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O PLÁGIO É APENAS UM DETALHE

Iraci del Nero da Costa São Paulo, 22 de novembro de 2009

De há muito a asquerosa prática de usurpar o esforço despendido por orientandos generalizou-se em nosso meio universitário. Assim, é comum ver-se artigos encimados pelos nomes dos elaboradores efetivos de tais estudos – que se viram consubstanciados em dissertações de mestrado ou teses de doutorado – acompanhados pelos de seus orientadores os quais, em muitos casos, mais grotescos ainda, veem-se seguidos pelos nomes de muitos outros coautores. Esta é a regra, dizem os mestres e doutores que acabaram de defender seus trabalhos, vilmente apropriados por seus orientadores, os quais deveriam tomar como primeiro mandamento o respeito absoluto pelo empenho de seus alunos e a proteção de seus achados. Vergados a uma burocracia absolutamente apartada do verdadeiro espírito universitário e de qualquer compromisso com o alargamento e universalização do "saber pelo saber", tais pessoas, interessadas apenas em "construir" currículos formais com numerosos tópicos, não raro se unem em estudos com um alentado número de autores cujo contributo para a elaboração dos trabalhos em questão foi absolutamente nulo, todos a servirem-se da diligência de terceiros. Cheguei a encontrar, na desprezível Plataforma Lattes, casos em que apenas o mestrado e/ou o doutorado eram atribuídos exclusivamente ao autor pesquisado, pois em todos os demais trabalhos arrolados no "documento" fazia-se presente um abundante número de coautores. Aos que duvidarem de tal assertiva respondo com a recomendação bíblica: "buscai e achareis" (Mateus, 7:7-8; Lucas 11:9). Como se deve concluir, o trabalho em equipe é mais uma das conquistas de nosso mundo acadêmico.

Paralelamente, outra conclusão a se impor é a de que os solitários e ensimesmados Meneghettis são próprios de um passado definitivamente superado, pois nos dias correntes nos defrontamos com o flamante e superior crime organizado.