CONTRATOS CIVIS (Pontos essenciais

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Compra e Venda
- da definição dada pelo 874º resulta que a compra e venda consiste essencialmente na transmissão de um direito contra o pagamento de uma quantia pecuniária, constituindo economicamente a troca de uma mercadoria por dinheiro. // sendo um contrato translativo de direitos, a c/v pressupõe a existência de uma contrapartida pecuniária para essa transmissão – SE não existir qualquer contrapartida o contrato é qualificável como doação. - Caracterização: 1) contrato nominado e típico (lei estabelece o seu regime) 2) contrato consensual quanto à constituição basta o mero acordo das partes para que haja uma compra e venda – não e necessária a entrega da coisa nem é necessário o pagamento do preço (são efeitos obrigacionais do contrato) – não são necessários para o contrato. 3) contrato primordialmente não formal – é, regra geral, um contrato não formal ainda que a lei o sujeite a forma especial, como sucede na compra e venda de bens imóveis e noutras situações. 4) contrato obrigacional (constitui 2 obrigações) e contrato real quoad effectum (transmissão de direitos reais). 5) contrato oneroso – existe uma contrapartida pecuniária em relação à transmissão dos bens, importando sacrifícios económicos para ambas as partes. 6) Contrato sinalagmático – surgem obrigações para ambas as partes, existindo entre elas um nexo de correspectividade já que uma é razão da outra // as obrigações do vendedor e do comprador constituem-se tendo cada uma a sua causa na outra (o que determina que permaneçam ligadas durante a fase da execução do contrato – não podendo ser realizada sem a outra.) aplicamse algumas regras relativas ao sinalagma contratual como a excepção de não cumprimento, caducidade do contrato por impossibilidade de uma das prestações, resolução por incumprimento. 7) Comutativo - ambas as atribuições
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patrimoniais, se apresentam como certas, não se verificando incerteza nem quanto à sua existência nem quanto ao seu conteúdo. MAS a lei admite que a c/v possa funcionar como contrato aleatório como nas hipóteses de venda de bens futuros, frutos pendentes, partes componentes e integrantes a que as partes atribuem esse carácter – 880º/2. 8) Contrato e execução específica - quer em relação à obrigação de entrega, quer em relação à obrigação de pagamento do preço, o seu conteúdo e extensão não é delimitado em função do tempo. Esta situação ocorre MESMO na venda a prestações dado que, apesar do seu fraccionamento em diversos períodos de tempo, este apenas determina a forma de realização da prestação, não influenciando o seu conteúdo e extensão. - Forma: contrato válido e eficaz: 1) substancialmente: plena capacidade negocial; legitimidade; patologias que afectem a vontade de contratar. 2) formalmente: regra geral: 219º - liberdade de forma // contrato essencialmente consensual – não é estabelecida nenhuma forma especial # quando exista disposição legal que expressamente exija forma como condição de validade = nulidade (220º) // caso da compra e venda de imóveis + venda a domicilio + transmissão do direito de autor (exige escritura publica), etc. NOTA: os moveis sujeitos a registo NÃO PERDEM a natureza de moveis e por isso não estão sujeitos a forma. - tem de se atender também ao principio da legitimação (9º/1 CRP) – os facto de que resulte a transmissão de direitos ou constituição sobre imóveis não podem ser titulados sem que os bens estejam definitivamente inscritos a favor da pessoa de quem se adquire o direito. - Registo: formalidades necessárias para efeitos de registo do bem não são condição de validade formal do negocio. - Efeitos essenciais do contrato c/v (879º): 1) efeitos reais – transmissão da propriedade: produz-se
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imediatamente por mero efeito do contrato (408º/1) SE NÃO houver reserva de propriedade – 409º. - a transferência ou constituição do direito real é imediata e instantânea – a propriedade é transmitida apenas com base no simples consenso das partes – principio da consensualidade. Entre nos vigora o sistema do titulo já que a sua existência é só por si suficiente para produzir o efeito real, não sendo necessário qualquer acto posterior de entrega ou outra formalidade. // inerente a este artigo esta o principio da causalidade – já que a validade ou regularidade da causa de aquisição é imprescindível para que essa constituição ou transmissão se opere, pelo que qualquer vicio no negocio causa afectará a transmissão da propriedade. - Efeito real do contrato: as partes podem convencionar efeito meramente obrigacional? Doutrina dominante – não! MAS há situações em que a própria lei não confere efeito real – lei atribui a eficácia translativa num momento posterior / eficácia translativa diferida - excepções ao principio da consensualidade: o nosso direito reconhece ao lado da venda real outro tipo de venda, existente nos sistema do titulo e modo e modo: a venda obrigatória – contrato nunca produzir efeitos reais, apenas tendo por função a constituição de obrigações, resultando assim a transferência da propriedade de um segundo acto, que o vendedor se obriga a praticar, o qual produz efeitos reais – pela c/v a propriedade não é transferida. - situação de bem futuro – 2 situações: ainda não existe OU existe mas não existe na titularidade do vendedor. Compra e venda com efeitos meramente obrigacionais até ao momento em que o vendedor tenha a coisa. Em caso de incumprimento há uma Mera indemnização –408º/2; 880º/1. - partes integrantes: 204º/3 – definição – coisas que se
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transformaram em partes de coisa (elevador; rádio de um carro). Como é que as partes integrantes podem voltar ao tráfego jurídico? – através da separação # coisas acessórias (210º) – são afectadas ao serviço ou ordenamentação de outra coisa. SALVO convenção em contrário a compra e venda não abrange coisa acessória (casa com vasos). - colheita como momento de autonomização. - SE a transferência se dá logo no momento do acordo, é ele que suporta os riscos inerentes – é o comprador que suporta o prejuízo caso a coisa de deteriore ou pereça após a transmissão da propriedade. ENTAO: associada à transferência da propriedade, aparece a transferência do risco – 796º/1. (MESMO que ainda não tenham sido cumpridas as obrigações resultantes do contrato. MAS: O risco continua a correr para o vendedor, se a coisa tiver continuado em poder deste, em consequência de termo estabelecido em seu favor; neste caso, a transferência do risco só se verifica, com o vencimento do termo ou a entrega da coisa, salvo se .... O devedor entrar em mora, o que produz a inversão do risco (796º/2) // No caso de aposição de uma condição resolutiva ao contrato, o risco corre por conta do adquirente se a coisa lhe tiver sido entregue. // No caso de aposição de uma condição suspensiva, o risco corre por conta do alienante durante a pendência da condição (art. 796º/3). 2) efeitos obrigacionais: A) obrigação de entregar a coisa por parte do vendedor // É assim atribuído ao comprador um direito de crédito à entrega da coisa pelo vendedor, o qual concorre com a acção de reivindicação (art. 1311º), que pode exercer enquanto proprietário da coisa. // Venda de coisa específica - O vendedor apenas pode cumprir entregando ao comprador a coisa que foi objecto da venda, sem que a
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possa substituir; A coisa deve ser entregue no estado em que se encontrava ao tempo da venda (art. 882/1) ; Recai sobre o vendedor um dever específico relativamente à custódia da coisa; Caso a coisa se venha a deteriorar entre o momento da venda e o da entrega, presume-se existir responsabilidade pelo vendedor por incumprimento dessa obrigação (art. 918º), a menos que demonstre que a deterioração não procede de culpa sua (art.799/1). # Venda da coisa genérica - O vendedor pode cumprir o contrato, entregando ao comprador qualquer coisa dentro do género; O vendedor terá que entregar as coisas correspondentes à quantidade e qualidade convencionadas no contrato de compra e venda (arts. 539 e ss…e 400º); O desrespeito destas regras determinará a aplicação do regime do incumprimento das obrigações (art. 918º); A obrigação de entrega abrange, salvo estipulação em contrário, além da própria coisa comprada, as suas partes integrantes, os frutos pendentes e os documentos relativos à coisa ou direito (art. 882/2). Tempo do cumprimento: Se as partes não convencionarem prazo certo para a sua realização, o comprador pode exigir a todo o tempo a entrega da coisa (art. 777/1) // Com a interpelação do comprador, o vendedor ficará constituído em mora (art. 805/1); - No caso de ter sido convencionado prazo certo, ou este resultar da lei, o vendedor terá que entregar a coisa até ao fim desse prazo, sem o que incorrerá em mora (art. 805/2) // A obrigação de entrega da coisa vendida está sujeita ao prazo ordinário de prescrição de vinte anos (art. 309º) Lugar do cumprimento: 1) Coisas móveis – 773º // Art 772º determina que nos outros casos, a coisa deve ser entregue no domicílio do vendedor. 2) Coisa imóveis - Naturalmente que a entrega física só poderá ser feita no lugar em que o imóvel se encontra.// No caso em que as partes
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determinem que essa entrega será realizada simbolicamente, dever-se-à aplicar o critério supletivo geral do domicílio do devedor (art. 772º) Caso de não cumprimento (por parte do vendedor) - pode o comprador, nos termos gerais, intentar contra o vendedor uma acção de cumprimento (art. 817º e ss); tratando-se de coisa determinada, pode incluir a execução específica da obrigação (art. 827º); O vendedor está também sujeito a ter que indemnizar o comprador, pelos danos que lhe causar o incumprimento da obrigação (art. 798º e ss). B) correspondente obrigação de pagar o preço por parte do comprador. - incumprimento da obrigação de pagar o preço: resolução do contrato e propriedade volta para o vendedor? NÃO – 886º - SE nada tiver sido convencionado pelas partes. SE for convencionado que a entrega da coisa não afasta o direito de resolver o contrato por falta de pagamento, o credor poderia exercer esse direito. Regras especificas: A obrigação de pagamento do preço é sujeita à prescrição ordinária de vinte anos (art. 309º) // Transmitida a propriedade da coisa, ou o direito sobre ela, e feita a sua entrega, o vendedor não pode, salvo convenção em contrário, resolver o contrato por falta de pagamento do preço (art. 886º). // Verificada a definitiva transferência da propriedade e entrega do bem, o vendedor fica restringido, contra o comprador, à acção de cumprimento para cobrança do preço (art. 817º), respectivos juros moratórios (art. 806º/1) - Acção de incumprimento (817º) – exigir judicialmente o cumprimento da obrigação em falta. - A resolução do contrato por incumprimento da obrigação do comprador, só e possível nestas situações:
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1) Haver convenção em contrário : Nada impede às partes de estipular igualmente que o incumprimento da obrigação de pagar o preço por parte do comprador constitua fundamento de resolução. 2) Ainda não ter sido entregue a coisa (mesmo que já tenha ocorrido a transmissão de propriedade): O contrato ainda não se encontra totalmente executado, podendo até o vendedor recusar a entrega de coisa, enquanto o comprador não satisfizer a obrigação de pagar o preço (art. 428º) 3) Ainda não ter ocorrido a transmissão da propriedade (mesmo que a coisa já tenha sido entregue) : Quando o vendedor conserva a propriedade com fins de garantia, pode em caso de incumprimento, proceder à resolução do contrato e exigir a restituição do bem. - Proibições de venda. Sabemos que o principio da liberdade contratual é um dos vértices do nosso direito que, na sua vertente de liberdade de contratar, permite a livre celebração de qualquer contrato, com qualquer pessoa. É no âmbito das proibições de venda que este principio sofre limitações. (não só mas neste âmbito é bastante visível) // é vedada a venda por razões atinentes às relações das partes entre si ou com o objecto negocial. 1) 877º. Averigua-se primeiramente a capacidade das partes, a validade formal e a existência ou não de vícios na formação da vontade de alguma das partes. // sendo por exemplo o consentimento de uma neta menor necessário – o seu consentimento pode ser suprido judicialmente // venda anulável MAS o regime de invocação deste invalidade é diferente do regime geral previsto no 287º: diferenças no âmbito dos sujeitos legitimados – não pode invocar qualquer interessado MAS apenas aqueles cujo consentimento era necessário + no prazo de invocação – 1 ano a contar do conhecimento da venda – SE este prazo for ultrapassado o direito de arguir a invalidade caduca. NOTA: relativamente aos menores, o prazo de um ano só começa
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a correr quando a menor completar os 18 anos. // justificação: evitar que, sob a capa da c/v, se efectuem doações simuladas a favor de algum descendente. NOTAS: não são abrangidas a venda por bisavos a bisnetos NEM a venda por filhos a pais. (ou netos a avos). NO CASO de a venda ser realizada a filhos é necessário o consentimentos dos restantes filhos MAS não dos netos SALVO se forem descendentes de um filho falecido // SE a venda for feita a netos é necessário o consentimento tanto dos filhos que encabeçam a estirpe COMO dos netos que sejam irmãos do comprador. 2) 876º - proibição de venda de coisa ou direito litigioso – receio de que as entidades referidas no artigo poderem actuar com fins especulativos, levando os titulares a vender os bens por baixo preço, a pretexto da sua influencia no processo. // sanção: nulidade MAS a nulidade não pode ser invocada pelo comprador – a nulidade é estabelecida primordialmente no interesse do vendedor que foi sujeito à especulação do comprador ao vender, em consequência do seu carácter litigioso um bem por valor muito inferior ao seu valor real //o artigo remete para a cessão de créditos ou direitos litigiosos: 579º/3 – coisa com natureza litigiosa; 579º/1 – sujeitos abrangidos por esta proibição; 579º/2 – venda é feita a interposta pessoa quando é feita /entre outros) ao cônjuge do inibido. NOTA: SE estamos perante um processo comum, o juiz do tribunal de menores não tem qualquer hipótese de influenciar o sentido da decisão em tal processo que corre no tribunal comum MAS o artigo refere “área onde exercem habitualmente” – prevê a área geográfica (a comarca). 3) 1714º: venda entre cônjuges (ideia de protecção dos credores) – o principio da imutabilidade das convenções antenupciais proíbe que os cônjuges venham a alterar o seu regime de bens considerando o nº 2 abrangidos por esta disposição a c/v – a celebração destes contratos poderia
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funcionar como uma forma de tornear o principio da imutabilidade das convenções antenupciais, na medida em que por essa via, facilmente os bens comuns ou próprios de um dos cônjuges poderiam ver o seu estatuto alterado em virtude deste contrato. E as partes poderiam ainda simular a realização de uma doação ao seu cônjuge, elidindo a regra da sua livre revogabilidade (1765º) SE coisa vendida for bem comum do casal – 1682º: consentimento de ambos (SALVO se for um acto de administração ordinária). SE faltar o consentimento o cônjuge não tem legitimidade para a venda: venda anulável (1687º) – prazo de 6 meses contados a partir da data do conhecimento do negocio MAS se não tiverem corridos + de 3 anos após o negocio. MAS há um desvio a esta regra na hipótese de venda de bens moveis não sujeitos a registo (boa fé – ignorar que x é casado) – 1687º/3 4) 1892º/1: compra de bens do incapaz pelos seus pais, tutor, curador, administrador legal de bens. Ver artigos. - Venda de bem alheio: existe quando o vendedor não tenha legitimidade para realizar a venda, como sucede no caso de a coisa não lhe pertencer OU de o direito que possui sobre ela não lhe permitir a sua alienação. - quando quem vende não é proprietário mas mero detentor, por exemplo. SE o vendedor informa, no momento da venda, que não é proprietário mas que tem a expectativa de vir a adquirir a coisa, de vir a ser proprietário – não estamos perante venda de coisa alheia como própria MAS como coisa que esperava adquirir: ENTAO não se aplica o 892º conjugado com o 904º (regime da venda de bens alheios) MAS sim o 893º - venda sujeita ao regime da venda de bens futuros = contrato válido. // 880º - Vendedor fica obrigado a exercer as diligências para que o comprador adquira a propriedade da coisa. ASSIM que o vendedor consiga adquirir a coisa, a
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propriedade transfere-se no momento dessa aquisição – 408º/2. - CASO o vendedor não consiga adquirir a coisa: impossibilidade de incumprimento imputável ao vendedor – comprador pode resolver o contrato nos termos do 801º/2 e exigir o preço pago. NOTA: o negocio não é eficaz para 3º, nomeadamente para o verdadeiro proprietário da coisa que pode, através de uma acção de reivindicação, exigir a coisa caso não lhe seja devolvida voluntariamente. NOTA: o regime da venda de bens alheios não se aplica à venda da coisa como alheia, mesmo que não tenha legitimidade para o fazer! (tem de ser como própria nos termos do 904º) - o regime de venda de bens alheios, instituído nos artigos 892º e ss apenas se aplica se for vendida como própria uma coisa alheia especifica e presente, fora do âmbito das relações comerciais. - para estarmos perante a venda de um bem alheio temos ter ter: 1) negocio nulo – não esquecer das especificidades relativamente ao regime geral da nulidade; só podem arguir as partes de boa fé; tribunal não pode declarar oficiosamente a nulidade nem pode ser invocada por 3º nem pelo proprietário; objecto da restituição (894º) + 2) obrigação de convalidação para o vendedor (897º) – obrigação autónoma; surge sempre que o comprador esteja de boa fé; para boa parte da doutrina esta é uma obrigação de meios e não de resultado isto é, se o vendedor fizer todos os possíveis para convalidar o negócio mas a pessoa que tem uma palavra predominante nisso não aceitar, o vendedor não tem de indemnizar por violação do dever de convalidação. Surge neste âmbito a indemnização pelo não
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cumprimento da obrigação de convalidação – 900º = indemnização pela violação do dever de convalidar. 3) obrigação de indemnização (geral) – esta obrigação de indemnização é pela nulidade do negocio, pela venda de bem alheio. SE a nulidade é sanada pela convalidação existe esta indemnização, pelo interesse contratual positivo (que é diferente da indemnização pela não convalidação – pelo interesse negativo) - Venda de bem onerado: NOTA prévia: um arrendamento não é afectado pela venda posterior do imóvel pois nos termos do 1057º o novo proprietário sucede necessariamente na posição de locador já que adquiriu o direito (de propriedade) com base no qual o contrato tinha sido celebrado. ENTAO: o comprador adquire o seu direito de propriedade limitado nos seus poderes de gozo (por haver um direito real de gozo limitado a onerar o imóvel). - 905º ss – contrato anulável por erro (do comprador) - SE o comprador não sabia da existência do contrato de arrendamento no momento da compra e venda (sendo essa informação essencial para a sua decisão de contratar – 247º) OU dolo (do vendedor) - SE o vendedor ocultou intencionalmente a existência do contrato de arrendamento = requisitos verificados para a anulabilidade do negocio. // ónus ou limitações ( descritos no artigo) constituem vícios do direito, que afectam a situação jurídica e não as qualidades fáticas da coisa. // 906º - forma de sanar a invalidade: convalidação do contrato. - esta anulabilidade tem um regime peculiar: obrigação do vendedor de fazer convalescer o contrato eliminado os ónus ou limitações existentes (907º). CASO os ónus/limitações desapareçam (seja pelo cumprimento da obrigação de convalidação do vendedor ou por outro facto) fica sanada a anulabilidade do contrato – 906º. - MAS nem todos os ónus/limitações são susceptíveis de ser
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eliminados por acto unilateral do vendedor (a hipoteca é um caso susceptível) // SE a limitação consiste na existência de um direito de 3º, emergente de um contrato do qual o vendedor já não é parte, nada poderá fazer. - CASO ele não possa fazer nada: 1) poderá haver redução do preço em vez da anulação do contrato nos termos do 911º (tem de se demonstrar que o comprador teria sempre adquirido a coisa embora por preço inferior). 2) SE o comprador invocar a anulabilidade tem direito a ser indemnizado pelos danos emergentes do contrato se tiver havido apenas erro OU por todos os prejuízos SE tiver havido dolo. - Venda a retro: surge no nosso sistema jurídico pois é proibida a figura do pacto promissório (transmissão da propriedade de uma coisa como garantia de uma divida) // modalidade de venda que se traduz na faculdade conferida ao vendedor de livremente resolver o contrato e reaver a coisa vendida (devolvendo o preço recebido) – tal hipótese terá de ser expressamente convencionada pelos contratantes.// A venda a retro desempenha uma função creditícia em relação ao vendedor e uma função de garantia em relação ao comprador. // para produzir efeitos em relação a 3os, a convenção tem de ser registada (932º) – a venda do imóvel a 3º não afecta o direito do vendedor que impôs a clausula. - prazo para o exercício do direito de resolução: livremente convencionado MAS não pode exceder os prazos do 929º (2 anos – coisa moveis # 5 anos para coisas imóveis) – SE os prazos forem convencionalmente alargados será o contrato nulo por violação de norma imperativa? NÃO já que a validade do contrato não é afectado pela invalidade da clausula pois nos termos do 929º/2 – aplicam-se os prazos legais automaticamente. - 928º - não pode ser convencionado o pagamento de um x a mais para resolver o contrato = clausula nula (quanto ao
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excesso acordado) - Venda a Contento: comprador reserva a faculdade de contratar, ou de resolver o contrato, consoante a apreciação subjectiva (o seu gosto pessoal) que vier a fazer do bem vendido. # venda sujeita a prova - Aqui está em causa uma apreciação objectiva do comprador em relação às qualidades da coisa, em conformidade com um teste a que esta será sujeita. // , o contrato não se tornará definitivo sem que o comprador averigúe, através de um prévio uso da coisa, que ela é idónea para o fim a que é destinada e tem as qualidades asseguradas pelo vendedor. 1ª modalidade: só há compra e venda quando a proposta é aceite – existe apenas uma proposta contratual que se considera aceite caso o comprador não se prenuncie no prazo estipulado // ultrapassado o prazo o contrato considera-se concluído e produz os efeitos que lhe são inerentes (879º), nomeadamente o dever de pagar o preço acordado.// o silencio é valorado como vontade de aceitar a proposta de venda: a transmissão da propriedade e a atribuição do risco ao comprador só se verificarão com o decurso do prazo estabelecido, que confirmará a sua intenção de adquirir nos termos do art. 218º.// Com a transmissão da propriedade, transfere-se também o risco – logo, na 1ª modalidade, até que haja aceitação da proposta de venda o risco corre do lado do proprietário, do vendedor. # 2ª modalidade: já há um verdadeiro contrato de compra e venda que, por acordo das partes, esta sujeito a resolução. Nesta modalidade existe já celebração do contrato de c/v quando o bem é entregue ao comprador para que este o possa examinar e decidir-se se pretende adquiri-lo em definitivo. // o vendedor permite ao comprador invocar a resolução do contrato, no prazo que as partes convencionem, caso a coisa não agrade ao comprador - concessão de um direito de resolução unilateral do contrato se a coisa não agradar ao comprador,
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o qual segue as regras gerais (art. 432º e ss) // comprador não tem de apresentar justificações objectivas para exercer o seu direito de resolução já que basta informar o vendedor, dentro do prazo, que afinal a coisa comprada não é do ser agrado. - Venda com reserva de propriedade: A cláusula de reserva de propriedade tem que ser estipulada no âmbito de um contrato de compra e venda, do qual não pode ser separado. // No âmbito do contrato de compra e venda, a reserva de propriedade terá que obedecer à forma legalmente exigida para o contrato, podendo ser consensual nos casos em que o contrato de compra e venda não esteja sujeito a forma especial. - 409º - admissibilidade da clausula de reserva de propriedade nos contratos de alienação – excepção à regra do 408º (principio da consensualidade) segundo o qual a propriedade do bem se transfere por mero efeito do contrato. // Função de garantia já que, na falta de pagamento do preço, o vendedor pode invocar a resolução do contrato não funcionando, nesta hipótese, o limite ao direito de resolução do 886º; A função da reserva de propriedade, visa apenas defender o vendedor das eventuais consequências do incumprimento do comprador. // bem vendido não pode ser penhorado por credores do adquirente pois a propriedade não lhe pertence. - SE o adquirente vende a coisa antes do pagamento integral, sendo apenas detentor = venda de coisa alheia. 2 hipóteses: 1) venda como bem próprio – 892º + 904º; 2) venda como bem futuro (porque informou o comprador) – segundo o 893º temos um negocio valido MAS o 880º exige as diligencias necessárias para adquirir a coisa alienada que no caso é o pagamento da parte restante = 408º/2. - SE o vendedor (que detém a propriedade nos termos da reserva de propriedade) vender a 3º: venda não é valida
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(caso a clausula tenha sido registada – possa ser conhecida por terceiros) – vendedor não tem legitimidade para vender a coisa (reserva de propriedade apenas com função garantidora) = venda de coisa alheia como própria = nulidade. - Registo: No que toca a bens móveis não sujeitos a registo, a cláusula de reserva poderá ser normalmente oposta a terceiros de boa fé, de acordo com os princípios da causalidade e da consensualidade vigentes no nosso sistema jurídico. - Risco - a partir da entrega da coisa, o risco corre por conta de quem beneficia do direito, logo, por conta do comprador, devendo este pagar o preço em caso de perda ou deterioração fortuita da coisa. OU SEJA, apesar de não haver transferência da propriedade, a doutrina tem entendido que o risco corre pelo comprador (apesar de não deter a propriedade da coisa). - a reserva de propriedade, nos termos do 801º/2, permite a resolução do contrato caso não haja pagamento do preço. # regime geral – no caso da c/v sem reserva de propriedade, caso não haja pagamento, o vendedor não tem direito à resolução do contrato mas sim a uma acção de incumprimento (886º) – claro está, salvo convenção em contrário. - Venda a prestações: SE houve reserva de propriedade até integral pagamento do preço, não se produziu o efeito real do contrato aquando da sua celebração – desvio à regra do 408º/1. ASSIM o vendedor pode invocar a resolução do contrato por falta de pagamento do preço (# 886º - caso não tivesse havido reserva de propriedade nem convenção em contrario) MAS tratando-se de uma venda a prestações (por convenção das partes) – 934º (norma que se refere à venda em prestações em geral): regras especificas sobre as
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consequências da falta de pagamento: a lei permite ao comprador um pequeno incumprimento que não tem assim como consequência a perda do benefício do prazo nem a resolução do contrato. - havendo falta de pagamento de uma prestação não há direito de resolução do contrato – tem de exceder 1/8 da totalidade do preço. - exacta medida do “pequeno incumprimento” – suscita dificuldades e divergências doutrinais.// alcance do 934º SE o comprador falhar o pagamento de uma prestação e o valor da prestação em falta é superior a 1/8 do preço, o vendedor pode resolver o contrato; SE o valor em falta não exceder 1/8 do preço, o vendedor não tem direito de resolver o contrato já que tem de tolerar esse incumprimento parcial. // DUVIDA: devedor não paga duas (ou mais) prestações MAS o valor dessas não excede 1/8 do preço – entende-se ser determinante a expressão “uma só prestação” ou “ que não exceda 1/8 do preço”? falar das 2 hipóteses: doutrina que entende que basta uma falha; e a doutrina que entende que o elemento determinante na fixação do alcance normativo do 934º é o valor em falta. - é usual nos contratos de c/v a prestações a estipulação de clausulas penais para a hipótese de incumprimento – 935º/1 impõe limite máximo à estipulação de clausulas penais – que se aplica apenas às clausulas penais relativas à indemnização a pedir na hipótese de resolução do contrato. - Vendas ao domicilio: contrato entre uma consumidora E um comerciante representado por um vendedor MAS celebrado fora do estabelecimento comercial do vendedor, revestindo concretamente a modalidade de “contrato ao domicilio” – modalidade de venda regulada nos artigos 13º a 20º do DL 143/2001 alterado pelo DL 82/2008. // contrato que tem por objecto o fornecimento de bens ou serviços, sendo proposto e concluído no domicilio (ou local
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equiparado), pelo fornecedor ou seu representante, sem que tenha havido prévio pedido expresso por parte do consumidor (13º). -16º/1/4 – contrato tem de ser celebrado por escrito, sob pena de nulidade, quando o valor da compra seja superior a 60 euros. ENTAO: pode ser invocada a nulidade com as consequências previstas no 289º - dever de restituir a coisa ao vendedor e o correspondente dever, por parte deste, de lhe restituir o preço pago. - direito de resolução do contrato – 18º: prazo: 14 dias a partir da entrega da coisa em casa // não é necessário apresentar qualquer justificação ou razão objectiva para não manter o contrato. // uma vez invocado o direito de resolução, o vendedor tem de restituir o preço no prazo máximo de 30 dias – CASO não seja cumprido: passa automaticamente a ter o dever de restituir o dobro no prazo de 15 dias – 19º/1/2. - Envio de bens não solicitados: Caso em que não foi celebrado nenhum contrato entre a pessoa que recebe uma encomenda e a empresa que a envia – empresa não pode fazer valer os efeitos próprios de um contrato que as partes não celebram, nomeadamente exigir o pagamento da coisa enviada. // ao enviar a coisa pelo correio, solicitando o respectivo pagamento, a empresa x (ex: editora) esta a socorrer-se de uma prática comercial desleal na relação com um consumidor, procurando, desse modo, forçá-lo a comprar um bem que ele não tinha encomendado. - DL 57/2008 – estabelece o regime jurídico aplicável às práticas comerciais desleais das empresas nas relações com os consumidores. // artigo 5º define como sendo desleal, em geral, qualquer prática comercial desconforme à diligencia profissional, que distorça ou seja susceptível de distorcer de maneira substancial o comportamento económico do consumidor.

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-14º: contratos anuláveis nos termos gerais (para alem de o consumidor poder invocar a responsabilidade civil por danos – 15º) – SE nem sequer houve contrato, o consumidor não tem de invocar esta sanção – art. 13º nega a obrigação de pagar o preço E de devolver os bens em causa – o silencio do consumidor que recebe os bens não pode ser valorado como vontade de contratar // também não se verifica aqui uma situação de enriquecimento sem causa já que é a própria lei que nega esse efeito, determinando que o destinatário dos bens os pode fazer seus a titulo gratuito. - ver: 13º/3 – caso em que o consumidor devolve a coisa: direito a ser reembolsado das despesas (ex: correio). - Venda de coisas defeituosas: vicio que desvaloriza a coisa e impede a cabal satisfação do fim a que se destina. O 913º abrange 4 situações – ver. - SE estivermos perante um contrato c/v entre 2 particulares OU 2 profissionais (ex: advogado e livraria juridica) = a solução do problema encontra-se no CC # e NÃO no regime do DL 67/2003 que pressupõe a relação de um profissional e de um particular que destina o bem comprado a uso particular. - Defeito no momento da compra (não se tratando de defeito superveniente) – 913º a 917º. O 913º remete para o regime da venda de bens onerados naquilo que os artigos seguintes (914º a 917º) não disponham em contrário. ASSIM, segundo o 905º, o comprador pode anular o ng por erro (seu) ou dolo (vendedor). MAS antes de fazer valer essa solução, o comprador pode, nos termos do 914º, pedir ao vendedor que repare a coisa ou a substitua (CASO tenha natureza fungível). MAS o comprador não pode exigir ao vendedor que este repare ou substitue caso o vendedor desconheça sem culpa o defeito – neste regime não há responsabilidade objectiva do vendedor (914º, in fine). Deste artigo resulta uma primazia
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da solução da reparação coisa pela solução da substituição, sendo esta ultima aplicável apenas se se tornar efectivamente necessário e a coisa tiver natureza fungível. NO CASO de haver desconhecimento não culposo do vendedor – o comprador pode então solicitar a anulação do contrato por erro ou dolo verificados os respectivos pressupostos – erro: essencialidade e cognoscibilidade dessa essencialidade do erro # dolo: dolo tenha sido determinante na vontade do declarante, salvo se provier de 3º, caso em que se exige igualmente que o destinatário conhecesse ou devesse conhecer a situação. NOTA: venda de bens onerados – vicio de direito # defeituosos – vicio de facto. NOTA: em virtude da remissão do 913º pode haver indemnização pelos danos eventualmente sofridos havendo apenas uma especialidade nos termos do 915º. // há a alternativa da redução do preço em vez da anulação do contrato por erro ou dolo – 911º/1. - prazos: 1) coisas moveis: 1 mês após o conhecimento do defeito – tem de comunicar o defeito ao vendedor nesse prazo // a denuncia deve ter lugar dentro de 6 meses após a entrega da coisa – 916º/1/2. 2) coisas imóveis -916º/3 - SE os contraentes não chegarem a acordo sobre a devolução e a restituição do preço – comprador tem 6 meses a contar do momento em que efectuou a denuncia do defeito para intentar acção em tribunal de anulabilidade com base em erro – 917º. - SE o vendedor for um profissional pode ser invocada a garantia de bom funcionamento (921º) – MESMO que no caso concreto não tenha havido um acordo das partes no sentido de o vendedor garantir o “bom funcionamento” (boa qualidade) do bem vendido, entende-se que essa garantia decorre dos usos comerciais. ASSIM o comprador pode pedir a substituição da coisa defeituosa (se forem
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bens fungíveis) SEM ter de invocar a culpa do vendedor ou erro seu. Para este efeito tem de denunciar os defeitos num prazo de 30 dias após o seu conhecimento (921º/3) e dentro do prazo de 6 meses a contar da data que recebeu a coisa. SE a empresa não substituir a coisa voluntariamente – comprador tem 6 meses…921º/4. - indemnizações: o comprador tem ainda direito a indemnizações – 1) pelo dolo – 908º - indemnização pelo interesse contratual negativo; 2) pelo erro – 909º indemnização pelo interesse contratual positivo MAS indemnização abrange apenas os danos emergentes do contrato (não abrange os lucros cessantes). Ligação ao 915º - em caso de erro do comprador não há lugar a indemnização se o vendedor desconhecia sem culpa. - a doutrina e a jurisprudência hierarquizaram os direitos do consumidor: 1º) direito a reparação/substituição da coisa; 2º ) anulabilidade por erro ou dolo. - Defeito superveniente – 918º: aplicáveis as regras relativas ao não cumprimento das obrigações – 799º: presume a culpa do vendedor – é este que tem de provar que o cumprimento defeituoso não é da sua responsabilidade (nem responsabilidade das pessoas que usou para cumprir essa obrigação – 800º). CASO não consiga ilidir a presunção – vendedor é responsabilizado pelo não cumprimento do contrato e ASSIM o comprador pode resolver o contrato nos termos do 801º/2 E receber uma indemnização por prejuízos sofridos (798º). COMO a resolução do contrato tem efeitos retroactivos (434º), casa uma das partes tem que restituir à outra aquilo que dela havia recebido.

Compra e venda de bens de consumo (DL 67/2003)
- o DL regula a protecção dos consumidores na compra e venda de bens de consumo: def – 1º/B/a + c: consumidor
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goza da garantia contra defeitos da coisa. - inovação de 2008: âmbito mais amplo – não apenas à compra e venda. Ex: arrendar carro; cabeleireiro. - segundo o DL, o vendedor é responsável por qualquer falta de conformidade que exista no momento em que o bem lhe é entregue, presumindo-se essa falta se o vicio se manifestar num prazo de 2 anos (3º/2) // art. 2º - vendedor tem o dever de entregar o bem conforme ao contrato de compra e venda – obrigação de conformidade ; 2º/2 – especifica situações em que os bens não são conformes – MAS no fundo a falta de conformidade presume-se – qualquer falta de conformidade é presumivelmente do momento da celebração da compra e venda. - SE for detectado um defeito: denuncia no prazo de 2 meses (5º/A/2) - art. 4º confere ao comprador os seguintes direitos: a falta de conformidade do bem com o contrato seja reposta sem encargos, por meio de reparação OU substituição, reparação adequada do preço OU resolução do contrato. // a lei não estabelece hierarquia entre estes 4 direitos – o consumidor pode exercer qualquer um deles SALVO SE tal se manifestar impossível ou constitui abuso de direito (ideia de desproporcionalidade, assente num ponderação de custos para ambas as partes – o cliente não pode pedir logo a resolução se a coisa pode ser reparada – ideia de abuso de direito). OU SEJA: não há hierarquia mas há limites. - Reparação – 1) coisas moveis: deve ser realizada num prazo de 30 dias (4º/2) E o vendedor tem direito de regresso contra o profissional a quem adquiriu a coisa (7º + 8º). MAS o 6º/1 permite que o consumidor que tenha adquirido coisa defeituosa opte por exigir do produtor (1º/B/d) a reparação OU a substituição da coisa; o produtor pode opor-se apenas nos termos do 6º/2. #
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2) coisas imóveis: deve ser efectuada num prazo razoável, sem grave inconveniente para o consumidor (4º/2). CASO isto não aconteça, o comprador tem 2 opções: 1) exigir judicialmente a reparação da moradia (817º) E havendo condenação pode pedir que as obras sejam efectuadas por um 3º à custa do vendedor (828º). // 2) 4º/1 – resolução do contrato (dentro dos limites da possibilidade e do abuso de direito) - 4º/1 – conformidade do bem reposta SEM qualquer encargo (def: 4º/3). - Imperatividade do regime - documento em que se declara aceitar o bem no estado em que se encontra assinado pelo contrato (que leva, por conseguinte, o vendedor a declinar qualquer responsabilidade quanto aos defeitos que entretanto se manifestaram) = clausula/acordo contratual = nulo! (10º) – a protecção conferida pelo DL é imperativa sendo por isso, a renuncia do comprador à sua protecção conferida legalmente pelo DL nula. Nos termos da lei nº 24/96 (lei de defesa do consumidor) a nulidade apenas pode ser invocada pelo consumidor ou seus representantes e o consumidor pode optar pela manutenção do contrato quando algumas das suas clausulas forem nulas. Prazos: 1) de garantia para coisas moveis – 2 anos (depois da entrega da coisa) MAS o 5º/2 permite que o prazo seja reduzido a um ano se forem coisas usadas. 2) da garantia de coisas imóveis: 5 anos // um ano para denunciar após o conhecimento do defeito. Venda com instalação: 2º/4 – equipara a falta de conformidade resultante da má instalação do bem a uma falta de conformação do bem, quando a instalação fizer parte do contrato de c/v E tiver sido efectuada pelo vendedor. Nesta situação o objecto de garantia abrange o bem vendido E a prestação de serviços conexa com esse
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bem (a instalação). SE houver defeito na instalação – direito a ser eliminada a falta de conformidade através da reparação da instalação SEM encargos num prazo de 30 dias (4º). // DANOS causados por má instalação – comprador tem direito, nos termos do 12º Lei Defesa do Consumidor a uma indemnização pelos danos patrimoniais resultantes do fornecimento de bens/prestação de serviços defeituosos. Transmissão do bem a 3º: o DL 84/2008 aditou ao artigo 4º do DL 67/2003 um nº 6: direitos atribuídos pelo artigo 4º transmitem-se a 3º adquirente do bem. ENTAO: direitos são transferidos a 3º adquirente do comprador dentro do período legal de garantia que se contam a partir da entrega do bem ao comprador (originário). Termo do prazo de garantia em caso de substituição do bem: 5º/6 – estabelece que havendo substituição do bem, o bem sucedâneo goza de um prazo de garantia de 2 anos a contar da data da sua entrega. É assim porque a garantia está ligada à coisa e não ao contrato. Resolução do contrato: SE houver reparação da coisa (porque o vendedor propôs e o comprador aceitou) e essa reparação se mostrar insuficiente: resolução do contrato (temos sempre de averiguar se o comprador tem direito a essa medida mais drástica) – tem de se averiguar se se considera ou não proporcional face à leitura conjugada do 4º/1/4. - a resolução do contrato deve ser feita mediante declaração á outra parte (436º/1) – a regra do 432º/2 não se aplica já que o artigo 4º/4 estabelece que o perecimento ou deterioração da coisa, por motivo não imputável ao comprador, não impede a resolução do contrato.

Locação (Contrato de concessão de gozo)
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- definição: 1022.º = Não é contrato gratuito // caracterizase por uma especifica prestação: a de proporcionar a outrem o gozo de uma coisa corpórea, bem como pela estipulação de uma contrapartida pecuniária para essa obrigação. // caracteriza-se pelo seu carácter transitório já que só pode ser celebrado por período temporário.// então do 1022º são 3 os elementos constitutivos do contrato de locação: obrigação de proporcionar o gozo a outrem de uma coisa + carácter temporário + retribuição. 1023.º : duas modalidade de locação: Se a coisa é imóvel há arrendamento # Se a locação recai sobre coisa móvel há aluguer. // o arrendamento por sua vez admite várias modalidades – arrendamento urbano, arrendamento rústico. 1025º: proibição da locação se celebrar por mais de 30 anos – claro esta que este prazo corresponde apenas a um limite máximo do prazo inicial do contrato e não ao seu limite de duração (pode haver renovação). O NRAU vaio permitir que o arrendamento possa ser celebrado como contrato de duração indeterminada o que não coloca obstáculos à natureza temporária do arrendamento já que ele pode-se extinguir por denuncia e são limitadas as possibilidade de este se transmitir por morte. - Parte geral da locação: 1022.º CC a 1063.º CC - valem como regras gerais que valem quando nada se disser nas especialidades. - Arrendamento urbano: 1064.º CC aplicam ao arrendamento urbano. parte especial para a parte geral. No temos as normas que regulam tanto habitação e para não habitação. ao 1113.º CC: só se Partimos sempre da âmbito destes artigos o arrendamento para

- Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU): entrou em vigor no dia 28 de Junho de 2006. // DISCIPLINA LEGAL dos arrendamentos “antigos” que ainda subsistem, encontram24

se, parcialmente, no regime transitório, ou seja, as normas previstas nos artigos 26º e seguintes da Lei 6/2006. - Existem normas imperativas, que bloqueiam a vontade das partes, não permitem que o contrato seja celebrado ao abrigo da liberdade contratual. Finalidade: dar segurança ao arrendamento. - 1064.º - 1091.º : Há normas gerais do arrendamento, comuns aos dois tipos de arrendamentos // 1092.º - 1107.º : Disposições especiais para o tipo de arrendamento para habitação // 1108º - 1113º : Disposições especiais para não habitação. - No caso de arrendamento: primeiro normas especiais para habitação, depois normas gerais de arrendamento, depois normas gerais de locação.

Arrendamento
Forma: O contrato de arrendamento de duração superior a 6 meses tem de ser reduzido a forma escrita – 1069º. // No caso de falta de forma a consequência é a nulidade invocável a todo o tempo por qualquer das partes. - Por prazo inferior a 6 meses : Pode ser por forma verbal. Duração: - todo e qualquer contrato de arrendamento urbano tem de revestir uma modalidade temporal, que determinará certos aspectos do seu regime. NO SILENCIO das partes, determina-se a aplicação supletiva do regime de duração indeterminada (1094º/3). MAS se o arrendamento se destinar a fins não habitacionais e as partes não convencionarem a modalidade de duração do contrato aplica-se o 1110º/2 – considera-se celebrado com prazo certo por um período inicial de 10 anos.

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- SE as partes celebrarem um arrendamento para habitação, podem adoptar a modalidade temporal de contrato com prazo certo (1095º e ss) OU de contrato de duração indeterminada (1099º ss). 1) Contratos com prazo certo - Regra: prazo mínimo de 5 anos para habitação permanente - duração inicial mínima convencionada não pode ser inferior a 5 anos // Excepção: para habitação não permanente (por exemplo por ser uma segunda casa, casa de férias) OU habitação expressamente justificada por razões transitórias - podem ter duração inferior (1095º/3). // prazo máximo: 30 anos. - CASO estes prazos não sejam respeitados: há uma ampliação/ redução automática para os prazos legalmente estipulados. 2) Contratos de duração indeterminada Deveres/ obrigações: - Sendo o contrato de arrendamento formal e substancialmente válido, emergem direitos e deveres para as 2 partes, para o arrendatário e para o locador, quer decorrentes do estatuto legal do contrato, quer da vontade das partes expressa nas clausulas desse contrato. - 1031.º - 1037.º + 1071.º - 1078.º CC - Deveres do arrendatário: 1038º (obrigações do locatário em geral) + 1071º e ss. NOTA: o 1038º fala em obrigações do locatário MAS estas obrigações estendem-se também a todas as pessoas que vivem no local arrendado. - TEMOS DE TER EM ATENÇAO QUANTO as obrigações do arrendatário. Ex: ver o 1038º/f e depois, como se trata de um arrendamento para habitação, analisar as disposições especiais destinadas a essa modalidade – 1093º/1/b.
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- definição de hospede: 1093º/3 – hospedagem é um contrato misto pois para alem de ser proporcionado o gozo da coisa, são também prestados serviços # subarrendatário parcial. - outros deveres do arrendatário: 1038º/c. MAS se o local é destinado a habitação temos de averiguar o 1092º - que permite o exercício de industria doméstica no local arrendado, podendo essa actividade ocupar até três auxiliares assalariados. NÃO ESQUECER: a permissão legal pode porem ser afastada mediante convenção em contrario. - FALTA DE PAGAMENTO das rendas – constitui violação do dever principal do arrendatário – 1038º/a. SE no prazo de 8 dias, após entrar em mora, o arrendatário pagar a renda, acrescida de 50% do valor em atraso, cessam as consequências do seu incumprimento, como decorre do 1041º/1/2. CASO o senhorio se recuse a receber estes montantes - 1042º/2. SE por exemplo, no caso concreto, a mora do arrendatário durar há mais de três meses – é inexigível ao senhorio a manutenção do contrato, podendo invocar a sua resolução – 1083º/3. (via extrajudicial + 9º/7 da lei 6/2006). MAS mesmo após esta invocação extrajudicial da resolução do contrato, ao arrendatário ainda é facultada a possibilidade de pagar as rendas em atraso, nos três meses seguintes à notificação, ficando assim sem efeito a resolução do contrato – 1084º/3 + 1041º/1 ( 50% do valor em mora). CASO o arrendatário não proceda ao pagamento destes montantes, dentro daquele prazo, o contrato considera-se resolvido, devendo o arrendatário restituir o imóvel, no prazo de 3 meses, como dispõe o 1087º. NÃO havendo restituição voluntária do imóvel, dentro desse prazo, poderá o senhorio mover acção executiva para entrega do imóvel arrendado, prevista no 930º/A e 930º/E do CPC – ver 15º/1/e lei 6/2006. NOTA QUANTO ÀS BENFEITORIAS: 1046º (normas geral da
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locação)- locatário equiparado ao possuidor de má fé: tem direito a ser indemnizado pelas benfeitorias necessárias e levantamento das úteis; não tem direito às voluptuárias. Modificações arrendamento: subjectivas do contrato de

Mudança de senhorio: 1057º - em caso de transmissão da coisa arrendada a 3º, essa transmissão não afecta o direito do locatário, estabelecendo-se assim uma transmissão contratual forçada da posição do locador para qualquer adquirente da coisa arrendada. Arrendatário pode sempre opor o seu direito em relação a qualquer adquirente com base no qual foi celebrado o contrato. Mudança de arrendatário: 1) arrendamento para habitação: por acto inter vivos – 1105º // por acto mortis causa (1106º E 57º L6): DEPOIS da entrada em vigor no NRAU: 1106º (morte do arrendatário). Regra geral, a morte do arrendatário, no arrendamento para habitação, conduz à caducidade do contrato, em sintonia com a regra geral da locação prevista no 1051º/d. MAS o contrato não caduca se o arrendatário viver com alguma das pessoas da al. a) e b) – estas pessoas encontram-se na classe de potenciais beneficiários da transmissão da posição contratual do arrendatário. SE for mais do que uma pessoa a querer a posição contratual, é necessário atender a um critério de individualização do efectivo beneficiário daquela transferência já que a lei não autoriza a transferência plural do direito para todos os interessados em simultâneo. (ex: primeiro para a sogra que vivia com o arrendatário e só depois com o sobrinho que também vivia com ele). // SE as pessoas previstas no artigo viverem com o arrendatário há menos de um ano, arrendamento caduca e imóvel tem de ser restituído no prazo de 6 meses (1053º). # ANTES da entrada em vigor do NRAU: 57º da lei 6/2006: estão nas alíneas descritas as pessoas que tem direito à transmissão da posição contratual (sogra e sobrinhos não entram, por
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exemplo – nestes casos o arrendamento caduca por morte do arrendatário e as pessoas com quem ele viviam têm o prazo de 6 meses para desocuparem a casa). 2) no arrendamento para fins não habitacionais: por acto inter vivos (1112º) // por via mortis causa (1113º E 58º L6) Oposição à renovação: - 406º/1: em regra, o contrato de arrendamento só de pode extinguir por mútuo consentimento dos contraentes, a não ser que a lei forneça uma solução diferente. - arrendamento para habitação com prazo certo: regime próprio para a extinção do arrendamento por vontade unilateral de qualquer um dos contratantes (1095º - 1098º) – oposição à renovação do contrato. CASO nenhuma das partes exerça este direito, o contrato renova-se automaticamente, no fim do prazo convencionado, por períodos mínimos de 3 anos (1096º). Prazos: para o senhorio – um ano de antecedência em relação ao fim do prazo inicial ou da renovação ( 1097º) # arrendatário – 120 dias (1098º). # com a denuncia: na denuncia, aplicável aos contratos de duração indeterminada, a declaração do senhorio a pôr termo ao contrato pode ocorrer em qualquer altura // na oposição, aplicável aos contratos em relação aos quais tenha sido estipulado um prazo renovável, apenas pode ocorrer no fim desse prazo, impedindo que o contrato se renove por períodos subsequentes. - prazos da oposição à renovação: 1055º (para a locação em geral) – norma que depois é afastada no âmbito do arrendamento urbano. Denuncia: SE for um contrato com certo prazo: denúncia do contrato prevista no 1098º/2 – termo mais rigoroso seria “revogação
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unilateral” do contrato já que a denuncia é o modo de extinção próprio do contratos de duração indeterminada (1100º e 1101º). A denúncia pode ser feita a todo o tempo após 6 meses de duração efectiva do contrato // feita com uma antecedência de pelo menos 120 dias em relação ao momento em que pretende a extinção do contrato. (NOTA: o efeito extintivo produz-se sempre no final do mês – se digo a 15 de Abril, só se extingue dia 30 de Agosto). CASO não haja esta denuncia antecipada: penalizações previstas nos 1098º/3 – têm de ser pagas as rendas por força do 1098º/2. SE for um contrato de arrendamento celebrado por tempo indeterminado. ENTAO, sendo por tempo indeterminado, o modo de extinção do contrato por vontade unilateral de qualquer um dos sujeitos é a denuncia; 1100º antecedência mínima de 120 dias para o arrendatário E o senhorio fica limitado às hipoteses tradicionais da denuncia para habitação. ENTAO o arrendatário pode denunciar a todo o tempo, sem qualquer justificação que ponha termo ao contrato – apenas se exige uma comunicação ao senhorio com os formalismos do 9º/1 NRAU. Denuncia pelo senhorio: 1101º/1 – 2 hipóteses de denuncia justificada por parte do senhorio – al. a) e b). EM AMBAS as hipóteses o direito de denúncia tem de ser exercido por via judicial (em acção de despejo prevista no 14º da lei 6/2006) tendo de ser demonstrados todos os pressupostos do 1102º e 1103º. Alem destes 2 hipóteses de denuncia justificada, a exercer por via judicial, a al. c) prevê uma hipótese de denuncia livre (sem necessidade de indicação de qualquer fundamento) por parte do senhorio – esta é feita por via extrajudicial (9º lei 6/2006), mediante carta registada com aviso de recepção, devendo o senhorio comunicar a sua vontade ao arrendatário com, pelo menos, 5 anos de antecedência em relação ao momento em que se deva produzir o efeito extintivo. Depois tem de confirmar a denúncia segundo os prazos do 1104º - ASSIM se a
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confirmação não for confirmada ao arrendatário dentro desse período de 3 meses, fica sem efeito a 1ª comunicação. NOTA: a denuncia livre prevista nesta alínea c) NÃO PODE SER INVOCADA pelo senhorio nos arrendamentos celebrados antes da entrada em vigor do NRAU por força do disposto no 26º/4/c da lei 6/2006. -sendo para fim não habitacional, as partes têm liberdade para fixar as regras respeitantes à denuncia do contrato (1110º/1). CASO não usem tal liberdade, aplica-se supletivamente o disposto para o arrendamento para habitação. SE o senhorio autoriza o arrendatário a fazer obras no local arrendado: 1074º/5 – à data de extinção do contrato, o arrendatário tem direito a ser compensado pelas obras licitamente feitas, nos termos aplicáveis as benfeitorias realizados por possuidor de boa fé. Revogação: forma de extinção do contrato em que as partes põem termo ao contrato celebrando um contrato extintivo, o que e admissível nos termos gerais por mutuo consenso, ao abrigo da autonomia privada. Podem revogar a todo o tempo – 1082º/1/2 Caducidade: 1051º - causas de caducidade descritas no artigo. Resolução do contrato:1083º + 1084º. - o locador pode resolver o contrato com fundamento no incumprimento das obrigações do locatário (801º) mas essa resolução esta sujeita a certos condicionalismos – incumprimento especialmente grave (no arrendamento é objecto de uma tipificação exemplificativa – 1083º/2/3). No âmbito do arrendamento por vezes a lei exige o recurso à via judicial para promover a resolução através da acção de despejo (1084º/2 + 14º NRAU)
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- em relação ao locatário não se prevê qualquer tipificação de causas MAS esta é admissível nos casos de incumprimento da obrigação ou cumprimento defeituoso (801º/2 + 1983º/2) NOTAS: 1) arrendamento de bens integrados no regime de bens dos cônjuges: nos termos do 1024º/1, dar de arrendamento é um acto de administração ordinária (EXCEPTO quando o prazo inicial do contrato for superior a 6 anos) MAS existem disposições que estabelecem particularidade de regime nesta matéria: como é o caso especifico do 1628º/A/a que exige o consentimento de ambos os cônjuges (não casados em separação de bens) para dar de arrendamento imóveis próprios ou comuns. SANÇÃO do não cumprimento: 1687º - contrato de arrendamento anulável – prazo: 6 meses a contar no conhecimento do negócio (1687º/2). MAS tem de se ter em atenção o prazo dos 3 anos após a celebração do contrato já que a invalidade do negocio fica sanada pelo decurso do tempo ficando o arrendatário protegido após o decurso do prazo de 3 anos a contar da celebração do contrato. 2) Direito de preferência do arrendatário: SE o arrendatário habitar na casa arrendada durante três anos adquire direito de preferência nos termos do 1091º/1/a. Artigo 416º - senhorio tem de comunicar o projecto de venda e as clausulas do respectivo contrato. SE o senhorio violar esse dever – arrendatário é titular de uma preferência legal podendo recorrer à acção de preferência prevista no 1410º. - não existindo convenção em contrario, o senhorio tem direito de preferência na aquisição do estabelecimento comercial, como estabelece o nº4 do 1112º - arrendatário tem o dever de comunicar ao senhorio o projecto de venda (…- 416º).

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Doação
Noção: 940º - é um contrato, exigindo para a sua perfeição a proposta do doador e a aceitação do donatário; x fez uma doação a y já que, por espírito de liberalidade, e à custa do seu património, dispôs gratuitamente do bem z a favor de y. // é um contrato unilateral (só gera obrigações para uma parte) – o carácter contratual da doação apenas é exceptuado no caso da doação pura efectuada a incapaz. - Elementos constitutivos: 1) Atribuição patrimonial geradora de enriquecimento Acto que atribui a outrém uma concreta vantagem patrimonial (coisa, direito ou assunção de uma obrigação art. 940º); // O donatário sofre um incremento do seu património em virtude quer da transmissão da coisa ou do direito objecto do contrato, quer da aquisição de um novo crédito sobre o doador, em virtude da obrigação assumida. 2 ) Diminuição do património do dador - Supõe uma efectiva diminuição patrimonial, sem o que não se estará perante uma doação. 3) Espírito de liberalidade - Intenção de atribuir o correspondente benefício a outrém por simples generosidade ou espontaneidade; Consiste no fim directo de atribuir um benefício ao donatário, provocando o seu enriquecimento (causa jurídica da doação); Características: é um contrato: 1) nominado e típico (940º a 979º) ; 2)primordialmente formal (947º/1/2) - Para coisas imóveis é necessário escritura pública (947º/1) // Para coisas móveis é necessário documento particular (tem de ser feito por escrito); apenas dispensa forma quando a coisa móvel é acompanhada da tradição da coisa (947º/2) 3) primordialmente consensual (954º/b) - A doação verbal
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de coisas móveis, constitui uma excepção, pois é um contrato real quoad constitutionem, cuja validade depende da ocorrência concomitante da tradição da coisa doada. 4) que tanto pode ser obrigacional como real (940º e 954º/c) - A doação tanto pode ser um contrato obrigacional como real ou quoad effectum, podendo reunir estas duas características isolada ou conjuntamente, na medida em que se transmite a propriedade da coisa ou a titularidade do direito para o donatário (art. 954º/a), ao mesmo tempo que se onera o doador com a obrigação de entregar a coisa (art. 954°/b). // Pode também ser estritamente obrigacional (art. 940º in fine e art. 954º/c) 5) gratuito 6) não sinalagmático - Porque é gratuito, só faz surgir obrigações para uma das partes. 7) tanto pode ser de execução instantânea como periódica Forma do contrato de doação: - É um contrato formal uma vez que não há liberdade de forma – a doação de COISAS IMOVEIS exige escritura publica ou documento particular autenticado sob pena de nulidade (220º) // SE for uma doação verbal de coisa móvel a tradição da coisa é condição formal do contrato (947º/2) sendo assim a doação neste âmbito um contrato real quoad constitutionem // 945º/2 – tradição para o donatário da coisa móvel é havida como aceitação // SE não houver tradição da coisa móvel a doação esta sujeita a forma escrita. NOTAS quanto ao contrato em si: - Enquanto a proposta de doação não for aceite o doador pode proceder à sua revogação (art. 969°) extinguindo assim a possibilidade de o donatário proceder à sua aceitação. // O donatário pode aceitar a proposta de doação enquanto o doador for vivo (art. 945°/1) // Por outro lado a ingratidão não opera automaticamente na revogação da doação. O doador tem de querer revogar a doação pessoalmente. Não podem os seus herdeiros revogar essa
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doação. - A aceitação – tácita ou expressa (art. 945º) - Há uma dispensa de aceitação quando o donatário seja menor ou incapaz e se a doação for pura (sem ónus ou encargos). Neste caso basta a doação feita pelo doador (negócio jurídico unilateral) (art. 951º) Capacidade activa – 948º - a capacidade para fazer doações +e regulada pelo estado em que o doador se encontra ao tempo da declaração negocial. Capacidade passiva – 950º - a capacidade passiva para receber doações não se desvia das regras gerais sobre capacidade contratual MAS o código civil estabelece algumas inibições (proibições de doação): o 953º manda aplicar os artigos 2192º a 2198º que enumeram uma série de situações de indisponibilidade relativa : ver artigos e não esquecer a proibição entre cônjuges sujeitos ao regime imperativo de separação de bens – 1761º. NOTA: o 2194º sanciona com nulidade a disposição a favor do médico que trate do testador // razão desta proibição: situação de especial fragilidade em que o doente se encontra perante o médico //o artigo dá nos 2 requisitos cumulativos (testamento feito durante a doença e se o autor viera a falecer dela) MAS não podemos esquecer que temos de adaptar as condições à doação! No caso concreto, a doação produz efeitos logo após a aceitação ( se obedecer aos requisitos de forma) e não pode ser posteriormente revogada a não ser com base em ingratidão e portanto a doutrina defende na aplicação do 2194º às doações a nulidade de todas as doações durante o período de doença, independentemente da o doador falecer ou não dessa doença. NOTA 2 – incapazes (951º - neste caso a doação não +é um contrato mas um negocio unilateral): os incapazes não podem aceitar doações com encargos senão por intermédio dos seus representantes legais MAS as doações puras (sem
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encargos ou ónus) produzem efeitos independentemente da aceitação em tudo o que aproveite aos donatários. ENTAO: a doação feita a incapazes é um negocio unilateral e não um contrato produzindo todos os seus efeitos, incluindo a transmissão da propriedade para o donatário – para Antunes Varela, tudo se passa como se a lei presumisse a aceitação por parte dos representantes legais visto não haver razoes económicas que justifiquem a recusa nem ser provável a existência de razoes de ordem moral que se oponham à aceitação. NOTA: não esquecer que pode haver doação da nua propriedade (ex: doar uma casa de habitação com reserva de usufruto) Clausulas acessórias nas doações: 1) Cláusula de reversão – 960º - quando o doador quer limitar a doação ao donatário não pretendendo que esta suceda nos seus herdeiros// determina-se nesta clausula que o bem doado regressa à titularidade do doador em certos casos – doador não quer estender a sua generosidade a todos os herdeiros e legatários do donatário MAS antes pretende limitá-la a este ou, como a lei presume supletivamente (pode ser convencionado o contrário), a ele e aos seus descendentes // tem de ser registada se se tratar de imóveis ou móveis sujeitos a registo // nº2: se nada for estipulado em contrário, a reversão só tem lugar no caso de o doador sobreviver ao donatário E aos seus descendentes – ENTAO a doação fica resolvida se a morte do donatário e seus descendentes se verificar antes da morte do doador. 2) Clausulas modais: doação com encargos. Doação modal – 963º - oneradas com encargos que consiste numa restrição imposta ao donatário que o obriga á realização de uma prestação no interesse do próprio, do autor/doador ou de terceiro // doador pode impor ao
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donatário um ónus ou encargo que o obriga à realização de uma determinada prestação no interesse do autor da liberalidade, de 3º, ou do próprio beneficiário e não carece de um conteúdo patrimonial // nos contratos gratuitos, os encargos impostos ao beneficiário, sendo meras clausulas acessórias, funcionam como simples limitações ou restrições à prestação do disponente (liberalidade) e não como seu correspectivo! Dai que o donatário não seja obrigado a cumprir os encargos “senão dentro dos limites… 963º/2”. - 966º - direito de pedir a resolução da doação perante o não cumprimento dos encargos – a resolução não opera ipso iure sendo necessário pedir a resolução judicial da doação MAS este direito de resolução proveniente do modo tem de ter sido conferido pelo contrato (expressamente conferido) – CASO não tenha sido estipulado resta ao doador exigir o cumprimento do encargo – 965º 3) Condições ou encargos ilícitos ou impossíveis - as doações podem ser sujeitas a condições MAS o legislador sujeita-as a um regime diferente do previsto em geral nos artigos 270º e 271º (este artigo estabelece a nulidade dos negócios subordinados a um condição contrária á lei/ordem publica/bons costumes). O 967º manda aplicar as regras estabelecidas em matéria testamentária (2230º + 2168º). OU SEJA: as condições impossíveis, contrárias a lei/ordem publica/bons costumes – consideram-se como não escritas e não afectam a validade da doação. - o legislador enumerou entre as condições contrárias à lei a condição de residir (2232º) ou de não casar (2233º). Regime das perturbações da prestação no contrato de doação: 1) Doação de bens alheios - a mais grave perturbação que
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importa a nulidade – 956º + 942º + 406º/2. O doador não pode opor a nulidade ao donatário de boa fé; em relação ao verdadeiro proprietário da coisa doada, o contrato será ineficaz (406º/2) 2) Doação de bens onerados ou coisas defeituosas 957º - O doador não responde por ónus ou limitações do direito NEM por vícios da coisa doada, a menos que se tenha expressamente responsabilizado OU haja procedido com dolo ( máxima de “a cavalo dado não se olha o dente”). A regra da irresponsabilidade do doador compreende-se na medida em que, apesar de haver um redução do valor do bem doado, o donatário não deixa de obter enriquecimento patrimonial, não se justificando que o doador responda pela diminuição do valor do bem. // a coisa entra no património do donatário tal como é, sem que ele possa reclamar pelos seus defeitos. REGRA que sofre 2 excepções: 1) se o doador se ter expressamente responsabilizado (declaração expressa e não apenas deduzida de factos concludentes) 2) doador actuado com dolo – para Menezes leitão exige-se que o doador tenha efectiva intenção de prejudicar o donatário. Extinção das doações 1) Revogação das doações: Antes da aceitação: a proposta do doador não caduca nos prazos do 228º MAS apenas caduca se não for aceite em vida do doador nos termos do 945º/1 - Enquanto não for aceite a doação, nos termos do 969º/1, o doador pode livremente revogar a sua declaração negocial por escrito – SE não se verificar esta formalidade a doação mantém-se eficaz. Depois da aceitação: Fora os casos previstos por ingratidão não há possibilidade de revogação da doação, pelo que, por muito que o doador se arrependa da liberalidade que fez, após a aceitação da mesma pelo donatário, já não pode
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voltar atrás. Revogação por ingratidão do donatário - a doação pode, nos termos do 974º ser revogada por ingratidão // Fora os caos previstos, não pode ser revogada por ingratidão do donatário. Ora, nesta âmbito somos remetidos para 2 artigos (casos de revogação da doação por ingratidão taxativamente previstos na lei): 2034 º que estabelece quem carece de incapacidade sucessória por motivo de indignidade e para o 2166º que estabelece as causas de deserdação dos herdeiros legitimários. SE NO CASO CONCRETO não se verificar nenhuma hipótese prevista, não pode ser revogada a doação por ingratidão. NOTAS: 976º - a acção de revogação da doação por ingratidão caduca. // revogação tem eficácia ex nunc, isto é, os efeitos retrotraem-se à data da proposição da acção – ENTAO revogada a liberalidade, os bens doados são restituídos ao doador ou aos seus herdeiros no estado em que se encontram (978º) // SE o donatário alienar a coisa doada antes da revogação: 978º/3 // SE em vez de alienar, constituir um direito real limitado: 979º NOTA: o 975º refere situações em que nem sequer se admite a possibilidade de revogação por ingratidão do donatário.

Sociedade (NOTAS)
Noção: (980º) requisitos essenciais do contrato de sociedade: 1) contribuição dos sócios com bens ou serviços 2) exercício em comum de certa actividade económica (que não pode ser a mera fruição) – a actividade que os sócios se propõem exercer vem a constituir o chamado objecto social 3) repartição dos lucros. NOTA: alguma doutrina, nomeadamente o Dr. Menezes Leitão, exige um quarto elemento: a organização. TEM de haver uma pluralidade de sujeitos.

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981º - o contrato celebrado em principio não esta sujeito a forma especial salvo se for exigida pela natureza dos bens com que os sócios entram para a sociedade. Pode ser celebrado por tempo indeterminado, prazo certo ou para prosseguir um objectivo que se esgota num determinado lapso de tempo (neste caso, por exemplo caso da queima das fitas, quando essa semana terminar conclui-se que se esgotou o objecto social, pelo que a sociedade se dissolver nos termos do 1007º/c). - não é um contrato real quod constitutionem, mas antes um contrato consensual. Sociedade enquanto contrato: colectiva # enquanto pessoa

Direitos e deveres dos sócios: 983º e ss. 1) 989º proíbe o sócio, sem o consentimento unânime dos outros de se servir das coisas sociais para fins estranhos à sociedade – o consentimento não esta sujeito a nenhuma forma especial, aplicando-se as regras do 217 e ss. 2) 982º (regra que consiste numa explanação do principio geral do 406º/1 sobre modificação de contratos) – as alterações do contrato requerem o acordo de todos os socios excepto se o próprio contrato o dispensar. 3) 990 º - proibição de concorrência. 3) 997º - quem e o que responde pelas dividas da sociedade – responsabilidade solidária ENTAO não sendo os bens da sociedade suficientes para o pagamento, o credor pode demandar qualquer um dos sócios nos termos do 515º // direito de regresso. NOTA: os sócios podem convencionar que as perdas sejam suportadas em partes diferentes mas não podem isentar completamente um deles já que o pacto leonino é proibido pelo 994º. 992º - lucros segundo a proporção da entrada – SE as entradas não forem realizadas em capital mas sim em trabalho SE um trabalhar menos, caso não exista acordo
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entre eles quanto ao modo de repartição, o quinhão de cada um é fixado pelo tribunal segundo juízos de equidade (992º/3). Administração da sociedade: Exoneração e exclusão de sócios: (1002º + 1003º) Exoneração: abandono da sociedade por vontade unilateral do sócio (1002º) // exerce-se por meio de declaração feita aos outros sócios // como se trata da revogação unilateral de um contrato, contrária à regra geral do 406º. A exoneração só é admitida quando se verifiquem os requisitos previsto no 1002º. Ver 1006º/1. Violação de uma das regras que regem o contrato de sociedade (ex: 989º) – importa para o sócio a obrigação de indemnizar os outros pelo prejuízo causado e pode importar a sanção de exclusão do sócio nos termos do 1003º/a se o seu comportamento for considerado uma violação grave das suas obrigações para com a sociedade. (se for imputável ao sócio uma violação grave das suas obrigações). 1005º - exclusão depende do voto da maioria dos sócios // 1021º liquidação da quota no caso de exclusão/morte/exoneração de sócio. Falecendo um dos sócios – 1001º (3 hipóteses): a liquidação da quota do falecido e a continuação com os sócios supérstites é a que melhor se coaduna com o intuitus personae da natureza da sociedade civil. Extinção da sociedade: a sociedade dissolve-se pela realização do objecto social (1007º/c) que funciona como um termo. // dissolvida a sociedade deve proceder-se à liquidação do seu património (pagar o passivo e atribuir aos socios o resíduo do património nos termos do 1016º e ss.

Comodato (NOTAS)
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Noção e características: 1129º - x emprestou a y uma coisa infungível (que deverá ser restituída no final do prazo convencionado). # empréstimo de dinheiro ou outra coisa fungível – mutuo. // é considerado um contrato de concessão de gozo Comodato é o contrato unilateral, a título gratuito, pelo qual alguém entrega a outrem coisa infungível, para ser usada temporariamente e depois restituída; infere-se dessa definição os traços característicos: contratualidade, visto ser um contrato unilateral, gratuito, real e intuitu personae; infungibilidade e não consumibilidade do bem dado em comodato; temporariedade; obrigatoriedade da restituição, da coisa emprestada. - o comodato é necessariamente um contrato gratuito. SE o que cede o gozo temporário da coisa infungível receber alguma retribuição por essa cedência, já não estamos perante um contrato de comodato MAS sim de locação. // é um contrato real quoad constitutionem já que é necessária a entrega da coisa para a perfeição do contrato. // contrato não formal // não sinalagmático. - não há qualquer exigência de forma como condição de validade do contrato – vale a liberdade de forma (219º). - a gratuitidade não impede que o comodante imponha ao comodatário certos encargos modais (como as despesas de uma casa emprestada) DESDE QUE o encargo não seja de valor a fazer desaparecer o beneficio do comodatário como razao determinante do contrato. - comodato é um contrato intuitu personae em que o comodante concede o direito de uso da coisa em consideração da pessoa do comodatário e não de terceiro – devido a este carácter pessoal do uso concedido, o comodato caduca com a morte do comodatário (1141º) mesmo tendo sido estipulado prazo de vigência e este ainda não tenha ocorrido.
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- pode haver contrato de comodato com ou sem prazo – no caso de ser sem prazo a pessoa entrega a outra certa coisa móvel ou imóvel com a obrigação de a restituir logo que lhe seja exigida (1129º + 1137º). O comodato sem prazo corresponde à figura do precário, qualificado pela doutrina como um subtipo do contrato de comodato. Entende-se que no comodato o comodatário tem um direito autónomo, porque o comodante se vinculou à prestação do gozo da coisa ao comodatário MAS no precário o concedente limita-se a considerar legitimo, por consentido, esse mesmo gozo – ASSIM o precarista não dispõe de tutela judiciaria para o gozo da coisa, que lhe foi apenas tolerado. ENTAO, quando o comodante exige a coisa, de um momento para o outro, o comodatário tem de a restituir nos termos do 1135º/h Comodante (pessoa que empresta) responde perante o comodatário pelos vícios da coisa comodatada? 1134º: NÃO! (excepto se se tiver expressamente responsabilizado ou tiver agido com dolo). Deveres/Obrigações do comodatário: (1135º) SE o comodatário detectar algum vicio tem o dever de informar – 1135º/g. // SE o comodante autorizar uma reparação, o comodatário tem direito a ser indemnizado pelas benfeitorias necessárias nos termos do 1138º/1 e 1273º/1. SE o comodante se recusar a indemnizar – direito de retenção nos termos do 755º/e. Com este fundamento o comodatário não é obrigado a cumprir o dever que lhe é imposto pelo 1135º/h. // fim (ex: emprestar bicicleta para a corrida x) acordado pelas partes constitui um limite aos poderes do comodatário – 1135º/c // al. f – proibição de proporcionar a 3º o uso da coisa excepto se o comodante autorizar – o uso da coisa, pela própria natureza intuitu personae do contrato, deve pertencer, continuadamente, ao comodatário. Violação dos deveres contratuais do comodatário:
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comodante pode resolver o contrato, mediante comunicação ao comodatário, nos termos gerais do artigo 432º e ss. E o comodatário incorre em responsabilidade contratual perante o comodante, nos termos gerais do 798º. Perda ou deterioração da coisa: 1136º; 1136º/2 – comodatário responde objectivamente (mesmo sem culpa) pelo danos SALVO SE …artigo (relevância negativa da causa virtual). Extinção do contrato: 1) Caducidade – 1141º (como todos os contratos gratuitos, tem cariz intuitu personae e assim caduca por morte do comodatário) + decurso do prazo se as partes o estipularem 2) Resolução- 1140º (tem de haver justa causa).

Mutuo (NOTAS)
Noção: (1142º) o empréstimo de dinheiro ou outra coisa fungível toma o nome de mutuo. // é considerado um contrato de concessão de créditos. // É em rigor um contrato em que há transmissão de bens porque envolve bens fungíveis; A entrega de coisas fungíveis implica a transmissão da propriedade. Forma: (1143º) – depende do valor em causa. Dependo do valor a forma é condição de validade do mutuo ou não. Nos termos do 220º, a declaração negocial que careça de forma legal prevista é nula. SE os contraentes acordam juros num contrato celebrado com vicio de forma, a pessoa pode recusar-se a pagá-los pois sendo o contrato nulo, não produz efeitos. MAS não pode apropriar-se do dinheiro mutuado por força do disposto no 289º já que a invocação da nulidade tem, nestes casos, efeito retroactivo. Características: emergem direitos e deveres para os contraentes, nomeadamente o dever do mutuário pagar os
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juros mensalmente vencidos. - é um contrato nominado e típico // primordialmente não formal – abaixo dos 2500 euros o mutuo pode ser celebrado verbalmente // naturalmente oneroso podendo ser gratuito (questão dos juros – presunção) MAS as partes podem estipular a gratuitidade deste contrato // o carácter real quanto à constituição é muito discutido na doutrina – Dr. Menezes leitão vai no sentido de ser. // contrato obrigacional e real quato aos efeitos // sem cariz intuitu personae Objecto: dinheiro ou outra coisa fungivel A propriedade das coisas mutuadas: o 1144º refere que as coisas mutuadas se tornam propriedade do mutuário pelo facto da entrega – é a entrega que determina a transferência da propriedade sobre as coisas, independentemente do seu consumo ou da sua confusão no património do mutuário. ENTAO: mutuo é um contrato real quoad effectum na medida em que a sua celebração produz efeitos reais. Forma do contrato: 1143º Obrigações do mutuário: obrigação de restituição do tantundem eiusdem generis – restituição de outro tanto do mesmo género do que foi recebido (obrigação pecuniária ou genérica) + obrigação de juros (no mutuo oneroso – o que se presume ser a regra) – mesmo que o mutuo não verse sobre dinheiro // esta obrigação tem carácter acessório em relação à obrigação principal de restituição do capital. Extinção: 1) decurso do prazo concedido ao mutuário para utilização do capital – nesse momento o mutuário deve restituir as quantias recebidas 2) 780º - mutuário torna-se insolvente 3) deixa de realizar uma prestação, caso de tenha convencionado a restituição em prestações – 781º 4) incumprimento pelo mutuário da obrigação de pagamento dos juros no mutuo oneroso – 1150º 6) afectação das
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quantias entregues a fins diferentes daqueles para que foram emprestadas no mutuo de escopo. No caso de exigência antecipada pelo mutuante – ele perde o direitos aos juros vincendos a partir do momento em que a restituição do capital se concretiza – 1150º. // 1147º mutuário pode antecipar o cumprimento da obrigação relativamente ao prazo estipulado.

Mandato (NOTAS)
Noção / características: 1157º - tem carácter intuitu personae // é um contrato de prestação de serviços que tem por objecto a prática de actos jurídicos. -Podemos estar perante um mandato geral - acto de administração geral, por exemplo gerir estabelecimento comercial, mandatar um advogado para representação. // Mandato especial: por exemplo para venda de um prédio específico. // um mandato oneroso – se for fixada uma remuneração // um mandato plural. - no contrato de mandato rege o principio da liberdade de forma – 219º MAS a procuração (se houver) deve revestir a forma exigida para o negocio que o procurador deva realizar. - no contrato de mandato, a determinação e a vontade do próprio mandatário têm um papel preponderante na obrigação de negociar e dar execução a um acto jurídico, ou a conjunto de actos jurídicos. MAS o mandante não esta impedido de dar instruções ao mandatário quer no momento em que o mandato é constituído quer em momento posterior. - o mandato em que o mandatário se obriga a vender um imóvel do mandante é um mandato especial (1159º/2) Obrigações do mandante: 1167º Obrigações do mandatário: 1161º
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No contrato de mandato, o acto jurídico deve ser praticado por conta do mandate mas não necessariamente em seu nome. ASSIM temos: Mandato com representação – 1178º : mandatário age em nome do mandante // o acto produz os seus efeitos na esfera jurídica do mandante // a representação pressupõe a outorga de poderes representativos que resulta da procuração (262º ss) e a invocação do nome do representado. // nestes casos a actuação do mandatário exerce-se em representação do mandante, pelo que o regime da representação (258º) é aplicável ao mandato – 1178º/1. NOTA: o mandato, visto isoladamente constitui o mandatário no dever de praticar actos jurídicos por conta do mandante (1157º) enquanto na procuração se reconduz a uma mera concessão de poderes representativos (262º): a junção dos 2 negocios faz surgir um dever novo que é o de exercer o mandato em nome do mandante (1178º/2) # mandato sem representação . 1180º: mandatário age em seu próprio nome // acto produz os seus efeitos na esfera juridica do mandatário. // o mandado é exercido por conta do mandante em nome próprio do mandatário // o CC consagra a tese da dupla transferência ao referir que o mandatário ao agir em nome próprio adquire os direitos e assume as obrigações resultantes dos negócios que celebra. // os efeitos dos negócios não se repercutem directamente na esfera do mandante mas antes na esfera do mandatário de onde terão que se posteriormente trasnferidos para o mandante. - SE houver uma procuração a favor de x, estamos perante um mandato com representação. O mandato é um contrato que impõe a obrigação de celebrar actos jurídicos por conta de outrem # a procuração é um acto unilateral que confere o poder de os celebrar em nome de outrem. Mandato plural – 1160º: quando o mandante incumbe 2 pessoas da prática dos mesmos actos jurídicos. Disjunto – existem tantos mandatos quantas pessoas designadas // é a regra // cada mandatário tem o seu próprio dever de
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executar o mandato, independentemente da actuação dos outros mandatários # conjunto – existe apenas um mandato, devendo os mandatários agir conjuntamente, harmonizando os seus comportamentos perante o mandante e perante terceiros como se de um só mandatário se tratasse. // causas de caducidade do mandato relativas a um dos mandatários afectam os restantes salvo convenção em contrário (1177º). NOTA: no caso de mandato conjunto a regra não é a de solidariedade entre mandatários mas a da conjução (1166º) – regra que por maioria de razão vigora para o mandato disjunto. MAS as partes podem em qualquer caso estabelecer o regime de solidariedade nos termos gerais do 513º. Extinção do contrato: revogação – 1170º - o mandato é livremente revogável por qualquer das partes, não obstante convenção em contrário ou renuncia ao direito de revogação (1170º/1)// esta revogabilidade livre justifica-se pelo carácter intuitu personae deste contrato// SE o mandato tiver sido conferido no interesse do mandatário não pode ser revogado pelo mandante sem acordo do interessado, salvo havendo justa causa (nº2) MAS um contrato de mandato não se considera celebrado celebrado no interesse do mandatário só pelo facto de ser oneroso – a retribuição é apenas uma remuneração pelo esforço do mandatário. // caducidade – 1174º // resolução por incumprimento das obrigações da outra parte (art. 801º/nº 2), de que constitui exemplo o caso do art. 1170º/nº 2

Deposito
Noção/ Caracteristicas: – 1185º: contrato real quanto à constituição já que a entrega da coisa é necessária para a perfeição do contrato // o objecto do contrato é a guarda (custódia) de uma coisa o que compreende o dever de a
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conservar materialmente, ou seja, mantê-la no estado em que foi recebida, defendendo-a dos perigos de subtração, destruição ou dano. // pode estar em causa um deposito oneroso se as partes estipularam uma retribuição – que pode ser paga antecipadamente MAS em principio, se nada for estipulado, é paga no termo do deposito, ou seja, no momento da restituição – 1199º + 1200º // é considerado um contrato de prestação de serviços // não formal (MESMO que o deposito abranja bens imóveis já que o negocio não implica qualquer risco para o depositante nem sequer um direito pessoa de gozo a favor do depositário) - este contrato tem uma natureza especial – carácter fiduciário e instituição no exclusivo ou predominante interesse do depositante. Atenta esta natureza, temos um desvio à regra do 779º, segundo a qual o prazo se tem estabelecido a favor do devedor. Obrigações depositante: 1199º Obrigações depositário: 1187º. A obrigação de guarda que é a obrigação fundamental do depositário tem um conteúdo elástico e variável, dependendo, em concreto, da natureza da coisa. EMBORA no desempenho da sua missão, o depositário não esteja subordinado às ordens ou direcções do dono da coisa, de acordo com a natureza do contrato de prestação de serviços, no contrato podem ser estabelecidas regras quato ao modo ou meios de guardar a coisa. - Violando por exemplo o dever de guarda e restituição da coisa o depositário é responsável nos termos gerais da responsabilidade civil. (nota: havendo esta violação contratual, ela presume-se culposa) Extinção do contrato: Deposito irregular – 1205º + 1206º: objecto: coisas fungíveis (aquelas que se determinam pelo seu género, qualidade e quantidade) – o seu objecto não constitui uma
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coisa certa mas sim uma quantidade de coisas não determinadas em espécie (dinheiro, mercadorias), pressupondo as partes que a restituição corresponderá a outro tanto do mesmo género. // Aplicação regras do mútuo – implica assim a aplicação do 1142º, implicando assim o deposito irregular a entrega de dinheiro e outras coisas fungíveis e ficando o depositário obrigado a restituir outro tanto do mesmo genero e qualidade. Regime = MAS há diferenças a salientar: 1) não se aplica a presunção de onerosidade de mutuo (pagamento dos juros) mas sim a presunção de gratuitidade do deposito )1186º. 2) mutuo é um acto de administração extraordinária e o deposito i é um acto de adm. ordinária. 3) elemento essencial do mutuo: existência de um prazo para o mutuário utilizar o capital, no deposito a estipulação do prazo é um elemento acidental do contrato. 3) mutuo – 774º correndo as despesas por conta do mutuário; deposito – 1195º e 1196º. NOTA: a função do mutuo é o empréstimo e a função do deposito irregular é a guarda.

Empreitada (NOTAS)
Noção – 1207º: considerado, a par do mandato e do deposito, um contrato de prestação de serviços tendo por objecto especificamente uma obra e não um serviço Características: contrato essencialmente oneroso// nominado e típico // normalmente não formal – lei não estabelece forma especial apesar de haver casos especiais de empreitada // contrato consensual (por oposição a real quoad constitutionem) dado que a lei não exige a entrega da coisa para a sua constituição // contrato obrigacional podendo ser real quanto aos efeitos – é sempre um contrato obrigacional na medida em que é fonte de obrigações (empreiteiro tem de realizar a obra e o dono da obra de pagar a obra) MAS pode ter efeitos reais quando a propriedade da obra seja atribuida ao empreiteiro e esta venha a transmitir-se para o dono da obra (é o que
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acontece no caso do 1212º/1 – materiais pertencentes ao empreiteiro). // sinalagmático (obrigações recíprocas) // comutativo Conceito de obra: a questão do conceito de obra não é doutrinalmente pacífica e também se encontra discutida em decisões jurisprudenciais. A maioria da doutrina e da jurisprudência entendem que o objecto da empreitada deve ser uma obra material ou corpórea. (excluem deste conceito obra intelectual apoiando-se no regime dos “defeitos da obras”).MAS temos de ter em atenção o caso concreto: traduzir um código civil – apesar de o objecto deste contrato ser um trabalho intelectual, não é permitida qualquer margem de apreciação subjectiva ou de criatividade da empreiteira na tradução do texto jurídico e, sendo os defeitos da tradução, objectivamente controláveis, não existem obstáculos à aplicação do regime do contrato de empreitada. Regras sobre a propriedade da obra: definidas no 1212º. SE os materiais da construção de coisa móvel são quase todos do empreiteiro – propriedade só se transfere com a sua aceitação (não no sentido da proposta mas sim no sentido de entrega da coisa e aceitar como ela está) // 1212º/2 : obra de coisa imóvel – coisa considera-se sempre como propriedade do dono da obra. Obrigações do empreeiteiro: 1) temos o disposto no 1208º - segundo a qual o empreiteiro deve realizar a obra segundo as legis artis – é uma concretização do principio da boa fé no cumprimento das obrigações, plasmada no 762º/2. 2) do contrato de empreitada surgem pois, deveres de esclarecimento, conselho, cuidado e segurança para o empreiteiro. Não cumprindo estes deveres, o empreiteiro viola os deveres secundários acessórios da prestação principal – 1221º (reparação do defeito). Vicios/defeito da obra: obra sobre coisa móvel / obra sobre coisa imóvel;
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regime do CC : quando o contrato de empreitada não configura uma relação de consumo, porque se trata de um contrato celebrado entre 2 profissionais (ou 2 particulares), destinando-se a obra a uso profissional do dona da obra: NESTES CASOS o regime dos defeitos da obra não será o previsto no DL 67/2003 mas sim o previsto no CC. Nos termos do 1220º - dever-se-á primeiramente denunciar os defeitos (prazo) // feita a denuncia assistem ao dono da obra os direitos enunciados no 1221º e 1222º: exigir a eliminação dos defeitos; exigir nova construção; exigir redução do preço; resolução. Da interpretação conjugada dos 2 artigos conclui-se que elas estabelecem uma hierarquia entre estes direitos (não podendo o dono da obra arbitrariamente e injustificadamente optar, primeiramente, pela resolução do contrato). SE as despesas com a nova construção forem desproporcionadas em relação ao proveito (isto no caso de a reparação não ser possível) os direitos do dono da obra cessam tendo de optar pela redução do preço ou pela resolução do contrato se os defeitos tornarem a obra inadequada ao fim a que se destina. (inadequação funcional e estética). // 1224º prazos para recorrer extrajudicialmente. 1225º - regula os vícios na construção, modificação ou reparação de imóveis destinados por sua natureza a longa duração; norma que também se aplica ao vendedor de imóvel que tenha construído, modificado ou reparado (nº4) // Regime DL 67/2003 – quando o dono da obra é um consumidor (definido pelo 1º/b/a do DL) e o empreiteiro um profissional // consumidor goza da garantia edilícia contra defeitos da coisa. // o empreiteiro é responsável por qualquer falta de conformidade existente no momento da entrega da obra, presumindo-se existentes já nessa data as faltas de conformidade que se manifestem num prazo de 5 anos (3º) // dono da obraq tem de denunciar o defeito (5º/A/2) // consumidor pode exigir ao empreiteiro a
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eliminação dos defeitos da obra nos termos do 4º/1 // a reparação deve ser efectuada num prazo razoável e sem grave prejuízo para o dono da obra – 4º/2. // não esquecer que no caso de resolução do contrato que se faz mediante declaração à outra parte, deve ser restituído tudo o que tiver sido prestado pelas partes contratantes (289º/1 + 433º). Risco de perecimento da obra: 1228º/1 – o risco corre por conta de quem é proprietário da obra no momento da destruição por causa não imputável a qualquer das partes (tem de se ver no caso concreto de quem é a propriedade no momento do perecimento). Extinção do contrato: 1) resolução do contrato – opera ex voluntaris, por meio de declaração unilateral do credor ao devedor e confere ao dono da obra o direito a receber por inteiro o preço (289º/1, 433º) 2) nao cumprimento pelo empreiteiro no termos do 808º que se presume culposo nos termos do 799º - confere ao credor o direito a ser indemnizado e a resolver o contrato nos termos do 801º/2. 3) 1229º - dono da obra pode desistir de empreitada a todo o tempo, ainda que tenha sido iniciada a sua execução, contanto que indemnize o empreiteiro dos seus gastos e trabalho e do proveito que poderia retirar da obra = desistência – faculdade de que dispõe o dono da obra que não tem de ser fundamentada, não carece de pré-aviso e tem eficacia ex nunc embora seja condicionada à indemnização por interesse contratual positivo, coenvolvendo, alem do lucro cessante, os gastos e o custo da actividade desenvolvida. 4) morte ou incapacidade do empreiteiro ( se forem tomadas em conta as qualidades do empreiteiro tendo deste modo o contrato celebrado natureza intuitu personae) NOTA: contrato de subempreitada – 1213º - 3º obriga-se para com o empreiteiro a realizar a obra a que este se encontra vinculado ou parte dela. Deste contrato não
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resulta nenhum vinculo directo entre o dono da obra e o subempreiteiro. ENTAO: desta independência entre os 2 contratos resulta que o dono da obra não é devedor do subempreiteiro e que no caso da obra subempreitada apresentar defeitos, o dono da obra apenas pode reclamálos do empreiteiro. NOTA: o dono da obra não tem direito de, por si ou por intermédio de terceiro, reconstruir a obra à custa do empreiteiro (caso este se recuse a fazê-lo) – te´ra de instaurar uma acção para cumprimento da obrigação de substituir a obra (817º) e, só após uma condenação prévia do empreiteiro é que o credor poderá requerer que a obra seja efectuada por outrem à custa do empreiteiro (828º). O dono da obra tem ainda direito a indemnização nos termos gerais (1222º). // a doutrina e a jurisprudência admitem que, em casos excepcionais de urgência, o dono da obra e o comprador de coisa defeituosa autotutelem o seu direito, sem que previamente haja condenação do empreiteiro ou vendedor a eliminar os defeitos ( directamente e sem intervenção do poder judicial), exigindo depois do empreiteiro/vendedor o pagamento das respectivas despesas. NOTA: empreitada distingue-se do mandato (que tb e é uma prestação de serviços) pelo facto do empreiteiro não realizar actos jurídicos mas antes actos materiais e actuar por conta de outrem e não por contra de outrem. // distingue-se do deposito pelo facto de a obrigação do empreiteiro ser principalmente a realização da obra, tendo a sua guarda cariz meramente eventual, enquanto a obrigação de guarda do depositário é exercida a titulo principal.

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Nulidade da venda de bens alheios :
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Por influencia do direito frances Dois desvios as regras gerais quanto a legimidade para arguir e quanto a restituição

Legitimidade : Profundamente restringida uma vez que é proibida a invocaç Ao pela parte que estiver de má-fé contra a outra de boa-fe. Sendo vedada em qualquer caso ao vendedor a sua invocacao sempre que o cmprador esteja de boa-fe 892. Em regra so o comprador de boa-fe pode invocar a nulidade de venda. Terceiros : nao parece que eles possam invocar a nulidade uma vez que a sua initução é claramente estabelecida no interesse das partes e nos termos acima rferidos. O proprietario verdadeio nao tem legitimidade para nvocar a nulidadem ja que em relação sera sempre ineficaz nos termos do art 406 pelo que ele será admitido sempre exercer a reivindicação, sem ter que discutr a validade do contrato ou demostrar que nao consentiu na venda.

Quanto a restituição : Afasta-se muito do regime geral que se preve no art 289. mas estápoximo do regime de enriquecimento sem causa Na medida em que faz variar o conteudo da obrigação da restituição, consoante exista ou nao boa-fé do obrigado. O comprador de má –fe nao poderá pedir a restituiçao do
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preço mas apenas o enriquecimento do vedndeodr ,Boa-fe – pode pedir a restituição do preço ainda que os bens se hajam perdido, deteriorado ou tenham diminuido de valor por qualquer otura causa. Nao lhe sendo retirado pelo facto de ele posteriormente ter tido conhecimento da natureza da coisa vendida Mas este conhecimento superveniente da real pertinencia da coisa interessa ja quato a responsabilidade do comprador pela perda, deterioracao ou diminuição de valor que a coisa padeça.

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