You are on page 1of 17

revista bimestral da embaixada de angola em moçambique - n.

º2 - janeiro/fevereiro 2011

FESTA DOS 35 ANOS de Angola em Moçambique

ficha técnica

PROPRIEDADE E EDIÇÃO Embaixada de Angola em Moçambique Av. Kenneth Kaunda, 783 Maputo - Moçambique DIRECÇÃO Embaixador Garcia Bires ADIDO DE IMPRENSA Eduardo Sousa DIRECÇÃO EDITORIAL Helga Nunes COLABORAÇÃO Eurico Vasques Lecticia Munguambe Nina Temba Teresa Pereira Tholedo Mundau FOTOGRAFIAS Luís Muianga Embaixada de Angola em Moçambique gettyimages google.com DESIGN GRÁFICO Rui Batista PAGINAÇÃO Benjamim Mapande PUBLICIDADE-PRODUÇÃO PUBLICAR Rua da Sé, Hotel Rovuma, 3º andar Maputo - Moçambique IMPRESSÃO Brinrodd Press TIRAGEM 5.000 ex.

Antigos Combatentes: Angola e Moçambique querem trabalhar juntos

08

Presidente de Angola aposta na boa governação

12

sumário

Embaixada enaltece conquistas do Governo moçambicano

14

Constituição da República é a afirmação da angolanidade

18

Classe política moçambicana aplaude empenho de Angola na crise da Guiné-Bissau

20

Momentos da festa da independência de Angola em Maputo

22 28
ASSOMEL “esculpe” empresária angolana

4

JANEIro.FEVErEIro.2011

Governo Angolano prevê crescimento da economia em 7%

29

No encalce dos desafios
Garcia Bires A Revista Kandando no início do ano 2011 deseja aos seus estimados colaboradores, leitores e amigos muita saúde, prosperidade e retumbantes sucessos na vida pessoal e profissional. Ao surgirmos pela primeitra vez neste novo ano propusemo-nos enfrentar outros desafios e como já nos habituou, uma vez mais contamos com o seu prestimoso apoio para podermos levar avante o desiderato de melhor e tudo fazermos para que as expectativas postas na nossa façanha tenham os resultados que todos nós ansiamos. A Revista Kandando pretende ser o caminho certo que nos leva ao que almejamos atingir e que o leitor encontre nela aquilo que pretendia ler, ver e saber. Caros Leitores, Se o ano transacto foi o da comemoração do 35º aniversário da proclamação da Independência nacional, neste novo ano comemoramos o 50.º aniversário do desencadeamento da luta armada para a independência nacional, o primeiro da entrada em vigor no país da nova Constituição da República e no próximo dia 20 de Abril, os cinquenta anos da fundação da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP). Terminada vitoriosamente a luta de libertação nacional, assim como os empecilhos que dificultavam o desenvolvimento harmonioso e equilibrado do país, e inaugurada uma nova época. Uma vez saradas as profundas feridas das guerras e as famílias reencontradas vivem em paz, os desafios de há cinquenta anos ainda continuam a ser a melhoria das condições económicas, sociais, culturais e a integração do cidadão na vida activa, o respeito pelos princípios consagrados na Lei Mãe, o fortalecimento da angolanidade, nosso orgulho nacional, para dar lugar a uma governação responsável tranquila e virada para atender as necessidades básicas do Povo, onde os cidadãos araves dos seus representantes tenham voz activa. Sem interferência nos nossos assuntos internos, Angola poderá em breve contar os ganhos da luta contra a pobreza e progressivamente, eliminar as endemias que limitam as capacidades físicas e outros da massa trabalhadora na reconstrução nacional. Tenho a firme convicção de que num futuro próximo, contando com todas as inteligências, vontades, experiências, forças e braços, poderemos paulatinamente sair do atroz subdesenvolvimento e, num mundo cada vaz mais globalizado, participarmos da paz mundial. Nosso país, na qualidade de membro activo da Organização das Nações Unidas, União Africana, SADC, PALOP, CEEAC, CPLP, outras organizações regionais e não só, no decurso do presente ano para além de albergar a próxima Cimeira da SADC, manterá as suas responsabilidades na condução dos destinos da CPLP e respeitará os compromissos assumidos na última Cimeira dos PALOP, realizada em Luanda. Que 2011 seja um ano diferente.
Embaixador de Angola em Moçambique

nota de abertura

«Nosso país, na qualidade de membro activo da Organização das Nações Unidas, União Africana, SADC, PALOP, CEEAC, CPLP, outras organizações regionais e não só, no decurso do presente ano para além de albergar a próxima Cimeira da SADC, manterá as suas responsabilidades na condução dos destinos da CPLP e respeitará os compromissos assumidos na última Cimeira dos PALOP, realizada em Luanda».

JANEIro.FEVErEIro.2011

7

Líderes das Comissões Eleitorais da SADC trabalham em Moçambique
Os presidentes das Comissões Nacionais Eleitorais dos Países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral, SADC, defenderam na cidade de Maputo, em Moçambique, um maior estreitamento na observância da legislação existente nos respectivos países de forma a conferir cada vez maior transparência aos processos eleitorais e assim contribuírem para a consolidação da democracia a nível da SADC. O apelo foi lançado durante a reunião anual do Fórum das Comissões Eleitorais (FCE) da SADC, que teve lugar nos dias 7 e 8 de Fevereiro. No encontro de Maputo, os participantes adoptaram, por consenso, novas directrizes para a observação eleitoral, cuja essência tem a ver com o alargamento do número de membros das missões de observação do fórum, extensão dos dias dedicados à observação eleitoral e, sobretudo, o envio de equipas técnicas para monitorarem a preparação, realização e divulgação dos resultados eleitorais em cada país. Este é o terceiro encontro do Fórum das Comissões Eleitorais da SADC, em que Moçambique é presidente. Neste encontro, o FEC da SADC teve ainda como finalidade avaliar as actividades desenvolvidas no ano transacto, perspectivar as actividades a serem desenvolvidas este ano, tanto a nível das comissões eleitorais da região, como a nível individual dos países; para além de fazer uma avaliação daquilo que serão as directrizes da observação eleitoral do fórum. Angola foi representada pela presidente da Comissão Nacional Eleitoral, Suzana Inglês. Integram a SADC, Angola, África do Sul, Botswana, República Democrática do Congo, Lesotho Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Swazilândia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.
8 JANEIro.FEVErEIro.2011

Paihama anuncia reformulação de Legislação sobre antigos combatentes e veteranos da Guerra

Jornalistas angolanos em workshop em Maputo
Um grupo de jornalistas angolanos, participou em meados de Fevereiro, em Maputo, num workshop sobre a prevenção do HIV entre grupos de minorias sexuais na África Austral. Organizado pelo Instituto Panos África Austral, (PSAf), o seminário propõe-se implementar projectos que têm como objectivo capacitar as comunidades locais a conduzirem a resposta de prevenção do HIV na Região Austral de África. O fórum proporcionou uma série de iniciativas de comunicação para permitir uma interacção entre grupos afectados e os fazedores e decisores de políticas, de modo a garantir que as vozes dos mais afectados sejam tidas em conta no desenvolvimento de programas, políticas e projectos. Para além de Angola, com 11 jornalistas, participam representantes de Moçambique, Malawi, Lesoto, Swazilândia e Zâmbia. Estes países partilham a mesma preocupação com o HIV, apesar de que as tendências e os factores determinantes possam ser diferentes dentro das províncias dos respectivos países O Instituto Panos da África Austral faz parte da família mundial da Panos. Tem a sua sede em Lusaka, Zâmbia. Os seus principais objectivos passam por preconizar uma comunidade na África Austral que possa conduzir o seu próprio desenvolvimento e garantir que a informação seja usada de forma efectiva para impulsionar o desenvolvimento das comunidades para formular as suas próprias agendas.

destaque

destaque

Antigos Combatentes Angola e Moçambique querem trabalhar juntos
ngola e Moçambique rubricaram, em Maputo, um Protocolo de Cooperação bilateral entre os Ministérios dos Antigos Combatentes e veteranos da Pátria de Angola e dos Combatentes daquele país do Índico. O Protocolo visa estabelecer, entre si, com reciprocidade de vantagens e respeito mútuo, relações de cooperação bilateral nos domínios da assistência e inserção social dos Antigos Combatentes e Veteranos da pátria. Outro dos objectivos do acordo prende-se com a pesquisa e divulgação da história e do património da Luta pela independência de ambos os países, o reforço da capacidade institucional dos dois ministérios através de envio de peritos para a troca de experiências e o estudo comparado sobre matérias de interesse comum. De igual modo, as partes comprometem-se a promover acções junto das estruturas competentes dos respectivos países para que os assuntos dos Antigos

A

Combatentes tenham dignidade de tratamento nas várias cimeiras de Chefes de Estado e de Governo ou em fóruns próprios a nível da SADC e dos PALOP, Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Rubricaram o documento pela parte angolana, o ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Kundy Paihama, e pela parte moçambicana, o ministro dos Combatentes, Oscar Kida. No cumprimento do programa da visita de cinco dias a Moçambique, o ministro Kundy Paihama e a delegação que o acompanhou mantiveram encontros de cortesia com o Primeiro Ministro de Moçambique, Aires Bonifácio Ali, com o secretário geral da Frelimo, Filipe Paúnde, e com o secretário geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação nacional, Roque Chooly. A delegação angolana visitou ainda o Hospital Militar de Maputo e manteve um encontro com representantes de associações de combatentes e portadores de deficiência.

ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria anunciou que está em curso no país a reformulação de toda legislação relativa aos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria. Kundy Paihama que falava durante as conversações oficiais entre as delegações de Moçambique e de Angola do pelouro dos antigos combatentes, disse que a referida legislação visa conferir uma maior abrangência, eficácia e eficiência ao regime de protecção especial reconhecido aos antigos combatentes e veteranos da pátria de Angola, por um lado e, por outro, conformá-lo à nova ordem constitucional. “Este pacote legislativo, uma vez apro-

O

Kundy Paihama Ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos de Angola

vado, irá introduzir no ordenamento jurídico angolano uma nova cultura jurídica, sobretudo no que diz respeito ao regime de protecção especial, ao estatuto especial, aos direitos e benefícios, a preservação, protecção e promoção dos feitos e factos históricos dos processos das lutas de libertação nacional e da defesa da pátria que visam dar dignidade aos seus beneficiários”, defendeu o governante angolano. Kundy Paihama lançou ainda uma reflexão para que a problemática dos combatentes das lutas pelas independências africanas seja incluída na agenda das Cimeiras de Chefes de Estado e de Governo, quer dos países africanos de expressão portuguesa, quer a nível dos países da sub-região.

JANEIro.FEVErEIro.2011

9

País produziu mais de 590 milhões de barris em 2010
Angola produziu cerca de 590 milhões de barris de petróleo bruto, de Janeiro a Novembro de 2010, segundo anunciou o ministro dos Petróleos, José Maria Botelho de Vasconcelos. Segundo o titular da pasta dos Petróleos, no mesmo período foram igualmente produzidos seis milhões 263 mil e 792 barris de gás de cozinha (LPG). Em termos de exploração, disse o ministro, foram realizados vários programas de aquisição de linhas sísmicas Bidimensional (2D), 3D, e 4D, respectivamente, e perfurados um total de 21 poços de exploração, dos quais seis descobertas de petróleo e duas de gás. Referiu também que, em 2010, foi destaque para o sector a entrada em produção dos campos petrolíferos Tômbua-Lândana (Bloco14), Mafumeira (Associação de Cabinda). Os projectos de desenvolvimento Pazflor; Clov do Pipeline para o transporte de gás para a fábrica de Gás Natural Liquefeito (LNG) e o Projecto Kizomba Satélites continuam com uma normal execução em relação ao progresso planificado. Segundo o ministro, especial atenção foi conferida à execução dos projectos estruturantes em curso, nomeadamente, a construção da nova refinaria do Lobito que irá aumentar as capacidades de produção de refinados no País, e ao projecto Angola LNG.

Angola é o país com maior crescimento mundial na última década
2011 e 2015, sete países africanos deverão figurar na lista dos 10 países com maior crescimento económico. Claro está que o crescimento do PIB não é tudo. Ao fim e ao cabo, como disse uma economista, não se come o Produto Interno Bruto e se, em 1980, os africanos tinham um rendimento médio quatro vezes maior do que os chineses, hoje os chineses são três vezes mais ricos que os africanos. O crescimento populacional também afecta o crescimento real per capita do Produto Interno Bruto mas mesmo assim, diz o «Economist», esse crescimento foi de três por cento desde o ano 2000. Em termos globais há que perspectivar que a economia de África é minúscula representando apenas dois por cento da produção mundial. O estudo do «Economist» faz no entanto notar que, devido a esse atraso, o crescimento de África não é de surpreender, tendo o que diz ser “mais potencial de crescimento”. O estudo faz salientar a melhor administração das economias em muitos países africanos que beneficiaram também de grandes investimentos da China e do aumento dos preços das matériasprimas. Mas, diz a mesma fonte que em vez de esbanjarem o dinheiro - como aconteceu no passado - governos como os de Moçambique e Tanzânia pouparam dinheiro, o que amorteceu o efeito da crise nas suas economias. Ao mesmo tempo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) refere que as perspectivas de África para este ano são boas. Num estudo elaborado, aquele organismo diz ainda que Cabo Verde, Moçambique e São Tomé estão entre os países africanos que no período entre 1996 e 2008 registaram um aumento de rendimento per capita acima de dois por cento. O FMI sublinha que as necessidades de África continuam a ser enormes. Aliás, a África subsaariana precisa de 93 mil milhões de dólares anuais em financiamento e pelo menos um terço dessa quantia não encontra financiamento.
JANEIro.FEVErEIro.2011 11

Angola

Angola

ngola foi o país do mundo que mais cresceu economicamente na última década, segundo revela um estudo da conceituada revista britânica «Economist». E o estudo refere ainda que outro país lusófono, Moçambique, se encontra na lista das 10 economias mundiais que mais cresceram durante esse mesmo período. Com efeito, se muito se fala do acordar dos gigantes que são a China, o Brasil, a Índia e a Rússia (os famosos BRIC, ao qual a África do Sul parece querer juntar-se) o estudo do «Econo10 JANEIro.FEVErEIro.2011

A

«Na última década, o crescimento real do PIB de África foi de 5,7% superior ao da América Latina, com 3,3%. O «Economist» divulga que, entre 2011 e 2015, 7 países africanos deverão estar entre os 10 países com maior crescimento...»

mist» é surpreendente não só pelo facto de Angola estar posicionada no topo da tabela, mas também porque a lista das 10 economias de maior crescimento na última década contempla seis estados africanos. Angola aparece no topo da tabela com um crescimento, entre 2001 e 2010, de 11,1 por cento, superior à China que registou no mesmo período um crescimento de 10,5 por cento. Moçambique surge no oitavo lugar com um crescimento de 7,9 por cento, o mesmo que o registado no Chade que se encontra em sétima posição.

O notável nessa lista é que ao contrário do que se possa pensar, não são os países asiáticos que dominam a lista mas sim os africanos. Da lista das 10 economias de maior crescimento seis são do continente africano, algo que se torna mais notável ainda se se tiver em conta que na década anterior apenas um país africano (Uganda) fazia parte da lista. Na última década, o crescimento real do PIB de África foi de 5,7 por cento superior ao da América Latina, com 3,3 por cento. O «Economist» divulga que, entre

Moçambicanos formam-se em geologia e minas
Moçambique vai enviar, no decurso do corrente ano, 15 jovens que vão receber formação técnica no ramo de geologia e minas no Instituto Nacional de Petróleos (INP) de Angola, dada a crescente demanda de quadros para esta nova realidade deste país do índico. Para o efeito, o INP e o Ministério dos Recursos Minerais (MIREM) rubricaram a 17 de Fevereiro, em Maputo, um Protocolo de Cooperação Técnica, com quatro anos de vigência, que preconiza a formação no sector petrolífero, a nível técnico-profissional, naquele país. O protocolo foi assinado pelo Secretário Permanente do MIREM, Horácio Belenguene, e pelo director do INP, Domingos Francisco, testemunhado por quadros séniores do ministério e pelos integrantes da delegação angolana que se encontra em Maputo. Ao abrigo do protocolo definir-se-á a operacionalização dos mecanismos de acolhimento e de formação, por parte do INP, de jovens estudantes moçambicanos, com o propósito de aquisição e desenvolvimento de competências técnico-profissionais no sector petrolífero. Para as partes, o protocolo assinado cria assim os alicerces para a formação na área de petróleo, bem como espelha as acções desenvolvidas entre o MIREM e o Instituto de Petróleos de Angola. O Estado moçambicano está bastante optimista por acreditar que a formação a ser adquirida em Angola contribuirá para o desenvolvimento do país na componente de hidrocarbonetos. Várias acções de prospecção e pesquisa de hidrocarbonetos estão em curso na bacia do Rovuma, norte de Moçambique, bem como projectos ligados à exploração de gás natural. Segundo Domingos Francisco, a instituição por ele liderada compromete-se a garantir uma boa formação aos jovens moçambicanos, dotando-os de conhecimentos que permitam exercer com competência aquilo que se espera deles. O INP vai alargar ainda este ano o leque de cursos ministrados na instituição e passará a incorporar áreas de geologia e minas, perfuração e produção, refinação e instrumentação, gás no nível superior.
12 JANEIro.FEVErEIro.2011

Presidente de Angola aposta na boa governação
É na família que se deve ensinar aos mais novos os valores fundamentais que vão orientar a sua vida de adulto. É na família que se transmitem os ensinamentos oriundos de gerações passadas e é na família que construímos os alicerces e os pilares da Nação. Há valores que são perenes e que precisam de ser cultivados para que a vida em sociedade decorra de forma harmoniosa, sem conflitos nem sobressaltos, e para que o bem comum e a noção do colectivo possam prevalecer e prosperar mesmo na sociedade moderna que estamos a construir. Além dos aspectos positivos das nossas tradições, temos de consolidar valores como o trabalho, a dedicação e afinco ao que se faz e produz, o amor à Pátria, o espírito de sacrifício, a solidariedade, a tolerância e o respeito para com o semelhante. Temos de saber motivar os cidadãos para pensarem e agirem em prol do bem comum e em benefício da colectividade. Se cada um fizer a parte que lhe cabe, teremos, sem dúvida, um país melhor e uma sociedade solidária capaz de amparar e proteger os mais frágeis e desfavorecidos, como as crianças, os doentes e os idosos e, também, capaz de promover acções em prol da melhoria da condição da mulher e da integração social da juventude. Nesse sentido, o Parlamento aprovou este mês a Lei contra a Violência Doméstica. Essa lei vai ser um instrumento eficaz para combater os excessos e agressões que se verificam nos lares, um pouco por todo o país e, por outro lado, vai restabelecer o respeito e a dignidade com que toda a mulher e todo o homem, devem ser tratados na sociedade e no lar. A família deve assumir também as suas responsabilidades e colaborar com o Estado no seu esforço para dissuadir o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e de substâncias ilícitas, sobretudo entre os mais jovens, pois que a ingestão de tais drogas afecta o desenvolvimento pleno dos jovens, e não pouca vezes lhes tira prematuramente a vida ou traz como consequências efeitos nocivos que se traduzem nos alarmantes índices de violência no trânsito e que causam luto no seio de muitas famílias. Caros Compatriotas, Vivemos num país com um imenso potencial, onde podemos realizar plenamente as nossas aspirações de uma vida melhor e de bem-estar e conforto material, se formos capazes de definir a agenda certa e trabalhar juntos. Com a promulgação da Constituição da República, em Fevereiro deste ano, foi extinto o Sistema de Governo semi-presidencialista em que a função administrativa e os poderes em diversos aspectos relacionados com a concepção, preparação, decisão e execução de políticas públicas, estavam divididos entre o Presidente da República, por um lado, e o Governo, com o Primeiro-Ministro, por outro lado. A Constituição estabeleceu o Sistema de Governo Presidencialista-Parlamentar e a função administrativa passou a ter um comando único do Presidente da República e Chefe do Executivo. Com esta alteração foi revigorado o trabalho com a dinamização de acções com vista à moralização da actividade pública e à aplicação efectiva do princípio da boa governação e do rigor na gestão da coisa pública. Deste modo, demos passos importantes no domínio do saneamento das finanças públicas e da melhoria e modernização da sua gestão. Neste âmbito, iniciou-se um processo de modernização orgânica e institucional do BNA com o reforço das suas competências nas áreas de supervisão bancária e de condução da política monetária e cambial, por forma a fazer-se frente à questão da inflação e dos juros, baixando as suas taxas para estimular o investimento na produção de bens e serviços. Na verdade, com a execução, em 2010, de medidas multidisciplinares, conseguiu-se superar as consequências da crise económica e financeira de 2009 e, no próximo ano, a economia nacional vai retomar os seus índices elevados de crescimento, gerando assim mais recursos para alocar aos sectores sociais, em 2012. Retomamos e reajustamos o programa de habitação, estando em curso a construção de cerca de 200 mil casas económicas repartidas por todos os municípios do País. Em 2011 serão lançados vários projectos no Sector Produtivo, particularmente nos domínios da agricultura, indústria ligeira, pesada, mineira e de materiais de construção, será reajustada a Lei de Investimento Privado e Leis conexas e prestada uma atenção especial ao sector empresarial privado angolano para que aumente a sua intervenção na produção de bens e serviços da economia nacional. Os processos de reforma económica, fiscal, administrativa, judiciária e do sistema de segurança nacional, que reiniciamos, vão atingir a sua velocidade cruzeiro em 2011, para aperfeiçoarmos o Estado Democrático de Direito e melhorarmos o funcionamento e o desempenho da economia nacional. No próximo ano, vamos igualmente reajustar a legislação eleitoral, para viabilizar o processo eleitoral de 2012. Temos tudo para acreditar que podemos ser um país modelo em África e uma potência regional que garanta, no futuro, o bem-estar a todos os cidadãos. Devemos mobilizar cada vez mais pessoas para a nossa causa e integrar cada vez mais gente no processo de desenvolvimento económico e social. Desejo a todos os angolanos, estejam onde estiverem, Festas Felizes e um Novo Ano muito próspero e cheio de realizações. VIVA ANGOLA.
JANEIro.FEVErEIro.2011 13

Angola

Angola

Mensagem de fim de ano 2010 por sua excelência José Eduardo dos Santos, presidente da República de Angola
Povo Angolano, Caros Compatriotas, quadra festiva é sempre um tempo de esperança. É o momento em que se inicia um novo ano que nos pode abrir novas perspectivas para realizarmos as nossas aspirações e os nossos desejos. É neste momento que ganha força a convicção de que cada cidadão é, de facto, responsável por forjar o seu próprio destino, por aperfeiçoar o seu modo de estar no mundo, por melhorar a sua vida familiar e por se integrar de forma mais harmoniosa na sua comunidade e no seu meio social. Temos uma nação rica em tradições e vivências culturais que faz de nós, angolanos, cidadãos orgulhosos da sua Pátria e abertos a uma convivência pacífica. É com este espírito que estamos a consolidar o clima de paz, concórdia e estabilidade que vivemos desde 2002, que no início deste ano saiu reforçado com a entrada em vigor da Constituição da República, onde foram salvaguardados e ampliados os direitos e garantias dos cidadãos. Vivemos de facto um tempo de esperança num futuro melhor. Estamos a trabalhar com grande motivação para se alcançar um bom nível de governação, manter um ambiente político e social tranquilo, seguro e ordeiro, como condição para continuarmos a construir um País democrático e de justiça social. No entanto, é no seio da família que temos de encontrar, em primeiro lugar, as motivações essenciais para a conquista do que queremos para melhorarmos as nossas vidas amanhã. A família é o centro da vida em sociedade.

A

Embaixada enaltece conquistas do Governo moçambicano
embaixada
embaixador de Angola em Moçambique, João Garcia Bires, enalteceu, em Maputo, os esforços do Governo moçambicano em prol do bem-estar das populações, aquando do brinde de fim de ano com o Presidente da República de Moçambique, Armando Guebuza. Garcia Bires disse que acompanha de perto os enormes esforços que o executivo de Armando Guebuza tem empreendido na criação de condições para o

O

crescimento da renda de cada moçambicano e para o aumento de melhorias nas esferas económica, social e cultural. “A visão de vossa excelência no combate à pobreza enquadra-se na luta mais alargada que o nosso continente tem de assumir, tendo em vista uma nova postura e respeitar os valores históricos para fazer face à actual crise financeira e económica, no interesse da correcção das regras do comércio e da arquitectura financeira internacional”, referiu o embaixador angolano.

Garcia Bires também fez referência aos desafios globais da actualidade que apontam para a necessidade do contínuo aprofundamento do diálogo e da parceria entre os vários actores sociais dos Estados sobretudo os de África. “Compartilhamos a ideia de que a África de hoje é de esperanças, de muitas possibilidades e de potencialidades agro-alimentares, industriais e minerais. É essa a nova África que pretendemos construir, que consegue produzir os alimentos suficientes para a sua população, com perspectivas em matéria de criação de emprego, na melhoria dos serviços sanitários, uma África virada para o futuro”, defendeu Garcia Bires. O embaixador angolano considerou ainda a realização dos X Jogos Africanos em Maputo, agendados para Setembro de 2011, o maior desafio de Moçambique para o ano e que a escolha do país é o resultado da capacidade técnica e organizativa que tem demonstrado a todos os níveis. Também designados por Jogos Olímpicos de África, os Jogos Africanos são a maior prova desportiva do continente e vão juntar no País pouco mais de 6.500 atletas de vários países do continente que irão competir nas 24 modalidades eleitas para esta edição.

embaixada

Praia de Mussulo Angola

Garcia Bires crê na revitalização do turismo entre Angola e Moçambique
embaixador de Angola em Moçambique, João Garcia Bires, disse que o turismo entre os dois países tende a sair do actual para um clássico, devido à facilidade de contacto e ao aumento das relações entre si. O diplomata apontou o aumento da frequência de voos entre Maputo/Luanda, e vice-versa, como um dos factores que servem para impulsionar a saída do turismo actual (familiar) para um clássico. Para si, os dois povos conheciam-se mutuamente mal, mas com a abertura da linha aérea Maputo/Luanda, que começou timidamente com um voo semanal, passando para dois e depois para três voos, os interesses aumentaram dos dois lados. A terceira frequência veio fa-

O

«O embaixador angolano considerou ainda a realização dos X Jogos Africanos em Maputo, agendados para Setembro de 2011, o maior desafio de Moçambique para o ano»
14 JANEIro.FEVErEIro.2011

cilitar ainda mais o contacto. Hoje, as pessoas podem trocar, podem sair de uma capital para outra com facilidade de frequência. As relações entre angolanos e moçambicanos é maior, com casamentos pelo meio, embora ainda não se possa falar de um turismo clássico - referiu Garcia Bires. “Eu não falaria de um turismo clássico, mas da troca de impressões entre nós porque acredito que num futuro poderíamos falar de excursões turísticas de angolanos em Moçambique e moçambicanos em Angola. Há angolanos que vêm cá a convite de um amigo, de um familiar e de igual modo em Angola. Basicamente, sim, é um turismo familiar, num futuro próximo poderemos pensar em excursões”. O embaixador angolano anunciou

«Hoje, as pessoas podem trocar, podem sair de uma capital para outra com facilidade de frequência. As relações entre angolanos e moçambicanos é maior, com casamentos pelo meio, embora ainda não se possa falar de um turismo clássico»
que, actualmente, Moçambique já recebe turistas por estrada, via Joanesburgo, nomeadamente caravanas de angolanos que se deslocam de automóvel e de motorizada. A seu ver, isto faz com que se conheçam melhor e irá permitir que, num futuro próximo, se assista a excursões por estrada, via marítima ou ferroviária, porque o mundo tende para este lugar.
JANEIro.FEVErEIro.2011 15

Desafios da diplomacia angolana são apontados
grande plano
O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, declarou em Luanda que um dos importantes desafios que se colocam à política externa e à diplomacia angolana é o de promover e defender os interesses, o prestígio e a imagem do país junto da Comunidade Internacional.

grande plano

realização do Conselho Consultivo do Mirex é oportuna
O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, considerou que a promoção e a protecção dos direitos do homem, da democracia, da boa governação e o desenvolvimento económico e social devem constituir ponto imprescindível da nossa agenda política.
Presidente José Eduardo dos Santos discursava na cerimónia de abertura do 4.º Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Relações Exteriores, que decorreu no Centro de Convenções de Belas, na segunda semana de Fevereiro. Eduardo dos Santos falou a propósito da necessidade de Angola ser parte activa na concertação internacional com vista à tomada de medidas para diminuir a libertação de gases com efeito de estufa, o sobreaquecimento global e a desertificação. Sublinhou que “as catástrofes naturais, que têm provocado um elevado número de vítimas humanas e enormes prejuízos materiais como resultado das alterações climáticas, exigem que tomemos parte activa na concertação internacional com vista à tomada de medidas para diminuir a libertação de gases com efeito de estufa, o sobreaquecimento global e a desertificação”. O Estadista acrescentou que o mundo está a viver um período “bastante conturbado”, marcado por crises de natureza política, militar, económica e social em vários países, particularmente em África e Médio Oriente. Eduardo dos Santos adiantou que estas crises, algumas já antigas, resultam da incapacidade de se encontrar
16 JANEIro.FEVErEIro.2011

O

entendimentos políticos ou programas de Governo adequados para a sua resolução e que se têm agravado por causa das profundas alterações que o Mundo conheceu nas duas últimas décadas. Disse ainda que com o fim da Guerra Fria, se verificou a alteração da correlação de forças estabelecida depois da II Guerra Mundial, quando foram definidas as bases políticas e jurídicas em que assentam as normas e os mecanismos universais vigentes que regulam o funcionamento da Comunidade Internacional. Neste processo de transformação das Relações Internacionais, muito contribuiu também o fenómeno da globalização que teve como principais motores a mundialização da economia, o desenvolvimento das novas tecnologias de informação e da comunicação que garantem o estabelecimento de redes globais de produção e a funcionalidade dos mercados financeiros internacionais, bem como uma autêntica revolução da comunicação. A rapidez dos transportes, da circulação da informação e dos fluxos financeiros no mundo tornou os países mais próximos e acentuou a interdependência, em maior ou menor escala, entre os diferentes actores das relações internacionais, impondo que a ocorrência de um facto num país ou numa sub-região

possa ter impacto ou influência noutro ponto do planeta, sublinhou. De acordo com o Presidente da República, além dos problemas que lhes são inerentes, os Estados não podem deixar de prestar a devida atenção às questões externas e de conceber programas de acção político-diplomática e de cooperação internacional com objectivos claros, a curto, médio e longo prazos. No conjunto destas questões, apontou a recente crise económica e financeira mundial causada por políticas desajustadas, adoptadas pelos países ocidentais mais industrializados, e que teve consequências negativas directas ou indirectas na vida quotidiana de milhões de pessoas em todos os países. Enquanto as economias dos países recuperam deste nefasto fenómeno, outros problemas da actualidade dignos de menção são os conflitos intraestaduais, o terrorismo, o tráfico de drogas e de seres humanos, a imigração ilegal, a pirataria, os crimes transnacionais, as grandes endemias, a pobreza, a intolerância (política, étnica e religiosa), a discriminação racial e da mulher. Para o Chefe de Estado angolano estas questões devem continuar a figurar nos nossos programas e agendas internacionais.

osé Eduardo dos Santos é da opinião de que se deve continuar a desenvolver acções político-diplomáticas que conduzam ao desenvolvimento da Comissão do Golfo da Guiné, da Conferência dos Grandes Lagos e das Comunidades Económica Sub-Regionais Africanas, nas quais o país está inserido, nomeadamente a SADC e a CEEAC. “Não nos esqueçamos que detemos a Presidência da CPLP por dois anos e que é nosso dever tudo fazer para que as deliberações desta Comunidade aprovadas na Cimeira de Luanda e de outras não aplicadas, sejam implementadas com êxito”, sublinhou. Neste contexto, prosseguiu, temos de priorizar a concretização do programa para a Guiné-Bissau e para adopção do português como língua de trabalho da Organização das Nações Unidas. “Devemos igualmente, dentro das nossas reais possibilidades, contribuir para a resolução dos problemas globais, particularmente daqueles que afectam o nosso continente e assumirmo-nos simultaneamente como um factor de paz, segurança regional e mundial e agindo como parceiro justo disposto a partilhar interesses, a cooperar com vantagens recíprocas na construção de um mundo cada vez melhor”, indicou. Neste quadro, o estadista considerou ser importante reforçar o papel do multilateralismo na resolução dos problemas universais, seguindo a lógica de um novo pensamento de responsabilidades e benefícios partilhados com base no reconhecimento dos legítimos interesses de todas as partes e na sua concertação, com vista a serem encontradas soluções exequíveis. José Eduardo dos Santos observou

J

que hoje é cada vez maior o reconhecimento geral de que as instituições criadas há mais de 60 anos atrás, ou depois da II Guerra Mundial, carecem de reformulação e adaptação às novas realidades do mundo actual. “É assim necessário envolvermo-nos activamente neste processo de reforma e continuar a luta por uma participação efectiva e mais ampla de África no Conselho de Segurança das Nações Unidas, no Fundo Monetário Internacional e nos órgãos informais como o G20, G8 e outros”, defendeu. O Chefe de Estado exprimiu ainda a sua satisfação pela iniciativa da realização do conselho consultivo alargado, cujos resultados, terão conforme anteviu efeitos positivos no futuro trabalho dos embaixadores e dos funcionários das Relações Exteriores. Reforma de diplomatas com mais de 60 anos na ordem do dia O Presidente da República solicitou a discussão do plano de reforma para os diplomatas com mais de 60 anos de idade, criando instrumentos para reconhecer o mérito e homenagear aqueles que se tenham destacado. José Eduardo dos Santos disse ser uma boa ocasião para o conselho consultivo do Ministério das Relações Exteriores discutir, nos termos da Lei, “um plano geral de reforma para os diplomatas com mais de sessenta anos, criando para já instrumentos para reconhecer o mérito e homenagear aqueles que nesta actividade se tenham destacado na prestação de serviços à Nação angolana”. Por outro lado, incentivou a revisão do Estatuto do Diplomata, que vigora

há 18 anos, sublinhando que o mesmo (estatuto) representou para a época um grande progresso ao consagrar e ao reconhecer direitos adquiridos. O chefe de Estado sugere que o estatuto do diplomata mantenha a mesma dimensão de direitos e privilégios universalmente consagrados para diplomatas sem perder de vista a especificidade e a realidade de Angola. Por outro lado, referiu ser necessário avaliar o modo como são utilizados os recursos financeiros que o Estado põe à disposição do sector. Pediu aos gestores das Embaixadas para que façam um esforço permanente no sentido de gerirem de forma adequada, responsável e transparente o erário público, na esteira do rigor estabelecido para a execução do Orçamento Geral do Estado.

«É assim necessário envolvermo-nos activamente neste processo de reforma e continuar a luta por uma participação efectiva e mais ampla de África no Conselho de Segurança das Nações Unidas, no Fundo Monetário Internacional e nos órgãos informais como o G20, G8 e outros»
JANEIro.FEVErEIro.2011 17

Constituição da República é a afirmação da angolanidade
«A lei magna foi elaborada por uma comissão de 60 deputados, assessorada por um grupo técnico, que aprovou por consenso 228 artigos dos 244, sendo que a maioria recebeu ajustamentos pontuais sugeridos por instituições e cidadãos durante a fase da consulta pública»
três projectos de constituição, Presidencialista, Parlamentar e Parlamentar-Presidencial, sendo notório o envolvimento da sociedade, apresentando as suas contribuições. A lei magna foi elaborada por uma comissão de 60 deputados, assessorada por um grupo técnico, que aprovou por consenso 228 artigos dos 244, sendo que a maioria recebeu ajustamentos pontuais sugeridos por instituições e cidadãos durante a fase da consulta pública. Depois da sua aprovação parlamentar, no dia 21 de Janeiro de 2010, o Tribunal Constitucional fez recuar a sua aprovação para que se rectificassem os pontos 1 e 4 do artigo 134º e o artigo 109º. Finalmente, o texto constitucional voltou a ser aprovado, e consentido pelo Tribunal, a 3 de Fevereiro, com a assinatura final do presidente da Assembleia Constituinte, na altura, Fernando da Piedade Dias dos Santos. Assim, a Constituição entrou legalmente em vigor a 5 de Fevereiro, data da sua promulgação, pelo Presidente José Eduardo dos Santos, que remeteu para publicação em Diário da República de Angola, dando início à terceira República. CARtA MAgnA AlteRA vidA dos CidAdãos A Carta Magna alterou o modo de funcionamento das instituições do estado, em primeira instância, e a vida dos cidadãos, num plano mais restrito. Muitos aspectos positivos são realçados na Constituição, por entidades nacionais e estrangeiras, afirmando, vezes sem conta, ser esta uma lei moderna, que demonstra o espírito de oportunidade do legislador. Por força dos seus artigos, o Presidente da República profere todos os anos um discurso sobre o Estado da Nação no Parlamento, por ocasião da abertura do ano legislativo, e o Executivo faz um balanço da sua actividade, trimestralmente. Com a entrada em vigor da Constituição, findava o período de transição constitucional, reforçando-se o Estado Democrático e de Direito, onde as grandes conquistas anteriores foram a democracia multipartidária, no início dos anos 90, e a paz definitiva em 2002. O país ganhava uma constituição equilibrada, que vem concorrer para a estabilidade política social e económica, assim como promover o seu desenvolvimento, advogaram os proponentes. O então presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, reconheceu que a missão de elaborar e aprovar a Constituição foi a mais árdua e estimulante tarefa desde o início da legislatura 2008-2012, e que o maior desafio é preservar o legado para que, em momento de maior exigência, seja fonte inspiradora para as mais importantes conquistas do país. O documento reforçou a democracia, clarificou o sistema de governo, delimitou os poderes dos órgãos de soberania e definiu os deveres e os direitos de todos angolanos, bem como criou uma nova ordem social, económica, política, e cultural. Com a aprovação da nova Lei Mãe, a Assembleia Nacional iniciou o trabalho aturado de adequar a legislação avulsa ao texto. Nalguns casos foram feitas alterações pontuais aos princípios que contrastavam com a Constituição, e outras modificações profundas, pois há diplomas que já não se adequam ao novo figurino político, social e económico do país, uma actividade que continuará em 2011.
JANEIro.FEVErEIro.2011 19

constituição

embaixada

www.eMbAixAdAdeAngolAeMMoz.CoM

Embaixada de Angola já tem website
gora, o leitor já pode aceder a informações da Embaixada através do link http://www.embaixadadeangolaemmoz.com/. Trata-se de um website que foi concebido o ano passado e lançado aquando das comemorações dos 35 Anos da Independência de Angola. Através da sua homepage, o navegador poderá consultar dados sobre o país, como a sua geografia e história, o Governo e os feriados nacionais à distância de um mero clique. A propósito disso, fica a lembrança aos mais desatentos de que 8 de Março é o Dia Internacional da Mulher. O site, de forma rápida e intuitiva, permite ao utilizador navegar por quadrantes de informação que abrangem temas como Angola e Embaixada, Negócios e Investimentos, Cultura e Média, Turismo e Educação e Ciência. Se, por ventura, estiver interessado em saber quem faz parte do elenco da Embaixada, e que funções desempenha,
18 JANEIro.FEVErEIro.2011

A

bastará para tal aceder ao ‘botão’ Embaixada, mas se se encontra mais voltado para o mundo dos negócios, então clique no link respectivo e leia uma breve apresentação das potecialidades de Angola, que é apresentada como «um território dos mais ricos do continente africano, com petróleo, diamantes, minerais estratégicos, madeiras, peixe, terras férteis para culturas de climas temperados e tropicais, recursos hídricos». Por outro lado, e na rubrica sobre ‘Como Investir’, uma especial atenção deverá ser conferida à informação sobre os elementos básicos contidos na Lei do Investimento Estrangeiro, focando igualmente os direitos, garantias e obrigações bem como o Regime fiscal, o recurso ao crédito e contas bancárias. Contudo, o website da Embaixada de Angola em Moçambique vai mais além. Em matéria de Cultura, Média e Turismo, o mesmo oferece uma série de dicas preciosas para quem pensar conhecer o país de uma forma mais relaxada e para quem pode precisar, a plataforma digi-

«Na rubrica sobre ‘Como Investir’, uma especial atenção deverá ser conferida à informação sobre os elementos básicos contidos na Lei do Investimento Estrangeiro, focando igualmente os direitos, garantias e obrigações bem como o Regime fiscal, o recurso ao crédito...»

tal proporciona também dados sobre o sector da Educação e Ciência. Com um grafismo vivo e sugestivo, o website procura proporcionar aos seus utilizadores uma informação actualizada sobre Angola, a Cooperação encetada com Moçambique e os serviços disponibilizados pela Embaixada.

5 de Fevereiro de 2010 marcou indelevelmente a memória dos angolanos, um marco de referência obrigatória e de reflexão sobre a capacidade de empreendedorismo daqueles que com espírito de sacrifício e mestria elaboraram a primeira Constituição da República, de matriz essencialmente angolana. Faz um ano de vigência da Constituição da República, um documento, que mais do que suprir uma exigência do ponto de vista legislativo, veio realçar o orgulho dos angolanos em escolherem o seu próprio destino. Ao debate público, foram submetidos

O

Angola/Moçambique

Garcia Bires espera pelo fortalecimento da cooperação
embaixador de Angola em Moçambique, João Garcia Bires, antevê para os próximos tempos o fortalecimento da cooperação entre os dois países, como sequência do que tem sido feito neste sentido, obedecendo às orientações dos presidentes José Eduardo dos Santos e Armando Guebuza. João Garcia Bires adiantou que o provável evoluir das relações bilaterais serão o reflexo do que já foi feito. “Estamos bem em matéria de cooperação e creio que num futuro próximo podemos alargar a área de cooperação em outras técnicas”. Para si, áreas como transportes e telecomunicações, agricultura, pecuária e investigação científica, em que Moçambique está mais avançado que Angola, com muita literatura traduzida em português, poderão ser as prioritárias. Recordou as áreas em que já se coopera de facto, tais como petróleos, onde Angola tem mais tem experiência, administração de Estado, área onde Moçambique possui mais traquejo, e educação. Neste sentido, disse que embora não haja protocolos entre as universidades Agostinho Neto e Eduardo Mondlane, há parcerias entre as duas instituições no domínio do direito. Num futuro próximo, espera que se reate uma cooperação entre as faculdades de Ciências Agrárias de Angola e a Faculdade de Agronomia da Universidade Eduardo Mondlane. A esse propósito, adiantou que se encontram em estágio em Moçambique seis estudantes da Faculdade de Economia de Angola e a nível da saúde tem havido intercâmbio em cuidados materno-infantis. Revelou igualmente existir uma intenção de moçambicanos irem para Angola de modo a que possam trabalhar no ramo da cardiologia com os seus

cooperação

O

diPloMACiA

Classe política moçambicana aplaude empenho de Angola na crise da Guiné-Bissau
embaixador de Angola em Moçambique, João Garcia Bires, afirmou que a classe política moçambicana e o corpo diplomático naquele país vê com agrado o empenho de Angola para a resolução da situação na Guiné-Bissau. A propósito, o embaixador adiantou que dos contactos que tem mantido com os dirigentes dos partidos políticos, como também a nível do governo, a opinião é de agrado. Para o embaixador, este posicionamento tem a ver com o dinamismo de Angola ao se empenhar em ajudar, isto é, fá-lo com todo o cuidado e respeito. “Esta vontade de Angola tem sido apreciada dentro da comunidade moçambicana e por outros embaixadores com quem troco informações sobre a situação de África em geral”, adiantou o
20 JANEIro.FEVErEIro.2011

O

diplomata. O embaixador angolano explicou que a actuação de Angola na GuinéBissau decorre do facto de estar a presidir a CPLP, que, por sua vez, se propõe como uma das metas a atingir pacificar aquele país em “conjunto com os irmãos guineenses”. Elogiou as qualidades do Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, como presidente da CPLP, para a resolução do problema da Guiné-Bissau. O Presidente José Eduardo Santos não poupa esforços para que, a nível dos PALOP, CPLP e outros organismos próximos da Guiné-Bissau, se encontre uma solução viável para se resolver o problema. Na sua opinião, o empenho de Angola resulta também da proximidade histórica entre os dois países, pois o

dirigente máximo da Guiné-Bissau, na altura, o engenheiro Amílcar Cabral foi um dos antigos militantes em Angola nos anos 50, facto que nas suas palavras: “Animou o nacionalismo no nosso país, e um dos expoentes na configuração daquilo que mais tarde se viria a chamar MPLA”. “Esta ligação que vem dos anos 50, ou mesmo antes, faz com que tenhamos uma atenção (reacção) especial com a GuinéBissau, mesmo com São Tomé”, justificou João Garcia Bires, para quem todos estes factores fizeram o Presidente José Eduardo dos Santos colocar à frente da missão diplomática de Angola naquele país o embaixador Brito Sozinho, um antigo combatente que conhece muito bem os combatentes daquele país.

colegas. No direito, a parceria é recente e há necessidade de se encontrar algumas áreas com denominador comum: “Estamos numa África onde existe uma tendência, a nível do direito, continental e outra saxónica. Nós procuramos tirar proveito com países que têm o direito, basicamente, continental europeu, para ver o que é que de comum existe entre nós e como podermos implementar”. A seu ver, Moçambique melhorou alguns aspectos processuais. “Nós estamos a trabalhar neste sentido. Estamos a colher experiência noutras áreas do direito onde Moçambique já tem uma certa prática devido ao longo período de paz que o país vive. É neste âmbito que procuramos escolher alguma experiência moçambicana”. Das actividades realizadas em 2010, destacou as deslocações a Moçambique do presidente da Assembleia Nacional, Paulo Cassoma, onde se reuniu com o seu homólogo moçambicano, e da ministra do Planeamento de Angola, Ana Dias Lourenco, que chefiou a comissão mista que trabalhou com o ministro das finanças moçambicano. Reportou a estada em Moçambique dos ministros dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Kundi Paihama, e da Defesa Nacional, Cândido Van-Dúnem, para quem simboliza a existência de uma cooperação permanente. Ao analisar o progresso nas relações, disse ser positivo e que isto se deve à paz nos dois países e às orientações “dos nossos dois chefes de Estado, o que nós temos procurado executar”. “Portanto, hoje já se assiste a uma gama de áreas em que os nossos dois países podem cooperar e há avanços significativos”, sublinhou o diplomata João Garcia Bires, que é o decano dos embaixadores em serviço em Moçambique.

cooperação
«A seu ver, Moçambique melhorou alguns aspectos processuais. “Nós estamos a trabalhar neste sentido. Estamos a colher experiência noutras áreas do direito onde Moçambique já tem uma certa prática devido ao longo período de paz que o país vive. É neste âmbito que procuramos escolher alguma experiência moçambicana”».
JANEIro.FEVErEIro.2011 21

independência

Momentos da Festa da Independência em Maputo
esmael da Purificação (texto)

celebração dos 35 Anos da Independência de Angola em Moçambique registou dois grandes momentos: Um jantar de Gala oferecido pela Embaixada angolana neste país à comunidade residente, diplomatas, amigos moçambicanos e outras pessoas, assim como à inauguração de dois empreendimentos de um empresário angolano. No intróito do jantar, enquanto o embaixador João Garcia Bires e sua

A

esposa recebiam os convidados, como manda a etiqueta, um documentário sobre os grandes momentos de Angola era passado em tela gigante. A proclamação da Independência, poderio das forças de segurança, reconstrução do país, desenvolvimento económico, extracção petrolífera, em suma, todos os aspectos que desenvolvem Angola foram apresentados, o que fez o político Marcelino dos Santos reportar-se a eles para formular parte do

juízo do seu discurso de agradecimento ao tributo prestado a si pela Fundação António Agostinho Neto. Pelo meio, foram ouvidos os hinos dos dois países. Após este momento, seguiu-se a homenagem a três grandes nomes da história moçambicana e dos PALOP, Eduardo Mondlane, primeiro presidente da Frelimo, morto por uma carta bomba das forças dos serviços de inteligência colonial, em Dar Es Salam, Tanzânia; Samora Machel, primeiro Presidente

da República de Moçambique, falecido num acidente aéreo, e Marcelino dos Santos, ainda vivo e a transmitir boa saúde. A homenagem destas três grandes figuras do nacionalismo moçambicano e da política africana de liberdade teve a ver com o facto de sempre estarem ao lado do povo angolano e do patrono da Fundação Agostinho Neto, do qual foram contemporâneos. Para receber o certificado e outras lembranças, estiveram no local a viúva de Eduardo Mondlane, Janet Mondlane, e Samora Machel Júnior, filho do presidente Samora Machel. Com música de fundo angolana, os convivas foram degustando comida de Angola confeccionada por um Chef que se deslocou a propósito a Maputo, onde apresentou mais de 15 iguarias. Macunde, feijão manteiga, carne seca com quiteta (provide), quiabos, peito alto, cabeça de garoupa seca e ovos cozidos com molho de escabeche, cabidela, kizaka, catato, moambas, funge de bombó e de milho, e outros pratos que não vêem à memória. Os moçambicanos estavam ansiosos em provar os pratos angolanos, sobretudo a kizaka e o funge (matapa e xima, respectivamente, na língua local) e depois de o fazer não se sentiram defraudados. As Linhas Aéreas de Moçambique e a Embaixada aproveitaram o momento para incentivar a deslocação a Angola, realizando um sorteio que contemplou quatro viagens a Luanda, curiosamente ganhos só por mulheres.

A música de fundo foi substituída pelo canto do Duo Canhoto que foram uns heróis. Sem parar, em perto de duas horas, executaram temas do seu repertório e do alheio. O momento maior da sua intervenção foi quando dedilhavam uma composição cubana e duas individualidades do corpo diplomático de Cuba não se contiveram e pegaram os microfones (e o Sebem ainda diz que microfone não é para todos, anda enganado) e cantaram, cantaram… a tal ponto de a sala tímida começar a agitar-se: primeiro cubano com cubana, depois ninguém sabia mais quem eram os dançantes. Muito aplaudidos, os diplomatas “cantores” finalizaram a sua actuação improvisada e deram lugar ao dj contratado. Até ser obrigado a parar perto da uma e pouco da manhã locais (meianoite e pouco em Angola) por ser já madrugada de sexta-feira, o rapaz tocou exclusivamente música angolana. Os convidados corresponderam. Outro momento da celebração da Independência de Angola em Maputo registou-se no período da tarde do dia 11. O empresário angolano Francisco Dias dos Santos, “Kito”, convidou o embaixador João Garcia Bires a inaugurar o seu Guest House de oito suites, restaurantes e outros serviços de lazer, assim como uma agência de viagens e um Rent-a-Car. Ao todo, estas duas estruturas absorvem uma força de trabalho de 18 funcionários, todos moçambicanos, aliás, trata-se de um dos propósitos confessos do empresário, alegando ser uma das

«A proclamação da Independência, poderio das forças de segurança, reconstrução do país, desenvolvimento económico, extracção petrolífera, em suma, todos os aspectos que desenvolvem Angola foram apresentados, o que fez o político Marcelino dos Santos reportar-se a eles para formular parte do juízo do seu discurso de agradecimento ao tributo prestado a si pela Fundação António Agostinho Neto. Pelo meio foram ouvidos os hinos dos dois países.»

independência

maneiras de ajudar os moçambicanos a acabar com o desemprego e a fome, recrutando a força de trabalho local. No prosseguimento das inaugurações, o embaixador solicitou ao empresário que desperte outros seus compatriotas a investir em Moçambique, por ser um país de oportunidades para homens com espírito empreendedor. O empresário que se gabou de ter a maior empresa no domínio alimentar em Angola, com uns 10 mil funcionários, garantiu que este é só o começo de um longo caminho que se propôs percorrer no ramo empresarial em Moçambique. Os dois momentos não foram apoteóticos, mas serviram para deixar marcas em Moçambique, de tal sorte que o 11 de Novembro seja lembrado nestas paragens sem muito esforço mental. Daqui em diante, creio, mais moçambicanos vão-se interessar pela história comum. A Fundação António Agostinho Neto começou a obra, a Embaixada incentivou e o empresário Kito lá vai com os primeiros passos para os milhares de passos da longa estrada por percorrer rumo ao desenvolvimento.
JANEIro.FEVErEIro.2011 23

22

JANEIro.FEVErEIro.2011

comunidade opinião

carência surpreende Kito dos Santos, em Luanda, durante os duros anos do pós–Independência do país, numa época em que o mesmo era ainda muito jovem. Mas o espírito pró-activo levou-o a lançar-se no mundo empresarial, e a explorar a área de alojamento. O facto verificou-se em 1995, na cidade de Luanda e com apenas quatro trabalhadores. Estes, inspirados no espírito de trabalho abnegado do seu líder contribuíram então para que os negócios florescessem, o que resultou na necessidade de contratar mais 10.650 funcionários, só a nível de Angola. A rápida evolução dos negócios de Kito trouxe uma nova autoconfiança ao empresário e o solo pátrio já se assumia pequeno face à envergadura dos seus projectos. Uma situação que naturalmente o levou a explorar novas fronteiras e a procurar novos mercados. E foi esta ‘invasão’ de fronteiras que o trouxe a terras de Moçambique, onde já explora um empreendimento de Rent-a-Car e uma Guest House, onde emprega actualmente mais de 30 trabalhadores. A irmandade entre Moçambique e Angola

Kito: o “mwangolé” dos negócios sem fronteiras
«Kito segue o mesmo inconformismo e as ilhas Maurícias serão o próximo destino dos seus investimentos. O empresário conta explorar o sector do turismo na mesma perspectiva dos empreendimentos encetados em Moçambique.»
24 JANEIro.FEVErEIro.2011

O empreendedor afirma que, tanto em Moçambique como em Angola, se sente no berço materno. A forte ligação histórica entre Moçambique e Angola deixa alguns traços indisfarçáveis na forma como Kito dos Santos empreende. O facto de ter empreendimentos turísticos na África do Sul com um staff inteiramente dominado por moçambicanos (14) e angolanos (cinco) denuncia a influência da irmandade entre os

dois países, sabiamente aproveitada pelo empresário. Aliás, foram os próprios moçambicanos que labutam na KDD Empreendimentos, na África do Sul, que influenciaram o coração grande do empresário para que este investisse em Moçambique e deste modo possibilitasse emprego aos seus familiares. Na ala familiar, quase todos apanham um “susto” quando Kito dos Santos afirma ter 26 filhos. Muito poucas vezes, o empreendedor aprofunda a questão e especifica que do referido número de filhos, 16 são adoptivos. A infância difícil pela qual o empresário passou levou a que decidisse adoptar meninos carenciados, na sua maioria resgatados na rua. Com a referida decisão, Kito dos Santos sente que retribui à mão divina, a avaliar o actual sucesso dos seus negócios. O empresário não deixa de esboçar um sorriso franco ao recordar que o actual crescimento dos seus negócios é propiciado pela paz que se vive tanto em Moçambique como em Angola. O mesmo não consegue descrever a emoção que o facto proporciona ao seu espírito dominado pela cultura de perdão. “O clima de paz que se vive em Moçambique e Angola, dois países irmãos, constitui uma riqueza enorme, o que ajuda a esquecer facilmente todo o passado dos conflitos”, descreve. O empresário descreve de forma animada a actual Angola: Um país com níveis de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) a rondar os 8.3 por cento, uma cifra elevada no actual cenário da crise financeira. Por outro lado, Kito emociona-se ao observar o semblante alegre das gentes locais, e espanta-se

com o crescimento a uma velocidade invejável das infraestruturas. Aliás, o ambiente em Angola torna-se um espaço insuficiente para a ambição do empresariado local, cujo mérito do seu empreendedorismo em Portugal é, cada vez mais, reconhecido. Kito segue o mesmo inconformismo e as ilhas Maurícias serão o próximo destino dos seus investimentos. O empresário conta explorar o sector do turismo na mesma perspectiva dos empreendimentos encetados em Moçambique. O desafio constitui, assim, um complemento de idênticos projectos já implementados em Portugal, na Bélgica e na África do Sul.

comunidade

empresário Kito Dias dos Santos estabeleceu-se no mercado moçambicano através da sua empresa KDD Investimentos e abriu desta forma um novo espaço, no actual cenário de exportação de capitais angolanos, os quais em Portugal já ultrapassam a fasquia dos dois mil milhões de euros. O investimento do empresário (que prefere não falar dos capitais envolvidos) compreende os serviços da Guest House, composta por 10 quartos na primeira fase, e espera que o empreendimento venha a conhecer um aumento considerável em termos de alojamento, caso o

O

mercado assim o exija. Para completar o serviço, o empresário investiu ainda numa Agência de Viagens e em serviços de Rent-a-Car, os quais compreendem mais de 29 automóveis ao serviço dos clientes, e na sua maioria destinados à classe executiva. Os menos atentos colocam sempre de lado a possibilidade do empresário ter passado por necessidades, ao longo da sua vida. Mas este empreendedor de mão-cheia afirma conhecer muito bem a experiência de sentir a falta do básico para a sobrevivência e não sente vergonha em partilhar esse facto com ninguém. A dura realidade de viver na

«O investimento do empresário (que prefere não falar dos capitais envolvidos) compreende os serviços da Guest House, composta por 10 quartos na primeira fase, e espera que o empreendimento venha a conhecer um aumento considerável em termos de alojamento, caso o mercado assim o exija. Para completar o serviço, o empresário investiu ainda numa Agência de Viagens e em serviços de Rent-a-Car, os quais compreendem mais de 29 automóveis ao serviço dos clientes, e na sua maioria destinados à classe executiva.»
JANEIro.FEVErEIro.2011 25

“Os angolanos estão a perder os bons costumes”
Angola”, conta-nos na sua sala de trabalho na Sal & Caldeira. Mas as coisas começaram a correr para o melhor quando, através de um familiar que residia em Angola e que trabalhava na Mabor, conseguiu o contacto dos gestores da Mabor Moçambique, a conhecida fábrica de pneus que, tal como no nosso país, está hoje parada e votada ao abandono. Depois de submetida a testes de admissão, foi admitida na empresa como auxiliar administrativa. “O director dos Recursos Humanos não ficou muito satisfeito com a minha admissão, por não ser moçambicana, e só entrei por interferência dos administradores”. Em Março de 1982 começa a trabalhar na Mabor. “Fui para a secretariageral carimbar cartas e enviar telexes, mas depois passei a secretária do auditor da empresa. Seguiu-se uma transferência para o secretariado do Conselho de Administração e acabei por ficar lá 23 anos, até ao fecho da empresa.” Em 1996 teve um momento alto na sua carreira profissional: foi eleita a melhor secretária de Moçambique. Aliás, Rosa Dias é membro da Associação das Secretárias de Moçambique. Tantos anos longe da pátria, como é que mata a saudade, perguntámos a esta angolana. “Tenho tido contactos com a comunidade residente, que não é numerosa. Sou a presidente da mesa da Assembleia Geral da Casa de Angola em Moçambique”, respondeu-nos Rosa Dias. E como é que vê Angola 29 anos depois de sair da mãe-pátria? A resposta de “Rosita”, como também é tratada: “Depois de 29 anos em Moçambique, este país é parte da minha vida. Mas fico feliz com os sucessos de Angola, quer sejam na economia como no desporto. Mas também fico triste quando se fala em alta corrupção.” E acrescenta: “Sinto que se está a perder a moral e os bons costumes, uma coisa que os angolanos tanto preservavam. Quando vejo a TPA noto que estamos a ser colonizados culturalmente pelo Brasil. Estamos a copiar muita coisa dos brasileiros e nem sempre as melhores.” Rosa Dias afirma que não está de fora a possibilidade de um dia regressar a Angola, país que sempre lhe dá muita saudade, sobretudo da família e dos amigos. Por isso, não quis terminar a conversa sem lembrar a mãe, a Dona Albertina, os irmãos – um deles é o comandante Atanásio Dias, da TAAG – e a sua irmã afectiva, Titina de Carvalho.
In Mutamba, caderno do Novo Jornal

figura

figura

PeRFil

Uma paixão resultante de amor à primeira vista levou-a a trocar Angola por Moçambique, já lá vão 29 anos. Rosa Dias vive hoje em Maputo, onde trabalha como gestora administrativa do conceituado escritório de advogados e consultores Sal & Caldeira. Há 13 anos, foi eleita a melhor secretária de Moçambique.
udo começou no último dia do ano de 1975, o tal que é especial para os angolanos. Há 34 anos, numa noite de fim de ano, Rosa Dias conheceu um cidadão moçambicano, de seu nome José Muianga. Este tinha acabado de vencer a primeira São Silvestre do pós-independência, a tradicional corrida que Luanda acolhe anualmente no dia 31 de Dezembro.
26 JANEIro.FEVErEIro.2011

T

A partir daquele momento, esta secretária que já foi eleita uma vez a melhor na sua função em Moçambique, iniciaria um romance com José Muianga que viria a ser consolidado cinco anos depois com o enlace matrimonial. Mas antes ainda trabalhou no antigo Centro do Livro Brasileiro, uma das melhores livrarias que Angola já teve e que funcionava no mesmo edifício onde hoje a TAAG tem a sua sede. Lá, Rosa Dias funcionou na área adminis-

trativa, mais concretamente na gestão do armazém e nos contactos com os editores portugueses e brasileiros. Mas o amor viria a mudar completamente a sua vida. Conhecia Moçambique apenas dos livros escolares. Mudada para Maputo, o casamento mudar-lhe-ia também os hábitos. “Tive problemas de adaptação devido à mudança de costumes alimentares e culturais. Foi difícil arranjar emprego e cheguei mesmo a pensar em regressar a

“Fui para a secretariageral carimbar cartas e enviar telexes, mas depois passei a secretária do auditor da empresa. Seguiuse uma transferência para o secretariado do Conselho de Administração e acabei por ficar lá 23 anos, até ao fecho da empresa.” Em 1996 teve um momento alto na sua carreira profissional: foi eleita a melhor secretária de Moçambique. Aliás, Rosa Dias é membro da Associação das Secretárias de Moçambique.

ROSA DIAS Secretária
Rosa Félix Dias é casada, mãe de dois filhos, um arqueólogo e outro a estudar medicina. Tem como hobbies a música, a leitura e o cinema. Adora os pratos típicos angolanos, sobretudo o feijão de óleo de palma para um bom mufete. Antes mandava vir a fuba de Angola, para o funje de sábado, mas agora já compra este artigo em Maputo. Mas se a vida tem bons momentos, também há aqueles menos felizes. Diz-nos esta angolana que a sua maior dor aconteceu em 2001, quando perdeu uma filha, nascida em Angola, já formada em Veterinária. A.F.

JANEIro.FEVErEIro.2011

27

ASSOMEL “esculpe” empresária angolana
erca de 35 mulheres angolanas que pretendem lançar-se na área empresarial beneficiaram de formação nas áreas de culinária, decoração para eventos, artesanato e costura. O programa é levado a cabo pela Associação da Mulher Empresária de Luanda (ASSOMEL) e pelo Centro de Formação (CENFOR) e visa lançar a mulher angolana no panorama empresarial local, dando particular destaque para a mulher carenciada. As futuras empresárias poderão beneficiar de empréstimos de até 20 mil dólares americanos no final do curso de modo a investirem nos seus projectos, segundo assegurou Meuri Silva, empresária na área de culinária e coordenadora da ASSOMEL. O montante é disponibilizado pelo banco Sol de Angola, um dos parceiros do projecto de formação que conta ainda com contribuições provenientes dos empreendimentos das empresárias já firmadas no mercado angolano. O projecto lançado em Junho de 2010 decorre na capital angolana (Luanda) e após lançar ao mercado as primeiras 35 aspirantes à área empresarial perspectiva trazer mais formações no sector de empreendedorismo no presente ano. A questão cultural constitui o principal calcanhar de Aquiles para o projecto, na medida em que a mulher lhe é barrada a possibilidade de trilhar pela educação, trabalho ou mesmo na área empresarial. O fenómeno ainda persiste por parte de muitos extractos sociais africanos que reduzem o papel da mulher para a tarefa de apenas cuidar da casa e filhos. Sobre o referido aspecto, Meuri Silva afirma que a ASSOMEL vem desenvolvendo um trabalho de sensibilização comunitária de modo a mostrar o impacto sócio económico de uma sociedade na qual a mulher tem possibilidade de gerar renda familiar. Nos últimos tempos, o empresariado feminino angolano vem ganhando um considerável espaço no mercado local.

C

Governo angolano prevê crescimento da economia em 7%
Governo angolano, afirmou, continuará a canalizar recursos para o relançamento da agricultura e fomento da agro-indústria e da indústria transformadora. O ministro angolano da Economia, Abraão Gourgel, anunciou, na província da Huíla, que a previsão da aceleração do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) será de sete por cento para 2011 e 15 por cento para 2012, com maior recuperação dos demais sectores produtivos. Ao discursar na abertura do Primeiro Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Geologia e Minas e Indústria, o governante apontou como premissas para o alcance desta meta a diversificação da economia por meio de uma estratégia virada para o mercado interno, executada na perspectiva de substituição de importações. Em seu entender, a estratégia de diversificação virada para o mercado interno é executada através de uma política racional de substituição de importações, tendo em conta a elevada dependência das importações no consumo final, no intermediário e nos investimentos. De acordo com o ministro, a via das
28 JANEIro.FEVErEIro.2011

O

exportações, além de produzir as divisas necessárias para as importações de bens e serviços e para o lançamento da produção interna, cria rendimentos e empregos à economia nacional, enquanto se estabelece políticas de fortalecimento empresarial através do seu fomento e valorização da mão-de-obra nacional. O Governo angolano, afirmou, continuará a canalizar recursos para o relançamento da agricultura e fomento da agro-indústria e da indústria transformadora, no intuito de potenciar e consolidar o processo de diversificação da economia nacional. O executivo pretende também dignificar o sector da agricultura, onde se emprega 60 porcento da população angolana, como fonte de rendimento para as famílias de baixa renda, e cuja contribuição para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional é apenas de oito porcento, considerados ainda insuficientes. No domínio da agro-indústria, avançou, existem vários projectos como o Agro-Industrial de Kibala, os já iniciados programas de construção e reablitação de perímetro irrigados com grandes investimentos, cujo objectivo é elevar os níveis de produção agrícola, pecuária e florestal. Em seu entender, estes projectos

deverão facilitar a implementação da estratégia de substituição das importações, promoção de exportações, criação de oportunidades para o surgimento de novas indústrias fornecedores de equipamentos, materiais e utensílios agrícolas, bem como industriais. No corrente ano, referiu, o cronograma do Governo prevê a promoção industrial e apoio a pequenas e médias empresas industriais, com actualização de seus cadastros, arrolamento de empresas competitivas passíveis de recuperação e a maximização e alargamento de infra-estruturas de apoio industrial O arranque do Programa Nacional Alargado de Prospecção Mineira, com desenvolvimento da cartografia geológica nacional na óptica da diversificação, para tornar possível o inventário e o cadastro do potencial de recursos minerais, conhecer as reservas reais do país e o seu valor económico, foram também apontados. O Executivo perspectiva também a criação de novas oportunidades para a indústria extractiva e o fortalecimento de cadeias de suporte para a indústria transformadora, através do fortalecimento da cadeia de valores, bem como considerar a possibilidade de exploração de minerais satélites do diamante.

Meuri Silva confessa que para o seu caso concreto inspira-se na empresária Isabel dos Santos que actualmente já soma acções no BCP, na Sonagol, Zon Multimédia e outras empresas. Esta considera a área de culinária e catering (a que explora) como bastante competitiva num mercado que cresce a olhos vistos mas que ainda é relativamente limitado considerando as ambições comuns da classe empresarial. As referidas ambições compreendem uma maior lucratividade impulsionada pelo crescente número de eventos que representam potenciais consumidores dos serviços de catering. Actualmente, o mercado angolano de negócios respira um orgulho resultante de uma relativa abertura da banca para atender um empresariado que cresce explorando todos os sectores económicos. Para o caso específico do empresariado feminino, os serviços bancários disponibilizam uma atenção especial, o que encoraja uma crescente aproximação aos referidos serviços por parte das empreendedoras. Segundo uma pesquisa do Banco Mundial (BM), 54 por cento das mulheres empresárias angolanas manifestam interesse em solicitar empréstimo junto ao sector bancário com a finalidade de aplicar em projectos de investimento micro -financeiro. Para o caso das empresárias que pretendem fazer uma compra de equipamento, as cifras são calculadas em 22 por cento.

economia

«A questão cultural constitui o principal calcanhar de Aquiles para o projecto, na medida em que a mulher lhe é barrada a possibilidade de trilhar pela educação, trabalho ou mesmo na área empresarial.»

mercado

O apoio da ASSOMEL nos negócios das empresárias representa um peso de 32 por cento na área de formação enquanto no aconselhamento faz se sentir em 22 por cento. Na área de Marketing (Criação de Website e Brochuras) os esforços da ASSOMEL representam 4 por cento na visão das empresárias que participaram da pesquisa do BM. Nas áreas de Assistência Técnica e apoio no acesso ao micro – crédito, o esforço da entidade faz-se sentir menos, cifrando-se em 10 e 3 por cento respectivamente.

Finalidade do empréstimo a ser solicitado pelas empresárias
Área Projectos de investimento Compra de mercadoria Formação Fundo de Maneio Compra de equipamento Compra de matéria-prima Outras finalidades Percentagem 54 6 1 10 22 4 3

JANEIro.FEVErEIro.2011

29

Futebol Clube de Luanda procura sócios
O Futebol Clube de Luanda, agremiação desportiva e instituição de utilidade pública, a quem tanta gente e em especial os Maisvelhos “Andrades” tanto deram de si, está numa situação económicofinanceira muito difícil, colocando em causa a sua continuação. Este clube que em tempos foi o maior de Angola, actualmente apenas disputa o Campeonato de Futebol Provincial de Luanda nas categorias Iniciados e Juvenis. Lutando com tremendas dificuldades para conseguir a sua inscrição na próxima temporada que se inicia em Março de 2011. Para ultrapassar esta situação, está em curso uma campanha de angariação de novos sócios cujo objectivo será conseguir reunir pelo menos 250 novos sócios, no primeiro trimestre de 2011. Assim agradeço que façam circular esta mensagem pelos V/ relacionamentos apelando à sua inscrição como sócios deste clube cuja Ficha de Inscrição anexamos e poderá ser impressa, preenchida e depois devolvida. A quota mensal é de AKZ 1.000,00; USD10,50; Eur 8,00. Neste primeiro ano pede-se, um esforço adicional aos novos sócios, para que o pagamento seja anual afim de fazer face às desesperantes necessidades financeiras. Ou seja o pagamento a efectuar seria de AKZ 12.000,00; USD 126,00; Eur 96,00; propondo-se que preferencialmente seja realizado por transferência bancária para a conta Conta nº: 30383898/32/001 junto do Banco BIC em Luanda-Angola. Aproveitamos para desejar que 2011 traga muita Prosperidade e Sucessos, pessoais e profissionais aos leitores da Kandando.
Miguel Andrade, Sócio do FCL

cultura

Cabo Snoop traz “Windeck” para Moçambique
discoteca Coconuts Live foi o local escolhido pelo artista angolano Cabo Snoop para o primeiro concerto em Moçambique Esta é a primeira vez que o artista angolano actua na capital moçambicana. Num espectáculo que teve lotação esgotada, o músico partilhou o palco com alguns artistas convidados, como foi o caso de Miss Zave, Ziqo, VJ, Ace Nails que se juntaram à festa do “rei do Windeck” na discoteca Coconuts Live. Cabo Snoop, disse “sentir-se feliz por estar em Moçambique e de poder desta forma criar intercâmbio” com músicos moçambicanos. Tímido mas muito atento, Cabo

A

Snoop revelou alguns projectos para 2011 e contou também como se sente com toda a fama que está a viver depois que se juntou aos Power House. O músico angolano, vencedor do prémio de melhor artista africano de língua portuguesa do canal televisivo sul-africano MTV Base, em 2010, vai ainda em 2011 promover uma edição especial do disco “Bluetooth” para satisfazer a procura da obra no mercado Os prémios MTV Base tiveram lugar em Lagos, Nigéria, no passado dia 11 de Novembro e Cabo Snoop foi quem fez a abertura do evento. Além de ter ganho o MTV Base, na categoria de expressão portuguesa, o artista concorreu ainda em mais três categorias.

30

JANEIro.FEVErEIro.2011

JANEIro.FEVErEIro.2011

31

32

JANEIro.FEVErEIro.2011