LIYBOS PARA O.

POVO
-ll-
A FUNDACÃO
. ..
DA

. IONARCHIA PORTUGUEZA
..
NARR.,CÃO ANTI-IBERICA

POR
A. A. TEIXEIRA DE Y ASCOKCELLOS
N ~ T U B A L DO PORTO
LISBOA
IAfPRENSA NACIONAL
- 1860

....
AOS DIGNOS PIOPIIITABIOS
DO
COMMERCIO DO PORTO
Meus caros senhores:
, A p o n d ~ d e com que v ~ s.as me·offe-
receram no seu periodico uma tarefa
effectiva, e bem remunerada, deu-me
o descanso necessario para con\i-
nuar os trabalhos litterarios, que eu
começara mais rico de intenções pa·

\
G -
triotieas qne de os
"
var a cabo. , ·
Á iJ;Dprensa do·to.da a Europa e de
uma Patli!llâ ·AtMficflt'd'Wvo as maio-
, res finezàs, e protecção e au-
. xilio ella p6de A imprensa por·
'

obrigações,· mas entre os que mili-
tam n,ella sio v. s.a• dos que tnais
... efficazmente se esmeraram em me
..
ajudar··e.favoreat·; ··- = · - .
;,Af,amOJ;·de Cfbe tOda a'
. 1118 oorreapoado eu
· ·qae· sempre lhe
· tifeJ· e &l•f t;4-i; . ..,. •
..
• t.ntto.- ·
. ':" .... bodaad• ,
...

• •
7
,
· 11ba estima e E a pri- .
meira dedicatoria que faço.
Sou con]: a n1aior consideração

De v. s.a•
·· ·An1igo e venerador obrigado
A. Teixeira de Va•concellos •

LJsbon, rua de San Lo 1.\ Estrclla, n.
6
66,
de julho de t8GO.
! .
.. 4



PALAVRAS NECESSARIAS
O livrinho que hoje sáe á luz, devia ter
sido escripto- e publicado ba um anno, e
após elle muitos outros do mesmo gene-
ro. Não aconteceu porém assim, porque
. não era negocio dependente só da minha
-
vontade.
,
Desde que o foi, peguei na penna e não
a tornei a pôr no tinteiro sem ter acabado
o livro. Tenho para mini que as classes
populares carecem de uma bibliotheca
composta de livros uteis, de doutrina sã,
de lição curiosa, e baratos, e ando a ver ·
tO
.
se cabe. nas minhas forças Ú'-lh'à prepa-
rando com estes volumes.
A tal empenho, assjm como ao de re-
velar á Eur.opa na o que
ainda valemos como nação" independente,
espero poder consagrar o resto dos tneus
dias, apesar dos obstaculos que já me
têem apparecido, e ás vezes da parte
a quém incumbia afasta.-los;
Sêm einbargó das difficuWades--insepara ..
veis d'estas du-as emprezas,: e sem me-
:Jmigir cóm às :misétias -muito mise-
que tenho encontrado no meu
caminho. Tudo isso vou arredando e ven-
ét!bdo ·àlegremente. · .
r. di'go eu, e digo bem.
Otiém combate pela verdade · contra o
eM'o;pela energia contra a preguiça, pelo
bom senso contra a toleima, e pela patria
contra bs qub a: caluínniam, .. tem oceasiões
'

tt.
de-gr.ancte· :contentamento. ··Com isso me
animo e conforto· para eontinuar. ·, · · ·
.. •.-Eete•-mpois,o &eg1lCldo.\'olome dos Li•
f1f'fAY.ptn'a, ·Tt1att dar fundação da
JD811mhia potfügueza, cômo estava. indi-
d'esta publicaoãoJ e
é r tpàlo pertence a6s factos utn re-
saroo do EJUe a tal respeilo ·escreveu o
110"880· illnstre historiador o sr. Alexandre
Herculano no tom. 1 da sua Historia geral
de Portugal.
luz em oecasião
opportona •. Agora que nos andam a
que a· nbssa nacionalidade e independen•
eia n1o podem durar muito, é justo que ·
o ·J)ofe saiba ou se recorde como ambaA
prlneipiar&m e nasceram de
de eerto, ·bem inferiore8 aos que temo$
boje para as defende r e: eus tenta r. · · ·
Não é uma questão de dynastiae. O.


fj
portuguezes já eram livres antes de fa-
bricarem a corôa que.puzeram na cabeça
de D. Atronso Henriques. É oma questão
de liberdade e de brio nacional.
·· Para que o povo a resolva com conbe ..
cimento de causa,- é conveniente que-
saiba. o que faz, e quanto vale_ o que fal-
sos amigos lhe aconselham que desb11a.
Se· ainda depois tivar em pouco a sua·
nacionalidade, é que. já não merece con-
serva-la.
-. A minha voz não é suspeita. Acato
muito os.reis porque são os representan-
tes do principio monarchico o qual 1ne
parece garantir a liber4ade mais duravel-
mente do que qualquer outro, mas tra-
tar a questão ·da independencia nacional
em relação a uma familia, diminuiria à
grandeza do assumpto, por elevada e no-
)We que .essa familia seja •

t9
· ·. ·:·Tamhetn :não· sou rortezlo ·do povo. É
ser cortezão dos reis. É miSr
tft mentir sempre, e sor ..
frer tudo.!Ji popularidade vem eom·djf ..
kuldade. e desvanece-se em um volver ·
de olbos. Não vale o que custa. Nunca a
.. N'estes que slo para o
poTO; · eserevo o que me parece justo e
atil sem .. curar .de lhe conquistar o ·affe-
eto.· Sei mesmo que terei occasiões de-
lhe desagradar .
.,.
As minhas opiniões ácerca da questão
iberica são· conhecidas em Portugal e fóra
do. reino. Não são de hoje. Aoccasião de as

·extensamente é .que veio
agora sem que.eu á Pareceu-
me que a podia e d&via aproveitar em be-
·Defieio publico; e assim o t,iZ:, eomo qual-
quer outro portuguez o teria feito,- escre-
vendo ácerca da funmção
4&
·t A,idéa,da de Portugal COBl··Hes·
páoha é antiga, mas !8111pre nasceu.,-d9
despeito ou de ambição ·quer. dos homens
da Iá,.quer dos-de·cá. Ora- vio fundar o
· futuro doa povos sobre· doas mas
e .verão que t .
. .u, : bespanboes qnándo. estio· podero--
Jos, querem arredondar o territorio, e
quando .. andam mal governados, querem
quem <>B govemQ tbem. Em ambos os ca ..
sos tem sempre olhado para Portugal
oom ·cobiça. Trist& ·remedi o para elles e ·
para nó' I · .. · : . ·!. . · . ; : . .
.Umbo: muib·'"alfeição aos hespa-
·nboes; àma. grande Quer<H>S
para visinbos, para
para:alliados, para confrades no. trabalho
da para tudo eàfim, menos
·para darem cabo do que tanto nos eostou
.a estabelecer e firmal.; i : :: · . ·; .
I
.fi'
. bem sei que se que nós·fleare.-
·JDO& . que a côrte ba
tle Lisboa; e que até as armas·por.
wtuezas t,er.ão· .no escudo iberico o me.
lbor ·Iogar antes das de Leão, de Castella
e de· Granada. Muito obrigado pela bonra
que. nos fazem. Nó-s somos pe.quenos para
·. .
.
. . . .
.
···.A· respeito da união de Portugal a Hes-
.
palnba cada um diz o ·que lhe á
idéa; quàl nos designa para sermos vioti,..
mas de uma organisação geral de naciona•
lidadas; qual nos imagina desejosos de
pertencer á nação vislnba; este pretende ·
.,
preparar-nos para a annexação pelo re-
ceio da possibilidade d' ella; aquelle para
utilidade .. nos do perigo que
talvez .

. · · ·Tudo isto póde ser verdade e tambem ·
póde ser mentira. Acreditemos que é
f6
tertblde;. sejatnos cada vez ·mais zelosos
da n:ossa· nacionalidade; procedamos de
modo que· a Europa nos julgue dignos de
continuar a ser independentes, e não dei-
xemos arreigar ·a idéa de que a ftisão é
inevitavel.
No fim de tudó, dos portuguezes a

quem a idéa da união iberica agradou

pelà grandeza das coilseqtiencias que pa-
recia resultarem d'ella·, nenhúm ha que
na hora extrema seja ,cápaz de renegar
... a patria. Nem dos hespanhoes sensatos
baverã ·muitos que sóilhem com a con-
quista e annexação ·do territorio portu-
guez CQntra ·nossa vontade. A questão é
pois unicamente theorica.
O resto da Europa pouco se importa
das nossas cousas. Olha para o mappa, e
. .
·:resolv-e o negocio geographicamente. Em
vez de dividir o territorio em dois esta-
t1
dos iguaes, dando-nos a ametade occi-
dental da peninsula, apaga a historia de
sete secolos, e annexa-nos á Hespanha, já
...
se sabe, para nosso bem.
Contra este modo de sentencear deve-
mos nós todos protestar por palavras e
obr:as-verbo et- opere.-Por palavras,
os dotes de nação forte e in-

dependente, que realmente possuímos;
e põr obras,· dispondo-nos sem precipi-
negligencia para sustentar o
nosso bom direito.
Possa este modesto livro contribuir ·
para esse fim e ajudar a conservar vivas
. na lembranca do _povo, as tradições da
nossa gloria c das nossas virtudes an-
tiaas.
Esse é o meu sincero
I
I • ..


A FUNDAÇÃO
DA
MONARCHIA PORTUGUEZA
••.•••.•.•••.. • venceram:
Otte pelo rei e patria eombateado
Nunca foram vencidos portugueaet
GAnnm . .ltlfNtaC.
I
-
INTl\ODUCÇlO
A independencia de Portugal dura ha
sete seculos. O braço leonez nlo pOde
suffoca-Ia ao nascer, e os arabes tiveram
que ceder os territorios do sul á energia
· dos cavalleiros e peões do cónde D. Hen·
ri que, e ao esforço dos primeiros reis da
dynastià a f f o n s i n a ~ •

20
As fraquezas do formoso rei D. Fer-
nando, os planos da rainha D. Leonor
Télles, as ambições desleaes de alguns
fidalgos e prelados, e as armas de D. João I
de Castella não conseguiram sujeitar os
portuguezeg á dominação estrangeira. O
povo não quiz ser castelhano.
Bem lhe andaratn a dizer que n1ais va-
lia ser província de uma grande monar- _
chia do que reino independente, mas pe-
(jUcno e fraco. O povo quiz antes ficar pe-
queno em sua casa, do que ia· ser grande
'
na casa alheia. ·
Com un1 n1ancebo por c.hefe combateu
contra _os castelhanos, conteYe os natu-
. .
rae.s q o ~ propendiam para o dominio es·
tra_ngeiro, e depois de ter vencido as hos-
t_es inimigas, poz a corôa portugueza na
cabe«;a do mes_lre de Aviz.
. Este principe era bastardo e clerigo.
. .
Que importava isso'l·A nação adoptou-G
por seu filho legitimo; e elle proprio em
- . . . .
Aljubarrota, escreveu com a espada nas
' . ...
costas dos castelhanos a sua carta de
I legitimação: O.papa dispensou 'nos votos
eeclesiasticos, e deu-lhe licença para ca.:.
sar. E ficou tão bom rei como se filho
legitimo tivera nascido, e tão bem ca-
. -
sado como se nunca houvera sido ele-
.
. . .
· Reis, como poucos. Fi-
lhos, como elle teve, raras vezes nascem
nos paços dos soberanos. Nobre· raÇa foi
aquell,a dynastia de A viz! Abençoada pos-
teridade de D. João ·I e de D. Filippa de·
Alencastro f Esta familia nasceu na
lha de Aljubarrota, e extinguiu-se ná de
. .
Alcacerquivir. Começou a t4. de agosto
f385,, e acabou a 4 de agosto de f578.
Fundou-a . um mancebo de vinte e sete
ii
IBI10i J Sacrificou-a um JnQÇO de 'inte e
fPlrQJ .
Nuoca emrei na admiravel egreja de

ianta Maria da Baialba, que me não
&iJse pelo ar se ·
reapira. sob aquellas venerandas
das, Qual será o portuguez que
com iDdifferença diante do tumulo de _D.
Joio I e de sua virtuosa mulher? N' aqueUa
atmospbera de patriotismo, de coragem,6
de dedicação pela. causa popular, n'aqucl·
le- rooinw onde.a memoria recorda exeql•
plo&de:todas as virtudes publicas e parti·
ps fracos animam .se, oonfortalll· ·
ee os 'ibios, a as almas generosas exal·
tam-se, extasiam-se e fortalecem-se mais
ainda.
-
Junto d'_aquelles marmores mudamen·
.18 eloquentes, vi eu um dos homens de
aaais nobre e eleYado eoração os

I
.
fltJe·li'eMI term i'·l101Ye, chorartobre
as nossas calamidades eivis, e ouvi-lbedel't
àm dtr inspiraolo poetiea a
saudade d'êsses tempos gloriosos, e e
· ainor di: patria a que foi fiel até 4
te i:
1
;Triste inOrte por vergonha nossa! .
,\;.··Ati bfl:capelta ·ebamada do Fundador
jazem tambem os illústres filhos do me•
tre:·de Aviz. Qoem não rogará a Deus
pelo·deseaoço eterno de taes prineipesY
Até os eMrangeirostUTVam·a·cabeça dian•
te do monumento que encerra os despo.
..
jos mortaes do infante D. Henrique, port-
que as descobertas e· viagéns, que·elll
ditigin ·e aproveitaram i bel.
maoidada inteira. .
E D. Fernando, o santo, o triste prio.
f

1 Luiz da Silva Mousi'nho dé Albuquerque
morto de ·bala na batalha de Torres·Vedriw
· bOS UM do· Aaao· de tM6. · . . .6
...

.....
.
14.
cipe captivo-que Portugal deixou morrer
em poder dos mouros para salvar a honra
da patria, colll'o ,se não fôra irmão ·de E l-
Rei'! E D. Pedro, o malfadado duque de
Coimbra, a· victima do· de
cuja regericia abençoada ·anda memo.
· -ria entre nós na tradicçlo agradecida'!
Esclarecidos prineipes I
Os portuguezes quizeram sobreviver
. á ramilia real. Nlo podaram. O povo ainda
fez muito em favor de D. Antonio, prior
do Crato, mas este prineipe não era para

·tomar sobre os seus hombros a em preza
do mestre de A viz. Só se parecia com
elle em ser bastardo e clerigo.
Os tampas eram outros; lamenta vai o
estado do reino; o povo descorçoado e
pobre; a alta nobreza e o clero mais
ricos de que de virtudes; o rei
de Castella muito iJOderoso, astuto e
'
·ir>
•nificeote ; o oardeal rei caduco e
to •
• Qqem venceu então os portuguezes
não foi -o duque de Alva. A batalha cha-
:inada de Alcantara foi um insignificante
• feito de armas. Vencidos já elles. estavam
- -
pelo concurso de mil circumstancias des-
graçadas. ltté o duque de Bragança D.
João, que não quizéra em t579 ser rei do
Brazil, recebeu em f58t nas oortes de
Tbomar o tosão de oiro contra o costu-
me dos seus passados que nunca tinham
aceitado ordem nacional ou estrangeira.
Este era por sua mulher, a infanta D.
. -
. CathariQa, o legitimo herdeiro da corôa.
\
O povo não podia resistir só.
Todos julgaram Portugal acabára.
Enganaram-se. A enfermidade de Alca-
cerquivir teve uma convalescença de
.senta. annos, mas o doente recobrou as

i8
torças, e quando menoa o esperavamt_. vol" '
tou á sua invenci vel teima de ser ioda.
e livre. .. ·L_ .- .. !
. Eu não sei, se os marquezea a
· condes antes queriam ser da
Hespa.nha do que pertencerá côrte por-
togueza .. Não sei, se os oapitães e gene ..
raes preferiam commandar em Italia ou
em Flandres, se os homens de estado
sacrificavam a idéa nacional á grandeza
da monarchia, e se o alto clero dava mais
valor mitra de ToLedo que á de Braga.
Talvez.q.ue assim fosse pelo que mais
tarde se vi li, quando o novo .rei teve· de
mandar cortar a cabeça a um duque, a
. um marquez e a um conde, e metter
em uma mnsmorra um grande prelado.
O que eu sei é que o não queria
ser castelhano, e tanto .fez qué depois
de .vinte ·e oito annos de &rabalbos

17
aeguio que o· deixas8em ser portuguez e
livre·. ·' · i . '· · · - • ... ·
Dos fidalgos alguns ficaram em Cas.
teUa, onde.serviam .. Padrcs tombem hou-
\16 que· se; ·fizeram castelhanos. O povo
esse. não.- Em Braga havia um homem.
oo.jos bens·. eram todos em, Galliza. Pois
deixou-os .confiscar, mas veiu para Braga,
e morreu portuguez. Bom povo!
Já as pazes estavam feitas com Castella
e ainda- os- castelhanos nos anda.vam a
mostrar os dentes. E assim fizeram sem·
pre, até que com o exercito francez vie-
ram para repartirem esta terra em t807.
Mas o povo .cá esta,?a com os mesmos·
dotes do tempo passado, e com·a mes"
ma mania de independe11cia e de
dade.
Por mais que lhe do grande
genio e do poder.immenso de Napoleão.t

28
pot: mais que lhe mostrassem {)S
nadeiro8 de Marengo de Anstrelitz e
por mais lhe dissessem ·que os vi-
nham proteger, o povo teimava. Bem ami-
gos de Camões são os portuguezes. O ge-
neral Jünot prom.ettia um Camões .para
a Beira. Pois nem com isso ganhou· os·
animos dos beirões. Contentaram-se coui
o seu Braz Garcia de Mascarenhas
1
, e
não· quizeram o Camões francez.
Nunca este bom povo faltou
aos principes · em prol da patria, ·
qualquer que fosse a conjonctura, e por
grande que parecesse o poder dos ad ver-
'
sarios. Lealdade, perseverança, coragem;
dedicação e desinteresse eram
antigas dos portuguezes.· Nem virtudes
se lhes chamava. O nosso povo era assim .
.
_t Autor de um poema intitulado
• • •'" I
Tragico.

i9 ..
Fazia o seu . dever. Do arado á
ao mosquete ou á escopeta havia adis-
do_ comprimento do braço. Lou-_
va_do Deus t O braço ainda é o mesmo t E.
a .distancia tambem t
-.
. .
; No empenho
denc_ia portugueza, vieram inglezes
. . .
ajudar-nos, e aproveitar as nossas boas
. .
disposições contra a França. Gá ficaram
. .
por fim a governar. como se o reino fosse
· O povo não os podia s.upportar.
Em uma linda manhã do n1ez de agosto. ·
t8i0, ergueu-seden1auhumor, cman ..
os inglezes para Inglaterra. Fez bem.
Lá é_ o d' elles.
Pois ainda cá voltaram em mas
• I
foram-se embora sem fazerem cousa al-
guma, por,que para vencer .o Sil bas-_
taram as tropas portuguezas. O caso foi
qüe d'ahi ficou sempre aos-realistas a jdéa. _


3D
de dizerem qoe as -io5tituitõel liberaet
tinham sido pelas bayonetu
estrangeiras. · .
Deus perdoe a quem lheA poz nas mãot
esta pedra para-quebrarem a eabeç.a ae&J
·Jiberaes.
· Os ioglezes vieram outra vez em t86.1i
de bra(.o dado com os t.astelbanos. Ni., -
goem sabe quem os chamou, ou quem {)I
sabe, nlo o quer dizer. Melhor é que non-·
ca o diga. Bem farto de malquerenças
anda o mundo. Não pretisa que lhe acres-
centem o numero dos odios.
· E a todos esses attentados
indirectos resistiu constantement.e o po ...
vo ·portuguez. Vigorosa naeionalidade é
aqoella que nem o poder de visinhos am-
biciosos,nem os erros ou deslealdadesdos
naturaes poderam aindá destruir. cu ..
- .
riosa historia a da fundação d'este pe.-

Sf:
/
quene_astado·qne desde o seculo XII até .
aG.s nosaos dlas tem. sabido annullar, mais
. .
pela energia do .caracter popular do que
por meios, ·mui ti plicados elemen-
•· de -e da morte.
Este estudo é talvez mais proveitoso·
ltDje que nunca o foi, porque depois
de termos cireumnavegádo o globo, e ar·
vorado 'a nossa bandeiJ;fl em .tantas. partes
do parece que eaminhâmos ago-
ra para .uma.sjtuação tão critica e arris-
. cada, como aquella quG insQrevemos
o nome portuguez no livro de .oiro dos· ·
povos l.ivres. e Ao menos
as&im o. dizem os poli ti coa, e pode ser
que o perigo venha_ á força de chamarem
por elle •. Tem•se visto. . :,
O .conhecimento do modo pelo qual·
hos constituimos em nacionalidade dis-
tincta e p,ode_rá .convencer·-nos de-
••

- ~ ~
que só depende de nós mesmos a susteÍr
tação d'este beroico feito de nossos maio·
res. Já não é pouco.
- .
As nações que têem perdido a i n · d e ~
pendencia, sofrem na historia a accusa-
ção de a não terem sabido defender o_u de
já não serem dignas de a possuir. Fóra
.
d'esta triste alternativa as nações ou não
11:10rrem ou ressurBem.
Vamos á narração.



. .
. ~
O UINO . DB LBlO
Bermudo m subiu ·ao tbrono de Leão
depois da morte de seu pae Affonso V
1
fallecido de molestia quando intentava
tomar Vizeu. Bermudo tinha uma irml
ebamada D. Sancba, .e os fidalgos de Cas-
tella desejavam que casasse com ella o
conde Gereia, seu joven soberano. O col}-
de já era, pelo casamento de uma de suas
irmãs, cunhado do- rei de Leão. -A outra
era mulher de D. SanchOr.; rei de Na-
. . . .

varra.
Os .magnates. castelhaoos. dirigir:am-
3
- Si
. -
se com o joven conde para Leio, po-
rem Bermudo estava em Oviedo. Resol·
-veram entlo ir ter com elle á côrte, mas
antes de começarem a jornada, o moço
Garcia foi assassinado- por uma ramitla,
. .
inimiga declarada da· sua. Chamava-se
esta familia Yigila. Outros lhe chamam
. .
Vela.
, . As eonteqdenatas d
1
98té: tdtam
de gran&t importaneia na·poninsula bll-
prlrmlpalment8 para o rimo
tnogentto da dynastialeónffla. · '·
· ref de Na•arrll, · tomou o
:e:rtigo de vingar -a ·mone ·dê sen·:conbldo
GattciJI,· é na 8tlberttnta dts
têrras dé. Oastelt8. ·ApêMr ·a a
(ae attebtado.dós VelaA, ette
fof qoelYt ·p.gou ·lilal& caro- t!Üte
acontecimento. Ê sorte dos ·ttr-
ilS ett'bt de «Juem Olf oêi'Oa. e teon-
.3P
I p" 4e qlleRl iJJl q' eJ.lai PrQ·
.• mal. ,; .. ·.··, , ; . . . .
: ... ,lJJQ Q.Q. vwm
. .
fQJJlper. IJ, gP.er.fil
pQuço
. ... . teve . .da
11. fernpQdo, til.bo. •
,
sua irmã Sane h a por mulher. Ce4eq taQJ.-
. .a rios
P Qije .ficaraw mui

de e wt-
. '
.P.Iwr
df JAijo! :foj
,-m .... ·. -; . . .... ,. · . .
.;.
.. .
. dos ao primogen\tQ Q
' .
. rai .dft·NªY'Irra deu o 4r8gãp filho
. ·Jia®ro;; ar o
.f.f.a.,,()_fiAuwa. a f.w.o .. =M"rcij,
3· '
36
tambem ,filho de Sandlõ, succedeo na
corôa de Navarra. TalYez cuidou o velho
rei que o parentesco de cunhadas entre
Femaodo de Castella e Bermudo de Leão
os faria amigos, e bons "risinhos. Enganou-
se. Os reis são mais parentes pelos laç<ll
da politica e dos interesses do que pelos
do sangue.
O desventuroso Bennudo não pôde re.
signar-se a possuir unicamente uma
quena porção do reino que lbe
tira Affooso V seu pae. Em breve come--
çou a gueJTa entre os dois cunhados, .e
se bastasse a boa vontade dos fidalgos, a
energia do rei para reconquiStar as terras
cedidas: cinco aonos antes, de certo que
assim teria aeontecido. ·
Foi-lhes porém contraria a fortuna das-
/. armas. A batalha de CaJTion ünha de ser
·o· ultimo fei&o. militar· .de Bermudo .III •.
37
Ali .perdeu a vida ás mãos de seu pro-
prio· cunhado Fernando de Castella, e a
varonia da raça real ·de Leão· extinguiu-
se -inteiramente. Os historiadores dizeni
qne o: tragico fim de Bermudo aconte-.
cêra no anno de f 037.
Fernando I rei de Castella succedeu
ao cunhado na corôa de Leão. A morte
de Bermudo chamava ao throno a rainha
de Castella D. Sancha, sua irmã, e mu-
lher de Fernando ; a. prole de ~ m b o s con-
tinuava asoccessão dãfamilia de queBer· ·
mudo fôra o ultimo representante v a ~
rão. O novo soberano era dotado de gran-
des qualidades, e sabia temperar ~ am-
bição com a prudencia e espirito mode-
rado, que mais seguram e firmam o po-
der dos reis.
A 'ambição demasiada é quasi sempre.
funesta aos tbronos e ás nações, _porém o .



38
motnrio ,.. piorloZÍl"
gnTes intool"ooieoles. • fbi ·
diraa da soa ambirio .. e artdl-·
. .
DOIII Frmr.a.Tidorlfan'RI, se oãtJ lbS-...c:e
poria êm risoo :1 proprií
a sorte do PielllOflte, e o destino da
Ilalia.
Ba _um regutador para a ambiçao do8
teis, é o intereSse das nações. Por este
eumpre-lhe! :lrriscar-se â tUdo. O prln ..
cipe que só vive para si ou pata á sud
dinastia n1o é completamente sober:tno.;
é tneio rei. D. Fernando de Castella soube;
apesar dos tempos em qne viveu, achai-
o tneio tenno entre esses dois
mos.
Seu frinlo Garcia morreu pouco de-
. pois cm uma 'batalha contra o exerclio
de Fernando. A édrOa de pddia
êht1o ·reunir-sé é0111 ás de Castella e de
....
38:
l.eloj ira IDlli&o. ·FtVDando soube reais ..
.
ür;á.ta.ntlÇllo, e Yolt.ou. cona-··
tra os arabes, tomando-lhes- Jaraoa
"
torjoa ati ao fim do anoo de t06õ em
que na cidade de Leão .
. . D&iiOuiree filhos a duas filhas. O pri-.
,_
mogebito que 1e obllm'iva Santho; aubhJ·
ao throno de Oastella t Alfonso foi pro ela•
mado rli de Leão e das Asturiaa .. Gareia
poz na cabeça a corôa de Galliza d da·
terra llté ao rio Mondego.
Urr_aca governou a ElYira foi
de .Toro; com o titulo
de ·rainhaB, oomo era de .uso
A paz dntre Gaste lia e Leio nlo toi do•
radotira, Os doiA irmlos Afonso e Sancho
. .
. tiveram dsntro em pouco qUà pelejar um
contra o outro, e o rei de Leão depots dta
uma vtotoria ficou prl-ionblro de lati ir·
miO por mnistritagema d'aquelle grandl·

,

I
I
t
1


capit1o que a Hespanba liDda hoje oole
bn com· o·simples nome de Cid. foi· o:
ao no de 107-t. -
N'aquelles tempos um rei . prisio·
neiro era . presa de difticil guarda. Mata
vam-o· as mais das Yezes'. Ootras oonten
ta•im-ee de G cegar. Rapar-lbe a ·oabeça
e obriga-lo a entrar em uma·
mooilsticá era ·Um aoto de brandura ·e w
moderação. . . .
Sancho n.ão quiz abusar· da vietoria, •
mandeu seu innão para o de Sa
hagun; porém este, ou parque se enfas·
tiava da clausura ou por(Jtle receiava. q1.1
a I goma ·oircumstancia fortuita lhe
aggravar a -pena, fogiu da prisão e. fo
pedir hospitalidade a Al-Mamum, emi
de Toledo .
. os arabes ·Dem andavam a :pe
lejar· com os ·.cbristãos. Até ás vezes un;
' e outres eram amig6S:e. companheiros de·
· armas. Em .. occaaiães as
arabes batalharam nos exercitos .chri·:
.
· stão.s, ·e os cavaUeiros da éruz combate-
ram aias host6s· _infieis. Interesses
üaBOSt· Transacções politicas! Era çomo·.
hoje,. oomo foi hontem, e. como
ha de-tornar a ser 1:
· O-chefe m.usulmano. deu ao rei.chris'!'
tão · 4esthronado a hospitandade. pro-
verbial dos arabes, de que a hiatoria da
peniosula hespanhola offerece repetidos
exemplos. Affonso ficou em. Toledo até
o anno de 1072 .em que rei de ·
CasteUa foi morto com uma lançada por,
BelliqQ Arnulfes diante dos muros de· \
...
Altos juizos de Deus! O prisioneíro de
SancbQ de Castella, o clausurado de Sa-
haguo, . o· principe destbronado e fugi-
'
.......
4.1
ti•O) .e 4 · hoBpedt ttanqutllo dos ad,..._..
. .
rios· ttlail etlôit-hiO&do& da 1ua raça, ·as-,
ta\fi.deatltlldt> do• mail po.
derMOA do Un· 1emp04
beM nu noasa Idade o prisioneiro
Strl8bdt'g<J .e de o etcatceradô·
Htm, tJ fJtincipe de8btltdado- a fugi-
tivo, e o hoipede pacienle·dOI
· nlb fadàdo lldrA go•érrtar uma
dâs mafore8.óáçt;ee dá térra, e para vetJ&·
ft Rguta rliS@tt há e a iustrillea
ém !§olférioo; Nllpolefto III e AffUilSO·VI
pddént n'este apdlat
dás oito Beétl1os os
Attobso VI 8ttiu ·de Toledo para -lOltdr
'
àO g(1Véi'tto dos ê par.rt tew
unir sob o seu dominio'a ·castellã; Leio,
Agturlüs; a RiojA a Bi8eaiit. A Gal·
lita, tlesebntooté de qutuli
'ê tinhâm rêfõltado tM de Eatre DõútO

,
e :1\lü '8é'àppm: A f1fldtt db Sêtt stJa:
fiA grande:
Ferttllndo MAgtlõ; ..

ftlbo Afton!t1. Garailf.
díariétf.htf · · · ·
!:ifftierlf fJ.- VI · dfjpôftj'
dél-Mft d'e;Toledo·patt tbtnftt tl reinar; fJ·
<tJt#git'*' o Cid á jUrAr qtiê nlo ft1r:i euma·
tlá morte
tJ. Deú8 sabe o bom. do· OJd
teve tal e8Crupuloi ·
·I Nd flm de patranhas
tànt ·do Cid. -rjtie nem à o qoo
ha de áili'editarr É éerto pórêm que o.
Gàrera t)érdeu a cot6á da Gàlli!a ·mAs
rdt hein tratado· na prisão onde ·ftcoo àtê
tiilYttêr · de set imlftt1 ·dn tei.
de ést«do 1 D' est:is já twr eá 'fi•
---ratn t :. ,
: os tJt1ncfpêS · chti·stS<$ andàftlll
..

"
SfJilpre em goer1 a, que por muitas rasões
se poderia chamar guern civil, os arai;Jes ·
nãoviviallleotresi tauniio
A qnéda dos Beni-UIIl8yas foi seguida
graves dissensões ao cabo das.
cidade de Toledo vein_em 1085 a cair
nas de AJJonso VI, cêrca de
sooulos depois d'aquelle dia em qqe
drigQ, o ultimo rei wisigodos,
dos muros da capital para ir acabar os
seus dias na batalha do Chrissus.
Affooso VI soube sacrificar os desi-
gnios ambiciosos de soberano visinbo, e .
guerreiro christão, aos deveres da.
amisade agradecida. Nas guerras entre..
o emir de Toledo e o de Sevilha, Al-Ma-:
IDQJll teve por alliado a Affonso
. '
VI seu e só depois da
morte do generoso arabe, e da expulsão .
de é que o estandarte christão
I

46
tremulou;na velba·eapital da monarcbia
· -
. .
A pos8e;de Toledo, & as vicforias soe-
·. cessivas de Affonso VJ, atemorisaram.lbn-
. .
emir de· Sevilha, e· inspiraram-
lbe--'a id&l de chamar de Africa os almó-
.
· ttwides · eolilmandados por Abu-Yacub.
·Foram= elles que no dia de outubro de·
1:086 destroçaram· na batalha de Zalaka
jUnto a .Badajoz os esquadrões do·rei de
Leão e de: Castella. · ·" · · , : · ·: = • · '
..
· · ·Dezesete ànnos depois, o emir el-mos-
,
. ·lemym lussuf era já senh·or de·todo o ter-
Fitorio desde: Saragoça: ate á margem es-
e Attonso VI;: apesat'db
titulo pomposo de imperador, a vasta
área dos estados lhe· ape-
nas tinha alcançado algumas vietorias na
parte· oeeidental da· peninsula bespanho-
. .
-la: Santarem, ·Lisboa··e ·Cintra:·tiriham
....
ii6
.., por
7
ttJJtt ttQl tw;. sA·
verno d'esse novo territori9.··Çifflli;tdO..lJ.
' .N.ende• i.-D)ãQ l® lidatklrr,. ! ._ .
. ::·o ®f4Q
dQ
.I)Qfl og'roi tJQperanO$ dtt
'illbB que -lw.J:41P
·::Jtlo pooie ter Q8QaQSO,: ..
''*: q'alli ·l.JIJA iJPHJPjq,
·areade. Pila d9 ..
roso pelo valor dos .JQrqJ
• .. JiiA.facjlidad,e
-
-ViedO§· de tr.llQQ\1\Ua
•ra* tt ·®

·.aias;- lelru aa.s •
. -d.•- egricul,urtt,: -
tflia .e do. · · . _. . ,
iJDperio .-abo Da peniQSJ!k_.bQ'wa-
JDiiola ji wn

< t'l
dO a. Gln'JI$1ot NÚ'IJD:tlf· ;.·
,,oa do PéllliD; tt·eomevartmf•·orgp;, .. .,
rilesmó nas cidades 'e na eôrtf) IQI-8lit-
• • eoampemento ·müi&ar. que
.dt· '·aioda41 wnif.ituideaJ ;\ .JDifiSit>· .·de
.
Mrm&JO Vl «a· poia. I; Bll8rra. :iraof_Mittte ,
identâl arabei.. . ' I ' • . :! · •
·!··:Batas ojrOIIIQitaDCila • 4·ot)fte
attiiii&Qit ma (ft?lfldt n11111tro d• .fldl\-
. '
. .
ld' estranpiro.. lnltiltta.oJ a1oodea..
·• militar a atootureira da epooha: ·•
' pélHa..a& ·a idéa telitioa, • o. deltjo do
.. triompt.o DilpletO·da:eruz contra o cres..-
-cenm ;· e·a Mtet DCJbltel panaameDtos jall-
:tna.se a .. b'lo metQ: de
pabàr· pr.oprio
na, a dtmilikll' co.ptiitldol· .aos inilia.
Estes eram pela maior partefrlft,..
'AII8·; :Hão 16 <pr.oJdlbidtclt·daa·duas
· ..._mas:porqoe4et'nh91 :tler111 rli-
• ··"68
anMt D. do iliipetador
tAftljneo Vf,\ e·. tftlba da easa· ·de
•. t:l\ I ;,,:,:· • ·, i .· ''
;·_._ Dois parentes ·dã·tainba
o
do que' outros eàvalleirok .

fllho· do oonde Guilhett-
me de Borgonha, e Henrique, filho, ide
Benriqúe= 't1e Borgonha e· de sua mulher
Bybilla;: prima··-eo-irmã· de Ray&i'otldo.
Heonque por seu Roberto, o velho,
joqueJde· BorgonbaJ·era,descendén4)e·de
·Bobertovo pio, :de e de-Hog.o
Capeta,' e por c&D$equencia :de
Henr.iJloe dois·fl--

o dalfii'.Mgonhezei'devialli privar cem a
m•mn tinh•·parentesoo pré-
-
. e. oom .. a cujo servioo a-

àtam .... :.;.c •. ·, ....
·:·::tomeleitoAffonso Vl:déu
do sua Jilba Urraca, oóm·();gof-:êe
..
I,
I

·iD
Galliza e da terra portucalense, e Henri-
. .
:que.. casou. com D. Tareja, Olha natural
do rei e de Ximena Nunes ou Muniones,
obtando com esta alliança o governo do
districto de Braga sob o commando de
"' .
_Raymundo. O casamento foi celebrado
.antes do anuo de t095. .
... Não chegaram ao nosso ten1po doeu-
• •
mentos das copdições com que se
epncluiu o casamento de· Henrique de •
Borgonha com D.-Tareja, porém sabe-se
que t097 já o territorio que se es-
tende desde o rio Minbo ao Tejo era
governado por D. Henrique, sem op-
}losição aJguU)a do conde Raymundo de
Galliza. O marido de· D. Tareja possuia
todos os bens perteneentes á ca- ·
rôa de Leão, que estavam situados dentro

- dos limites designados. Devia ser conce,s.
são de Atfonso VI.
4
GO
O territorio portucalense coube a
rique de Borgonha como dote de sua mur ..
lber? Foi-lhe dado como governo _ou
como estado expressamente .separado da
corôa de Leão em favor dos
Houve desde logo conloio entre Henrique .
e Raymlindo para assegurar a plena so-
berania de ambos, sob a apparencia de
. .
sujeição ao sogro commum? A tensão
délS terras conquistadas aos -arabes con--
tribuiu para firmar mais a separação
1
e
para augmentar a importancia do conde
D.Henrique? Estas questões pedem larga
escriptura, e fazem ponco ao assumpto
d'este livro. O facto é que no fim -do XI
seculo a terra portucalense obedecia a
D. llenrique, se11:1 que tod_avia este prill-' ..
cipe deixasse de reconhecer a supre-
macia do rei de Leão. .
o conde borgonhez oriundo uma
õf -
das mais poderosas casas da Europa, so-
brinho do ·rei de França,· genro do impe-
rador, e primo do conde de Galliza, com
quem o tambem os laços da am-
reunia em si todos os requisitos
neeessarios para obter, dentro em breve,
· preponderancia oonsideraYel em todos
os negocios da . hespanhola.
COn86rlat a eMl inftuentia,
d8pendtd 8ó do8 petMmtes do ptJIJI
Cipé.. · · · . :
A auélôridade morat do conde ltenw
. . .
. t
riqae na e6rte d·e b. Alfonso Vt
se n;estls c·rr.; ·
pois qtte :i qttllidade
trtlid de D. fl1ff impoz ao pttni
éille· ·t:mfgftnbtjz ffé1Ibttma infetfôtfdMtEJ
qtrê th ti dhnftirlisge· õ poder ou qtfs r·ê!f&
tringisse as sttttt·
'•
. . .
I

m
A teJTa cbamada portutalense era 00.
conhecida com este nome desde o meado
do seco lo XI. Tinha por limites ao norte
o rio Minho, e ao sul o Mondego, com-
quanto as armas cbristãs já tiyessem por
mais do qoe uma vez chegado ao Tejo, e
mesmo tomado Lisboa, como· fica dito.
-
Lamego, Vizeu e Ceia eram as terras mais
consideraveis da fronteira oriental. Ao
sueste acabava o terri to rio na serra da Es-
- I
~ r e l i a ; e ao oeste no oceano.
O districto de Coimbra ou condado

53

colimbriense, começava no Douro, e aca-
·bava rio Móndego. Um mosarabe da Bei·
ra, chamado Sesnando, deixára o serviço
do emir de Sevilha lbn-Abed, e fôra pro-
. pôr ao rei Fernando Magno a conquista
d'-este territorio. A tentativa foi coroada ·
de exito feliz,. e Sesnando recebeu do
soberano leonez o governo d'esta nova
provincia, acrescentada oom a terra por-
.
tucalense ao sul do·Douro.
· · Esta região desde-o Douro até ao Mon-
dego, nlo era a Lusitania de Strabão
1
a
qual; ·ehegava até ao mar no norte e no
occidente, e ao ·Tejo pelo lado do sul;
nem tão pouco se póde confundir com a
·Lositania do imperador Augusto, divisão
geographica limitada ao no-rte pelo Dou-
ro, e ao sul pelo G.uadiana. Era uma re-
gião conquistada, reunida e disposta pe-
.Jos incansaveis ·,pe!ejadores ·

' .
'"
. • tio diW •
P4lr,lJtal Q UQJDtt 4a :@ ' IPMir•
N: a- denomina.çlít·: la'Ula
'I•. cltftlaJI)Ils
ftll)lftndor da noaa r•"'•
o. ·U8f6UlaQO. M'
4Jreveu que só no sooulo XV
eameoado a usurpa·r essas quaüüe.aps,
Pareoa .que fDi. om t4r84, da aan&ir
dade de Sixto.:lV, que o_bispo da
·D.. Garcia de·lfeoozes deu pela.primeira
o.pome de.luaitanos. aas habita.USS
da P.ootugal. Atá enlio fomlll(l$ aempl\9
porttWillOOies tempos J'emotissi,

., A orig&l). d
2
esta eatá hajell•
Na margem eaquerda do J)oq,-
ro, bftje .ebama Gaja, havia uma-
povoaoão oom da-Cals, Pequq
ou 8t
1
aode,. era « Ullioa gOYoaQio da 10t-·

-trada do rie, e·-por isso o ·porto s·e·ehlmou
. Por1t11 eall-,· porto de Cale. Querem êl-
1JUDB ·que a terra tivesse -sido
por gattlezes que deram ao porto o nome
de· Porlua Ga.llorum, ou Pot·tfis Gallim.
· Eu·nfio creio que esse intrincado,poilto
. '
··mereça a pena de ser resolvido .
. A verdade é que o nome de Cale figura
no ttinerario Antonino, que a designa ..
· ção Portucale data do se colo V, a que a
aldeia de Gaia ainda em Dti se ehamava
. .assim. O territorio visinho
da·Portuealé foi-lhe a pouco·e pouoo to..
man4o o nome, deixando ao burgp pri-
.mitivo a denominação- de Cala, que tam-
bem insensivelmente se converteu na de
Gaia. - .
· Os christãos aproveitaram a inexpu-
.gnavel posição fronteira,.e fot .. tifiearam•a.
Desde então houve -na margem direita o
-
56
Portucale Castrurn novum, e na outra o
'
Portucale Castrum antiquum, ou por ou-
tra fortaleza velha, e fortaleza nova, am-
, '
bas com o nome de Portucale. De nome
de cidadella passou a designação de dis-
trieto, d'ahi a condado, e mais tarde a
reino, segundo a conquista christã se alar-
gou mais, e á medida que a administra-
ção e governo deram a esse tracto de ter-
ritorio alguma homogeneidade.
Deixemos pois o nome latino de lusi-
tanos, mesmo com o risco de desagra-
a tres ou quatro. idolatras das ·
tradicções romanas, e fiquemos portuca-
lenses, já que d'ahi nos transformámos em
portuguezes. É melhor o nome
que é feitura nossa,. do que andarmos a
torcer a geographia e a historia para amon·
toar fabula sobre fabula.
' .
.
..
..
IV
O CONDE DORGONIIEZ
O conde D. Henrique não se entreteve
por muito tempo nos cuidados do gover-
no. Em t t03 estava na Paleslina, d'onde
..
o encontrámos de volta dois annos depófs,
e .na côrte do sogro em t t06.
Não se sabe qunes foram os motivos
que resolveram D. Henrique a deixar o
seu governo, e a separar-se da esposa
com quem havia pouco se casára, para se
associar ao empenho dos cruzados, em
resgatar o tumulo do Redemptor.
As causas d'esta determinação deviam
rss
. ser poderosas: nós não as conhecemos.
Dos hespanhoes só alguns cavalleiros iso.
lados foram ás primeiras ·Que
melhor e mais santa guerra podia aebat,
na Palestina, quem tinha á porta de ·casa
os inimigos da cruz? O proprio pontifica
, Paschoal. II veio a prohibir aos cavallei-
- ros hespanhoes, que se, alistassem en-
're os cruzados, e em I ta lia obrigavam-os
a embarcar de novo para Hespanha .
. · ()conde D. Henrique o)ledeceu talvez
A idéa geral de sacrificar os in-
teresses ás crenças e devet"es religiosos,
porventura a instigações e convite dos ·
aeus parentes de França, de cujo auxilio
elle porventura contava tirar proveito
mais tarde. Suppõem..se que o conde par ..
tira na· &rmada genoveza que em t fOi·
prestou auxilio ao conde de Flandres Bal·
duioo·na conquista 4e·Ptolemaida •. ·
19.
De .volta do o cood.e bor1o"
.nlwz entregQurie. ·ínwirament.e á-· &Q•
f&fJWIQ iiiJJJ
MfnS().;devérps fo•'talooer o. .
pocjer, o torrit,orio nas
. ,-.rr•· oootra.os e PNparaJldo. ..
ao pare qcabar COIJl qualquer de .
aupr-em.aeia
· . Eat68 intniws fla.viafll mais 4o que. uma
vez oecasionar no com QJ
Jeonezet, e DQ sijJ 60Jn ·OS JJlUSUlmanos.
Para aquella a basa de· üperações epa
.Guirnarles, côrtQ e residoncia . de 1),
Henriqqe e do Taraja. J?a.ra. a guerra
do aui a base ,de era .Coimbl,a.
De partir as
{ijea: dBStinadu libertar -dtl os ter.
SUl, eli UlBlbDr ao
qM am qualquor oulra paJ'ta, a oceaiião
em que mais despreve·nidos anda_vam Qf
'
.fiO
infie5, e em qne se podia molar eom um
triompbo menos disputado.
Em Goimarles agitanm-se qnêstt;es
de natureza mai:; romplitada; questões
diplomaticas de sureessão ao tbrono· de
Afl'onso VI, de allianras estrangeiras, de
independencia do territorio separado da
monarcbia de Leão, e de todo quanto p&-
dia os planos ambieiósos de
Henrique de Borgonha.
Os dois primos Raymundo e Henrique
fizeram entre si, em t tOO ou no começo
de t t07, um tratado seereto ácerca· ·da
repartição dos estados do sogro, ·entlo
ainda vivo; porém, Deus que muitas ve-
Zes zomba d·os melhores cal cu los dos ho-
me.ns, permittiu que Ráymundo morres-
-
se em t t07, sem herdar de Alfonso VI, ·
que todavia lhe não sobreviveu· muito
tempo. · · · : ·.
61
t • I
O convenio entre os dois condes tinha
. . .
por fim evitar que a coroa de YJ
o infante D. Sancho ti.Jho
dé Zaida lbn-Abed, que alguós.
'
como eaposa do imperador. A·
emir de Sevilha rião ,podia ser mulher de
.Afionso VI, então casado com a rainha
. . .
. D. Constança, mas o an1or de pae
..
com o infante,. seu unico filho varão, ins.-
. . . . .
pirava receios aos maridos das duas prin-
... ·, .
cezas Urraca e
. Este temor· n.ão agitava sótneute 08
Inos de Raymundo .e de llenrique:
lá de o celebre_ Hugo, alJba.de-
de Clun,i, dos condes,
n 'este casQ, e. entrava no tran1a, o
. . . . ..
promqyera elle proprio. É certo que p
. . . . . . .
tratado foi jurado pelos dois, llrim9s
... . . . .
çoncunhados nas de Dalmacio V e-
• • • t •
get, agente de Hugo.
.I
,
dt
o 'imperador morreu em· Tl)fedo · bó
mez dejonho.dé f tOO, poucodepbia&w
perdido seu filho e bêrdeiro D.
que oomotOOdeGotniiH-·
Cabra a soocorrer o eastello de .Uelé&i· --:
O· tratadO entreol dois ptiM
'e execoçlo. Urraca, vlova
. do, sueeedeu, sêgtindo o testamento dtt
Alfonso VI, ni coroo de Leão ê
tella, e deixando em Gallizâ sêú ftfbd D.:

Affonso entregue· A tutela- do8 eondes de
Trava, easou em hopcias eolli
Attonsa l réi de Arágtó. . ·
Esté segundo éaSâri1êiltó fot
do mais á dos barfies
lhanos e leonezes, do qtte por .
n. tfrracá. Uii1 hotnem twi
e que fosse pelO' •
fotçô e valentia digllo d-e tal encargo. Ar-
fonso de Aragão era jà enfio nometdô
I
63
como batalhador. Por essa qoalidade o
- escolhersm.
Mas- a pobre rainha não pôde aecom-
modár-se ao .. caracter aspero e violenr..
. to do aragonezt D'ahi provieram mui ..
tas occasiões de guerra e de desordem
e d'ahi tainbem a surgir a pos•
\
sibilidade de Portugal Yir· a ser om esta•
do independente, e séparado para sem•
pre da corôa leonéza.
f!ntretanto o conde Hent·ique ·não eg.. .
tava ocioso. Apenas soube da morte do
sogro oom quem já andava· mál
partiu para França 11 reunir ali os meios
necessarios para se apoderar dos esta-.
dos dê ·Alfonso VI, ou para eolber- a
. . .
maior possivel das alteraÇões d
diffi.culdades; que necessariamente dfJ..i
•iam seguir a morte do imperador.
viagem tevê bom. ex i to.·
64
Henrique foi preso em França_por.moti-
vos que a historia se esqueceu de regis- -
trar, fugiu da prisão, e recolheu a Portugal
pelo Aragão cujo rei já separaQo de D.
Urraca se alliou facilmente com elle .
. o seu regresso· de que
foi em i t t:l, o conde Henrique' mudou·
. ' .
.
de provavelmente p.orque a falta
do auxilio esperado lhe impunha a obri-
.
gação de ser mais circumspecto, e de
certo tamben1 porque a morte de Ray-
mundo, e o casamento de D. Urraca·tioham

aos negocias da peninsula uma di-
recção muito
A rainha D. Urraca pouco depois de
casada, separou-se do segundo marido
Fernando re-i de Arag:ão, c passou o
resto seus dias etn e se-
successi v as, se1npre precedi-
das, e seguidas·dosdistur-
63
biDs e agitações. que das dis-
cordias internas das famílias soberanas, .
a eojQ se compoem os CQstumes
dos povos.
Esta situação das monarchias leoneza,
castelhana e aragoneza, que o casamento
deD. Urraca.e deD. Affonso tinha unido,
e que o caracter dos dois
rava. a cada aggravava-se com
desintelligencias repetidas entre Castel-
.
. e Galliza. Os fidalgos galleg«;>s, sob a
direcção do de Trava, tutor do jo.
ven filho de Raymondo, complicaram
quentes vezes as difficuldades corôa
de Leão e Castella, qu_erendo reallsar
.
decretada no testamento do
I
imper.ador em proveito dQ principe Af ..
fonso Raymundes.
D. Henrique soube valer-se
te da$. desavenças alheias, aDiando-se ora
. . .6. .
88
tmin Utraoa, ora com. D. AJronso·
A_.aglo, e mesmo eóin os •de
Gtllllm. Desinteresaado qoeitDes,
o seu principal fim era •
do ·lado de. quem: men08
tiltbllldades ·tinha· de reiistir ao poder·do
dtitm. Assim, o vencedor de boje· podia
aetlmente·8er·o vencido de átnanbfi, ·e 0&-
ffhom idos belligerantés ficaria
·qne se lembrasse de attetrtar
a soberania de Henrique. ; ..
- • brotavam e floreselim M
tettil :portucalense os elementos de :JDA.
tléptm(feneia, ·(tu& mais tarde deviam: ptro-
\!dift' :i tormaç1o da
'ftrgnéta. A·· cada guerra civil ·a· alli•
-(ji· de I Henrique era solicitada· eGin etit•
penho e ninguem ousava reg&teaP.ltte :as
·ou pôr ás demasias do
iéü poder. ·A sua snpremaeia
.
8t
á!únf úli8; hJgtl
DtO!iJ , •:J·.

,.. l;'IJIUIWr: lli!JeHtto.,_. •• •o,.
I
,.., ... • awftiW
çldtt'·dó· ltl•lddtea
pensavel que os eavalleiros portuguWAM
-tilssem ldM lfólltfldt+J EiW ·mdffltea.
t*
IJithntjaJ • *••
oipio • .. &
lftt9' ];\odea!tHd,_llg.Jüs: 'I'·D.
A«OJi&Ot' .ut: 'ftdttlgos· ·!· .. •
. tEMa
• tt etntb
IJniiLOêu ddeJo·
elaj iMíl.htlinlô"eMPitehll. dai tiOaj
que 9ecWllctfl alndlblé
pôde-destruir, nem. a eMit-i
• • • •
D• .
,
-
10
IIWo de Bnp • .,_ ••
peudena.. Nlo • reit
,. .Qslll8 MiVIIeB raleh.lt
••n priacipe, nem iDfaRte,
1 JDOrle do qro, en teohor ••
11 aoeepçio da palatn. tJ'IIDtO'
eJDbora o direito publico· da ·8)NKfla,·d
aujeillsse ao·rel de · -·· •..
· Os portquezea deT811l 'eaerat a- me.
moria do principe bGreeoàez. : -peftlue
desde 1101 tolta do Orielale!Dio48Ye em
w11a•n1o· a indepeodeacie· d:'eata tem
e aoabe' eapragar. :em tio ·Mitre· elllfM't
Ilho grand&IIPGidlde, ·iavenei•el Jil'lll&
u, e oon8UIIUblda prudeoela.
···Quando 01 reetoamortaM do eGDde D.
Henrique entraram na sé de .Bnga a r&t
IJO'lllr no .tumulo onde ioda jaleiD, as
bJ• driodependencia. portugueaa eata•
'* .lioçàs, e ·por mãp de1D88&re.
7f
Este foi o ·verdadeiro' fundador da nos-
1&
sa nacionalidade. Os portuguezes cha-
mados. a intervh" nas guerras civis de
Hespanha ora a favor de D. Affonso, ora
a favor de D. Urraca, oraafavordoprin-
cipe de Galliza foram-se separando in-
sensivelmente de .cada u_ma çl'essas par-
cialidades, e adquirindo qualidades de
povo indepe11dente. . . .
. A monarchia appareceu mais
Era i8 consequencia ne006saria da
• I
tentia da nação, e do.s cos.tumes a taPadi ..
ções d'aquelle tempo.
. .'
• I • •
t • •
. . .. I .•.... I
-

. -----....
. v
G O V ~ O DB JJ. T.BU.A
D. Affooso Hem·iques, filho primogeni-
to do conde, era de menor idade á 1110rte
do pae. D. Tareja teve pois de tomar-o
governo, e com elle o difficil encargo de
continuar a obra politica do marido, de
quem ena fôra talvez o conselheiro mais
intimo.
A nobre viuva de D. Henrique mostrou
no cumprimento de tão delicada mis-
são muita habilidade, e grande pertina-
cia, qualidades cont1·a as quaes não pre-
valeceram nem o poder da monarchia

73
de Leão, nem as cOJTerias incessantes
dos arabes no sul de Portugal.
Elia soube dirigir astutamente as di&-
senções dos sempre mal avindos sobe-
ranos de Leão,. de Castella ·e de AN-
gão, para aerescentar o territorio. porto-

guez por meio de electivas ou
de promessas solemnementeestipnladu,
bem· que is v eraes. iw1eis pelas reooooi-
ltações amiudadas e · Pepentinas· de DJ
Urraca oom D. AfJonso de Aragio. · ·
A ·moral :do goYemo nió
diminuiu· nas .inlos delicadas de I · Ta-;
reja. Ceroada dos barõel·portugneze&J
identificada com o espirito que os aoittg..·
va, e dooidida a seguir o systema do con-
de ·lleorique, a mie de D. AloDiO .111(»-
treu rara firmeza de caraCter, e astoeioea
proàencia... . . · · · · . , ··.
No intento .de desenvolver as foi'QI8 do
'* '
S811tPIIIU8DO e il't
·fn.i iJlt.
variavel ;_. poltim ,.
Mtea. à Ali& !llOble
.. pelM
•. .... q •. ; •
. '
H•lktUtnw .raialla da Leio.Jrmileaiti:
- .

ft.•8'10Dl1lli qlllo;de.minor

• • • da, rQ•r··'
sua eon\a'O.territorio
r No-pelas r-.nquistas:e fWforpdct:OQAde
B.ilelãJiiua..,KMa era
eGWt1rt.
--...
.te O.t'llajii iiC)b pN&extos diiJJreD&IS,
Ã\'itnaAI D#.H&Driqae ter .....
,,...., ... , ,... meio di
eombates, sentimentos de
tiiMiada tGDin ca hooa• III .
. .
M
sétls ft'f9dlta\f0i alfi•. pllra
a· grande ·blta ·da·
,,,.; / .. ,·.;'r·,·.: • "" 1{··1
B 91J;rlnflt•·D. ._.
reja dtrig1r, ,mi'í r•taçfieli pelitmi••·

ve: tlo·&n'tdo
=ae·11fimorar ·llftA•tNteii8Wu
·ções conjugaes de D. Urraca in•alidú&t
O · .•e r
.. ,, :. I .•


· tlértfr 1 arlJtttto.:paftl

• 11

· ftipt fíbêitMbente 'telltttr etfftl YArt8<
• ·toMtailté
ffiCJ)
7t
. Á morte do conde fJ.
reja partiu para Aslorga; .·OIJle a
côrte, e crê-se que fôra por suggestãe611a
fiGe A.tfmlso 1--de.Araglo repeltirade ·91, e
e•palsára da ciàade D., Urraca,. StiÍ'lJDu•
lber, por suspeitas de enveDenam.-.ne-
gu.do-lbe· até a prova do oomBate ou juiSo
aom que ella queria para logojui ..
· ; ·· · .. .
• ! ·'-· opi&ião dos m.rões ·de Leão e· CalteHa
foi favoravel á esposa ultrajada, a
tolhêra a defeza. Affonso I viu-se obrigado
a regressar ao Aragão, mas D. Taraja Dio
suooumbiu a· esta desastre. Sua irmi;D •.
Urraea! entendeu talvez, que não })OfÜt lu-
tar uma princeza eujos
hoJpeos de:arm.as só a ella em
: externa,: e. que: alem
d'esta vantagem: tinha intimas
com os principaes
77
com o astuto Gelmires, poderoso bispo
det=CompOstella. ·i Apesar·· das! intrigas _de
Astof«a :· a&l duas irmis--fizeram .pazes eno.
•.u.g·; . . . · .. \ ,,.
IIQ .- . I ' • I
·: N'elle mwenio a· superioridade.-.
do lado .de: (fGe era de:dileito
soberana. term ·governada· per D. r.
reja, e que iojnrias.eotf611118pa•
vissiaas. Henrique teft•de
reconhecer a supremacia. da irmi, &llis
cônes.reunidas àD t! tã em <medo 81Si·
goou: lM)JD() infaDta em seu 1101Jl&8 de se11S

. . . I I 1 : • • , • ' • : . • • ' • • • ;,
I ....,... a ' 1 '. '" 't: · • a
_:A· :&usellcia dos . barões. portuguezesl·
a i falta de tiDenção de q·ue Tareja; os· I'S.
preseataya,n'aq;ueUa assembléa, e-porel-
les fazia pr&ito·á irml, indicam•qaal.em i'·
enfio;o-:espirito dos portngoezes, ê"'"'b
graves as cireumstancia8 a que· D. Tanja
se • for9ldll 0bedecer.· ·
• • l • •
78
u ;itia RJboiissão pr.a1081-Bãa dllml muir,
... •
8C)S;fttlalgm:à GalÜJ.aj Q.,{f6Mja
rou-se em favor d'estes e aggredia.t._
.- • •
• a p8Jl88 ·
dOI filtridol tio e: Ortllllh tfQ1f
8lff81Bl rblstaat8 f(Jmpo;:! • { !; , ; • l'
1! ·Os oombatol.inceíaantamno norte_.
•rroiltpidos· 81Jl:.f . .ft6,pelos
sul, qu8 tomaram Miranda para lá d<*on"
deg6;··fl&SIII'am. este
do castello de Santa Eulalia junto a
mór1 i e no de anoo le81Jift$6i \lleillm.
tDat&yiMe dias at&Mr·Coimbra, Me
6tltafa. D. Ttttejth A iofaQta: ·dO.S:· ·porlit!
·f,()mo-entlo .lhe
dera,tder de medo
Je•mtalim• O· cerco. . · . · , ! · · ;· :· · ... ' · ,
Á necessidade. dé

"
d08 BMDpre BieBor
aiTogancia na mantfeBtaçld dog ·genttmon•
td8 para 00111 ifl-ftlaha
. .


D;
tio 't'tftlf o w
Bttrgà'·&. 8l1dotl
:tta· MaiaJ :que tAntfJ 4lzmmn! depo11
pela Ubetdttde tem;padtu t fit
4 sóbétahá de·Le§o. de:Catttella s
lio eouto -·da cidade; arohiepllf6
:; . .; . i.: . . , J:
· · ·Jm ddas érám : A pü
entttrefla8· podhi :ser diétttda ·por· motltoY
pblitloost; ·do eoraçWo ntio vinha·. 08
glliOs de D. · 'liirejtr e dos, seus·
eram manifestos. A necessidade 'de
tir fPffltna'ftl. rf!(f -esqueciâ: a D.··Urflfca.
D'àhl' de t ·na'qffiíl
a rainha· de· Le!o âtravessou o
ds'lhai'gons do Douro, obrlgon'D;
t
80
Tareja a encerrar-se no eastello de La·
Dholo, e ali a foi cercar.
D'esta penosa sitoaçio pOde sair sem
gnnde esforço, gfaças is intrips que se
urdiam em segredo na propria comitita
de D. Urraca. Tratava-se de proclamar o
priocipe de Galliza, filho d'esta niÍlhl
e de seu primeiro marido o tDlde Ray ..
mundo, e n'este empenho andavam os·
senhores de Galliza, o bispo de Compos-
tella, e todos quantos se diziam cansados
das discordias continuas entre D. Urraca
e seu segundo marido AtJonso de Araglo,
bem oomo os que detestavam o conde Pe-
dro de Lara, poderoso amante da aoiJe.
nna de Leio.
D. Tareja fôra sempre ligada com esta
parcialidade, como D. Henrique o fôra eom
Baymundo no intento da reciproca inde· .
pendencia, e se ficasse priaionep 4a tr.
...
81
perder-se-ia um alliado importante
para a execução dos planos contra D. Ur-
raca. Soberanos e potentados estrangei-
ros, parentes da casa de Borgonha entra-
vam na conspiração contra a esposa de
Affonso de Aragão.
Fernando Peres· de Trava, antigo offi-
cial do prelado de Con1postella,
e amigo dos primeiros fidalgos de Galli-
za, era amanto de D. Tarcja, c governava
por ·mercê sua o Porto c Coimbra. As
,.
relações d'este fidalgo na côrte de D. Ur-

raca só podiam ser favoraveis á mulher
que elle amava.
D'este conjuncto de circumstancias, e
talvez de outras que ignorân1os, nasceu a
paz, na qual D. Tareja conservou as ter-
ras de Galliza, ·cúja posse haYia dado
causa á guerra, e obteve varias terras e
aldeias nos districlos de Samora, Toro,
6 - .
,
/
Avila, Valhadolid e. 'fpledo,-
oomo tenencia da irmã.
A quem a viuva de D. HenriquQ
estas vantagens, apesar das Victorias D.
póde conjecturar-se pelos
sos posteriores. A Galliza .PQ1;100
revoltou-se contra a rainha de LeãQJ e. D.
Tareja sem tomar activamente :nas
contendas que se seguiram. até de
t t em que morreu a irmã, prQtegeu os
revoltosos por todos os ·ao seu jil.
cance, conseguindo conservar os
rios que possuia na Galiza, segun® o
tratado de paz de t t 2f.
.
Algumas IJalavras do sr. Alexandre Her-
culano explicarão, 1nelhor de que Qós 9 po-
deriamos fazer, as causas d' esta inC()pstaJr'
cia politica da infanta dos portuguezes •
. « um dos que figUJlV'
c n'aquelle o UQsso
83,
« toriador, quer prineipes, quer senhores
«só pensava tirar das desgraças pu-
. c·plicas a· maior vantagem possível. As
« faziam-se, e desfaziam-se rapi-
c=damente; porque ·nenhuma sinceridade
'
· « bavia no procedimento dos individuos.
«Os interesses particulares dos nÓbres e
1 prelados cruzavam-se com as questões
«politicas, .. e modificavam-nas diversa·
«mente-.»· As de D. Tareja devem
ser· apreciadas n'este sentido. Ella obedf)..
cia ã.tradicção conjugal dá
ao proprio sentimento de liberdade, e as '
teodegcias e espirito dos barões e homens
de armas de Portugal.
As qualidades incontestaveis de D. Ta-
reja fizeram-a geralmente respeitada,
tanto nas terras que governava, .como em
teda a peninsula hesparihola e mesmo
nos paizes afastad_os .. o papa wais. do (lQe
6· . . .
,

·.
. 84.
uma vez a tratãra como rainha, qualifi-
cação que só legal ou de costume
, .
dar-se ãs filhas legitimas dos. reis, e ella
propria tomou este nos documen-.
tos publicos, com o de
filha de D. Affonso; ou de infanta dos
· portuguezes.
Portugal co1neçou tambem cerca de
tI t 7 a ser designado como reino, mani-
festação nominal de independencia, ante-
rior á elevação da dynastia real. AnteS
que o principc fosse independente no

exerci cio da soberania, jã a opinião geral
attribuia ao territorio essa qualidade.
Portugal era reino sem ter ainda
lhido rei. O povo livre não podia tardar
·em proclamar um chefe que sustentando
as ambições patrioticas dos port_ugu.ezes,
acabasse com a supremacia politica do
rei de Leão.
83
D. Urraca morreu em f f26, e seu filho
Affonso VII fez ~ r e g ~ a s com D. Tareja.
• ' • I •. •
Duraram pouco, porque ella recusou su·
- • 1 • •
, geitar-se ás obrigações da tenencia dos
. .
territorios que recebera ern t f2f. Na no-
va campánha Portugal não pOde esqui-
var-se a reconhecer a suzerania -de Leão,
e perdeu às ~ e r r a s de que pertendia o do-
. •' .
· minio absoluto.
I
D. Alfonso Henriques foi durante es·
. . ; .
ta guerra cercado ·pelo filho de D. Ur-
I I
r.aca em Guimarães, onde esta'va talvez .
. . . . I
já quasi revoltado contra a n1ãe, e pat"a
que o c_erco fosse levantado, teve de pro-
metter a seu primo. Affo.nso VII, que lhe
faria preito e homenagem das terras de
Portugal.
Egas Moniz, poderoso fida.lgo de·En-
tre Dou_ro e Minho, e aio do principe por-
tuguez, ficou por fia_dor da palayra de Af-
\

I
Att
/oóso Henriques; e o rài de teio
do a fiança do mais hQ.urado cavallaim
d'aquelles tempos, levantou o
retirou-sé de Guimarães. . . ; . ,, . : .·
A palavra do joven COJl).
I prida. Fosse que o ânimo de D. A1tmso
Henriques repugnasse a começar a vida
politica pelo reconhecimento da· sbpt&-
macia estrangeira, ou fosse qoe os pro-
ceres do reino obrigassem o infante a
. ,
faltar ás promessas de- Guimarles, e a
sacrificar a propria honra ã independêlt- ·
eia de Portugal, é certo que o ·fillio ·de
D. Tareja não os ajustes do
aio. ·
Então Egas reuniu a sua ·fam.i-
lia, e partiu com ella para a cOrte de D.
Affonso VU, não a tazer-Jhe o preito-que
Affonso Henriques recusára, mas de
ao "pescoço e descalço, a prostrar.-ge aos
- •
81'
pés· do rei de Le1o, e a ofTerecer-lhe ó
proprio sangue. o da mnlh.ar, e o dos fi-
lhos, para lavar a nodoa que a falta de
CUinprimento da palavra dada lançava na
reputação de ú_m cavalleiro.
Tão primorosa lealdade maravilhou a ·
côrre, e · captivou o animo de Alfonso .,
VII. O fidalgo portuguez voltou em liber-
dade para o reino, e o soberáno
d'eclaroú illibada a honra de Egas Mo·
niz. Depois que os ossos do de D ..
Affonso Henriques, foram tepousar .no
mosteiro de Paço de Sousa, pozeram-lhe
no tumulo, em esculttll'as a
representação "d'esta gloriosa
que·au ·se vê ainda hoje servindo de elo-

quentissimo epitaphio ás cinzas do velho
fidalgo de Riba-Douro.
Estes feitos heroicos só se manifestam
nas epocbas em que as nações estão dls-
88
postas para comiQettimentos generosos
e sublimes, porque do conjuncto das vir-
tudes particulares é q-ue o _ca•
racter nação.·
Nos te1npos de abatimento e de de· .
cadencia nac_ional, não se encontr!}m taes
exemplos, e se apparecem
mente, provocam a escarneo, em vez 4e
conseguirem lou_vor e admiração.
ção, cujos proceres tinham .sentimentos
tão elevados, era digna de ser livre, e ·por
isso o foi. ·•
A nobre acção deD.EgasMoniz foi-pra-
ticada durante o anno de f t27, tempo em
que D. Tareja tinha já perdido no animo
dos portuguezes a influencia que
conquistar. A que fôra 'sempre varonil na
governação do estado, não pOde evitar as
tentações da fraqueza e o seu
coração de mulher deixou-se captivar do

89
conde Fernando Peres de Trava, da no.
bre familia · de Galliza, á qual fôra con·
fiada pqr D. Urraca a tutella. de Affon·
so VII.
. ..
O conde, amante e valido, intervinha

nos negocios publicos. Nenhum acto in·
dicára que essa intervenção fosse
leal, nem a politica de D. Tareja se des-
viára do ·caminho traçado pelo_ conde
D. Henrique; mas os portuguezes eram
já ciosos da sua independencia, e· avessos
a toda a influencia estrangeira.
O filho de D. que se creára com
fidalgos portugu·ezes, e que devia ter a
peito a honra e bom nome da sua casa,
,
odiava o conde de Trava, e preparava-se
para lhe destruir o poder; embora
isso fosse necessario arrancar á propria ·
mãe o governo do reino. Com effeito a
rainha D. Tareja teve de abandonar o po-


,
• óer em f t!S, em lirtode de- teOBieei•
mentos em que seu filho· tomou ·a·mai&
energica iniciativa. : ·
A viqva do conde D. Henrique eontfi..
buiu vigorosamente para ·filoilitar a· .in·
dependencia de Portugal. Teve.· ~ f i ·
• •
dades poli ti tas de grande; quilatb, e- os
etfeitos d'essas virtudes chegaram até d
nossa idade. Das fraquezas da· sua 'fidft
parti cu lar só e lia foi victima; fraquezas
.
qoe eram vulgares n'aqoella epoeha, ~ ·
que infelizmente nem r·aras foram nos
seculos ·posteriores.
A historia não levou em conta a D. Tam.
ja nem a fragilidade da natureza humana,
nem os costumes do seculo em que e lia vi·
veu,nem a expiação infligida por seu pro-
.
prio filho, privando-a do governo e pren-
dendo-a, nem o abandono em que morreu,
malquista d'aqoelles, a cujas vaotageas.

'
..
6
Gt
éonsa·grára a vida, e favor de quem
soubera tirar partido até dos prop.rios er-
ros. D. Tareja morreu no t. o de novem-
. bro de tt30j e repoU$a em Braga, junto
ás cinzas de· seu marido.
A historia foi .. in8rata·., Não- o sejamos
nós. A\»ençoemos· a memoria da sob
na que ajudou a erear-nos para sermos
independentes e livres, e
esses desvios·. As idades futuras terlo
nos perdoar· outros bem mais_ crimiao-
sos, ·e que nem sempre poderão des-
culpar-se com tão gloriosas compenga.
ções.
-
..
I.
D. AFF01180 BENBIQUES
AfTonso Henriques tinha qnaforze
I .
nos, quando no domingo de PentecosteS
do anno de t -125 se armou cavalleiro na
cathedral de Samora, terra que pertencia
então ao reino de Portugal por cessão da
I
rainha D. Urraca.
O modo pelo qual cerimonia fôra.
disposta, indicava de sobejo as intenções
do príncipe, no em que este
acto se não pudesse julgar imita-
ção exacta do que,· em dia igual do anno
·anterior, praticára em Compostella seu
. primo Affonso VII .


93
As armas com que devia armar-se o
joven filho do conde Henrique tinhaní
sido collocadas sobre o altar de S. Salva-
dor na cathedral de Samora. Antes que -
começasse a festa do Espírito Santo, o
moço Affonso Henriques entrou na igreja,
caminhou o altar, tomou as armas, e
cingiu-as elle proprio para não conceder
.....
· a pessoa alguma a supremacia de lhe ter
.
conferido o grau de cavalleiro_.
Dos velhos guerreiros de seu pae _ha ..
via muitos que n1ereciàni esta honra. Se-.
guido d'elles entrou no templo convi-
. .
- dando-os a assistir áquelle acto •
e a serem testemunhas da firmeza do
. .
principe, destinado a
rém desde logo a
vontade· de não depender ·senão. de
· ·
Esta solemnidade foi uni preparativo
.
,
,
.para ac.abar com a influeneja do conde
de Trava. Com effeito tres annos depois
de armado cavalleiro, Affonso
declarou gueiTa a sua mãe, ajudado do
arcebispo D. Paio e de seus d8
Mendes Ermigio, .de Garcia Soares ·e de
Sancho Nunes que depois foi seu ·.eunba·
do, e primeiro se-nhor de .. : .
D. Tareja quiz resistir. Alguns portu·
guezes seguiram o seu partido; porém a
maior parte das suas forças eram galle·
_gos da parcialidade e dependencia dQ
de Trava, fracos defensores contra
• o principio da nacionalidade e da indfi-
pendenci:r de que o joven principe· se
declarára campeão. Os de D .
. Tareja foram derrotados no campo de S.
Mamede perto de Guimarães, e a viu'a
do conde Henrique caiu prisioneira em
P9der do


A. nácipQalidade. partugu.eza . já
tão ião distincta. que os -
gallegos.do .. 1). Tareja eram
chronica$ •
illdivnas apesar de_,que
·de linguagem, de oostuPWJ.,
de reUgião e .de raca entre.os .habitRQtes
de Galliza .e· os de EotJ:e e
dev.esse contribuir. para que
e se reputassem
ia·mãos. Esta
plicavel á primeira .vista, era um
mais importantes resulta<loa d.a
do .conde Henrique e.de D. fareja. ·
Mas a· independenc.ia de ·Portupl nio
esta:va segura; :nem proclamada sequer.
O rei de .Leãa .era moço, e
, ..
lente. A.tfonso Henriques nem titulo
nb.il para designar· o poder que 4e laç_w
Conpe não queria elle..
96
se. Infante era úm titulo commum aos
filhos de estirpe real, e pasto que Porto-
gal se intitulasse r.eino, -ó nome de rei
não o podia o príncipe tomar impune-
,
mente em face de uni contendor como
Affonso VII.
Dizem os historiadores que D. AfJonso
... . -
Henriques .era agil nos exercícios do
corpo, dextro no manejo das armas, bom
cavalleiro, bem apessoado de corpo e de
gentil presença, intellígente, discreto,
. e dotado de singular eloquencia. Eram
grandes estas qualidades, mas os deveres
que o principe tinha a cumprir, careciam
do concurso efficaz ·de todas ellas.
A indeperídencia de Portugal, prepa-
rada de tão longa mão p"ela tenacidade
e astucia dos paes de Affonso Henriques,
havia de trazer guerras
das com o rei de Leão, e os arabes nlo

{W
eram menOs temi veis no. sul do reino •..
Poucos mancebos tiveram aos dezesete·
annos tOO p e s a d ~ s encargos sobre· ~
hombrost
Atfonso Henriques nlo esperou que o
atacassem. Impetuoso, como o pedia -
sua idade, e a indole .de uma naçlo tio
moça. como eU&, entrou por Galliza_ aJil
t t30, & começou a gl)erra comra oa l e ~
nezes, talvez para recuperar os territo-
. -
rios que ali possuíra sua mãe.
• u
. N' esta entrada ningnem lbe resistiu,
porém voltando a Galliza foi derrotado
por Fernando Pere$ e Rodrigo Vela. AfT'
fonso Henriques nlo -desanimou com o
desastre,.: e pela terceira vez levou a gúer-
ra ao paiz visinho: A1Jonso VII veio ea
pessoa. eom. um exercito numeroso ob-
star ás correria& do primo, e tomou Cal-
mes que os portuguezes · tinham fortiftt. ·
7
.JI
"
"adO .. Aft acabou eampatth• ÍV> Wfl
da tt86.
. Alfonso VIl estava entlo. auae
do poder. A fortuna era-lhe pJ'Dirieia·tma
toda. a Affoosit fie: Arqla 'e o
padra&\O.já não·ex·iatiaJ Q dt .
oelona, o .o 11ei· da ·Navarra
da LQãQJ a Qa-.tallft M
iiUillman_te; O Blllil' 4e 1\0tla
.
ift fttpop ta Reeunen te. f ·
Aiem dua ® TC)r
. .
Josp ; e outrps sanllores :pra ... VIUn-rN de
vas&aUos de J). Só qp
previnnia ao J•oo d9
dia Qrabps, retJ-.lJ .
ltlr fla \lQm a prewndarctooi- liiQr
8 QIP.IQOÇP daaft'ttta apftQS,
:.flf d' .. OQMVét
.JDit> ·.-rmeda llQIRit vassa e
· mooarehia I

, .
' I
. · aobra 8letoplf)-de coragem Jqolr
tra bam quanto pãda a· ener8Ül d&aiDUt,
§ D aiQda MJll oombatt
-IUPi w .superiol'es;.. Non1tum

. aaia •
MUflrmar. AS ta veroada, 8t neabilm ·nUir4l
81\ cag, lll8ia eftleacia da qué
Q ,:lQjSD" • : i • ! ;.. . · .' · • • ..: • \ · ' a 1 . : • : · ; ·
Para defender os proprios lares alá ii
.it1io lana. A: eada
qqaJ í\IQ· lffiHlAINIJ
tliftia
.au '\lffi.ftmbaiV4ruLde
nba,
,, _ÃtiP.P.iR:V.ll
JllllfQQjllJDidp
.. (f)··EAlõ.
tado pelo sr. Rebello da Silva em
:attlgo !JUdl*'la aa l'pa;lq_ e· Uiti4Qiado
·
7. .. - .
\
,_
tOO
imperador. O moço Atfonso Henriqaes,
em . vez de ir ,presW homenagem ·ao
"
poder do primo tratou de alliar-se CODl
I
D. Gareia rei de Navarra, e acoordou-se
oom ·algDBS fidalgos de Castena_ ambieio:-
aos, ou descontentes de D. ·Aionso VII.
Firmadas estas allianças, principiou de
novo a guerra com assignaladas ·neto-

nas.
Os arabes·entretanto tomaram Leiria;
porém Alonso Henriques eoiTeu a re-
~ u i s t a r aquella cidade, e em poooe
tempo voltou a continuar a guerra em ·
Galliaa onde o imperador viera em peSL
soa, como quem sabia que homem era o
. principe portuguez, e quanto valiaul os
cavalleiros e homens de armas, que o se-
guiam.
· Os doiSJlriocipes avistaram-se em Tuy
no dia i .. de julho de t t37, e aü.!fizeram
·'
,
..

I-.' )III.
' . .
I
a. . . ', t . . . .. , .,=·
v. \J. ,\ _: ·: .. :
. . • ·_, I
' ,. ..
pazes, talvez PQrque .as·
bes no sul tra&iam inquieto o animo de
D. Affonso Henriques, cuja actividade·se
voltou então para a guerra conh ·o!
fieis, indo no alem «Jo
Tejo.
N'esta p•z de Toy o filho de D. Ta·.
reja reconheceu a supremacia feudal do
rei de Leão, acto cujos effeitos na or-
dem do rein& não
I
foram importantes. Cento e -einC900ta
portuguezes assignaram D. AtJonso
Henriques este preito e hoorenageM ao
imperador.. · · · .. ·· • -: · :. :
A guerra contra os arabes· foi fnoratel
ao filho do conde D.
ria alcançada em Ourique no dia iõ dejtl-
. lho de t·t39 chegou a notieia ao noSso
·tempo, ·acrescentada oom
e milagres. A imàgin_àçlo patriotica e

,
-

IUI
re.ügioBa: de alguns qllitt
dar usim maior .ralem a 18Se feito dê
. .
...
. · · ·
. Singular erro de gente· siíoda e ie..t
· lgsa pelo bem da.f1Ua. patria! De set\'d
alterar a historia, ·e inventar appariçõeé
e quando se trata de rafurif-ác-
. '
para as quaes é suffieiente o esfqrço
hp.maoo? ..
. · é que· todos creiam .. na
divina, sem a.qual não ha verdadeirA
. prQSperidade sobre a terra; mas nlo cu i·
d&DWI ·por, iSSO que a forÇa do. DO-
..
braço é inutil, que a nossa energia m01
r.1 &. nullat e que Deus· IJo de intervir· di-
.. e pessoalmente nns negociaS Di'tl&
. . .
dano& .a regular . os interessés dos · con'
qws"dores, tias. dyoastia8 . é
. COnfiemos no poder de Deus e .nd
triompbe da justiça e da. verdade;
t.03
rêm não abuselllO$ do nome da di,itltla-
de, embora seja peita excitar sentimento!
virtuosos e dignos. pias fráudes niQ
tbriiflcbm O Rentitnanto .
o abalàm e deBtroetn.
Da guerra contra os infteis am.
bre\re Atronso â Antiga peh'
dencia com os cornmanda6os
outra vet \!m pessoA imperlldor,
O chefe de um dos éorpos do etereito
da Alfonso VII; depois de vãr derrotados
os qüe u seguhutt, cahi prlsltltleim doe
e a. final o grosso d tl8 dof8
exereilns avlsloà'-se per·ttJ de de Vez.
Ali ria planlcle qOO Aep,ra'a Os
. ds leotle!é8 hatltl todos os dt.s
cbmbates e êlil·um Afl
ftnisó limão ntitultl do
Hdor, é dntrós ftdatgés lorêbl
é prl&.iooelr08\ · '


1.04
Emquanto estes successos se
vam, o arcebispo· de negocjav.a as
pazes .entre os dois primos co-irm-os,
. dos quaes nenhum ousava arriscar
tuna da sua causa em uma de.ci-
iiva. D'esta vez ou porque a
de -Affonso Furtado commovesse o impe-
rador ou por ontras ppliticas. de .
maior alcance, foi Alfonso XII quem soli-: ,
citou a intervenção do arcebispo
guez, que a final conseguiu trazer a ter-
mos de concordia os dois netos de AC-
ronso VI.
o
. .
Ationso Henriques dizia-se então iD:
fante, mas desde fi 13 intitulava-se
bem principe· dos portuguezes. Eslil de-
nominação de principe do povo em vez de
.
principe do territorio, já usada por D.
reja e renovada nos npssos tempos em
França para designar que por
105
popular e não por direito .here-
ditario incontestavel sobem ao throno, foi
talvez n'aquella epocha um meio de sa-
tisfazer os desejos de independelicia dos
portuguezes, sem
te· o direito soberano da corôa de Leão.
terra para a qual a energia nacional ga-
nhára o titulo do reino, o nome de prin-
cipe dos era de indubitavel
legitimidade.
Depois da paz de Vai de Vez o filho de
D. Tareja aceitou o titulo de rei, e come-
çou a usar d 'esta designação, e quando
em fi 4.3 os dois primos renovaram e con- .
firmaram em Samora os ajpstes de Vai
de VII reconheceu a realeza .
de Affonso I de Portugal.
Este reconhec.imento não era absoluto.
Affonso VII, como imperador de toda a ·
Hespanha,.não lhe importava que o
.

tOG
dos portugUezes se ohamâi8e "'i1. com·
tabto : qué se confessasse aea 'Yauallo.
fi. -de que este ponto deii.oltio .fOilJG
· diícatido nas cónferéncits dB S..mora. e
que o8 inediadôreA andaMem · busomdo
tüb. nieie de conciliar Cil8 caraoterel altivos
e dui'o8 4os dois · . , . .
. ·: O certo é que Affonso I tle Pormgal
do primo a invesüdura da éifta\18
de As torga, e pôde assiin
db rei tle Leão sem eotnprometter . a in·
tlependencia e a lihNdade tio oom reina•
hOOl· furir & · suBC9ptibilidade dos porttP.
gueEes. O rei de Por&ugal ftct1n limJ
qlltlnto o t:Jodla fitar perunte o iniperador
das o >senhor de A&totga;
esse reconheceu por soberttno quetb· lhe
dera aquella possessl(),
· Àffon8o I COOhecil o primo,· b sahla iju&
runtlldu 9lb trbitrlbi·IDIY
107
que jKJsltif08;
A· sua tlaralmtfligencia; é o oo:a
da·tma·epOOIII;
ensinavlim-11\e QlÍO: só haliaHutb :podei· .

reis e 4
que nenlmlnâ e8tavel! seiD
..
a e tieilçio sb{te-
mo Tratott· pois tle ·assegurai' t per meio
da crenÇa religiosa a·· de qoé ·ftn ,
recentemente ·investido. , ! , i= • • .... I,
: t,ezri'esse tnesmo anno do
remo 80 pontiflce tias mlos ·do 'm;detl
Gnidb, é prdtnetteà ·pagar i ;s•tar Bé·.de ,
Rema quatro onÇa· da aonb, dar_
eem por .. uma só e redHlhaf
cbt!sé-tassàllo de s.- Pedró· e dt\.ipapa;.
bemlholsoolllltiuda d&qlil
o !*alto ao itbperiuler. . . . : : . J c·:
· · Muà pArte· o tfohtiftce ·de•la
gar'sê a o- rei· ptH1ttg\tel tm-1udb
1011
q1111to polll11• iaf&8lilt O· nino, e aliJ
- ea Put11pl SIJIIIB-
altÃI _,. .. ea ~ q111· DiJ
*Dn as •••ll«eas ollereci-
db por D. Afl..-, I i Santa Sé.
\
Bill pmposll en di_.ida • papa Jn.
nonencio n, poréa foi Lado D 91811 res-
pondeu ao rei de Portopl..--principios
de maio de t 141. A resposlllllo era fa·
eU, porque o summo poolifice nio podia
re801Y6r ~ t e negocio, sem reouociar i
aozerania de um reioo ou i amizade de
um dos soberanos mais p o d e ~ do
mundo.
Lucio 11 soube conciliar estas diflicol-
dldes aceitando todas .u proJMMttas de
D. AfJonso, mas não Jbe dando senão o
titulo de duque de Portugal. A indepen- .
dencia do solo portuguez ficava assim re-
,
~
t09
conhecida pelo pontiftce, ·e o reino acceito
como feudo da Santa ·Sé, embora o papa
evitasse dar-lhe esse nome. A
.
ção do titalo de rei na pessoa de AffOO&Gi
não p>dia tardar muito, até porque o pi1J6
prio Affonso VII reconheeêra em Samora
a legitimídade ·
· ·As conseqoeoeias d'estes aoa come-
çaram a manifestar-se logo. Todos os prio-
. cipes e fidalgos da peninsula bespaàttla
acompanharam Atfomo VI i conqUista de
Almeria. D. Atfooso I de Portugal nlo
foi, e conjectura-se que essa auseneiado
principe portuguez em um feito d_e ..
mas contra os intleis, nio tiverá outra
- causa qoe não fosse o desejo de oppor. •
requisiÇões do primo a noYa· situarlo io-
depend·ente, em que o fendo· á Santa 86
collooára os porluguezes e o sea rei.
·! Aft'onso I aeeitou de bóm ·rrado·o ..-.
tiO.
brio de Roma; coof8ilt& :da epnseruir. ·o
.
lqllpl'imeMa ·d;J·mil*-legadQ·.por ...
fJHSi, omblll(• ·tirasse. de tammb• 00110
ellel p81SO.R·pa88Q, 8•Pfll! Yel'ftdfts :tof'UQ?
'11M
àellja .eh 1881'.; • · . . ( .• ; u; J i i . ·= . · · =
· :ao- anao we ·.il'lO re ;{).Qil-:-
-ti&e. Alexandre. Ul ,olara e
ab-meiltéto·tU.lo •
Rleate ·oo,om4e·:D.!
4iauta. dfl-.marr
l801 oim em substitoioão quatro
metal,· anWfiOIIOOJKe
·.prllmettidas ·a lnnocenoio :II, . , , • · t. : : :
· . ·Assim se cumpriu, uasenta
-aos. depois dtt morte de conde D.;.Ueori-
•e, ·q :laborioM empreq de • in.-
:ilepêndeooll de·Pol'tQgale dedaltra-ttll&
· terl'l uma dyBIMta propria,. e mpteeilnr-
-46 p&r 01ll pNncipe tatMa .Mi-
til
nlu1 e:o·Douro, os partugpar
zes, e exporimaatado nas-üales da guemt,
jal oembatenf1o pela·liberdaqe tios
oontra. os· -leonezes, ji
ftloklnat- as pbalaBf6Stdost aNbllf. ·.·. ; .. 1
. A investidora 11eijBiosa i àtpidadl
rei;.fola ultima r.aetml,.nsa!fieattra;.
d·peri8\'8f8JIQI àà 0..·
..
8llaMJtàr a idéa tlo.·oouda·n.
dê D.; Tareja; e ea u&isfaer aa p.iolaa
• Siis
d epota : falletsu ftiD; aos o · àe
dazenibrode t lati, ·te•80Tevna6l(JIIt ...
1'enta e cineo.IDnos (JODlOfei;:e do&e!COJill
prinetpe 1 klfant.-. ·.: · .. · ; . · . · .
Dei10u numel'éll .d• :JJtj, -
nha Mafalda sua mulher, filha de .ÂJUr
_ deo.II, oende ·de Mao11iana e da Splwia, ·
·grande ilipilia e beMiâ,
8lf)Pia tlllorppa rmpctita;._

III
hoje em Victor Manuel val8llte rei da
Sardenha, e libertador da ltaüa. .
A narração dos feito_s de D •. A«ooso
Henriques não pertence a este livro se-
não na parte que respei.ti á fundaçió. da
. '
monarchia. A conquista .de LisbOa, de
Santarem, de Leiria e de. outras ·terras
I •
· importantes, ·a fundação dos de
Alcobaça, de Tarouca, de San&a.Gruz
Coimbra e de S. Vicente de Fóra, a edJ.
ficação da cathedral de Lisboa, e o de-
sasue de Badajoz em que Affonso
ques ficou prisioneiro do rei te.
rão o seu devido logar em outro livro
d'esta collecção, assim como tocb os
acontecimentos importantes do seu rei-
nado.
Depois de tantos seeulos, o nome de D ..
Alfonso Henriques é ainda pronunciado.
com respeito pelo povo portuguez, reco-
lf3
nhecido_ á memoria do que, a
.
despeito de adversarios tão poderosos,
fundou a independencia de Portugal.
«Sem a menor sombra de vaidade nacio-
« nal, diz o sr. Alexandre Herculano, pa-
«rece-nos ser licito dizer, que o esforço
«e constancia dos portuguezes e do seu
«principe n'esia é ·um dos_
c\nais d 'aquella en,ergfa
I • '
«moral, de tão rica era a me·
• • • I • • ' • I I ••
«dta, e a troco da qual a Europa mo·
o , . • , • , ' I , ,
«derna tem ido eompra·ndó brandura
• • • I I , . . .. : '
«do trato entre os homens, ·e os commo·
•dos da civilisação (t).» · · =
t : •
: .
'
• . I . I }
(I) Hist. de Pol't. ton1. 1 liv. 11 pag. 306.
8

I I I : •
. .
,! .. I.
'
. .
. , '
.
VIl
: I f a
A MONAI\CJIJA
• I
. .
...
A historia da fundação da ·uu)nat·ch.ia
. ,. .
• I :
portugueza está concluida. D.
. .
VII reconheceu a qualidade real na pes-
, . . .
soa do priQto. O papa Lucio II aceltoQ o
retido da terrá portugueza a Santa
. . .
Se, e III sagrou a reale.za .de
D. Affonso Henriques em nome de. Del:JS,
de cujo poder os jurisconsultos e theo-
logos derivavam então directamente to-
da a especie de auctoridade.
Esta empreza de separar da monarcbia
. de Leão e de Castella o novo reino de
Portugal póde dizer-se, que foi um dos
. . .
ltã
dp seculp
não só em felação ao poder e dos
• o •
doii succei$ivam.ente
. o thropQ roas prin-.
pelo modp com. que se houye
. .
em tão assuJnpto o .conde. D.
Henrique, e depois d'elle-a
vi uva, e corajoso filb:<h.
• lo • • • •
A x:apjdez com que erp
I
ieculo_ sur1 a
dotada de .
logo separaram, os pQ.-t\l"·
guezes dos dos . a
d.exteridade com que a viuva e o
do conde borgonbez ·
todos os obstàeulos, epm.qqQ in-
sensite\men\e legitimadlts.
proprios adveriarios rup
aos da corôa
e .CQràgem çom que
s.
'
..
ram nos campos de batalha· eoritri a rai-
.
nha D. Urraca e contra sen filho, slo na
.verdade admira veis; .mestno àttf1·tmindo
ãs discordias de Alfonso dê Araglo· e de
sua mulher a facilidade Mlll
que tão ousados commettimeritos ex&
cotaram!
Todavia a malicia de D.- Rebriqoc, a
flexibilidade astuciosa e a enetgià de D.
Tareja, e.o animo otisaifo de D.: ·AfOnso
Henriques valeriam poueo · ---jã o ·disse ..
lhos- se latas ·entre os sobe-
ranos christãos de Hespanha, os porto·
guezes se decidissem parte em·taJOr de

uns, e parte em favor de outros.
Felizmente desejo da iodependeoeia
. .
nacional não só abafou qualquer· outro
sentimento de parcialidade, mas até re-
sistiu aos rogos, convites c promessas,
com' que de certo
tt7
taria a D. Vrraca, seu segundo
m(\rido .de Aragão ou o Af-
fonso de Galliza, á
sua-causa os e prelados
. .
zes, senão o proprio povo. • .
Não diminuir de modo al-
gum a gloria .dos em cujo
se ,s da
. . .
de Portugal. Oxalá ·que podessemos hon-.
rar a memoria de todos
cipes, como nos é grato faze-lo ácerca d9s
..
fundãdores da nossa nacionalidade r Ga-
• I • • •
nbaria com isso o principio monarcbico
a que temos affe.ição. Mas _n'.este caso_ fôra
injustiça negar qu_e, !I
'
e lealQade. dos por.tuguezes, a __ caU&a da
nossa liberdade não chegaria a obter tão \
I
triumpbo.
. nossos qujzeraiJ.l
f)Sta- fosse do rei de
. . - .
- .

•.
tf8
Leio, e perseverarám n'esse pensamento
atmsar de gt1indes eODtrttriedades e re•e-
tes. Seguiram o tonde D. Heorfttoe
colDéÇo d'esta nobre tentttiw, e- fot'ittll
sempre dedicados' e lettes iqUétle prio•
cipe, d s·ua molber, é a :fUbo. ·
A rudeza· dos tempos, o de9en?olvl·
tnentO das páixões, e a ·barbat'idade·dos
.
costumes, tornavam então estes
eletnplos que hoje poderiam ser: resôl-
tado de simples bom senso, qttando o Bio
fossem de grandes virtudes
Os barões portugoezes do dttodeeimo
seculo não eram melhores· do qué os·tJe.
màis senhores ebristlos de Hespanba ou
dos óutros paizes, mas nas-diseordias ei·
vis, com que trequente8 ensat1guen.
taram a terra portugueza, ·tt pl'lnelpio da
íiidependencia nacional ntlnea deixou de ·
set :tcatttdo lJdt' todas as
ttg
Esse é'rlrentWo -o alvo das ge-
raes, ·o enl·evo de todos ·0s anlmos, e ·o in-
centivo dos feiios ·mais generosos. Honra
a riobrés senhores pelo que prati-
caram em IYeneflcio da patria, e pelo vir·
1uoso exemplo qn:e deram'
· Os prelados portuguezes taólbem cofi ..
t.ribuiram para amparar a nossa nacionà-
Iidade nascen.te, e pa·ra facilitar a
ção da independencia nacional. Pelas
mãos d'elles desceram sobre o primeiro
rei" portuguez as b'enção;s do ceo; e a tne-
diaç'ão dos· prelados, evitando
sánguinolentos, e ·pazes en-
tre os belligerantes, desviou grandes ma.
les, e fez ao novo rei.no assignalados ser-
viços=. · · · ·.
O pofO ·esse deu· vida e t'dzenda, como
dã sempre generosamente para sustentar
as bftustt8 qne tem por Nli rron-
I
teira do combateu cpntra leoneaes
e no sul ..
e ás vezes no regresso á_ S\18 pübre.
já a não encontrou, que lb'a tin_bam
. .
destruido os inimigos. com alguma das
. . .
continuas. correrias, em que levavam a
ferro e fogp as pacificas e iner-
mes. = •
vezes, onde cujdava refazer-.
. . , .
se das fadigas e gastos dá teve
que o pouco, que lhe resUra,
á cubiçosa do senhor feudal.
E mesmo nunca descreu da possi-
bilidade _da independencia,- nem faltou
ao príncipe com Q auxilio· do seu braço!
"
Em U?dos os tempos, e em todas os eir-.
cumstancias o povo pol'tuguez foi sempre
o mesmo! Nunca este bom pov()
na dos adversarias,
sitou pera.nte o poder d' 1 Era )Jlo-

til
delo de virtudes ci vicas ha sete se colos.
Ainda qoje o é.· Indomavel na ·guerra,
era na paz de condição branda e sub-
missa, de ·direcção facil, de fidelidade
beroica em ambos os casos. É o mesmo
agora.
A -nossa independencia foi obra da co-
operação unanime de todos os portu ..
guezes. Felicitemo-nos· d' esta
vel concordia, e reconheçamos no come-
çó da nossà existencia politica os effei·
tos de um vigor popular, que a historia- ..
• I
não teve de mencionar com
ácerca de outros povos. A virilidade .na-
ciona I era já tão forte na precoce juven-
..
tude d'este povo, que mais impellia do
que acompanhava os prineipes a con-
juncção dos tempos preparára para chefes
da nação:
A fundação da· seguiram-.

que lhe levantaram· os muros ..
os hespanhoes. São nossos irmãos,
' .
juremos a
como no-lo estão pedindo a bogra e Q
teres se.
. .: ..
Vergonha· seria que n' este reino
sem mais patriotas os prineipes· dQ que
o povo, e que ninguem nas Yeias
o sangue dos barões e homens de armas
de D. Affonso I. Do fundo do seu tumulo
de Santa Cruz, estão os ossos venerandos
do nosso primeiro rei animando os po_r-
tugúezes a sustentar a nobre empreza,
em que elle lidou até á e 'pela qual
tantos milhares de filhos d' esta tem
perecido heroicamente. .
Quem ousaria renunciar a esta beran-
• • • 11
ça gloriosissima? Ninguem. . ..
. .
. A nossa
rasões de existencia, e nãa:
..
,

..
'
-· ---.....
der, senão momentaneamente, do
cho de uin conquistador ou das.
ções de um estadista. Nenhum d'elles po-
derá contra este reino mais do que em
favor nosso ha de valer sempre o cara-
cter firme do povo, o deseQvolvimento
da civilisação, e a seriedade circumspe·
cta do nosso procedimento politico.
Esses dotes são os alli(!dos mais fieis e
poderosos do povo portuguez. Com elles,
e só com ·elles, se sal vou nas crises diffi·
ceis. D' elles depende lambem no presente
'
e no futuro.
Se por qualquer· circumstancia infeliz
vierem a faltar-nos essas qualidades na
hora do perigo, ainda encontraremos na
herança paterna um dever glorioso:
Acabar com honra, escrevendo com o
nosso sangue a derradeira pagina da bis·
toria portugucza.
I N D I ~ E
D l
. . '
ec 1c.atoria .. o o o o o ••••••••••••• ~ •••••

PAG.
õ
Palavras necessarias ... o •••••••••• o • • • 10
lntroducça:o .-I o •••••••••• o • • • • • • • • • 19
O reino de Leão -II ....•...... .-. . . . • 33
A terra portucalense- III . . . . . . . . . . . . 5 ~
O conde horgonhez -IV. I • • • • • • • • • • • • 57.
Governo de D. Tareja -V .......••.. I • 7t
D. Affonso Henriques- VI .. I......... 9t
A monarchia -VII , •... , ....•.•.... , llte

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