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Sete em cada 10 alunos completam o ano no Ensino Médio do RS

Reprovação e evasão escolar são alguns dos principais entraves para o Rio Grande do Sul atingir suas metas de qualidade no ensino
O desempenho constrangedor do Rio Grande do Sul no mais recente Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é provocado por um curioso contraste: os gaúchos estão entre os melhores do país nas avaliações de português e matemática, mas se encontram entre os piores no ranking das taxas de aprovação escolar. Como o Ideb é calculado com base nesses indicadores, o elevado número de alunos que não consegue passar de ano é um dos principais entraves para o Estado atingir suas metas de qualidade no ensino. Uma análise dos números que compõem o Ideb demonstra que a reprovação e a evasão fazem com que apenas sete em cada 10 estudantes do Ensino Médio consigam completar o ano. O problema é ainda mais grave na rede estadual, e acima de tudo no 1º ano: pouco mais da metade dos alunos passa de ano nessa série. Isso faz com que o Rio Grande do Sul tenha a menor taxa de aprovação de todo o país nesse nível de seriação. O fenômeno se repete nos colégios privados, embora em patamar distante dos públicos. Entre os alunos do sistema particular, 91,5% passam de ano no Ensino Médio — sexto pior desempenho na comparação com os demais Estados brasileiros. No Paraná, primeiro colocado, 95,5% dos matriculados conseguem passar. Para a doutora em Educação e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Elizabeth Krahe, um dos fatores que podem explicar esse fenômeno é o maior rigor rio-grandense na avaliação dos alunos. — O professor tem de adequar seus conteúdos à realidade do aluno. Não estou dizendo para baixar o nível, mas ensinar física ou matemática, por exemplo, de maneira que isso faça sentido para o estudante. E fazer avaliações dessas disciplinas que também façam sentido para o aluno — observa a especialista. Como resultado, o desempenho geral dos gaúchos — que poderia ser favorecido pelo boa performance em português e matemática — acaba comprometido na comparação com os outros Estados. No somatório das redes pública e privada, os gaúchos ficam na 10ª posição do país nas duas disciplinas na séries iniciais, mas vão melhorando a colocação com o passar dos anos. Nos anos finais do Fundamental, sobem para o 4º lugar, e, no Ensino Médio, alcançam a melhor nota do país em matemática. Estado investe em cursos de formação para educadores O secretário estadual da Educação, Jose Clovis Azevedo, afirma que desde o ano passado o Estado vem investindo em cursos de formação para os educadores a fim de mudar a cultura escolar que tolera altos índices de reprovação e evasão. — A questão-chave é que os projetos pedagógicos geralmente não consideram a diversidade dos alunos. Para que não sejam aprovados automaticamente, temos de estimular o compromisso das escolas com a aprendizagem. Hoje, é raro ver uma escola preocupada com seus índices de reprovação — avalia o secretário. Para Azevedo, o Estado ainda abriga uma forma de pensar que, se um aluno não passa de ano, é por culpa dele mesmo: — Temos de entender que a reprovação é a derrota da educação. Antigamente, dizia-se que o bom professor é aquele que reprova. Mas, hoje, é o contrário. CONVERSAS CRUZADAS Nesta quarta-feira, às 22h, o Conversas Cruzadas da TVCOM, canal 36, terá como tema a nova bandeira da RBS: "A Educação Precisa de Respostas". Participam do programa oito alunos do Ensino Médio de escolas públicas e privadas.
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