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EUA E CHINA: INIMIGOS FRATERNAIS

(Observações pouco confiáveis de um não-expert)

Iraci del Nero da Costa São Paulo, janeiro de 2005

O endividamento crescente dos EUA – com a geração de déficits de grande monta –, além de expressar o papel dominante de sua enorme economia e sua correlata capacidade de emissão de "valores" puramente nominais (moeda de reserva), é funcional com o rápido crescimento econômico de muitas das economias "orientais" – sobretudo a da China –, as quais absorvem o papel moeda emitido pelos EUA e conhecem altas taxas de crescimento industrial calcado, em larga medida, nas exportações dirigidas aos EUA. Tal mecanismo garante, ademais, massivos investimentos do "mundo ocidental" naquelas economias e possibilita que os governos orientais mantenham taxas de juros das mais baixas. Evidentemente, tal situação não poderá perdurar indefinidamente. Para evitar grandes perdas, caso se rompa o equilíbrio instável prevalecente no momento, os ditos governos orientais terão de encontrar formas para ativarem e mobilizarem seus imensos mercados internos, os quais, por ora, existem apenas potencialmente, de sorte a fazê-los absorverem a atividade da capacidade produtiva empregada, nos dias correntes, na produção de bens vendidos para o exterior. Como se vê, a "cordialidade" entre chineses e norte-americanos assenta-se em um formidável arranjo econômico benéfico para ambos os lados. Os norte-americanos parecem ser orientados pelo oportunismo, já os chineses estariam a se aproveitar da condição hoje imperante visando, talvez, a construir e sedimentar um caminho que os faça chegar a níveis superiores de emprego, renda, produção e domínio de sofisticadas técnicas produtivas. Num futuro que não parece estar muito distante, conheceremos novos capítulos deste jogo pelo poder político e econômico. Jogo esse no qual vêem-se envolvidos, entre outros, a rebelde Taiwan assim como o Japão, cujas atitudes belicosas – assumidas em um passado que já parecia dormitar na história –, são relembradas, de modo evidentemente extemporâneo, por uma China ávida de conquistar espaço político e econômico tanto no extremo oriente como no cenário maior da economia mundial globalizada. Como se observa, o Japão, o qual não soube assumir, no plano político, o papel de líder econômico oriental que desfrutou por alguns lustros do século passado, vê-se hoje desafiado e, em certa medida, deslocado por uma China que não pretende passar despercebida, mas procura, ao contrário, a maior visibilidade possível.