou-se que até então o Sumo Pontífice reunia em si duas entidades: Chefe dos Estados Pontifícios e Chefe da Igreja Católica. continuavam a manter os seus representantes junto a ele e a receber os seus núncios. 5. a Índia. era com efeito um sujeito do direito internacional. um representante permanente junto à organização. 19. t. p. Paul Fauchille. os domínios britânicos antes de serem reconhecidos como Estados. o Canadá. Direito das organizações internas. de 11 de março de 1949. a personalidade internacional das Nações Unidas e de determinadas organizações internacionais não é contestada. a Nigéria. mas como sujeito direto. ponderou que. Subjects of international law. Podestà Costa .Estados que não se inclui em nenhuma das modalidades conhecidas de Estado composto. como. aliás.sse. 8. Seus Estados-membros são plenamente soberanos e se acham associados em pé de perfeita igualdade. Dois enfoques existem na determinação dos sujeitos do DI: a clássica. passou a lhe reconhecer a qualidade de sujeito do direito internacional. como. Da Comunidade fazem parte atualmente: o Reino Unido da GrãBretanha e Irlanda do Norte. por exemplo. 59.?. D. o que significa que a organização "tem capacidade de ser titular de direitos e deveres internacionais e que ela tem a capacidade de fazer prevalecer os seus direitos através de reclamação internacional". Gana. de todos os ramos do direito. Esta noção foi definida com clareza pela CIJ em seu parecer consultivo. a Austrália. A. os movimentos de libertação internacional. em 1924. Dupuy. La personalité en droit international. p. Estado federal ou federação de Estados . in Enciclopédiu Delta-Lurou. Rousseau .I . Primeira Parte 73 o Ceilão. Atualmente. endossada pela doutrina. Dentre os sujeitos cumpre citar ainda o indivíduo. O símbolo dessa livre associação de povos é a Coroa Britânica. P. p. I 57. a prática internacional.I . Em conseqüência. a Jamaica. mas quando da criação da Liga das Nações (LdN) a doutrina relutou em lhe reconhecer a qualidade de pessoa internacional. 165. in UNESCO. Bibliografia: A.1. Acresce que os países socialistas. Russomano. Brasília. Outras entidades têm sido mencionadas. 1990. 2879. p. A primeira dúvida séria surgiu com a extinção dos Estados Pontifícios e sua incorporação ao Reino da Itália em 1870 e com a constatação de que os Estados continuavam a reconhecer o direito de legação do Papa. tanto assim que Siotto Pintor reagiu com ceticismo à iniciativa brasileira de nomear.

hoje inexistentes. Panamá ( 1903). entrega a administração de certos de seus direitos a um ou vários Estados mais fortes e poderosos. O protetorado é uma versão mais moderna do Estado vassalo em que um Estado. sempre ao Estado resultante da união. geralmente em virtude de um tratado. entretanto. também tem alguma analogia: o controle destes na área militar. em 1789. dois anos antes. 74 Manual de Direito Internacional Público Os Estados vassalos eram fenômeno típico do Império Otomano. a Polônia. No protetorado ocorria um capitis diminutio voluntária. sujeita esta. e) o México (desde 1875). pois. na convenção de Filadélfia). Montenegro e Bulgária. mantendo intacta a sua personalidade internacional. República Dominicana ( 1907). entre as quais se salientam a de representar o grupo nas relações internacionais e a de assegurar a sua defesa externa. Eram os Estados vassalos. podem mencionar-se os seguintes: a) Estados Unidos da América (a partir da entrada em vigor. Filipinas ( 1934-1946). isto é. ou seja. conforme ficou dito. o exercício. Existe. que mantinha sob o regime países como a Moldávia. porém. Como exemplos de federações. de conformidade com a política do big-stick de Theodore Roosevelt. sob a proteção da França. pelo governo federal. possuem simplesmente a autonomia interna. beirando a anarquia: Cuba ( 1901 e 1934). ou não possuíam plena autonomia. sendo a soberania externa exercida por um organismo central. d) a República Federal Alemã (desde 1949). não era parte do território do Estado protetor. da constituição adotada. b) a Suíça (desde a constituição de 1848). Haiti ( 1915).f) a Argentina (desde 1 860). nesse tipo de Estado composto uma partilha de atribuições do poder soberano. Seção 3 Estados compostos por subordinação O DI estudava não só os Estados plenamente soberanos. a Hungria. entregues a outros. Sérvia. no Estado federal. protetorados ou Estados clientes. g) a Venezuela (desde 1893). Valáquia. ou se achavam despidos do gozo de determinados direitos. c) o Império Alemão (de 1871 a 1919). intervieram em alguns países onde imperavam situações caóticas. da soberania externa. Os seus membros. como a Tcheco-Eslováquia. tanto assim que com o desmoronamento da Rússia Soviética os países . Os Estados clientes (ou quase-protetorados) apenas confiavam a outro Estado a defesa de determinados negócios ou interesses. o qual os representava do ponto de vista externo e lhes exigia ainda o pagamento de um tributo. o Estado conservava sua personalidade internacional.além de alguns dos domínios britânicos (o Canadá. cabendo.de dois ou mais Estados. h) a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (desde 1923) . econômica e comercial não foi em decorrência de tratado aceito livremente. às restrições que forem impostas pela constituição federal. plenamente soberano nas suas atribuições. a Austrália). Podiam ser definidos como entidades cuja autonomia interna era reconhecida pelo Estado suserano. Surgiram principalmente no início do século XX. mas também alguns outros tipos de uniões em que os integrantes não se achavam em pé de igualdade. A relação da URSS com os chamados países satélites. sob a dependência da Inglaterra. a personalidade externa existe somente no superestado. Abissínia. os Estados federados. quando os Estados Unidos. da Itália. isto é. A intervenção do Japão na Mandchúria em 1932 tem certa semelhança com as citadas anteriormente. cujo estudo pode ser feito a título de curiosidade histórica. O Brasil é Estado federal desde a Constituição de 24 de fevereiro de 1891 . em virtude de um tratado. a Romênia e a Bulgária. Nesse tipo de união de Estados. e o Egito e o Transvaal. Citam-se como exemplos o Marrocos e a Tunísia. na qual cada um deles conserva apenas sua autonomia interna. e os súditos mantinham a sua nacionalidade.

Em decorrência do sucedido na Rússia. Bengt Broms. 441. I. foi entregue à África do Sul. 24. contudo. Mas. antiga colônia alemã. 75. que se recusou a transformá-lo em território tutelado. o renascimento de diversos novos Estados. Themístocles Brandão Cavalcanti.1. Díez . quando os territórios sob mandato foram tratados como meras colônias. M. Kelsen. in RCADI. 204. B.1 . Podestà Costa . p. quando os Impérios Germânico. p. todos eles antigas províncias da Turquia. p. que. não obstante a insistência da doutrina neste particular.em questão trataram de romper as suas relações de subordinação. 96. 209. Pilotti. cujas colônias foram adquirindo aos poucos a respectiva independência. uma adaptação do sistema dos países sob mandato Primeira Parte 75 criado pela Liga das Nações. ou melhor dito. o sistema. 2. AustroHúngaro e Otomano se esfacelaram com o conseqüente surgimento de inúmeros novos Estados. perdeu a sua razão de ser. p. p. que. que entregou a administração de algumas províncias do Império Otomano ou das antigas colônias do Império Germânico a alguns dos países vencedores da primeira guerra mundial. a exemplo do que ocorreu depois da primeira guerra mundial.I. Rio de Janeiro. 364. p. verificou-se o fenômeno inverso: os novos Estados surgiram em detrimento das potências vencedoras. Na Iugoslávia. The law nf the United Nation. In ternational law as applied between subdivisions of federations. foram considerados aptos a adquirir a independência. As guerras têm sido tradicionalmente fator de nascimento de um Estado. Mel lo . Bibliografia: Accioly . Whiteman. O Sudoeste africano . o desmembramento se operou à custa de sangrenta guerra interna. States. 1949. a começar com os três países bálticos. Dividiram-se em três classes. Finalmente. só foi alcançada depois da segunda guerra mundial.1 . v. v. especialmente à sucessão por separação ou pelo desmembramento de um Estado.1 . p. W. Les unions d'États. H. as Nações Unidas cedo demonstraram o seu empenho em tornar os territórios tutelados o mais breve possível mediante o seu ingresso na própria organização. 1928. p. Direito administratim b rasileiro. O Estado nasce em decorrência da reunião de determinados ele- . Rousseau . Na segunda guerra mundial.s. Russomano. 301 . 74. Verdross. Contrariamente ao que ocorreu na época da Liga das Nações. só passa a se interessar pelo fenômeno após a sua constituição. graças à aplicação do princípio da autodeterminação pela Assembléia Geral das Nações Unidas.a Namíbia -. 1950. v. Seção 4 O sistema internacional de tutela A Carta das Nações Unidas nos artigos 75 a 85 criou o sistema internacional de tutela. p. incorporando-o de facto ao seu território. mas também como conseqüência indireta da conflagração. 93. Com a extinção do último território tutelado. na coletânea da UNESCO. p. 48. p. London. in RCADI. Primeira Parte Capítulo 3 NASCIMENTO DE ESTADO O problema da formação dos Estados é mais do domínio da história e da sociologia do que do DIP. depois de inúmeras resoluções da Assembléia Geral das Nações Unidas e alguns pronunciamentos da CIJ. bem como o Conselho de Tutela. 105. Cowles. 139. não só as guerras de independência. Sibert . 1 13. onde se tentara unir países de etnias e religiões diferentes. v. a rigor. 655. p. a Tcheco-Eslováquia se desdobrou em duas Repúblicas. sendo que os da classe A. a África do Sul concordou em reconhecer a sua independência. O desmembramento da URSS acarretou igualmente o nascimento. não se pode ignorar que a questão do nascimento dos Estados se acha vinculada aos vários tipos de sucessão de Estado. 1942.l. p.

o mais das vezes depois de uma guerra de libertação. a exemplo do que ocorreu com o Brasil. Para Mancini. não subsistindo a personalidade do antigo Estado. Conclui insistindo na necessidade de que um elemento nacional tenha aproveitado a ocasião que se ofereceu. escrevendo antes da segunda guerra mundial. Para muitos autores. em 1821. Aliás. bem como um território suficiente para garantir a permanência da sociedade que o ocupa. dos chefes nativos concessões territoriais na Costa da Guiné. Esses elementos. os Estados Unidos e os demais países hispano-americanos. A República do Transvaal foi reconhecida internacionalmente e só deixou de existir em 1902. Outro caso é o da Libéria. os países americanos surgiram dessa maneira. R. M. a formação de um Estado pode ocorrer de três maneiras: 1 ) separação de parte da população e do território de um Estado. territórios sob tutela e territórios sem governo próprio se enquadra nesse caso. jogando sobre a comunidade internacional o ônus de arcar com a existência do novo membro. Em tese. 78 Manual de Direito Internacional Público Nos dias que correm. Sibert. citava. tratar-se-ia de um território desocupado ou então habitado por povos primitivos. depois da guerra com a Grã-Bretanha. como a existência no novo Estado de fatores econômicos que o permitam sobreviver. A grande maioria dos Estados surgidos nos séculos XIX e XX nasceu mediante a separação de uma parte da população e do território de um Estado. esforço das minorias nacionais para se emanciparem do jugo estrangeiro. deixaram de ser exigidos no âmbito das Nações Unidas. que haja condições propícias de afinidades. menciona-se a República do Transvaal. onde a autonomia da vontade passou a vigorar. desmoronamento de potências importantes mas heterogêneas etc. W. subsistindo a personalidade internacional da mãe-pátria. No século XIX. embora as antigas potências colonialistas tenham resistido. movimentos revolucionários de ordem social e política. criada depois que entidades norte-americanas conseguiram obter. Mas. contudo. que fora incorporada ao Brasil sete anos antes. 2) dissolução total de um Estado. a existência de uma população e de um território de proporções razoáveis era de rigor. conforme ocorreu com a Província Cisplatina. A independência de dezenas de antigas colônias. Primeira parte 77 A simples reunião desses elementos não acarreta a formação de fato do Estado. Erich ensinava que os diversos elementos que contribuíram para a criação de novos Estados depois da guerra de 1914-1918 eram complexos e muitos complicados: cálculo das potências estrangeiras que se esforçaram para tirar proveito das aspirações dos elementos nacionais descontentes. em 1828. acabaram concordando. este elemento era a nacionalidade. conforme foi visto. ocupada por holandeses que deixaram a Colônia do Cabo em 1 836 e se dirigiram para o hinterland sul-africano. tese por ele defendida tendo em vista a unificação italiana. além do fator nacional. outros têm sido lembrados. ao enumerar os elementos constitutivos do Estado.mentos constitutivos. 3) fusão em torno de um Estado novo. em primeiro lugar. "uma associação permanente e bastante numerosa de homens capaz de subsistir com os seus próprios recursos". diante da pressão . para lá enviando escravos libertos. isto é. cita-se em primeiro lugar o estabelecimento permanente de uma população num território determinado. Dentre os modos de formação de Estado. é necessário que haja um elemento de conexão entre eles. localizando-se finalmente além do rio Vaal. Como exemplo. O novo Estado pode surgir mediante entendimento com a mãepátria.

com o conseqüente surgimento das Repúblicas da Áustria. Outro exemplo é o do Império Austro-Húngaro. 194. ao passo que a antiga Iugoslávia compreende hoje apenas os territórios da Sérvia e de Montenegro. p. sobrevém o problema do reconhecimento do governo de facto. La formación de los Estados en la Postguerra. 1926. passando todos a formar um novo Estado. 1971. ocorrendo uma mudança de governo em violação das normas constitucionais do Estado. é o da fusão em 1964 de Zanzibar e Tanganica para constituir a Tanzânia. Venezuela e Equador. L' idée moderne de 1' État. a fusão se desfaz. Bibliografia: Accioly . Como exemplo de formação de Estados em virtude de desmembramento de um Estado que tenha deixado de existir internacionalmente. Argentina). p. verifica-se que na maioria dos casos de fusão inexiste o sentimento de unidade nacional. reproduzido no Jornal do Commercio.1 . 353. e inúmeras outras repúblicas. com base no princípio da autolimitação. que se dissolveu em 1830. dissolvido depois da primeira guerra mundial. 1943. 1951 . p. Jame s Crawford. A queda do Muro de Berlim em 1989 e o desmembramento da URSS resultaram no nascimento de inúmeros novos Estados.. 13. onde. com a morte do Marechal Tito. Krabbe. em conseqüência com o enfraquecimento do poder central. para formar um novo país. University of Maryland. Teoria do Estado. 3 31. R. Queiroz Lima. A fusão poderá ocorrer pacificamente ou por meio de conquistas. surge o problema de seu reconhecimento internacional.1. Bengt Broms. p. v. E.s of na tions. p. 1 3. 43. ao contrário do exemplo italiano. O terceiro modo de formação de Estado . sofreu uma série de sangrentas guerras de independência: surgiram as Repúblicas da Croácia. 1926. The international legal status of the Republic of China. Rio de Janeiro. Capítulo 4 RECONHECIMENTO DE ESTADO E DE GOVERNO Com a formação do Estado. Jornal do Brasil. mediante o desaparecimento da personalidade de todos. p. n. p. in UNESCO. 30. New York. 1º fev. e o direito internacional estabelece regras bastante semelhantes aplicáveis quer a um caso. 3. 1 . p. 1967. v. n.2. in RCADI. Nascimento e Silv a. 152.ocorre quando um Estado-núcleo absorve outras entidades. Sibert . como a união entre o Egito e a Síria e a da Síria com a Líbia. G. como Ucrânia. com o surgimento da República Checa e da Eslováquia. Erich. 509. dando lugar ao nascimento das Repúblicas de Nova Granada (hoje Colômbia). 20. Pastor Ridruejo. Por sua vez. 17 I . com sede em Moscou. 18 nov. Depois da segunda guerra mundial. houve ainda algumas tentativas de fusão. da Hungria e da Tcheco-Eslováquia. contemporary Asian studies. Revista Jurídica y Social (da Facul dade de Direito da Universidade del Litoral . 309. La naissance et la recog nition des États. a Iugoslávia. inclusive a do Estado-núcleo. O exemplo clássico de Estado por fusão é o da Itália. uggenheim . Beviláqua .l. surgindo daí a Federação Russa. p. H. 1993. do Nascimento e Silva. Rousseau . e. 15. 1992. The creation nf States in international law. 5. Quoc Dinh. Mas. O desmembramento da Primeira Parte 79 Tcheco-Eslováquia realizou-se pacificamente. Geórgia e Bielo-Rússia. 1 83. Bósnia e Macedônia. ed. Os novos-anti gos países da Europa Oriental. The relatinn. p. p. conforme ocorreu com a URSS e a Iugoslávia. As duas situações têm muito em comum. p. 99. p. cita-se o caso da Grã-Colômbia. Díez . Parma e Toscana e o Reino de Nápoles foram incorporados ao Piemonte. p. Um exemplo bem-sucedido. 68-69. in Occasional pap ers. W. p. em 1860. os ducados de Modena. mas é importante .Santa Fé. 427. 1951.1. todas elas de curta duração. Frederick Hartmann. isto é. States. Hungdah Chiu. A URSS foi desmembrada. quer ao outro. in RCADI.1.a fusão . mas raramente lembrado.exercida internacionalmente.

Assim como toda ordem jurídica determina quais os seus sujeitos. para os defensores da tese atributiva o reconhecimento do ponto de vista do DI é um ato bilateral pelo qual aos Estados é atribuída por consenso mútuo personalidade internacional. independente de qualquer outro Estado existente e capaz de observar as prescrições do Direito Internacional". Se. a seu ver "um organismo que reúne todos os elementos constitutivos de um Estado tem o direito de ser assim considerado e não deixa de possuir a qualidade de Estado pelo fato de não ser reconhecido". a Espanha só reconheceu o México em 1836. A natureza do reconhecimento de Estado é um dos temas sobre os quais a doutrina não chega a uma conclusão: para a maioria. Seção 1 Reconhecimento de Estado Reunidos os elementos que constituem um Estado. a partir daquela data todos os demais países Primeira Parte 81 estavam livres para fazê-lo. com conseqüências jurídicas. 82 Manual de Direito Internacional Público D. onde as condições do reconhecimento. mas existe uma importante corrente que defende a tese contrária. Anzilotti expõe magistralmente a razão pela qual a personalidade internacional de um Estado surge concomitantemente com o seu reconhecimento. distingue o nascimento histórico do nascimento da pessoa internacional. na qual pende pela tese do efeito declarativo ao declarar que "é o ato livre pelo qual um ou mais Estados reconhecem a existência. de uma sociedade humana politicamente organizada. Trata-se de um ato jurídico. ou seja.salientar que se trata de situações bem distintas. em um território determinado. objeto de prolongadas e difíceis negociações que envolviam as antigas metrópoles e os novos Estados. inclusive as de natureza financeira. através do Tratado de Paz e Aliança. o ato tem efeito declarativo. se em tese tal obrigação deveria existir. O exemplo do Brasil é típico: proclamada a sua independência em 7 de setembro áe 1822. o que implicará a aplicação à mesma. desde que ser sujeito jurídico significa ser destinatário de normas jurídicas. o reconhecimento é um ato unilateral pelo qual um Estado admite a existência de outro. o problema do reconhecimento das antigas colônias européias nas Américas representou um ato político-jurídico sumamente importante e foi. em 1936. o reconhecimento tem efeito declarativo. No caso das antigas colônias espanholas. E acrescenta que por isso mesmo "produz efeitos retroativos. a Corte de Madrid não só se recusou a reconhecer a sua. mas na prática constatamse considerações políticas que pesam sobretudo no ato de reconhecimento. apenas os Estados Unidos e a Argentina haviam reconhecido o Brasil. Reconhecimento significa a decisão do governo de um Estado existente de aceitar outra entidade como um Estado. mas considerou qualquer iniciativa em tal sentido corno ato inamistoso. das normas de direito internacional. verifica-se que a prática dos Estados é no sentido contrário. para os defensores da doutrina do efeito declarativo. ocorreu o mesmo. e. E. Tem-se discutido sobre se existe o dever dos antigos Estados de outorgar o reconhecimento a uma entidade que reúne os citados elementos constitutivos de um Estado. Para Hildebrando Accioly. estabelece igualmente o momento em que começam a existir. o governo da nova entidade buscará o seu reconhecimento pelos demais membros da comunidade internacional. Com anterioridade. a personalidade existe quando uma entidade se tor- . ou seja. que o efeito é atributivo. Em outras palavras. só obteve o seu reconhecimento pelo Rei de Portugal em 29 de agosto de 1825. O Institut de Droit International adotou resolução em Bruxelas. se achavam enumeradas. que remontam à data da formação definitiva do Estado". na maioria dos casos. No passado.

como se trata de ato unilateral. se mostre impotente para dominar a revolta e aquela se apresente perfeitamente organizada como Estado. e que um Estado podia ser admitido mesmo com o voto em sentido contrário de um membro. aliás. num decreto. da condição ou condições estabelecidas deve determinar a suspensão ou anulação do reconhecimento. os sujeitos da ordem jurídica internacional começam portanto a existir no momento em que se verifica um primeiro acordo: precisamente neste instante as entidades entre as quais se verificou tornam-se uma em relação à outra destinatárias das normas resultantes do referido acordo e. contudo. sujeitos da ordem jurídica de que estas normas fazem parte. numa nota. conforme emane de um só Estado ou. ele poderá ser reconhecido logo que apresente todas as características de um Estado perfeitamente organizado e demonstre. As normas jurídicas internacionais se constituem por meio de acordos. o reconhecimento será prematuro enquanto não cessar a luta entre a coletividade sublevada e a mãe-pátria. que a organização genebrina admitia como seus membros não só os Estados mas também os Domínios britânicos e até colônias. No segundo caso. portanto. o reconhecimento pode também ser de jure. argumentou-se que a admissão na organização implicava o reconhecimento tácito do novo Estado pelos demais membros da Liga. ao mesmo tempo. sendo definitivo e completo o primeiro. Primeira Parte 83 Se um Estado cessa de existir ou perde definitivamente qualquer dos elementos essenciais cuja reunião determina o ato de reconhecimento. por atos. O reconhecimento feito sem condições pode ser considerado como irrevogável. A inexecução ou desrespeito. por exemplo.na destinatária de normas. Citamse. entre outros argumentos. do início de relações diplomáticas ou o da celebração de um tratado com esse Estado. este se torna caduco. Na vigência da Liga das Nações. No primeiro caso. . a menos que esta. Erich. por parte do novo Estado. sua vontade e sua capacidade de òbservar os preceitos do direito internacional. Segundo muitos internacionalistas e de acordo com uma resolução do Instituto de Direito Internacional. 2°) desde que a mãe-pátria tenha reconhecido o novo Estado. O reconhecimento é feito. diversos casos de reconhecimento condicional. e provisório ou limitado a certas relações jurídicas o segundo. de vários Estados. sem condições. resulta implicitamente de algum ato que torne aparente o tratamento de novo Estado como membro da comunidade internacional: é o caso. faz objeto de alguma declaração explícita. declarava ser errônea a pretensão de que a simples admissão acarretasse seu reconhecimento como Estado. R. ou de facto. lembrando. 3°) se se trata de Estado surgido por outra forma. entretanto. num tratado. pode ser subordinado a condições. mas deve sempre indicar claramente a intenção do Estado que o pratica. Parece. O reconhecimento pode igualmente ser individual ou coletivo. após luta prolongada. este poderá ser logo reconhecido pelos demais membros da comunidade internacional. O estudo do reconhecimento internacional de Estado tem sofrido certa evolução diante da processualística seguida na admissão de novos membros nas Nações Unidas. em geral. Não há regras precisas e absolutas sobre o momento oportuno para o reconhecimento. que a este respeito se podem admitir os três princípios seguintes: 1º) se se trata de Estado surgido de um movimento de sublevação. O reconhecimento de novos Estados pode ser expresso ou tácito. mas.

As repúblicas americanas também aceitaram a referida doutrina. sem que isto signifique a obrigatoriedade da manutenção de relações diplomáticas. um Estado criado em violação do direito internacional não deve ser reconhecido. de 26 de dezembro de 1933. A questão podia ser discutida no passado. estipulava expressamente que um Estado podia ser admitido pela maioria de dois terços dos membros da Assembléia. a doutrina e a prática indicam que. iniciado no ano anterior. pois a seu ver a admissão na Liga das Nações acarretava direitos e obrigações que só uma pessoa internacional podia possuir. Henry Simpson. que fora aceito por todos os Estados. a 11 de março de 1932.Accioly. Unidas. Sobre Direitos e Deveres dos Estados. justamente a propósito do conflito sino-japonês. não há voto em contra. não endossava esta tese. e quando. Tal ato. significa que passará o beligerante a desfrutar das regras de direito internacional aplicáveís nos casos de neutralidade. o Pacto. Antes de mais nada. bem como em tal sentido alguns pronunciamentos feitos no decorrer da primeira guerra mundial. por meio da força de armas. se declararam obrigadas a não reconhecer aquisições territoriais realizadas pela força. do mesmo modo que ela não cria a obrigação individual para eles de reconhecerem o seu governo ou a de manter relações diplomáticas com ele. dezenove de entre elas. onde. obtida por ocupação ou conquista. estes mesmos argumentos se aplicam às Nações. a admissão depende em primeiro lugar do voto positivo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. tratado ou acordo algum. ao aprovar unanimemente uma resolução em que declarou que "os membros da Liga das Nações são obrigados a não reconhecer situação alguma. mas atualmente o que se verifica é que ocorre um reconhecimento coletivo e mútuo. principalmente em face do sistema das Nações Unidas. 84 Manual de Direito Internacional Público Outro conceituado autor. Para Accioly. Esta doutrina do não-reconhecimento surgiu a propósito da criação do Estado da Mandchúria pelo Japão à custa da China. A doutrina foi proclamada em janeiro de 1932 pelo então Secretário de Estado norte-americano. as decisões são tomadas por consenso. Primeira Parte 85 Seção 2 Reconhecimento de beligerância e de insurgência O DI admite alguns atos que podem proceder ao reconhecimento de um Estado como tal. dentre eles. Conforme foi dito no início. e pelo artigo 11 da Convenção de Montevidéu. cita-se o reconhecimento como nação. mas o fato é que nas negociações de paz certas coletividades foram devidamente contempladas e deixaram de pertencer à antiga . adota a posição contrária ao escrever que a admissão nas Nações Unidas não implica reconhecimento individual pelos Estados-membros. contudo. Charles de Visscher. em nota de 3 de agosto de 1932. de per si. em tal sentido recorre aos ensinamentos de Hans Kelsen. quando. de 10 de outubro de 1933. figura em primeiro lugar o reconhecimento como beligerante. isto é. . dirigindo-se à Bolívia e ao Paraguai. A mesma doutrina foi consagrada pela Assembléia da Liga das Nações. anunciaram que não reconheceriam solução territorial alguma do litígio paraguaio-boliviano. ao contrário. embora não seja suficiente. a questão perdeu importância. e. Mais ainda. para então ser levada à Assembléia Geral. Se dúvidas podem existir quanto à obrigação de reconhecer novos Estados. que possa resultar de meios contrários ao Pacto da Liga das Nações ou ao Pacto de Paris". de acordo com a atual praxe. Os autores têm salientado que tal reconhecimento não tem alcance jurídico. pelo artigo 1Q do Tratado Antibélico do Rio de janeiro. para a finalidade do reconhecimento. Dentre os atos mencionados como preliminares àquela finalidade.

não se trata obviamente de um ato que precede o reconhecimento. O seu reconhecimento não confere propriamente direitos especiais aos insurretos. mas. sem. constitui um governo responsável. por declaração expressa ou. Assim: 1º) eles não poderão ser tratados como piratas ou bandidos pelos governos que os reconheçam. se exonera de qualquer responsabilidade pelos seus atos ou pelos danos e prejuízos sofridos por potências estrangeiras ou seus nacionais em conseqüência da incapacidade do Estado de preencher suas obrigações internacionais sobre a parte ou partes do território que. O reconhecimento da beligerância não deve ser prematuro. Para isto. os interesses do governo que deseje efetuar tal reconhecimento devem ter sido atingidos pela luta ou. O principal dos efeitos do reconhecimento da beligerância é conferir de fato ao grupo insurreto os direitos e deveres de um Estado. a responsabilidade da mãe-pátria (ou do governo legal). deverá tratar como prisioneiros de guerra os que caírem em seu poder. A esse estado de fato. se é a própria mãe-pátria quem a reconhece. que. quando 0 objetivo é apenas o de modificar de modo violento a forma de governo existente. . de tal sorte que o grupo sublevado se mostra suficientemente forte para possuir e exercer de fato poderes análogos aos do governo do Estado. por assim dizer. por atos inequívocos (tal como. Mas é forçoso reconhecer que em todos os casos a motivação era política e visava ao enfraquecimento dos Impérios Germânico e Austro-Húngaro. se os reconhece. na ocasião. a declaração do bloqueio de um porto ocupado pelos sublevados). No caso de uma revolução. considera-se que o mesmo reconhecimento. ao mesmo tempo. dá-se a denominação de insurgência. mas as regras aplicadas em ambos os casos são idênticas. contudo. como rebeldes. não podendo ser classificada como estado de beligerância. mantém a sua autoridade sobre uma parte definida do território do Estado possui uma força armada regularmente organizada. Mas. não deve ser qualificada como situação de pura violência ou de banditismo. e se mostra disposto a respeitar os direitos e os deveres de neutralidade os governos estrangeiros poderão por as duas partes em luta no mesmo pé de igualdade jurídica 86 Manual de Direito Internacional Público reconhecendo-lhes a qualidade de beligerantes. com fins puramente políticos. esta não poderá mais tratálos. mas produz certos efeitos. submetida à disciplina militar. no tocante à guerra. 2º) a mãepátria (ou o governo legal). o reconhecimento da beligerância toma a forma de uma declaração de neutralidade. se lhe poder reconhecer o caráter jurídico desta.mãe-pátria. considera-se que existe uma situação de fato. Quando uma insurreição. não se achem sob a sua autoridade. por exemplo. por parte de governos estrangeiros. Se os insurretos são reconhecidos como beligerantes pela mãe-pátria (ou pelo governo legal). deixa de ter o caráter de simples motim e assume proporções de guerra civil. até o fim das hostilidades. 3º) nesta mesma hipóPrimeira Parte 87 tese. Se a luta assume vastas proporções. que poderá ser reconhecido por governos estrangeiros. os atos dos insurretos não comprometerão. Em geral. não será intempestivo. implicitamente. necessariamente. pelo menos. o desenvolvimento do contlito deve ser tal que os demais Estados não possam. O reconhecimento como beligerante ocorre quando parte da população se subleva para criar novo Estado ou então para modificar a forma de governo existente e quando os demais Estados resolvem tratar ambas as partes como beligerantes num conflito aplicando as regras de direito internacional a respeito. ficar alheios ao mesmo.

claramente manifestada. Da mesma forma. Admite-se. se acha no poder. pode ser . contudo. adotado certas normas que inspiram a respectiva política.Em qualquer caso. nem o de bloqueio. nas águas territoriais do seu próprio país. por outro lado. mas quando a modificação ocorre em violação da Constituição. finalmente. O segundo deve resultar de fatos positivos que importem na admissão da existência de novo governo e de que este exerce autoridade sobre o respectivo Estado e o representa internacionalmente. isto não altera o reconhecimento do Estado: só o novo governo terá necessidade de novo reconhecimento. os governos resultantes de tais golpes de Estado precisam ser reconhecidos pelos demais Estados. desde os primórdios da sua independência. têm procurado submeter o ato a princípios precisos. de fato. que. A doutrina brasileira sobre o assunto muito se aproxima da dos Estados Unidos. no momento.e é geralmente . Alguns países têm. antes de obedecer. a normas constitucionais. O primeiro é feito. leva em . Assim. o de governos pode ser de jure. se os mesmos já possuíam exequatur. nessa matéria. por exemplo. antes de se tornar de jure. no território do respectivo Estado. ou de facto. Se a forma de governo muda. acrescentaram a esse princípio o da intenção e capacidade do novo governo de preencher as obrigações internacionais do Estado. É assim que o Brasil adota. por meio de nota diplomática. Mais tarde. geralmente. Mas o de um Estado como que comporta. mas não solicita o exequatur. entretanto. como no caso de uma guerra civil. continuem a exercer funções cônsules de um governo de fato. o reconhecimento de governos de fato ou de qualquer novo governo obedece exclusivamente a conveniências políticas. automaticamente. Diversas doutrinas. isto é. O reconhecimento do novo governo não importa no reconhecimento de sua legitimidade.de facto. não se deve concluir a existência de reconhecimento se um governo permite que. Do mesmo modo que o reconhecimento de Estado. O próprio governo. o reconhecimento poderá também ser expresso ou tácito. quando definitivo e completo. Seção 3 Reconhecimento de governo As modificações constitucionais da organização política de um Estado são da alçada do direito interno. como a União americana. anterior à nomeação. A simples circunstância de um governo deixar que os seus próprios cônsules continuem a desempenhar as suas funções em território sob a autoridade de um governo de fato não implica o reconhe88 Manual de Direito Internacional Público cimento deste último. sustentaram que se devia reconhecer como legítimo todo governo oriundo da vontade nacional. na sua formação e no exercício da sua autoridade. Em relação aos novos governos. o poder de dirigir o Estado e o de o representar internacionalmente. Em geral. o princípio das situações de fato. mas significa apenas que este possui. Mas. o do governo que. ainda se poderá dizer quando um governo se limita a nomear alguém para exercer funções consulares em território submetido a um governo de fato. resultante de uma transformação da estrutura interna do Estado ou de um golpe de Estado. O reconhecimento de governos não deve ser confundido com o de Estados. os Estados Unidos da América. aos insurretos não será lícito exercer os direitos de visita e busca. na sua aplicação. nem o de captura de contrabando de guerra. O mesmo. quando provisório ou limitado a certas relações jurídicas. exerçam o direito de se opor à entrega de fornecimento de guerra à parte adversa.

v. um governo não deve subordinar a manutenção ou retirada dos seus agentes diplomáticos junto a outro governo à preocupação de o reconhecer ou não. Visscher. O DIP ainda não apresentou um conceito objetivo a respeito da extinção de Estado. Em setembro de 1930. Efeito do reconhecimento internacional dos Estados. nem é atitude de crítica em relação aos negócios internos de outro Estado.1. 160. 154. Lauterpac ht. La reconnaissance de 1'État comme sujet de droit inter national. 1. 1. do Nascimento e Silva. p. da Iugoslávia e da TchecoEslováquia vieram chamar a atenção mais uma vez para o complexo problema da extinção dos Estados e a conseqüente sucessão. R. em 1922. 1926. em semelhante circunstância. Boletim. p. 2. tacitamente. 427. D. Depois da segunda guerra mundial.1. o Secretário de Estado das Relações Exteriores do México.Essa doutrina peca pela base. 37. Cours de droit international public. p. não reconhecer o governo soviético russo. 103. em reconhecer ou não reconhecer. A doutrina Tobar. o reconhecimento das dívidas. p. . Anzilotti. E. Révue de Droit lnternational. v. 1. 1947. Précis de droit des gens. in RCADI. constitucionalmente. Oppenheim . Sr. H. o novo governo. 1945. 2º) a estabilidade desse governo.conta as seguintes circunstâncias: 1º) a existência real de um governo aceito e obedecido pelo povo. Recognition in international law. v. pretende que se não deve reconhecer governo algum oriundo de golpe de Estado ou de revolução. 3º) a aceitação. Por outro lado. então. 15. Robert Redslob. p. 450. 191. Paris. por este. o problema também fora motivo de preocupação. resultou a doutrina de que um governo. Podestà Costa 1 . o compromisso da abstenção de toda propaganda subversiva contra outros países. que fere a soberania da nação interessada e importa em atitude de crítica. G. 1 3. ------------------------------------------------------------------------------- Começou no dia 01-09-2000 Capítulo 5 EXTINÇÁO DE ESTADO Os desmembramentos da URSS. Díez . La naissance et la recognition de États. da responsabilidade pelas obrigações internacionais do respectivo Estado. De uma conferência reunida em Cannes.l. p. 199. enquanto o povo Primeira Parte 89 do respectivo país. as potências ali reunidas resolveram. v. Georges Scelle. proclamou a doutrina de que o reconhecimento de governos constitui prática afrontosa. Bibliografia: Accioly . p. p. 1 934. International law: achievements and prospects. A anexação da Estônia. deveria aceitar os seguintes princípios: a proteção da propriedade individual. importa. 286. p. É apenas uma conseqüência do direito que tem todo governo de manter ou deixar de manter relações com outro governo. por meio de representantes livremente eleitos. Oxford. Whiteman. p. a garantia da execução dos contratos. Letônia e Lituânia pela . Erich. porque o reconhecimento nada tem que possa ferir a soberania do governo a que se aplique. manter ou retirar uma missão diplomática. Genaro Estrada. 13. 1932. não o tenha reorganizado. Bengt Broms. para ser reconhecido. afinal de contas. p. Russomano. elaborada por um antigo ministro das Relações Exteriores do Equador. 47 (coletânea). Fundadas nessa doutrina. 61. v. Por isso. p. sem que a doutrina tenha conseguido evoluir na matéria. t.

não reconheceram a anexação e continuaram a manter. Do ensinamento da doutrina de que o Estado nasce mediante a reunião de três ou quatro elementos constitutivos decorre a conseqüência lógica de que o desaparecimento de qualquer um desses elementos implicará a extinção do Estado. em face dos termos peremptórios da Carta das Nações Unidas. a Prússia e a Rússia. Em primeiro lugar. conforme ocorreu com a Abissínia e a Argélia. No caso da Tunísia e do Marrocos. os quais. O exemplo já citado do nascimento da Tanzânia em 1964 teve como conseqüência a extinção de Tanganica e de Zanzibar. Indagação semelhante pode ser feita com relação à ocupação da Áustria pela Alemanha hitlerista em 15 de março de 1938. embora os exemplos nem sempre sejam satisfatórios. e a Polônia. Os exemplos recentes da URSS e da Iugoslávia se enquadram neste caso. O surgimento da Itália em 1860 é citado como exemplo clássico de fusão. mas atualmente cientistas têm alertado que em decorrência do efeito estufa poderá ocorrer o degelo das calotas polares com o conseqüente aumento nos níveis dos oceanos e desaparecimento de alguns microestados do Pacífico e do Caribe.URSS parecia um fato consumado. em decorrência da primeira guerra mundial. A pergunta que surge é a de saber se a Áustria de 1938 é a mesma de hoje. argumentava-se que a personalidade desses Estados perdurou. relações diplomáticas com aqueles países bálticos. ao se tornarem protetorados da França. ou seja. Seja como for. durante alguns anos. mas. só que numa primeira fase ocorreu a anexação pelo Piemonte do Reino de Nápoles e dos ducados de Modena. podem-se enumerar os modos de extinção de Estado. a Áustria poderia justificadamente esperar que a ocupação chegaria a seu fim. Terminada a guerra. passados mais de cinqüenta anos. o território é repartido entre dois ou mais Estados. o Piemonte. surgiram três novos Estados: a Áustria. teórica e juridicamente. cujo território foi repartido em 1795 entre a Áustria. Tem havido casos em que o território de um Estado não é anexado por um só Estado. também desapareceu a favor do novo Reino de Itália. impossível. ou se ocorreu naquela ocasião a extinção do Estado. a Venezuela e o Equador). como num êxodo total. visto que as potências aliadas declararam em 1943 a intenção de restaurar a sua independência. ou do território eram exemplos pouco Primeira Parte 91 viáveis. inclusive o Brasil. O nascimento de Estado por fusão pode resultar da união de dois Estados soberanos. Atualmente. com a conseqüente perda da personalidade internacional dos mesmos em favor da nova entidade. os antigos Estados desapareceram. com o seu desmembramento. a anexação e posterior transformação de um país em colônia é. que. vários países. só iria ocorrer em 15 de maio de 1955. pode-se perguntar se efetivamente ocorrera a extinção dos mesmos. sendo que posteriormente a própria identidade do Estado-núcleo. Convém notar que. O desaparecimento de toda a população. sendo que alguns territórios foram ainda entregues a outros países como a Iugoslávia e a Polônia. para dar lugar a alguns novos sujeitos de direito internacional. a Hungria e a Tcheco-Eslováquia. que foi dividida em três países (a Colômbia de hoje. Com o desmembramento do Império Austro-Húngaro. temos a absorção completa de um Estado por outro. conforme ocorreu com a GrãColômbia em 1830. . passaram a ser semisoberanos. com a conseqüente transformação do Estado em simples colônia. houve os exemplos de ocupação. mesmo depois de concretizada a anexação. No passado. 92 Manual de Direito Internacional Público Parma e Toscana. contudo. e os exemplos acima mencionados dos países bálticos e da Áustria são ilustrativos.

Posteriormente. 39. que tem sido criticada. contudo. de direitos e obrigações ligados à extinção do Estado. L. A tendência mais aceita é a de rejeitar a noção de sucessão. Ro usseau . e o Prof. tese. Geneva. para a sucessão em matéria de bens. 1944. v. 1954. onde novamente o princípio da autodeterminação. Whiteman. que buscava no direito romano as soluções. pois admite exceções. 49. v. mas para a qual não foi encontrada outra mais satisfatória. Esses ensinamentos chegaram ao século XX.l. p. AJII. 38. Embora os problemas vinculados à sucessão de Estados sejam sumamente complexos. embora na prática ocorreu em muitos casos uma simples imposição dos vencedores. Austro-Húngaro e Otomano. Foram indicados dois relatores: Sir Humphrey Waldock. Hans Kelsen. tanto que Grocius dele já se ocupava em 1625. The internatio nal legal status of Germany. 1955. A segunda guerra mundial também teve profundas conseqüências não só no panorama europeu. p. para utilizar a expressão inglesa. 2. isto é. SaintGermain. Com o término da primeira guerra mundial e o fim dos Impérios Alemão. ?49. ou seja. Na prática. AJIL. por analogia com as regras de direito civil. as modificações decorreram da teoria da autodeterminação. p. Kunz. mas não como assunto 94 Manual de Direito Internacional Público prioritário. J. p. bem como a utilização da expressão sucessão de Estados. Neuilly e Trianon criaram uma série de novos Estados na Europa. 754. p. de que. Em tese. como as antigas colônias e os territórios sob tutela. como nos tratados de fronteiras e no .Bibliografia: Accioly . Para uma segunda corrente. 689. ou. passou a ser invocado visando à independência da quase-totalidade dos territórios dependentes. 518. Ident ip and continuity of States in public internatiorial law. não deve ser encarada de maneira absoluta. os seus ensinamentos chegaram ao século XX e serviram de fundamento de algumas decisões judiciárias.3. no direito civil. 330. recorrendo-se ao direito público. os Tratados de Versalhes. O problema não é novo. Mohammed Bedjaoui. a começar com as idéias de Grocius. p. 69-73. a substituição de um (o Estado predecessor) por outro (o Estado sucessor) na responsabilidade pelas relações internacionais de determinado território. Capítulo 6 SUCESSÃO DE ESTADOS A sucessão de Estados significa. a utilização de regras de direito privado deve ser evitada.1. v. A questão da sucessão de Estados foi incluída na primeira agenda da Comissão de Direito Internacional (CDI). bem como modificaram inúmeras fronteiras. nos termos das Convenções de Viena de 1978 e 1983. Díez . Dada a sua influência sobre os tratadistas posteriores. houve tentativas de formular regras genéricas capazes de solucionar as questões supervenientes.. AJIL. um clean slate. os resultados são bastante semelhantes. para a sucessão em matéria de tratados. a questão é de soberania sobre o território: os direitos do Estado sucessor decorrem do direito internacional. 191. Essa regra. segundo o qual com a extinção do Estado ocorre uma tabula rasa. p. Identity of States in international law. com a morte de uma pessoa a aceitação da herança implique também a dos ônus. Krystyna Marek. The international legal status of Germany. mais precisamente. a CDI foi convidada pela Assembléia Geral a iniciar o estudo em profundidade do problema. tal como enunciada pelo Presidente Woodrow Wilson em seus 14 pontos. tal corno consagrado na Carta das Nações Unidas. v. arquivos e dívidas. mas principalmente na África e no Pacífico. 1945. delineando regras baseadas no direito romano ou.

e a de 1978. previam que as suas regras só se aplicariam às situações criadas depois de sua entrada em vigor. h) surgimento de um Estado de independência recente (newlv independent State). esta não foi assinada por nenhuma das delegações presentes. As duas Convenções de Viena adotam essa orientação. Na apreciação das Convenções de Viena é importante salientar que houve uma relativa aceitação das regras incorporadas na Convenção de 1978. bens. que havia sido o último relator do projeto que resultou na Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969. opinava que. tanto que ao término da Conferência de 1983. em direito internacional. tampouco as obrigações e os direitos estabelecidos em tratado relativo ao regime vigente na zona fronteiriça. P. em seu artigo 13. a CDI indicou como relator Sir Humphrey Waldock. de que os territórios que poderiam eventualmente tornar-se independentes eram poucos e que as Convenções. como no caso de as relações entre os dois Estados não serem amistosas. bem como as conseqüências do surgimento de novo Estado e a sua situação em face das organizações internacionais. foi necessária nova reunião. c) união de Estados. ou seja. Guggenheim. É bem verdade que. Aliás. busca-se analisar separadamente as várias hipóteses de sucessão. Seja como for. ao passo que as da Convenção de 1983 foram praticamente rejeitadas pela comunhão internacional. em muitos casos existia um argumento forte contra a ênfase dada a eles. com a conseqüente formação de novo Estado. dívidas. simplificou a matéria. Decidido que se deveria dar prioridade à questão da sucessão de Estados. é categórica: uma sucessão de Estado não afeta as fronteiras estabelecidas por tratado. sua continuação em vigor dependerá do Estado vizinho. a começar com a sucessão em matéria de tratados. e) dissolução do Estado. calculava-se que a Convenção seria assinada no mesmo ano. ou seja. sem que isso afete a personalidade dos dois Estados. mas. por exemplo. considerado um dos melhores . A circunstância de existirem duas convenções capazes de mostrar as soluções a respeito. em virtude dos impasses verificados em relação a diversos artigos. arquivos. sobre sucessão em matéria de tratados. principalmente porque se ocupam dos tratados multilaterais. no caso dos chamados tratados sobre direitos reais. a respeito dos quais a doutrina anterior à segunda guerra mundial era pouco satisfatória. legislação e nacionalidade. 96 Manual de Direito Internacional Público Seção 1 Sucessão em matéria de tratados A Convenção de Viena sobre Sucessão de Estados em Matéria de Tratados foi assinada em 23 de agosto de 1978. Na prática. Convocada a Conferência em 1977. examinando cinco hipóteses: a) transferência de parte do Estado.reconhecimento dos direitos adquiridos e da eqüidade (equity). tal como as assinadas em Viena depois de 1969. ou seja. mormente no caso de existir acordo anterior. Os tratados relativos às fronteiras não sofrem modificação. Em ambas as Convenções houve muita relutância em admitir a existência de direitos específicos para os newlv independent States. d) separação de parte ou de partes de um Primeira Parte 95 Estado. sobre o direito dos tratados. o problema da sucessão verifica-se sobretudo no campo do direito convencional. A Convenção de 1978. ambos continuam a existir. tendo em vista os problemas planteados. como a sucessão em matéria de tratados. efetuada no ano seguinte. que poderá objetar a que um tratado sobre navegação ou servidão continue a vigorar. a de 1969. cumpre analisar dentro das cinco hipóteses mencionadas as regras mais generalizadas.

Seção 2 A Convenção sobre sucessão de Estados em matéria de bens. que haviam adquirido a sua independência recentemente. que os novos Estados não podem estar ligados aos tratados celebrados pelo Estado de que faziam parte. ou que poderá modificar radicalmente as condições para a sua implementação. a matéria é regulada pelos Estados que se fundem. a não ser que as partes decidam de outra maneira. é natural que o novo Estado estabeleça a sua própria legislação. estabelece que uma sucessão de Estados não afeta as fronteiras estabelecidas por tratado nem as obrigações e os direitos determinados por um tratado relativos ao regime de fronteiras. não ocorre extinção de uma delas. é a única tida pela doutrina como quase inaceitável. Não obstante as ressalvas feitas por inúmeras delegações. A razão da não-aceitação da Convenção de 1983 reside principalmente na preocupação dos países afro-asiáticos de forçar a adoção de regras destinadas a favorecer os países. O artigo 11 da Convenção contém dispositivo que se aplica a todos os casos. os habitantes do Estado anexado devem adquirir a do anexador. com exceção dos tratados. Primeira Parte 97 Em caso de separação ou desmembramento. ao contrário do que ocorreu com a Convenção de 1983. a nacionalidade e a legislação. Na fusão de Estado. o artigo 15 prevê que os tratados do Estado predecessor deixam de vigorar. que nenhum país assinou a Convenção. representam. tal como previsto no artigo 62 da Convenção sobre o Direito de Tratados de 1969. Aplica-se o princípio da mobilidade das fronteiras dos tratados. a legislação do Estado anexante passa a vigorar: em caso de fusão. durante um período de transição. Assim. em princípio. arquivos e dívidas. podendo. a contribuição mais importante no tocante aos três tópicos que até então só haviam sido abordados de maneira sumária. Ocorrendo separação de parte ou de partes do território para a formação de novo Estado (fenômeno que não ocorre no caso anterior). em decorrência dos privilégios dados aos Estados de formação recente. isto é. Tratado em vigor relativo a todo o território do Estado precedente continua em vigor. arquivos e dívidas A Convenção de Viena sobre sucessão de Estados em matéria de bens. os tratados multilaterais em vigor devem continuar a ser respeitados: os tratados bilaterais devem ser renegociados. a qual só iria merecer uma ratificação posteriormente. visto que ocorre mudança fundamental de circunstâncias. tanto assim que a Convenção teve relativa aceitação. ou seja. Em caso de anexação total ou parcial. 98 Manual de Direito Internacional Público Na hipótese de anexação total. viver com a do Estado predecessor. admite-se. Mohammed Bedjaoui da Argélia. No caso de sucessão em relação à transferência de porção do território. nem os poderão invocar em seu favor. contudo. embora baseada em projeto da CDI. não foram abordadas certas questões como as relações com organizações internacionais. mas posteriormente julgou-se preferível limitá-los aos três. embora exceções em contrário possam . Numa fase inicial.documentos em matéria de codificação do DIP. geralmente antigas colônias. Já por ocasião da Conferência de 1983 constatou-se. os tratados políticos desaparecem. A Convenção e sobretudo os trabalhos do Relator. ao serem encerrados os trabalhos. em que ambas as partes são sujeitos do DI. assinada na Capital austríaca em 8 de abril de 1983. ocorrendo separação ou desmembramento. salvo se ficar demonstrado que a aplicação do tratado àquele território seria incompatível com o seu objetivo e finalidades. a CDI havia decidido que o tópico a ser abordado deveria tratar de todos os relacionados com a sucessão. as normas nela adotadas são de um modo geral aceitáveis.

e eram por ele conservados direta ou indiretamente. A Convenção de 1983 estipula que. a transferência de arquivos dependerá de acordo. A sucessão em matéria de arquivos.seja qual for a sua data ou espécie. no caso da anexação parcial. No caso de transferência de parte ou de partes do território de um Estado. é um assunto importante que não tem merecido o devido estudo.ser apontadas. surge novo Estado e nova nacionalidade aplicada a todos os habitantes. No caso de união de Estados para a formação de um novo Estado. os bens do domínio público eram transferidos automaticamente e sem pagamento ao sucessor. outra solução. A Convenção ainda prevê a possibilidade de uma troca de informações. como. a não ser que os Estados resultantes do desmembramento decidam de outra maneira. em princípio. por exemplo. Ainda no concernente às fronteiras. ou seja. bem como os móveis vinculados às atividades do Estado predecessor no referido território. os bens imóveis e móveis situados no exterior passarão aos Estados sucessores em proporções eqüitativas. Na enumeração dos Estados de independência recente podemos incluir os que na realidade readquiriram a sua independência. Primeira Parte 99 No caso de transferência de parte do território sem que tenha ocorrido a formação de novo Estado. mediante acordo. o caso dos países bálticos. as partes dos arquivos que se deveriam encontrar no território do Estado sucessor para fins administrativos e os arquivos que dizem respeito ao território passarão ao Estado sucessor. os bens dos antigos Estados passarão à nova unidade. a nacionalidade do Estado anexador deve estender-se aos habitantes da parte anexada. dos artigos 19 a 31. Quando dois ou mais Estados se unem para formar um novo Estado. mas os arquivos relativos à administração normal ou ao território. apesar da possibilidade de poderem eles optar pela nacionalidade que possuíam. A Convenção modificou essa regra: a passagem será realizada sem compensação. haverá apenas uma nacionalidade. os bens de natureza privada só eram transferidos mediante pagamento. O artigo 9 estipula que as passagens desses bens acarretam a extinção dos direitos do Estado predecessor e o nascimento dos direitos do sucessor. lhe pertenciam. a não ser que as partes adotem. os bens imóveis passarão aos Estados sucessores em cujo território se encontrem. os arquivos dos Estados predecessores passarão ao Estado resultante da fusão. Quando um Estado se desmembra e deixa de existir. os imóveis passarão ao sucessor. de arquivos ou de reproduções tendentes a garantir a memória nacional. Tradicionalmente. de acordo com a sua legislação interna. e partes de seu território passam a formar novo ou novos Estados. a expressão arquivos estatais do Estado predecessor significa todos os documentos . Neste caso. bem como que o caráter integral dos arquivos deve ser respeitado. a transferência de arquivos deve efetuar-se sem o pagamento de compensação.que. devem passar ao Estado sucessor. os tratados de fronteira que lhes dizem respeito. principalmente da parte dos países de formação recente. salvo acordo entre as partes ou decisão de órgão internacional. na data da sucessão do Estado. como que existe um direito a reaver os antigos arquivos e. o Estado predecessor deve fornecer ao Estado sucessor os documentos tendentes a comprovar os seus direitos sobre elas. Ocorrendo dissolução. como ocorreu recentemente com a URSS. a do novo Estado. em caso de separação ou desmembramento. conseqüentemente. . como em matéria de fronteiras. produzidos ou recebidos pelo Estado predecessor no exercício de suas funções . na fusão. Nos termos do artigo 20. A sucessão em matéria de bens do Estado é regulada pelos artigos 7 a 18 da Convenção.

a naturalização coletiva dos habitantes do território anexado. 100 Manual de Direito Internacional Público Iniciado o estudo da matéria. Na dissolução de Estado. contudo. complexos em direito internacional. ali domiciliados ou residentes. que acabou sendo acolhido. a mesma regra se aplica: os Estados sucessores arcarão com uma parte da dívida. "qualquer obrigação financeira de um Estado predecessor surgido de conformidade com o direito internacional para com outro Estado. Tratava-se de princípio que havia sido adotado pela própria CDI em projeto anterior e que fora suprimido posteriormente diante da insistência do Relator. para a construção de estradas de ferro. a dívida passará numa proporção eqüitativa. naturalmente. em conseqüência de cessão ou anexação de território Além dos meios indicados na Quinta Parte de aquisição ou mudança de nacionalidade. Não obstante a sua aceitação por grande número de delegações. Na separação de parte ou de partes do território de um Estado que continua a existir como tal. por exemplo. Essa tese como que consta do parágrafo 2 do artigo 38. A regra parte do princípio de que nenhuma dívida do Estado predecessor passará ao Estado sucessor. a emenda brasileira acabou não sendo acolhida. A regra adotada pela Convenção no tocante às dívidas no caso de transferência de parte do território corresponde de modo geral à regra tradicionalmente adotada na Europa continental. excluídos. necessária e logicamente. quer como imposição consecutiva a uma guerra. então. inclusive. exceções no caso de dívidas que beneficiam partes localizadas do território cedido. O projeto da CDI. a Delegação do Brasil sugeriu que à definição fosse acrescida a frase "qualquer outra obrigação financeira cobrável de um Estado". Ocorre. deve ser mencionado o que deriva. A adoção desse artigo foi um dos motivos da rejeição por diversas delegações da Convenção. deve passar ao Estado sucessor. salvo tratado em contrário. Primeira Parte 101 Seção 3 Naturalização coletiva. em base aos direitos de propriedade. barragens ou portos. objeto dos artigos 32 a 41 da Convenção. ou pouco depois. uma organização internacional ou qualquer outro sujeito do direito internacional". como. a tese de que o Estado sucessor tinha o direito de repudiar um tratado assinado com o Estado predecessor às vésperas de sua independência. A tendência posterior ao julgamento da Dívida pública otomana de 1925 passou a ser no sentido de que. de que uma parte da dívida. para efeitos da Parte IV da Convenção. ou seja. sendo que nem a prática dos Estados nem a doutrina apresentam soluções satisfatórias. os nacionais de qualquer país estrangeiro. Defendia. Abremse.A sucessão em matéria de dívidas. quer na Conferência. Bedjaoui de proteger na medida do possível os Estados recentemente independentes resultou em regras que foram muito combatidas. baseada nas taxas pagas no passado pela população do Estado predecessor. de uma anexação territorial. Relativamente aos nacionais do Estado anexado ou do qual uma . quer na CDI. As dificuldades começam com a própria definição de dívida do Estado. No caso de união de Estados. é um dos problemas mais difíceis e. as dívidas do Estado predecessor passarão ao Estado sucessor. prevê que por dívidas do Estado se entende. A preocupação do Prof. a não ser que as partes decidam diversamente. quer por efeito de cessão pacífica. não há a obrigação do Estado sucessor de arcar com as dívidas do predecessor. conforme se verificou por ocasião da Conferência de 1983.

90. em geral. 381-404. concede-se. p. Succession of States. uma quarta modalidade. p. Mello . Grocius. Os positivistas. Identity and continuity of State in public internation al law. De jure belli ac pacis. 290. parágrafo 12. p. O'Connell. archives and debts. E foi o que. A dificuldade dos internacionalistas é identificar os direitos e as obrigações. Genebra. 1969. em dezembro de 1933. v. dos indivíduos que não querem adquirir a nova nacionalidade. v. Oppenheim . 1933. são de . Um terceiro sistema exige. 44. p. noutra ainda. 1967. 2. em conseqüência. v. em tal capacidade. a opção manifesta-se pela simples emigração. O sistema que reúne mais adeptos é o primeiro. P. Eli Nathan. sem obrigatoriedade de emigração. não mais se discute sobre a igualdade jurídica dos Estados e. p. p. Krystyna Marek. p. desde que se trate de Estado-membro das Nações Unidas. a opção é expressa por uma declaração formal. os direitos reconhecidos aos mais poderosos devem também o ser aos menores e mais fracos. como Accioly. a origem e o domicílio. Em sua aplicação. in UNESCO. contudo. 443. por fim. Outro atende à origem: os naturais do território. Fauchille . 341. Capítulo 7 DIREITOS DOS ESTADOS Ao nascer. p. Succession to bila teral treaties by succeding States.I. o tratado de paz de Versalhes. na coletânea em honra de Jiménez de Aréchaga. D. 489. Numa destas. p. 130. relativa à conservação da nacionalidade de origem. por sua vez. G. K. 948-62. v. ao menos teoricamente.1. segundo a qual os habitantes de um território transferido poderão manter a antiga nacionalidade e só adquirirão a nova se por ela optarem. de 1919. para fora do território transferido. Capítulo 9. vários sistemas têm sido sugeridos ou aplicados para a imposição da mudança da nacionalidade. Outros. subscrita em Montevidéu. 234. Um desses sistemas aplica tal mudança apenas aos domiciliados no território transferido. aos habitantes do território transferido um direito de opção. Shearer. Prublèmes récents de succession d'États. basta qualquer dessas circunstâncias para a mudança da nacionalidade. 156.parte é transferida a outro.3. Gonçalves Pereira. expressamente. Nascimento e Silva. S antiago Torres Bernardez. 251. 78. sem os quais o Estado deixaria de ser uma entidade soberana.I. 533: Carillo Salcedo. Dord recht. 1951. adotou. ao mesmo tempo. 1970. in RCADI. 28. p. E.I. The Vienna Convention on succession of States inb respect of State property. desfruta de todos os direitos enumerados na Carta. in RCADI. 198-9. GYIL. 1988. L. 1970. p. esse direito pode obedecer a várias modalidades. 130. Paul Guggenheim . p. Rousseau . 379-506. o Estado ingressa na comunhão internacional gozando de todos os direitos reconhecidos pelo direito internacional e com a obrigação de arcar com os deveres por ele impostos. que pode ser acompanhada de emigração. Rudolf Strei nz.1. Conhece-se.I . Succession o f State debts. AJIL. pode ser imposta como conseqüência necessária de tal declaração. 1954. 1994. v. p. Manlio Ud ina. tenham ou não domicílio nele. Hoje. 61. Díez . 102. negam a existência daqueles. v. Recent problems of State succession. 665-773. Num quarto sistema. Livro 2. a opção torna-se conhecida por uma declaração formal. Succession d'États en matière de traito. Aspects récents de la succession d'Etats. geralmente. na coletânea em honra a Shabtai Rosenne. 392. devem adquirir a nova nacionalidade. Paris. La succession des États quant aux obligations internationales autres que les dettes publics. noutra. Montevidéu. Succession of States in assets and liabilities. Como não se pode ou não se deve impor a uma pessoa uma nacionalidade que ela não queira. in RCADI. principalmente os chamados direitos fundamentais. Castrén. p. 102 Manual de Direito Internacional Público adotada pela Convenção sobre Nacionalidade. Bibliografia: Accioly . p. p. p. 1993. 459. Keith. in RC ADI. porque isso seria contrariar o direito primordial que tem o homem de escolher a sua nacionalidade. que. a qual. Mohammed Bedjaoui. v. p. 521.

melhor. Seção 1 Direito à liberdade O direito à liberdade confunde-se com a noção de soberania. ou seja. com a independência.opinião de que só existe para o Estado um direito fundamental: o direito à existência. Admitida a noção dessa soberania relativa é lícito falar em direitos decorrentes da soberania interna e externa (que se confunde com o conceito de independência). o de formular as próprias leis e aplicá-las a nacionais e estrangeiros. ou seja. o projeto elaborado pela Comissão de Direito Internacional. merecem especial destaque os seguintes direitos: direito à liberdade. que deixou de ser o direito absoluto e incontestável de outrora. ou seja. a doutrina tradicional só admitia cinco direitos fundamentais. A Carta da Organização dos Estados Americanos contém um capítulo denominado "Direitos e Deveres Fundamentais dos Estados". Seja como for. A soberania externa é uma competência conferida aos Estados pelo direito internacional e se manifesta na afirmação da liberdade do Estado em suas relações com os demais membros da comunidade internacional. o de escolher a forma de governo. a organização política própria e modificá-la à vontade. de certos limites. direito de igualdade. estabelecer. pois. A soberania externa compreende vários direitos. e do qual decorrem os demais. o que se constata é que os direitos fundamentais podem evoluir com o passar dos anos. sem estar submetidos a deveres correspondentes. sendo que as prioridades variam de Estado para Estado. naturalmente. o de legação ou de representação. enfim. bem Primeira Parte 105 como o de estabelecer a sua organização judiciária. direito de conservação. estão mencionados todos os direitos tidos como tais. não foi adotado pela Assembléia Geral. dentro. Em outras palavras. direito de defesa e conservação e direito internacional do desenvolvimento. o de igualdade e o de respeito mútuo. c) de jurisdição. direito à honra (ou ao respeito mútuo) e direito de comerciar. o de submeter à ação dos próprios tribunais as pessoas e coisas que se achem no seu território. que pode ser chamado primordial. direito ao respeito mútuo. b) de legislação. A soberania interna representa o poder do Estado em relação às pessoas e coisas dentro do seu território ou. Segundo Verdross. d) de domínio em virtude do qual o Estado possui uma espécie de domínio eminente sobre o seu próprio território. 104 Manual de Direito Internacional Público É importante lembrar que as relações internacionais não estariam garantidas se os Estados só tivessem direitos. entre os quais se salientam: o de ajustar tratados ou convenções. Embora os Estados americanos tenham logrado determinar quais os direitos e deveres fundamentais. embora alguns poucos autores ainda insistam em afir- . depois da independência e da igualdade. dentro dos limites da sua jurisdição. do artigo 9 ao 22. em que. quais sejam: direito à independência. não obstante os seus méritos. É também chamada autonomia. Confunde-se. adotar uma constituição política. é o ao desenvolvimento. contanto que não sejam ofendidos os direitos de outros Estados. o de fazer a guerra e a paz. direito de igualdade. o direito de igualdade é reconhecido pelo direito internacional. Seção 2 Direito de igualdade Atualmente. tanto que para muitos de formação recente o principal direito. A soberania interna compreende os direitos: a) de organização política.

Onde.mar que a realidade internacional é a negação de tal direito. em geral. será dirigida. mas do simples fato de sua existência como pessoa do direito internacional". Em outras palavras. ao declarar que a Organização "é baseada no princípio da igualdade soberana de todos os seus Membros". O preâmbulo da Carta das Nações Unidas proclama o princípio. concluída em Montevidéu em 1933. todos os Estados são iguais perante o direito internacional. Como quer que seja. contra o Estado a que pertença a subdivisão e ao qual cabe representá-la. Muitos autores. dos atos de simples gestão. pois que a ação intentada contra uma dessas subdivisões. A renúncia será expressa quando conste de tratado ou convenção internacional. não deve ser tomado em sentido absoluto. nem declarar abertamente que o subordinam a certas restrições. ao passo que os últimos são passíveis desta jurisdição. de bens sujeitos à jurisdição de outro Estado. cada Estado terá direito de voto. nas relações internacionais. afinal de contas. ou a sua atividade jure imperi. Seção 3 Direito ao respeito mútuo O direito ao respeito mútuo consiste no direito que tem cada Estado de ser tratado com consideração pelos demais Estados e de exigir que . ocorrendo o mesmo em relação aos Estados. 5°) quando se trata de ações referentes à aquisição. distinguindo entre os atos praticados pelo Estado como pessoa pública ou no exercício do seu direito de soberania. entretanto. em princípio. entendem que os primeiros estão isentos da competência de qualquer tribunal estrangeiro. perante uma jurisdição estrangeira. expressa ou tacitamente. dispõe o seguinte: "Os Estados são juridicamente iguais. O direito de igualdade é reconhecido a todo ser humano. já se nota forte tendência contra a manutenção da doutrina da absoluta imunidade de jurisdição dos Estados estrangeiros. que o princípio só não é aplicável quando o próprio Estado renuncia à dita imunidade. porém. 106 Manual de Direito Internacional Público Dessa segunda conseqüência resulta que os tribunais de um Estado não têm jurisdição sobre outro Estado e não têm competência judiciária em relação a outro Estado. ou de uma declaração oficial. Estados de uma federação. Mas o fato é que os elaboradores da Carta não ousaram deixar de enunciar o princípio. Este princípio. municípios. É verdade. acionado perante tribunal estrangeiro. tem-se admitido. Na verdade. O artigo 4 da Convenção Panamericana sobre os Direitos e Deveres dos Estados. contudo. 2°) quando. Os direitos de cada um não dependem do poder que tenha para assegurar o seu exercício. 3º) quando exerce atos de comércio em território estrangeiro e a ação judiciária se refere a tais atos. e o voto do mais fraco valerá tanto quanto o do mais forte. A imunidade dejurisdição aplica-se também às simples subdivisões políticas dos Estados. b) nenhum Estado tem o direito de reclamar jurisdição sobre outro Estado soberano. 4°) quando se trata de ações reais relativas a direitos ou interesses que possua em bens imóveis situados no território de um Estado estrangeiro. Será tácita: 1º) quando o Estado propõe uma ação perante tribunal estrangeiro. ou a sua atividade jure gestionis. o referido princípio não foi respeitado. não é fácil distinguir precisamente os atos de autoridade do Estado. que. porém. as seguintes: a) em qualquer questão que deva ser decidida pela comunidade internacional. As principais conseqüências da igualdade jurídica dos Estados são. e os que ele executa como pessoa privada. não levanta a declinatória da incompetência. a mesma prevalece. por sucessão ou doação. gozam dos mesmos direitos e têm a mesma capacidade no seu exercício. províncias. na composição e funcionamento do órgão principal da dita Organização.

Alguns juristas. O direito de conservação abrange todos os atos necessários à defesa do Estado contra os inimigos internos ou externos. cuja viabilidade econômica era contestada. nem violar as suas fronteiras. ao contrário. uma vez que as mesmas não atentem contra a segurança destes. admitido na ordem internacional. poderá ser tão importante como o direito à existência. todo Estado tem direito ao respeito das suas instituições políticas. Assim. quando esta seja arvorada em edifício não oficial. pois. têm pretendido que a necessidade tudo justifica. e. inocente e inofensivo. com uma vizinhança de outro mais poderoso e com uma política expansionista. Ao contrário. Seção 5 Direito internacional do desenvolvimento O reconhecimento do direito internacional do desenvolvimento. tais como a 108 Manual de Direito Internacional Público adoção de leis penais. ou por quem não se ache revestido de caráter oficial. uma organização internacional operante.Primeira Parte 107 os seus legítimos direitos. a expulsão de estrangeiros nocivos à ordem ou à segurança públicas. Esta. Semelhante doutrina é muito perigosa e permite todas as injustiças. Assim também. poderá representar importante garantia para a sua segurança. não pode ser absoluto: tem que ser limitado pelo direito à existência e conservação dos demais membros da comunidade internacional. A Declaração da Concessão de . considerar como ultraje à dignidade de uma nação o desrespeito à sua bandeira. ocorreu nas Nações Unidas como conseqüência do ingresso de inúmeros novos Estados. Nos países pequenos. A existência de dois países poderosos tende a provocar idêntico fenômeno. porém. A legítima defesa. um Estado não deve tratar outro Estado de maneira injuriosa. pelos demais Estados. e se apresente apenas como objeto de ornamentação. porém. aliás está a ele vinculado. deve prestar-lhe as honras de praxe e respeitar os seus símbolos nacionais. a organização da defesa nacional etc. o direito de conservação não pode justificar o fato de um Estado cometer atos ilegais contra outro Estado. só existe em face de uma agressão injusta e atual. Isto não implica o desconhecimento do direito de legítima defesa. salvo se o desrespeito é aplicado acintosamente como insulto à nação de que a bandeira é símbolo. Para os pequenos. conforme ocorreu durante a guerra fria. Programas mundiais de desarmamento constituem outro motivo de tranqüilidade para Estados que não dispõem de indústria bélica e são obrigados a gastar fortunas na aquisição de armamento. que não deve ser confundido com o direito ao desenvolvimento (estudado no âmbito dos direitos humanos). a organização de tribunais repressivos. Por outro lado. deve manter-se o princípio de que "o direito de cada Estado tem por limite o direito dos outros Estados" e. um Estado não deve atentar contra a integridade territorial de outro. Não se deve. contudo. a prática de certas medidas de ordem policial. a celebração de alianças defensivas. Entre os símbolos nacionais. O direito de defesa e conservação. Seção 4 Direito de defesa e conservação A importância do direito de defesa e conservação varia de Estado para Estado. a proibição da entrada de indesejáveis. porém. ou ofensiva. bem como a sua dignidade moral e a sua personalidade física ou política sejam respeitados pelos demais membros da comunidade internacional. "contra a qual o emprego da violência é o único recurso possível". como se esperava quando da assinatura da Carta das Nações Unidas. só é assim considerada quando hasteada por quem tenha autoridade para isso. portanto. como na ordem interna. figura a bandeira do país.

p. Em suma. Raul Fernandes.Independência a Países Coloniais e Povos ( 1960). 54. em seu último relatório anual. a começar com a adoção da Nova Ordem Econômica Internacional. Ricardo Alfaro. AJIL. Pessoa. Hague Academy of International Law Colloque sur Le Droit International au développement au plan international. ambos corolários do direito da igualdade juríPrimeira Parte 109 dica dos Estados. da comunidade internacional. 27-43. Antônio Celso Alves Pereira. 1921. Dordrecht. 204. in RCADI.1. social ou educacional nunca deve servir para postergar a independência. o correto seria falar em jurisdição no .e a criação da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (ONUDI ou UNIDO). 1950. 360. 461. p. a Assembléia Geral adotou várias resoluções. The rights and duties of States. Argumentava-se que o reconhecimento desse direito internacional do desenvolvimento colidia com os princípios da reciprocidade e da não-discriminação. e para tanto a definição de nacional em primeiro lugar. Hans Kelsen.1 . The Declaration of Principles of Internation . e não . ao salientar que a falta de preparo político. de que o problema dos microEstados poderia tornar-se um dos mais sérios que as Nações Unidas teriam que enfrentar. 97. v. Mello . passou-se a falar em Estados juridicamente iguais. L'égalité juridigue des États. V. 259-76. Para alguns autores. a não ser com o consentimento do primeiro. Seção 6 Direito de jurisdição Todo Estado tem o direito de exercer a sua jurisdição no seu território e sobre a população permanente. elaborado pela Comissão de Direito Internacional em 1949. Boletim. o que poderia dar a impressão equivocada de que se tratava do direito de dispor do território. abriu as portas das Nações Unidas para novos membros que não poderiam sobreviver sem o auxílio. Fauchille . Não obstante a circunstância de U Thant haver alertado a Organização. p. Genebra. Pod està . Visando contornar esse óbice jurídico. O direito ao desenvolvimento no contexto dos direitos humanos. 1980. ou seja. cumpre estudar o problema da jurisdição em relação ao território do Estado e a jurisdição sobre os nacionais no exterior.1. Robert Rosenstock. mas economicamente desiguais. 1992. p.sobre ele. em que buscava criar para os Estados em desenvolvimento uma série de medidas visando sua melhoria. Garcia Amador. Rousseau. p. p.I. 44. Madrid. É o caso de C. v. 1987. F. The draft declaration on rights and duties of States. seguida pela primeira Conferência sobre Comércio e Desenvolvimento . salientou que a jurisdição só pode ser exercida sobre os indivíduos e só indiretamente sobre coisas. econômico. Beviláqua . p. El derecho internacional del desarollo. Hans Kelsen. o que significa que a jurisdição do Estado em relação aos estrangeiros não é exclusiva. com as exceções estabelecidas pelo direito internacional. nenhum outro Estado pode exercer a sua jurisdição sobre o território. 91-202. O direito do Estado sobre o território e os respectivos habitantes é exclusivo.l. No entender de Kelsen.a UNCTAD . principalmente econômico. ao analisar o artigo 3 do projeto de declaração dos direitos e deveres dos Estados. É bem verdade que a legislação do Estado pode prever o exercício de sua jurisdição em país estrangeiro sobre os respectivos nacionais. para quem competência territorial 110 Manual de Direito Internacional Público significa "a competência do Estado em relação aos homens que vivem em seu território. O citado projeto dizia que o Estado tem "o direito de exercer jurisdição sobre o seu território e sobre todas as pessoas e coisas nele existentes" ("over its territory"). 1969.seu território. p. a palavra competência exprime melhor o fenômeno./mar. Capítulo 8 Bibliografia: Accioly . jan. 1 l9. às coisas que nele se encontram e aos fatos que aí ocorrem" . artigo 15.

s e cieveres rnorais. 713. p. 149. 1936-IV. Hackworth. v. A exemplo do que ocorre com os direitos. 367. 1930. p. 267. No caso do jus cogens a denúncia é inadmissível. Cogitou-se em mencionar no texto alguns exemplos. Stélio Séfériades. Alguns tratados que codificam situações características do jus cogens admitem que as partes contratantes poderão denunciá-los. a Convenção sobre Genocídio (1948) e a Convenção sobre a Eliminação de todos os tipos de Discriminação Racial ( 1965). V erdross. p. Talvez a principal novidade da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados tenha sido o reconhecimento do princípio do jus cogens. É o que ocorre com a Convenção de Combate à Escravidão (1928). 307. in RCADI. The draft declaration on rights and duties of States. Bibliografia sobre direito de jurisdição: Covey T. Surgiu no direito internacional contemporâneo o que se . pois "as normas do direito internacional geral impõem deveres sobre os Estados e ao fazê-lo conferem direitos aos demais". 465. não havia unanimidade quanto ao seu alcance. The jurisdiction (competence of States). O artigo 64 estipula que. Díez . p. David Vital. a Convenção de 1969 prevê que caberá à CIJ a decisão a respeito. Mello . 8. Susanne Bastid. existe um primado incontestável do dever sobre o direito. constata-se que. v. J. Pr incipes généraux du droit international de la paix. in RCADI. 167. a enumeração dos deveres apresenta dificuldades. 34. bem como os governos que responderam ao questionário. Théorie générale du d roit international public. no caso do jus cogens existe uma obrigação que o Estado não pode em nenhuma hipótese desconhecer. Quoc Din h. 343. v. haverem-se manifestado a favor da idéia. No dizer da Convenção. Les problèmes territoriaux dans la jurisprudence de la CIJ. Em outras palavras.3. p. Oliver. "Se sobrevier uma nova norma imperativa de direito internacional. apesar de quase todos os seus membros. in RCADI. mesmo se um Estado a denunciasse. in RCADI. 1. 1970. Règles générales du droit de la paix. 1967. Rousseau . "uma norma imperativa (jus cogens) de direito internacional geral é uma norma aceita e reconhecida pela comunidade internacional dos Estados no seu conjunto. 65. 1932-IV. qualquer tratado existente em conflito com essa norma torna-se nulo e extingue-se". The uneguality of States. e. p. v. v. p. A esta lista é ainda necessário acrescentar a figura do jus coger s e o chamado soft-law. 58. Para Hans Kelsen.l. Problèmes choisis. 107. p. A adoção do princípio do jus cogens foi objeto de prolongados debates no âmbito da Comissão de Direito Internacional. AJIL. pulou) DEVERES DOS ESTADOS Embora a ênfase da doutrina seja nos direitos internacionais dos Estados. in AJIL. Hans Kelsen. p. p. in UNESCO. como uma norma da qual nenhuma derrogação é permitida e que só pode ser modificada por uma norma de direito internacional geral da mesma natureza" (art. p. 53). Brierly. 360. 44. 112 Manual de Direito Internacional Público mas a decisão final foi incluir nos comentários ao artigo alguns exemplos indiscutíveis. continuaria vinculado às cláusulas básicas. v. sobretudo se lembrarmos que a doutrina fala em deveres jurídico. Diante das dificuldades surgidas na determinação de quais as normas de jus cogens. p. como os pautados nos princípios da própria Carta. 569. p. E acrescenta que "se os deveres forem formulados corretamente a formulação do direito correspondente é supérflua". v. seria mais coerente com o fundamento do direito internacional que tal primazia fosse dos deveres. Capítulo 8 (o prof. 192.al Law Concerning Friendly Relations. 1950. No caso da Convenção sobre Genocídio. 386. 42. embora aceita em sua essência. Oxford. id em.I. L.

International economic soft-law. expressão de difícil tradução para o português. M. 149. Nem sempre é fácil distinguir os deveres dos direitos internacionais. AFDI. v. 1971. Le facteur temp et les traités. AJIL. Podestà Costa . in RCADI. Nascimento e Silva. T. in UNESCO. 134. não baseado em compromisso internacional. 1977. v. 60. 57.5. Principes généraux du droit international de la paix. deduz-se que o dever por excelência é o de não-intervenção. Focséan. AJlL. p. Estados mais poderosos praticavam a intervenção invocando pretextos os mais diversos. The international society as a legal community. onde existe um direito. bem como no campo dos direitos humanos. mas que tem certa semelhança com os deveres morais mencionados por Accioly. 213. S. 98. 1959.States. de outro Estado soberano com o fim de impor a este a sua vontade. 800. como no caso das Nações Unidas. A intervenção caracteriza-se pela existência de três condições: a) a imposição da vontade exclusiva do Estado que a pratica. p. T unkin. Oxford. p. H. v. Whiteman . 1957. AJIL. in RCADI. 253-5. p. States. Ignaz Seidi-Hohenveidern. 219. 946. 130-l. p. The law of treaties. Alfred Verdross. Egon Schwelb. in UNESCO. 165-246. Díez . p. Friendly relations among . p. 1966. 44. Treaties. Dentro dessa ótica. E. Ellias. Mc Nair.1. No passado. 147.I. v. Broms Bengt. p. como motivos humanitários. 55. 253. El derecho imperativo (jus cogens) en el derecho internacional. 61. Fauchille 1 . p. em caso de guerra civil para impor determinado governo. existe o dever correspondente. Some aspects of international jus cog ens. 172-92. 27-56. v. v. v. na coletânea em honra de Shabtai Rosenne. Pastor Ridruejo. 34. Reisenfeld. b) a existência de dois ou mais Estados soberanos. 134. p. 51 l. Dordrecht. Les cinq principes de coéxistance pacifique et le droit international. p. 1975. Primeira Parte 113 301.States. p. A rigor. L. 1966. 1974. isto é. G. Mosler. International law in the international system. in RCADI. 62. ou como sanção. 163. 316. p. p. p. Robert Jennings. Genocide and internat ional law. 1966. Schwarzenberg. 1956. proteção de seus nacionais e de seus direitos.l. 1977. Subjects of international law. in RCADI. 1961. Tratando-se de organização da qual o Estado seja membro e que tenha aceito livremente o respectivo estatuto. p. 119. in Universitas. 1988. É essa a orientação da Carta das Nações Unidas. Stélio Séfériades. Problems concerning the validity of treaties.convencionou chamar de soft-law. O.. 154-6. p. 154. AJIL. A dúvida existente é saber se as medidas tomadas por uma organização internacional podem ser qualificadas como intervenção. v.l. Jus dispositivum and jus cogens. p . Os países latinoamericanos sempre se esforçaram pela adoção de tratados de conde- . 399. Hans Kelsen. in UNESCO. v. H. c) ato abusivo. v. p. as medidas eventualmente tomadas pela organização não podem ser assim qualificadas. 2. AJIL. Bogotá. p. para a qual nenhuma de suas disposições "autorizará às Nações Unidas a intervirem em assuntos que dependam essencialmente da jurisdição interna de qualquer Estado" (art. p. A expressão é muito utilizada em relação a determinados deveres em matéria ambiental. International law and ord er. Londres. p. 388. 25. internos ou externos. Bing Cheng. Jus dispositivum and jus cogens. 259-76. Rafael Nieto Navia. 148-50. 60. 1971. N. p. v. Bibliografia: Accioly . só ocorre intervenção no caso de ingerência nos negócios internos. 60. Shaw. e considerando que o direito à existência é o direito por excelência dos Estados. 7). Edward Watson Mc Whinney. p. v. Capítulo 9 O DEVER DE NÃO-INTERVENÇÃO Intervenção em direito internacional é a ingerência de um Estado nos negócios peculiares. in RCADI. 1979. 219. in RCADI. Para alguns autores. Bibliografia sobre ' jus cogens": Brownlie. The draft declaration on rights and duties of . Rousseau .

visando a proteção internacional dos direitos humanos ou do meio ambiente. ocorrerá uma intervenção. A Carta das Nações Unidas proclama como um de seus princípios o de que "Todos os Membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado ou outra ação incompatível com os propósitos das Nações Unidas" (art. individual ou coletiva. A intervenção pode revestir diversas formas desde as mais clamorosas até as mais discretas. não existe intervenção quando uma ação coletiva decorre de compromisso assumido formalmente em tratado multilateral. como tal condenada pelo direito internacional. a Carta da OEA estipula no artigo 18 que "Nenhum Estado ou grupo de Estados tem o direito de intervir. tomar medidas capazes de atingir outro Estado que não o ameace militarmente. Diante da dificuldade de examinar todos os tipos de intervenção. como a Carta das Nações Unidas. clara (aberta) ou oculta (dissimulada). não existe intervenção. Seja como for. bem como a necessidade de proteger as populações locais contra atos de crueldade ou em defesa dos direitos humanos. importância esta que se vai tornando cada vez maior com o correr dos anos. interrupção das comunicações etc.). de uns anos para cá. 4). verifica-se que a proteção de nacionais é freqüentemente invocada. dentro dos limites estabelecidos pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas. política ou não-política (como no caso de medidas econômicas abusivas. Seção 2 Intervenção para a proteção dos direitos humanos O reconhecimento internacional dos direitos humanos na Carta das Nações Unidas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos deu-lhes uma importância desconhecida até então. Seja como for. contudo. 116 Manual de Direito Internacional Público Seção 1 Intervenção em nome do direito de defesa e de conservação Todo Estado tem o direito de tomar. direta ou indiretamente. Ao ser assinada a Convenção de Montevidéu sobre Direitos e Deveres dos Estados ( 1933). 2. ou. que desde 1902 invocava um direito de intervir prePrimeira Parte 115 cisamente para proteger os interesses de seus cidadãos. no outro. apenas as mais usuais serão abordadas. Não pode. que dá ao Conselho de Segurança poderes para adotar medidas destinadas a manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. Uma intervenção pode revestir duas ou mais das modalidades acima mencionadas. Citam-se as seguintes: diplomática (oficial ou oficiosa) ou armada. todas as medidas visando à sua defesa e conservação. esbarrando com a resistência do Governo dos Estados Unidos. não se justifica a prática de atos contra Estado cujo desenvolvimento possa ser considerado uma ameaça futura. no caso de intervenção em virtude de guerra civil. Trata-se de dispositivo bem menos rigoroso do que o texto interamericano.nação à intervenção. mas o exercício de atividade legítima. nos assuntos internos ou externos de qualquer outro". em outras palavras. O sentimento não é de hoje e citam-se inúmeros exemplos de . tem surgido em declarações oficiais de alguns países a defesa da intervenção. tarifas alfandegárias excessivas. Num caso. Cordell Hull fez uma declaração no sentido de distinguir a intervenção da interpositiori. direta (positiva) ou indireta (negativa). a ponto de alguns governos e autores julgarem que o seu desconhecimento por um Estado justificaria uma intervenção para acabar com eventuais abusos. Teoricamente. Assim.

econômicas e outras admitidas pelo direito internacional. têm o direito de adotar em relação a outro Estado que tenha violado as suas obrigações na matéria as medidas diplomáticas. Esse direito. visto que o motivo principal foram os danos materiais sofridos pelos seus nacionais. pois agiu como aliança militar e sem levar em conta os princípios da Carta das Nações Unidas de condenação à guerra ou ato semelhante. Grã-Bretanha e Rússia a favor dos insurgentes gregos. tenham aceito a adoção da medida. desde que não se trate de emprego de força armada em violação da Carta das Nações Unidas. agindo individual ou coletivamente. o Presidente iugoslavo. embora o . Infelizmente. abrindo um delicado precedente. A decisão da OTAN de bombardear pontos estratégicos da Sérvia com o objetivo de obrigar o governo daquele país a permitir o estacionamento de suas tropas na Província de Kosovo para impedir a prática de atos de violência contra as minorias de origem étnica albanesa é o mais recente exemplo de intervenção para proteção dos direitos humanos. geralmente realizado através de missão diplomática. para os defensores da proteção internacional dos direitos humanos. Foi considerada uma intervenção legítima. a promotora-geral considerou o tribunal competente para julgar o presidente em exercício. que se haviam levantado contra o Império Otomano. por iniciativa de juíza canadense. reconhecido tradicionalmente pelo direito internacional. foi codificado na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961. As medidas tomadas pela marinha britânica de combate ao tráfico de escravos. geralmente da América Central ou do Caribe. não pode ser taxado de ingerência abusiva nos negócios do Estado. freqüentemente com a morte maciça de pessoas. cuja imunidade foi reconhecida no tocante aos atos por ele praticados no exercício da presidência. da qual todos os países envolvidos sejam membros e que. em todos os casos o Estado interventor era movido por outros interesses. Seja como for. mas. verifica-se com freqüência que o exercício da proteção diplomática é acompanhado por outros meios de pressão. e quatro de seus colaboradores por crimes de guerra e contra a humanidade. Na maioria dos casos. ocorria indiscutivelmente no país vítima da intervenção a prática de crueldades. como tais. Seu exercício. desde que mantido dentro de determinados limites. Os Estados Unidos. também. como a adoção de restrições econômico-comerciais.sentimento de Primeira Parte 117 humanidade tenha sido citado em segundo lugar. principalmente o brasileiro. eram apresentadas como de cunho humanitário. Slobodan Milosevic. Talvez o melhor exemplo no passado tenha sido a intervenção em 1827 da França. 118 Manual de Direito Internacional Público Seção 3 Intervenção para a proteção dos interesses de seus nacionais Todo Estado tem o direito e o dever de proteger os seus nacionais no exterior. a intervenção deverá ser praticada através de organização internacional. ao contrário do ocorrido no caso Pinochet.intervenção humanitária no passado. em sua sessão de Santiago de Compostela ( 1990). O fato de a OTAN ser uma organização internacional não modifica a situação. no conflito de Kosovo. Quanto à decisão do Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia. reservam-se a faculdade de intervir em país. O Institut de Droit International. tradicionalmente. leia-se as Nações Unidas. que mandou prender. os Estados. como que aceitou a tese da intervenção para a proteção dos direitos humanos. Pela resolução. em 1999. . mas a resolução adotada veio revestida de diversas salvaguardas.

AJlL. AFDI. Charles Fenwick. 1945. em decorrência do qual aquele país interveio mediante o envio dos marines a várias nações vizinhas. 136. 1997. que incluía tropas brasileiras. Farer. Querendo. 1987.onde a vida e as propriedades de seus nacionais sejam ameaçadas. Antônio Augusto Cançado Trindade. Bohan. Anthony D'Amato. Beviláqua . M. Les États Unis. Boletim. 60. v. v. com o objetivo de restabelecer a paz na ilha. J. 41 I-98. Posteriormente. Schwebel. S. v. São Paulo.4. que havia sido descontinuada. que a rigor se inspirava em pronunciamento anterior de Carlos Calvo. Agression. 809. 1 95. 2.Saint-Domingue. p. p. ligar sua tese à doutrina de Monroe. como capaz de conduzir as nações mais fracas à ruína e até à absorção dos respectivos governos pelos das nações mais poderosas. v. Mais tarde. mas condenava a cobrança coercitiva destas. 142. 309-438. p. Grã-Bretanha e Itália foi seguida de bombardeio dos portos de Maracaibo. 1977. Um aspecto inédito do direito internacional.406. p. que será estudado a seguir. I 41. denoir d'ifyérence. Mello . 64. 60. 1965. p. Relatcírios sobre La sauvegarde des droits de I'homme et le principe de non-intervention dans les affaires intérieures des États. A prática. quando os Estados Unidos enviaram tropas para a República Dominicana para proteger seus nacionais. The regulation of foreign intervention in civil armed contlict. La Guardia e Puerto Cabello com o objetivo de forçar o governo da Venezuela a pagar seus compromissos financeiros com nacionais dos três países. The Dominican Republic: intervention or self-defense ?.5. Drago pretendeu fosse reconhecido o princípio segundo o qual "a dí120 Manual de Direito Internacional Público vida pública não pode motivar a intervenção armada e. Essa posição consolidou-se com o pronunciamento do Presidente Teodoro Roosevelt. p. 657. p. in RCADI. 867. Luís Maria Drago. T. 1972. Ilmar Penna Marinho . Pastor Ridruejo. ainda menos. p. a ocupação material do solo das nações americanas por uma potência . v. A demonstração naval perante portos venezuelanos em 1902 da parte da França. Whiteman . 1974. a OEA concordou com o envio de uma força interamericana. 1985. 455. Human rights and non-intervention in the Helsinki Final Act. Primeira Parte 119 Bibliografia: Accioly . 263. teve grande repercussão e passou a ser conhecida como a Doutrina Drago. p. voltou em 1965. Raul Pederneiras. intervention and self de fence in modern international law. Annnaire de l'Institut de Droit Internatinnal. p. 321-702. Giuseppe Sperduti.332. G. Nicaragua and international law. Seção 4 A Doutrina Drago O bombardeio dos portos venezuelanos provocou vivos protestos na América Latina e foi objeto de nota de protesto do ministro das Relações Exteriores da Argentina. Rousseau . Wolfgang Friedman. Drago não negava a obrigação da nação devedora de reconhecer as respectivas dívidas e procurar liquidálas. 1965.1. 1966. houve novas intervenções no Panamá. AJIL. p. na qual condenava o uso da força para obrigar um Estado a pagar as suas dívidas públicas.I. p. A proteção inte rnacional dos direitos humanos. p. e acabou sendo objeto de decisão por ocasião da Conferência de Haia de 1908. ameaçados por ocasião da revolução que eclodira. 301 . 157. I'OEA et ONU a . 102. v. A intervenção financeira foi objeto de muita polêmica. de certa forma. p. in RCADI. René-Jean Dupuy. 37. Arangio-Ruiz. v. 59. Le. p. v. AJIL. Mario Bettati e Bernard Kouchner. 79. A nota de Drago. 103. AJlL. 289. p. The dominican case: unilateral intervention. p. 1989. United States foreign policy and the crisis of international law. Paris.1 . in RCADI. Luís Maria Drago. 71. havendo provocado o pronunciamento do ministro do Exterior da Argentina. 1966. Granada e Haiti. ao governo dos Estados Unidos.

dar forma convencional à Doutrina Drago. se. que teve a data de 11 de agosto de 1910 e pela qual as partes contratantes se comprometeram a submeter à arbitragem todas as reclamações por danos e prejuízos pecuniários. realizada em Haia em 1907. 1904. seus nacionais.1.I. fazendo questão apenas de que. em qualquer destes casos. 121. apresentadas pelos respectivos nacionais e que não possam ser resolvidas. 567. em nome dos credores. 1967. Memoria de Relaciones Exteriores y Culto (Argentina) de 1902-1903. Encyclopaedia. antes ou depois da arbitragem. p. a delegação argentina pretendeu. essa doutrina foi submetida à 2 Conferência da Paz. Buenos Aires. não se lançasse mão da força para cobrança da dívida pública do Estado. O referido delegado concluiu sua exposição dizendo: "1) condenamos francamente a cobrança coercitiva de dívidas públicas ou contratuais. Revista da Faculdade de Direito (São Paulo). não se opunha de modo algum ao recurso à solução arbitral. Díez de Velasco. p.européia". manifestando que só o aceitaria se se lhe acrescentasse uma disposição pela qual fosse declarado que. salvo se o Estado devedor repelir ou deixar sem resposta um oferecimento de arbitragem sobre o caso. Beviláqua . Fauchille . na 4ª Conferência Internacional Americana. amistosamente. v. o Estado devedor não terá o direito de se subtrair ao recurso à solução arbitral ou judicial". 1. 1 . que condena o emprego da força para a cobrança das mencionadas dívidas. Wagner Turbau Barreira. celebrada em Buenos Aires em dezembro de 1936. Depois. 141 . surgir um conflito entre o Estado devedor e o Estado a que pertençam os credores. sendo transformada na chamada Convenção Porter. Castro Corrêa. v. A delegação do Brasil impugnou o projeto. 4) mas. foi concluída uma convenção sobre reclamações pecuniárias. entendemos que. na forma por que fora apresentado em Buenos Aires. Una alarmante tentativa de ampliación del amparo diplomático: la protección judicial del accionista. se o aceitar. 1946. no despacho em que formulou sua doutrina. v. cujo pagamento seja reclamado ao governo de um país pelo outro país. 1102. não se conformar com a sentença proferida. ou. 1974. Mais tarde. em se realizando a arbitragem. p.1. contanto que tais reclamações sejam de importância suficiente para cobrir as despesas do juízo arbitral. Antokoletz . Eduardo Jiménez de Aréchaga. 267. É curioso assinalar que o próprio Drago. pela via diplomática. 692. p. Luís Maria Drag o. durante uma sessão da Comissão de Peritos Americanos para a Codificação do Direito Internacional. 260. 609. sem êxito. p. 1. 3) admitimos que as obrigações derivadas das dívidas externas de um Estado não possam ser objeto de reclamação diplomática antes do completo malogro das negociações diretas entre os credores e o governo ou agentes do governo do Estado devedor. AJIL. As doutrinas americanas do direito internacional. pelo mesmo delegado do Brasil que havia impugnado Primeira Parte 121 o projeto argentino. 264. 1907. e na hipótese de ser impossível um acordo pelos meios diplomáticos usuais. o ponto de vista em que se colocou ali a delegação brasileira foi exposto com clareza. Na Conferência Interamericana para a Consolidação da Paz. La protection diplomatique des sociétés et des actionaires. in RCADI. Rui e a Doutrina Drago. Anuario Uruguayo . p.1. no caso de controvérsia acerca da cobrança de dívidas ou reclamações pecuniárias. Bibliografia: Accioly . Carlos Calvo. n. Benedek. p. p. 2) concordamos em que os prejuízos sofridos por estrangeiros em conseqüência de negócios pecuniários de interesse privado ou de contratos com o Estado só possam ser objeto de intervenção diplomática em caso de denegação de justiça. Ulteriormente. e tal conflito não for resolvido pelo emprego das vias diplomáticas usuais. Anexo 1 . ano 62. as partes litigantes se obrigassem a recorrer à arbitragem ou à decisão de uma corte de justiça internacional. Fortaleza. em Lima. Les emprunts d'État.

com o passar dos anos e o fortalecimento dos Estados Unidos. H. Nicolas Socrate Politis. p. movidos principalmente pelo sentimento de salvaguarda própria (self defense). condenada internacionalmente. 2º) é inadmissível a intervenção de potência européia nos negócios internos ou externos de qualquer país americano. em Granada e no Haiti marcaram a volta dessa prática. a doutrina não foi o simples resultado de uma sugestão inglesa. Os princípios enumerados não eram originais e já haviam sido proclamados com anterioridade. O Presidente George Washington. e. inclusive na Carta da OEA. É bem verdade que. Seja como for. 1 . mas Monroe julgou conveniente que a idéia fosse proclamada pelos Estados Unidos. Foram inúmeras as intervenções praticadas no início do século. As intervenções praticadas na República Dominicana e. de intervir sempre que ocorresse um total colapso da ordem com a conseqüente ameaça à vida e à propriedade de cidadãos americanos. de acordo com o direito internacional. in RCADI . sobre a possibilidade de ser adotada uma posição conjunta contrária a eventual criação de colônias por parte de potência européia nas Américas. Le dro it international et les obligations fmancières que naissent d'un contrat. Whitemore . com a consolidação do sistema interamericano e a condenação da prática da intervenção na Carta das Nações Unidas. mais recentemente. o Presidente James Monroe enumerou 122 Manual de Direito Internacional Público uma série de princípios destinados a dirigir a política exterior do país. 3º) os Estados Unidos não intervirão nos negócios pertinentes a qualquer país europeu. Moulin. Embora a Doutrina Monroe tenha perdido sua importância como . O teor dessa consulta foi recebido favoravelmente em Washington. tudo indicava que a não-intervenção se consolidava. 14. A justiticativa apresentada era a de que os Estados Unidos tinham a faculdade. de 17 de setembro de 1796. No início do século XX. os princípios foram aos poucos perdendo sua razão de ser para aquele país. A. conforme assinalou Accioly. em sua mensagem de despedida. que aos poucos foi ampliando o seu território. 1923. Dentre eles figuram três. e manter com elas vínculos políticos tão escassos quanto seja". La doctrine de Drago. 221 . 412. sondou confidencialmente Richard Rush. mas principalmente em pronunciamentos tomados pelo sistema interamericano. p. Era a política do hiy stick exercida através Primeira Parte 123 dos marines. Les empr unts d'État. mediante o qual os Estados Unidos praticaram uma série de intervenções na América Latina sob o pretexto de evitar intervenções da parte de países europeus. p. foi taxativo quanto ao eventual envolvimento em questões da Europa: "A principal regra de procedimento que devemos observar com respeito às nações estrangeiras consiste em oferecer-lhes nossas relações comerciais. v. Sir John Fischer Williams. o Presidente Theodor Roosevelt desenvolveu o que os norte-americanos denominaram Roosevet cornllary to the Monroe doctrine. 289-361 . Seção 5 A Doutrina Monroe Em sua mensagem de 2 de dezembro de 1823. 417.2. A autoria do primeiro princípio tem sido atribuída a George Canning. Podestà Costa . 1964. RGDIP. E acrescentou: "Nossa verdadeira política consiste em manter-nos afastados de alianças permanentes com qualquer porção do mundo estrangeiro". preocupado com rumores de que a Santa Aliança interviria nas Américas para auxiliar a Espanha na reconquista de suas colônias. visto que a idéia já estava desde muito no sentimento dos estadistas norte-americanos. dirigida ao Congresso dos Estados Unidos. v. p. 1907. 1894. Paris. que. ministro dos Estados Unidos em Londres. conhecidos como a Doutrina Monroe: 1º) o continente americano não pode ser sujeito no futuro de ocupação por parte de nenhuma potência européia.de Derecho Internacional.5.

Hélio Lobo. a doutrina enumera uma série de restrições específicas. Neste segundo caso. 53. ed. 32. em última análise. A hi. 1 94 7. A cnnci. Wagner Turbau Barreira. Fortaleza.1. Distingue-se. 49. Ela deve ser garantida ou. Podestà Costa . salvo para defesa própria contra uma agressão sofrida. 3º) a imunidade de jurisdição. É o caso da instituição das capitulações. um atentado à soberania do Estado. p.storv of the law nf iation. Todavia. Primeira Parte 125 Capítulo 10 RESTRIÇÕES AOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DOS ESTADOS O artigo 11 da Carta da OEA é categórico ao dispor que "Os direitos fundamentais dos Estados não podem ser restringidos de maneira alguma". pois a guerra ofensiva é-lhe proibida e não lhe será lícito fazer tratados que importem na obrigação de fazer guerra que não seja estritamente defensiva. 1930. Revi. que representam. 1955. Rio de Janeiro. teve o mérito de haver criado entre os países da América Latina a consciência da importância do princípio da não-intervenção. 1 .l. International law dige. O legado da Doutrina Monroe. a obrigação de a defender e. 1954. Presença dos Estados Unidos no Brasil. A enumeração das restrições varia de autor para autor e também no tempo. que existe apenas em tempo de guerra e constitui uma situação de fato.5. Gaddis Smith. a não fazer guerra a nenhum outro. O reconhecimento de status especial das minorias. New York. que no passado era importante. o dever de não violar tal neutralidade. Seção 1 Neutralidade permanente A neutralidade permanente (ou perpétua) é a situação reconhecida a um Estado que se compromete.s. New York. 401-3. além dessas genéricas. O próprio direito internacional. Jornal do Brasil.se hi. 1973. 1906. v . para os Estados que a concedem. Politic. George Canning a James Monroe. A garantia pode ser individual ou coletiva. contudo. p. . D.s cloutriria.. A neutralidade permanente não pode. O fortalecimento do princípio da autodeterminação. p. 4Q) o problema das capitulações e 5º) as servidões internacionais. admite inúmeras exceções de cunho genérico a essa regra básica. p. O reconhecimento implica. que pode ser considerado um dos pilares do sistema americano.. Rousseau . La doctrin e de Monroe. ao menos. p. I 32. 53. da neutralidade temporária. freqüentemente mencionado.s dn direito internacional. de maneira permanente.C. Moniz Bandeira. ser autônoma. a ação protetora dos Estados garantes não tem que ser necessariamente coletiva: cada um deles pode individualmente exercer tal ação. 1946.s. Whiteman .4. James Bassett Moore. Hans Morgenthau.regra de direito internacional. Pode-se dizer que a neutralidade permanente constitui uma restrição à soberania do Estado que a possui.st. A.sta Americana. 200. assegurar a integridade e a inviolabilidade do Estado a que se aplica. 4.stnry qf the Mnnrne Doctrine. Boston. portanto. 2º) o arrendamento de territórios. Bibliagrafia: Accioly . A garantia acarreta. p. 409. 4. é hoje em dia um dos direitos internacionais do homem. in RCAD/. pelo menos. em princípio. Washington. p. relativa e acidental. mas que deixou de existir.I . pois.s amorig nation. veio a diminuir os exemplos de restrições à soberania. reconhecida por outros Estados. p. t.s americuna. 105. Tendo em vista o atual panorama internacional. 1984. apenas os seguintes exemplos de restrições à soberania dos Estados serão abordados: 1º) a neutralidade permanente. 268. v. Camilo Barcia Trelles. p. 39. p. ao abrir as portas das Nações Unidas a inúmeros pequenos territórios que não gozavam de autonomia. 391-605. Dexter Perkins. Artur Nussbaum. livremente aceitas ou impostas. Beviláq ua . 14 out. p.

Foram eles: o do território do Amapá. que data de 1815. até 30 de junho de 1997. 126 Manual de Direito Internacional Público Convém não confundir a neutralidade perpétua ou permanente com a neutralização de simples territórios determinados. pelo qual a China cedeu a Península de Kaulun à Grã-Bretanha. Casos desse gênero tivemos nas regiões fronteiriças do Brasil. A neutralidade permanente parece também incompatível com certas disposições da Carta das Nações Unidas. Na América do Sul. nacionalista e revolucionária. Hong Kong deixou de ser uma colônia britânica e a 11º de julho voltou a fazer parte da China. Entretanto. Uma das conseqüências da derrota da China na Guerra do Ópio (1839-42) foi a assinatura do Tratado de Nanquim. O "arrendamento" foi pelo prazo de 99 anos. um país. justificado. mas nunca admitiu a independência de Hong Kong. e da Áustria. a Argentina e o Uruguai. porque o tal tratado não entrou em vigor por falta de ratificações. Assim. a fim de que o . Os únicos casos atuais de neutralidade permanente são os da Suíça. um território litigioso.A noção de neutralidade perpétua era incompatível com a qualidade de membro da Liga das Nações. o Uruguai. compreendeu a importância de manter a prosperidade de Hong Kong. o do território do Pirara. Por ocasião da sua visita à China continental em setembro de 1982. não obstante sua política antiimperialista. cuja situação neutral encontra-se indicada no artigo 24 do Tratado de Latrão. em 1898. Esta. depois de adotar a neutralidade permanente. Ainda durante a segunda guerra mundial. Novas divergências resultaram numa expedição militar anglo-francesa contra Pequim em 1858 e na conseqüente assinatura de novo tratado em 1860. que se trata de subtrair à jurisdição de qualquer das partes litigantes até que o litígio seja decidido. estabelecidos por acordo com o Peru. Essa declaração constou do tratado de 2 de janeiro de 1859 entre o Brasil. situação que representa apenas uma servidão negativa. por exemplo. chegou a ser declarado perpetuamente neutro entre os seus vizinhos. na Organização das Nações Unidas. A China comunista continuou essa política e. fixado por acordo com a Grã-Bretanha.stotu guo. foi admitida. através da qual grande parte de suas transações comerciais e Primeira Parte 127 financeiras eram efetuadas. de que se tratava de tratados desiguais. que a isentaram daquelas obrigações. mas não foi mantida. como Estado-membro. que passou a ser denominada os "Novos Territórios". para que a Suíça participasse da Liga das Nações sem abandonar o seu estatuto de Estado neutro. da Cidade do Vaticano. estabelecido por acordo com a França. Aceitava a manutenção do . Essa situação é. meramente temporária quando tem em vista. Seção 2 Arrendamento de território Em 30 de junho de 1997. a Áustria. que os forçavam a colaborar em certas intervenções armadas evidentemente contrárias à neutralidade estrita. em 1842. aproveitando 0 enfraquecimento da China. Os três tratados constituem a base da administração de Hong Kong pela Grã-Bretanha. porque o artigo 16 do Pacto da Liga estabelecia obrigações para os seus membros. Margaret Thatcher salientou a importância de que os vínculos de Hong Kong com a Grã-Bretanha fossem mantidos. ou seja. os dos territórios da bacia do Alto Juruá e da bacia do Alto Purus. foi necessária a conclusão de certos acordos especiais. nos termos dos entendimentos de 1955. às vezes. o governo chinês buscou anular os tratados sob o fundamento. em decorrência do qual a ilha de Hong Kong passou a fazer parte do Império Britânico. obrigou-a a "arrendar" uma área maior ao norte de Kaulun.

Podestà Costa . feitas em setembro de 1940. não há aqui uma imposição de um Estado mais forte sobre outro mais fraco. O direito internacional admite. nos termos da qual a antiga colônia passaria a ser uma Região Administrativa Especial. O melhor exemplo é o da imunidade jurisdicional dos funcionários diplomáticos reconhecida a todos os Estados e codificada pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961. 89. onde o Sindicate passaria a exercer atividades semelhantes às realizadas no passado pelas companhias de carta na África e na Ásia. 2º) os agentes diplomáticos. foi firmada a Declaração Conjunta sobre a Questão de Hong Kong. que representava uma ameaça à soberania da Bolívia. que certas pessoas possam continuar. Ficou ainda decidido que o sistema econômico e comercial capitalista será mantido por 50 anos depois de 1997. a 9 de dezembro de 1984. . Surgiu em virtude da assinatura pelo governo boliviano de uma série de contratos com capitalistas ingleses e norte-americanos. p. 3º) determinadas categorias de cônsules. A criação do Brazilian Sindicate no início do século teria representado um exemplo de arrendamento de território na América do Sul. continuam fora do território. gozando do direito do que se denomina exterritorialidade. p. bem como à dos países que teriam que ser cruzados. além de outras vantagens destinadas a facilitar o seu acesso ao Atlântico. por uma ficção jurídica. 4º) tropas estrangeiras devidamente autorizadas a atravessar o território de um Estado ou de nele se instalar temporariamente. de bases navais e aéreas na Terra Nova e nas ilhas de Bermudas. 05-09-2000 128 Manual de Direito Internacional Público Seção 3 Imunidade de jurisdição O direito de jurisdição figura dentre os básicos dos Estados. Santa Lúcia. Trinidad e Antígua. 281. Exemplos mais recentes de arrendamentos de territórios foram as cessões. pelo prazo de 99 anos. Trata-se evidentemente de uma restrição aos direitos fundamentais dos Estados. 1-59. in RCADI. sobre neutralidade permanente.1. Díez . Depois de longas negociações. 443.1. com um alto grau de autonomia e um principal funcionário executivo nomeado pelo governo de Beijing. p. v. contudo. bem como na Guiana Britânica. o Barão do Rio Branco negociou e assinou o Tratado de Petrópolis. Gozam de imunidade de jurisdição. 238. segundo o qual todas as pessoas e bens situados em seu território achamse submetidos às suas leis e tribunais. que resultaram na transformação das regiões em colônias européias. pela Grã-Bretanha à União norte-americana. Chaumont. ou seja. em determinadas circunstâncias. Com o objetivo de acabar com a situação criada. p. ou exterritorialidade: 1º) os chefes de Estado e governo. 5º) os oficiais e os tripulantes de navios de guerra de um Estado aceitos em águas territoriais de um outro. Mello . em 1903. ao contrário do que ocorre nos outros casos. Jamaica. Bibliografia: Accioly .l. mas. 6º) os oficiais e tripulantes de aeronave militar autorizados a pousar em território estrangeiro.território pudesse continuar a ser um importante centro comercial e financeiro. p. Bahamas. isto é. 1956. sujeitas às leis civis e penais de seus próprios Estados. mas admitiu que se poderia buscar uma solução visando a que o Reino Unido reconhecesse a soberania da China sobre Hong Kong. C.I. através dos quais como que abria mão da sua soberania no Acre. Nations Unies et neutralité. nos termos do qual a Bolívia abriu mão de seus direitos em troca de substancial indenização financeira. 82.

e que serviu de modelo a outros. no Sião. isto é. igualmente de tal privilégio na China. a principal é a das servidões internacionais. no segundo. desde 1929. Desde 1923. que. Vinha do Oriente. e a restrição seja admitida em favor de outro ou outros Estados. e abrangia certas garantias e facilidades comerciais reconhecidas a estrangeiros. O regime existiu também no Egito (suprimido pela Convenção de Montreaux. Dentre as restrições. declarou estar disposto a colaborar com os demais países interessados a fim de chegar a um acordo para a supressão do privilégio da exterritorialidade: em agosto de 1943. Gozou. propriamente dito. na Bulgária. com o embaixador da França. Primeira Parte 129 concessões unilaterais graciosas que regulavam a situação jurídica dos cristãos. ou restritivas (in non faciendo) . O país onde por mais tempo ele existiu foi a Turquia. No primeiro caso. Por analogia com o direito civil. o Magnífico. Elas podem ser permissivas (in patiendo) . que são restrições que o Estado aceita expressa ou tacitamente quanto ao livre exercício da soberania sobre o seu território. não devem ser confundidas com as convenções entre beligerantes visando à rendição de uma praça ou de forças militares ou navais. Mais tarde. 3º) que ele seja estritamente real ou territorial. O sistema das capitulações já desapareceu ou. às vezes. três são as condições essenciais: 1º) que o direito atingido pertença a um Estado. atribulações policiais aos cônsules dos países a cujos nacionais se aplicava. são chamadas positivas. dos chamados países fora da Cristandade. de 8 de maio de 1937). cujo primeiro tratado de capitulações com uma grande potência foi o de 1535. O regime das capitulações determinava a concessão ou o reconhecimento de certas imunidades. no Marrocos. pelo menos. as capitulações eram. Desde muito. as capitulações passaram a ser imposições destas. porém. muita vez. chamadas concessões. Jehan de La Forest. por efeito do tratado celebrado em Tien-Tsin a 3 de outubro de 1881. as capitulações foram completamente abolidas na Turquia. no entender dos príncipes muçulmanos. negativas. servidões in faciendo. o governo do Brasil. da China. por efeito do tratado celebrado em Londres a 5 de fevereiro de 1858 e denunciado pelo governo otomano a 7 de fevereiro de 1911. Quanto à China. certas partes do território chinês. celebrou um tratado com o governo chinês. só se referia a imunidades judiciárias e privilégios fiscais. faculdades especiais de jurisdição. concluído pelo sultão Solimão. De qualquer maneira. que haviam expulsado os cristãos da Terra Santa. já se acha praticamente extinto. na Pérsia (Irã) e na China. variavam de um Estado a outro. Não existem. Neste último país.permissão de certo uso do território em causa. que acarretam a obrigação de um . a outra. 2º) que o direito concedido seja permanente. entretanto. elas podem ser consideradas "direitos reais sobre coisa alheia". O Brasil gozou do privilégio das capitulações na Turquia. visto que o Corão não lhes era aplicado. pelo qual se pôs fim ao privilégio. no Japão. com o enfraquecimento do islamismo e o fortalecimento das potências européias. 130 Manual de Direito Internacional Público 05-09-2000 Seção 5 As servidões internacionais A jurisdição de um Estado sobre o seu território pode sofrer restrições em favor de outro ou outros Estados. na Abissínia. e.Seção 4 Capitulações Num sentido amplo. havia duas zonas de aplicação do regime: uma compreendia o território. Segundo Accioly.restrição de exercer o poder territorial em toda a sua extensão.

W. mas. que em seu primeiro relatório salientou que. AJIL. Capítulo 11 RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS A questão da responsabilidade internacional dos Estados é tida como a mais importante do DIP. 82. Podestà Costa . p. Passados 25 anos. p. v. A escolha recaiu sobre o Prof.I. na interdição do estabelecimento de bases navais em certos pontos. convencionada entre o Brasil e o Uruguai no artigo 2° do tratado de 30 de outubro de 1909. p. in RCADI. V. p. Mello . 89. Georg Ress. tanto assim que a CDI em sua primeira sessão de 1949 a colocou na relação dos catorze problemas prioritários. H. As servidões positivas consistem.. Díez . The Hong Kong agreement and the impact on international law. podem ser mencionados. Austria's permanent neutrality. p.Estado fazer alguma coisa em proveito de outro ou outros Estados. Bibliografia: Accioly . 19 64. Alfred Verdross. de gozar do livre trânsito através do seu território. F. Em 1962. 82. As servidões internacionais extinguem-se por acordo entre os Estados interessados. p. pela fusão destes.l. 95-422. La nature juridique du territoire. v. 50. 68. Podestà Costa . Austria's permanent neutrality and the United Nations. v . 62. Podestà Costa . 2º) a interdição do estabelecimento de fortes ou baterias nas margens da lagoa Mirim. nas do rio Jaguarão ou em qualquer das ilhas situadas nessas águas.l. Schoenbor n. de uma faixa territorial. in RCADI. p. Lauterpacht. p. Nations Unies et neutralité. Mello . 306. AJIL. p. I 15. Accioly . 238. de construir e explorar estradas de ferro no seu território. consistem. de uma ilha. v.180. a Comissão voltou a declarar que a questão era de natureza prioritária. 247. por exemplo. Roberto Ago (Itália). e sim.1. Em matéria de servidões negativas. as tentativas anteriores de codificação não foram bem sucedidas. Chaumont. dois exemplos que interessam ao Brasil: 1º) a interdição de utilização da ilha de Martín García como meio de impedir a livre navegação do rio Paraná. no direito reconhecido por um Estado a outro ou outros Estados de manter guarnição militar em certa parte de seu território. verifica-se que a CDI continua a enfrentar dificuldades. mas com a sua eleição para a CIJ . 1956. pelo menos. As servidões negativas. 446.1.1. porque isso já não seria uma . Em 1955. 30. Rousseau . na proibição da fortificação de uma cidade. de um porto. C. 419.d. p. 82. 443. foi julgada aconselhável a indicação de novo Relator. 1-59.servidão. in RCADI.s. Roberto Ago teve ensejo de apresentar oito primorosos relatórios. Não terá esse efeito a simples transferência a outro ou outros Estados dos territórios a que se apliquem. O Prof. s.2. como o Prof. Le Fur. Règles générales du droit de la paix. Garcia Amador já não fazia parte dela.1. as incertezas encontradas e as divergências de opiniões e interesses na matéria. Josef Kunz. p. v. no impedimento à cessão ou alienação de determinado território. sobre neutralidade permanente. por exemplo. propriamente dita. não obstante algum progresso verificado. conforme observa Antokoletz. uma obrigação ordinária. Londres. de exercer a pescaria em águas da sua exclusiva jurisdição. 7 de março de 1856 e outros atos internacionais entre os Estados ribeirinhos. 281 . 50. 1937. P réci. 81 . sobre arrendamento de território. Garcia Amador (Cuba) foi nomeado Relator Especial e em tal capacidade teve ensejo de submeter à CDI seis relatórios. daí a conveniência de sua postergação até um momento mais propício". p. que deveria abordar a questão ex novo. em geral mais numerosas e quase sempre de caráter militar. p. p. o Prof.l. p. "em virtude das ditïculdades excepcionais inerentes à matéria. estabelecida em tratados de 10 de julho de Primeira Parte 131 1853. 1929. pela renúncia expressa ou tácita do Estado ou dos Estados a que aproveitam ou por qualquer outro meio de resolução dos tratados.

autor de seis relatórios. A doutrina tradicional. quer se trate de um fato positivo. poderia dizerse que a responsabilidade do Estado será sempre indireta. Mas. natura ad nihil tenetur. mas de maneira que possa ser imputável ao governo. Ainda se notam. Essa distinção. Desde muitos anos. Willem Riphagen (Países Baixos). Se não existe direito lesado. é antes teórica do que prática. porém. e que a segunda resulta de atos praticados por simples particulares. naturalmente. de ato ou omissão que possa ser atribuído ao Estado. os atos de particulares não podem acarretar propriamente a responsabilidade do Estado. Gaetano Aranzio-Ruiz (Itália). Ato ilícito é o que viola os deveres ou as obrigações internacionais do Estado. A CPJI teve ensejo de estabelecer o princípio de que a violação de um compromisso acarreta a obrigação de reparar por forma adequada. que procurou dar à responsabilidade uma base puramente objetiva.foi substituído pelo Prof. se verifique mais uma condição. pode-se considerar como incontestável a regra segundo a qual o Estado é internacionalmente responsável por todo ato ou omissão que lhe seja imputável e do qual resulte a violação de uma norma jurídica internacional ou de suas obrigações internacionais. isto é. Em rigor. a mesma resulta. . é preciso 134 Manual de Direito Internacional Público que aquele tenha praticado o ato na qualidade oficial de órgão do Estado ou com os meios de que dispõe em virtude de tal qualidade. dizendo-se que a primeira deriva de atos do próprio governo ou de seus agentes. de uma omissão. em virtude de seu comportamento. não se pode falar em responsabilidade. segundo resulte de atos delituosos ou da inexecução de compromissos contraídos. Nesta categoria estão apenas os atos ou as omissões de indivíduos que o representem ou encarnem. Seção 1 Os princípios gerais e sua aplicação Conforme esclarece Accioly. como a imputabilidade exige certo nexo jurídico entre o agente do dano e o Estado. surgiu forte reação contra essa teoria. quer de um fato negativo. contudo. o princípio fundamental da justiça traduz-se concretamente na obrigação de manter os compromi. podem decorrer também do costume ou dos princípios gerais do direito. mas este será responsável por não os haver prevenido ou punido. 3º) que esse ato seja realmente imputável ao Estado. além das já indicadas: é que haja culpa do Estado. Tais obrigações não resultam apenas de tratados ou convenções. Quanto à imputabilidade. O que importa é: 1°) que haja um dano feito a direito alheio. princípio este sobre o qual repousa a noção de responsabilidade.ssos Primeira Parte 133 assumidos e na obrigação de reparar o mal injustamente causado a outrem. e quando responde por atos de particulares não é por tê-los praticado. no sentido em que aqui é tomada a palavra. A responsabilidade jurídica do Estado pode achar-se comprometida tanto por um dano material quanto por um dano moral. porque somente pode praticar atos por meio dos seus agentes. Daí o dizerem que o dano resultante de um caso de força maior ou de um caso fortuito não acarreta a dita responsabilidade. Na verdade. e mais tarde pelo Prof. Assim. 2º) que se trate de ato ilícito. porém. contudo. Muitos autores exigem que. É corrente falar-se também em responsabilidade direta e responsabilidade indireta. para a existência da responsabilidade internacional do Estado. reação iniciada por Triepel. ainda admitida por alguns autores. muitas divergências e alguma hesitação entre os que repudiam a antiga doutrina. A responsabilidade pode ser delituosa ou contratual. segue essa orientação e se baseia no velho princípio do direito romano segundo o qual gui in culpa non est.

Nessa matéria. como atos ou omissões do próprio Estado. às prisões ilegais ou injustas e a da falta da proteção devida aos estrangeiros. A aplicação dos princípios gerais é múltipla porque a atividade do Estado ou dos seus órgãos pode manifestar-se de diversos modos. a) Atos do órgão executivo ou administrativo . e ainda por atos de simples indivíduos. que a responsabilidade do Estado estará comprometida se o dano causado resulta de uma ação ou omissão do poder executivo prejudicial aos direitos derivados de uma concessão feita pelo Estado ou de um contrato por este subscrito. mesmo se tais atos forem baseados no seu direito interno. com a simples subordinação do dever de reparação a um nexo causal entre a ação ou omissão do agente e o dano ou ato ilícito praticado. as das questões relativas às concessões ou contratos do Estado. a um conceito contido em nosso Código Civil. serão examinadas as seguintes hipóteses: 1º) atos dos órgãos do Estado. talvez se pudesse chegar a uma solução razoável. e diversas hipóteses podem ser consideradas a respeito. seja qual for Primeira Parte 135 o poder a que pertençam. por exemplo. segundo o qual "aquele que. negligência ou imprudência. a oposição entre as duas noções só apresenta um interesse teórico: resultados equivalentes poderão ser alcançados com qualquer dos dois sistemas. A ação ou omissão poderá apresentar-se sob formas diversas. e 4º) responsabilidade por danos resultantes de motins ou guerras civis. Entre elas figuram. É incontestável que o poder executivo ou as autoridades superiores que o encarnam têm qualidade para comprometer a responsabilidade do Estado. porque os atos ou as omissões de seus órgãos. para isto basta que um outro Estado ou um cidadão estrangeiro sofra um dano resultante de ação ou de omissão das referidas autoridades incompatível com as suas obrigações internacionais. Poderíamos recorrer. divergem sobre o sentido da palavra culpa. temos aí reunidos os elementos subjetivo e objetivo. por Estados a ele subordinados ou protegidos. que tem sido debatida. no estudo da aplicação dos princípios gerais.Os casos mais comuns de responsabilidade do Estado resultam de atos dos órgãos do poder executivo ou administrativo e podem decorrer de decisões do próprio governo ou de atos de seus funcionários. 136 Manual de Direito Internacional Público No tocante a contratos ou concessões. especialmente porque os próprios internacionalistas. às dívidas públicas. Além do mais. Como quer que seja. Assim. em certas condições. 27). ou se funde esta num critério puramente objetivo. devem ser considerados. Não bastaria dizer-se que este é o que viola deveres ou obrigações. partindo-se da idéia de ato ilícito. É ainda necessário examinar os casos em que a responsabilidade poderá recair sobre o Estado por atos de coletividades que em seu território exercem função pública. violar direito ou causar prejuízo a outrem fica obrigado a reparar o dano". . Em conseqüência. No campo administrativo o Estado é suscetível de incorrer em responsabilidade. 2º) atos de coletividades que exercem função pública e de Estados subordinados ou protegidos. geralmente. freqüentemente é difícil determinar com precisão até onde vão as obrigações internacionais do Estado. muitas vezes. ou se considere a culpa como condição essencial da responsabilidade. 3º) atos de indivíduos. por ação ou omissão voluntária. por exemplo. admite-se. Seção 2 Atos de órgãos do Estado Os atos de órgãos do Estado contrários ao DIP implicam responsabilidade internacional. Esta regra foi codificada pela Convenção sobre o Direito dos Tratados de 1969 (art.

então. uma pessoa conhecida. o Estado não deve responder pelo ato de seu agente.É um pouco distinto desse caso o do repúdio ou falta de pagamento das dívidas públicas do Estado.e é. Entre outros atos do próprio governo que podem determinar a responsabilidade internacional do Estado. Dir-se-á. no caso das dívidas públicas. que ainda nos casos em que não existe semelhante evidência. de sorte que o governo ignora quem são os seus credores. contraídas sob a forma de títulos ou obrigações. se justifica muito menos quando estes são portadores de títulos de governo estrangeiro do que quando eles são vítimas da não execução de obrigações contratuais ordinárias. talvez.de condições de insolvência do Estado devedor. que. não representava. ter escapado ao abuso de poder do funcionário. em tal caso. pode considerar-se que a perda ou diminuição de crédito já é um castigo suficiente para o governo honesto. o estrangeiro poderia. Tal responsabilidade se acha comprometida. se se verifica apenas um adiamento ou uma suspensão dos pagamentos de títulos ou juros. mas faltoso. . finalmente. o fato pode derivar . conheciam os riscos do negócio. comportando-se como órgão do Estado. Aliás. salvo se a sua incompetência era tão flagrante que o estrangeiro lesado deveria tê-la percebido. os títulos são geralmente ao portador e livremente negociáveis. Borchard mostra claramente a diferença. se a incompetência é manifesta. de alguma sorte. pois. A responsabilidade do Estado também estará comprometida se o dano sofrido por um estrangeiro resultou de que o governo do Estado Primeira Parte 137 não empregou. evidentemente. além disto. existe a presunção de que os portadores de títulos. A razão da ressalva é clara: o estrangeiro não é obrigado a conhecer exatamente os limites da competência do funcionário. e consagrado pela prática internacional. a diligência que. Por outra parte. cada vez que o deseje e quaisquer que sejam as hipóteses. talvez. uma vez que o funcionário tenha agido em sua qualidade oficial. o que sucede . Isto não significa que um Estado goze de plena liberdade para deixar de pagar seus empréstimos externos. contra as quais nada há a fazer. ou se o tratamento sofrido na prisão foi contrário ao que o uso geral das nações considera razoável. não só para prevenir o dano. inclui-se a prisão injusta ou ilegal de estrangeiros. que o Estado deve responder pelos ditos atos. que não é fácil ou nem sequer será fácil determinar se houve ou não a devida diligência. esperar de um Estado civilizado. Não se pode admitir. se a prisão ou detenção não foi autorizada pela lei local. no caso de contratos. Daí não se deve concluir que deixará de existir tal responsabilidade quando os funcionários procederam fora dos referidos limites: ela existe nesse caso. Poderá alegar-se. o funcionário que procede sem competência não é órgão do Estado. E. que toda a privação de liberdade seja abusiva. porém. raazoavelmente. Em todo caso. quando estes são contrários às suas obrigações internacionais e os funcionários procederam nos limites da sua competência. é lícito afirmar-se que esta existe quando o Estado usou das medidas adequadas às circunstâncias. É de certo por esta razão que o referido autor declara que a intervenção de um governo. Mas. o governo entra em relações diretas com o credor: este é. se poderia. muita vez. para protegê-lo. ao passo que. em favor de seus nacionais. quando pratica algum ato nessas condições. já é princípio geralmente aceito. Se se trata de atos dos funcionários do Estado. até o momento em que tais títulos lhes são apresentados para resgate. ao dizer que. ao adquiri-los. em razão das circunstâncias e da qualidade da pessoa em causa. mas ainda para repará-lo.

tanto podem ser praticados em território nacional quanto em território estrangeiro. a responsabilidade do Estado. embora este princípio nem sempre tenha sido aceito pelos governos. ao . e no Brasil inclusive por J. então. do respeito devido à coisa julgada e das garantias normalmente existentes no processo judiciário. Os atos de funcionários. que é funcionário do Estado e de fato se comporta como órgão do Estado. que executou o ato lesivo utilizando-se de sua qualidade oficial. que. se mantém nos limites de sua própria competência ou os excede. Embora o princípio da responsabilidade por atos do judiciário seja reconhecido de um modo geral. Poderá invocar-se também outra razão para que se imputem tais atos ao Estado: é a impossibilidade de se verificar seguramente quando um indi138 Manual de Direito Internacional Público víduo. existe a preocupação de não criar para o Estado ou indivíduos estrangeiros uma eventual instância superior à dos tribunais nacionais. pois. em caso dessa natureza. de que um Estado não pode declinar sua responsabilidade com a invocação de seu direito interno. A razão de tão escassa exigência deriva de que o indivíduo ou o Estado que sofre um dano por ato de um funcionário estrangeiro não pode saber. Assim. ciosos da independência de seus tribunais. ou não. alguns autores relutam em admiti-lo. oriunda diretamente do próprio ato do funcionário ou agente do Estado e baseada em considerações que se prendem à segurança das relações internacionais. os cônsules e os oficiais de marinha. b) Atos do órgão legislativo . Por isso. Rezek. É o caso de Clóvis Beviláqua. Primeira Parte 139 Esta regra. em geral. não deixa de ligar o funcionário ao Estado. Accioly. apesar da incompetência. geralmente. O Estado deve reparar o dano causado pelo seu funcionário incompetente.Os princípios aplicáveis aos atos do órgão executivo também o são aos do órgão legislativo. baseando-se no preceito da independência dos órgãos judiciários. Invoca em tal sentido uma sentença proferida pela CPJI em 1932. Os funcionários nesta última situação são. c) Atos do órgão judiciário ou relativos às funções judiciárias .Não haveria. nos limites de sua competência ou no cumprimento de instruções eventualmente recebidas de seu governo. o Estado responderá por isso. Accioly é categórico ao afirmar que "a própria lei constitucional não o pode isentar de responsabilidade por violação de seus deveres internacionais".O Estado pode ser responsabilizado em conseqüência de atos de seus juízes ou de seus tribunais. é outra. que conta com forte apoio doutrinário. porque tal qualidade. os agentes diplomáticos. F. Daí a regra. se este procedeu. sustentou que o Estado não pode ser responsável por danos causados por seus tribunais. motivo para se invocar. que se pode dizer universalmente aceita. ainda que este tenha funcionado como órgão constitucional. começa a ser contestada. Além disso. A razão porém. suscetíveis de acarretar a responsabilidade internacional do Estado. deve-se considerar a responsabilidade do Estado como puramente objetiva. ou deixa de adotar as disposições legislativas necessárias para a execução de algum dos ditos deveres. se o poder legislativo do Estado adota uma lei ou resolução contrária aos seus deveres internacionais ou incompatível com tais deveres. Para que tais atos possam ser imputados ao Estado basta que o funcionário em causa tenha procedido nos limites aparentes de suas funções. declarando que "um Estado não pode invocar contra outro Estado sua própria constituição para se esquivar a obrigações que lhe incumbem em virtude do direito internacional ou de tratados vigentes".

é de se . que é a da idéia corrente em direito internacional. Quanto ao primeiro caso. dentro dos limites de sua competência. a menos que ponha em dúvida o princípio da responsabilidade internacional do Estado por atos do seu órgão judiciário. mas. e observou as formalidades legais. Apenas. 4º) quando os tribunais do Estado não oferecem aos estrangeiros as garantias necessárias para a boa administração da justiça. é a impossibilidade para um estrangeiro de obter justiça ou a reparação de uma ofensa. se em tal manifestação existe a violação de obrigações internacionais. em princípio. incompatível com as obrigações internacionais do Estado. Assim. a violação de uma obrigação internacional. mas não inclui todas as possíveis violações do direito internacional ou dos compromissos internacionais de um Estado por atos de seus órgãos judiciários. existe denegação de justiça: 1°) quando um Estado não fornece aos estrangeiros a devida assistência judiciária. que a sentença apresente caráter tão flagrantemente injusto e parcial. segundo Accioly. Assim sendo. precisar que essa responsabilidade não existirá na hipótese de uma decisão judiciária que viole simplesmente os preceitos do direito interno do Estado. o Estado deve por ela responder. Na segunda. Ainda a propósito de sentença manifestamente injusta. é a recusa de aplicar a justiça ou de conceder a alguém o que lhe é devido. ou porque não lhes permite o acesso a seus tribunais. 3°) quando as ditas autoridades se negam a proferir sentença em tais causas. em si mesmo.contrário. porém. talvez. De acordo com a opinião mais corrente. Assim. ou de tão evidente má-fé. que nenhum tribunal honesto a teria proferido ou só o poderia ter feito sob pressão externa. Evidentemente. não há base. se o erro cometido não representa uma injustiça palpável ou não constitui. ninguém o contesta. Vejamos. A denegação de justiça pode ser tomada em duas acepções: uma ampla e a outra restrita. porém. mas procedeu de boa-fé. existem ainda grandes divergências sobre a definição dessa figura jurídica. ou retardam obstinadamente as respectivas sentenças. de natureza judiciária. confundir a injustiça manifesta com o simples erro. o mesmo já constitui doutrina mais ou menos corrente. É preciso. Não se deve. ensina que o direito internacional toma a decisão ou o ato de um tribunal nacional simplesmente como uma das manifestações da atividade do Estado. porém. em que casos ou condições pode a responsabilidade internacional do Estado ser comprometida por atos do poder judiciário ou relativos às funções judiciárias. 2º) quando as autoridades judiciárias se negam a tomar conhecimento das causas que os estrangeiros lhes 140 Manual de Direito Internacional Público submetem por meios regulares e a cujo respeito tenham jurisdição. em que a responsabilidade internacional do Estado se achará comprometida. ninguém poderá pretender que as decisões judiciárias sejam infalíveis. Primeiro que tudo. Podem tais casos ser resumidos nos seguintes: 1°) o de uma decisão judiciária definitiva. Quanto ao outro caso. para uma reclamação Primeira Parte 141 diplomática ou para que se declare comprometida a responsabilidade do Estado. 2°) o de uma decisão judiciária definitiva. se um tribunal comete um erro. ou porque não possui tribunais adequados. ninguém contestará que isso sucede na hipótese de denegação de justiça. há outros casos. Convém. com relação a um fato ou a uma causa que julga ou à interpretação de uma lei interna. a denegação de justiça refere-se apenas à matéria judicial. a responsabilidade do Estado não estará comprometida. manifestamente injusta. Na primeira.

142 Manual de Direito Internacional Público Há. nem procedem nessa qualidade. ao órgão central comum que tem a direção dos negócios externos de uma Federação ou de outra qualquer união de Estados. de obrigações que lhe são impostas pelo direito internacional. em seu território. a pirataria. Nisto diferem tais atos dos que determinam a responsabilidade do Estado por provirem dos referidos órgãos ou agentes. Evidentemente. exerçam funções públicas de ordem administrativa ou legislativa (comunas. então. suscetíveis de comprometer a responsabilidade internacional do Estado. as publicações injuriosas contra ele dirigidas etc. não. em geral. melhor. determinar a reparação devida pela falta cometida. quando tais atos são contrários aos deveres internacionais do Estado. fundada . Isto é. Seção 3 Atos de indivíduos O direito internacional reconhece a existência de atos internacionais ilícitos imputáveis exclusivamente a indivíduos: tais são. os particulares. é doutrina corrente que um Estado estrangeiro não deve tratar diretamente com as unidades da Federação e que o governo desta não se pode esquivar à responsabilidade por atos imputáveis aos governos das ditas unidades. Os agentes ou funcionários do Estado falam e agem em seu nome. a responsabilidade não decorrerá propriamente dos atos de indivíduos que não representam o Estado.). A mais antiga de todas. No primeiro caso. Muito mais numerosos serão os exemplos do segundo caso. eventualmente. por exemplo. Relativamente ao Estado federal. o Estado não pode exercer sobre estes a mesma vigilância e fiscalização que sobre aqueles. deverá o Estado responder também por atos de tais indivíduos? Diversas teorias têm procurado explicar e justificar semelhante responsabilidade. incumbe a responsabilidade pelo cumprimento ou falta de cumprimento das obrigações internacionais por parte do Estado ou Estados representados ou subordinados ou dos membros de tais uniões. o tráfico de drogas e de escravos e. a que Anzilotti dá o nome de teoria da solidariednde do grupo. o autor ou autores dos atos lesivos possuem a qualidade de órgãos ou agentes do Estado. mas a de dizer se o caso importou em violação de alguma obrigação internacional e. por sua parte. províncias etc. o insulto à bandeira ou emblemas nacionais de um país estrangeiro. sob a alegação de que a autonomia das mesmas não lhe permite intervir nos seus negócios. Por que. repousava numa concepção reinante na Idade Média e segundo a qual se considerava o Estado como uma coletividade cujos membros respondiam. se uma questão dessa natureza é submetida a um juízo internacional. o transporte de contrabando e a violação do bloqueio. dentro de cuja jurisdição são praticados. individual e coletivamente.ter em vista que. Grócio imaginou outra. pelos atos de qualquer deles. a função deste não deverá ser a de rever ou reformar a decisão incriminada. mas da atitude deste. a responsabilidade do Estado. atos de simples particulares que podem comprometer. porém. ou são lesivos a um Estado ou a meros indivíduos estrangeiros. em tempo de guerra. Os atos ilícitos de particulares. É regra geralmente aceita a de que o Estado responde pelos atos de pessoas jurídicas ou coletividades que. se bem que indiretamente. Ao Estado ao qual compete a representação externa de outro ou dirige as relações exteriores de outra unidade política. ou. da inexecução. Em contraposição a essa teoria. podem citar-se como exemplos: os ataques ou atentados contra o chefe ou os representantes oficiais de um Estado estrangeiro. Em nenhum dos dois casos.

a proteção devida à pessoa e bens dos estrangeiros? Ou. isto é. neste sentido que se manifestou o Instituto de Direito Internacional em 1927. quando o dano resulta da omissão de providências que ele devia. pelos danos sofridos pelos estrangeiros. a responsabilidade daquele Estado resultará da aprovação tácita do fato. de uma espécie de cumplicidade com o delinqüente. isto é. em território sob sua jurisdição. na mesma medida em que o faz em relação aos nacionais. Foi. não tenham concedido. o direito de propriedade. pode dizer-se que o Estado será responsável por atos de particulares: 1º) se deixou de cumprir o dever de manter a ordem. um Estado não impede. especialmente latino-americanos. que os estrangeiros não podem reclamar proteção especial do Estado que os acolhe ou uma situação privilegiada. normalmente. quando muito. reconhecer-lhes um mínimo de direitos. Por outras palavras. Qual. É sabido que o Estado pode e deve regular a condição dos estrangeiros. porém. ser absurdo que os estrangeiros possam pretender direitos superiores aos dos nacionais ou diferentes dos reconhecidos a estes. em suas pessoas ou bens. finalmente. Assim. e não de qualquer relação de solidariedade entre o indivíduo e o respetivo grupo social. ao adotar o preceito de que os governos só são responsáveis. ter adotado. 2º) se foi negligente na repressão de atos ilícitos cometidos contra o estrangeiro. então. . Segundo a nova concepção. no tocante a fatos lesivos cometidos por particulares. preferem admitir um máximo de direitos para os estrangeiros. no entanto. isto é. ou protege o delinqüente subtraindo-o à punição. entre os quais se salientam o direito à vida. precisamente. de assegurar à pessoa e bens do estrangeiro a proteção que lhe é devida. as garantias necessárias para prevenir os ditos danos ou prejuízos". o Estado é responsável. por exemplo. como tal. reprimir os atos ilícitos praticados contra os estrangeiros e esforçar-se por prevenir tais atos. em 1925. podendo fazê-lo. a responsabilidade do Estado decorreria da cumplicidade com os seus membros. para prevenir ou reprimir tais fatos. na medida das suas forças. Esta decorre da atitude do Estado. Não negam que o Estado deve assegurar aos estrangeiros a aquisição e gozo dos direitos civis e a proteção legal das autoridades nacionais. os quais apenas ocasionam a responsabilidade. mas. assegurar-lhe certa 144 Manual de Direito Internacional Público proteção. da inexecução. quais os deveres dos Estados para com os estrangeiros que se encontrem em território sob sua jurisdição? A doutrina internacional e a própria prática internacional a esse respeito não têm sido uniformes. em contraposição ao nível mínimo de tratamento que as teorias mais recentes exigem para estes. o direito à liberdade individual. Alegam. mas afirmam. todavia.essencialmente no direito romano. por ele. Acrescentam que ao Estado cumpre. É a teoria da culpa: sem esta não existe responsabilidade. de obrigações que o direito internacional lhe impõe. com força. ou. que um indivíduo sob sua jurisdição pratique um ato delituoso contra ouPrimeira Parte 143 tro Estado. em seu território. Mais ou menos no mesmo sentido já se havia declarado o Instituto Americano de Direito Internacional. tenham sido negligentes na repressão dos atos que perturbam a dita ordem. "quando não tenham assegurado a ordem interna. A responsabilidade do Estado não resulta diretamente dos atos do indivíduo. Isto significa que o Estado deve responder pelo desrespeito a tais direitos. sem dúvida. Muitos autores. ou seja. Cumpre-lhe. Quando. relativamente a pessoas ou coisas no seu território. no seu território. pela violação da sua obrigação de os assegurar. é princípio hoje corrente que. ou seja.

como pessoa. por todos os Estados. "como princípio de direito internacional. Daí o direito internacional contemporâneo reconhecer que os estrangeiros. foi declarado que "os estrangeiros não poderão pretender direitos diferentes dos nacionais. nem mais extensos do que os destes". o direito à vida. língua ou religião. não é ao Estado estrangeiro que cabe discutir o caso ou reclamar contra a desigualdade. Se se encara a questão sob outro aspecto. de um estatuto compatível com as exigências do direito internacional já passou do campo da doutrina para o da justiça internacional. sexo. de maneira permanente. Assim. a igualdade civil do estrangeiro com o nacional. Assim. Assim. em resolução aprovada a 24 de dezembro de 1933. salvo na hipótese em que o país onde residem não assegure aos respectivos habitantes. em sentença proferida a 25 de maio de 1926. pode afirmar-se que existe para ele um nível mínimo de tratamento. Em favor desses nacionais existirá sempre a presunção de que se resignam com a sua própria situação ou a de que poderão recorrer. O que se pretende é apenas que o Estado conceda aos últimos um mínimo de direitos. adotada na mesma reunião. raça. sem distinção de nacionalidade. abaixo do qual nenhuma nação civilizada pode descer. isto é. Esse mínimo corresponde ao chamado "padrão internacional de justiça" (international standard of justice). isto é. a certos direitos fundamentais do indivíduo. nem tratamento privilegiado para estes. em casos relativos à proteção de nacionais de algumas destas. em geral também assegurado aos nacionais. recurso do qual o estrangeiro. contra o mau tratamento eventualmente sofrido. concernente ao tratamento de estrangeiro e proibida 146 Manual de Direito Internacional Público pelo direito das gentes. talvez tenha determinado a reação constante da tese do máximo de direitos. mas não basta para Primeira Parte 145 justificá-la. à liberdade e à propriedade. não se trata de estabelecer a igualdade de direitos entre nacionais e estrangeiros. poderá sustentar-se que o reconhecimento. o direito internacional não exige que aos estrangeiros sejam reconhecidos mais direitos do que aos nacionais. de um mínimo de direi- . a Corte Permanente de Justiça Internacional. por exemplo. o mínimo de direitos que o sentimento da justiça internacional impõe a todo povo civilizado. geralmente. porque esses nacionais o são do Estado em cujo território residem.Alguns dos referidos autores chegam ao exagero de sustentar que a base dos direitos reconhecidos aos estrangeiros só pode ser a legislação do Estado que os acolhe. e não o direito internacional. decidiu que certa medida. se acha privado. Se esse mínimo é superior ao de que gozam os nacionais. Por isso. tem direitos fundamentais que lhe devem ser reconhecidos em toda parte. e o direito ao livre exercício de qualquer crença cuja prática não seja incompatível com a ordem pública ou a moral. antes. A tendência favorável à concessão de um estatuto especial para os estrangeiros ou. não se poderia tornar legítima pelo fato de o Estado em causa aplicá-la a seus próprios nacionais. O fato de alguns países latino-americanos terem sido vítimas de práticas abusivas. como limite máximo de proteção a que o primeiro possa aspirar". estão sujeitos às leis locais. foi reafirmada. por lhe não serem reconhecidos tais direitos. mas que essas lhes devem assegurar um mínimo de direitos. por exemplo. na Conferência Internacional Americana de Montevidéu. A tese do máximo dos direitos reconhecidos aos estrangeiros encontrou expressão em diversas resoluções e convenções das conferências internacionais americanas. por parte das grandes potências. da mesma forma que os nacionais. ao exercício de direitos políticos. e no artigo 9° da Convenção Sobre Direitos e Deveres dos Estados. Como se vê. A verdade é que o homem.

simplesmente como compensação pelas vantagens e benefícios que. nas quais os autores europeus justificam a responsabilidade. Se se verifica qualquer destas duas hipóteses. portanto. é coberto por sua virtual nacionalização e não acarreta responsabilidade internacional. para combater rebeldes e reprimir sediciosos. segundo a qual o Estado assume responsabilidade pelo pagamento de indenização. sendo ele. terremotos. submetida ao seu domínio. no caso. têm surgido outras. de Brusa. não se pretende colocar os estrangeiros acima dos nacionais. variando as soluções conforme as hipóteses: 1°) o de danos causados por insurretos ou amotinados. Em contraposição a essa teoria. para quem.tos aos estrangeiros. Cumpre. a responsabilidade do Estado deriva do seu dever de manter a ordem. em casos Primeira Parte 147 de motins ou guerras civis. retirou das pessoas e bens dos estrangeiros. em conseqüência de um motim ou guerra civil. A mais antiga de todas é talvez a que sustenta não existir essa responsabilidade em tais hipóteses. pelo fato de ser o estrangeiro uma unidade integrante da comunidade nacional. indispensáveis ao homem civilizado. se não reagiu contra tais fatos com a devida diligência. certos direitos e garantias elementares. assim também não se lhe poderá imputar responsabilidade por prejuízos resultantes de fatos inevitáveis. parece-nos que a questão pode assumir os dois aspectos seguintes. de Fauchille. que não soube impedir. d) A teoria do interesse comum. responsável pelos danos resultantes de motins ou guerra civil. salvo se consegue provar ter exercido vigilância de maneira usual e com a atenção exigida pelas circunstâncias. determina uma situação igual entre os Estados. para quem. pois estão fora do seu alcance. porque o nacional de um Estado é estrangeiro noutro Estado e nesse outro gozará dos mesmos direitos mínimos que o Estado a que pertence é obrigado a reconhecer a todos os estrangeiros. longe de estabelecer a desigualdade. c) A teoria de Wiesse. 2º) o de danos causados pelas forças armadas ou autoridades do Estado. como tais. de entre as quais podemos mencionar as seguintes: a) A teoria da expropriação. o dano que sofre. ao passo que os latino-americanos tendem a desconhecê-la. como os motins e as guerras civis. b) A teoria do risco. ou pela população. de Podestà Costa. Seção 4 Responsabilidade por danos resultantes de guerras civis A questão da responsabilidade internacional em decorrência de motins e guerras civis tem suscitado várias teorias interessantes. erupções vulcânicas e outros flagelos ou cataclismos telúricos. O que se tem em vista é assegurar a todos os indivíduos. Pode ser assim enunciada: da mesma forma que o Estado não é responsável por danos resultantes de inundações. na repressão de uma insurreição ou de motins ou outros distúrbios. a qual não se distancia muito da anterior e se baseia na regra de que quem tira proveito de uma pessoa ou de uma coisa. ou que venham atingir esta ou aquela. No primeiro caso. Pondo de parte todas essas teorias. . isto é. por conseguinte. Em suma. deve suportar os prejuízos ocasionados por essa pessoa ou essa coisa. são perfeitamente aplicáveis os princípios admitidos no tocante à responsabilidade por atos de particulares. examinar-se apenas: 1º) se o Estado procedeu sem a conveniente diligência para prevenir os fatos. porque as mesmas se confundem com as de força maior. 2º) se deixou de os reprimir. a responsabilidade do Estado acha-se comprometida.

a menos que se possa demonstrar ter havido denegação de justiça ou injustiça manifesta. Evidentemente. ainda que imputável ao Estado. enquanto os tribunais do Estado. b) da falta de reparação de danos provenientes de requisições ou da ocupação de propriedades. ou se os mesmos não são acessíveis a um estrangeiro lesado. Isto é. sobre qualquer questão dependente da competência . só existirá quando os atos praticados pelas forças armadas ou autoridades do Estado na repressão de motim ou insurreição forem contrários aos seus deveres internacionais. a responsabilidade pode resultar. em geral. por sua atitude provocadora. duas situações especiais devem ainda ser examinadas: a) a de insurretos reconhecidos como beligerantes. não houve dano ou ofensa. na medida em que a responsabilidade do Estado teria sido comprometida em conseqüência de danos causados por atos do governo legal ou de seus agentes. admite-se. Assim. 148 Manual de Direito Internacional Público Neste caso. que o novo governo do Estado é responsável pelos danos causados pelos insurretos. Todo Estado. c) da falta de preparação de danos provenientes de atos das autoridades ou das forças armadas do Estado. porque tais recursos podem mostrar: ou que. A respeito de danos resultantes de motins ou violência da multidão. no motim em causa. No primeiro caso. se os recursos locais não são adequados. a responsabilidade do Estado pode ser declarada inexistente. não basta para que se declare efetivamente comprometida sua responsabilidade internacional. a responsabilidade do Estado confunde-se com a resultante de atos do seu órgão executivo ou administrativo. sem relação direta com a luta armada ou incompatíveis com as regras geralmente observadas pelos Estados civilizados. nenhuma reclamação deverá ser apresentada a tal respeito. pelas autoridades ou forças armadas do Estado. para que se justifique uma reclamação diplomática. da jurisdição doméstica do Estado. Primeira Parte 149 O esgotamento prévio dos recursos locais constitui. E. se a questão pertence à categoria das que o direito internacional ainda considera dependentes. É necessário. tem o direito de exigir que nenhuma reclamação lhe seja apresentada por via diplomática. ou que pode ser obtida reparação sem necessidade de reclamação internacional. Com relação a danos resultantes de guerra civil. que possui tribunais adequados.No segundo caso. que se esgotem. porém. é de se observar ainda que. a responsabilidade do Estado por atos praticados pelos insurretos cessa quando ele reconheceu estes como beligerantes. por via diplomática. pois. Cessa também em relação a outros Estados que os reconheceram como tais. quando as próprias pessoas lesadas tiverem concorrido. exclusivamente. ou. até sua mais alta instância. as decisões da última instância nacional serão sem apelação. Seção 5 Esgotamento dos recursos permitidos pelo direito interno O dano causado em violação de deveres internacionais. juridicamente. acessíveis aos estrangeiros e capazes de administrar eficazmente a justiça. ou que há meios de defesa adequados. por exemplo: a) da conivência de agentes da política ou outros funcionários autorizados. este poderá apelar para a proteção diplomática. as vias de recurso oferecidas pela legislação interna do Estado que cometeu ou onde se cometeu o ato lesivo. sem êxito. melhor. não houverem proferido a última palavra sobre a questão que dependa da sua competência. isto é. para o fato que acarretou o dano. No segundo caso. uma regra universalmente admitida e que se justifica plenamente. b) a de insurretos que se tornam vitoriosos. no de insurreição vitoriosa. ainda.

reação adequada. em certos casos. . nem tampouco que o Estado a cuja nacionalidade tal indivíduo passou a pertencer não possa exercer o seu direito de proteção em relação a esse indivíduo. A prática diplomática e a jurisprudência internacional parecem ter consagrado o princípio de que. O primeiro caso é o da legítima defesa. Quanto à segunda questão. provenientes talvez da falta de acordo preciso sobre as circunstâncias que a caracterizam. apesar de ilícito em si mesmo. Admite-se. Ainda. no momento da apresentação da reclamação.de seus tribunais antes que estes. A esse propósito. se o dano é permanente (tal é. Seção 7 Circunstâncias que excluem a responsabilidade A doutrina e a prática internacionais têm geralmente admitido que. Em outras palavras. porém. Seção 6 Nacionalidade das reclamações Em princípio. duas questões: a do momento a partir do qual deve existir o caráter nacional e a da duração de 150 Manual de Direito Internacional Público tal caráter. devidos a circunstâncias especiais. pela simples circunstância de ter mudado de nacionalidade. proporcionada ao ataque ou ao perigo iminente. protelado a decisão definitiva. Sua invocação tem dado lugar a abusos. transformando-se no exercício Primeira Parte 151 de um direito reconhecido. a manutenção de uma prisão injustificada) e o indivíduo lesado muda de nacionalidade enquanto o dano persiste. parece injusto que. até a decisão final. até que a reclamação tenha solução. considera-se como indiscutível que o indivíduo em favor de quem se faz a reclamação não deve possuir a nacionalidade do Estado contra o qual é dirigida a reclamação. 3°) aqueles em que o decurso do tempo extingue a responsabilidade. não pode acarretar as conseqüências naturais dos fatos ilícitos. atingiu um dos seus nacionais ou pessoa sobre quem se exerce sua proteção diplomática. desde logo. Isto é. 2º) aqueles em que o ato determinante da responsabilidade. se o dano não o atingiu diretamente. o indivíduo deve ter possuído. um indivíduo lesado não possa obter reparação do dano sofrido. o Estado reclamante deve basear a sua intervenção no fato de que. que. em sua mais alta instância. Esta pressupõe sempre uma agressão ou ataque ilícito e uma reação determinada pela necessidade imediata da defesa. Em qualquer hipótese. por exemplo. a doutrina mais corrente é favorável à persistência do caráter nacional. uma reclamação por dano causado a nacional só se justifica se se tratar de nacional do Estado reclamante ou de pessoa que se encontre sob a sua proteção diplomática. a nacionalidade do Estado reclamante (ou a qualidade de seu protegido) e encontrar-se ainda nessa situação. contudo. 4°) aqueles que representam a conseqüência direta do comportamento inconveniente e censurável do indivíduo lesado. o novo Estado cuja nacionalidade foi adquirida poderá sustentar a reclamação. para os efeitos da reclamação. que se não trate de dano permanente. se tenham pronunciado definitivamente sobre tal questão ou tenham. trata-se de saber: 1º) se o caráter nacional deve existir a partir da apresentação da reclamação ou desde o ato ilícito. na época da violação do seu direito. Tais casos são: 1º) aqueles em que o ato perde o caráter ilícito. 2º) se tal caráter deve persistir ininterruptamente. que se tornou um dos seus nacionais. desarrazoadamente. A injustiça parece ainda maior quando mudança da nacionalidade decorre de uma exigência da lei e independe da vontade do indivíduo interessado. a responsabilidade internacional do Estado desaparece. surgem.

é princípio universalmente aceito que a legítima defesa faz desaparecer o caráter possivelmente ilícito de um ato. Qual. no entanto. o seu alcance? Admite-se. O segundo caso é o das represálias. a referida cláusula parece supérflua. ser atenuada. A renúncia ocorre quando um indivíduo. defendido por alguns autores. Figura ou figurava freqüentemente nos contratos de concessões entre governos latino-americanos e sociedades ou indivíduos estrangeiros. Se bem que alguns autores ainda neguem esse modo de extinção de obrigações delituosas e. é o silêncio do credor durante um espaço de tempo mais ou menos longo. por analogia com a Doutrina Calvo. Aliás. em caso de não-cumprimento do contrato. quando o mencionado indivíduo se comportou de tal modo que se pode dizer ter sido a própria causa do fato gerador do dano ou ter fortemente contribuído para que este ocorresse. Além disto. contrária a quem as emprega. se compromete a não recorrer à proteção diplomática de seu próprio governo em qualquer questão relacionada com as disposições de tal contrato. é de alegar não só que o Estado não pode ser considerado como obrigado a estipulações de um contrato entre um dos seus nacionais e um governo estrangeiro. da mesma forma que no direito interno. em geral. em contato particular com um governo estrangeiro. O terceiro caso é o da prescrição liberatória. essa situação é a de um conflito entre os interesses próprios ou . o elemento básico da prescrição liberatória ou extintiva. a jurisprudência arbitral já indicou que a dita prescrição só deverá ser aplicada quando invocada. a esta hipótese no final do parágrafo referente à responsabilidade por danos resultantes de motins ou guerras civis. Já nos referimos. não é possível que ela pretenda ir além e vise impedir o exercício da proteção. pode acrescentar-se a de que o ofendido não tenha encontrado um meio lícito de impedir a violação do seu direito. A uma cláusula nessas condições foi dado o nome de Cláusula Calvo. Não a constitui tampouco o chamado estado de necessidade. como admitido que. o Instituto de Direito Internacional já o aceitou e a justiça arbitral já o tem confirmado. Em termos gerais. Outras circunstâncias. pelo menos. Em suma. entretanto. o exercício de um direito e um interesse do Estado reclamante do que um direito ou um interesse do seu nacional. que as represálias só podem ser admitidas: 1º) em face de um ato prévio que constitua infração ao direito. portanto. em matéria internacional. aliás. Convém precisar. Sendo assim. mas também que a proteção diplomática constitui. É exato que o direito internacional ainda não estabeleceu regras precisas a seu respeito. Assim é que se considera que a responsabilidade do Estado pode de152 Manual de Direito Internacional Público saparecer ou. a proteção do seu país. de exclusão da responsabilidade do Estado. O quarto e último caso é o de culpa do próprio indivíduo lesado. porém. 2º) se proporcionais à gravidade da infração. antes. salvo nas hipóteses de denegação de justiça ou de injustiça manifesta. A estas duas condições. têm sido apresentadas como capazes de excluir a responsabilidade internacional do Estado. não nos parece que a renúncia do indivíduo lesado constitua circunstância dirimente da responsabilidade do Estado. Estas compreendem atos em si mesmos ilícitos. mas que se justificam como único meio de combate a outros atos igualmente ilícitos. que o indivíduo ligado por semelhante compromisso não tem o direito de reclamar para si.Em todo caso. especialmente alemães. Considera-se. dandolhe o de exercício de um direito reconhecido. além dessas. nas hipóteses indicadas. Tais são: a renúncia do indivíduo lesado e o estado de necessidade. Por outro lado.

constitui fonte de responsabilidade para o Estado. assim. Seção 8 Conseqüências jurídicas da responsabilidade É princípio geralmente aceito o de que a responsabilidade do Estado comporta a obrigação de reparar o dano causado e. não se trata. correspondendo os primeiros aos que. No caso. Assim. não se pretende negar a legitimidade dos atos do Estado. não só o dano direto. precisamente. ou contra seus nacionais. mas se esquecem de que tal direito não é nem pode ser absoluto: não pode haver direito contra direito. Alguns autores preferem distinguir os danos em patrimoniais e extrapatrimoniais. apagar todas as conseqüências do ato ilícito e restabelecer a situação que teria. Se. apenas.ou.impossibilidade que tanto pode ser de ordem material quanto de ordem jurídica . e sim. de uma reação contra um ato injusto. Relativamente à extensão de reparação devida. o Estado pode ser atingido direta ou indiretamente. ao passo que ao Estado lesado. pessoa internacional. ou referir-se à liberdade individual (prisão ou detenção e expulsão). é indireto quando dirigido contra seus agentes ou representantes. Na idéia de satisfação. alcançam os bens materiais.pode acarretar a responsabilidade internacional do Estado que o pratica. existido se o dito ato não tivesse sido cometido". dar uma satisfação adequada. proporcionada ao dano. o que caracteriza o abuso de direito é. como diz um autor contemporâneo. representada ordinariamente pelo pagamento de quantia equivalente. e os segundos aos que se referem aos demais bens. pertence o direito à reparação ou satisfação. Tal princípio ainda é contestado por certos autores.Primeira Parte 153 vitais de um Estado e os direitos de outro ou outros Estados. o aludido exercício abusivo das competências possuídas pelo Estado. está subentendida a de dano imaterial ou moral e a de compensação também moral. O dano é direto quando dirigido contra o próprio Estado. Pretendem os defensores da teoria da necessidade baseá-la no direito de conservação do Estado. de maneira geral. O direito de um Estado tem por limite os direitos dos demais membros da comunidade internacional. mas também o indireto. Nas relações internacionais. praticados dentro de tais competências. O dano dessa natureza pode referir-se tanto à pessoa de um Estado quanto à de um particular. Estes últimos podem ser ou morais. da ação egoística de um Estado contra direitos de outro ou outros Estados. ou corporais. O exercício arbitrário destas é que se considera ilícito e. o outro é o de saber se o lucro . em geral. Assim. como sucede na legítima defesa ou nas represálias. no entanto. Ao Estado responsável cabe. se verifica a impossibilidade de restituição na mesma espécie . dois pontos têm suscitado discussões: um é o de saber se a mesma deve cobrir. o "exercício abusivo das competências conferidas aos Estados" . Considera-se. eventualmente. que na idéia de reparação está implícita a de dano material e a de restabelecimento das coisas no estado anterior ou em sua primitiva integridade (restitutio naturalis ou restitutio in 154 Manual de Direito Internacional Público integrum). deverá intervir então uma indenização ou compensação equivalente. mas já tem obtido reconhecimento até na jurisprudência internacional. provavelmente. conforme disse a Corte Permanente de Justiça Internacional. Uma parte da doutrina e alguns tribunais internacionais já têm sustentado o princípio de que o abuso de direito . tanto quanto possível. No primeiro caso. pois. "a reparação deve. Se tal restabelecimento não é possível ou só o é parcialmente. essa obrigação. ou do qual algum nacional ou protegido tenha sido lesado.deve recorrer-se à concessão de uma indenização pelo dano causado.

a saudação à bandeira do Estado ofendido. portanto. É de se considerar ainda a hipótese de resultar a responsabilidade do Estado somente do fato de não haver procedido com a devida diligência. ou indireta. do ato gerador da responsabilidade. No tocante à reparação de danos materiais há um ou outro princípio que a prática internacional tem consagrado. no sentido de que o dano. contudo. Na prática. Convém. Quanto ao lucro cessante. pode mencionar-se o de que a reparação não deve ultrapassar o prejuízo efetivamente sofrido. se deixa ao critério do julgador. Vale dizer que o dano deve ser a conseqüência certa. porque é. impossível determinar concretamente a extensão do dano. cuja solução. se deve conceder reparação. e. como no caso da indenização ou compensação equivalente. No tocante às satisfações. não confundir a extensão da reparação com as suas formas. Efetivamente. e subsidiariamente os de . mas surgem freqüentemente certas dificuldades. como no caso da restitutio in integrum. não só pelo prejuízo propriamente dito (dammum emergens). A doutrina moderna e a jurisprudência dos tribunais arbitrais têm consagrado o princípio de que só devem ser concedidas reparações por prejuízos diretos. esteja a ela ligado por forma clara e inequívoca. nem sempre é fácil separar o dano direto do dano indireto. por exemplo. Entre os princípios geralmente admitidos. a reparação pode ser direta. a manifestação de pesar. necessária. Assim. ou fazer clara distinção entre os dois. é a existência de uma relação certa e verificada entre o dano e o ato ilícito. devem ser públicas. nesta matéria. pois. a destituição do autor ou autores da ofensa ou outra maneira de punição do culpado ou culpados. no tocante aos danos materiais. sua finalidade é. Sem dúvida. isto é. Visando os danos não materiais. Neste caso. A medida para as satisfações deve buscar-se na natureza e gravidade das ofensas. Se se tratar de prejuízo da categoria dos chamados extrapatrimoniais. mas também pelo que a parte prejudicada deixou de ganhar (lucrum cessans). de acordo com os princípios correntes. sob este último aspecto. há. ou. pois em geral. ser colocada no estado em que se encontraria se não tivesse sofrido uma lesão. Como uma espécie de corolário deste princípio. por outra. ainda que sofrido indiretamente. 156 Manual de Direito Internacional Público geralmente. a causa deve ser direta. por assim dizer. mas considerações doutrinárias e políticas têm obstaculizado os seus trabalhos. é que. o ato ilícito e aquilo que o indivíduo lesado deixou de ganhar. não obstante os magníficos relatórios submetidos pelos relatores. o de que a vítima deve. isto é. é importante estudar os oito relatórios de Roberto Ago. entretanto. em geral. A regra. não será difícil demonstrar a relação de causa e efeito entre Primeira Parte 155 a infração e o lucro cessante. Neste sentido. sem solução de continuidade. quando se trata de danos de ordem material. parece que se não deve incluí-lo entre os danos indiretos. o princípio da equivalência da reparação só dificilmente poderá ser aplicado. sabe-se que se podem apresentar sob formas diversas. o que se deve ter presente. após a execução do ato lesivo. a obrigação do Estado limita-se à reparação do dano resultante da omissão total ou parcial dessas medidas. pois o autor de um ato ilícito não pode ser obrigado a responder por conseqüências que ultrapassem a extensão do dano causado.cessante (lucrum cessans) constitui dano direto ou indireto. "a reparação deve ser equivalente ao prejuízo". inevitável. de não haver adotado as medidas que devia adotar. quanto possível. Bibliografia: O tópico Responsabilidade Internacional dos Estados consta da Agenda da CDI desde o início. publicados no YILC de 1969 a 1980. Suas formas mais comuns são: a apresentação de desculpas. a desaprovação de atos contrários à honra e à dignidade do Estado. geralmente aceita.

as honras peculiares aos soberanos. 317. dentro dos limites territoriais do reino de Itália. contudo. não se tornou súdito de nenhum Estado e sempre fez questão de manter a independência de seu poder soberano. em 1870. haver perdido o poder temporal. Capítulo 12 A SANTA SÉ E A CIDADE DO VATICANO Durante séculos.V. como soberano dos Estados pontifícios. 1939-1. como chefe visível da Igreja Católica. 418. V. Por isso mesmo. Ela possui uma organização hierárquica de caráter universal. em geral. ler A. Rousseau . Dupuy. mas também pela assinatura de concordatas. The application of the rule of exhaustio n of local remedies iu international law. Logo após a tomada de Roma. naquela época: a Santa Sé possuía um largo território. o Papa possuiu o poder temporal. 1983. p. porém. no mundo. percebiam ou queriam perceber que o poder temporal do Soberano Pontífice era apenas um acessório do seu poder espiritual. Nem todos. por efeito da usurpação levada a efeito pelo reino da Itália. 1959-1. 1967. C. Willen Riphagen e de Gaetano Arangio-Ruiz. realmente. Accioly . aliás.1. Como bibliografia básica. o direito de legação ativo e passivo. Principes génér aux de la responsabilité internationale. os Estados católicos. Accioly.1. Em virtude do primeiro. ao lado do poder espiritual. 26 9. Garcia Amador. acima de sua qualidade de chefe de Estado houve sempre a de soberano espiritual. p. pelos demais membros da comunidade internacional. embora diversos internacionalistas pretendessem que havia desaparecido a personalidade internacional do Soberano Pontífice. apesar de. para a garantia de sua independência. O fato é que. Oxford. State responsability for injuries to aliens. Assim. Daí a 158 Manual de Direito Internacional Público promulgação da chamada lei das garantias. in RCADI.F. não só pela troca de agentes diplomáticos. de prerrogativas só pertencentes às pessoas de direito internacional. e de garantir ao Soberano Pontífice certas prerrogativas. os próprios homens de Estado italianos compreenderam a necessidade de assegurar à Santa Sé a mais larga liberdade de ação possível. que são contratos análogos aos tratados. p. especialmente para o livre exercício de suas funções espirituais. até 1870. Prometia-lhe. idem. completa independência no exercício de sua missão espiritual. sua personalidade internacional nunca foi posta em dúvida. De fato. porém. in RCADI. 414. p. Mello . Estas se manifestavam. que essa qualidade superior é o que constitui a verdadeira razão de ser do Papado. como se derivasse apenas do poder temporal. era senhora de Estados.2. além disto. a situação da Igreja Católica era e é única. o Papado continuou a gozar. Díez . entretanto. pela aquiescência tácita dos Estados estrangeiros. Ninguém pode ignorar. sua autoridade era comparável à de qualquer outro chefe de Estado e se exercia plenamente sobre as terras da coroa pontifícia. E. p. Brasília. Na verdade. a imunidade de sua residência. continuaram a reconhecê-la. p. O esgotamento d e recursos internos no direito internacional. Rezek . p. Br ownlie. cujo chefe. . 6. Cançado Trindade. Jiménez de Aréchaga. Le délit ínternational. caiu o poder temporal do Papa. que. M. em seu conjunto. 1984. sem dúvida. 253. acessório necessário.5. a personalidade internacional deste e da Santa Sé começou a ser negada por muitos.1. in RCADI. Cambridge. Responsabilité internationale des États. que assumiu importância internacional. Quando. ela reconhecia ao Papa quase todas as prerrogativas dos chefes de Estado. A. não deixavam de ser reconhecidos nessa qualidade. naquela época. Amerasinghi. F. mantendo com ele relações internacionais. 595. 1984 . mas que nunca foi reconhecida pela Santa Sé. P. tais como: a inviolabilidade pessoal. Roberto Ago. cuja autoridade ultrapassava os limites do seu domínio territorial.

por isso. 3º). ou seja. as que ali residem permanentemente. a soberania é. de algum modo. antes que sobre as coisas ou o território. a autoridade soberana do chefe do catolicismo. é perfeitamente compatível com a da outra no que pertence à alçada dessa outra. Mas. Alguns autores entendem que se trata de uma união pessoal. que se não confunde com a da Santa Sé. trazendo o primeiro como apêndice uma convenção financeira. A competência de uma. potência temporal. um elemento material. Destarte. por assim dizer. um poder sobre as pessoas. Outros. talvez com mais acerto. 8º). sobre os mesmos indivíduos. aliás. com todas as suas dependências e dotações". para os fins especiais e com as modalidades previstas no tratado (art. das quais a mais importante é a própria Igreja. os indivíduos que dependem de cada soberania. na essência. de proporção. é nela que se baseia. por isso que a soberania temporal. modificou a situação existente. mas tem personalidade jurídica própria. se apóie. ficou expresso que a pessoa do Soberano Pontífice é "sagrada e inviolável" (art.. A distinção entre as duas explica por que a soberania internacional do Papa pôde sobreviver à supressão do seu poder temporal. de seu cargo. principalmente. Noutro artigo do tratado de Latrão. entre 1870 e 1929. e que. que se exerce sobre pessoas e não sobre territórios. em 1870. sobre o qual ela. de seu serviço ou de seu emprego. Uma e outra. A Cidade do Vaticano. pode ser considerada da mesma natureza da que é atribuída à Santa Sé ou ao Papa. Servirá para fixar os limites até onde se poderá exercer a soberania. foi apenas de natureza espiritual. a Itália declarou reconhecer "a soberania da Santa Sé. antes de tudo. decorrente da diferença de fins. Pelo tratado. que o Papado abrange duas pessoas distintas. O território poderá ser. A moderna concepção sobre a natureza jurídica desta prova-o perfeitamente. nos pontos que lhe são próprios.Sem dúvida. ainda para o Estado. E. Lê-se no artigo 12 que a "Itália reconhece à Santa Sé o direito de representação diplomática. ainda após os acordos de Latrão. a soberania é um direito de decisão em última alçada. A ausência do poder temporal não implicava absolutamente a inexistência de soberania. essa soberania. ou autorizada pelo Soberano Pontífice. de conformidade com a sua tradição e as exigências da sua missão no mundo" (art. divisível no espaço. Declarou. A única diferença é. de uma união real. segundo as regras gerais do direito internacional". A conclusão dos acordos de Latrão. Segundo se estipulou no artigo 9Q e de acordo com os preceitos do direito internacional. com os atributos inerentes à sua natureza. muita vez. Mas o Primeira Parte 159 fato é que. na Itália. Diz-se. o poder exclusivo e absoluto e a jurisdição soberana sobre o Vaticano. 2°). Com efeito. de acordo com o direito interna- . O território indica. assim. no qual o poder de cada uma se aplica. quando tal residência seja prescrita por lei ou regulamento. mas como que se estabelece entre elas uma espécie de condomínio. a soberania do Estado. justamente. ativo e passivo. Os ditos acordos constaram de um tratado político e de uma concordata.. além disto. é a sede do governo da Igreja. ficava criada a Cidade do Vaticano. também conhecida como Estudos do Cidade do Vaticano. mas para objetos diferentes. em razão de sua dignidade. apenas. Consta do mesmo artigo que os diplomatas estrangeiros acreditados junto à Santa Sé continuarão a gozar. são submetidas à soberania da Santa Sé as 160 Manual de Direito Internacional Público pessoas que têm residência fixa na Cidade do Vaticano. se exercem em planos distintos. no domínio internacional. em relação à soberania. esse caráter espiritual constitui o fundamento das prerrogativas reconhecidas à Santa Sé. é repartida entre os diferentes Estados do mundo. a 11 de fevereiro de 1929. reconhecer igualmente à Santa Sé "a plena propriedade. um direito de mando. de todas as prerrogativas e imunidades que. assim.

conforme vimos. de mercadorias procedentes de países estrangeiros e destinados à Cidade do Vaticano. de maneira definitiva e irrevogável. Estes e aqueles foram acolhidos na Cidade do Vaticano. ou da Santa Sé. "ainda quando os respectivos Estados não mantenham relações diplomáticas com a Itália". a Itália entrou em guerra. Pode dizer-se. Pelo tratado de Latrão. no entanto. seu governo exigiu a imediata retirada do território italiano dos representantes diplomáticos dos países inimigos acreditados junto ao Soberano Pontífice. em 1940. "porque de outra forma" .conforme escrevemos alhures "a cláusula em apreço não teria sentido". são concedidas aos agentes diplomáticos. Convém. E. quando diversas repúblicas americanas romperam relações com a Itália. garantiu o livre acesso à Cidade do Vaticano."não é soberana porque constitui um Estado. mais ou menos 43 hectares. deixaram de existir . que esta última disposição visava a hipótese de guerra entre a Itália e qualquer dos Estados representados junto à Santa Sé. que não seria possível fazer aplicar a dita cláusula aos agentes de países em guerra com a Itália. Se dúvidas havia quanto à personalidade internacional da Santa Sé. geralmente. "A Santa Sé" . dos enviados de governos estrangeiros e dos dignitários da Igreja. e vice-versa". prometeu liberdade de reunião para os conclaves. permitiu o livre trânsito. quando muito. já não falta elemento que muitos exigiam para lhe reconhecer tal qualidade. isto é. ou seja. já não pode existir a menor dúvida acerca da personalidade internacional do Papa. Embora esse pequenino Estado se ache intimamente ligado à Igreja Católica Romana e o Papa seja o chefe desta como daquele. a soberania territorial. estipulou que "a cidade do Vaticano será sempre. através do território italiano e Primeira Parte 161 com isenção de direito. a criação do Estado pontifício é o que constitui uma conseqüência da soberania inerente à natureza da Igreja". deve-se distinguir um da outra. e em qualquer caso. a Itália também se comprometeu "a respeitar sempre e em qualquer caso a liberdade de correspondência entre todos os Estados. Poder-se-ia admitir. surgida em 1870 com a anexação de Roma ao reino da Itália sob a dinastia da casa de Saboia" etc. atribuindo-lhes imunidade de jurisdição. não esquecer que a personalidade internacional do Soberano Pontífice não deriva do tratado de Latrão e é anterior à lei das garantias. porém. contudo. em começos de 1942.cional. O mesmo tratado reconheceu à Santa Sé a propriedade sobre diversos imóveis situados em Roma ou nos arredores. a questão romana. estipulou honras especiais para os cardeais. através do território italiano. Em todo caso. declarou "resolvida. bem como para os concílios presididos pelo Papa. mas é evidente que não poderia deixar de ser aplicada aos agentes de países em simples estado de ruptura de relações com o governo italiano. aquele mesmo governo procedeu de igual maneira em relação aos representantes de tais repúblicas junto à Santa Sé. Em face do tratado de Latrão. parece indubitável que a criação da soberania territorial da Santa Sé foi determinada pela necessidade de se dar base material à soberania espiritual do Papa. de fato. Quando. onde o Papado tem a sua sede. compromisso mais de uma vez burlado pelo governo fascista italiano. Delos .escreveu o Prof. estas já não existem: as restrições motivadas pela exigüidade territorial. considerada como território neutro e inviolável". inclusive os beligerantes. Acredita-se. que a personalidade internacional da Santa Sé não é precisamente a mesma do Estado da Cidade do Vaticano. e de se lhe conceder uma garantia de direito público capaz de lhe assegurar a completa independência. e a Santa Sé. que existe desde o início da instituição do Papado. porém. A esta. ao contrário.

não cabendo a estes o direito de opinar sobre a sua legitimidade. 1947. 353. 1930. rei. pois. p. Mas não se pode generalizar. SEGUNDA PARTE OS ORGÃOS DAS RELAÇÕES ENTRE ESTADOS Para o DIP. G. cabe-lhes. cabendo-lhe apenas representar o Estado internacionalmente. BYB. a não ser em algumas repúblicas parlamentaristas. bem como celebrar tratados internacionais com os mesmos. desde que exerça efetivamente o poder e seja aceito como . se no passado o soberano enfeixava em suas mãos poderes absolutos. Accioly . Pearce Higgins.I. E. The State of the city of the Vatican. não se pode ignorar o papel importante que o Ministro das Relações Exteriores . Condition juridique de la cité du Vatican. 174. quer se intitule imperador. ano 3.diante da prática das Nações Unidas de aceitar como membros os microestados. Lucien Brun. p. A personalidade internacional da Santa Sé. Capítulo 1 CHEFE DE ESTADO O direito internacional considera o chefe de Estado. 269. 1944. seja ele o monarca ou o Presidente da República. 536. como no Brasil. Fauchille . 1964. É curioso assinalar que no regime republicano presidencial os poderes do chefe de Estado costumam ser maiores do que os dos monarcas. 1929. a Santa Sé participa de todas as grandes conferências internacionais em que assuntos de seu interesse são abordados. p. a responsabilidade pela sua política exterior. Le Suint-Siège et le droit des gens. Orlando M. Yves de la Brière. n. 35. Russomano. sujeitos à referenda do Congresso Nacional. p. isto é. 6. AFDI. a responsabilidade pela gestão da política exterior recai geralmente no Presidente. A Santa Sé em direito internacional. in RCADI. Boletim.2. 162 Manual de Direito Internacional Público Em suma. nov. Paris. a não ser que haja uma declaração formal em contrário. verifica-se hoje em dia que o seu papel é meramente protocolar. p.I. de Carvalho. o órgão encarregado das relações internacionais do Estado. sendo os poderes entregues na maioria dos casos a um primeiro-ministro. Ernani de Barros Camara. Bibliografia: A. fasc. Além do mais. p. Rio de Janeiro. na quase-totalidade dos casos. é. Rousseau . Não cabe aos demais Estados opinar sobre a legitimidade do chefe de Estado. pois. como 0 órgão encarregado das relações internacionais. 97. v. Le Saint-Siège et les institutions internationales. dados os seus poderes na elaboração do orçamento e a sua competência na aprovação dos tratados internacionais firmados em nome do chefe de Estado. principalmente quando o Chefe de Estado não for versado em questões internacionais. RF. 497. Díez . Cabe ao respectivo Estado comunicar oficialmente aos demais o nome do indivíduo ou dos indivíduos que revestem a qualidade de chefe de Estado. Nas repúblicas. Le Fur. desde que exerça efetivamente os poderes e seja aceito como tal pelos habitantes do país. salvo declaração formal em contrário. 1930. o chefe de Estado.geralmente denominado chanceler na América Latina-pode desempenhar. o Papa é ao mesmo tempo um Chefe de Estado e o Chefe da Igreja Católica. O Estado da Cidade do Vaticano. 164 Manual de Direito Internacional Público Por fim. 1928. Presidente da República ou chefe de governo. do órgão central de suas relações internacionais. além de representar o Estado. a Constituição é clara ao dispor que compete privativamente ao Presidente da República manter relações com os Estados estrangeiros e acreditar os seus representantes diplomáticos. 35. Na maioria dos países.1. hoje em dia. 208. No Brasil. p. o parlamento pode exercer um importante papel de controle em matéria internacional. do Nascimento e Silva.

foi denunciado por genocídio. figuram: a) a prerrogativa da inviolabilidade. deixa de gozar dos privilégios e imunidades reconhecidos aos titulares em exercício. tortura. mas não no tocante aos atos por ele praticados quando no exercício da presidência. enquanto ali estejam nessa qualidade. mas. como inútil e inconveniente. nessa qualidade. ele será tratado como qualquer indivíduo particular. Essa ficção é hoje considerada. esse órgão supremo e determinar os limites de suas atribuições. porém. os seus documentos. gozam de certas prerrogativas e imunidades. de conformidade com o direito internacional atual. Entre as mesmas. em geral. pela maioria dos autores. ocorrem nos seguintes casos: a) no de aceitação voluntária. No ano seguinte a Promotora-Geral do Tribunal na Haia para o julgamento de crimes praticados na Iugoslávia indiciou o presidente daquele país. em seu próprio país. todas as manifestações de vontade por ele expressas. É ao direito interno. Os Estados são livres de conferir aos respectivos chefes de Estados os títulos que julgarem mais apropriados. A prática internacional. que poderão ser conseqüência dos poderes de controle e de fiscalização exercidos pelo parlamento. em cada Estado. assassinatos. 166 Manual de Direito Internacional Público Em território estrangeiro. nas relações com outros Estados. tanto em matéria penal quanto em matéria civil. e não ao direito internacional. Entretanto. desaparecimento de pessoas. . que os autores antigos. c) a isenção da jurisdição territorial. segundo a qual o chefe de Estado continuava. no país em que se encontra. pelo chefe de Estado. nesse caráter. perante o direito internacional. c) no de ação proposta contra o chefe de Estado. da jurisdição territorial. Se o chefe de Estado viaja incógnito. de conveniência recíproca e até de necessidade. solicitando a sua detenção e eventual extradição parajulgamento. ou que tenha abdicado.tal pelos habitantes do país. parece razoável que todos os atos praticados por um chefe de Estado. No tocante a esta última admitem-se algumas exceções. faziam decorrer da ficção da exterritorialidade. se tal ação se funda na sua qualidade de herdeiro ou legatário. o fundamento de tais prerrogativas e imunidades reside em considerações de cortesia. reconhece às pessoas da família do chefe de Estado e aos principais membros de sua comitiva os mesmos privilégios e imunidades a ele concedidos. O chefe de Estado que tenha sido deposto. Em 1998 o ex-Chefe de Estado General Augusto Pinochet. seqüestros. Tratavase de privilégio baseado na cortesia e também no princípio da exterritorialidade. Bastará. b) a isenção de direitos aduaneiros e de impostos diretos. A doutrina e a prática sempre reconheceram a inviolabilidade pessoal de chefes de Estado quando em viagem no exterior. em geral. segundo é geralmente admitido. Segundo a doutrina mais aceita. a casa de residência. a pedido do Juiz espanhol Baltazar Garzón. A Cãmara Segunda Parte 167 dos Lordes acabou por acolher o pedido. ainda quando se achem em contradição com o seu direito interno. que revele a sua qualidade para que lhe seja reconhecido o privilégio das imunidades. não conferem direitos ou prerrogativas especiais: apenas poderão distinguir uma monarquia de uma república. que cobre a pessoa do chefe de Estado. do ponto de vista jurídico. devem ser atribuídos aos próprios Estados. Essas exceções. os chefes de Estado. senão perigosa. que compete designar. b) no de ação sobre imóvel situado no território estrangeiro. nas quais a isenção deixa de existir. a sua carruagem. Variam as atribuições do chefe de Estado no tocante à política exterior sendo que a Constituição ou o costume nacional poderão fixar limitações a elas.

Suas principais funções dizem. La diplo matie et ses fonctions. Accioly . E . Le droit diplomat ique contemporain. 549. por crimes contra a humanidade. No caso brasileiro.1. in RCADI. 1929. é ele. Diante desses dois exemplos recentes. Os chefes de Estado em direito internacional. 26. A doutrina silenciava no tocante aos privilégios e às imunidades do Ministro do Exterior quando fora do seu país. Cavaglieri. p. 1964. 37. 441 . sendo de notar que de conformidade com a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969 ele não é obrigado a apresentar carta de plenos poderes. Rubens de Mello . Dentre as suas funções importantes. seja diretamente. p. ed. A expressão começou a ser utilizada no Brasil na época do Barão do Rio Branco e acabou sendo consagrada em todo o continente americano. p. do Nascimento e Silva. Na prática. 333. o que permite aos membros do Senado e da Câmara executar a contento as suas funções vinculadas com a política exterior em matéria de aprovação de tratados e do orçamento do Ministério do Exterior. em tal capacidade. p. 485. v. Bibliografia: A. p. p. o mais importante. 6S. p. pois cada dia aumentam os seus contatos com os colegas estrangeiros. Gug genheim . Díez . p. que pode chamar a si tal direção. por analogia. tal como previsto na Convenção sobre Relações Diplomáticas de 1969. o local em que funciona o Ministério de Chancelaria. Fauchille . Boletim. p. Pode-se afirmar que na prática nenhum Estado reconhecerá ao Ministro uma condição jurídica inferior àquela concedida a um embaixador. Pastor Ridruejo. cita-se dentre as primeiras referendar os atos ou decretos assinados pelo Presidente da República e comparecer ao Congresso Nacional. contudo. seja através das missões diplomáticas que lhe são subordinadas ou com as embaixadas ou legações existentes no país. dentre os órgãos internos utilizados pelo direito internacional. Règles générales du droit de la paix. cabendo-lhe manter contato com os governos estrangeiros. vai aos poucos adquirindo características de órgão externo. o princípio da inviolabilidade de chefe de Estado e de Governo no exterior pode ser considerado como havendo perdido o caráter de absoluto. exerce a direção do Ministério das Relações Exteriores e é. Segunda Parte 169 Capítulo 2 O MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES O Ministro das Relações Exteriores ou dos Negócios Estrangeiros é o auxiliar do chefe de Estado na formulação e na execução da política exterior do país e. Rousseau . 1 17. pois cabe-lhe a direção da política exterior. p. ipso facto. para participar de reuniões de consulta ou para representar o país em organizações internacionais. Wolgas.I . 75.2. p. .I . C. 509. mas a obrigação cada vez maior de ele se deslocar para o exterior no exercício de suas funções faz com que a questão mereça ser estudada. sendo que em matéria protocolar a sua situação será ainda mais favorável. Genève. Schwarzenberger . G. l. v. respeito ao âmbito internacional. Green. generalizado na América Latina. As funções do chanceler são de natureza interna e de caráter internacional. embora a responsabilidade final resida no chefe de Estado. in RCADI. 202.. o chefe hierárquico dos funcionários diplomáticos e consulares do país.1. 1959. 1967. é praxe utilizar ainda a denominação chanceler e. E. p. p. convém mencionar a negociação e a assinatura de tratados internacionais. 1937.4. 2.Slobodan Milosevic. 311. Philippe Cahier. Embora o Ministro das Relações Exteriores seja um órgão interno.2. L. London. International law through the cases.1. 60. 5. Sibert . Além do título Ministro das Relações Exteriores. sendo obrigado a se deslocar cada vez mais para o exterior.

The foreing office. l.Bibliografia: Accioly .. R evista de Ciência Política. utilizados para as finalidades da missão. a expressão agente diplomático passou a abranger não só o chefe da missão mas também todos os demais funcionários da carreira diplomática. E. London. visto que representa o DI na matéria. p. Nos termos do artigo 2 da Convenção de 1969. no caso de envio de missão. A missão diplomática é integrada não só pelo chefe de missão e pelos demais funcionários diplomáticos. seja quem for o seu proprietário.l. Traité de diplomarie. bem como a proteger os direitos e interesses do respectivo país e de seus nacionais. p. p. apud De Conde. The Ameri can Secretary. A expressão locais da missão. mas a classificação que até hoje vinga com pequenas variantes resultou da regulamentação assinada por ocasião do Congresso de Viena. 443. 7. Trata-se da Convenção mais satisfatória em direito internacional. a expressão agente diplomático perdeu o conceito que lhe era dado desde 1815. d o Nascimento e Silva. As primeiras missões diplomáticas surgiram na Itália no século XV. 1931. O Ministro das Relações Exteriores e a política internacional. aplica-se aos edifícios. Rousseau . Paris. New York. isto é. e terrenos anexos.). p. p. Os funcionários diplomáticos são classificados em permanentes ou temporários. 4. bem como o de enviar missões diplomáticas por consentimento mútuo. As missões diplomáticas destinam-se a assegurar a manutenção de boas relações entre o Estado representado e os Estados em que se acham sediadas. pela qual os chefes de missão foram clas- . Díez .1. 341. 127. p. Fundação Getúlio Vargas. E rnest Satow. quando se tratar de receber missões de outros países. v. Rubens de Mello . mas também pelo pessoal administrativo e técnico e pelo pessoal de serviço. 5. Capítulo 3 AS MISSÕES DIPLOMÁTICAS A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 é o documento básico no tocante às relações diplomáticas entre os Estados. ou a parte dos edifícios. 1 13. v. A principal função é a da missão diplomática e. Foi ratificada pela quase-totalidade dos Estados. Henry Jackson (Ed. p. 1970. pois codificou de maneira suficiente o direito costumeiro que regulava a matéria até a sua entrada em vigor. se são acreditados permanentemente junto a um governo estrangeiro ou se integram uma delegação governamental a uma conferência internacional ou tenham sido enviados a uma posse presidencial ou a uma coroação de monarca ou outra cerimônia protocolar. em 19 de março de 1815. e é lícito afirmar que se aplica até nas relações com os Estados que não a ratificaram. John Foster Dulles. Em conformidade com esta nova orientação. set. 1959. 348. 1957. quando se aplicava apenas ao chefe da missão. Cahier. 21. p. p.4. Antokoletz. A guide to diplamatic practice. 1964. Strang. no sentido de deslocamento da principal responsabilidade diplomática da figura do embaixador para a missão diplomática entendida em seu conjunto. e passivo. 546. 5. 1948. ed. G. Raoul Genet. 59. inclusive a residência do chefe desta. p. 47: Sibert . A Convenção de Viena veio consagrar uma tendência que se vinha consolidando.2. em conseqüência.1. The Secretary of State and the Ambassador. as principais prerrogativas são aquelas que dizem respeito ao bom exercício das funções diplomáticas. Segunda Parte 171 Todo Estado soberano tem o direito de estabelecer relações diplomáticas com os demais Estados. of State. Le droit diplomatique contempo rain. New York. 1955. Charles Thayer. Derecho diplomático y consular. 1. mas não defendida abertamente. p. London. The more important functions of the Secretary of State. Diplomat. Esse direito é denominado direito de legação ativo. p. que encontramos na Convenção de 1961 . Buenos Aires.

A precedência dentro de cada classe é estabelecida pela apresentação das credenciais. O grupo dos agentes diplomáticos acreditados num mesmo Estado é conhecido pela denominação de corpo diplomático (ou corpo diplomático estrangeiro. porém. O Brasil aboliu os encarregados de negócios efetivos. estes se distinguem um pouco mais dos agentes das outras classes pela circunstância de serem acreditados não. A missão diplomática é composta do chefe da missão. de entre os de mais alta hierarquia. c) a dos encarregados de negócios. para se distinguir do corpo diplomático nacional. Entre os agentes das três primeiras categorias. interinamente. 1º. a saber: a) embaixadores ou núncios acreditados perante chefes de Estado. c) encarregados de negócios. No tocante àqueles países em que o seu enviado não é reconhecido automaticamente como decano. dos membros do pessoal diplomático. propriamente. A Convenção de Viena reconheceu que esta regra não afeta a prática que exista ou venha a existir no Estado acreditado com respeito à precedência do representante da Santa Sé. o pessoal diplomático constitui um corpo de funcionários de carreira. alínea c). a prática internacional desaconselha a escolha de um nacional do Estado junto a cujo governo o nomeado deve servir. durante a ausência temporária do chefe efetivo. Em muitos países. e outros chefes de missão de categoria equivalente. geralmente. b) a dos enviados. O artigo 14 da Convenção de Viena divide os chefes de missão em três classes. Quanto aos encarregados de negócios. . como os primeiros. art. que é o mais antigo agente diplomático. cuja chefia passam a exercer. Estes últimos. que pertençam a qualquer outra nacioSegunda Parte 173 nalidade. Os encarregados de negócios ou são efetivos ou são interinos. acreditados perante chefes de Estado. que corresponde aos chefes de missão da primeira classe. junto aos soberanos. Esse grupo é presidido pelo decano.sificados em três classes: a) a dos embaixadores. legados ou núncios. do pessoal administrativo e técnico e do pessoal de serviço da missão (Convenção de Viena de 1961. acreditados perante Ministros das Relações Exteriores. Nada impede. no posto de que se trate. os agentes diplomáticos são nacionais do país que os nomeia. sal vo no tocante à precedência e a outras 172 Manual de Direito Internacional Público prerrogativas honoríficas. pertencem. ministros ou internúncios. Em geral. Seção 1 Escolha e nomeação dos agentes diplomáticos Cada Estado determina as qualidades e condições de idoneidade que devem possuir os seus agentes no exterior. como no Brasil. secretários de embaixada ou de legação e adidos militares e civis. acreditados. não existem diferenças essenciais. ministros ou outros agentes. A Convenção de Viena ainda se ocupa dos membros das famílias do pessoal das missões e dos criados particulares. constituído pelo conjunto de representantes diplomáticos que o Estado acredita nos países estrangeiros). acreditados junto aos Ministros das Relações Exteriores. Ministro Conselheiro. A razão disto deriva da dificuldade de se conciliarem os deveres do agente em relação aos dois Estados (o que o escolhe e aquele do qual é nacional e onde vai servir) e das complicações a que sua situação poderá dar lugar. de antemão. bem como o modo de sua designação. à missão diplomática de seu país. que são pessoas do serviço doméstico de um membro da missão que não seja empregado do Estado acreditado. Em todo caso. a Santa Sé criou a figura do pronúncio. b) enviados. junto ao governo estrangeiro mas junto ao Ministro das Relações Exteriores. O pessoal diplomático abrange o chefe da missão.

prática esta que vem sendo adotada nas Capitais onde a criação de uma repartição consular não se justifica. O diplomata deve proteger os interesses de seu Estado bem como de seus nacionais junto às autoridades do país. Além dos privilégios e imunidades reconhecidos aos funcionários diplomáticos. A Convenção de Viena. foram elas coditïcadas na Convenção sobre Relações Diplomáticas que delas se ocupa nos artigos 20 a 42. o governo que resolve acreditar um agente diplomático junto a outro governo deve solicitar deste a aceitação da pessoa escolhida. à imunidade de jurisdição e à isenção de impostos da missão e dos diplomatas.Antes de efetuada a nomeação. 41). a Convenção de Viena. se a mesma será. deve informar-se confidencialmente. há o direito de representação: o agente diplomático fala em nome de seu governo com o Estado junto ao qual se acha acreditado e promove relações amistosas bem como o intercâmbio econômico. sobretudo. a credencial. A inviolabilidade diplomática é reconhecida aos locais da mis- . trata da extensão dos mesmos às famílias dos diplomatas. persona grata. ao dar prioridade à missão diplomática sobre a pessoa do pessoal diplomático. antes. O dever de observação consiste em inteirar-se por todos os meios lícitos das condições existentes e da evolução dos acontecimentos no Estado acreditado e informar a esse respeito o respectivo governo. assinada pelo chefe do Estado a que pertence o agente e referendada pelo Ministro das Relações Exteriores. ao pessoal administrativo e técnico. o segundo. isto é. ou. um que o identifica e outro que o acredita. no artigo 37. não participar de intrigas partidárias. Seção 2 Funções das missões diplomáticas A missão diplomática tem deveres para com o próprio Estado e para com o Estado de residência. como se pode verificar da comparação dos ensinamentos de 174 Manual de Direito Internacional Público antigos autores com o previsto na Convenção de 1961. além de outros documentos. cabe à missão negociar com o Estado acreditado. Em decorrência do direito de representação. Os deveres para com o Estado junto ao qual se acha acreditado são os que Heffter qualificou de deveres de lealdade. ao pessoal de serviço e aos criados. cultural e científico. A Convenção de Viena ainda salienta que nada impede a missão diplomática de exercer funções consulares. no plural: credenciais) tem geralmente a forma de uma carta de chancelaria. junto a esse outro governo. Incluem o de tratar com respeito e consideração o governo e as autoridades locais não intervir na sua política interna. não fornecer auxílio a partidos de oposição e. distingue entre os privilégios e as imunidades reconhecidas à missão diplomática e os que o agente diplomático desfruta e que dizem respeito à inviolabilidade. como se costuma dizer. sobre se tal pessoa será bem recebida como representante diplomático. Consagradas pelo costume. A essa consulta. leva o agente diplomático. no artigo 4. dá-se comumente a designação de pedido de agrément ou de agréation. respeitar as leis e regulamentos locais (art. Esta última (também designada. O primeiro é o passaporte diplomático. As funções da missão diplomática de hoje são precisamente as de outrora. Seção 3 As prerrogativas e imunidades diplomáticas As missões diplomáticas e os funcionários diplomáticos gozam de determinadas prerrogativas e imunidades que são reconhecidas como condições essenciais para o perfeito desempenho de suas funções. Assim. freqüentemente. Termina sempre com o pedido de que seja dado crédito a tudo quanto disser o agente em nome de seu governo ou de seu soberano. Ao partir para seu posto.

está em vigor uma con- . o governo junto ao qual esteja acreditado poderá expulsá-lo. tenham cometido atos que constituem principalmente delitos comuns. por motivos políticos. aos Segunda Parte 175 arquivos e aos diplomatas. mas que. apesar do pedido de retirada. "por motivos puramente humanitários". do mesmo privilégio. em face do costume estabelecido e dentro dos termos das convenções a que se ligou. conforme comentário da Comissão de Direito Internacional. não. o agente diplomático não é retirado pelo seu governo. Ainda há alguns anos. em circular dirigida às missões diplomáticas estrangeiras no Rio de Janeiro. 22) e "A pessoa do agente diplomático é inviolável. é tolerado como ato humanitário. Na América Latina é freqüente a concessão de asilo nos ditos locais a pessoas que. o Brasil já admite francamente o asilo. A correspondência do agente diplomático goza. ou. se. entretanto. O governo do Brasil. em casos nos quais a medida se imponha. A inviolabilidade pessoal não deve ser tomada em sentido absoluto. Em decorrência da inviolabilidade da missão. 22. como um direito. mas um atributo do Estado acreditante em virtude de os locais serem usados como sede da missão". em instruções a seus agentes diplomáticos. embora com intuitos políticos. sustentou que o asilo não é um direito. fogem à ação das auto176 Manual de Direito Internacional Público ridades territoriais. Isto é. "a inviolabilidade dos locais da missão não é uma conseqüência da inviolabilidade do Chefe da missão. que este considere indesejável ou inconveniente a sua permanência no país. Não deverá. finalmente. tenham praticado atos de terrorismo. a criminosos comuns. com data de 15 de julho de 1938. dentre os quais se inclui a residência do chefe da missão.são. 29). Na sua origem. Além disto. considerou inadmissível o asilo a indivíduos que. nem a desertores de terra e mar. ou tendam a derribar as bases da organização social comum aos Estados civilizados. para a prevenção e a repressão do terrorismo. § 1º). "não constitui um direito". tal Estado pode exigir sua retirada e até. apresentando as razões de tal ato de violência. contra a ordem pública ou a segurança do Estado onde se acha acreditado. A inviolabilidade da missão diplomática constitui hoje uma regra aceita por todos os países. Mui excepcionalmente. tais como se acham definidos na convenção internacional assinada em Genebra a 16 de novembro de 1937. O Estado acreditado tratá-lo-á com o devido respeito e adotará todas as medidas adequadas para impedir qualquer ofensa à sua pessoa. Entretanto. As autoridades locais têm a obrigação de tomar todas as medidas necessárias para proteger a embaixada ou legação contra qualquer intrusão ou dano e evitar perturbações à sua tranqüilidade ou ofensas à sua dignidade. naturalmente. mais de uma vez. insistiu em que asilo. prender o agente diplomático. ou não se retira voluntariamente. "os agentes do Estado acreditado não poderão nele penetrar sem o consentimento do Chefe da missão" (Convenção de Viena. se um agente diplomático pratica atos de tal gravidade. Entre vários países latino-americanos. art. liberdade ou dignidade" (art. decorria de inviolabilidade do agente diplomático mas. porém. mas tal asilo não pode ser admitido a criminosos de direito comum. Não poderá ser objeto de nenhuma forma de detenção ou prisão. O governo junto ao qual o diplomata esteja acreditado deve abster-se de qualquer ato ofensivo ou violento a esse respeito e de punir os responsáveis no caso de violação. em princípio. ou representem francas manifestações de anarquismo. atualmente. em certas circunstâncias. embora a prática o tenha admitido. na prática. fazer cercar sua residência. A Convenção de Viena é categórica a respeito ao dispor que "Os locais da missão são invioláveis" (art.

Mais recentemente. acampamentos comuns. a qual resolve certas dúvidas nessa matéria. o asilo a criminosos políticos. Na imunidade de jurisdição está compreendida a faculdade. A referida imunidade não exime o agente diplomático da obrigação de respeitar os regulamentos locais referentes à segurança dos cidadãos. portanto. as convenções ou as leis do país de refúgio". porém. 1954). salvo se o agente diplomático possuir por . Mas parece que a declaração de renúncia. pois esta última sofre algumas exceções. geralmente reconhecida aos agentes diplomáticos. por parte do governo do agente em causa. 4º) quando se trata de ações resultantes de compromissos por ele assumidos no exercício de outra profissão. Essa convenção foi ligeiramente modificada por outra. que porventura tenha desempenhado. Em todo caso. de não comparecer a tribunal algum do país onde esteja acreditado. foi concluída nova convenção sobre asilo diplomático. 5º) quando o agente é nacional do Estado 178 Manual de Direito Internacional Público junto a cujo governo está acreditado. 31). na sede da missão. Admite-se. de 1928. e mediante certas condições. o admitirem o uso. dos negócios inerentes às respectivas missões. a fim de poderem tratar. de modo algum. navios de guerra. O art. assinada em Havana a 20 de fevereiro de 1928. deve bastar para as autoridades locais. ao passo que. com plena liberdade e a máxima franqueza.venção sobre asilo. tem-se por assente que nenhuma execução deverá ser levada a efeito quando importe em medida contra a pessoa do agente ou contra os bens indispensáveis ao exercício de sua missão.A necessidade que têm os agentes diplomáticos de se sentirem independentes da jurisdição civil e crimiSegunda Parte 177 nal do Estado onde se acham acreditados. entre as quais a de que o asilo se conceda apenas em casos de urgência e por tempo restrito. tal imunidade tem sido admitida pela prática internacional e foi consagrada pela Convenção de Havana. de acordo com a qual cabe ao Estado que presta o asilo qualificar como política a acusação levantada contra o refugiado.. a um magistrado do país delegado para esse fim. 3°) quando se trata de ações reais relativas a bens imóveis por ele possuídos no território do Estado onde está exercendo suas funções. a única exceção admitida é a da renúncia à imunidade. assinada em Montevidéu a 26 de dezembro de 1933. com as funções diplomáticas. 2º) quando ele próprio recorre à jurisdição local. na qualidade de autor. no país onde se acha acreditado. na 10ª Conferência Interamericana (Caracas. para prestar testemunho de fatos que sejam do seu conhecimento. à saúde pública etc. contudo. que solicitados por via diplomática. dêem o seu testemunho. imunidade de jurisdição . A renúncia compete ao governo e. o agente não deve manifestá-la senão depois de devidamente autorizado. o exercício efetivo dos seus deveres. A imunidade da jurisdição criminal é mais acentuada do que a da jurisdição civil. submetendo-se à jurisdição local. feita pelo agente. quanto à primeira. que declara ilícita a concessão do asilo em legações. Os casos em que o princípio da imunidade de jurisdição civil comporta exceções podem resumir-se nos seguintes: lº) quando o agente renuncia expressamente à imunidade. 31 da Convenção de Viena estipula que o agente diplomático não gozará de imunidade de jurisdição civil e administrativa se se tratar de: "a) uma ação real sobre imóvel privado situado no território do Estado acreditado. admitindo. exige que lhes não seja aplicada a referida jurisdição. Assim. contanto que sejam de ordem geral e não restrinjam. como um direito ou por tolerância humanitária. sobre funcionários diplomáticos e pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 (art. simultaneamente. "na medida em que.

Normas de diplomacia y de derecho diplomático. 1982.1 . sob certo sentido. assim como os registros de hipoteca. terminam obviamente as funções do agente diplomático. 1908.A Convenção de Viena trata em seu artigo 34 da isenção fiscal das missões e dos agentes diplomáticos. extinção do Estado acreditado. Les. O direito internacional público e diplomacia. José Calvet de Magalhães. p. É igualmente óbvio que. Esse dispositivo é complementado. 233. c) uma ação referente a qualquer profissão liberal ou atividade comercial exercida pelo agente diplomático no Estado acreditado fora de suas funções oficiais". 444. Garrett Mattingly. como é o caso do material importado para fins da missão. Cecil Hurst. chamado de volta para a Secretaria do Estado. custos judiciais e impostos de selo relativos a tais bens imóveis. A Convenção ainda se refere a impostos e taxas que incidam sobre remuneração relativa a serviços específicos prestaSegunda Parte 179 dos no Estado acreditado. Carrillo Salcedo . 1914. A guide to diplomatic practice. Luis Mello Lecaros.1. no caso de falecimento. v. Bibliografia: Accioly . como os impostos indiretos que normalmente incidem sobre a mercadoria ou o serviço. e sem ser obrigado a justificar a sua decisão. Ernest Satow. Adolfo Maresca. A missão do diplomata também pode terminar em decorrência de o Estado de residência declarar o diplomata persona non grata. b) uma ação sucessória na qual o agente diplomático figure. ou aposentadoria. Lisboa. La missione diplomatica. pelo artigo 42. in RCADI. tendo por fundamento a cortesia. 1 19. como pela sua remoção para outro posto. p. onde se lê que "o Estado acreditado poderá. notificar ao Estado acreditante que o Chefe de missão ou qualquer membro do pessoal diplomático da missão é persona non grata ou que outro membro do pessoal da missão não é aceitável". p. Isenção fiscal . ed. Embora o artigo 34 só mencione o agente diplomático. as funções cessam. O Código Penal brasileiro reconhece a competência da justiça brasileira no tocante a crimes cometidos por nacionais no exterior. A imunidade de jurisdição civil não impede que os credores de um funcionário diplomático se dirijam aos tribunais do país do devedor.conta do Estado acreditante para os fins da missão. ou por demissão. A diplomacia pura. 1926-II. herdeiro ou legatário. A isenção dos impostos e taxas sobre o imóvel também lhe diz respeito. Seção 4 Termo da missão diplomática As funções diplomáticas terminam geralmente em virtude de ato administrativo do governo de que depende. como executor testamentário. 2 v. London. parágrafo 2. Gaspar Guimarães. onde está previsto que o agente diplomático não exercerá no país nenhuma atividade profissional ou comercial em proveito próprio. . A Convenção enumera os impostos e taxas que o agente diplomático está obrigado a pagar. os impostos e taxas sobre os imóveis possuídos pelo diplomata a título privado. José Sebastian de Erice. A isenção fiscal era considerada um privilégio.. a título privado e não em nome do Estado. Ocorrendo ruptura de relações diplomáticas. 544. Díez . convém salientar que algumas das isenções se aplicam à própria missão.I. Les immunités diplomatiques. 1988. 1945. 12. Lisboa. administrador. trata-se de um direito. R. diante de seu reconhecimento pela Convenção. p. 1959. Henrique C. Manaus.. ou na hipótese de o governo se decidir a fechar a missão. fonctions diplomatiques en temps de paix. Madrid. Santiago de Chile. Milano. por considerá-la desnecessária. London. 6. 1966. Renaissance Diplomacy. nos termos do artigo 9. a qualquer momento. Atualmente.

3 v.3. 42 a 70) e observadores junto a órgãos e conferências (arts. 1984.1 . 1 . London.2. Rubens de Mello . embora Clóvis Beviláqua tivesse demonstrado cabalmente o acerto da medida do ponto de vista jurídico. alínea 2.. Diplomatic handbook. Com o objetivo de uniformizar a matéria a Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas incumbiu o Embaixador El-Irian de preparar um projeto de convenção que foi estudado na Conferência de Plenipotenciários realizada em Viena de 5 de fevereiro a 14 de março de 1975. Traiti de diplomati e 180 Manual de Direito Internacional Público et de droit diplomatique. G. 71 e 72). Raoul Genet. Washington. ou seja. delegações junto a órgãos ou conferências (arts. a iniciativa causou espécie dentre alguns juristas da época. p. p.4. Santiago de Chile. É bem verdade que em Viena os chamados "países hóspedes" tentaram modificar o texto da Comissão de Direito Internacional no sentido de condicionar a criação de tais missões ou a nomeação de seus membros ao beneplácito do go- . 1 994. pode-se dizer que a criação de tais missões é um aspecto do direito de legação. bem como perante algumas organizações internacionais de caráter universal. ed. Montell Ogdon..Silva . 6. a Agência Internacional de Energia Atômica e outra organização similar cuja responsabilidade e a escolha dos membros seja feita em escala mundial".2. Rubens de Mello . pelo confronto da Convenção sobre Relações Diplomáticas de 1961 e a nova Convenção de 1975. as missões junto a organizações internacionais (arts. 5 i 6. Nascimento e Silva . p. cada qual versando sobre situações distintas. 182 Manual de Direito Internacional Público define as Organizações Internacionais de Caráter Universal como sendo ``as Nações Unidas. Pastor Ridruejo. Quanto às missões acreditadas junto a organizações internacionais. Feltham. sentiu-se que a "Organização Internacional" abrange uma infinidade de entidades. constata-se. às embaixadas e delegações. R. inclusive as não-governamentais. De um modo geral. Paris. mas o status dos membros de delegações às conferências internacionais era variado. quando foi subscrita a Convenção de Viena sobre a Representação de Estados em suas Relações com Organizações Internacionais de Caráter Universal. Mas quando o Brasil criou em 1925 uma delegação junto à Liga das Nações. que as mesmas receberão tratamento muito semelhante àquele dado às missões ordinárias. 1025. que se nos depara na Convenção. 1931-1932. Juridical Bases of diplomatic immunity. ----------------------------------------------------------------------------- Capítulo 4 AS DELEGAÇÕES JUNTO A ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS A prática dos Estados de acreditar missões ou delegações permanentes junto às Nações Unidas e aos organismos regionais. 1936. suas agências especializadas. além dos artigos introdutórios. e as prerrogativas e imunidades de seus membros eram bastante semelhantes às das missões diplomáticas ordinárias. A Convenção consta de três partes.Diplomaria contemporanea. 139. chefiada por um Embaixador. não é de molde a suscitar objeções. Rousseau . Quanto à expressão "Organizaçóes Internacionais de Caráter Universal". O art. bem como as regionais. 5 a 4l). isto é. As funções de tais delegações ou missões. Nascimento e .

inviolabilidade de arquivos e documentos e liberdade de comunicação. inviolabilidade de residência e propriedade. Gerbet e Jean Salmon. o primeiro reconhecendo o direito dos Estados de enviarem observadores. Sette-Camara. Virally. fruto de longos estudos e alguns compromissos. Quanto aos seus membros. foram aceitos dois artigos. Boston. p. os respectivos regimentos internos e os tratados firmados com o país-sede (Headquarter's agreements). Em outras palavras. 3. p. v. ?28. p. os textos que serviram de base aos estudos do Embaixador El-Irian foram os tratados constitutivos das principais organizações internacionais. 184 Manual de Direito Internacional Público Cahier. A adoção de regras comuns a todos os órgãos e conferências foi. De um modo geral. in RCADI. Charter of the United Nations. v. A situação dos observadores. 26. P. mas a mesma não logrou ser aceita. Nos termos da convenção. isenção fiscal. 1971. International Organizations. 43 da Convenção também estabelece que o Estado de envio pode nomear livremente os membros de sua delegação. 304. Alphen aan den Rijn . F. The Vienna Convention on the Representation of States in their Relations with International Organizations. A. J. Cavaglieri. Leo Gross. J. a missão gozará de inviolabilidade. i n UN law Fundamental Rights Two topics in International law. Para se ter uma idéia da complexidade da matéria. 84. desfrutarão de inviolabilidade pessoal. Boston.verno local. constata-se que os dispositivos se assemelham muito àqueles referentes às missões junto aos organismos. v. 16.91. seis Relatórios submetidos à CDI entre 1963 e 1971 e publicados nos Yearbook of the international Law Commission. 1962. pois ficou evidente a preocupação de inúmeros países em deixar a questão sem solução. 1979. civil e administrativa. A matéria era de difícil solução e o direito existente a respeito escasso e pouco satisfatório. Mas verificado que a maioria das delegações presentes considerava a regulamentação da matéria indispensável. 491. isenção no tocante à legislação social. junto aos órgãos ou conferências. Lalive. isenção fiscal e aduaneira. desde que não sejam nacionais do Estado-sede e desde que o tamanho da delegação seja razoável e normal. foi objeto de prolongados debates. p. Bibliografia: Abdullah El-lrian. Immunities and privileges of delegations to the United Nations. M. in RCADI. 1929. 43 a 70 da presente Convenção se aplicam a delegações de observação". Bruxelles. Quanto aos privilégios e imunidades. . Neste artigo. e o segundo estipulando que "todos os dispositivos dos arts. convém lembrar que nem todas as delegações em questão são enviadas a um dos principais órgãos das Nações Unidas ou a uma das grandes conferências realizadas sob a sua orientaSegunda Parte 183 ção. Immunité de Jurisdiction des États et des Organisations Internationales. A terceira parte da Convenção versa sobre as delegações enviadas a órgãos de organismos internacionais ou a conferências efetuadas sob a égide de tais organismos. 1953-I11. La Convention de Vienne de 1975 sur la représentation des Etats dans leur relations avec les organizations internationales de caractère universel. os observadores ficam equiparados aos membros de delegações junto aos órgãos ou às conferências internacionais. como no artigo correspondente às missões junto aos organismos. imunidade de jurisdição penal. portanto. 1949. Leland Goddrich and Edvard Hambro. ou delegações de observação. freqüentemente se trata de órgãos essencialmente técnicos de uma agência especializada ou de uma conferência de objetivos e duração limitada. Règles générales du droit de la paix. houve uma tentativa de dar ao país-sede certos direitos de controle no tocante à nomeação dos integrantes da delegação. n. Les missions perman entes auprès des Organizations Internationales. o que iria contra o princípio da livre escolha que vem norteando a matéria. O art.

assinada na Capital austríaca em 24 de abril de 1963. Capítulo 5 AS REPARTIÇÕES CONSULARES Os consulados são repartições públicas estabelecidas pelos Estados em portos ou cidades de outros Estados com a missão de velar pelos seus interesses comerciais. como ocorre atualmente. Seção 1 Nomeação e admissão de cônsules Nos termos da Convenção de 1963. pois. 186 Manual de Direito Internacional Público O DIP em matéria consular se acha codificado hoje em dia pela Convenção de Viena sobre Relações Consulares. assinada dois anos antes. Etude des accords de siège conclus entre les organisati ons internationales et les États où elles résident Milano. que são pagos pelo respectivo Estado. embora na época a função consular por excelência era a judicial e não a comercial. além de representar um ato inamistoso. vicecônsules e agentes consulares.depende de acordo entre os Estados. como foi o caso da proxenia em Atenas. O Estado. com o fim dos monopólios de Portugal e da Espanha. também contribuiu para tanto. os chefes de repartições consulares se dividem em quatro classes: cônsules-gerais. A ruptura de relações diplomáticas. dito de residência. mas com a criação do Estado moderno entram num período de decadência que coincide com a ascendência das embaixadas permanentes. Com a evolução dos Estados-municípios. o que geralmente ocorre por motivos estratégicos. tem o direito de não concordar com a abertura de consulado. Mas ao passo que o em- . A exemplo do que ocorre com os chefes de missões diplomáticas. O desenvolvimento da navegação. a instituição atinge o seu apogeu. a não ser que haja uma declaração em contrário. o que é feito através do exequatur. contudo. 1973-1974. ao passo que os profissionais. Cumpre ainda mencionar a Convenção sobre Agentes Consulares. sendo que a independência dos países latinoamericanos. 1959. reconhece o direito do Estado de não aceitar a abertura de consulado em determinadas localidades.Zaragoza. O estabelecimento de relações diplomáticas implica o estabelecimento das consulares. que deverá resultar de outra decisão. contudo. para utilizar a expressão tradicional. consulado. principalmente depois da descoberta da navegação a vapor. Nem todos os cônsules são funcionários de carreira. legalizar documentos. os primeiros cônsules eram eleitos pelos comerciantes locais e só mais tarde é que a nomeação partiria dos soberanos. ao contrário. idem. pode ser prejudicial aos seus interesses comerciais. cônsules.consulado-geral. ou. O DI. são os cônsules missi. prestar assistência e proteção a seus nacionais. mas dificilmente isto ocorrerá. Os consulados surgiram na Idade Média. A Convenção de Viena estipula em seu artigo primeiro que o estabelecimento de relações consulares depende do consentimento mútuo dos Estados interessados. vice-consulado ou agência consular. A abertura de uma repartição consular . A maioria é constituída pelos cônsules honorários. embora a história nos mostre que na antigüidade podem ser apontados exemplos de instituições destinadas à proteção dos estrangeiros. Além do mais. exercer a polícia da navegação e fornecer informações de natureza econômica e comercial sobre o país ou distrito onde se acham instalados. não importa na ruptura de relações consulares. traz consigo o ressurgimento da instituição consular. Foi grande a influência das Cruzadas. firmada em Havana em 1928. são os cônsules electi. na maioria dos casos. a nomeação de cônsules depende da aceitação prévia do nome do indicado. e que tem muitos pontos de contato com a Convenção sobre Relações Diplomáticas.

baixador ou ministro só pode dirigir-se ao seu posto depois de haver recebido o agrément, a prática é mais flexível em matéria consular, tanto assim que o cônsul poderá ser admitido provisoriamente no exercício de suas funções. Segunda Parte 187 A Convenção de Viena prevê em seu artigo 12 que o Estado que recebe tem o direito de negar a concessão do exequatur sem ser obrigado a comunicar os motivos da recusa. O Estado onde serve o cônsul também pode cassar o exequatur. Na prática, a cassação do exequatur só ocorre em casos excepcionais: pode ser por culpa do cônsul (má conduta) ou no caso de ruptura de relações diplomáticas e consulares entre os dois Estados. Seção 2 As funções consulares As funções consulares constam da legislação interna dos respectivos Estados, sendo que o Estado receptor tem o direito, ao admitir funcionário consular, de comunicar que o exercício de determinada função consular não é permitido. É o que ocorre, em alguns países, em relação ao casamento consular. Quando a CDI iniciou a elaboração do projeto de relações consulares, a adoção do artigo sobre as funções foi uma das mais difíceis. Enquanto alguns de seus membros e alguns países julgaram que o ideal seria adotar um artigo nos moldes da Convenção de Havana de 1928, outros opinaram pela adoção de um artigo que enumerasse as principais funções. A mesma situação ocorreu quando foi proposta, em 1963, a adoção da terminologia do artigo 10 da Convenção de Havana, do seguinte teor: "Os cônsules exercerão as atribuições que lhes conferir a lei do seu Estado, sem detrimento da legislação do Estado onde desempenham a sua Missão". Acabou vingando o sistema advogado pela CDI que consiste numa definição geral complementada por uma enumeração exemplificativa e não exaustiva das funções. O artigo 5 ainda esclarece que a Repartição consular poderá ainda exercer outras funções "as quais não sejam proibidas pelas leis e regulamentos do Estado receptor, ou às quais este não se oponha, ou ainda as que lhe sejam atribuídas pelos acordos internacionais em vigor entre o Estado que envia e o Estado receptor". O artigo 5 da Convenção de 1963 enumera inicialmente as obrigações genéricas de proteção, de informação e a de fomentar o desen188 Manual de Direito Internacional Público volvimento de relações com o Estado receptor para em seguida enumerar as que, inter alia, podem ser exercidas, como a emissão de passaportes e a concessão de vistos, funções de notário e de oficial de registro civil, velar pela sucessão de nacionais, comunicar decisões judiciais e extrajudiciais, executar comissões rogatórias, controle e inspeção sobre as embarcações de sua nacionalidade e prestar assistência às embarcações e aeronaves e às suas tripulações. Seção 3 Privilégios e imunidades consulares Uma das principais virtudes da Convenção sobre Relações Consulares foi a de haver distinguido as que dizem respeito à Repartição das que dizem respeito exclusivamente ao cônsul. De conformidade com esta filoso ia, a Convenção examina separadamente as seguintes prerrogativas e imunidades que dizem respeito à Repartição consular: inviolabilidade da repartição, dos arquivos e da correspondência, isenção fiscal e aduaneira e imunidade trabalhista. O projeto da CDI repetia no tocante à inviolabilidade da repartição consular o artigo correspondente sobre a missão diplomática. Em outras palavras, equiparava uma a outra, sob o fundamento de que era em decorrência da própria imunidadejurisdicional do Estado. Em Viena, contudo, o artigo foi modificado mediante o acréscimo de dispositivo

segundo o qual, em caso de incêndio ou de outro sinistro que exija medidas imediatas, presume-se o consentimento para penetrar na repartição. No fundo, o objetivo dos autores da emenda era o de evitar que a repartição consular fosse colocada em pé de igualdade com uma embaixada ou legação. Quanto aos arquivos, o artigo 33 reconhece a inviolabilidade sempre e onde quer que estejam. Ao reconhecer a isenção, a não ser no tocante a impostos e taxas sobre bens imóveis privados situados no território do Estado receptor, a Convençâo admite que no caso de imóvel de propriedade do Estado estrangeiro a isenção fiscal existe. A Convenção também dá isenção aduaneira aos "artigos destinados ao uso oficial da repartição consular". Segunda Parte 189 Os cônsules gozam de inviolabilidade pessoal, a não ser no caso de cometerem crime grave e, mesmo assim, somente "em decorrência de decisão de autoridade judiciária competente". Gozam de imunidade de jurisdição civil em relação a atos realizados no exercício de suas funções. O artigo 43 ainda salienta que não desfrutarão de imunidade de jurisdição civil em ação "que seja proposta por terceiro como conseqüência de danos causados por acidente de veículo, navio ou aeronave, ocorrido no Estado receptor". A Convenção acolheu a regra de que o cônsul poderá ser chamado a depor como testemunha no decorrer de processo judiciário ou administrativo. Os cônsules, contudo, não podem ser obrigados a depor sobre fatos relacionados com o exercício de suas funções nem a exibir documentos oficiais que a elas se refiram. Poderão, ainda, recusar-se a depor na qualidade de peritos sobre as leis do Estado que envia. A isenção fiscal dos cônsules é admitida, mas o artigo 49 enumera uma série de exceções através das quais a regra básica acaba enfraquecida. A Convenção adotou no tocante aos cônsules uma postura mais favorável em relação à isenção aduaneira, pois esta mesma é reconhecida quanto aos artigos destinados ao seu uso pessoal e aos dos membros de sua família, inclusive os artigos destinados à sua instalação. A bagagem pessoal também não deve ser sujeita à inspeção alfandegária, a não ser nas hipóteses expressamente previstas, como no caso de artigos cuja importação ou exportação seja proibida. A situação dos cônsules honorários, que nunca fora objeto de regulamentação internacional, é prevista nos artigos 58 a 68. O artigo básico é o de número 58, que menciona os dispositivos em que os cônsules honorários são equiparados aos de carreira: de um modo geral, a equiparação diz respeito não ao cônsul, mas sim à repartição consular, pois a Convenção salienta que se trata de repartição de governo estrangeiro. Assim, no caso dos arquivos, gozarão de inviolabilidade "desde que estejam separados de outros papéis e documentos e, especialmente, da correspondência particular do chefe da repartição consular". Quanto ao próprio cônsul honorário, goza de algumas pequenas regalias, como as de que "possa necessitar em razáo de sua posição otïcial". 190 Manual de Direito Internacional Público Seção 4 Termo das funções consulares A missão do funcionário consular termina em decorrência de sua remoção para novo posto e de volta ao respectivo país; em caso de demissão ou de aposentadoria; e no de falecimento. Conforme foi visto, o Estado de residência tem o direito de exigir a sua retirada, o que ocorre pela anulação do exegucttur, isto é, declarando-o per.sntru nntr grnta. A decisão poderá ser tomada a qualquer momento, sem que o Estado seja obrigado a explicar os motivos

de sua decisão. Esta norma tem por objetivo evitar que os motivos alegados possam ser contestados pelo Estado que envia o cônsul. A anulação do exeguatur pode ser ocasionada por conduta incompatível do cônsul ou então por motivo político, ou seja, como uma demonstração menos séria do que a ruptura de relações consulares. Ocorrendo declaração de guerra, a missão consular termina, mas mesmo em tal caso deve haver a cassação do exeguatur. Biblin,yrclfia: Adolfo Maresca, Le rela<.ioni con,sulari, Milano, 1966; Constantin Économides, Consularjurisdiction in Encyclopedia, v. I (A-D), p. 763; Díez - 1 , p. 556; J. Irizarry y Puente, 7i-aité .sur le.s,fonction.s internati onales de,s con.suls, Paris, 1937; Jaime Abrisqueta, EI derecho con.sular internucioncrl, Madrid, 1974; Jaroslav Zourek, Le statut et les fonctions des consuls, in RCADI, v. 106, p. 365; Luke Lee, Cnn.sular Iaw and practice, London, 1961 ; Mello - 2, p. 1052; Mohammed Ali Ahmad, L'institutinn cnn.sulaire et le droit internatinnal, Paris, 1973; Annuaire de I'A. A. A., Cort.sular law. Le Con.sul, .se.s,fooctiort.s et snri statut, Haia, v. 49/50, 1979/80; Nascimento e Silva l; idem, Diplomatic and consular relations, na coletânea da UNESCO, p. 437; Pastor Ridruejo, p. 545; Rousseau - 4, p. 21 I . TERCEIRA PARTE ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS As organizações internacionais fazem parte do DI atual e são 0 resultado do aumento das relaçõesinternacionais e da necessidade da cooperação entre os Estados. Embora a multilateralidade seja uma das características do DI e da diplomacia contemporâneas, não representa uma novidade, visto que alguns exemplos podem ser apontados no passado. Mas foi com a Liga das Nações (LdN) que a importância das organizações internacionais passou a ter maior impacto na vida das nações. A LdN não nasceu abruptamente; resultou de inúmeros projetos, que, contudo, na época, não tiveram maior aceitação. Discutia-se sobre se a LdN possuía personalidade internacional, se era sujeito do DI. A redação do Pacto não era de molde a auxiliar as interpretações daqueles que assim pensavam, ao contrário do que ocorre com a Carta das Nações Unidas, gue reconhece a capacidade da organização de tïrmar tratados - a suasede tem foros de exterritorialidade, os seus funcionários gozam de prerrogativas e imunidades tendentes a faci)itar-lhes o exercício de funções e o artigo 104 regula que "a Organização gozará no território de cada um de seus membros da capacidade jurídica necessária ao exercício de suas funções e à realização de seus propósitos". Em outras palavras, hoje não existem dúvidas a respeito da personalidacie internacional das Nações Unidas, tampouco das organizações especializadas internacionais, bem como das principais organizações regionais, como é o caso da Organização dos Estados Americanos (OEA) e das européias Uma organização internacional é, no dizer de El-Irian, "uma associação de Estados (ou de outras ertidades possuindo personalidade in192 Manual de Direito Internacional Público ternacional), estabelecida por meio de um tratado, possuindo uma constituição e órgãos comuns e tendo uma personalidade legal distinta da dos Estados-membros". O número de organizações internacionais cresce à medida que aumentam os problemas específicos e as preocupações dos Estados. Antes de mais nada, convém fazer a distinção entre as organizações intergovernamentais e as não-governamentais - as ONGs - e basta mencionar as ONGs destinadas à defesa do meio ambiente para se ter uma idéia de seu número.

As organizações intergovernamentais podem ser globais ou regionais, sendo que, quer umas, quer as outras, podem ter um objetivo generalizado ou específico... O exemplo por excelência de organização generalizada são as Nações Unidas e, com anterioridade, a LdN. Como exemplo de organização regional generalizada temos a OEA. Variam as organizações - globais e regionais - especializadas, que podem ser classificadas segundo o seu objetivo seja preferencialmente econômico, cultural, social, judiciário, de comunicação, administrativo, de proteção ao meio ambiente ou tecnológico. A classificação é relativa, pois todas têm finalidades administrativas, e a maioria se ocupa da cooperação técnica e financeira. Com o surgimento da preocupação com os problemas ecológicos, verificou-se que diversas organizações passaram a tratar dos problemas com eles relacionados, conforme ocorreu com a FAO, a UNESCO, a Organização Marítima Internacional e a Organização Mundial de Meteorologia, além do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (a UNEP), que passou a ser a principal nesta área. Bibliografia: Accioly - 2, p. 24; Edvard Hambro, The jurisdiction of the International Court of Justice, in RCADI, 1951, v. 71, p. 121; Egon Schwelb, The process of amending the Statute of the International Court of Justice, AJIL, 1970, v. 64, p. 880; Hans Kelsen, The law of the Llnited Nation.s, New York, 195 1 , p. 463; Manfred Lachs, The development and general trends of internation al law in our times, in RCADI, 1984, v. 169, p. 226; Mc Nair, The development of international ju.stice, New York, 1954; Mello - 1 , p. 527; Pastor Ridruejo, p. 751 ; Shabtai Rosenne, Prncedure in the lnternational Court, Dordrecht, 1983; Sibert 1, p. 469; Mme. Susanne Bastide, La jurisprudence de la Cour Internationale de Justice, in RCADI, 195 I , v. 71 ; Taslim O. Elias, The lnternatinnal Court of J u.stice Terceira Parte 193 ar d .some contemporarv problems, Dordrecht, 1983; Vandenbosch and Hogan, The U iited Nations, New York, 1952, p. 190; Institut de Droit International, sessão de 1954, resolução sobre o Study of the amendments to be made in the Statute of the International Court of Justice, Annuaire, 1954, v. 45-1 1, p. 296 . Terceira Parte 195 Capítulo 1 AS NAÇÕES UNIDAS A Organização das Nações Unidas (ONU) é, no dizer da própria Carta, uma associação de Estados reunidos com os propósitos declarados de "manter a paz e a segurança internacionais", "desenvolver relações amistosas entre as nações, baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos", "conseguir uma cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural ou humanitário e para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e as liberdades fundamentais para todos" e "ser um centro destinado a harmonizar a ação das nações para a consecução desses objetivos". Resultou da segunda guerra mundial e veio substituir o organismo análogo que, sob a denominação de Liga da.s Naçõe.s, funcionou em Genebra, após a primeira guerra mundial. Sua lei básica é a Cartn da.s Nações Unidas, que foi assinada em São Francisco a 26 de junho de 1945. A Carta consta de um preâmbulo e de cento e onze artigos, e tem como anexo o Estatuto da Corte Internacional da Justiça, que é parte integrante da mesma.

Nas guestõe. Na realidade. em dezembro de 1993.A Organização das Nações Unidas não é um superestado. O Membro das Nações Unidas que houver violado persistentemente os princípios da Carta poderá ser expulso pela Assembléia Geral. a 1Q de janeiro de 1942. uma Corte Internacional de Justiça e um Secretariado. as questões importantes abrangem: recomendações acerca da manutenção da paz e da segurança internacionais. Cada Estado poderá fazer-se representar no máximo por cinco representantes. um Conselho de Segurança. uma vez por ano. que aceitaram as obrigações contidas na Carta "e que ajuízo da Organização estiverem aptos e dispostos a cumprir tais obrigações". É curioso assinalar due dentre os membros originários tïguram a Bielo-Rússia e a Ucrãnia. não são Estados soberanos. quando as circunstâncias o exigirem. 196 Manual de Direito Internacional Público As decisões da Assembléia Geral são tomadas pela maioria simples dos Membros presentes e votantes. e em sessões extraordinárias.s importante. Em 1971. a pedido do Conselho de Segurança ou da maioria dos Estados-membros. os órgãos subsidiários que forem considerados necessários. depois. cabendo a cada Estado-membro apenas um voto. Nos termos da Carta. Quanto aos membros eleitos. inclusive a determinação de categorias adicionais de assuntos a serem resolvidos por maio- . o número de membros da ONU passou a ser de I 83. a rigor. questões relativas ao funcionamento do sistema de tutela e questões orçamentárias. um Conselho Econômico e Social. quando da votação da proposta da Albânia de admissão da República Popular da China. quando contra eles for levada a efeito qualquer ação preventiva ou coercitiva por parte do Conselho de Segurança. O mesmo Conselho poderá. Poderão ser admitidos como membros todos os Estados "amantes da paz". eleição dos Membros do Conselho Econômico e Social e dos do Conselho de Tutela. a Declaração das Nações Unidas. bastou o voto de uma simples maioria. além disto. embora reúna a quase-totalidade dos Estados existentes. Com a admissão de Andorra. em mais de uma oportunidade. a Assembléia Geral opinou que a questão não era importante e. A Assembléia Geral se reúne em sessões ordinárias. mediante recomendação do Conselho de Segurança. considerações políticas têm exercido um papel importante na admissão de alguns membros. bem como aqueles que previamente firmaram. um Conselho de Tutela. em conseqüência. Os membros são originários ou eleitos. Terá. A Organização compreende seis órgãos especiais: uma Assembléia Geral. Os membros da Organização poderão ser suspensos do exercício dos direitos e privilégios que lhes competem como tais. admissão de novos Membros na Organização. suspensão dos direitos e privilégios dos Membros. expulsão destes. que. e as duas superpotências. As sessões extraordinárias são convocadas pelo Secretário-Geral. Suas decisões noutras questões. eleição dos Membros não permanentes do Conselho de Segurança. são admitidos pela Assembléia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. e a conseqüente exclusão da China Nacionalista. como a representante da China. sendo que os primeiros são os cinqüenta e um países que participaram da Conferéncia de São Francisco e assinaram a Carta. restabelecer o exercício desses direitos e privilégios. Seção 1 A Assembléia Geral A Assembléia Geral das Nações Unidas é composta de todos os Mernbros da Organização. usaram o veto abusivamente para impedir o ingresso de Estados que reúnem todos os elementos exigidos.s as decisões são tomadas por dois terços dos Membros presentes e votantes.

dos juízes da Corte Internacional de Justiça. Estados Unidos da América. a suspensão e a expulsão destes. sem distinção de raça. . Reino Unido e URSS) e seis eleitos pela Assembléia Geral para um prazo de dois anos e sem faculdade de reeleição para o período imediato. bem como dos meios de promover a cooperação internacional nos terrenos econômico. se o total de suas contribuições atrasadas igualar ou exceder a soma das respectivas contribuições correspondentes aos dois anos anteriores completos. a Assembléia não fará recomendação alguma a respeito de tal situação ou controvérsia a menos que o próprio Conselho a solicite. o exame dos relatórios anuais do Conselho de Segurança. dos quais cinco permanentes (China. permitir que o referido Membro vote. geralmente. a admissão de novos Membros na Organização. podendo fazê-lo fora da sede da Organização. ou pelo Conselho de Segurança. exercidas. simultaneamente com o Conselho de Segurança. caso fique provado que a falta é devida a condições independentes de sua vontade. além dos mesmos cinco membros permanentes. Estas últimas atribuições são. A Assembléia poderá. Cada Membro de Conselho tem ali apenas um representante e apenas um voto. bem como dos relatórios dos outros órgãos das Terceira Parte 197 Nações Unidas. A Assembléia tem certas atribuições obrigatórias e outras facultativas. Entre as funções ou atribuições facultativas da Assembléia. no terreno político. no entanto. as funções que lhe competem. França. a eleição dos Membros não permanentes do Conselho de Segurança e dos Membros do Conselho Econômico e Social e do Conselho de Tutela. por parte de todos os povos. do pessoal do secretariado das Nações Unidas. discutir quaisquer questões relativas à manutenção da paz e da segurança internacionais que lhe forem submetidas por qualquer Membro das Nações Unidas. pelo Conselho Econômico e Social. educacional e sanitário. a composição do Conselho de Segurança foi modificada e passou a ter dez membros não-permanentes. ou por um Estado que não seja Membro. Em 1963. sexo. contudo. sob a autoridade da Assembléia. compunha-se. são tomadas por maioria dos Membros presentes e que votem. na maioria dos casos. língua ou religião. Deixará de ter voto na Assembléia o Membro da Organização que estiver em atraso no pagamento de sua contribuição financeira. a adoção de regras para as nomeações pelo Secretário-Geral. em relação a qualquer controvérsia ou situação. solicitar a atenção do Conselho de Segurança para situações que possam constituir ameaça à paz e à segurança internacionais. Seção 2 O Conselho de Segurança Criado para ser o órgão principal das Nações Unidas. e de favorecer o pleno gozo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais. que. figuram as seguintes: a consideração e aprovação do orçamento da Organização.ria de dois terços. Entre as primeiras. social. o estudo dos meios de promover a cooperação internacional. üticialmente. Terceira Parte 199 Manual de Direito Internacional Público O Conselho reúne-se periodicamente. o Conselho de Segurança estiver exercendo. Enquanto. considerar os princípios gerais de cooperação na manutenção da paz e da segurança internacionais. são privativas. de onze membros. cultural. e a sua codificação. a eleição. porém. indicam-se as seguintes: discutir quaisquer questões ou assuntos que estejam dentro das finalidades da Carta das Nações Unidas ou se relacionem com as atribuições e funçóes de qualquer dos órgãos nela previstos. a nomeação do Secretário-Geral das Nações Unidas (estas quatro últimas atribuições devem ser precedidas de recomendação do Conselho de Segurança).

Deve abster-se de votar o Membro do Conselho que for parte numa controvérsia prevista no capítulo VI da Carta das Nações Unidas ("controvérsia que possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais") ou numa controvérsia de caráter local. estimular o desenvolvimento da solução pacífica de controvérsias locais mediante acordos ou entidades regionais e. a respeito da qual o Conselho deva tomar alguma resólução. submeter à consideração da Assembléia relatórios anuais e. determinar a existência de qualquer ameaça à paz. de qualquer deles contra a maioria. entre estes. na discussão de qualquer controvérsia submetida ao Conselho. essencialmente. para a aplicação das forças armadas de que possa dispor. uma vez que seja parte em tal controvérsia. que passou a opinar naqueles assuntos em que o ConseIho de Segurança não conseguia alcançar uma solução. O uso abusivo do direito de veto paralisou durante longos anos o Conselho e acabou por enfraquecê-lo com o conseqüente fortalecimento da Assembléia Geral. na discussão de qualquer questão submetida ao Conselho. os Membros desta conferiram ao Conselho de Segurança a principal responsabilidade na manutenção da paz e da segurança internacionais e concordaram em que. Entre aquelas atribuições figuram as seguintes: convidar as partes em uma controvérsia e resolvê-la por algum meio pacífico. sob sua própria autoridade. especiais. sociais ou educacionais. em todos os outros assuntos. a assistência e as facilidades que cada um deles se comprometeu a proporcionar ao Conselho para a manutenção da paz e da segurança internacionais. utilizar tais acordos e entidades para uma ação coercitiva. qualquer dos ditos Membros ou qualquer Estado que não pertença às Nações Unidas será convidado a participar. em jogo. aprovar os acordos de tutela referentes às zonas designadas como estratégicas e fiscalizar a execução de tais acordos. Cada ano. de todos os Membros permanentes. Analogamente. Segundo o artigo 24 da Carta das Nações Unidas. sem direito de voto. quando necessário. o Conselho proceda em nome deles. Qualquer Membro das Nações Unidas que não for Membro do Conselho poderá tomar parte. e pelo voto atïrmativo de nove Membros. Cumpre-lhe. econômicas. ruptura da paz ou ato de agressão e fazer recomendações ou decidir medidas tendentes a manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. tomar a iniciativa para a negociação de acordos com os Membros da Organização sobre as forças armadas. recomendar procedimentos ou métodos de solução adequados para controvérsias ou situações que possam vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais. nos termos da alínea 3 do artigo 52 da dita Carta.As decisões do Conselho são tomadas pelo voto afirmativo de nove dos seus Membros. sem direito de voto. ou até a unanimidade dos demais. Seção 3 O Conselho Econômico e Social É composto atualmente de cinqüenta e quatro Membros das Nações Unidas. Essa exigência do voto afirmativo de todos os membros permanentes do Conselho é o reconhecimento do chamado "direito de veto". no cumprimento dos deveres impostos por essa responsabilidade. além disso. quando se trata de questões processuais. com a inclusão. VIII e XII da Carta. sendo permitida a reeleição. especialmente. com a assistência de uma comissão de Estado-maior. fazer planos. se este considerar que os interesses do referido Membro se acham. as enumeradas nos capítulos VI. Suas atribuições específicas são. VII. eleitos para um período de três anos pela Assembléia Geral. especialmente no tocante a matérias políticas. um terço dos seus membros é renova- . eventualmente.

a serem submetidos à Assembléia Geral. educacional. em primeiro lugar. entre os Membros das Nações Unidas que administrem e os que não administrem territórios tutelados. da Organização das Nações Unidas. quatro membros permanentes do Conselho de Segurança. figura a de apresentar um relatório anual à Assembléia. os serviços que lhe forem solicitados pelos Membros das Nações Unidas ou pelas entidades especializadas. O pessoal do Secretariado é naTerceira Parte 201 meado pelo Secretário-Geral. e desempenhará outras funções que lhe foram atribuídas por esses órgãos. em número suficiente para que o total dos Membros do Conselho de Tutela fique dividido em partes iguais. mediante recomendação do Conselho de Segurança. dar-lhe assistência. 3) outros membros eleitos para um período de três anos pela Assembléia Geral. sanitário e conexos sendo-lhe facultado fazer recomendações. vinculadas às Nações Unidas. Tem uma sede permanente. O Secretário-Geral é eleito pela Assembléia Geral. Seção 5 O Secretariado É o órgão administrativo. O dito Conselho poderá. Suas decisões são tomadas por maioria dos membros presentes e votantes. Compreende um Secretário-Geral. Tal composição foi possível nos primeiros anos da Organização. o qual deve ser escolhido dentro do mais amplo critério geográfico possível. do Conselho de Segurança. figura. por excelência. a pedido deste. convocar conferências. que o dirige e é auxiliado por pessoal numeroso. a . prestar. Unidas e às entidades especializadas interessadas. social. formular acordos com as entidades especializadas. sobre tais assuntos. do Conselho Econômico e Social e do Conselho de Tutela. Seção 4 O Conselho de Tutela Nos termos da Carta das Nações Unidas. O Secretário-Geral atua nessa qualidade em todas as reuniões da Assembléia Geral. sobre assuntos de sua competência. aos Membros das Nações . nele têm assento. mas atualmente que só existem dois territórios sob tutela não mais existem membros eleitos. mediante autorização prévia da Assembléia. que não administram territórios. Entre suas obrigações ordinárias. sobre os trabalhos da Organização. respeito de tais assuntos à Assembléia Geral. além disso: fazer recomendações destinados a promover o respeito e a observância dos direitos do homem e das 200 Manual de Direito Internacional Público liberdades fundamentais. de acordo com regras estabelecidas pela Assembléia. e coordenar as atividades dessas entidades. preparar projetos de convenções. Uma de suas mais importantes faculdades é a de chamar a atenção do Conselho . o Conselho de Tutela deveria ser composto de três categorias de Membros: 1 ) os que se encontrem à frente da administração de territórios tutelados. Entre as atribuições do Conselho Econômico e Social. que se acha estabelecida em Nova Iorque. 2) os membros permanentes do Conselho de Segurança que não estiveram administrando territórios tutelados. Como funcionários internacionais. fornecer informações ao Conselho de Segurança e. cultural. Cada um destes terá nele apenas um representante. a de realizar estudos e apresentar relatórios acerca de assuntos internacionais de caráter econômico.do. o Secretário-Geral e os demais componentes do Secretariado são responsáveis somente perante a Organização e gozam de certas imunidades.

Seção 7 Os métodos amistosos de solução de conflitos O capítulo VI da Carta das Nações Unidas (arts. a Carta menciona. as obrigações de solução pacítïca contidas na Carta. de acordo com as disposições do respectivo Estatuto. que recomendará os métodos ou as condições que lhe parecerem apropriadas para a solução. para alcançar esses objetivos. a resolução dos povos das Nações Unidas de "preservar as gerações vindouras do tlagelo da guerra''. nada autoriza as Nações Unidas a intervirem em tal assunto. em tais assuntos. Dentre as funções do Secretariado. 2) o Conselho de Segurança poderá exortar as partes a recorrer a tais meios. Se se trata de assunto ou questão que dependa essencialmente da jurisdição interna de um Estado. no tocante a esse caso. Seção 6 Funções e atribuições da Organização O principal objetivo das Nações Unidas é a manutenção da paz e da segurança internacionais. 5) o mesmo poderá fazer qualquer Estado que não seja Membro das Nações Unidas. e nenhum dos Membros da Organização é obrigado a submeter assuntos dessa natureza às soluções previstas na Carta das Nações Unidas: é neste sentido que dispõe o nQ 7 do artigo 2Q da dita . merece citado o artigo 102. procurar chegar a acordo. antes de tudo. 33 a 38) estabelece uma série de medidas ou métodos de natureza amistosa. 6) a intervenção da Assembléia. ruptura da paz ou atos de agressão. deverá ter em consideração que as controvérsias de caráter jurídico devem. possa ameaçar a manutenção da paz e da segurança internacionais. não Ihe sendo lícito. por qualquer meio pacítïco. a ação coletiva contra as ameaças à paz. e.de Segurança para qualquer assunto que. Este dispositivo está em harmonia com o preâmbulo da Carta que enumera. 202 Manual de Direito lnternacional Público em primeiro lugar. que prevê que todo tratado firmado por Estado-membro deverá ser registrado e publicado pelo Secretariado depois de sua entrada em vigor. 3 ) o Conselho poderá investigar sobre uma controvérsia ou uma situação suscetível de provocar atritos internacionais. caso não consigam chegar a acordo por qualquer outro meio pacítïco. e os acordos regionais. ao fazer tais recomendações. destinados a evitar que as controvérsias entre Estados degenerem em guerra. porém. com relação a qualquer controvérsia em que figure como parte. contanto que aceite. enquanto 0 Conselho de Segurança estiver discutindo o assunto. pelas partes. 8) as partes. fazer qualquer recomendação a esse respeito. como um dos motivos determinantes da criação do Organismo. 7) em qualquer fase da controvérsia ou da situação ameaçadora. o Conselho poderá recomendar procedimentos ou métodos de solução apropriados. limitar-se-á à possibilidade de discutir o caso e de apresentar recomendações ao Estado ou Estados interessados ou ao Conselho de Segurança. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados ( 1969) se ocupa da matéria minuciosamente nos artigos 76 a 80. 4) qualquer Membro das Nações Unidas poderá solicitar a atenção do Conselho ou da Assembléia Geral para uma controvérsia ou situação dessa natureza. salvo se isso lhe for solicitado pelo próprio Conselho. em sua opinião. mas. a tïm de determinar se a continuação da controvérsia ou da situação pode constituir ameaça à manutenção da paz e da segurança entre as nações. em regra geral. deverão submeter a controvérsia ao Conselho de Segurança. ser submetidas. previamente. entre outros: os métodos amistosos de solução pacífica de controvérsias. à Corte Internacional de Justiça. Os métodos previstos para esse tïm são os seguintes: 1 ) as partes numa controvérsia que possa vir a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais deverão.

o qual acrescenta. A CPJI. E acrescentou: "A questão de saber se certa matéria entra. entretanto. posto uma questão seja. 204 Manual de Direito Internacional Público Além das questões de nacionalidade. ter presente que. no estado atual do direito internacional. reguladas pelo direito internacional. Além disso favorece o arbítrio náo atribuir a alguém a decisão nessa matéria ou não adotar um critério para a respectiva qualilïcação. que a CPJI declarou pertencerem. podendo prestar-se a grandes ampliações. podem também ser assim considerados: as leis de imigração. em prin" cípio. Esta disposição é. de que a controvérsia versava sobre "uma questão que o direito internacional deixa à competência exclusiva dessa parte": era o Conselho da Liga. em virtude de compromisso internacional. para com outro Estado. Havia ali. No artigo 15 do Pacto da Liga das Nações (alínea 8) havia mais do que isto. mais ou menos seguro: era o do direito internacional. a fazer ou não fazer alguma coisa que era da sua competência exclusiva. Convém. Isto ocorrerá quando o Estado. a esse domínio reservado. pertencem à jurisdição interna do Estado". embora podendo tocar muito de perto os interesses de mais de um Estado. Seção 8 Ação coletiva contra as ameaças à paz. procurou definir tal questão em termos que se tornaram bastante conhecidos: "As palavras competência exclusiva" . Embora o direito internacional não tenha sido expressamente invocado no texto citado da Carta das Nações Unidas. o Estado é o único juiz para decidi-las". sem dúvida.disse então a Corte . as questões de nacionalidade estão. em princípio. Primeiro que tudo. não são. O vocábulo exclusivamente que se nos depara no projeto de Dumbarton Oaks era preferível. ou não. segundo o referido direito. um tanto vaga e elástica. ruptura da paz e atos de agressão. este pode ver-se privado de tal competência. à utilização do território nacional para o bem comum. O projeto de Dumbarton Oaks falava em "situações ou controvérsias baseadas em questões que sekundo o direito internucionul.Carta. pois havia quem decidisse sobre a alegação. entretanto. em princípio. às medidas de segurança interna e externa. em princípio. relativamente a decretos de nacionalidade promulgados na Tunísia e em Marrocos. em parecer consultivo emitido a 7 de fevereiro de 1923. que semelhantes preceitos não prejuTerccira Parte 203 dicam a aplicação das medidas coercitivas constantes do capítulo referente à ação relativa a ameaças à paz. É assim que.ssencialmer te é pouco claro. à organização administrativa ejudiciária. o que se deve entender por questões que dependem da jurisdição interna ou da competência exclusiva de um Estado. por uma das partes. No que concerne a essas matérias. um critério. em geral. ao estado e capacidade das pessoas. convém examinar. tudo quanto concerne à constituição interna do Estado. ao menos. dizer que uma questão depende e. da competência exclusiva de um Estado."parecem ter em vista certas matérias que. os regulamentos aduaneiros e. se obrigou a reconhecer a outro Estado certos direitos ligados diretamente à matéria do seu domínio reservado ou se comprometeu. a sua forma de governo. no domínio exclusivo de um Estado é uma questão essencialmente relativa: depende do desenvolvimento das relações internacionais. pois. ruptura da paz ou atos de agressão . compreendidas nesse domínio reservado . parece que se deve considerar como pertencendo à competência exclusiva de um Estado tudo o que está dentro das suas funções normais e ainda não foi regulamentado pelo direito internacional. Assim. na opinião da Corte. se a dita questão assume caráter internacional.

conforme vimos. poderá levar a efeito a ação armada que julgar necessáría para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. no caso de ruptura da paz ou ato de agressão. de conformidade com a Carta. fará as recomendações ou adotará as medidas que considere apropriadas (arts. se as referidas medidas forem julgadas ou tiverem demonstrado que são inadequadas. o estabelecimento de uma comissão de observação. quer da 2 Manual de Direito Internacional Público própria Assembléia. a Assembléia poderá reunir-se dentro em 24 horas. antes de taís medídas ou recomendações. inclusive. cabe a principal responsabilidade na manutenção da paz e da segurança internacionais. nem a situação das ditas partes. entre outras. A mesma Resolução previu. Ao Conselho. em conseqüência de recomendação quer do Conselho. Isto levou a Assembléia Geral. teve o título de "União para a Paz". ou. que não prejudiquem os direitos ou pretensões. Os efetivos militares colocados sob o comando das Nações Unidas na Guerra da Coréia. para observar e informar em qualquer área onde exista tensão internacional e criou uma comissão destinada a estudar e sugerir métodos coletivos para fortalecimento da paz e da segurança. o artigo 47 previa a criação de uma Comissão de Estado-Maior destinada a orientar e a assistir o Conselho de Segurança em todas as questões relativas às exigéncias militares. a fim de evitar que a situação se agrave. A guerra fria e o desentendimento entre as duas superpotências tornaram todos os referidos dispositivos "letra morta". o Conselho poderá adotar medidas que não envolvam o emprego de forças armadas e convídar os Membros das Nações Unidas a aplicá-las. para medidas coletivas. o artigo 43 previa a assinatura de tratados especiais nos termos dos quais os Estados-membros colocariam à dísposíção da organização as forças armadas necessárias. por sua vez. o Conselho poderá. organizados e equipados para serem prontamente utílízados em serviço como unidades das Nações Unidas. navais ou terrestres dos Membros das Naçoes Umdas. Nos primeiros comentários da Carta das Nações Unidas os artigos 41 e seguintes foram considerados os mais importantes visto que proporcionavam ao Conselho de Segurança os elementos necessários para manter ou restabelecer a paz e a segurança internacionais. em Chipre e em outros locais não o foram de conformidade com o sistema ídealizado em São Francisco. c) recomenda-se a cada Estado-membro que mantenha. a fim de manter a paz e a segurança internacionais. Nela se estabeleceram.A existência de qualquer ameaça à paz internacional. em Suez. além disso. dos meios de comunicações de qualquer espécie. As medidas com emprego de força armada poderão compreender: demonstrações. ruptura da paz ou ato de agressão será determinada pelo Conselho de Segurança. o uso de forças armadas. . em novembro de 1950. elementos nacionais treinados. dentro das respectivas forças armadas. as seguintes disposições: a) em caso de veto no Conselho. bloqueio e outras operações. convidar as partes interessadas a aceitarem certas medidas provisórias. que. Preliminarmente. b) a Assembléia poderá fazer recomendações aos Estados-membros. As medidas sem emprego I Terceira Parte 205 de força armada poderão íncluír: a ínterrupção completa ou parcial das relações econômicas. Com efeito. 39 a 51 ). a adotar uma Resolução destinada a obviar aquele mconveniente. Para tornar efetivas suas decisões. Essa Resolução. e o rompimento das relações diplomáticas. no Congo. Mas a ação paralisante do veto pode impedir que ele exerça as atribuições que lhe correspondem nessa matéria. aprovada por 52 votos. por parte das forças aéreas.

Ainda no tocante à ação coercitiva do Conselho de Segurança, sabese que a mesma, por mais rápida que seja, poderá sempre sofrer algum atraso. Por isso, a Carta das Nações Unidas não podia deixar de reconhecer o direito de legítima defesa, individual ou coletiva. É o que consta do seu artigo 51, segundo o qual esse direito poderá ser exercido no caso de ataque armado contra qualquer Membro das Nações Unidas, até que o Conselho haja tomado as medidas necessárias para a manutenção da paz e da segurança internacionais. As medidas de legítima defesa serão, no entanto, comunicadas imediatamente ao Conselho de Segurança e não deverão atingir a autoridade, nem a responsabilidade que lhe correspondem para levar a efeito, em qualquer tempo, a ação que julgar adequada para a manutenção ou estabelecimento da paz e da segurança internacionais. Seção 9 Os acordos regionais Uma tendência verificada no final da segunda guerra mundial foi a de tomar o regior2alismo como base da estruturação da futura organização internacional, e em tal sentido o sistema interamericano serviria de modelo. Dentro desta filosotïa, a Comunidade britãnica seria considerada uma entidade regional. O projeto de Dumbarton Oaks, contudo, ao dar prioridade ao Conselho de Segurança, relegou a segundo plano 0 regionalismo, embora no capítulo VIII, seção C, se dizia que "nada deverá excluir a existência de ertendimentos ou entidades regionais". Diante da ameaça ao sistema interamericano, foi realizada a Conferência de Chapultepec, onde os países do Continente adotaram uma política tendente a evitar possível enfraquecimento do sistema. A Carta das Nações Unidas (arts. 52 a 54) diz que os acordos ou entidades regionais poderão ocupar-se da manutenção da paz e da seTerceira Parte 207 gurança internacionais em assuntos suscetíveis de ser regulados por ação regional, desde que tais acordos ou entidades e atividade prevista sejam compatíveis com os propósitos e princípios das Nações Unidas. Os Membros das Nações Unidas que forem partes em tais acordos ou constituírem tais entidades deverão procurar resolver pacificamente as controvérsias locais por meio de seu sistema regional, antes de as submeter ao Conselho de Segurança. Nada obsta, contudo, a que este exerça a autoridade, que lhe é própria, de investigar sobre qualquer controvérsia ou situação suscetível de provocar atritos entre nações, ou a que a atenção do Conselho ou da Assembléia seja solicitada por qualquer Estado para uma controvérsia ou situação dessa natureza. O Conselho de Segurança será sempre informado de qualquer ação empreendida ou projetada, em virtude de acordos regionais ou por entidades regionais, para a manutenção da paz e da segurança internacionais. Por sua parte, o próprio Conselho poderá utilizar tais acordos ou entidades para uma ação coletiva, sob a sua autoridade. Mas, segundo o artigo 53 da Carta, nenhuma ação coercitiva poderá ser levada a efeito, por meio dos acordos ou entidades regionais, sem autorização do Conselho, salvo contra um Estado que, durante a segunda guerra mundial, foi inimigo de qualquer dos signatários da Carta das Nações Unidas e isto mesmo somente até o momento em que a organização possa, a pedido dos governos interessados, tomar o encargo de impedir toda nova agressão por parte de tal Estado. Isto não pode significar, contudo, um impedimento às medidas de legítima defesa, individual ou coletiva, autorizadas, conforme vimos, pelo artigo 51. Bibliografia: Alfred von Verdross, Idées directrices de I'Organization des Nations Unies, in RCADI, v. 85 ( 1953-II), p. 1 ; Aluizio G. Bittencourt, O Con. sellm Ec'nnnrnico e Sncial da.s Naçnes Unidas, Rio de Janeiro, 1948; Amry Vandenbosch e Willard N. Hogan, The United Natinn.s: hackgmund, nrganization,

/iarctinrr.s, activitie.s, New York, 1952; Díez de Velasco, La.s organizac'iones intc:rnariorurle.s, p. 131; Emile Giraud, La révision de la Charte des Nations Unies, in RCADI, v. 90, 1956-II, p. 3(17; G. E. do Naacimento e Silva, E.strutur a c liun'inrrarnorrtn da.s Nuç'ne.s Unida.s, Boletim 1955, p. 67; G. S. Kaekenbeck, La Charte de ,San Francisco dans ses rapports avec le droit International, in RCADI , 1947, v. 7(), p. 109; Hans Kelsen, The luw n/'the United Nutinn.s, London, 1951; 208 Manual cle Direito Internacional Público Hans Morgenthau, Politic.s among Nation.s, 4. ed., New York, 1956, p. 459; Lelan d M. Goodrich e Edvard Hambro, Charte,s of the United Nations: commentar and docun ients, Boston, 1948; Mello - 1, p. 502; Michel Virally, Le rôle politique du Sécrétaire Général des Nations Unies, AFDI, 1958, p. 360; Pastor Ridruejo, p. 721 ; Ramiro Saraiva Gerreiro, A Organização das Naçõe.s Unida.s, Rio de Janeiro, 1953; Rezek - 2, p. 269. Capítulo 2 A CORTE INTERNACIONAL DE JUSTIÇA A Corte 'Internacional de Justiça (CIJ) é o principal órgão judiciário das Nações Unidas. A Carta, além de incluí-la dentre os órgãos principais da organização, acrescenta que o seu Estatuto, baseado no Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI), faz parte integrante da mesma. O artigo 14 do Pacto da LdN encarregou o Conselho de preparar um projeto de corte internacional a ser submetido aos membros da organização. O projeto, elaborado por uma comissão de l2jurisconsultos, dentre eles o brasileiro Raul Fernandes, foi aprovado pelo Conselho e aceito unanimemente pela Assembléia em 13 de dezembro de 1920. Quando se cogitou da criação das Nações Unidas, a obra da CPJI foi devidamente reconhecida, tanto assim que o projeto de Dumbarton Oaks sugeriu que a nova Corte deveria ser o Estatuto da CPJI, mantida em vigor com as modificações julgadas necessárias, ou um novo Estatuto para cuja redação deveria servir de base o da CPJI. O Estatuto da CIJ é substancialmente idêntico ao da CPJI, a ponto de haver conservado a numeração da antiga Corte, com o intuito de dar continuidade a sua obra. A qualidade de Membro das Nações Unidas implica a aceitação integral do referido Estatuto. Entretanto, um Estado que não possua a dita qualidade poderá tornar-se parte no mesmo Estatuto, em condições a serem determinadas, em cada caso, pela Assembléia, mediante recomendação do Conselho de Segurança. Cada Membro das Nações Unidas assumiu o compromisso de se conformar com a decisão da Corte em qualquer caso em que for parte. -----------------------------------------------------------------------------

Manual de Direito Internacional Público Capítulo 2 A CORTE INTERNACIONAL DE JUSTIÇA A Corte'Internacional de Justiça (CIJ) é o principal órgão judiciário das Nações Unidas. A Carta, além de incluí-la dentre os órgãos principais da organização, acrescenta que o seu Estatuto, baseado no Estatuto da Corte Permanente de Justiça Internacional (CPJI), faz parte integrante da mesma. O artigo 14 do Pacto da LdN encarregou o Conselho de preparar

um projeto de corte internacional a ser submetido aos membros da organização. O projeto, elaborado por uma comissão de 12 jurisconsultos, dentre eles o brasileiro Raul Fernandes, foi aprovado pelo Conselho e aceito unanimemente pela Assembléia em 13 de dezembro de 1920. Quando se cogitou da criação das Nações Unidas, a obra da CPJI foi devidamente reconhecida, tanto assim que o projeto de Dumbarton Oaks sugeriu que a nova Corte deveria ser o Estatuto da CPJI, mantida em vigor com as modificações julgadas necessárias, ou um novo Estatuto para cuja redação deveria servir de base o da CPJI. O Estatuto da CIJ é substancialmente idêntico ao da CPJI, a ponto de haver conservado a numeração da antiga Corte, com o intuito de dar continuidade a sua obra. A qualidade de Membro das Nações Unidas implica a aceitação integral do referido Estatuto. Entretanto, um Estado que não possua a dita qualidade poderá tornar-se parte no mesmo Estatuto, em condições a serem determinadas, em cada caso, pela Assembléia, mediante recomendação do Conselho de Segurança. Cada Membro das Nações Unidas assumiu o compromisso de se conformar com a decisão da Corte em Manual de Direito Internacional Público Os Membros das Nações Unidas poderão confiar a solução de suas divergências a outros tribunais, em virtude de acordos já vigentes ou que possam ser concluídos no futuro. O Estatuto da CIJ consta de setenta artigos e pouco difere do da antiga Corte. Não é acompanhado, como 0 outro, de uma olcíer.serlcr , facultativa à empresa, mas esta se acha implícita no texto do artigo 36 do novo Estatuto. A sede da Corte continua a ser em Haia. Suas línguas oficiais são o francês e o inglês. Compõem-na quinze juízes, "eleitos" - segundo diz o artigo 1° do Estatuto - "sem atenção à sua nacionalidade, de entre pessoas que gozem de alta consideração moral e possuam as condições exigidas em seus respectivos países para o desempenho das mais altas funções judiciárias ou que sejam jurisconsultos de reconhecida competência em direito internacional". Entre os seus membros, não poderão figurar dois nacionais do mesmo Estado. A eleição dos juízes é feita na mesma ocasião, mas separadamente, pela Assembléia Geral e pelo Conselho de Segurança, de uma lista de candidatos apresentados pelos grupos nacionais de árbitros da Corte Permanente de Arbitragem, de Haia, ou, quando se tratar de Membros das Nações Unidas não representados na dita Corte Permanente, por grupos nacionais designados, para esse fim, pelos respectivos governos. Excepcionalmente, poderá ser eleito alguém que não figure em tal lista, quando, após o terceiro escrutínio, ainda restando lugares a preencher, se constituir uma comissão mista de seis membros, dos quais três da Assembléia e três do Conselho, e essa comissão indicar, por unanimidade, algum nome que preencha as condições exigidas, mas que não tenha sido incluído na referida lista. O Estatuto prevê a hipótese de eleição pelos membros já eleitos da própria Corte: é quando a mencionada comissão mista se convencer de que não conseguirá chegar a acordo sobre o preenchimento de algum ou alguns lugares. Neste caso, a escolha será feita, em certo prazo, pelos membros eleitos e de entre os candidatos que tiverem obtido votos na Assembléia ou no Conselho. O mandato dos juízes é de nwe anos, exceto os dois terços dos escolhidos na primeira eleição, dos quais cinco terminarão suas funções Terceira Parte 21 1 ser reeleitos. Nenhum deles poderá exercer qualquer função política ou administrativa, ou dedicar-se a outra ocupação, de natureza profissional. Além disto, não poderá servir como agente, consultor ou advogado, em qualquer questão, nem poderá participar da decisão de qualquer

questão na qual, anteriormente, tenha intervindo seja como agente, consultor ou advogado de uma das partes, seja como árbitro ou juiz, seja em qualquer outro caráter. A Corte tem um presidente e um vice-presidente, eleitos por três anos e reelegíveis. Seu escrivão ou gre er, por ela própria nomeado, é o chefe dos serviços administrativos. 1 Funciona permanentemente, exceto durante as férias judiciárias, cuja época e duração são por ela fixadas. Ordinariamente a Corte funciona em sessão plenária, mas, para constituí-la, é suficiente o guorum de nove juízes. Poderá periodicamente formar uma ou mais câmaras, compostas de três ou mais juízes, conforme ela mesma determinar, para tratar de questões de caráter especial, como, por exemplo, questões trabalhistas e assuntos referentes a trânsito e comunicações. Poderá igualmente, em qualquer tempo, formar uma câmara especial, com o número de juízes que acordar com as partes, para decidir determinadas questões. Além disso, a fim de apressar a solução dos assuntos, constituirá anualmente uma câmara, composta de cinco juízes, a qual, a pedido das partes, poderá considerar e resolver sumariamente as questões. Qualquer dessas câmaras poderá, com o consentimento das partes, reunir-se ou exercer suas funções fora da cidade de Haia. Os juízes da mesma nacionalidade de qualquer das partes conservam o direito de funcionar em qualquer questão julgada pela Corte. Se esta conta em suas funções com um juiz da nacionalidade de uma só das partes, a outra parte poderá designar para funcionar igualmente, como juiz, uma pessoa de sua escolha. Se a Corte não incluir entre os seus membros algum juiz da nacionalidade de qualquer das partes, cada uma destas poderá designar para funcionar como juiz uma pessoa da sua escolha. Rnti me vonteriae, a competência da Corte estende-se a todas as questões que as partes lhe submetam, bem como a todos os assuntos especialmente previstos na Carta das Nações Unidas ou em tratados e 212 Manual de Direito Internacional Público Sua competência ratione personae abrange apenas os Estados, sejam ou não Membros das Nações Unidas. Assim, se simples particulares pretendem fazer valer direitos perante a Corte, é necessário que o seu governo espose as respectivas pretensões ou reclamações. Embora não esteja explícito no Estatuto, é fato que uma associação de Estados, ou uma organização internacional, poderá recorrer judicialmente à Corte. Isto já foi reconhecido pela própria Corte, em relação à Organização das Nações Unidas, em 1949. Aos Membros das Nações Unidas, a Corte estará aberta sem outras condições. Aos outros Estados, estará aberta nas condições que o Conselho de Segurança determinar, ressalvadas as disposições especiais dos tratados vigentes. Em nenhum caso, tais condições colocarão as partes em posição de desigualdade perante a Corte. Em resolução de 15 de outubro de 1946, o Conselho de Segurança determinou tais condições, que são essencialmente as seguintes: 1) o Estado que não seja parte no Estatuto deverá depositar no Secretariado da Corte uma declaração pela qual aceita sua jurisdição, de acordo com a Carta das Nações Unidas e com os termos e condições do Estatuto e do Regulamento da Corte, e se comprometa a cumprir de boa fé as decisões da Corte e a aceitar as obrigações dos Membros das Nações Unidas indicadas no art. 94 da Carta; 2) a referida declaração poderá ser particular ou geral, sendo considerada particular a que aceita a jurisdição da Corte somente com relação a uma disputa particular ou a certas disputas que já se tenham suscitado, e geral a que aceita a dita jurisdição a respeito de quaisquer disputas ou a respeito de uma ou várias categorias particulares de disputas já surgidas ou que possam surgir no futuro (será o caso, por exemplo, de aceitação explícita do art. 36, § 2p, do Estatuto, convindo, porém, assinalar que nesta hipótese, segundo a resolução do

Em virtude de disposições convencionais. submetê-la ao julgamento da Corte. É verdade. ou de membros de comissões de conciliação etc. 3) à Corte caberá decidir sobre todas as questões relativas à validade e aos efeitos das declarações. que estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes. tenha sido devidamente autorizado a isso pela Assembléia Geral. em relação a qualquer outro Estado que aceite a mesma obrigação. dentro das condições estipuladas. c) a existência de qualquer fato que. em qualquer época. nº. compete à Corte a função de "decidir. o caráter de sentença não executória. o não-comparecimento da parte citada não impedirá o julgamento à sua revelia. Assim. não ligados por algum compromisso prévio de aceitação obrigatória da jurisdição da Corte. que tenham por objeto: a) a interpretação de um tratado. c) os princípios gerais de direito reconhecidos pelas nações civilizadas. Nenhum Estado poderá ser citado por outro. em matéria contenciosa e em matéria consultiva. Diz-se que a jurisprudência da Corte é facultativa quando os Estados litigantes. Segundo o artigo 38 do Estatuto.Conselho de Segurança. tal aceitação não poderá. as controvérsias que lhe forem submetidas". a menos que ambos se tenham a isso comprometido por tratado ou convenção Terceira Parte 213 Corte Permanente de Justiça Internacional. 2. Às vezes. em matéria consultiva. decidem. que quando o parecer versa. a qual lhe foi atribuída pelo artigo 96 da Carta das Nações Unidas e se acha regulada no capítulo IV do seu Estatuto. Nestes casos. essas atribuições não serão conferidas à Corte em conjunto. perante a Corte. quer especiais. por assim dizer. mas sobre um litígio. a Corte só toma conhecimento de um litígio quando uma das partes. O Conselho de Segurança reservou-se a faculdade de revogar ou emendar a referida resolução. Quando se trata de jurisdição obrigatória. ela aplica: a) as convenções internacionais. a pedido da Assembléia Geral ou do Conselho de Segurança. ou de qualquer outro órgão das Nações Unidas ou entidade especializada que. como meio subsidiário para a determinação das regras de direito. contudo. pelo menos. Em todo caso. quer gerais. valer em face dos Estados que sejam partes no Estatuto e tenham declarado aceitar a jurisdição obrigatória estipulada na mencionada cláusula do Estatuto). mas apenas ao seu presidente. Além da competência em matéria contenciosa. a Corte pode exercer outras atividades. d) sob ressalva de que a decisão da Corte só é obrigatória para as partes em litígio e a respeito do caso em questão. conforme se acha indicado em seu artigo 36. ele apresenta. b) o costume internacional. que hajam previamente declarado. Por grande que seja o valor dos pareceres consultivos da Corte. possui a Corte uma competência especial. a jurisdição da Corte nas controvérsias de ordem jurídica. Ela também o é relativamente aos Estados ligados ao novo Estatuto. a competência da Corte é obrigatória. poderá ela emitir parecer consultivo sobre qualquer questão de ordem jurídica. por acordo especial para a controvérsia em causa. d) a natureza ou a extensão da reparação devida pela ruptura de um compromisso internacional. Entretanto. se as partes com . reconhecer como obrigatória. de acordo com o direito internacional. b) qualquer ponto de direito internacional. existe uma diferença essencial entre eles e as sentenças da própria Corte: é que lhes falta a força obrigatória. ipso fàcto e sem acordo especial. Nessa função. não sobre um simples ponto de direito. por zla Manual de Direito Internacional Público tribunais arbitrais. formalmente. ademais das que resultam da competência que lhe é própria. sem acordo expresso. lho tiver submetido. Assim. as decisões judiciárias e a doutrina dos publicistas mais qualificados. como prova de uma prática geral aceita como sendo o direito. constituiria a violação de um compromisso internacional. a Corte possui também a faculdade de decidir uma questão ex aequo et bono. se verificado.

isso concordarem. O julgamento ex aequo et bono é, sem dúvida, o que tem por base a eqüidade. Que é esta, porém? Parece que se pode defini-la como sendo a aplicação dos princípios da justiça objetiva a um caso dado. A decisão dessa espécie, no sentido próprio, toma por base uma justiça natural, sem atenção à justiça legal e para suprir as lacunas desta. Pode assim fazer abstração completa do direito positivo e até ser-lhe contrária. A Corte só julgará ex aequo et bono, conforme vimos, se essa faculdade lhe é concedida pelas partes. Se estas, no entanto, se põem de acordo para exigir que a Corte julgue um litígio exclusivamente segundo a eqüidade, poderá ela afastar tal exigência e procurar uma solução essencialmente jurídica? Parece-nos que não. De fato, se a jurisdição da Corte depende da vontade das partes, é lógico que se não possa exercer em sentido contrário a essa vontade. A conclusão é que, se as partes desejam e solicitam uma decisão puramente ex ctec un et hnvrj, a Corte não deverá decidir segundo o direito estrito. Poderá, contudo, declarar-se incompetente ou apresentar outra razão que justifique sua eventual recusa de julgar sobre tal base. As regras de Processo da Corte estão indicadas no capítulo III do seu Estatuto (arts. 39 a 64). Vamos aqui mencionar, sumariamente, as nrincinais. Terceira Parte 21 5 Conforme já vimos, as línguas otïciais da Corte são o francês e o inglês. Mas, as partes poderão pôr-se de acordo para que todo o processo se efetue em qualquer das duas línguas, e neste caso a sentença poderá, em suas alegações, usar o francês ou o inglês. A Corte poderá autorizar, a pedido de uma das partes, o uso de qualquer outra língua, embora a sentença deva sempre ser proferida numa das línguas oticiais. Os litígios são submetidos à Corte ou por notitïcação do compromisso nesse sentido, concluído entre as partes, ou, em caso de jurisdição obrigatória, por via de simples petição escrita, de uma delas, dirigida ao escrivão ( reffïer). As partes são representadas por agentes, que se podem fazer assistir por consultores ou advogados. O processo tem duas fases: a primeira, escrita; a segunda, oral. As audiências sáo públicas, a menos que a própria Corte decida outra coisa; mas as deliberações são secretas. As decisões são adotadas por maioria de votos dos juízes presentes. Em caso de empate, o voto do presidente é preponderante. A sentença deve ser motivada. Os votos dissidentes podem serjustificados por escrito e acompanhar a sentença. Esta é definitiva e inapelável, mas só obrigatória para as partes em litígio e no caso decidido. Se houver controvérsia quanto ao seu sentido ou ao seu alcance, caberá à Corte interpretá-la, a pedido de qualquer das partes. A revisão da sentença poderá, eventualmente, ser solicitada à Corte, em razão do descobrimento de algum fato suscetível de exercer intluência decisiva e que, antes de proferida a sentença, era desconhecido da Corte e também da parte que solicite a revisão. Tal pedido deverá ser feito dentro do prazo de seis meses, desde o descobrimento do fato novo, e nunca depois de dez anos, contados da data da sentença. Perante a Liga das Nações, suscitou-se, mais de uma vez, a questão da conveniência de se dar à Corte o papel de instância superior de revisão para sentenças arbitrais contra as quais se levantassem sérias argüições de nulidade, ou, antes, o papel de jurisdição eventual de recurso contra sentenças arbitrais acusadas de se acharem inquinadas de alguma das causas de nulidade reconhecidas pelo direito internacional. Nada norém. ticou ali resolvido a esse respeito. 216 Manual de Direito Internacional Público Entretanto, à antiga Corte, por mais de um ato iniernacional, foi conferido esse papel de tribunal de apelação, e, em 1933, ela funcionou

como tal, a respeito de uma sentença proferida por um tribunal misto instituído entre a Tcheco-Eslováquia e a Hungria. Bibliografia: A. D. McNair, The development of international justice, New York, 1954; Accioly - 2, p. 24; Edvard Hambro, Thejurisdiction of the Internatio nal Court of Justice, in RCADI, 1950, v. 76, p. 121 ; Egon Schwelb, The process of amending the Statute of the International Court o1 Justice, AJIL, 1970, v. 64, p . 880; Hans Kelsen, The law nf the United Nation,s, New York, 195 1 , p. 463; Manf red Lachs, The development and general trends of international law in our times, in RCADI, 1984, v. 169, p. 226; Mello - 1, p. 527; Pastor Ridruejo, p. 751; Shabtai Rosenne, Procedure in the Internatinnal Court, Dordrecht, 1983; Sibert - I, p. 469; Susanne Bastide, La jurisprudence de la Cour Internationale de Justice, in RCADI, I 95 1 , v. 71 ; Tas'im O. Elias, The Internationul Court of Justice and some contentporary Probleni,s, Dordrecht, 1983; Vandenbosch and Hogan, The United Nation.s, New York, 1952, p. 1 90; Institut de Droit International, sessão de 1954 , resolução sobre Study of the amendments to be made in the Statute of the International Court of Justice, Annuaire, 1954, v. 45-II, p. 296. Capítulo 3 A ORGANIZAÇÃO DOS ESTADOS AMERICANOS Quando em 1948 as delegações das Nações Americanas adotaram em Bogotá a Cnrta da OrganizaÇão dos Estados Americanos nada mais fizeram do que coordenar os diversos órgãos e os princípios escritos e consuetudinários que nortearam as relações continentais desde 1889. Conforme salienta Accioly, a OEA não surgiu de improviso, nem no anseio de pôr fim a uma época de guerras: foi o efeito de longa e pacífica evolução que se vinha consolidando desde mais de um século. Com efeito, a OEA é a mais antiga organização de cunho genérico existente. É bem verdade que como verdadeira associação de Estados, no entanto, ela só começou a aparecer, se bem que ainda em forma rudimentar, com a primeira Conferência Internacional dos Países Americanos, realizada em Washington, de 1889 a 1890. Formou-se ali a associação intitulada "União Internacional das Repúblicas Americanas", criando-se, ao mesmo tempo, o que se tornou mais tarde a origem da atual União Pan-americana, isto é, um escritório ou secretaria, a que se deu o nome de "Escritório Comercial das Repúblicas Americanas", o qual se destinava a compilar, coordenar e publicar dados e informações concernentes à produção, comércio e regulamentos aduaneiros dos países deste continente. Em 1902, na cidade do México, por ocasião da 2 Conferência Internacional das Repúblicas Americanas, foi resolvido que esse escritório (já então denominado Secretaria Internacional das Repúblicas Americanas) ficasse sob a direção de um Conselho Diretor, no qual estariam representados todos os Estados-membros. A 3 Conferência, reunida no Rio de Janeiro em 1906, limitou-se, Manual c Dircitu Internacional Pí bliro taria. Esta, porém, em I 910, na 4a Conferência, levada a efeito em Buenos Aires, teve o nome mudado para União Pan-americana e tomou maior desenvolvimento. Ao mesmo tempo, foi dada a denominação de União Internacional das Repúblicas Americanas ao conjunto dos países mantenedores da instituição, que eram, como ainda são, todos os Estados independentes americanos, exceto o Canadá. A Conferência de Havana, em 1928, anotou uma convenção, que se destinava a ser o estatuto básico do sistema em formação. Mas essa convenção não chegou a receber as vinte e uma ratiticações exigidas

para sua vigência. Até então, o organismo pan-americano conserva apenas o caráter especial de uma associação de Estados para tïns de cooperação econômica, social e cultural e de solidariedade moral, e sem função alguma de natureza política. A Convenção de Havana e uma resolução votada pela 6á Conferência declararam expressamente que o Conselho Diretor e a própria União Pan-americana não exerceriam funções de caráter político. Aos poucos, porém, as atividades do orga :wo foram assumindo feições francamente políticas, por isso que seu próprio objetivo primordial, ou seja, a obra de aproximação entre os povos americanos, apresenta necessariamente aspectos políticos. Seção 1 O sistema interamericano A evolução, nesse sentido, foi apressada pela segunda guerra mundial e tomou características definidas com o advento da Organização das Nações Unidas. Assim é que, já na Conferência Interamericana do México, reunida de 21 de fevereiro a 8 de março de 1945, quando já se cuidava de integrar a União Pan-americana no sistema mundial projetado em Dumbarton Oaks, foi adotada uma resolução, sob o np 9 e o título de "Reorganização, Consolidação e Fortalecimento do Sistema Interamericano", a qual, além de estabelecer novas regras para o funcionamento da União Pan-americana, reconhecia a existência do referido "sistema", conferindo-lhe funções de natureza nitidamente políticas. Nessa mesma corrente de idéias, o chamado "Ato de Chapultepec", lamhém ali arintaci frü talvez mais Innue atirmanrin rme a rieclaracãn e Terceira Parte 219 a recomendação nele incluídas constituiriam "um acordo regional, para tratar de assuntos concernentes à consolidação da paz e da segurança internacionais suscetíveis de ação regional neste hemisfério". Entretanto, o Ato de Chapultepec, para sua perfeita validade jurídica, deveria ser transformado num tratado, conforme no mesmo se previu. Foi o que se fez na Conferência para a Manutenção da Paz e da Segurança no Continente, inaugurada em Petrópolis a 15 de agosto de 1947, e da qual resultou o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, assinado na cidade do Rio de Janeiro a 2 de setembro seguinte. A 9a Conferência Internacional Americana, reunida em Bogotá, deu afinal um estatuto constitucional definitivo à organização interamericana, por meio da Carta ali assinada a 30 de abril de 1948. A antiga associação de nações americanas passou a ter o nome de Organização dos Estados Americanos e se declarou "organismo regional das Nações Unidas". Nesse documento foram definidos especificamente os objetivos da Organização e estabelecidas as bases jurídicas desse conjunto de órgãos, atividades e relações a que se dava o nome de sistema interamericano. Foi aquilo o resultado de pertinazes esforços e de uma evolução constante, durante a qual, gradual e pacientemente, se foram estreitando, mais e mais, os laços de solidariedade entre as repúblicas americanas. Os propósitos e princípios da Organização estão indicados nos capítulos I e II da Carta. Por eles se vê que sua principal finalidade é garantir a paz e a segurança do continente. Mas, para isso ser possível entre os Estados-membros, cabe assegurar a solução pacífica de suas controvérsias, e ainda organizar a ação solidária das repúblicas americanas em caso de agressão, bem como promover seu desenvolvimento econômico, social e cultural. Nos termos do artigo 4Q "são Membros da Organização todos os Estados Americanos que ratificarem a presente". Em conseqüência, o ingresso na OEA ficou facultado a qualquer Estado independente americano e não limitado às vinte e uma repúblicas americanas tradicionais. Em decorrência de tal dispositivo alguns novos Estados pertencentes à Co-

munidade britânica (Jamaica, Trinidad e Tobago) puderam ingressar. Com a admissão de Grenada em 1975 o número de Membros da OEA subiu a vinte e cinco. O Canadá e a Guiana ainda continuam a não .. r.,....,.... r .- ............. 220 Manual de Direito Internacional Público A Carta não prevê a expulsão de nenhum dos Estados-membros. Qualquer destes, porém, poderá denunciá-la, e, dois anos depois da denúncia, ficará desligado da Organização, contanto que até então haja cumprido as obrigações emanadas da própria Carta. Em 13 de novembro de 1951, quando foi depositada a 14 ratificação, a Carta de Bogotá entrou em vigor. Desde cedo, contudo, verificou-se que a Organização nascera ultrapassada pois os seus dispositivos relativos aos problemas sócio-econômicos deixavam a desejar. A Operação Panamericana, proposta pelo Brasil em 1958 e acolhida pelos demais países latino-americanos, representou um importante e objetivo esforço visando encontrar uma solução para os problemas do Continente. A Aliança para o Progresso, embora pautada na Operaçáo Pan-americana, sempre se ressentiu de seu enfoque unilateral a ponto de o próprio Governo dos Estados Unidos haver reconhecido em 1970 a necessidade de sua revisão. Seja como for, a Revolução Cubana, a Revolução Dominicana e outros sinais de descontentamento mostraram a necessidade de uma revisão do sistema interamericano e, em 1965, por ocasião da 2 Conferência Interamericana Extraordinária do Rio de Janeiro, foram votadas as reformas que seriam formalmente adotadas dois anos mais tarde em Buenos Aires. Por ocasião da V Assembléia Geral da OEA realizada em Washington em 1975, o Conselho Permanente da Organização foi incumbido de prosseguir nos estudos relativos às emendas à Carta, à Segurança Econômica Coletiva, à cooperação para o desenvolvimento e ao Pacto de Bogotá. Seção 2 Estrutura da OEA Nos termos do artigo 51 da Carta da OEA, com as modificações de 1967, a Organizaçáo realiza os seus fins por intermédio dos seguintes órgãos: a) Assembléia Geral; h) Reunião da Consulta dos Ministros das Relações Exteriores; c) Conselhos; d) Comissão Jurídica Interamericana; e) Comissão Interamericana de Direitos Humanos; Secretaria-Geral; g) Conferências Especializadas; e h) Organismos Especializados. Assembléia Gerul - É o órgão supremo da Organização e nela . a r 1 . ,I ..., a .., C., .,......,. .,...........,....a...... ... Terceira Parte 22 I direito a um voto. A Assembléia Geral reúne-se anualmente, ao contrário do que sucedia com a antiga Conferência Interamericana (por ela substituída), cujas reuniões deveriam ser a cada cinco anos. Cabe-lhe decidir a ação e a política gerais da Organização, determinar a estrutura e as funções de seus órgãos, e estabelecer normas para a coordenação das atividades dos órgãos, fortalecer e harmonizar a cooperação com as Nações Unidas, promover a colaboração, especialmente nos setores econômicos, social e cultural com outras organizações internacionais, adotar o orçamento e aprovar os relatórios anuais. A la Assembléia Geral realizou-se em Washington em 1971 para adoção do regimento interno e de outras medidas administrativas, mas em virtude dos movimentos terroristas verificados no Continente adotou-se, igualmente, uma Convenção destinada ao seu combate. Conselhos da Organização - De conformidade com o Protocolo de Buenos Aires, três são os Conselhos da Organização: o Conselho Permanente, o Conselho Interamericano Econômico e Social e o Conselho Interamericano de Educação, Ciência e Cultura, todos eles dependendo diretamente da Assembléia Geral. Na antiga organização, havia

uma agressão direta. A função assim chamada e que constitui uma das originalidades do .Também figura na nova organização como um dos órgãos básicos da OEA. devemos ainda mencionar as Conferências Especializadas e os Organismos Especializados. ou um cont7ito extracontinental. o Cultural e o Jurídico. O Conselho Permanente compõe-se de representantes de cada Estado-membro. a coordenação de medidas de defesa. Secretaria-Geral . A Reunião de Consulta tem. eleito por um período de cinco anos. O Presidente do Conselho não é eleito. uma das quais é a de servir como Órgãr de Cansulta. tem por função principal promover o respeito e a defesa dos direitos humanos e servir como órgão consultivo da OEA na matéria.). que veio complementar o citado dispositivo. como a União. sociais. como órgão de Consulta nos termos do artigo 63. não armada. deverá promover relações econômicas. Os organismos são os seguintes: Comissão Interamericana de Mulheres (Washington. A Comissão tem a sua sede no Rio de Janeiro.sistema interamericano é a prevista nos artigos 3Q. ou seja. provisoriamente. A Secretaria-Geral é dirigida por um Secretário-Geral.o Conselho da OEA. Ciência e Cultura uma independência e importância não previstas na Carta de Bogotá: ambos devem ser compostos de titulares da mais alta hierarquia de cada Estado-membro e têm os seus fins devidamente enumerados na Carta. Instituto Pan-americano de Geografia e História (México) e Organização Pan-americana de Saúde (Washington. ou a soberania ou independência de qualquer Estado americano". A Secretaria-Geral exerce funções enumeradas pela Carta da OEA e cumprirá os encargos de que for incumbida pela Assembléia Geral. Em tal sentido. nomeados especialmente com a categoria de Embaixadores. assinado no Rio de Janeiro a 2 de setembro de 1947. D.Veio substituir dentro do sistema a antiga União Pan-americana e. Instituto Interamericano de Ciências Agrícolas (São José). quer contra o efeito ou as rPtlPt'CllSRllPC f111P 1lflCCa fPT' CflIlrP a invirilat iti arir rw intanroiarla rl Terccira Parte 223 território. nos artigos 95 e 101. jurídicas. Instituto Interamericano da Criança (Montevidéu). C. Com a nova estruturação deu-se ao Conselho Interamericano e Social e ao Conselho de Educação.ssão Jurídica Interamericana . que era auxiliado pelos Conselhos Econômico e Social. D.). A Carta se ocupa da Comissão em apenas um artigo (art. Na enumeração dos órgãos. Comi. o Conselho da OEA pode atuar provisoria- . como vimos. que trata de ataque armado. C. pela Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores e pelos Conselhos. é o órgão central e permanente da OEA. ponha em perigo a paz na América. duas funções. Em qualquer dessas hipóteses e enquanto os Ministros das Relações Exteriores não se reúnem. científicas e culturais entre todos os Estados-membros. eventualmente. educacionais. quer contra o ataque armado de qualquer Estado dirigido contra um Estado americano. Instituto Indigenista Interamericano (México). O Secretário-Geral não poderá ser sucedido por pessoa da mesma nacionalidade.Prevista pelo artigo 1 12 da Carta. cabe a Presidência sucessivamente a dado representante na ordem alfabética e será exercida por um período não superior a seis meses. Comissão Interamericana de Direitos Humanos . e que só poderá ser eleito uma vez. 1 12). mas em 22 de novembro de 1969 foi aprovada em Costa Rica a Convenção Americana sobre Proteção dos Direitos Humanos. alínea 2. ao passo que anteriormente era apenas o órgão permanente do Conselho Interamericano 222 Manual de Direito Internacional Público vir de corpo consultivo da OEA em assuntos jurídicos e promover o desenvolvimento progressivo e a codificação do Direito Internacional. e 6Q do Tratado de Assistência Recíproca. O Conselho Permanente pode agir. ou qualquer outro fato ou situação que.

ao uso da força e nem sequer da ameaça.sn de Pananú a lu Cnnlërencia de Caraca. Isidoro Zanotti. 1956. do Nascimento e Silva. antecessor da atual União Panamericana. Bibliografia: Accioly . Relatório de Cnrtfèrência Interantericurla para a Marurtençero da Pa<. 18. p.sulta. a Carta da OEA. em Montevidéu. J. que ocorreu então. v. será reconhecido como um ataque contra os demais e determinará a aplicação do direito de legítima defesa individual ou coletiva. a ALALC caracterizou-se pelo dinamismo. uma zona de livre comércio. em 18 de fevereiro de 1960. abr. 1970. p. preocupado com a balança comercial desfavorável dos Estados Unídos com os países americanos. assinada em Bogotá em 30 de abril de 1948. A primeira Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos. Yepes. J. para as partes contratantes. dedicou às Normas Econômicas os artigos 46 e 47 e criou o Conselho Interamericano Econômico e Social. AJIL. Univer. Anuário Jurídicn Intera nericano. Boletint. G. Esse tratado. 49. La Conferencia de Petrópolis y el Tratado Interamericano de Assistencia Recíproca. A Primeira Conferência Internacional Americana realizou-se em Washington em 1889. dentre eles o Brasil. I 1 . p. 1950. The Inter-American Regional System: fifty years of progress. 38. p. Rubens de Mello. em suas relações recíprocas. tanto que foi negociada uma enorme quantidade de concessões de desgrava- . Boletim. a obrigação de não recorrerem. aliás. 6. 1948. 1 . 73. ano 3. condena formalmente a guerra e estabelece. com o objetivo básíco de "estabelecer a longo prazo. e assim já atuou mais de uma vez. de forma gradual e progressiva. figurou a criação do Escritório Comercial das Repúblicas Amerícanas. J. Estrutura e funcionamento da Organização dos Estados Americanos. A morte do Presidente Garfield implicou a saída de Blaine. v. E. que voltaria a ocupar a pasta e levar adiante o seu plano. 1947. Del Congre.1. De 1961 a 1963. M. contra um Estado americano. de imediato. projetou uma reunião dos países do Continente. Caicedo Castilla. 20. Os problemas econômico-comerciais pouco pesaram nas reuniões ao nível multilateral dos países americanos. A evolução do pan-americanismo e o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca. Fenwick. 1 85. 50. Charles G.s de direito irlternac innal. O tratado que estabeleceu a zona latino-americana de livre comércio (ALALC) foi assinado por onze países. quando. n. que um ataque armado. Caracas.sidnd Nacinnal de Colonihin. Rio de Janeiro. Seja como for. Luiz de Faro Junior. 1948. 1956. 268. p. quando o Secretário de Estado James Blaíne. quando servem como Órgãn de Cor . contribuiu para isso.mente como Órgão de Consulta. Essa tinalidade está definida nas mencionadas cláusulas do Tratado do Rio de Janeiro. The Ninth International Conference of American States. 583. A assistência recíproca contra a agressão é uma das principais fmalidades das Reuniões de Consulta. A Conferência de Bogotá de 1948 deu pouca importância aos problemas. p.s.'onti lente. em qualquer forma incompatível com as disposições da Carta das Nações Unidas. e da Segurunç a rm C. dentre as decisões tomadas. além disto. de qualquer Estado. Rio de Janeiro. p. Texto. 1955. e o bogotazo. Determina. n. um mercado comum latino americano" e. 1947. p. Boletim. Terceira Parte 225 Seção 1 O Tratado de Montevidéu de 1960 Capítulo 4 A INTEGRAÇÃO ECONÕMICA LATINO-AMERICANA A preocupação dos países americanos com os problemas comerciais remonta a 1881.

A exemplo do que ocorria na ALALC. Além do mais. o Brasíl e a Argentína passaram a relutar em deslocar recursos destinados ao desenvolvimento nacional à integração regional. A verdade é que os problemas socioeconômicos jâ eram motivo de preocupação. Posterior:nente. Os dois países acabavam de voltar à normalidade democrática. Bolívia. contudo. Findo esse período as negociações tarifârias começaram a ser mais difíceis. tanto que o Chile. Seção 3 O Mercosul A entidade que passou a ser conhecida como Mercosul resultou dos entendimentos havidos em Foz de Iguaçu em 1985 entre os recém-eleitos Presidentes José Sarney. em 1985 os presidentes do Brasil e da Argentina resolveram buscar novos caminhos. mas enfrentavam uma série de desafios. Era basicamente o documento aprovado 2 meses antes em Acapulco pelos mesmos onze governos que o assinaram. convencionou-se dilatar o prazo até 31 de dezembro de 1980. como 0 marco continental. também identiticada como TM8O. No novo tratado buscou-se adotar diretrizes mais tlexíveis. A idéia dos redatores do tratado de 1960 era de que em 12 anos a organização conseguiria estabelecer a zona de livre comércio. Dentre os avanços veriticados. cumpre mencionar a facilidade que passou a existir para a realização de acordos de livre comércio bilaterais entre as partes contratantes. em Montevidéu. Equador e Peru firmaram em 1969 o Acordo de Cartagena. Com tal objetivo foram realizadas três rodadas. e. e Raul Alfonsín. embora enfraquecida. as descontïanças que caracterizavam as negociações anteriores não haviam desaparecido. Seja como for. Embora a ALALC tivesse terminado em fracasso e a ALADI seguisse pelo mesmo caminho. com as conseqüentes reclamações de alguns países. mas mantendo a ALADI. com as mesmas posições. acabau por dele se afastar. foi assinado em 12 de agos226 Manual cle Dircito Internacicnwl Púhlicu to de 1980. e a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina) elaborou estudos ( 1957 e 1958). sem que fosse possível chegar a um acordo. enfrentavam espirais inflacionárias. pautados na experiência européia. que. Chile. Descontentes com os magros resultados obtidos. . da Argentina. Colômbia. a tïm de evitar os erros veritïcados durante 20 anos. o Pacto Andino também não prosperou. a ALADl. do Brasil. porém tratava-se dos mesmos Estados vinculados ao TM6O. Tratava-se de uma organízação com um ambícioso programa de integraçáo sub-regional. com o objetivo de criar um órgão de integração econômica Seção 2 O Tratado de 1980 O tratado criando a Associação Latino-Americana de Integração. sentia-se que uma política em comum poderia tornar suas posições mais fortes em relação às investidas dos Estados Unidos e do Mercado Comum Europeu. que havia sido o seu mentor intelectual. ou seja.mento tarifârio com uma expansáo rápida do comércio na região.Além do mais. altamente nocivas ao relacionamento econômico. a experiência adquirida havia sido importante. não obstante a tentativa de se criar uma entidade mais pragmática. e os dois governos sentiam que uma nova tentativa deveria ser empreendida. e os países-membros passaram a estudar um ronograma de negociações para 1980. tanto que o Conselho Interamericano Econômico e Social foi reorganizado. pelo qual criaram o Pacto Andino. Convém ainda lembrar que na vigência do TM8O os regimes militares que até então existiam na América Latina foram substituídos por regimes democráticos. ao qual a Venezuela se filiaria mais tarde.

que buscava uma liberalização econômica. no Brasil. na Capital do Paraguai. estabelecer uma tarifa extema comum. que resultaram na assinatura de mais vinte e três protocolos.. como na adoção de regras cada vez mais pormenorizadas quanto ao aproveitamento industrial e agrícola das águas dos rios que banham a região...Ao contrário das duas tentativas anteriores (a ALALC e a ALADI). convencionou-se adot r um programa de reduções tarifárias progressivas... Brasil e Argentina negociaram e assinaram em 30 de junho de 1986 doze acordos de cooperação.. Novo passo foi dado com a assinatura.. que revestiu o Mercosul da necessát-ia personalidade internacional. o Tratado de Assunção "terá duração indetïnida". foi assinado o Trutucln cle A. metrópoles das dimensões de São Paulo. em l7 de dezembro de 1994..s ao tratado...s. o Plnno Collor tinha por objetivo sanear a economia interna com um progsama de contïsco da economia interna e de redução de diversos setores da indústria nacional. pelo qual . . o ato de 1991 venha a ser moditicado.. . . Para alcançar seu objetivo.. reconhecendo. Dando seguimento aos entendimentos de Foz de Iguaçu. mas sim sub-regional. 228 Manual dc Direito Intcrnacional f'ríhlico em l° dejaneiro de 1995.S .. A situação político-econômica havia-se tornado ainda mais delicada com ambos os países enfrentando uma hiperinflação. O Mercosul ainda negocia a constituição da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). vinculada à Declaração de Princípios assi- .. aliados a uma produção agrícola que atende aos mercados nacionais e internacionais. com uma população ativa e sadia de 186. Enquanto isso. ao Mercosul o direito de celebrar acordos de sede. mas tudo indica que. Nos termos do artigo 19. .. tudo isso sustentado pela maior usina hidroelétrica do mundo e com uma capacidade energética ainda por explorar.. tanto que houve cinco novos encontros presidenciais.. do Protocolo adicional ao Tratado de Assunção. harmonizar as políticas macroeconômicas de liberação do intercâmbio e a adoção de acordos setoriais.. Trata-se de uma das mais importantes bacias fluviais do mundo.... .surlç ãn... Com as eleições em 1990 dos Presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Saúl Menem o movimento de integração entrou num compasso de espera.. cumpre salientar que a Bolívia e o Chile passaram a ser Estado. Rio de Janeiro e Buenos Aires. o Mercosul não é um acordo regional. lineares e automáticas. m . categoria que deverá ser expandida a fim de abranger no futuro os países andinos. visando ao estabelecimento de objetivos comuns e mecanismos operacionais e práticos. A existência dessas fontes de riqueza estão a exigir uma atenção redobrada em vários setores. encontramos os mais importantes parques industriais da América do Sul.. . em Ouro Preto..5 milhões.. a vinculação do peso ao dólar e um programa visando à privatização das empresas públicas. o movimento iniciado passou a ter resultados favoráveis.sociado.s n. O clima de cooperação continuou. Os artigos seguintes complementam essa regra básica.. Não obstante esse compasso de espera. por exemplo. não pelo fato de reunir cinco países. não só pelo Brasil e pela Argentina. teve de início resultados altamente favoráveis. um produto interno bruto de 5 1. nos termos de seu artigo 34: "O Mercosul terá personalidade jurídica de direito internacional".6 bilhões de dólares ( 1989).. Em tal sentido. tanto que em 26 de março de 1991. Numa área de mais de três milhões de quilômetros quadrados. mas também pelo Paraguai e Uruguai. .. Na Argentina o Plano Cavallo. com a eventual evolução do Mercosul.. a exemplo do Pacto Andino e do Tratado de Cooneracã Ams» nir:a rIP I a u Terceira Parte 227 Não se pode desassociar o Mercosul da Bacia do Prata como uma unidade. mas dado o seu enorme potencial econômico..

p.. Hitler. Luiz Olavo Baptista.lurisprudencia Gerleral. Boletim. Derecho.s Européia. Com a segunda guerra mundial o movimento se intensificou. Maria Tereza Moya. Ministério das Relações Exteriores.sul. Aplicação interna das normas emanadas do Mercosul. 1996..s ne ·nciuçvc. Pierre de 1713. Churchill tornar-se-ia o maior defensor da idéia e em discurso pronunciado em Zurique. Nádia Araúso. Por ocasião da reunião da ALCA. 193. a 19 de se- . EI Tratado de Asunción y algunas cuestiones que plantea. Hector Gros-Espiel. p. 1993. Esther Bueno Soares. movimento este que culminou com a Decluração du. 1996. 1997. 1994. La creación del Mercosud y el aerecho comunitario en América Latina.. o. Brasília. La solucirín de controversias entre normas internacionales y nacionales. Impacto do Mercosul sobre o sistema legislativo hrasileiro. 1997. Porto Alegre."l. Mercosul. O Mercosul em 1996. nos moldes de pax romanu. LTr.. os representantes dos Estados Unidos deixaram claro que o Mercosul seria incompatível com a ALCA.. Porto Alegre. 91 3-27. Amérira l. São Paulo. De um modo geral... São Paulo. Rio de Janeiro. Marcos Simão Filgueiras. Solução de controoérsias no Mercnsul. 1996./jun. Contratos internacinnai. in Merc. por ocasião da visita ao Brasil em outubro do mesmo ano. jul. Tewa. Jorge Grandi e Daniel Schutt./dez. 1993. rafia: Paulo Roberto Almeida.s. Anunrio Argentino de Derecho Internacinrurl. p. 3-1 1. 1994. Rio de Janeiro. Aristides Briand propôs a criação de uma União Européia. Ricardo Seitenfus.. p. Jean Michel Arrighi... eram a rigor de índole européia. Buenos Aires. jan. 1991 . Universidade de Coimbra. O Mercasul no cnntexto reg ional e internacional. Mello. O Mercosul..r de 1944. o Presidente Clinton adotou uma posição totalmente contrária. . 1991 . Métodos aplicados no Mercosul. out. Mercosul.sul no cnntexto latino-americann. PUC do Rio de Janeiro. 213.s à impluvtação.stênciu. 1997.s de Integraç ão. Orgunizações internacionai. O Marrrvcml Rnloti. p. Renato L./dez.. EI .si.. AnuarioArgentino de Derechn Internacional.. J. mas a mesma só se materializou depois da segunda guerra mundial. I.. ed. Marques.Mercosul. Desenvolvimento histórico.". Carta Men. Biblio.. verificou-se forte divergência entre o Brasil e os Estados Unidos quanto ao funcionamento e sua entrada em vigor.utinu em per. iml /¡la 100'7. 95/96: um balanço. 1992-93. 39-66. Horacio Wanderlei Rodrigues (Ed.spectivu: a intekraç ãn re innul du retorica à reulidude. 1994. Mercado Comum do Sul ./dez. W. jul. Terceira Parte 229 inte rnacionale. Rubens Antônio Barhosa. Posteriormente... José Octávio Knaack de Souza. graças principalmente aos governos exilados que se encontravam em Londres. 1997. 201 . Boletim.nada em Miami pelos chefes de Estado do hemisfério. Celso de A. 1995. Werner Faria. C'or texto internacior al. Buenos Aires. queria uma Europa unificada sob a hegemonia do IIIQ Reich e da Itália. 2q sem.sal (da Confederação Nacional do Comércio). Antonio Alterini.. Terccira Parte 23 1 Capítulo 5 OS ORGANISMOS EUROPEUS Seção 1 Antecedentes A idéia de se criar uma organização regional européia é antiga... todos os projetos de criação de uma organização mundial. p. de que o Mercosul e a ALCA poderiam coexistir.. Em 1929. Na ocasião.. jul. A harmonização da pnlíticu n2acroecnnômica no Merco. AA. J.si..sul-da. p. . p. 573. Consolidação ou incerteza'?. I 992-93.s.ol fl:o.stema jurídico en el Merco.... 7o Vvl.s. a partir do projeto do Abade St. Direito internacinnul de integraçiu . isto é.. 329. 8.. 1993. Finda a guerra. . Merco. igualmente.sud. p. Jos Maria Aragão. R. realizada em Belo Horizonte em setembro de 1997. Rio de Janeiro. Torres. El Tratado del Mercado Común del Sud (Mercosud). Madrid. ... São Paulo. Jorge Angel Estrella Faro.s Re.). 1966. Boletim. São Paulo. São Paulo. con especial referencia al Mercosud. 237. 1993.

pois os dois produtos estavam à raiz das guerras que no passado haviam envolvido a França e a Alemanha. utilizando os vastos recursos postos à sua disposição. sugeriu colocar toda a produção de carvão e de aço da França e da Alemanha sob o controle de uma Alta Autoridade. tem a característica de ser dirigida por um órgão . pois o apoio tinanceiro maciço prometido deveria ser administrado pelos próprios benetïciários. apresentado na Universidade de Harvard.a CECA . Seção 2 As Comunidades Econômicas Européias Dentre os organismos regionais de natureza econômica o de maior projeção. O COMECON foi instituído em 1949 com o objetivo de reunir os países do leste europeu e de fazer frente ao Mercado Comum Eerrnpeu. Foi criada a Orh·uni<. como visto. conseguiu reconstruir-se rapidamente ingressando numa era de nrosneridade. verifica-se entre os governos europeus a preocupação de procurar novos caminhos com vistas a manter o ritmo de desenvolvimento. a EFTA também se extinguiu. Duas foram as soluções advogadas: a Escola Federalista. os seis países que compunham a Comunidade Européia do Carvão e do Aço representavam uma base para garantir um número suliciente de Membros para o seu f mnrW namantm 232 Manual dc Direito Internacional Público A Comunidade Européia do Carvão e do Aç o . A CECA. ao contrário das recomendações. No estudo das organizações de caráter geral uma referência deve ser feita à EFTA ("Associação dos Países de Livre Comércio") e ao COMECON. Além das vantagens econômicas que tal sistema proporcionaria aos países-membros. Schuman. na Organização Européia de Cooperação Econômica um exemplo de que a economia do continente só tinha a lucrar com a criação de um novo organismo. que resultou na Comunidade Econômica Européia. dentre eles a Grã-Bretanha. em que se deixa às partes liberda- . A EFTA foi criada por alguns países da Europa Ocidental.nasceu de uma proposta de 9 de maio de 1950.tembro de 1946.de caráter supranacional e que goza de completa independência. que se vinha firmando no resto da Europa. e a Escola Funcional. Com o posterior ingresso da Grã-Bretanha e dos demais integrantes da EFTA no Mercado Comum Europeu.uç ãn Européiu de CnoperuçW u Ecnnnmioa sob cuja orientação a Europa. As decisõe. que se corporitica na EFTA. Teve. o COMECON se extinguiu naturalmente. é a Comunidade Econômsca Européia. havia ainda as considerações políticas. contudo. surgindo então o que se denominava a Europa dos 15. Além do mais. em que o Primeiro-Ministro da França. ao qual vieram se juntar ainda Portugal. a 5 de junho de 1947. que relutava em aceitar as normas rígidas do Tratado de Roma. tendo diversos de seus integrantes solicitado quase que de imediato o ingresso na Comunidade Européia. O Plano Marshall. cujo acordo básico foi firmado em Paris a 18 de abril de 1951. Espanha e Grécia. ao mesmo tempo em que o órgão assim criado ticaria acessível aos demais países europeus. graças aos indiscutíveis sucessos alcançados. contribuiu decisivamente para a concretização da idéia. Em 1955. advogou a reconciliação entre a França e a Alemanha dentro de uma "espécie de Estados Unidos da Europa". A Grã-Bretanha declinou do convite para participar da CECA por não aceitar o controle da Alta Autoridade.a Alta Autoridade . Com a queda do muro de Berlim e o conseqüente esfacelamento da Rússia Soviética.s da Alta Autoridade são obrigatórias em todos os sentidos. mais conS ecida como Mer·eadn Cnmüfn Europeu.

O EURATOM surgiu em Roma em 25 de março de 1957.. A Comunidade Econômica Européia tem como texto constitutivo o Tratado de Romn. OU Sela (1 FFTA Fm 195 1 r ntml !'t. simultaneamente com a CEE.4. a Finlândia e a Suécia quanto à adesão destas à Organização em 1Q de janeiro de 1995. CEE e EURATOM.. Outra característica da CECA é que os Membros não pagam contribuições. mas o Governo britânico julgou o sistema demasiado rígido e preferiu optar por outra SOluCaO. quando a União Européia chegou a um acordo com a Áustria. . Conforme foi dito. a Comissão. A candidatura da Noruega fica ainda na dependência de uma solução relativa ao direito dos demais países da Comunidade de poderem pescar em águas norueguesas. Além do tratado básico de 248 foram assinados então mais quatro anexos. a Polônia e a República Tcheca se candidataram a ingressar na organização e foram devidamente aceitos. acham-se ainda vinculadas ao Parlamento de Europa. quando reuniu aqueles países temerosos de assumir os compromissos previstos pelo Tratado de Roma. A moeda só deverá passar a circular a partir do ano 2000. que lhe são pagas diretamente pelas firmas. Através da sua comissão. a Europa dos Nove passou a ser a Europa dos 12. em Messina. uma Convenção sobre Associação dos Estados Ultramarinos. que tem acesso a todas as instalações nucleares. todas elas de natureza executiva. Os objetivos do Mercado Comum Europeu são a adoção de uma política econômica comum. em 1999 a adoção de uma moeda única para os países da Comunidade Européia. busca evitar o uso da energia nuclear para fins militares.. A EFTA. a integração política dos Estados-Membros. já prevista desde a criação da organização. marcou mais um passo importante no sentido de sua consolidação. já que a Alta Autoridade tem poderes para contrair empréstimos ou cobrar taxas sobre a produção de carvão e aço.. estabilidade. o EURATOM visa o desenvolvimento industrial nuclear e a integração das economias de seus Membros. iniciando tentativas para ingressar na comunidade. em 22 de janeiro de 1972. da Irlanda e da Dinamarca em 1972. a Ata Final e oito declarações nas assinaturas.. Finlândia e Suécia na Comunidade Européia.. havendo a possibilidaManual e Dircito Internaciunal Púhlicu Ademais. criada em 1959.s IS representou o surgimento no panorama econômico mundial de uma importante entidade capaz de fazer frente aos Estados Unidos. Com o ingresso da Áustria.I . Terceira Parte 233 consciente de seu isolamento. Irlanda e Dinamarca.stiça das Comunidades. assinado em 25 de março de 1957.. Nova moditïcação verificou-se em março de 1994. Além desses novos membros tudo indica que outros países venham a se candidatar. Os Membros da CEE convidaram a Grã-Bretanha a participar de seus trabalhos a tïm de ingressar na Organização. Graças a um estrito controle. A extinção da EFTA e do COMECON e a criação da Europa do.de quanto aos meios a serem adotados. não . Com o ingresso da Grã-Bretanha. em junho de 1955.. a EFTA deixará de existir. que aplica e interpreta os tratados e regulamentos relativos às três Comunidades. eventualmente. e à Corte de Ju. aumentn do intercâmbio comercia1. e que resultou de longas negociações iniciadas entre os seis Membros da CECA.. nove protocolos. com o objetivo principal de conseguir a unidade européia no campo da pesquisa nuclear. As três entidades acima mencionadas: CECA.. com a extinção do COMECON países como a Hungria.. .. . além de cobrar multas e penalidades. o EURO. concebido para ser o órgão legislativo da Comunidade.. r".. passou a perder a sua projeção com a saída da Grã-Bretanha. melhoria dos padrões de vida e.

372. England. em Adis-Abeba. Destnond Dinan. como a Grã-Bretanha. Com a terminação dos confrontos colonialistas. Existem ainda alguns órgãos secundários.s Ultrcttrtnrina. Capítulo 6 A ORGANIZAÇÃO DA UNIDADE AFRICANA A Organização da Unidade Africana (OUA) fOi criada em maio de I 963. Pastor Ridruejo. e é baseada na Carta da OEA. Desde o início. t ih/in. 1954. a ponto de o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha haver declarado que vetaria qualquer mudança capaz de submeter os países à Comissão Central da Comunidade. p. Eurnpc crn Union. 1949.cln. apesar do número menor de membros. existe a esperança de que a OUA possa dedicar-se aos sérios problemas do continente. European in. contando neste pafticular com o apoio do bloco dos 77. 1962.I ruti. 1957. p. mas na pt'ática as duas línguas oticiais são o inglês e o t rat ês. Angola. O Mercndo Conmm. idem. 827. abr. 1997. criou certa resistência de alguns países. Isaiah Frank. v. a começar pela extinção do direito de veto. sempre houve como denominadoi comum o combate ao colonialismo e ao apartheici.obstante a resistência de alguns países. 235. 1965. Pascal Kauffmann. 1994. freqüentemente obstaculizou o seu funcionamento diante da necessidade regimental da unanimidade. Colorado. 1997. London. Gerhard Bebr. 1997. 43. Bibliogrcyia: A. Ttte Statute of tlte Cnuncil of Et rrnpe. 1961. os países africanos moveram violentos combates nas Nações Unidas contra Portugal e a existência das PrnvítTcia.rdicinl control nf tdre Eurnpean Corttntunities. Rio de Janeiro . A língua oticial seria "if possible an African language". . The European Common Market. Pierre Pescatore. p. Jt. ratinn. c nciliação e arbitraem.ser urtion? An irttrocluotion tn tlte Europenrt Conuntarity. comissão de mediação. La. Tratado contuttitário./. London. . sentiu-se necessário reestruturar a organização. Com anterioridade. 1`Jão obstante os confrontos iniciais. João Motta de Campos e Antônio Pereira Pinto. Secretaria-Geral. Le drnit de I'intp. Essa tendência. Outra moditïcação advogada seria abolir a práxis segundo a qual cada país-membro pode nomear comissários com o aumento de membros. bem como a da abolição do veto. 1997. onde possuem a maior representaÇão.s. Díez de Velasco. H. London.s internacionale. Madricl. É ela composta de uma Assembléia de Chefes de Estado ou de Governo. Ricardo Seitenfus. ou seja.Gcionc. principalmente com a África do Sul.s Internacio I. Erer. Guiné-Bissau e Cabo Verde. ·arri. ra/ia: Bc>utrosGhali.s. Lisboa./Yiwtino. Timothy Bainbridg e Anthony Teasdale. Paris.Paris.s Or anizuçoe.stitution. 1972. L'EUiZO. 1959. Dordrecht. Robertson. AJIL. que. o que terminaria por tornar a Comunidade Européia ingovernável. Manual da. 50 i . p. em abandonar suas moedas tradicionais.s. no caso a libra esterlina. Diante dessa eventualidade. Walter. A posição africana no tocante ao colonialismo foi decisiva no reconhecimento da independência de todos os paísey sob mandato e dos territórios sem governo próprio. Internatinnal and Contparative Law Quarterly. Porto Ale` re. Moçambique. a OUA se caracterizou pelos onfrontos políticos entre os blocos de Monróvia e o de Casablanca. Conselho de Ministros. Pitman Potter. A estrutura da OUA se assemelha à da OEA. Os principais alvo da Organização foram em conseqüência a África do Sul e a independência de Namíbia. I 994.s or.s . no passado.'Or ctni:utionde /'Uttit 'A. Council of Europe. Finn Jensen e I.

New Jersey. 1 . sanitários e conexos. 1970. Intc rnutiorm! Conciliation. R. passou a adquirir muita importância.. . Carnegie. cultural. algumas das grandes entidades especializadas de hoje foram criadas antes da LdN. New York.sic Document. que era a vinculação com o mundo árabe.smo. o artigo 55 prevê a criação de entidades especializadas. Pastor Ridruejo. educacional. Bu. in RCADI.. Harvey Hall. 1965.e u. 497. ed. The Arab League States. Paris. da organização para a proteção da propriedade intelectual de 1883. . O principal fator de união. v.. Sob alguns aspectos. quando. Jon Woronoff.c. 1958. p. 825. O Pacto ainda estabelecia que as repartições internacionais que fossem constituídas no futuro seriam colocadas sob o seu controle. A Carta encarrega ao Conselho Econômico e Social . da União Postal de I 926 e da Organização Internacional do Trabalho. cultural ou humano (Arts.stnrv. p. Bihliográfia: B. Louis Sohn (Ed. . a Liga Árabe teve pouco peso nas Nações Unidas. 1954.s. La Ligue Arabe. foi assinado 0 Pacto constitutivo pelo Egito.s.. como é o caso da União Telegrátïca..yrre nf Arah State. da Organização de Meteorologia de 1 874. Yemen.a principal tarefa neste sentido. . . p. . 1968. 1972. Líbano e Síria. Terceira Parte ?39 Capítulo 8 ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS ESPECIALIZADAS Dentre os grandes Princípios das Nações Unidas tïgura a cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico.. . visto que os seus Membros se acham espalhados pelos continentes africano e asiático. Na época. .ur tr. .o ECOSOC . embora com denominações e objetivos ligeiramente distintos. 838. rl c internacionais foi reconhecido expressamente pela Convenção de Viena de 1985 sobre o direito de tratados de organizações internacionais.s. Boutros Ghali. Embora seja considerada pelas Nações Unidas uma organização regional. 498. no Cairo. as quais serão vinculadas à Organização por meio de acordos que serão submetidos à aprovação da Assembléia Geral. além de ser o símbolo da unidade árabe. As . Princeton. Mohammed Bedjaoui. aos poucos.. devido ao pequeno número de países a ela vinculados... a Liga das Nações (LdN) tentara colocar todas as organizações especializadas sob o seu controle..W. . Peyssade. As organizações especializadas adquiriram com o passar do tempo I I(1 lrlYern:1('l(1Y151 YSlYIY(1 llcclm nllP W cPW r iraitw riP mccin. . Com efeito. in C'urrent Hi. a Liga dos Estados Árabes se assemelha à Comunidade Britânica. Function publique irrternatinnale et influence. ago. Com anterioridade. 3). 197 1 . Organizing African Unitv. . 1955. nos campos econômico. a classificação não corresponde à realidade. Capítulo 7 A LIGA DOS ESTADOS ÁRABES A Liga Árabe surgiu em 1945. Robert McDonald. Iraque. 1. criada pelo Tratado de Versalhes em 1919. Díez de Velasco. criada em 1863 e que se fundiu com a organização radiotelegrátïca em 1932. La l. .s internucionule.s ofAfrican Regional Orguniaation. 97. desde que os respectivos membros com isso concordassem. . detïnidas em seus instrumentos básicos. . La. v. p. Com tal objetivo. criadas por acordos intergovernamentais e com amplas responsabilidades internacionais.).s orgunizacione. mas.igue des États Arabes. Emirado da Transjordânia. . idem.s nationales. 137. p. The Arab League.... social. . The I. 236 Manual de Dircito Internacional Público AFDI. passou a ser o Islnrni. à medida que os países árabes foram adquirindo a sua independência. 1994. 1963.

ed. Washington. Ciência e Cultura (UNESCO). 1. eleger o Secretário-geral e os membros do Conselho. Amerasingue. Paris. Organização para a Educação. 1992. Carac as. 1988. The Iwc uf internatinrtal in.. as organizações especializadas adotam uma estrutura tripartite semelhante. Organização Meteorológica Mundial (OMM ou WMO).respectivas sedes gozam.s irtterrracinrmi. Biblio rn/ïa: A. Cur. Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO). 1992.s). ed. 8. que ao contrário das outras organizações acima mencionadas não é subordinada ao :. Oxf ord. p. Atualmente. ao qual incumbe aprovar as linhas políticas gerais e o orçamento. 1946. mas em virtude de suas relações com as outras é geralmente incluído no rol. O regime do pessoal administrativo (os funcionários internacionais) é uniforme. 2 v. Dircito dct.s nrgani . BYB. Clive Parry.s cabe executar as diretrizes recebidas e se reunir com maior freqüência conforme a agenda. W. Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD).s internacinnale. Organização Mundial de Saúde (OMS ou WHO). 1965. uni <acinne. D. Mello. Tlte law nf the interrtatinnal cioil . 83.. Londres. inlerr ctoiortctllníhlico (orgurti:.s nrgani.. Roma. Deverá ser substituído no futuro pela Organização Internacional do Comércio.stitutinrts.. Organização para o Desenvolvimento Industr'sal (ONUDI ou UNIDO). Antonio Linares. 1990. Cur. por sua vez. de inúmeros privilégios e imunidades. em virtude de acordos. São as seguintes as grandes organizações especializadas: Organização Internacional do Trabalho (OIT ou ILO).stitutions inte rnationale. Todas possuem um Secretário-Geral ou Diretor-Geral. que. cuja constituição foi assinada em 1994. responsável pela administração do Secretariado. os Estados-membros possuem representantes permanentesjunto às mais importantes. com sede em Viena.uciorte.sn de d erecho .aç õe. 4. p.s irttc rriuriorurle.. Constitution of International Organizations . Lct. União Internacional de Telecomunicações (UIT ou ITU). 9. Madrid. A. possuem escritórios em diveraos países.s.. Rio d e Janeiro.sn de derecltn iriterrtacinrta! público y or. Paul Reuter.s. sendo que alguns desses tribunais se ocupam dos problemas de dois ou mais organismos. Genebra.arione. 1972. Berna. Brasília. Lo ndon. Genebra. F. União Postal Universal (UPU ou IPU).so de direito iruerrtucional ¡oblion. Conferência Geral ou Congresso) que se reúne geralmente uma vez por ano. ed.2. Organização Marítima Internacional (OMI ou IMO).. interrtacionale. Fundo Monetário Internacional (FUND). Manuel Díez de Velasco. Pastor Ridruejo. 1994. Washington.s. Accioly . Ao Conselho ou Board of Gover rnr. Mad rid. com sede em Genebra. A esta relação se costuma acrescentar a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA ou IAEA). Bowett. 395. 24 Manual de Dircito Internacicnml Púhlico GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) não é uma organização especializada.. v. as questões administrativas são julgadas por tribunais específicos. Possuem um órgão integrado por todos os Estadosmembros (Assembléia. e as classes e os salários são semelhantes. .. Genebra.service.s.. In. Cur. As organizações especializadas possuem ainda órgãos subalternos encarregados dos problemas especíticos. 2 v. Cançado Trindade. C.s . Celso de A. Viena.

ao mesmo tempo que lhe assegura a proteção do Estado. em certos casos admitidos pelo direito internacional. o território do Estado pode ser: ínte lro ou cnmpactn..stre. ou seja. ao nos ocuparmos das restrições aos direitos dos Estados. New York. 55. No início deste século.o r . in RCADI. Em tal acepção.a 242 Manual dc Dircito Inlernacional Pííblico Em princípio. A soberania do Estado em relação ao seu território compreende o imperium e o dominium: o primeiro. Les frontières... Pode também apresentar-se sob vários aspectos físicos. aquele atributo essencial rta cr.2.. da maneira como se acha disposta a sua superfície.hAr. porque o mesmo lhes parece uma sobrevivência de certo direito de propriedade do soberano sobre todas as terras do país. o.s. J. ao se falar em domínio eminente do Estado. o lacu. v. conforme vimos na primeira parte desta obra. também pode possuir.stre e o aéreo. . 264. in RCAD/. perfeitamente compatível com a propriedade particular das terras.. neste sentido. Rezek . Assirn. Estado y territorio. novo fator passou a ser estudado. os direitos inerentes à soberania. Whitemore Boggs. . para as necessidades legítimas da coletividade nacional. Díez . I 26.. Suzanne Bastid. . Rosario. 791 . Na verdade. v.fluvial. Ancel. 1962-III. Juan Carlos Puig. Dos pontos de vista da configuração ou. encrnvado. 109. o segundo. isto é.2. Bibliografia: Accioly . isto é. constituído pelo direito exclusivo de reger o território e dele disI.2. constituído por uma espécie de soberania abstrata sobre as pessoas que nele se encontram. podemos considerar o território terre. absolutamente. Rezek . Brownlie. Schoenborn. p. 1975. . 163. études geographiques.. da mesma forma que os indivíduos ou qualquer outra pessoa jurídica. 1929. tam- .. antes. in RCADI. Mello . p. 1952.2. toda a pessoa ou coisa que se encontre no território está sujeita à suprema autoridade do Estado. salvo. S. p. A alguns internacionalistas repugna a idéia de um domírtio eminet2te do Estado. em vez de território. Capítulo 1 DOMÍNIO TERRESTRE O domínio terrestre do Estado compreende o solo e o subsolo da parte da superfície do globo circunscrita pelas suas fronteiras e.8... p. Irtternutiona! boundarie. ... ou seja. quando inteiramente cercado pelo território de outro Estado. de. o rnnrítimo.. Paris. excepcionalmente. v. quando constituído por uma porção compacta da superfície da terra.. quando formado de partes.:!".s nerrlhradn ou dividido.. graças a Santos Dumont. nenhuma autoridade estrangeira tem o direito de aí exercer qualquer jurisdição. 391 . É constituído pela porção da superfície do globo terrestre sobre a qual o Estado exerce habitualmente sua dominação exclusiva. W... p. La nature juridique du territoire. 1936. o domínio terrestre e o domínio marítimo. p. p. o que se deve ter em vista. e. uma espécie de dotnít io eminente.J r w. p. A estes três elementos ainda é necessário incluir a plataforma submarina e o subsolo do mar. o domínio aéreo. quando a sua superfície apresenta soluções de continuidade. 30. à qual como que se superpõe. que o Estado. por segundo a sua própria vontade. 1940. com o direito de propriedade privada. Esse dominium não se confunde. É. p. 6ZUARTA PARTE O TERRITÓRIO O território é um dos elementos constitutivos do Estado.1. 299.. O território até o tïm do século XIX era composto de dois elementos. é apenas aquela faculdade. 207. Les problèmes territoriaux dans la jurisprudence de la Cour Internationale de Justice. 125. ed.. antes. 107. parece preferível o uso do termo dornínin.

habitualmente. entretanto.s e arti.s) são os que acompanham certos traços físicos do solo ou os chamados acidentes geográtïcos. é de mais difícil solução.. num tratado ou convenção.. não se procede efetivamente à determinação de uma fronteira sem indicar no terreno. a linha ou linhas que o separam dos seus vizinhos. em geral.s) são os que não correspondem a nenhuma linha física ou acidente natural. porém. quer pela caducidade do ato ou atos que a estabeleceram. em geral. ou linhas imaginárias.. Estes últimos seguem. tirado do direito romano e muito alegado nas questões de limites .. entretanto. os seus limites.. apoiada em documentos indiscutíveis. Admite-se comumente a divisão dos limites em naturai. se procura traçar uma fronteira entre dois Estados que já possuíam limite antigo. Quando. porém.o.fïciai. É muito comum a confusão entre as palavras lirnite e fronteira.s. e. tendo desaparecido a delimitação anterior. cujos limites não se achem perfeitamente ou legalmente definidos. seja qual for a sua profundidade.. O termo deli rntaç ão é mais ordinariamente usado como significando apenas a descrição do limite ou fronteira. a este ou àquele limite. quer pela sua impraticabilidade. não devem significar a mesma coisa: o limite é uma linha. pode ser invocado um princípio. sem atenção a princípios absolutos. se procura adotar outro traçado. A exten. . por acordo ou por decisão arbitral. não esquecer que. que apresenta critério muito razoável para a solução e. toma.. ou retas. na verdade.. no terreno. . ou indicar concretamente. quando se tem em vista apenas restaurar um limite anterior. isto é. antes. pois. Esta é. por meio de marcos ou sinais artificiais.. que indicam até onde vai o território sobre o qual se exerce a sua soberania.bém. a linha exata de tal fronteira.s. em geral. Quando. no terreno. feita. esta seja um acidente natural. ao passo que a fronteira é uma zona. todavia. linhas astro1244 Manual le Direito Internacicmal Público nômicas. Não há princípio jurídico a que se subordinem todos os Estados e pelo qual se determine que cada um destes tem direito absoluto a esta ou àquela extensão territorial. .-rtorwoc tÂm cW i f1'Pl111P11- . na apreciação desse princípio. que liguem pontos previamente conhecidos. . . o problema só oferecerá dificuldades se a situação primitiva não se acha bem definida. a operação pela qual se assinala. geralmente. O Estado tem o direito e até o dever de marcar materialmente. isto é. A bem dizer. como que se impõe: é o uti pn. na falta de outro. A doutrina ainda incluía as colônias e os territórios não autônomos sujeitos a sua soberania. ou estradas etc. Neste caso. muito embora.i:. . a linha divisória entre Estados limítrofes. como um paralelo ou um meridiano.sideti. ou. . Os outros (também chamados intelectuui. A execução. Aqueles (também designados como limites arcifínin. às vezes. O subsolo depende diretamente do território que lhe constitui a superfície. porque depende 'snteirasnente do arbítrio das partes interessadas. mas com o advento das Nações Unidas já não se admite a existência de colônias ou de territórios não autônomos submetidos a um Estado.são do domínio terrestre do Estado é determinada por limites. O traçado das fronteiras é geralmente o resultado de acontecimentos históricos ou de acordos mútuos. nos nossos dias. as ilhas que lhe pertencem.s.s ou mate ncítiw .. se cuida de criar limite novo ou quando.. não se funda na existência de uma delimitação precisa. . na linguagem usual elas não se distinguem. Rigorosamente falando. a questão. o nome de dernarcnção. do que foi assim descrito ou determinado. Convém. ou resultante de acordo tácito ou de alguma sentença arbitral. Pode haver Estado.. não existem limites puramente naturais.

s especiais.s.são usualmente descritos em ter rio. a mesma situação.s. Foi isto. e não o que ele tinha direito de possuir e não possuía. no qual se determina o modo de organização ou de constituição de tais comissões e se lhes traçam as instruções por que se deverão guiar.s juris poderia. ou o direito à posse. Os trabalhos dessas comissões são consignados em ata. é. no tocante aos limites entre tais países e o Brasil.que. um ponto que deles se acha afastado. quando muito. pois o tratado preliminar assinado em Santo Ildefonso em 1777 havia caducado. E. o chamado uti pos. na ausência de qualquer documento escrito que pudesse ser legitimamente invocado. herdada pelos países americanos ao tempo de sua independência. era a posse real e efetiva. o Uruguai e o Paraguai. marcos. o que tal Estado tem possuído real e efetivamente com qualquer título ou sem título algum. Neste caso. as linhas divisórias. Na verdade. em geral. entre o Brasil e. independentemente de qualquer outro título. vários autores e governos hispano-americanos sustentaram conceito diferente. Como quer que seja. em vários tratados de limites celebrados entre o Brasil e seus vizinhos. porém. lavrados e assinados por ocasião de sua inauguração. são numerados e. por exemplo. de ordinário contiada a comis246 Manual de Dircito Internacicnrll Público pre. explícita ou implicitamente. na época das respectivas emancipações políticas. A distância em que devem ser colocados os marcos depende. precedida de algum ajuste especial. tranqüila e pacífica. já demarcadas há muitos anos.s o único sentido que ele poderia razoavelmente ter. Esta a razão por que. É o que acontece. segundo observou. Nestas condições. não havia entre eles e o Brasil. independentemente da ocupação efetiva. o uti po. as comissões demarcadoras empregam. ser invocado nos litígios de limites entre os países americanos de origem espanhola.Quarta Parte 245 tes. Às vezes. Com efeito. freqüentemente. conforme se deduz do que Andrés Bello escrevia em 1857.s e indicados em rnüpa. os marcos são chamados de referência.sideti. aliás.s. Paul De La Pradelle. os marcos não são colocados na própria linha divisória. o único recurso era o uti pos. reconhecido. em geral. Assim.sideti. enquanto. o uti po. Ora.juri. às vezes. geralmente. em lugares alagadiços ou quando se trata de assinalar a foz de um rio ou a linha divisória num curso d'água. postes ou pilares. em seu verdadeiro sentido.ssideti. respectivamente. Esses sinais . que era a monarquia espanhola. para um Estado. porque teria em vista a restauração das antigas divisões administrativas criadas ou estabelecidas por uma autoridade comum. além disto.s. a significaçáo jurídica do princípio não pode ser diferente da que sempre lhe foi dada no Brasil. ou quase sempre. por simples referência. umas e outros fiirmados pelos comissários de ambas as partes.s. se dava ao uti po. e poderemos defini-los como sendo os que indicam.juris repousa sobre uma afirmação contraditória: funda-se no título e não no. o de posse real e efetiva. isto é.fato da posse. Seção Única Demarcação A demarcação de uma fronteira. no Brasil. e balizas ou bóias. foram objeto de novos ajustes . Para assinalar a linha divisória. No caso de fronteira muito habitada.sidetis de fato. adotando o chamado uti ¡ n.s ou ato. nenhum tratado válido. há toda a conveniência em que os marcos sejam perfeitamente visíveis dos que lhes ficam contíguos. Não existia. indicam as respectivas coordenadas geográticas .s.sidetis significa a posse contínua e prolongada.sicietis . da natureza do terreno e da existência ou inexistência de população na zona fronteiriça de que se trate.

portanto. Houve um destes.Duas hipóteses podem ser encaradas. o talvegue é o que. as preferências vão para a linha do divisor de águas. opinam que. antes. em toda a sua largura. porque a outra oferece maiores dificuldades à demarcação. é indiviso. Isto é. nos rios navegáveis. Quando o rio tem dois canais navegáveis. nos tempos atuais. o rio abandona repentinamente o leito por onde corria e abre caminho através do território de um dos dois .e. então. um rio apresenta graduais ou insensíveis desvios no seu curso. Segundo se trate de limites em montanhas ou em rios. Há poucos casos desta espécie.para a sua melhor caracterização. em virtude de qualquer fenômeno natural. ou segue o divisor de águas. pode ocorrer uma destas hipóteses: ou o rio pertence integralmente a um destes . Em geral. ou corresponde ao eixo do canal principal ou mais profundo. Se estes. Em rios não navegáveis. alguns critérios devem ser estabelecidos previamente. porém. Por isto. para a colocação ou intercalação de novos sinais nas referidas linhas. isto é. forma a fronteira. por acordo mútuo. por causas naturais.s . ou o limite divide o rio em duas partes. Os terrenos abandonados por estas juntam-se à margem adjacente. apresenta maior profundidade ou maiores facilidades à navegação dos navios de maior caiaáo. Daí resulta que os marcos colocados em tal fronteira devem sempre ser respeitados. a mudança é súbita e perceptível. ou. até 1909. quando. adota-se ordinariamente como limite a linha da meia distância ou linha mediana. Se a profundidaáe dos dois é a mesma. quando a fronteira é constituída por uma montanha: ou o traçado segue a linha de cumeadas ou das máximas alturas.sem dúvida a mais comum. Se. ainda quando se prove a sua má colocação. isto é. Na segunda hipótese. isto é. se acham ambos na mesma metade do rio. o limite passa por uma das margens. Na terceira hipótese . aS SOIuCOeS mllS gefalt7lPnte a(irita iac cãr ac cPaW ntac Quarta Parte 247 a) Mor tanha. contudo. h) Rio. Da primeira hipótese. existem atualmente raros exemplos. que até o tratado de 30 de outubro daquele ano pertenceu integralmente ao Brasil. Julgamos claro. derivadas da natureza da base física da linha divisória. e. os ditos governos resolvam o contrário. a linha divisória continua a seguir o talvegue ou a linha mediana da superfície das águas. o rio. nos dias de hoje -. entre o Brasil e o Uruguai: o caso do rio Jaguarão. ou linha eqüidistante das margens. o limite segue por uma linha que divide o rio em duas partes. ou se confunde com a linha média fluvial.s . neste caso. e suas águas permanecem em condomínio. o limite acompanha tais desvios. se deve escolher como divisa a linha mediana do rio. Na demarcação de fronteiras naturais. a linha do talvegue. que a solução só deverá ser esta quando a dita linha passa entre os dois canais. parece mais razoável que se adote como fronteira aquele que estiver maic nr íYimri ria linha marliana 248 Manual de Dircito Internacional Público Quando. também chamado linha de partilha das águas (divnrtium aguarum). ou em la# TOS.Se a linha divisória corre por um rio que separa territórios de dois Estados. na média. todavia.e. a menos que. em geral. surgem freqüentemente certas dificuldades. Considera-se definitiva a fronteira demarcada cuja demarcação foi aprovada pelos governos interessados. nem sempre existe coincidência entre as duas linhas. Efetivamente. ao talvegue. os autores. ou o rio é comum a ambos os países ribeirinhos .

ao Estado dentro de cujos limites se encontran'f' e a linha divisória. não se acha marcada. de 27 de outubro e I de novembro de 1932. Se. no entantd° p rções de ambas as margens pertencem a um só Estado. e que. e. se qualquer dos ditos rios sofrer completa deslocação. levado a efeito por notas trocadas em Londres com as datas. naturalmente. c) Lago. seja procurada sempre no antigo leito. elas serão pa tl hadas de acordo com esta . o critério que prevaleceu na conclusão do ajuste entre o Brasil e a Grã-Bretanha. concedida ao Estado assim lesado a faculdade de. a linha divisória acompanhe a alteração do curso do rio. Quando o limite adotado é a linha de meia distância' ea ilha ou ilhas se encontram sobre a própria linha. o governo britânico concordou em que. isto é. Se a largura do lago u Ihar interno é superior a seis milhas. porém.Salvo acordo em contr lrl l. a linha de n'telV distância entre as margens. entre dois Estados. Assim pensamos. De acordo com a proposta brasileira. devendo ser marcada quer pela linha mediana deste. determinar'a qual dos ribeirinhos deverão pertencer as ilhas. Evidentemente. Foi este. o talvegue ou a linnamediana. é esse o critério seguido. no tocante à navegação fluvial.s internos . quer por uma linha correspondente ao antigo talvegue. se se trata de superfície estr lty e longa. conforme o critério previamente estabelecido. Isto. De fato. em casos dessa natureza. em conseqüência de fenômeno natural repentino. "a água. porque a conservação da fronteira no antigo leito pode determinar sério prejuízo a um dos Estados ribeirinhos. em certo prazo. entretanto. tïcand comum aos Estados marginais a faixa central da superfície líquid ' cl) Ilhas-As ilhas situadas em rios limítrofes pertenc m. e não o leito do rio. Contudo.s ou nare. é de se perguntar se tal mudança terá influência sobre a distribuiç °das ilhas. fazer voltar o rio ao leito abandonado. eventualmente. respectivamente. a doutrina corrente manda ou admite que a fronteira continue onde estava. isto é. em geral' e' ses mesmos tratados não especifïcam se a conservação das ilhas °l o antigo . Não foi esse. pode admitir-se que cada Estad°marginal estenda a sua soberania até a distância de três milhas. mas tal lesão será facilmente compensada por uma indenização razoável. sobre a nossa fronteira com a Guiana Britânica. finalmente. . nos rios limítrofes. no rio. isto é. será o limite". o primeiro caso internacional em que se adotou o ponto de vista acima sustentado. o limite em lagos ou mares internos segue. exatamente.a menos que os dois Estados ribeirirth s tenham preferido determinar a sua distribuição de acordo com 0 litério da maior proximidade das margens do rio. não só porque é sempre de se presumir que o rio tenha sido escolhido como fronteira principalmente devido ao obstáculo natural formado por suas águas. sem falar em que poderá ser. a linha de fronteira continuará a ser o talvegue do curso d'água. Alguns tratados determinam que tais mudanças não alter''r o a partilhajá feita. tornado seco. a solução que preferimos pode acarretar algum prejuízo territorial a um dos ditos Estados. Se o limite acompanha o talvegue e este muda de dir iç . podem ocorí ersituações que encontrarão soluções diferentes. é mais razoável a solução inversa.Estados ribeirinhos. a adoção do princípio de que. mas também porque estas constituem sinal muito mais visível do que um leito seco. ordinariamente. depende muito da forma a área da superfície líquida. mas aí surge uma dificuldade: é que. da continuação da llnha dIVlSOrla nn cnrsn rln rin P nãn nn ÍPitn ahanrlnna ln Quarta Parte 249 .

segundo as quais "uma bacia de drenagem internacional é uma área geográfica que cobre dois ou mais Estados. Biblingrafia: Accioly . 1960. de acordo com a linha do talvegue. a solução deverá ser outra: elas passarão a perten ce'ao Estado a cu¡a maruem tenham aderido.sition qf territnrv in i ternational law. 1936. p. G. 203. cortam o seu território. Além desta classificação clássica. v. deixando aí de seguir o talvegue desviado. a mudança d 'lalvegue não exercerá nenhuma influência em relação ao limite. p. apesar da mudança de direção do talvegue. Os rios internacionais são nacionai.2. cujo limite é traçado pelo talvegue. o domínio da ilha resultante da fusão deve ser atribuído ao Estado em cujo lado se achar. nesta hipótese. Se ocorre o mesmo fenômeno em rio cujo limite é traçado pela linha eqüidistante das margens. dentro de seus limites. Albert Guani. se unem e formam uma só ilha. determinada pelos limites fixados pelos divisores de água. a linha divisória. Para a Argentina. "o afluente principal e os secundários de um rio devem ser considerados interna- .snbre u n ri li nítrofe. nem sempre corresponde ao limite. cabendo uma parte a cada Estado ribeirinho.s. La solidariété en I'Amérique Latine. porque a posição da linha de jurisdição na ponte não prejudica de modo algum a linha divisória no rio. 1963. a ilha resultante da fusão será naturalmente cortada pela dita linha e esta a dividirá em duas partes. 8. ela é estabelecida na seção média transversal entre os dois encontros da ponte. no rio. quando correm inteiramente dentro dos limites do Estado. p. mantido o princípio da inalterabilidade da partilha. Em geral. a tese da international drainage basin.1 . por ação gradual e natural de um rio. p. além do limite do Estado a que p rtencem. sua distribuição será feita segundo o critério adotado para a linha divisória. A Jurisdição dos Estados. isto é. o qual continuará a cobrir as ilhas que nele est av7m incluídas. Quando surgem novas ilhas num rio já delimitado. p. inclusive as águas de superfície e as subterrâneas. Trata-se de uma tese defendida pela Interr atiorlal Law As. no trecho em que se ach an as ilhas. ou se o limite continuará a ser determinado pelo talvegu ' I cando as ilhas. cujos estudos foram aprovados em 1966 e passaram a ser conhecidos como as Helsinki Rule. do Nascimento e Silva. duas ilhas de domínios diferentes. no entanto. Les frontières. New York. in RCADI. tem merecido a aceitação de alguns.domínio. Parece-nos mais razoável a primeira hipótese. nele situadas. E. Beviláqua . Se. 821 . na ponte.2. p. 55. Mas a sua não-coincidência com o limite estabelecido no rio pouco importa. 295. v. 1925. 207.s. Capítulo 2 DOMÍNIO FLUVIAL O domínio tluvial do Estado é constituído pelos rios e demais cursos de água que. indicando esta a que Estado deverão elas pertencer. 250 Manual de Dircito Internacional Núblico Quando. Essa seção média quase sempre coincide com a linha mediana no rio. Thc acgui. que desembocam num ponto final comum". quando atravessam ou separam os territórios de dois ou mais Estados. A tese teve uma aceitação inicial da parte da Comissão de Direito Internacional onde as posições conflitantes entre o Brasil e a Argentina no tocante à barragem de Itaipu se fizeram sentir. in RCADI. Robert Jennings. Se existe ou é construída alguma honte . ou internncionais. a d yüe. Boletim. Jacques Ancel. 40. Mello . no tr'cho considerado. por conveniências de natureza prática ou de ordem administrativa. acarre!a o abandono deste como linha divisória. que conta com a aceitação da grande maioria dos Estados e dos autores.sociation. 284. que pode ser traduzida como "bacia de drenagem internacional". as ilhas se unem à terra firme ao la d do outro Estado.

foi estipulado que a dita navegação será livre em semelhante eventualidade. embora subordinada sempre a certas precauções em favor dos Estados ribeirinhos. em tempo de guerra. tal como adotada em Viena em 1815.A livre navegação nos rios internacionais. Seja como for. Seção 2 Rios internacionais Os rios internacionais ou são cwntíyuo. ao contrário. defendida por numerosos autores. Consultados os Estados-membros a resneit a mai ria ecmaQa ir. visto que entre 70 e 80 7o da poluição dos mares origina-se nos rios e nas águas interiores. ainda não constitui princípio geral do direito internacional positivo. excepcionalmente. . no rio. que sobe os rios para a desova. Seção 1 Rios nacionais Localizados inteiramente dentro do território de um Estado. como é o caso do salmão. argumentou que o estudo a ser feito deveria basear-se na definição clássica de rio internacional. mesmo quando se encontrem inteiramente dentro do território nacional. não só na doutrina. que não significa de modo algum o abandono da teoria da soberania dos Estados sobre os trechos de tais rios que correm dentro dos respectivos limites. quando correm entre os Quarta Parte territórios de dois ou mais Estados. Mas é principalmente no tocante à poluição que o direito internacional se tem manifestado. Por decreto de 1866. Ainda quando reconhecida expressamente a Estados estrangeiros. a citada Convenção sobre o Direito do Mar se ocupa da poluição de origem terrestre no artigo 207. a tendência dos Estados é a de abri-los até determinado ponto. A pesca. Entretanto.s. mas também na prática internacional. o Brasil abriu à navegação estrangeira os rios Tocantins e São Francisco.s. visto que constituem parte do sistema fluvia) de uma bacia de drenagem internacional". bem como a descarga de esgotos. que correm inteiramente dentro do País. a regulamentação dos rios nacionais deveria escapar às normas estabelecidas pelo DIP. No segundo caso. pesca e defesa do meio ambiente. embora reservada aos nacionais.ra r. mas aos poucos sente-se que.mtrina 252 Manual de Direito Internacional Público clássica. sofre algumas limitações. O Brasil. No primeiro caso. que acabarão por poluir o mar. até a linha divisória.. No caso de aproveitamento das águas de rio nacional. os rios nacionais se acham submetidos à sua soberania. uso de suas águas. Em conseqüência. .oionai. a exemplo do que ocorre com o próprio território. mesmo no tocante aos rios nacionais.nr m "Pla . é provocada pelas conveniências da solidariedade internacional ou dos interesses da reciprocidade. No caso dos principais rios nacionais. tendo em vista os interesses nacionais. ora nos rios. essa liberdade de navegação pode ser restringida ou negada. cada Estado atravessado pelo rio exerce soberania sobre a parte do curso compreendida dentro do seu território. a Assembléia Geral das Nações Unidas acolheu o projeto da CDI em dezembro de 1997. cabe ao Estado adotar medidas tendentes a evitar a poluição industrial. que trata de espécies que ora vivem no mar. a soberania de cada Estado estende-se. como as constantes dos artigos 66 e 67 da Convenção sobre o Direito do Mar. Esta tem sido a posição da maioria dos autores. por cláusula expressa. Nave ação . os Estados têm algumas obrigações em matéria de navegação. a tendência é cada vez mais favorável à concessão desta liberdade. Essa tendência. salvo se. em acordo internacional. No caso dos rios.

que a liberdade de navegação nas partes de rios que atravessam o território nacional pertence exclusivamente ao Brasil e que só a este competiria. A segurança do Estado pode. c) as obras que um Estado pense realizar em águas t7uviais internacionais deverão ser previamente comunicadas aos demais ribeirinhos ou condôminos. tal como. porém. estes princípios eram perfeitamente admissíveis. Entre os rios que se encontram neste caso. porém. mas de então para cá a situação tem evoluído e. . tampouco a grande importãncia que a água potável começa a assumir em determinadas regiões do globo. salvo consentimento prévio do soberano territorial. h) em caso nenhum. as obras de aproveitamento deverão causar prejuízos à livre navegação de tais rios. Para Hildebrando Accioly. em documentos oficiais. por exemplo. de caráter temporário. não levam na devida consideração os problemas suscitados pela construcão de barra ens ou de usinas hidrelétricae cie Quarta E'arte 255 porte. inclusive nas mais evoluídas. às vezes.Baseada em relatório de Clóvis Beviláqua. mediante reciprocidade. Paraguai e Uruguai). embora continuem válidas. na ausência de acordos especiais. mas esse direito está subordinado à condição de não prejudicar direito igual do Estado vizinho.s . A concessão da liberdade de navegação não implica. o abandono dos seus direitos de jurisdição e de polícia sobre os rios ou partes de rios assim abertos às bandeiras de outros Estados. Foi assim também que. No tocante à construção de barragens e de usinas hidrelétricas. duas restrições à liberdade de navegação são ordinariamente admitidas e figuram quase sempre nos acordos sobre a concessão de tal liberdade. abri-las ao comércio e navegação de outros ou de todos os Estados. o Brasil declarou aberta aos navios mercantes de todas as nações a navegação do rio Amazonas. restritivas da liberdade de navegação. reservada aos navios mercantes nacionais. que. Não deve. Foi assim. ser restringida por meios indiretos. uma declaração contendo os seguintes princípios: n) os Estados têm o direito exclusivo de aproveitamento para fins industriais e agrícolas das águas dos rios internacionais que se encontrem dentro de suajurisdição. ou seja. ou por acordo prévio. não deve haver distinções quanto ao tratamento dos diferentes pavilhões. Por outro lado. a imposi ão de taxas ou direitos que se não destinem a 254 Manual dc Direito Internacional Pí blico cobrir as despesas exigidas pelas necessidades da navegação. A segunda é a que exclui os navios de guerra estrangeiros da faculdade de entrar ou navegar nos rios abertos à navegação estrangeira. e de outros rios que cortam o território brasileiro. até a fronteira com o Peru. abriu à navegação dos Estados limítrofes. onde o consumo de água começa a ser superior à existência da referida água potável. por tratados. pelo já citado decreto de 7 de dezembro de 1866.s cígun. Como regra de ordem geral. os rios comuns ao Brasil e a esses Estados. a 7á Conferência Internacional Americana aprovou. por exemplo. conservação do rio ou execução de melhoramentos. na margem ou na parte que lhe pertença. nessa matéria. nunca variou. quer se trate de rios sucessivos ou de rios contíguos.strial e ngrícolcr da. o rio Amazonas e o rio da Prata com os seus afluentes (Paraná. contam-se alguns que nos interessam de perto. o que seria feito por ato próprio. Aproveitarnento indu. serjustificadas e não aparecer como uma espécie de revogação disfarçada da referida liberdade. determinar certas medidas. A primeira é a da cabotagem.A doutrina brasileira. Sempre sustentou. A navegação nos principais rios internacionai v ha-se regulada por tratados. quando lhe parecesse oportuno. Tais medidas devem. em 24 de dezembro de 1933. espontâneo. para o Estado que a dá.

principalmente contra a poluição. Dos rios públicos nacionais e internacionais. 186. as águas interiores. p. 1933-III. Pe. 1979. em 10 de dezembro de 1982. 954. e que entrou em vigor no dia 16 de novembro de 1994. Mello . Boletim. assinado em Montego Bay.I. F.vai-se consolidando a tendência de que os Estados ribeirinhos têm a obrigação de notitïcar com a devida antecedência aos Estados que possam ser afetados por qualquer projeto ou obra capaz de provocar um dano significativo. Pollution of International Rivers. J. Neste particular.scn . Rivers in international law. v. B. p. Boletim. contudo. fornecendo-lhes todos os dados técnicos disponíveis. figurando dentre elas a obrigação de evitar a pesca capaz de prejudicar os demais. ou seja. Dordrecht. J. Béla Vitányi.2. Aproveitamento Industrial do Salto de Sete Quedas. é um dos grandes desafios enfrentados pela comunidade internacional. porém. p. 489. p. p. in RCADI. v. Esta norma foi consagrada pelo Princípio 15 da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992. Évolution et aspects actuels du régime juridique des fleuves internationaux. 1967. p. Colliard. 336. em Atenas. The international regime nf riaer navigatinn. entre os Estados Unidos e o Canadá. p. Barberis. 125. 129. Le régimejuridique international des eaux souterraines. a zona contígua.se. 1968-II. está subordinado a certas nonnas que vêm sendo acolhidas na prática. AFDI. 45. Capítulo 3 DOMÍNIO MARÍTIMO O domínio marítimo do Estado abrange hoje em dia diversas áreas. Lammers. enumerando as medidas principais no sentido de que as atividades realizadas dentso de seu território não fossem motivo de poluição nos demais. no qual se busca enumerar os métodos de pesca permitidos e os proibidos. A. 1984. A falta de resposta à notitïcação. exclusivamente ao Estado dentro de cujos limites a mesma se realize. J. Amílcar de Araújo Falcão. Winiarski.stitert de Droit Interr crtinr nl votou em 1979. nenhum Estado tem o direito de permitir o uso de seu território de modo a causar dano com conseaüências sérias nn rerrir rir. não poderá servir de pretexto para obstruir o início da obra. 5.A proteção das águas dos rios internacionais. v. p.2. 75. Seção 1 O mar territorial O mar territorial é a faixa de mar que se estende desde a linha de . Pollution of international watercourses. Outra regra acolhida no Rio de Janeiro em 1992 é que o Estado onde ocorrer uma catástrofe capaz de afetar outros Estados deve comunicar o fato imediatamente a estes. 1987. in RCADI.O direito de pesca nos rios internacionais pertence. G. 25. Isidoro Zanotti. principalmente pelos Estados banhados pelo Reno quejá adotaram uma série de acordos em tal sentido. o mar tetTitorial. 413. em tese. em que o Tribunal arbitral opinou que. Dupuy. Boletim. p. 954. uma resolução. a zona econômica exclusiva e a plataforma continental. C. Dordrecht. p. é comum a assinatura de acordos de pesca nos moldes do que foi firmado em agosto de 1994 com o Paraguai. Prnteçãn do meio mnhiente . 61. O DIP se ocupa de todas estas áreas do domínio marítimo. in RCADI. 1966. p. Na prática. Esse direito. Aproveitamento dos rios e lagos internacionais para fins industriais e agrícolas. principalmente na Convenção sobre o Direito do Mar. Principes généraux de droit tluvial ínternational. O direito tluvial internacional. devendo o Estado ou Estados consultados responder dentro de um prazo razoável. 1964. Themístocles Brandão Cavalcanti. 1984. Por sua vez. 1P mrr 256 Manual de Direito Internacional Público Bibliografia: Accioly . Díez .Srnelter Cn. de acordo com o direito internacional. o Ir . o texto mais citado pela doutrina é o laudo no Trni1 . Berber. 1972-1974. Boletim. Magdalena Londero. 5. José Sette-Camara.

do continente. Dada a natureza especial do domínio marítimo. do que derivam o de regulamentação aduaneira e sanitária e o de regulamentação da navegação. o alcance das modernas peças de artilharia já atinge dezenas de quilômetros. e os Estados Unidos da América. ou reinou o arbítrio. no mar que banha as suas costas. A regra do alcance do tiro de canhão prevaleceu. que ajurisdição do Estado ribeirinho se exerce. de um dever. Hoje em dia. ainda que na parte acima do mar territorial. é doutrina corrente que a soberania do Estado sobre seu espaço atmosférico. no Mare liheru ri. passou a ser geralmente admitido que o alcance de um tiro de canhão era o que indicava o limite do mar territorial. bem como ao solo recoberto por essas águas e ao respectivo subsolo. mar marginal. decorrentes do direito de soberania. nos limites do mar territorial. no De jure helli c c paci.s (1624). em 1793. e na Convenção sobre o Mar Territorial de 1958 que vamos encontrar as regras principais sobre o regime jurídico vigente no mar territorial. É na Convenção sobre o Direito do Mar. Desde muito. Esta mesma idéia foi retomada por Bynkershoek. Desde então. que havia aceito. convém assinalar aqui os principais direitos geralmente reconhecidos ao Estado marginal sobre o mar territorial. a partir do artigo 2. é completa e não se acha atenuada pela regra costumeira relativa à passagem inofensiva. adotaram oticialmente essa identificação. A soberania do Estado marginal estende-se ao espaço atmosférico situado sobre o seu mar territorial.base até tma distância que não deve exceder 12 milhas marítimas da costa e sobre a qual o Estado exerce a sua soberania. e formulada no conhecido aforismo: terrae dornir iuryi. a instalação de bóias. No fim do primeiro quartel do século XVII.nmrirrãn rla nma n Fetarln rnetPirn tinha a nhri258 Manual e Dircito Intcrnacional Píhlico gação de proteger a navegação contra os piratas. O primeiro.s. Data do século XIV a noção de que as águas costeiras deveriam achar-se sujeitas a um regime especial. fixar regras de cerimonial marítimo. Exter . e não de um direito. pois desde 1958 a expressão mar territorial se acha consolidada. em 1702. numa conferência sobre pesca. Mas. igualmente. Com anterioridade outras expressões eram utilizadas. a organização de serviços de pilotagem etc. com algumas limitações determinadas pelo direito internacional. anteriormente sugerido por embaixadores da Holanda. Acham-se incluídas neste último a faculdade de estabelecer regulamentos sobre sinais e manobras.finite r ar nnrurn vi. o limite do raio visual. e mais amplo. declara. até princípios do século atual. é possível a tal Estado fazer-se obedecer por aqueles que passam no dito mar. porém. O Estado pode também reservar aos seus nacionais a cabotagem e a pesca. balizas e faróis.jïnitur uhi. veremos adiante quais as regras mais aceitas a esse respeito. não mais se justificam as dúvidas terminológicas. O direito romano dela não se n mnava mac havia a r. águas territoriais etc. de certo modo. aliás. A Conferência de Genebra sobre o Direito do Mar de 1958 tinha . Pode. critério. como é sabido. realizada em Londres em 1610. na sua concepção original.sãn nu lar urn . é o de polícia. Em todo caso. com águas jurisdicionais. ou as nações não se preocuparam com a extensão ou largura do mar territorial. o que criava confusão. sendo o primeiro país que assim procedeu. a esse respeito. não sendo mais possível falar-se em limite fixado por um tiro de canhão. vários autores começaram a identitïcar tal alcance com a distância de três milhas ou Quarta Parte 259 uma légua marítima. Tratava-se.Durante séculos. até onde. Relativamente aos direitos de jurisdição em matéria civil e penal. pois o mesmo tem variado muito. Grocius.

a Convenção admite a utilização do método de linhas retas unindo os pontos mais avançados do território. principalmente depois da aceitação de uma zona econômica exclusiva de 200 milhas marítimas. que foi convidada a decidir sobre se "o método empregado para a delimitação das zonas de pesca pelo Decreto Real Norueguês de 12 de julho de 1935. Nos locais em que a costa apresenta recortes profundos e reentrâncias ou em que exista uma franja de ilhas ao longo da costa. A Convenção ainda esclarece que a passagem é inocente desde que não seja prejudicial à paz. não podendo assim ser considerada inofensiva. em geral. Este sistema de determinação da linha de base surgiu em decorrência de julgamento da CIJ.hPrrlsarlP rlP 260 Manual de Direito Internacional Público pesca e atingindo o direito das embarcações estrangeiras. A linha de base normal é determinada pela linha de baixa-mar ao longo da costa. Em 1960. porém. o Governo da Noruega definiu as suas águas territoriais numa extensa parte de sua costa. embora tenham sempre direito de regulamentar as condições da dita passagem. A Corte se viu obrigada a decidir se a linha de baixa-mar era a da costa ou o . houve nova tentativa de chegar-se a uma solução sobre os limites do mar territorial. a uma zona de mar adjacente a suas costas. a passagem destes nas proximidades da costa pode constituir um perigo ou uma ameaça para o Estado ribeirinho. Direito de pa. A questão foi levada à CIJ. Numerosas fórmulas foram examinadas. Cedo se constatou o erro das grandes potências ao impor uma solução que atendia exclusivamente aos seus interesses. Se se trata de navio de guerra submarino. ilhotas. A Convenção sobre o Mar Territorial e a Zona Contígua que foi então firmada se limita a declarar que a soberania do Estado se estende.A principal restrição à soberania de um Estado sobre o seu mar territorial é constituída pelo direito de passagem inocente reconhecido pelo artigo 17. Por outro lado. os Estados não proíbem a passagem de naves de guerra estrangeiras pelo seu mar territorial. e com o ingresso nas Nações Unidas de dezenas de novos Estados da África e da Ásia o panorama modificou-se radicalmente. e das linhas de base estabelecidas pelo referido Decreto em sua aplicação eram contrários ou não ao direito internacional". a Corte decidiu que o método utilizado não era contrário ao direito internacional. e esse interesse não existe no caso de tais navios.sagem inocerlte . à boa ordem ou à segurança do Estado costeiro. elevações e recifes) e concluiu que. novamente em Genebra. que navegue na superfície. Em 1935. as águas do alto-mar atingidas pela nova legislação passaram a ser águas territnriais u interW rec cescanrl si l. O artigo 3 determina que os Estados têm o direito de fixar a largura do seu mar territorial até um limite que não ultrapasse 12 milhas marítimas. designada pelo nome de mar territorial. a partir da linha de base. A determinação do limite do mar territorial tornou-se de fácil solução. Em conseqüência. O direito de passagem inocente não signitica que o Estado ribei- . porque ele só se justifica pelo interesse universal que a liberdade de comércio e navegação apresenta. Ordinariamente. exige-se. a sua linha externa é que deveria ser levada em conta na delimitação das águas territoriais norueguesas. além de seu território e de suas águas internas.s. mas por apenas um voto não foi possível alcançar os dois terços que permitiriam a adoção de um limite. Em outras palavras. de conformidade com um critério de linhas de base retas ligando as partes mais extremas de seu território. O direito de trânsito inocente não deve ser reconhecido aos navios de guerra. dentre elas as inglesas. como skjaergaard se confundia com a costa.skjaergaard (termo norueguês para designar rocas e abrangendo ilhas.por principal objetivo a determinação de largura do mar territorial.

eyrl matéria civil e penal . . do mesmo Estado. Admite-se também que. l. os mesmos estarão isentos da jurisdição local. nem perturbam a sua tranqüilidade". e a doutrina internacional náo é uniforme. a situação é esta: tratando-se de navios de guerra. Se os navios são estrangeiros. Quando se trata de navios nacionais. na apreciação desse caso. A Convenção de Genebra sobre o Mar Territorial e a Zona Contígua estipula em seu artigo 19 que "a jurisdição penal do Estado ribeirinho não se exercerá a bordo de um navio estrangeiro. Tal direito só poderá ter início de execução quando o navio culpado se encontre nas águas internas. Nas relações entre países latino-americanos. é indiscutível que todos os atos neles ocorridos dependem da jurisdição do dito Estado. do Estado ribeirinho. Um deles é o Código Bustamante. os próprios navios que gozam do direito de passagem inocente sejam submetidos à plena jurisdição civil e penal do Estado ribeirinho.embora possa continuar no alto-mar. Mas cessará. se tais delitos ``não têm relação alguma com o país e seus habitantes. da soberania que ele exerce sobre o dito mar. no interesse da sua ordem e segurança. admite-se que a perseguição iniciada por um navio.. isto é. existem em vigor dois atos internacionais que oferecem soluções divergentes. ou na chamada zona contíguu .rl¡.O direito de jurisdição do Estado ribeirinho em seu mar territorial deriva. nessa matéria. nas águas territoriais. pela simples passagem em seu mar territorial. Por outro lado.rinho se acha impedido de adotar medidas impostas pela defesa de sua segurança. cujo artigo 301 dispõe que as leis nenaic rln Fstarin rihPirinhn nãn cãrv anl. tratando-se de navios mercantes. excepcionalmente. o Estado ribeirinho não deve cobrar taxas ou direitos. conforme vimos. qualquer navio de guerra deste pode persegui-lo. para detenção de uma pessoa ou execu- . assinado em Montevidéu a 19 de março de 1940. se justifique a destruição não intencional do navio estrangeiro. Isto não impede que. Ainda no tocante a hot pur. em certos casos. nem a exclusão de competência do dito Estado para verificar se foram preenchidas as condiçóes que tenha estipulado para a admissão de navios estrangeiros em suas águas territoriais. ¡lAl. 262 Manual dc Direito Internacional Núhlico em navios mercantes estrangeiros. O outro é o Tratado de Direito Penal Internacional. em conseqüência do exercício da força necessária e razoável para detê-lo. desde que o navio perseguido entre no mar territorial do próprio país ou no de terceira potência.suit. Jurisdição do Estado ribeirinho.. Por isso mesmo. o exercício da competênciajurisdicional do Estado ribeirinho está sujeito a certas restrições. quando cometidos". cujo artigo 10 estipula que "os delitos cometidos a bordo de navios que não sejam de guerra serão julgados e punidos pelos juízes ou tribunais e de acordo com as leis do Estado em cujas águas territoriais se achava o navio.. porque as legislações internas dos Estados divergem freqüentemente. seja continuada por outro. ávA. sem dúvida.rl. pelo de passagem inocente. . contanto que a perseguição se não tenha interrompido. essencialmente. de sua ordem pública ou de seus intesesses tïscais.or. as soluções não são precisas. em trân ito no mar territorial. salvo se se trata da retribuição de serviços particulares evPntnalmente nrestarlnc tais cnmn nilntavem rehncamentn Ptc Quarta Parte 261 Se um navio estrangeiro viola as leis ou regulamentos do Estado ribeirinho. contanto que não haja interrupção. embora se devam conformar com as leis e regulamentos estabelecidos pelo Estado ribeirinho. exercer contra ele o chamado direito de perseguição (hot pursuit). Tal direito é limitado. ou no mar territorial..

de imigração. a adoção da expressão znnu cr»ttí ucr perdeu a sua razâo de ser.s da Convenção de 1958. foi levada em conta pela Comissão de Direito Internacional na elaboração do projeto sobre o mar territorial. pois a frase aceita em 1958 foi "zona do . que repete quase ip. No memorando de 14 de julho de 1950 se lê que há argumentos. A. e esta posição foi endossada pela Comissão e. A Conferência. sanitária e de pesca. Prof. O Secretariado das Nações Unidas foi favorável à criação de uma zona contígua na qual o Estado costeiro teria controle em matéria de pesca.s verbi. A áedução lógica é que se trata precisamente da mesma regra e que na sua interpretação se pode recorrer aos trcrvc ux préparatnire. O relator da Comissão.ção de atos de instrução por motivo de uma infração penal. provindo do águas internas. a zona adjacente ou contígua não seria superior a 9 milhas. contudo. que se tornam cada vez mais fortes. mais tarde. François. Aceito o limite das 3 milhas. b) se a infração for de natureza a perturbar a paz pública do país ou a boa ordem no mar territorial. ou d) se tais medidas forem necessárias para a repressão do tráfico ilícito de entorpecentes". A tendência no sentido de aumentar ajurisdição do mar territorial. a favor do reconhecimento pelo direito internacional de uma zona contígua em matéria de pesca. todo espaço que se encontra além dos limites do mar territorial não gozará de uma proteção desejável. cometida a bordo do navio durante a passagem. A aceitação pela Conferência do Direito do Mar da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) tornou toda a argumentação em torno do direito de pesca numa zona contígua ao mar territorial sem razão de ser. se os limites do mar territorial forem deterrninados sem levar em consideração as condições de vida e de reprodução das espécies. A tese não logrou ser aceita.si. visto que ficou reconhecido que na ZEE os Estados têm o direito soberano de explorar e aproveitar os recursos naturais vivos numa zona marítima que se estende a 200 milhas. Antes de mais nada. A realidade é bem outra: pode-se até dizer que o artigo 33 diz exatamente o contrário. principalmente diante da posição britânica. foi contrário à inclusão da pesca entre os controles a serem exercidos no mar territorial. salvo num ou noutro dos casos seguintes: a) se as conseqüências da infração se estenderem ao Estado ribeirinho. Seção 2 A zona contígua A grande preocupação dos Estados costeiros em matéria de pesca sempre foi a extensão de sua jurisdição além das três milhas. mas até a assinatura da Convenção de 1982 todas as tentativas foram frustradas principalmente pelo argumento de que qualquer exceção a0 prlnCÍDtO da Ilher(Ia(le dn marec nnrlPria acahar nnr anmlá-In ( uarta Parte 263 Uma idéia suscitada em 1928 pelo Institut de Droit International teve int7uência na Conferência realizada em 1930 sob os auspícios da Sociedade das Nações quando o Comitê Preparatório sugeriu a criaçâo de uma zona adjacente ao mar territorial cuja extensão máxima seria de 12 milhas. principalmente em matéria aduaneira. P. optou por adotar o artigo 33. c) se a assistênci a das autoridades locais tiver sido pedida pelo Capitão do navio ou pelo Cônsul do Estado cuja bandeira é arvorada pelo navio. O referido artigo ainda estipula que tais disposições não comprorrletem o direito do Estado de tomar todas as medidas autorizadas por sua legislação para proceder a prisões ou a atos de instrução a bordo de um navio estrangeiro que passe pelo mar territorial. contudo. J. pela própria Conferência de 1958. fiscal. O memorando acrescenta que.s o artigo 28 da Convenr ão sobre o Mar Territorial áe 1958.

fiscais. formadas pelo mar. nenhum desses Estados tem o direito.shwater lirnit é. As regras ordinariamente adotadas nessa matéria visam. O fre. o texto de 1958 tinha por objetivo enumerar taxativamente os controles que poderiam ser exercidos. para qualificar o caráter de suas águas. Havia dúvida na doutrina e na prática quanto ao limite máximo da largura da entrada de um golfo ou de uma baía para que as suas águas fossem consideradas nacionais. salvo acordo de ambos em contrário. de imigração e sanitários. em favor dos navios mercantes estrangeiros. A Convenção sobre o Direito do Mar terminou com as dúvidas ao estipular que o limite não excederá 24 milhas. ao mencionar os controles exercíveis na zona contígua. 12). A única justificativa da adoção do artigo 33 é que. A Convenção sobre o Direito do Mar se ocupa especificamente das baías (art. por mais que. Golfo. naturalmente. o ponto em que na maré baixa e em período de pouca água à salinidade aumenta consideravelmente em decorrência da água de mar. teoricamente. qualificação cujas conseqüências jurídicas indicaremos em seguida. Os direitos do Estado ribeirinho sobre essas águas são maiores do que os que Ihe são reconhecirlnc snhrP n cem mar territnrial O que distingue. de imigração e sanitários na ZEE. pouco importa a designação pela qual cada uma dessas sinuosidades ou reentrâncias naturais. Aguas e mares internos As águas interiores sáo as águas aquém da linha de base a partir da qual o mar territorial é determinado de acordo com o direito internacional. essencialmente. e que não se admite esse direito nas águas nacionais. Conforme esclarece Accioly. de estender o seu mar territorial . onde o princípio da liberdade dos mares continuaria a vingar. se distingam. por exemplo. mas não a pesca. Semelhante conceito só é aplicável na própria Europa. 10). as águas internas dos golfos ou baías devem ser consideradas nacionais. sendo que algumas convenções e legislações nacionais adotavam o limite de 10 milhas. onde o t7uxo de água dos rios é pequeno em comparação. Além do mais. Em outras palavras. o controle dos regulamentos aduaneiros. com o Amazonas. as águas do golfo ou baía sáo parte do mar aberto. a faixa de mar territorial que acompanha as sinuosidades da costa.alt()-n 1ar C(lntís·na an mstr territnrial" Fm nmtrac nal wrac a nfase era 264 Manual de Direito Internaciçroal Público Quarta Parte 265 no fato de ser parte do alto-mar. Seção 3 . Se tal largura é demasiada. o Estado costeiro não tem a faculdade de aplicar as suas leis e regulamentos aduaneiros. em geral. seja habitualmente conhecida. salvo. como que exclui o seu exercício na ZEE. ou seja. fiscais. no tocante à desembocadura de rio. mas também formam parte do território desse Estado. 1 1 ) e dos ancoradouros (art. A Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Ocidental de 1990 ainda acrescenta à definição a frase "extending in the case of watercourses up to the freshwater limit".Na classificação geográfica. as águas rlacionais ou internas das do mar territorial é que neste existe o direito de passagem inocente.s e baías . portos (art. Assim. não só estão sob a soberania do Estado cujas terras circundam o golfo ou baía. A expressão só se justifica se interpretada como sendo contígua ao mar territorial ou à ZEE. Do ponto de vista de sua situação jurídica. A Convenção ainda diz em seu artigo 15 que. Isso significa que as águas situadas para o lado de dentro da linha imaginária traçada à entrada do golfo ou baía têm caráter diferente do mar territorial. quando as costas de dois Estados são adjacentes ou se encontrem situadas frente a frente. apenas a largura da entrada ou abertura do golfo ou baía. é comum a confusão entre estas e aqueles.

que suas águas não devem ser consideradas como nncioj ai. deve ser traçado ou na linha de baixa-mar ou entre as instalações permanentes que avancem mais para o mar.rterno.Quando um rio. Morto e de Aral. A Convenção sobre o Direito do Mar. parecendo. seja qual for sua largura ao desembocar no oceano.s ou interrias. E. se o estuário tem um só ribeirinho julgamos que deve ser tratado como simples prolongamento do rio. para abrigo de navios e operações de carga ou descarga. que deve ser confundido com este. que suas águas se misturam. contudo. os mares Negro. Entretanto. isto é. Para efeito da Convencão. Se se trata de mar fechado. do Estado ribeirinho. em relação à largura da sua entrada. uma reentrância náo será considerada como uma baía se sua superfície não for igual ou superior à de um semicírculo que tenha por diâmetro a linha traçada através da entrada 266 Manual dc Direito Intcrnacional Pííhlico Portn.além da linha mediana cujos pontos são eqüidistantes dos pontos mais próximos das linhas de base.s e. caso tais instalações ultrapassem a referida linha.s. Seção 4 Mares fechados ou semifechados Os mares internos são extensas áreas de água salgada cercadas de terra. No tocante aos ancoradouros. de Azo e. Quanto às dos ancoradouros.Portos são lugares do litoral arranjados pela mão do homem. ou formada inteira ou principalmente por mares territoriais e zonas econômicas exclusivas de dois ou mais Estados costeiros". considera-se que se devem aplicar aos estuários as regras estabelecidas para as baías. Na primeira hipótese. ou é cercado por terras de mais de um Estado. especialmente na preamar. com ou sern comunicação navegável com o mar. embarques e desembarques. cuja penetração em terras. Ordinariamente. as opiniões divergem.s e nncorndoc ro. com comunicaça o navegável com outro mar. citam-se os mares CáspiQ. se se trata dos chamados c frcnrarlnurn. e de mar semifechado. a partir das quais se mede a largura do mar territorial de cada um desses Estados. Observa-se.stucírio. com saída livre para o mar e onde os navios podem ancorar. O limite externo das águas dos portos. bacia ou mar rodeado por dois ou mais Estados e comunicando com outro mar ou com o oceano por uma saída estreita. o mencionado limite depende da maneira por que são considerados. a doutrina e a . pouco antes de chegar ao oceano.s. diz-se que se forma então um estuário. perde o aspecto que tinha e toma o de uma baía. Como exemplo de mar interno fechado. Branco e Báltico. Contudo. Em caso contrário.s . é natural que as mesrnas acompanhem a condição atribuída às águas do porto. é tal que contém águas cercadas pela costa e constitui mais do que uma simples inflexáo da costa. para a medida do mar territorial. adotando a terminologia que se nos depara na Convençáo sobre o Mar Territorial de 1958. isto é. para se lhe aplicar o mesmo regime.s . nesse lugar. As águas dos portos são consideradas nncio iai. podem considerar-se duas hipóteses: ou o mar está rodeado por terras de um só Estado. isto é. Ancoradouros são bacias naturais ou artitïciais. com as do mar. A Convenção sobre o Direito do Mar consagra os artigos 122 e 123 aos rnares f-echados ou semif echados. define uma baía como sendo "uma reentrância bem marcada. se estes são apenas um prolongamento ou dependência de algum porto. de Mármara. Quarta Parte 267 a expressão "significa um golfo. em geral.

quando as costas ou a passagem pertencem a mais de um Estado. No segundo caso. resultaria no desaparecimento da liberdade de passagem em inúmeros estreitos existentes. por partes correspondentes às delimitações territoriais que eles tenham estipulado. também. Relativamente aos mares internos não fechados. podem ser consideradas. é o caso do mar de Aral. ou porque esta pertence a mais de um Estado). em virtude de um tratado concluído em Moscou a 26 de fevereiro de 1921. os direitos que possui sobre estes. eventualmente. Esta preocupação era ainda mais acentuada no caso dos países com impérios coloniais. que ela sempre reconhecera de um modo geral "e de acordo com o costume internacional que Estados em tempo de paz têm o direito de enviar os seus navios de guerra através de estreitos utilizados para a navegação internacional entre duas partes de altosmares sem necessitar de uma autorização prévia do Estado costeiro. o Zuiderzê. Pode ser equiparado a esse caso o de mares. Exemplos: o mar Negro. no caso do mar Cáspio. desde que a passagem seja inocente". Uma modificação do regime das três milhas. o Canal de Suez. Na prática. Aden e diversas bases no Oceano Índico até Cingapura. o Estado terá sobre suas águas. Exemplo: o mar de Azove. por exemplo. a CIJ lembrou em sua sentença de 1949. Na segunda hipótese. Em tal sentido. até o limite do mar territorial. entre a Rússia e a Pérsia. entre a Grâ-Bretanha e a Albânia. Esta sentença pode ser considerada a re ra hásica em ". admite-se geralmente que o Estado único possuidor das costas e da passagem tem soberania exclusiva sobre o mar. esta opinião prevaleceu. No primeiro caso. Consideram-se tais mares como prolongamentos do mar livre e. Os estreitos com os quais o DI se preocupa são aqueles utilizados para a navegação internacional. isto é. Seção 5 Estreitos internacionais Uma análise do direito internacional anterior a 1982 e das regras constantes da Convenção sobre o Direito do Mar nos leva à conclusão de que das regras até então aceitas pouco resta. o qual se acha entregue à jurisdição desses dois países. aceito como o DI costumeiro a respeito. a prática internacional tem reconhecido que o mar em tais condições deve ser livre.atPria lP navPoarãn Pm PetrPirn . mas a maioria sustenta que um mar cercado por terras de vários Estados deve pertencer aos Estados circundantes. e no passado as principais potências tinham especial interesse em controlar os mais importantes estreitos do mundo por motivos estratégicos. no caso do Canal de Corfu. assim.prática concordam em considerar o mar em causa como pertencente ao território do Estado em que se encontre. que logrou controlar a rota que passava por Gilbraltar. as opiniões divergem. Fatores econômicos e militares pesam na política advogada. como. se acham ligados ao oceano por passagens demasiado largas para estarem inteiramente em poder de tal Estado. o Báltico. Malta. Um dos obstáculos à adoção de um limite para o mar territorial em 1958 e 1960 foi precisamente o empenho das potências marítimas de obstaculizar qualquer regra que pudesse modificar o status quo a respeito. e a de um mar que se não ache nestas condições (ou porque suas costas são possuídas por mais de um Estado. no Turquestão russo. como 268 Manual de Direito Internacional Público só Estado. ou porque o Estado possuidor das costas não é o mesmo que possui a passagem. duas hipóteses: a de um mar cujas costas e a passagem que conduz ao mar livre pertencem a um só Estado. o Adriático. com o adjetivo de garantir os seus mercados e. a Inglaterra. obstaculizar a navegação de outros países.

Kiel. São partes da terra do Estado. é o direito de passagem inocente com uma terminologia distinta. Ao contrário do Canal de Corinto. Seção 6 Canais internacionais Os canais internacionais são estreitos construídos pelo homem no território de um ou mais Estados para permitir ou facilitar a navegação entre dois mares. perfurado em 1893 entre o Gol- . dos Estados desejosos de garantir seus direitos sobre os estreitos com os países que buscavam a adoção da ZEE. o que pouco esclarece.Quarta Parte 269 Aceito como inevitável que a conferência sobre o direito do mar acabaria por adotar o limite de 12 milhas para o mar territorial. É o caso do extenso artigo 41. salvo se houver acordo em contrário. embora a Espanha insista em que sobre ele se aplicam as normas gerais sobre estreitos. No caso de estreitos com menos de 24 milhas cujas margens pertençam ao mesmo Estado. 40). especialmente no direito de passagem em trânsito. o estreito de Magalhães. de conformidade com a parte específica da Convenção. passagem em trânsito significa o exercício da liberdade de navegação e sobrevôo "exclusivamente para fins de trânsito contínuo e rápido pelo estreito". Alguns estreitos de importância especial se acham submetidos a regimes especiais. ao contrário do que existira em 1958. regulados pela Convenção de Montreux de 20 de julho de 1936. bem como do artigo que versa sobre as atividades de investigação e levantamento hidrográficos (art. transformadas em braços do mar. Suez e Panamá. em última análise. e a extensãn fnr cmnPrinr a 7d milhac havará mma faixa ria altn-mar 270 Manual de Direito Intcrnacional Público entre os dois mares territoriais muito embora seja lícito indagar se em tal caso a área possa ser considerada um estreito e não simplesmente o alto-mar. da eqüidistância. ou seja. pois a regra das 12 milhas atingiria uns 100 estreitos. dentro de um package deal. os canais de Corinto. o empenho das potências marítimas foi o de conciliá-lo com um regime capaz de permitir a passagem pelos estreitos. as suas águas passarão a ser águas interiores. haverá duas faixas de mar territorial. e o estreito de Gibraltar. aplicáveis a todos os Estados. aplicando-se. Coube ao Reino Unido a tentativa de conciliar as posições ao propor um direito de passagem e a obrigação dos navios de se conformarem com regras que visassem à segurança e à defesa do meio marinho. como é o caso dos estreitos turcos do Bósforo e dos Dardanelos. pois a mobilidade de suas forças foi tida como a principal prioridade norte-americana na Conferência. A união. Na hipótese de as margens pertencerem a Estados distintos. Para os Estados Unidos. que estipula que o ribeirinho pode designar rotas marítimas e um sistema de sepáração de tráfego a ser utilizado para a navegação internacional. qualquer acordo quanto às 12 milhas de mar territorial estaria condicionado a um direito de passagem de alto-mar. O empenho dos Estados ribeirinhos de estreitos de criar um status específico resultou na adoção de artigos supérfluos. neste sentido. ou seja. segundo o artigo 38. Com efeito. Acham-se sujeitos à soberania do Estado cujo território é atravessado. A Convenção reconhece o direito soberano e ajurisdição do Estado ribeirinho sobre os estreitos. regulamentado por um tratado de 1881 entre a Argentina e o Chile. que. o princípio da linha mediana. podem ser mencionados quatro. o leito e o subsolo. seu espaço aéreo sobrejacente. Ao direito internacional só interessam os canais utilizados na navegação internacional e. fez com que a Conferência desse uma importância especial aos estreitos.

Cedo o Panamá passou a manifestar a sua inconformidade com as condições da concessão. o Panamá readquiriu a sua soberania sobre a zona do Canal. Accioly . voltou a pressionar a Grã-Bretanha e. Depois da primeira guerra mundial o canal foi aberto. Ao passo que o Governo do Panamá alegava que não houvera transferência de soberania em 1903. além de reconhecer oue. Aos poucos os Estados Unidos foram consolidando a sua intluência na zona. acabou por nacionalizar o Canal. e os Estados Unidos se comprometeram a pagar diversas contribuições financeiras. a Estrada de ferro do Panamá lhe foi entregue. a perfuração de um canal no istmo do Panamá. que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho via Nilo. 1982. O sucesso de Ferdinand de Lesseps fez com que o seu nome passasse a ser cogitado para outro empreendimento difícil.sileira de E. que nunca se conformara com a perda do Canal. Para os Estados Unidos a abertura do Canal tinha ainda a importância estratégica e comercial. onde o ingresso de panamenhos era controlado. p. A verdade é que a Companhia do Canal. pois tornaria o acesso às costas do Pacífico uma realidade.studn. ou seja. inclusive os portos de Cristóbal e de Balboa. em 31 de de . e o Canal foi aberto à navegação em 1914. 183 . p. e passaram a ocupar uma faixa ao longo do Canal com o estabelecimento de tropas e de fortitïcações.s. Em 1964. com validade de 99 anos. Direito do mar. em 7 de setembro de 1977. 55.sohre o mar territorial: A. 197.emhrn de 272 Manual de Direito Internacional Público 1999. Nos termos da Convenção de Constantinopla de 1888.fo de Corinto e o de Egina e aberto à navegação de todos os países. a ponto de exigir para os cônsules estrangeiros o exequntur do Governo de Washington. Brownlie. durante a administração do Presidente Jimmy Carter. melhorou consideravelmente. tendo em vista a terminação da concessão em 1965. n. a navegação só era permitida mediante autorização especial. entregue a funcionários egípcios. O Egito. Cançado Trindade. aos navios de países em paz com a Alemanha. Revista Bra. o Secretário de Estado norte-americano rejeitou peremptoriamente no ano seguinte esta interpretação. nos termos do Tratado de Versalhes.2. que. mas o que se verificou foi que a administração. foi construído pelo Engenheiro francês Ferdinand de Lesseps em virtude de uma concessão de 1 854. mediante o pagamento de uma indenização aos acionistas em base à cotação das ações da véspera da bolsa de Paris. O Governo egípcio foi muito criticado na época. entre o Báltico e o Mar do Norte. O Canal de Suez. p. Biblingrafia . foi construído com finalidade estratégica. preferindo fazê-lo em outros negócios mais lucrativos. tïcou assegurada a liberdade de naveQação em temno de naz e de tierQuarta Parte 271 ra. e dúvidas foram levantadas sobre a sua eventual capacidade de administrar o Canal. deixara de investir nele. ou seja. o Governo dos Estados Unidos acedeu em negociar novo acordo sobre o Canal. até 1965. Competencia del Estado riberino sobre los ámbitos geo- . que seria substituída por outra de 1956. contudo. só se tornou realidade treze anos depois. Nos termos dos dois tratados firmados. o Canal e todas as suas instalações serão entregues definitivamente ao Panamá. o que não impediu a Grã-Bretanha de fechá-lo durante a primeira e a segunda guerra mundial. e.s Político. A. O Canal acabou sendo adquirido pela Grã-Bretanha. A concessão foi dada em 1903 para um período de 100 anos. Calixto Armas Barea. Indicações para a fixação dos limites laterais marinhos. como tal. 89. em 1956. que inicialmente fora contrária à iniciativa. o Canal de Kiel.

Rio de Janeiro. UNESCO. p. Baxter. La nationalization du Canal de Suez et le droit international. 51. 277. Manchester.sta Bra. que. 169. D. p. Pastor Ridruejo. Revi. 1952. O problema do mar territorial. Anuúrio clel IHLADI.sta Brasileira de Política Exterinr. 1947. p. 743. Shigeru Oda.l. Meira Mattos. T. Argentina y los aspectos actuales del derecho del mar.gráficos comprendidos en el mar territorial. 491 . H. W. 1966 . A deeisão argentina tin ha ainda importância política.sil. The law of international waterways. 356. Vicente Marotta Rangel. Capítulo 4 ZONA ECONÕMICA EXCLUSIVA Uma das principais inovações da Convenção sobre o Direito do Mar de 1982 foi a adoção da agura da Zona Econômica Exclusiva (ZEE). Estava criado o antecedente. e a iniciativa norte-americ ana foi imediatamente seguida por aqueles cujas indústrias pesqueiras sofr iam as mesmas dificuldades. 541 . The adjacent seas. Lee. 1965. D. p. 341. p. 1970. Um canal cheio de problemas. Boletim. 1987. 1971. p. Bruel. 1973. Boletini. Revi. R.sea. 77. 1966. AJIL. Ernesto Rey Caro. p. Regulamentação do mar territorial brasileiro. H. in Prohlema. Díez . segundo o qual os direitos e a jurisdição do Esta do costeiro e os direitos e as liberdades dos demais Estados são regi dos pelas disposições pertinentes da presente Convenção". Mello. La mer territoriale dans 1'Atla ntique Sud-Américain. mas nunca além de 350 milhas. A largura da ZEE "não se estenderá além de 200 milhas marítimas" (art. p. The law of the Sea Convention and Third States. Jornal do Bra. p. em 24 de janeiro de 1946. 739. in International law: achievements and pro. Rezek . Rousseau . AJIL. Mass. v. v. F. Bowett. em 1946 pelo Presidente dos Estados Unidos de estender unilatera l'. Stephen Rosenfeld.4. 87. G. 1 18. p. 15 1 . p. AJIL. declarou que pertencia à soberania da Nação o mar epicontinental e a plataforma eontinental. 3. 23 nov. The law of the seas. 307. Carlos Calero Rodrigues.sociación Argentina de Derecho Internacional. New York. a começar com a Argentina. 51.. Zhang. Mar territorial e problemas correlatos. Celso de A. sujeita ao regime jurídico estabel ecido na presente Parte. London. International lave. AFDI. 124. Huang. Valladão. O'Connell. Russomano. R. Colombos. visto que o mar epicontinental abrangia as Ilhas Malvinas. definida no artigo 55 como "uma zona situada além do mar territorial e a este adjacente. Z. p. p.-jun. 77.2. mar. set. abr. mente a jurisdição de seu país além do mar territorial. 496.s Brasileiros. idem. Luke T. p. 1975. 1970. of the . 1967. 850 (coletânea). 367. Marcello Raffaeli. A figura da ZEE resulta em última análise da Proclamação feita . The influence of law on sea power.sileira de Política Exterinr. AFDI. 57). International straits . visando à proteção da pesca. p. 1973. As decisões que tiveram a maior repercussão foram as do Peru . p. 1975. Mar territorial. p. 5. Limites do mar territorial. Dupuy. The Suez Canal question. 1964. Gros Espiel. v. 1983. p. mas a própria Convenção prevê o direito do Estado costeiro de ampliar tal limite na hipótese de a respectiva plataforma continen tal se estender além das 200 milhas. H. 13. 1981.spects. p. in A. 1956. Fisheries under the United Nations Convention on the Law of the Sea. p. p. Scelle. Mar territorial e direito de pesca. Cambridge. 276. P.

A extensão do mar territorial a 200 milhas foi motivo de dificuldade nas negociações que resultaram na Convenção de 1982.. O Brasil hesitou seguir o exemplo dos demais países latino-americanos.mmc umas 1 nu mtlnas de suas costas. Foi ainda necessário conseguir o apoio de outros grupos. pois os direitos p4eiteados variavam. como o foi a declaração quanto ao solo e subsolo do leito do mar diante da adoção.. Os três países assinaram em 1 95? duatro acordos.. a começar com as mais ambiciosas. dur lnte a Conferência sobre o Direito do Mar. A decisão dos três países do Pacífico e o apresamento Chile e Equador.. os países arquipelágicos e os países de estreitos negociararn o seu apoio à tese das 200 milhas. de acordo com critérios geográficos e geolóicos". O Embaixador L.rrrr da Hirmar ic acle. nos termos da qual reivindicaram soberania exclusiva e jurisdição sobre o mar adjacente às suas costas. a passagem inocente. Aus- .snhvrania e· juri. da Declaração de Montevidéu sobre o Direito do Mar. até uma distância de 200 milhas. em que pela primeira vez se procurou definir um denominador comum das posições dos diferentes n: ís I rl.A. as 100 miIhas junto à costa seriam reservadas às embarcações nacionais. jn sobre a zona marítima. Iniciadas as negociações que resultariam na Convenção de 1982. ?7:1 Manual Jr Direito Intcrnacional Pí blico l. :"" .. e.. o problema de mais difícil solução. mas potencialmente interessados. o direito do Estado costeiro de dispor dos recursos naturais do mar adjacente às suas costas e o de estabelecer os limites de sua . que reivindicaram direitos de pesca até uma distância de 200 milhas. como princípio básico do direito do mar. A. 1 . na zona de 200 milhas. A situação dos três países era peculiar.098. Ainda reticentes. Noruega. Posteriorlnente. O Decreto-lei ainda estipulava que "a soberania do Brasil se estende ao leito e ao subsolo deste mar". n7aS n 10 teVe 21 meI101' llCeltaç l0. em rnaio de 1970. em ta) sentido. ficou decidido que. previa-se que a questão das 200 milhas seria. podendo o governo autorizar a pesca por embarcações estrangeiras nas outras 100 milhas. eram alguns países do mundo desenvolvido cujos interesses marítimos se concentravam naturalmente nas áreas marítimas mais próximas a seus litorais (Islândia.sdiçãn rmrítinra. Na ocasião. como a brasileira. dentre os quais a Dec'loraçnn do .s. juntamente com a exploração dos fundos marinhos. Em 1958. de que tais reeursos representavam o Patrirnn rin Cn rn. isto é. isto é. tal como define a legislação brasileira". que até então haviam ampliado unilateralmente seus direitos no mur. a tese das 200 milhas foi apresentada como solução ptll'a a queSt lO dLl de111111taç l0 d0 m ll' teI'1'it01'l ll. com o apoio incondicional do Brasil. favorável ao reconhecimento da soberania do Estado ribeirinho. pois a sua naera Pra raali arla nrinrinalmanta no rir r rranta maritima a 1-Tmmt nÍrÍi de navios pesqlle¡1-os estrangeiros que invadiram l lOna foram causa dC Illlllnel'aS 1'eC12llllaçÕeS e pl'OteStOv Intel'nliclOn llS.-a. mas em 28 de março de 1970 foi baixado o Decreto-lei n. segundo o qual "o mar territorial do Brasil abrange uma faixa de 200 (duzentas) milhas marítimas em largura". o Brasil registrou o seu entendimento de que "a llbel'dade de naVegaçã0 que al Se menClOna é aqllela qlle Se admlte n0 mar territorial. Uma das primeiras preocupações das delegações latino-americanas foi a de uniformizar as suas posições.. sem acesso ao mar. A Declaração proclama. os chamados países mediterrâneos.Santin.. de Araújo Castro lembra que "importante passo foi dado com a aprovação.. Canadá. realizada em Genebra.

visando l llllla exploração racional dos recursos naturais do rnar. a exploração e o aproveitamento da zona para fins econômicos. "de promover o objetivo da utilização ótima de tais espécies" (art. O perito brasileiro teve ensejo de explicar a posição que vinha sendo adotada na América Latina. delegado do Quênia. como o reconhecimento do direito de passagem inocente. por meio de medidas apropriadas. a começar com a obrigação do Estado costeiro de fixar as capturas permissíveis e. Os países ditos tradicionalistas cedo compreenderam a inutilidade de lutar e se contentaram em obter uma série de concessões na ZEE. No fundo. A importância dada pela Convenção sobre o Direito do Mar à pesca na ZEE pode ser aquilatada pela extensão dos artigos que dela tratam. que contou com a aceitação imediata dos participantes.trália e Nova Zelândia). além do mar territorial. 61. Para tanto. a que já nos referimos. estatísticas de captura etc. em agosto de 1972. restabelecer as populações das espécies capturadas aos níveis tidos como ótimos. investigação científica marinha e proteção e preservação do meio marinho. uma zona econômica. das correntes e dos ventos. mas sobretudo que seja obtido "o máximo rendimento constante": (art.jenga. Em conseqüência. sejam elas sub-regionais. Na aplicação das medidas citadas. rP r" . como a produção de energia a partir da água. 64). ficou decidido que "os Estados africanos têm o direito de constituir. É nesta parte que a Convenção se ocupa dos anádromos e catádromos. Em julho de 1972 fora realizado um Seminário sobre o Direito do Mar. à preservação desses recursos em benefício primordial de seus povos c à de suas respectivas economias tendo em vista a preservação e a luta contra a poluição". O apoio dos países africanos foi importante neste sentido. que convidou especialistas de diversos países. e a comunicar as informações científicas disponíveis. em base a considerações ecológicas e econômicas. com a colaboraçâo da Fundação Carnegie. bem como das espécies sedentárias e das espécies altamente migratórias. onde gozarão de jurisdição exclusiva para fins de controle e de regulamentação. Francis X. 3). tomou a iniciativa de apresentar formalmente ao Comitê Preparatório da Conl erência 276 Manual de Direito Internacional Público Graças a todos estes trabalhos preparatórios foi possível impedir que os países que dispunham dos meios tïnanceiros e tecnológicos conseguissem uma regulamentação capaz de permitir pilhagem dos recursos renováveis e não-renováveis do mar. que havia participado desse encontro. N.ra Quarta Parte 277 preocupação com a pesca excessiva das espécies altamente migrató- . regionais ou mundiais. instalações e estruturas. evitar o excesso de captura. O artigo 56 da Convenção reconhece os direitos de soberania do Estado costeiro para fins de exploração dos recursos naturais. a preocupação dos autores da Convenção era a eliminação da probreza e a busca de soluções visando a diminuir a escassez de alimentos produzidos quer em terra quer no mar. Atualmenre eX. o Estado deve ter em conta as necessidades das comunidades costeiras que vivem da pesca e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento. na República dos Camarões. com o objetivo de orientar os representantes africanos sobre a evolução da matéria em outros continentes. do mar. em Yaoundê. O objetivo da Convenção é o de garantir não só a conservação das espécies. bem como ajurisdição no tocante à colocação e utilizaçáo de ilhas artifïciais. por intermédio de organizações internacionais competentes. Este posicionamento foi endossado pela Organização da Unidade Africana e. vivos ou não-vivos. a Convenção prevê uma série de medidas.

sine Ec. Rousseau . de conformidade com os artigos pertinentes da Conferência.I . ?75. Charney. v. 303. Droit de la mer. v. E. mas o direito internacional dela não se ocu- . E. apresado em novembro de 1992 por uma corveta da Marinha brasileira. em conseqüência.sj.s. Goldie.ril e n norn direito cln ntur .sh stock. com o esgotamento da pesca naquela zona. v. Jonathan 1.rnnr tc rritnriul o Zonu Ec. in Le droit intc rnatiortcrl à l'lmure de . ou seja. IN77.sire Ernnnrnio Znne. Tlu: Exclo.sire Ecnnomic Znne o/airn. quando lançava espinhéis ao longo de 50 milhas. p. Relat<írio submetido à International Law Association. v. 1986. in IZCADI. com ênfase no bacalhau e no hadoque. Shi` eru Oda. The contribution of Equidistance to Geographical Equite in the Interrelateci Dumain of the Continental Shelf and the Exclusive Economic Zone. Manual de Uircito Internacional Público 1986-I11. v. Lwr of the . ora o alto-mar. onde contam com proteção. é exemplificativo. 55.siru. principalmente pelas transonai. Brasília. para o Brasil há um interesse especial. F. Boulder.s. p. p. oncimic. Robert Smith. ?. in RCADI. 1989. v.rolu. c1e Araújo Castro. Localizado a 180 milhas do litoral do Rio Grande do Norte.. p.s que a Conferência do Rio em 1992 incluiu na Agenda 21 ( pará rnfó 1752. e) recomendação no sentido de ser convocada uma Conferência visando à implementação da Convenção sobre o Direito do Mar sobre as populações transzonais e as espécies altamente migratórias.fi. L. realizada em Nova York de 14 a 31 de março. toda a carga foi confiscada e o navio teve que pagar pesada multa.straddling .spec tire. mas que ficou na dependência de aceitação pelo Japão e pela Coréia do Sul. Na Conferência sobre espécies transzonais e das espécies altamente migratórias.s onni. O caso do pesqueiro Chyvo Maru.su ondi outiort (otmle.rc lu. Tln: E. Law of the seu. p. Settlement ol fisheries disputes in the Exclusive Economic Zeme. os pesqueiros estão deslocando-se para o Atlântico Sul. 1987. J. ?. brea king the deadlock. abr. idem. BihlinKrufiu: Díez . 349. Shab tal Rusene. Colorado. p. 89. ??3. A. Levado à base naval. v. 377. A Assembléia Geral das Nações. I. 199.4. os técnicos identificaram uma carga de 75 toneladas de peixes. Na parte preambular da resolução. foi elaborado um texto que busca dar solução aos principais problemas. onnmic Zone: u Lutin Amerioan ¡mr-. Embora a Conferência tivesse por objetivo a pesca no Mar do Norte. cabendo à primeira a sua organização e à segunda (19 a 30-7-1993) o estudo das questões substantivas e a programação futura. Tullio Trev es.9J. Relatório da sessão de Mcmtreal cle 198?. n A(f rir. 1979. 455. I.s o n I'honneur cle IZobc:rtn A ·O).rias. que ora freqüentam a ZEE. 9. Dupuy e Daniel Vignes. p. Foi tendo em vista a ameaça a estas espécies tran. O Bru. R. 1990-IV. Milano. u E. Capítulo 5 PLATAFORMA CONTINENTAL A existência de uma plataforma continental era conhecida de há muito geograficamente. em busca do atum que freqüente a ZEE brasileira e o alto-mar defronte dela. p. 349. e lembra a responsabilidade dos Estados de cooperarem. . 610. in Hõrei. Francisco Orrego Vicuna. p. La Zone Économique Exclusive: ré ime et nature iuridique dans le droit international. 1954.seu. 73. bem como grande quantidade de barbatana e indícios de que muitos cações de qualidade inferior foram jogados ao mar depois de retiradas as barbatanas. ?30.aclu. Dorclrecht. a Assembléia manifesta a sua grande preocupação com a pesca excessiva no altomar das duas espécies e os efeitos negativos nos recursos da ZEE. p. decidiu realizar duas Conferências em Nova York.s (chamadas em inglês .

a.. Surgia. . daí caindo. alegava a idéia do cuidado da própria proteção. A este argumento poderíamos.. em muitos casos. conciliar tanto quanto possível a manutenção dessa liberdade com a do aproveitamento dos mencionaJ. . a pretensão americana baseava-se em que "a plataforma continental pode ser considerada como uma extensão da massa terrestre do país ribeirinho e como formando parte dela. uma dificuldade a esse respeito.. em termos de interesse nacional e interesse internacional. aproximadamente..... os continentes não baixam abruptamente até as profundezas oceânicas e que. ao contrário... a necessidade de utilização dos recursos naturais das áreas submarinas adjacentes.... .. segundo dizem os geólogos... Como argumento complementar... ser levados a aplicar a observação de Gidel com relação a outro ponto da proclamação norte-americana e dizer que era flo oo . a. os continentes. expressão que apareceu pela primeira vez em documento público oficial nas duas famosas proclamações assinadas pelo Presidente Truman com a data de 28 de setembro de 1945 (uma sobre zonas de conservação de pescarias e a outra sobre recursos naturais da plataforma submarina). de diversos países. mostrando ao mesmo tempo que o progresso científico moderno e a proximidade geográfica tornavam claramente possível essa utilização. A denominação provém especialmente de que.. entre os quais figurou o Brasil. . o governo dos Estados Unidos considerava "os recursos naturais do subsolo e do fundo do mar da plataforma continental abaixo do alto-mar próximo às costas dos Estados Unidos. . subitamente. em muitas regiões. Brierli. não se falava em plataforma continental. naturalmente".. Procurou-se.. dificuldade de ordem jurídica: era o princípio universalmente reconhecido da liberdade dos mares.... e que sobre esta e em seu subsolo existem importantes riquezas naturais suscetíveis de aproveitamento pelo homem. para as profundezas abismais.t oc trv 280 Manual de Direito Internacional Público A primeira manifestação prática internacional nessa direção pode dizer que remonta a um tratado celebrado a 26 de fevereiro de 1942 entre a Grã-Bretanha e a Venezuela. como pertencentes a estes e submetidos à sua jurisdição e controle". Do ponto de vista puramente jurídico..a.. . l. situado entre a ilha de Trinidad e a costa venezuelana... 500 braças ou 600 pés. Foi só então que surgiu a terminologia.. entretanto.J. . porém.. relativamente à utilização dos referidos recursos. existe uma espécie de planície submarina ao longo das costas a qual se inclina natural e gradualmente até grande distância do litoral. conforme definiu o Prof. da doutrina da plataforma continental. Às proclamações do Presidente dos Estados Unidos seguiam-se várias outras declarações análogas..pava.. formando aquilo a que se denominou a plataforma continental ou plataforma submarina. Essa plataforma é.. sobre a partilha da área submarina do golfo de Pária. pois.a.. onde a água pouco profunda se estende a uma distância considerável a partir da terra e depois da qual o leito do mar se precipita a grandes profundidades".. Nesse ato.. visto que a tecnologia não havia ainda alcançado o necessário grau de desenvolvimento. Pesquisas e estudos mostraram que. A proclamação norte-americana havia justificado. "uma formação particular do leito do mar em certas costas.J. . talvez.. muitas vezes. pois. e a tentativa de lhe fornecer uma filosofia.. "que obriga o país ribeirinho a praticar uma estreita vigilância sobre as atividades exercidas diante de suas costas". que se prolonga em declive suave até chegar a uma profundidade de perto de 200 metros ou.".. Para o fim visado. parecem assentar sobre uma espécie de base ou plataforma submersa...

098...o. Argentina. por exemplo. a proclamação do Presidente Truman reconheceu expressamente que "o caráter de alto-mar das águas em cima da plataforma continental e o direito à sua navegação. foram. 2°) a declaração de que "o aproveitamen o e a exploração de produtos ou riquezas naturais" ali encontrados dependem de autorização ou concessão federal. 3°) a declaração de que "continuam em pleno vigor as normas sobre a navegação nas águas sobrepostas à plataforma".r 282 Manual dc Dircito Internacional Pí blico so de que "a plataforma submarina. acrescenta no artigo 2° que "a soberania do Brasil se estende no espaço aéreo acima do mar territorial. 3 ) que. Brasil. Honduras e Salvador. Honduras. por ordem cronológica): Estados Unidos da América. no próprio interesse do mundo inteiro. o. este apresentou as seguintes.r. os seguintes (mais ou menos. Islândia. 1. r . tendo vários Estados daAmérica declarado direitos de soberania ou de domínio e jurisdição sobre as respectivas plataformas submarinas. que foi posteriormente complementado por Decreto de 26 de agosto de 1969.. Cumpre ainda salientar que o Decreto-lei n. Lauterpacht. de 1970. na parte correspondente ao território continental e insular do Brasil. incluíram reivindicações pouco justificáveis em face dos princípios do direito das gentes de então. nos respectivos considerandos: 1 ) "que a plataforma submarina é um verdadeiro território submerso e constitui. Filipinas. o Estado ribeirinho se achará mais diretamente interessado do que qualquer outro. no caso. . que Ihe corresponde. em conseqüência da possibilidade. na parte correspondente a esse território".. . .. Chile. não ficavam de modo algum atingidos pelas medidas adotadas. ilhas Falkland e Equador. formular idêntica declaração"... cada vez maior. Costa Rica.ô . livre e sem impedimento". Muitas das subseqüentes proclamações ou declarações oficiais de outros governos.. .r. Equador.. Como razões em apoio do ato. Em todo caso.rac intPnCac m Quarta Parte 28 1 pelas circunstâncias naturais. . adotado desde os tempos mais longínquos para apoiar todas as reivindicações sobre as águas adjacentes". a plataforma continental. Peru. No Decreto de 1950 se declarou "integrada ao território nacional a plataforma submarina. Não se deve esquecer. o . Paquistão. ou submarina.. Em 1950 o Brasil fixou as suas normas a respeito em Decreto..ho. Honduras Britânicas.o.. da exploração ou do aproveitamento das riquezas naturais ai encontradas". México. "cabe ao governo brasileiro. o . vai ser campo de atividades exnl rarir. com as terras a que é adjacente. especialmente sobre a pesca nessa região". se acha inteárada neste mesmo território. Salvador. Panamá. 4 ) o zelo "pela integridade nacional e pela segurança interna do país". Bahamas e Jamaica. Guatemala. além de outros. e dá outras providências.so f. IW .. que... Bahrein e outros principados do golfo Pérsico. opina que esse princípio representa. "sem prejuízo das que venham a ser estabelecidas...-ofl.. Na parte dispositiva ."o mesmo ponto de vista. Destes. sob jurisdição e domínio exclusivo da União Federal". os cinco seguintes reclamaram uma faixa de 200 milhas de mar territorial: Chile. como o mesmo insigne mestre reconhece. uma só unidade geográfica". Nicarágua. Os países que manifestaram pretensões à plataforma continental. a doutrina da plataforma submarina se justifica pelo princípio da contigüidade. 2 ) que o interesse das declarações dessa natureza "tem avultado. no entanto. para salvaguarda do direito do Brasil sobre a plataforma submarina... Arábia Saudita. Peru. l:. Io. que dispõe sobre a exploração e pesquisa da Plataforma submarina do Brasil nas águas do mar territorial e nas águas interiores. porém. bern como ao leito e subsolo deste mar".. que tixa o mar territorial do Brasil em duzentas milhas. Na opinião de diversos internacionalistas de renome...

então. Seção 1 A Convenção sobre a Plataforma Continental de 1958 A matéria da plataforma continental foi objeto de estudos da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas... .. assim como de qualquer proclamação expressa....". . sendo. por si só. a existência de um interesse superior.. da comunidade internacional.. .in rln rnntrnlP a Wric lla· . não se podendo cogitar de direitos de controle e jurisdição sobre tais águas.. as necessidades econômicas e as exigências da paz internacional"... Em todo caso. a tese da contigüidade.1. desde a sessão que realizou de junho a julho de 1950. Em 1958.. ninguém pode empreender tais atividades. .. em Genebra. os organismos que no período em que podem ser pescados se acham imóveis sobre ou sob o leito do mar. talvez. a aquisição ou incorporação da plataforma necessita de outro fundamento.. A Comissão opinou. para Accioly... l. se o Estado ribeirinho não explora a plataforma continental ou não aproveita os seus recursos naturais.s onrnmuni. ... Seção 2 A plataforma continental na Convenção de 1982 A Convenção sobre a Plataforma Continental de 1958 foi elabor ... nem como re. sem consentimento expresso do Estado ribeirinho. no entanto. que o leito do mar e o subsolo das áreas submarinas em apreço não deviam ser considerados como re. nem reivindicar direitos sobre a plataforma continental.s.. .. 284 Manual de Direito Internacional Público época.. pertencentes às espécies sedentárias. porém. até o ponto em que a profundidade das águas sobrejacentes permita o aproveitamento dos recursos naturais das referidas regiões. tal exercício independente do conceito de ocupação. que são adjacentes às costas das ilhas.."a única solução concordante com a conveniência. e eStaVam SuleltOS W O exercío. será. declarou que as águas acima da plataforma deviam permanecer sob o regime do alto-mar.5 .. mas situada fora do mar territorial.s nulliu.. tais direitos são exclusivos no sentido de que. ou além deste limite. foi assinada uma Convenção sobre Plataforma Continental cujo artigo I ° da Convenção define a expressão "plataforma continental" como sendo: n) o leito do mar e o subsolo das regiões submarinas adjacentes às costas. Além do fato natural. mas os acontecimentos posteriores vieram demonstrar a necessidade de serem revistos alguns de seus artigos. .."a. . uma razão de ordem prática... O mesmo eminente mestre acrescentou. .. não bastaria para justificar a tese da incorporação da plataforma submarina.. C: t.1 ..-. b) o leito do mar e o subsolo das regiões submarinas análogas. A Convenção de 1958 ainda esclarece que o Estado ribeirinho exerce direitos soberanos sobre a plataforma continental para os fins da exploração desta e do aproveitamento de seus recursos naturais.:t. para os fins de sua exploração e aproveitamento..a ". Entretanto... . os direitos do Estado ribeirinho sobre a plataforma continental são independentes da ocupação efetiva ou fictícia. . na exploração e aproveitamento dos recursos nela contidos.: Quarta Parte 283 rinhos. então... . .... ou só podem mover-se em constante contacto físico com o leito do mar ou o subsolo.a .a " . que seria a aquiescência geral. assim como os organismos vivos. até uma profundidade de 200 metros.L.. que ao referido princípio se poderiajuntar o da identidade física e. principalmente o relativo aos limites. Os recursos naturais compreendem os recursos minerais e outros recursos não vivos do leito do mar e do subsolo. isto é..

julgado pela CIJ em 1969 e na qual eram partes os Países-Baixos e a Dinamarca. contudo. A Corte. não acolheu os argumentos submetidos pelos Países-Baixos e pela Dinamarca a favor do sistema da eqüidistância. dentre elas. e a República Federal Alemã. tratando-se do alto-mar. de um lado. escreve: "Em conclusão. nem a tese da distribuição justa e eqüitativa advogada pela República Federal Alemã. às voltas com inúmeros problemas vinculados à pobreza. a não ser no tocante à delimitaçáo da plataforma continental. nem do espaço aéreo situado sobre estas águas. nem perturbar as pesquisas oceanográficas fundamentais. a totalidade das zonas de plataforma continental que constituam o prolongamento natural de seu território sob o mar e não interfiram no prolongamento natural do território da outra parte". c) a exploração da plataforma continental e o aproveitamento de seus recursos naturais não devem perturbar a pesca. em que abordou os últimos avanços tecnológicos em relação à exploração dos mares. as que diziam respeito à plataforma continental. A Corte deveria decidir sobre "quais os princípios e regras de direito internacional aplicáveis à delimitação de áreas da plataforma continental do Mar do Norte que pertencem a países além das fronteiras determinadas pela Convenção de 9 de junho de 1965". Marotta Rangel. por maioria de votos (onze contra seis). e) o Estado ribeirinho deve tomar nas zonas de segurança todas as medidas adequadas para proteger os recursos vivnc rln mar cnntra avPntes nncivns Quarta Parte 285 As regras constantes do artigo 6 da Convenção de 1959. na medida do possível. não ser obrigatório entre as Partes o método de delimitação baseado na eqüidistância. d) o Estado ribeirinho tem o direito de construir ou fazer funcionar sobre a plataforma continental as instalações e outros dispositivos necessários à exploração desta e ao aproveitamento de seus recursos naturais. resumindo a sentença. Tratava-se de países em desenvolvimento. ressalvado o seu direito de tomar medidas razoáveis para a exploração da plataforma continental e o aproveitamento de seus recursos naturais. ou a conservação dos recursos biológicos do mar. concordamos com o juízes que criticaram a deci- . de outro. em sua decisão de 20 de fevereiro de 1969. verificamos que ambas as Convenções reconhecem as seguintes normas: a) os direitos do Estado ribeirinho sobre a plataforma continental não devem prejudicar o regime das águas sobrejacentes. e a revisão das convenções objetivando garantir os direitos dos Estados costeiros sobre as riquezas do mar parecia ser uma das soluções viáveis. a estrutura das Nações Unidas se modificou com o ingresso de inúmeras antigas colônias que não haviam participado da elaboração das convenções de 1958. de ser modificadas diante dos diversos casos surgidos. De um modo geral. atribuindo-se a cada Parte. Assim. bem como o de estabelecer zonas de segurança em torno destas instalações e o de tomar nestas zonas as medidas necessárias à sua proteção. a Corte decidiu. A delimitação deve operar-se por via de acordo. tiveram.Antes de mais nada. as regras substantivas adotadas em 1958 foram tidas como satisfatórias. Pessoalmente. ao tratar da eventual delimitação da plataforma continental. feito em 1967. convém mencionar o Caso da Pdataforma Continental do Mar do Norte. Dentre estes. O pronunciamento de Arvid Pardo. b) o Estado ribeirinho não pode entravar a exploração ou manutenção de cabos ou oleodutos submarinos sobre a plataforma continental. como quejustificou a iniciativa no sentido da revisão das regras sobre o direito do mar e. ou outras pesquisas científicas efetuadas com a intenção de divulgação de seus resultados. e inexistir método único de delimitação obrigatório em todas as circunstâncias.

Para a França. de 1972.. falar em eqüidade como solução significa enredar por um caminho igualmente difícil. impedidos então de reclamar diante da sua subordinação ao Governo de Paris. Mas. . O artigo 85 salienta que as regras sobre a plataforma continental não prejudicam o direito do Estado costeiro de aproveitar o subsolo . Não fosse a atitude brasileira. A discussão. Bibliogrqfïa: Celso de A. Para o Brasil. mas a sua colocação na plataforma continental através das águas territoriais é uma modalidade proibida de alijamento.-. com anterioridade.Anto . A platuforma continental. embora o novo texto se tenha limitado a indicar linhas muito por alto buscando "uma solução eqüitativa". As autoridades francesas alegaram que a pesca predatória não era proibida. quando 0 legislador realiza que as situações que deseja solucionar são tão variadas e tluidas. embora a Convenção de 1958 sobre a Pesca estipulasse que "todo Estado ribeirinho tem interesse especial em manter a produtividade dos recursos biológicos em qualquer parte do alto-mar.l. Posteriormente.. a sentença como que anulou o princípio da eqüidistância previsto pela Convenção sobre a Plataforma Continental de 1958 como solução na ausência de outro critério.. ele se contentará às vezes com algumas ind'scações. desxando ao juiz a sua aplicação em cada caso individual em base à eqüidade. na chamada guerra da lagosta. a Convenção sobre a Plataforma Continental também serviu de pano de fundo. As regras do artigo 6 foram como que esvaziadas pela Convenção de 1982. para as quais não pode elaborar regras exatas. Na discussão com a França em 1962-1963.m.sh) estavam excluídos da definição de "recursos naturais". contudo. . r :. cinco pesqueiros franceses (langoustiers) foram apresados defronte à costa 2A6 Manual cle Dircito Internacional Pííhlico ocorrido.flo"to. o mesmo poderia acabar sucedendo nas águas do Nordeste. lo..o.. segundo a versão brasileira.. a posição francesa era a mais correta diante do direito internacional existente. no caso de aquela se arrastar indefinidamente. a 30 milhas da costa. Convém ainda salientar que. mas atualmente. e a seu favor pode-se invocar o comentário da Comissão de Direito Internacional ao artigo 68 de seu projeto de convenção de que os peixes que vivem no fundo do mar (bottom fi. Mello. a partir de 2 de janeiro de 1962. a expressão visava apenas aos recursos minerais.rrWW iiti· Quarta Parte 287 de das águas no local considerado. . mas. No fundo. adjacente ao seu mar territorial". tendo em vista a evolução da matéria.".. os pescadores francesesjá haviam acabado com a pesca da lagosta defronte do Marrocos e do Senegal.são. a posição brasileira se imporia. a 10. Rio de Janeiro.. girava em torno do artigo da Convenção sobre a Plataforma Continental segundo o qual o Estado costeiro exercerá sobre a plataforma continental direitos soberanos na exploração de seus "recursos naturais".. outros barcos pesqueiros foram apresados além das 12 milhas (então o limite do mar territorial brasileiro). mas. Em suma. É óbvio que a negociação é o caminho ideal para se alcançar uma solução. para as quais o depósito de resíduos radioativos em túneis que se originam em terra é lícito. de acordo com a versão francesa. a expressão deveria incluir a lagosta. Na época. O enfoque genérico das regras da Convenção sobre o Direito do Mar em matéria de delimitação marítima deixa a solução ao arbítrio do juiz. que simplesmente evitou abordar a parte substantiva da questão ao dar ênfase à obrigação das Partes de negociar e ao invocar o princípio da eqüidade. Esta regra tem sido objeto de análise pelas Partes Contratantes à Convenção de Londres sobre Alijamento. dado o seu caráter abstrato.

194. 1950. Boletim. in RCADI. 27. v. Seção 1 A navegação aérea O documento básico em matéria de navegação aérea é a Convenção Internacional sobre Aviação Civil. 791. Díez . Naquela ocasião Paul Fauchille defendeu a tese de que o ar deveria ser livre. o direito internacional era bidimensional. O aproveitamento dos recursos do mar além da jurisdição nacional. ainda durante a segunda guerra mundial. W. Embora as experiências pioneiras de Alberto Santos Dumont tenham aéreo. 84.1. destinado ao primeiro homem a voar por uma rota preestabelecida.1965. Westiake foi favorável ao reconhecimento da soberania do Estado sobre o espaço aéreo. Caubet. 837. p. pois se ocupava apenas de questões vinculadas ao domínio terrestre e ao domínio marítimo. Marotta Rangel. set. p. The roles of equity in the delimitation of maritime boundaries. BYB. v. v. Rozakis. 269. Revi. muito contribuiu a façanha de provar em 12 de julho de 1901 a viabilidade da navegação aérea ao dirigir um balão de hidrogênio ao qual havia adaptado um motor de explosão. com as limitações impostas pelo direito de passagem inocente. Doutrina brasileira sobre a plataforma continental. 1969. Rafael Valentino Sobrinho. Não será exagero afirmar que foi graças a Alberto Santos Dumont que passou a ser tridimensional. 286. p. Santiago de Chile. Revista Bra. Derecho internacional púhlico.. A-D. Boletim. Raymundo Nonato Loyola de Castro. Continental shelf. p. p. p. 1951 . A plataforma continental. 5. 1990. AFDI. Em sua sessão de Gand de 1907. 1985. Christian G. The cnntinental shelf. p. Nelson. não podemos ignorar que já em 1899 foi adotada a Declaração de Haia sobre o uso de balões e outros armamentos semelhantes. p. Em 19 de outubro do mesmo ano. Christos L. Este acontecimento chamou a atenção dos juristas da época. com as modificações adotadas em protocolos adicionais e pela prática .1. La platáforma continental ante el derecho. 286. The continental shelf. a importância cada vez maior dos problemas ligados à navegação aérea e à radiotelegrafia não pode ser ignorada. ou seja.sileira de Política Internacional. T. 136. Mouton. 1978. L. Haia. 1952. Soverei gnty over submarine areas. Seja como for. Quarta Parte 289 Capítulo 6 DOMÍNIO AÉREO Até o fim do século XIX. p. Janusz Symonides. Gilbert Gidel. assinada em Chicago em 7 de dezembro de 1944. o Institut estudou os aspectos jurídicos ligados à navegação aérea e à radiotelegrafia. v. Trèves. in Enciclopedia. sujeito às limitações impostas pela segurança do Estado subjacente. confirmou a sua reputação ao ganhar o Prêmio "Deutsch de La Meurthe". Santiago Benadava. p. na coletânia da UNESCO. La limite extérie ure du plateau continental.sta Brasi leira de Política Internacional. Russomano. p. Le plateau continental dans l a Convention de 1982. 1963. D. circunavegando a Torre Eiffel e voltando ao ponto de partida em menos de trinta minutos. M. mas a prática subseqüente foi a do reconhecimento da soberania do Estado sobre o espaço aéreo sobrejacente. 884. AJIL. 4. 783. p. tanto assim que em 1902 Paul Fauchille submeteu na sessão de Bruxelas do Institut de Droit International um projeto de regulamento sobre o regime jurídico das aeronaves. H. A competição pelos recursos do fundo do mar. Para tanto. Valladolid. M. Ramiro Saraiva Guerreiro. 724. 18. ed. 8. Meira Mattos. 371. Mello . Na ocasião.2. 1989. 1968. p. Lauterpacht. o Institut endossou a posição defendida por Fauchille.

ou os interesses tïscais ou aduaneiros de tal Estado. E que era ao Estado ao qual pertencia o espaço aéreo que competia dizer se a passagem tinha o referido caráter. Três outras grandes convençóes internacionais foram celebradas. praticamente. Parece. judiciária e consultiva. Assim. Seu princípio básico. A mesma liberdade de trânsito inocente foi consignada no artigo 15. porém. que foi concluída por ocasião de uma conferência internacional de aviação civil e tomou a denominação de "Convenção sobre Aviação Civil Internacional". contanto que as condições estabelecidas pela convenção fossem observadas. As duas primeiras muito se aproximavam. dotada de diversas atribuições. constante do artigo l. Ela se ocupava especialmente de interesses puramente continentais. Tinha caráter nitidamente comercial e se preocupava com assegurar a possível uniformidade das leis e regulamentos de todos os Estados contratantes. em virtude do qual toda aeronave de um Estado contratante tinha o direito de atravessar a atmosfera de outro Estado. É verdade. outra. seguir o itinerário fixado pelo Estado sobre o qual se 290 Manual de Direito Internacional Público A convenção não definiu o que fosse passagem inofensiva nem disse a quem caberia determinar esse caráter. em Madri. mas só recebeu pouco mais de meia dúzia de ratificações. estavam representados todos os Estados contratantes.internacional a fim de acompanhar a evolução tecnológica na matéria. do espaço aéreo de um Estado. diferia um pouco mais da de Paris do que a de Madri. A Convenção de Madri. quanto às regras adotadas. porém. é a mais completa Quarta Parte 9 1 . foi de que "as altas partes contratantes reconhecem que cada potência tem a soberania completa e exclusiva sobre o espaço atmosférico situado acima de seu território". depois de Paris: uma. no entanto. que foi. modificada por quatro protocolos. chegou a contar com trinta adesões antes da segunda guerra mundial. exceto o Haiti. A Convenção de Chicago substituiu a Convenção assinada em Paris. legislativa. em Chicago. com a denominação de Comissão Internacional de Navegação Aérea (CINA). devendo. do texto da Convenção de Paris. de natureza administrativa. foi assinada pela Espanha. entretanto. em tempo de paz. às aeronaves dos demais Estados contratantes. a 20 de fevereiro de 1928. e uma terceira. Nessa comissão. por sua vez. a 7 de dezembro de 1944. a vigorar. sem aterrar. que se devia entender por passagem inofensiva a travessia. chamada ibero-americana. primeiro que tudo. colocada sob a autoridade da Liga das Nações. dos países americanos. admitiu restrições a essa "soberania completa e exclusiva". nessa matéria. A Convenção de Paris. A própria convenção. a 1Q de novembro de 1926. que a de Havana. ordem pública. a liberdade de passagem inofensiva acima de seu território". Portugal e todos os Estados latino-americanos. efetuada de acordo com os regulamentos desse Estado e sem a prática de atos que atentassem contra a segurança. em cujo número não figurava o Brasil. em 13 de outubro de 1919. A Convenção de Paris criou. cada Estado contratante se obrigou a "conceder. que serviu de padrão para todo ou quase todos os documentos relativos à navegação aérea. por uma aeronave particular ou comercial. por ocasião da 6 Conferência Internacional Americana. que tomou o título de "Convenção Pan-americana de Aviação Comercial". A Convenção de Chicago. em Havana. não tendo chegado. no que concernia à navegação aérea. uma comissão permanente.

h) cada Estado conserva. A Convenção de Chicago só é aplicável a aeronaves civis. A razão para isto é muito simples: por um lado. não é menos certo que se tem admitido mais facilmente. os princípios correntes de direito internacional são análogos aos que vigoram em matéria de navegação aérea. e os órgãos complementares que possam ser julgados necessários.s relativas à navegação aérea. Em todo caso. cj cada Estado poderá. composta de representantes de todos os Estados contratantes e cujas 292 Manual de Direito Internacional Público to de 21 membros eleitos pela Assembléia. destinada a desenvolver os princípios e a técnica da navegação aérea internacional e incrementar os transportes aéreos internacionais. os princípios gerais mais aceitos nessa matéria são ainda os contidos nurria resolução sobre comunicações radiotelegráficas. Seção 2 Radiotelegrafia Em matéria de radiotelegrafia ou radiotelefonia. como restrição ao exercício desse direito.stnte nircrcrft). Como quer que seja. de ondas emitidas por postos radiotelegráficos ou radiofônicos situados fora do próprio território. se é verdade que a base das soluções aplicadas tem sido o princípio da soberania do Estado. sem prévia autorização deste. proibir permanentemente o sobrevôo de certas áreas de seu território. adotada em 1927 pelo Instituto de Direito Internacional. em virtude de razões militares ou de segurança pública. 2á) o direito de pouso para tïns diferentes do tráfico. a liberdade de trânsito inocente. Sá) o direito de apanhar e deixar passageiros. ao proclamar esta a desnecessidade de autorização prévia para as aeronaves civis de qualquer Estado contratante atravessarem o espaço atmosférico de qualquer dos outros. e que aqui resumimos: a) cada Estado tem o direito de regular o estabelecimento e funcionamento de quaisquer estações radiotele- . muito se discutiram as chamadas cir co liherdncie. Mas esclarece que nenhuma aeronave pública ou aeronave pertencente a Estado (. malas postais e cargas procedentes do país de origem da aeronave. poderá sobrevoar o território de outro Estado contratante.Como as anteriores. essa convenção reconhece que "cada Estado tetn completa e exclusiva soberania sobre o espaço aéreo acima de seu território". sobre o seu território . d) cada Estado poderá reservar a cabotagem aérea às aeronaves nacionais. neste incluindo as águas territoriais adjacentes. A Convenção de Chicago criou a Organização Internacional de Aviação Civil. parece já demonstrado que a simples passagem de ondas hertzianas no espaço aéreo de um Estado não é suscetível de ameaçar o direito de conservação desse Estado. O princípio da travessia inofensiva é reconhecido na mesma convenção. contanto que observem as condições estipuladas na própria convenção. igualmente. bem como o de prescrever certos itinerários. Entre essas condições. 3á) o direito de desembarcar passageiros. Essa organização é constituída por: uma Assembléia. isto é. 4á) o direito de tomar passageiros. por outro lado. o direito de restringir ou suprimir temporariamente os vôos sobre a totalidade ou parte de seu território. o trânsito. aeronave militar ou empregada em serviço de alfândega ou de política. parece que nenhum Estado possui a possibilidade material de impedir. a saber: lá) o direito de passagem inocente. figuram as seguintes: n) cada Estado cujo território é sobrevoado conserva o direito de exigir a aterragem da aeronave que o sobrevoe. em circunstâncias excepcionais ou durante um período de emergência. malas postais e cargas para o país de origem da aeronave. pelos meios normais ao seu alcance. Na conferência de que resultou a Convenção de Chicago.

Goedhuis. c) não tem. de 27 de setembro de 1945.-a m Quarta Partc 293 A conveniência de se adotarem. 1971. 1953.. d) é desejável que os Estados se entendam para que a exploração das estações radiotelegráficas de todos seja organizada com o mínimo possível de inconvenientes. Problemasjurídicos internacionais de telecomunicações. daí a necessidade de uma regulamentação internacional.I . relatório submetido à International Law Association na sessão de Dubrovnik de 1956.gráficas.L. de 9 de novembro de 1932. p. . Díez .so ner-oi. surgindo a União Internacional de Telecomunicações (UTI ou ITU). e a de Atlantic City. Bihlio. de 13 de dezembro de 1937. o Acordo Interamericano de Santiago do Chile. Em 1932. 66. A cooperação no campo da radiotelegrafia surgiu na Conferência de Berlim de 1906. p. a de Washington..J. no seu território. são muito amplos. quando o julgue necessário aos seus interesses essenciais ou exigido pelos seus deveres internacionais. salvo alguma restrição convencional. nova Convenção seria firmada em Atlantic City em 1947. também. Boletinr. Terminada a segunda guerra mundial. . destinadas a estabelecer uma regulamentação suscetível de ser aceita por todos. 81. o direito de se opor à simples passagem de ondas hertzianas sobre o seu território. b) compete-lhe. destinada a regulamentar o emprego da radiodifusão no interesse da paz. por iniciativa e sob os auspícios da Liga das Nações. Os objetivos da organizaçáo. suspender o serviço de radiotelegrafia internacional. Seguiram-se-lhe a de Londres. ou que sejam suscetíveis de perturbar a ordem nuhllCil P fllltrfl FCtalin W r rrar nm ro . Jean Evensen. Tlre linritatirm n/'air. in Frwiolnpolia. Em matéria de comunicações radioelétricas. revisto no Rio de Janeiro em junho de 1937. que remonta a 17 de maio de 1865. de 25 de novembro de 1927. foram já subscritas diversas convenções internacionais radiotelegráficas. p. McNair.. Por ocasião da Conferência de Atlantic City ficou ainda decidida a vinculação da UTI às Naçóes Unidas como organismo especializado. reconhecidas internacionalmente. As ondas hertzianas não respeitam as fronteiras.. I 96. levou os Estados a realizar várias conferências internacionais.yrnlin: A.:I:. de caráter coletivo. regras uniformes. p. devem ser também referidos o Acordo Sul-Americano de Buenos Aires. The law n 'llrc uir. de 9 de julho de 1947.. estas duas organizações se fundiram. de 1935.l. Francis Ruddy. nessa matéria. Bin Cheng. D. . I3nletim.completadas por protocolos ou regulamentos anexos. de 2 de outubro de 1947 . Os problemas internacionais sobr e satélites de comunicação. Por outro lado. 99. dentre elas a concluída em Berlim a 3 de novembro de 1906. quando se assinou em Paris a Convenção que criou a União Telegráfica Internacional. 31 3. com a criação da União Radiotelegráfica Internacional. Neste sentido. deve ser igualmente mencionada a convenção concluída em Genebra a 23 de setembro de 1936.. destinada a atualizar a matéria. . enumerados no artigo 4Q da Convenção. A-D. de 17 de janeiro de 1940. de 5 de julho de 1912.. a de Madri. e) o Estado que permitir emissões radiotelegráficas do seu território que causem graves perturbações nas emissões de outro Estado. entretanto. a Convenção do Rio de Janeiro. a Convenção Interamericana de Havana. p. D. v. Haroldo Valladão. e o Acordo de Washington. 1971. Air law. mtv. London. figurando em primeiro lugar "manter e ampliar a cooperação internacional para a melhoria e o emprego racional de 294 Manual cle Dircito Intcrnacional Pííhlico assistência técnica aos países em desenvolvimento no campo das telecomunicações".

cessão ou prescrição. dependiam quase exclusivamente de bulas pontifícias. parece ter sido a famosa Inter coetera. situadas a cem léguas a oeste dos arquipélagos dos Açores e do Cabo Verde. p. o direito internacional foi buscar no direito romano as diretrizes básicas. Paul de La Pradell e. presentemente. p. Nicolas M. Nos últimos séculos da Idade Média e até o fim do século XV. 77. se exige a reunião de certos elementos para a sua validade. in RCADI. Com a era dos grandes navegadores surgiu o espírito de aventura e o gosto pela conquista de novas terras. Nos modos derivucfo. eorrespondem aos modos de aquisição e mais a secessão. K. em tal sentido. descobertas ou por descobrir. 1954. in RCADI. Les services aériens réguliers. mercê da preponderância exercida no mundo pelo Papado. p. 490. O conceito jurídico da ocupação nem sempre foi o mesmo. O direito romano divide os citados modos em originais e derivados. a respectiva população não tenha organização política ou a sua organização não lhe permita reclamar direito de ocupação anterior. ressalvados os direitos de posse existentes até o dia de Natal do ano anterior. 1994. no caso de um território que passa a adquirir a sua independência. Mello . por um Estado. tluviais ou oceânicas. . Matte. p. neste caso. 286. 296 Manual le Direito Internacional Público Consiste na apropriação. v. v. p. AFDI. ocorre a transmissão de um Estado a outro. a ctce. de Alexandre VI. Capítulo 7 MODOS DE AQUISIÇÃO E DE PERDA DO DOMÍNIO DO ESTADO No estudo dos modos de aquisição e de perda do domínio do Estado. de território não pertencente a nenhum outro Estado. 121 . AJIL. as aquisições de novos territórios.são e a prescriç ão. telecommunications satelite. Os modos de aquisição e de perda do domínio estatal referem-se quase que exclusivamente ao domínio terrestre. L. e começou-se a considerar o simples descobrimento como título suficiente para aquisição de qualquer território. in IX Cur.2. v.sn da Cnrni.s intc rrorúorrale. contanto que. p. Madrid. pela qual foram atribuídas aos reis de Espanha as terras. 603. p. por parte de qualquer outro rei ou príncipe cristão. 1983. Cartou. 1965. Derecho d e las communicaciones espaciales. v. Nos modos originnis. 1956. Renato Ribeiro. 166. in RCADI. p. Se. tanto assim que para Grocius se trata do único modo natural e ori inário.acinne. M.ssão. 989.4.s. como no caso de acessão (avulsão ou deslocamento de rio). 1983. Heilbronner.s. a doutrina menciona a octtpnç ão. 1 19. Rousseau .sãn Jurídica Intc:rarnc rica nn. 1980. Les frontières de 1'air. 471. de 4 de maio de 1493. Aerospace law. I I5. Freedom of the air and the Convention on the Law of the Sea. Entre os modos de aquisição.s orgnni. a ces.Aspects of international law relatíng to nu dern radio communication. ou seja. teríamos a ocupação e a acessão no caso de aluvião ou formação de ilhas. houve épocas em que as regras seguidas eram muito mais simples.s de aquisição. Díez de Medina. Seção 1 A ocupação A ocupação foi e lem sido modo mais freqüente de aquisição de domínio. 294. a última das quais. ainda que tal território seja habitado. 86. La. Quanto aos modos de percla do clotrtíriio. Em tal sentido. a aquisição do domínio se verifica em bens que não pertenciam a outro Estado.

Mais tarde. não constitui propriamente a dita figura jurídica. as seguintes: 1 á) que a ocupação se tenha aplicado a um território considerado como res r ullius. substituído pelo da ocupação efetiva. ou 29 Manual dc Direito Internaciunal Pí blico seja. apesar de algumas opiniões divergentes. advogado do Brasil na questão da fronteira com a Guiana Britânica. à qual se considerou necessário unir a manifestação da vontade de possuir o território. além da prioridade do descobrimento. podem ser consideradas como condições essenciais para que a ocupação seja tida como legítima. A segunda condição para a validade da ocupação é. enquanto se pode presumir razoavelmente que o dono do território tem a vontade e a capacidade de o retomar. eventualmente. e para o Estado. isto é. julgamos que. no momento. convém precisar que o simples fato material da retirada momentânea do território. nas costas do continente africano. A terceira condição é a posse real e efetiva. Assim. indicada por algum sinal externo: uma cruz. de 1885. a contar de meados do século XVI. E Joaquim Nabuco. A teoria da efetividade da posse foi consagrada pelo Ato Geral da Conferência de Berlim. Quanto ao abandono ou derelictio. os princípios hoje vigentesjá são diferentes. isto é. e. no território ocupado. Parece-nos que a efetividade deve compreender: o fhctum ou corpus. uma autoridade capaz de assegurar o respeito aos direitos adquiridos e. b) os que são habitados por tribos selvagens e não possuem autoridade ou organização de espécie alguma. por mais rudimentar que seja. o fato material da totnada de posse do território e sua retenção. Na categoria de res nulliu. em nome de um Estado. de acordo com a doutrina mais corrente. ou em nome de um Estado. e o animus. ainda não foram objeto de apropriação. Mas parece incontestável que suas regras eram a expressão do direito internacional da época. Muitos outros. um marco. por parte de qualquer das potências contratantes. a intenção do Estado ocupante de considerar tal território como seu. Alguns autores pretendem que se acrescente a essas condições a da notificação oficial aos demais Estados. portanto. sendo de formação recente. Entretanto. 2 ) que tenha havido tomada de posse desse território. com o intuito de o conservar sob seu domínio e de exercer sobre ele poderes de fato. consideram dispensável tal notificação. Esse sistema de simples ocupação nominal foi. não faz cessar a posse. b) a potência ocupante deverá manter. cmr c nrinW nir. Realmente. a ocupação será real e efetiva quando o Estado tenha tomado posse fisicamente do território. deverá ser notificada às demais. . pois só o Estado pode exercer direitos soberanos. isto é.c Quarta Parte 297 Pode alegar-se que o Ato Geral de Berlim só se referia ao continente africano e vigorava apenas nas relações entre as potências contratantes. correspondentes ao exercício da soberania. em 1888. passou a ser julgada necessária a tomada de posse.s figuram: u) os territórios que se têm conservado absolutamente desertos ou que. que a posse do território tenha sido tomada por agentes de um Estado. o Instituto de Direito Internacional recomendava a aanPralir:w:m rlPccrc n. Dele constavam as seguintes regras: a) toda futura ocupação. náo pertencesse a nenhum Estado civilizado. c) os completamente abandonados por seus antigos donos. Poucos anos depois. sem a intenção de renunciar à soberania sobre o mesmo. porém. uma bandeira. que. conforme vimos. 3á) que a posse tenha sido real e efetiva. Esta exigência é natural. sustentou que "a notoriedade equivale à notificação". a liberdade do comércio e do trânsito. ulteriormente.

a da . por si só.Uma das primeiras fontes de divergências. Assim. contudo. que tal ocupação não poderá ser considerada efetiva sobre pontos do território já ocupados por outro ou outros Estados.st utciu. isto é. pode admitir-se que a tomada de posse efetiva de um ponto ou de uma parte de um território é eticaz para estender a soberania a todas as terras que sejam a dependência natural dos lugares ocupados e sobre os quais a autoridade do Estado ocupante se possa fazer sentir materialmente. lrcífïca. enfim. dos lugares da mesma região englobados Quarta Parte 299 Outras teorias têm surgido sobre o mesmo assunto. que se encontram na circunvizinhança. que demonstrem a existência de um interesse constante pelo território. não se tem julgado indispensável que o poder do Estado ocupante de um território se exerça. que é a de uma zona que. pelas freqüentes visitas ao mesmo. A teoria da hinterland faz legítimo o prolongamento. A esse respeito. Este título caducará. na outra. Isto é. Mas não é destituído de importãncia.yüidcrde. sobre todo este. não é destituída de fundamento. lüidnde. por parte de outro Estado.nna hiclro. a linha divisória entre estes deve ser traçada entre os últimos postos ocupados de cada lado. Realmente. por atos. a ocupação efetiva de uma costa marítima determina a soberania do Estado ocupante sobre todo o território situado entre a dita costa e a linha de partilha das águas de todos os rios que na mesma se lançam. desde logo. com . a ocupação efetiva da embocadura de um rio basta para submeter à soberania do Estado ocupante toda a região banhada por esse rio e seus atluentes. A teoria da zona hidro ráficn apresenta duas modalidades: numa. no tocante à ocupação. por exemplo. É evidente. Está claro que essa et icácia deixará de existir ante a ocupação anterior ou sirnultãnea. um título em vias de formação ou título temporário. a da nteici di. fundando-se na idéia da crrtidnde en lrcífïon.O simples descobrimento não tem essa signitïcação. a determinação da área a que se deve estender a ocupação de um ponto ou de certa parte de um território. De acordo com o princípio da efetividade da ocupação. pode ser considerada como um todo. pelos seus acidentes naturais ou geográficos. a do hirtterlond. dentro de prazo razoável. Essa teoria poderia conduzir aos maiores abusos e foi condenada no laudo arbitral de 4 de abril de 1928. Primeiro que tudo. de uma ocupação efetuada na costa. especialmente em sua primeira modalidade. esta só deverá alcançar o território efetivamente ocupado. Ambas as modalidades têm sido invocadas muitas vezes e podem alegar em seu favor precedentes respeitáveis. quando dois Estados se acham estabelecidos sobre uma costa e é incerta a extensão lateral dos respectivos territórios. é inegável que um rio. tem sido a determinação da área por esta alcançada. A intenção de se tornar dono do território pode ser manifestada por sinais materiais ali deixados. Na da cwnti. de que se serviam Estados europeus para se apropriarem de vastas extensões do continente africano. um i lchonte title. É evidentemente arbitrária. para o interior. Na prática. sobre a ilha de Palmas. Áreü alcnnçc da heln ocupnçvn .stâricia sustenta que. Essa teoria. Foi posta em prática mais de uma vez como excelente pretexto. A teoria da rrieia di. Entre outras. a oeupação efetiva de parte de um território justifica a soberania do Estado ocupante sobre todas as terras sem dono. algumas regras têm sido sugeridas. se não for seguido de posse efetiva. fortalece um título baseado na ocupação e fornece. entretanto. a da wunü.

como que adquire um inchnate title sobre todo ele. restringir a teoria a termos razoáveis. é natural que o possuidor de um rio possua . Em regra. na face voltada para o oceano. Esta última pode ser voluntária ou involuntária. e no mesmo se estabelece.seus at7uentes e subafluentes. produzida por mãos humanas. . o território do Estado a que este pertence é acrescido. e tra- . apenas. todo Estado pode ceder parte de seu território. doação ou cessão gratuita. É doutrina corrente que um Estado sob a suserania ou protetorado de outro não tem o direito de alienar parte alguma do seu território sem o consentimento do Estado suserano ou protetor.. porém. mas. Em princípio. formado por depósitos e aterros naturais. Exemplos desta espécie são os diques. por ação dos rios ou do mar. em conseqüência de fenômeno natural. os quebra-mares etc. .são artificial.ct fir o r. não pode ser cedido sem o litoral. Assim por exemplo. ou até a totalidade. a simples posse da l oz de um rio cuja extensão seja consi. modificação. . Ao contrário da aluvião que é produzida por um processo lento e gradual. Finalmente.r. aquisiÇão de tevritório. . às vezes. . que desaparece nas águas ou se reúne. Relativamente ao ahundnrm dn leitci p r unt rie cnntí uo. aquele que primeiro penetra num rio. IVo primeiro caso. já vimos que esse fato pode det?r1T1111ar 51(111lSirãn rjP tarritivriri rvara mm L .. forma o que se poderá denominar uma unidade geográtïca. admite-se a existência de uma aces. construídos ao longo da costa marítima de um Estado. quer por troca (acordo de 1 1 de fevereiro de 1874. formação de ilhas e abandono do leito por um rio. pelo qual foi sancionada a permuta de territórios à direita e à esquerda de uma linha geodésica. em geral.. A ncessão naturnl pode ocorrer por qualquer das quatro formas seguintes: aluvião. porque tal mar deverá. entretanto. A história diplomática do Brasil oferece alguns exemplos de cessões. O mar territorial. .s. entretanto.. por agregação ou superposição. a posse do rio poderá tornar-se precária e sua plena utilização encontrará dificuldades.. então. a outro Estado. A aluvião é o acréscimo insensível ou quase imperceptível. Manual de Dircito Internacional Púhlico pelas suas águas.". é obra da natureza. Depois. C cmvém.. Quarta Parte 301 Seção 3 A cessão A cessão de território é a transferência formal da soberania sobre esse território. sendo-lhes aplicável o princípio de que a coisa acrescida segue a sorte da coisa principal. a nova formação não determina. à margem de um rio ou à beira-mar.. venda. . .. na antiga fronteira comum. a avul. de um Estado a outro.são consiste num fato súbito e violento. Seção 2 A acessão A acessão consiste no acréscimo de território deterrninado por um fato natural: geralmente.-rl. provocado por força natural impetuósa e que tem como conseqüência o desprendimento de uma porção de terra.. . Forças naturais produzem. a outras terras. porém. porque constitui dependência inseparáve) deste último. . . A cessão pode apresentar-se sob as formas de troca. Da mesma forma. Por extensão. a fòrmaç ro de ilha.o.. o Estado ocupante da foz de um rio ou da costa em que o mesmo desemboca não tem o direito de estender sua soberania a pontos do tal rio nos quais outro ou outros Estados já se tenham estabelecido. em rios ou nos mares. Se. ser medido a partir da praia da nova ilha. avulsão. propriamente. entre o Brasil e o Peru. a ilha surge num mar territorial.ts águas que aÍimentam a corrente deste: sem os tributários. As regras que a regem derivam do direito civil.

tado de limites entre o Brasil e a Bolívia. Quarta Parte 303 A condição segundo a qual a posse deve apresentar-se como exercício de soberania própria signitica que o possuidor atual deve proceder como se fosse o verdadeiro soberano. de 17 de novembro de 1903. não serájusto que uma ocupação não efetiva forneça título contra o dito soberano. Essa idéia teve várias aplicações. pois. individualmen302 Manual lc Uircito fnternaciunal Nííhlicu aquela a que prefiram pertencer. reunida em Montevidéu. em favor da idéia de que nenhuma cessão de território deve ser válida sem que a respectiva população tenha. pois dizem remontar. em caso de cessão territorial o sistema de opção. ao Uruguai. não se poderá alegar que tenha havido consentimento tácito. Embora não se ache precisamente regulada no direito das gentes. se um Estado ocupa e administra um território. mediante plebi. de 1919. a pre. no primeiro. na Europa. A primeira condição indicada é naturalíssima. de uma parte da lagoa Mirim e outra do rio Jaguarão (com algumas ilhas e ilhotas). mas como simples particular ou como mandatário de outro ou outros Estados. 3á) deve ser pacífica e ininterrupta. 4á) deve durar por prazo suficiente para que se possa resumir o consentimento tácito do antigo soberano. por um prazo suficientemente longo para que se possa presumir a renúncia tácita do antigo soberano. Esse chamado direito cle pçüu bastante antigo.scito. portanto. é princípio corrente que os mesmos nada devem sofrer com a mudança de soberania. a necessidade da criação de uma ordem estável. desde a aludida época. Em todo caso. ininterrupto e pacífico da soberania territorial sobre esse território. Ao sistema plebiscitário. especialmente a partir de meados do século XIX. é análogo ao que se lhe reconhece no segundo. ao século XVI. O desenvolvimento do espírito democrático no mundo criou certo movimento de opinião. Germain-en-Laye. seu fundamento. Pode. Por outro lado. Podemos defini-la como sendo a aquisição do domínio de um território mediante o exercício efetivo.scrição aquisitivu é admissível em direito internacional público e já tendo sido reconhecida até pela jurisprudência internacional. e cessão espontânea. pois. alguns tratados consignam estipulações expressas nesse sentido. ou ali exerce direitos de soberania em virtude de um título que . não a título soberano efetivo. em julho de 1821 ). ao contrário do que ocorre no direito privado. Efetivamente. votada unanimemente por uma assembléia de representantes do povo uruguaio. e foi tomada em consideração nos tratados de paz de Versalhes e de St. ou seja. muitas vezes. se a posse não é pública e notória. e dele encontramos exemplos em épocas recentes. a prescrição se funda na necessidade da existência da ordem e da estabilidade nas relações internacionais. pelo qual se estipulou a permuta de território entre os dois países). Quatro são as condições exigidas para que ela se opere: lá) a posse deve ser pública e notória. em direito internacional. que permite aos habitantes do território cedido escolher. de sua parte. o verdadeiro soberano poderá ignorá-la e. a prática internacional tem substituído. dado sua aquiescência à mesma. No tocante aos bens dos habitantes dos territórios cedidos. inclusive no mencionado tratado de paz de Versalhes. Seção 4 A prescrição Da mesma forma que em direito interno. 2á) deve apresentar-se como exercício efetivo de soberania própria. quer por doação voluntária (incorporação da Província Cisplatina ao Brasil. dizer-se que.

Antônio Amaral de Sampaio. porém. Relativamente à conquista. O direito privado fixa. pois as interrupções mostram a vontade do Estado. conforme escreveu Audinet. Mas não é indispensável que tenha começado pacificamente. 70. A razão é simples: n posse mantida pela força. p. mas também porque a sua vida é. elaborada após a segunda guerra mundial. condenou "o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado". que não seja interrompida. contra o qual se exerce a prescrição. em tempo de guerra. os atos de violência para conservá-la não podem dar origem a um direito. 1958. nem intermitente. os atos de violência para conservá-la não podem dar origem a um direito. Finalmente. Na prática. Carlos de Carvalho. tratados e outros documentos diplomáticos. semelhante opinião. . pela força das armas. A própria Carta das Nações Unidas. de 22 de julho de 1895. Beviláqua . Bibdiografia: Accioly . e. para que se dê a prescrição aquisitiva.já indicados. Finalmente. entre nós. nota à Legação da GrãBretanha no Rio de Janeiro. Mas não é indispensável que tenha começado pacitïcamente. Boletim. em princípio. tal posse não justifica a aplicação do princípio da prescrição. e. de evitar que esta se consume. nem intermitente. sabe-se que a aquisição. pacatamente. o direito internacional público ainda não fixou prazo algum para a prescrição. que não seja interrompida. da soberania sobre um território tem sido condenada.2. por exemplo. por conferências internacionais. em geral. p. porém. Seção 5 A conquista e a anexação Além dos meios. A condição de que a posse deve ser pacítica e ininterrupta signitica que a mesma não deve ser turbada. o prazo de 30 anos. mediante força militar. muito mais longa do due a destes últimos. de aquisição e alienação de territórios. pacatamente. tlguns internacionalistas pretendem que existam mais dois: a corl304 Manual de Direito Internacional Público quista ou sujeição. p. é natural que o prazo deva ser mais longo. a conquista consiste na tomada de posse de território inimigo. também. também. de evitar que esta se consume. Parece-nos.reconhece continuar a pertencer a soberania ao antigo soberano. juristas eminentes e homens de Estado. 284. sem violência: o que se exige é que esta haja desaparecido e a posse tenha continuado. Tal posse não justifica a aplicação do princípio da prescrição. "para fazer presumir o consentimento tácito do Estado despojado de uma parte do seu território e do povo submetido a uma nova dominação". sem violência: o que se exige é que esta haja desaparecido e a posse tenha continuado.l. pois do contrário não se poderá presumir a concordãncia tácita do antigo soberano com a nova ordem de coisas. A condição de que a posse deve ser pacífica e ininterrupta significa que a mesma não deve ser turbada. 130. A razão é simples: a posse mantida pela força. várias vezes. a condição de que a posse tenha durado bastante tempo é essencial. sobre a Ilha da Trindade (texto em correspondência diplomática sobre a ocupação da Ilha de Trindade). Em direito internacional. A evolução histórica da ocupação em direito internacional. O que ele exige é que tal prazo seja suficiente. 295. Em todo caso. Brownlie. e a nnexação. p. errônea. não só porque os interesses dos Estados são mais importantes do que os dos particulares. pois do contrário não se poderá presumir a concordância tácita do antigo soberano com a nova ordem de coisas. a condição de que a posse tenha durado bastante tempo é essencial. pois as interrupções mostram a vontade do Estado. contra o qual se exerce a prescrição.

1963. p. New York. Quoc Dinh. A chuvcr cícida pode ser considerada a curto prazo o problema mais sério. o combate à poluição. 164. Whiteman. 2. 56. A soberania brasileira nas ilhas do Atlântico. p. 617. Rousseau . O objetivo principal dos países empenhados na celebração da reunião de Estocolmo foi o combate à poluição. Manual de Dircito Internacional Pí hlico senão também a A. Em 187? o cientista escocês Robert Angus Srnith escreveu um livro sobre "chuva ácida". no Rio de Janeiro. nos vinte anos entre as duas Conferências. ao desaparecimento das florestas tropicais e à destruição da camada de ozônio. p.000 pessoas durante os quatro dias de duração. p. p. 452. The goa incident. a poluição do Ruhr e o . na destruição das florestas européias e na acidifiïcação de rios e lagos. se os países em desenvolvimento. onde.2. argumentando que.1. Quency Wright. 14. 495. inclusive financeiras e técnicas. Heitor Lyra. mas no decorrer dos trabalhos preparatórios.fog causou a morte de 4. p.2. quando o. A chuva ácida que atingiu os rios e lagos escandinavos obrigaram a opinião pública a tomar conhecimento de uma ameaça cuja gravidade não era levada na devida conta. em 1972. AJIL. v. A Delegação brasileira pôde ainda provar na época que a grande responsabilidade pela degradação ambiental era ocasionada pelos países industrializados. Como resultado de dois longos an"c .yernla ? I .3. 1945. destinada não só à solução dos problemas ambientais senão também aos ligados ao desenvolvimento. respectivamente sobre Diversidade Biológica e sobre Mudança de Clima. Mello . educaçáo e saúde". o Brasil teve ensejo de demonstrar que não se podia desvincular a proteção do meio ambiente do problema do desenvolvimento. vestimenta. a saúde do planeta havia piorado consideravelmente. privados de alimentação. O fenômeno não é recente.5 . não obstante o destaque dado às queirraadn. 1028. Milhões continuam a viver abaixo dos níveis mínimos necessários para uma existência humana condigna. v. foram apresentadas soluções. visando à proteção do meio ambiente e. Constatou-se que. abrigo. Capítulo 8 PROTEÇÃO DO MElO AMBIENTE A Conferência sobre o Meio Ambiente realizada em Estocolmo. inventando a . pudessem deixar de poluir. outra Conferência. se a poluição por eles provocada pudesse ser solucionada. Rezek . As Nações Unidas realizaram em junho de 1992.aracáo a Conferência aprovou não só uma Declaração. Seção 1 Poluição atmosférica Os problemas ligados à poluição da atmosfera agravaram-se consideravelmente depois da segunda guerra mundial. trata-se de um dos principais fatores no efeito estufa. o problema tornar-se-ia inexistente. p. 1962. P r. A enormidade da tragédia obrigou as autoridades a proibir a queima de carvão em Londres. 821. A Declaração adotada em Estocolmo em 1972 reconheceu no Preâmbulo que "nos países em desenvolvimento a maioria dos problemas ambientais são causados pelo subdesenvolvimento. 857. Sibert . Foram ainda assinadas duas Convenções.p. O fog londrino. responsáveis por apenas 15% da poluição. The acquisiton of territory in international law. marcou o início de um movimento de nível internacional. especialmente. Oppenheim. para todos os problemas. Robert Jennings .smog de Los Angeles muito contribuíram para aumentar esta preocupação. as conseqüências pouco contribuiriam para a solução da questão. que atingiu o seu ponto mais alto em dezembro de 1952. com uma conseqüente queda nos níveis de poluição. p. Boletim. ao efèito estufa. 432.rPr. 1:37. e que.

sphericn Cherni. que concluíram pela necessidade imediata de serem tomadas medidas radicais visando à diminuição dos gases que provocam o efeito estufa.. . estudos realizados em laboratórios mostraram que o CFCs atacavam e destruíam o ozônio.W " . Os perigos de um aumento de poluição. a Cidade do México. O exemplo foi seguido pelo Canadá e pelos Países Escandinavos. sendo que a maior concentração verifica-se entre 20 e 25 quilômetros. .... até então tidos como gases quase perfeitos.strv Netrt ork. tem por objetivo combater o que se denominou o efèito estufu provocado pela chuva ácida. os dois principais poluidores. Santiago do Chile e.. a não ser para algumas utilizações específicas. foi criada na Europa em 1950 a European Atmo.l.a. fizeram com que a Convenção finalmente adotada fiïcasse muito enfraquecida. .. mas a relutância dos Estados Unidos e da URSS. quando se trata de conseqüências aravnc a rv ian `oa. decidido a favor deste. entre os Estados Unidos e Canadá. Os malefícios da chuva ácida não se limitam aOS danos à saúde humana. o Governo dos Estados Unidos passou a proibir o uso dos CFCs em 1978. loro. vêm-se verificando em diversas cidades da América Latina. dada a ausência de cheiro.. às plantas e ao homem. . 1:.. . à agricultura e às t7orestas. têxteis e vitrais. O trecho mais importante da sentença arbitral. Tendo em vista as conclusões apresentadas pelos cientistas quanto às conseqüências da exposição excessiva de seres humanos aos raios ultravioleta. A Assembléia Parlamentar da Comunidade Européia declarou-se preocupada em 1984 com "a corrosão de monumentos e de edifícios.expressão. couros.-w. como São Paulo. sabor e sua longa duração. bem como por "prova certa". diz o seguinte: "Nenhum Estado tem o direito de usar ou permitir o uso de seu território de maneira tal que emanações de gases ocasionem danos dentro do território de outro Estado ou sobre as propriedades ou pessoas que aí se encontrem. . .so. o primeiro sinal de alarme foi dado a propósito dos malefícios dos CFCs... Em 1974. Diante da gravidade do fenômeno. bem como a deteriorização do patrimônio cultural.. Quarta Parte 307 Embora a determinação do que se deva entender por "conseqüências graves". nocivos à vida animal. provocada em grande parte pela chuva ácida".. O ozônio é um gás azulado. por ocasião da Conferência do Rio de Janeiro.. tida como fundamental pela doutrina. pelas radiações ultra vermelhas e pela introdução na atmosfera dos clorofluorcarbonetos (CFCs) e dos halônios. Seção 2 A proteção da camada de ozônio A camada de ozônio acha-se situada entre 10 e 50 quilômetros da superfície da terra.a".. Do ponto de vista legal.... 308 Manual de Direito Internacional Público Quarta Parte 309 tra os raios ultravioleta (UV-8).. careça de objetividade.. com forte cheiro. A Comunidade Econômica Européia. principalmente como causadores do câncer da pele. A Convenção sobre Mudança de Clima. sobretudo. com a exceção da Grã-Bretanha. veritïca-se que as fórmulas mais precisas ainda não foram apresentadas. o documento mais citado em relação à chuva ácida é o Caso da Fundição Trail. o Trail Srraelter Ccr.. A Convenção foi elaborada em base a estudos realizados por mais de 300 cientistas a pedido da Assembléia Geral das Naçóes Unidas. . mostrou-se decidida a tomar medidas concretas até o ano 2000. aberta às assinaturas em 4 de junho de 1992. provocada pelas descargas de gás e pelas indústrias. os seus efeitos também se fazem sentir sobre os monumentos históricos e até sobre edifícios e viadutos de construção recente. especialmente de documentos (arquivos).

As ratificações necessárias para sua entrada em vigor (inclusive a do Brasil) foram rapidamente alcançadas. diante da comprovação de que ocorrera uma perda de 40% da camada de ozônio acima da Antártida.Em janeiro de 1982 foi criado um grupo de peritos em questões legais e técnicas. "Os Estados têm o direito de soberania para aproveitar os seus recursos natura is de acordo com a sua política em matéria de meio ambiente e de conformidade com o seu dever de proteger e preservar o meio marinho".. a Convenção teve de aceitar uma série de cláusulas de escape (escape clause. com a incumbência de preparar um esboço de projeto de convenção destinada à proteção da camada de ozônio. em 10 de dezembro de 1985 (entrou em vigor em 16-1 1-1994). ou seja. 1962.. Nos termos do Protocolo de Montreal. numa reunião realizada em Londres. Diante de objeções suscitadas. . assinada em Montego Bay. foi elaborado um cronograma estrito. 25)..W W nm . ligadas a um verão excessivamente quente no Hemisfério Norte. firmadas em 1954.s) que vieram enfraquecê-la.. alguns dos quais com uma capacidade destrutiva da camada de ozônio dez vezes superior à dos CFCs. Mediante a adoção deste dispositivo foi possível ultimar o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que destroem a Camada de Ozônio. O artigo seguinte tem o grande mérito de haver transformado em regra de dir eito internacional convencional o Princípio consagrado pela Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente de 1972. n r . e em 22 de março de 1985 a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio foi firmada. trat a da proteção e preservação do meio marinho em sua Parte XII (arts. A Convenção de Genebra sobre o Alto-Mar (1958) se refere à poluição por óleo (art. O grupo efetuou diversas reuniões em Estocolmo. e citamse diversas convenções que se acham atualmente sob a égide da Organização Marítima Internacional (OMI). não é o único. através de protocolos adicionais.. 1971 e 1990. principalmente pelos países da Comunidade Européia. Seção 3 Poluição nos mares A Convenção sobre o Direito do Mar.. se podem adotar outras medidas visando à proteção da ozonosfera.7 . de 17 de setembro de 1987. O artigo 192 registra a obrigação geral dos Estados: "Os Est ados têm a obrigação de proteger e preservar o meio marinho". A poluição por outros meios que não 0 óleo é prevista na Convenção sobre Prevenção da Poluição Marinha pelo Alijamento de Dejetos e outros Materiais.. sendo que em outros atos internacionais é que vamos encontrar as normas mais importantes de proteção do meio marinho. É interessante observar que os países europeus que haviam dificultado a assinatura da Convenção de 1985 passaram a adotar em 1987 uma posição mais favorável do que a dos Estados Unidos. numa superfície superior à dos Estados Unidos. 1969. tïcou decidida . . Genebra e Viena. de 1972 (que era conhecida como a Lo . Embora a Convenção sobre o Direito do Mar seja o documento mais importante na matéria. O primeiro problema sério a preocupar a comunidade internacional foi a poluição dos mares por óleo. l 92-237). e do impacto das notícias sobre o efèito estufa. Mas como contrapartida estabeleceu um mecanismo mediante o qual. 24) e à poluição por rejeitos radioativos (art. que incluiu os halônios.. sendo que em junho de 1990.. visando a diminuir a produção e o consumo de CFCs.

yena terro. poluição por ¡ ali. A l nluiyirn cle ri.s). a assistência financeira e tecnológica é importante. Existem ainda outras de somenos importância. é na Convenção de 1972 e nas deliberações das suas Partes Contratantes que se deve buscar o direito internacional na matéria. e na Convenção para a Prevenção da Poluição por Navios de 1973 (a MARPOL). estão previstas. por esgotos e por outros meios. a Convenção sobre o Direito do Mar se limita a repetir as regras constantes da Convenção de Londres sobre Alijamento.stre. No tocante ao crlija nento. implicam responsabilidade: os Estados-Pal-te ou organizações internacionais que atuem em comum serão conjunta e solidariamente responsaveis". no leito do mar. é responsável por aproximadamente 80% da poluição dos mares. Nos termos das duas Convenções. em Montreal. Em outras palavras. é prevista pelo artigo 209 da Convenção. ou seja. tanto assim que deixa às partes adotar as leis e regulamentos que desejarem. Em junho de 1994. no tocante à poluição de origem terrestre. Foi esta a posição dos países em desenvolvimento que defenderam o reconhecimento de sua situação especial. poluição proveniente de atividades na Área. da poluição de origem terrestre. A poluição prnvenierrte de utividnctes rvr "Áren ". a partir de embarcações. nos termos da presente Parte. sendo que em 1995 duas novas reuniões. além dos limites jurisdicionais. mas.vdon 5 Dumping Convention). O artigo adota um nível de controle mínimo. objeto dos artigos 207 e 213 da C'onvenção. isto é. rnas a tendência. realizou-se em Montreal uma reunião de peritos com este objetivo. ulijmrmrrto signitïca "qualquer lançamento deliberado no mar de detritos e outras matérias. Os trabalhos preparatórios da Convenção de 1982 mostram que. como o Brasil. sem a obrigatoriedade de se conformarem com as previstas pela Convenção. sem prejuízo das normas de direit internacional na matéria. A regra do parágrat o 2 do artigo 139 se aplica. em Reykjavick e Washington. não foi possível conciliar a posição de alguns poucos países favoráveis à adoção de normas rígidas com a da maioria. "os danos 4 Quarla Parle 3 I I ção internacional das suas obrigações. aeronaves. diretrizes para a proteção do meio marinho contra a poluição de origem terrestre (as Mor treal Garicle-Lino.jamento. poluição proveniente de embarcação e poluição proveniente da atmosfera. sendo de nota que o PNUMA iniciou em 1947 o Regional Seas Programme com o objetivo de endossar um enfoque regional para a administração dos recursos marinhos e costeiros e o de diminuir a poluição marinha de Manual de Direito Internacional Púhlico A C'onvenção sobre o Direito do Mar se ocupa das várias modaliclades de poluição do mar em artigos baseados na maioria dos casos em atos internacionais anteriores. a Agenda 21 b recomendou uma revisão delas. Como diz o nome. é a de adotar norlnas mais rigorosas no sentido de diminuir a poluição levada aos mares por rios. eram meras diretrizes sem caráter obri atório. Para alguns países. Trata-se de uma questão a respeito da qual a doutrina silencia. Em 1985 Foram aprovadas. com extensa costa marítima. ou seja. pois estipula que. visto que a poluição ocorre em águas interiores. plataformas ou outras r . fortalecida por ocasião da Conferência do Rio de Janeiro de 1992. durante a Conferência do Rio de 1992. que já foi emendada em mais de uma oportunidade. nos fundos marinhos e no seu subsolo. A literntura do DI pouco se tem ocupado da questão.

plataformas e outras construções". baseado principalmente nas convenções firmadas sob os auspícios da OMI. É sintomático que os primeiros tratados versem precisamente sobre a poluição por óleo. desde que ocorram determinadas condições oceanográficas e ecológicas. quando alguns países tentaram negociar a assinatura de uma Convenção a respeito. As normas de controle de cunho internacional ou nacional não são obrigadas a se conformar necessariamente com regras mais severas. sendo que até a descarga de óleo era tolerada. Corno nos demais artigos sobre poluição.construções" e "qualquer afundamento deliberado no nru. foi proibido a partir de 1994. ao contrário da palavra em inglês clrrrnpinK. foi até fins de 1993. aeronaves. Pode ainda adotar medidas mais rigorosas para prevenir poluição proveniente de embarcação em sua ZEE. no exercício de sua soberania. que pouco esclarece a respeito. cujo combate cabe à Organização Marítima Internacional (OMI ou IMO). As divergências . A fuligem proveniente dos navios incineradores. incluindo as que estejam exercendo o direito de passagem inocente. utilizada até em textos oficiais brasileiros. mas terá chegado aos mares através da atmosfera. pois estipula que devem ter "pelo menos a mesma eficácia que as regras e normas internacionais geralmente aceitas que se estabeleçam por intermédio da organização internacional competente (trata-. conhecida como a "London Dumping Convention". Por vezes será difícil dizer qual a origem da poluição. em decorrência de novos e mais nocivos poluentes e. A poluiçiu prnverriento de ernbnrwnç ero foi considerada. da contaminação por óleos. um grave foco de poluição. sobretudo. É o caso da chuva ácida transportada pelas correntes aéreas através do mar do Norte para atingir os países escandinavos. que enumera os poluentes cujo alijamento é proibido e aqueles que necessitam de uma autorização especial. esse artigo prevê a adoção de tratados internacionais e de leis e regulamentos destinados a prc vanir rrW IIIvir W r(lnlrrv5lY 51 r1111111f'1(1 N(1 ('a1S() (IílS leis interníl5. mas já antes da segunda guerra mundial começou-se a veritïcar que a capacidade dos mares de absorver todos os detritos era contestável.de embarcações. equiparada ao alijamento. como uma psática normal. tem o direito de adotar legislação destinada a prevenir a poluição proveniente de embarcações estrangeiras. é igualmente proibida. outro fator de poluição dos mares. Va l 312 Manual de Direito Internacional Público mais longe do que nos demais artigos. pois em muitos casos será de origem terrestre. Quanto aos demais poluentes. quando o carvão era o combustível utilizado. A incineração no mar. O Estado costeiro. O alijamento era considerado prática normal. A fumaça proveniente das chaminés de embarcações foi no passado. quando a prática passou a ser proibida.vto). Em português. A poluiç ão proveniente da atmosfera ou através dela é tratada no artigo 212. durante anos um dos temas rnais controvertidos da Convenção. até meados do século XX. o seu controle é da alçada do Secretariado da Convenção de Londres de 1972. tal como previsto no artigo 21 1. O artigo 21 l da Convenção sobre o Direito do Mar. ocupa-se minuciosamente do problema.se da Organi ação Marítima Iriternacional) ou de uma conferência diplomática geral". O alijamento de resíduos radioativos (rnclio-aotivo wor. a palavra é pouco conhecida. Seção 4 Proteção das florestas A questão da preservaÇão clas tlorestas constituiu um dos problemas centrais da Conferência de 1992.

O processo de desertifi ação já atinge mais de 50. 27 países consumidores e 23 países produtores de madeira tropical chegaram em Genebra a um acordo sobre as regras que deverão nortear o comércio mundial. o país deve receber recursos internacionais não só para programas de conservação.S áreaS 314 Manual de Direito Internacional Pííblico térreas do mundo. com sede em Tóquio. rnas atualmente se verifica que. Na Conferência foi criado um grupo encarregado de negociar a Declaração de Princípios sobre Florestas. demonstravam as divergências veritïcadas. mas também para outros setores da economia.000 pessoas que habitam as regiões atingidas..(l0(l quilômetros quadrados do Nordeste. onde os desmatamentos e as queirnas de pasto começam a ameaçar as margens do Paraíba do Sul. não engloba as madeiras temperadas e boreais dos países ricos. Buscando contornar estas dificuldades. Ficou decidida a criação de um Fundo a ser administrado pela Organização Mundial de Madeira Tropical. ao contrário do desejado pelo Brasil. as grandes responsáveis pela desertificação ou ameaça de desertificação têm sido as aberturas de clareiras. e no próprio Rio de Janeiro. para a criação de pastos e para a agricultura sem as necessárias precauções de . como secas prolongadas e seguidas. inclusive as mudanças de clima e de atividades humanas. Além da pobreza. vincular o cumprimento da meta de exportar a madeira tropical sustentável "por volta do ano 2000" ao desembolso por parte dos países consumidores de "fundos adicionais". A questão das regiões semi-áridas e a desertitïcação no Brasil figuram dentre os problemas mais sérios e não podem ser desassociados do problema da pobreza e das migrações internas. A desertificação pode resultar de fenômenos naturais. um projeto de declaração sobre os prinCíplOS aCeltoS DOr COnSenSO SOhre a Cnnserva('ãn e n iecPnvnlvimPntn I Quarta Parte 3 1 3 sustentável das tlorestas foi adotado por ocasião da quarta sessão do Comitê Preparatório da Conferência. Assim. mas em compensaçáo consagra um ponto básico para o Brasil. E esta importância também diz respeito a muitas regiões do Brasil. ou seja. Em janeiro de 1994. No Brasil. A desertilïcação atinge um sexto da população do mundo. O novo Acordo Internacional de Madeiras Tropicais. para preservar uma área.rimarl: mPnto nma nnarta narte C10 tOtal da.sobre quais os tipos de florestas que deveriam ser abordados bem como a falta de tempo fizeram com que ela não se concretizasse. Seção 5 Proteção do solo. A Agenda 21 lembra que a desertüicação é a degradação do solo em áreas áridas. visto que na maioria dos casos os mesmos vinham entre colchetes. A maioria dos princípios bem como o preãmbulo do anteprojeto de 21 de abril de 1992. na rnaioria dos casos. longe de representarem um consenso. inclusive através de queimadas. Desertificação Para muitos países a desertificação foi a questão mais importante discutiáa na Conferêncsa do Rio sobse Meio Ambiente e Desen·rolvimento. mas que previa expressamente que o documento a ser aprovado não obrigaria legalmente as partes. com gravíssimos retlexos sobre a vida de aproximadamente 400. O fenômeno se verifica também na região de Alegrete. na qual o Brasil conseguiu que as nações donas de áreas florestais significativas devessem ser compensadas pelos custos diretos e indiretos de conservação. resulta de ações do homern. 70% a rP -. semi-áridas e em áreas secas subúmidas resultante de diversos fatores. no Rio Grande do Sul. o impacto mais evidente da desertificação é que atinge enormes áreas de pasto ou agrícolas.C CP!`a a nrn.

cuja posterior eliminação foi sumamente difícil. sendo que agora novas dimensões se acrescentaram. Rio de Janeiro. relatcírio da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (o Relatcírio Brundtland). A primeira reunião realizou-se em Naircíbi. l:.. ou seja.. inclusive a sua desertificação. desde a aceitação dos ensinamentos de Grocius sobre a liberdade dos mares. ril. v. 820. Paris.fittnrn cnmurn. AFDI. Washington.. Tunísia. Oxford. efetuada ern PrlPtlr:a Pm cPt?miirrv iia I C í Z wc rwrhrvc m. Biodiversity und internatiorlal law. Conforme foi visto.. Alexandre Kiss.).". Greenpeace. 5. Amsterdam..s. La Desertification. espaços internacionalizados podem ser caracterizados como "um espaço legalmente insuscetível de apropria- . o problema não é novo. 1989 (coletânea). devemos buscar caminhos para um desenvolvimento agrícola e rucal sustentável". I 19. 1989. . Quarta Parte 317 Capítulo 9 OS ESPAÇOS INTERNACIONAIS O DI passou a se preocupar com a regulamentação dos espaços internacionais. A Assembléia Geral das Nações Unidas em tïns de 1992 criou um Comitê de Negociação Intergovernamental com o objetivo de negociar uma convenção sobre desertificação. Quarta Parte 315 problemas.sn. Esta utilização não apropriada é causada pela pobreza e fialta de recursos para o desenvolvimento numa área abrangente e integrada. 1991. A FAO.s At aryado. 1981.4. L'état de la Planète.. Paris. é provocada em grande parte pelo uso não apropriado da terra. Nurna segunda reunião.s. Massachusetts. Droit interrmtinnul de I'etmironnmnt. Glnhal vcurmin. Toshio Mukai.r. 1993. a obtenção de fundos para dar andamento aos planos a serem adotados. l3iblin.stemutizudn. v. inclusive nos Estados Unidos. 1990.studo. A rigor. n. Em conseqüência. também denominados extraterritoriais ou internacionalizados. desviando as águas de determinada área. conclui que "a degradação do solo. Lester Brown. José Juste. Stephan Schmidheiny. E. van Lier. Our Planet. La coopération regionale transfrontière et le droit international. .si.. in Lu proteotion juridigue de I'envirnnmeW. A adoção por unanimidade pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1963 da Declaração dos princípios jurídicos que regulamentam as atividades dos Estados em matéria de Exploração e Utilização do Espaço ExtraAtmosférico e a adoção dos artigos da Convenção sobre o Direito do Mar sobre os Fundos Marinhos vieram mostrar que havia outros espaços não submetidos à soberania dos Estados. .t .(.São Paulo. 473. Pierre-Marie Dupuy. p. o DI passou a ser tridimensional. C.s.. em estudo encaminhado à terceira sessão do Comitê Preparatório da Conferência de 1992. 6. 1992. Banco Mundial. 1992. em proveito de outra. onde surgiram os du. mas não sobre a questão mais delicada.st bowl. com a adoção de normas em nível internacional sobre o domínio aéreo. 1991..yrnfïa: No. 1988. Irene H. se vamos buscar as raízes da desertitïcação e não os sintomas. The Forest sector. 6.L. quando foi obtido consenso sobre diversos pontos.. Acid Ruin und lnternutioml LutcAlphc:n aun den Rijn. Universidade de . quando existe a conveniência de serem identificadas as normas de DI aplicáveis a todos os espaços. Rio de Janeiro. Os problemas ligados ao alto-mar. Para Pierre-Marie Dupuy. Principles on forest. p. Direito ambiental . International Convention to Combat Desertification. I5. A irrigação. Changing collrse. 1992.proteção do solo. D. n. Rousseau . de 24 de maio a 3 de junho de 1993. 1977.. p. . tem sido a causa da desertificação em diversos países. espaço ultraterrestre e fundos marinhos têm sido abordados como matérias estanques. Simone Bilderbeek (Ed.

s do direito romano. do Mare Liberurri de Grocius provocou uma série de trabalhos pró e contra. A Convenção de Montego Bay nos apresenta no artigo 86 a seguinte definição negativa. a consolidação do poder naval da Inglaterra e da França e o surgimento da Holanda como potência marítima. e o C'anal da Mancha. que têm como os demais "o direito de fazer navegar n alt -mar navi s oue arv rem a sua handeira" (art. a 318 Manual cle Dircito Internacional Píblico Dinamarca e a Suécia sobre o Báltico. até hoje chamado En lli. que teve em Grocius o seu principal artífice. O declínio naval de Portugal e de Espanha.ção nacional". Com as descobertas de Portugal e de Espanha no século XV. ao falarem em . que não a navegação. em 1609. a Inglaterra sobre o Mar do Norte e o Mar da Irlanda. visto que até então o direito feudal se guiava pelo conceito de dominium mari. mas o resultado final foi o reconhecimento do princípio da liberdade de r avegação rnarítirna. nem nas águas arquipelágicas de um Estado arquipélago". Os relatores da Comissão de Direito Internacional incumbidos de adotar regras sobre a utilização. "todas as partes do mar não incluídas na zona econômica exclusiva. A Bula Ir ter Coetera. uma nova dimensão. passaram a proibir a permanência de navios de outras nações nas águas sobre as quais invocavam a sua soberania. Historicamente. Existe uma tendência de incluir a Antártida dentre os espaços internacionalizados. simplesmente reconheceu este estado de coisas. verifica-se que a noção de liberdade dos mares só surgiu no início do século XVII. de 4 de maio de 1493. O artigo 89 é categórico neste sentido ao dispor que: "Nenhum Estado pode legitimamente pretender submeter qualquer parte do alto-mar à sua soberania". no mar territorial ou nas águas interiores de um Estado. os dois países ibéricos. como a zona contígua. A caracterização de alto-mar tornou-se mais difícil diante da introdução a partir de 1958 de diversas novas zonas no domínio marítimo. Parece-nos preferível dizer que o alto-mar compreende todas as águas situadas além dos limites das águas territoriais. todas desejosas de participar do comércio com os países orientais. 90). A não-apropriação nacional corresponde à liberdade de utilização dos espaços por todos os Estados. Diversos países proclamaram a sua soberania sobre extensas áreas do mar. Gênova sobre o mar de Ligúria. de Alexandre VI. As novas técnicas de pesca provocaram uma saudável reação destinada à proteção dos recursos vivos do mar. como Veneza sobre o Adriático. resultou na substituição do do ninio irraris pelo princípio da liberdade dos mares. . tido até recentemente como axiomático. e a prática internacional tem sido em tal sentido. a zona econômica exclusiva e a plataforma continental. por exemplo. invocando o princípio da descoberta. Seção 1 O alto-mar O princípio da liberdade do mar assumiu. muito embora as regras adotadas em 1982 já estejam a exigir uma revisão diante dos perigos de extinção de determinadas espécies. embora alguns países ainda mantenham de pé as suas reivindicações sobre parcelas da mesma. mas semelhante teoria não tem fundamento e vai contra os pronunciamentos dos países consultados a respeito. inclusive os Estados sem litoral. dos rios internacionais têm buscado equiparar a navegação dos rios internacionalizados ao regime. que pouco depois evoluiria para o princípio da liherdade dos mares. ou seja.sh Chari iel. A publicação. a começar com a possibilidade de ser explorado o fundo do mar. do alto-mar.shared rlatinnal resources. em decorrência dos progressos da ciência e da tecnologia.

a OMI adotou um novo e atualizado Regulamento na Convenção sobre Regulamentos Internacionais para Prevenir Abalroamentos no Mar (COLREG 1972). a área de influência do princípio da liberdade dos mares diminuiu consideravelmente. as de maior interesse comercial. de 23 de setembro de 1910. a de pesca. A primeira conferência organizada pela OMI foi dedicada à questão da segurança. Quarta Parte 3 19 1965. A adoção de medidas destinadas a evitar o ahalroamento em altomar não pode ser desassociada da segurança da navegação. a pesca no alto-mar . A rigor. a começar com as duas Convenções de Bruxelas. No caso do direito de pesca e do de colocar cabos submarinos. acrescentando a liberdade de construir ilhas artiticiais e outras instalações permitidas pelo direito internacional e a liberdade de investigação científica. modificada posteriormente. A Convenção sobre o Direito do Mar adotou as regras da Convenção de 1958 sobre a pirataria e criou para todos os Estados a obrigação de cooperar na sua repressão. sendo que uma das condições exigidas pelas potências marítimas ao aceitar a ZEE foi precisamente a da confirmaçáo do direito de passagem inocente. Em 20 dejaneiro de 1914 foi assinada uma Convenção com este objetivo. Em tal sentido. i r i n .sca ao estipular que está condicionada às obrigações constantes de acordos bi ou multilaterais. Uma das novidades da Convenção é a adoção de regra relativa ao tráfico ilícito de estupefacientes e substâncias psicotrópicas. por intermédio das organizações internacionais competentes e com a participação de todos os Estados interessados.. a liberdade de navegação.snbrevôo é devidamente reconhecida. O direito de visita é igualmente reconhecido no caso de navios empregados no transporte de escravos. A Convenção Internacional sobre Segurança no Mar. o novo texto salienta que a faculdade não é ilimitada. O artigo 87 da Convenção de 1982 aumentou a relação. A convenção de 1982 se ocupa da matéria no artigo 97. A Convenção de 1982 rompe com a tradicional tese da liherdacte de pe. Com a extensão do mar territorial para 12 milhas e a adoção da ZEE com 200. Uma das primeiras preocupações do direito internacional foi a proteção da vida humana no mar. mas foi substituída por outra mais ampla durante a Conferência celebrada em 1974. O direito de riavegaçvo deixou de ter o prestígio de quando os mares eram ou mar territorial ou alto-mar. principalmente. . reconhece o direito dos Estados de apresar um navio ou aeronave capturados por ato de piratas e o direito de visita. Os Estados que se dediquem à pesca em alto-mar têm ainda a obrigação de trocar informações cientificas disponíveis.L . Em 1972.l. mais . Um dado que não tem merecido a devida divulgação é que. A liherdade de . para a unificação de certas regras em matéria de abalroamento e de assistência e salvamento marítimos. o . aos direitos e deveres dos Estados costeiros em relação às espécies altamente migratórias.A Convenção sobre o Alto-Mar de 1958 no artigo 2 salienta que a liberdade do mar compreende. das zonas de pesca das espécies mais procuradas. mas o direito internacional a respeito deve ser buscado em outros documentos. a de nele colocar cabos e oleodutos submarinos e a de sobrevôo. estatísticas de captura e outros dados pertinentes à conservação das populações de peixes. n r n ir. ou seja. Dentre as inovações deste Regulamento figura a obrigatoriedade da adoção de faixas de separação do tráfego naquelas partes do mundo em que o tráfego marítimo é muito congestionado. bem como às espécies transzonais. com 320 Manual de Direito Internacional Público conseqüência.

coube ao direito internacional formular as regras destinadas a regulamentar tais atividades. A transmissão não autorizada a partir do alto-mar é igualmente prevista. Aldrin e M.1. 223. da qual o Brasil é parte. p. A adoção de uma faixa de mar territorial de 12 milhas. e do desembarque dos primeiros seres humanos na lua em 10 de julho de 1969 . The High Seas. foi assinado. que não chegou a ser aplicado. Le droit de I'espace. A Assembléia Geral das Nações Unidas adotou por unanimidade em 13 de dezembro de 1963 a "Declaração de Princípios Legais regu- . Charles Chaumont. tese esta transformada no conceito mais atualizado de patrimônio comum da humanidade. 1990-IV. in RCAD/. O Institut de Droit International adotou resolução em 1963 no sentido de que "O espaço bem como os corpos celestes não podem ser objeto de nenhuma apropriação". p. Vangah Francis Wodié. Haia. que chegaram a ser motivo de muita preocupação e inúmeros processos na Europa. O controle pelos Estados da pesca em alto-mar só é aplicável aos pesqueiros que arvoram o seu pavilhão. Mello . se a comunidade internacional levantar as proibições que vêm sendo adotadas. Leiden. A Convenção de 1884. A. em decorrência do lançamento do sputinik pela URSS. Díez . intencional ou por negligência culposa. da baleia. em 4 de outubro de 1957. 601. first served. As Nações Unidas convocaram uma Conferência visando à implementação da Convenção sobre o Direito do Mar sobre as populações transzonais e espécies altamente migratórias. René-Jean Dupuy e Daniel Vignes. Conforme foi visto. The law of international spaces. Constatada a possibilidade de o homem estender as suas atividades além do espaço aéreo territorial. 979. Bibliografia: Accioly . as normas relativas ao espaço ultraterrestre figuram dentre as mais recentes. Reconhecia-se que o espaço ultraterrestre era res communis e não res nullius. talvez. onde contam com proteção. ora o alto-mar. Dupuy.s no alto-mar tem sido reconhecido desde 1854. 1991. E. in UNESCO. p. Collins -. Em 1993 duas reuniões foram realizadas em Nova York. Leiden. A. p. 630. 1972. 431. 511. p. em 12 de abril de 1961. diminuíssem a importância deste problema. Rousseau . A circunstância de apenas as duas superpotências terem a capacidade tecnológica de explorar o espaço ultraterrestre também concorreu para que os demais Estados sentissem a necessidade de serem fixadas regras capazes de impedir que nesta área também vingasse o princípio do first come. de um cabo em alto-mar. p. Oda. A handbook on the new law of the sea. Quoc Dinh.2. continua em vigor e busca proteger os cabos submarinos. Tullio Treves. aos Estados sem litoral. The international law of ocean development.os astronautas norte-americanos N.2. v. O direito de colocaÇão de cabos e ductos submarino. Gagarin. The chnt Qinn . 885. p. A Convenção de 1982 se ocupa da matéria e cria para os Estados a obrigação de adotar as leis e os regulamentos necessários para que constituam infrações passíveis de sanção a ruptura ou a danificação. Armstrong. isto sem falar na ZEE. John Kish. Codification du droit international et pratique des États dans le droit de la mer.4. 1973. O direito de pesca em alto-mar é reconhecido a todos os Estados e. em conseqüência. 325.passará a ser principalmente a do atum e. existe muita preocupação com a pesca excessiva das espécies altamente migratórias que ora freqüentam a ZEE. 1970. S. Wolfgang Friedmann. quando um primeiro tratado. fez com que tais transmissões.ctrurturv nf intarnntinnnl Inw 1 rmriwn l4fid Quarta Parte 321 Seção 2 O espaço ultraterrestre Ao passo que o princípio da liberdade dos mares figura dentre as mais antigas regras de direito internacional. do vôo do cosmonauta soviético Y. Paris. mas os resultados alcançados têm sido modestos.

l coliantor m nma c nrinriQuarta Parte 325 pios eram vagos e imprecisos. níquel e ferro. Para os países em desenvolvimento. o Representante de Malta. ao que tudo indicava. aceito em termos gerais"..s. entre outras coisas. quando a Comissão de Direito Internacional foi encarregada de submeter projetos que foram apreciados por uma conferência.n.ooc c i. Nos termos da Declaração. que de um modo geral consolidou os princípios acolhidos em 1963. seria possível extrair quantidades fantásticas de minérios. Na mesma ocasião. inclusive a Lua e outros Corpos Celestes".st come. Arvid Pardo. pronunciou perante a Assembléia Geral das Nações Unidas um discurso histórico em que abordou os últimos e importantes avanços verificados em relação à exploraçáo dos mares. a Área não poderia ser motivo de apropriação ou de reivindicações de soberania. o princípio fir. os seus termos passaram a ser interpretados de maneiras distir. votaram Declaração de Princípios pela qual o leito marinho além dos limites da jurisdição nacional foi declarado patrimônio comum da humanidade. os países em desenvolvimento conseguiram que a Assembléia Geral chamasse a si a formulação de uma Convenção em que considerações políticas prevaleceriam sobre as jurídicas. o direito de todos os Estados a explorar os espaços ultraterrestres. Embora a Declaração tenha sido acolhida sem nenhum voto em contra. para os países industrializados. a Assembléia Geral decidiu convocar para 1973 uma conferência sobre o direito do mar. a possibilidade de participar na exploração e explotação desses recursos representava um importante elemento no combate à miséria e. além do potencial do subsolo dos fundos marinhos em matéria de petróleo e de gás natural. Em 27 de janeiro de 1967 era assinado o "Tratado sobre os Princípios que Regulamentam as atividades dos Estados em matéria de exploração e de utilização do Espaço Ultraterrestre. r ovamr. donde. e seria firmado "um tratado internacional de caráter universal. O Tratado de 1967 foi complementado por alguns outros atos destinados a desenvolver clc nrinrírüric háci wc r m e tratarlric ervhra rv calvamPntri P a rlP- 324 Manual de Direito Internacional Público Seção 3 Os fundos marinhos Em 1967. e aproveitando o seu poder de voto na Assembléia Geral. não poderem estes ser objeto de reivindicação de nenhum Estado. sobretudo nódulos de manganês. basta salientar que. Em outras palavras. e a URSS sugeriu que o princípio do patrimônio comum dn humanidade deveria ser incluído no preâmbulo da futura convenção. fïr.. e que a sua utilização será exclusivamente para fins pacíficos.toc llc . só que. sem nenhuma referência aos recurso. e desde o início verificou-se que a questão da exploração dos fundos marinhos e do respectivo subsolo seria a questão central. ou seja. O Tratado de 1967 prevê. De conformidade com semelhante filo- .st. caberia à nova conferência reapreciar as regras adotadas em Genebra em 1958. os seus recursos seriam explorados e explotados através de um regime internacional. em última análise os benefícios acabariam revertendo a eles. l:ctoc r. cobre. principalmente dos fundos dos oceanos.. Não cabe aqui mencionar todas as fórmulas sugeridas.served deveria continuar a reger a matéria.lamentando as Atividades na Exploração dos Espaços Exteriores". ao contrário da solução adotada anteriormente. em conseqüência.

mas que pudesse atender as diticuldades dos países industrializados no tocante à referida Parte XI. Estas. em 10 de dezembro de 1982. possibilitando modificações à citada Parte XI da Convenção. Perez de Cuellar. da sua Parte XI. que haviam ratificado a Convenção. Ao findar o Governo do Presidente Jimmy Carter. ou seja. Como concessão ao conceito de patrimônio comum da humanidade. através dos artigos 133 a 183. as soluções acolhidas têm o mérito de preservar o essencial da estrutura institucional destinada à exploração dos fundos marinhos e o conceito de patrimônio comum da humanidade. Com o objetivo de contornar a crise criada com a não-aceitação 32Ó Manual dc Dircito Internacional Pí hlico precisamente. líquidos ou gasosos in situ na Área. iniciou novas negociações buscando uma solução que mantivesse intocada a própria Convenção. como o Brasil. idealizou-se um sistema de veto às decisões da Autoridade através das cãmaras do Conselho. automaticamente. que poderia ser um grupo internacional. A Convenção regulamenta minuciosamente as questões relativas à Área e Autoridade na Parte XI. contudo. são eles todos os recursos minerais. as condições da concessão seriam fixadas pela entidade internacional. mas que pudessem atrair os países industrializados. vinculado ao outro. não deveriam ser caracterizadas como emendas. que. o que seria inaceitável para os países. O enfoque dos países em desenvolvimento era exatamente contrário. os Estados Unidos e alguns países industrializados se recusaram a assiná-la. a entidade internacional a ser criada não teria o direito de discriminadamente escolher o operador. os Estados Unidos concordaram com uma solução de compromisso. e quando da assinatura da Convenção. não tiveram sucesso. caberia à entidade internacional indicar o beneficiário. o beneficiário não seria obrigado a transferir a tecnologia desenvolvida na exploração dos recursos. sólidos. o Estado ou a entidade pública ou privada à qual a concessão fosse concedida gozaria de direitos exclusivos na exploração ou na explotação da área. uma solução emergiu. tampouco de negociar os termos da concessão. e o Estado que se vincular a um estará. no leito do mar ou no seu subsolo. No plano substantivo. a necessidade de uma solução de compromisso se foi acentuando. mas o governo seguinte declarou que não aceitaria o citado texto e que estaria disposto a reabrir as negociações. À medida que o número de ratitïcações necessárias à entrada em vigor ia sendo obtido. contudo. não atendido. Quanto aos recursos. os países industrializados concordavam em que os beneficiários deveriam pagar uma taxa à entidade internacional. O objetivo dos países industrializados era atribuir apenas às suas câmaras a faculdade de veto. incluindo os nódulos polimetálicos (artigo 133). Após quatro anos de negociações. fundos marinhos e o seu subsolo além dos limites dajurisdição nacional". bem como os dispositivos relativos à transferência de tecnologia. os lucros auferidos com a exploração seriam distribuídos. mas a solução finalmente acolhida em julho de 1994 reconheceu o direito de veto igualmente às câmaras . Para efeito da Convenção. dos Estados Unidos de disporem do direito de veto às decisões da Autoridade foi uma das razões da recusa daquele país em assinar a Convenção em 1982. a Área "significa o leito do mar os . firmada em junho de 1994. o Secretário-Geral das Nações Unidas. não haveria monopólio tecnológico. A solução foi finalmente aceita em resolução da Assembléia Geral. Autoridade significa "a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos" (artigo 1 ). segundo a qual o Acordo e a Convenção passam a constituir um documento único.sofia. Como o desejo.

no outro. The seabed outside the limits of national jurisdiction. Seção 4 Domínio polar. 1968. 1982-I1. Não obstante a relativa aceitação verificada. segundo estudos técnicos e cientítïcos atualizados. p. 34. as considerações teóricas cederam à realidade depois da segunda guerra mundial. AFDI. La explotación de lo. 521 . p. 328 Manual de Direito Internacional Público No caso do Ártico. Jagota. 719. a Dinamarca e a Finlândia. Quarta Parte 327 Finalizando. M. p. p. os dois textos entrarão em vigor provisoriamente.s. in RCADI. Patrimonio común de la humanidad: naturaleza jurídica. Valladolid. Calixto Armas Barea.sea minirrg and tlre law of the . 915. 1445. Quanto ao Ártico. p. Cumpre assinalar que a solução é puramente política. trilhava o caminho certo ao defender a tese oposta. Leiden. trata-se de um oceano coberto por gelo e. em conseqüência. p. José Antonio Pastor Ridruejo. Díez . Felippe Paolillo. 1979. M. ao se manifestar contrário à ocupação. 5. a teoria deve ser rechaçada no tocante ao Ártíco. o Canadá. S. Boletin2. Pearce Higgins. o direito internacional passou a se preocupar com os problemas específicos do Pólo Norte e do Pólo Sul. A Antártida Com os progressos da tecnologia.fnndn.s marinos mas alla de la . Para que o Acordo entre em vigor será necessária a ratificação de 40 Estados. os Estados Unidos. de terra firme coberta por gelo.2. pois fere frontalmente o princípío da . p. o princípio do re. 1992. Para os países que assinarem o Acordo ou ratificarem a Convenção a partir de julho de 1994. contrariando largamente as expectativas suscitadas pelo discurso de Arvid Pardo. L'utilisation du fond de l a mer.I . p. O aproveitamento dos recursos do mar além das jurisdições nacionais. dos quais cinco deverão ser necessariamente países industrializados.yrc fia: A. a Noruega. a exploração dos pólos tornou-se factível e. o Senador Pascal Poirier apresentou em 1907 a teoria dos setores.sea. 1983. Com o objetivo de justificar as pretensões canadenses sobre a região polar. a exploração dos minerais dos fundos marinhos somente passará a ser viável em termos comerciais no fim da próxima década ou no início da seguinte. ou seja. in UNESCO. Mas é importante ter em mente que se trata de duas situações distintas. Ramiro Saraiva Guerreiro.s nulliu. 99. Para P. Dupuy. um dos mais conceituados autores clássicos. Christian Caubet. embora tivesse em vista ambas as regiões polares. Dupuy e Vignes. visto que do ponto de vista jurídico é forçoso reconhecer que o Acordo consubstanciado na resolução da Assembléia Geral constitui a sigor uma emenda. 1975. visto que. Alexandre-Charles Kiss. convém salientar que. Whose is the bed of the sea'? BYB. Cecil Hurst. p. Deep. A teoria só se aplicaria aos países que atingissem o círculo Ártico. Biblio. 1984. Fundamentos político-econômicos da apropriação dos fundus marinhos. principalmente por motivos estratégicos. Traité du muveau droit de la mer. 895. P. Voelkel. num caso. 403. v. p.s poderia ser aplicado no caso de ocupação efetiva. pela confrontação entre os países integrantes da Organizaçáo do Tratado do Atlãntico Norte (OTAN ou NATO) e os países do Pacto de Varsóvia. Naturaleza del principio del patrimonio comun de la humanidad. Anuário dn IHLADI. 175.sdiccicín nacional. Mello . Anoário cfo IHLADI. 353. 1969. sob o fundamento de que "a tomada de posse varía de acordo com as condições da região". Past. a Rússia.jnri. 1923.ligadas aos países em desenvolvimento. Fauchille. e como tal sujeita às regras de direito internacional a respeito. La notion de patrimoine commun de 1'humanité. contenido normativo y prospectiva.

não abre nenhuma exceçáo quanto às áreas cobertas de gelo. trecho este reivindicado quer pela Argentina. devidamente consolidada pela convenção sobre o Direito do Mar. como a liberdade de investigação e de cooperação cientítica e normas de conduta. reduzir e controlar a poluição do meio marinho proveníente de embarcação nas âreas cobertas de gelo dentro dos limites da ZEE. a rigor. de 1 1 de julho de 1975. Grã-Bretanha. em 30 de junho de 1958. Como o artigo IV poderia ser interpretado como signi Icando "a renúncia por qualquer das Partes Contratantes a direitos previamente invocados ou a pretensões de soberania territorial na Antártida".. Outro artigo feliz é o V. Bélgica. Chíle. com a exceção da Grã-Bretanha. a da ocupação através de explorações. os seus redatores incluíram cláusulas pelas quais as Partes se comprometeriam a garantir a preservação e conservação dos recursos vivos da Antârtida. A Convenção de 1982.liberdade dos mares. foi deliberadamente excluído. Embora o objetivo principal do Tratado tenha sido político. ao proclamar no artigo 87 a liberdade dos mares. tinha os direitos mais positivos a respeito. que proíbe as explorações nucleares bem como o lançamento ali de resíduos radioativos. Foi o Tratado promulgado pelo Decreto n. O referido artigo dá ao Estado costeiro o direito de adotar e aplicar leis e regulamentos para prevenir. enquanto vigorar o presente Tratado. permitiu a elaboração de alguns Princípios. que desde 1924 se recusavam a formular qualquer reivindicação sobre áreas do Pólo Sul e a reconhecer as existentes. Japão. Nova Zelândia. a da contigüidade. propôs a internacionalização da Antârtida sob a tutela das Nações Unidas ou outro sistema de controle internacianal. verificou-se uma acentuada tendência das Partes . Com a assinatura do Tratado. as discussões arrefeceram. Austrália. dentre as quais o dever de utili·r. apoiar ou contestar reivindicaçáo sobre soberania territorial na Antártida. O seu verdadeiro objetivo. que. O Ano Geofísico Internacional.963. ou para criar direitos de soberania na Antártída". Foi tendo em vista os termos do artigo IV que o Brasil.. 75. contudo. França.. Estados Unidos. O Brasil. As reivindicações sobre a Antcírtida têm mais peso e foram objeto de sérias discussões e pretensões baseadas nas mais diversas teorias. esclareceu-se no seu parágrafo 2 que "nenhum ato ou atividade que tenha lugar. era assinado em Washington o Tratado da Antártida pela Argentina. O objetivo original do Tratado fora o de garantir que a Antártída fosse para sempre utilizada exclusivamente para fins pacíficos e não se converteria em centro de discórdia internacional. foi o de adotar uma moratória de 30 anos em relação às pretensões territoriais sobre a área. nm caoylliP Quarta Parte 329 em Ig de dezembro de 1959. quer pela Grã-Bretanha. que apresentava títulos históricos e jurídicos que justificavam a sua participação nas negociações e posterior assinatura do Tratado. 1957-1958. como a da descoberta. a da ocupação efetiva e da defrontação. Em 1948. notiticou ao Departamento de Estado suas pretensóes ao setor entre o meridiano 53° (arroio Chuí). os Estados Unidos. A sugestão foi rechaçada pelos países interessados. que são objeto do artigo 234. o qual figura na Parte XII da Convenção relativa à proteção e preservação do meio marinho. constituirâ base para proclamar. Noruega e a URSS. tanto assim que o Ministro das Relações Exteriores não teve dúvidas em declarar perante a Câmara de Deputados que "nosso País foi impedido de assinar o Tratado da Antártida pela inflexibilidade do Governo norte-americano". O Brasil aderiu a ele em 1975. AT. Nas últimas reuniões realizadas.

e. 1951.3. p. dada a campanha desenvolvida em muitos países contrária à explotação de minérios na Antártida. Ricardo da Costa Pinto. e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem. na dignidade e no valor do ser humano. 1958. 1968. Os princípios consagrados pelas três citadas declarações tiveram acolhida nas principais constituições liberais.s dirc:ito. p. da mulher e das crianças. três se destacam: a Declaração inglesa de 1689. The Artic Ocean and the new law of the sea. cujos preceitos devem pesar na interpretação de todos os dispositivos da Carta. GYlL. "Nós. 87. J. The Antarctic Syste m. p.sileira de Política Interruwioncrl. p. Rio de Janeiro. 291 . v. 197 I . Biblin. Dupuy. Antarctica. 330 Manual de Direito Internacional Público em 1988. p. Juan Carlos Puig.2. p. veio demonstrar que os direitos do homem deveriam ser protegidos pelo direito internacional. A proteção dos direitos era.sil ncr Antártida. o fez de maneira muito tímida. p. 1973-I I. pode ser apontada como prova desta tendência. de 10 de dezembro de 1948. 977.yrcrfic. W. Boletim. 6 UINTA PARTE OS DIREITOS INTERNACIONAIS DO HOMEM A Declaraçáo Universal dos Direitos do I-Iomem. 19 60.2. in RCAUI. The international regime of the polar regions. M. Magdalena Londero. na igualdade dos direitos dos homens e das mulheres.sta Bra.I . Rousseau . 838. resolvidos a preservar as geraçóes futuras do flagelo da guerra. que por duas vezes. 245. 107. 149. AF DI. A Carta das Nações Unidas espelha esta preocupaçáo desde o seu Preâmbulo. 1949-II. Fauchille . Revi. v. E. 203. cuja influência nos movimentos de independência dos países da América Latina não pode ser ignorada. in UNESCO. 79. idem. Ernesto J. trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade. Mouton. set. Quinta Parte 333 Capítulo 1 OS DIREITOS HUMANOS E AS NAÇÕES UNIDAS A segunda guerra mundial. p. Le Statut de 1' Antartique. René Dollot. Guyer. assim como das nações grandes e pequenas:' . p. 41 . os Povos das Nações Unidas. ou então que seja eonsiderado pcttritrrôoin cx tntttn cIn hurrtnniclacle. Díez . A Arrtártida e a sua irrtportância ¡ ara cr Américn do Sul. 75.s do Bra. contudo. Antártida: o problema político. a Declaração norte-americana de Independência de 1778 e a Declaração francesa sobre os direitos do homem e do cidadão de 1789. O. R. Boleslaw Adam Boczek. 1986. com a série de atrocidades cometidas. Buenos Aires. 196. 1 39.r: Accioly .de considerar a preservação do meio ambiente o principal objetivo do Tratado. As discussões em torno da Convenção sobre a RegulamentaGa0 ddS AtIVIfjaCiPS C P RPCllrR(1C IVÍlnPralS allr(lVlCia em Wetlin TtOn. no espaço de nossa vida. como a Magna Carta de 1215 e as posições tomadas pela Escola Espanhola em defesa das populações indígenas nas terras recentemente descobertas.2. in RCADI. R. Le droit international des espaces polaires. embora o Pacto da Liga das Nações se tenha referido no artigo 23 a alguns direitos do homem. p. p. in RCADI. p. João Frank da Costa. é o marco mais importante no estudo dos direitos do homem. A teoria dos setores polares. p. v. 154. Mello . Bnletim. 53 I . Eurípedes Cardoso de Menezes. O direito internacional das Regiões polares. de natureza interna. Diversos países já declararam que a Convenção é inaceitável e que o continente deve ser considerado um Parque Mundial. 1958. p. Rey Caro. 433. muito embora se possam citar algumas manifestações importantes no passado. 1991. Dentre os documentos anteriores à segunda guerra mundial. L'Antartida Argentiraa nnte el derecdro. 1962III. 121 .

ano 4. 7. 71. nem os garante compulsoriamente". quando da elaboração da Carta das Nações Unidas. relativo aos direitos civis e políticos. Lauterpacht. Revista Bra. SetteCamara. UNESCO. A proteçïto internacional dn. 62 e 76 (c). presidida pela Srá Eleonora Roosevelt. Human rights and fundamental freedom. Le droit international des droits de 1'homme. para os Estados Unidos ao contrário o máximo admissível seria uma de. in RCADI.s. J. Celso Lafer. 1984. 55 (c). 140. Les droits de 1'homme. in RCADI. 1991.-jun. políticos. 56. Rio de Janeiro. 140. 5. econômicos e sociais do homem. São Paulo. A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi assinada solenemente em Paris em 10 de dezembro de 1948. 1 13. de antemão. 1946. língua ou religião". Novamente. Bibliografia: A. Aliás. Não obstante a ên- .s da Constituição dos Estados Unidos. Cançado Trindade. Internation al mechani.s. A Carta ainda se refere aos direitos humanos nos artigos 13 (b). no âmbito da Comissão de Direitos Humanos a questão ressurgiu: ao passo que a GrãBretanha queria uma convenção de cumprimento obrigatório. in RCADI. A ONU e os Direitos Humanos. p. René Cassin. 61 .2. foi constituída a Comissão dos Direitos Humanos. a Grã-Bretanha se bateu pela adoção de um tratado que tornasse compulsório o combate às violações dos direitos humanos. para promover e estimular o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos sem distinção de raça. Eduardo Theiler. p. Accioly . 52. The development and general trends of international law in our times. v. p. 70. sexo. p. mar. v.for the protection of human right. veritïca-se que. 321. p. International protection of human rights. os Es334 Manual de Direito Internacional Pííblico tados Unidos conseguiram que a sua posição prevalecesse mediante a adoçào de uma simples recomendação que não obrigaria os Estados e não afetaria o respeito à soberania. Karel Vasak. Seção 1 A Declaração Universal dos Direitos do Homem Desde São Francisco.struÇão do. n.sm. em termos legais.. 132. Manfred Lachs. de cumprimento obrigatório para todos os Estados que o assinassem e ratificassem. sendo que a Declaração se inspirou no Bill of RiKht. 335. 1974-IV.s direito. Não obstante a ênfase dada aos direitos humanos na Carta. New York. Boletim. Accioly é categórico ao afirmar que a Carta "não detïne esses direitos.s in the Charter of the United Nations.s.sileira de Política Internacional. p. 3) propor medidas para implementar os princípios da Declaração e os dispositivos da Convenção e para examinar as petições e reclamações de indivíduos ou grupos. p. . claração vazada em termos vagos. v. 1947.Na enumeração dos propósitos da Organização figura "conseguir uma cooperação internacional. . A recnn . a tese norte-americana prevaleceu. acima mencionados. 2) elaborar um pacto ou uma convenção. que tinha três encargos: 1 ) preparar uma Declaração universal relativa aos direitos civis. Esta interpretação continua correta. Os direitos e deveres internacionais do homem. v. Jacob Robinson. Nicolas Valticos. 1974I V. H.s hurnano. p. mas com o evoluir da instituição a questão perdeu peso diante da atirmação cada vez mais acentuada dos direi. l 149. 1988. in RCADI. Com o objetivo de desenvolver os princípios da Carta. 1 69. mas acrescenta que "não constituem mera declaração de princípios" e que os Estados têm "o dever de respeitá-los e de observá-los". dúvidas foram levantadas por alguns dos mais conceituados internacionalistas quanto ao seu valor. na elaboração dos três encargos. A.s humanos..s direitn. 1970. p.

social e cultural". determinam livremente o seu estatuto político e asseguram livremente o seu desenvolvimento econômico. que não ratificaram ou aderiram aos dois Pactos de 1966. ratificação e adesão através de resoluções da Assembléia Geral das Nações Unidas. não hesita em afirmar que a Declaração de Paris é saudada agora como direito costumeiro. .J.... I . países sob mandato ou simples territórios sem governo próprio. "o Governo americano admite hoje em dia o caráter obrigatório dos artigos da Carta relativos aos direitos humanos".. . com as características de.. passassem a ter o . Conforme foi visto. o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e o Protocolo Facultativo relativo ao Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos foram adotados e abertos à assinatura.. . r¡.s de direito internacional costumeiro.:..-. por exemplo... Aliás.. que os Estados continuariam a ter o direito de regular os seus negócios domésticos de acordo com a sua conveniência e as suas instituições políticas e econômicas. Bibliol rafïa: Barbosa Lima Sobrinho.. para alguns autores figuram dentre os melhores exemplos de jus cogens. os políticos e os civis."1 . modificou radicalmente a filosofia vigente até então em matéria de direitos hurnanos. por serem de cumprimento obrigatório para os países que os ratificaram. foram recebidos com desconfiança pelas nações desenvolvidas. no sentido de que a Declaração não era um tratado ou acordo que criava obrigações legais. . Este sentimento era particularmente forte no seio do Congresso na década de 50 e contava com o apoio de inúmeros conceituadosjuristas como Hans Kelsen e Manley Hudson. Embora os princípios acolhidos em algumas resoluções. .I.. a Senhora Roosevelt reiterou a posição de seu país.. pois a maioria dos princípios que consagra são tidos como direito internacional costumeiro..... a afirmativa era desnecessária. Os direitos humanos clássicos.. Mas. não obstante a importância que algumas resoluções tenham tido.. O Pacto Internacional de Direitos Econômicos.. salientam logo no artigo primeiro que "Todos os povos têm o direito à autodeterminação. Mais ainda.a.E.". a doutrina é unânime ao afirmar que náo são de implementação obrigatória. O Brasil. durante muitos anos. .. Sociais e Culturais. Em virtude desse direito. pode-se afirmar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem mais peso. preferindo considerá-los declarações genéricas e.fase dada ao reconhecimento dos direitos humanos... em 19 de dezembro de 1966.. Os dois Pactos. cederam aos econômicos e sociais e à ênfase no direito de de.. .ju.. entrando em vigor para o País em julho do mesmo ano.. só os ratiticou em janeiro de 1992.s cogens.. o Governo dos Estados Unidos evitou reconhecer o sentido obrigatório dos dispositivos da Carta em relação aos Estados... conseqüentemente.". McDougal.."" C...... a adoção de um ou mais tratados sobre os direitos humanos foi considerada necessária pela Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas.a. Aliás. Declaração dos Direitos do Homem.. dentre elas a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Embora os dois Pactos sejam em certo sentido mais importantes do que a Declaração de 1948... Quinta Parte 335 tos adotados não foram encarados favoravelmente pelos países industrializados.statu.. que havia participado ativamente na elaboração de ambos... como observa Oscar Schachter.. durante os quais o ingresso nas Nações Unidas de dezenas de antigas colônias. Como era de esperar. espelhando a int7uência dos países em desenvolvimento..a.. só que entre o início dos trabalhos e a sua conclusão decorreram doze anos...

o sistema interamericano demonstrou. nas palavras de Carlos A.l.. A Delegação dos Estados Unidos salientou as dificuldades de harmonizar as normas do common law com princípios baseados no direito romano. com os acréscimos da Carta Social Européia de 1961. p. Não deixa de ser sintomático que... p. em 22 de novembro de 1969.7.. O sistema africano funciona dentro da estrutura da Organização de Unidade Africana e é baseado na Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos de 1981.."a.. a Carta da OEA tenha sido assinada em Bogotá e juntamente com a Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem. .. a Convenção Americana sobre a Proteção de Direitos Humanos. The United Nations Declaration on Human Rights. 513. AJIL. Os trabalhos que resultarnm nn l ...lormrl dn Bra.. Não obstante os inúmeros obstáculos enfrentados... 1977. Quinta Parte 337 projeto em 1959 até a Conferência do Rio de Janeiro de 1965. Kunz. visando à proteção dos direitos do homem.. .... p. Meira Mattos. O sistema europeu funciona dentro da estrutura da União Européia e tem por fundamento a Convenção Européia para a Proteção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais. quando se decidiu que o projeto fosse revisto pela Comissão Interamericana dos Direitos Humanos e que fosse convocada uma conferência especializada. v.. Co-existence and co-ordination of mechanisms of international protection of human rights. . 221. dentre elas a brasileira.. . 14 dez.. em cujas independências as declarações dos Estados Unidos de 1778 e da Revolução Francesa de 1789 exerceram papel importante.. 63(l. Egon Schwelb.. Rousseau 336 Manual de Direito Internacional Público Seção 2 Os direitos humanos no sistema interamericano O movimento esboçado no final da segunda guerra mundial. The development and general trends of internation al law in our times.. Dunshee de Abranches. Les aspects juridiques de la politique américaine en rnatière de droits de I'homme. Rezek .. 62.. 1984. 202. AFDI. teve imediato acolhimento nos países da América Latina.... 43... p. os regimes de exceção na Argentina. Diversas delegações. É bem verdade que a Declaração americana inspirou-se nos trabalhos preparatórios que resultariam na Declaração Universal. 5. não obstante as dificul- . Civil and political rights. Josef L.... . 1949... 1968. . Ao aprovar na Costa Rica. p. v. A possibilidade e a utilidade da coexistência do sistema mundial e de sistemas regionais em matéria de proteção e promoção dos direitos humanos são aceitas e defendidas.. ou seja. haver superado "a fase de elaboração de princípios teóricos e das meras declarações de intenção". .1.2... AJIL. 169.. p. sete meses antes da aprovação da Declaração Universal dos Direitos Humanos. 1987-II. Merece ainda ser mencionado o projeto de Carta dos Direitos Humanos e dos Povos do Mundo Árabe de 1971. com uma importante modificação: ocupou-se não só dos direitos mas também dos deveres internacionais do homem. v... v.. O sistema universal coexiste com os três mais importantes sistemas regionais. Manfred Lachs..7. . .1. 1969. a Conferência reuniu-se na Costa Rica. Mello I. Mas... p. como a guerra no Vietnã. in RCADI. adotada em Roma em 1950. tiveram ensejo de ressalvar a possibilidade de conflitos entre artigos da Convenção e disposições constitucionais. no Brasil e no Peru e a decretação do estado de emergência no Chile. p. I 88.. 1(lGfl . . bem como de diversos Protocolos adicionais à Convenção de 1950. Oscar Schachter. o interamericano e o africano.L.sil. 61 . in RCAD/. 3 17.. 827. o europeu. Díez I..

P.s clereolm. 65. sociais e culturais são prioritários.wine de. in RCADI. idem. Dunshee de Abranches. privados de comida. o Brasil teve ensejo de salientar a importância do desenvolvimento dentro do contexto ambiental. C. Em outras palavras. que teria uma conotação negativa de decadência. 1960. e aceita a idéia da criação de uma Corte Interamericana de Direitos Humanos.sion lnterzrméric.s Droit. que às vezes são o prolongamento de conceitos antigos ou então de interpretações dos aspectos novos da ordem social. Diego Uribe endossa a tese de que esses direitos pertencentes a uma nova geração têm em comum duas características: n) não decorrem da tradição individualista da primeira geração nem da tradição socialista da segunda. Garcia Bauer. La observancia de lo. 1972. P.s derechos humanos s' la e. Milhões continuam a viver abaixo dos níveis mínimos necessários para uma existência humana. livre de poluição. o que lhes permitirá serem reconhecidos no futuro como direitos hu- . sediada em São José da Costa Rica. Paris. 1968. em palestra perante a Academia de Direito Internacional de Haia. educação e saúde". 7. 1970. P. 1980. isto é. o que não ocorre com os direitos de terceira geração. D. 1991 . da qual emergem as normas. abrigo. Camargo. p. embora aluns autores condenem a expressáo. a sua existência não é contestada. como é o caso do direito do homem a um ambiente sadio. Karel Vasak.s.dades citadas. A grande preocupação dos países da América Latina é a melhoria das condições de vida de seus habitantes. em direitos de primeira. sem querer ignorar a importância dos direitos civis e políticos. vestimenta. 1975.strutura del sistema internacional de protección en el ámbitn americano. a doutrina tende a abordá-las através da sua evolução histórica.s u cle lu clernncraciu en Antírica. os direitos civis e políticos e os direitos econômicos. Bibliografia: A. Secretaría General de la OEA.s hunrano. em conseqüência. Héctor Gros 338 Manual de Direito Internacional Púhlico nn. Esta noção de terceira geração dos direitos é baseada no princípio de uma ordem jurídica flexível. sociais e culturais. La prnteccinn juríclicu de In. Uribe Vargas. / Capítulo 2 OS DIREITOS HUMANOS Os direitos enumerados na Declaração Universal de 1948 são de dtaas espécies. Madrid. p. falando. La Cn nmi. Quanto às duas primeiras. Ancíli. Schreiber. México. A estes direitos vieram somar-se outros tidos como de solidnriednde. tanto assim que a Declaração de Estocolmo em seu preâmbulo reconhece que "nos países em desenvolvimento a maioria dos problemas ambientais é causada pelo subdesenvolvimento. The Inter-American Commission on Human Right. René Cassin defendeu a tese de que a proteção dos direitos humanos deveria ser ampliada a fim de incluir o direito a um meio ambiente sadio.s Cnmparatiro. ou seja. Na apreciação dessas três categorias de direitos. Leyden. 1970. Boletim. Los derechos humanos y el sistema interamericano. para eles os problemas econômicos. além de sujeita a mais de uma interpretação. Carlos A. Em 1974. b) situam-se no início de um processo legislativo. Le système interamérica in comme régime régional de protection internationale des droits de l'homme. a Convenção foi assinada.si. 145. com o correspondente direito a agua e ar puros. segunda e terceira geração. v. A Convenção Americana de Direitos Humanos.s. Por ocasião da Conferência de Estocolmo de 1972 sobre o meio ambiente.s clc: I'Hnrnme.s. é importante salientar a diferença de enfoque de uma em relação à outra. Santiago de Chile. Não obstante as semelhanças entre a Declaração americana e a européia.

são o direito ao trabalho em condições justas e favoráveis. in RCADI. e os direitos das minorias. O que caracteriza esses direitos de terceira geração. que só podem ser desfrutados com o auxílio do Estado.s. a proteção do trabalho intelectual e industrial. a distinção dos direitos humanos em três grupos é relativamente fácil. a proteção da saúde e da vida. que tem a obrigação de se abster de atos que possam representar a violação de tais direitos. nos quais existe como que uma dívida da sociedade para com o indivíduo. Admitido que deva figurar entre os direitos políticos e civis. BihIinRrufsw. p. O direito à propriedade. além do direito a um ambiente sadio. Seja como for. Seção 1 . UNESCO. como os relativos à liberdade individual e à garantia de condições de trabalho eqüitativo e humano. Estes direitos. em oposição à ação do Estado. a liberdade de opinião e as atividades políticas e trabalhistas etc. pelo Estado e por outras entidades públicas e privadas.s mencionam. merecem destacados alguns. como o direito à paz. Os autores que defendem a existência de uma terceira geração de direitos humano. Diego LJribe Vargas. o direito à educação e cultura. a noção vai-se consolidando. Karel Vasak. o direito à paz. 371 . ?23. com o passar dos anos. ou se se trata de um direito a ser cobrado do próprio Estado. Nos direitos de segurrda gernção a ênfase está nos direitos econômicos. o direito ao desenvolvimento e o direito aos bens que constituem o patrimônio comum da humanidade. a proibição da escravidão. v. Os direitos de primeira gernção são a reafirmação do direito à liberdade. p. Quinta Parte 341 Em tese. p. ou seja.2. sociais e culturais. p. Kéba Mbaya. o direito à seguridade e seguro social. na prática nem sempre será possível dizer se o direito humano em questão deve figurar dentre aqueles que o Estado tem o dever de respeitar. Lu Cnrnmi. 1984. por exemplo. também denominados direito.sinn Interaméricuine de. tem sido objeto de discussão. The environment. a proibição de tortura ou tratamento cruel. é que são desfrutados de maneira coletiva.s Droit. in The South Af i-ican Jnurna l nn Human RiKht. Human riKht. p. 184. 355. verificamos que. dando a alguns dos direitos já aludidos no passado. Jan Glazewski. pelo indivíduo. mas pode-se afirmar que atualmente os direitos ligados a um meio ambiente sadio já não podem ser discutidos. Sáo os direitos civis e políticos que abrangem o direito à vida e a uma nacionalidade. La troisième génération des droits de 1'homme. 1991 . sem querer apresentar uma classitïcação dos direitos humanos. 343. previa o reconhecimento dos direitos de terceira geração no futuro.----------------------------------------------------------------------------340 Manual de Direito lnternacional Núhlico nas décadas de 70 e 80. a liberdade de movimento e o direito de asilo.s. só acabou sendo acolhido na Convenção Européia depois de prolongado debate. Mencionados com certa hesitação. human rights and a new South African Constitution. Reconhecido pela Declaração Universal no artigo XVII.s und riKht.s of penple. Rezek . o direito a um nível adequado de vida. conclui-se que os direitos econômicos quase não merecem figurar com destaque. desumano ou degradante. um novo enfoque. o direito de pertencer a sindicatos.s socinis. 1055.s de l'Hnmme.

Sobre o assunto. O tráfico de escravos (especialmente da África para os países americanos) foi meio muito empregado para alimentar a escravidão. I°) e o Ato Geral de Bruxelas. cogitou-se de ampliar as medidas adotadas naquela Conferência. o Mar Vermelho e o Golfo Pérsico. mas já se acha condenado internacionalmente. a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas". no mar e em terra". em Saint-Germain-Laye. pela qual revogaram. em que a escravidão e o tráfico foram. Mas a extensão das possessões européias na África levou muitos países a encarar também a questão do tráfico por terra. condenados e que. a própria Liga elaborou uma convenção. e de Verona. de 181 8. é princípio aceito universalmente que o homem não pode constituir propriedade de outro homem nem do Estado. mais uma vez. o Império Britãnico. Ao contrário do que se admitia na antigüidade e foi praticado por países civilizados até época recente. Disto se ocupou o Ato Geral da Conferência Africana de Berlim. cujo Ato Geral. e em países coloniais. a Bélgica. Até 1885. os Estados Unidos da América. recebeu a assinatura dos representantes de numerosos Estados. o Ato Geral de Berlim (com a exceção do art. à liberdade e à segurança pessoal". a 14'' Conferência lnternacional do Trabalho. principalmente na África e na Ásia. nalguns países soberanos. assinado a 26 de fevereiro de 1885. Constou. primeiramente. Não obstante os termos categóricos das declarações internacionais. por uma declaração de princípios. no Congresso de Viena. os Estados quase só se tinham preocupado com o tráfico por mar. e dessa idéia resultou a Conferência Antiescravista de Bruxelas. visava a costa oriental da África. o Japão e Portugal concluíram uma convençáo. datado de 2 de julho de 1890. O Pacto da Liga das Nações também condenou o tráfico dos escravos. estabelecendo medidas para combater o tráfico no lugar de origem. O artigo seguinte trata da escravidão nos seguintes termos: "Ninguém será mantido em escravidão ou servidão. no de destino e no transporte. sob uma forma ou outra. a Itália. e do trátïco dos negros. Quinta Narte 343 Seção 2 . adotou uma convenção que condena tal espécie de trabalho e recebeu a ratit-icação de vários países. bem como das constituições nacionais. continua em todos os continentes. moralmente. a França.A liberdade individual O artigo III da Declaração Universal é categórico: "Todo homem tem direito à vida. sob a data de 25 de setembro de 1926. suhstituindo-os por outras disposições. Como o tráfico se desenvolvesse em outras zonas. sob todas as suas formas. Essa forma de trabalho ainda existe. o qual visava apenas o comércio de escravos nas regiões terrestres e na costa oeste da Africa. de 1822. Mais tarde. entre as quais figurou o compromisso das partes contratantes de empregarem esforços no sentido de "assegurar a supressão completa da escravidão . datada de 8 de fevereiro de 1815. e de declarações aprovadas nos Congressos de Aquisgrama (Aix-la-Chapelle). depois. reunida em 1930. nas relações recíprocas. notadamente na Rússia. há muito mais de um século. verifica-se que a escravidão. de um urti lo crdicinnnl ao Tratado de Paris de 20 de novembro do mesmo ano. 342 Manual ile Dircilo Internacional Nííhlico A condenação internacional do tráfico foi feita. pode-se equiparar à escravidão o trabalho forçado não remunerado. sobretudo orientais. Parece que. Em setembro de 1919.

corresponde melhor aos dias de hoje. relativa ao tráfico de mulheres maiores. a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego".2. No fundo. Em 4 de maio de 1910. Traffic in persons. Os trabalhos do Comitê Legal da Assembléia Geral das Nações Unidas. Grumbach. La rénres. e em conseqüência foi assinada em Genebra. a convenção internacional para a repressão do trátïco de mulheres e crianças. França e Noruega. Enc. pois a Carta silencia a respeito. transferiu para a Organização uma série de encargos até então da alçada da Li a das Nações. 1933. Fenurle . e num sentido confundiase com a escravidão. p.se. que prevê . Nascimento e Silva. a Assembléia Geral. A convenção de 2 de dezembro de 1949 refundiu os documentos assinados sob os auspícios da Liga das Nações e representa o documento mais importante a respeito. Barry. v. teve impulso no fim do século XIX. Infelizmente. e dá como exemplo a França. J. Em 1946. La traité des blanches et la Conférence de Paris au point de vue du droit international.1. seria firmado. Lyon. e os abolicionistas. p. v. dentre eles o combate ao tráfico de mulheres e crianças. Cino Vitta. 23.s ou apenas trcífïcn de rrrLrlhere. É sintomático que o combate ao tráfico de brancas corresponda cronologicamente ao abolicionismo. mas só como decorrência da conferência realizada dois anos antes em Paris é que o acordo (arrnnyemem) I para a repressão do tráfico de mulheres brancas. p. Dentre as funções atribuídas à Liga das Nações constava o combate ao tráfico (art.vclopedia. 45. visto que esse nefasto trátïco aplica-se não só a todas as mulheres.s. a convenção de 1949 não contou com o apoio da maioria dos países industrializados. Cumpre salientar que a falta de uniformização a respeito desse assunto é uma das principais dificuldades existentes do ponto de vista do direito internacional. G. Rousseau salienta que na prática os países podem ser classificados em duas categorias: os regulamentaristas. K. p. Na antigüidade era aceito qu tolerado. 83-4. 706. contou apenas com o apoio da Espanha. 1946. que foi complementada pela convenção de 1 1 de outubro de 1933. O advento das Nações Unidas marca um retrocesso neste particular.slaoerv. in RCADI. Bibliogrufia: Accioly .Tráfico de pessoas A expressão tráfïcn de pe. RGDIP. E . embora menos elucidativa do que a utilizada no passado. 470. tráfïco de braftca. 643. o Código Penal ocupa-se dos crimes contra a liberdade sexual nos artigos 213 a 216. A campanha contra aquele. 818-43. Boletim. em 30 de setembro de 1921 .s.soa. 1902. p. daí a importância das ratificações efetuadas em relação às convenções de 19? 1 e 1933. c). Foi aceita pelos países da Europa Oriental e. 4. v.s. 5 13. contudo. Díez . de 18 de maio de 1904. que vinculam alguns desses países industrializados. endossando sugestão do Comitê Legal.sinn de la traité des. 497.fémmes. esse dispositivo é o desdobramento do artigo 55 da Carta das Nações Unidas. La défense internati onale de la liberté et de la moralité individuelle. 121. p. p. ou seja. No Brasil. Seção 3 Condições de trabalho eqüitativas e humanas A Declaração Universal dos Direitos do I-Iomem estipula no parágrafo 1 do artigo XXIII que "Todo homem tem direito ao trabalho à livre escolha do emprego. que era a única modalidade que interessava na época. Sibert . a convenção internacional relativa à repressão do tráfico de mulheres brancas foi assinada. mas também a crianças (pedofilia num sentido negativo) e até a homens.rnal . Louis Renault.1. Rousseau . 1941 . dentre os da Europa Ocidental. Jonathan Ignarski. p. 1981.2. 8.

Atualmente. trabalhadores dos países europeus mais pobres. ocorre uma discriminação pautada em motivos raciais.. Droit internationa l du traoail. sofreram um retrocesso. da mulher e da criança sob os mais variados aspectos. in RCADI. 79. principalmente na Alemanha Ocidental. condenada taxativamente pela Declaração de 1946. onde. ou. Seção 4 Direito de asilo O asilo territorial..2.2. tão ardentemente defendidos pelos Estados Unidos e países da Europa Ocidental nos anos 60 e 70. Paris. mas foi com as guerras religiosas e a Revolução Francesa que ela se consolidou. Atraídos pelos salários oferecidos. tanto que a imigração de jamaicanos. Proteção internacional dos direitos humanns. o que é mais freqüente."níveis mais altos de vida. através de conferências internacionais. Na América Latina. nesse.. em seu 346 Manual de Direito lntcrnacional Pííhlirn território. p. O Quinta Parte 345 . indianos e paquistaneses é severamente controlada. os poucos que ainda permanecem devem contentar-se com empregos desprezados pelos nacionais. No fundo. 1970.particular. René Cassin. uma existência compatível com a dignidade humana". assim como à sua família. principalmente a Turquia. que reconhece a qualidade de cidadão britânico (distinto dos súditos ingleses) aos nacionais dos países que integram a Comunidade Britânica. O citado artigo XXIII. 1 149. O fim da segunda guerra mundial e as convulsões verificadas no mundo. mostra o retrocesso verificado. tê-lo deixado para se livrar de perseguição política. p. no parágrafo 3.. e. . que lhe assegure.. in UNESCO. e coube à Organização Internacional do Trabalho. Nicolas Valticos. os direitos humanos. International mechanisms for the protection of human rights. contudo. A importância da garantia de condições econômico-sociais da pessoa humana. p. Carlos Alberto Dunshee de Abranches.. A Inglaterra. Rio de Janeiro. de ser`atingido. 1951-II. 700. La Déclaration Universelle et la mise en oeuvre des droits de 1'homme.. a guerra fria e os movitnentos de libertação nacional provocaram o deslocamento de milhares de pessoas em busca de um país . teve maior aceitação. elaborar uma série de tratados destinados a regulamentar o trabalho do homem. trabalho efetivo e condições de progresso e desenvolvimento econômico e social". principalmente no tocante ao asilo diplomático. deixou de reconhecer as regalias que lhes eram asseguradas. ainda prevê "o direito a uma remuneração justa e satisfatória. especialmente os argelinos. o direito de permanência não lhes era reconhecido. desempenharam papel importante no reerguimento alemão.r. Fenômeno semelhante verifica-se na França com relação aos nacionais dos países que outrora faziam parte do Império Colonial francês. foi devidamente prevista pela Liga das Nações. Bibliográfia: Accioly . pode ser definido como a proteção dada por um Estado. religiosos e de nacionalidade.. a British Commonwealth of Natiot s. 124. a uma pessoa cuja vida ou liberdade se acha ameaçada pelas autoridades de seu país por estar sendo acusada de haver violado a sua lei penal. A instituição do asilo tem as suas origens na antigüidade. O tratamento dado aos trabalhadores estrangeiros para o reerguimento da Europa Ocidental. que não deve ser confundido com o diplomático. v. 1964. Rousseau . inclusive como fator importante na manutenção da paz. marroquinos e tunisianos.

por convicção política ou por lutar contra o colonialismo ou o npartheid. criando inúmeros problemas sociais. e a comissão arquivou o assunto. Uma das consea. principalmente o problema básico. mas constatou-se que considerações políticas não podiam ser ignoradas. origem étnica ou nacional. como etapa preliminar. A Conferência sobre Asilo Diplomático realizou-se em Genebra em 1977 com a presença de 92 delegações. o artigo. se o indivíduo tem o direito ao asilo territorial. diante das divergências entre os blocos ocidental e oriental.üências da confrontação entre a Europa Ocidental e a Europa Oriental foi precisamente a adoção pelos países do Ocidente de legislações destinadas a proteger os cidadãos do leste que conseguissem emigrar. deve ser concedido a pessoas que sofrem perseguição. a concessão do asilo deve ser respeitada pelos demais Estados e náo deve ser motivo de reclamação. a Declaração Universal dos Direitos do Homem.onde o regime político-econômico fosse-lhes favorável. No caso dessas pessoas que normalmente poderão pleitear asilo. as pessoas que fazem jus ao asilo não devem ter a sua entrada proibida pelo país asilante nem devem ser expulsas a um Estado onde podem estar sujeitas à perseguição. chamou a si a responsabilidade e. Reconhecido o direito de recusar a concessão do asilo. Todavia.212 (XXII). não obstante as divergências. a qualificação do delito incumbe ao Quinta Parte 347 Estado asilante. no exercício de seu direito de soberania. Essa política liberal acabou por provocar uma onda de imigrantes. muitos vindos das antigas possessões africanas ou asiáticas . ou seja. mas não a obrigação dos Estados de concedê-lo. Buscando traçar as diretrizes básicas a respeito. pois ficou claro que não existe um direito ao asilo. nos termos da qual o asilo é um direito do Estado baseado em sua soberania. a ser apreciado numa conferência internacional. Seja como for. 3. o Estado. argumentando que era necessária a existência de uma convenção de cumprimento obrigatório. A questão do asilo constava da agenda da CDI. reza em seu artigo XIV que "Todo homem. foi votado artigo em que se convencionou que o Estado pode concedê-lo às pessoas que sofrem perseguição por motivos de raça. não seria possível chegar a um acordo fïnal. considerado um dos mais importantes. É o chamado direito de ilonrefoL lernerlt. ou seja. A rigor. isto é. O Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados. de 1948. . A posição adotada pela Assembléia Geral em 1967 foi consolidada. que chegou a iniciar estudos a respeito. a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a Resolução n. se o Estado de refúgio é obrigado a concedêlo. tem o direito de recusá-lo. principalmente o parágrafo 1 pouco diz: reconhece o direito do indivíduo de procurar asilo. que pode negar o asilo por motivos de segurança nacional. mas desde o início constatou-se que. vítima de perseguição. mas cujo desconhecimento vem sendo verificado mais freqüentemente nos dias que correm. de 1963. O parágrafo 2 do artigo acrescenta que o direito de asilo "não pode ser invocado em caso de perseguição motivada legitimamente por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e princípios das Nações Unidas". tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países". os Estados não devem barrar o seu ingresso na fronteira ou expulsá-las sob o risco de serem obrigadas a voltar ao país onde poderão ser vítimas de perseguição. convocou um grupo de peritos com a incumbência de elaborar um anteprojeto de convenção. os principais problemas foram estudados a fundo.

Rousseau . Relazione Internazionale. v. em Havana. p. p. a qual. Encyclopedi a. Jorge Amado. no Diário dn As. Bibliografia: Accioly .1. 1939-I. p. de 1954. 277. o primeiro ato internacional de caráter geral foi a convenção para a proteção das obras literárias e artísticas. p. Em 1928. O último foi a convenção de Washington. Projeto. . in RCADI. acampamentos militares e aeronaves. Quinta Parte 349 No tocante à propriedade intelectual. Arnold McNair. Queremos aqui indicar apenas estas últimas. mas também da coletividade onde vive. que. Haroldo Valladão. Legal aspects of the problem of asylum. p. Manlio Udina. Entre os países americanos. o homem tem necessidade de garantias. têtn firmado convenções regulamentando o asilo diplomático. Canadian Yearbook of International Law. mediante acordo entre os princípios das Convenções de Berna e Roma e os da Convenção de Havana. Díez . os Estados têm concluído várias convenções de caráter coletivo. 179-203. Green. 1968.sembléia Nncional. p. que vêm evitando a imigração de pessoas em busca de asilo por motivos econômicos e não políticos. p. teve como complemento o protocolo adicional em Berna a 20 de março de 1914 e foi substituída pela convenção assinada em Roma a 2 de junho de 1928. que lhe assegurem. firmada a 22 de junho de 1946. Além de convenções bilaterais. An international convention on territorial a. na qual resultou a criação da União para a Proteção dos Direitos de Autor. Extradition and exterritorial asylum. P. Egidio Reale. L. p. e substituída. que trata do asilo em legações. mais tarde. cujos princípios básicos se aplicam ao asilo territorial. assinada em Berna a 9 de setembro de 1886. pela Convenção Internacional assinada em Berlim a 13 de novembro de 1908. de 1933. p. foram feitos esforços. 3. 409. v. principalmente da parte dos países da Europa Ocidental. sobre propriedade literária. 348 Manual de Direito Internacional Público Foi substituída pela Convenção sobre Asilo Político de Montevidéu. Whiteman . Relatório da Conferência de Tríyuio de 1964 da International Law Association. tendo por sede uma Repartição instalada em Berna.2. A. 1969. bem como de sua produção industrial. o livre gozo de seus direitos de autor ou de inventor e permitam. 4424-5. 629. em toda parte. científica c artística. Rio de Janeiro. inclusive da parte da Liga das Nações. 215. a 4 de maio de 1896. 1975.3. navios de guerra. coerentes com a sua tradição nesse particular. Le droit d'asile. Asilo politico territoriale. literária ou científica. por sua vez. 63. 1. no sentido da unificação mundial dos direitos de autor. 1946. O movimento favorável à concessão do asilo a refugiados políticos. Asylum territorial. Na verdade. Bergen. Prakash Sinha. 6 abr. Direito internacional privado. por sua vez. 1951. The United Nations Declaration on territorial asylum. a esse respeito. Nos últimos anos antes da segunda guerra mundial. 283. Haia. a repressão da concorrência desleal. vem sofrendo um retrocesso. foi assinada a Convenção sobre Asilo.shlum. Grahl-Madsen. ão mesmo tempo. foi modificada pela Convenção sobre Asilo Diplomático de Caracas. Essa convenção foi modificada ligeiramente pelo ato adicional firmado em Paris. Weis. p.8. para melhor desenvolvimento de sua propriedade artística. C. Seção 5 A proteção do trabalho intelectual e industrial A proteção dos frutos do trabalho intelectual ou industrial é não só um direito do indivíduo. 660. BYB. 29 set. 13. em várias das conferências internacionais americanas. verificado no pós-guerra e sobretudo durante a guerra fria.Os países da América Latina. 1971. Asylum and international law. foram concluídos diversos atos gerais da mesma natureza. 460-601. v.

Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Seção 6 Melhoria das condições de vida do homem O artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos do Homem proclama que "Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar. O Princípio 5 da Declaração do Rio salienta que a tarefa essencial da Conferência é "erradicar a pobreza de forma a reduzir as disparidades nos padrões de vida e melhor atender às necessidades da maioria da população do mundo". Rio de Janeiro. em Washington. No que concerne aos atos internacionais de caráter coletivo relativos à proteção da propriedade industrial. marcas de fábricas ou de comércio.. inclusive alimentação. p. O grande desafio da Conferência do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) foi a erradicação da pobreza e a melhoria das condições de vida da grande maioria da população do mundo. 300. Clcívis Beviláqua. em Washington (junho de 191 1 ). as convenções substitutivas de Paris. p. em fevereiro de 1929. a Repartição Internacional de tal União. têm eles versado sobre patentes de invenção. I??. habitação. v. Entre os atos de feição mundial. v. assinadas. citam-se os seguintes: a Convenção de Paris. Os dois principais documentos aprovados em junho de 1992 espelham essa preocupação. p. concorrência desleal e falsas indicações de procedência. em Haia (novembro de 1925) e em I ondres (maio de 1934). desenhos e modelos industriais. vestuário. O primeiro de todos foi um tratado subscrito em Montevidéu a 16 de janeiro de 1889. 2 .. em vista das quais elaborou um anteprojeto de convenção universal sobre direitos autorais. 640. Quinta Parte 351 A Agenda 21 logo no seu primeiro parágrafo lembra que a humanidade encontra-se hoje num momento decisivo: "Estarnos con- . Direito inter tacinnal prinado. Eduardo Espínola. Esse anteprojeto e as observações solicitadas a seu respeito aos governos de todos os países do mundo serviram de base aos trabalhos de uma conferência diplomática intergovernamental. cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis. v. p. p. então. de 20 de março de 1883. quando os países empenhados em sua realização pensavam sobretudo no combate à poluição da atmosfera. Sibert . doença. 4. Direito iriternacinnal hrivacln. invalidez. 351. p. o Ato Adicional de Bruxelas. o acordo sobre a conservação ou resManual r Dircito Intcrnaciunal Pííblico tauração dos direitos de propriedade industrial atingidos pela segunda guerra mundial. nome comercial. rios. que fundou a União para a Proteção da Propriedade Industrial e criou. 7. 1944. 947. 9. igualmente. viuvez. Oscar Tenório. de vários atos intencionais coletivos. de 14 de dezembro de 1900. lagos e mares. o último foi a convenção assinada numa conferência especial. assinado em Neuchãtel a 8 de fevereiro de 1947.Não se chegou. 19?5. a proteção da propriedade industrial já constitui objeto. 486. e direito à segurança em caso de desemprego. velhice e outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle. respectivamente. Mas depois a UNESCO tomou a si esse encargo. Whiteman. 2. Direito internaciorml hrivado. Nisso trilhou caminho distinto da Conferência de Estocolmo de 1972. v. 19.I. 1970. p. convocada para agosto de 1952. ed. Biblingrqfïa: Accioly . a nenhum resultado prático. ed. No continente americano.2. ?. ouvindo sugestões dos governos interessados. Hackworth. além de vários acordos sobre matérias restritas. em Berna. derivadas da idéia geral da proteção da propriedad : industrial.

nas reuniões internacionais realizadas verifica-se que os países mais ricos buscam diminuir a importância do parágrafo 24 da Agenda 21 e não reconhecem a sua responsabilidade por aproximadamente 80°Io da poluiçáo do meio ambiente. Coube ao governo francês a iniciativa. sediado em Washington. com sede em Genebra. verifica-se que muitos dos países mais ricos evitam tocar na questão da assistência financeira. como o combate à pobreza e à insalubridade. por ocasiáo da Conferência do Rio de Janeiro. Em 3 de dezembro de 1903. que vinha causando grandes danos a sua população. com sede no Rio. Em 1907. competindo-lhe: a) erradicar as epidemias e as endemias.s -A luta contra as epidemias. Embora em 1992. principalmente nas comunidades do Mediterrâneo. em outros. Não se pode ignorar que os países que no passado mais contribuíram em matéria de assistência técnica e financeira estão cansados.frontados com a perpetuação das disparidades entre nações. os participantes tenham reconhecido a necessidade de dar ênfase aos problemas ligados ao desenvolvimento. Na Europa.. que resultou no tratado de 1842. porém. A essas funções clássicas. mas também em todas as reuniões internacionais posteriores. que seria modificada em 1912. C. d) coordenar as atividades internacionais em matéria de saúde. proibiu o comércio de ópio. enfrentam dificuldades financeiras internas. Surgiu a obrigação para os Estados de comunicar o surgimento de epidemias e a generalização de quarentenas. No exercício dessas funções foi criado. tanto que a China. e com tal finalidade foi criada a Organização Mundial de Saúde (OMS ou WHO). A relutância dos países mais ricos em se comprometer a arcar com recursos financeiros novos e adicionais foi sentida não só na conferência de 1992. ProteÇno ittternaciottal cotttra as enfermidade. bem como dentro delas. por exemplo. frustração. como é o caso do Instituto Interamericano de Saúde. é de rigor abordar o problema das drogas e examinar os meios de combate adotados pela comunhão internacional. em matéria de poluição atmosférica. e) contribuir para o aperfeiçoamento do ensino médico. a OMS acrescentou a defesa do meio ambiente na área de saúde. 1926 e 1938. o co- . na primeira metade do século XIX. pelo qual os portos da China foram abertos ao comércio da Inglaterra. foi criado em Roma o Escritório Internacional de Higiene Pública. Nessa medida está a raiz da Guerra do Ópio. b) estabelecer padrões internacionais para produtos biológicos e farmacêuticos. estão aid wearv: em alguns casos. Paralelamente à Organização Mundial. realizada em Paris. em 1 85 1 . da insalubridade e do analfabetismo. remonta ao século XIV. O problema não é novo. D. Todavia. ao verificar que os recursos foram malbaratados. da primeira conferência sanitária internacional. da fome. como. No artigo 23 do Pacto da Liga das Nações. O trabalho da Liga das Nações passou a ser exercido pelas Nações Unidas. foi assinada em Paris a Convençáo Sanitária Internacional. Controle internacional de drogas nocivas . vinculado à OEA. um aumento da pobreza. c) auxiliar os governos. a primeira instituição mundial dedicada à saúde. o Centro Internacional de Estudos sobre a Lepra. os Estados-membros foram convidados a "tomar medidas de ordem internacional para prevenir e combater as doenças". e a continuação da deteriorização do ecossistema do qual dependemos para o nosso bem-estar".Na apreciação dos problemas ligados à saúde. existem as organizações regionais. dentre 352 Manual de Direito Internacional Público outros órgãos.

p. Les modifications apportées à 1'Organ International de la Convention Unique sur les Stupéfiants. A Carta das Nações Unidas. 37. 1992. 1997. p. 1937. The Convention of 1936 for the Suppression of Illicit Traffic in Dangerous Drugs. Lester R. AJIL. 14 dez. AFDI. 1992. Alfons Noll. Mello . 157. 436. o Pacto da Liga das Nações deu-lhe a correspondente importância. até então da alçada da Liga das Nações. Lande. Até então o controle concentrava-se nos narcóticos. Renborg. A erradicação da pobreza no mundo. p. Ricardo Seitenfus. Brown. v. 1103L0. La codification du droit international des stupéfiants. A Single Convention on Narcotic Drugs. 1952. International Conciliation. 31 . silenciou a respeito. H. 1972. Jornal do Brasil.sues. p.2. p. 354 Manual c Dircito Internacional Pííhlico Seção 7 Proteção das minorias Durante a primeira guerra mundial deu-se especial importância à questão das minorias com o objetivo de enfraquecer os Impérios Alemão. AFDI. Governo brasileiro. Díez . Environment and development . 167. Rousseau . ao contrário. mas a Organização . p. l. 586. v. p. Vignes. RGDIP. I 1 maio 1992. 1 943. é o mais importante documento para o combate ao tráfico de entorpecentes. Em 1909 realizou-se em Xangai uma reunião dos treze países mais interessados no assunto. Rio de Janeiro. G. 78. o grande desafio.1. 8 jun. Brasília.1. 18. Bibliografia: Nosso futuro comum (o Relatório Brundtland). v. A. NewYork. que veio a ampliar o campo de ação e passou a visar a todos os tipos de narcóticos. São Paulo. New York. Pritvciples of international control of narcot'sc drugs. p. dentre as quais convém mencionar a de 13 de julho de 1931. 1972. p. UNFRA (United Nations Population Foundation) Pnpulation is. 1990. 708. p. em 23 de janeiro. 1974. Em 30 de março de 1961. mas em 1971 o campo de ação foi ampliado para incluir também as substâncias psicotrópicas. coube à China a primazia nesse particular. J. G. ao proibir o cultivo do ópio em 1908. do Nascimento e Silva. 1972. M. 629-48. p. v. em conseqüência. p. 552. Pobreza. 266. A defesa ecológica e a luta pelo bem-estar do homem. de 1961. Amry Vandenbosch e Willard Hogran. Novamente.1990. Starke. jan. 170-225. 278. sendo adotadas nove resoluções. A humanização do meio ambiente. The challenge of sustainable development. A convenção assinada em Viena em 1971 segue em linhas gerais as normas adotadas quanto aos narcóticos. Três anos depois.2.The Founex report. Porto Alegre. Subsídios técnicos para a elaboração do Relatório Nacional do Brasil para a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente. Drug control international. 1966. Dom Eugênio Salles. Jornal do Brasil. Jornal do Brasil. Austro-Húngaro e Otomano. L'état de la planète . Instituto Smithsoniano. AJIL. que vinham sendo outro motivo de preocupação internacional. Encyclopedia. Bibliografia sobre narcóticos: Accioly . B. e. 510. 21 . Paris. 122. Bettati. p. Quinta Parte 353 As Nações Unidas começaram a exercer o controle do tráfico. E. 1988. a Comissão sobre Narcóticos das Nações Unidas adotou uma convenção destinada a atualizar a matéria e incluir num só documento todas as convenções firmadas anteriormente. v. adotando inclusive medidas severas contra as pessoas envolvidas no seu tráfico. 1992. The United Nations. seria assinada em Haia a Convenção Internacional do Ópio. Le contrôle international des stupéfiants. p. 1991.mércio e o uso de narcóticos eram legais e só no início do século XX é que surgiriam as restrições à sua venda. C. Organizações internacionais?. A Liga das Nações deu especial atenção ao problema e sob os seus auspícios foram assinadas três convenções.

Acresce a isto a proibição de imigração. . com a sua morte. principalmente as religiosas. como o da nacionalidade Quinta Parte 355 para as crianças nascidas no país ou o direito de residência. Entretanto. baseada em considerações raciais ou até de nacionalidade. e posteriormente confirmado pela Declaração Universal de 1948. pelo qual se pôs fim à guerra da Criméia. sem a conotação territorial. isto é. num país. talvez pela primeira vez. as minorias. não obstante os anos neles vividos. bem ao contrário. de 31 de maio de 1815. a filosofia resultante da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão e da Revolução Francesa exerceu influência no sentido da melhoria das condições das minorias. mais amplo. a garantia da igualdade de tratamento a todas as pessoas independentemente do grupo étnico. Em segundo lugar. Em todo caso. ou mesmo de simples entrada. No passado. a propósito da reunião da Bélgica à Holanda. trazendo em seu rastro uma guerra sanguinolenta entre minorias religiosas. Ao mencionar no artigo l a proteção dos direitos humanos. religioso ou lingüístico. ou seja. nas relações internacionais. o princípio da não-discriminação. a Rússia e os Países-Baixos. A situação melhorou consideravelmente. uma classe de súditos inferiores aos outros em razão de seu culto e de sua raça. de 30 de março de 1856. Seja como for. os vínculos de união se enfraqueceram e acabaram por desaparecer. concluído por ocasião da paz de Vestfália ( 1 648). foi o Tratado de Paris. Foi só no começo do século XIX que esse conceito se alargou e que a liberdade de consciência foi reconhecida em toda a sua amplitude. dados os aspectos distintos que o problema tem tido nos diversos países. a Prússia. país criado artificialmente e cuja unidade foi mantida graças ao regime imposto pelo Marechal Tito. O mesmo fenômeno ocorreu igualmente na Iugoslávia. nesse. como em outros tratados posteriores.passou a dar à questão das minorias um enfoque distinto. qualquer que seja a sua crença religiosa. o respeito à liberdade de cultos de uma minoria religiosa (no caso. A queda do muro de Berlim e conseqüente desmembramento da URSS veio demonstrar que a questão não estava morta. Garantias mais ou menos idênticas figuraram nos protocolos da Conferência de Londres de 1830. estiveram sujeitas a regimes opressivos. nos empregos e ofícios públicos". e no qual se afirmou a necessidade "de assegurar a todos os cultos uma proteção e um favor iguais e de garantir a admissão de todos os cidadãos. Embora suscitado à época da elaboração da Declaração Universal dos Direitos Humanos. e os países que depois da segunda guerra mundial mais defenderam os direitos humanos têm dado demonstrações de seu desconhecimento ao negarem alguns direitos básicos. Com efeito. a Grã-Bretanha. a esse respeito. não se tratava apenas da liberdade de cultos.s. Muito mais importante. a minoria protestante). formulado claramente no artigo 1 (3) da Carta. considerou-se aconselhável silenciar a respeito. já o Tratado de Osnabruque.stã. consignava cláusulas que. veio dar uma solução positiva ao problema básico das minorias. asseguraram. por ocasião da Constituição do reino da Grécia. Esse reconhecimento consta do Tratado de Viena. mas é ilusório pensar que a discriminação desapareceu. Já então. o artigo 9° desse Tratado declarava que se não devia reconhecer. o problema das minorias deixou de ser encarado sob um aspecto político e passou a ser visto dentro de um prisma humanitário. pois as minorias fizeram sentir o seu peso no ressurgimento de antigos países. entre a Áustria. cuidava-se de garantir apenas a igualdade entre confissões cri.

Entretanto. até o momento em que forem incorporados à nacionalidade do Estado. os que resultaram do Congresso de Berlim. entre gente estranha. e da Conferência. em face daquele sistema. Esses novos princípios foram consignados nos aludidos tratados de paz e em vários outros atos internacionais. as características próprias das respectivas nacionalidades de origem. conseguiram manter. 356 Manual de Direito Internacional Público Com os tratados que puseram termo a essa guerra. de 1 885. ao tempo da Liga das Nações. As controvérsias que pudessem surgir a respeito deles deveriam ser submetidas à Corte Permanente de Justiça Internacional. cujas principais características foram as seguintes: a) a proteção do Estado não se deve limitar às minorias de religião: deve cobrir também as minorias de raça e de língua. através de fases ou períodos históricos sucessivos. Muito se discutiu. a 8á Conferência Internacional Americana. na verdade. os principios da liberdade de consciência e da tolerância religiosa foram novamente proclamados. o representante do Brasil no Conselho da Liga (Afrânio de Melo Franco). Em fins de 1925. considerada como entidade coletiva. através dos séculos. por exemplo. Esses são meros estrangeiros. por ccrtos traços distintivos. E. de certa soberania a outra. "onde não existem as con- . Os direitos reconhecidos às minorias. também de Berlim. em declaração escrita que se tornou bastante conhecida. sustentou a idéia de que o termo. depois. no sentido próprio do termo. reunida em Lima. tal como o entendiam os acordos ou tratados vigentes. pelos mencionados tratados e declarações. foram postos sob a garantia da Liga das Nações. Em dezembro de 1938. entre certas nacionalidades. sobre a matéria. fixado historicamente num território determinado. a minoria era o produto de lutas mais ou menos remotas. não se aplicava a mero agrupamento étnico inerustado no corpo de um Estado cuja maioria fosse constituída por uma população de raça diferente. não terão qualidade para reivindicar os direitos das minorias. até a primeira guerra mundial. No sentido dos referidos acordos . de 1878. é constituída por um grupo que. e da transferência de determinados territórios. em tais tratados. como. tomados isoladamente. no sistema estabelecido sob a garantia daquela organização.Em atos internacionais ulteriores. foram realmente grupos fixados historicamente nos países em causa. especialmente dedicados à proteção de minorias. sobre o alcance ou o sentido da palavra minorias. à massa dos cidadãos do Estado ao qual está incorporado". adotou uma resolução na qual declarou que o sistema da proteção das minorias não podia ter a aplicação na América. c) a garantia dos compromissos internacionais assumidos nessa matéria é confiada à Liga das Nações. Quinta Parte 357 Charles de Visscher acentuou de certa forma esta idéia. b) essa proteção não é concedida apenas aos indivíduos. dizendo que "uma minoria. no seio da própria Liga. eram antes a essas liberdades de ordem religiosa que se limitavam as garantias fornecidas pelos tratados internacionais. sociais e históricos. e. Em todo caso. A seu ver. mas também ao conjunto de cada minoria. se opõe tradicional e conscientemente. a característica essencial das minorias era um atributo resultante de fatores psicológicos. a palavra minoria não se deveria aplicar a simples imigrantes. grupos que. surgiu um novo sistema. parece que se pode considerar como certo que. Esse ponto de vista foi aceito por uns e combatido por outros. bem como nalgumas declarações feitas perante o Conselho da Liga das Nações. o que se teve em vista. por iniciativa da delegação brasileira.acentuou o representante brasileiro -.

p. uma ficção segundo a qual o diplomata continuava a residir em seu país. Leiden.A nacionalidade pode ser originária ou adquirida.sanguini. A Constituição do Império consagrava essa tese ao estipular no artigo 6q que: "São cidadãos brasileiros os que no Brasil tiverem nascido. Yoran Dinstein.soli passou a figurar em todas as Constiluições brasileiras. na Cidade do México.1. nascidos em país estrangeiro. concessáo parcial ao ju. v. Na época o reconhecimento aos filhos de diplomatas da nacionalidade de seus pais era em decorrência do princípio da exterritorialidade.dições que caracterizam os agrupamentos humanos aos quais tal denominação é conferida". The protection of minorities before the United Nations. Fez-se. Todo indivíduo. Mas a tendência. in RCADI. Minorities. a nacionalidade era sempre a dos pais (jus . sendo a primeira a que resulta do nascimento e a segunda a que provém de uma mudança da nacionalidade anterior. p. com o surgimento dos Estados Unidos e dos países da América Latina. em geral de conformidade com a sua Constituição. 1994. 538. 385. p. os dirigentes dos novos países compreenderam que novo critério deveria ser adotado. 738. dando-lhe força desde que acoplado ao ju. e acrescentou que "os residentes considerados como estrangeiros pela lei local não podem invocar coletivamente a condição de minorias". e os ilegítimos de mãe brasileira. dessa forma.s). Francesc Capotordi. Nacionais são as pessoas submetidas à autoridade direta de um Estado. Agui. p. sendo que a exceção atribuída apenas aos funcioná- . que vierem estabelecer domicílio no Império". conforme a Declaração Universal dos Direitos do Homem procla358 Manual dc Direito Internacional Pííhlico ma em seu artigo XV: "Todo homem tem direito a uma nacionalidade". ao nascer. Rousseau . v. adquire uma nacionalidade. Nacionalidade é a qualidade inerente a essas pessoas e que lhes dá uma situação capaz de as localizar e identificar na coletividade. The protection of minorities and human rights. Fabienne Rousso-Lenoir.siçnn da rracionalidade . 1992. Seção 8 Da Nacionalidade No exercício dQ direito de legislação. que lhes reconhece direitos e deveres e lhes deve proteção além das suas fronteiras. in Encyclopedia. ainda que o pai seja estrangeiro. Em outras palavras. trata-se de um direito que o Estado exerce soberanamente. Bruxelles. pois a missão diplomática era considerada como sendo parte do território nacional e os funcionários eram tidos como continuando a residir em seu respectivo país. Dizia a Constituição também que seriam brasileiros "os filhvs de pai brasileiro.s) ou do Estado de nascimento (jus soli). é de que se trata de um direito humano. Felix Ernacore.s . Declaração análoga foi feita na Reunião de Consulta do Rio de Janeiro ( 1942) e na Conferência Interamericana de 1945. p. 1984-IV.s domicilü. cabe ao Estado determinar quais os seus nacionais. ainda por se concretizar. quer sejam ingênuos ou libertos. Sibert . No passado. Quinta Parte 359 O princípio do ju. Estabelecia-se assim o princípio dojus soli. as condições de sua aquisição e perda. que poderá ser a de seus pais (jus snnguini.s sanguinis. Minorités et droits de l'homme: l'Europe et son double.I. 493. Quoc Dinh. 8. daí surgindo o critério do jus soli. Bibliografia: Accioly . uma vez que este não resida por serviço de sua nação".2. A Constituição do Império estendia a nacionalidade brasileira aos filhos de diplomatas nascidos no exterior. mas. 108.

desde que determinadas condições sejam preenchidas. citam-se ainda como modo de aquisição o casamento e a nacionalização em virtude de formação de um novo Estado ou do desmembramento de um território de outro Estado.Todos os países reconhecem o direito de estrangeiros adquirirem por naturalização sua nacionalidade. o que se dá geralmente pela aquisição de outra através da naturalização. ao . e foi tendo em vista essa situação que a Emenda Constitucional de Revisão n. que estabelece as seguintes condições: Perdu da uacionalidade . estipula que "Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. 3(0 Manual de Direito Internacional Público A Declaração Universal dos Direitos do Homem. ou seja. Nacionalidade adguirida .s . nem do direito de mudar de nacionalidade". a Declaração Universal de 1948 reconhece ao indivíduo o direito de mudar de nacionalidade.Conforme visto. haverá perda da nacionalidade no caso de aquisição de outra nacionalidade. que deixou de ser um país de imigração e passou a ser um país de emigração. pela nacionalidade brasileira".sanguir is. de pai brasileiro ou de mãe brasileira. situação que se vem agravando desde 1988. desde que requeiram a nacionalidade brasileira". o que ocorre em virtude da naturalização.ju. desde que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem. Segundo o novo dispositivo constitucional.rios diplomáticos passou a ser atribuída aos filhos de todos os funcionários que se encontrassem no exterior a serviço do País. A Constituição de 1988 vai mais longe. inciso I. Como decorrência de um cont7ito positivo entre os princípios do . inciso II. 3. na forma da lei.tiver cancelada sua naturalização por sentença judicial. § 4Q. pois diz no artigo 12. em virtude de atividade nociva ao interesse nacional. a criança será apátrida. adquiram a nacionalidade brasileira.O indivíduo está sujeito a perder sua nacionalidade. salvo nos casos: a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira. Sentiu-se a necessidade de continuar a manter vinculados ao País aqueles brasileiros que por motivos vários se vêem obrigados a aceitar a naturalização em outros países. Ao contrário. II . em qualquer tempo. pela norma estrangeira.adquirir outra nacionalidade por naturalização voluntária". exigidas aos originários de países de língua portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. no caso de um conflito negativo. a criança pode nascer com dupla nacionalidade. que não se limitavam aos dois casos de perdas mencionados. ocorre a ausência de nacionalidade. § 2 . b) de imposição de naturalização. alterou o citado § 4p do artigo 12.soli e do jus . Além da aquisiçáo da nacionalidade pela naturalizaçáo.ação . Embora mais liberal do que as Constituições anteriores. a Constituição não espelhava a realidade brasileira quanto à questão demográfica do Brasil. de 7 de junho de 1994. No Brasil a naturalizaçáo é prevista no artigo l2. A Constituição brasileira de 1988 previa a perda da nacionalidade no seu artigo 12.s. em que a criança não adquire a nacionalidade quer do ju. b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal. "Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I .s soli quer do jus sanguini. condições estas que podem ser mais ou menos severas de conformidade com a política demogrática do pais. "São brasileiros naturalizados: a) os que. alínea c: "os nascidos no estrangeiro. Dn naturaliz. em seu artigo XV.

1936. v. Riphaguen. Nacionalidade de origem e naturalização no direito brasileiro. 1976. 198. Jacob Dolinger et al. 333. p. artigos 8p a I 6. Le droit international de la nationali té.mual dc Dircito Internacional Núhlico A Constituição de 1988 enumera os cargos privativos dos brasilciros.. Rio de Janeiro. 367. p. 131 . mediante a perfeita caracterização dessas duas categorias de indivíduos. p.1. Direito internacional privado. podem ser obrigados. introdução e parte geral. quer a título temporário. 1 956. como em terremotos. O estrangeiro goza. Os direitos que devem ser reconhecidos aos estrangeiros são: 1Q) os direitos do homem. Rio de Janeiro. ed. o direito de comerciar. mas respeitando os seus direitos humanos. parte geral. com todas as conseqüências daí decorrentes. ed. Ilmar Penna Marinho. o Estado automaticamente classifica como estrangeiros os demais indivíduos que se encontram em seu território. cabendo-lhe cumprir as mesmas obrigações dos nacionais. in RCADI. 1 1.. 131-72. 1. Comentários à Constitui ção. Raul Pederneiras. no Estado que o recolhe.. determinadas pelo interesse público. Bibliografia: Accioly . p. Rio de Janeiro. Oscar Tenório. a de culto. p. ed. os mesmos direitos reconhecidos aos nacionais.. mas não abusivamente ou sem razão suficiente. p. 84. de presidente e vice-presidente da República. a inviolabilidade do domicílio. Quinta Parte 361 1970-III. Estes direitos não são absolutos. 489-620. in RCAD I. isto é. Rio de Janeiro. a prestar serviços de bombeiros em caso de incêndios ou outros semelhantes em casos de calamidades públicas. v. Seção 9 Condição jurídica dos estrangeiros A determinação da condição jurídica do estrangeiro faz surgir inicialmente o problema da distinção entre nacionais e estrangeiros. Lições de direito internacional privado. 1956-1961. 1993. 2Q) os direitos civis e de família. 362 M. Haroldo Valladão. 66 9. Direito internacional privado. Embora isento do serviço militar. v. quer a título permanente.l. Ao determinar quais são os seus nacionais. não possuir uma nacionalidade. nem condenado sem obediência das formalidades legais de processo etc. ou individuais. o direito de propriedade etc. tanto assim que o estrangeiro pode ser preso. isto é. inundações e outros. 3. 1963. 2.. Tratado sobre a nacionalidade. 1991. a liberdade individual e a inviolabilidade da pessoa humana. 200. excluídos apenas aqueles mencionados expressamente pela legislação daquele país.brasileiro residente em Estado estrangeiro. tais como a liberdade de consciência. Pontes de Miranda. Jacob Dolinger. Assim também o direito de propriedade pode ser: suscetível de restrições. Ferrer Correia. José Francisco Rezek. Hackworth. W. National and international reg ulations of international movement and the legal position of private individuals. ou seja. Direito internacional privado . os quais poderão possuir uma nacionalidade estrangeira ou ser apátridas. p. como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. 1 I . como os demais habitantes daquele país. A legisláção relativa à condição jurídica do estrangeiro tem sua justificativa no direito de conservação e no de segurança do Estado. Direito internacional compendiado. de pre- . Mello . Coimbra. p. p. Rio de Janeiro. 1986-III. 285-337.

Tal direito é expressamente previsto na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 . sob o fundamento que. que dá à missão diplomática a faculdade de proteger os seus nacionais "dentro dos limites permitidos pelo direito internacional". de presidente do Senado Federal. O principal instrumento utilizado para controlar o ingresso de estrangeiros é o passaporte que objetiva identificar o estrangeiro. Pouco diz além de mencionar o direito de locomoção e o direito de sair de seu país. como ocorria no passado. nele é colocado o visto de entrada. o máximo que o estrangeiro poderia pretender era a equiparação aos nacionais. As facilidades de locomoção e de deslocamento de um país a outro provocaram o tluxo internacional de turistas. no século XIX e no início do século XX. é geralmente concedido a estrangeiros cuja presença é tida como desejável pelo país. de ministro do Supremo Tribunal Federal. diante do empenho de inúmeras delegaçóes. tanto assim que a quase-totalidade dos países cria dificuldades para a entrada de estrangeiros a fim de evitar o desemprego de seus nacionais. nos Estados Unidos onde vigorava um sistema de cotas. em grande parte em decorrência do reconhecimento dos direitos humanos.sidente da Câmara dos Deputados. mas nos dias que correm verifica-se que a questão demográfica exerce forte influência. Nesse sentido é interessante lembrar que nos países daAmérica Latina. inclusive o próprio. e a este regressar". Ao mesmo tempo. como o deslocamento de pessoas indesejáveis. A legislação varia de país para país. mas de modo geral se verifica que os vistos são de três categorias: permanente. por exemplo. essa facilidade de deslocamentos trouxe inúmeros malefícios. pode em alguns casos excepcionais recorrer à missão diplomática ou à repartição consular de seu país caso seus direitos não sejam respeitados. da carreira diplomática. que lembraram casos de proteção abusiva exercida no passado. de espécies animais em extinção e de obras de arte cuja exportação é proibida. Esse argumento era inadmissível. e acrescenta. O argumento apresentado pelas missões diplomáticas estrangeiras em favor de seus nacionais era de que todo ser humano goza de um mínimo de direito que não lhe pode ser negado. de oficial das Forças Armadas. A Declaração Universal dos Direitos Humanos prevê em seu artigo XIII que "Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado". Quanto ao visto temporário. mas não pode fazer discriminação baseada em motivos raciais ou religiosos. porém. Neste particular. como no caso da obtenção de mão-de-obra qualificada. Em outras palavras. não reconhece ao estrangeiro o direito de ingressar em outro país. acabou por ser incluído. temporária e de turista. cujo objetivo era manter uma relativa unidade populacional. não se podia atribuir aos estrangeiros dircitos superiores aos dos nacionais. Embora considerado supérfluo. visto que todos os direitos mencionados na Convenção devem ser exercidos dentro do direito internacional. no 2q: "Todo homem tem o direito de deixar qualquer país. . o contrabando de entorpecentes. Quinta Parte 363 O enfoque negativo dado no passado à matéria modificou-se totalmente. Embora o estrangeiro seja obrigado a acatar a legislação do país de residência. O Estado tem o direito de negar o ingresso de estrangeiro em seu território. Destes o visto permanente é o de mais difícil obtenção. porém é válido em face da Declaração Universal dos Direitos do Homem. que representa para muitos países uma importante fonte de renda e veio criar para as autoridades locais a necessidade de dar-lhes um tratamento diferenciado.

1931-III. 1 I 12. 1001 . Aliens. Rio de Janeiro. p. nos crimes de imprensa. p. p. 6. 37. Rainer Arnold. o país requerente se compromete a conceder a extradição solicitada. de 1981. Alguns tratados contêm uma enumeração dos crimes que justificam a extradição. 86. Bihliogrufia: Alfred von Verdross. 161. Quinta Parte 365 A extradição só se justifica por crime de certa gravidade e não se aplica a simples contravenções. Rio de Janeiro.715. Duties of States regarding the civil rights of aliens. Whiteman. v. . Willard Boyd. 8. Karl Doehring. Aliens. Valladão. 1930. 744. p. 187. ou seja: nos crimes políticos. ed. mas deve ser subentendido que semelhante numeração é puramente exemplificativa. Da condição jurídica dos estrangeiros no Brasil. Com tal objetivo. 5. v. Atualmente. mediante a cooperação internacional. v. in UNESCO. Além dessas convenções multilaterais específicas. Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho. p. é necessário repetir que alguns dos exemplos mencionados não mais se justificariam diante do reconhecimento do mínimo de direitos que o direito internacional reconhece ao homem. Michi ·un Luw Revievc. p. v. p. o texto básico a respeito é o artigo 5 . ocorrendo crime análogo no país requerido. como as assinadas na Haia e em Tóquio visando ao combate à pirataria séria. maio 1953. A concessão da extradição é geralmente praticada de conformidade com um tratado bi ou multilateral que vincule as partes. segundo a qual.2. Military service. a extradição procura garantir ao acusado um julgamento justo. Règles internationales concernante le traitement des étrangers. Na ausência de um tratado. No Brasil. em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias a sua defesa". 327. e pelo Tratado de Direito Penal Internacional (Montevidéu. após haver-se certiticado de que os direitos humanos do extraditando serão garantidos.. Mello . Direitn internacinnal prinudo.-mar. Richard Lillich. e o Decreto n. p. incisos LI e LII.815/80. Archivo Judiciario. Bento Faria. outras podem ser mencionadas. v. nos crimes religiosos e nos crimes militares. 348.contudo. 1941. que um indivíduo deixe de pagar pelas conseqüências de crime cometido. não excluindo outros crimes. alguns tratados especificam que a extradição só será concedida se se tratar de crime punido com pena superior a um ou a dois anos de prisão. 1932). de conformidade com o artigo XI da Declaração Universal dos Direitos do Homem. inclusive pela Convenção de Direito lnternacional Privado de 1928 (o Código Bustamante). 329. in UNESCO. A doutrina e a prática mencionam alguns casos em que a extradição não deve ser concedida. in Tratado de direito civi! brcr. Direito internacinncrl hrü'url . 102. segundo o qual "Todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei. jan. o Brasil e alguns outros países concedem a extradição mediante uma declaração de reciprncidacte. 1940). 401. in RCAD/. 6. Na América Latina a matéria se acha regulamentada em diversos tratados. Jacob Dolinger. 1997. I. 364 Manual de Direito Internacional Público Seção 10 Da extradição A extradição é o ato mediante o qual um Estado entrega a outro indivíduo acusado de haver cometido crime de certa gravidade ou que já se ache condenado por aquele. que foi posteriormente modificado pela Convenção sobre Extradição (Montevidéu. in RCAD/. da Constituição de 1988. Rio de Janeiro. A condição dos estrangeiros nas repúblicas americanas. A instituição da extradição tem por objetivo principal evitar. regulamentados pela Lei n. p. 1978-III.siloiro. Treaties governing the SlIcceSSj >n [o real property by alien.

A. A questão é bastante controvertida doutrinariamente. 418. Jiménez de Aréchaga. a pedido do Juiz espanhol Baltazar Garzón. in RCADI. Rezek . teve a maior repercussão. Diante desses dois exemplos é fora de dúvida que o princípio da inviolabilidade absoluta de chefes de Estado não pode ser invocado no caso de crimes de maior gravidade. a saudação à bandeira do Estado ofendido. in RCADI. Capítulo 12 A SANTA SÉ E A CIDADE DO VATICANO Durante séculos. o Papa possuiu o poder temporal. a desaprovação de atos contrários à honra e à dignidade do Estado. in RCADI. a gravidade dos crimes perpetrados não é de molde a justificar a não-extradição. o pedido de prisão formulado pelo magistrado espanhol foi acolhido.st inn of local rernedies iu international Iaw.1. Brasília. a tese oposta é defendida pelos autores que salientam que um crime político pode ter as mais graves conseqüências. Willen Riphagen e de Gaetano Arangio-Ruiz. Suas formas mais comuns são: a apresentação de desculpas. como . Principes généraux de la responsabilité internationale. A medida para as satisfações deve buscar-se na natureza e gravidade das ofensas. 595. antigo Presidente do Chile. 1967. 317.xhau. Cançado Trindade. veio modificar o enfoque que a ela vinha sendo dado. 1983. Neste sentido. A Constituição brasileira declara peremptoriamente que "não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião".1. State responsabilit for injuries to alien.s E. Enquanto os defensores da não-extradição por crimes políticos alegam que a criminalidade é relativa. Em decisão tomada na Câmara dos Lordes.5. lerA. Cambridge. p. e subsidiariamente os de F. Amerasinghi. a extradição só deve ser concedida desde que a pena seja comutada em pena de prisão. Bibtiogrcrfia: O tópico Re. até 1870.No caso de indivíduo condenado à morte.s. Accioly . Embora nos atos de terrorismo 0 objetivo político seja sempre invocado. devem ser públicas. que na opinião de antigos autores deveria ser negada. 1939-1.V. 1984 . portanto. a promotora do Tribunal Penal Intemacional da Haia para o julgamento por crimes praticados na Iugoslávia indiciou o Presidente Slobodan Milosevic por crimes contra a humanidade. Rousseau . p. não obstante os magníficos relatórios submetidos pelos relatores. p. Mello . 1984. publicados no YILC de 1 969 a 1 980. p. 269. M. e. Díez . P. 253. Accioly. p. Oxford. Dupuy. mas considerações doutrinárias e políticas têm obstaculizado os seus trabalhos. a mais delicada e controvertida é a de crime político. é importante estudar os oito relatórios de Roberto Ago. Le délit ínternational.2. p.stado. Outro exemplo citado era o de um eventual pedido de extradição de chefe de Estado.sponsabilidade Internacional do. V. C. O esgotantento de recursos internos no direito internacional. -------------------------------------------------------------------------- 156 Manual de Direito Internacional Público geralmente. Como bibliografia básica. Brownlie. 6. a manifestação de pesar. Embora essa decisão se r ferisse exclusivamente à Grã-Bretanha e tenha sido declarada nula posteriormente. Dentre as hipóteses de não-extradição. Responsabilité internationale des États. 414. The upplicution o_f the rule nf e. Pouco depois. 1959-1. p. F. a destituição do autor ou autores da ofensa ou outra maneira de punição do culpado ou culpados.s consta da Agenda da CDI desde o início. idem. Garcia Amador. Roberto Ago.1. em 1999. Atualmente a situação é outra: o pedido de extradição do General Augusto Pinochet.

não deixavam de ser reconhecidos nessa qualidade. como se derivasse apenas do poder temporal. Ninguém pode ignorar. sendo que em 1986 ficou ainda esclarecido que tal direit . acessório necessário.TXT Capítulo 5 OS TRATADOS A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. e de garantir ao Soberano Pontífice certas prerrogativas. pois nela as regras costumeiras sobre a matéria foram devidamente codificadas num documento quase perf eito. que. sua autoridade era comparável à de qualquer outro chefe de Estado e se exercia plenamente sobre as terras da coroa pontifícia. caiu o poder temporal do Papa. Por isso mesmo. acima de sua qualidade de chefe de Estado houve sempre a de soberano espiritual. A Convenção de 1969 foi complementada pela Convenção de 1986 sobre o Direito dos T ratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais . Daí a ---------------------------------------------------------------------------- ============================================================================== ARQUIVO TRATADOs. cuja autoridade ultrapassava os limites do seu domínio territorial. aliás. em 1870. cujo objetivo foi precisamente o de reconhecer o direito das organizações internac ionais de firmar tratados e convenções. pelos demais membros da comunidade internacional. que essa qualidade superior é o que constitui a verdadeira razão de ser do Papado. porém. a personalidade internacional deste e da Santa Sé começou a ser negada por muitos. dentro dos limites territoriais do reino de Itália. sua personalidade internacional nunca foi posta em dúvida. entretanto. esnecialmente oara o livre exercício de suas funções espirituais. Quando. sem dúvida. porém.soberano dos Estados pontifícios. terminologia e classificação dos tratados Por tratado entende-se o ato jurídico por meio do qual se manifesta o acordo de vo ntades entre duas ou mais pessoas internacionais. As Convenções de Viena de 1969 e d e 1986 tiveram o grande mérito de estabelecer que o direito de firmar tratados dei xou de ser atributo exclusivo dos Estados e pode ser exercido também pelas demais pessoas internacionais. percebiam ou queriam perceber que o poder temporal do Soberano Pontífice era apenas um acessório do seu poder espiritual. em seu conjunto. como chefe visível da Igreja Católica. Nem todos. é uma das mais importantes fontes do DIP. Em virtude do primeiro. De fato. por efeito da usurpação levada a efeito pelo reino da Itália. para a garantia de sua índependência. ao lado do poder espiritual. era senhora de Estados. assinada em 1989. Seção 1 Conceito. naquela época: a Santa Sé possuía um largo território. Logo após a tomada de Roma. os próprios homens de Estado italianos compreenderam a necessidade de assegurar à Santa Sé a mais larga liberdade de ação possível.

ma s existem diversos exemplos de tratados multilaterais ou de tratados multilatera is restritos. buscam regular interesses recíprocos e são geralmente de natureza bilateral. é a que se nos depa ra em relação à Corte Internacional de Justiça. Outro ponto importante consolidado pelas duas convenções é que a palavra tratado se re fere a um acordo regido pelo direito internacional. e que o objeto do tratado seja lícito e possível. levados a efeito. Várias classificações têm sido utilizadas para os tratados. baseando-se em diversos autores. dispõem sobre a matéria permanentemente. mas no ano seguinte ela foi retirada. o tipo de tratado hierarquicamente ma is importante é a Carta. Os primeiros. uma vez por todas. geralmente. que os agentes estejam habili tados. protocolo. Embora a Convenção de 1969 não mencione os tratados não-escritos. Os tratados executórios. é necessário que as partes (Estados ou or ganizações internacionais) tenham capacidade para tal. qu ando as partes são mais numerosas. i sto é. que exercem importante papel na vida internacional contemporânea. como os de codificação assinados em Viena. além das con cordatas. Em outras palavras. protocolo . Os tratados-contratos podem ser executados ou executórios. Accioly. que haja consentimento mútuo. havendo o direito da Cruz Vermelha Internacional neste particular sido lembrado em mais de uma oportunidade. como pode suceder nos trata dos de paz ou de fronteiras. Seção 2 Condição de validade dos tratados Para que um tratado seja considerado válido. ou seja. A palavra convenção tem sido utilizada nos p rincipais tratados multilaterais. A p roposta francesa visava a determinados tratados com um número restrito de partes. A palavra Estatuto. toda vez que se apresentem as condições necessárias. seu conteúdo. 24 Manual de Direito Internacional Público tratado é a expressão genérica. sendo raros os exemplos modernos em contrário .o pode ser exercido por sujeitos do direito internacional que não os Estados e organizações intergovernamentais. esclarece que tal si lêncio não os prejudicará. ensina que a melhor classificação é a que te m em vista a natureza jurídica do ato. declaração. da União Inter nacional para a Proteção da Propriedade Internacional. Os tratados-contratos procuram regular interesses recíprocos dos Estados. Os tratados-leis são gera lmente celebrados entre muitos Estados com o objetivo de fixar as normas de DIP. como ocorre nos tratados de cessão ou de permuta de territórios. o seu objeto ou o seu fim. compromisso etc. como é o caso da União Postal Internacional. são os que prevêem atos a serem executados regularmente. que são os atos sobre assuntos religiosos celebrados pela Santa Sé com os Estados que têm cidadãos católicos. ajuste. da Organização Mundial de Saúde e d a Organização Mundial de Meteorologia. Sob este aspecto. citando-se as seguintes: convenção. Hoje em dia. Em 1968 a Delegação da França submeteu proposta visan do à inclusão na Convenção do conceito de tratado multilateral restrito relativo aos tra tados cujo objetivo é a vinculação apenas dos Estados mencionados num tratado cuja ent rada em vigor depende do consentimento de todos os Estados que o negociaram. como nos tratados de comércio e nos de extradição. São inúmeras as denominações utilizadas conforme a sua forma. outrora sem maior expressão. podem ser divididos em tr atados-contratos e tratados-leis ou tratados-normativos. convênio.. escritos. ou permanentes ou de efeitos sncessivos. modus vivendi. A mais simples é a que os divide conforme o número de partes contratantes. Nada impede que um tratado reuna as duas qualidades. embora fosse aceitável na opinião de diversas delegações. também cham ados transitórios ou de efeitos limitados. Os tratados são. as convenções multilaterais como as de Viena são um exemplo perfeito deste tipo de tr atado. . "qualquer que seja a sua den ominação". são Introdução 25 os que devem ser logo executados e que. Dentre os tratados-normativos citam-se os de criação de uniões Internacionais administrativas. em bilaterais (quando celebrado entre duas partes) ou multilaterais. expressão utilizada no tocante às Nações Unidas e à Organização dos ados Americanos.

Além do mais. dol o. § 2° . visto existir um interesse superior da comunidade internacion al de que os tratados sejam respeitados. se ocupa dos vícios (erro. Se. espelhando uma tendência no sentido de simplificar as formalidades na matéria.) como motivos de nulidade. Na prática. entretanto. a adoção do texto efetuase pela maioria de dois terços dos Estados presentes e votantes. sofre algumas exceções. in statu emergente. desde que tenham entrado em vigor. No caso dos tratad os multilaterais. tanto assim que a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais de 1986 trata especificamente da questão. o Estado lesado poderá reclamar d . a não ser que. o Estado assim l esado tem o direito de protestar e de procurar assegurar os seus direitos. coação etc. ensinava que apenas os Estados soberanos tinham o direito de assinar tratados. embora de maneira tímida 26 Manual de Direito Internacional Público no início.§ 1° . A questão chegou a ser suscitada mas só foi com a Carta das Nações Unidas que passou a ter aceitação. a Conferênc ia de Viena de 1968-1969. negociados numa conferência internacional. No caso de coação exercida contra representant e de um Estado.Consentimento mútuo O tratado é um acordo de vontades e. Seção 3 Efeitos de tratado sobre terceiros Estados Os tratados. um tratado não pode ser fonte de obrigações para terceiros. decidam adotar uma regra diversa. ou causa a esse Estado um d ano extralegal. o tratado não viola direitos de um Estado não -contratante e é apenas prejudicial a seus interesses. Quando em 1924 o Governo do Brasil informou o Secretário-Geral da Liga das Nações de sua intenção de criar em Genebra uma representação permanente a ser dirig ida por um Embaixador. Isto não impede. O artigo 34 d as Convenções de Viena consigna esta regra ao estipular que "Um tratado não cria nem o brigações nem direitos para um terceiro Estado sem o seu consentimento". a apresentação de plenos poderes é dispensada no caso dos Chefes de Estado ou de Governo e dos Ministros das Relações E xteriores. devidamente reconhecidas pelas citadas Con venções. seguindo a orientação da CDI. a adoção de seu texto efetua-se pelo co nsentimento de todos os Estados que participam na sua elaboração. pela mesma maioria. a Convenção de Viena estabelece em seu artigo 51 que o tratado "não pr oduz efeito jurídico".Objeto lícito e possível O consenso de vontades em DIP só deve visar a uma coisa materialmente possível e per mitida pelo direito e pela moral. baseada na prática dos Estados. em tal hipótese. como tal. O artigo 7 da Convenção de 1969 . as duas hipóteses são raras. são de cumprimento obrigatório. contudo. ou antes um dammum sine injuria. conforme veremos. bem c omo o de pedir reparações. tal decisão trazia. diz que os plenos poderes podem ser dispensados em certas circunstâncias. o eventual direito da Liga das Nações de firmar tratados. Introdução 27 § 4° . que lhes possa acarretar conseqüências nocivas. em princípio. não padece a menor dúvida a respeito. Nesta hipótese. Hoje em dia . Os princípios de direito civil relativos aos vícios de consentimento não podem ter a m esma aplicação em DIP.Habilitação dos agentes signatários Os representantes de um Estado para a adoção ou autenticação do texto de um tratado ou p ara expressar o consentimento do Estado em obrigar-se pelo mesmo demonstram a su a capacidade mediante a apresentação dos plenos poderes. o Estado que ele representa pode d eixar de ratificar o tratado ou contestar a sua validade. só produzem efeitos entre as partes contratantes. § 3° . A antiga CP JI consagrou esta regra em 1926 ao declarar que "um tratado só faz lei entre os Es tados que nele são parte". 1º) Sem dúvida. para el as. porém.Capacidade das partes contratantes A doutrina tradicional. Atualmente. A regra. A carta de plenos poderes deverá ser firmada pelo Chefe de Estado ou pelo Ministro das Relações Exteriores. Na prática.

tr oca dos instrumentos constitutivos do tratado. muitos autores eram de opinião que a troca de ratificações ou o seu depósito é que dava força obrigatória ao tratado. só ocorre a ratificação depois que o tratado foi devidamente aprovado pelo Parlame nto. em geral. A dispensa da ratificação ocorre quando o próprio tratado assim disponha. nos modus vivendi que têm por finalidade deixar as coisas no estado em que se acham ou estabelecer simples bases para ne gociações futuras. Seção 4 Ratificação. concedam um direito ou privilégio a terceiros. Seja como for. pela forma que tiverem acordado. No passado. não da própria estipulação. menciona algumas outras modalidades. pois. além de admitir a assinatura como meio de um Estado se obrigar por um tratado. levando em consideração certas peculia ridades de determinados países. por manifestação de vontade expressa. De ordinário. declarando aceito o que foi convencionado pelo agente signatário. para o terceiro Estado. A ratificação é o ato administrativo mediante o qual o chefe de Estado confirma um tra tado firmado em seu nome ou em nome do Introdução 29 Estado. um Estado deve abster-se da p rática de qualquer ato capaz de frustrar o seu objeto e finalidade (art. A ratificação deixou de ter importância anterior. aprovação ou adesão. as partes contrata ntes concordem em assumir. de adquirir um direito às vantagens ou privilégios conferidos pelo tratado. Em outras palavras. o por quaisquer outros meios. em relação a um terceiro Estado. Está claro que. das quais a prática internacional. c omo no caso de acordos de transporte aéreo. estende a regra a todos os tipos de tratados. 2º) Por outro lado. nos acordos celebrados para cumprimento ou interpretação de tratado devidamente ratificado. a exemplo do que ocorre no Brasil. o direito de exigir a execução da esti pulação que lhe é favorável surge. quando o compromisso verse sob . 28 Manual de Direito Internacional Público reconhecem que o Estado. Embora o tratado só entre em vigor após a sua ratificação. Quanto à assinatura. implícita ou explicitamente. aceitação.iplomaticamente contra o fato. não adquire ipso facto o direito de exigir a sua execução. A Convenção inovou neste partic ular. antes de ratificado. nada impede que. Nos tratados sobre o meio ambiente tem surgido a prática de assinar tratados-base (umbrella treaties) que traçam as grandes linhas e que devem ser completados por protocolos ou pela modificação de anexos em que a ratificação pode ser dispensada. A bem dizer. Geralmen te. tanto assim que a necessidade da rat ificação só existe se o próprio tratado a previr. ou que os contratantes. mas de acordo de vontades. tendo em vista a praxe que vem sendo adotada entre os paíse s da Comunidade Européia. e que as partes contratantes conservam sempre a liberdade de modific ar esse tratado ou de lhe pôr termo. pode admitir-se razoavelmente que. a obrigação de lhe reconhece r a faculdade de exprimir uma vontade correspondente à sua e. se a manifestação de vontade de um terceiro Estado se encontra com a v ontade expressa das partes contratantes no sentido de assumirem estas as obrigações correspondentes aos direitos ou privilégios concedidos ou reconhecidos ao primeiro . já tem fornecido numerosos exemplos. possam resultar conseqüências favo ráveis para Estados que dele não participem. admitem essas exceções. se assim for acordado". Os autores. todavia. como mera promessa condicional. ratificação. É admissível que. mas contra o mesmo não terá recurso jurídico. porém. a nova orientação. a prática internacional admitia que alguns tratados de somenos importância não exigissem a ratificação. o t ratado era tido. contudo. 18). adesão e aceitação de tratado O artigo 11 da Convenção sobre o Direito dos Tratados estipula que "o consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado pode manifestar-se pela assinatura. beneficiário da estipulação de tratados do qual não é parte contratante. onde esta faculdade é do Congresso Naciona l. por conseguinte. est a é a única hipótese de exceção ao princípio de que o tratado só produz efeitos entre as part s contratantes. por eles. nos acordos sobre assuntos puramente administrativos que prevêem eventuais modificações. Nesta hipótese. o caso será diferente. de um tratado.

às vezes. a ratificá-lo. ou isso e mais o primeiro e o último artigos. a Corte Internacional de Justiça foi chamada a opinar sobre as reservas formuladas à Convenção sobre genocídio. e em seu parecer consultivo opinou q ue um Estado. e constatou-se que a a ntiga regra tornara-se inexeqüível. não há razão para que ele seja submetido ao poder legislativo. A operação da troca de ratificações. contanto que se evidencie por atos inequívocos. é nele transcrito o texto integral do tratado. Is to não impede. o ato de firmar e selar a carta de ratificação. se realiza na capital de um terceiro Estado. porém. usada para os tratados bilaterais. o que importa é a referência clara e ineq uívaca ao ato que se quer ratificar.re matéria executiva.e é o que às vezes sucede . que qualquer dos signatários se recuse. como.que dele Introdução 31 constem apenas o título. Às v ezes. Mas nada impede . com alguma solenidade. de o rdinário. O direito internacional não prescreve a forma que deve ter a ratificação. De fato. ou o seu depósito no lugar para isto indicado no próprio tratado. que dá vigor ao tratado. um simples depósito. a não ser que: a) a reserva seja proibida pelo tratado. lavrado em dois exemplares. Criou com este parecer a tese da compatibilidade. o preâmbulo. A Assembléia da Liga das Nações. e estes requerem quase sempre certo numero de depósitos. o francês). consigna a troca dos documentos e é assinado e selado pelos plenipotenciários especialmente d . Quas e sempre. a data e as assinaturas do tratado. a ratificação é concedida por meio de um documento. consiste na perm uta das respectivas cartas de ratificação de cada parte contratante. porém. para tra tados multilaterais. Na realidade. se não o de todas as partes contratantes. Aliás. apesar do q ue dispõe a Constituição americana em relação aos tratados. com o assentimento de todos os demais Estado s signatários. b) o tratado disponha que só possam ser formuladas determinadas reservas. Em 1951 . um começo de execução. não ba sta para o aludido resultado. ratificar. Se. nos Estados Unidos. Com efeito. para sua entrada em vigor. por exemplo. ou c) nos casos que sejam previstos nas alíneas a e b a reserva seja incompatível com o objeto e a finalidade do tratado". aceitar. onde a práti ca dos acordos executivos já recebeu a consagração da própria Suprema Corte. por qualquer motivo. ou quando o texto do tratado previr tal reserva. de 1969. parte numa convenção. em seu artigo 19 nos seguintes term os: "Um Estado pode. ao assinar. decidiu que uma reserva só poderá ser admitida por ocasião da ratificação de um tratado. ou rejeitado. Efetua-se. nos respectivo s idiomas dos dois contratantes ou num terceiro (geralmente. por exemplo. está claro que o mesmo deve ser submetido às formalidades constitucionais estabelecidas para esse fim. Daí alguns aut ores admitirem que ela seja tácita. a que se dá o nome de carta de ratificação. o acordo ou tratado prevê sua própria ratificação. para esse fim escolhida por acordo mútuo. designado previamente no instrumento original do tratado. entretanto. Em geral. desde muito. em resolução adotada a 25 de setembro de 1931. formular uma reserva. tem o direito de objetar às reservas que considere incompatíveis com o objeto e a finalidade da citada convenção e considerar o Estado q ue formulou as reservas como não vinculado à Convenção. Durante muito tempo a doutrina era no sentido de que um tratado só podia ser ratificado tal qual foi assinado: ou deveria ser apro vado integralmente. da outra parte contratante. que acabaria sendo acolhida na Convenção sobre o Direito dos Tratados. O que o torna perfeito e acabado é a troca de tal instrumento contra outro idêntico. no Ministério das Relações Exteriores de um dos dois Es tados contratantes. aprovar um tratado ou a ele ade rir. Ist o tem sido reconhecido. geralmente. o depósito é exigido. isto é. ainda que para tanto tenha sido autorizado pelo órgão competente. assinado pelo chefe de Es tado e referendado pelo Ministro das Relações Exteriores. O problema das reservas a tratados multilaterais se agravou com as Nações Unidas e o aumento dos Estados-membros da comunidade internacional. entre a s quais não se inclui a reserva em pauta. contudo. Tal documento contém a promessa de que o tratado será cumprido inviolavelmente. Uma ata ou protocolo. 30 Manual de Direito Internacional Público O problema das reservas a tratados bi ou multilaterais tem sido um dos mais comp lexos em direito internacional. não é propriamente a ratificação.

a adesão ou a aceitação é feita junto à Organização ou ao Estado depositário. mas ao contrário o completam. conforme dissemos. ou seja. Assim. logo que possível. mas hoje em dia deve m ser consideradas sinônimos. o que não tem impedido que alguns Estados.esignados para a troca. ne m a exigibilidade das obrigações neles contidas". quase sempre. que se torn ou axiomático. tenham feito uma declaração interpretativa que consiste numa verdadeira ne gação de um dos princípios básicos do tratado. A Convenção sobre o Direito dos Tra tados entre Estados e Organizações Internacionais é nos mesmos termos. como informar as partes contratantes do recebimento de as sinaturas e adesões. Às vezes. A Convenção de Viena endossou esta regra (art. mas acresce ntava que a omissão no cumprimento da mesma "não prejudicará a vigência dos tratados. no caso de países que posteriormente desejarem ser parte nele. que também previa que "nenhum desses tratados ou compromissos internacionais será obrigatório antes de ter sido registrado". A Convenção de Havana sobre tratado s (1928) Introdução 33 em seu artigo 4 também estipulou a obrigatoriedade de tal publicidade. segundo o sentido comum atribuível aos termos do tratado em seu contexto e à luz de seu obj eto e finalidade" (art. em seguida. 31). e que é geralmente o do Estado onde o tratado foi assinado. o proces so do depósito das ratificações. estipula-se 32 Manual de Direito Internacional Público geralmente que eles serão depositados na sede da organização. Diante de algumas interpretações abusivas. com duas pequenas modificações que e m nada alteram o seu espírito. A exemplo do que ocorre com os tratados assinados. Seção 6 Interpretação de tratados As Convenções de 1969 e de 1986 se ocupam da interpretação de tratados nos artigos 31 a 33. Estas são enviadas ao governo de um Estado previamente determinado. a fim de que o tratado. disp ositivo que deu lugar a muita controvérsia na época. que estipulam como regra geral que um tratado deve ser interpretado de boa-fé. com isto eliminando uma pequena dúvida. O artigo 102 da Carta das Nações Unidas repetiu neste particular o artigo 18 do Pacto da Liga das Nações. Tal gover no recebe e guarda nos seus arquivos os instrumentos recebidos e comunica o depósi to aos demais contratantes. da entrada em vigor do tratado quando este reunir o número de r atificações ou adesões necessárias etc. o recurso é a adesão ou a aceitação. O artigo também evita falar em Me mbro das Nações Unidas. acrescentando que nenhuma parte num tratado não registrado poderá invocá-lo perante qualquer órgão das Nações Unidas. que "não é permitido interpretar o que não tem necessidade de in terpretação". é fixada uma data para o primeiro depósito de ra tificações. comece imediatamente a vigorar entre as partes que o tiverem ratificado. ser registrado no Secretariado e por este publicado. o parágrafo segund o acrescenta que a designação de um depositário constitui autorização para este praticar o registro. Esta interpretação já não pode ser acolhid a. . É freqüente a inclusão em tratados multilaterais de cláusula de que não serão p itidas reservas a eles. ao ratificar um tratado. São estes. A regra básica de interpretação é que "um tratado deve ser interpretado de boa-fé. 80). cabendo-lhe cumprir toda s as funções do depositário. depois de reunido certo número destas. Quando se trata de tratados multilaterais. o Ministro das Relações Exteriores da parte contratante em cuja capital se efetua a cerimônia e o agente diplomático da o utra parte acreditado no lugar. visto que a obrigatoriedade do registro também incumbe a qualq uer organização que eventualmente assine um tratado. Nos tratados multilaterais celebrados sob os auspícios das Nações Unidas ou da Organiz ação dos Estados Americanos. Alguns autores buscavam diferenciar a adesão da aceitação. Apenas os Estados que assinaram um tratado multilateral é que devem ratificá-lo. adota-se. convém lembrar um princípio básico. Seção 5 Registro e publicação de tratado A Carta das Nações Unidas determina em seu artigo 102 que todo tratado ou acordo int ernacional concluído por qualquer Membro deverá.

Se num tratado bilateral redigido em duas línguas houver discrepância entre os dois textos que fazem fé. Várias soluções têm sido apresentadas. ta nto assim que são poucos os autores que dela se ocupam. sendo que a Convenção de 1986 menciona ainda o árabe. conforme ocorre no parágrafo 3 do artigo 30. que seria repetido na Convenção sobre o Direito dos Tratados de Organizações Internacionais. da lex posterior. infelizmente. dentre os modos de extinção de tratados. prevalecerão as obrigações assumidas em virtude da presente Carta" (art. a começar com a tese da lex prior. A dificuldade aumenta se um tratado bilateral entra em conflito com outro multilateral. A CDI se ocupou dos tratados sucessivo s de 1953 a 1966 sob cinco ângulos distintos e acabou adotando o artigo 30 da Conv enção de 1969. o francês. mas também o preâmbulo e os anexos. como é o caso da Convenção sobre o Direito dos Tratados que menciona o chinês. ser equiparados a 34 Manual de Direito Internacional Público um acordo prévio entre as partes quanto ao sentido a ser dado a determinado trecho ou vocábulo. onde a complexidade aumenta. Seja como for. Convém salientar que no tocante a grandes convenções multilaterais de codificação.Na interpretação leva-se em consideração não só o texto. pois "presu me que os termos do tratado têm o mesmo sentido nos diversos textos autênticos". ou no caso de dois tratados multilaterais. geralme nte. defendida por Gr ocius e que contou com a aceitação da CDI em 1953. o espanhol. surgiu a consciência de que se deveria transpor para o DIP a regra de direito interno que reconhece a superioridade legal dos di spositivos constitucionais. no caso de existir um tratado específico . Neste particular. Grocius era de opinião que.os travaux p réparatoires . Com o objetivo de evitar semelhantes d iscrepâncias é comum a escolha de uma terceira língua que fará fé. convém lembrar que principalmente nos tratados de natureza específ ica a praxe é incluir no início uma lista das expressões utilizadas e seu sentido em r elação ao tratado. Um termo será entendido em sentido especial se estiver estabelecido que essa era a intenção das partes. podem.a lex speciales . pode ser acolhida em alguns ca sos restritos. . Embora os travaux prépa ratoires sejam considerados meios suplementares de interpretação. 103). na área do direito dos tratados. A Carta das Nações Unidas é clara: "No caso de confl ito entre as obrigações dos membros das Nações Unidas em virtude da presente Carta e as obrigações resultantes de qualquer outro acordo internacional. a documen tação existente esclarece freqüentemente o sentido de um artigo. A tese contrária. Seção 7 Aplicação de tratados sucessivos sobre a mesma matéria A aplicação de tratados sucessivos sobre a mesma matéria é um dos problemas mais complexos. salvo disposição expressa em contrário. Os tratados devem ser interpretados como um todo. A Convenção sobre o Direito dos Tratados adota uma norma interpretativa que. Hoje em dia já não se discute a prioridade da Carta das Nações Unidas tida como a higher law. que tomou por base um projeto de H. Introdução 35 No caso de tratados bilaterais. a rigor não se pode falar em conflito mesmo quando os seus dispositivos parecem ser incompatíveis: trata-se de uma questão de interpretação em que a boa-fé deve prevalecer. como qualquer acordo feito entre as partes por ocasião da conclusão do tratado ou p osteriormente quanto a sua interpretação. como as firmadas em Viena. e. é possível qu e haja dúvidas sobre se pode ou não ser em forma não-escrita. não pode ser considerada satisfatória. quiçá mais confusos. Pode-se recorrer aos trabalhos preparatórios da elaboração dos tratados .ele deve ser preferido: lex specialis derogat generali. com a Liga das Nações. quando o fazem. Apesar de favorável à lex prior. o inglês e o russo. A questão poderá tornar-se mais complexa no caso dos tratados multilaterais firmados sob os auspícios das Nações Unidas nos quais diversas línguas podem fazer fé. cada parte contratante é obrigada apenas pelo texto em sua própri a língua. às vezes. cujas partes se completam umas às outras. Com referência a este acordo prévio.se o texto deixa o sentido ambíguo ou obscuro ou se conduz a um resul tado que é manifestadamente absurdo ou desarrazoado. Lauterpacht.

ocorrendo incompatibilidade entre os textos de dois tratados. com perfeito conhecimento de causa. mas por motivos diferentes. A ad oção da frase final "Direito Internacional incorporado na Carta das Nações Unidas" permi tiu a sua aceitação. porque. ta nto assim que a Convenção se ocupa da matéria do artigo 42 ao 72. 36 Manual de Direito Internacional Público Seção 8 Nulidade. esta belece ser nulo o tratado que conflite com uma norma imperativa de DI geral. co stumam operar com grandes precauções. Tem-se adm itido com freqüência que um erro de fato possa ocorrer. que acabou sendo acolhida como artigo 4. em caso de fronteira. A nulida de ocorre em virtude de erro. Seja como for. na ordem externa. O j us cogens e a Carta das Nações Unidas são hierarquicamente superiores aos demais trat ados.A Convenção de 1969 ao reconhecer no artigo 53 a existência em DIP de jus cogens. contrariamente à orientação da doutrina. admitida . quando se trata de acordos intern acionais. por parte do Esta do ao qual o tratado beneficia de modo exclusivo. O artigo 52 ("É nulo o tratado cuja conclusão foi obtida pela ameaça ou com o emprego da força em violação dos princípios de Direito Internacional incorporados na Carta das N ações Unidas") foi um dos mais controvertidos. mas sem sucesso. corrupção do representante do Estado. por exemplo. Foi o argumento apresentado pela Argentina e pela França. 3) a verificação de uma condição resolutória. dolo e coação. as partes contratantes. que pôs fim à primeira guerra mundial. É errado considerar todos os artigos da Carta co mo sendo de jus cogens. extinção e suspensão de aplicação de tratados Os artigos relativos à nulidade. embora seja difícil prová-la. as noções de erro. Accioly. além da adoção de tratado com desconhecimento do jus cogens. 5) a renúncia unilateral. O artigo 53 relativo ao jus cogens como causa de nulidade representa uma novidad e aceita com muita cautela pela Conferência. ou seja: 1) a execução integral do tratado. 7) a denúncia. tinha dentre os seus objetivos fazer com que tais regras não tivessem efeito retroativo. 2) a ex piração do prazo convencionado. dolo. sendo que algumas delegações defenderam a extensão do artigo a fim de nele serem incluídas as pressões políticas e econômicas. como. O artigo 51 menciona a coação como causa de nulidade. O Acordo de Munique de 1938 r elativo à cessão do Sudetenland na Tcheco-Eslováquia foi declarado nulo pela Grã-Bretanh a e pela França em 1942. segundo se alega. extinção e suspensão de aplicação de tratados foram conside rados os mais delicados e os de mais difícil aceitação pela Conferência de 1968-1969. Ocorreu uma verdadeira evolução no modo de encarar algumas situações. Houve da parte de diversas delegações africanas e asiáticas a preocupação de incluir na Convenção regras que poderiam ser eventualmente invocadas com o objetivo de anul ar situações por elas consideradas como obtidas em violação ao DIP. Seja como for. 4) acordo mútuo entre as partes. Ocor re principalmente nos tratados de paz. visto que os seus verdadeiros limites ainda hoje não se acham esclarecidos. a s olução não consiste em considerar um deles como nulo. A proposta do Brasil e da Suécia. Hitler Introdução 37 em mais de uma oportunidade alegou que houvera coação quando da assinatura do Tratad o de Versalhes. visto que alguns podem ser modificados pela vontade das partes. prevista expres amente. por exemplo. ensina que o erro ou o dolo capazes de viciar o consentime nto na ordem interna "são habitualmente excluídos. havendo uma tendência de considerar de jus co gens inúmeras regras que não podem ser tidas como tal. visto que através de uma interpret ação judiciosa e de boa-fé é possível na maioria dos casos demonstrar que os dois textos p odem ser mantidos. As causas de extinção previstas pela Convenção correspondem de um modo geral aos modos d e extinção enumerados pela doutrina. antes abordados pela doutrina sob a rubrica condições de validade dos tratados e que na Convenção passaram a ser estudados como condições de nuli dade. para modifica r os respectivos limites com o Brasil. coerção exerci da sobre o referido representante e coerção decorrente de ameaça ou emprego de força. as Convenções de 1969 e 1986 trata m separadamente a nulidade da extinção e da suspensão da aplicação de um tratado. 6) a impossibilidade de execução.

sur Ie Droit c/e. teve ensejo de afirmar que a base do costume é uma prática prolongada. perdura. Bibliografia: O número de livros. T. 1980. 1968. Haroldo Valladão. Delpech.s n/'thc· Icrw nf trc crtie.s. a tal ponto que surgiu a expressão instant customary international law.s. São Paulo. O. mas. "jul gamos não ser exata a teoria de que todo tratado traz subentendida a dita cláusula e . e 10) a prescrição liberatória. M. Buenos Aires.s interncroionoi. exigiu sol uções imediatas que não podiam depender de um costume de formação lenta. Tlto Vie ruur Gmrenlirnmn tlteeL aw o/'Treutices. sobressaindo a série de cursos organizados pela Academia de Direito Internacional da Haia.Snrno /innlcune ntal prohlc:nt.s. com uma repercussão no conceito de costume. Lcr Cnrn entinn clc Vienrre . Rio de Janeiro. A regra rebus sic stantibus se acha codificada no artigo 62 da Convenção. monografias e artigos sobre todos os aspectos do direito dos tratados escritos depois de 1969 é extenso. ainda menciona a denúncia unilateral na hipótese de uma modificação fundamental das circunstâncias que deram origem ao tratado. por uma das partes contratantes. Gycírzi Haraszit. E.s tratacln. É a aplicação do pr incípio rebus sic stantibus. Sinclair. João Grandino Rodas. do Nascimento e Silva. 40 Manual de Direito Internacional Público A importância do costume como fonte.sobre n Direito dns Tratndo. G. em conclusão. O aparecimento de novas situações. 1970.. em mais de uma oportunidade. O costume era o fruto de usos tradicionais aceitos durante longo período. Elias. que Accioly considera ponderável. 8) a inexecução do tratado. Bnletim. Princípios c(c rlireiro internacinncrl cnntc:nrporimeo. Paris . No Brasil podem ser citados: Antonio Augusto Cançado Trindade. Com o progresso da ciência e da tecnologia. Leyden.1 . criadas na maioria dos casos pelos avanços da tecnologia.. Accioly. uma prática prolongada não é necessário" (Ian Brownlie). poderá ser denunciado unilateralmente. Além dos cursos. de La Guardia e M. Para Pau l Reuter. Capítulo 6 O COSTUME INTERNACIONAL A supremacia do costume na formação do DIP cessou depois da segunda guerra mundial e m virtude do surgimento de novos problemas e do aumento no número de membros da co munidade internacional desejosos de deixar a sua marca no ordenamento mundial at ravés de tratados negociados nos organismos intergovernamentais. p. 15 1 . Budapest. Cnnferenoicr clc: Viencr . as modificações se verificam mais rapidame nte. contudo. sendo de 38 Manual de Direito Internacional Público notar que a CDI ao aceitá-la agiu com cautela. o fator tempo exigido para a sua formação perdeu importância cedendo à opinio juris. Em outras palavras. em 1969. dec idiu que "a passagem de apenas um curto período não é óbice à criação de novas regras de dire to internacional". Manchest er. merecem citados os seguintes: E. 1981. 1970. tanto assim que o artigo é redigido de forma negativa. pois a codificação do DIP como . Rezek . . 1973. mas. à vontade da parte que dele se qu eira libertar. o costume passou a ser um critério insatisfatório e lento para acompanhar a evolução do DIP moderno. é lícito dizer que. A ¡mblicidade clo. I 973.expressa ou tacitamente pelo próprio tratado. A CIJ também. Sem endossar esta noção.s Traitea. desde que se comprove que uma "prática é conseqüente e generalizada. uma vez que considere modificadas as circunstâncias em que o tratad o foi celebrado". 9) a guerra sobrevinda entre as partes contratantes. tanto as sim que o fator tempo era tido como um de seus elementos constitutivos. 1974. a regra consuetudinária é o resultado de atos seguidos que constituem prec edentes. 1. autor da relação acima. Projeto de convenção sobre o direito dos tratados. com ênfase no elemento material "constituído pela repetição durante um período ba stante prolongado de certos atos". El derecho de los tratados y la Connevención de Viena de 1969. Tlm moderrr law of'trccrtie. por isto. Em outras palavra s. 1971. Paul Reuter.s. Brasília. nenhu ma duração é requerida.

1. como Accioly. a opinião generalizada era de que o artigo 38 do Estatuto da CPJI deveria ser mantido. Rousseau . E. p. visto que nem a CDI nem a própria conferência codificadora conseguiram adotar uma regra mais precisa. O Comitê de Juristas. tinha em mente que. Capítulo 7 OS PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO Dentre as fontes do DIP enumeradas no Estatuto da CIJ. os princípios gerais do direito são os mais vagos. R. sendo que o direito internacional é pobre a respeito. Ferrari Bravo.s desempenham importante papel interpretativo. . tanto que alguns autores negam o seu valor. os princípios gerais do direito seriam os princípios aceitos pelos Estados in foro doméstico. 57. os de mais difícil caracterização. 1987. p. p. são chamados de fonte real. que seriam as fontes. Rezek. É no direito interno que se nos deparam a quase-totalidade dos princípios gerais do direito. 91. Cours général de dro it international public. Custom as a source on international law. United Nations. 307. Genève. a doutrina. É sintomático que nas Convenções de codificação firmadas em Viena é praxe a adoção no preâmbu eguinte regra: "afirmando que as regras de direito internacional consuetudinário c ontinuarão a reger as questões que não forem reguladas nas disposições da presente Convenção" Como prova do direito costumeiro. O problema é complexo.I. e a que pode fornecer elementos para a interpretação dos tratados e dos costumes. que seria um erro sacrificar o estudo de alguns problemas que estão a exi gir solução em seu favor. outros julgam que se trata. reconhece a importância das grandes convenções multilaterais não -ratificadas como fonte do direito costumeiro. Bibliografia: Accioly . Milano. Eustathiad es (Constantin Th. visto que o objetivo da inclusão dos princípios gerais do direito foi precisamente ampliar o campo de ação a que o juiz pode recorrer. Woltke (Karol). ao incluir os princípios gerais do direito dentre as normas a serem aplicadas pela CPJI. 1 36. Para o Comitê de Juristas que elaborou o projeto de Estatuto da CPJI. Felizmente. citam-se atualmente os tratados internacionais que ainda não tenham entrado em vigor ou que não foram ratificados por um Estado contra o qual alguma de suas normas tenha sido invocada. p. baseada e m decisão da CIJ de 1969. 387-97 (col etânea). v. 1978.sent internutinnul law. Por ocasião da Conferência de São Francisco.um todo ainda está longe de se tornar realidade. in UNESCO. v. mas com o acréscimo da frase "decidir de acordo com o direito internacional". 72. G. No caso dos tratados multilaterais ocorre que freqüentemente os seus dispositivos foram o resultado de compromissos. Em tais casos. 15. R. 97. p. Baxter (R. Treaties and custom. p. p. AJIL. 1. Méthodes de recherche de la coutume inter nationale. Seja como for. 122. os costumes e os trava ux préparatoire. Visscher (Paul de). 1972. p. 129. 1985. as duas grandes fontes incontestadas do DI positivo. por ser a verdadeira ou fundamental. Custom. in Le droit international à I'heure de la cod ificatinn (études en I'honneur de Roberto Ago). p. 5.) . 179-21 1 . visto que "em alguns casos poderá ser difícil de terminar se um tribunal ao decidir que um tratado reflete o direito internaciona l consuetudinário em determinado momento queria dizer que o tratado desde o começo e ra declaratório do direito internacional consuetudinário ou se o tratado com o corre r do tempo e com uma aceitação geral de países não-partes no mesmo passou a integrar o d ireito internacional geral" (R. Unratied codification conventions. 19 73. Paris. Mello . p. p. 1991 . v. Jiménez de Aréchaga. 192. in RCADI. p. de um aspecto do costume internacional.1. Fauchille . 1993. v. 695. 38. ao passo que para alguns. in RCADI. Barberis. a idéia não foi acolhida. in RCADI. 23 1 . v. do Nascimento e Silva. p.1. ou seja. Baxter). formais ou positivas. 131. 61 . Luigi Condorelli. Brownlie. Dordrecht. Podestà Costa .1 . Treaties as evid ence of customary international law. Akehurst (Michael). 41. em última análise. Pastor Ridruejo. p. Custnm in pre. 1979. p.). Também é necessário considerar que o di reito costumeiro em inúmeros campos do DIP é satisfatório e não precisa ser codificado.

p. 1974. tem agido com muita cautela a respeito. Oscar Tenório. isto é. 1958.s ccpplierl fy tlre internationul cnurt. AJIL. in UNESCO. in RC lDl. Sob este ângulo. v. Em outras palavras. Podestá Costa. p. v. 1 12Capítulo 8 FONTES ACESSÓRIAS O artigo 38 do Estatuto da CIJ estipula que em suas decisões a Corte poderá recorrer como meio auxiliar às decisões judiciárias e à doutrina dos autores mais qualificados. Tenório (Oscar). Lei de Intrncfrrç rn uo C' ídign Civil hrcrsileirn. p. ao analisar o citado dispositivo.1. Díez . Na apreciação dessas fontes.s arrd trlbunul. uma vez aceitos pela opinio juris. Visscher (Paul de). 42 Manual de Direito Internacional Público É interessante assinalar que o artigo 4° da Lei de Introdução ao Código Cívil brasileiro espelhava esta orientação: "Quando a lei for omissa.9. e sem utilizar a expressão princípios gerais de direito. Lachs (Manfred). Seja como for. 1920. os princípios gerais de direito assumem as características de costume. Truyol. 135. p.52. p. Hermann Mosler.s of intc:rnutinnul lwc. por se tratar de um anacronismo que lembra o período anterior à primeira guerra mundial. 17. p. a Corte seria obrigada a pronunciar-se. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. in RCADI. a que se tem chamado de preenchimento das lacunas da lei". a Corte preferiu falar em princípios gerais. The general principles of law. in RCADI. o Comitê de Juristas era de opinião de que não estava inovando na rnatéria. visto que tribunais internacionais e domésticos freqüentemente recorriam aos princípios gerais do direito. p. 195. não poderia declarar um non liguet. 37(1. é lícito . v. também chamadas acessórias ou auxiliares. não se pode admitir que as leis de qualquer Membro das Nações Unidas sejam inaceitáveis. esclarece que "Qualquer pleito terá do juiz uma sentença mesmo quando na lei não encontrar ele a solução". Direilu interrrucionul privcrcln. bem estabelecidos. Hazard (John). p. isto é.1.s nf Icrw° cr. os costumes e os princípios gerais do direito". 169. p. Londres. Vaüadão (Haroldo). Generul ¡ rincihle. evitar o non liquet. ou geralmente reconhecidos. a exemplo do que foi dito no tocante aos princípios gerais do direito.!. 33. G. a preocupação do Comitê de Juristas encarregado da elaboração do Estatuto de dar à Corte a possibilidade de encontrar regras capazes de permitir uma solução para todos os casos que lhe fossem submetidos. Cours général. 19 53. The international society as a legal community. 68. Bibliografia: Accioly . p. p. Cheng (Bin). Trends of international law in our time. é importante ter em mente a época da elaboração do Estatuto.s. como a CPJI anteriormente. General principles of law.s oj' tcrw uttcl tlre lrierarclp nf'tlre . Boko-Szegó (Hanna). e a evolução verificada de então para cá. A CIJ.sorrrce. Vallindas (P.). 91 . evitando mencionar o artigo 38. Além do mais. 1959. quando o direito internacional era de inspiração européia. 1944.mesmo se as normas constantes dos tratados e do costume silenciassem a respeito de caso em julgamento. Riv de Janeiro. v. É de lamentar que do Estatuto da CIJ não se tenha expurgado a referência aos princípios "reconhecidos pelas nações civilizadas". o ideal teria sido a eliminação pura e simples da frase. Podem ser mencionadas algumas decisões ou opiniões em que. p. Generul princihle. 136.221. Roussenu . 1973. 14(?. Esta disposição espelha. e explica: "Realizará o magistrado o processo de integração do direito. ? 13. Barberis.lt)4. 1984. intrcfdução à parte geral. Bonn.

das cortes de justiça internacional. uma decisão não deve influir em casos futuros. mas como a sua própria jurisprudência". quando. 38 não podem suscitar dúvida. contudo. Em outras palavras. as sentenças dos tribunais domésticos pesam no direito dos países do common l aw. na versão inglesa). bem como as decisões dos tribunais de determinadas organizações internacion ais. contribuem para eliminar incertezas porventura existentes no DIP. O que foi dito em relação à jurisprudência da CIJ se aplica. nacionais ou de arbitragem. dos tribunais nacionais. ao interpretarem os tratados internacionais e ao esclarecerem o verdadeiro conteúdo dos costumes internacionais e dos princípios gerais do direito. se a redação do artigo 38 do Estatuto tivesse levado em consideração as evoluções verificadas. da jurisprudência. lembram-nos que. considerações que não as jurídicas têm pesado na balança. não obstante os termos do Estatuto. sendo que a maioria alega que os termos do art. não mais se justificando a sua equiparação com as dos demais tribunais internacionais ou nacionais. cabe à Corte aplicar a lei e não fazê-la. a jurisprudên ia poderia figurar até em segundo lugar. Em outras palavras. a fim de cobrir eventuais lacunas ou atualizar determinada regra jurídica. constata-se que. como o Pastor Ridruejo. evitando em seus julgaIntrodução 45 mentos afastar-se de decisões anteriores. A questão é controvertida. A importância das sentenças da CIJ não é con testada. Alguns autores argumentam que as decisões da CIJ devem ser equiparadas às fontes formais. a relação da fontes e a ordem de sua aplicação seriam outras. isto é. da relação constar iam as resoluções das organizações internacionais e as declarações unilaterais. a CIJ evita tomar decisões que possam ser consideradas contraditórias. costumes ou convenções. expressão ampla destinada a cobrir as decisões dos 44 Manual de Direito Internacional Público tribunais arbitrais. parece-nos acertada a opinião de Humphrey Walclock ao argumentar que é pouco provável que o Comitê de Juristas entregue a um tribunal totalmente novo e sem precedentes uma autoridade explícita para estabe lecer um direito aplicável a todos os Estados. é importante levar em conta a atuação da CIJ e não aqueles: "que a Corte se apega a sua jurisprudência como autêntica fonte do direito. As sentenças da CIJ. Seção 2 A doutrina dos autores . não se podem colocar em pé de igualdade as decisões da CIJ com as dos tribunais internacionais. em outras palavras. a jurisprudência constitui "meio auxiliar" (subsidiary means. a ponto de a Comissão de Direito Internacional haver recorrido a elas em seus projetos de codificação. Esta relação. a ponto de as partes recorrerem cada vez mais aos precedentes. Outros. Seção 1 A jurisprudência dos tribunais A alínea d do artigo 58 fala em "as decisões judiciárias". mutatis mutandis. ou seja. inclusive através dos julgamentos da CIJ. sabidamente. mas não nos demais sistemas.afirmar que. isto é. às decisões dos tribunais regionais. Em tal sentido. segundo o qual as decisões da Corte só são obrigatórias para as partes litigantes e "a respeito do caso em questão". na mai oria dos casos. dá uma noção equivocada do peso das decisões dos vários tipos de tribu ais. como é o caso da Corte de Justiça das Comunidades Européias e das Cortes dos direitos humanos europeu e lat ino-americano. O fato é que a tendência da CIJ tem sido cada vez mais no sentido de se guiar pela s ua própria jurisprudência. que invoca não como princípios gerais do direito. não obstante o disposto no artigo 59. já que não vê o menor inconveniente em aplicar regras por ela elaboradas. quanto às decisões arbitrais.

Pastor Ridruejo . The contribution of the Institute of Internati onal Law to the Development of International Law. Baxter.l.1 . 1 .I. a longo prazo. decorrentes. 38. Jurisprudence and teaching. como Bluntschli e Fiore. Bibliografia: Accioly .l. a opinião dos juristas mais categorizados. p. p.1. como o direito romano. Visscher (Paul de). p. Théorie. Brownlie. Os trabalhos apresentados pela Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas também devem figurar como contribuições doutrinárias. 20560. Quoc Dinh. Rousseau . que muito influíram na obra de codificação do DIP. v. p. 3 I 6. Na verdade. 1972. Londres. por exemplo. Jiménez de Aréchaga. 1991. Além do mais. Sibert . 1973. pois espelham quase sempre a opinião do respectivo gove rno. 129. p. a sua atuação é perfeitamente válida. 14 e 19. in RCADI. 1979. Não se pode ignorar a importância de uma interpretação doutrinária judiciosa em que o auto r desenvolve normas consuetudinárias ou mesmo textos convencionais que podem carec er de clareza. H. p.elopment of iriternutional luw b the interiiutional cnurt. 259. em compensação. 138. p. até o momento em que as regras propostas são aceitas em conferência internacional. passando a constituir DIP convencional. Bynkershoek. 54. v. 33. recorrendo às mais variadas fontes. p. p. Fauchille . Paris. 20. supriu as lacunas existentes. 341 . in RCADI. Mesmo quando. na sua fase de formação. 283. Oppenheim . Fitzmaurice (Gerald). 126. o que ocorre 46 Manual de Direito Internacional Público quando outros governos invocam tais pareceres para defender posições contrárias ao gov erno do respectivo titular. devem s er apreciados com cautela. 25-66.s. Díez . formulando-a de maneira a atender a determinada situação. e hoje verifica-se que a sua inclusão no Estatuto da CIJ tem sido contestada. podem ser. o que dá uma idéia de seu valor. 104 e 179. Visscher (C harles de). o autor simplesmente dá ênfase a uma regra de DIP existen te. É óbvio que uma tese totalmente contrária ao DIP e ao bom senso não pode ser levada em consideração. Treaties and custom .1 . o recurso à doutrina é freqüente. Gentile. 41 . contraproducentes. The dei.1. p.l . Mello . A própria Corte em seus julgamentos tem evitado mencionar as opiniões dos juristas. Mousta pha Sourang. como Grocius. 135. Lauterpacht. p. Uma comparação do projeto de Código de DIP de Epitácio Pessoa com as Convenções firmadas em Havana em 1928 mostra claramente a sua influência nos textos então aprovados. 14. cujas resoluções nortearam a matéria antes da segunda guerra mundial. Acresce a isto o trabalho pioneiro de alguns juristas. in UNESCO.1 . Um parêntese deve ser aberto no tocante aos pareceres dos Consultores Jurídicos dos Ministérios das Relações Exteriores: embora subscritos por eminentes juristas. p. 1987. p. p. =============================================================================== ARQUIVO CONVENSÃO. Barberis. The work and jurisprudence of the International Court of Justice. O papel da doutrina diminuiu. Vattel e outros. in RCADI.Nos primórdios do DIP.s et reulité. nas exposições dos governos e nos votos em separado. Também não pode ser ignorado o papel fundamental do Institut de Droit International. v. 182 e 225.TXT Capítulo 9 CODIFICAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL No século passado surgiram as primeiras importantes tentativas . p. Cours général de droit international public. p. p. tendo em vista situações novas. BYB. de situações criadas pelos avanços da ciên cia e tecnologia. mas. 1958. 90. fórmula uma regra recorrendo à analogia. Podestà Costa . p.

O desenvolvimento do direito internacional foi uma das preocupações da Liga das Nações ( LdN). águas territoriais e r esponsabilidade por danos a bens de estrangeiros. que esteve na agenda da CDI desde o início. O abismo entre as concepções jurídicas que se defrontam no seio da AGNU. mas quando da Conferência de São Francisco de 19 45 uma referência ao direito internacional foi incluída graças às pequenas potências. q uando três tópicos foram abordados: conflitos de nacionalidade. Outro fator que influiu nessa fase negativa da codificação foi a circunstância de a CDI. embora uma Con venção sobre Conflitos de Nacionalidade (ratificada pelo Brasil) tenha sido assinada . contudo. ao enumerar as atribuições da Assembléia Geral. uma tentativa pr ematura. A Ca rta. passou a ser integrada. O passo seguinte foi a criação da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas (CDI ) com o objetivo duplo de tratar da codificação do DI e de seu desenvolvimento progr essivo. vieram demonstrar que o pessimismo não se justificava. essa fase terminou por vários motivos. e. pois. que resultou numa série de importantes convenções. Convém ainda acrescentar que a CDI. Introdução 49 . por juristas pouco conhecidos. silenc ia quanto ao direito internacional. a maioria assinada em Viena. O movimento foi coroado de êxito. Os fatos. verificou-se que os assuntos aptos a serem codificados acabaram. Foi. O pro jeto de Dumbarton Oaks. Infelizmente. Em 1902. escrevia em 1955 que "hoje em dia as possibilidades de uma codificação do direito internacional num ambiente universal são nulas. com a criação da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas (CDI). sobressaindo neste particular os projetos de Fiore e de Bluntschli. teve início uma fase altamente produtiva. A segunda guerra mundial marcou o fim da LdN e de sua filosofia idealista. Os primeiros anos da CDI foram tumultuados pela Guerra Fria e com recome ndações da Assembléia Geral em que as preocupações políticas obstaculizaram o seu funcioname nto. por motivos políticos. que na fase inicial reunira algumas das maiores autoridades no plano do direito internacional. num primeiro estágio. teve início o trabalho de codificação interamericano. realizada na Cidade do México. dispõe 48 Manual de Direito Interna cional Público no artigo 13 o seguinte: "Promover a cooperação internacional no terreno político e in centivar o desenvolvimento progressivo do direito internacional e a sua codificação". em tal sentido. Diversos projetos foram preparados e. que serviu de base à elaboração da Carta das Nações Unidas. Charles de Visscher. todas elas bas eadas no projeto elaborado por Epitácio Pessoa. tanto assim que as duas últimas convenções assinadas em Viena em matéria de sucessão de Estados não chegaram a ser ratificadas. em 1982. bem como a Convenção sobre o Direito do Mar de Montego Bay. graças a uma proposta de José Higino à Conferência Internacional Interamericana. é tal que toda nova iniciativa dessa espécie deve ser considerada perigosa para o progresso do direito internacional". mesmo no tocante aos problemas mais fundamentais. reuniu-se na Haia a Primeira Conferência de Codificação do Direito Internacional. em 193 0. haver sido aumentada de onze para quinze membros a fim de atender às reivindicações de inúmeros países afro-asiáticos.de codificação do DIP. contudo. por motivos políticos. nunca chegou a ser submetida a uma conferência e acabou sendo aceita pela sexta comissão da Assembléia Geral das Nações Unidas sem voto. tanto assim que em 1928 foram assinadas em Havana a Convenção sobre Direito In ternacional Privado (o Código Bustamante) e diversas convenções de DIP. teve cinco relatores. tanto assim que a conferência foi considerada um fracasso. que criou em 1924 uma comissão de peritos encarregada de verificar o que pod eria ser feito no campo da codificação. antigo juiz da CIJ. A questão da utilização dos rios internacionais por motivos que não a navegação.

a liberdade do altomar e o direito de navegação. O Brasil compareceu disposto a defender a tese tradic ional das três milhas. sendo que a pretensão do Chile. ou seja: largura do mar territorial. tal a convicção dos delegados de q ue o projeto elaborado pela CDI correspondia ao direito existente. A pretensão dos países mediterrâneos. Vários fatores contribuíram para isso. A incumbência mais importante da Conferência de 1961 foi a de determinar as prerrogativas e imunidades diplomáticas. É sintomático que algumas das regras básicas codificadas em 1961 não provocaram maiores debates. das quais três com importantes conotações jurídico-políticas. pesca e conservação dos recursos biológicos do mar.Seção 1 A Convenção de Genebra sobre o Direito do Mar (1958) A primeira grande conferência da ONU destinada à codificação do DIP realizou-se em Genebra em 1958. havendo-se verificado um inesperado consenso quanto à sua enumeração e mesmo em relação à sua abrangênci . Embora não se tenha conseguido fixar em termos matemáticos a delimitação do mar territorial. Equador e Peru de adotar um mar de 200 milhas marítimas era a de mais difícil aceitação. Dentre as modificações substanciais feitas. acesso ao mar de países sem litoral e a plataforma continental. que encarava favoravelmente as pretensões da Bolívia e do Paraguai. A circunstância de a Conferência de 1958 não haver fixado a largura do mar territorial foi considerada por alguns comentaristas como sinal de fracasso. observadores de sete instituições especializadas e de nove organizações intergovernamentais. Dois anos mais tarde. com o objetivo de examinar o direito do mar. pode ser considerada o mais bem-sucedido exemplo de codificação do DIP. Seção 2 A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. É interessante observar que apenas a ques tão da plataforma continental não provocou maiores discussões. A Conferência modificou o projeto da CDI neste particular ao estender certos direitos aos referidos países. Da agenda constavam quatro questões básicas. firmada em 1961. embora a idéia da adoção de uma zona mais extensa destinada à proteção das espécies marítimas fosse encarada com simpatia. diante das pretensões de inúmeros países de adotar um limite superior às três milhas tradicionais. sobressaindo a circunstância de o direi to costumeiro a respeito já haver atingido um alto grau de consolidação. como o de passagem inocente. mas novamente não foi possível conseguir os dois terços necessários para a adoção de um limite de seis milhas marítimas. que seriam devidamente aceitas pela Convenção de 1982. 50 Manual de Direito Internacional Público foram firmadas mais duas sobre a Plataforma Continental e sobre a Conservação dos Re cursos Vivos do Mar. O ponto nevrálgico da Conferência foi a determinação da largura do mar territorial. quando na Terceira Conferência sobre o Direito do Mar esta seria uma das mais controvertidas. logrou adotar Convenções sobre o Mar Territorial e o Alto-Mar. toman do por base quatro projetos preparados pela CDI. sem acesso ao mar. pois ao passo que as grand . As divergências surgiram na determinação dos beneficiários. isto é. também mereceu especial atenção do Brasil. com a participação de 86 Estados. Além dessas duas convenções. cumpre mencionar a reação da Conferência à orientação liberal acolhida pela CDI no tocante aos beneficiários das prerrogativas diplomáticas e ao conceito amplo dado à noção de liberdade de comunicação quanto à utilização de aparelhos radiofônicos. houve nova tentativa de solução quanto à largura do mar territor ial.

sending State e receiving State. Dentro dessa nova filosofia. que iria co locar um número excessivo de pessoas em situação privilegiada em relação ao direito local. duas das línguas oficiais. mas de difícil tradução. Seção 3 A Convenção de Viena sobre Relações Consulares A assinatura da Convenção de 1961 como que preparou o caminho para a Conferência sobre Relações Consulares que se reuniu dois anos depois. Não obstante os termos claros da Convenção. sem detrimento da legis lação do Estado onde desempenham as suas funções". expressões que na prática vêm sendo abandonadas. uma relativa imunidade de jurisdição Introdução 51 civil e administrativa e isenção alfandegária para os objetos destinados à primeira instalação. a expressão agente diplomático perdeu o conceito que lhe era dado: deixou de se referir apenas ao Chefe de Missão e passou a abranger todo o pessoal diplomático desta. ao passo que na primeira a CDI tivera diante de si uma série de regras relativamente claras e com aceitação generalizada.es potências se batiam pela concessão ao pessoal administrativo e técnico e às suas famílias dos mesmos privilégios e imunidades reconhecidos aos agentes diplomáticos. expressões cômodas. pois. A Convenção de 1961 veio consolidar uma tendência que se vinha verificando no sentido do deslocamento da principal responsabilidade diplomática da figura do Chefe da Mi ssão para a Embaixada ou Legação entendida em seu conjunto. ao passo que a Convenção sobre Relações Diplomáticas consta e 53 artigos. a Consular tem 79. de 4 de março a 24 de abril. O projeto da CDI estipulava que "a missão poderá empregar todos os meios de comunicação adequados. Para algumas delegações a solução seria adotar um artigo nos moldes da Convenção de Havana sobre Cônsules. na prática. A solução proposta pela CDI e aceita pela Conferência consiste nu . adaptaria o projeto a ele . 52 Manual de Direito Internacional Público A adoção da Convenção sobre Relações Diplomáticas como que tornava automática a assinatura da Convenção sobre Relações Consulares. O texto Finalmente aprovado condiciona a instalação e a utilização de uma emissora de rádio ao consentimento das autoridades locais. Por insistênci a de Gilberto Amado. por darem lugar a confusão. em V iena. a CDI tinha de examinar inúmeras convenções bilaterais. Uma das tarefas mais árduas da Conferência foi a de determinar as atribuições consulares. além do direito internacional costumeiro. ou se. à qual se reconhece imunidade de jurisdição penal. leis internas e usos diversos com o objetivo de preencher os vácuos existentes. a maioria das delegações foram contrárias a semelhante orientação. a versão brasileira passou a falar em Estado acreditante e Estado acreditado. ao elabora r o seu projeto definitivo sobre Relações Consulares. É impossível desassociar as duas conferências. inclusive correios diplomáticos e mensagens em código ou cifra". Acabou por trilhar esta orientação. inclusive para o francês e o espanhol. Os termo s vagos do projeto como que davam ao Estado estrangeiro o direito de livre uso das estações de rádio. Na versão inglesa da Convenção. constata-se que. na segunda o panorama era menos nítido. mas. utilizaram-se as expressões . este dispositivo não é respeitado. A outra solução favorece uma enumeração de hada das funções. teve de decidir se continuaria com a orientação seguida no anteprojeto anterior. mesmo discordando em algumas regras da Convenção de 1961 . fórmu la esta que provocou forte reação da maioria. O fato é que. mas a dificuldade consiste precisamente em saber quais as que mere cem ser mencionadas. segundo a qual "os cônsules exercerão as atribuições que lhes confere a lei do seu Estado. tanto assim que a CDI. O artigo 37 da Convenção espelha uma emen da brasileira no sentido de incluir o pessoal administrativo e técnico numa categoria à parte.

divididos em quatro partes: I . A determinação da condição jurídica dos cônsules honorários foi difícil não só em virtude da quase-inexistência de uma prática generalizada e de opiniões do utrinárias. possuem serviços c onsulares muito bem organizados. inclusive dada a circunstância de que os artigos nem haviam sido submetidos aos governos para as suas observações. possuidores de importantes marinhas mercantes e que necessit am de pessoas capazes e de certa projeção local em todos os portos. enviados a outros Estados com um objetivo limitado. mas não tem merecido da parte da doutrina maior atenção. Países como a Suécia. foi considerada uma experiência negativa que não deveria repetir-se. mas não exaustiva. que tratava de enviados itinerantes. a Noruega. mas desde o início os seus membros concordaram que não convinha tomar uma decisão a respeito. O artigo 5 ainda estabelece que outras funções pod em ser exercidas. mas principalmente em decorrência das posições distintas dos países possuidore s de grandes marinhas mercantes. enviada por um Estado a outro Estado com o consentimento deste c om o objetivo de tratar de questões específicas ou de executar com a mesma uma função es pecífica". Seção 5 A Convenção sobre Relações entre Estados e Organizações Internacionais A Convenção sobre Relações entre Estados e Organizações Internacionais também teve sua origem nos debates da CDI sobre relações 53 Manual de Direito Internacional Público diplomáticas. a AGNU decidiu que o projeto da CDI não seria submetido a uma conferência específica. A Conferência de 1961 concluiu que a questão deveria ser estudada a fundo pela CDI e adotou uma resolução neste sentido. Introdução 53 Seção 4 A Convenção sobre Missões Especiais Ao abordar a questão das missões diplomáticas. Foram submetidos a uma subcomissão. a fim de serem examinados conjuntamente c om os artigos sobre as missões diplomáticas. represen tando o Estado. razão pela qual muitos países buscam restringir o número de beneficiários dos privilégios consulares. desde que não proibidas pelo Estado local ou previstas expressamente em tratado em vigor entre as partes. Em 1959. Como o título de cônsul traz consigo determinadas vantagens. mas só em 1971 a C DI elaborou o esboço final. a Dinamarca. a CDI preparou alguns artigos a respeito que foram submetidos à Conferência de Viena de 1961.ma definição geral. a CDI concluiu que paralelamente à diplomacia tradicional havia a diplomacia ad hoc. A Convenção é aceitável. nos quais os privilégios e as imunidades dos cônsules honorários e das repartições por eles chefiadas são análogas às dos cônsules de carreira. Os artigos que reconhecem privilégios e imunidad es menos extensas são os discriminatórios. verificou-se uma tendên cia desses países de ser mantido o statu quo. a Gréci a e os Países Baixos. e em 1968 e 1969 coube ao Sexto Comitê considerar o "Esboço de Convenção sobre Missões Especiais". e nela por missão especial se entende "uma missão temporária. das conferências diplomáticas e das missões especiais. a entrega ao Sexto Comitê dos artigos propostos. d as principais atribuições consulares. A Convenção adotou alguns artigos assimi lativos. mas na base de cônsules honorários. Contrariamente à prática anterior. A Convenção foi adotada pela AGNU em 8 de de zembro de 1969. Seja como for. mas seria examinado pela própria Assembléia. Em conseqüência. complementada por uma enumeração exemplificativa. além da projeção local. para examiná-los e debatê-los. Foi lembrado à Comissão em 1958 que o desenvolvimento das organizações inter nacionais aumentara o número e o escopo dos problemas legais e que tais problemas só haviam sido resolvidos parcial mente através de convenções sobre os privilégios e as imunidades das organizações internacionais. Abdullah El-Erian foi escolhido como Relator Especial. constante de 82 artigos.

É importante salientar que a Convenção sobre a Representação de Estados nas suas Relações com Organizações Internacionais de Caráter Universal ainda não entrou em vigor. o voto em b loco. que reconhece a inviolabilidade da residência particular do Chefe da Delegação e dos demais funcionários diplomáticos. o projeto de artigo 54. tese esta contrária à prática internacional. Embora o projeto da CDI fosse considerado razoavelmente satisfatório. Diante do aumento no número de novos Estados e em face do peso na votação na Assembléia Geral do bloco afro-asiático. e o Prof. Em 1975. nos termos do qual. ou seja.e. Paradoxalmente. e note-se que a iniciativa não partiu dos países em desenvolvimento. Seção 6 As Convenções de Viena sobre a Sucessão de Estados Duas foram as Conferências realizadas em Viena sobre a Sucessão de Estados: a primei ra em 1977. criando Introdução 55 uma lacuna na Convenção. visto que ainda não foram depositados os 35 instrumentos de ratificação ou acessão. Uma das dúvidas enfrentadas pela CDI foi a da determinação de quais as organizações cobertas pela Convenção. a Conferência aprovou o artigo 59. que previa a inviolabilidade da sede da delegação. em 1983. foi submetida à Conferência emenda visando à inclusão das o rganizações regionais. a sucessão em ou tras matérias que não os tratados e a participação nas organizações internacionais. 56 Manual de Direito Internacional Público A CDI em conseqüência indicou Sir Humphrey Waldock como Relator para a sucessão em matér ia de tratados. mas aos poucos as demais delegações se organizaram com o objetivo de defender o proj eto da CDI. o órgão competente de uma organização internacional poderá adotar uma decisão visando à implementação de alguns de seus dispositivos. Apresentou algumas características que a distinguiram das demais. do outro.1978. não logrou os dois terços necessários. a Conferência foi realizada em Viena. Novamente. mas não como assunto prioritário. O projeto finalmente adotado. verificou-se desde o início o empenho dos host States em modificar grande número dos dispositivos através de um trabalho conjunto consolidado por ocasião da votação. Delegações enviadas a órgãos ou a con as e Dispositivos gerais. excluiu as organizações regionais. Missões junto a organizações internacionais. as duas correntes que se defrontaram não tinham relação com a Guerra Fria. depois da entrada em vigor da Convenção. muito embora a CDI não t ivesse adotado uma posição definitiva a respeito. de 4 de fevereiro a 14 de março de 1975. A questão da sucessão de Estados foi incluída na primeira agenda da Comissão de Direito Internacional (CDI). Uma regra curiosa adotada é a que se nos depara no artigo 90. Antes de m ais nada. a sucessão em matéria de tratados. dada a rejeição das duas convenções adotadas.ntrodução. Mais tarde também houve a tentativa de incluir regras através das quais o Estado-sede teria o direito de exigir a retirada de um delegado. Em 1975. Um subcomitê pr esidido por Manfred Lachs opinou que a Comissão deveria abordar três tópicos. a quase-totalidade dos países em desenvolvimento e o s países socialistas. Posteriormente. a CDI foi convidada a iniciar o estudo do problema em profundidade. pela primeira vez consolidou-se uma prática nociva. ou seja. ao falar em organizações de caráter universal. e a segunda. e reverteu-se a situação. mas sim d os países europeus. ou seja. ou seja. Os Estados-sede apresentaram emenda que lhes d aria o direito de declarar um delegado pessoa non grata. os demais. Como conseqüência das divergências verificadas e também devido ao pouco tempo de que a Conferência dispôs. Esta tática permitiu àqueles Estados algumas vantagens iniciais.os host States . mas a maioria optou pelo texto da CDI. as conclusões preliminares do Relator sobre Observadores a conferênc ias internacionais foram igualmente submetidas à Conferência. Mohammed Bedjaoui para os assuntos que não os tratados. Não merecem um estudo mais detalhado. de um lado os países onde havia uma ou mais organizações inte rnacionais . . bem como de seus bens.

a CDI não se deveria preocupar com soluções abortivas ou precárias. urna vez reconhecida a per . tam bém. q ue náo foi facilidade pelas idéias que enunciou logo em seu primeiro relatório.mais tarde limitados à sucessão em matéria de bens. Embora se trate de questão sumamente complexa. As duas Convenções de Viena adotaram outra orientação ao examinar separadamente cinco hi póteses: a) transferência de parte do Estado. a de rejeit ar a noção de sucessão. a AGNU decidiu que apenas os artigos capazes de suscitar dúvidas de substância seriam debatidos. contrastando com o verdadeiro fracasso d a Conferência de 1983. sem que isto afete a personalidade dos dois Estados. b) surgimento de um Estado de independência recente (ne wly independent States). Introdução 57 ambos continuam a existir. d) separação de parte ou de partes de um Estado. a opinião que finalmente prevaleceu foi de que seria conveniente aguardar a evolução da matéria diante da pobreza da prática int ernacional a respeito. Sir Humphr ey Waldock tinha a seu favor a circunstância de haver sido o Relator das negociações q ue resultaram na bem-sucedida Convenção sobre o Direito dos Tratados de 1969. que. As Convenções de Viena seguiram a tendência mais generalizada. bem como as conse qüências do surgimento de novo Estado e a sua situação em face das organizações internaciona is. de bens. ao contrário do tipo tradicional. houve no passado tentativas de form ular regras genéricas sobre a sucessão capazes de solucionar as questões superveniente s. Foi ainda mais longe ao afi rmar que as resoluções sobre autodeterminação e colonialismo da Assembléia Geral das Nações U idas eram de cumprimento obrigatório pela Comissão e deveriam orientar os seus traba lhos. como a descolonização era um fenômeno que deveria evoluir rapidamente. a CDI só passou a dar prio ridade à questão em 1971. visto que isto não seria um reflexo da prática internacional atual. professor da Universidade da Algéria. a exemplo do que ocorrera na CDI. A CDI iniciou o estudo do direito dos tratados de organizações internacionais em 195 0. que poderi a fazer as modificações de estilo necessárias. Para a maioria das delegações. da legislação e da nacionalidade. e muito menos daqueles textos que se haviam tornado let ra morta. e. c) união de Estados. Problema delicado que se enfrentou foi o de determinar a eventual modificação para melhor de artigos da Convenção de 1969. Este apresentou onze relatórios. Embora a maioria dos membros da CDI fosse favorável a reconhecer o direito das organizações internacionais neste particular. coube uma tarefa mais ingrata. ou seja. bem como da doutrina. nos demais. a questão é de soberania sobre o território: os direitos do Estado s ucessor decorrem do DIP. por exemplo. como a maioria dos autores. de arquivos. os textos constantes da Convenção de 1969 seriam pura e simplesmente enviados ao Comitê de Redação. como. A Conferência de 1986 também endossou a orientação da CDI de evitar referências à Convenção de 1969. com a conseqüente formação de novo Estado. que os esforços não se deveriam limitar à codi ficação de textos em desuso. Seção 7 A Convenção sobre o Direito dos Tratados de Organizações Internacionais A assinatura em 21 de março de 1986 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados entre Estados e Organizações Internacionais ou entre Organizações Internacionais consti tuiu mais um importante passo na codificação do DIP A importância da Convenção (denominada Viena-II) reside principalmente na circunstância de haver recebido uma quase tota l aceitação das delegações presentes à Conferência. Diante da crise financeira da ONU. prefere analisar separadamente as várias hipóte ses de sucessão. e) dissolução do Estado. 58 Manual de Direito Internacional Público O problema central que a Conferência teve de enfrentar. de dívidas. foi a determinação da capacidade das organizações internacionais de firmar trata dos. A Bedjaoui. que se deveria dar prioridade à sucessão resultante da eliminação do coloni alismo. Paul Reuter foi escolhido como Relator Espe cial. Accioly. Apesar das tentativas de incluir a questão na sua agenda. tendo em vista os problemas que nela surgem em matéria de tratados. ou seja. segundo o qual com a extinção do Estado ocorre uma tábula ras a. prática esta capaz de suscitar dificuldades legais no fut uro. quando o Prof. de arquivos e de dívidas.

além do potencial do subsolo dos fundos marinhos em matéria de petróleo e gás natural. Caracas e Jamaica. não foi o resultado de um anteprojeto da CDI. muito embora as críticas sejam numerosas. Delegado de Malta à Assembléia Geral das Nações Unidas de 1967. A Convenção de 1982 tem sido considerada por muitos como 0 mais importante tratado d e codificação do direito internacional. O pronunciamento de Arvid Pardo foi recebido com entusiasmo pelos países em desenv olvimento. Mas cedo cons tatou-se que a sorte da Conferência giraria em torno da exploração dos fundos marinhos . a extensão d os limites marítimos dos Estados costeiros e a determinação dos direitos dos Estados s em litoral marítimo e os dos Estados geograficamente desfavorecidos. A fim de evitar que a Conferência acabasse por adotar uma convenção aceitável por uma ma ioria ocasional. o DIP que até então era tridimensional. Em (970. A tese oposta. ficou decidido que ela seria adotada por consenso. Nova York. em muitos casos vinculados a determinada organização especializada. como o PNUMA. merece ser estudada separadamente. era de que a capacidade das organizações de firmar tratados decorria do respectivo ato constitutivo ou das leis básicas da organização. assinada em Montego Bay. Em outras palavras. Seção 8 A Convenção sobre o Direito do Mar de 1982 A Convenção sobre o Direito do Mar. onde. Introdução 59 sobretudo nódulos de manganês. A atenção da UNCLOS (a United Nations Conference on the Law of the Seas) concentrouse em três grandes tópicos: a exploração do fundo dos mares e de seu subsolo.sonalidade internacional de urna organização internacional. a principal preocupação da maioria das delegações não era de cunho legal. A CDI acabou por adotar no artig o 6 uma fórmula de compromisso baseada nas duas teses. seria possível extrair quantidades fantásticas de minérios. É bem verdade que os responsáveis pela elaboração da Convenção de 1982 repetiram quase que "ipsis verbis" as Convenções de 1958 sobre o Mar Territorial e sobre o Alto-Mar. a FAO ou a UNESCO. mas sim político e econômico. principalmente dos fundos dos oceanos. níquel. processo este que resultou na lentidão com que tran scorreu a Conferência. ao contrário das convenções mencionadas a nteriormente. tant o assim que já se cogita na busca de regras alternativas aceitáveis pelas principais potências industriais no concernente à exploração dos fundos marinhos. cobre e ferro. mas a grupos de especialistas. pois. . em que abordou os últimos progressos verificados em relação à exploração dos mares. além de outros minérios em menores q uantidades. No período posterior a 1945. visto que os outros dois tópicos seriam equacionados de conformidade com a solução dada à questão dos fundos. A convocação da Terceira Conferência sobre o Direito do Mar nasceu de um discurso pron unciado pelo Senhor Arvid Pardo. isto é. desde que conseguissem evitar que as grandes potências monopolizassem a e xploração das mesmas. foi aprovada uma resolução declarando que a Área passaria a constituir patrimônio comum da humanidade. Seção 9 As convenções sobre assuntos científicos e tecnológicos e sobre o meio ambiente Na relação das convenções multilaterais de codificação do DIP é ainda necessário mencionar uma série de atos que vieram codificar 60 Manual de Direito Internacional Público normas criadas para regulamentar intern acionalmente problemas surgidos em decorrência dos progressos realizados pela ciênci a e pela tecnologia. median te a aceitação de todas as delegações. mas de onze anos de re uniões de delegados de todo o mundo em Genebra. animados com a possibilidade de poderem participar da exploração dessas r iquezas. Dadas as características essencialmente técnicas destas convenções. A Comissão em seus comentários ao artigo também es clareceu que ele ``era o resultado de compromisso baseado principalmente na cons tatação de que este artigo de forma alguma poderá ser considerado como tendo 0 objetiv o ou o efeito de decidir a questão do status de organizações internacionais em direito internacional". a sua elaboração não foi entregue à CDI. ao que tudo indicava. em 10 de dezembro de 19 82. defendida pelos países socialistas . dela decorre o direito d e negociar e de firmar tratados.

quer nas relações internacionais". o direito é um só. passou. Para os defensores da doutrina dualista. e. quer se apre sente nas relações de um Estado. o Tratado sobre a Proibição da Colocação de Armas ucleares e outras Armas de Destruição Maciça no Fundo do Mar e no Leito do Oceano e seu Subsolo (1971 ) e o Tratado da Antártida de 1959. no Espaço Cósmico e Debaixo D'água (1963). a Convenção sobre o Direito do Mar de 1982 se ocupa do leito do mar. a Convenção sobre as Zonas Úmidas de Importância Internacional particularm ente como hábitat das aves aquáticas ( 1 97 1 ) e o Tratado de Cooperação Amazônica (1978) . versava sobre a terra. No campo da doutrina. A primeira solução é defendida pelos partidários da tese monista. inclusive a Lua e Demais Corpos Celestes (1 967). o DIP não cria obrigações para o indivíduo. ou se são dois ramos de um mesmo sistema jurídico. melhor dito. Na relação dos tratados que vieram atender a estas novas situações. dos fundos marinhos e do respectivo subsolo e da Antártida. ao passo que os direi tos internos dependem da vontade unilateral do Estado. vinga o direito internacional: é a t ese do primado do direito internacional. a não ser que as suas normas sejam transformadas em direito interno. As convenções destinadas à proteção do meio ambiente também figuraram dentre os atos surgido s em decorrência da evolução da ciência e da tecnologia. duas grandes correntes buscam demonstrar que as normas int ernacionais e as municipais têm muito em comum e podem funcionar separadamente. sobre Mudança de Clima e sobre Diversidade Biológica. mesmo sabendo que se trata de um dos problemas mais delicados e controvertidos. o Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Es tados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico. bem como a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio (1985) e o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio (1987). a Convenção de Basiléia sobre o Controle dos Mov imentos Transfronteiriços de Resíduos Nocivos e sua Colocação (1989). Aceita a tese fundam ental de que o direito é um só. pois o fundamento atribuído ao DIP influi decisivamente na posição eventualmente adotada. entre uma lei interna e um tratado devidamente ratificado. como esclarece Accioly. dois sistemas independentes e separ ados.isto é. São inúmeras. que não se confundem. já . marinhos e seu subsolo além dos limites da jurisdição nacional. A primeira pergunta consiste em saber se o DIP e o direito interno são dois ordena mentos independentes. ou seja. dos fundos. não leva em conta a importância do costume. que. as duas Convenções firmadas por ocasião da Conferência do Rio de Janeiro de 1992. Por sua vez. os defensores da doutrina monista enveredam por dois caminhos opostos: para uns. o mar e o espaço aéreo. mas sim de uma nor ma superior. além do mais. 62 Manual de Direito Internacional Público Em conseqüência. Salientam que num caso se trata de relações entre Estados. Mas é na explicação do fenômeno da transformação que os defensores do dualismo mostram a debilid ade de seu raciocínio. estanques. ao passo que a tese op osta é denominada dualista. A dificuldade de um juiz diante de um caso concreto consiste em optar por uma das duas. cumpre mencionar. Capítulo 10 RELAÇÕES DO DIP COM O DIREITO INTERNO Foge ao escopo de um Manual de direito internacional analisar todas as doutrinas surgidas para explicar as relações do DIP com o direito interno. e basta mencionar as mais importantes. E aqui s e verifica que o enfoque eventualmente dado por um juiz nacional poderá não ser o mesmo de um juiz de tribunal internacional. a Convenção para a Pre venção da Poluição Marinha pelo Alijamento de Dejetos e outras Matérias (1972). o Tratado Proibindo Experiências (testes) com Armas Nucleares na Atmosfera. enquanto no outro as regras visam à regulamentação das relações entre indivíduos. em caso de conflito entre o direito interno e o direito internacional ou. Outro arg umento é que o DIP depende da vontade comum de vários Estados. o direito internacional e o direito interno são dois sistemas distintos. a se ocupar do espaço ultraterrestre. "em princípio. a título exemplificativo. A doutrina monista não parte do princípio da vontade dos Estados. em virtude dos progress os verificados. em caso de dúvida. a Convenção s bre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e da Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (1973).

53. as disposições de uma lei interna não podem prevalecer sobre as do tratado". 27. como. só pode ser o indivíduo. Esta noção foi definida com clareza pela CIJ em seu parecer consultivo. F. p.I.os outros defendem a tese do primado do direito interno. Podestà Costa . verifica-se que as regras constantes de um tratado devidamente aprovad o e ratificado substituem a lei interna. 88. p. Em parecer de 1930.1. mas a seu ver a te se do primado do direito internacional deve ser acolhida por motivos práticos. p. também. a não ser que essa man ifestação de vontade "diga respeito a uma regra de seu direito interno de importância fundamental" (art. p. n. Introdução 65 Capítulo 11 OS SUJEITOS DO DIREITO INTERNACIONAL Sujeito do DIP é toda entidade jurídica que goza de direitos e deveres internacionais e que possua a capacidade de exercê-los. Philadelpho Azevedo. de todos os ramos do direito.1. ano I. Reuter. 1994. que nos sistemas mais obsequ iosos para Introdução 63 com o direito das gentes tornou-se encontrável o preceito segundo 0 qual todo trat ado conflitante com a Constituição só pode ser concluído depois de se promover a necessári a reforma constitucional". 82. Rezek nos alerta que. 12. a Constituição brasileira deixa claro que os tratados se encontram aqui sujeitos ao controle de constitucionalidade. a CPJI declarou: "É princípio geralmente reconhe cido. A dificuldade surge no tocante a conflito entre tratado e texto constitucional. p. Brownlie. nas relações entre potências contratantes de um t ratado. ao declarar que era sujeito do DI. p. 46). Rezek . 63. uma norma qua lquer pode ser aceita como ponto de partida do sistema total. o DIP se ocupava exclusivamente . a exemplo dos demais componentes in fraconstitucionais do ordenamento jurídico. p. Les rapports de système entre le droit interne et le droit international public. no tocante às reparações por danos sofridos a serviço das Nações Unidas. Eric Stein. 37.1. 231. Na prática. Hans Kelsen. uma lei interna posterior não pode substituir um tratado que foi aprovado pelo legislativo e rati ficado pelo executivo. que. p. "embora sem emprego de linguagem direta. p.1. Verdross. 164. A Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados adotou em seu artigo 27 a mesma reg ra: "Uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado". Schwarzenberg . Gonçalves Pereira. em qualquer espécie de confronto. 33. AJIL. Mello . Para Kelsen. 103. 40. v. Tão firme é a convicção de que a lei fundament al não pode sucumbir. lembra que numerosas constituições e stipulam que os tratados concluídos de forma irregular do ponto de vista do direit o interno carecem de valor em direito internacional. do direito internacional. ou seja. 44. A doutrina da CIJ tem sido invariável ao reconhecer o caráter preeminente do direito internacional. os dois sistemas são igualmente aceitáveis. p.1. 63. para a qual o destinatário do DI.2. Boletim. p. Bibliografia: Accioly . que em sua concepção original atribuía a noção de sujeito do DI apenas aos Estados. A Convenção sobre o Direito dos Tratados (1969) como que prevê esta possibilidade. o que significa que a organização "tem capacidade de ser titular de direitos e deveres internacionais e que ela tem a capacidade de fazer prevalecer os seus direitos através de reclamação internacional". 1945. p. depois de estipular que um Estado não pode invocar como ca usa de nulidade o fato de seu consentimento em obrigar-se por um tratado ter sid o manifestado em violação de uma disposição de seu direito interno. dentro do mesmo critério. International law in internal law. Charles Rousseau. Díez . Os tratados e os interesses privados em face do direito brasileiro. in RCADI. e a individualista ou realista. 1926-IV. v. aliás. Durante uns trezentos anos. p. 14. Rousseau . 1. do ponto d e vista científico. de 11 de março de 1949. 427. p. Dois enfoques existem na determinação dos sujeitos do DI: a clássica.

como. p. os domínios britânicos antes de serem reconhecidos como Estados. Rezek . com apoio de parte da doutrina. Acresce que os países socialistas. 5. verificou-se que até então o Sumo Pontífice reunia em si duas entidades: Chefe dos Estados Pontifícios e Chefe da Igreja Católica. A. p. Direito das organizações internas. Mello . =============================================================================== ARQUIVO ESTADO. Russomano. Os seus membros. Direito internacional público. p. in UNESCO. a prática internacional. o Paquistão. entre as quais se salientam a de representar o grupo nas relações internacionais e a de assegurar a sua defesa externa.dos Estados. D. a Guiana Britânica e outros. Rousseau . passou a lhe reconhecer a qualidade de sujeito do direito internacional. in Enciclopédiu Delta-Lurou. Díez . p. Cançado Trindade. I 57. a Nova Zelândia. sujeita esta. Brasília. O símbolo dessa livre associação de povos é a Coroa Britânica. 191. mas como sujeito direto. p. A primeira dúvida séria surgiu com a extinção dos Estados Pontifícios e sua incorporação ao Reino da Itália em 1870 e com a constatação de que os Estados continuavam a reconhecer o direito de legação do Papa. 8.1. Outras entidades têm sido mencionadas. p.I . um representante permanente junto à organização. p. P. 99. Gana. 59. sendo a soberania externa exercida por um organismo central. p. a Índia. O'Connell. 165. a Nigéria. Em conseqüência. a Jamaica. isto é. a Austrália.TXT Estados que não se inclui em nenhuma das modalidades conhecidas de Estado composto. tanto assim que Siotto Pintor reagiu com ceticismo à iniciativa brasileira de nomear. Dentre os sujeitos cumpre citar ainda o indivíduo. era com efeito um sujeito do direito internacional. possuem simplesmente a autonomia interna. em 1924. às restrições que forem impostas pela . continuavam a manter os seus representantes junto a ele e a receber os seus núncios. Da Comunidade fazem parte atualmente: o Reino Unido da GrãBretanha e Irlanda do Norte. Em outras palavras.É a união permanente de dois ou mais Estados. entretanto. os Estados federados. embora a LdN não fosse um superestado.sse. Bin Cheng. Primeira Parte 73 o Ceilão. Podestà Costa . 19. por exemplo. Accioly . contudo. ponderou que. Linneu de Albuquerque Mello. Bibliografia: A. especialmente para fins de natureza política. 2879. 6. a personalidade externa existe somente no superestado.?. t. plenamente soberano nas suas atribuições. no Estado federal. La personalité en droit international. endossada pela doutrina. Dupuy. mas quando da criação da Liga das Nações (LdN) a doutrina relutou em lhe reconhecer a qualidade de pessoa internacional. na qual cada um deles conserva apenas sua autonomia interna. os movimentos de libertação internacional. Estado federal ou federação de Estados . Atualmente. Paul Fauchille. Seus Estados-membros são plenamente soberanos e se acham associados em pé de perfeita igualdade. p. a personalidade internacional das Nações Unidas e de determinadas organizações internacionais não é contestada. Subjects of international law. defendem a tese de que os Estados continuam a ser os únicos sujeitos do direito internacional e que os direitos e os deveres de natureza internacional desfrutados pelas organizações internacionais decorrem exclusivamente da vontade dos Estados. 276. ou seja. não como sujeito indireto de direitos e deveres internacionais. isto é. RGDIP. o Canadá.2. p. 1990.I . 1965. Nesse tipo de união de Estados. p. ou seja. pelo governo federal. 23.1.

d) a República Federal Alemã (desde 1949). da constituição adotada. cujo estudo pode ser feito a título de curiosidade histórica. mantendo intacta a sua personalidade internacional. c) o Império Alemão (de 1871 a 1919). da Itália. econômica e comercial não foi em decorrência de tratado aceito livremente. mas também alguns outros tipos de uniões em que os integrantes não se achavam em pé de igualdade. cabendo.além de alguns dos domínios britânicos (o Canadá. uma adaptação do sistema dos países sob mandato Primeira Parte 75 criado pela Liga das Nações. quando os Estados Unidos. que entregou a administração de algumas províncias do Império Otomano ou das antigas colônias do Império Germânico a alguns dos países vencedores da primeira guerra mun- . sob a proteção da França. entrega a administração de certos de seus direitos a um ou vários Estados mais fortes e poderosos. O protetorado é uma versão mais moderna do Estado vassalo em que um Estado. Como exemplos de federações. Filipinas ( 1934-1946). 74 Manual de Direito Internacional Público Os Estados vassalos eram fenômeno típico do Império Otomano. Citam-se como exemplos o Marrocos e a Tunísia. e os súditos mantinham a sua nacionalidade. em 1789. e o Egito e o Transvaal. tanto assim que com o desmoronamento da Rússia Soviética os países em questão trataram de romper as suas relações de subordinação. também tem alguma analogia: o controle destes na área militar. e) o México (desde 1875). Eram os Estados vassalos. na convenção de Filadélfia). o exercício. em virtude de um tratado. protetorados ou Estados clientes. o qual os representava do ponto de vista externo e lhes exigia ainda o pagamento de um tributo. dois anos antes. beirando a anarquia: Cuba ( 1901 e 1934). porém. Haiti ( 1915). intervieram em alguns países onde imperavam situações caóticas. No protetorado ocorria um capitis diminutio voluntária. Seção 3 Estados compostos por subordinação O DI estudava não só os Estados plenamente soberanos.f) a Argentina (desde 1 860). entregues a outros. A relação da URSS com os chamados países satélites. g) a Venezuela (desde 1893).constituição federal. ou se achavam despidos do gozo de determinados direitos. nesse tipo de Estado composto uma partilha de atribuições do poder soberano. conforme ficou dito. podem mencionar-se os seguintes: a) Estados Unidos da América (a partir da entrada em vigor. geralmente em virtude de um tratado. a Hungria. Panamá ( 1903). ou não possuíam plena autonomia. Valáquia. Surgiram principalmente no início do século XX. Podiam ser definidos como entidades cuja autonomia interna era reconhecida pelo Estado suserano. Seção 4 O sistema internacional de tutela A Carta das Nações Unidas nos artigos 75 a 85 criou o sistema internacional de tutela. como a Tcheco-Eslováquia. a Austrália). de conformidade com a política do big-stick de Theodore Roosevelt. hoje inexistentes. da soberania externa. o Estado conservava sua personalidade internacional. Os Estados clientes (ou quase-protetorados) apenas confiavam a outro Estado a defesa de determinados negócios ou interesses. Sérvia. a Polônia. Montenegro e Bulgária. Abissínia. Existe. não era parte do território do Estado protetor. pois. sempre ao Estado resultante da união. República Dominicana ( 1907). h) a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (desde 1923) . b) a Suíça (desde a constituição de 1848). que mantinha sob o regime países como a Moldávia. sob a dependência da Inglaterra. a Romênia e a Bulgária. A intervenção do Japão na Mandchúria em 1932 tem certa semelhança com as citadas anteriormente. O Brasil é Estado federal desde a Constituição de 24 de fevereiro de 1891 .

48. que. só passa a se interessar pelo fenômeno após a sua constituição. p. 74. Primeira parte 77 A simples reunião desses elementos não acarreta a formação de fato do Estado. p. 93. 2.I.1 . v. que. Podestà Costa . v. Themístocles Brandão Cavalcanti. W. O Estado nasce em decorrência da reunião de determinados elementos constitutivos. p. perdeu a sua razão de ser. verificou-se o fenômeno inverso: os novos Estados surgiram em detrimento das potências vencedoras. conforme foi visto. p. não só as guerras de independência. bem como o Conselho de Tutela. Cowles. Na segunda guerra mundial. H. Rio de Janeiro. só foi alcançada depois da segunda guerra mundial. quando os territórios sob mandato foram tratados como meras colônias. 204. 209. v. não obstante a insistência da doutrina neste particular. Les unions d'États. p. 96. R. Kelsen. p.1 . tese por ele defendida tendo em vista a unificação italiana. In ternational law as applied between subdivisions of federations. antiga colônia alemã. 24. 139. Rousseau . Russomano. London. isto é. este elemento era a nacionalidade. p.1. 105. a rigor. AustroHúngaro e Otomano se esfacelaram com o conseqüente surgimento de inúmeros novos Estados. a começar com os três países bálticos. Em decorrência do sucedido na Rússia. Direito administratim b rasileiro. o desmembramento se operou à custa de sangrenta guerra interna. 75. I. in RCADI. p.s. sendo que os da classe A. B. graças à aplicação do princípio da autodeterminação pela Assembléia Geral das Nações Unidas.1 . 1 13. contudo. 1949.a Namíbia -. Para Mancini. Mel lo . Mas. Contrariamente ao que ocorreu na época da Liga das Nações. Na Iugoslávia. foram considerados aptos a adquirir a independência. na coletânea da UNESCO. Verdross. onde se tentara unir países de etnias e religiões diferentes. depois de inúmeras resoluções da Assembléia Geral das Nações Unidas e alguns pronunciamentos da CIJ. mas também como conseqüência indireta da conflagração. Finalmente. 301 . quando os Impérios Germânico. todos eles antigas províncias da Turquia. ou melhor dito. 441.l. que se recusou a transformá-lo em território tutelado. 1950. M. p. as Nações Unidas cedo demonstraram o seu empenho em tornar os territórios tutelados o mais breve possível mediante o seu ingresso na própria organização. Bengt Broms. p. é necessário que haja um elemento de conexão entre eles. Whiteman. 364. As guerras têm sido tradicionalmente fator de nascimento de um Estado. especialmente à sucessão por separação ou pelo desmembramento de um Estado. 1928. p. W. incorporando-o de facto ao seu território. The law nf the United Nation. p. Com a extinção do último território tutelado. Primeira Parte Capítulo 3 NASCIMENTO DE ESTADO O problema da formação dos Estados é mais do domínio da história e da sociologia do que do DIP. States. o sistema. v. p. Dividiram-se em três classes. O Sudoeste africano . a exemplo do que ocorreu depois da primeira guerra mundial. a Tcheco-Eslováquia se desdobrou em duas Repúblicas. Pilotti. não se pode ignorar que a questão do nascimento dos Estados se acha vinculada aos vários tipos de sucessão de Estado. Erich ensinava que os diversos elementos que contribuíram para a criação de novos Estados depois da guerra de 1914-1918 eram complexos e muitos complicados: cálculo das potên- . 655. Bibliografia: Accioly . que haja condições propícias de afinidades. in RCADI. Díez . O desmembramento da URSS acarretou igualmente o nascimento. cujas colônias foram adquirindo aos poucos a respectiva independência. 1942.dial. a África do Sul concordou em reconhecer a sua independência. o renascimento de diversos novos Estados. Sibert . foi entregue à África do Sul.

O novo Estado pode surgir mediante entendimento com a mãepátria. escrevendo antes da segunda guerra mundial. a formação de um Estado pode ocorrer de três maneiras: 1) separação de parte da população e do território de um Estado. desmoronamento de potências importantes mas heterogêneas etc. A República do Transvaal foi reconhecida internacionalmente e só deixou de existir em 1902. os Estados Unidos e os demais países hispano-americanos. acabaram concordando. 2) dissolução total de um Estado. "uma associação permanente e bastante numerosa de homens capaz de subsistir com os seus próprios recursos". em 1821. criada depois que entidades norte-americanas conseguiram obter. a existência de uma população e de um território de proporções razoáveis era de rigor. deixaram de ser exigidos no âmbito das Nações Unidas. localizando-se finalmente além do rio Vaal. depois da guerra com a Grã-Bretanha. Mas. bem como um território suficiente para garantir a permanência da sociedade que o ocupa. Outro exemplo é o do Império Austro-Húngaro. como a existência no novo Estado de fatores econômicos que o permitam sobreviver. embora as antigas potências colonialistas tenham resistido. cita-se em primeiro lugar o estabelecimento permanente de uma população num território determinado. Para muitos autores. esforço das minorias nacionais para se emanciparem do jugo estrangeiro. Em tese. cita-se o caso da Grã-Colômbia. dissolvido depois da primeira guerra mundial. ocupada por holandeses que deixaram a Colônia do Cabo em 1 836 e se dirigiram para o hinterland sul-africano. Dentre os modos de formação de Estado. M. os países americanos surgiram dessa maneira. para lá enviando escravos libertos. Como exemplo. o mais das vezes depois de uma guerra de libertação. No século XIX. Como exemplo de formação de Estados em virtude de desmembramento de um Estado que tenha deixado de existir internacionalmente. Sibert. dos chefes nativos concessões territoriais na Costa da Guiné. Outro caso é o da Libéria.cias estrangeiras que se esforçaram para tirar proveito das aspirações dos elementos nacionais descontentes. outros têm sido lembrados. 78 Manual de Direito Internacional Público Nos dias que correm. da Hungria e da Tcheco-Eslováquia. que se dissolveu em 1830. tratar-se-ia de um território desocupado ou então habitado por povos primitivos. Esses elementos. Conclui insistindo na necessidade de que um elemento nacional tenha aproveitado a ocasião que se ofereceu. citava. em primeiro lugar. Aliás. dando lugar ao nascimento das Repúblicas de Nova Granada (hoje Colômbia). não subsistindo a personalidade do antigo Estado. jogando sobre a comunidade internacional o ônus de arcar com a existência do novo membro. 3) fusão em torno de um Estado novo. subsistindo a personalidade internacional da mãe-pátria. A independência de dezenas de antigas colônias. movimentos revolucionários de ordem social e política. conforme ocorreu com a Província Cisplatina. em 1828. diante da pressão exercida internacionalmente. A queda do Muro de Berlim em 1989 e o . a exemplo do que ocorreu com o Brasil. além do fator nacional. A grande maioria dos Estados surgidos nos séculos XIX e XX nasceu mediante a separação de uma parte da população e do território de um Estado. Venezuela e Equador. contudo. ao enumerar os elementos constitutivos do Estado. onde a autonomia da vontade passou a vigorar. com o conseqüente surgimento das Repúblicas da Áustria. territórios sob tutela e territórios sem governo próprio se enquadra nesse caso. com base no princípio da autolimitação. que fora incorporada ao Brasil sete anos antes. menciona-se a República do Transvaal.

p. n. 1951 . a Iugoslávia. a fusão se desfaz. p. 1993. ao contrário do exemplo italiano. 509. ocorrendo uma mudança de governo em violação das normas constitucionais do Estado. p. Nascimento e Silv a. Capítulo 4 RECONHECIMENTO DE ESTADO E DE GOVERNO Com a formação do Estado. 194. 30. La formación de los Estados en la Postguerra. Beviláqua . sobrevém o problema do reconhecimento do governo de facto. o que implicará a aplicação à mesma. onde. No passado. Bósnia e Macedônia. 309. reproduzido no Jornal do Commercio. houve ainda algumas tentativas de fusão. p. inclusive a do Estado-núcleo. Sibert . na maioria dos . Mas. com sede em Moscou. em conseqüência com o enfraquecimento do poder central. mas é importante salientar que se trata de situações bem distintas. e.s of na tions. do Nascimento e Silva. Rousseau . v. os ducados de Modena. 1º fev. in UNESCO. p. p. p. p. ao passo que a antiga Iugoslávia compreende hoje apenas os territórios da Sérvia e de Montenegro. 43. 17 I . o problema do reconhecimento das antigas colônias européias nas Américas representou um ato político-jurídico sumamente importante e foi.1. New York. quer ao outro. sofreu uma série de sangrentas guerras de independência: surgiram as Repúblicas da Croácia. in RCADI. H. 1 . The international legal status of the Republic of China. A fusão poderá ocorrer pacificamente ou por meio de conquistas. 18 nov. L' idée moderne de 1' État. p. surgindo daí a Federação Russa. O exemplo clássico de Estado por fusão é o da Itália. Os novos-anti gos países da Europa Oriental. W. contemporary Asian studies. 427. Queiroz Lima.Santa Fé. Jame s Crawford. verifica-se que na maioria dos casos de fusão inexiste o sentimento de unidade nacional. Pastor Ridruejo. p.1 . 3 31. 1943. Hungdah Chiu. isto é. As duas situações têm muito em comum. R. A URSS foi desmembrada.1. Erich. ed. 1971.ocorre quando um Estado-núcleo absorve outras entidades. Bengt Broms. 1 3. p. Parma e Toscana e o Reino de Nápoles foram incorporados ao Piemonte.desmembramento da URSS resultaram no nascimento de inúmeros novos Estados. conforme ocorreu com a URSS e a Iugoslávia. 5. G. 99. 3. Frederick Hartmann. 1926. surge o problema de seu reconhecimento internacional. Argentina).1. O desmembramento da Primeira Parte 79 Tcheco-Eslováquia realizou-se pacificamente. mas raramente lembrado. em 1860. p.a fusão . University of Maryland. 1 83. como a união entre o Egito e a Síria e a da Síria com a Líbia. Por sua vez. Díez . passando todos a formar um novo Estado. é o da fusão em 1964 de Zanzibar e Tanganica para constituir a Tanzânia. Rio de Janeiro. Jornal do Brasil. 20. in RCADI. com a morte do Marechal Tito. para formar um novo país. 353. The creation nf States in international law. Um exemplo bem-sucedido. todas elas de curta duração. in Occasional pap ers. e o direito internacional estabelece regras bastante semelhantes aplicáveis quer a um caso. 13. 15. Bibliografia: Accioly . n.2. Seção 1 Reconhecimento de Estado Reunidos os elementos que constituem um Estado. das normas de direito internacional. Geórgia e Bielo-Rússia. 1951. States. 1992. p. o governo da nova entidade buscará o seu reconhecimento pelos demais membros da comunidade internacional. p. p. The relatinn.l. 152. 1926. E. Krabbe. Quoc Dinh. e inúmeras outras repúblicas. Depois da segunda guerra mundial. Revista Jurídica y Social (da Facul dade de Direito da Universidade del Litoral . O terceiro modo de formação de Estado . Teoria do Estado. v. 1967.. com o surgimento da República Checa e da Eslováquia. como Ucrânia. uggenheim . 68-69. mediante o desaparecimento da personalidade de todos. La naissance et la recog nition des États.

inclusive as de natureza financeira. independente de qualquer outro Estado existente e capaz de observar as prescrições do Direito Internacional". E. com conseqüências jurídicas. E acrescenta que por isso mesmo "produz efeitos retroativos. através do Tratado de Paz e Aliança. Tem-se discutido sobre se existe o dever dos antigos Estados de outorgar o reconhecimento a uma entidade que reúne os citados elementos constitutivos de um Estado. onde as condições do reconhecimento. Reconhecimento significa a decisão do governo de um Estado existente de aceitar outra entidade como um Estado. ou seja. a seu ver "um organismo que reúne todos os elementos constitutivos de um Estado tem o direito de ser assim considerado e não deixa de possuir a qualidade de Estado pelo fato de não ser reconhecido". Anzilotti expõe magistralmente a razão pela qual a personalidade internacional de um Estado surge concomitantemente com o seu reconhecimento. a Espanha só reconheceu o México em 1836. Em outras palavras. o reconhecimento é um ato unilateral pelo qual um Estado admite a existência de outro. para os defensores da doutrina do efeito declarativo. portanto. mas considerou qualquer iniciativa em tal sentido corno ato inamistoso. O reconhecimento de novos Estados pode ser expresso ou tácito. o reconhecimento tem efeito declarativo. apenas os Estados Unidos e a Argentina haviam reconhecido o Brasil. Se. Para Hildebrando Accioly. estabelece igualmente o momento em que começam a existir. o ato tem efeito declarativo. mas existe uma importante corrente que defende a tese contrária. distingue o nascimento histórico do nascimento da pessoa internacional. sujeitos da ordem jurídica de que estas normas fazem parte. a personalidade existe quando uma entidade se torna destinatária de normas. em 1936. verifica-se que a prática dos Estados é no sentido contrário. só obteve o seu reconhecimento pelo Rei de Portugal em 29 de agosto de 1825. Assim como toda ordem jurídica determina quais os seus sujeitos. que o efeito é atributivo. desde que ser sujeito jurídico significa ser destinatário de normas jurídicas. No caso das antigas colônias espanholas. Trata-se de um ato jurídico. mas deve sempre indicar claramente a intenção do Estado que o pra- . em um território determinado. Com anterioridade. e. para os defensores da tese atributiva o reconhecimento do ponto de vista do DI é um ato bilateral pelo qual aos Estados é atribuída por consenso mútuo personalidade internacional. se achavam enumeradas. se em tese tal obrigação deveria existir. A natureza do reconhecimento de Estado é um dos temas sobre os quais a doutrina não chega a uma conclusão: para a maioria. As normas jurídicas internacionais se constituem por meio de acordos. que remontam à data da formação definitiva do Estado". a Corte de Madrid não só se recusou a reconhecer a sua. ou seja. mas na prática constatamse considerações políticas que pesam sobretudo no ato de reconhecimento. de uma sociedade humana politicamente organizada. O Institut de Droit International adotou resolução em Bruxelas. objeto de prolongadas e difíceis negociações que envolviam as antigas metrópoles e os novos Estados. 82 Manual de Direito Internacional Público D. na qual pende pela tese do efeito declarativo ao declarar que "é o ato livre pelo qual um ou mais Estados reconhecem a existência. O exemplo do Brasil é típico: proclamada a sua independência em 7 de setembro áe 1822. os sujeitos da ordem jurídica internacional começam portanto a existir no momento em que se verifica um primeiro acordo: precisamente neste instante as entidades entre as quais se verificou tornam-se uma em relação à outra destinatárias das normas resultantes do referido acordo e. a partir daquela data todos os demais países Primeira Parte 81 estavam livres para fazê-lo. ocorreu o mesmo.casos.

entretanto. aliás. da condição ou condições estabelecidas deve determinar a suspensão ou anulação do reconhecimento. lembrando. e que um Estado podia ser admitido mesmo com o voto em sentido contrário de um membro. No primeiro caso. sua vontade e sua capacidade de observar os preceitos do direito internacional. numa nota. Na vigência da Liga das Nações. O estudo do reconhecimento internacional de Estado tem sofrido certa evolução diante da processualística seguida na admissão de novos membros nas Nações Unidas. O reconhecimento feito sem condições pode ser considerado como irrevogável. este poderá ser logo reconhecido pelos demais membros da comunidade internacional. entre outros argumentos. num decreto. por atos. A inexecução ou desrespeito. e. não endossava esta tese. argumentou-se que a admissão na organização implicava o reconhecimento tácito do novo Estado pelos demais membros da Liga. declarava ser errônea a pretensão de que a simples admissão acarretasse seu reconhecimento como Estado. faz objeto de alguma declaração explícita. ou de facto. após luta prolongada. resulta implicitamente de algum ato que torne aparente o tratamento de novo Estado como membro da comunidade internacional: é o caso. se mostre impotente para dominar a revolta e aquela se apresente perfeitamente organizada como Estado. Erich. o reconhecimento pode também ser de jure. ao mesmo tempo. Charles de Visscher. pode ser subordinado a condições. e provisório ou limitado a certas relações jurídicas o segundo. Primeira Parte 83 Se um Estado cessa de existir ou perde definitivamente qualquer dos elementos essenciais cuja reunião determina o ato de reconhecimento. este se torna caduco. que a este respeito se podem admitir os três princípios seguintes: 1º) se se trata de Estado surgido de um movimento de sublevação. No segundo caso. o Pacto. estipulava expressamente que um Estado podia ser admitido pela maioria de dois terços dos membros da Assembléia. de vários Estados. Parece. R. mas. sem condições. Unidas. O reconhecimento é feito. O reconhecimento pode igualmente ser individual ou coletivo. diversos casos de reconhecimento condicional. contudo. Segundo muitos internacionalistas e de acordo com uma resolução do Instituto de Direito Internacional. por exemplo. por parte do novo Estado. Citamse. Accioly. contudo. estes mesmos argumentos se aplicam às Nações. o reconhecimento será prematuro enquanto não cessar a luta entre a coletividade sublevada e a mãe-pátria. num tratado. Para Accioly. conforme emane de um só Estado ou. a menos que esta. Não há regras precisas e absolutas sobre o momento oportuno para o reconhecimento. do início de relações diplomáticas ou o da celebração de um tratado com esse Estado. em geral. que fora aceito por todos os Estados. pois a seu ver a admissão na Liga das Nações acarretava direitos e obrigações que só uma pessoa internacional podia possuir. adota a posição contrá- . 2°) desde que a mãe-pátria tenha reconhecido o novo Estado. em tal sentido recorre aos ensinamentos de Hans Kelsen. 84 Manual de Direito Internacional Público Outro conceituado autor. que a organização genebrina admitia como seus membros não só os Estados mas também os Domínios britânicos e até colônias. 3°) se se trata de Estado surgido por outra forma. sendo definitivo e completo o primeiro. Mais ainda. como se trata de ato unilateral.tica. ele poderá ser reconhecido logo que apresente todas as características de um Estado perfeitamente organizado e demonstre.

a admissão depende em primeiro lugar do voto positivo dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança. a 11 de março de 1932. embora não seja suficiente. se declararam obrigadas a não reconhecer aquisições territoriais realizadas pela força. O reconhecimento como beligerante ocorre quando parte da população se subleva para criar novo Estado ou então para modificar a forma de governo existente e quando os demais Estados resolvem tratar ambas as partes como beligerantes num conflito aplicando as regras de direito internacional a respeito. bem como em tal sentido alguns pronunciamentos feitos no decorrer da primeira guerra mundial. isto é. figura em primeiro lugar o reconhecimento como beligerante. A mesma doutrina foi consagrada pela Assembléia da Liga das Nações. obtida por ocupação ou conquista. Se dúvidas podem existir quanto à obrigação de reconhecer novos Estados. de 10 de outubro de 1933. Dentre os atos mencionados como preliminares àquela finalidade. quando. sem que isto signifique a obrigatoriedade da manutenção de relações diplomáticas. a questão perdeu importância. iniciado no ano anterior. Mas é forçoso reconhecer que em todos os casos a motivação era política e visava ao enfraquecimento dos Impérios Germânico e Austro-Húngaro. onde. Sobre Direitos e Deveres dos Estados. As repúblicas americanas também aceitaram a referida doutrina. que possa resultar de meios contrários ao Pacto da Liga das Nações ou ao Pacto de Paris". tratado ou acordo algum. . Tal ato. Primeira Parte 85 Seção 2 Reconhecimento de beligerância e de insurgência O DI admite alguns atos que podem proceder ao reconhecimento de um Estado como tal. dentre eles. as decisões são tomadas por consenso. Henry Simpson. de per si. pelo artigo 1Q do Tratado Antibélico do Rio de janeiro. Conforme foi dito no início. A questão podia ser discutida no passado. Esta doutrina do não-reconhecimento surgiu a propósito da criação do Estado da Mandchúria pelo Japão à custa da China. dirigindo-se à Bolívia e ao Paraguai. a doutrina e a prática indicam que. por meio da força de armas. e quando. e pelo artigo 11 da Convenção de Montevidéu. para então ser levada à Assembléia Geral. mas atualmente o que se verifica é que ocorre um reconhecimento coletivo e mútuo. justamente a propósito do conflito sino-japonês. ao contrário. No caso de uma revolução. de 26 de dezembro de 1933. um Estado criado em violação do direito internacional não deve ser reconhecido. não há voto em contra. Os autores têm salientado que tal reconhecimento não tem alcance jurídico. quando 0 objetivo é apenas o de modificar de modo violento a forma . principalmente em face do sistema das Nações Unidas. anunciaram que não reconheceriam solução territorial alguma do litígio paraguaio-boliviano. em nota de 3 de agosto de 1932. significa que passará o beligerante a desfrutar das regras de direito internacional aplicáveis nos casos de neutralidade. de acordo com a atual praxe. Antes de mais nada.ria ao escrever que a admissão nas Nações Unidas não implica reconhecimento individual pelos Estados-membros. cita-se o reconhecimento como nação. dezenove de entre elas. mas o fato é que nas negociações de paz certas coletividades foram devidamente contempladas e deixaram de pertencer à antiga mãe-pátria. para a finalidade do reconhecimento. do mesmo modo que ela não cria a obrigação individual para eles de reconhecerem o seu governo ou a de manter relações diplomáticas com ele. ao aprovar unanimemente uma resolução em que declarou que "os membros da Liga das Nações são obrigados a não reconhecer situação alguma. A doutrina foi proclamada em janeiro de 1932 pelo então Secretário de Estado norte-americano.

ficar alheios ao mesmo. Se os insurretos são reconhecidos como beligerantes pela mãe-pátria (ou pelo governo legal). Em geral. como rebeldes. nem o de bloqueio. não se achem sob a sua autoridade. considera-se que o mesmo reconhecimento. e se mostra disposto a respeitar os direitos e os deveres de neutralidade os governos estrangeiros poderão por as duas partes em luta no mesmo pé de igualdade jurídica 86 Manual de Direito Internacional Público reconhecendo-lhes a qualidade de beligerantes. não será intempestivo. constitui um governo responsável. por assim dizer.de governo existente. se lhe poder reconhecer o caráter jurídico desta. esta não poderá mais tratálos. mas. a declaração do bloqueio de um porto ocupado pelos sublevados). com fins puramente políticos. Em qualquer caso. mas quando a modificação . Assim: 1º) eles não poderão ser tratados como piratas ou bandidos pelos governos que os reconheçam. 3º) nesta mesma hipóPrimeira Parte 87 tese. O reconhecimento da beligerância não deve ser prematuro. pelo menos. que. o reconhecimento da beligerância toma a forma de uma declaração de neutralidade. por atos inequívocos (tal como. a responsabilidade da mãe-pátria (ou do governo legal). contudo. por exemplo. Para isto. implicitamente. contudo. se os reconhece. Seção 3 Reconhecimento de governo As modificações constitucionais da organização política de um Estado são da alçada do direito interno. nem o de captura de contrabando de guerra. considera-se que existe uma situação de fato. aos insurretos não será lícito exercer os direitos de visita e busca. dá-se a denominação de insurgência. sem. de tal sorte que o grupo sublevado se mostra suficientemente forte para possuir e exercer de fato poderes análogos aos do governo do Estado. mas as regras aplicadas em ambos os casos são idênticas. até o fim das hostilidades. necessariamente. os interesses do governo que deseje efetuar tal reconhecimento devem ter sido atingidos pela luta ou. Se a luta assume vastas proporções. por parte de governos estrangeiros. Mas. exerçam o direito de se opor à entrega de fornecimento de guerra à parte adversa. se exonera de qualquer responsabilidade pelos seus atos ou pelos danos e prejuízos sofridos por potências estrangeiras ou seus nacionais em conseqüência da incapacidade do Estado de preencher suas obrigações internacionais sobre a parte ou partes do território que. 2º) a mãepátria (ou o governo legal). que poderá ser reconhecido por governos estrangeiros. na ocasião. por declaração expressa ou. deixa de ter o caráter de simples motim e assume proporções de guerra civil. o desenvolvimento do conflito deve ser tal que os demais Estados não possam. ao mesmo tempo. no tocante à guerra. não deve ser qualificada como situação de pura violência ou de banditismo. nas águas territoriais do seu próprio país. mantém a sua autoridade sobre uma parte definida do território do Estado possui uma força armada regularmente organizada. que. os atos dos insurretos não comprometerão. não podendo ser classificada como estado de beligerância. submetida à disciplina militar. O principal dos efeitos do reconhecimento da beligerância é conferir de fato ao grupo insurreto os direitos e deveres de um Estado. deverá tratar como prisioneiros de guerra os que caírem em seu poder. não se trata obviamente de um ato que precede o reconhecimento. A esse estado de fato. Quando uma insurreição. Admite-se. O seu reconhecimento não confere propriamente direitos especiais aos insurretos. se é a própria mãe-pátria quem a reconhece. mas produz certos efeitos.

Diversas doutrinas. A simples circunstância de um governo deixar que os seus próprios cônsules continuem a desempenhar as suas funções em território sob a autoridade de um governo de fato não implica o reconhe88 Manual de Direito Internacional Público cimento deste último. acrescentaram a esse princípio o da intenção e capacidade do novo governo de preencher as obrigações internacionais do Estado. A doutrina brasileira sobre o assunto muito se aproxima da dos Estados Unidos. Alguns países têm. os Estados Unidos da América. desde os primórdios da sua independência. elaborada por um antigo ministro das Relações Exteriores do Equador.de facto. de fato. anterior à nomeação. isto é. o princípio das situações de fato. 3º) a aceitação. o poder de dirigir o Estado e o de o representar internacionalmente. quando provisório ou limitado a certas relações jurídicas. antes de se tornar de jure. pode ser . resultante de uma transformação da estrutura interna do Estado ou de um golpe de Estado. da responsabilidade pelas obrigações internacionais do respectivo Estado. O reconhecimento do novo governo não importa no reconhecimento de sua legitimidade. leva em conta as seguintes circunstâncias: 1º) a existência real de um governo aceito e obedecido pelo povo. enquanto o povo Primeira Parte 89 do respectivo país. o reconhecimento poderá também ser expresso ou tácito. Da mesma forma. sustentaram que se devia reconhecer como legítimo todo governo oriundo da vontade nacional. ainda se poderá dizer quando um governo se limita a nomear alguém para exercer funções consulares em território submetido a um governo de fato. por meio de representantes livremente eleitos. Mas. quando definitivo e completo. a normas constitucionais. isto não altera o reconhecimento do Estado: só o novo governo terá necessidade de novo reconhecimento. na sua aplicação. O reconhecimento de governos não deve ser confundido com o de Estados. O próprio governo. os governos resultantes de tais golpes de Estado precisam ser reconhecidos pelos demais Estados. nessa matéria. se acha no poder. não . pretende que se não deve reconhecer governo algum oriundo de golpe de Estado ou de revolução. continuem a exercer funções cônsules de um governo de fato. mas não solicita o exequatur. automaticamente. se os mesmos já possuíam exequatur. na sua formação e no exercício da sua autoridade. o de governos pode ser de jure. 2º) a estabilidade desse governo. É assim que o Brasil adota. O mesmo. claramente manifestada. antes de obedecer. têm procurado submeter o ato a princípios precisos. o do governo que. como no caso de uma guerra civil. finalmente. Em geral. ou de facto. no momento. mas significa apenas que este possui. Mas o de um Estado como que comporta. O primeiro é feito. Se a forma de governo muda. por outro lado. por exemplo. Em relação aos novos governos.ocorre em violação da Constituição. por este. não se deve concluir a existência de reconhecimento se um governo permite que. Assim. A doutrina Tobar. O segundo deve resultar de fatos positivos que importem na admissão da existência de novo governo e de que este exerce autoridade sobre o respectivo Estado e o representa internacionalmente. por meio de nota diplomática. geralmente. o reconhecimento de governos de fato ou de qualquer novo governo obedece exclusivamente a conveniências políticas. como a União americana. entretanto. Mais tarde.e é geralmente . adotado certas normas que inspiram a respectiva política. Do mesmo modo que o reconhecimento de Estado. no território do respectivo Estado.

D. tacitamente. 47 (coletânea). o novo governo. em semelhante circunstância. 1. 103.l. as potências ali reunidas resolveram. Whiteman. do Nascimento e Silva. não reconhecer o governo soviético russo. E. porque o reconhecimento nada tem que possa ferir a soberania do governo a que se aplique. 1. Efeito do reconhecimento internacional dos Estados. R. 15. manter ou retirar uma missão diplomática. La naissance et la recognition de États. in RCADI. que fere a soberania da nação interessada e importa em atitude de crítica. 160. um governo não deve subordinar a manutenção ou retirada dos seus agentes diplomáticos junto a outro governo à preocupação de o reconhecer ou não. Visscher. Révue de Droit lnternational. 450. . v. p. Russomano. resultou a doutrina de que um governo. Anzilotti. deveria aceitar os seguintes princípios: a proteção da propriedade individual. proclamou a doutrina de que o reconhecimento de governos constitui prática afrontosa. Fundadas nessa doutrina. 191. 61. 2. constitucionalmente. importa. p. Bibliografia: Accioly . p. o reconhecimento das dívidas. H. Díez . 199. Lauterpac ht. Précis de droit des gens. afinal de contas. p. Oxford. t.o tenha reorganizado. 1932. v. Paris. o Secretário de Estado das Relações Exteriores do México. Cours de droit international public. p. G. p.1. =============================================================================== . 1. p. p. Por isso. É apenas uma conseqüência do direito que tem todo governo de manter ou deixar de manter relações com outro governo. 286. para ser reconhecido. 37. v. Genaro Estrada. p. International law: achievements and prospects. em 1922. Erich. a garantia da execução dos contratos. Em setembro de 1930. Georges Scelle. v. nem é atitude de crítica em relação aos negócios internos de outro Estado. o compromisso da abstenção de toda propaganda subversiva contra outros países. De uma conferência reunida em Cannes. Podestà Costa 1 . em reconhecer ou não reconhecer. 1945. Boletim. v.1. Por outro lado. Bengt Broms. 13. 427. 1 934. 1926. La reconnaissance de 1'État comme sujet de droit inter national. Recognition in international law. Robert Redslob. então. p. p. 1 3. p. Oppenheim . Sr. 1947. 154.Essa doutrina peca pela base.