Identificando as altas habilidades no contexto escolar

UNIVERSIDADE Federal de Santa Maria CURSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO TURMA: Sudeste 8 Professor: Arlei Peripolli Tutora: Jane Storchi Carlos Corrêa

Aluno:Deborah Adriana Tonini Martini Cesar

Identificando as altas habilidades no contexto escolar

Maio de 2010

Identificando as altas habilidades no contexto escolar

“Quando as escolas incluem todos os alunos, a igualdade é respeitada e promovida como um valor na sociedade, com resultados visíveis da paz social e da cooperação” Stainback, 1999

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UNIVERSIDADE Federal de Santa Maria CURSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO TURMA: Sudeste 8 Professor: Arlei Peripolli Tutora: Aluno:Deborah Adriana Tonini Martini Cesar

Identificando as altas habilidades no contexto escolar
25/05/2010 Objetivo: Este projeto de ação pedagógica está focado na identificação dos alunos com altas habilidades no contexto escolar. Apesar da identificação dos indivíduos com altas habilidades não ser mais importante do que o trabalho que deve ser desenvolvido com esses alunos, identificar é o primeiro passo a ser dado rumo às práticas adequadas ao atendimento dessa necessidade especial. O processo de identificação dos alunos com altas habilidades também deve servir como um momento de aprendizagem para todos os docentes da escola de ensino regular que, muitas vezes, ainda têm uma visão estereotipada sobre a superdotação e as altas habilidades. No momento em que o professor estiver empenhado em identificar os alunos com altas habilidades, precisará aprofundar-se manifestações. Justificativa: Este PAP tem por finalidade identificar os possíveis alunos com altas habilidades, para que em uma etapa seguinte se possam estabelecer práticas que atendam a essa clientela, conciliando esse atendimento às práticas educacionais cotidianas. cotidianamente no estudo das características desses indivíduos para que possa identificá-los em suas diferentes

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Metodologia: Primeiramente, antes de iniciar qualquer projeto no âmbito escolar, é necessário que o mesmo integre o PPP, a fim de que toda a escola e comunidade estejam cientes do trabalho a ser realizado e também compreender a relevância de se identificar os alunos com altas habilidades. A partir do momento em que o projeto integrar o projeto maior da escola, as ações e prática deverão ampliar e consolidar o projeto no âmbito escolar. Reunir os representantes dos segmentos escolares e órgãos colegiados além de ser uma maneira de legitimar o projeto junto à comunidade escolar, é uma maneira de se ampliar contatos e encontrar parceiros que possam dar suporte ao projeto, além de agregar ideias e propostas para o desenvolvimento do mesmo. Em um primeiro momento de reunião para a apresentação do projeto à comunidade escolar, é preciso deixar claro o porquê da necessidade de se atender os alunos com altas habilidades, oferecendo possibilidades para que desenvolvam suas potencialidades, atendendo às necessidades especiais dessa parcela do alunado que pode apresentar alto grau de frustração e sensação de inadequação por não receber os estímulos necessários para o desenvolvimento de suas habilidades. É importante lembrar que o desenvolvimento deste projeto não exclui os demais alunos, mas certamente beneficiará toda a clientela escolar através do aperfeiçoamento constante da equipe docente. O professor que consegue entender a relevância do atendimento educacional especializado, certamente estará aberto e sensível ao aprendizado em relação aos outros tipos de necessidades educacionais , de modo que todos os alunos serão beneficiados através do projeto. A partir desse primeiro momento de sensibilização no qual já se pode estabelecer funções aos participantes do projeto, que poderão agir como mediadores entre a escola e o entorno social, buscando novos parceiros na consolidação do mesmo, inclusive agregando profissionais de diferentes áreas, como saúde, podendo formar uma equipe multidisciplinar que ofereça apoio aos docentes no processo de identificação das altas habilidades, bem como, no futuro, se disporem a se agentes relevantes no processo de enriquecimento curricular desses alunos.

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A escola, a partir desse momento inicial deve estabelecer reuniões periódicas de formação docente, momentos nos quais a equipe poderá discutir casos de alunos sobre os quais há a hipótese de se tratar de um aluno com altas habilidades. Para subsidiar o processo de identificação, a equipe deverá ter acesso à bibliografia especializada e a formulários de anamnese que possam, de alguma maneira, direcionar o olhar do educador para a identificação das características de superdotação. É fundamental que nesses momentos de formação, o professor ou profissional responsável pela mediação do projeto busque levantar os conhecimentos prévios da equipe sobre o assunto que podem condizer com a realidade ou mesmo se apoiar em visões estereotipadas, equivocadas ou em concepções já muito antigas que diferem das atuais, inclusive sob o ponto de vista do trabalho pedagógico. Esse momento de confrontar o conhecimento prévio com o embasamento científico atual é uma forma da equipe se despir de certos preconceitos e livrar-se de tabus e pressupostos que geram máximas que nem sempre condizem com a realidade, como a que diz que somente um professor superdotado é capaz de ensinar um aluno superdotado. Talvez essa ideia fosse coerente em outros tempos quando o professor era o centro do processo de aprendizagem e dele provinham todas as informações e consequentemente, o aprendizado. Um passo importante para o sucesso do projeto é analisar e rever o papel do professor na atualidade, mediante à nova face da sociedade de informação, em que o este deixa de ser difusor do conhecimento para ser mediador, favorecendo o processo de aprendizado. Sendo assim, o professor não precisa atingir a genialidade para ensinar um aluno com altas habilidades, mas precisa se aperfeiçoar no processo de mediação do conhecimento. O professor que conseguir se aperfeiçoar nesse quesito, não somente atenderá melhor os alunos com altas habilidades, mas toda a clientela escolar se beneficiará através do desenvolvimento dessa habilidade pedagógica. Para se trabalhar com a equipe docente é preciso selecionar um material que aborde a superdotação em sua complexidade, a partir de uma abordagem mais moderna, que amplie o olhar sobre as altas habilidades, não tão facilmente mensuráveis pelos testes de QI, mas percebidas através de um olhar preparado, capaz de identificar as habilidades nem sempre evidentes como nos quadros estereotipados de genialidade.

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Segundo CUPERTINO, 2008, p.33, “(...) as altas habilidades se manifestam de maneiras muito variadas, exigindo nossa atenção para que não permaneçam escondidas.” Como esse processo de identificação não é um cálculo exato e matemático, é imprescindível que os professores façam registros diários de todos os alunos para que se possam lançar hipóteses e discuti-las com o grupo, para que um quadro mais amplo possa ser desenhado sobre cada aluno, possibilitando a identificação dos alunos com altas habilidades. Quando o projeto inclui o registro de todos os alunos em busca das altas habilidades, o processo favorecerá a todos, na medida em que altas ou medianas, poderão ser identificadas e desenvolvidas. Estudar as características de diferentes casos de altas habilidades em relatos bibliográficos pode favorecer o estudo dos casos identificados na própria escola, percebendo seus sutis nuances e entendendo também o fenômeno da assincronia, que é bastante comum em indivíduos com AH, que tendem a desenvolver certas habilidades precocemente em detrimento de outras. É necessário que os professores, em conjunto com a equipe de apoio ao projeto, reconheçam como a educação pode ajudar um aluno com altas habilidades a ser feliz e bem sucedido, ao mesmo tempo em que esse mesmo aluno, não recebendo o atendimento adequado às suas necessidades pode desenvolver problemas psicológicos ligados à sociabilização, ao relacionamento com o próximo e a formação de auto-imagem negativa. Segundo OUROFINO e GUIMARÃES (2007), citados por CUPERTINO, 2008, p.36, algumas das características ligadas ao não atendimento das necessidades do aluno com altas habilidades são: •Dificuldades de relacionamento com colegas da mesma idade que não compartilham dos mesmos interesses; •Perfeccionismo; •Vulnerabilidade a críticas dos outros e de si mesmo; •Problemas de conduta (por exemplo, indisciplina), especialmente •durante a realização de tarefas pouco desafiadoras; •Tédio em relação às atividades curriculares regulares; •Tendência a questionar regras. A equipe formada pelos representantes dos segmentos escolares e comunidade

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favorece o surgimento de um trabalho conjunto, que compartilha com a equipe gestora as responsabilidades na implementação e manutenção de uma educação inclusiva, no entanto, o papel da liderança da equipe gestora é fundamental para a a consolidação das ações implementadas. Segundo Burello e Loshley (1992), citados por STAINBACK, 1999 , p. 133. ''Os líderes criam uma cultura compartilhada que desafia a equipe e os alunos a assumirem a responsabilidade por seu próprio ensino e a ajudarem a moldar a educação em uma democracia.” Para a estruturação de um projeto de educação inclusiva é preciso que os membros da equipe de implementação tenham crenças que, segundo STAINBACK, 1999, p.133, são necessárias para oferecer esse suporte, dentre elas, a responsabilidade que todos devem ter em relação à educação de cada aluno, “todos os alunos se beneficiam da participação em turmas e escolas inclusivas” , “todos na escola estão centrados na satisfação da necessidade de todos os alunos em um sistema de educação unificado”. Essas crenças podem reforçar a relevância do trabalho da equipe cooperativa, que não estará trabalhando apenas em prol dos alunos com altas habilidades, mas a partir do conhecimento dessa necessidade educacional específica, buscar maneiras de atender a toda a clientela escolar em sua especificidade. Para que esse compromisso firmado possa ser sempre lembrado, tornando-se uma espécie de ideário coletivo, a criação de banners com as principais missões e metas a serem alcançadas pela escola em relação a esse atendimento pode ser útil, para que o trabalho seja mantido com a mesma força e regularidade de seu início. Estabelecer um prazo para que o processo de identificação aconteça, com uma data para o início e para o término, é uma maneira de não se perder o foco e a objetividade do trabalho. A elaboração de um cronograma de encontros e ações favorece essa continuidade esperada. Quando uma escola começa a perceber a importância de oferecer um ensino inclusivo, certamente, não poderá deixar de pensar na educação sob essa perspectiva, de modo que a tendência seja a de estudar, identificar e atender todos os alunos com necessidades, especiais ou não. Uma equipe gestora que tenha estabelecido um compromisso sério com a educação inclusiva deverá programar e manter uma agenda de estudos e encontros para que todos os ANEE sejam identificados e atendidos, pois identificas as necessidades e não atendê-las é um trabalho improfícuo. A identificação, sem um trabalho pedagógico adequado é mera rotulação, que pode apresentar sua face mais obscura, a da segregação.

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Um aspecto relevante no trabalho com os alunos com altas habilidades é não estigmatizá-los, de modo que se sintam superiores aos demais colegas, mas deixar claro que são somente um pouco diferentes, nem melhores ou piores que os demais alunos, mas que podem ser úteis à escola e à sociedade se canalizarem suas habilidades para as boas coisas, assim como todos os demais alunos, que têm muito a ensinar e a aprender. Dessa maneira, a diferença passa a ser vista apenas como diferença e não como elemento de hierarquização, seja no âmbito escolar ou social. Nem mesmo o processo de identificação pode se parecer com uma “caça aos gênios”, mesmo porque os relatórios e observações dos professores e equipe de apoio servirão para identificar as habilidades de todos os alunos e não há quem não as tenha. Durante o estudo para identificar as altas habilidades, um ponto deve ficar bem claro a todos: identificar as diferenças e necessidades deve ser uma maneira de conhecer melhor os alunos para tornar as práticas mais inclusivas, coerentes e adequadas e nunca para hierarquizar indivíduos. Resultados esperados: Espera-se que com a aplicação desse projeto de ação pedagógica, a escola se instrumentalize para identificar os alunos com altas habilidades e, durante esse processo, todos os alunos possam ser melhor conhecidos em suas potencialidades, de modo que toda a clientela escolar possa ser beneficiada através da implementação deste projeto. Repensar no papel do professor provocando mudanças positivas também é um dos resultados esperados. Estando a equipe gestora e de apoio preparadas para identificar os alunos com altas habilidades, espera-se que em um momento subsequente estejam organizados e instrumentalizados para dar continuidade ao processo de atendimento aos alunos através de ações que permitam adequar a prática pedagógica para que essa clientela seja atendida de maneira satisfatória. Avaliação A avaliação do projeto deve ser contínua, através dos questionamentos propostos

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durante as reuniões da equipe de apoio, de modo que em todo o tempo o trabalho se mantenha adequado e proveitoso, corrigindo eventuais desvios de percurso. Ao final da implementação do projeto, a equipe deve se reunir para avaliar a consecução das metas a serem alcançadas, estabelecidas nas reuniões iniciais e também durante o processo, buscando se organizar para a construção de um novo cronograma para se refletir sobre as mudanças pedagógicas necessárias de uma maneira mais específica, a fim de que se supere a fase inicial de identificação, que é importante, mas apenas a primeira etapa para o desenvolvimento de um processo de adequação contínuo. Referências CUPERTINO, C. M. B. Um olhar para as altas habilidades – construindo caminhos. São Paulo: SEESP, 2008. STAINBACK, S., STAINBACK, W. Inclusão- Um Guia para educadores. Porto Alegre: Artmed, 1999. VIEIRA, N.J.W. MÓDULO VIII – Atendimento Educacional Especializado para alunos com ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO . UFSM, 2010. Projeto Escola Viva - Garantindo o acesso e permanência de todos os alunos na escola - Alunos com necessidades educacionais especiais,Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial, C327 2002, Série 2. Cartilha 9 – Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me000452.pdf

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