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DELEGADO FEDERAL Disciplina: Direito Previdenciário Prof. Flávia Cristina Aulas n.

º 05

MATERIAL DE APOIO – MONITORIA

Índice 1. Artigo Correlato 1.1. Desaposentação: antecedentes que desencadearam o surgimento, teses favoráveis e contrárias, e atual situação da jurisprudência. 1.2. Da aposentadoria por idade no regime geral de previdência social: Requisitos e forma como é calculado o seu valor mensal. 2. Jurisprudência Correlata 2.1. STF - ADI 3772 / DF. 3. Assista!!! 3.1. Caso o Equipamento de Proteção Individual elimine a insalubridade, o tempo de serviço especial prestado será descaracterizado para pleitear a Aposentadoria Especial ? 3.2. Admite-se a conversão de tempo de contribuição comum para aposentadoria especial? 4. Leia!!! 4.1. Da não aplicação da renda per capita de ¼ (um quarto) do salário-mínimo para o benefício assistencial de prestação continuada (LOAS). 4.2. O Cálculo da Renda Mensal Inicial da Aposentadoria por Invalidez Precedida de Auxílio-Doença. 4.3. Quais os termos finais da aposentadoria por invalidez? 5. Simulados

1. ARTIGO CORRELATO 1.1. DESAPOSENTAÇÃO: ANTECEDENTES QUE DESENCADEARAM O SURGIMENTO, FAVORÁVEIS E CONTRÁRIAS, E ATUAL SITUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA. TESES

Autor: Marcelo Rodrigues da Silva - Procurador Federal, Chefe da Procuradoria Federal Especializada do INSS em Marília/SP. Pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo – ESMP. Pós-graduando em Direito Constitucional pela Universidade Anhanguera. Publicado em: Março de 2011. O tema desaposentação, conquanto debatido nos tribunais, ainda está em aberto. Não há entendimento claro e firme no sentido de sua admissibilidade. Resumo: O trabalho ora desenvolvido possui tríplice objetivo: trazer à tona os antecedentes históricos que desencadearam a desaposentação; elencar, ainda que de modo sucinto, as teses que lhe são favoráveis e contrárias; e o atual entendimento dos tribunais a respeito. Palavras-chave: Aposentadoria. Desaposentação. Renúncia. Abono de permanência. Pecúlio. Regime geral de previdência social. Contribuição. 1. Conceito. O termo consiste em neologismo que, segundo Helena Mizushima Wendhausen, foi criado por Wladimir Novaez Martinez em texto publicado nos idos de 1988.

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Desaposentação significa renúncia à aposentadoria, retornando o segurado à situação existente antes da jubilação. O aposentado que continua trabalhando, ou, havendo parado, sai da inatividade, e vertendo contribuições, objetiva aproveitar as contribuições vertidas após a jubilação a fim de majorar o valor da renda mensal de benefício. Trata-se, como é evidente, não de simples renúncia, mas de renúncia qualificada, voltada a obtenção de uma situação mais vantajosa. Ocorre que o sistema normativo não permite a possibilidade do jubilado pelo regime geral de previdência social abrir mão de sua aposentadoria. Na verdade há expressa vedação nesse sentido. O artigo 181-B do Decreto n.o 3.048/99 dispõe que a aposentadoria é irrenunciável. 2. Exercício de Atividade remunerada e obrigação de verter contribuições para o regime previdenciário. Aos que exercem atividade remunerada, a vinculação é obrigatória ao regime próprio de previdência social (RPPS, conforme artigo 40 caput da CF/88), ou, residualmente, ao regime geral de previdência social (RGPS, conforme artigo 201 da CF/88). Tal obrigatoriedade se põe no plano do dever-poder: o segurado tem o direito de estar garantido contra os sinistros acobertados pelo regime ao qual se vincula; em contrapartida, se vê compungido a verter contribuições para a manutenção desse regime. Muito se discutiu, na vigência da pretérita Ordem Constitucional, acerca da natureza jurídica das contribuições vertidas ao regime de previdência: parafiscal ou tributária? A nova Ordem inaugurada em 1988 pôs fim à discussão: as contribuições previdenciárias possuem nítido caráter tributário, particularmente em face de sua localização topográfica no texto constitucional (Título VI, Capítulo I, artigo 149, caput e § 1º). Veja-se, a propósito, o voto do Ministro Carlos Velloso na ADI 3.105-8/DF e no RE 138.284/CE. O fato gerador da exação é o exercício de atividade remunerada. O trabalhador contribui porque aufere renda com o produto de sua atividade, e não para obter benefício futuro. Assim, justifica-se a obrigação do jubilado que permanece em atividade, ou a ela retorna, verter contribuições (artigo 12 § 4.o da Lei 8.212/91). Em verdade, por força do princípio da solidariedade (artigo 3.o inciso I, e artigo 195, caput, da CF/88), a geração presente custeia a aposentadoria da geração passada, e as contribuições das gerações futuras custearão a aposentadoria da geração presente.

No atual quadro normativo que disciplina o regime geral de previdência social (RGPS) surge o seguinte problema: conquanto obrigado a verter contribuições, o aposentado não poderá delas se beneficiar, exceto se empregado e para fins de auferir salário família e reabilitação profissional (artigo 18 § 2.o da Lei 8.213/91). Não é elegível a qualquer outro benefício do RGPS e nem poderá se valer das contribuições vertidas para majorar seus proventos. 3. Antecedentes impulsionadores da tese da desaposentação A Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS), Lei 3.807/60, era silente quanto à desaposentação. Contudo, prevendo a hipótese da permanência no exercício da atividade remunerada, seu artigo 32 distinguia duas situações: a do segurado que requeria a aposentação, e a do segurado que não a requeria, embora houvesse implementado os requisitos a tanto necessários. Ao primeiro (i.e., aposentadoria e permanência na atividade), era assegurado o acréscimo de 04% (quatro) do salário de benefício para cada grupo de 12 contribuições, limitado ao máximo de 100% do salário de benefício aos 35 (trinta e cinco) anos de serviço. Ao segundo (i.e., permanência na atividade sem aposentadoria) era assegurada a concessão de abono de permanência de 25% (vinte e cinco por cento) do salário de benefício que receberia se jubilado estivesse. A Lei 5.890/73, que modificou alguns dispositivos da LOPS, impôs a suspensão da aposentadoria ao jubilado que retornasse ao exercício de atividade remunerada, passando, então, a receber apenas o

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abono de permanência, cujo valor passou a ser 50% (cinquenta por cento) da aposentadoria suspensa. Todavia, cessada a atividade laborativa, a aposentadoria era restabelecida e seu valor majorado em 05% (cinco) por ano completo de serviço prestado (artigo 12). A sistemática vigorou até a edição da Lei 8.213/91, que se manteve silente quando a desaposentação. Em sua redação original a nova lei de benefícios mantinha o abono de permanência, acabava com a suspensão da aposentadoria em caso de retorno à atividade, e criava o pecúlio. Este benefício consistia na devolução, em uma única parcela, das contribuições vertidas pelo aposentado – e não pelo empregador – quando da cessação da atividade laborativa. Porém a situação modificou-se em 1994, com a edição da Lei 8.870, que extinguiu o abono de permanência e o pecúlio. Seguiu-se a Lei 9.528/97, que, conferindo nova redação ao artigo 18 § 2.o da Lei 8.213/91, excluiu a possibilidade de o aposentado auferir auxílio acidente. Restava-lhe apenas o salário família e a reabilitação profissional, ambos se mantivesse a qualidade de segurado empregado. Veio no final de 1998 a Emenda Constitucional n.o 20, que tornou o regime previdenciário estritamente contributivo, conferindo, dentre outras modificações, nova redação ao artigo 201 da CF/88. Mas o Governo não conseguiu aprovar no Congresso Nacional a imposição de idade mínima para a jubilação no RGPS. Após árdua negociação fez aprovar, em compensação, a Lei 9.876/99. Esta norma criou o denominado fator previdenciário, forma de cálculo aplicável às aposentadorias por tempo de contribuição e por idade, que serve de desestímulo ao precoce afastamento para a inatividade. Pela nova fórmula, o valor da renda mensal de benefício é inversamente proporcional à expectativa de vida do segurado: quanto mais novo, e consequentemente maior expectativa de vida, menor será o valor de sua renda mensal. Veja-se que no decorrer de aproximadamente 40 anos o aposentado deixou de obter, por restituição direta (pecúlio) ou indireta (abono de permanência e majoração do salário de benefício) as contribuições que verteu ao regime previdenciário. E mais! Teve minorada sua renda por forma de cálculo que tem o objetivo de desestimular as aposentadorias ditas precoces (assim entendidas aquelas que ocorrerem, em regra, antes dos 60 anos para as mulheres, e dos 65 anos para os homens). Criou-se, a reboque das diversas modificações legislativas, a infraestrutura necessária à popularização da tese da desaposentação, entendida esta como única forma do aposentado satisfazer-se com as contribuições vertidas por conta de suas atividades laborais. 4. Teses Favoráveis e contrárias à desaposentação As teses de seus apoiadores, bem como de seus opositores, podem ser sumariadas em três vertentes. 4.1. Princípio da Legalidade Aduzem os defensores da desaposentação que a atuação do particular é guiada pelo princípio da legalidade negativa, i.e., o particular tudo pode, sendo-lhe, todavia, interdito somente o que a lei expressamente veda (artigo 5.o inciso II da CF/88). Ademais, inexiste vedação legal à renúncia à jubilação. A limitação imposta pelo artigo 181-B do Decreto 3.048/99 padece de ilegalidade porquanto contraria a Lei 8.213/91, sendo, pois, inaplicável. Os detratores da tese, a seu modo, esclarecem que a aposentadoria é instituto de direito público, e como tal, sujeito a outra legalidade, qual seja, a legalidade positiva (artigo 37, caput, CF/88). Em corolário, somente será admitida a desjubilação quando e se prevista em lei. E continuam, sustentando que o Poder Judiciário, quando muito, pode atuar como legislador negativo (declarando a inconstitucionalidade da norma). É, portanto, defeso ao Judiciário criar norma inexistente no ordenamento jurídico para permitir tal pretensão. Por fim, entendem que a vedação, em nível legal, repousa sobre o artigo 18 § 2.o da Lei 8.213/91, segundo o qual ao aposentado que permanece em atividade, ou a ela retorna, não será devido nenhum benefício, exceto, se empregado, o salário família e a reabilitação profissional. E o artigo 181-B do Regulamento apenas facilita o entendimento do dispositivo legal referido.

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4.2. Direito Patrimonial e Disponível Para os defensores da desaposentação a aposentadoria constitui direito patrimonial e, como tal, disponível. Em consequência, inexiste vedação legal à sua renúncia. Assim não parece a seus opositores, para quem a renúncia é instituto de direito privado, que não tem aplicação na órbita da Administração Pública. 4.3. Princípio da Prevalência da Situação mais Vantajosa ao Segurado. Como derradeiro argumento, os apoiadores da tese argumentam que deve prevalecer a situação mais favorável ao segurado. Trata-se de princípio disperso em vários dispositivos da redação original da Lei 8.213/91, que foram revogados. Contudo, permanece hígido e cogente, uma vez que estampado no artigo 56 § 3.o do Decreto n.o 3.048/99. É induvidoso que a renúncia à aposentadoria e a concessão de nova jubilação, aproveitando as contribuições vertidas nesse entrecho, gera situação mais favorável e vantajosa ao segurado. Portanto, a desaposentação deve ser admitida. Contra argumentam os opositores da tese que o deferimento de aposentadoria constitui ato jurídico perfeito, não podendo ser alterado unilateralmente. A conveniência em obter a aposentadoria foi examinada pelo segurado na oportunidade do requerimento, não podendo mais insurgir-se contra o seu deferimento, ainda que ensejador de situação menos favorável. O fato gerador da contribuição previdenciária é o exercício de atividade remunerada, seja o contribuinte aposentado ou não. A contribuição vertida pelos aposentados destina-se ao custeio do sistema, e decorre dos princípios constitucionais da universalidade de custeio e da solidariedade (artigo 195, caput, CF/88), e não para obtenção de benefício futuro. Ao aproveitar as contribuições vertidas após a jubilação para a concessão de nova aposentadoria, ainda que renunciando à primeira, estar-se-á infringindo o artigo 18 § 2.o da Lei 8.213/91. Em arremate, sustentam tratar-se de mera tentativa de recriar benefício sem a peculiar autorização legal, qual seja, o pecúlio (extinto pela Lei 8.870/94). 5. Posição atual da Jurisprudência Os Tribunais ainda não pacificaram entendimento quanto à desaposentação. Há posições as mais diversas que, de modo sucinto, podem ser agrupadas em duas correntes. A primeira corrente, calcada em óbice no ordenamento jurídico e afronta à garantia do ato jurídico perfeito, não admite a desaposentação. É a posição do TRF da 01.a Região e as 08.a e 09.a Turmas do TRF da 03.a Região. A segunda corrente admite a desaposentação, porém com alguma divergência. Abrem-se, então, duas orientações para esta corrente. Uma orientação entende que a renúncia opera efeitos retroativos, i.e., desde a concessão da aposentadoria. Em consequência, é devida a restituição de tudo quanto o aposentado percebeu enquanto manteve essa qualidade. É o posicionamento do TRF da 04.a e 05.a Regiões, e a 10.a Turma do TRF da 03.a Região. Outra orientação entende que, por constitutiva negativa, a decisão proferida em sede de ação de desaposentação opera efeitos para o futuro. O que desconstitui o ato jurídico aposentação é a decisão judicial. Portanto, os valores percebidos até a decisão judicial final o foram a justo título, inexistindo motivo para sua restituição. Assim entende o Superior Tribunal de Justiça por meio de suas 05.a e 06.a Turmas. O Supremo Tribunal Federal ainda não enfrentou o tema, i.e., se a renúncia unilateral à jubilação ofende a garantia constitucional do ato jurídico perfeito. Entrementes, possui firme

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posição quanto a dois temas correlatos, que podem sinalizar a direção a ser adotada quanto do enfrentamento da desaposentação. O primeiro deles diz com a contribuição do inativo que retorna ao trabalho remunerado. No RE 437.640 o Supremo entendeu que a contribuição previdenciária do aposentado ao RGPS que retorna à atividade está amparada pelo princípio constitucional da universalidade de custeio. Ademais, o artigo 201 § 4.o remete à lei os casos em que a contribuição deve refletir nos benefícios. Portanto, o fato da exação exigida do aposentado não refletir em seu benefício, da forma como disciplinada pela Lei 8.213/91, não ofende a Constituição. O segundo tema enfrentado pela Corte foi o confronto entre a garantia do ato jurídico perfeito e o princípio da concessão do benefício mais vantajoso ao segurado. No RE 352.291 o STF manifestou-se quanto à impossibilidade da desaposentação para fins de converter aposentadoria integral em aposentadoria proporcional, eis que – na perspectiva do segurado – este seria o benefício mais favorável. A Corte entendeu que a conversão ofenderia a garantia do ato jurídico perfeito, e que o princípio da concessão do benefício mais vantajoso não é absoluto, cedendo lugar ao primeiro. 6. Conclusão A evolução da legislação previdenciária torna claro que desde a LOPS houve avanços e retrocessos na salvaguarda dos direitos e interesses dos segurados e beneficiários. Na particular questão da contribuição do segurado jubilado, parece-nos que houve algum retrocesso. Sucumbiram o abono de permanência, o aproveitamento das contribuições vertidas após a aposentação, e o pecúlio. Nada foi instituído em contrapartida. Em parte isso decorre do caráter estritamente contributivo do regime previdenciário. Em parte decorre da necessidade de manutenção do equilíbrio atuarial do sistema e dos esforços de conceder aumento real aos benefícios previdenciários em manutenção. O tema desaposentação, conquanto debatido nos Tribunais, ainda está em aberto. Não há entendimento claro e firme no sentido de sua admissibilidade. As respeitáveis decisões favoráveis, a nosso sentir, não enfrentam questões como a ofensa ao ato jurídico perfeito, o equilíbrio atuarial, a restituição dos valores pagos ao segurado inativo, e ganhos secundários como os reflexos da renúncia à jubilação no saque do FGTS, na percepção de parcelas de complementação de aposentadoria pagas por fundo de pensão (que, no mais das vezes, vincula o resgate de valores à aposentação no RGPS), no pagamento das verbas rescisórias do contrato de trabalho encerrado por força da jubilação, etc. Atualmente existem no Congresso Nacional alguns projetos de lei que tentam disciplinar a desaposentação. Contudo, até que sejam deliberados e aprovados, a celeuma de entendimentos jurídicos persistirá. BIBLIOGRAFIA: ALENCAR, Hermes Arrais. Benefícios previdenciários: temas integrais revisados e atualizados pelo autor com obediência às leis especiais e gerais. 03.a ed., São Paulo: Leud, 2007. MARTINEZ, Wladimir Novaez. Elementos atuais da desaposentação. Revista Síntese Trabalhista, São Paulo, v. 218, p. 08-24, agosto, 2007. MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. 15.a ed., São Paulo: Atlas, 2004. ROCHA, Daniel Machado da. BALTAZAR JÚNIOR, José Paulo. Comentários à lei de benefícios da previdência social: lei n.o 8.213, de 24 de julho de 1991. 09.a ed., Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2009. WENDHAUSEN, Helena Mizushima. Aspectos controversos da desaposentação. Revista Síntese Trabalhista, São Paulo, v. 218, p. 26-33, agosto, 2007. Fonte: http://jus.uol.com.br/revista/texto/18957/desaposentacao-antecedentes-que-desencadearam-osurgimento-teses-favoraveis-e-contrarias-e-atual-situacao-da-jurisprudencia

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1.2. DA APOSENTADORIA POR IDADE NO REGIME GERAL DE REQUISITOS E FORMA COMO É CALCULADO O SEU VALOR MENSAL.

PREVIDÊNCIA

SOCIAL:

Autor: Danilo Cruz Madeira - Procurador Federal / PGF / AGU. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Especialista em Direito Público pela Universidade de Brasília – UnB. Publicado em: Abril de 2011. SUMÁRIO: 1. Introdução; 2. Da aposentadoria por idade no Regime Geral de Previdência Social (RGPS): requisitos para fruição; 3. Do valor do benefício; 4. Do salário-de-contribuição; 5. Do salário-de-benefício; 6. Da renda mensal inicial da aposentadoria por idade; 7. Conclusão 1. Introdução O objeto do presente artigo é tratar do benefício previdenciário de aposentadoria por idade [01]. Sem adentrar aspectos polêmicos do tema, buscar-se-á apenas traçar os seus contornos básicos, explicitando os requisitos para sua fruição (qualidade de segurado, carência mínima etc), bem como esclarecendo a forma como é apurada a sua renda mensal inicial, ou seja, o valor do benefício pago a tal título. Neste ponto, vale advertir que a iniciativa de escrever o presente artigo não nasceu, como geralmente acontece, de dúvidas ou estudos profundos acerca do Direito Previdenciário. Aliás, advirta-se desde já que o mesmo não é direcionado aos especialistas nesse ramo do Direito. Conforme dito em oportunidade anterior, após publicar meus primeiros artigos nesta conhecida revista eletrônica, fiquei surpreso pela grande quantidade de dúvidas práticas, encaminhadas a mim por e-mail, relacionadas aos mesmos. Maior foi a minha surpresa ao perceber que muitas dessas dúvidas foram encaminhadas por pessoas sem formação jurídica, as quais, mesmo assim, tinham interesse em saber um pouco mais acerca dos temas tratados. Trata-se de uma feliz conseqüência da disseminação do uso da internet, possibilitando que todos tenham acesso a informações sobre as mais diversas áreas. E o Direito, por óbvio, é uma delas. Além disso, é comum que as pessoas sem formação jurídica indaguem daqueles que a possuem acerca de algumas questões de seu interesse individual. No caso do Direito Previdenciário, as questões mais corriqueiras relacionam-se ao cabimento e ao valor do benefício pretendido. É esse o público alvo do presente artigo. Destina-se àquelas pessoas que, mesmo sem conhecimento técnico-jurídico, buscarem saber como o INSS verifica o cabimento e apura o valor dos benefícios previdenciários que paga. Para tanto, nada melhor do que publicá-lo em uma revista eletrônica de amplo acesso e publicidade, tal como a presente. Considerando tal objetivo, tentar-se-á escrever da forma mais clara e didática possível. Afinal, conforme já dito, o presente artigo não é direcionado às pessoas que, com formação jurídica ou não, já conhecem o Direito Previdenciário. Não se trata, afinal, de um artigo científico. Ao contrário, busca alcançar aqueles que não têm acesso a livros jurídicos e que não estão acostumados à linguagem da legislação vigente, bem como àqueles iniciantes no estudo do Direito Previdenciário. Feita essa advertência, diga-se que este despretensioso artigo tentará definir o benefício previdenciário de aposentadoria por idade, traçando seus contornos básicos para, em seguida, esclarecer como se calculam os benefícios previdenciários pagos sob tal título. 2. Da aposentadoria por idade no Regime Geral de Previdência Social (RGPS): requisitos para fruição Trata-se a aposentadoria por idade de benefício previdenciário de prestação continuada, administrado pelo INSS, devido ao segurado que completar 65 anos de idade, se homem, ou 60, se mulher, desde que cumprida a carência [02] de, em regra, 180 contribuições mensais.

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Para aquelas pessoas que já eram filiadas ao Regime Geral de Previdência Social quando do advento da Lei n.º 8.213, em 24/07/91, a carência é reduzida, tendo-se em vista o ano em que o segurado alcançou a idade mínima necessária para fazer jus ao benefício. É o que diz o artigo 142 do mencionado diploma legal: Art. 142. Para o segurado inscrito na Previdência Social Urbana até 24 de julho de 1991, bem como para o trabalhador e o empregador rural cobertos pela Previdência Social Rural, a carência das aposentadorias por idade, por tempo de serviço e especial obedecerá à seguinte tabela, levando-se em conta o ano em que o segurado implementou todas as condições necessárias à obtenção do benefício: (Artigo e tabela com nova redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) Ano de implementação das condições 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Meses de contribuição exigidos

60 meses 60 meses 66 meses 72 meses 78 meses 90 meses 96 meses 102 meses 108 meses 114 meses 120 meses 126 meses 132 meses 138 meses 144 meses 150 meses 156 meses 162 meses 168 meses 174 meses

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2011

180 meses

Para o segurado trabalhador rural, seja ele empregado rural ou segurado especial [03], a idade mínima para obtenção do benefício é reduzida em 5 (cinco anos). Ou seja, os trabalhadores rurais poderão aposentar-se aos 60 anos, se homens, ou aos 55, se mulheres (artigo 201, §7º, II, da Constituição da República) [04]. Uma vez aposentado por idade, não se exige que o segurado pare de trabalhar, tal como ocorre, por exemplo, quando se aposenta por invalidez. Poderá ele continuar laborando normalmente, sem prejuízo da percepção de seu benefício. Aliás, cabe ao segurado requerer a sua aposentadoria perante uma das agências do INSS. Em se tratando de segurado empregado, inclusive o doméstico, passará a perceber o benefício a partir do desligamento de seu emprego, se requerido o benefício antes disso ou até 90 dias após. Quando, contudo, continuar trabalhando ou requerer o benefício após mais de 90 dias do desligamento, a aposentadoria será devida a partir da data de seu requerimento administrativo. Em relação aos demais segurados, o benefício será devido sempre a partir do requerimento (artigo 49 da Lei n.º 8.213/91). Há, ainda, a possibilidade de a empresa requerer o benefício para seu empregado. É a chamada aposentadoria por idade compulsória. Para tanto, basta que o empregado tenha cumprido a carência necessária e completado 70 (setenta) anos de idade, se homem, ou 65, se mulher (artigo 51 da Lei 8.213/91). Diferentemente do que ocorre com o servidor público (artigo 40, §1º, II, da Constituição da República), que deve, necessariamente, aposentar-se e se afastar do trabalho aos 70 anos de idade, no Regime Geral de Previdência Social trata-se de uma faculdade do empregador requerê-la ou não. Se não a requerer, o segurado continuará trabalhando normalmente, sem limite de idade. Se a requerer, contudo, deverá pagar ao seu empregado todas as indenizações trabalhistas cabíveis até a data do início da aposentadoria. Nesse caso, a rescisão do contrato de trabalho é considerada ocorrida no dia anterior. A aposentadoria é, portanto, compulsória para o empregado (caso seu empregador a requeira), e não para o empregador. Para este, trata-se de uma faculdade requerê-la ou não. A aposentadoria por idade é, segundo entendimento da Previdência Social, irreversível e irrenunciável. Vale dizer, depois que receber o primeiro pagamento, ou sacar o PIS e/ou o Fundo de Garantia (o que ocorrer primeiro), o segurado não poderá desistir do benefício [05]. Conforme já dito, a carência mínima para obtenção da aposentadoria por idade é de, em regra, para os inscritos a partir de 25/07/91, 180 contribuições mensais. Para os que já eram filiados desde 24/07/91 ou antes, aplica-se a tabela já colacionada anteriormente do artigo 142 da Lei n.º 8.213/91. Nesse caso, o período de carência variará de 60 a 180 meses, tendo-se em vista o ano de implemento da idade mínima exigida. Os trabalhadores rurais, para fazerem jus à redução de cinco anos na idade mínima do benefício, deverão comprovar que, no período imediatamente anterior ao requerimento administrativo (ou ao implemento da idade necessária), exerceram efetivamente atividade rural em número de meses correspondente à carência exigida para obtenção do benefício. Em outros termos, deverá o trabalhador rural, se filiado a partir de 25/07/91, demonstrar que, quando alcançou 60 anos de idade, se homem, ou 55, se mulher, trabalhou nos últimos 15 anos (180 meses) como rurícula, sem interrupções significativas (salvo nos períodos de entre-safra). Aliás, o período de atividade rural exercido antes de 25/07/91 poderá ser computado para efeito de carência para obtenção de aposentadoria por idade como trabalhador urbano. A restrição do §2º do artigo 55 da Lei 8.213/91 restringe-se à aposentadoria por tempo de contribuição, não alcançando a por idade.

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Exige-se, em qualquer hipótese, início de prova material (leia-se: documental) suficiente do labor exercido. Dito isso, pode-se dizer que, para fazer jus à aposentadoria por idade, deverá o segurado demonstrar: 1º) que cumpriu a carência mínima para fazer jus ao benefício (em regra, 180 contribuições mensais); e 2º) que completou 65 anos de idade, se homem, ou 60, se mulher, sendo tal idade reduzida em 5 anos para os trabalhadores rurais. Desde o advento da Lei n.º 10.666/2003, não mais se exige a manutenção da qualidade de segurado para se fazer jus ao benefício de aposentadoria por idade. Basta que se comprove o cumprimento da carência mínima na data do requerimento do benefício (artigo. 3º, §1º, da Lei 10.666/2003). Vale dizer, se o segurado já houver cumprido a carência mínima (em regra, 180 contribuições), fará jus à aposentadoria por idade mesmo se, há tempos, não mais contribui para a Previdência Social, desde que conte com a idade mínima para tanto. Aliás, ocorrida a perda da qualidade de segurado, é possível o ex-segurado filiar-se novamente à Previdência e ter o tempo anterior computado para fins de carência independentemente de atingido o terço exigido pelo parágrafo único do artigo 24 da Lei nº 8.213/91. Ao segurado especial é garantida a percepção dos benefícios de aposentadoria por idade ou invalidez, auxílio-doença, auxílio-reclusão, salário-maternidade e, aos seus dependentes, de pensão por morte, no valor, em todos os casos, de um salário mínimo (artigo 39, I, parágrafo único, da Lei n.º 8.213/91). Vejase: Art. 39. Para os segurados especiais, referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei, fica garantida a concessão: I - de aposentadoria por idade ou por invalidez, de auxílio-doença, de auxílio-reclusão ou de pensão, no valor de 1 (um) salário mínimo, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, no período, imediatamente anterior ao requerimento do benefício, igual ao número de meses correspondentes à carência do benefício requerido; ou II - dos benefícios especificados nesta Lei, observados os critérios e a forma de cálculo estabelecidos, desde que contribuam facultativamente para a Previdência Social, na forma estipulada no Plano de Custeio da Seguridade Social. Parágrafo único. Para a segurada especial fica garantida a concessão do salário-maternidade no valor de 1 (um) salário mínimo, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que de forma descontínua, nos 12 (doze) meses imediatamente anteriores ao do início do benefício.(Incluído pela Lei nº 8.861, de 1994) Do segurado especial [06] não se exige carência, que é a comprovação de número mínimo de contribuições vertidas ao sistema previdenciário. Basta o exercício da atividade rural, individualmente ou em regime de economia familiar, sem empregados, pelo número de meses correspondentes à carência do benefício pretendido. Ao segurado especial, portanto, é assegurada a aposentadoria por idade desde que demonstre o exercício de labor rural, imediatamente anterior ao requerimento, pelo período de 180 meses se se tratar de segurado especial que deu início às suas atividades após o advento da Lei n.º 8.213/91. Caso exercesse o trabalho rural desde antes da Lei de Benefícios a ele se aplica o disposto no art. 142, que fixa a tabela transitória progressiva de carências, apresentando tempo menor para comprovação de atividade rural, conforme o ano de implemento de idade. [07] Caso pretenda obter algum outro benefício previdenciário além dos previstos no inciso I do artigo 39 da Lei n.º 8.213/91, ou, ainda, perceber valor maior que o mínimo, deverá inscrever-

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se como segurado facultativo, vertendo as contribuições previdenciárias pertinentes (artigo 39, II, da Lei 8.213/91 e artigo 25, §1º, da Lei n.º 8.212/91). Ainda em relação ao trabalhador rural, convém transcrever o que diz o artigo 143 da Lei n.º 8.213/91: Art. 143. O trabalhador rural ora enquadrado como segurado obrigatório no Regime Geral de Previdência Social, na forma da alínea "a" do inciso I, ou do inciso IV ou VII do art. 11 desta Lei, pode requerer aposentadoria por idade, no valor de um salário mínimo, durante quinze anos, contados a partir da data de vigência desta Lei, desde que comprove o exercício de atividade rural, ainda que descontínua, no período imediatamente anterior ao requerimento do benefício, em número de meses idêntico à carência do referido benefício. (Redação dada pela Lei nº. 9.063, de 1995) (Vide Medida Provisória nº 410, de 2007). Apenas o trabalhador rural, seja ele empregado, trabalhador autônomo ou segurado especial, foi contemplado pela norma. Trata-se de norma transitória, porquanto tem prazo certo para seu fim: 15 anos a contar da vigência da Lei 8.213. Ou seja, somente até o ano de 2006 poderia o trabalhador apresentar seu requerimento administrativo. Em relação ao empregado rural, e somente a ele, o prazo foi prorrogado até 31/12/2010 (MP 410, convertida na Lei n.º 11.718/2008). Estendeu-se tal prorrogação ao contribuinte individual que preste serviços rurais. Em relação ao segurado especial, não mais subsiste a norma transitória. No entanto, conquanto expirada a norma do art. 143 em relação ao segurado especial, este não sofre prejuízo algum, já que permanecerá podendo auferir o benefício de aposentadoria por idade com espeque no artigo 39, I, da Lei n.º 8.213/91, já visto anteriormente. Conclui-se, pois, que o escopo do artigo 143 foi tão-somente estender aos demais trabalhadores rurais a regra válida, em princípio, apenas para os segurados especiais, qual seja, a regra de que a carência é contada independentemente de comprovação de recolhimentos à Previdência. Contudo, em relação a eles, a norma tem prazo certo para acabar. Após esse prazo, estes trabalhadores seguirão a regra geral de carência, devendo comprovar os recolhimentos mensais necessários, à exceção do segurado especial, que continuará em regra própria de carência. A ampliação justifica-se, pois os trabalhadores rurais migraram de um sistema não contributivo para um contributivo. [08] Por fim, diga-se que a aposentadoria por idade não pode ser cumulada com auxílio-doença, segurodesemprego, abono de permanência em serviço ou com outra aposentadoria. Também não é acumulável com o auxílio-acidente, salvo se ambos os benefícios (auxílio-acidente e aposentadoria) tiverem sido concedidos antes do advento da MP nº 1.596/97. Se não tiverem sido, o auxílio-acidente será cessado quando da aposentadoria, integrando, contudo, o salário-de-contribuição do segurado para efeito de apuração do seu salário-de-benefício. Traçados os contornos básicos de quando o benefício previdenciário de aposentadoria por idade é devido, passe-se a explicitar como são calculados os valores pagos a tal título. 3. Do valor do benefício Renda Mensal Inicial (RMI) é o valor do primeiro pagamento a ser recebido pelo beneficiário, segurado ou não, de um benefício da Previdência Social. É, em outros termos, o valor pago pelo INSS ao beneficiário. Tal valor é apurado a partir da aplicação de um determinado percentual sobre o salário-de-benefício. O salário-de-benefício, por sua vez, é alcançado a partir da média aritmética simples de um determinado número de salários-de-contribuição.

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Por fim, o salário-de-contribuição consiste no valor sobre o qual incide a alíquota da contribuição previdenciária. Vale dizer, é a base de cálculo desse tributo, que corresponde, em linhas gerais, à remuneração do segurado, limitado a um teto máximo. Os salários-de-contribuição são corrigidos monetariamente. Atualmente, o índice utilizado para a sua correção é o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – IBGE), conforme determina o artigo 29-B da Lei 8.213/91, acrescentado pela Lei 10.887/2004. Uma vez apurada a renda mensal inicial do benefício, seu valor será reajustado periodicamente. Em regra, de forma anual, segundo índice fixado pelo governo, normalmente junto com o reajuste do valor do salário mínimo. Aliás, tal índice é diferente se o valor do benefício for superior ou igual ao salário mínimo. Usualmente, o reajuste do salário mínimo é maior do que o dos benefícios que lhe são superiores. Daí porque o valor do benefício daqueles que percebem valor superior ao mínimo tende, gradativamente, a se aproximar desse piso. De todo o exposto, conclui-se facilmente que, para se entender como o INSS calcula o valor dos benefícios que paga (RMI), mister se faz compreender o que vem a ser salário-de-contribuição e saláriode-benefício, o que se passa a fazer. 4. Do salário-de-contribuição Salário-de-contribuição é a parcela da remuneração recebida pelo trabalhador sobre a qual incide a contribuição previdenciária, comumente chamada de contribuição para o INSS. Vale ressaltar, contudo, que, desde o advento da Lei n.º 11.457/2007, o sujeito ativo das contribuições previdenciárias passou a ser a União (pela Receita Federal do Brasil), e não mais o INSS. No caso da contribuição devida pelo empregado (alíquota de 8% a 11%), é de responsabilidade do empregador retê-la do salário daquele para, em seguida, repassá-la à União. A contribuição do empregador, por sua vez, possui alíquota de, em regra, 20% [09], incidente sobre a totalidade da remuneração. O fato gerador do tributo é o exercício da atividade remunerada, e não o efetivo pagamento dos salários. É verdade, contudo, que, como a obrigação de reter e repassar as contribuições é do empregador, não poderá o empregado ser prejudicado por eventual falta daquele. Ao contrário, uma vez comprovado o vínculo empregatício, mediante início de prova documental [10] suficiente, será ele considerado, para todos os fins, segurado da Previdência. Restará à União buscar, junto ao empregador, o pagamento das contribuições devidas e não pagas. O salário-de-contribuição do segurado empregado, avulso e doméstico corresponderá ao valor efetivamente percebido pelo trabalhador a título de retribuição pelo trabalho prestado, quando igual ou inferior ao limite-teto. Caso seja superior, o salário-de-contribuição corresponderá a esse limite. Em todos os casos, o salário-de-contribuição nunca poderá ser inferior ao salário mínimo vigente. O salário-de-contribuição é apurado segundo os dados constantes do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Caso segurado não concorde com as informações constantes do CNIS, poderá solicitar a retificação das mesmas, mediante apresentação de prova suficiente. Presumem-se, portanto, como verdadeiros os dados constantes daquele cadastro até que se prove o contrário. Caso o segurado comprove o exercício de atividade remunerada, mas não os valores recebidos, será considerado o salário mínimo como salário-de-contribuição. Posteriormente, apresentando as provas exigidas, tal valor poderá ser revisto (artigo 39 da Lei n.º 8.213/91). No caso do contribuinte individual (autônomos, empresários e equiparados a autônomos), o salário-decontribuição corresponde aos valores percebidos em uma ou mais empresas ou, ainda, aos valores recebidos pelo exercício de sua atividade por conta própria durante o mês, observados, sempre, os limites mínimo e máximo do salário-de-contribuição.

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Finalmente, o segurado facultativo poderá contribuir sobre qualquer valor entre o piso e o teto, sendo esse valor considerado como seu salário-de-contribuição. É esse o teor do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II - para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV - para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5º. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Pode-se dizer, a grosso modo, que o salário-de-contribuição equivale à remuneração percebida pelo trabalhador, excluídas algumas parcelas, tais como as de natureza indenizatória ou ressarcitória, dentre outras (vide §9º do artigo 28 da Lei 8.212/91). Em regra, portanto, salvo algumas exceções, o salário-decontribuição corresponde às verbas de natureza salarial percebidas pelo trabalhador. O salário-maternidade é considerado salário-de-contribuição (§2º do artigo 28 da Lei 8.212/91). 5. Do salário-de-benefício O salário-de-benefício corresponde à média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição, correspondentes a 80% de todo o período contributivo, corrigidos monetariamente até o mês anterior ao da concessão do benefício. É o que dispõe a Lei 9.876/99, cujo artigo 3º determina: Art. 3º. Para o segurado filiado à Previdência Social até o dia anterior à data de publicação desta Lei, que vier a cumprir as condições exigidas para a concessão dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social, no cálculo do salário-de-benefício será considerada a média aritmética simples dos maiores salários-de-contribuição, correspondentes a, no mínimo, 80% (oitenta por cento) de todo o período contributivo desde a competência julho de 1994, observado o disposto nos incisos I e II do caput do art. 29 da Lei 8.213/91, com a redação dada por esta Lei. Conforme se vê, consideram-se apenas os salários-de-contribuição posteriores à competência de julho de 1994, momento a partir do qual se implantou efetivamente a moeda Real no Brasil. Para os segurados filiados antes do advento da mencionada lei, podem ser utilizados no cálculo do saláriode-benefício todos os salários-de-contribuição (a lei diz "no mínimo" 80%). Segundo o §2º do artigo 3º da Lei nº 9.876/99, em regra, deve-se considerar as 80% maiores contribuições efetivadas após julho/1994. Porém, quando estes 80% maiores salários-de-contribuição representarem menos de 60% do período que decorrer de julho/1994 à data de início do benefício, devese ir aumentando este percentual até chegarmos a uma quantidade de contribuições que corresponda a 60% dos meses decorridos desde julho/94 ou até alcançarmos o total (percentual de 100%) das contribuições recolhidas. Veja-se: Art. 3º. (...)

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§ 2º No caso das aposentadorias de que tratam as alíneas b, c e d do inciso I do art. 18, o divisor considerado no cálculo da média a que se refere o caput e o § 1º não poderá ser inferior a sessenta por cento do período decorrido da competência julho de 1994 até a data de início do benefício, limitado a cem por cento de todo o período contributivo. Para ilustrar a aplicação da regra de transição acima transcrita, vejam-se os seguintes exemplos. Imagine-se um segurado que completa 35 anos de contribuição em junho de 2004 (120 meses desde a competência julho/94), o qual teve o cálculo de seu salário-de-beneficio tomando apenas as contribuições vertidas a partir de julho de 1994: – Se, nesse período de 120 meses, o segurado tiver 100 contribuições, então as suas 80% maiores contribuições correspondem a uma quantidade de 80 contribuições (80% de 100 contribuições = 80 contribuições), o que ultrapassa 60% do número de meses decorridos desde julho/94 (60% de 120 meses = 72 meses). Assim, não há necessidade de acréscimo no número de contribuições consideradas no salário-de-benefício, sendo este calculado com base na média dessas 80 maiores contribuições. – Se, contudo, nesse período de 120 meses, o segurado contar 80 contribuições, então as suas 80% maiores contribuições correspondem a uma quantidade de 64 contribuições (80% de 80 contribuições = 64 contribuições), o que não ultrapassa 60% do número de meses decorridos desde julho/94 (60% de 120 meses = 72 meses). Assim, há necessidade de aumentarmos o número de contribuições consideradas até alcançarmos o mínimo exigido de 60% do número de meses (60% de 120 meses = 72 meses), sendo o salário-de-benefício calculado com base na média das 72 maiores contribuições. – Por fim, se, nesse mesmo período de 120 meses, o segurado tiver apenas 60 contribuições, mesmo que se tome 100% das contribuições nunca se atingirá 60% dos meses decorridos desde julho/94 (60% de 120 meses = 72 meses), logo, a média será feita com 100% das contribuições recolhidas no período, ou seja, com todas as suas 60 contribuições. O valor do salário-de-benefício obedecerá aos mesmos limites mínimo e máximo do salário-decontribuição, considerados os valores vigentes na data do início do benefício. Em regra, portanto, pode-se dizer que o salário-de-benefício é calculado da seguinte forma: 1º) Atualizam-se todos os salários-de-contribuição percebidos pelo segurado; 2º) Tais salários são organizados, tendo em vista seus valores, de forma decrescente; 3º) Excluem-se os 20% menores salários-de-contribuição (ex.: Se houver 200 contribuições, excluem-se os 40 salários menores de todo esse período); 4º) Calcula-se a média aritmética simples desses salários (no exemplo dado, seriam somados os valores dos 160 salários-de-contribuição restantes para, em seguida, dividirem-se-os por 160); 5º) O resultado obtido é o salário-de-benefício do segurado. 6. Da renda mensal inicial da aposentadoria por idade Para o segurado especial (trabalhador rural em regime de economia familiar, sem o auxílio de empregados, cuja renda advinda desse labor é indispensável para sua subsistência), o valor da aposentadoria por idade é de 1 (um) salário mínimo, salvo se contribuir como segurado facultativo. Nos demais casos, o valor da aposentadoria corresponde a 70% do salário-de-benefício do segurado, acrescido de 1% deste para cada grupo de 12 contribuições mensais, até o máximo de 100% do salário de benefício. Em outros termos, o valor da aposentadoria por idade é igual a 70% do salário-de-benefício acrescido de mais 1% por ano de contribuição, limitado a 100%.

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Exemplo 1: se o segurado contar com 20 anos de contribuição, sua renda mensal inicial será de 70 + 20 = 90% do seu salário-de-benefício. Exemplo 2: se contar com 50 anos de contribuição, sua renda mensal será de 100% do seu salário-debenefício. Afinal, mesmo sabendo que 70 + 50 = 120, o limite máximo é de 100% do salário-de-benefício apurado. A multiplicação pelo fator previdenciário [11] é facultativa em se tratando de aposentadoria por idade (artigo 7º da Lei nº 9.876/99). Ou seja, é aplicado somente se for vantajoso para o segurado. Caso não haja contribuições depois de julho de 1994, o valor do benefício será de um salário-mínimo. A Constituição da República garante, em seu artigo 201, §4º, a revisão do valor dos benefícios concedidos de forma a preservar-lhes o seu valor real, na forma definida pela lei. O Supremo Tribunal Federal já se manifestou no sentido de que os índices que vêm sendo aplicados para o reajustamento dos benefícios têm atendido a tal comando constitucional. 7. Conclusão Conclui-se de todo o exposto que são levados em consideração, para fixação do valor da aposentadoria por idade, todos os salários-de-contribuição recebidos pelo segurado a partir de julho de 1994, e não somente os últimos salários. O valor do benefício será alcançado a partir da aplicação de um determinado percentual (70 + número de anos de contribuição) sobre o salário-de-benefício. Este, por sua vez, é apurado a partir da média aritmética simples de um determinado número de salários-de-contribuição. Serão considerados apenas os 80% maiores salários, ressalvados aqueles que já eram filiados ao RGPS em 28/11/99. Neste caso, serão considerados no mínimo os 80% maiores salários. [12] Essa fórmula, relativamente complexa, é verdade, é a utilizada pela Previdência Social, em obediência à lei, para cálculo do benefício previdenciário de aposentadoria por idade. Bibliografia ALENCAR, Hermes Arrais. Benefícios previdenciários. 4ª ed. rev. e atual. com obediência às leis especiais e gerais. São Paulo: Liv. e Ed. Universitária de Direito, 2009. IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. 10ª edição. Rio de Janeiro: Impetus, 2007. MADEIRA, Danilo Cruz. Da (im)possibilidade de renúncia da aposentadoria por tempo de contribuição proporcional para obtenção de uma integral. A "desaposentação".Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2786, 16 fev. 2011. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/18498>. Acesso em: 12 abr. 2011. ______. Trabalhador rural empregado X trabalhador rural em regime de economia familiar (segurado especial): diferenças previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2823, 25 mar. 2011. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/18761>. Acesso em: 12 abr. 2011. TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdenciário: Regime Geral de Previdência Social e Regimes Próprios de Previdência Social. 9ª edição. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris, 2007. Notas 1.A aposentadoria por tempo de contribuição será tratada em artigo a ser publicado oportunamente. 2.Carência é o número mínimo de contribuições mensais que o segurado precisa contar para fazer jus ao benefício pretendido. Somente a partir daquele número de contribuições que o segurado estará apto ao percebimento do benefício previdenciário que pretende obter. 3.Acerca da distinção entre o empregado rural e o segurado especial, veja-se: MADEIRA, Danilo Cruz.

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Trabalhador rural empregado X trabalhador rural em regime de economia familiar (segurado especial): diferenças previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2823, 25 mar. 2011. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/18761>. Acesso em: 12 abr. 2011. 1.A diminuição em 5 anos do tempo de contribuição para fazer jus à aposentadoria em relação aos professores de ensino fundamental ou médio (30 anos para homens e 25 para mulheres), independentemente de sua idade, é devida em se tratando de aposentadoria por tempo de contribuição, e não por idade. 2.Neste ponto, conferir: MADEIRA, Danilo Cruz. Da (im)possibilidade de renúncia da aposentadoria por tempo de contribuição proporcional para obtenção de uma integral. A "desaposentação".Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2786, 16 fev. 2011. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/18498>. Acesso em: 12 abr. 2011. 1.Considera-se segurado especial o pequeno produtor rural e o pescador artesanal que trabalhem individualmente ou em regime de economia familiar, desde que não tenham empregados. O regime de economia familiar é aquele em que a atividade dos membros da família é indispensável à própria subsistência, em condições de mútua colaboração, sem utilização de empregados. Todos os membros da família maiores de 16 anos, desde que não exerçam outra atividade econômica, são enquadrados na categoria. 2.ALENCAR, p. 462. 3.IBRAHIM, p. 508. 4.Há exceções, como, por exemplo, a prevista no artigo 22, §1º, da Lei n.º 8.212/91 (22,5%). 5.Art. 55, §3º, da Lei n.º 8.213/91. Vide, ainda, súmula n.º 149 do STJ. Os documentos que podem ser utilizados como início de prova documental são descritos, exemplificadamente, no artigo 106 da Lei n.º 8.213/91. 6.Multiplicador apurado por meio de fórmula matemática que leva em consideração a idade do trabalhador (Id), a expectativa média de sobrevida (ES), segundo apurado pelo IBGE, bem como o tempo de contribuição do segurado TC. O fator previdenciário será diretamente proporcional à idade e ao tempo de contribuição do segurado e inversamente proporcional à sua expectativa de sobrevida. Vale dizer, quanto maior a idade e o tempo de contribuição do segurado, maior será o fator previdenciário. 7.Nesta hipótese, o divisor da média, conforme já explicado, não poderá ser inferir a 60% do período de julho de 1994 em diante (art. 3º, §2º, da Lei 9.876/99). Fonte: http://jus.uol.com.br/revista/texto/18995/da-aposentadoria-por-idade-no-regime-geral-deprevidencia-social-requisitos-e-forma-como-e-calculado-o-seu-valor-mensal/1

2. JURISPRUDÊNCIA CORRELATA 2.1. STF - ADI 3772 / DF. Relator(a): Min. CARLOS BRITTO. Julgamento: 29/10/2008. Órgão Julgador: Tribunal Pleno. Ementa EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MANEJADA CONTRA O ART. 1º DA LEI FEDERAL 11.301/2006, QUE ACRESCENTOU O § 2º AO ART. 67 DA LEI 9.394/1996. CARREIRA DE MAGISTÉRIO. APOSENTADORIA ESPECIAL PARA OS EXERCENTES DE FUNÇÕES DE DIREÇÃO, COORDENAÇÃO E ASSESSORAMENTO PEDAGÓGICO. ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 40, § 5º, E 201, § 8º, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INOCORRÊNCIA. AÇÃO JULGADA PARCIALMENTE PROCEDENTE, COM INTERPRETAÇÃO CONFORME. I - A função de magistério não se circunscreve apenas ao trabalho em sala de aula, abrangendo também a preparação de aulas, a correção de provas, o atendimento aos pais e alunos, a coordenação e o assessoramento pedagógico e, ainda, a direção de unidade escolar. II - As funções de direção, coordenação e assessoramento pedagógico integram a carreira do magistério, desde que exercidos, em estabelecimentos de ensino básico, por professores de carreira, excluídos os especialistas em educação, fazendo jus aqueles que as desempenham ao regime especial de aposentadoria estabelecido nos arts. 40, § 5º, e 201, § 8º, da Constituição Federal. III - Ação direta julgada parcialmente procedente, com interpretação conforme, nos termos supra.

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3. ASSISTA!!! 3.1. Caso o Equipamento de Proteção Individual elimine a insalubridade, o tempo de serviço especial prestado será descaracterizado para pleitear a Aposentadoria Especial ? Fonte: http://www.lfg.com.br/artigo/20100927131045134_caso-o-equipamento-de-protecao-individualelimine-a-insalubridade-o-tempo-de-servico-especial-pretado-sera-descaracterizado-para-pleitear-aaposentadoria-especial---assista-0209-andre-studart-.html 3.2. Admite-se a conversão de tempo de contribuição comum para aposentadoria especial? Fonte: http://www.lfg.com.br/artigo/20081203145046587_admite-se-a-conversao-de-tempo-decontribuicao-comum-para-aposentadoria-especial-assista-0242-marcia-hoffmann.html

4. LEIA!!! 4.1. DA NÃO APLICAÇÃO DA RENDA PER CAPITA DE ¼ (UM QUARTO) DO SALÁRIO-MÍNIMO PARA O BENEFÍCIO ASSISTENCIAL DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (LOAS). Autores: Fabrício Barcelos Vieira - advogado militante nas áreas cível, comercial e previdenciária (formado pela Faculdade de Direito de Franca); sócio-fundador de Bachur e Vieira Advogados Associados; professor de cursos jurídicos relacionados a área previdenciária na Academia Francana de Direito Instituto Rafael Infante Faleiros; professor de Direito Previdenciário na Escola Superior de Advocacia (ESA) de Barretos/SP; professor de Direito Previdenciário ministrando curso em várias OABs (como Sertãozinho/SP, Uberaba/MG, Franca/SP, etc.); membro do conselho editorial da segunda edição do livro Teoria e Prática do Direito Previdenciário, escrito pelo Dr. Tiago Faggioni Bachur em parceria com a Drª. Maria Lucia Aiello (Editora Lemos e Cruz); colaborador e articulista de vários jornais, revistas e informes jurídicos (como Jornal Comércio da Franca, Jornal Trabalhista Consulex, Magister, Migalhas, IEPEV, Revista de Direito Trabalhista, LFG, etc.); pós-graduando em Direito Previdenciário pela UNISAL; pós-graduado em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade de Franca; MBA em Direito Empresarial pela FGV. Tiago Faggioni Bachur - advogado militante nas áreas cível, comercial e previdenciária (formado pela Faculdade de Direito de Franca em 1998); sócio-fundador de Bachur e Vieira Advogados Associados; professor de cursos jurídicos relacionados a área previdenciária na Academia Francana de Direito Instituto Rafael Infante Faleiros; professor de Direito Previdenciário na Escola Superior de Advocacia (ESA) de Barretos/SP; professor de Direito Previdenciário ministrando curso em várias OABs (como Sertãozinho/SP, Uberaba/MG, Franca/SP, etc.); autor do livro Teoria e Prática do Direito Previdenciário, escrito em parceria com a Drª. Maria Lucia Aiello (Editora Lemos e Cruz); colaborador e articulista de vários jornais, revistas e informes jurídicos (como Jornal Comércio da Franca, Revista Consulex, Prática Jurídica, Jornal Trabalhista Consulex, Magister, Migalhas, IEPREV, LFG, Revista de Direito Trabalhista; etc.); pósgraduando em Direito Previdenciário pela UNISAL; técnico em contabilidade (formado pelo SENAC/Franca); Membro da Comissão Encarregada da Elaboração do Anteprojeto dos Novos Estatutos para a Fundação Civil Casa de Misericórdia de Franca?, representando o Sindicato dos Empregados Rurais de Franca e atuando como um dos redatores do anteprojeto (2002). Publicado em: Fevereiro de 2009. Como citar este artigo: BACHUR, Tiago Faggioni; VIEIRA, Fabrício Barcelos. Da não aplicação da renda per capita de ¼ (um quarto) do salário-mínimo para o benefício assistencial de prestação continuada (LOAS). Disponível em http://www.lfg.com.br. 11 de fevereiro de 2009. 1. A Constituição Federal de 1988 em seu artigo 203 (caput e inciso V) e o Estatuto do Idoso demonstram claramente quem tem direito na percepção do Benefício Assistencial de Prestação Continuada (BPC). 2. O Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/03), diz que o idoso é aquele que possui mais de 60 (sessenta) anos, não havendo distinção entre homem e mulher, mas que para fins de concessão do benefício assistencial a idade seria de 65 (sessenta e cinco) anos. Utilizou-se o critério orçamentário para a escolha

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da idade na concessão do referido benefício. Tal questão é polêmica e passível de discussão. Porém, não é esse o objeto de nosso estudo. 3. O que basta, portanto, para a concessão do benefício de prestação continuada pago pela LOAS (Lei Orgânica de Assistência Social) é o preenchimento dos seguintes requisitos: 1º) Ser idoso ou deficiente; 2º) Estar impossibilitado de prover a própria subsistência por si ou sua família. 4. O enunciado nº 30 da súmula da AGU diz o seguinte: 'A incapacidade para prover a própria subsistência por meio do trabalho é suficiente para a caracterização da incapacidade para a vida independente, conforme estabelecido no art. 203, V, da Constituição Federal, e art. 20, II, da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993.' (DOUs 10 e 11.6.2008). 5. Dessa maneira, para a concessão do benefício devem estar presentes todos os requisitos necessários, ou seja, a hipossuficiência da parte beneficiária (renda inferior a ¼ do salário-mínimo per capita e a impossibilidade dela prover a sua própria manutenção ou de tê-la provida por sua família) e a idade e/ou o estado de saúde em que esta se encontra. 6. O próprio INSS, em sua Instrução Normativa nº 20/2007, assim estabelece (g.n.): Art. 624. Para efeito da análise do direito ao benefício, serão consideradas como: (Alterado pela INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/PRES Nº 29, DE 4 DE JUNHO DE 2008 - DOU DE 6/6/2008)

I - família: o conjunto de pessoas que vivam sob o mesmo teto, na forma do art. 16 da Lei nº 8.213/91, assim entendido o cônjuge, o companheiro ou a companheira, os pais, os filhos e irmãos não emancipados de qualquer condição, menores de 21 (vinte e um) anos ou inválidos, e os equiparados a filhos, caso do enteado e do menor tutelado; II - pessoa portadora de deficiência: aquela incapacitada para a vida independente e para o trabalho, em razão de anomalias ou lesões irreversíveis de natureza hereditária, congênita ou adquirida; III - família incapacitada de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa: aquela cujo cálculo da renda per capita, que corresponde à soma da renda mensal bruta de todos os seus integrantes, dividida pelo número total de membros que compõem o grupo familiar, seja inferior a um quarto do salário mínimo. 7. Vale destacar: "Outra característica deste benefício é que não possui carência, isto é, não é necessário ter contribuído para o INSS para obtê-lo, sendo devido pelo órgão previdenciário a partir de seu requerimento. Dessa maneira, nem é preciso ser segurado para conseguir este tipo de benefício, bastando tão-somente a implementação dos requisitos legais." (BACHUR, Tiago Faggioni; AIELLO, Maria Lucia - "Teoria e Prática do Direito Previdenciário". 2ª edição - São Paulo: Lemos e Cruz Editora, 2009. Pág. 355). 8. Quando mais de um membro da família receber benefício assistencial de prestação continuada, este não será computado para apuração da renda familiar, conforme determina a própria LOAS. 9. Cumpre lembrar, ainda, que existe o entendimento da decisão da Ação Civil Pública (Processo nº 2004.38.03.003762-5, ação movida pelo MPF em face do INSS e da União), e que se encontra devidamente regulamentado na própria instrução normativa nº 20/2007 INSS, que julgou procedente o pedido, com abrangência nacional, determinando que aqueles réus (ou seja, o INSS e a União) desconsiderem, em todo território nacional, para efeito de cálculo da renda familiar a que se refere a LOAS, tanto para os idosos quanto para os deficientes, qualquer benefício previdenciário de valor igual ao salário-mínimo dado a outro membro da mesma família do postulante ao benefício assistencial previsto na mesma Lei.

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10. Assim, havendo mais de um membro da família recebendo um salário-mínimo (seja a título de benefício previdenciário ou assistencial), o valor não será utilizado para fins de apuração da renda per capita. 11. A justiça tem aplicado o referido dispositivo por analogia em relação a outros benefícios pagos pelo INSS, sobretudo quando tais benefícios são também no importe de um salário mínimo. 12. E isto é óbvio, pois caso não fosse assim, criar-se-ia uma situação injusta para aqueles que contribuíram para os cofres da previdência. Isso porque, se o cidadão nada tivesse pago para o INSS, não se aposentaria e estaria recebendo o benefício pago pela LOAS e seus familiares também recebendo tal benefício. 13. Diante disso, deve-se excluir da renda familiar qualquer benefício no importe de um salário-mínimo. 14. Por outro lado, é válida a afirmação de vários especialistas de que há no Brasil a violação sistemática de direitos humanos, como o direito à vida digna, que configuram claramente um regime de exceção, basta o exemplo notório do valor do salário mínimo brasileiro. 15. A Magna Carta dita como deveria ser o salário-mínimo, mas que infelizmente ainda é utopia. "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...)

IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;" 16. A fixação da renda per capita inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo como requisito para concessão do Amparo Assistencial está em consonância com o estabelecido pelo legislador constituinte, quando considera idealmente o valor do salário mínimo suficiente para atender às necessidades do trabalhador e de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social. 17. Porém, ante a real situação, onde o salário-mínimo ainda é insuficiente para atender ao sonho do constituinte, o critério objetivo legal merece uma reanálise. 18. Questiona-se: É possível admitir hoje que alguém sobreviva com ¼ (um quarto) do salário-mínimo? 19. A própria regulamentação do benefício assistencial de prestação continuada mostra-se contraditória com a própria Constituição Federal em admitir, por via transversa, que alguém possa receber menos do que um salário mínimo. 20. A Desembargadora Marisa Ferreira dos Santos, do TRF da 3ª Região, em artigo publicado em Dezembro/2007 pela Revista da Associação dos Advogados de São Paulo (AASP) - "Re¬vista do Advogado nº 95 - Direitos da Pessoa com Deficiência", em matéria denominada "Assistência Social - O Benefício de Presta¬ção Continuada" (Pág. 98/110) destaca: "Quanto à renda per capita familiar, que não pode ser superior a ¼ (um quarto) do salário mínimo a exigência não encontra respaldo constitucional. A Constituição garante que os salários e os benefícios previdenciários não sejam inferiores a um salário mínimo. Ora, exigir que a renda per capita não seja superior a ¼ (um quarto) de salário mínimo é, por via transversa, admitir que se pode ter remuneração ou benefício de valor inferior a um salário mínimo. A dignidade da pessoa humana é fundamento do Estado Democrático de Direito. E se a Constituição

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garantiu o salário mínimo é porque o legislador constituinte entendeu que essa era a quantia indispensável à obtenção dos mínimos sociais. O bem-estar social foi qualificado pela Constituição quando enumerou os direitos sociais. Mas foi por também ela qualificado quando o salário mínimo foi fixado como quantia necessária à obtenção dos mínimos sociais. A inconstitucionalidade do artigo 20, § 3º, da LOAS foi argüida na ADIn nº 1.232-1, julgada improcedente por maioria de votos pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. A decisão proferida na ADIn nº 1.232-1 não retirou a possibilidade de aferição da necessidade por outros meios de prova, que não a renda per capita familiar. A interpretação daquele decisium faz ver que esse preceito legal estabeleceu uma presunção objetiva absoluta de miserabilidade, ou seja, a família que recebe renda mensal per capita inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo encontra-se em estado de penúria, configurando tal situação prova incontestável de necessidade do benefício, dispensando outros elementos probatórios. Daí que, caso suplantado tal limite, outros meios de prova poderão ser utilizados para a demonstração da condição de miserabilidade, expressa na situação de absoluta carência de recursos para a subsistência." 21. Assim, a realidade atual em que se vive é outra, eis que o salário-mínimo no valor de R$ 465,00 (quatrocentos e sessenta e cinco reais) é insuficiente para atender a tais necessidades básicas do trabalhador e de sua família. 22. Por esse prisma, o cálculo da renda familiar, para efeito da verificação da renda per capita, haveria de computar o valor do salário mínimo ideal (e não o real), fixado em bases econômicas e sociais sólidas. 23. Na prática, é de se destacar que o critério da renda per capita de ¼ (um quarto) do salário-mínimo é válido, mas atentos à realidade brasileira, os tribunais não o têm adotado como único fator do caso concreto. 24. Exemplo disso foi o julgamento da Reclamação nº 4373/PE, em 1º de fevereiro de 2007, onde o Supremo Tribunal Federal mudou o seu posicionamento a respeito dessa matéria, admitindo outros meios de prova da miserabilidade que não sejam o critério da renda per capita. 25. Há, dessa maneira, decisões que concedem o benefício onde a renda per capita ultrapassa o valor objetivamente estabelecido pela lei nº 8.742/93, desde que outros elementos caracterizem a questão da hipossuficiência e miserabilidade. A respeito do assunto, veja o que o Portal da Justiça Federal do dia 10 de outubro de 2007 noticiou: "Turmas Recursais devem reexaminar processos de benefício assistencial à luz do novo entendimento do STF As Turmas Recursais dos Juizados Especiais Federais que se basearam em entendimento anterior do Supremo Tribunal Federal (ADIN 1232) e limitaram o julgamento de causas envolvendo concessão de benefício assistencial ao enquadramento da renda per capita ao mínimo legal, não adentrando em outros elementos de prova, deverão reexaminar as provas constantes dos processos. Assim decidiu a Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais (TNU), dando provimento a dois pedidos de uniformização nos quais os autores pedem o direito à concessão de benefício assistencial, ainda que não se enquadrem no requisito da renda per capita familiar inferior a ¼ do salário mínimo. Em seus votos, os relatores lembram que, a partir do julgamento da Reclamação nº 4373/PE, em 1º de fevereiro de 2007, o Supremo Tribunal Federal mudou o seu posicionamento a respeito dessa matéria, admitindo outros meios de prova da miserabilidade que não sejam o critério da renda per capita. O Superior Tribunal de Justiça, no mesmo sentido, consolidou o entendimento de que o critério para aferição da renda mensal deveria ser tido como um limite mínimo, um quantum considerado insatisfatório à subsistência da pessoa portadora de deficiência ou idosa, não impedindo, contudo, que o julgador faça uso de outros elementos probatórios.

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A jurisprudência atual do Supremo Tribunal Federal também prestigia a análise probatória nos casos de miserabilidade no benefício assistencial. Se o juiz se depara com uma situação de miserabilidade inconteste, não será um número previamente concebido que irá modificá-la, observa, em seu voto, o juiz federal Ricarlos Almagros Vitoriano Cunha. Processo n. 2006.43.00.902317-8/TO - relator: juiz federal Leonardo Safi de Melo Processo n. 2004.43.00.90.1800-0/TO - relator: juiz federal Ricarlos Almagros Vitoriano Cunha" Fonte: http://www.jf.gov.br/portal/rss/engine.wsp?tmp.area=83&tmp.texto=10630 26. A interpretação autêntica trazida no julgamento da Reclamação nº 4.373/PE, em 1º de fevereiro de 2007, demonstra que o § 3º do art. 20 da LOAS estabeleceu uma presunção objetiva de miserabilidade (mas não absoluta), ou seja, a família que percebe renda mensal per capita inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo encontra-se em estado de penúria, configurando tal situação prova incontestável de necessidade do benefício, não dispensando outros elementos probatórios que possam aferir a hipossuficiência e miserabilidade quando eventualmente essa renda ultrapassar tal valor. Isto quer dizer que a partir dessa decisão, o valor objetivo da lei deve ser considerado em conjunto com os demais dados, não prevalecendo apenas e tão somente aquele critério, mesmo que a renda ultrapasse ¼ (um quarto) do salário-mínimo, podendo o julgador levar em conta outros dados a fim de identificar a condição de miserabilidade do idoso ou do deficiente - aplicável, portanto, no caso dos autos. 27. Portanto, é pacífico que se a renda per capita for de apenas ¼ (um quarto) do salário mínimo, tal quesito afere de modo absoluto a miserabilidade, não necessitando de outras provas. Mas, na eventual hipótese da renda ultrapassar tal valor, a hipossuficiência pode ser demonstrada pelo conjunto probatório da situação fática para a concessão do benefício assistencial de prestação continuada. BIBLIOGRAFIA BACHUR, Tiago Faggioni; AIELLO, Maria Lucia. "Teoria e Prática do Direito Previdenciário". 2ª edição - São Paulo: Lemos e Cruz Editora, 2009. www.bachurevieira.com.br Fonte: http://www.lfg.com.br/artigo/20090210123149630_artigos-da-nao-aplicacao-da-renda-per-capitade-¼-um-quarto-do-salario-minimo-para-o-beneficio-assistencial-de-prestacao-continuada-loas.html

4.2. O CÁLCULO DA RENDA MENSAL INICIAL DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ PRECEDIDA DE AUXÍLIO-DOENÇA. Autor: Maria Lucia Aiello, formada em Direito pela Faculdade de Direito de Franca (SP), pós-graduada em Direito Processual: Grandes Transformações na modalidade formação para o Magistério Superior pela Unisul/Rede LFG, pós-graduanda em Direito Previdenciário pela Uniderp/Rede LFG, professora de Direito Previdenciário em cursos preparatórios para concursos públicos, analista judiciário do Tribunal Superior Eleitoral e autora do livro ?Teoria e Prática do Direito Previdenciário: incluindo Jurisprudência, Modelos de Petição e de Cálculo Previdenciário?, escrito em co-autoria com o Dr. Tiago Faggioni Bachur, publicado pela Editora Lemos e Cruz (ISBN 85-99895-11-7). Publicado em: Janeiro de 2010. O CÁLCULO DA RENDA MENSAL INICIAL DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ PRECEDIDA DE AUXÍLIODOENÇA 1 INTRODUÇÃO O cálculo da renda mensal da aposentadoria por invalidez precedida de auxílio-doença é uma questão que

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gera significativa polêmica entre os estudiosos do Direito Previdenciário e, também, grande divergência jurisprudencial. Parte da doutrina e da jurisprudência preconiza que, nesses casos, aplica-se o disposto no § 5º do artigo 29 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. A outra corrente, no entanto, entende que esse dispositivo só é aplicado quando houver período contributivo entre a concessão de um benefício e outro. Assim, segundo esse entendimento, se ocorrer mera transformação do auxílio-doença em aposentadoria por invalidez aplica-se o disposto no § 7º do artigo 36 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. 2 CÁLCULO DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ 2.1 SALÁRIO-DE-BENEFÍCIO Conforme dispõe o artigo 28 da Lei nº 8.213/91, “o valor do benefício de prestação continuada, inclusive o regido por norma especial e o decorrente de acidente do trabalho, exceto o salário-família e o saláriomaternidade, será calculado com base no salário-de-benefício”. Portanto, conforme se depreende da norma retro, o salário-de-benefício não corresponde de forma absoluta ao valor do benefício previdenciário, vez que esse é baseado no primeiro. Para saber qual o valor do benefício previdenciário é necessário, ainda, calcular sua renda mensal inicial, instituto que será analisado posteriormente. A redação original do caput do artigo 29 da Lei nº 8.213/91 estabelecia a forma de cálculo do salário-debenefício para todos os benefícios previdenciários do seguinte modo:

Art. 29. O salário-de-benefício consiste na média aritmética simples de todos os últimos salários-decontribuição dos meses imediatamente anteriores ao do afastamento da atividade ou da data da entrada do requerimento, até o máximo de 36 (trinta e seis), apurados em período não superior a 48 (quarenta e oito) meses. Com a edição da Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999, o salário-de-benefício da aposentadoria por invalidez passou a ser a média aritmética simples dos maiores salários de contribuição correspondentes a 80% de todo período contributivo do segurado (artigo 29, II, da Lei nº 8.213/91). Os parágrafos do artigo acima transcrito estabelecem outras regras sobre o salário-de-benefício, destacando-se, dentre elas, a que considera como salário-de-contribuição o salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal do benefício por incapacidade recebido pelo segurado durante o período básico de cálculo. Assim estabelece o § 5º do artigo 29 da Lei nº 8.213/91: Art. 29 (...) § 5º Se, no período básico de cálculo, o segurado tiver recebido benefícios por incapacidade, sua duração será contada, considerando-se como salário-de-contribuição, no período, o salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal, reajustado nas mesmas épocas e bases dos benefícios em geral, não podendo ser inferior ao valor de 1 (um) salário mínimo. Preceito semelhante está inserto no Regulamento da Previdência Social, consoante se deflui do § 6º de seu artigo 32: Art. 32 (...) § 6º Se, no período básico de cálculo, o segurado tiver recebido benefício por incapacidade, considerarse-á como salário-de-contribuição, no período, o salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal, reajustado nas mesmas épocas e nas mesmas bases dos benefícios em geral,

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não podendo ser inferior ao salário mínimo nem superior ao limite máximo do salário-de-contribuição. Dessa forma, de acordo com o disposto nesses preceitos legais, se, por exemplo, o segurado tiver recebido auxílio-doença durante o período básico de cálculo da aposentadoria por invalidez, o salário-debenefício que serviu de base para calcular a renda mensal do primeiro será utilizado como salário-decontribuição para o cálculo do segundo. Importante ressaltar, nesse momento, que as normas acima transcritas não fazem qualquer exceção no tocante à utilização dessa regra. Ou seja, basta que o segurado tenha recebido um benefício por incapacidade durante o período básico de cálculo para aplicar-se a norma, independentemente de ter sido tal benefício concedido entre períodos de atividade ou imediatamente antes do benefício a ser calculado. 2.2 RENDA MENSAL INICIAL Renda mensal inicial é a primeira parcela do benefício a ser pago ao segurado. Seu valor é obtido pela multiplicação do salário-de-benefício por uma alíquota variável conforme o tipo de benefício[1]. O artigo 44 da Lei nº 8.213/91 estabelece que a renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez corresponde a 100% (cem por cento) do salário-de-benefício. No que se refere à renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez concedida por meio de transformação de auxílio-doença, a lei nada prescreve. No entanto, o Regulamento da Previdência Social, em seu artigo 36, § 7º, assim dispõe: Art. 36 (...) § 7º A renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez concedida por transformação de auxílio-doença será de cem por cento do salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal inicial do auxílio doença, reajustado pelos mesmos índices de correção dos benefícios em geral.

Dessa forma, o Regulamento da Previdência Social, aprovado por meio de um decreto, criou exceção inexistente na Lei de Benefícios, o que fez surgir inúmeros entendimentos sobre o tema. 3 ENTEDIMENTO JURISPRUDENCIAL O cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez precedida de auxílio-doença é questão polêmica na jurisprudência pátria. Na concessão do benefício em questão, o INSS utiliza a sistemática prevista no artigo 36, § 7º, do Regulamento da Previdência Social. No mesmo sentido, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL NA PETIÇÃO. PREVIDENCIÁRIO. CÁLCULO DA RENDA MENSAL INICIAL DE BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ PRECEDIDO DE AUXÍLIO-DOENÇA. APLICAÇÃO DO § 7º DO ART. 36 DO DECRETO Nº 3.048/99. I - Nos casos em que há mera transformação do auxílio-doença em aposentadoria por invalidez, não havendo, portanto, período contributivo entre a concessão de um benefício e outro, o cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez far-se-á levando-se em conta o mesmo salário-de-benefício utilizado no cálculo do auxílio-doença. Precedentes das ee. Quinta e Sexta Turmas. II - Aplicação do disposto no artigo 36, § 7º, do Decreto nº 3.048/99, verbis: "A renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez concedida por transformação de auxílio-doença será de cem por cento do salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal inicial do auxíliodoença, reajustado pelos mesmos índices de correção dos benefícios em geral." Agravo regimental desprovido.[2] (grifo nosso) PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO DE BENEFÍCIO. AUXÍLIO-DOENÇA CONVERTIDO EM APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. INEXISTÊNCIA DE SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 28, § 9º, DA LEI N. 8.212/1991 E 36, § 7º, DO DECRETO Nº 3.048/1999. DECISÃO MANTIDA.

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1. A contagem do tempo de gozo de benefício por incapacidade só é admissível se entremeado com período de contribuição, a teor do artigo 55, inciso II, da Lei nº 8.213/1991. 2. O art. 28, § 9º, a, da Lei n. 8.212/1991, que disciplina o custeio da Previdência Social, veda a utilização de benefício como se fosse salário-de-contribuição, para fins de cálculo da renda mensal inicial. 3. O salário-de-benefício da aposentadoria por invalidez equivale a 100% do valor do salário-de-benefício do auxílio-doença antecedente, em conformidade com o artigo 36, § 7º, do Decreto nº 3.048/1999. 4. Agravo regimental improvido.[3] Assim, segundo o posicionamento desse E. Tribunal, o § 5º do artigo 29 da Lei nº 8.213/91 só será utilizado para calcular a aposentadoria por invalidez quando o auxílio-doença for percebido entre períodos de contribuição. Para embasar esse posicionamento, o STJ afirma que somente se admite a contagem do tempo de gozo de benefício por incapacidade quando intercalado com período de atividade, conforme preceitua o artigo 55, II, da Lei nº 8.213/91. Se a aposentadoria por invalidez for concedida logo após o gozo do auxílio-doença, ainda conforme esse entendimento, o salário-de-benefício do primeiro equivalerá a 100% do valor do salário-de-benefício do auxílio-doença antecedente, de acordo com o disposto no Regulamento da Previdência Social. Em outro giro, a Turma Recursal de Santa Catarina consolidou seu entendimento por meio da Súmula nº 9, que assim dispõe: Na fixação da renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez precedida de auxílio-doença deve-se apurar o salário-de-benefício na forma do artigo 29, § 5º, da Lei nº 8.213/91. Esse também tem sido o posicionamento da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência: PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO. RENDA MENSAL INICIAL DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ PRECEDIDA DE AUXÍLIO-DOENÇA. INCIDÊNCIA DO § 5º DO ART. 29 DA LEI Nº 8.213/91. INAPLICABILIDADE DO § 7º DO ART. 36 DO DECRETO Nº 3.048/99. 1. O art. 29, § 5º, da Lei n.º 8.213/91, dispõe que “se, no período básico de cálculo, o segurado tiver recebido benefícios por incapacidade, sua duração será contada, considerando-se como salário-de-contribuição, no período, o salário-de-benefício que serviu de base para o cálculo da renda mensal, reajustado nas mesmas épocas e bases dos benefícios em geral, não podendo ser inferior ao valor de 1 (um) salário mínimo”. 2. A norma contida no artigo 29, em seu § 5º, é de clara exegese, e não deixa margem à interpretação divergente, bastando para o enquadramento da situação em seus termos a análise sobre ter sido ou não recebido o benefício por incapacidade em período integrante daquele denominado período básico de cálculo, este, por sua vez, descrito no inciso II do referido artigo. 3. O art. 36, § 7º, do Decreto n.º 3.048/99, é “ dispositivo que se afasta da intenção do legislador quanto à forma de cálculo da renda mensal da aposentadoria por invalidez, prestigiada no § 5º do art. 29 da Lei nº 8.213/91, constituindo afronta ao princípio da hierarquia das leis”. (PU n.º 2007.51.51.002296-4. Relator: Juiz Federal Derivaldo de Figueiredo Bezerra Filho. J: 21/11/2009). 4. Diante do confronto da lei e do decreto, que dispõem de maneira diversa sobre o mesmo assunto, cabe ao intérprete afastar a aplicação deste em benefício daquela. Nesse contexto, o cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez, em sendo precedida de auxílio-doença, deve ter como parâmetro a regra insculpida no artigo 29, § 5º da Lei n.º 8.213/1991, e não o que prevê o artigo 36, § 7º, do Decreto n.º 3.048/1999. 5. Incidente conhecido e improvido.[4] EMENTA PREVIDENCIÁRIO. REVISÃO. RENDA MENSAL INICIAL DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ PRECEDIDA DE AUXÍLIODOENÇA. INCIDÊNCIA DO § 5º DO ART. 29 DA LEI Nº 8.213/91. ILEGALIDADE DO § 7º DO ART. 36 DO DECRETO Nº 3.048/99. 1. O § 7º do art. 36 do Decreto nº 3.048/99, ao determinar, para fins de apuração da renda mensal da aposentadoria por invalidez precedida de auxíliodoença, a mera conversão do coeficiente aplicado sobre o salário-de-benefício base da renda mensal do auxílio-doença, de 91% para 100%, exclui o cômputo, como salário-de-contribuição, durante o período de percepção do auxílio-doença, daquele salário-de-benefício. 2. Dispositivo que se afasta da intenção do legislador quanto à forma de cálculo da renda mensal da aposentadoria por invalidez, prestigiada no § 5º do art. 29 da Lei nº 8.213/91, constituindo afronta ao princípio da hierarquia das leis. Precedente da TNU (Pedido de Uniformização nº 2006.50.51.001156-0). Violação presente tanto na redação original do art. 29 da Lei nº 8.213/91, quanto após a alteração promovida pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 1999. 3. Pedido de Uniformização não provido.[5]

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Assim, para a Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência, não há que se fazer distinção entre o cálculo da renda mensal da aposentadoria por invalidez. Segundo o Tribunal Federal de Recursos, também não havia diferença entre as duas situações: Súmula 171 - No cálculo da renda mensal do benefício de aposentadoria por invalidez, é considerado como de atividade o período em que o segurado tenha percebido auxílio-doença ou outra aposentadoria por invalidez Portanto, sendo a aposentadoria por invalidez concedida imediatamente após o auxílio-doença ou havendo período contributivo entre a concessão de um benefício e outro, a renda mensal inicial será calculada conforme a sistemática do § 5º do artigo 29 da Lei nº 8.213/91. 4 ANÁLISE DOS ARGUMENTOS JURISPRUDENCIAIS O primeiro argumento que afasta a aplicação da regra insculpida no artigo 36, § 7º, do Regulamento da Previdência Social, é o fato desse diploma legal, aprovado por um decreto, ter extrapolado sua função regulamentadora. A norma prevista nesse Regulamento, que determina ser a renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez concedida por transformação de auxílio-doença de cem por cento do salário-de-benefício desse, é exceção não prevista em lei. A Lei nº 8.213/91 prevê a utilização do salário-de-benefício do auxílio-doença como salário-decontribuição da aposentadoria por invalidez sem fixar condições. Ao estabelecer uma regra para o cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez decorrente de transformação de auxílio-doença, o decreto inovou e, dessa forma, exorbitou sua função.

O Decreto é um ato normativo secundário, que serve para dar concretude à lei, e, por isso mesmo, não pode se sobrepor à norma que intenta regulamentar. Esse argumento, por si só, é suficiente para afastar o entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça. No entanto, para enfatizar nosso posicionamento, apresentamos outro argumento, segundo o qual não se pode considerar a aposentadoria por invalidez uma continuação do auxílio-doença. A Turma Nacional de Uniformização assim se posicionou sobre o assunto: E essa afronta é facilmente perceptível tanto na redação original do art. 29 da Lei nº 8.213/912, quanto após a alteração promovida pela Lei nº 9.876, de 26 de novembro de 19993. Isso porque a previsão inicial, na redação original do caput do artigo 29, de fixação, como termo final do período básico de cálculo, a data do “afastamento da atividade”, já deveria ser interpretada em consonância com o § 5º do mesmo artigo 29, de modo que não se poderia confundir o afastamento “temporário” – ensejador do auxílio-doença, com o afastamento “definitivo” – que ocorre na aposentadoria por invalidez. Ora, imediatamente precedida ou não do benefício temporário, quando a autarquia previdenciária reconhece o direito à aposentadoria por invalidez, averiguando a presença de seus pressupostos, e, por conseguinte, concedendo novo e diverso benefício, instaura uma nova relação jurídica. Não há “continuidade” da relação anterior (concessão de auxílio-doença). (grifo nosso) Não há dúvida que a aposentadoria por invalidez é benefício distinto do auxílio-doença, podendo ser ou não precedida por este. Caso a aposentadoria por invalidez seja precedida de auxílio-doença, ela será devida a partir do dia imediato ao da cessação deste, conforme disposto no artigo 43 da Lei nº 8.213/91. Dessa feita, se a aposentadoria por invalidez é benefício distinto, seu cálculo deve ser baseado no período

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contributivo do segurado até a data de sua aposentação e, para que isso ocorra, a regra a ser aplicada é a do § 5º do artigo 29 da Lei nº 8.213/91, que considera como salário-de-contribuição o salário-debenefício que serviu de base para o cálculo do auxílio-doença. Pela norma prevista no Regulamento da Previdência Social, em que o cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez é de 100% do salário-de-benefício do auxílio-doença, não se utiliza o período em que o segurado esteve recebendo o benefício, retroagindo o cálculo da aposentadoria quando do cálculo do auxílio, como se aquela fosse uma continuação deste. Além dos argumentos apresentados pela Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência para a defesa da aplicação do artigo 29, § 5º, da Lei nº 8.213/91 ao caso em questão, apresentamos outros dois que sustentam essa tese. Quanto ao fato do artigo 28, § 9º, a, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vedar a utilização de benefício como se fosse salário-de-contribuição, é importante observar que a regra prevista no § 5º do artigo 29 da Lei nº 8.213/91 não fere esse dispositivo, vez que utiliza como salário-de-contribuição o salário-de-benefício do auxílio-doença e não o próprio benefício. Como dito anteriormente, o salário-de-benefício não corresponde de forma ab-soluta ao valor do benefício previdenciário. Ao valor do primeiro será aplicada uma alíquota e, dessa operação, será obtida a renda mensal inicial, que é o primeiro valor do benefício previdenciário. No caso do auxílio-doença, a alíquota a ser aplicada é de 91%. Portanto, o valor desse benefício previdenciário corresponde a 91% do valor de seu salário-de-benefício, o que comprova que esses institutos não são idênticos. Por fim, necessário analisar a aplicação do artigo 55, II, da Lei nº 8.213/91. Esse dispositivo, cuja redação é original da data da publicação da Lei nº 8.213/91, refere-se à aposentadoria por tempo de serviço. Assim, o legislador, ao redigir a norma em comento, restringiu sua aplicação a esse tipo de benefício previdenciário.

Com a Emenda Constitucional nº 20 de 15 de dezembro de 1998, o segurado passou a ter que comprovar efetivo tempo de contribuição para se aposentar, não sendo suficiente a comprovação do tempo de serviço. Mesmo com essa modificação, a Lei de Benefícios não sofreu qualquer alteração. O Regulamento da Previdência Social, posterior à Emenda Constitucional nº 20/98, por sua vez, prevê a aposentadoria por tempo de contribuição, dispondo em seu artigo 60, III: Art. 60. Até que lei específica discipline a matéria, são contados como tempo de contribuição, entre outros: (...) III - o período em que o segurado esteve recebendo auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, entre períodos de atividade. Observa-se que o Regulamento considerou como tempo de contribuição o que a Lei nº 8.213/91 considerava como tempo de serviço. No entanto, o dispositivo previsto no primeiro diploma legal não é taxativo, pois ao utilizar a expressão “entre outros” tornou o rol mencionado meramente exemplificativo. A omissão da hipótese de contagem do período em que o segurado recebeu benefício por incapacidade logo antes da concessão da aposentadoria por invalidez não significa, necessariamente, que é vedado seu cômputo como tempo de contribuição. Além disso, o disposto na lei referia-se a um benefício específico, qual seja, a aposentadoria por tempo de serviço. O Regulamento, por outro lado, refere-se ao tempo de contribuição, instituto utilizado para a concessão de todos os benefícios previdenciários.

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Dessa forma, a utilização do disposto no artigo 55, II, da Lei nº 8.213/91 não é suficiente para afirmar que a contagem do tempo de gozo de benefício por incapacidade só é admissível quando entremeado com período de contribuição. 5 CONCLUSÃO A discussão quanto ao cálculo da renda mensal inicial da aposentadoria por invalidez precedida de auxíliodoença está longe de terminar. No entanto, por todo o exposto, filio-me à posição esposada pela Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência, segundo a qual a plena aplicação do § 5° do artigo 29 da Lei n° 8.213/91 deve ser isenta de qualquer tendência restritiva e discriminatória. Notas de Rodapé: [1] Alíquotas: aposentadoria por invalidez, aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria especial, pensão por morte e auxílio-reclusão - 100%; aposentadoria por idade - 70% + 1% a cada 12 contribuições até o limite de 30%; auxílio-doença - 91%; e auxílio-acidente - 50%. [2] BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. AgRg na Petição nº 7109/RJ. Terceira Seção. Relator Ministro Félix Fischer. DJe 24/6/2009. [3] ___. AgRg no Agravo de Instrumento nº1.076.508/RS. Quinta Turma. Ministro Jorge Mussi. DJe 6/4/2009. [4] BRASIL. Turma Nacional de Uniformização. Pedido de Uniformização n.º 2006.51.51.049497-3. Relator: Juiz Federal Otávio Henrique Martins Port. [5] ___. Pedido de Uniformização n.º 2007.51.51.00.2296-4. Relator: Derivaldo de Figueiredo Bezerra Filho. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999. http://www.planalto.gov.br/ccivil/decreto/D3048.htm. Acesso em: 02.10.2009. Disponível em:

BRASIL. Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/emendas/emc/emc20.htm. Acesso em: 02.10.2009. BRASIL. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm. Acesso em 02.10.2009. BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8213cons.htm. Acesso em 02.10.2009. Disponível Disponível em: em:

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. AgRg na Petição nº 7109/RJ. Terceira Seção. Relator Ministro Félix Fischer. DJe 24/6/2009. ___.___. AgRg no Agravo de Instrumento nº1.076.508/RS. Quinta Turma. Ministro Jorge Mussi. DJe 6/4/2009. BRASIL. Tribunal Federal de Recursos. Súmula n° 171. http://www.dji.com.br/normas_inferiores/sumula_tfr/tfr__151a180.htm#TFR%20%20Súmula%20nº%20171. Acesso em 10.10.2009. Disponível em:

BRASIL. Turma Nacional de Uniformização. Pedido de Uniformização nº 2006.51.51.049497-3. Relator: Juiz Federal Otávio Henrique Martins Port. ___.___.Pedido de Uniformização nº 2007.51.51.00.2296-4. Relator: Derivaldo de Figueiredo Bezerra Filho.

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BRASIL. Turma Recursal de Santa Catarina. Súmula n° 9. http://www.trf4.jus.br/trf4/institucional/institucional.php?id=COJEF_sumulasTRsSC. 02.10.2009.

Disponível Acesso

em: em

Fonte: http://www.lfg.com.br/artigo/20100119100459179_o-calculo-da-renda-mensal-inicial-daaposentadoria-por-invalidez-precedida-de-auxilio-doenca-maria-lucia-aiello.html

4.3. QUAIS OS TERMOS FINAIS DA APOSENTADORIA POR INVALIDEZ? Autor: Katy Brianezi. Publicado em: Dezembro de 2008. Segundo Ivan Kertzman, se o segurado for considerado apto ao trabalho após 5 anos, no máximo, de afastamento, e tiver o direito de retornar à mesma função, na mesma empresa, o benefício cessará no momento exato em que o segurado reassumir o cargo. Se o segurado recuperar a capacidade após os 5 anos de afastamento, sem o direito de retornar à mesma empresa, o benefício será cancelado após tantos meses quantos forem os anos que ele esteve afastado. Se o segurado não recuperar totalmente a capacidade ou se a recuperar após 5 anos, ou ainda, se ele for declarado apto para exercer atividade diversa daquela que anteriormente exercia. Nesses casos, a aposentadoria por invalidez cessa progressivamente: do 1.º ao 6.º mês após a recuperação, o segurado receberá 100% do valor do benefício; do 7.º ao 12.º mês, o segurado receberá 50% do valor do benefício; do 13.º ao 18.º mês, o segurado receberá 25% do valor do benefício. Assim, durante um ano e meio, o segurado ainda receberá o benefício, mesmo que volte a trabalhar. Se, durante esse período, o segurado voltar a ficar doente, ele deverá esperar acabar o benefício para só depois requerer outro. Fonte: http://www.lfg.com.br/artigo/200812111647155_quais-os-termos-finais-da-aposentadoria-porinvalidez-kati-brianezi.html

5. SIMULADOS 5.1. Marque a resposta correta. a) A lei 8.742/93, dispõe sobre a assistência social - é conhecida também como Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS. Nela são estabelecidos critérios ao deferimento do amparo assistencial denominado beneficio de prestação continuada no valor de um salário mínimo à pessoa portadora de deficiência e ao idoso (para este, combina-se a aplicação da lei 10.741/2003), desde que comprove não possuir meios de prover a própria manutenção ou de tê-la provida por sua família. b) A proteção à família, à maternidade, à infância, não estão relacionadas nos objetivos do LOAS, salvo o cuidado com a velhice. c) O amparo às crianças e adolescentes carentes não consta dos objetivos da lei orgânica de assistência social- LOAS. d) A promoção da integração ao mercado de trabalho não está afeto aos objetivos da lei 8.742/93-LOAS.

5.2. Um dos requisitos exigidos para a concessão de benefícios previdenciários no Regime Geral de Previdência Social é a carência. Dadas as assertivas abaixo sobre carência, assinale a alternativa correta.

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I. Período de carência é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefício, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses subsequentes às suas respectivas competências. II. Independe de carência a concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez nos casos de acidente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao Regime Geral de Previdência Social, for acometido de alguma das doenças e afecções especificadas em lista elaborada pelos Ministérios competentes, de acordo com os critérios de estigma, deformação, mutilação, deficiência ou outro fator que lhe confira especificidade e gravidade que mereçam tratamento particularizado. III. A perda da qualidade de segurado importa em caducidade dos direitos inerentes a essa qualidade, não havendo possibilidade de concessão de pensão por morte aos dependentes do segurado que falecer após a perda dessa qualidade. IV. A despeito da preocupação social que inspira o regime previdenciário público brasileiro, ele é eminentemente contributivo, de modo que, a partir do advento da Lei 8.213/91, deixou de existir qualquer possibilidade de concessão de benefício previdenciário sem recolhimento de contribuições no período equivalente à carência exigida. V. Nos casos do segurado empregado e do trabalhador avulso, serão consideradas, para cômputo do período de carência, as contribuições referentes ao período a partir da data da inscrição no Regime Geral de Previdência Social. a) Está correta apenas a assertiva II. b) Estão corretas apenas as assertivas II e V. c) Estão corretas apenas as assertivas I, III e V. d) Estão corretas todas as assertivas. e) Nenhuma assertiva está correta.

5.3. Dadas as assertivas referentes aos benefícios devidos aos segurados e dependentes no âmbito do Regime Geral de Previdência Social, assinale a alternativa correta. I. A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida na Lei 8.213/91, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta), se mulher, reduzidos os limites etários para 60 (sessenta) e 55 (cinquenta e cinco) anos no caso de trabalhadores rurais, respectivamente homens e mulheres. II. É assegurada aposentadoria no Regime Geral de Previdência Social, nos termos da lei, aos trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se mulher. III. Trata-se a aposentadoria por invalidez de benefício definitivo. Assim, seu cancelamento somente pode ocorrer na hipótese de o aposentado por invalidez retornar voluntariamente à atividade laborativa, caso em que terá sua aposentadoria automaticamente cancelada a partir da data do retorno. IV. É devida a pensão por morte ao filho menor de segurado que, apesar de ter perdido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para a obtenção de aposentadoria até a data do seu óbito, mas extingue-se o direito ao benefício assim que o dependente atinge 21 anos, ainda que estudante de curso superior. V. O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido na Lei 8.213/91, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual. Não será devido, contudo, ao segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador da doença ou da lesão invocada como causa para o benefício, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou lesão. a) Estão corretas apenas as assertivas I, II e V. b) Estão corretas apenas as assertivas II, III e IV. c) Estão corretas apenas as assertivas I, II, III e V. d) Estão corretas apenas as assertivas I, II, IV e V. e) Estão corretas todas as assertivas.

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5.4. Dadas as assertivas referentes aos benefícios devidos aos segurados e dependentes no âmbito do Regime Geral de Previdência Social, assinale a alternativa correta. I. A aposentadoria por idade será devida ao segurado que, cumprida a carência exigida na Lei 8.213/91, completar 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 60 (sessenta), se mulher, reduzidos os limites etários para 60 (sessenta) e 55 (cinquenta e cinco) anos no caso de trabalhadores rurais, respectivamente homens e mulheres. II. É assegurada aposentadoria no Regime Geral de Previdência Social, nos termos da lei, aos trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta anos de contribuição, se mulher. III. Trata-se a aposentadoria por invalidez de benefício definitivo. Assim, seu cancelamento somente pode ocorrer na hipótese de o aposentado por invalidez retornar voluntariamente à atividade laborativa, caso em que terá sua aposentadoria automaticamente cancelada a partir da data do retorno. IV. É devida a pensão por morte ao filho menor de segurado que, apesar de ter perdido essa qualidade, preencheu os requisitos legais para a obtenção de aposentadoria até a data do seu óbito, mas extingue-se o direito ao benefício assim que o dependente atinge 21 anos, ainda que estudante de curso superior. V. O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o período de carência exigido na Lei 8.213/91, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade habitual. Não será devido, contudo, ao segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador da doença ou da lesão invocada como causa para o benefício, salvo quando a incapacidade sobrevier por motivo de progressão ou agravamento dessa doença ou lesão. a) Estão corretas apenas as assertivas I, II e V. b) Estão corretas apenas as assertivas II, III e IV. c) Estão corretas apenas as assertivas I, II, III e V. d) Estão corretas apenas as assertivas I, II, IV e V. e) Estão corretas todas as assertivas.

5.5. Aponte a afirmativa correta: a) O auxilio-reclusão é devido apenas durante o período em que o segurado estiver recolhido à prisão sob regime fechado ou semi-aberto; no caso de fuga do preso ocorre a perda do direito ao recebimento do benefício pelos seus dependentes, que não poderá ser restabelecido se houver recaptura do segurado. b) Não será devido auxílio-doença ao segurado que se filiar ao Regime Geral de Previdência Social já portador de doença ou lesão invocada como causa para a concessão do benefício, seja qual for o motivo gerador da incapacidade para o trabalho. c) Para fazer jus à aposentadoria especial o segurado deverá comprovar a efetiva exposição aos agentes nocivos físicos, químicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao exigido para a concessão do benefício, a saber: quinze, vinte ou vinte e cinco anos conforme dispuser a lei. d) As contribuições sociais devidas por empregadores, empresas e entidades a elas equiparadas na forma da lei somente poderão ter alíquotas ou bases de cálculo diferenciadas em razão do porte da empresa ou da utilização intensiva de mão de obra, não se justificando tratamento específico em virtude das variações da atividade econômica ou das condições estruturais do mercado de trabalho. e) Compete ao Poder Público organizar a seguridade social com base nos objetivos de: universalidade da cobertura e do atendimento; seletividade, distributividade e especificidade dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; irredutibilidade do valor dos benefícios; equidade na forma de participação no custeio; diversidade da base de financiamento; caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão tripartite.

Gabarito: 5.1. A. 5.2. A. 5.3. D. 5.4. D. 5.5. C.

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