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LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA 8.

LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Este é o último tópico da teoria geral. 8.1. Conceito de Liquidação de Sentença

Liquidar significa determinar o objeto da execução. Para doutrina majoritária (Dinamarco, HTJ), essa determinação do objeto, na realidade, é a fixação do valor da obrigação. Determinar o objeto, portanto, significa indicar o valor da obrigação exequenda. Se você acreditar que a determinação do objeto é a determinação do valor, você já começa a descobrir que a única obrigação que pode ser objeto de liquidação é a obrigação de pagar quantia. Determinação do valor é algo que só interessa a esse tipo de obrigação. E há um indicativo de que essa doutrina majoritária tenha sido recepcionada pela lei no art. 475-A, caput, do CPC, porque esse dispositivo, que é o primeiro que trata da liquidação, justamente fala do valor. Faz expressa menção à fixação do valor como objeto da liquidação: Art. 475-A. Quando a sentença não determinar o valor devido, procede-se à sua liquidação. (Acrescentado pela L-011.232-2005) Há doutrina séria, como Araken de Assis, que acha que todas as obrigações são liquidáveis: obrigação de fazer, de entregar e de pagar. Mas é uma doutrina minoritária (que entra só na prova discursiva, na prova oral). Essa doutrina entende que a liquidação é mais ampla do que sugere o art. 475-A, do CPC. O Araken de Assis sugere que todas as espécies de obrigação seriam passiveis de liquidação. A discussão, academicamente, é interessante mas, na prática, o que a gente percebe é que as liquidações são para determinar o valor. Excepcionalmente, a gente pode ver uma ou outra para determinar o quê se deve e não o quanto se deve, mas aqui, falou em liquidação, para concurso público, associa com o quantum debeatur, quer dizer, valor. Falou em liquidação, falou em quantum debeatur. 8.2. Títulos Liquidáveis

O que você vai liquidar é a obrigação contida no título. O objeto da liquidação é a obrigação de pagar quantia contida no título. Mas a grande pergunta é: quais as espécie de título que podem ter a obrigação neles contida liquidada? Por isso, “títulos liquidáveis”. Vou começar do óbvio: a) Título executivo extrajudicial

Não pode ser objeto de liquidação de sentença. Aqui não há nenhuma alternativa. Nesse título, você só consegue executar se a obrigação for líquida. Se a obrigação for ilíquida, você perde a natureza do título. Aquele não é um título executável e você é obrigado a entrar com processo de conhecimento. Você não pode fazer uma liquidação só para determinar o valor. Então, imagine que você tenha um contrato assinado por duas testemunhas. Nós vimos, na aula passada, que isso é um título. Mas é um título que representa uma obrigação ilíquida. Você, se quiser

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LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA cobrar algo relativo àquele contrato, ao inadimplemento, ao atraso no cumprimento, vai ter que entrar com processo de conhecimento. Não há outra alternativa. E isso, confirma algo que vamos falar ainda hoje. Confirma que a “tal” da liquidação por mero cálculo aritmético é uma pseudo-liquidação. É uma liquidação falsa, é uma liquidação impura. Porque, perceba, o mero cálculo aritmético pode ser feito no título extrajudicial. Essa tal liquidação por mero cálculo que é uma pseudoliquidação (não é uma liquidação), pode ser feita no título executivo extrajudicial. Então, perceba, eu tenho que resolver esse aparente impasse: quer dizer, não cabe liquidação de título extrajudicial, mas cabe liquidação por mero cálculo judicial. Como é que pode uma coisa dessas? Muito simples: a liquidação por mero cálculo aritmético não é uma liquidação porque está liquidando o que já é líquido. b) Sentença

Agora, a liquidação, o próprio nome já entrega: liquidação de sentença. Quer dizer, sentença é o título executivo judicial por natureza. Se você for olhar o rol dos títulos executivos judiciais, vistos na aula passada, o único título que não é propriamente uma sentença é a homologação de sentença estrangeira, que é feita por acórdão. Mas tudo bem, é o paralelo da sentença para uma ação que é de competência originária do tribunal. Não muda nada. Sentença ou acórdão vai dar rigorosamente no mesmo. Mas percebam que os títulos executivos são sentença: sentença civil, sentença penal, sentença que homologa a transação, sentença que homologa o acordo extrajudicial, sentença que compõe o formal e a certidão de partilha no inventário, quer dizer, tudo sentença. Então, no título executivo judicial, é o campo. O título executivo judicial pode passar por liquidação. É para ele que foi feita a liquidação. A liquidação foi projetada para os títulos executivos judiciais. Só existe uma polêmica, que é a sentença arbitral. Aí você vai ter parcela da doutrina, por exemplo, o Marinoni, que diz que a sentença arbitral não pode ser objeto de liquidação. Ele exclui do rol dos títulos liquidáveis a sentença arbitral. Diferente do maior especialista em liquidação de sentença do Brasil, que é o professor Luiz Rodrigues Wambier (que tem o melhor livro de liquidação), diz o contrário: a sentença arbitral é tão liquidável quanto a sentença judicial. Você não pode tratar essas duas espécies de sentença de maneira distinta. Eu queria só que vocês soubessem de algo bastante simples: é muito difícil você ter uma sentença arbitral ilíquida. E isso pela própria natureza da arbitragem. E o que é a arbitragem? Você contrata um terceiro, de confiança de ambas as partes, que é o árbitro para que ele resolva o problema. Dificilmente, portanto, alguém vai ser contratado para resolver o problema pela metade. Ninguém imagina que o árbitro venha e diga: “realmente, aqui, a responsabilidade pelos danos é do réu, mas não vou poder dizer quanto o réu terá que pagar.” Se eu contrato alguém para resolver o meu problema, eu espero dele uma manifestação de an debeatur e de quantum debeatur. Então, a possibilidade de uma sentença arbitral ilíquida é folclórica, surreal. Mesmo porque se o árbitro der uma sentença arbitral ilíquida, a primeira coisa que as partes vão fazer será cobrar dele a liquidação. Mas, percebam, se eu der por pronta e acabada a liquidação e, teratologicamente, a sentença arbitral for ilíquida, de duas uma: ou eu deixo liquidar em juízo ou aquela sentença vira um nada jurídico, porque se eu não puder executar porque ela é ilíquida, eu vou ter que entrar com processo

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Ela é uma exceção dentro do sistema porque o art. Se. Se o autor indica um valor.099.quando a determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu. de modo definitivo. o pedido é determinado e a sentença é líquida. nos juizado especiais é proibida a prolação de sentença ilíquida há muito tempo. É lícito. da Lei 9. Não que seja o mesmo. Nesses três incisos. Vedação à sentença ilíquida O legislador aqui tenta criar situações em que não exista liquidação de sentença. não obstante o pedido ser genérico. porém. justamente porque é proibida a sentença ilíquida. mesmo diante do pedido genérico. Só haverá sentença ilíquida se o pedido for genérico.nas ações universais. Se eu tiver que fazer isso. 8. se só cabe sentença ilíquida do pedido genérico. Mas o legislador vai um pouco além às vezes e diz o seguinte: em algumas situações. mas o juiz tem que indicar.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. o ideal é você permitir a liquidação em juízo. Em regra. Já há uma tendência porque o pedido genérico é excepcional. 286 . no art. eu pego toda arbitragem e jogo no lixo.Não se admitirá sentença condenatória por quantia ilíquida. § único. há os pedidos genéricos. 38. é vedado ao juiz proferir sentença ilíquida. se não puder o autor individuar na petição os bens demandados. Pedido genérico é aquele que não indica o valor da pretensão. Significa o seguinte: se o autor fizer um pedido determinado.quando não for possível determinar. Eu começaria lembrando do art. há muito tempo atrás. III . Ou seja. formular pedido genérico: I . O que eu quero que vocês extraiam daqui: a sentença ilíquida já é excepcional. 80 . § único admite a sentença ilíquida somente nos casos de pedido genérico. não sendo necessária qualquer espécie de liquidação. se indicar o valor da sua pretensão. simplesmente porque ele seria inútil. do CPC: Art. ainda que genérico o pedido. 38. acontecer. II . Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA de conhecimento. o juiz também não é obrigado a indicá-lo na sentença. o juiz é obrigado a indicar na sentença. teratologicamente. § único do CPC: Parágrafo único . Lei 9. estou retirando dessas situações o instituto da liquidação de sentença. 459.Quando o autor tiver formulado pedido certo. Ele quebra a regra que ele mesmo fez e diz: aqui. Parágrafo único . O legislador já tinha feito isso. as conseqüências do ato ou do fato ilícito. 459. Não vai ter espaço e nem necessidade da liquidação nesses casos. a sentença do juiz tem que ser líquida. automaticamente. a sentença ilíquida é excepcional também. 286. ou seja. Pedido genérico é aquele previsto nos incisos do art. Quer dizer. Art.099/95. Se o autor não indica o valor. ele cria uma obrigatoriedade de prolação de sentença líquida. Se eu proíbo a sentença ilíquida.O pedido deve ser certo ou determinado.3. como sempre foi. o juiz está obrigado a proferir uma sentença líquida.

não cria uma obrigatoriedade ao juiz. bem diferente. 275 trata do procedimento sumário. § 3º para dizer: se não for possível uma sentença líquida. 275 . 275. é defesa a sentença ilíquida. pergunta inevitável: o que acontece quando o juiz não consegue proferir a sentença líquida? Uma coisa é você criar uma obrigatoriedade onde sempre haja condições de cumpri-la. há três correntes doutrinárias que tentam resolver essa questão: 1ª Corrente (Araken de Assis) – Tem a seguinte tese: essa norma legal (art. o juiz está lá com uma demanda. Nesses dois casos. fixar de plano. que é o art. a seu prudente critério.Observar-se-á o procedimento sumário: II . 475-A. Uma sugestão no seguinte sentido: sempre que possível. que proíbe a prolação de sentença ilíquida: Art. em que a lei obriga a uma postura. Então aqui ele indica duas espécies de ação de procedimento sumário..” Para essa corrente. se não for possível cumprir o artigo legal. profira a sentença líquida. inciso II. O art. se for o caso. é você criar uma obrigatoriedade e. § 3º.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. (.nas causas. eventualmente. Nesses dois casos. Art. 81 . o juiz não ser materialmente capaz de cumpri-la. 475-A. Nos ajude com isso. O juiz está liberado para proferir uma sentença ilíquida.). Aí vem a seguinte pergunta. agora no CPC. § 3º o juiz fala em prudente arbítrio (Nos processos sob procedimento comum sumário. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA E mais recentemente. que é a ação de reparação de dano por acidente em via terrestre e a ação de cobrança de seguro por esse acidente. mas incentivando o juiz: “faça todo o possível para proferir uma sentença líquida porque nós queremos uma sentença líquida. o legislador criou uma nova regra. um valor que ele entenda oportuno e conveniência.. não é possível se chegar ao valor exato. é defesa a sentença ilíquida. Outra coisa. Como resolvemos? Por incrível que pareça. na verdade. o valor devido. cumprindo ao juiz. 475-A. qualquer que seja o valor: d) de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre. referidos no art. nesses casos. 2ª Corrente (Humberto Theodoro Júnior) – Vai se valer da própria redação do art. há a vedação à prolação de sentença ilíquida. o juiz deve indicar um valor aproximado. e) de cobrança de seguro. § 3º). para dizer o valor exato da obrigação. O juízo de equidade é um juízo fundado na oportunidade e conveniência. o legislador estaria consagrando um juízo de equidade.” E o Araken de Assis completa: “dentro das possibilidades materiais do caso concreto. o juiz seria obrigado a proferir a sentença líquida. alíneas ‘d’ e ‘e’ desta Lei. O que acontece quando for impossível ao juiz a prolação da sentença líquida? Quer dizer. mesmo o autor fazendo pedido genérico. Ele faz uma sugestão ao juiz. 475-A. Mas de onde o HTJ tirou elementos para chegar a essa conclusão? Como se chega a essa consagração do juízo de equidade? É que no final do art. sem problema. O legislador aqui não estaria obrigando. só que é materialmente impossível a sua adoção. 475-A § 3º Nos processos sob procedimento comum sumário. Ou seja. relativamente aos danos causados em acidente de veículo ressalvados os casos de processo de execução.

processando-se em autos apartados. ou seja. se for o caso. você pode. o que você vai fazer? Vai fazer uma liquidação. o juiz está liberado para proferir a sentença ilíquida sem infringir a lei. a conclusão óbvia é que o juiz está diante de uma causa complexa. por opção. como bem diz o Código. se torna inaplicável àquele processo porque esse dispositivo faz expressa remissão ao art. essa expressão “a seu prudente arbítrio”. outras causas de conversão. é o que leva o HTJ. fixando o valor). perfeitamente. ter uma liquidação provisória que precede a execução provisória. que vai dizer que a liquidação provisória pode ocorrer. fixar de plano. O que acontece nesse caso. Então. mas essa é uma delas: conversão do sumário para o ordinário em razão da complexidade da causa. § 3º. o valor devido). Na jurisdição contenciosa. a seu prudente critério. na pendência de recurso recebido no efeito suspensivo. 475-A. no juízo de origem. você não pode executar provisoriamente. 475-A. 8. 475-A. o art. jurisdição contenciosa requer um juízo de legalidade. 3ª Corrente (Alexandre Câmara) . evidentemente uma opção ligada ao princípio da celeridade processual (que. inclusive. §3º (que faz remissão ao sumário e aqui não é mais sumário). é óbvio que você não pode começar a execução porque a execução provisória ou definitiva só pode ser iniciada com a obrigação líquida. é o seguinte: o legislador. Prudente arbítrio dá ideia de equidade. você usa o juízo de equidade. Então. você usa o juízo de legalidade. Se não fosse assim. a entenderem que o legislador teria consagrado o juízo de equidade. Ela é provisória porque o seu título é provisório e aí você entra com a execução provisória. cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA cumprindo ao juiz. sem contrariar o art. é só na jurisdição voluntária. E o que são efeitos secundários da sentença? São efeitos gerados imediatamente com a sua prolação. 82 . Juízo de equidade. esse é um dos motivos de conversão do rito sumário para o rito ordinário. E aqui estamos no âmbito da jurisdição contenciosa. § 2º A liquidação poderá ser requerida na pendência de recurso. para mim. 475A.4. E aí o Câmara diz o seguinte: a partir do momento que você converter para o rito ordinário. Então. Se a causa é complexa.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. além dessa situação que eu trouxe. a processos de rito sumário. Como o processo não é mais de rito sumário. Quer dizer. Eu não sou muito partidário dessa tese porque. aliás. tem sido o principal norteador das últimas reformas). Liquidação Provisória Sempre que você tiver condições para uma execução provisória (e nós já vimos quais condições são essas na aula passada). na verdade. mas você pode liquidar. tudo indica que o juiz esteja diante de um caso complicado. Na jurisdição voluntária.Vê como solução possível para esse impasse o seguinte: se o juiz não consegue fixar o valor (a lei mandou ele decidir. mas agora é de rito ordinário. Você tem outros fatos. Art. tornou a liquidação de sentença um dos efeitos secundários da sentença. Notem o seguinte: se o recurso tem efeito suspensivo. de uma causa complexa. A novidade que me parece relevante aqui vem prevista no art. §2º. ele teria totais condições de proferir a sentença líquida. o Ernani Fidelis dos Santos. 275. Até aí não há novidade. do CPC. mas a obrigação contida no título for ilíquida.

concomitantemente com a apelação. é uma maravilha. mas tudo isso é baseado na Teoria do Risco-Proveito.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. como eu já disse. Art. adianta o expediente para o lado do exequente. Scarpinella Bueno. Mas o réu pode falar “ah. estão suspensos os efeitos dessa sentença. Eu pego o dispositivo dessa sentença e mando averbar lá no Cartório de Imóveis. É uma decisão que resolve o mérito da liquidação. você tem apelação do réu. tem duplo efeito. Ele foi condenado a me pagar 30 mil reais. Só que esses efeitos secundários são gerados normalmente. o que a gente sempre aprendeu? Que a decisão impugnada não gera efeitos.). uma decisão interlocutória. Não deixa de ser interessante porque quando se fala em recurso com efeito suspensivo. O recurso com efeito suspensivo é a suspensão dos efeitos da decisão impugnada. ela estará resolvendo o mérito da liquidação. do que numa execução provisória. mas já pode. 466 . Quer dizer. Leonardo Greco. porque a execução tem atos materiais de constrição. Apelação. consistente em dinheiro ou em coisa. a liquidação. Espécie de Decisão que Julga a Liquidação Qual é a espécie de decisão que julga a liquidação? A doutrina majoritária (Néri. O exemplo clássico de efeito secundário da sentença é o da hipoteca judiciária.5. é muito benéfico. Significa dizer que o autor da execução provisória tem responsabilidade objetiva perante o réu. 8. E para que se faz isso? Para evitar a alegação de boa-fé do terceiro na fraude à execução. não há dúvida. do CPC. no qual a apelação. Você condenou o réu em primeiro grau. vai dizer que a decisão que julga a liquidação é atualmente. o duplo efeito. É lógico que daí pode gerar algum dano (não estou tirando essa possibilidade). enquanto tramita a apelação. Sabe o que você pode fazer? Pode pegar o dispositivo da sua sentença e mandar averbar na matrícula de imóveis do réu. do art. cuja inscrição será ordenada pelo juiz na forma prescrita na Lei de Registros Públicos. Aqui não há grandes celeumas doutrinárias. Cá entre nós. você pode fazer a hipoteca judiciária e. mas que é bem raro se ter dano nesse caso. tem.A sentença que condenar o réu no pagamento de uma prestação. que é aquela que você vai seguir numa prova objetiva. E se ela for ilíquida. o efeito suspensivo do recurso não consegue impedir a geração desses efeitos secundários. você já vai adiantando a sua liquidação de sentença. Nós vimos que o STJ protege o terceiro de boa-fé.” No caso da hipoteca judiciária não suspende. de regra. Só que eles vão lembrar o seguinte: se essa decisão interlocutória fixa o valor da obrigação. concomitantemente. em regra. ele apelou. Observação: tudo isso é muito bonito. a chance de ele gerar dano com uma liquidação é bem menor do que a chance de ele gerar dano com uma execução provisória. de invasão do patrimônio. no sistema brasileiro. Então o juiz profere uma sentença ilíquida. Eu sei que o réu tem um imóvel. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA independentemente da postura recursal das partes. na matrícula desse imóvel. mas eu apelei e o efeito é suspensivo. etc. É uma boa notícia num sistema como o nosso. Mas onde estaria a boafé do terceiro em adquirir um imóvel cuja matrícula traz a indicação de uma condenação em primeiro grau? Então. A liquidação é uma atividade cognitiva. O 83 . se ela declara o valor da obrigação exequenda. 466. valerá como título constitutivo de hipoteca judiciária. O que é a liquidação? É descobrir o valor.

O legislador de 1973 nunca imaginou que o mérito pudesse ser julgado em outro lugar que não na sentença. 485 . Não é esse caso aqui não. Quer dizer. já não é visto com tanta reticência. O STJ já sinalizou de que aqui caberia ação rescisória sem problemas. mas não é uma decisão interlocutória qualquer. agora já não faz mais diferença. quando você ler o art. para solução de questões incidentais (julgar o valor da causa. sempre que o juiz fixa o quantum debeatur. E outra: desta decisão interlocutória de mérito transitada em julgado cabe ação rescisória. a ideia de uma decisão interlocutória pela qual se resolve mérito. Estou dizendo tudo isso porque a doutrina majoritária afirma que essa é uma decisão interlocutória. ele estará resolvendo o mérito da liquidação. Por que é importante você saber que não é uma decisão interlocutória qualquer. hoje. aquela decisão interlocutória que resolve questão incidental? Porque. Mas já há uma admissão do STJ a esse julgamento da ação rescisória. a decisão interlocutória é voltada para esse tipo de situação. que é o artigo inicial da rescisória. com o trânsito em julgado. que a sentença de mérito é rescindida. Você sempre associou coisa julgada material à sentença porque você sempre associou a solução do mérito à sentença. Não é decisão interlocutória que julga liquidação. também existe uma doutrina minoritária (Fredie Didier. E isso. portanto. diferenciada? Primeiro porque sendo de mérito. automaticamente eu tenho que levar para lá a coisa julgada material. O STJ já tem decisões admitindo a ação rescisória contra decisão interlocutória. Ela é a gloriosa decisão interlocutória de mérito. E não sou eu que estou falando. Por que é importante saber que ela é uma decisão interlocutória de mérito. 485. O que poderia ser visto como uma anomalia do sistema. você tem uma decisão interlocutória de mérito. em regra. Então. caput. no final. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA mérito da liquidação é o quantum debeatur. Ernani Fidelis dos Santos do TJ/MG). pode ser rescindida quando: Diz. Então. até certo tempo atrás. acolhe o pedido do autor porque o autor quer fixar o valor. Nesse caso. decisões interlocutórias e despachos. Onde há uma doutrina majoritária (que é a que você deve seguir numa prova objetiva).LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. 162 . 485. Interessante porque se você ler o art. você imaginar coisa julgada material de decisão interlocutória.Os atos do juiz consistirão em sentenças. § 1º . seria um verdadeiro sacrilégio. deferir ou não a prova). Hoje. transitada em julgado. ela produz coisa julgada material. A partir do momento em que o sistema permite que o mérito seja resolvido em interlocutória. caput. com todas as mudanças pelas quais o CPC passou. Para essa doutrina. (Alterado pela L-011. 162. transitada em julgado”. quer dizer. tem que ler assim: “a decisão de mérito. Art. a decisão que declara o valor da liquidação é uma sentença de mérito que.A sentença de mérito. 267 e 269 desta Lei. se é decisão interlocutória. se é sentença. ele diz o seguinte: Art. ele coloca lá “sentença de mérito”. § 1º (o conceito de sentença mudou e gerou uma serie de discussões).232-2005) 84 . diante do novo conceito de sentença do art. deferir a intervenção de um terceiro. É outra espécie de decisão interlocutória de mérito.Sentença é o ato do juiz que implica alguma das situações previstas nos arts.

475-H. é uma sentença. Então. Art. Cá entre nós. Quer ver outra? Art. vou defender o cabimento da apelação porque o legislador fez uma opção. em hipótese alguma. 513. Mas. 100. E. E como estamos aqui conversando e é bom que vocês tenham o máximo de informação a esse respeito e como é algo relativamente novo. cuidado. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Quando o juiz declara esse valor. não foi a primeira vez que ele fez isso.232-2005) E aí mesmo que você possa discutir as intenções do legislador. é uma sentença recorrível por agravo de instrumento. e da sentença que julga a improcedência do pedido cabe apelação.” Você vai usar a regra específica que prefere à regra geral.Haverá resolução de mérito: (Alterado pela L-011. cá entre nós. Eu. E é erro grosseiro. o STJ não admite a fungibilidade quando há indicação específica do recurso cabível. O normal é que a decisão fixe o valor da obrigação exequenda. É erro grosseiro. Então. (Acrescentado pela L-011. do CPC: Art. E cabe agravo de instrumento. 269 . Então. Mas nesse caso. Que regra de hermenêutica é essa? O específico prefere ao genérico. Da decisão de liquidação caberá agravo de instrumento. 522 (“da decisão interlocutória cabe agravo”).232-2005) I . que o valor seja fixado). Nesse caso. aí. aqui você vai usar uma regra de hermenêutica mais velha do que andar para frente. Da decisão que decreta a falência cabe agravo. Eu tenho uma regra geral: “sentença cabe apelação” e tenho uma regra específica: “da decisão da liquidação cabe agravo. Mas excepcionalmente. vamos animar! Nem toda decisão da liquidação tem como conteúdo a fixação do valor. você vai ter problema porque o legislador expressamente disse: “eu quero a interposição do agravo. Eu não consigo aceitar que seja uma decisão interlocutória diante dos novos conceitos de pronunciamento judicial. 100. jamais.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. diz que é uma sentença. mas nem toda decisão para liquidação tem como conteúdo a fixação do 85 . é do legislador: art. 269. do CPC.quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor. você teria uma sentença de mérito. nos termos do art. mesmo essa doutrina minoritária (porque a majoritária diz que da decisão interlocutória o recurso cabível é o agravo).” Só que é o seguinte. por exemplo. do CPC: “da sentença cabe apelação”). Vai quebrar o sistema! Vai quebrar o sistema tradicional do art. acolhendo o pedido do autor (já que é justamente essa a pretensão do autor. 475-H. Só toma cuidado com o seguinte: qual recurso cabível de sentença? Apelação (art. I. o que vai acontecer? A opção pelo agravo de instrumento é legal. da Lei de Falência: Art. o STJ não aplica o princípio da fungibilidade recursal quando há expressa previsão do recurso cabível. ainda está em pauta nos concursos no campo da novidade. ele estará. sou partidário da doutrina minoritária. porque se você atravessar uma apelação da decisão que julga a liquidação. 513 e do art. “da decisão que decreta a quebra”.

Ele apenas declara um valor que sempre existiu e já estava no título. juiz. Um vício procedimental insanável que leve o juiz a proferir uma decisão terminativa. Os elementos do título já lhe dão à possibilidade de chegar ao valor da obrigação. Imagina que você. chegar ao valor da obrigação. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA valor. Você tem que entender por que ele foi formulado daquela maneira. Então. a razão de ser do art. Fixado o valor. agora na sua fase de execução. Só que aqui você não vai para a execução nenhuma. Natureza Jurídica da Decisão que Fixa o Valor da Obrigação Exequenda Percebam: espécie de decisão é: interlocutória ou sentença. É uma medida de economia processual. é uma sentença de mérito e aqui o recurso cabível seria a regra geral. IV. o que acontece é o seguinte: o juiz não cria um valor. eu adianto uma matéria que. Nesses casos. Você é um intérprete do texto legal. Uma outra situação interessante: a doutrina e a jurisprudência admitem que o juiz reconheça. Você sabe por que cabe agravo de instrumento da decisão que fixa o valor? Porque o processo continua. 475-H. 269. Se eu deixar apelarem dessa decisão. São decisões que extinguem o processo na fase de liquidação (pouco importa). eu só deveria conhecer na execução. Então.6. Não pode imaginar que basta ler o texto legal. Então. você vai ter um problema instrumental. Eu estou sugerindo que. o recurso de apelação. Esse tipo de decisão põe fim ao processo. Então. a minoria acha que é sentença. Agora nós vamos ver a natureza jurídica. é simples: cabe agravo quando o processo continua. Doutrina majoritária – Para uma parcela da doutrina (e eu me arrisco a dizer que é a majoritária: Dinamarco. Simples assim. está fazendo uma liquidação e percebe que aquele direito de crédito prescreveu.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. a fase de execução só vai começar depois de a apelação ser julgada. porque a apelação vai fazer os autos subirem ao tribunal. é possível que você tenha uma decisão terminativa. mesmo que você tire o duplo efeito. para a liquidação. E aqui há uma discussão doutrinária. nesses casos. você pode trabalhar fora do art. há aquela discussão. é plenamente defensável a ideia de que você tenha uma sentença recorrível por apelação. na liquidação. Então. CPC). não há razão para você mascarar a realidade (que é uma sentença). A natureza jurídica é meramente declaratória. a prescrição e a decadência. 8. Quando o processo se encerra. por uma razão de economia processual. Eles entendem que o valor já consta do título. 86 . Então. o processo continua. Por que eu fiz essa observação? Porque eu quero mostrar para vocês que. o legislador imaginou o seguinte: vai para a liquidação. fixa o valor e já vai para a execução. É uma sentença que reconhece a prescrição e a decadência (art. sabendo que aquela execução está prescrita. Eu consigo. na verdade. a decisão que fixa o valor é meramente declaratória. E o juiz extingue a liquidação por prescrição e decadência. nesses casos aqui. Já decorria do título. HTJ e outros). E qual é o jeito mais fácil disso acontecer? Agravo de instrumento. Era um valor que sempre existiu e que decorria do título. fixa-se o valor. em tese. o legislador pensou o seguinte: vem a liquidação. a maioria acha que é interlocutória. dos elementos do título. 475-H desaparece. Se perguntarem como é que você chegou à conclusão. Primeiro porque a apelação tem duplo efeito e. Você não vai perder o seu tempo fazendo toda a atividade necessária para se chegar a um valor.

se tudo for como programado. declarar que o réu deve zero ofende a decisão que condenou o réu a pagar? Percebam. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Então. Em outras palavras. Então. Não havia certeza de qual era o valor. Só que. antes da liquidação. As duas correntes acabam se reunindo para dizer o seguinte: seja pela mera declaração. Nós vimos uma já agora: se o juiz reconhecer a prescrição/decadência. a liquidação de valor 87 . não era possível executar o título. É uma frustração e uma frustração definitiva. Mas. É óbvio que essa é uma situação excepcional porque a liquidação é feita para preparar a execução. obtendo o valor. Decisão constitutiva é aquela que cria uma nova situação jurídica. E se entende de maneira muito clara o que isso significa: o título executivo vai te dar o an debeatur. Se tudo der certo. isso não interessa. em decorrência da decisão de liquidação. b) Liquidação de valor zero Essa é uma possibilidade mais folclórica. a situação jurídica era de inexecutabilidade. traz a certeza jurídica do valor. Você nunca mais vai poder reclamar. Porque o reconhecimento da prescrição/decadência vai produzir uma sentença de mérito que vai gerar coisa julgada material e acabou para você. que nova situação jurídica é essa? É a admissibilidade do desencadeamento dos atos executivos. Doutrina minoritária – Isso não desanima uma doutrina minoritária (Néri) que afirma que essa é uma decisão constitutiva. Você nunca mais vai executar aquele título. a liquidação serve para preparar a execução. a liquidação frustra a execução. E o que vem a complementar esse título? A decisão da liquidação. Liquidação como Forma de Frustração da Execução Ouvir isso pode assustar num primeiro momento. excepcionalmente. Pode ter certeza. seja na doutrina declaratória. aqui você tem que saber o seguinte: inexistência de obrigação é diferente de obrigação de pagar zero. para o Néri. 8. Existem duas principais hipóteses que eu quero que você lembre. você. perceba: somente com o an debeatur o título está incompleto. sem muito segredo. típica de concurso público. Se você não se convencer disso. você frustra a execução do detentor do título. mas vamos colocar aqui de novo. justamente. faço a liquidação e. E. O juiz vai uma sentença de mérito. a função dessa decisão de liquidação é integrar o título executivo. seja na doutrina constitutiva. que faz coisa julgada material. Já foi uma hipótese que vimos há pouco. é óbvio. Houve uma mudança na situação jurídica. Quer dizer. A decisão. Apenas afasta a insegurança jurídica quanto ao valor. a ideia de complementar o título. Mas vou até colocar: a) Quando há prescrição e decadência Isso nós já vimos. Acaba indicando o quantum debeatur. fazendo a liquidação. seja declarando. Eu não tenho o valor.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. E agora é de executabilidade.7. A primeira dificuldade que você vai enfrentar nessa liquidação é a seguinte: sendo a liquidação de valor zero. de completar o título é bastante tranquila. seja constituindo. haverá uma ofensa à coisa julgada da sentença condenatória? Quer dizer. ao declarar o valor. a decisão não cria nada. seja pela constituição da nova situação jurídica. Então. vou para a execução. de integrar o título.

Se o juiz fez isso. Durante dois anos. ao mesmo tempo. o juiz tem que indicar o valor zero. perde sua fonte de renda. Se você disser que pagar zero é a mesma coisa de não dever. E. Essa decisão acarreta uma frustração definitiva da execução. já era alguma coisa. E quem diz isso não sou eu. E fica 2 anos sem pagar. você está diante de uma decisão de mérito. afinal. jamais. para que ele volte a pagar. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA zero ofende a coisa julgada. E matematicamente falando. Para fixar o valor na 88 . Aqui. Se você reconhecer que o nada e o zero são diferentes. a obrigação dele era de pagar zero. c) Ausência de prova Essa terceira hipótese de liquidação como frustração da execução é muito polêmica. Se a obrigação de pagar zero é sinônimo de não obrigação. Alíquota zero é a obrigação de recolher zero. Um outro exemplo para você entender que a não obrigação e a obrigação de pagar zero são coisas diferentes: o sujeito é condenado a pagar alimentos. para a maioria uma sentença. é uma frustração definitiva da execução. então. Depois de um ano pagando alimentos (ele tem a obrigação de pagar alimentos decorrente de uma condenação judicial). o alimentante retoma o emprego e o alimentado gasta todo o dinheiro que tinha ganho na loteria. Isenção tributária é a não obrigação. E não tem nenhum problema. eu não poderia declarar que o valor é zero. O importante da liquidação de valor zero a ser lembrado: não era o esperado pelo autor. como ocorre na prescrição e na decadência. Quem estuda direito tributário sabe bem que uma coisa é a alíquota zero e a outra coisa é a isenção tributária. que é a questão referente à ausência de prova. Tem doutrinador que até apela: “se o juiz realmente entende que o valor é zero. Mas há uma diferença porque a inexistência da obrigação é o nada. é mais ou menos a mesma coisa: eu tenho uma decisão que condena o réu a pagar e tenho uma outra que declara que o valor a pagar é zero. É a matemática. um julgamento no STF e o Aires Brito. A obrigação dele nunca deixou de existir. Eu estava assistindo a TV Justiça. Pergunta: eu vou precisar condenar de novo o sujeito a pagar alimentos? Não. que dê algum valor só para justificar. Harvard. Percebam. de um matemático em que a tese dele era mostrar que o nada era diferente do zero porque o zero. mas o que interessa é que você está diante de uma decisão de mérito que faz coisa julgada material. que conseguiu provar. Zero e nada são diferentes. eu não posso. a obrigação vai ter algum valor. tanto fez. apesar de teratológico. eu teria que condená-lo de novo. Para o âmbito tributário há diferenças significativas da alíquota zero e da isenção. Interessante porque no direito isso tem alguns reflexos bastante relevantes. Mas eu não vou precisar fazer isso porque nunca deixou de existir a obrigação de pagar. novamente.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. E o nada é diferente do zero. invariavelmente. não há contrariedade entre uma e outra. o alimentado ganha na loteria. mencionou uma tese acadêmica da Universidade de Princeton.” Não dá! Se o valor é zero. ele perde o emprego. só que durante algum tempo a obrigação foi de pagar zero. É óbvio (?) porque declarar a obrigação. para a maioria uma decisão interlocutória. Já não há mais possibilidade de pagar e nem a necessidade de receber. Essa. no seu voto. Depois de 2 anos. ter uma liquidação de valor zero. declarou o valor. você fica muito confortável em defender a execução do valor zero. Se já há uma condenação dizendo que o réu deve. Mas o fato é que o juiz declarou que o valor é zero.

com isso. o juiz julga a liquidação improcedente. fica fácil entender por que a liquidação não é mais um processo autônomo. § 1º: 89 . Não existe processo de liquidação. a ter natureza de mera fase procedimental dentro da ideia do sincretismo processual que vem sendo adotado pelo sistema processual brasileiro. como o juiz deixa de decidir. a ideia é que ela seja sempre uma mera fase procedimental. a maioria dos doutrinadores. Mas isso está previsto na lei? A doutrina tirou isso de uma previsão legal? Não. HTJ. Para essa corrente doutrinária. a expectativa é que ele consiga produzir a prova necessária. Em outras palavras. se faltar a prova necessária. É uma decisão terminativa. que dá uma solução bem excepcional dentro do nosso sistema processual. Marinoni. é sempre uma mera fase procedimental. Cabe a ele o ônus de provar o valor. e às vezes uma fase procedimental. Na verdade. Se ele não tem prova. A lei não vai te dar mastigado. Uma decisão de improcedência. nesse caso. Nesse caso. A decisão terminativa não produz coisa julgada material. nesse caso.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. vem entendendo o seguinte: a liquidação de sentença passou. tudo se resolve com a aplicação da regra do ônus da prova. Você vai encontrar uma corrente doutrinária do Araken de Assis. o que a lei dá são indícios de que não exista mais um processo de liquidação. é uma decisão de mérito. disse que não havia prova necessária. é mais uma hipótese de frustração definitiva. o juiz aplica a regra do ônus da prova e se o ônus era do autor e se ele não se desincumbiu desse ônus.8. HTJ). Deixar de decidir é decisão terminativa. não há prova necessária. O que ela vai fazer é colocar indícios de que não há mais processo de liquidação. nesse caso. não vai te dar pronto. Mas existe uma outra corrente doutrinária (Dinamarco. Por isso que. É uma decisão de mérito que produzirá coisa julgada material. na prática. o juiz deve declarar o non liquet. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA liquidação. O que existe. resolvem da seguinte forma: para eles. significa que é uma decisão terminativa. o autor pode entrar com nova liquidação. Aí vem a pergunta: e se faltarem essas provas? E se o juiz não conseguir aferir o valor pela ausência de provas? Ele precisa da prova para chegar a um valor. do Ministro Zawascki. E isso significa que não há coisa julgada material. Onde estão esses indícios? Dois deles no art. o juiz deixa de decidir. no dia seguinte. às vezes um processo. 8. O pedido do autor é para a fixação do valor. De quem é o ônus de provar o valor da obrigação? Do autor da liquidação. o juiz declarou non liquit. Então. o juiz vai precisar de provas referentes ao valor. o que acontece? Isso é bem polêmico e não vou colocar corrente majoritária ou minoritária dessa vez. Liquidação é sempre uma mera fase procedimental. a doutrina majoritária (em liquidação é difícil ter uma certeza). o juiz vai rejeitar o pedido dizendo: eu rejeito o seu pedido para fixar o valor porque eu não tenho prova suficiente para fazêlo. O importante nessa corrente doutrinária é que. com as reformas processuais. 475-A. E. mas ela sugere que. na prática. Hoje. Houve épocas em que a liquidação era. o autor entrou com a liquidação. E para essa corrente. não há os elementos necessários para resolver. isso significa que a liquidação pode ser reproposta. E. a decisão entre essas duas doutrinas é muito importante. Natureza Jurídica da Liquidação Aqui. Não há mais um processo autônomo de liquidação. E aí. Non liquet significa isso: o juiz deixa de decidir.

475-H. mas isso não torna a liquidação um processo autônomo. do CPC. Eu vou ter a fase de liquidação. 475-J) incluirá a ordem de citação do devedor. ela continua tendo fase procedimental. você vai ter que iniciar um processo pela liquidação. ao indicar o recurso de agravo de instrumento da decisão que julga a liquidação. Porque. O art. Ela não perde a natureza de fase procedimental. chega-se ao quantum debeatur e faz-se o cumprimento de sentença (que vai ser a segunda fase). não há essa fase de conhecimento porque já há o título. acabou tornando essa decisão. Liquida. § único. eu começo daqui. Quando a gente fala que a liquidação é fase procedimental. • Segundo indício: o réu é intimado na liquidação. arbitral e homologação de sentença estrangeira). Nos casos do art. 475-N. mas passa a ser a primeira fase procedimental de um processo sincrético. seria uma petição inicial.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. 475-N. • Primeiro indício: como começa uma liquidação de sentença? Qual é o ato processual inaugural de uma liquidação de sentença? É o requerimento do autor.232-2005) Observação importante: no Art. Então. haveria a citação do réu. sentença ilíquida. (Acrescentado pela L-011. • Terceiro indício: Art. É um título feito por arbitragem. Ao dizer que aqui você tem uma decisão interlocutória recorrível por agravo. na pessoa de seu advogado. a liquidação vai ter petição inicial (não vai começar por mero requerimento) e vai ter citação do réu. que. para a doutrina majoritária. porque processo de liquidação começa por petição inicial. mas é a majoritária). um dispositivo que já foi analisado em aulas passadas. § único. feito na esfera penal. Nos casos dos incisos II. Ela simplesmente vai ser a primeira fase de um processo 90 . Se a liquidação fosse um processo autônomo. diz o seguinte: quando você tem um título desses. você tem três espécies de título executivo judicial (penal. conforme o caso. Se você tivesse diante de uma inicial. o mandado inicial (art. vai para o cumprimento de sentença. mas não interessa: já é um título. que tipo de decisão a resolveria? Uma sentença. ilíquido. na verdade. porque a decisão que resolve um processo é a sentença recorrível por apelação. IV e VI. para liquidação ou execução. 475-N. Essa é a estrutura tradicional: conhecimento. nesse caso. na verdade. tem que ficar esperto e lembrar do seguinte: nesse caso. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Art. como vimos. Nesse caso. 475-A. aí você faz uma fase de liquidação (chega ao valor) e aí você vai para a fase do cumprimento de sentença. 475-H. que vai ser a primeira. estaria dizendo: é uma mera fase procedimental. Art. uma decisão interlocutória. feito por homologação de sentença estrangeira. § único. a estrutura que a gente imagina é a seguinte: fase de conhecimento (e aí vem a sentença ilíquida). E é a posição majoritária (não é a minha particular. no juízo cível. Da decisão de liquidação caberá agravo de instrumento. o legislador. Parágrafo único. Se fosse um processo de liquidação. a estrutura que a gente imagina é: em regra. do CPC. § 1º Do requerimento de liquidação de sentença será a parte intimada.

descobre o valor e executa. Mas ele também tem o direito de quitar. Abelha Rodrigues) – Os doutrinadores que compõem a doutrina majoritária entendem que existe uma competência funcional do juízo que formou o título ilíquido. Ele pode querer se ver livre daquela obrigação. você não pode se animar. Ele tem o interesse de cobrar. 475-P. foi revogado porque. não sei quanto devo. colocando o credor no polo passivo. o devedor faz uma liquidação seguida de uma consignação em pagamento. Mas nesse caso excepcional. Mas para fins de liquidação. para exercer o direito de receber. que é o tradicional. percebam que tanto faz.Perceba que uma doutrina minoritária vai entender que você deve fazer uma aplicação por analogia. por incrível que pareça. tanto o credor quanto o devedor podem ser. Só que tem um porém. já que esse dispositivo não é para liquidação de sentença. para receber. Mas para quitar a obrigação. o devedor consigna. Mas ele sabe que. § único. Mas quando você tem uma liquidação pelo devedor. na realidade. Nesse caso. o primeiro sujeito que deve vir à sua cabeça é o credor porque o credor tem o direito a receber.9. O credor liquida. 570. quanto réu. O devedor não pode entrar com a execução. É interessante porque quando a gente pensa em quitação da obrigação. do CPC. Legitimidade na Liquidação de Sentença Como funciona a legitimidade na liquidação de sentença? Quando você pensa em legitimidade ativa. O credor quer receber. (Intervalo – 01:28:00) 8. O que faço? Uma consignação em pagamento. O credor executa. ao art. sempre pensa pelo aspecto do dever. eu preciso do valor. Em boa hora o art. pode ser tanto um quanto outro. não é impossível que o devedor assuma o polo ativo. Quer dizer. 91 .LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. você tem uma liquidação seguida de uma execução. é fase intermediária. Geralmente. Competência da Liquidação de Sentença Mais um tema onde a doutrina não é unânime. nem assim o credor quer aceitar. entra com a liquidação para se chegar ao quantum debeatur e aí a legitimidade passiva fica a cargo do devedor e a estrutura tradicional é essa. o instrumento processual depois da liquidação vai mudar. Então. Não há nenhum empecilho. esse dispositivo previa exatamente isso: uma execução proposta pelo devedor. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA sincrético. O devedor também tem o direito de quitar sua obrigação. Então a ideia de que obrigatoriamente que formou o título ilíquido será o competente para liquidar este título. 8. do CPC. Competência funcional é espécie de competência absoluta. O devedor tem o dever de quitar a sua obrigação. descobri quanto devo. tanto autor. a depender de o autor ser o credor ou devedor. ele precisa fixar o quantum debeatur. Doutrina minoritária (Nelson Néri) . A única indicação interessante que eu acho aqui é o seguinte: quando o autor é o credor. tudo se acerta. Doutrina majoritária (Fredie Didier. basicamente. que sempre virou surrealismo.10. Se eu sou devedor e quero pagar. Então. ela vai ser uma fase inicial. Apesar de improvável.

O autor da execução entra com a petição inicial ou com o requerimento inicial (porque aqui vai 92 . Espécies de Liquidação a) Liquidação por mero cálculo aritmético Vamos começar por essa. do cumprimento de sentença. Por que não parece correta a posição do Néri? É a velha historia. O sujeito domiciliado em Bauru vai pegar essa sentença proferida em SP e vai liquidar em Bauru. Eu saio de onde estou e vou para onde está o executado porque vai ser mais fácil praticar os atos materiais de execução. o exeqüente poderá optar pelo juízo do local onde se encontram bens sujeitos à expropriação ou pelo do atual domicílio do executado. principalmente quando você se aventura a fazer aplicações por analogia.11. ao aplicar por analogia. mas tem alguns problemas procedimentais que vamos ter que enfrentar. Não tem ato material nenhum aí. Vamos imaginar uma sentença proferida na comarca de SP e você tenha beneficiados espalhados por todo Estado. A competência é do foro do domicílio do liquidante. analisar o valor da obrigação. eu poderia liquidar a sentença no juízo atual. Quer dizer. cognitiva. mas só para não passar em branco. Se realmente o autor tem todas essas escolhas. Tem que ver a ratio da norma. Essa é uma regra do cumprimento de sentença. que é o indivíduo. se existe escolha para o autor. Por que eu posso sair do juízo atual e executar o executado no local dos bens dele? Porque a execução é voltada a atos materiais de satisfação. de competência absoluta. Para o Néri. você está diante de uma competência relativa. Parágrafo único. Aí não há essa vinculação obrigatória entre quem formou o título e quem liquida.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. o que. simplesmente. de cara. Qual é a competência para essas liquidações individuais da sentença coletiva? O foro do domicílio do liquidante. 475-P. na aula específica de tutela coletiva. vamos imaginar uma sentença de direito individual homogêneo que favorece 500 pessoas. no foro do local dos bens do executado e no foro do local do domicílio do executado. Não precisa ser muito perspicaz para perceber que essa liquidação é aquela que depende da apresentação de um memorial descritivo de cálculos. Cada um desses titulares vai ter que fazer a sua liquidação própria e a sua execução. Certamente vocês já viram isso. Ir até o local dos bens é facilitar a prática dos atos. É uma regra que vimos juntos. Resumindo: por que você não aplica por analogia? Porque a regra serve para facilitar os atos materiais de execução que não existem na liquidação de sentença. O juiz vai. ser você quer aplicar uma regra por analogia. o autor da liquidação teria essas escolhas. 8. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Art. Acaba sendo uma exceção à regra de competência funcional. é uma pseudo-liquidação. você tem que entender a razão de ser dessa regra. já transforma essa competência em relativa. Não é propriamente uma liquidação. Quando você tem uma sentença coletiva. até por uma questão de cronologia do CPC. No caso do inciso II do caput deste artigo. Mas na liquidação de sentença não existem atos materiais de execução. casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem. A liquidação de sentença é atividade intelectual.

o juiz. O código passa longe de dizer isso. § 1º Quando a elaboração da memória do cálculo depender de dados existentes em poder do devedor ou de terceiro. o Marinoni. fixando prazo de até trinta dias para o cumprimento da diligência. a execução já correu. Primeira questão problemática interessante: o art. mas ela gera alguns problemas práticos interessantes. não é uma liquidação propriamente dita. 475-B. Aí vem um segundo problema: o que acontece diante da não exibição conforme determinada pelo juiz? Ultrapassado esse procedimento prévio. diante de um pedido do exequente. É o princípio do contraditório. Mas o fato é que quem faz a conta é o credor. dentro da legalidade. não. faz os cálculos e o problema acabou. Mas aqui. o juiz já deve fixar um prazo de até 30 dias para que a exibição ocorra. Então. basta o cálculo. quanto extrajudicial) e já instrui essa peça inicial (seja a petição. não é liquidação. Na verdade. antes de determinar a exibição. apresentados pelo devedor. injustificadamente. Isso está no § 1º. O código não prevê. eu peço e ele já manda. 5 dias de prazo. o juiz dê um prazo de 5 dias para que o terceiro ou o executado se manifeste sobre o pedido. unilateralmente. Vamos ouvir o que o sujeito tem a dizer. sem ouvir ninguém. Aqui. Esse mero cálculo aritmético quem faz é o credor. a liquidação sempre vem como um procedimento prévio. Então. A liquidação é um procedimento que vem antes da execução. poderá requisitálos. você resolve o seu problema. se não o forem pelo terceiro. Perceba o seguinte: quem faz o cálculo é o credor unilateralmente. Por um mero cálculo aritmético. Por isso. ele dá até 30 dias. o exequente pega os dados. a cronologia dos acontecimentos seria a seguinte: pedido. e. já determinar. reputar-se-ão corretos os cálculos apresentados pelo credor. Quem chega ao valor da execução é o credor. 362. É claro que ele deve. § 2º Se os dados não forem. eu não posso. a requerimento do credor. Mas vamos supor que superada essa fase. O prazo de até 30 dias para que seja cumprida essa diligência. venha a exibição. intimação. e aí se o juiz entender cabível o dever de exibir. Fala o óbvio. configurar-se-á a situação prevista no art. não dá.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Eu não posso obrigar alguém a exibir algo em juízo sem lhe dar antes oportunidade de reação. a ideia é que. O CPC diz que quando você pede essa exibição. prevê a seguinte situação: imagine que os dados necessários para a elaboração dos cálculos estejam em poder do terceiro ou do executado. Quer dizer. Então. Ou seja. É um doutrinador que fala isso. seja o requerimento) com o descritivo de cálculos. E aí? Aí você vai pedir a exibição incidental desses dados em juízo. chegar ao valor estabelecido pelo título. Então. O que veio antes dessa execução? O cálculo que o cara fez lá no escritório do advogado dele. não houve um procedimento prévio à execução. Nesse caso. E se 93 . mas é questão constitucional: princípio do contraditório. Isso não está previsto no código. mas você não tem como fazer esse cálculo porque os dados necessários não estão com você. daí vem a execução. se o terceiro ou executado levar os dados ao juízo. E um detalhe óbvio. mas estão em poder de um terceiro ou do próprio executado. Segundo o código. do CPC. §§ 1º e 2º. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA valer tanto para título judicial. a exibição. Você tem que respeitar o contraditório.

HTJ). ele precisa dos extratos de conta-poupança de 20 anos atrás. É uma regra básica de direito. E aí começa uma discussão de consequências práticas inegáveis. Eu preciso ser fiel ao título. Se a não exibição for fruto do ato do terceiro – Aí não se pode presumir como correto porque. Vamos tentar salvar: pediu a exibição. Verão. Haverá aqui um crime de desobediência. Por vezes. mas aí dizer que essa omissão dele cria um direito de crédito ao credor. Se se descobrir numa defesa do executado (seja impugnação. Mas mesmo assim. E fica num impasse desgraçado. que perdeu. o Alexandre Câmara. Como é que o exequente faz os cálculos? No papel é bonito. 2ª Corrente – O que não acreditam que possa acontecer o Néri. Então. Mas. presume-se correto o cálculo apresentado. podemos fazer uma busca e apreensão do bem. disparado a mais lúcida (Zawascki. O problema desse entendimento é que omissão processual não pode criar direito material. O que significa dizer que o valor se torna imutável e indiscutível. foi safado. mas algum cálculo vai estar lá. de valor aproximado. O que já vai exigir uma ginástica de hermenêutica porque não existe cálculo apresentado. apesar do código expressamente não indicar. a solução não é tão simples como sugere o legislador. 94 .LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. não é a omissão do executado que pode transformar o meu direito de crédito em 50. que vão dizer que essa é uma presunção relativa. Não há dúvida de que houve uma omissão.). na hora de liquidar. Se a não exibição decorrer do executado – A legislação cria uma presunção de correção do cálculo apresentado. O legislador diz: “se não houver exibição. poderá impugnar o valor dessas contas. Ele diz que não tem. a presunção de correção prejudica o executado.” Que cálculo? O exequente está pedindo os dados justamente para fazer o cálculo. em embargos. ele não tem como fazer os cálculos. etc. o exequente simplesmente não tem condições nenhuma de fazer os cálculos sem os dados. aí o exequente elabora os cálculos com o que ele conseguir (de forma aproximada. E o executado aqui não teve nada a ver com isso. É um direito material inexistente. O que significa dizer que o executado pode impugnar o valor. isso não existe. o juiz também poderá aplicar. Então. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA não houver a exibição? Aí a lei dá soluções diferentes. Exemplo típico: ações desses planos econômicos (Bresser. na melhor das hipóteses. o juiz é obrigado a manter a fidelidade ao valor do título. Se ele não tiver os extratos. você tem algum elemento mínimo. Se o meu título executivo me dá um direito de 10. em tese. algum indício que possa permitir o cálculo. Aí o banco é chamado a exibir em juízo. Oe executado não exibiu os dados. o executado. O exequente peticiona e diz que não tem ideia de onde começar. em tese. É verdade que aquilo só ocorreu pela omissão do executado. Os cálculos serão presumidos corretos (cálculos apresentados pelo exequente e. seja embargos) que o valor não é o apresentado. na prática. porque a omissão dele estaria criando um direito a 40 que não existe. E o juiz diz que também não tem. a ideia é de que se você não tem todos os elementos. A vida prática é mais cruel do que os livros. na impugnação. Eles acham que a presunção é absoluta. equitativa) e se opera a tal da presunção de correção. Não vai ser um cálculo exato. quando não for um chute absolutamente aleatório) e qual é a natureza dessa presunção? 1ª Corrente – Aí você vai ter uma corrente doutrinária que me parece. Eu acho até que é a doutrina majoritária. Não há dúvida de que eu não estou feliz e ninguém deve estar feliz com o executado eu foi malandro. E. a depender de quem é o sujeito que não exibe. O valor das contas apresentadas torna-se imutável e indiscutível (presunção absoluta!). segundo a disposição legal. não veio.

você tem direito a 15. Segunda hipótese – Quando o exequente for beneficiário da assistência judiciária. Mas quem vai abrir mão de um direito de crédito reconhecido pelo contador? É que o sujeito pode saber que devia só 10 mesmo e não quer executar 15. Foi o terceiro. mas nesse caso. é bom que vocês entendam. é algo excepcional. mas está estranho demais. ou mantém o valor original e a execução continua normalmente. O que é excepcional? A remessa do processo ao contador judicial. O que eu vou colocar agora. É possível que o contador ache um valor superior ao valor executado. Nesse caso. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA nesse caso. Vai que o executado prova que era só 10 mesmo e depois ele vai querer receber em dobro. Aqui. então. 475-B. Aí eu presumo verdadeiros os fatos que eu queria provar com a exibição. suspeitar da regularidade dos cálculos. é uma questão de auxílio. de duas uma. 475-B. então. Essa desconfiança não deve ser fruto de uma atividade cognitiva exauriente. o juiz faz uma cognição superficial. Aí o sujeito entra com a execução e não consegue fazer os cálculos. Tem lógica porque eu não posso usar uma norma que é para ajudar o exequente para prejudicá-lo. É absolutamente excepcional. Não tem problema nenhum. ele é prejudicado. o juiz pega a sua inicial (petição. Quer dizer. mas é possível. eu entro com uma cautelar contra o réu e o réu não exibe. voltada à omissão do réu na cautelar de exibição. ou como prefere o Dinamarco. O juiz não vai fazer análise. Isso significa sem fazer cálculo. o exequente é intimado: “você está cobrando 10. você só está executando 10. mas a Súmula 372. Você tem um título de 3 mil e o cara fez um cálculo que chegou em 50 mil.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. uma análise a olho-nu. Ou então. não vai para o contador. o art. você está desconfiando da lisura do autor que pode ter querido dar uma inflada no cálculo. você pode entrar com a busca e apreensão e aplicar as Astreintes. Não tem nada a ver com a parte contrária. na verdade. Se eu sou beneficiário. Aqui. É aquela coisa aviltante. É possível que o contador diga: “exequente. Outro probleminha: agora. Ele. Quando o juiz tem uma desconfiança ante situações de disparidade entre o título e o cálculo. quando a memória apresentada pelo credor aparentemente exceder os limites da decisão exeqüenda e.” Mas aqui a súmula não é aplicada porque dizer que não cabe Astreinte na cautelar de exibição de documento é. Em regra.” Ele. do STJ. isso não vai acontecer. Somente em duas hipóteses.” Vamos imaginar o contador chegando a um valor superior ao da execução. É possível. mas indiquei os cálculos. o exequente entra na pilha do contador. Aí o juízo faz para ele. O legislador pensou que o beneficiário da assistência judiciária que não tem condições de fazer os cálculos. Mas aqui. as Astreintes. requerimento) e manda para o contador. Percebam que aqui não foi a parte contrário que não fez. nos casos de assistência judiciária. você só vai mandar para o contador se o exequente deixar de apresentar os cálculos. Pelo contrário. já não há mais desconfiança. emenda a 95 . mas o contador está dizendo que você merece 15. É bastante improvável. ele manda para o contador. Tudo para que os dados cheguem às mãos do exequente. § 3º. que ele queira executar o que acha que tem que executar. ainda. Uma batida de olho. não. Mandar para o contador é ruim porque demora. sem fazer pesquisa. A primeira hipóteses é quando o juiz desconfiar. No primeiro caso. Em regra. não há razão para mandar para o contador. Aqui. § 3º Poderá o juiz valer-se do contador do juízo. “Ah. Então. É a velha história: o réu não fez. É pouco provável. diz que não cabe Astreintes na ação cautelar de exibição de documento. Daniel.

Ele pode executar o valor que achar adequado. segue também. O exequente não dá crédito ao contador e mantém o valor. . Mantido o valor originário segue. na decisão da impugnação.306/PR (e aqui há uma polêmica doutrinária considerável). Ou então. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA petição inicial adotando o valor do contador. REsp 1012306 / PR . o que acontecerá? A execução segue pelo valor inicial. é amplíssima. diante do que expõe o art. Pelo menos nesse momento procedimental. adotado o valor do contador. Em outras palavras. 130 do CPC. porque é feita no interesse público de efetividade da Justiça. em busca da verdade real. adequando o valor da inicial ao valor obtido pelo contador. podem determinar as provas que lhes aprouverem. a fim de firmar seu juízo de livre convicção motivado. quando não há defesa do executado. 96 . o juiz continuou. Ele pode concordar com o contador e se fizer isso ele vai emendar a inicial corrigindo o valor. de ofício. o STJ. o contador diz que é 10. Eu estou executando 15. O juiz deixa para falar sobre o valor na decisão dos embargos. E aí? O juiz resolve. É isso que costuma acontecer. ele mandou ouvir o autor. o exequente que resolveu continuar a execução pelo valor originário. o juiz pode corrigir o valor da execução. indicado pelo exequente.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. a história é a seguinte: cada um dos sujeitos narrados vai ter um momento específico para falar sobre o valor. O contador pode chegar a um valor igual ao da execução. O autor fala na inicial. Em tese. o executado diz que deve 3. Uma observação.DJe 07/05/2009 . se o contador estiver errado. desconfiou. E aí a normalidade é uma coisa mais óbvia ainda. independente da posição adotada pelo exequente. Só que. E aí a execução segue normalmente. O que eu quero te mostrar aqui é que. Mandou para o contador. a execução segue normalmente.A iniciativa probatória do juiz. o contador fala no cálculo dele. mas se a defesa do réu não vier. Nesse caso. mas o contador disse que era 10. E se o executado não se defender? Nesse caso. não está tudo perdido porque o juiz poderá fazer essa correção de ofício. O que acontece diante da omissão defensiva do executado? Quando o script é seguido.Os juízos de 1º e 2º graus de jurisdição. O juiz pegou a inicial. o contador fez o cálculo. Aí o exequente será intimado. no REsp 1. ele espera a resposta do réu. sempre que entender que é um valor inadequado. O que costuma acontecer é o contador chegar a um valor inferior ao executado. É interessante porque no final das contas. Essa observação e importante! O juiz não se manifesta sobre o valor nesse momento. nesse caso. tudo dá certo porque o juiz vai ter uma oportunidade para falar sobre o valor que é a defesa do executado. eu vou penhorar bens até o valor de 10. O juiz não se manifesta porque o juiz vai deixar para falar sobre o valor quando ele decidir a defesa do executado. sem violação ao princípio da demanda. o executado fala na defesa e o juiz depois decide. O credor quer 15. eu vou ter que fazer um reforço de penhora.Julgamento 28/04/2009 . já resolveu que o juiz pode se manifestar de ofício. porque em tese. aí beleza. com realização de provas de ofício.012. A execução segue normalmente. o valor da penhora será o valor do contador. Só que a penhora de bens tomará por base o valor do contador.Ministra NANCY ANDRIGHI TERCEIRA TURMA . ele mantém o valor originário. Mas se o contador estava certo.

finalmente. Fato novo é liquidação por artigos. ele traz as duas incorreções: 1. diante do acordo de vontade das partes – Está errado! Se o juiz não pode mudar a natureza da liquidação da sentença. Será por arbitramento. feita com equilíbrio e razoabilidade. O inciso I é daqueles. No inciso I. “Ah.” Não interessa! Na verdade. A liquidação por arbitramento tem como hipótese de cabimento a necessidade de produção de uma prova pericial para a fixação do valor da obrigação. quando determinado na sentença – Mentira! É mentira porque a determinação na sentença não pode mudar a natureza da liquidação. ou quando ela é cabível? Eu vou tentar tirar desse inciso II. Como assim? O juiz fixou liquidação por arbitramento na sentença. II – o exigir a natureza do objeto da liquidação. deve-se admitir a iniciativa probatória do julgador. As partes também não podem mudar a natureza por acordo. só vale a indicação do juiz na sentença quando a liquidação for por arbitramento de qualquer maneira. O juiz não pode mudar a natureza na sentença. Quer dizer. Liquidação por arbitramento é uma prova pericial.Embora recaia sobre o devedor-embargante o ônus de demonstrar a inexatidão dos cálculos apresentados pelo credor-exequente. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA . mas o juiz disse que era por arbitramento. 2. Agora. E por que trago com tristeza? Porque ele prevê três hipóteses de cabimento: duas são erradas e uma incompreensível. Art. preciso provar fato novo”. Recurso especial improvido. “Daniel. Sempre que o valor depender de uma prova 97 . mas o juiz falou que ia ser por arbitramento. quando o exigir a natureza do objeto da liquidação – Típica hipótese que se fala muito e não se diz nada. É um artigo de todo imprestável. 475-C. Far-se-á a liquidação por arbitramento quando: (Acrescentado pela L-011. a determinação do arbitramento na sentença não serve para nada. b) Liquidação por Arbitramento Quando haverá uma liquidação por arbitramento? E aqui é com tristeza que trago a vocês o art.” Não interessa! Você vai fazer por artigos. o que é uma liquidação por arbitramento. Será por arbitramento. o inciso II. pois assim se prestigia a efetividade. 475-C. 475-C. só que na hora de executar descobriu-se que bastava o mero cálculo aritmético. para aferir a exatidão de cálculos que aparentem ser inconsistentes ou inverossímeis. “Não. a coisa mais óbvia do mundo.232-2005) I – determinado pela sentença ou convencionado pelas partes. do CPC. celeridade e equidade da prestação jurisdicional. Será por arbitramento. muito menos podem as partes por acordo. não fica muito atrás: 3. do art.. Você quer saber..LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Como vai ficar a liquidação? Por mero cálculo aritmético.

(Acrescentado pela L-011. É interessante. se manifestar sobre. Percebam. a liquidação.. porque a perícia se dá para provar o fato novo. Claro que as regras da prova pericial têm a sua complexidade. quando.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. 475-E. Tudo leva à perícia. A novidade aqui não diz respeito ao momento do fato. c) Liquidação por Artigos Quando ocorre a liquidação por artigos? E aí. a liquidação se dará por arbitramento. 475-F fala do procedimento e vai indicar que o procedimento da liquidação por artigos é o procedimento comum. Havendo um fato novo. 475-E. a liquidação por artigos pode seguir tanto o rito ordinário quanto o sumário. “Bom. Por isso é que ele é novo. 272). em dez dias. de maneira um pouquinho mais feliz.232-2005) 98 . para determinar o valor da condenação. prova em espécie? Tudo o que você aprendeu lá vai aplicar aqui. Far-se-á a liquidação por artigos. Então.” Isso! As regras da prova pericial. Art. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA pericial. inclusive a perícia. O art. em outras palavras. Procedimento comum para o CPC é o ordinário e o sumário. a única prova da liquidação por artigos é a perícia. houver necessidade de alegar e provar fato novo. Pouco importa. É o fato que ainda não foi apreciado pelo Poder Judiciário. Liquidação por arbitramento. A liquidação por arbitramento é uma perícia. Então. aqui. São coisas diferentes. percebam. De cara. Então. e às vezes (e isso pode gerar confusão e é aí que chamo a atenção de vocês). Não é novo porque aconteceu agora. O que nos leva a uma facilidade muito grande que é a seguinte: qual é o procedimento de uma liquidação por arbitramento? É o da prova pericial. E o que significa fato novo? Cuidado! Fato novo é o fato ainda não apreciado pelo Poder Judiciário. observar-se-á. do CPC. Art. resolve o problema. cabe quesitos fundamentais?” Isso! “Ah. você pode ter uma perícia dentro de uma liquidação por artigos. significa dizer que é uma novidade para o Judiciário.” Não. mas se a única prova é a perícia. o art.232-2005) A liquidação por artigos será cabível sempre que houver necessidade de alegação e prova de um fato novo. no que couber.. cabe chamar o perito em audiência?” Isso! “O perito tem que entregar com 20 dias de antecedência o laudo?” Isso! “Ah! Pode ser intimado para. (Acrescentado pela L-011. Fato novo pode ter acontecido antes ou depois da formação do título. É importante você entender que esse fato novo não se confunde com fato superveniente. obrigatoriamente tem que ser por artigos. não há de se deixar de aplicar a regra da prova pericial. Lembra das regras de prova pericial. “Ah. Na liquidação por artigos. Isso. é quando basta a perícia. o procedimento comum (art. acaba sendo até simples. a liquidação tinha que ser por arbitramento. Daniel. 475-F. É novo porque nunca o Judiciário analisou. já não interessa quais sejam os meios de prova que eu vou utilizar. mas à análise pelo Judiciário. Como é que você prova um fato? Por todos os meios de prova em direito admitidos. então o juiz vai determinar o perito e vai abrir prazo de 5 dias para indicação dos assistentes técnicos do perito?” Isso! “Ah. havendo fato novo.

LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Pode até não ser na estrutura de artigos. Essa é uma exigência que fica. com certeza. mas uma coisa é certa: você é obrigado a descrever. com o princípio da instrumentalidade das formas e tudo o mais. mas a ideia é importante. nós encerramos a liquidação de sentença e. me parece que exigir essa estruturação do requerimento inicial não se coadune muito com o atual clima do processo civil. Ela continua a existir. É a descrição dos fatos novos na forma de artigos. Isso. no requerimento inicial desta liquidação. Mas é imprescindível que você faça a descrição individualizada dos fatos novos. Essa é a tradição. a Teoria Geral da Execução. Vamos passar à análise da execução em espécie. você descreva os fatos novos na forma de artigos. acho que não tem nenhum problema. Se você não quiser fazer na forma de artigos. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Por que ela chama assim. é inalterada. liquidação por artigos? Porque a tradição manda que você. fato por fato. Com isso. por consequência. individualmente. portanto. 99 . É claro que hoje.

nos termos dos demais artigos deste Capítulo. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Notem o seguinte: execução de título judicial vai ser sempre por cumprimento de sentença. de sucessão de atos processuais. O art. não fazer e entregar coisa Então. o art.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Foi o nome que o legislador deu a essa fase procedimental executiva. Hoje.1. quando você vai para a execução em espécie. do CPC. 461-A 100 . Art. em concurso público. diz o seguinte: o procedimento deste cumprimento de sentença vai variar a depender da espécie de obrigação exequenda. Cumprimento da sentença de obrigações de fazer. mas não se perde muito não. basicamente. que ficou para o título extrajudicial. Invariavelmente. (Acrescentado pela L011. Então. ficou o nome. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA EXECUÇÃO EM ESPÉCIE Eu costumo dizer que a execução em espécie é muito mais chata do que a teoria geral. 475-I diz o seguinte: • • O cumprimento da sentença de obrigações de fazer e não fazer seguem o art. A fase procedimental de execução do título judicial chama-se cumprimento de sentença. 475-I. porque é procedimento. Vamos começar com o cumprimento de sentença e depois. principalmente no caput. O cumprimento da sentença de obrigações de entregar coisa. 475-I. é texto da lei. Vamos fazer uma análise dos principais aspectos dessas execuções em espécie. O cumprimento da sentença far-se-á conforme os arts. em regra é a execução do título judicial (vimos na 1ª aula) Processo de Execução. 461 e 461-A desta Lei ou. 461. seguem o art. processo de execução. É falar. mas é muito mais simples. Cumprimento de Sentença que. Nós vamos fazer isso. por execução.232-2005) 1. tratando-se de obrigação por quantia certa. a execução em espécie é separada assim: • • 1.

fixando-lhe prazo razoável para o cumprimento do preceito. E sabe qual é a surpresa que você tem ao ler os arts. o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou. 461 . se for suficiente ou compatível com a obrigação. o juiz. conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel. § 6º O juiz poderá. impor multa diária ao réu.A obrigação somente se converterá em perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção do resultado prático correspondente. caso verifique que se tornou insuficiente ou excessiva.Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final. na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença. § 1º Tratando-se de entrega de coisa determinada pelo gênero e quantidade. § 3º . modificar o valor ou a periodicidade da multa. desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva.Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente. independentemente de pedido do autor.O juiz poderá. poderá o juiz. remoção de pessoas e coisas. tais como a imposição de multa por tempo de atraso. determinar as medidas necessárias. cabendo ao devedor escolher.A indenização por perdas e danos dar-se-á sem prejuízo da multa (Art. é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou mediante justificação prévia. § 4º . de ofício ou a requerimento. expedir-se-á em favor do credor mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse. § 2º . de ofício. se procedente o pedido. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa. § 3º Aplica-se à ação prevista neste artigo o disposto nos §§ 1º a 6º do art. § 5º . no prazo fixado pelo juiz. se lhe couber a escolha. 461-A. § 2º Não cumprida a obrigação no prazo estabelecido. fixará o prazo para o cumprimento da obrigação. 287). ao conceder a tutela específica. Art. 461. o credor a individualizará na petição inicial.Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer. 461 e 461-A? O art. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Art. em decisão fundamentada. citado o réu. busca e apreensão. § 1º . determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. se necessário com requisição de força policial. este a entregará individualizada. a qualquer tempo. A medida liminar poderá ser revogada ou modificada. 475-I faz essa remição: “você quer saber como cumpre uma sentença de fazer e não fazer 101 .LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof.

Ninguém dá aquele negócio duro. compensação. quando falaremos das defesas do executado (o professor não leu. existe um procedimento. Cumprimento da sentença de obrigação de pagar quantia Na obrigação de pagar quantia. desde que superveniente à sentença. A tutela diferenciada é mais do que isso. 475-M tratam da impugnação. transação ou prescrição. se o processo correu à revelia.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Segue as regras da chamada tutela diferenciada. 10 dias para aquilo. Art. olha os arts. IV – ilegitimidade das partes.232-2005) I – falta ou nulidade da citação. III – penhora incorreta ou avaliação errônea. Este procedimento está concentrado nos arts. A não ser un passant. Sabe o que é isso? É um procedimento flexível para que o juiz o crie conforme as necessidades do caso concreto. ou 102 . Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA e de entregar coisa. 475-M e 475-R do CPC. considera-se também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. 475-J. E por quê? Porque a execução de obrigações de fazer e não fazer e de entrega de coisa segue a aplicação da chamada tutela diferenciada. 461 e 461-A. mas transcrevi por conta própria). Na verdade. 475-L. II – inexigibilidade do título. Aí você vai dizer: “então aqui algo muito estranho aconteceu”. a explicação acaba agora porque como não há procedimento e isso vai depender do juiz no caso concreto. 475-L e o art. O legislador dá uma liberdade ao juiz para que o juiz determine o procedimento mais adequado às exigências do caso concreto. opressor (5 dias para isso. não. modificativa ou extintiva da obrigação. se não fizer acontece isso). Para nós. O art. novação. Então. Na verdade. Um detalhe importante.” Sabe o que eu descubro quando olho para eles? Que eles não contêm previsão do procedimento. há efeito suspensivo?” Sei lá! Nem eu nem ninguém sabe. A impugnação somente poderá versar sobre: (Acrescentado pela L-011. Tudo isso vai ser construído no caso concreto. mas uma das características da tutela diferenciada é isso aqui. não há muito mais que eu possa dizer a vocês. V – excesso de execução. É matéria para amanhã. o próprio art. 475-I diz que seguirá as “regras a seguir”.2. 1. Essa ausência de procedimento é programada. VI – qualquer causa impeditiva. § 1º Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo. Não há previsão de procedimento nesses artigos. Isso é um pouco diferente da obrigação de pagar quantia. como pagamento. 475-L. essa ausência de procedimento não é uma falha. Aí você pergunta: “o juiz vai dar prazo para o sujeito fazer ou não fazer? Vai aplicar multa? Vai dar uma busca e apreensão na obrigação de entregar? O executado vai poder se defender? E ao se defender. impugnação que é a defesa típica do executado no cumprimento de sentença. não veremos hoje a impugnação.

no que couber. § 2º Quando o executado alegar que o exeqüente. oferecendo e prestando caução suficiente e idônea. expropriação de bens.232-2005) § 1º Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação. § 3º A decisão que resolver a impugnação é recorrível mediante agravo de instrumento. A impugnação não terá efeito suspensivo. as normas que regem o processo de execução de título extrajudicial. o L e o M e aí esse R? O 475-R desvenda o mistério. não há uma linha sobre penhora. 475-J. é lícito ao exeqüente requerer o prosseguimento da execução. podendo o juiz atribuir-lhe tal efeito desde que relevantes seus fundamentos e o prosseguimento da execução seja manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. E tudo o que a gente for falar amanhã será aplicável ao cumprimento de sentença. sob pena de rejeição liminar dessa impugnação. É possível adjudicar um bem no cumprimento de sentença? Claro! Segue as regras do processo de execução. salvo quando importar extinção da execução. caso em que caberá apelação.232-2005) Nos arts. muito do processo de execução é aplicável ao cumprimento de sentença. penhora. Então. por sua vez. 475-J. § 2º Deferido efeito suspensivo. Será uma aula. arbitrada pelo juiz e prestada nos próprios autos. Como é que funciona a penhora? Segundo as regras do processo de execução. é o dispositivo que explica como o legislador conseguiu. E o art. 475-R. 475-M. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. e para cumprimento de sentença eu tenha só o J. (Acrescentado pela L-011.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. Ele abre as portas para o processo de execução e amanhã o meu objetivo é falar com vocês sobre os principais aspectos do processo de execução. E a hasta pública? Segundo as regras do processo de execução. É curioso que para o processo de execução eu tenha mais de 200 artigos. em autos apartados. (Acrescentado pela L-011. cumprir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto. com dupla finalidade. O R já está visto. Art. em excesso de execução. 475-R. L e M. a impugnação será instruída e decidida nos próprios autos e. pleiteia quantia superior à resultante da sentença. O que ele manda fazer? Manda aplicar subsidiariamente ao cumprimento de sentença as regras do processo de execução. Art. em três artigos de lei prever o procedimento todo do cumprimento de sentença. sobrou para nós ver o quê? O art. obrigação de pagar quantia. 103 . Aplicam-se subsidiariamente ao cumprimento da sentença. portanto. caso contrário. Fazendo essa limpeza inicial.

mas isso não evitará a aplicação da multa. é ele que nós vamos analisar agora. depositar dinheiro em juízo oferecendo a penhora. não me entenda mal). 236 e 237). desta Lei. aceitaremos com extrema felicidade. Penhorar é garantir a satisfação. a requerimento do credor e observado o disposto no art. que é o caput. ou pessoalmente. ainda que dinheiro. Isso significa. § 3º O exeqüente poderá. por depender de conhecimentos especializados. na pessoa de seu advogado (arts. você vai ser obrigado a pagar a dívida e também pagar os 10%. em seu requerimento. Percebam. § 2º Caso o oficial de justiça não possa proceder à avaliação. se você me pagar. § 4º Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput deste artigo. o seu representante legal. E vamos começar pela maior polêmica. que trata da famosa multa na hipótese do réu não pagar o objeto da condenação em 15 dias. expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. 475-J. só vale para o cumprimento de sentença da obrigação de pagar quantia. não evita a multa. a multa de dez por cento incidirá sobre o restante. O que o código está querendo dizer é o seguinte: me pague. nomeará avaliador. o juiz. Se você não me pagar. não o efetue no prazo de quinze dias. desde já o seguinte: a multa de 10% é aplicável ao não pagamento. na falta deste. assinando-lhe breve prazo para a entrega do laudo. O oferecimento de bem à penhora. de cara. condenado ao pagamento de quantia certa ou já fixada em liquidação. satisfaz a obrigação e eu te libero da multa de 10%. se o executado oferecer dinheiro. São coisas bem diferentes. A partir de quando se contará o prazo de 15 dias para a obrigação ser paga? Você tem aqui. quatro correntes doutrinárias tentando explicar o termo inicial: 104 . Caso o devedor.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. 475-J é específico. Qual é o grande problema dessa multa? O termo inicial. o montante da condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e. no mínimo. inciso II.232-2005) § 1º Do auto de penhora e de avaliação será de imediato intimado o executado. § 5º Não sendo requerida a execução no prazo de seis meses. que o eventual oferecimento de bem à penhora. Pagar é satisfazer. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Mas o art. ou. Pagar é satisfazer. indicar desde logo os bens a serem penhorados. podendo oferecer impugnação. Então. no prazo de quinze dias. de imediato. 614. querendo. o juiz mandará arquivar os autos. por mandado ou pelo correio. sem prejuízo de seu desarquivamento a pedido da parte. por uma razão muito simples. ainda que seja dinheiro (o que será muito bem recebido. Art. (Acrescentado pela L011.

não tem nada a ver com a eficácia da decisão. o ato de pagar não é um to postulatório. É óbvio que não precisa seguir os requisitos do art. realizar uma intimação pessoal do devedor e daí vai começar a correr o prazo. Como já houve a contagem da multa. Aí não há outra forma. eu já posso executar. “Ah. Como não é um processo. Por que a intimação tem que ser pessoal? Porque você só pode intimar a parte na pessoa do advogado para atos postulatórios. divergente”. o termo inicial se dá quando a decisão passa a ser imutável. que fazer uma intimação. Mas cuidado porque ele tem que contar com elementos mínimos para a identificação da demanda. Esse cumprimento de sentença só começa com provocação do interessado. contar a multa quando pendente um recurso sem efeito suspensivo. que diz que a cobrança da multa ocorrerá a partir do trânsito em julgado. mas com a imutabilidade da decisão. que gera uma insegurança jurídica na prática forense. Quer dizer. Infelizmente. só será intimação pessoal. mas como ele não tem efeito suspensivo. sob pena de multa. conforme indica o enunciado 105. Esse entendimento é o entendimento consagrado no STJ. o legislador prestigiou o princípio da inércia. Mas o tribunal tem como posição oficial o trânsito em julgado. mas houve uma decisão de agosto de 2009. Para ele. Quer dizer. o recurso perde o objeto. eu já posso executar incluindo a multa. da 4ª Turma. mas por um requerimento inicial. você tem. Humberto Theodoro Júnior – Não. mas é uma intimação na pessoa do advogado. desde que o recurso não tenha efeito suspensivo. as exigências formais da inicial. do CPC. Veja que curioso. porque na minha visão é um entendimento caótico. como não está nascendo um processo novo. Transitou. E quando isso acontece? Com o trânsito em julgado. Claro que não. E é óbvio. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA Marinoni – Ele diz que o termo inicial é a partir do momento em que a sentença condenatória passa a ser eficaz. A ideia é: o dever de pagar é da parte. aí sim. de forma que eu tenha que intimar a parte pessoalmente. senão a intimação pessoal. É possível aqui falar na contagem do prazo mesmo na pendência de recurso contra a decisão. Tereza Arruda Alvim Wambier – Para essa corrente. Nélson Néri – Na minha opinião é a melhor e a que conseguiu convencer alguns ministros do STJ e que conseguiu uma decisão isolada da quarta turma que diz o seguinte: depois do trânsito em julgado. é uma mera fase procedimental. a provocação não se dá por petição inicial. é mais 105 . depois do trânsito em julgado. Se ele cumprir a obrigação não se tem mais o que discutir. senão houver advogado constituído nos autos. realmente. E para eles.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. só compreensível por quem não trabalha na área. quer dizer que eu posso cobrar essa multa em sede execução provisória. Aqui. Você vai intimar a parte na pessoa do advogado da sentença porque a apelação. Algumas considerações sobre esse cumprimento: O juiz não pode começar o cumprimento de pagar quantia de ofício. do FONAJE. E esse requerimento inicial não precisa seguir as regras formais da petição inicial. no dia seguinte já está contando o prazo. que é o ato a ser praticado contra a sentença é um ato postulatório. Importante: o trânsito em julgado abre a contagem do prazo independentemente de intimação do executado. Só que no STJ é assim e nos juizados especiais também. você precisa esperar o trânsito em julgado e aí. portanto. Há um recurso pendente. Até teve. 282. se ele cumprir a obrigação. Então. só será na pessoa do devedor. o termo inicial é o trânsito em julgado. Ela vai se dar por meio de um requerimento inicial. Se eu posso aplicar a multa. O que não deixa de ser muito estranho porque você acaba obrigando o sujeito a cumprir a obrigação quando ele ainda tem um recurso pendente de julgamento.

Para alguns. haverá uma nova fixação de honorários porque. Um míniom para indicar a demanda você vai precisar fazer. a prescrição intercorrente se inicia na dada de remessa do processo ao arquivo. da LEF. que é a prescrição exclusiva da execução tem início no trânsito em julgado. Você aplica subsidiariamente o CPC na LEF. Não vai confundir porque na execução fiscal. você manda os autos para o arquivo. O caminho é exatamente o contrário. para outros.LFG – PROCESSO CIVIL – Aula 05 – Prof. 106 . nessa regra. do trânsito em julgado. se eu estou executando uma sentença. Só aí já ouve um acréscimo de 30% do valor original da sua dívida. os autos são remetidos ao arquivo. E o que significa cumprir voluntariamente? Se eu cumpri voluntariamente eu estou fora dos honorários. mas é óbvio que é do trânsito em julgado). em tese. Lá a regra é outra. 40. art. que é um processo de execução de título extrajudicial (quer dizer. E uma última consideração com relação ao cumprimento da sentença interessante sobre o STJ. eu já fui condenado em honorários. 475-J. tudo leva a crer. Mas não é avacalhado total. A ideia é a seguinte: eu tenho 15 dias para pagar. O STJ entende o seguinte: se não houver o cumprimento voluntário da sentença são devidos honorários advocatícios no cumprimento da sentença. Se o juiz fixa os honorários em 20% e a multa + 10. Tem que ter endereçamento. valor. e se eu não fizer o requerimento?” O art. O réu já foi condenado em honorários e agora vai ser de novo no cumprimento de sentença. Se é a partir do trânsito em julgado que se admite a execução pelo cumprimento de sentença. é de lá que começa. é aquele feito dentro dos 15 dias do art. Não vai querer me aplicar a LEF no CPC. Em tese. nesse caso. O cumprimento voluntário. O meu medo. não tem nada a ver com o que estamos vendo aqui). “Daniel. é a partir do transito em julgado que resta configurada a desídia do exequente em executar. caput. Perceba. Mas eu tenho 15 dias para pagar. do CPC. 475-J. se eu não cumpri os honorários são devidos. da intimação. a prescrição intercorrente tem início na data de remessa dos autos ao arquivo. Se você não fizer o requerimento inicial no prazo de 6 meses do trânsito em julgado (o código não fala. Se eu não pagar. isso pode aumentar significamente a minha dívida. nomes das partes. aplica a multa e passo a dever os honorários. é que a prescrição intercorrente. Daniel Assumpção – Intensivo II – 12/01/2009 CUMPRIMENTO DE SENTENÇA informal. Na execução fiscal. em seis meses. § 5º diz que se você não fizer o requerimento. Então. O único jeito de você se eximir desses honorários é cumprir voluntariamente a condenação.