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Boletim Bimestral da emBaixada de angola em moçamBique - n.

º4 - 2011

Embaixador de Angola despede-se do Presidente
XAdrEz Em AngolA não é AmAdor EmPrEsáriA AngolAnA trAz “muilA” PArA moçAmbiquE

ficha técnica

PROPRIEDADE E EDIÇÃO Embaixada de Angola em moçambique Av. Kenneth Kaunda, 783 maputo - moçambique DIRECÇÃO Embaixador garcia bires ADIDO DE IMPRENSA Eduardo sousa DIRECÇÃO EDITORIAL Helga nunes COLABORAÇÃO Elias matsinhe Eurico Vasques lecticia munguambe nina temba teresa Pereira tholedo mundau sara grosso FOTOGRAFIAS Amândio Vilanculos luís muianga quintiliano dos santos AngoP Embaixada de Angola em moçambique gettyimages google.com DESIGN GRÁFICO rui batista PAGINAÇÃO benjamim mapande PUBLICIDADE PubliCAr rua da sé, Hotel rovuma, 3º andar maputo - moçambique IMPRESSÃO brinrodd Press TIRAGEM 5.000 ex.

TAAG e Lufthansa criam empresa de catering em Angola

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Mercado residencial e seus preços

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Chefe de Estado coloca primeira pedra na construção do perímetro do Futungo

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OBSERVATÓRIO DO TURISMO vai estimular a competitividade

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Duas agências de notação sobem “rating” de Angola

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Indústria em Angola e Moçambique cresce rápido mas cria pouco valor
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Garcia Bires despede-se do presidente moçambicano

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II MOSTRA DE JOVENS CRIADORES DA CPLP Estilistas e modelos moçambicanos fazem furor
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sumário

sumário

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EMBAIXADA DA REPÚBLICA DE ANGOLA NA REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE AVENIDA KENNETH KAUNDA, 783, MAPUTO TEL: (+258) 21 493139 / 21 493691 . FAX: (+258) 21 493930 / (+258) 21 493928 email: embangola.maputo@tvcabo.co.mz site: embaixadadeangolaemmoz.com

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Garcia Bires

Cimeira dos Chefes de Estados e de Governo da África Austral, a segunda que a República de Angola albergou, abriu as suas portas na cidade de Luanda num dos novos bairros da capital angolana.

nota de abertura

No trigésimo primeiro aniversário da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, SADC, a organização para além de avaliar e ajustar os programas em curso, abordou os novos desafios que se avistam para consolidar as bases de integração regional. O tema da Cimeira, “Desenvolver as infra-estruturas para facilitar as trocas comerciais e a liberalização da economia” demonstrou quanto é urgente que sejam concebidas políticas que de facto facilitem o desejado desenvolvimento tendo igualmente em consideração o estágio de cada país e o seu programa interno de desenvolvimento nacional. Por outro lado, ficou demonstrado que os financiamentos externos nem sempre são feitos de acordo com as necessidades e os programas da região. O Projecto Westoor, transporte de energia de 3.500 mega watts da barragem hidroeléctrica do Iringa que a partir da República Democrática do Congo iria até à África do Sul, passando por Angola, Namíbia e Botswana, não encontrou acolhimento desejado mas o sonho de mais de duzentos milhões de habitantes não morreu. Um outro sob a designação de Grande Iringa está sendo gizado com capacidade de não somente cobrir a África Austral mas também outras sub-regiões e comunidades económicas regionais. Para a sua realização valerá o bom senso e a visão para o futuro. A região se ressente e se ressentirá dos efeitos maliciosos da globalização e dos constrangimentos em consequência da crise económica e financeira cada vez maior e quase incontornável, que assola e assolará o mundo. Mas também é verdade que a região é depositária de inúmeras reservas de minérios preciosos, de outras riquezas no solo e subsolo que, uma vez utilizados de forma coerente e em beneficio de todos, os financiamentos externos servirão para completar as capacidades económicas e financeiras da região para num futuro não muito distante ela tenha de facto a capacidade de pôr em prática, sem constrangimentos, os seus programas de desenvolvimento, auto-alimentar-se, produzir os equipamentos técnicos, participar na investigação científica, e na produção de medicamentos para a sua população.

«A região se ressente e se ressentirá dos efeitos maliciosos da globalização e dos constrangimentos em consequência da crise económica e financeira cada vez maior e quase incontornável, que assola e assolará o mundo.»

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COMUNICAÇÃO

TECNOLOGIAS

COOPERAÇÃO

SEGURANÇA

brasil aprova cooperação turística com Angola
A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou hoje um projecto de cooperação, assinado em 2009 entre o governo brasileiro e o angolano, no sentido de incentivar o aumento no fluxo de turistas entre os dois países. O texto ainda precisa da aprovação do senado, que é a câmara alta do parlamento brasileiro, para entrar em vigor. A cooperação foi assinada em Abril de 2009 e entre os seus objectivos está o de promover o conhecimento da herança histórica e cultural dos dois países. O acordo estabelece a realização de projectos turísticos entre Angola e Brasil, como feiras e festivais, a facilitação dos procedimentos de entrada de turistas, a cooperação na formação de quadros especializados, a troca de informações e a promoção do investimento entre sectores empresariais. Além do acordo com Angola, os deputados brasileiros ratificaram outros seis projectos de cooperação internacional, o principal dos quais com o Japão, que garante o acesso de trabalhadores de ambos os países aos sistemas de segurança social. Também foram aprovadas parcerias com a Grécia, Suíça, França, Ucrânia e Índia.

TAAG e Lufthansa criam empresa de catering em Angola
empresa de catering que vai ser criada em Angola pelas companhias aéreas TAAG e Lufthansa vai garantir 300 postos de trabalho e terá capacidade para confeccionar 5.000 refeições diárias. Os dados sobre a nova empresa foram avançados na cerimónia de lançamento da primeira pedra do projecto pela chanceler alemã, Angela Merkel, no final da visita de menos de 24 horas a Angola. Antes de deixar Angola, com destino à Nigéria, Angela Merkel fez o lançamento da primeira pedra para a construção da empresa "LSG Sky Chefs TAAG Angola", um investimento de

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destaque

Ongoing cria holding em África
grupo Ongoing decidiu reforçar a sua aposta em África com a criação da Ongoing África, holding que vai agregar os interesses do grupo na região e visa consolidar a estratégia de investimento nos mercados de língua portuguesa. "A Ongoing, com a constituição desta holding, dá mais um passo na consolidação da estratégia de investimento nos mercados da língua portuguesa, celebrando parcerias fortes com empresas portuguesas e, igualmente, com grupos económicos locais", disse fonte oficial da empresa à agência Lusa. De momento estão a ser ultimados acordos para a constituição de duas parcerias com empresas nacionais com interesse no mercado africano, e uma parceria com um grupo económico forte local. A parceria local será estabelecida com o grupo Kopelson Investments, sendo que as empresas pretendem desenvolver um projecto na área das tecnologias informáticas, na concepção, implementação e gestão de projectos e infra-estruturas em Angola, de acordo com a Ongoing. JP Sá Couto é o parceiro local

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Os parceiros locais são a JP Sá Couto, onde será criada uma parceria para

as áreas de tecnologias de informação e informática, e a Fomentinvest, com a qual será criada uma sociedade entre as partes que terá por objecto a promoção, implementação, desenvolvimento e gestão de projectos nas áreas do ambiente e da energia. A Ongoing, liderada pelo empresário Nuno Vasconcellos, marca já presença em África através de alguns serviços (casos da Africa Brand e H&S), e historicamente existem protocolos de colaboração com grupos como a Media Nova, de Angola e a DHD, de Moçambique. "A Ongoing já está presente no mercado africano mas sempre ambicionámos formalizar de forma institucional e com uma presença constante no terreno a nossa presença neste mercado, através de parcerias com parceiros locais fortes, para crescermos de forma sustentada", precisa fonte oficial. Paulo Santos, gestor com carreira internacional na região, especialmente no sector da energia, será o administrador da Ongoing África, cuja sede estará instalada em Luanda, Angola. A Ongoing é um grupo económico multissectorial, de raiz familiar, que actua no sector das TMT (Telecomunicações, Media e Tecnologia) e que tem como área preferencial de actuação o mercado de língua portuguesa.

11 milhões de dólares (7,74 milhões de euros). A empresa tem 40% de capitais da alemã LSG Sky Chefs, 35% da angolana TAAG, 20% da Angola Catering e 5% da Empresa Nacional Angolana de Navegação Aérea (ENANA). A LSG Sky Chefs TAAG Angola pretende estender os seus serviços também a outras companhias aéreas a operarem em Angola. Assistiram também à cerimónia o ministro dos Transportes de Angola, Augusto Tomás, o governador da Província de Luanda, José Maria dos Santos, o presidente do conselho de administração da TAAG, Araújo Pimentel, e a representante da Lufthansa em Angola, Inês Braendle.

destaque

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merkel sugere venda de barcos-patrulha à marinha angolana
A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou em Luanda, após um encontro com o presidente angolano, José Eduardo dos Santos, que a Alemanha propôs a Angola a venda de barcospatrulha para a marinha controlar as fronteiras. O chefe dos estaleiros, Friedrich Lürssen, que viaja na comitiva da chanceler, revelou a jornalistas alemães, à margem do encontro, que se trata de seis a oito barcos-patrulha, e que cada um custa entre 10 e 25 milhões euros. Por sua vez, o presidente angolano José Eduardo dos Santos anunciou, após o encontro com Merkel, que Angola está a modernizar as suas forças armadas e a promover concursos internacionais para adquirir material, confirmando que a Alemanha fez uma oferta.
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ENERGIA

FINANÇAS

Chefe de Estado coloca primeira pedra na construção do perímetro do Futungo
loteamento residencial, de comércio e serviços, equipamento de lazer e de apoio ao turismo. O plano de desenvolvimento dividese em três fases de construção de infraestruturas, sendo a primeira numa área de 135 hectares, na zona central do perímetro, com os terrenos que contornam o núcleo histórico do Futungo de Belas, e a segunda etapa, de 319 hectares, incluindo os terrenos da parte sul do perímetro. A terceira fase, com 83 hectares, vai abranger os terrenos a norte do perímetro, perfazendo um total de 537 hectares. A zona está projectada para uma população de 49.799 habitantes, dos cerca de 30. 309 residentes e 19.470 não residentes. O projecto contempla lotes para habitação familiar de mil a dois mil metros quadrados, para a construção de edifícios para apartamentos até dois pisos, para a construção de edifícios para comércio e serviços, assim como uma área destinada ao lazer, com hotéis de praia, convenções, resort, entre outros.
Kumuenho da Rosa
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Duas agências de notação sobem “rating” de Angola
s autoridades angolanas podem avançar este ano para uma emissão internacional de títulos da dívida pública no valor de 500 milhões de dólares, revelou ontem, ao Jornal de Angola, o ministro das Finanças. Carlos Alberto Lopes respondia ao Jornal de Angola sobre questões relacionadas com a subida do "rating" de Angola por duas agências internacionais de notação financeira, entre as quais a Standard & Poor’s. A avaliação do crédito de longo prazo de Angola em moeda estrangeira e em moeda nacional subiu um ponto, atribuído por cada uma dessas agências, passando de "B+", para "BB-", nos termos da classificação da Standard & Poor's. O "rating" da dívida de curto prazo mantêm-se em "B-". A Standard & Poor's sustentou a sua decisão com o que diz ser uma melhoria da gestão do crédito, e que "a subida reflecte a nossa visão da melhoria robusta nos saldos fiscais e externos de Angola", escreve a agência de "rating". Angola,

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pós inaugurar a primeira fase do projecto Cidade do Kilamba, o Presidente da República, procedeu ao lançamento da primeira pedra das obras de construção de infra-estrutura do projecto de requalificação do perímetro desanexado do Futungo de Belas, em Luanda. Com 5.370.000 metros quadrados, o

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perímetro desanexado do Futungo de Belas foi objecto de um plano de reordenamento urbano com uma duração estimada em 10 anos de desenvolvimento. O projecto visa proporcionar o estabelecimento de um novo padrão para a cidade de Luanda, redefinindo e reordenando o uso residencial e turístico, propondo a construção de infra-estruturas,

considera a Standard & Poor's, fortaleceu "rapidamente a sua posição em termos fiscais e de compromissos externos", suportada pela subida "do preço do petróleo e devido às reformas estruturais". Além disso, Angola começou a reforçar a sua gestão macroeconómica e monetária, em consonância com as recomendações feitas pelo FMI, sustenta a agência de notação. A perspectiva para a situação financeira angolana, acrescenta, é estável, pesando negativamente, entre outros factores, as "debilidades institucionais e a sua dependência do petróleo". O ministro angolano das Finanças disse ao Jornal de Angola que, em face desse desenvolvimento, as autoridades podem vir a decidir-se por uma emissão internacional de títulos da dívida pública, mas apenas no quarto trimestre do corrente ano. De acordo com o governante, uma tal emissão terá que ser, no mínimo, equivalente ao 500 milhões de dólares e a operação apenas será desencadeada caso hajam "necessidades de tesouraria".
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bAnCo AngolAno biC fica com bPn por 40 milhões de euros
O Governo português escolheu a proposta do banco angolano BIC que oferece 40 milhões pela aquisição do BPN e irá integrar só metade dos 1.580 funcionários. “A proposta de aquisição de 100% das acções do BPN pelo Banco BIC é de 40 milhões de euros”, referem as Finanças em comunicado. No entanto, caso o banco apresente resultados positivos superiores a 60 milhões de euros ao final de cinco anos, será pago ao Estado “uma percentagem de 20% sobre o respectivo excedente, a título de acréscimo de preço”. O ministério das Finanças de Portugal refere que o “custo do Estado com o BPN, descontando do preço de venda, ascende nesta data a cerca de 2,4 mil milhões de euros”. A celebração do contrato formalizando a transacção deverá ocorrer num prazo de 180 dias. A proposta apresentada pelo BIC apenas assegura a integração de metade dos actuais colaboradores do BPN. Dos actuais 1.580, o banco angolano compromete-se a integrar 750. O Estado assume os “custos com a eventual cessação dos vínculos laborais dos trabalhadores das agências e/ou centros de empresa que venham a ser encerrados ou reestruturados num prazo máximo de 120 dias após as transmissões das acções”. Além do BIC, o Governo recebeu propostas de compra por parte do Núcleo Estratégico de Investidores (NEI) e do Montepio. O porta-voz do NEI garantiu que a proposta deste grupo pelo BPN superava os 100 milhões de euros.

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Cidade do Kilamba tem as casas abertas
O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, inaugurou em julho, a Cidade do Kilamba, a cerca de 20 quilómetros do actual centro de Luanda. Numa primeira fase foram disponibilizados 115 edifícios, com 3.180 apartamentos, 48 lojas e dez quilómetros de estrada. A nova Cidade do Kilamba, cujo projecto global contempla 710 edifícios, 24 creches, nove escolas primárias e oito escolas secundárias, e 50 quilómetros de estradas, constitui um elo de transição para a nova urbe de Luanda, que se vai situar junto à margem do rio Kwanza. Kilamba, com infra-estrutura e equipamentos sociais modernos, vem dar resposta, para já, a dois propósitos fundamentais do Executivo angolano – fazer face à carência habitacional e programar o crescimento urbano do país –, mas há ainda outro objectivo que é o de colocar Luanda entre as maiores e mais belas cidades do mundo. “Não escondemos a nossa ambição de inserir Luanda no conjunto das maiores e mais belas cidades do mundo”, disse o Chefe de Estado, ao discursar numa cerimónia que juntou altos responsáveis do Gabinete da Presidência da República, deputados, membros do Executivo, representantes do poder local, diplomatas e entidades eclesiásticas.

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PRESIdêNCIA

Garcia Bires despede-se do presidente moçambicano
Embaixador cessante de Angola em Moçambique, João Garcia Bires, apresentou em Maputo cumprimentos de despedida ao Chefe de estado moçambicano, Armando Emílio Guebuza, depois de uma missão diplomática de quase nove anos. Durante o encontro o diplomata angolano aproveitou a ocasião para agradecer o apoio recebido pelas autoridades de Moçambique ao longo da sua missão. Garcia Bires que acompanhou de perto, durante vários anos, os esforços que o Executivo moçambicano tem empreendido na criação de condições para o crescimento da renda de cada moçambicano, destacou os desafios globais da actualidade que apontam para a necessidade do contínuo aprofundamento do diálogo e da parceria entre Angola e Moçambique Por seu turno, o chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, expressou o seu reconhecimento individual e do seu país pelo esforço desenvolvido pelo diplomata angolano na aproximação entre os dois estados, antevendo por isso para os próximos tempos o fortalecimento da cooperação.

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«O caminho está aberto e as bermas delimitadas»
Ao cessar as suas funções na Embaixada de Angola em Moçambique, o diplomata Garcia Bires faz um balanço da cooperação encetada entre os dois países irmãos. Sobressai a ideia de que o caminho foi aberto e que as suas bermas foram delimitadas, mas que ainda falta subir alguns degraus no sentido do desenvolvimento. Não obstante, os elos que ligam Moçambique a Angola são agora mais próximos do que os encetados com qualquer outro país da nossa Região – um pormenor que se pode transformar numa mais-valia no que diz respeito aos desafios impostos pela CPLP.
«Quando tudo apontava que a batalha estava quase ganha, chegou a “senhora” crise económica e financeira mundial com todo o seu quejando de dificuldades para as nossas já per si, débeis economias.»

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grande plano

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Armando Guebuza que se prepara para participar na próxima cimeira da SADC a realizar-se em Luanda brevemente, enalteceu ainda os esforços do Executivo angolano e do seu homólogo, José Eduardo dos Santos, pelos progressos que Angola tem alcançado nos mais diversos domínios da vida nacional em tão pouco tempo de paz.

O Embaixador Garcia Bires que também representou o governo angolano junto das autoridades do Malawi, Madagáscar, Swazilêndia e as Comores, foi nomeado recentemente pelo presidente da República, José Eduardo dos Santos, como o novo embaixador extraordinário e plenipotenciário de Angola na República Popular da China.

relações entre moçAmbiquE E AngolA vão continuar a crescer
O embaixador cessante de Angola, João Bires, disse que as relações entre Moçambique e o seu país continuarão a conhecer, nos próximos tempos, um incremento em vários domínios, em consequência do valor complementar existente entre as economias dos dois países. Bires fez a afirmação no final da audiência concedida, em Maputo, pelo Presidente moçambicano, Armando Guebuza, para apresentar cumprimentos de despedida por ter chegado ao final do mandato em representação da diplomacia daquele país irmão da costa atlântica e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC). Segundo a mesma fonte, Angola tem apenas nove anos de paz, porém o facto de os dois países terem recursos naturais do mesmo ramo gera uma complementaridade
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que vai, sem dúvida, incrementar a cooperação entre os Estados da SADC. Na ocasião, Gracia Bires, esclareceu igualmente as crescentes queixas em diversos segmentos da sociedade relativas às enormes dificuldades na obtenção de um visto de entrada em Angola. O embaixador disse que tudo se deve ao facto dos sistemas dos dois países serem diferentes, cada um com as suas especificidades, mas para o caso concreto de Angola cuja paz é ainda uma criança “recém-nascida”, é preciso um grande cuidado para evitar a entrada de pessoas que podem provocar instabilidade. Todavia, o emabaixador angolano afirma que as coisas vão, nos próximos tempos, mudar para o melhor porque a vontade dos dois países é incrementar as relações em maior número possível de domínios.

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ncontra-se prestes a terminar o seu mandato em Moçambique. Que balanço faz das relações políticas e diplomá-

ticas entre Moçambique e Angola? O balanço das relações políticas, diplomáticas e nos últimos anos entre o empresariado dos dois países é positivo.

Naturalmente, como Embaixador queria ver os actos se moverem com mais fluidez e, quiçá, se multiplicarem. E isso só será possível se os actores se conhecerem e a parte angolana dominar as leis do investimento estrangeiro. Do nosso lado, para atingirmos a “performance” desejada, para além de promovermos e darmos a conhecer as potencialidades existentes nas mais variadas áreas e as facilidades de investimentos na República de Moçambique, damos aos cidadãos interessados essa importantíssima ferramenta e daí, ainda que timidamente, assistimos o surgimento de algumas iniciativas. Os encontros havidos em Maputo entre o empresariado angolano e moçambicano aquando da visita do PresimAio.junHo.2011 13

dente da República de Angola em Outubro de 2007 e a que posteriormente se seguiu em Luanda, em Dezembro de 2009, revelam essa dinâmica. O mais importante é que os dados estão por cima da mesa. O caminho está aberto e as bermas delimitadas. Cabe agora aos actores fazerem mover a máquina. Por aquilo que nos é dado a saber, é desejo de muitos empresários angolanos explorar o mercado moçambicano. Acredito que nos próximos anos o volume de negócios poderá conhecer um incremento. Sendo esta relação positiva, acredita que é esse o factor que determinou a aproximação de empresários angolanos ao mercado moçambicano? É que temos assistido a um grande movimento de empresários do vosso país, alguns dos quais até já com empreendimentos firmados em Moçambique. O facto de haver interesse individual e colectivo do empresariado angolano aumentar a sua presença nestas terras do Índico, assim como a procura de parcerias, são provas evidentes que a República de Moçambique é um bom destino para o investimento. Outro aspecto que reputo importante e que devemos ter em conta, é que o nível técnico-científico, as capacidades financeiras e o conhecimento mútuo da realidade de cada um dos nossos países e a sua assimilação é mais rápida e próxima do que com qualquer outro país da nossa região.

embaixada

Em termos de cooperação está satisfeito com a que existe actualmente entre os dois países, ou poderia ser feito mais? Ainda não estou satisfeito. E eu compreendo a razão. Até há bem pouco tempo, existiram factores que contribuíram sobremaneira para a inibição do crescimento da cooperação. Numa primeira fase, os nossos dois governos empenharam-se na criação de condições para a estabilidade micro e macro económicas. Quando tudo apontava que a batalha estava quase ganha, chegou a “senhora” crise económica e financeira mundial com todo o seu quejando de dificuldades para as nossas já per si, débeis economias. Com a recuperação e crescimento que se prevêem nas nossas economias, podemos olhar com os olhos secos na melhoria da nossa cooperação e com ela, contribuirmos para uma mais-valia

na SADC, PALOP e CPLP. Embora incipientes, podemos já falar dos primeiros passos com sucesso na nossa cooperação. Os próximos tempos irão confirmar essa tendência e com ela a sua diversificação. Acha que, neste momento, a organização CPLP tem trazido vantagens para os países membros? Há quem seja crítico sobre esta organização. É necessário que se veja a CPLP dentro do contexto de cada região onde o país-membro se encontra e o contexto em que ela foi criada. Primeiro, a CPLP é uma organização ainda em construção. Segundo, estamos espalhados por todos os continentes e presentemente, por força da nova realidade mundial, cada continente tem as suas exigências. Terceiro, embora o subsolo dos países que compõem a comunidade seja bastante fértil e rico em recursos minerais,

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mensagem de gArCiA birEs ao povo moçambicano
«Quero felicitar o povo irmão da República de Moçambique e o seu Governo pelos esforços que tem empreendido para homenagear os que deram o seu melhor na luta pela Independência Nacional.
Ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Baloi, despede-se do Embaixador de Angola garcia bires

embaixada

o nível desenvolvimento é abismal. Assim, no meu ponto de vista, para dar maior visibilidade à comunidade, uma das práticas que poderíamos desenvolver o mais rapidamente possível seria a complementaridade económica, financeira, técnica e científica dentro de um programa aceite e assumidos por todos. Quanto às críticas, umas são bem-vindas e outras devem merecer um certo cuidado. Moçambique e Angola são países com histórias semelhantes. Mais de três décadas depois das independências, acha que são países que vão conseguir vencer a pobreza e alcançar o tão almejado desenvolvimento? Que medidas devem ser tomadas pelos respectivos governos para que esse processo seja mais célere? Nos programas do curto e longo prazo, o desenvolvimento humano, produtivo e outro estão contemplados e é parte integral da governação. Se olharmos com objectividade o que foi implementado nos últimos 10 anos, veremos que o mapa dos nossos países mudou consideravelmente. Concordo que poderíamos ter feito mais. Infelizmente, nem tudo depende de nós. Estamos um mundo globalizado, nossos países são subdesenvolvidos e as regras do jogo nem sempre são iguais para todos. Contudo, os nossos governantes estão comprometidos com os princípios que levarão os nossos países a alcançar os objectivos traçados para o

desenvolvimento do milénio. Para isso é necessário que nos empenhemos na árdua tarefa de melhorarmos, cada vez mais, os níveis do conhecimento, dominemos as técnicas, garantamos melhor saúde e alimentação básica para sairmos o mais rapidamente possível do escalão em que nos encontramos. E é possível. Que o nosso estandarte seja “cada um no seu posto, cumpre com o seu dever!” Para terminar, como vê a adaptação da comunidade angolana em Moçambique? Quantos angolanos temos no nosso país? Pelo que foi dado a conhecer logo que pisei o solo da Pátria do Eduardo Mondlane, a adaptação da pequena comunidade angolana, chegada nos primórdios da Independência, foi rápida e quase sem grandes transtornos. Naturalmente, existiram factores para o efeito. Por exemplo, falarmos a mesma língua, a facilidade de se encontrar alguns produtos alimentares usados noutro lado do Atlântico, ao darmos conta que - aqui ou acolá - podemos observar um sinal comum ao nosso, alguns sobrenomes idênticos, enfim um mar de exemplos que nos faz sentir longe, mas não tão distante da nossa querida Pátria. Acredito que aqueles que por diversas razões escolheram a República de Moçambique como local para se instalarem foram felizes.
Entrevista (Tempo) - Edição (Kandando)

No dia de hoje, é justo que nos recordemos daqueles que sem nada pedir, deram as suas vidas para que os moçambicanos e os estrangeiros de ontem e de hoje, oriundos de todos os cantos do mundo e vivendo neste belo país, pudéssemos desfrutar do melhor pelo qual o homem deste imenso e belo país lutou e criou: Liberdade. A República de Moçambique que sabe quanto é cara a paz, tem sabido com elevada mestria demonstrar a todos nós como ela deve ser preservada. Sentimos isso nas mais variadas tribunas internacionais, observamos em acções concretas, por exemplo, no envio dos seus bravos militares nas missões da paz sob a égide das Nações Unidas e União Africana. Uma palavra de amizade de camaradagem e de simpatia: Que os moçambicanos continuem a trilhar com o mesmo empenho e abnegação os caminhos abertos por Ngungunhana, Eduardo Mondlane, Samora Machel e outros bravos heróis que a história registou para sempre. Que a gesta dessa geração continue em cada moçambicano para o bem de Moçambique, da região austral da África e do mundo em geral».

É necessário que se veja a CPLP dentro do contexto de cada região onde o país-membro se encontra e o contexto em que ela foi criada. Primeiro, a CPLP é uma organização ainda em construção. Segundo, estamos espalhados por todos os continentes e presentemente, por força da nova realidade mundial, cada continente tem as suas exigências.
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cooperação

«Um a órgão matéria l sensí do Estado igada a um v guns el já carr pelo seu c e a r com c iscos. A s ga consigo rácter u entid onsentime a publica ala ç n ligad de govern to de um ão é a a a Caso a esse as mental s n quênc ão, as co unto. n sanci ias poderã seo o o jor natórias ser n p é uma alista, e ara e barre das gran ssa iras que en des frent amos »...

cooperação

Jornalistas angolanos capacitados em economia e finanças em Maputo
ma turma de jornalistas angolanos acaba de receber uma formação em matéria de economia e finanças. Trata-se de Moisés da Silva e Ilda Fernandes, ambos da Agência de Notícias de Angola (ANGOP), Madalena José do Jornal de Angola e Mariano Guissola do Semanário Económico que participaram, juntamente com os seus homólogos de Moçambique e de Cabo Verde, no curso económico e financeiro sobre jornalismo, ministrado na última semana de Junho, em Maputo. Ao cargo da Inglesa Katherine Baldwin, e da Brasileira Raquel Stenzel, a formação enquadra-se numa série de cursos de capacitação dos jornalistas que a Fundação Thomson Reuters, em parceria com diversas instituições, está a levar a cabo, abordando temas de vária índole em diferentes países. No caso vertente, a Thomson Reuters conta com o apoio da Agência do Desenvolvimento do Governo da Noruega, interessada
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em capacitar jornalistas e fertilizá-los de conhecimentos da ciência económica e financeira, sobretudo atinentes à fuga de capitais dos países africanos, à aplicação dos recursos financeiros para fins humanitários e aos benefícios sociais do pagamento dos impostos, factores que continuam a amortecer os níveis do desenvolvimento destes países. Num acto meramente interactivo, o primeiro dia do encontro serviu para fazer o levantamento das grandes questões de cobertura, refira-se a subida de preços dos produtos alimentares e do petróleo no mercado internacional, a inflação, os investimentos dos mega-projectos, o orçamento do estado, o crescimento económico que, muitas vezes, embaraçam o trabalho dos profissionais da comunicação social, como consequência do fraco domínio da matéria. A ideia é criar mecanismos para levar os jornalistas à maior percepção da economia de modo a explicá-la de forma simples ao público e permitir que tenham ideias novas para

pesquisar assuntos económicos. Consciente das dificuldades que um grande número de jornalistas tem na abordagem de questões de ordem económica e financeira, a formadora Katherine Baldwin disse não pretender com esta formação produzir uma mudança radical e imediata, mas que tenha um efeito dominó, onde os participantes no encontro tenham a responsabilidade de partilhar, com seus colegas, informações e experiências vivenciadas ao regressarem aos países de origem. Sensibilidades ligadas à liberdade de imprensa Questionados os jornalistas angolanos relativamente à liberdade da imprensa naquele país, as respostas apontaram uma balança de equilíbrio entre a liberdade e a repressão, destacando a incidência de casos de interferência do poder político nas actividades jornalísticas, particularmente nos órgãos públicos.

“Uma matéria ligada a um órgão do Estado pelo seu carácter sensível já carrega consigo alguns riscos. A sua publicação é com consentimento de uma entidade governamental ligada a esse assunto. Caso não, as consequências poderão ser sancionatórias para o jornalista, e essa é uma das grandes barreiras que enfrentamos”, explicou Moisés da Silva, da ANGOP. Aquele angolano acentuou o valor que a formação agrega, mas entende que: “uma formação é sempre uma formação. Não podemos dizer que vai mudar de forma drástica a nossa forma de actuar porque devemos um respeito à linha editorial dos nossos órgãos, o que significa que adquirimos um conhecimento que nos ajuda a perceber melhor estes conceitos económicos e financeiros. Mas não poderemos aplicar na prática tudo o que estamos aprendendo aqui, porque durante a elaboração dos textos, vamos ter que nos confrontar com a linha editorial dos órgãos e com o sistema político que ainda interfere.”

A fonte apela, por conseguinte, à maior liberdade para que os jornalistas, no quadro dos novos desafios colocados pela integração regional, exerçam o seu papel como tal, incentivando o investimento estrangeiro, promovendo o desenvolvimento das actividades governamentais e actuar como fiscais às promessas dos governos, evitando, desta feita, que os países convivam com os altos níveis da pobreza e desigualdade. As peritas em jornalismo económico congratularam-se pelo facto dos homens da imprensa de diferentes países terem compartilhado práticas relativas às dificuldades de acesso às fontes de informação, à falta do dinheiro nos órgãos de comunicação para viabilizar investigações e fazer boas reportagens, situações que continuam, em parte, a limitar as liberdades da imprensa.
Elias Matsinhe

«Não podemos dizer que vai mudar de forma drástica a nossa forma de actuar porque devemos um respeito à linha editorial dos nossos órgãos, o que significa que adquirimos um conhecimento que nos ajuda a perceber melhor estes conceitos económicos e financeiros.»

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Mercado residencial e seus preços
Procura do mercado residencial
procura no mercado imobiliário é transversal a vários grupos sociais. É possível identificar quatro grandes grupos responsáveis pela procura: • Âmbito Nacional - Altas patentes militares, membros do governo, empresários e funcionários da banca e das petrolíferas. • Expatriados - Ong`s, petrolíferas,

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embaixadas e diamantíferas. • Empresas de Serviços em geral e empresas de Construção. • Emergente Classe média Angolana do segmento empresarial dos serviços. Estratificando por classes e interligando com a procura resulta o seguinte: A. Segmento Alto – Membros do

grande plano

Governo, Diplomatas, Altas patentes militares, Altos quadros empresariais. B. Segmento Médio Alta Expatriados, Empresários Nacionais. C. Segmento Médio Baixo – Quadros expatriados em geral,Recém-Licenciados (bancos, petrolíferas, seguradoras), Altos Funcionários Públicos. D. Segmento Baixo – Funcionários Públicos, População em geral.

A A+B C D

Classes/Classes

Localização/Localization

Tipologias/Rooms

Forma Contratual/Format

Centro de Luanda/Down town Luanda Alvalade, Miramar, Cruzeiro e Talatona Alvalade, Miramar, Maianga Maculuso, Bairro Azul, Talatona;

Moradias T3 e T4/ 3-4 bed Villas; Penthouse; Duplex Moradias T3 e T4/ 3-4 bed Villas; Apartamentos T3 e T4/ 3-4 bed apartaments Apartamentos T2 e T3/ (T1 expatriados)/ 2-3 bed apartaments (1 bed apartament Ex Parts) Apartamentos T2 e T3/ (T1 expatriados)/ 2-3 bed apartaments (1 bed apartament Ex Parts)

Venda/Sale Arrendamento/Rent Pagamento: imediato Payment: Immediate Venda/Sale Arrendamento/Rent Pagamento: imediato ou financiamento bancário/Payment: Immediate or Bank financed Venda/Sale Arrendamento/Rent Pagamento: imediato ou financiamento bancário/Payment: Immediate or Bank financed Venda (Quadros Médios)/Sale (Qualified staff) Arrendamento (Angolanos)/Rent (Angolans) Pagamento: financiamento bancário/ Payment: Immediate or Bank financed

Mercado de Escritórios
segmento de escritórios de Luanda tem um comportamento idêntico ao de qualquer outro lugar no mundo: vive do crescimento económico e com esse crescimento dá-se um natural aumento das organizações traduzido num maior número de pessoas e na necessidade de maiores espaços de trabalho.
Zonas/Zones Zona Prime

Nova Vida, Camama, Benfica Maianga, Combatentes; Vila Alice

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Possui ainda a particularidade das empresas estarem deficientemente instaladas em edifícios adaptados. Se a isso acrescentarmos uma clara falta de oferta no mercado, diríamos que estão reunidas todas as condições para se investir neste mercado. O stock do mercado na “Grande Luanda”, em edifícios após os anos 80, estará estimado em cerca de 800.000m²,
Venda/Sale (USD) 8.000 - 9.000 5.000 - 6.000 6.400 - 8.000 4.000 - 5.000 6.000 - 7.000 ND

dos quais cerca de 750.000m2 ficam em Luanda Cidade. Talatona contará actualmente com aproximadamente 50.000m². A Vacancy Rate aproximada é de 4%, o que significa que em termos de áreas disponíveis para o total do mercado, não haverá mais de 30.000m² disponíveis. Acrescente-se que há poucos mercados no mundo com taxas tão baixas quanto estas. A zona prime e preferencial de escritórios em Luanda, situa-se na Baixa e Marginal. Nesta encontram-se localizados os principais departamentos governamentais, sedes de bancos e seguradoras e empresas (sobretudo as ligadas ao sector petrolífero) de onde se espera que nunca venham a sair. Aqui encontramos projectos como as Torres do Carmo, a Torre Ambiente, as 3 Torres, Edifício Baía e a Torre Elisée entre outros. Por sua vez, a dita zona central - a que delimita a prime – tem sido a localização escolhida para o desenvolvimento de alguns projectos como é o caso do Rei Kataivala, do edifício Metropolis e da Torre Lara, e ainda a localização escolhida para a nova sede do Banco Sol, além do BFA e do Millennium BCP. O estado do mercado, leva a que exista uma oferta diminuta para uma procura consistente, levando a que os valores médios dos edifícios novos sejam semelhantes nas zonas prime e na zona central..
Aluguer mês/Rent mounth 120 - 200 90 - 110 120 - 175 80 - 110 95 - 150 ND

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grande plano

Viana, Benfica e outros

Estado/State Novo/New Usado/Used Novo/New Usado/Used Novo/New Usado/Used

Continuando a ser um dos países com maior crescimento a nível mundial, Angola – e novamente aqui Luanda toma um inquestionável destaque - continua a ser um apetecível mercado para os promotores imobiliários, fruto de uma fortíssima procura empresarial. Esta procura situa-se a nível das tipologias mais pequenas (T1 e T2 para arrendamento) e por determinados montantes que têm estabelecido nos Business Plan, variando em função dos sectores de actividade de cada empresa. A generalidade dos projectos conjuga a vertente residencial com serviços e comércio, permitindo evitar perdas de tempo, no (já) melhor mas (ainda) bastante difícil trânsito de Luanda. É, por isso, uma mais-valia, a conjugação das três vertentes para a população que pode residir e trabalhar no mesmo condomínio.
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De entre os vários projectos destacam-se: Pode-se concluir que a generalidade da Oferta residencial continua algo desajustada da Procura respectiva, dado que se focaliza maioritariamente no segmento alto, onde o ritmo de absorção está, hoje em dia, muito diferente. Em relação ao produto médio e médio alto, o desajustamento entre preços, tipologias e áreas está a ser corrigido para corresponder a uma Procura determinada e forte. É nos edifícios usados que efectivamente se encontram alguns acertos nos preços. Os seus proprietários não estão preparados para alterações e por isso a única resposta a uma ligeira retracção da procura é trabalharem os preços. O mercado empresarial para arrendamento mantendo uma Forte procura dispõe de uma Oferta muito escassa.

«A generalidade dos projectos conjuga a vertente residencial com serviços e comércio, permitindo evitar perdas de tempo, no (já) melhor mas (ainda) bastante difícil trânsito de Luanda.»
Pelo exposto, os consultores Abacus e Savills não concordam que se fale em crise. Deve-se falar em ajustamentos (naturais) do mercado e na falta de respostas às solicitações existentes.

Zona Prime Zona Central Zona Prime Talatona Zona Prime Fonte: Abacus em associação com Savilis Fonte: Abacus in association with Savilis

Imóvel/Building Moncada Prestige Rei Katiavala Comandante Gika Torre Dipanda Atrium Independência Torre Lara Torre Ambiente 3 Torres Torres do Carmo Metropolis

Zona/Zone Maianga Maculuso Alvalade Maculuso Maculuso Vila Alice Ingombotas Eixo Viário/Ingombotas Ingombotas Maculuso/Maianga

Uso/Use Escritórios e Residêncial Escritórios, Residêncial e Comércio Escritório, Residêncial e Comércio Escritórios, Residêncial e Comércio Escritórios, Residêncial e Comércio Escritórios e Residêncial Escritórios, Residêncial e Comércio Escritórios, Residêncial e Comércio Escritórios, Residêncial e Comércio Escritórios e Comércio

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Empresária angolana traz “Muíla” para Moçambique
Há histórias que saem do cerne do intelecto; outras saem das entranhas da emoção. A nossa saiu dos recônditos desses dois espaços, de lá mesmo da avenida da marginal, onde nem tudo é marginal, onde nem a brisa das águas da praia da Costa do Sol conseguiu suplantar o sorriso matinal da Ana Patrícia, com o qual nos destranca e abre as portas para uma aventura ao mundo do “Business”. É empresária e gere os destinos de uma Loja de Decoração e Galeria, (MUÍLA) que já é pequena demais para o volume das obras artesanais que ostenta.

Africanos de Setembro poderem contribuir para a rentabilização das actividades da empresa, em particular, para o aumento do volume de vendas dos produtos decorativos que a sua galeria disponibiliza e que atraem os transeuntes. Mas remata sempre vai rematando ao dizer: “Sempre que há eventos desta dimensão, a gente espera que as vendas aumentem, e mesmo que na prática isso não aconteça, a verdade é que ficamos mais conhecidos. Assim, promovemos mais Moçambique através do turismo e da arte”.

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Perfil

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na Patrícia nasceu em Angola, mais concretamente, na Gabela, sendo filha de um empresário de sucesso que administra um lodge. Chegou a Moçambique em 1992, tendo frequentado o curso de licenciatura em psicologia na Universidade Pedagógica, e agora encontra-se a frequentar o mestrado em Psicotraumatologia. Nota-se perfeitamente nela um autêntico paralelismo entre a sua forma de ser e a formação académica que teve. Consta ainda no seu curriculum que leccionou durante sete anos na Escola Portuguesa de Moçambique e no ISPU, a actual “A Politécnica”. Hoje, irrigada por uma suave cora20 mAio.junHo.2011

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gem, deixou tudo para atrás. Abraçou um ramo cheio de desafios e riscos, perante o qual não acalenta muita experiência segundo as suas próprias palavras. No fundo, fugiu da área da educação para a qual veio a ser formada desde a tenra idade para se aventurar nos negócios. O envolvimento da Patrícia no “Business” começa em 2006, com o apoio de uma amiga que já havia estabelecido contactos na China. País, aliás, onde Ana Patrícia viveu durante algum tempo, não se devendo, portanto, tentar estabelecer qualquer relação entre o sucesso do pai e a génese da história empresarial que hoje a caracteriza. Foi nessa altura que superou fobias e esta-

beleceu a sua loja na Marginal de Maputo. Conta que a ideia era encontrar algo com o qual se identificasse e que pudesse constituir um diferencial no mercado artesanal. As mulheres da Província de Huíla são chamadas Muílas. E foi esta a forma que ela encontrou para honrar as mulheres da terra com que se identifica e a viu crescer. «Muíla» é uma loja virada para o estilo oriental, com produtos de proveniência e de origem chinesa, para onde sente a necessidade de viajar, pelo menos, uma vez ao ano, em busca dos produtos que agradam os seus clientes. Aliás, aquando deste encontro com a Kandando, Ana Patrícia lidava com os preparativos para uma viagem àquele país asiático. A mesma acredita não ter a capacidade para agradar a maior parte dis apreciadores de artesanato, mas conta, nesta altura, com clientes fixos, pessoas que olham e apreciam a cultura oriental com uma certa dose de admiração. Em conversa com a Kandando, a empresária projectou alguns momentos marcantes ao longo da sua vida profissional, e o relato incidiu, logo, para os efeitos da crise económica e financeira. Segundo a empresária, a crise e as suas intenções perversas, quase a estimulavam, durante o ano passado, a encerrar as portas da sua loja e a suspender uma caminhada que hoje se revela florescente. Em causa estava a aguda redução do volume de negócio. Mas o facto de a loja ser um repositório de artesanato oriental, o grande diferencial no mercado, valeu-lhe incentivos e encorajamento das pessoas que adoram esta linhagem de produtos, de forma que Ana Patrícia persistiu na luta contra as dificuldades.

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Ao que parece, foi necessário usar as perdas para cultivar os sonhos. Sob os olhares simpáticos, Ana Patrícia manifestou a vontade de falar sem, no entanto, revelar os montantes envolvidos no seu negócio. Para de seguida afirmar que “o mercado não está fácil” “Esta não é uma loja que movimenta muito dinheiro, que eu possa ficar rica, muito longe disso, é uma loja que vai pagando minhas dívidas, despesas, mas acredito estar num bom caminho”, garante. Maior cooperação e intercâmbio cultural entre Angola e Moçambique Ana Patrícia descreve, em suas palavras, que as relações de cooperação entre Angola e Moçambique mostram-se cada vez mais sólidas, criando oportunidades e um clima de negócios favoráveis ao investimento. Moçambique não apenas se tornou um ponto de atracção turística, mas empresarial também, para os angolanos em particular. Em parte tal decorre da abertura da ligação aérea entre Maputo e Luanda. “Acredito que o país está a crescer. Eu sou angolana e todos os anos viajo a Angola e noto um maior interesse das pessoas angolanas por Moçambique. Fazem-me muitas perguntas em relação a Moçambique”, referiu. A entrevistada disse que existe mais intercâmbio cultural do que anterior-

mente, mas que mesmo assim não deixa de desenhar o sonho de ver mais projectos culturais, que possam impulsionar a dinâmica entre os dois povos irmãos, unidos pelos laços históricos e pelas semelhanças culturais. “Eu tenho um projecto, a curto prazo, de abrir uma loja em Angola, mas com produtos artesanais moçambicanos. O artesanato moçambicano é muito bom, e eu gostaria de poder ter a oportunidade de exibir algumas peças moçambicanas em Angola. Já fiz os contactos. Angola também tem, mas eu acho que Moçambique em termos de artesanato é superior, apesar de ser angolana”, foram nestes termos que a Patrícia falou, quando questionada sobre os novos projectos e perspectivas para o seu negócio nos próximos anos. Confrontamos Ana Patrícia com a campanha de livre circulação de arte e artesanato lançada com objectivo de combater a retenção dos bens de arte e artesanato adquiridos por turistas, junto às fronteiras, terminais de transportes e outros pontos de circulação de turistas e a entrevistada foi peremptória. “É verdade que isso reduz a comercialização dos produtos artesanais. A sua ausência pode dinamizar de forma crescente a comercialização. O burocracia impede que as coisas avancem”, defendeu a empreededora. Ana Patrícia finaliza a conversa com um mergulho no pântano desportivo, onde apesar de alguma esperança, aventa pouca possibilidade de os Jogos

De nome completo Ana Patrícia Leiria, nasceu em Angola, mais concretamente na Gabela, sede do Município de Amboim, Província de Cuanza-Sul. Viveu até aos seus 20 anos no Lubango, Província da Huíla, onde frequentou a escola até ao ensino secundário educacional. Veio viver para Moçambique em 1992 por razões matrimoniais. Diz ter uma vida social muito simples e menos activa, que lhe oferece poucas doses de adrenalina, já que não é de “baladas nocturnas”. Prefere ficar em casa, dando atenção aos seus dois filhos, de 18 e 13 anos. Mas adora ir ao cinema, estar com amigos, participar em pequenos convívios e jantares e considera a leitura uma boa terapia para a sua saúde. Sempre que possível, não deixa de se maravilhar com as “landscapes” do Bilene e da Inhaca, para onde leva os amigos angolanos que a visitam. Animada pela recuperação da malha rodoviária, sempre que estiver em Angola viaja de carro para melhor desfrutar das belezas paisagísticas que o país do atlântico oferece. Não parece é que adore todas as iguarias moçambicanas. O frango zambeziano, sim!, mas vai cochichando que não morre de amores pela cacana

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OBSERVATÓRIO DO TURISMO vai estimular a competitividade
ntecedido por uma sessão de visualização de fotografias com o tema “Turismo na Cidade de Maputo”, foi lançado no Centro de Conferências Joaquim Chissano, o Observatório do Turismo da Cidade de Maputo, um organismo que vai promover a análise, a divulgação e acompanhamento da evolução das actividades turísticas de forma responsável e proactiva. Para além de identificar fraquezas, oportunidades e tendências do mercado, espera-se ainda que, em tempo real, o organismo ofereça aos sectores público e privado, incluindo potenciais investidores, informações de inteligência de mercado que possam ajudar na tomada de decisões. Para o efeito, o Observatório do Turismo da Cidade de Maputo (OTCM) conta com um boletim (que poderá ser alvo de subscrição através do e-mail: observatorioturmaputo@gmail.com), e onde os interessados pelo sector poderão encontrar análises, dados estatísticos, relatórios e todas as informações que balançam as tendências dos mercados turísticos de Maputo, do País e do
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«...considera o Turismo um dos sectores que mais contribuem para o desenvolvimento económico e social da ‘Pérola do Índico’, através da criação de novos postos de trabalho, geração e distribuição de renda, vincou a necessidade do envolvimento de todos os parceiros do Observatório para que se possa estimular o investimento e melhorar o diálogo entre os operadores da área, aumentando assim os níveis da competitividade.»
ambiente de negócios no País, apontando a revisão do regulamento de alojamento turístico, a restauração e bebidas e as salas de dança, prevendo que ainda este ano arranque o licenciamento elecDR

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turismo
Inúmeros actores do Sector do Turismo estiveream presentes

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Mundo. Por outro lado, existe um blog dedicado ao OTCM, também disponível em http://observatoriomaputo.blogspot.com/. No seu discurso de lançamento do Observatório, o ministro do Turismo, Fernando Sumbana, apelou aos empresários do ramo turístico para uma colaboração na sistematização e fornecimento de dados às instituições competentes, no sentido de garantir informações fiáveis que contribuam para a gestão e na busca de soluções para os problemas do sector. «Pretendemos caminhar para a instituição da conta satélite do turismo, um instrumento que vai permitir quantificar a procura e oferta turísticas no quadro das contas nacionais, através de indicadores e rácios que explicam como o turismo, em cada uma das suas formas, intervém na economia nacional”, referiu o titular da pasta do Turismo, que entende o estabelecimento da conta satélite como a única forma de avaliar os reais resultados do sector para o desenvolvimento económico do país. Sumbana fez menção ao estudo da cadeia de valores de Maputo, realiza-

do pela Organização Holandesa para o Desenvolvimento (SNV), dando conta que anualmente mais de 300 mil turistas visitam a Cidade de Maputo, produzindo uma receita média de 95 milhões de dólares americanos, indicadores que, nos próximos anos, poderão atingir proporções satisfatórias, com a melhoria da qualidade dos serviços prestados ao público. Actualmente, a cidade de Maputo constitui um dos destinos turísticos privilegiados do continente africano e possui uma oferta de alojamento de cerca de 9.500 camas, o equivalente a 25% da capacidade de alojamento a nível nacional. Observatório por um melhor doing Business Sobre a exiguidade de fundos de incentivo aos privados associada às elevadas taxas de impostos que constituem barreiras ao investimento, o ministro disse estarem em curso medidas que visam simplificar os procedimentos relativos à criação e gestão de empresas, de forma a melhorar, cada vez mais, o

trónico do Turismo. O presidente da Federação Moçambicana de Turismo e Hotelaria (FEMOTUR), Quessanias Matsombe, que considera o Turismo um dos sectores

que mais contribuem para o desenvolvimento económico e social da ‘Pérola do Índico’, através da criação de novos postos de trabalho, geração e distribuição de renda, vincou a necessidade do envolvimento de todos os parceiros do Observatório para que se possa estimular o investimento e melhorar o diálogo entre os operadores da área, aumentando assim os níveis da competitividade. Ainda de acordo com aquela fonte, dados da Cadeia de Valores de Turismo indicam que os impactos económicos estendem-se de forma directa a, pelo menos, cinco subsectores nomeadamente, Hospedagem, Restaurante e Bares, Transportes, Artesanato e Comércio, e indirectamente a outras trinta áreas associadas ao ramo. A Cerimónia contou com a presença do Federico Vignati, da Organização Holandesa para o Desenvolvimento, Celestino Jamal em representação do Município de Maputo, Osória Gerachane, Directora do Turismo da Cidade de Maputo, entre diversos actores que operam na Indústria do Turismo.
Elias Matsinhe

Fernando Sumbana, ministro do turismo e Quessanias Matsombe, presidente da FEmotur

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Indústria em Angola e Moçambique cresce rápido mas cria pouco valor
classificados como países que estão a "recuperar terreno" ao resto do continente. À excepção da Guiné-Bissau, que está no grupo dos países com mais baixo nível industrial, os 4 países africanos lusófonos são incluídos no nível intermédio, com Cabo Verde mais próximo dos grupos com mais criação de valor a nível industrial. Além de conseguirem níveis de crescimento de valor acrescentado per capita "substancialmente maiores" que a média africana, países como Angola e Moçambique conseguiram acelerar o ritmo de crescimento industrial face a 1999-2000, atingindo nos últimos 10 anos taxas de 13 e 8%, respectivamente. "Isto indica que estes países não apenas criaram os pré-requisitos básicos essenciais para desenvolver os seus sectores industriais, mas também conseguiram com sucesso afinar a sua abordagem à medida que o processo industrial prosseguia", adianta. O relatório refere que Angola e Moçambique não devem tomar como um dado adquirido a continuação do crescimento industrial, e que devem desenvolver esforços para transformar as poucas actividades industriais existentes numa base industrial bem estabelecida. "A diversificação das suas actividades industriais para abranger novos sectores e processos de maior valor acrescentado terá um papel crucial para atingir o objectivo de se tornarem nações industriais competitivas", adianta. Segundo o documento, África está a perder terreno, a nível global, na indústria de trabalho intensivo, que é de particular importância, por permitir a criação de empregos, mas registou alguns progressos em processos industriais com maior incorporação tecnológica, como os químicos. UNCTAD e UNIDA recomendam uma maior ligação ao sector agrícola, promoção da inovação científica e tecnológica e desenvolvimento da capacidade dos Governos para implementarem políticas industriais, além do alinhamento com as políticas orçamentais e monetárias e criação de mercados regionais.

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ngola e Moçambique foram os dois países lusófonos com o ritmo de industrialização mais rápido nas últimas duas décadas, mas as suas indústrias continuam a criar pouco valor, segundo o relatório apresentado por agências das Nações Unidas. A conclusão consta no Relatório de Desenvolvimento em África 2011, das agências da ONU para o Comércio (UNCTAD) e Desenvolvimento Industrial (UNIDA), que sublinha que a produção industrial de África é ape24 mAio.junHo.2011

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nas 1% do total global, e que a aposta neste sector é vital para o crescimento económico e a redução da pobreza no continente. Angola, refere o estudo, "viveu um dos mais dinâmicos processos de crescimento industrial de todos os países africanos nas últimas décadas". Contudo, com um valor acrescentado per capita de apenas 66 dólares, a sua base industrial "ainda é muito baixa". "O Governo enfrenta o desafio de como promover o desenvolvimento industrial tendo um sector petrolífero dinâmico que ofusca

o da indústria", afirmam UNCTAD e UNIDA, que recomendam mesmo ao Executivo uma "mudança na estratégia industrial". Juntamente com Moçambique e Uganda, Angola integra o grupo dos países que, dentro de um nível de industrialização médio para o padrão africano, registaram crescimentos mais acentuados. Seychelles, Maurícias, África do Sul, Suazilândia e Tunísia são os países que apresentam maior valor acrescentado industrial. Angola e Moçambique são

"A diversificação das suas actividades industriais para abranger novos sectores e processos de maior valor acrescentado terá um papel crucial para atingir o objectivo de se tornarem nações industriais competitivas"
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X JOGOS AFRICANOS

ENTREVISTA

«Xadrez em Angola não é amador»
Governo angolano tem plano de preparação extensivo para xadrez
Em conversa com a Kandando, o chefe da delegação angolana, o ex-xadrezista internacional, Manuel Pedro, embutida a sua alma por um espírito de incertezas, tenta desenhar nas entrelinhas as causas que levaram a sua turma a um autêntico martírio. Entretanto, ficámos a saber que apesar do insucesso neste campeonato, Angola olha para os Panafricanos de Setembro com um certo entusiasmo.
Como é que olha para este campeonato em termos de níveis organizacionais assim como de resultados que conseguiram conquistar? Duma forma geral, caracterizo este campeonato como um sucesso, na medida em que ainda não se verificou nenhuma anomalia em termos organizativos. Agora, no que tange à competição em si, nós podemos ver nesta prova jogadores de renome internacional, como é o caso de Adly que é o virtual vencedor deste campeonato. O ex- campeão mundial dos júniores, para todos os efeitos, dispensa comentários. Portanto, há outros jogadores de grande mérito internacional que vieram do Egipto e um pouco de toda a África para se juntarem a esta prova com o melhor nível competitivo. Deu para perceber que em termos de resultados, Angola não conseguiu alcançar o que era desejado. O que terá falhado na sua óptica? Bom, falando propriamente de Angola, perspectivávamos subir ao pódio. Se formos a ver a última participação da Angola neste tipo de competição, o país levou a medalha de prata, através do Adérito Pedro. Desta vez, vínhamos com a mesma ambição. Os jogadores já têm um nível competitivo aceitável, eles vêm trabalhando desde Janeiro não propriamente a contar para esta prova, mas a contar para a prova que vem, que por sinal vai ser disputada cá em Maputo (X Jogos Africanos), e, de Janeiro a esta parte, eles têm jogado por mês como forma de melhorar as performances e de atingir um nível competitivo aceitável. Neste momento, não consigo identificar o que esteve na base deste inmAio.junHo.2011 27

desporto opinião

desporto

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adrezistas de África do Sul, Angola, Uganda, Zâmbia, Zimbabwe, Argélia, Botswana, Egipto e

Costa do Marfim, estiveram de 4 a 13 de Junho em Maputo, para disputarem o campeonato africano da modalidade. Quando deixaram os seus países, todos

tinham um objectivo em comum, tornarem-se vencedores do campeonato africano de xadrez, mas o entusiasmo e a atitude competitiva, que cada um empunhava, constituíam a força motriz que os levou a lutar pelo troféu. O decurso do campeonato mostrou que as dificuldades superaram as aptidões dos jogadores, de tal forma que mesmo o país anfitrião, não teve o suficiente fôlego para escapar da pujança dos egípcios que perseguiram o sonho, com técnica e táctica, dilacerando os seus adversários em encontros, verdadeiramente, agónicos. Adly Ahmed, o ex-campeão mundial dos úniores e melhor posicionado no ranking com 2.630 pontos, tornouse o potencial vencedor da prova com 8 pontos, seguido pelo seu compatriota El Gindy Essen, em ex-quo com o sulafricano Steel Henry Robert, com 6.5 pontos. Angola, sem a presença feminina, contava com aquele que já garantiu ao país a medalha de prata. Contas feitas resultaram em Adérito Pedro com 2.339 pontos de ranking inicial, Domingos Ediberto com 2.201 e Soares Erikson com 2.191 pontos. Os cálculos aritméticos indicam que dos três, ficou em melhor posição o Adérito que obteve 4.5 pontos contra 4 e 3.5 pontos de Ediberto e Erikson, respectivamente, resultados que colocam os jogadores em posições desvantajosas de competitividade, considerando que em Setembro teremos os X Jogos Africanos em Maputo, onde os desafios se mostram ainda maiores.

sucesso. O pessoal lá em Angola, às vezes, liga e pergunta o que se está a passar em Maputo. Sinceramente, não consigo dar uma resposta plausível sobre aquilo que se está a passar, porque neste momento a prova está a acabar. Nós contávamos estar a fazer contas dos lugares cimeiros, mas por incrível que pareça, estamos a fazer contas na cauda. E com estes resultados, que desafios Angola tem para enfrentar a competitividade nos Jogos Africanos de Se-

tembro? Cada coisa é uma coisa, não é!? Uma coisa é o campeonato africano, outra coisa são os Jogos Africanos. Para os Panafricanos que já estão próximos, o governo angolano tem um plano de preparação extensivo para todas as modalidades, incluindo o xadrez. Este insucesso não nos vai fazer parar. O governo angolano conta com o xadrez, modalidade que tem levado grande número de medalhas para o país. Nós vamos voltar para Luanda, vamos ava-

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desporto

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liar a fino aquilo que esteve na base do insucesso, e se for possível mexer aqui e acolá, remodelar a selecção quanto aos aspectos técnicos. Vamos tentar arranjar um grupo mais coeso de maneira a

responder com a expectativa que reina em torno dos Jogos Africanos. Disse que a Federação angolana de xadrez conta com apoio por parte das

entidades governamentais. Que tipo de apoio se refere? Duma forma geral, o xadrez em Angola não é amador. O xadrez em Angola é semi-profissional e a Federação dá os seus apoios às selecções, mas os atletas em si têm os seus clubes, recebem os ordenados dos clubes, prémios pelos clubes. Quando se trata da selecção nacional, temos aquele apoio primário, um subsídio para os atletas, transporte, alimentação, entre outros. Têm-se realizado torneios pré-competitivos para melhorar a qualidade dos jogadores. Só para ver, no mês passado, Angola realizou o Torneio Internacional da Taça-Cuca, e contou com jogadores da nata do xadrez mundial, como é o caso do vencedor da prova, o grande mestre Inglês, Nigel Short, do grande mestre Holandês, Sergei Tiviakov. Contou igualmente com o grande mestre português, António Fernandes e com o ex- campeão africano, Robert Gwase. Nesta prova, Angola participou com a pré-selecção no xadrez e jogou a pensar nesta competição e naquela que se avizinha, que por sinal são os X Jogos Africanos. Portanto, ao nível de apoio não digo que temos muitos fundos, dá-se o mínimo para que o atleta se sinta em condições de responder às expectativas que lhe são exigidas.

II MOSTRA DE JOVENS CRIADORES DA CPLP Estilistas e modelosmoçambicanos fazem furor
II Mostra de Jovens Criadores da CPLP foi antecedida pela I Mostra do género, realizada na cidade de Lisboa - Portugal, de 19 a 23 de Março de 2009. Mas antes da realização deste evento, decorreram entre 2006 a esta parte, a Bienal de Jovens Criadores da CPLP em Cabo Verde, no ano de 1998, a II Bienal de Jovens Criadores da CPLP em Portugal, no ano de 2001 e a III Bienal de Jovens Criadores da CPLP – Moçambique em 2006. Ou seja, estamos a falar de um evento com um contexto que revela uma certa longevidade. As Bienais de Jovens Criadores da CPLP foram substituídas pela Mostra de Jovens Criadores da CPLP em 2009, cuja designação e realização foi recomendada pelos ministros da Juventude dos Estados-membros. A Mostra configura-se como o momento ideal para divulgação da criatividade e expressão artística dos jovens, dos 18 aos 35 anos, da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. No âmbito da implementação do

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Programa de actividades do Sector da Juventude previsto no Plano Económico e Social para o ano 2011, decorreu de 9 a 12 de Junho de 2011, na Feira Internacional de Luanda – FIL, em Angola, a II Mostra de Jovens Criadores da Comunidade de Países de Língua Portuguesa – CPLP, sob o lema “Juventude, a energia inovadora da CPLP”. A II mostra dos jovens criadores da CPLP, teve como objectivos promover a interacção entre artistas dos países membros da CPLP em início de carreira e despoletar novos talentos; criar um espaço de encontro entre artistas e agentes culturais especializados; consolidar o processo da Mostra, enquanto fórum de diálogo e intercâmbio multicultural e artístico; incentivar, apoiar e promover a criatividade, a inovação e o empreendedorismo; e promover a troca de experiências entre os jovens empreendedores e criadores da CPLP. Participaram no evento 156 jovens criadores e oficiais das delegações dos países falantes da língua portuguesa,

A II Mostra de Jovens Criadores da CPLP constituiu assim uma oportunidade ímpar para a troca de experiências, capacitação e formação em diversos domínios da juventude, com enfoque para o empreendedorismo, voluntariado, gestão de centros de arte, entre outros. Em resumo, o saldo foi francamente positivo.
com excepção feita para Timor Leste e Guiné Bissau. A título de curiosidade, a delegação de Angola foi representada por 96 participantes, Moçambique por 28, Cabo Verde por 20, São Tomé e Príncipe por 7 e Portugal e Brasil, por 4 e 1
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cultura

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participantes, respectivamente. A realização da II Mostra de Jovens Criadores da CPLP foi uma oportunidade ímpar para traçar políticas e estratégias de transformação das criações artísticas dos jovens em projectos e modelos de empreendedorismo. De salientar que Moçambique animou o Espectáculo Cultural, um dos
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momentos mais altos do programa, com a apresentação do desfile de Moda da estilista, Sheila Alexandre Tique, acompanhada pelos modelos Lucia Máquina e Miraldo Kamba, entre outros jovens angolanos. Participaram também da iniciativa os humoristas e actores de teatro da Beira, bem assim o escritor Francelino Wilson.

A II Mostra de Jovens Criadores da CPLP constituiu assim uma oportunidade ímpar para a troca de experiências, capacitação e formação em diversos domínios da juventude, com enfoque para o empreendedorismo, voluntariado, gestão de centros de arte, entre outros. Em resumo, o saldo foi francamente positivo.
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