Capítulo 4

Fórmula semiempírica de massa

4 Fórmula semiempírica de massa
4.1 Considerações gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.2 Fórmula de massa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.3 Energia de assimetria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.4 Linha de estabilidade, isóbaros e decaimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.4.1 Núcleos de número de massa A ímpar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.4.2 Núcleos de número de massa A par . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.4.3 Núcleos exóticos e linhas limítrofes (drip lines) . . . . . . . . . . . . .
4.4.4 Extensão do uso da fórmula de massa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.5 Linha dos isótopos: ajuste por parábolas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.6 Problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.7 Bibliogra a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

135
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150
151
153

4.1 Considerações gerais
Em 1935, Carl F. von Weiszäcker, e posteriormente Bethe, em 1936, propuseram
uma fórmula geral para expressar, com boa aproximação, a massa de qualquer nuclídeo A
Z X, com número de massa A > 15. A principal vantagem da fórmula proposta
é que ela depende de alguns poucos parâmetros, além de A e do número atômico Z. O
desvio das massas assim calculadas, com relação ao valores experimentais, decresce
com o aumento de A; mostrando desta forma melhor ajuste nos núcleos mais pesados. A expressão de Weiszäcker e Bethe é também chamada fórmula semi-empírica
de massa. De fato ela é semi-empírica uma vez que, embora contenha parâmetros para
serem ajustados aos dados experimentais, a fórmula tem justi cativa física. Os pontos
de partida que norteiam a construção da expressão são as propriedades nucleares apresentadas no capítulo 2: (1) a saturação da densidade nuclear, i.e., as densidades de
massa e carga elétrica no centro dos núcleos são aproximadamente as mesmas e, (2) as
energias de ligação totais dos núcleos crescem aproximadamente de forma linear com
A, i.e., com a massa. Por sua vez, essas duas propriedades também são características

135

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136

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

de gotas líquidas clássicas de vários tamanhos. Nelas, também as densidades são constantes e as energias de vaporização são proporcionais às suas massas. Com base nessa
analogia, muitas vezes se chama a fórmula semi-empírica de massa de modelo da gota
líquida. Essa analogia, porém, deve ser tomada com o devido cuidado uma vez que,
nas gotas clássicas, o movimento das moléculas constituintes é governado por leis da
mecânica clássica, enquanto que nos núcleos a dinâmica dos prótons e nêutrons segue
as leis da mecânica quântica.
A m de melhorar a concordância da fórmula semi-empírica de massa de Weiszäcker
e Bethe com os valores medidos, foram acrescentados mais tarde à expressão original
termos adicionais, como o termo de emparelhamento (pairing), o de energia de assimetria e de efeitos de camada (correções quânticas), estes foram introduzidos por W. D.
Myers e W. J. Swiatecki e, independentemente, por V M.. Strutinsky [1].

4.2 Fórmula de massa
No que se segue, vamos apresentar a expressão da fórmula de massa e discutir os termos
que a constituem. Assim, incluindo o termo de emparelhamento, a fórmula é escrita,
numa forma bastante geral, como
2

M (A; Z) = ZM1 H + (A

Z) Mn

av A + asup A2=3 + ac

Z2
(A 2Z)
+ aassim
A
A1=3

8 (1) 1=2
ap A
>
>
>
>
<
ou
+
(4.1)
>
>
>
>
: (2) 3=4
ap A
:
Um conjunto de valores dos parâmetros que ajustam bem a fórmula aos valores experimentais é dado por
av = 15; 835 M eV , asup = 18; 33 M eV , ac = 3e2 =5r0 = 0; 72 M eV
(2)
aassim = 23; 20 M eV , a(1)
p = 11; 20 M eV , ap = 34; 00 M eV ,
e o parâmetro adimensional
8
< 1 para núcleos par-par,
0 para núcleos par-ímpar,
=
:
1 para núcleos ímpar-ímpar.

A fórmula (4.1) apresenta precisão com erro menor que 1%, em média, quando os cálculos são comparados com os valores empíricos que constam da tabela de nuclídeos
[2]. De fato, o resultado do ajuste dos parâmetros aos dados experimentais depende
de seu número (quanto maior for o número de parâmetros, melhor será a precisão da
fórmula de massa), da região de massa e da expressão usada para o ajuste. Desta

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4.2

Fórmula de massa

137

Figura 4.1: A fração de ligação em função do número de massa, as linhas cheias apenas ligam os
pontos, que provêm de dados empíricos. Alguns elementos estão indicados, note que o Ferro é o
nuclideo mais estável.

maneira, vários conjuntos diferentes de parâmetros podem ser encontrados na literatura. Na Figura ?? está desenhada a fração de ligação (energia de ligação por núcleon,
B (A; Z) = ZM1 H + (A Z) Mn M (A; Z)) em função de A, o número de massa.
Agora vamos entender o signi cado de cada termo e justi car suas expressões.
1) O dois primeiros termos em (4.1) correspondem às massas de Z átomos de 1 H
de A Z = N nêutrons. Massas atômicas são usadas uma vez que elas são as massas
efetivamente medidas em experimentos.
2) Consideremos, inicialmente, um núcleo hipotético, estável, com in nitos núcleons, chamado matéria nuclear; o termo av A, chamado termo de energia volumétrica,
corresponde à energia de A núcleons presentes no meio dessa matéria nuclear. O
parâmetro av estaria assim associado à energia de ligação de um núcleon no centro
de um núcleo atômico, distante de sua superfície.
3) O termo +asup A2=3 é chamado termo de energia de superfície. Note-se que ele
entra na fórmula com um sinal positivo, cuja justi cativa é a seguinte: como nem todos
os núcleons poderão estar situados no centro do núcleo, alguns formarão sua superfície
(interagindo com menor número de núcleons vizinhos), cando portanto sob a ação de
uma força atrativa média menor, por isso esse termo comparece com um sinal positivo.
O termo +asup A2=3 é, portanto, uma energia a ser subtraída da energia volumétrica

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138

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

av A. O número médio de núcleons da superfíce do núcleo é proporcional à própria
superfície, ou seja a A2=3 , já que o raio nuclear é proporcional a A1=3 .
4) O termo ac Z 2 =A1=3 representa a energia coulombiana e corresponde à energia
de repulsão entre os prótons, que se distribuem em um volume de raio proporcional a
A1=3 . A dependência com Z 2 é, de fato, uma aproximação para o número de pares de
prótons que interagem entre si, ou seja, Z(Z 1). Esta contribuição também deve ser
subtraída da energia volumétrica av A.
2
5) O termo aassim (A 2Z) =A corresponde à energia associada ao excesso de
nêutrons (ou prótons) que um núcleo A
Z X, com Z 6= N , possui com relação a um
núcleo A
Y
,
real
ou
hipotético,
que
tenha
igual número de prótons e nêutrons. Ele
A=2
é chamado termo de energia de assimetria (entre o número de prótons e de nêutrons).
Uma discussão qualitativa da expressão correspondente será apresentada mais adiante.
Em alguns textos ele é também chamado termo de simetria.
(1)
(2)
6) O último termo, ap A 1=2 ou ap A 3=4 , é o chamado termo de emparelhamento.
Ele leva em conta o fato, observado experimentalmente, de que em núcleos com N -par
e Z-par a energia de ligação por núcleon é maior do que no caso N -par e Z-ímpar (ou
vice-versa), que, por sua vez, é maior do que no caso de núcleos N -ímpar e Z-ímpar.
Cada par de prótons, ou de nêutrons, se liga contribuindo assim para uma diminução da
energia do núcleo, comparativamente a um par próton-nêutron (cuja contribuição para a
energia é considerada nula), enquanto que um núcleon sem parceiro contribui com uma
energia de sinal positivo. Veja a Figura 4.2, onde estão dadas as energias de separação
de isótopos estáveis do xenônio (Z = 54); note os valores maiores para os isótopos
par-par.
Observa-se que, neste modelo para a massa, o núcleo é visto então como uma gota
líquida constituida de dois tipos de uidos: os prótons (Z) e os nêutrons (N ). No que
diz respeito aos termos de re namento do modelo, do ponto de vista fenomenológico,
o termo de energia de assimetria pode ser deduzido a partir do modelo de gás de Fermi.
Embora o coe ciente aassim possa ser calculado daquele modelo, o valor usado na
fórmula semi-empírica é xado a partir de um procedimento de ajuste dos parâmetros.
Quanto ao coe ciente de energia coulombiana, ac , o valor usado é calculado para r0 =
1; 2 f m, parâmetro que entra na expressão do raio nuclear.

4.3 Energia de assimetria
Por inspeção dos valores das massas dos nuclídeos mais leves, da forma como eles
aparecem na tabela de nuclídeos, veri ca-se que a existência de uma tendência notável:
aqueles que são estáveis, ou que têm meia-vida mais longa, têm, aproximadamente, Z
N (veja a tabela de nuclídeos Figuras 1.4 e 1.5). Embora para nuclídeos mais pesados,
os estáveis ou de meia-vida mais longa, tenham N > Z, quebrando aquele padrão,
este comportamento pode ser prontamente reconhecido como originário da importância
crescente da força de repulsão coulombiana entre os prótons, em contrapartida à força de
atração nuclear que independe da carga. De fato, há uma tendência geral de os núcleos

S. S. Mizrahi & D. Galetti

4.3

Energia de assimetria

139

Figura 4.2: Energias de separação dos isótopos estáveis do xenônio, Z = 54.

procurarem a situação na qual o número de prótons seja o mais próximo possível do
número de nêutrons, o que leva à inclusão do termo de energia de assimetria na fórmula
de massa. Este termo tem origem puramente quântica e está relacionado com a estrutura
de níveis de energia dos núcleos e com o princípio de Pauli.
Embora se possa estimar a contribuição do termo de assimetria a partir de modelos
microscópicos (o gás de Fermi, por exemplo, que será discutido no capítulo 7), vamos
apresentar aqui uma construção usando argumentos mais qualitativos.
Vamos considerar que, de forma geral, os núcleons de um certo núcleo estejam
acomodados em níveis de energia associados a estados quânticos que, devido ao princípio de Pauli, podem comportar em cada um deles dois prótons (spin para cima e spin
para baixo) ou dois nêutrons (spin para cima e spin para baixo). Os núcleons vão
preenchendo primeiro os níveis de energia mais baixos, se quisermos agregar outros
ao núcleo, eles deverão ocupar os níveis de energia disponíveis mais altos, obedecendo
ao princípio de exclusão de Pauli. Assim, podemos imaginar que, para três núcleos
isóbaros genéricos, cuja distribuição de núcleons em níveis de energia estão representados na Figura 4.3. Os níveis de energia mais baixos estão preenchidos e somente
aqueles mais altos são mostrados. Por simplicidade, consideraremos iguais os espaçamentos entre os níveis de energia e não levaremos em conta a interação coulombiana.
Pode-se observar diretamente da Figura 4.3, no caso (b), N Z = 2, que há um
incremento de energia " com relação ao caso (a) (um próton a menos e um nêutron a

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140

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

Figura 4.3: Esquema pictórico da distribuiçào de prótons e nêutrons em níveis de energia discretos.

mais), onde N Z = 0. Da mesma forma, no caso (c), N Z = 4 e o incremento
de energia é 2", o que corrresponde a uma diminuição na energia de ligação de 2"
2
com relação ao caso (a). De forma geral, haverá uma diminuição de " (N Z) na
energia de ligação para uma diferença (N Z) =2 entre o número de nêutrons e o de
prótons. As mesmas considerações podem ser feitas caso considerássemos um excesso
2
de prótons com relação aos nêutrons; a dependência quadrática (N Z) permaneceria, o que re ete, de forma indireta, a independência da carga da força nuclear. Uma
cálculo simples segue abaixo:
Para um núcleo par-par vamos admitir que os níveis de energia estão igualmente espaçados (espaçamento1 4"), conforme apresentado na Figura 4.3, e que a energia do
nível mais baixo é "0 (sem perda de propósito poderia-se considerar "0 = 0). Acomodando 2 prótons em cada nível, a energia dos Z prótons é

EZ = Z"0 + 8" 1 + 2 + 3 +

+

Z
2

1

= Z"0 + 8"

Z
2

Z
2

1 :

(4.2)

1
Em vez de simplesmente usar ", adotamos o valor 4" porque esta escolha leva a um resultado facilmente
identi cável com o termo de assimetria da fórmula de massa.

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4.4

Linha de estabilidade, isóbaros e decaimento

141

Analogamente para os nêutrons temos
EN = N "0 + 8"

N
2

N
2

(4.3)

1 :

Somando EZ e EN temos a energia total,
E = EZ + EN = A"0 + 2" [Z (Z
e substituindo N = A

2) + N (N

2)] ;

Z obtemos a expressão

E (A; Z) = A"0 + "A (A

4) + " (A

2

(4.4)

2Z) :

Nesta, os dois primeiros termos só dependem do número de massa A enquanto que o
terceiro depende da diferença jA 2Zj, que se anula (tornando E (A; Z) mínima) para
Z = N , o que caracteriza a energia de assimetria.
A consideração de que o espaçamento entre os níveis de energia é sempre igual é
muito simpli cadora e deve ser revista – o que será feito no estudo do modelo de gás
de Fermi nuclear (Capítulo 7) pois para partículas livres con nadas em um volume V e
sujeitas às correlações introduzidas pelo princípio de Pauli, a energia cinética introduz
um fator A 1 na energia de assimetria, isto é, " ! "=A; adicionalmente, esta correção
evita o aparecimento de um termo de energia global que cresça com A2 , como pode ser
percebido no segundo termo no lado direito da Eq. (4.4), garantindo assim a saturação
da energia por núcleon, de acordo com a observação empírica.

4.4 Linha de estabilidade, isóbaros e decaimento
Como uma conseqüência importante do caráter geral da fórmula de massa (4.1), podemos veri car que alguns resultados sobre a estabilidade dos núcleos podem ser discutidos. De fato, sendo ela uma expressão que envolve o número atômico Z, bem como o
número de massa A, o comportamento aproximado de núcleos, com relação a transformações nucleares, pode ser discutido sendo possível recuperar, agora de forma quantitativa, as informações essenciais extraídas da tabela de nuclídeos, apresentadas então de
forma empírica.
Com o intuito de facilitar nossa discussão qualitativa, vamos inicialmente reescrever
a expressão da fórmula de massa de maneira a explicitar as dependências com Z e A,
ou seja2 ,
M (A; Z) = C1 (A) + C2 Z + C3 (A) Z 2 ;
(4.5)
onde os novos coe cientes são
C1 (A) = (Mn av + aassim ) A + asup A2=3 + ap A
C2 = M1 H Mn 4aassim ;
C3 (A) = ac A 1=3 + 4aassim A 1 ;
2

1=2

;

Aqui foi feita a escolha de um dos dois termos alternativos para expressar a energia de emparelhamento.

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142

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

Daí vê-se que, para A xo, a expressão para a massa (4.5) é quadrática em Z e exibe
um mínimo para Z0 = C2 = (2C3 (A)) (que é uma função de A), e a curva, em função
de Z, é uma parábola com a concavidade voltada para baixo. Deste resultado conclui-se
que, para A xo, o valor inteiro mais próximo àquele valor mínimo de Z0 corresponde
ao número atômico de um núcleo estável. A seqüência destes valores de Z0 assim
obtidos, para os diferentes valores do número de massa A, está associada à linha de
estabilidade dos núcleos da tabela de nuclídeos, cujas massas são dadas por
2

(C2 )
:
(4.6)
4C3 (A)
Pode-se observar a distribuição dos nuclídeos no plano N Z na Figura 4.4, onde a
linha reta tracejada representa a equação N = Z, e a linha encurvada para cima é a
linha de estabilidade, que corresponde aos valores de Z0 . Nessa mesma gura podemse traçar linhas perpendiculares à linha tracejada, os nuclídeos encontrados sobre uma
mesma linha são isóbaros, A constante.
De forma mais quantitativa, dados A e Z, e usando a fórmula de massa (4.1), é
possível obter o número atômico Zest do isóbaro mais estável calculando-se
Mest (A; Z0 ) = C1 (A)

@M (A; Z)
@Z

= 0,
A

o que dá para o ponto de mínimo
3
2
M
M1 H
1 + 4an assim
A
5 < A;
Z00 = 4
ac
2=3
2 1 + 4aassim
2
A

e percebe-se, obviamente, que o valor de Z00 não é necessariamente um número inteiro.
Não obstante, esta expressão permite localizar o valor do número atômico do isóbaro
mais estável, como sendo aquele inteiro mais próximo de Z00 . Como (Mn M1 H ) = (4aassim )
0; 0084 e ac = (4aassim ) 7; 8 10 3 , podemos escrever com boa aproximação
A
1
:
(4.7)
2 1 + (7; 8 10 3 ) A2=3
O núcleo com este valor de Z0 , para um dado valor de A, é estável por emissão .
Das expressões (4.5) e (4.6) e dependendo de o núcleo ter um número par ou ímpar
de núcleons, pode-se veri car como o termo associado à energia de emparelhamento
contribui: a parábola de estabilidade é única se os isóbaros têm número ímpar de núcleons, ou será dupla – duas parábolas distintas separadas – se os isóbaros forem par-par
ou ímpar-ímpar. Desta forma, devemos discutir as parábolas de estabilidade separadamente, em função do caráter par ou ímpar de A.
Z0 = int

4.4.1 Núcleos de número de massa A ímpar
Núcleos com número de massa A ímpar, ou simplesmente núcleos A-ímpar, podem
provir de combinações com N -par e Z-ímpar, ou N -ímpar e Z-par. Os nuclídeos es-

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4.4

Linha de estabilidade, isóbaros e decaimento

143

de estab

4 :jpg

Figura 4.4: A distribuição dos nuclídeos conhecidos no plano de nêutrons vs prótons. Os quadrados mais escuros denotam os nuclídeos estáveis e os demais pontos representam os radionuclídeos. A linha traçejada encurvada para cima é a linha de estabilidade, ela é a representação
grá ca da Eq. (4.7).

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144

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

táveis por emissão estão grosseiramente distribuídos entre esses dois tipos de núcleos
e a parábola de estabilidade é única, já que = 0 nesse caso, e tem, de maneira geral, a
forma como mostrada na Figura 4.5. Os núcleos à direita de Z0 têm um excesso de pró-

Figura 4.5: Curva de estabilidade para núcleos A-ímpar.

tons e massa maior do que o núcleo com Z0 , portanto eles decaem para o isóbaro estável
através de transições + , enquanto que os núcleos à esquerda também têm massa maior
e decaem para o isóbaro estável através de transições
. Desta forma, os isóbaros com
Z0 2 decaem primeiro para aqueles com Z0 1 que decaem então para o isóbaro
estável Z0 , na forma de uma sequência de emissões , com meias vidas próprias.
Deve ser notado também que, para os isóbaros com excesso de prótons, a busca pela
estabilidade pode se dar pelo processo de captura de elétrons como descoberto em 1938
por Luiz Alvarez (PNF-1968). Esta captura ocorre dominantemente em núcleos pesados, uma vez que os orbitais mais internos dos elétrons nestes casos são mais próximos
dos núcleos, e são os elétrons da camada K que têm maior probabilidade de captura.
Como já mencionado anteriormente, a captura nuclear de um tal elétron produz uma

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4.4

Linha de estabilidade, isóbaros e decaimento

145

vacância que induz, por sua vez, uma cascata de elétrons de níveis mais altos de energia
para os níveis inferiores com a conseqüente emissão de raios X característicos. Do
ponto de vista energético, aquele processo é permitido se
M (Z; A) > M (Z

1; A) + ",

onde " é a energia de excitação da camada atômica do núcleo- lho.

4.4.2 Núcleos de número de massa A par
Núcleos A-par, por sua vez, podem provir de combinações N -par e Z-par, ou N -ímpar
e Z-ímpar. Neste caso, como 6= 0, pode-se desenhar duas parábolas deslocadas como
mostrado na Figura 4.6; a parábola inferior corresponde aos isóbaros mais estáveis, com
Z-par, enquanto que a parábola superior corresponde aos isóbaros menos estáveis, com
Z-ímpar. Desta forma, quase todos os núcleos A-par que são estáveis por emissão são
do tipo N -par e Z-par; somente uns poucos do tipo N -ímpar e Z-ímpar são estáveis.
Consideremos a Figura 4.6.

Figura 4.6: Curvas de estabilidade para os núcleos isóbaros A-par. Na ordenada temos as massas
dos nuclídeos e na abcissa o número atômico. As setas indicam as direções dos decaimentos.

Como em uma mesma parábola os valores de Z diferem por duas unidades, pode

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146

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

ocorrer de se encontrar alguns isóbaros estáveis – até três deles – para núcleos N -par
e Z-par (parábola inferior). Isto pode ser entendido, do ponto de vista energético, se
considerarmos que as transições de núcleos com Z0 2 para os núcleos com Z0 1
são proibidas. Por outro lado, um processo de decaimento beta duplo, associado a uma
transição direta do isóbaro com Z0 2 para aquele com Z0 tem baixa probabilidade de
ocorrência. Já os isóbaros Z-ímpar, na parábola superior, têm um isóbaro contíguo na
parábola inferior com diferença de cargas 1 e podem decair. Isto nos leva a conjecturar
que todos os núcleos com N -ímpar e Z-ímpar serão instáveis. Porém, há umas poucas
14
exceções que são os nuclídeos naturais 21 H, 63 Li, 10
5 B e 7 N . Para estes, as parábolas de
estabilidade são tais que aquela com Z-ímpar tem o seu ponto de mínimo associado ao
Z0 estável. Estes casos estão representados na Figura 4.7.

Figura 4.7: Curva de estabilidade para A-par e Z -ímpar, algumas excessões.

4.4.3 Núcleos exóticos e linhas limítrofes (drip lines)
A dependência da expressão (4.5) com Z, com A xo, nos diz que a curva parabólica é
bastante razoável para descrever a instabilidade dos isóbaros, conforme pode ser visto
das Figuras 4.5 a 4.7. Porém, alguns pontos importantes devem ser ressalvados nesta
abordagem semiempírica.
1. O primeiro diz respeito ao caráter bastante simples das considerações que embasam a construção da fórmula de massa; estas considerações de fato se referem a umas

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4.4

Linha de estabilidade, isóbaros e decaimento

147

poucas propriedades dominantes da força nuclear. É então importante lembrar que aspectos mais sutis da força devem também ser relevantes em situações em que a diferença entre o número de prótons e de nêutrons seja bem acentuada. Núcleos com essas
características têm meias vidas curtas e não existem em quantidades signi cativas na
natureza. Eles são chamados núcleos exóticos, sendo sintetizados em alguns processos
estelares, e também podem ser produzidos arti cialmente a partir de colisões de núcleos
pesados com o uso de aceleradores de íons. Eles se caracterizam pelo excesso de prótons ou de nêutrons e o seu estudo é muito importante para se compreender melhor a
natureza da força nuclear.
2. O segundo ponto, que tem ligação direta com o primeiro, diz respeito à restrição
do uso da fórmula semi-empírica de massa (4.1) para os núcleos exóticos. De fato, há a
necessidade da inclusão de mais detalhes da força nuclear e as teorias sobre a estrutura
nuclear devem também ser re nadas de forma a permitir um tratamento mais realístico
daqueles núcleos exóticos.
3. Do ponto de vista energético há uma relação entre excesso de prótons ou nêutrons
– que se manifesta nos excessos de massa3 – e instabilidade. Alguns núcleos, assim que
formados, decairão imediatamente em uma sequência de emissões até se transformarem em núcleos estáveis. Desta forma, olhando para em uma tabela de nuclídeos,
pode-se caracterizar as linhas que determinam os limites para um dado valor de A: o
número máximo de prótons quanto os de nêutrons que podem existir em um núcleo,
delimitando assim o número de nuclídeos que podem existir na natureza. Essas linhas
limítrofes são também conhecidas como drip lines.
De uma forma direta, pode-se ver que as linhas limítrofes podem ser obtidas impondose que as energias de separação Sp ou Sn se anulem ou se tornem negativas. No caso
dos prótons
Sp (A) = M1 H + M (A 1; Z 1) M (A; Z) 0;
assim o valor Zdl pode ser deduzido da equação Sp (A) = 0, que representa a situação
limite quando a energia necessária para arrancar um próton de um nuclídeo A
Z X é nula.
Analogamente, para os nêutrons calcula-se Ndl da equação
Sn (A) = Mn + M (A

1; Z)

M (A; Z) = 0:

Ainda em uma outra perspectiva, pode-se também obter uma estimativada linha
limítrofe para os prótons usando a expressão (4.5) para uma linha de isóbaros, escrevemos a diferença de energia entre dois isóbaros vizinhos

M (A; Z) = M (A; Z)

M (A; Z

1) = C2

C3 (A) + 2C3 (A) Z;

3

(4.8)

O excesso de massa de um nuclídeo A
Z X é a diferença entre sua massa e o seu número de massa em
unidades de massa atômica u, MA X Au. É um conceito útil para determinar se um decaimento radioativo
Z
pode ou não ocorrer e quanta energia será liberada. Um decaimento radioativo ocorre só se a soma dos
excessos de massa dos produtos do decaimento é menor do que o excesso de massa do núcleo pai.

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148

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

Figura 4.8: O excesso de massa em função dos isóbaros, A = 117, note-se que os pontos experimentais não coincidem exatamente com a linha sólida, que representa exatamente a parábola da
fórmula de massa. O 117
58 Xe encontra-se sobre alinha limítrofe para os prótons, enquanto que o
117
Pd
está
na
linha
limítrofe
dos nêutrons.
46

como sendo da ordem da energia associada ao tempo de passagem t 10 22 s de um
próton pelo núcleo, ou seja o intervalo de tempo para o processo4 em que um núcleo
com Z prótons se transforma em outro com Z 1, decaimento + . Podemos usar a
relação de incerteza energia-tempo para escrever
M (A; Zdl ) c2 =

E

de onde segue a expressão

Zdl

=
'

6; 6

C2 + C3 (A)
2C3 (A)

~
t

6; 6 M eV;

;
toma-se para o inteiro mais próximo

100 + C3 (A)
50 A
= 0; 5 +
2C3 (A)
92; 8 + 0; 72 A2=3

(4.9)

que dá uma estimativa simples para a linha limítrofe dos prótons. Se tomarmos, como
exemplo ilustrativo, A = 117, obteremos Zdl = 54 (o 117
56 Ba decai por captura eletrônica
4
Este tempo é da ordem do tempo de trânsito de uma partícula pelo diâmetro de um núcleo com v = c
(R = 10 f m).

S. S. Mizrahi & D. Galetti

4.4

Linha de estabilidade, isóbaros e decaimento

149

em 100 % dos casos, com meia-vida medida de 1; 75 s), veja a Figura 4.8. Uma construção análoga para a linha limítrofe dos nêutrons pode também ser levada a efeito.
A extensão imediata para o limite de estabilidade por emissão de partículas também pode ser obtida pela expressão análoga da energia de separação
M (A; Z) = M (A

4; Z

2) + M :

Neste caso, usando a fórmula de massa, os cálculos apontam para A ' 210 como os
últimos elementos estáveis por emissão alfa, embora existam alguns poucos nuclídeos
(17 no total) com A < 210 que decaem por emissão : 144 N d (100%), 146 Sm (100%),
147
Sm (100%), 148 Sm (100%), 148 Gd (100%), 149 T b (16; 7%), 150 Gd (100%), 152 Gd
(100%), 154 Dy (100%), 174 Hf (100%), 204 P o (0; 66%), 206 P o (5; 45%), 208 P o (100%),
207
At (8; 6%), 208 At (0; 55%), 209 At (4; 1%) e 209 P o (100%). Eles se concentram,
essencialmente, em alguns poucos elementos: samário, gadolínio, polônio e astatínio.
A partir de A = 210 o número de nuclídeos que podem decair por emissão aumenta consideravelmente; até A = 258 contam-se cerca de 80 nuclídeos. Assim, vemos
que uma abordagem ingênua, baseada em considerações empíricas, consegue fornecer
uma boa descrição quantitativa dos dados observados e medidos.

4.4.4 Extensão do uso da fórmula de massa
A fórmula de massa é de grande importância – além do uso imediato na previsão da
energia de ligação nuclear – no estudo, de forma abrangente, da ssão nuclear em um
grande número de núcleos diferentes, em um amplo domínio de valores de A; N e Z.
Para este propósito, é essencial acrescentar à expressão (4.1) correções provenientes da
estrutura de camadas de energia dos núcleos, que não são consideradas no modelo da
gota líquida.
De fato, observa-se que a curva teórica para a energia de ligação por núcleon obtida
através da Eq. (4.1) está, em média, em bom acordo com os dados experimentais. Não
obstante, ela apresenta desvios que são indicativos de que esse modelo, por tratar os
núcleos como gotas líquidas clássicas – que portanto considera os efeitos das fortes
correlações dos A núcleons constituintes como dominantes –, não leva em conta outros
aspectos importantes da estrutura nuclear oriundos do caráter fermiônico dos núcleons
– os aspectos de partículas independentes num campo médio nuclear. Porém, estas
discrepâncias entre as previsões da fórmula de massa e os dados experimentais podem
ser corrigidas através de tratamentos que levem em conta aqueles efeitos de camadas,
que são o ponto central do modelo de camadas nuclear a ser apresentado no Capítulo 7.
Tais correções foram estudadas e novas expressões propostas nas formulações de Myers
e Swiatecki [3] e, independentemente, por Strutinsky [4] e têm papel preponderante nos
cálculos de alturas de barreiras de ssão. Ademais, a fórmula de massa estendida é
muito importante nos cálculos visando a determinação das condições de formação de
núcleos super-pesados, Z > 100 e A > 240.

S. S. Mizrahi & D. Galetti

150

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

4.5 Linha dos isótopos: ajuste por parábolas
Como discutido na seção anterior, as curvas isobáricas obtidas da fórmula de massa (4.5)
são parábolas exatas em Z, como pode ser visto nas Figuras 4.5 a 4.7. Entretanto, para
a linha dos isótopos – Z constante, linhas paralelas ao eixo das ordenadas na Figura
4.7 – a forma da curva da energia de ligação em função de A não é evidente. Aqui
vamos constatar que, excetuando a contribuição da energia de emparelhamento, a curva
é aproximadamente uma parábola. Para mostrar isso, inicialmente vamos lembrar que
para uma função f (x) arbitrária, as expressões para as primeiras derivadas escritas em
termos de diferenças nitas são
f (1) (x) =

f (2) (x) =

f (x + h)
h

f (x + 2h)

f (3) (x) =

f (x + 3h)

f (3) (x) =

f (x + 2h)

f (x)

,

2f (x + h) + f (x)
,
h2

3f (x + 2h) + 3f (x + h) f (x)
,
(4.10)
h3
onde h é o incremento (não se faz o limite h ! 0). Adicionalmente, podemos também
escrever a expressão (4.10) como
3f (x + h) + 3f (x)
h3

f (x

h)

.

(4.11)

Para um polinômio de terceira ordem, f (x) = ax3 + bx2 + cx + d, usando-se a equação
(4.11) veri ca-se que f (3) (x) = 6a, que é a derivada terceira de f (x). Portanto, para
qualquer função f (x), a função f (3) (x) fornece seu desvio da forma quadrática e a
quantidade 6a é uma medida quantitativa do desvio. Desta forma, se a
1 para um
certo intervalo I de valores de x, então a curva será praticamente quadrática.
Considerando a energia de ligação,
B(A; Z) = av A

asup A2=3

ac

Z2
A1=3

aassim

(A

2

2Z)
A

a(1)
p A

1=2

; (4.12)

implementando a expressão (4.11), cuja variável é x = A, para quatro isótopos (com Z
xo) e adotando o incremento h = 1, de nimos a função desvio
G (A; Z)

1
[B(A
3!

2; Z)

Expandindo os termos B(A

3B(A

1; Z) + 3B(A; Z)

2; Z), 3B(A

B(A + 1; Z)] . (4.13)

1; Z) e B(A + 1; Z) para A=2

S. S. Mizrahi & D. Galetti

1 até a

4.6

Problemas

151

terceira ordem em série de Taylor, obtém-se
G (A; Z)

=

1
3!

aassim
=

8 1
27 A3

asup A2=3

1
A3

(

(A

2

2Z)
A

4
asup A2=3
81

5 (1)
a A
16 p

1=2

ac

1
6 3
A

Z2
A1=3

a(1)
p A

aassim

(A

28 1
27 A3
1=2

2

2Z)
A

,

15 1
8 A3
14
81

ac

)
Z2
A1=3
(4.14)

função esta que é uma medida do desvio da curva empírica B(A; Z) com relação a um
polinômio de segunda ordem. Comparando a expressão entre chaves que se encontra
do lado direito da segunda igualdade em (4.14) com a energia de ligação (4.12), nota-se
a ausência do termo de energia volumétrica, por ser linear em A, enquanto os demais
termos estão presentes, cada um multiplicado por um fator menor ou igual a um, assim
essa expressão é, em módulo, menor ou da ordem da energia de ligação. Porém, essencialmente percebe-se a presença do fator A 3 , portanto G (A; Z) decresce rapidamente
com o quanto maior for A, o que valida a aproximação parabólica para as linhas dos
isótopos.

4.6 Problemas
1. Fazendo uso da fórmula de massa, Eq. (4.1), calcule a energia de separação da
231
partícula no 235
92 U , onde o 90 T h é o núcleo residual. Discuta o resultado.
sor

2. Fazendo uso da fórmula de massa averigüe se o núcleo radioativo 138
54 Xe é emisou + .

3. Usando o modelo da gota líquida para a ssão nuclear deduz-se que a condição
para ssão espontânea (altura da barreira de ssão é nula) é Z 2 =A > 50 (a ser visto posteriormente no capítulo 12). Calcule (numericamente) o número atômico Z e o número
de massa A do último nuclídeo estável (que não sofre uma ssão instantânea) usando a
expressão (4.7).
4. Use a fórmula de massa para calcular a fração de ligação para todos os nuclídeos
de número atômico Z = 4 a 10. Use a tabela de nuclídeos da Ref. [5]
5. A partir da fórmula de massa veri que se a reação
227
90 T h

!

223
88 Ra

+

+Q

S. S. Mizrahi & D. Galetti

152

Capítulo 4.

Fórmula semiempírica de massa

é possível. Em caso a rmativo, e supondo que o núcleo- lho é produzido no estado
fundamental, qual será o valor das energias cinéticas dos dois fragmentos?
Observe que não se pode usar a fórmula de massa para partícula , neste caso devese usar o valor empírico da energia de ligação, 28; 3 M eV .
6. Deduza a expressão que estima a linha limítrofe – drip line – dos nêutrons,
analogamente ao que foi feito, Eq. (4.9), para prótons.
7. Em uma aproximação bastante crua, considere que uma estrela de nêutrons tenha
sua energia de ligação descrita a partir da fórmula de massa da qual se desprezam os termos de superfície, de Coulomb e de emparelhamento. É necessário, porém, acrescentar
o termo de atração gravitacional. Assim,
3 GM 2
;
5 r0 N 1=3
onde N é o número de nêutrons, M é a massa da estrela, G é a constante de atração
gravitacional e r0 é a constante relacionada com o raio nuclear.
Através da imposição da condição de limite para a existência de um estado ligado,
B(N ) = 0; determine os valores típicos do número de nêutrons, do raio e da massa
dessa "estrela de nêutrons"; os valores numéricos das constantes são
G = 6; 7 10 11 J m kg 2
1 M eV = 1; 602 10 13 J
Mn = 1; 67 10 27 kg
r0 = 1; 2 10 15 m:
Compare seus resultados com os dados existentes na literatura em astrofísica
B(N ) = av N

aassim N +

8. Dado um conjunto de pontos (:::f 3 ; f 2 ; f 1 ; f0 ; f1 ; f2 ; f3; :::) queremos
que eles coincidam com os valores de uma função contínua f (x) a ser determinada.
Para isso iremos considerar a fórmula de interpolação de quatro pontos, e escolhemos
estes pontos como sendo (f 2 ; f 1 ; f0 ; f1 ). Sabe-se que
8
>
f0 = f (x = x0 )
<
3
2
f 1 = f (x = x0 h) = f (x0 ) hf 0 (x0 ) + h2! f 00 (x0 ) h3! f 000 (x0 ) + :::
2
>
(2h)3 000
: f = f (x = x
00
2h) = f (x0 ) 2hf 0 (x0 ) + (2h)
2
0
2! f (x0 )
3! f (x0 ) + ::::
Determine f 000 (x0 ) em termos dos quatro pontos (f
000

Cf (x0 ) = f

2

+ f

1

2 ; f 1 ; f0 ; f1 )

a partir da equação

+ f0 + f1

igualando os coe cientes de derivadas de mesma ordem para determinar os parâmetros
C; ; ; e .
9. A partir da expressão
Gn (A; Z) =

1
[B(A
6

2; Z)

3B(A

1; Z) + 3B(A; Z)

S. S. Mizrahi & D. Galetti

B(A + 1; Z)] ,

4.7

Bibliogra a

153

onde

(A 2Z)2
Z2
,
a
assim
A
A1=3
40
calcule o termo mais signi cativo de Gn (A; Z) para o núcleo de 20 Ca. O que você
conclui?
B(A; Z) = av A

asup A2=3

ac

4.7 Bibliogra a
[1]

Ring P. e Schuck P., 1980, The nuclear many-body probelm, Springler-Verlag Inc.,
New York.

[2]

Wapstra, Handbuch der Physik, vol. XXXVIII/1

[3]

Myers e Swiatecki, 1982, Ann. Rev. of Nucl. Part. Sci. 32, 309.

[4]

Strutinsky V, 1966, Sov. J. Nucl. Phys. 3, 449.

[5]

Tabela dos nuclídeos no site: http://atom.kaeri.re.kr/ton/nuc7.html

S. S. Mizrahi & D. Galetti

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