MODELAÇÃO NUMÉRICA DE

FENÓMENOS DE TRANSFERÊNCIA

























Trabalho Prático
B-10



Modelação
De Um
Escoamento
Laminar
Bidimensional
Com
Transferência
De
Calor








Universidade de Coimbra
Faculdade de Ciências e Tecnologia
Departamento de Engenharia Mecânica
Janeiro de 2010
Rafael José Gaspar Figueiras
1

Índice
A - Introdução ........................................................................................................................... 2
A.1 – Sobre o caso em estudo ............................................................................................... 2
A.1.1-Definição de Objectivos............................................................................................ 3
B - Método de Análise e Considerações ..................................................................................... 4
B.1- Discretização .................................................................................................................. 4
B.2 - A equação geral de conservação ................................................................................... 5
C – Sobre o Problema ................................................................................................................ 8
C.1 – Definição do domínio e fronteiras. ................................................................................ 8
C.2 – O programa de cálculo .................................................................................................. 9
C.2.1 - Sobre o Ficheiro de Dados.txt: ................................................................................ 9
C.2.2 - Definição de coordenadas: ................................................................................... 10
D - Apresentação de resultados............................................................................................... 12
D.1 – Comparação de malhas .............................................................................................. 12
D.2 – Análises para a melhor malha ..................................................................................... 14
D.2.1 – Sobre a quantidade de movimento ...................................................................... 14
D.2.2 – Sobre a velocidade de escoamento...................................................................... 15
D.2.3 – Sobre a distribuição de temperatura ................................................................... 21
D.2.4 – Sobre a potência trocada com o escoamento ...................................................... 24
E – Análise do escoamento com variação das dimensões do obstáculo A ................................ 25
E.1 – Sobre o campo de Escoamento ................................................................................... 25
E.2 – Sobre o Campo de Temperatura ................................................................................. 28
E.3 – Sobre a potência transmitida e a temperatura média de saída .................................... 30
F – Notas Finais ....................................................................................................................... 31
G – Bibliografia ....................................................................................................................... 31







2

A - Introdução
O presente trabalho é desenvolvido no âmbito da cadeira de Modelação Numérica de
Fenómenos de Transferência do curso de Engenharia Mecânica, será então importante, como
nota introdutória, falar um pouco do que a modelação representa a nível geral. Modelar é
simular um acontecimento/fenómeno com o máximo de veracidade; com esta simples e
resumida definição (talvez até resumida de mais) se tem a percepção de que modelar é um
instrumento fortíssimo quando se pretende fazer um projecto de raiz, ou mesmo analisar um
fenómeno existente (o que será o caso neste trabalho). Quando se modela/simula algum
acontecimento está a prever-se o comportamento que ele terá em funcionamento real, sem que
seja necessário que ele aconteça de facto, o que é, a nível de interpretação do fenómeno, nível
económico, nível preventivo entre outros, uma mais-valia que hoje em dia se revela cada vez
mais imprescindível. A afinidade que todos nós temos com uma imagem é mais estreita do que
com uma descrição textual (ainda que seja esta última indispensável) pelo que só há
vantagens em “juntar o útil ao agradável” e compilar as duas partes, associando a
acontecimentos naturais a sua explicação teórica e a simulação da sua evolução física.

A.1 – Sobre o caso em estudo
A situação real que este trabalho tem por objectivo estudar é o escoamento de água num
depósito, como mostra a ilustração 1. O escoamento, supostamente em regime laminar,
descreve uma trajectória parcialmente em chicana por efeito dos deflectores A, B e C, entrando
e saindo pelas zonas a vermelho conforme é mostrado.

Ilustração 1 - Esquema do sentido do escoamento e dos obstáculos, entrada e saída.
Os obstáculos são construídos em alumínio (k = 237
w
m
2

, ) sendo que o B é gerador
de calor á taxa de, q
g,B
= 8 ∗ 10
6 w
m
3 ,
̇
, e os restantes (A e C) isolantes. Sobre interface de
entrada o escoamento é caracterizado por uma velocidade horizontal (segundo x) de u
ìn
=
0,01
m
s
⁄ e uma temperatura de I
ìn
= 10℃, sendo as condições de saída calculadas pelo
A
B
C
3

programa a implementar. È importante referir que todas as fronteriras do depósito são isolantes
com excepção da fronteira Sul que deve ser modelada a uma temperatura estática de I
q
=
100ºC, mais á frente aquando da definição de fronteiras e imposição de condições será de
novo relembrado este parágrafo. Segue-se um quadro com as dimensões do depósito, dos
obstáculos e das interfaces com o exterior:

Dimensão Horizontal (L [cm]) Dimensão Vertical (H [cm])
Obstáculo A 0,8 6
Obstáculo B 0,8 7
Obstáculo C 0,8 2,4
Depósito 12 8
Entrada do escoamento -- 2
Saída do escoamento -- 2

A.1.1-Definição de Objectivos
1. Simulação numericamente o escoamento para a configuração e as condições referidas,
interpretar os campos do escoamento e de temperatura por recurso à sua representação
gráfica (vectores-velocidade, linhas de corrente, linhas/zonas isotérmicas, linhas/zonas de
isovalores do módulo da velocidade, etc.)
2. Estudar a influência do refinamento da malha de discretização, quer sobre as distribuições
de velocidade e de temperatura, quer sobre os valores da potência total transmitida ao
escoamento e da temperatura média deste à saída.
3. Adoptando a malha de discretização mais apropriada, e considerando as dimensões H
obst
=
4, 5, 6 e 7 cm, estudar o efeito da variação da altura do deflector A sobre os campos do
escoamento e de temperatura. Interpretar os resultados, referindo-se também ao efeito sobre
a potência térmica transmitida ao escoamento e a temperatura média de saída.






4

B - Método de Análise e Considerações
B.1- Discretização
Como se percebe é necessário tornar discreto um domínio contínuo que se pretenda
estudar, essa discretização é feita de maneira já definida e assente na teoria dos nodos e dos
volumes de controlo. Um domínio espacial (por natureza continuo) é dividido em pontos ou
nodos que caracterizem o domínio e por volumes de controlo em que os nodos são o ponto
central e as fronteiras dos volumes de controlo estão a meia distância entre os nodos vizinhos.
Os nodos são os lugares do domínio em que a variável que se pretenda estudar (definida
genericamente por) irá ser analisada, a malha computacional (rede de nodos e volumes de
controlo) irá facilitar o estudo pois permitirá a definição da variável em cada nodo e o seu
relacionamento com os nodos vizinhos, já que a face norte de um volume de controlo irá ser
coincidente com a face sul do nodo que se situar imediatamente acima do primeiro, sendo essa
fronteira uma zona comum aos dois. O estudo de é feito com base em equações de
discretização algébricas (pois se pretendem o mais simples possível) que decorrem do
desenvolvimento da equação geral que modela o fenómeno e de pressupostos de variação de
entre nodos que se terão de ter em conta (média aritmética ou média harmónica). As equações
algébricas são uma forma aproximada de representar um fenómeno que é caracterizado por
equações exactas (diferenciais) que o representam. Como se abordou anteriormente, é
necessário tornar discreto um domínio contínuo que se pretenda estudar, essa discretização é
feita de maneira já definida e assente na teoria dos nodos e dos volumes de controlo. Um
domínio espacial (por natureza continuo) é dividido em pontos ou nodos que caracterizem o
domínio e por volumes de controlo em que os nodos são o ponto central e as fronteiras dos
volumes de controlo estão a meia distância entre os nodos vizinhos. Os nodos são os lugares
do domínio em que a variável que se pretenda estudar (definida genericamente por ) irá ser
analisada, a malha computacional (rede de nodos e volumes de controlo) irá facilitar o estudo
pois permitirá a definição da variável em cada nodo e o seu relacionamento com os nodos
vizinhos, já que a face norte de um volume de controlo irá ser coincidente com a face sul do
nodo que se situar imediatamente acima do primeiro, sendo essa fronteira uma zona comum
aos dois. O estudo de é feito com base em equações de discretização algébricas (pois se
pretendem o mais simples possível) que decorrem do desenvolvimento da equação geral que
modela o fenómeno e de pressupostos de variação de entre nodos que se terão de ter em
conta (média aritmética ou média harmónica). As equações algébricas são uma forma
aproximada de representar um fenómeno que é caracterizado por equações exactas
(diferenciais) que o representam.




5

B.2 - A equação geral de conservação
A equação que interessa referir para este trabalho é a equação geral da conservação,
(estudos de outras áreas podem e têm bases em outras equações, basta pensar no estudo de
mecânica de sólidos). É caracterizada por um termo transiente (variável no tempo que
representa a taxa de variação de ¢ local) um termo difusivo (que representa a variação de ¢
por difusão, fluxos de entrada e saída do volume de controlo) um termo advectivo (que
representa a variação de ¢ por taxa de quantidade de movimento envolvida, o que ocorre
quando há escoamento/velocidade, no volume de controlo sendo por isso sido desprezado no
primeiro trabalho em que se pretendia modelar fenómenos condutivos) e um termo
representativo de fontes ou poços, como se mostra:


Atribuindo diferentes valore á variável genérica ¢, obtêm-se as equações relativas á
conservação de diferentes grandezas. Neste trabalho é importante relembrar que, ao contrário
do que aconteceu no primeiro trabalho em que se desprezou o termo advectivo e com isso
fenómenos convectivos, neste esses fenómenos terão que ser tidos em conta. A incorporação
desse fenómeno não é directa, pois está associado a mecanismos de transferência/transporte
de propriedades (temperatura, quantidade de movimento etc. etc.) difusivos e advectivos
simultaneamente. O desenvolvimento desde a equação geral de conservação até à equação
que será utilizada para simular a situação (equação mais simples de coeficientes) tornaria o
texto pesado pelo que se irá omitir parte dela e apenas se fará referência às considerações que
se têm que ser tidas em conta no seu desenvolvimento. Admitindo um escoamento contínuo, o
que é caracterizado pela equação da continuidade (obtida com Φ = 1 na equação de
conservação) e define um escoamento em que a quantidade de fluido que entra é igual à
quantidade de fluido que sai
1
, é possível chegar à equação de coeficientes constates seguinte:

1
Não havendo por isso nem enchimento nem esvaziamento
6

o
P
Φ
P
= o
L
Φ
E
+ o
w
Φ
W
+ o
N
Φ
N
+o
S
Φ
S
+b
Em que
2
:
o
L
= _−C
c
, _Ð
c

C
c
2
] , 0_
o
w
= _−C
w
, _Ð
w

C
w
2
], 0_
o
N
= _−C
n
, _Ð
n

C
n
2
], 0_
o
S
= _−C
s
, _Ð
s

C
s
2
], 0_
o
P
= o
L
+ o
w
+o
N
+ o
S
+ o
p
0
−S
P
Δx Δy
o
p
0
=
p
P
0
Δx Δy
Δt

b = S
0
Δx Δy + o
p
0
Φ
p
0

S
0
−portc constontc Jo tcrmo ¡ontc
S
P
− portc :oriá:cl Jo tcrmo ¡ontc
S = S
P
I
P
+ S
u
→ Icrmo ¡ontc
Até chegar a uma equação de coeficientes positivos e constantes é necessário
discretizar o domínio contínuo, o que é feito tendo em conta os valores dos parâmetros
intervenientes em (1) nas fronteiras dos volumes de controlo. O modo como é admitida a
relação entre os valores nessas fronteiras pode adoptar 3 sistemas diferentes:
1. Diferenças centradas (admitindo este que a variação entre fronteiras do volume
de controlo e o nodo é linear)
2. Upwind (caracterizado por definir coeficientes de acordo com o valor, positivo ou
negativo, do parâmetro de convecção e com o valor do nodo a montante da
fronteira a estudar)
3. Híbrido (que usa o número de Peclet para definir as constantes, fundamentos
relativos aos sistemas 1 e 2 e ainda considerações de esquema exponencial que
aqui não se mostra)
Tendo em conta um dos modelos supracitados e fazendo uso da equação de
conservação, com o termo difusivo do lado direito (a fim de tornar a equação unicamente

2
O operador ‖ ‖, define o maior dos valores que caracterizam o seu argumento
7

composta por termos positivos) consegue definir-se os coeficientes C e D (C - convecção; D –
difusão) que serão de seguida mostrados omitindo o processo de dedução:
C
c
= (pu)
c
Δy ; Ð
c
=
Γ
4,c
o
x
LP
∆y
C
w
= (pu)
w
Δy ; Ð
w
=
Γ
4,w
o
x
Pw
∆y
C
n
= (pu)
n
Δx ; Ð
n
=
Γ
4,n
o
x
NP
∆x
C
s
= (pu)
s
Δx ; Ð
s
=
Γ
4,s
o
x
PS
∆x
Parâmetro Descrição
o
p
0
Valor “velho
3
” do coeficiente a no nodo P
Φ
p
0
Valor “velho” da variável Φ no nodo P
p
P
0
Valor “velho” da massa volúmica no nodo P
Δx Dimensão horizontal do volume de controlo
Δy Dimensão vertical do volume de controlo
Δt Intervalo de tempo, “passo” de tempo
o
B
AP
Distância entre a fronteira A
4
do volume de
controlo e o centro deste segundo B
5


Será ainda importante referir que no seguimento deste trabalho foi usado o modelo híbrido.








3
Entenda-se por valor “velho” o valor do momento anterior ao momento de cálculo, exemplo, na
iteração 5 o valor “velho” será o valor da iteração 4.
4
Norte, Sul, Este e Oeste (N, S, E, W)
5
Segundo a horizontal (xx) ou segundo a vertical (yy)
8

C – Sobre o Problema
C.1 – Definição do domínio e fronteiras.
Nesta secção irá apresentar-se o domínio que será estudado no trabalho, bem como as
condições a que ele estará sujeito e as hipóteses que serão tidas em conta em algumas zonas
desse domínio. Seguem-se duas imagens ilustrativas do domínio em causa:




Fronteiras isolantes – São fronteiras que não transmitem qualquer energia ao fluido em
escoamento, apenas condicionam o seu movimento.
Fronteira quente (SUL) – Esta fronteira terá que ser modelada como estando a 100℃, o
que acontecerá ao longo de todo o processo de cálculo.
E
0bst

9

Zona de entrada – É uma zona que caracteriza as condições de entrada de escoamento
impondo-lhe características iniciais que será alteradas pelas condições no interior do depósito.
Nesta zona as condições são: velocidade de entrada horizontal, segundo xx, u
ìn,x
= 0,01 [
m
s
⁄ ],
velocidade de entrada vertical, segundo xx, u
ìn,¡
= 0,0 [
m
s
⁄ ], temperatura de entrada, I
ìn
=
10℃.
Zona de saída – É uma zona situada na parede oposta da zona de entrada e que será
caracterizada (em termos de temperatura, velocidade, quantidade de movimento, pressão…)
pelas condições que o escoamento terá que enfrentar no interior do depósito.
Obstáculos isolantes (A e C) – Tal como as fronteiras isolantes, estes obstáculos apenas
interferem no escoamento a nível do seu movimento não lhe transferindo qualquer energia.
Obstáculo gerador de calor (B) – Este é um obstáculo que gera calor e o transmite para
o escoamento, esse calor é gerado ao longo de todo o processo de cálculo a uma taxa
constante indicado na figura. Um gerador de calor pode ser, por exemplo, uma resistência
eléctrica.
Zona de escoamento – zona no interior do depósito onde ocorre escoamento de água,
esse escoamento vai ser afectado em termos de propriedades termodinâmicas e de movimento
pelos obstáculos e condições existentes.
C.2 – O programa de cálculo
O programa computacional utilizado para o desenvolvimento deste problema foi o
“CONVEC-2D” em linguagem FORTRAN, que está apto a resolver problema de convecção em
domínios bidimensionais. Foram necessárias algumas alterações ao programa nomeadamente
a nível de dados introduzidos. Para isso, foi alterado o ficheiro de dados a que este programa
recorre para obter os parâmetros necessários ao cálculo, que se descrevem de seguida.
C.2.1 - Sobre o Ficheiro de Dados.txt:
 Número de nodos em x e em y (i, j), Ni=62; Nj=42 (ter em conta que se deixa
sempre dois nodos para atribuição a nodos fictícios e se irá variar estes
valores).
 Coordenadas do nodos para monitorização de T(i, j) ao longo do cálculo
IMON=30; JMON=20
 Dimensões do domínio de cálculo (largura e altura em metros): FL=0,12;
H=0,08
 Variáveis para posicionamento de fronteiras e objectos (em metros)
DXS12=0,008;DYS12=0.06;DXS34=0.008;DYS34=0.07;
 Temperatura quente: Iµ = 100℃
 Temperatura de entrada: IF = 10℃
 Taxa de geração de calor do objecto B: µ02 = 8.0 ∗ 10
6
[
w
m
3
]

10

À que referir que o programa está desenvolvido para que hajam apenas 2 objectos pelo que
terão que se fazer algumas alterações de código a fim de privilegiar esse facto o que implica a
introdução de novas dimensões relativas ao objecto C. Essas alterações, uma vez que o
objecto C não será alvo de qualquer alteração ao longo do cálculo, serão introduzidas
directamente no código de cálculo na vez de constarem no ficheiro de dados.
C.2.2 - Definição de coordenadas:
A figura seguinte mostra as coordenadas nodais que foram tidas em conta para a
resolução do problema, consegue ver-se que algumas coordenadas são coincidentes, podendo
pôr-se a hipótese de atribuição de uma só para a mesma linha/coluna, tal não é feito para
evitar que o programa confunda a coordenada afecta ao domínio e a coordenada afecta ao
obstáculo, como acontece com IS4 e IS5.

C.2.2.1 - Definição de domínios existentes:
Na análise deste domínio, haverá três domínios distintos a serem caracterizados, que
serão domínios contínuos que representaram os obstáculos. A sua definição é feita no código
de cálculo implementado varrendo a área de nodos que os objectos ocupam e definido todos
os nodos correspondentes com a propriedade característica do objecto. Assim o objecto A será
definido pelo varrimento de linhas desde J=JS1 a J=JS2 e de colunas desde I=IS1 a I=IS2
impondo nessa área a condição de nodos isolantes, será feito o mesmo para o obstáculo C
com o varrimento de linhas desde J=JS5 a J=JS6 e de colunas desde I=IS5 a IS6. Para o
obstáculo C será um processo idêntico levado a cabo apenas com condição de nodos
geradores de calor para os que estiverem contidos na área entre I=IS3 e I=IS4 e J=JS3 e
J=JS4. Em termos de código FORTRAN o método de varrimento de área para atribuição de
especificações aos nodos faz-se com dois ciclos “DO” incorporados, um que varra as colunas e
outro que se encarregue das linhas. Segue-se o exemplo do obstáculo B:
11

DO J=JS3,JS4 (varrimento sobre linhas)
DO I=IS3,IS4 (varrimento sobre colunas)
VOL = SEW
6
(I)*SNS(J) (definição do volume da área pretendida)
HSORCE=QG2*VOL (cálculo da potência que essa área transmite)
SU (I,J)=SU(I,J)+HSORCE (introdução dessa potência no termo fonte)
END DO (fecho do segundo ciclo)
END DO (fecho do primeiro ciclo)

C.2.2.2 - Definição da fronteira Sul:
Neste trabalho a única fronteira que terá que ser definida é a fronteira Sul, uma vez que
está a uma temperatura diferente das restantes e por defeito o programa define as restantes
como isolantes tendo em conta os nodos fictícios. Assim é necessário varrer a linha de nodos
fictícios sul, J=1, (variando colunas) quebrando a ligação entre nodos fictícios e nodos
pertencentes ao domínio (anular o coeficiente o
s
) e atribuir a cada nodo a temperatura que se
pretende, neste caso I = 100℃.

C.2.2.3 - Tratamento dos valores obtidos
Os valores das iterações obtidos pelo programa, serão introduzidos e tratados no
programa Tecplot 7, que é um programa capaz de (a partir de valores de variáveis nos nodos)
produzir interfaces gráficas com diferentes cores que reproduzem a realidade do fenómeno. Na
secção seguinte serão introduzidas essas interfaces e apresentados os resultados.














6
SEW – é definido pelo programa e refere-se à área do V, como se está a tratar de uma fronteira Sul
essa área será desde o lado Este (E) ao lado Oeste (W) do VC
12

D - Apresentação de resultados
D.1 – Comparação de malhas
Antes de se apresentarem os resultados (ou quando um trabalho deste género funciona
como ferramenta de uso) é interessante tentar prever os resultados que se irão obter mesmo
sem ver/consultar o resultado final, a fim de averiguar da veracidade do estudo em si ou da
compreensão de quem o faz. Para este trabalho na análise de gráficos com variável a
quantidade de movimento (MV), sendo esta (grosso modo) uma multiplicação de massa por
velocidade, é plausível prever-se que o refinamento da malha tenha um efeito significativo
sobre a qualidade dos gráficos obtidos. Isto porque quanto mais forem os nodos mais focada e
definida ficará a imagem, o que traduz uma variação entre nodos cada vez mais contínua.
Prevê-se então que o refinamento da malha tenha especial importância em zonas de vértices
virados para a entrada, saídas e entrada e não tanto em domínios de escoamento “livre”.
Seguem-se os gráficos obtidos tomando para escolha da malha a usar a variável quantidade
de movimento.


13



Como se pode comprovar pelos diferentes gráficos, a simulação sofre algumas
modificações especialmente em zonas como: base do obstáculo B, quanto mais refinada a
malha menos domínio laranja aparece; zona de saída, quanto mais refinada a malha melhor
definidas são as zonas de escoamento mais rápido ou mais lento, especialmente na parte de
escoamento que passa pelo topo do obstáculo B. vê-se também que em zonas de recirculação,
tais como a zona de junção entre o obstáculo B e C o refinamento da malha não introduz
grande variação de resultados acontecendo o mesmo efeito na fronteira mais à direita do
obstáculo C. Uma vez que a malha mais refinada é a que conduz a uma melhor aproximação
da realidade será essa (82x62) a usada para as análises que se seguem.
14

D.2 – Análises para a melhor malha
Nesta secção serão introduzidos e comentados gráficos que melhor caracterizam o
escoamento, esses serão os de que mostrem a quantidade de movimento, a velocidade e a
distribuição de temperatura. Haverá lugar ainda para ser introduzida uma tabela com valores
correspondente a potência transmitida ao escoamento que será mostrada na secção D.2.4.
D.2.1 – Sobre a quantidade de movimento


Para analisar o gráfico da quantidade de movimento [
Kg∗m
s
¸ é importante ter a noção de
caudal mássico; esta grandeza é a quantidade de massa que atravessa um volume de controlo
por unidade de tempo, se considerar-mos o depósito como um volume de controlo o caudal
mássico é constante já que a quantidade de água que entra iguala a quantidade de água que
sai deste. Contudo se se considerar a entrada como volume de controlo e a saída como outro
volume de controlo os caudais mássicos de cada um não serão iguais uma vez que as
velocidades são diferentes. Tendo como base o que se acaba de expor, compreende-se que
em zonas mais estreitas do domínio, tais como a base e topo do obstáculo B e a zona de topo
do obstáculo A, a quantidade de movimento aumente, uma vez que a quantidade de água que
tem que passar por essas zonas para garantir o escoamento em regime permanente faz com
que a velocidade do escoamento aumente, aumentando consequentemente a quantidade de
movimento transportado pelas moléculas de fluido. Conseguem definir-se também zonas de
recirculação e de estagnação neste gráfico contudo a sua análise vai ser encaminhada para a
secção seguinte onde se mostrará a evolução dos vectores velocidade no depósito.

15

D.2.2 – Sobre a velocidade de escoamento


Ilustração 2 - Imagem genérica do depósito onde se representação os vectores velocidade e onde se podem notar
(embora que sem grande pormenor) a existência de recirculações e pontos de estagnação.
O gráfico que se acaba de expor, mostra os vectores velocidade do escoamento ao
longo do depósito, tal como já se havia referido na secção anterior em zonas de estreitamento
a velocidade aumenta. Consegue ver-se neste gráfico que nas zonas críticas do obstáculo B,
os vectores tornam-se praticamente horizontais, e entre os obstáculos A e B tornam-se
praticamente verticais o que se deve ao “penteamento” do escoamento nesses sentidos
imposto pelos obstáculos. Mais importante que essas zonas, é notar como se consegue ver
claramente zonas de recirculação nomeadamente nas zonas de canto (com excepção para o
canto correspondente à entrada de escoamento) e na região a montante do obstáculo B, bem
como pontos de estagnação em zonas em que a direcção do escoamento muda. Seguem-se
imagens pormenorizadas dessas zonas:
16


Ilustração 3 - Representação dos vectores velocidade em zonas de canto; canto superior esquerdo à esquerda na
imagem e cantos superior e inferiores direitos à direita da imagem.

Ilustração 4 - Representação dos vectores velocidade em zonas mais afectadas pelos obstáculos. À direita zona a
jusante do obstáculo B e em torno do obstáculo C, à esquerda zona a jusante do obstáculo A.

Nas duas imagens precedentes consegue notar-se claramente a existência de
recirculações de escoamento, zonas em que o fluido não segue o sentido esquerda-direita
criando turbilhões no escoamento. Esses turbilhões são caracterizados por um forte movimento
rotativo que fazem lembrar remoinhos e derivam do facto de imediatamente após um obstáculo
17

o fluido perder o sustento físico que o próprio obstáculo lhe fornece gerando-se um turbilhão ou
vórtice que origina as recirculações que se mostram.

Ilustração 5 - Representação de zonas de estagnação do escoamento. Consultar tabela.
Zona de estagnação Descrição
A Zona a montante do obstáculo A, próxima da
base deste.
B.1 Zona a montante do obstáculo B, próxima do
topo deste.
B.2 Zona a jusante do obstáculo B, próxima do
topo deste, apesar de mais abaixo que B.1.
B.3 Zona a jusante do obstáculo B, próxima da
base deste.
C Zona a jusante do obstáculo C, a
sensivelmente meia espessura deste.

A ocorrência de estagnação deve-se ao facto de haver separação do escoamento,
quando um escoamento “corre” em direcção a um obstáculo e é dividido por este (ao
atravessa-lo) geram-se sempre pontos de estagnação (em 3D, linhas de estagnação). Esses
pontos são a zona em que a velocidade é nula, é a zona de transição entre o escoamento que
18

sobe e o escoamento que desce, tomando como exemplo qualquer um dos casos mostrados.
Como se pode verificar em qualquer uma das zonas de estagnação, comparando os vectores
de velocidade imediatamente acima e abaixo delas, vê-se que a direcção desses vectores é
oposta relativamente ao eixo y (isto porque o escoamento é da esquerda para a direita, se o
escoamento fosse de cima para baixo ou vice-versa essa mudança de direcção seria em
relação ao eixo x). Tendo como exemplo a zona C, onde incide um escoamento da direita para
a esquerda resultado das recirculações já mostradas, ilustração 4, o escoamento divide-se,
parte sobe e parte desce e na zona de estagnação não há vector de velocidade algum pois aí a
velocidade é nula. É importante dizer que o ponto de estagnação ocorre exactamente sobre a
superfície do obstáculo a que se afecta, é um ponto sobre o obstáculo e não sobre um domínio
de fluído onde, para melhor compreensão, foram colocadas as setas de indicação de zona.

Ilustração 6 – Representação das linhas de corrente que não sofrem recirculação ao longo do escoamento.
As linhas de corrente que são mostradas na figura, foram desenhadas sem ter em conta
fenómenos de recirculação uma vez que com o software utilizado não é possível distingui-las
no mesmo desenho, nas zonas de recirculação ficam sobrepostas não se conseguindo ter
noção de como evoluem com o escoamento. Serão mostradas as correntes de recirculação de
forma pormenorizada nas páginas seguintes. Na ilustração 6 consegue ver-se que o
escoamento se faz com maior facilidade e em maior quantidade de massa (maior caudal)
através da parte superior do obstáculo B, o que seria de esperar já que o obstáculo A o
impulsiona para cima. É interessante também ver a linha de corrente que passa entre as
indicações de “Zona B” e “Zona C”, claramente uma quantidade de fluido que foi “puxada” pela
recirculação ali existente que contraria a sua saída directa para o exterior.
19


Ilustração 7 - Recirculação, zona A. Atente na escala para saber onde a recirculação ocorre.

Ilustração 8 - Recirculações sobre os obstáculos, zona(s) B. Obstáculo A à direita, obstáculo B à esquerda.
20


Ilustração 9 - Recirculações a jusante do obstáculo C, zonas C. Superior ao obstáculo à direita, inferior ao
obstáculo à esquerda.
A recirculação da direita da ilustração 9 é a responsável pelo desvio da linha de corrente
da ilustração 6 como se disse na última frase da página 18.

Ilustração 10 - Recirculações nos cantos superior e inferior, respectivamente, da direita do depósito, zonas D.





21

D.2.3 – Sobre a distribuição de temperatura
Na análise de evolução de temperatura vão definir-se os obstáculos sem preenchimento,
uma vez que um deles é gerador de calor e para além disso é interessante ver como é que a
temperatura varia no interior destes também. Segue-se uma imagem genérica que em seguida
se particularizará:

Ilustração 11 - Distribuição de temperaturas no depósito.
Como se pode constatar o obstáculo gerador de calor permanece sempre a uma
temperatura constante próxima dos 100℃, apenas com alguma nuance nos extremos onde
parra água fria, é visível também que a fronteira Sul está roda ela a uma temperatura mais
elevada, 100℃, induzindo na região de base do depósito temperaturas mais elevadas que na
região Norte.
22


Ilustração 12 - evolução da temperatura em torno do obstáculo A.
Como se vê nesta ilustração a parte a jusante do obstáculo A está mais quente que a
parte a montante, tal facto não é de estranhar uma vez que a parte que se mostra mais fria é
aquela que suporta o impacto do escoamento frio de entrada. A evolução de temperatura
quente (cerca de 65℃, verde) praticamente até ao topo deste obstáculo deve-se ao facto de a
zona sul do depósito estar a uma temperatura constante de 100℃. Mas também por nesta zona
existir uma recirculação que faz com que o escoamento evolua de baixo para cima (relembrar
ilustração 8) o que propiciará um transporte de energia calorífica nesse sentido. É também
possível ver um pequeno aumento de temperatura no sentido ascendente a montante do
obstáculo na sua parte inferior. Nesse caso a temperatura não evolui até valores de cota tão
elevados por duas razões, a primeira é a de suportar a temperatura fria do escoamento de
entrada e a segunda fica a dever-se ao vórtice de montante ser mais pequeno relativamente ao
de jusante não “arrastando” a temperatura até zonas de maior cota.
23


Ilustração 13 - Evolução da temperatura em torno do conjunto de obstáculos B+C.
Como já se definiu antes o obstáculo B é gerador de calor pelo que não estranha que se
mantenha sempre a uma temperatura constante, havendo apenas algumas variações nas
extremidades deste. Torna-se interessante notar que a temperatura escoa muito mais
facilmente para o interior do obstáculo C do que para o domínio do escoamento, o que
representa o que na realidade acontece já que no alumínio o escoamento de calor ocorre por
condução e no seio do escoamento o processo predominante é a convecção que é mais
resistente ao escoamento de temperatura. Podem ainda ver-se, zonas de tendência crescente
de aquecimento que se devem há existência de vórtices de recirculação (zona 1 e zona 2).
Conclui-se por isso que a modelação neste caso resulta quase sinónima com a realidade.
Esta secção será concluída com um gráfico de linhas isotérmicas com vista genérica
sobre o depósito em que se representa também o valor de algumas temperaturas mais
interessantes para a sua compreensão:
Zona 1
Zona 2
24


Ilustração 14 - Reapresentação de linhas isotérmicas sobre todo o depósito.

D.2.4 – Sobre a potência trocada com o escoamento
Sobre a potência trocada com o escoamento vão ser tidas em conta informações que o
programa CONVEC-2D armazena num ficheiro .RES, essas informações dizem respeito à
potência que o fluido possui na saída bem como a que este possui à entrada, conseguindo
assim prever-se qual a potência trocada/recebida pelo fluido por diferença entre as duas. Foi
necessário para o cálculo da potência de entrada efectuar pequenas alterações ao código de
cálculo, alterações essas que têm como base a definição de caudal mássico (ṁ ), calor
especifico (c) e variação de temperatura:
Pot
té¡mìcu
= ṁ ∗ c ∗ ∆I
ṁ = u
ìn
∗ p
H
2
o
∗ Árco
7

p
H
2
o
= mosso :olumico Jo águo Jc¡inino no progromo como ′ÐEN(I, [)′
8

∆I = Ji¡crcnço Jc tcmpcroturos
9

c = Jc¡iniJo pclo progromo como ′SPEEAI′

7
A área que aqui se define é a área de entrada, como a simulação é 2D esta área é 0.02 [m
2
]
8
A densidade é variável com a temperatura por isso tem que ser calculada de acordo com a evolução
dos nodos intervinientes.
9
Foi definida uma variação de temperaturas entre nodos fictícios de entrada e os primeiros nodos do
interior do domínio junto da entrada.
25

Os dados obtidos no fim do processo iterativo vão ser expostos na tabela seguinte,
juntamente com outra variável que será a temperatura média do escoamento à saída:
Malha P
cnt¡udu
[w] P
suídu
[w] ∆P [w]
TmcJ
suídu
[℃]
32x22 ---
10
7167,382 7167,382 18,540
62x42 166,165 8725,891 8559,726 20.4000
82x62 188,050 9190,450 9002,400 20.950

E – Análise do escoamento com variação das dimensões do
obstáculo A
E.1 – Sobre o campo de Escoamento


Ilustração 15 - Evolução do campo de escoamento com um obstáculo A de 4 cm de altura.


10
A potência de entrada resulta em 0 uma vez que o número de iterações não é suficiente para os
nodos consecutivos considerados tenham temperaturas diferentes, anulando-se assim a variação de
temperatura e consequentemente a potência.
26


Ilustração 16- Evolução do campo de escoamento com um obstáculo A de 5 cm de altura.

Ilustração 17- Evolução do campo de escoamento com um obstáculo A de 6 cm de altura.
27


Ilustração 18- Evolução do campo de escoamento com um obstáculo A de 7 cm de altura.

No que concerne ao efeito da altura do obstáculo A sobre o escoamento no depósito
pode começar-se por dizer que quanto mais alto este for (até ao limite de 8 [cm], exclusive)
mas efeito ele terá sobre a forma como se escoa o fluido. Da evolução dos gráficos nesta
secção mostrados, pode concluir-se que quanto mais pequeno é o obstáculo A mais distribuído
sobre o conjunto de obstáculos B+C fica o escoamento. Pode ver-se que com E
A
= 4 [cm], o
escoamento pelo topo do obstáculo B e pela base do mesmo é mais igual que quando E
A
=
7 [cm] onde, no escoamento sobre as mesmas zonas, sai mais privilegiada a zona de topo.
(veja-se que neste último caso existem duas manchas vermelhas na zona acima de A e acima
de B o que traduz uma maior quantidade de movimento nesses lugares e manchas
amarelas/verdes na extremidade de B oposta). É então inevitável admitir que à medida que a
altura do obstáculo A aumenta o escoamento geral no depósito corre preferencialmente sobre
zonas Norte deste, veja-se que com E
A
= 4 [cm] há duas manchas verdes na zona de saída, e
com E
A
= 7 [cm] apenas uma proveniente da zona Norte do depósito. Este é o aspecto mais
marcante quando se varia a altura do obstáculo A, donde derivam outros tais como a inibição
dos vórtices de recirculação abaixo do obstáculo C (que se representou na ilustração 9), bem
como um desvio para baixo (direcção Sul). Aumento do vórtice de recirculação a jusante de A
em termos de dimensão (se o obstáculo aumente o vórtice tende a aumentar também)
acompanhado por baixa de quantidade de movimento mesmo, ou seja diminuição da sua
severidade.


28

E.2 – Sobre o Campo de Temperatura


Ilustração 19 - Evolução do campo de temperaturas com um obstáculo A de 4 cm de altura.

Ilustração 20 - Evolução do campo de temperaturas com um obstáculo A de 5 cm de altura.
Zona 1
Zona 1
Zona 2
Zona 2
29


Ilustração 21 - Evolução do campo de temperaturas com um obstáculo A de 6 cm de altura.

Ilustração 22 - Evolução do campo de temperaturas com um obstáculo A de 7 cm de altura.
No que respeita ao campo de temperaturas podem cruzar-se informações com a secção
anterior para chegar a conclusões. Já que quanto maior a altura de A menos caudal passa sob
a base de B é natura prever-se que com a mesma evolução de E
A
, a temperatura nessa zona
aumente (já que com um escoamento menos vigoroso a perda de calor por convecção é
dificultada) sendo que na extremidade oposta de B (escoamento sobre o topo de B) ocorram
temperaturas mais baixas uma vez que a velocidade de escoamento aumenta e as perdas por
Zona 1
Zona 1
Zona 2
Zona 2
30

convecção saia facilitada. Tais são comprovados pelos gráficos expostos em que se vê
claramente mais azul claro sob a base de B desde a ilustração 19 até á 22 e mais azul-escuro
na extremidade oposta do mesmo obstáculo, na mesma evolução de ilustrações. Outro aspecto
importante de referir ainda neste conjunto de obstáculos, é que aumentando da altura de A o
obstáculo C fica mais quente, o que se deve ao facto de o efeito de arrefecimento provocado
pela incidência de escoamento frio vindo do exterior sobre B ficar restrito progressivamente a
áreas mais pequenas e mais chegadas a Norte. Para comprovar isso basta e ver que na
primeira ilustração desta secção a montante de B partindo do seu topo existe uma zona fria
(azul escura) que chega perto de meio desse obstáculo e na última ilustração essa mesma
mancha apenas representa cerca de
1
4
, de E
B
, ficando assim aberto espaço para um
aquecimento de C devido a um “não arrefecimento” de B por parte do escoamento frio
11
. Sobre
a evolução de temperatura no obstáculo A em termos gerais não há grandes alterações,
continua a acontecer um aquecimento a jusante e a existência de um domínio frio a montante,
o que acontece pelas mesmas razões que já anteriormente foram expostas, podendo verificar-
se uma diminuição de temperatura no canto inferior de jusante do mesmo obstáculo com o
aumento da altura deste o que é propiciado pela perda de severidade do vórtice nessa zona
como já fora referido na secção anterior. Como se percebe o domínio quente de jusante é
maior com o aumento da altura do obstáculo uma vez que há mais área por onde o calor possa
escoar (de 4 a 7 cm conforme se mostra nos gráficos).
Para concluir é interessante verificar que nas zonas 1 e 2 (já introduzidas na secção
D.2.3) a tendência de aquecimento prevista aumenta com o aumento da altura de A. Com um
obstáculo maior o escoamento fica muito mais restrito a uma zona específica (topo de B neste
caso) pelo que as trocas convectivas nas zonas com escoamento mais lento são dificultadas o
que proporciona aquecimento, as zonas 1 e 2 são zonas que por estarem juntas ao conjunto
B+C vêm o escoamento mais rápido a passar sobre elas e a “levar” consigo energia calorífica
para a saída, facto pelo qual aquecem progressivamente.
E.3 – Sobre a potência transmitida e a temperatura média de saída
Nesta secção irá ser adoptado um método igual ao já anteriormente referido, contudo
usando neste como variável a altura do obstáculo A e não o número de nodos:
E
A
[cm] P
cnt¡udu
[w] P
suídu
[w] ∆P [w]
TmcJ
suídu
[℃]
4 188,002 9339,134 9151,132 21,131
5 188,036 9259,488 9071,452 21,036
6 188,050 9190,450 9002,400 20.950
7 188,057 8979,682 8791,625 20,703



11
Veja-se que no obstáculo C existe mais cor vermelha na sequência de ilustrações desta secção, saindo
privilegiado o aquecimento da região central desse obstáculo.
31


F – Notas Finais
Em termos conclusivos não há muito a acrescentar uma vez que as conclusões
decorrentes da simulação que constituía o objectivo do trabalho foram sendo efectuadas com a
exposição dos resultados obtidos o que não foi por acaso pois se entendeu que, devido a este
ser um trabalho com muitos gráficos e solicitações de imagem, separar imagens de conclusões
poderia não ser benéfico para o leitor.
G – Bibliografia
Apontamentos de Modelação Numérica de Fenómenos de Transferência, José J. Costa
Oliveira, Luís Adriano e Lopes, António Gameiro, 2006, “Mecânica dos Fluidos”, ETEP -
Edições Técnicas e Profissionais, 2ª Edição.

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