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APOSTILA PARA TREINAMENTO DE PINTORES

Segue abaixo uma apostila para treinamento de pintores elaborada por mim. Ela aborda alguns temas como porquê não se deve pintar sobre carepa de laminação, constituintes das tintas, a importância da pintura industrial e uma descrição breve de algumas falhas/defeitos encontrados em uma película de tinta.

“Na especificação de um esquema de pintura procura-se indicar tintas de alto padrão técnico, preparo adequado de superfície e condições de aplicação para se conseguir bom desempenho do esquema de pintura e conseqüentemente adequado tempo de vida útil das estruturas ou equipamentos. Entretanto por ocasião do esquema de pintura se não houver qualificação do pintor, todos os gastos na elaboração da especificação e na aquisição dos materiais podem ser perdidos pelo fato desses profissionais não terem os conhecimentos teóricos básicos para que, somados à capacitação prática, permitam atingir os objetivos da PINTURA INDUSTRIAL.”

O aço é o principal material utilizado pela engenharia na construção de equipamentos e instalações. E devido sua baixa resistência à corrosão, a PINTURA INDUSTRIAL tornou-se o principal meio de proteção anticorrosiva da era moderna. A aplicação de PINTURA INDUSTRIAL consiste na interposição de uma película, em geral orgânica, entre o meio corrosivo e o material metálico que se deseja proteger. Estes revestimentos são aplicados por forma de TINTAS. Para que serve a Pintura Industrial? A Pintura Industrial tem uma série de utilidades, tais como: Identificação de fluidos em tanques, reservatórios, tubulações, etc., maior ou menos absorção de calor, finalidade estética, sinalização de estruturas e/ou equipamentos e para TRATAMENTO ANTICORROSIVO. Mas, o que é CORROSÃO? Corrosão é a deterioração de um material, especialmente metálico, por ação química ou eletroquímica do meio, e deve ser combatido, pois com a corrosão, há uma perda de matéria (aço), o que implica na confiabilidade operacional do equipamento. O metal se desfaz gradativamente, causando a perda total do equipamento. E no nosso caso, minimizamos esse processo corrosivo por meio de aplicação de tintas, que formam uma proteção por barreira impedindo a passagem das intempéries ao aço.

Vocês pintores, sabem o que é tinta? Tinta são substâncias químicas em forma líquida, pastosa ou em pó, que após aplicação e cura, forma um filme seco, duro e obliterante. Seus constituintes são: • • • • RESINA: É o constituinte ligante ou aglomerante das partículas de pigmento e o responsável pela continuidade e formação da película; PÍGMENTOS: São partículas sólidas finamente divididas que são utilizados para se obter uma séria de propriedades, como propriedades anticorrosivas, propriedades estéticas/decorativas e impermeabilização; SOLVENTES: São substâncias puras utilizadas tanto para auxiliar na fabricação das tinas, na solubilização de resinas e no controle da viscosidade, facilitando a aplicação; ADITIVOS: São substâncias adicionadas em pequenas quantidades às tintas para conferir propriedades especificas a mesma. Para fins de proteção anticorrosiva de estruturas metálicas ou de equipamentos, um esquema de pintura é composto, na maioria dos casos, por três tipos de tinta: Tinta de fundo (primer ), Tinta intermediária e Tinta de acabamento. • TINTA DE FUNDO (PRIMER): São aquelas que são aplicadas diretamente ao substrato, portanto, é a tinta responsável pela aderência do esquema de pintura ao substrato a se proteger e são as que contêm na composição os pigmentos ditos anticorrosivos; TINTA INTERMEDIÁRIA: São tintas normalmente utilizadas nos esquemas de pintura com a função de aumentar a espessura do revestimento, com o objetivo de aumentar a proteção por barreira do mesmo. Algumas tintas intermediárias são denominadas seladoras, que são utilizadas para selar uma película muito porosa, antes da aplicação da tinta de acabamento, que é o caso de tintas de fundo à base de etil silicato de zinco (N-1661) que é usado a tinta epóxi óxido de ferro (N-1202); TINTA DE ACABAMENTO: São as tintas que têm a função de conferir a resistência química ao revestimento, pois são elas que estão em contato direto com o meio corrosivo, possuem na maioria dos casos boa resistência à raios ultravioletas e são as tintas que conferem a cor final dos revestimentos por pintura.

MISTURA, DILUIÇÃO E HOMOGENEIZAÇÃO DAS TINTAS Antes e durante a aplicação, toda tinta deve ser homogeneizada para manter o pigmento em suspensão. Para tintas de dois ou mais componentes, deve ser feito a homogeneização de cada componente separadamente antes da mistura dos mesmos e após a mistura, a aparência deve ser uniforme, não devendo apresentar veios ou faixas de cores diferentes. A mistura, homogeneização e diluição só devem ser feitas por ocasião da aplicação A e homogeneização devem ser feitas por meio de um misturador mecânico ou pneumático, admitindo-se a mistura manual para recipientes com capacidade de até 18l, sendo que as tintas pigmentadas com alumínio, exceto da norma PETROBRAS N-2231, devem ser misturadas manualmente. Em caso de tintas ricas em zinco, a mistura deve ser sempre mecânica, mesmo para recipientes com capacidade inferior a 18l. A diluição só deve ser feita quando há real necessidade para a aplicação das tintas e o diluente/redutor a ser usado deve ser o especificado pelo fabricante da tinta, e não ultrapassando o percentual máximo de diluição especificado do mesmo.

devido a contaminantes que não foram removidos da película antes da aplicação de tinta. devido ao coeficiente de dilatação da carepa de laminação ser diferente do coeficiente de dilatação do aço. O filme seco fica poroso. ENRUGAMENTO: Defeito que torna a pintura semelhante à superfície de um papelão ondulado e/ou conrrugado e é típico das tintas alquídicas ou óleo-resinosas. tintas a base de etil silicato de zinco somente devem ser aplicadas com URA acima de 60% (e até 85%. geralmente. não ignorem o fato de não poder colocar a mão em peças jateadas ou tratadas. graxa. deixando o aço em contato direto com o meio corrosivo. sais e CORROSÃO. Suas principais causas são: Ocorre quando não se respeita os intervalos para repintura. o que ocasiona na Oxidação do aço. EMPOLAMENTO: Também chamado de “bolhas”.. pois a película da tinta não é capaz de cobrir os picos e os vales. e o desplacamento da carepa de laminação. IMPREGNAÇÃO DE ABRASIVO E/OU MATERIAIS ESTRANHOS: Nada mais é de que a Inclusão de pêlos. é um defeito estrutural da película. melhor será o desempenho do esquema de pintura e a aderência do esquema ao substrato. causando a Ferrugem. Recentemente. Porque não se pode pintar sobre carepa de laminação? Algumas peças novas parecem já estarem pintadas.A) máxima deve ser de no máximo 85%. uniforme e aderente ao substrato.. e. Portanto. há o desprendimento dessa camada rígida e conseqüentemente o encontro do meio corrosivo com o aço. fiapos. pois nossa mão contém sal e é oleosa. assim como uma lixa fina. Ocorre principalmente por realização da • • • • • • • . para tintas de 2 ou mais componentes. carepa de laminação. o tempo de indução e o tempo de vida útil da mistura (pot-life). Os serviços de pintura devem ser realizados dentro das seguintes condições: • • • • • A umidade relativa do ar (U. óleos. ENFERRUJAMENTO: É a degradação da película em relação ao meio. Ocorre quando há defeitos visíveis na película da tinta. Ocorre pela Contaminação da superfície principalmente por óleo. tais contaminantes podem vir do ar e o material para aplicação pode estar sujo ou contaminado. Deve também ser respeitado. Mas NÃO deve! Com o passar do tempo e a exposição do material às intempéries. etc. pois “passar por cima” de algum desses fatores pode fatalmente condenar a integridade da película. graxa. se deve a retenção de solvente. com penetração dos agentes corrosivos.R. tendem a apresentar esse defeito. pois sua superfície apresenta uma camada muito dura. Suas principais causas são: Formação gasosa cuja origem. sujeira na película da tinta. A temperatura ambiente deve ser de no mínimo 5ºC. como: • • ESCORRIMENTO: Defeito ocorrido durante a aplicação da pintura em formas de ondas ou gotas. o que pode condenar e fatalmente prejudicar o bom desempenho da pintura. caracterizado por uma depressão arredondada sobre a superfície pintada. CRATÉRAS: Também chamado de “olho de peixe”. de modo que as partículas não se aglutinem. e é uma característica das tintas ricas em zinco à base de silicatos quando aplicadas em espessura excessiva. mas ao passar dos dedos não sai pó. causados ou não por danos mecânicos e pela deposição de espessura insuficiente ao substrato.O). se pintado. devido a tintas incompatíveis. com visível deterioração do substrato. resultando espaços intersticiais ou poros na película. é de 40ºC. A IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO DA SUPERFÍCIE Quanto mais limpa e isenta de contaminantes como tintas velhas mal aderidas. sal. ou até mesmo por não apresentar inicialmente uma aparência ruim. com pouca rugosidade) ou pela falta de um primer de aderência. Ocorre quando se movimenta muito uma superfície (entorta). etc. PULVERIZAÇÃO SECA (OVERSPRAY): Defeito estrutural da película decorrente da pulverização deficiente. neste caso. Ocorre devido à contaminação do substrato com água. da tinta. diluição excessiva de tinta e erro na proporção de mistura de tintas com mais de 1 componente. PELÍCULA Cada demão de tinta deve estar isenta (durante e após exposição) de falhas e defeitos. Suas principais causas são: aplicação excessiva de tinta. é um defeito na película seca. que é o produto de corrosão. espontânea ou provocadamente. indicados no rótulo do recipiente. superfícies de difícil aderência (lisas. a ação do solvente da demão anterior e ocorre quando tinta aplicada com espessura excessiva. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS Alguns fatores climáticos devem ser respeitados quando falamos em PINTURA INDUSTRIAL. por condensação no substrato ou aplicação de tinta sobre superfície não tratada. claro). FENDIMENTO: Pintura com rachaduras/trincas que podem chegar até o substrato. com a nova revisão da N-13. óleos. muitas pessoas pensam que podem pintar sobre a carepa de laminação. e quando há retenção de gases na película anterior. caracterizado pelo aparecimento de saliências que variam de tamanho e intensidade. graxas. surgindo após secagem/cura. A temperatura mínima da superfície deve ser de no mínimo 3ºC acima do ponto de orvalho (P. DESCASCAMENTO: Defeito causado pela perda de aderência da película seca. A temperatura máxima da superfície deve ser de no máximo de 52ºC. água. exceto para as tintas de fundo ricas em zinco à base de silicatos que. umidade.É de EXTREMA importância respeitar a proporção de mistura das tintas de mais de um componente. motivado por não respeitar o intervalo mínimo para repintura e poliuretanos quando aplicados sob condições de alta umidade ou contaminados com água.

a U. N-2630: TINTA EPÓXI-FOSFATO DE ZINDO DE ALTA ESPESSURA Tinta com alto teor de sólidos. A mistura. Contém a presença de um pigmento anticorrosico atóxico chamado fosfato de zinco. • • N-2198: TINTA DE ADERÊNCIA EPÓXI-ISOCIANATO ÓXIDO DE FERRO Tinta condicionadora de aderência para aplicação de esquemas de pintura em aço galvanizado e alumínio.R. pois em espessura excessiva pode ocasionar o FENDIMENTO. em aplicação de tintas em superfícies muito elevadas e pela distância incorreta da pistola em relação ao substrato. É indicada. Requer o máximo de limpeza possível da superfície. porém apresentará um aspecto com menos brilho. apenas um “trapeamento” com solvente da própria tinta pois apresentam boa aderência entre demãos. • N-2677: TINTA DE POLIURETANO ACRÍLICO Tinta de acabamento fornecida em dois componentes. esta tinta é utilizada com a função de tinta intermediária seladora (ou tie-coat) em esquemas de pintura com tintas de fundo ricas em zinco à base de silicatos (ex. em esquemas de pintura para proteção de superfícies ferrosas.A atingir ou superar 85%. Sua cura não é afetada se após aplicação. Não tem resistência química.aplicação em tempo com muito vento. • N-2628: TINTA EPÓXI-POLIAMIDA DE ALTA ESPESSURA Tinta de alto teor de sólidos. Requer o máximo de limpeza possível da superfície. é apenas uma falha característica das tintas de resinas epóxi quando expostas ao sol. Não necessita de lixamento após passado o intervalo máximo para repintura. para pintura interna de tanques de produtos claros. • N-1661: TINTA DE ZINCO-ETIL SILICATO Tinta de fundo rica em zinco com alto teor de zinco na composição. porém só até 120ºC de temperatura de operação. a tinta pode ser guardada e reaproveitada.: N-1661) e tem a função de evitar a formação de bolhas na aplicação da tinta de acabamento. são denominadas tinas “surface tolerant”. homogeneização e a aplicação deve ser feito com uso de um agitador mecânico/pneumático afim de manter o pó de zinco em suspensão. do contrário pode causar o ENRUGAMENTO. PRINCIPAIS NORMAS DE TINTAS: • N-1202: TINTA EPÓXI ÓXIDO DE FERRO Tinta de fundo utilizada por diversos esquemas de pintura e dentro do campo da PETROBRAS. O controle de espessura deve ser muito rígido. São fornecidas nas cores branco. • N-2678: TINTA EPÓXI POLIAMIDA PIGMENTADA COM ALUMÍNIO Mesma função e características da norma N-2288. • • N-2629: TINTA DE ACABAMENTO EPÓXI SEM SOLVENTE Tinta de alto teor de sólidos. Apresentam boa resistência à radiação solar e boa retenção de cor e brilho. • N-2288: TINTA DE FUNDO EPÓXI PIGMENTADA COM ALUMÍNIO É utilizada. Tinta de fundo sobre a qual se pode aplicar uma série de tintas de acabamento. onde a película perde seu brilho e solta um pó esbranquiçado que sai ao passar dos dedos. • N-2492: ESMALTE SINTÉTICO BRILHANTE Tinta de acabamento alquídica brilhante utilizada em esquemas de pintura para atmosferas de baixa a média agressividade. principalmente. preparadas por meio de ferramentas mecânicas e é uma alternativa de revestimento para os casos que não se é possível realizar tratamentos com Jateamento abrasivo. porém com agente de cura poliamina. A mistura. É utilizada como tinta intermediária para encorpar a película ou em alguns casos tintas de acabamento. . Deve se tomar muito cuidado o intervalo de pintura e a aplicação. É utilizada em revestimento único (uma demão apenas). • AMPOAMENTO/GIZAMENTO: Não confundir com defeito. homogeneização e a aplicação deve ser feito com uso de um agitador mecânico/pneumático afim de manter o pó de zinco em suspensão. vermelho óxido e cinza. exceto em condições de imersão e em meios ácidos e alcalinos fortes. A mistura e homogeneização deve ser sempre feito manualmente e após mistura da resina oleosa (componente A) e a pasta de alumínio (componente B). N-2231: TINTA DE ETIL SILICATO DE ZINDO-ALIMÍNIO Tinta utilizada para proteção anticorrosiva de estruturas metálicas ou de equipamentos sujeitos a altas temperaturas (até 500ºC). • N-1259: TINTA DE ALUMÍNIO FENÓLICA Tinta de acabamento muito utilizada em esquemas que vão ser expostos em diversos tipos de ambientes. principalmente. • N-1277: TINTA DE FUNDO EPÓXI PÓ DE ZINDO AMIDA CURADA A tinta de fundo epóxi rica em zinco é bastante usada em retoques para esquemas de pintura cuja tinta de fundo é rica em zinco à base de silicatos.

SEM SOLVENTES. portanto as restrições de ponto de orvalho e umidade relativa do ar não são aplicáveis. com umidade residual ou molhadas. É UMA ARTE .• N-2680: TINTA EPÓXI. É isenta de solvente. A PINTURA INDUSTRIAL É MUITO MAIS DO QUE UMA TÉCNICA. TOLERANTE A SUPERFÍCCIES MOLHADAS Tintas de fundo/acabamento aplicável a superfícies de aço-carbono secas. tem 100% de sólidos.