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Natália Cardoso de Oliveira

Sistema Educacional Brasileiro: Herança de um Governo Militar (1964-1985)

São Paulo 2012

FMU Natália Cardoso de Oliveira

Sistema Educacional Brasileiro: Herança de um Governo Militar (1964-1985)

Trabalho de Conclusão de curso apresentado ao curso de Pedagogia, como pré – requisito parcial para a obtenção do título de licenciado em Pedagogia, sob a orientação da ProfªMs. Silvia Tavares de Oliveira

São Paulo 2012

Aos meus orientadores: Profa. Ms Silvia Tavares de Oliveira e Professor Victor Calari, pelo apoio e paciência. À Deus e Nossa Senhora de

Aparecida, que me deram forças para concluir mais esse passo da minha vida.

Resumo

A educação é vista como esperança de um futuro melhor. Porém, é nítida a falta de prioridade do governo em relação ao sistema educacional. No período da ditadura militar, a educação foi manipulada a atender aos interesses da classe dominante, que eram basicamente econômicos. O objetivo deste trabalho é identificar quais aspectos deste período perduram até hoje e quais aspectos foram transformados. Este trabalho será do tipo bibliográfico e, como base para identificar os objetivos propostos, utilizaremos principalmente a legislação vigente em cada período, além de livros e artigos científicos retirados da Rede Mundial de Computadores. O primeiro capítulo traz o contexto da ditadura militar, analisando principalmente o aspecto econômico.O segundo capítulo traz a educação no contexto ditatorial, analisando principalmente as Reformas Educacionais realizadas. O terceiro e último capítulo, traz o contexto atual da educação no Brasil, tendo como base as leis e diretrizes educacionais que vigoram. A hipótese deste trabalho é a de que ainda hoje existe uma ditadura educacional escondida por detrás das políticas direcionadas à educação.

Palavras-chave: Ditadura Militar, Sistema Educacional, Tecnicismo, Neoliberalismo.

The second chapter bring the education in the context dictatorship. Key-words: Military Dictatorship. mainly analyzing the Educational Reforms that were realized. and having as base the laws and educational guidelines that apply. The hypothesis of this work is that yet today there was a educational dictatorship that is hidden behind politicians that are directed to education. The third and last chapter. which was basically economic. This work will be of bibliographical and as a basis for identifying the proposed goals we wil be using the mainly existing legislation in each period. Education System. Technicism. education has been manipulated to serve the interests of the ruling class. besides books and scientific papers taken from the World Wide Web. The objective of this work is to identify which aspects of this period lasted until today and which aspects were transformed. Neoliberalism .Abstract Education is seen as a hope for a better future. bring us the current context of the education in Brazil. During the military dictatorship. The first chapter bring the context of a military dictatorship. However there is a clear lack of priorities of the government in relation to the education system. mainly analyzing the aspect economic.

........................27 3...........17 2................................................ Considerações Finais.................... Revisão Bibliográfica..... Introdução............2..Capítulo 2 – A educação inserida no contexto ditatorial.........34 4.....................................40 5.................................................9 2....... Discussão............9 2....3..................................Capítulo 3 – O sistema educacional atual no Brasil...............7 2............................................... Referências Bibliográficas..1.................42 ....Capítulo 1.............................A ditadura militar no Brasil (1964 – 1985).......................................Sumário 1........................................

que ocorreu de forma autoritária e violenta. Este trabalho é destinado aos profissionais da educação que buscam compreender o sistema educacional brasileiro.7 1. . Portanto. Introdução O período da ditadura militar no Brasil (1964-1985) foi caracterizado por tentativas de doutrinação pelos militares em todos os âmbitos nacionais. Acreditamos que essa distância que existe hoje entre as leis educacionais e a realidade do professor. Neste período de repressão autoritária. no qual trabalham muitas vezes sem acreditar e colocar em prática as propostas vindas dos órgãos educacionais. o Brasil vivenciou acontecimentos que influenciaram na formação do modelo educacional brasileiro. Com base nessa influência. leis educacionais e suportes pedagógicos que permeiam o trabalho de um professor hoje em dia. mas sua autonomia foi reprimida e esquecida. além de atuar vigiado por militares presentes até mesmo dentro da sala de aula. o professor teve que se adequar ao processo de doutrinação militar. que atualmente apresenta ainda muitos ideais advindos do período ditatorial. identificar em quais aspectos do sistema educacional brasileiro atual encontra-se interferências advindas do período ditatorial. Acreditamos também que a tentativa de doutrinação durante o militarismo na área da educação. inclusive na educação. obedecendo rigorosamente as exigências impostas em projetos educacionais e leis elaboradas sob o olhar do militarismo e do produtivismo. no período ditatorial. analisando de forma reflexiva cada uma dessas interferências. diretrizes. Justamente por não compreender alguns ideais que se mostram arcaicos diante de situações encontradas atualmente na educação brasileira. assim como no período ditatorial. considerando os diferentes períodos estudados. em que não só sua identidade. colocados explícita e implicitamente através de valores. faz com que ele perca sua identidade. temos como objetivo neste trabalho. que passou a ser organizada de forma autoritária pelo Estado e rigidamente vigiada pelas Forças Armadas.

as transformações históricas da educação. apenas para quem se contenta em enxergá-la. a violência e o autoritarismo estão cada vez mais escondidos por trás de políticos e politicagens que doutrinam através do populismo. O segundo se intitula: A educação inserida no contexto ditatorial. Esse trabalho foi dividido em três capítulos. existe uma ditadura educacional que se mantém escondida. do capitalismo e do assistencialismo. teses e monografias. e traz o contexto da ditadura relacionado com o sistema educacional brasileiro da época.o papel do professor historicamente e a situação da educação no Brasil atualmente. enfim. Acreditamos. porém. Foram pesquisados os seguintes conteúdos relacionados à ditadura militar e à educação brasileira: a Ditadura Militar no Brasil. no Brasil. políticos e econômicos. tendo como referência as legislações educacionais vigentes em cada período.aborda o contexto brasileiro analisando aspectos sociais. artigos científicos. que recebeu o título:O sistema educacional atual no Brasil. trazas características do sistema educacional brasileiro presente nos dias atuais. rede mundial de computadores. . O último. que ainda hoje. intitulado: A ditadura militar no Brasil (1964-1985). respeitando as referências bibliográficas e explorando as informações mais pertinentes ao objetivo do trabalho. Esta pesquisa foi realizada a partir de pesquisas bibliográficas feitas em livros. Os dados coletados foram discutidos através da análise das relações entre a educação escolar no período ditatorial e o sistema educacional atual do Brasil. O primeiro.8 acontece atualmente no sistema educacional brasileiro.

segundo o autor.1944)era o fim de um regime democrático-populista.93).p. De acordo com Casalecchi (2002.1 Capítulo 1-A ditadura militar no Brasil (1964-1985) Nos anos 60. deu-se o Golpe Militar de 1964. o governo de João Goulart era vinculado aos partidos políticos que davam importância às classes populares.1 1 HTTP://www.faced. as atividades de conspiração contra o governo se agravaram e envolveram parlamentares. guiado por forças conservadoras e golpistas que se opunham às classes populares e trabalhadoras durante aproximadamente duas décadas. nos últimos dias do mês de março. o presidente do Brasil. empresários e oficiais militares. que desde 1946 estava presente no governo brasileiro.pdf .15). muitos dos oposicionistas agiram através do IPES(Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais) e do IBAD(Instituto Brasileiro de Ação Democrática).De 1961 a 1964. Conforme Paulino e Pereira (p. João Goulart. que já consideravam o governo incompetente e tendencioso em relação ao comunismo. que governava desde a renúncia de Jânio Quadros. foi destituído do cargo pela junta militar. Segundo Fico (2004.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira.Ainda. p.9 2. até o próprio golpe militar. em 1961. em um contexto de oposições desde a tentativa de impedimento de sua posse. Com isso.ufu. Dentro desse contexto de crise. social e política. o Brasil foi governado por João Goulart.a crise no Brasil era econômica. Revisão Bibliográfica 2. teve sempre a oposição dos conservadores civis e militares. No dia 31 de março de 1964.

para que ocorressem mudanças e eliminações de alguns personagens da política.313) Fico( 2004. “Durante vinte anos (de 1964 a 1985)os brasileiros viveram o medo gerado pelo governo do arbítrio e pela ausência do estado de direito” (ARANHA.wordpress. Este período da história do Brasil resultou em sofrimentos. a balança econômica pendia ao mesmo tempo para o nacionalismo e para a internacionalização subordinada. Conforme afirmam Ferreira Jr.pdf .curriculohistoria. p.3). E Bittar (2008.br/pdf/ccedes/v28n76/a04v2876. durante o período ditatorial. o período da ditadura militar no Brasil significou a mais grave mudança institucional na segunda metade do século XX.pdf HTTP://www.2006.files. Segundo Ferreira Jr. Um dos períodos mais importantes da história do nosso país.34). com o objetivo de concentração de riquezas e de capital. o Regime Militar. havia no Brasil manipulações políticas que contrariavam o comunismo ou os ideais soviéticos.2 Assim como cita também Lira (2010. p. principalmente. econômica.com/2009/09/clara. fazendo com que fosse inserida no contexto brasileiro uma instabilidade social. 2 3 HTTP://www. educação. este período redefiniu a política no país.p. De acordo com Assis (2009. p.3 O Brasil atravessava um período de contradição ideológica. empresários e tecnoburocratas. política e. ao passo que. torturas e desaparecimentos. p. além de ter sido um período desastroso para a cultura. acarretando a união entre os militares. o que acarretava disputas entre os partidos políticos. ora praticava a internacionalização. economia e a política do país.338).10 Deu-se início então. ora buscava o populismo e o nacionalismo. p.334).31) cita que os militares sentiram a necessidade de um autoritarismo militar no governo. E Bittar (2008.scielo.

o governo ditatorial optou pelo capital estrangeiro. De acordo com Lira(2010. Fausto (2009. Segundo Fico (2004.11 De acordo com Aranha(2006. eliminar a influência nacionalpopulista. De acordo com Fico(2004. havia uma . em leis impostas de forma violenta. no qual instala-se os AI-1 e 2. influenciando cada vez mais o fim do nacional-desenvolvimentismo. p. durante o período ditatorial. havia o desejo.314). Concomitantemente com as mudanças institucionais. relata que. deixaram de existir representações de opinião pública por meio de partidos políticos. resultado do jeito militarizado de resolver as crises que estiveram presentes até então. por parte do Congresso. desde o início do governo militar.p. a instituição era apenas simulada. Principalmente com o governo de Castelo Branco. segundo o autor (2004. que demonstravam certa admiração pela opinião pública. sugeriu aos brasileiros que. por parte da linha dura. as relações com a política norte-americana foram se firmando. A ditadura se viu liberada para fazer imposições na economia.p.26-28). que proibiram a atuação dos partidos criados no fim do Estado Novo.49). os militares passaram a ocupar altos cargos em agências do governo.Ainda. punindo quem os liderasse.p.296) esclarece que o Executivo tinhaos como base de seu governo. vinculando-se internacionalmente. p. p.p. Era de interesse fundamental para os golpistas.474). a partir de 1964. Sobre os Atos Institucionais.81). a perda de poder. Aranha(2006.38). O golpe de 1964 pôs fim aos movimentos de conscientização popular. uma democracia fictícia. por suspeitas de subversão. ao passo que se tornou um mecanismo que transformava as decisões que não estavam previstas na Constituição. sucessivamente. de controlar a sociedade e criar meios para que isso fosse global e possível.

Um dos Ministros da Educação durante o Governo de Castelo Branco.wordpress.12 estreita relação entre Brasil e Estados Unidos que existia desde a Segunda Guerra Mundial e. como veremos no próximo capítulo. além de estabelecer órgãos de segurança pública e de informações.p. o governo de Castelo Branco pode ser considerado um fracasso e responsável por registrar a história do regime militar como formação da linha dura. segundo Lira (2010. exílio.4 De acordo com Fico (2004.files. Arthur da Costa e Silva assume a presidência em 1967. a ditadura militar.72). Segundo Assis (p. em seus altos e baixos. sendo sua gestão constantemente sofredora de repressões estudantis. A economia desse período resultou em uma intensa desnacionalização e na utilização da inflação como fonte de recursos. cassação de direitos políticos.historia.curriculohistoria. com mortes.de acordo com Aranha (2006.com/2009/09/clara. O sucessor de Castelo Branco. bombas e desaparecimentos. no governo de Castelo Branco. deixou claro o objetivo do governo brasileiro. repreendendo-as cada vez mais. prisões políticas. medidas foram tomadas para conter a oposição. tornando um risco qualquer oposição ao regime e ocasionando a perda do poder e da participação crítica dos brasileiros.pdf HTTP://www. como proibição do direito de greve. intensifica a repressão e radicaliza o regime militar.pdf .uff. p. p. começa a deixar de lado as forças sociais que a apoiaram. A partir desse preceito. a partir de 1968. é a partir de 1968 que a repressão se tornou visível.br/stricto/td/1265.foi Suplicy de Lacerda que.Além disso. etc. foi reforçada inclusive pelo general Juracy Magalhães que.³ 3 4 HTTP://www. torturas.3). afirmando ser bom para o Brasil aquilo que fosse bom para os Estados Unidos.314).62) tomou medidas violentas. durante o regime militar. acarretando a exclusão e a alteração do papel do professor.

34).br/stricto/td/1265.2). Novos grupos foram surgindo e optaram pela luta armada: a ALN.pdf .13 De acordo com Lira (2010. A esquerda. de acordo com Assis (p. p. perderam força grupos como estudantes. quando Costa e Silva baixou o AI-5. Segundo Fico (2004. juntamente com outros grupos. que se tornou um marco na história da educação no mundo. de acordo com Fausto(2009.479).479). que.Ainda. camponeses e operários. de acordo com o autor(2009. liderada pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro).historia. a implantação da ditadura militar teve como base a política externa norte-americana. preparava os militares para combater o socialismo por meio de tortura e terrorismo.files.³ Fausto(2009. em diversos países.4 Conforme Fausto (2009. 1968 se mostrou um ano de grandes manifestações. no Brasil os efeitos puderam ser percebidos no âmbito da cultura em geral. começou a colocar em prática ações como implantações de bombas. iniciou-se a luta armada.17).Ainda.477).p. o que influenciou também a mobilização social. da arte e da música popular.p. na França. opunha-se à essa luta. segundo o autor. o PCB era de grande influência entre estudantes. assaltos e expropriações que reforçaram a linha-dura e que acarretaram no fechamento do Congresso. operários e camponeses no período que antecedeu o golpe militar.curriculohistoria.471) cita que as exigências por parte do governo militar tornaram quase impossíveis as paralisações legais por estes grupos. os militares e a elite conservadora puseram-se no objetivo de impedir qualquer manifestação que indicasse perigo ou ideologia contrária ao regime. Porém. segundo o autor. p.wordpress. que antes se faziam ouvir.pdf 4 HTTP://www. houve a luta inicial pela transformação do sistema educativo.Dessa forma.p. por exemplo.p.com/2009/09/clara. Inclusive. ³HTTP://www. que.uff.

relata que os militares. “Desde o primeiro momento.75) relata que o processo que levou ao AI-5 foi notório. expurgos de funcionalismo. ao passo que foi marcado também pela ideologia militar e autoritária. houve perdas de direitos políticos.p. assume a presidência o general Emílio Garrastazu Médici.files. conforme Paulino e Pereira (p. foi concedido ao presidente da República poderes executivo e legislativo. o processo de aquisição de identidade para a maioria dos cidadãos brasileiros.14 Com isso.³ O Presidente Costa e Silva. foi um comando presidencial dividido: a área militar. com a linha dura passando de um simples grupo que pressionava. dificultando assim.Fausto (2009.59)5 De acordo com Fausto (2009. que era ex-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI).pdf ³ HTTP://www.p.faced.480) cita que a partir deste momento. foi um governo paradoxal. além de cassação de mandatos. p. ao mesmo tempo. com o apoio dos conservadores. p. presentes na própria Constituição brasileira.scielo. Com o Ato Institucional de número cinco. a um grupo que trouxe o endurecimento do militarismo como inevitável. repreenderam qualquer expressão cultural que aparentasse risco ao governo militar e sua ideologia. 2005 p.Reforça-se então o caráter das lutas armadas. Neste mesmo ano.483).wordpress. diria: “O Brasil é grande demais para tão poucas ambições” (MACARINI.curriculohistoria.2). violando e ignorando os direitos dos cidadãos. Assis (2009. a qual não desejava democracia e.pdf . atingindo inclusive muitos professores de Universidades. falece em 1969.Em sua mensagem de 7 de outubro de 1969.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira.pdf 5 http://www.¹ Fico(2004.1947) deu-se o ápice da repressão.br/pdf/neco/v15n3/v15n3a03.com/2009/09/clara. o discurso de Médici revelou afinidades inequívocas com os anseios de grandeza. 1 HTTP://www.ufu. vítima de uma trombose.

1948). principalmente o aspecto político. o objetivo de fazer crescer o bolo para só depois pensar em reparti-lo.pdf 5 http://www. de acordo com 1 HTTP://www. surgiu como grande oportunidade para os militares. além do número de artistas e pensadores nacionais que viviam em exílio. segundo Fausto (2009.p.¹ Para Fico (2004.487). também chamado de “Milagre econômico”. a oposição vence e Ernesto Geisel é eleito Presidente do Brasil. levando em conta que a política econômica de Delfim. ao passo que facilitou a aceitação das imposições do governo militar pelo povo brasileiro. p. 89) cita que o governo de Médici fez com que o crescimento econômico e o desenvolvimento de capitais evoluíssem atendendo as necessidades do regime ditatorial presente no país. Nesse período da história brasileira.26).faced. o fator econômico é determinante no que se refere aos aspectos estruturais de um país. que. Os motivos. pois ao mesmo tempo que elevou o Brasil à condição de potencial econômico. por Delfim Neto e.pdf . por Leitão de Abreu. segundo Gaspari (2003. ao passo que.500 torturas e desaparecimentos. educação e habitação.foram as medidas tomadas por Delfim Neto. p. a econômica. O paradoxo citado anteriormente continua. Outro paradoxo no governo de Médici. durante o governo de Médici. Sendo assim. Macarini(2005. as oposições ao governo foram surgindo e aumentando cada vez mais. possuía índices baixíssimos de saúde.5 Porém. p. a política.Altera-se então o caminho da ditadura militar.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira. 26) foram as crescentes estatísticas e denúncias de mais de 2. em 1974. de acordo com Paulino e Pereira (p.ufu.br/pdf/neco/v15n3/v15n3a03.scielo. houve um grande desenvolvimento econômico.15 foicomandada por Geisel. como Chico Buarque e Caetano Veloso. tinha.

p.folha. ao passo que desenvolveu um programa de economia que ampliou a participação do Estado. é eleito o último presidente do período ditatorial no Brasil:João Batista Figueiredo. definitivamente.6 De acordo com Fausto (2009.htm http://www1. professores e bancários. p.br/portal/publicacoes/rbcs_00_10/rbcs10_02.anpocs.5) Geisel foi um dos governantes maisintervencionistas do ciclo militar. deslocando o setor de acúmulo de capitais. Segundo Mantega (1997.488). com uma alta nas taxas de juros. demonstrava o enfraquecimento da ditadura militar e efetivação da democratização no país. mudando o caráter de profissões como médicos. a eleição de Geisel significou a vitória Castelista e a derrota da linha-dura. p. movimentos sociais e muitos sindicatos.498).com. Tendo fim o mandato de Geisel. segundo Fausto (2009. De acordo com Fausto. Surge então. a linha-dura foi controlada. eu prendo e arrebento”(João Batista Figueiredo.7 Apesar da imposição e da violência presentes nesta frase.shtml .uol. O período de governo de Geisel caracterizou-se.org. 6 7 Http://www.16 Soares (1988). inclusive os artistas e pensadores exilados em outros países puderam voltar ao Brasil. 1979).br/poder/1016210-politicos-brasileiros-aparecem-em-lista-de-maioresbobagens. Petras (2011) cita que há uma frase que marcou o mandato de Figueiredo: “Vou fazer deste país uma democracia. que ampliou a liberdade de imprensa e devolveu aos poucos os direitos dos cidadãos brasileiros. que acarretaram em insatisfações de muitos assalariados. e se alguém for contra. houve significativa diminuição de torturas e a liberdade de imprensa foi sendo vagarosamente restituída. Isso não significa que o governo de Geisel agradou a população.

Portanto. o saber próprio advém da necessidade de se adequar aos modelos culturais determinados pela classe dominante.p.senado. esse processo fez com queocorresse uma perda de autonomia docente que. no qual as transformações vinham sendo cada vez mais fortes.¹ A educação brasileira neste período.faced. que limitavam a participação dos estudantes a ser considerada apenas em seu curso ou.³ A Lei 4. de 09 de novembro de 1964.² Segundo Chapoulie apud Schaffel (2007.ufu. foi uma política ideológica que teve como objetivo alavancar o projeto de desenvolvimento econômico do país. tornou ilegais movimentos e organizações estudantis. de acordo com as modificações na estrutura educacional.scielo. tentando evitar que as manifestações se tornassem de âmbito nacional. para Ferreira jr.Capítulo 2.5). conhecida como Lei Suplicy de Lacerda. p. como a UNE (União Nacional dos Estudantes). substituindo-os por diretórios.8 3 HTTP://www.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira.pdf ² HTTP://www. p111).1944). tornaram-se constantes.files.action?id=168050&norma=186785 .com/2009/09/clara. Sendo assim.pdf ¹ http://www. correspondente ao autoritarismo presente nesse contexto.br/legislacao/ListaTextoIntegral.br/pdf/ccedes/v28n76/a04v2876.curriculohistoria.17 2. burocratizando-o e reprimindo professores. não poderia ficar estável durante o período em questão.349). devemos interpretar a educação como parte de um Estado e uma sociedade em um contexto ditatorial.464.pdf 8 http://www6. Conforme Paulino e Pereira (p. o governo brasileiro incluiu a educação no sistema militar.wordpress. E Bittar (2008. Conforme Assis (2009.2.A educação inserida no contexto ditatorial O sistema educacional é considerado pelos professores como reflexo do meio em que estão inseridos. no máximo em sua própria Universidade.gov.

344).pdf .² De acordo com Piletti e Piletti (2010.Os autores(2008. p. é administrada pelos generais-presidentes do Brasil. consequentemente. portanto. pensar na educação.200) essas reformas educacionais foram realizadas sem a participação dos que realmente iriam usufruí-las. E Bittar (2008. adequado ao capitalismo presente neste período. p. p. ² HTTP://www.17). subjugava a política educacional como um instrumento social para que a política do Plano Nacional de Desenvolvimento II se concretizasse. um sistema empresarial. ao pensarmos na formulação da política educacional. levando em conta o contexto capitalista em que estava inserido. devemos nos questionar em relação a uma análise maior. o capitalismo. E BITTAR. o que as tornou imposições aos alunos. o tecnicismo na educação foi resultado de uma tentativa de incluir na escola. p.Ainda. seria o mesmo de pensar em crescimento econômico.315). tiveram como objetivo estabelecer uma relação com a economia brasileira. segundo a autora (2006. professores e setores ligados à educação. p. relatam ainda que o ministro da educação durante o governo de Geisel. que envolve o papel do Estado.336) De acordo com Aranha (2006.346). p. reformas educacionais que foram implantadas durante o regime militar.p.. 2008.]a educação no âmbito do regime militar foi concebida como um instrumento a serviço da racionalidade tecnocrática. “[.336).18 Para Ferreira Jr. Segundo Ferreira Jr.315). não se pode compreender as mudanças educacionais durante a ditadura militar sem analisar a estrutura econômica vigente neste período que.scielo. de acordo com os autores (2008. com o objetivo de se viabilizar o slogan „Brasil Grande Potência‟”(FERREIRA JR. p.349). no sentido de aumentar a eficiência na produção e. Conforme Carlson e Apple (2003..br/pdf/ccedes/v28n76/a04v2876. Ney Braga. E Bittar (2008.p. tornou-se necessário ampliar a capacidade de planejamento do Estado em relação à educação. Ainda.

%20de%2020%20de%20dezembro%20de%201961. foi publicada a LDB de número 4.024. de 1996. excludente.files.faced.curriculohistoria. p. entendimento que hoje é uma das principais metas da Lei de Diretrizes e Bases.mec.024.php?option=com_content&view=article&id=2&Itemid=171 10 http://www. o ensino brasileiro era centralizado.htm .1945). a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). p. se de certo modo os militares fizeram da política educacional um modo de amenizar os opositores.br/navegando/fontes_escritas/6_Nacional_Desenvolvimento/ldb%20lei% 20no%204. nos âmbitos políticos e sociais.10 ¹ HTTP://www.O Ministério da Educação (MEC). A educação popular começou a ser discutida com maior expressão no início da década de 1960.ufu.gov. ao implantar o tecnicismo na educação. em 20 de dezembro de 1961. sendo seguido pelo mesmo modelo em todo o país.unicamp.histedbr.Sendo assim. ao passo que esse sistema de modelo empresarial se mostrou excludente.wordpress.com/2009/09/clara. os militares não transmitiam preocupação com a educação básica.5) citam que no período final do mandato de Juscelino Kubitschek é que se discutiu com mais ênfase. ao mesmo tempo promoveram uma escolarização sem a qualificação necessária para atender as necessidades do Estado capitalista.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira. relata que até a década de 1960. Foi a maior discussão da história educacional no país até então. não visando o entendimento por parte do educando sobre o contexto social naquele momento. depois de treze anos sendo discutida.³ Segundo Paulino e Pereira (p.br/index.pdf HTTP://portal.pdf 3 9 HTTP://www. fazendo com esse sistema fosse então.¹ Analisaremos agora a formulação da política educacional no que tange às legislações.9 Cunha e Góes (1991.19 Conforme Assis (2009.4-6).fae.

os militares tentaram adequar o sistema de educação do Brasil aos interesses políticos em relação aos Estados Unidos.312).uff. p. p. foi em relação aos currículos.157). chegando a firmar uma parceria entre o Ministério da Educação (MEC) e a United StatesAgencyofDevelopment (USAID).br/stricto/td/1265. houve esse debate educacional polêmico e demorado devido ao fato de ser discutido por vários setores sociais. quando os militares já não permitiam esse tipo de reflexão. que deixaram de ser padronizados. p. p.4 Além disso.com/2009/09/clara. Segundo Piletti e Piletti (2010. de acordo com Cunha e Góes (1991. relata que devido ao tempo que levou para que sua publicação fosse autorizada. não acabou na data da promulgação. levando em conta as transformações no contexto do sistema educacional brasileiro. difere das transformações durante o período ditatorial.4).26).024. o que.pdf . se estendendo até 1964. de acordo com Lira (2010. que ocorriam imposta e violentamente. vem de muito tempo e se consolidou com o governo de Castelo Branco. de acordo com Cunha e Góes (1991. o que confirma a submissão do governo brasileiro aos interesses estadunidenses. como veremos ainda neste capítulo. não é o que se mostrava. A discussão sobre a LDB de 1961.Porém.6). Aranha(2006. o objetivo da USAID era o de auxiliar os países subdesenvolvidos.1).wordpress. p. p.pdf HTTP://www. Segundo Assis (2009. uma das mudanças que ocorreram com a publicação da LDB de 1961.historia.curriculohistoria. Segundo Pina (2008. p.191).³ Essa interferência estadunidense.files. quando se deu a Lei 4. ao passo que era visível o 3 4 HTTP://www. já poderia serconsiderada ultrapassada. fazendo com que a desnacionalização se enraizasse no Brasil.20 Até a promulgação da Lei.

mas presenciavam também.br/sp/downloads/CD%20XIX/PDF/Autores%20e%20Artigos/Fabiana%20Pina. em 1971. obrigatoriamente. p. Conforme Paulino e Pereira (p.scielo. reformando a Universidade e. praticando uma exploração desumana.692. os crescentes indícios de revolta por parte dos professores e.540. p. conforme Aranha (2006.² Pina (2008. imposto pelos estadunidenses. fazendo com que as mesmas apenas se preocupassem em formar mão de obra qualificada para atender o mercado capitalista.348). ao invés de proporcionar aos jovens excluídos. De acordo com Ferreira Jr.ufu. Em 1968.pdf .¹ HTTP://www.org.3) relata que a justificativa destes acordos estadunidenses com o Brasil foi baseada na ideia de que.11 A partir do acordo MEC-USAID.br/pdf/ccedes/v28n76/a04v2876. se desenvolveu no Brasil uma reforma no intuito de domesticar visando um atrelamento entre o sistema educacional e o econômico.316). p.1948). o regime militar instalou a Lei número 5. estabeleceu a LDB 5.21 esforço para que o Brasil não se tornasse adepto aos ideais comunistas e para que fosse desenvolvido o ideal capitalista. E Bittar (2008. com a imposição do tecnicismo. proteção e escola. na qual implementa o sistema educacional de primeiro e segundo graus. a Reforma Universitária de 1968 foi uma tentativa dos militares em impedir o crescimento das escolas críticas e democráticas. principalmente por parte dos alunos. Os professores passaram a conviver.pdf ² HTTP://www.anpuhsp.pdf 11 Http://www. para obtermos sucesso no crescimento econômico do nosso país.faced. tínhamos que seguir o exemplo do sistema educacional norte americano. o Estado se preocupava em utilizá-los para o mercado de trabalho.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira.

br/heb07a. pode-se considerar uma reforma tecnocrática. Ainda.95) relata que a burguesia industrial prezou pela privatização do ensino. os norte-americanos. p. a reforma da Universidade. p.pdf 12 http://www.12 1 4 HTTP://www.uff.pedagogiaemfoco. os norte-americanos trouxeram como sugestão a privatização gradativa do Sistema Educacional. p. era da vontade dos alunos e professores que houvesse integração entre as Universidades.historia. Para Paulino e Pereira (p.br/stricto/td/1265. para eles. Segundo Piletti e Piletti (2010. para o bom funcionamento desse sistema.216) Em 1969.1948).htm . seria preciso colocá-lo nas mãos de particulares.pdf HTTP://www. p. segundo a autora.ufu. 2010.4 Influenciaram. teve controle externo. ao passo que acordos já estariam sendo feitos em relação ao sistema educacional de tendência tecnocrática. como por exemplo.faced.318). na Universidade de São Paulo (USP). nas Reformas Educacionais.22 Segundo Aranha (2006. o que resultou na perda de autonomia da mesma.¹ “Educação e desenvolvimento não significava mais do que educação e reprodução da dependência”(CHAUÍ apud PILETTI e PILETTI. questões que eram incessantemente discutidas em 1968. segundo Piletti e Piletti (2010. também. que se sobrepõe em relação ao pedagógico.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira. p.204). entra em vigor o decreto de nº477. selecionar e nomear o pessoal.pro. influenciando a elaboração das leis referentes ao 1º e 2º graus e a Reforma Universitária. em relação à tomada de decisões. Lira (2010. Não era essa a reforma que professores e estudantes queriam. ao passo que. alunos e funcionários das escolas de propagar ideais contrários ao regime ou até incentivar greves e paralisações. que abrissem vagas e aumentassem o número de docentes.205). o qual proibia professores.

de acordo com a autora.5). se consolidou o interesse dos empresários do Ensino.23 Para Assis (2009. ao passo que o governo não conseguiu atender a demanda. Para Lira (2010.historia. não oferecia infraestrutura adequada aos cursos.uff.br/stricto/td/1265.Segundo Aranha (2006. profissionais desqualificados. de 1971. ou seja. 4 HTTP://www.99). inserir a educação nos recursos humanos relacionados à tecnologia e ciências. nota-se nestas ações de represálias em relação aos professores.curriculohistoria. apenas com diplomas nas mãos. não existindo qualificação na formação dos alunos.205) relatam que a reforma do ensino de 1º e 2º graus procurou evitar que os alunos escolhessem as escolas superiores e que optassem então.files.103). na forma da LDB 5692.4). 319). Piletti e Piletti (2010. durante este período de Reformas Educacionais. ampliando de quatro para oito anos a obrigatoriedade escolar.pdf 3 HTTP://www. esse desejo não se realizou. reformas e modelos educacionais. através de decretos.318) estaLeireestruturou o Ensino.p. os interesses dominantes apoiaram-se na ideia de que o objetivo das empresas era preparar os jovens através da obediência no que se refere à educação.wordpress. pelo curso profissionalizante.Essa medida. de acordo com Aranha(2006.pdf . como formar valores e transmitir autonomia e consciência política aos educandos.com/2009/09/clara. uma forte ajuda à constante desvalorização docente. p. p. as escolas particulares. os militares reforçaram a desvalorização e distanciavam os professores de suas principais funções. foi realizada a Reforma do Ensino Fundamental.Sendo o grande objetivo do governo. Segundo Assis (2009.³ Durante o governo de Médici (1969-1974). devido à demanda numerosa de alunos e a falta excessiva de profissionais com formação adequada.4 Porém. Conforme Lira (2010. o que fez com que fossem lançados no mercado. p. além disso. p. tornou-se inválida. p. p.

o professor.com/2009/09/clara.203). p. além de todas as escolas passarem a ser observadas por agentes sob o controle do SNI (Serviço Nacional de Informações). estudantes presos. após o país ser submetido ao Ato Institucional de número cinco (AI-5) em 1968. além de trabalharem com base na obediência aos militares que os vigiavam.pdf . a repressão contra professorese ¹ HTTP://www.pdf 3 HTTP://www. Aranha(2006.6) relata que para que o objetivo dos militares fosse alcançado. p. Em relação às Reformas Educacionais.4 Considera-se que o grande confronto em torno da LDB.curriculohistoria.Ainda. Ainda.6) foi entre os empresários defensores da escola particular e os educadores defensores da escola pública.pdf 4 HTTP://www. segundo Cunha e Góes (1991. uma possibilidade de se expressar. de acordo com os autores (2010. 1950). foram severamente reprimidos. tornando assim um obstáculo para o governo militar autoritário. Inclusive. p. considerado um dos poucos capazes de influenciar pessoas e mentalidades. para o autor. necessitavam de uma ação para que o povo não percebesse na educação.faced.uff.wordpress.320) cita que enquanto o Ensino Público se preocupava em trabalhar objetivando a produtividade. p. várias escolas foram invadidas.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira.files.historia.³ De acordo com Piletti e Piletti (2010.br/stricto/td/1265.202).24 influenciando o governo militar a se atentarem aos interesses privados.¹ Assis (2009. p. as escolas particulares focavam na formação e preparação para o vestibular. segundo o autor. podese considerar como uma demonstração do antagonismo no qual o país vivia no período em questão.ufu. esses empresários participaram dos debates para a construção e aplicação das Leis Educacionais neste período ditatorial. professores exilados. segundo Paulino e Pereira (p.

ao passo que a maioria dos decretos indicava punições severas à qualquer suspeita de subversão. instalou-se o terror nas Universidades com averiguações de ideais subversivos por parte de alunos ou docentes.br/colubhe06/anais/arquivos/176AnaBorgesPaullino_e_WanderPereira.315).pdf 4 HTTP://www.pdf . que foram mortos. muitos educadores se exilaram em países latino-americanos. Segundo Aranha (2006.uff. de acordo com Aranha (2006. conforme Cunha e Góes (1991. que acarretou em um desaparecimento de críticos. ou se exilaram em outros países. o caráter tecnocrático que inclui valores econômicos acima dos pedagógicos. devido a ser considerada pelo novo governo. 25). ocorreram ações mais profundas. Lira (2010. p. p.br/stricto/td/1265. Inclusive.faced.4 Conforme Paulino e Pereira (p. Ainda. que se confirmadas. elaborando medidas violentas para calar os jovens estudantes.32) O aspecto fundamental das Reformas até então implementadas no Sistema Educacional Brasileiro. segundo a autora. caminhavam com dificuldade professores e estudantes que buscavam resguardar a dignidade de sua situação” (CUNHA e GÓES. segundo o autor.p. a sede da UNE (União Nacional dos Estudantes) chegou a ser metralhada.ufu.25 estudantes aumentou.1946).¹ “Entre o desespero e a apatia.125) relata que os militares focaram suas armas no movimento estudantil.1991 p. causavam demissões ou aposentadorias forçadas. a repressão contra estudantes e professores foi tão brutal. pensadores. p. ¹ HTTP://www. como subversiva. é. No campo da educação.historia. importantes intelectuais.320).

fazendo surgir aos poucos a democratização. então.044/82.com. para decidir sobre o currículo a ser trabalhado.13 No início da década de 1980.26 Como vimos. o militarismo dava sinais de enfraquecimento.jusbrasil.br/legislacao/128264/lei-7044-82 . enfatizando a formação básica e geral e dandocerta autonomia a cada estabelecimento de ensino. que veta a obrigatoriedade da profissionalização nas escolas. Com isso. causando cada vez mais insatisfações de todas as classes sociais. é implantada a Lei nº7. 13 http://www. o Estado não conseguiu atender as demandas do Ensino Básico e Profissionalizante.

³ 14 3 Http://www. se referem à ligação à prática de mercado a que ela tem sido submetida.110). segundo Aranha (2006. com o apoio do Estado a educação apresenta inúmeras dificuldades. prejudicando o desenvolvimento do país.15 As consequências dessa falta de prioridade por conta do Estado.wordpress.³ Se.htm 15 HTTP://www.692/71 e 7.044/82. carga horária exaustiva.394 de 1996. 5.pdf http://www.27 2.scielo. desmotivação dos educadores e crescente desinteresse dos alunos. p. acarretando no abandono dessa preocupação com o papel da educação por parte do Estado.540/68.324).files.gov. em relação à educação. essa Lei. as principais críticas. Para Maués (2003.9).pdf .br/ccivil_03/leis/l9394. o sistema educacional terá como destino o caos. sem esse apoio e com a economia exploratória e a política corrupta que vigora no Brasil. p. são defasagens nas estruturas pedagógicas. foi acusada de ser neoliberal. passando a atender apenas escolas públicas ou que comprovem finalidade não-lucrativa. está o destino da verba que até então atendia inclusive as escolas particulares.planalto.024/61.Entre as mudanças que essa nova LDB trouxe para o sistema educacional brasileiro. segundo Assis (2009. p.14 Porém. tais como carência de condições de trabalho. em diferentes partes do mundo. de acordo com Assis (2009. 5.br/pdf/%0D/cp/n118/16831.3 Capítulo 3-O Sistema Educacional Atual no Brasil Nosso sistema de ensino atualmente segue a LDB 9.com/2009/09/clara. responsável porrevogar as Leis nº 4.7-8).curriculohistoria. por privatizar grande parte do que deveria ser obrigação do Estado. como o ensino profissionalizante. em um contexto cada vez mais capitalista. p.

Como afirma Candau (2007. Porém. esses aspectos contribuírampara que o modelo educacional restringisse o papel do educador à um transmissor do conhecimento. a perspectiva do aluno padrão. não devem ser abandonadas ou consideradas ultrapassadas. Para Assis (2009. de que todos são iguais. 3 HTTP://www. o que o torna um empregado subordinado do sistema educacional. A educação não muda a mentalidade da sociedade sozinha.wordpress.112). Porém.8) considera que a responsabilidade da perda de identidade do educador não pode ser solitariamente do sistema educacional. p.14).files. Assis (2009. portanto. p.com/2009/09/clara. partindo do aspecto de que a educação é vista como esperança de mudanças sociais e modernização no país.curriculohistoria. de acordo com Carlson e Apple (2003. o educador é um profissional que possui intuição e talento para improvisações.³ Esse papel atualmente é muito criticado e comparado com tendências educacionais contemporâneas. a identidade do professor no Brasil vem de um processo histórico inacabado e que sofre diversas mudanças nos diferentes contextos em que atravessa. p. p. que pune os alunos e os avalia de forma classificatória e quantitativa.Sendo assim. É a esperança do futuro. ainda hoje é encontrado em diversas escolas no Brasil.13). p. para Candau (2007.28 Ações rígidas como esta. deve estabelecer uma ligação com outras instituições de poder para que o objetivo educacional seja cumprido.11). Segundo Schaffel (2007. muitas vezes não pertencem à ocupação. a maioria dos professores é comandada por organizações nas quais as pessoas que decidem. assim como as novas tendências.7).pdf . necessitam de um questionamento severo. As tradições em relação à educação. segundo o autor. Elas precisam ser relidas e adaptadas aos novos contextos que surgirem.inigualável e intransferível. está impregnada na cultura escolar. que é característico. sendo então considerado como “tradicional”. p.

p.pdf . apesar da herança que o governo militar deixou para o sistema educacional brasileiro. professor. p. p.br/seb/arquivos/pdf/livro01. Essa função de adequação cabe ao pedagogo. de acordo com Aranha (2006. há muito desejadas. para que profundas e imprescindíveis transformações. as reformas no sistema educacional privilegiam o currículo e não se preocupam com o educador e com a realidade de seu trabalho pedagógico. tem que saber diferenciar o caráter histórico da educação do saber produzido de acordo com o contexto atual e saber quais são os conteúdos que podem ser considerados como essenciais para serem compreendidos pelos estudantes.1997) 16 http://portal. p. Segundo o autor.16 O nosso objetivo é contribuir. “A educação não pode ser enquadrada numa lógica unidimensional.12) afirma que não podemos pensar na educação como uma lógica direcionada ao mercado e esquecer-se das nossas esperanças enquanto educadores. que o sistema educacional foi determinado pelo tecnicismo imposto pelos militares em um contexto capitalista e que causou a alteração do papel do educador. Após a LDB 9. 2007. de forma relevante.13). e posicionar você. Candau (2007.gov.344). a relação de identidade depende do reconhecimento de instituições que fazem parte do contexto em que vivemos. Dubar apud Candau (2007.394/96. influenciados pelo construtivismo. como o principal agente nessa grande empreitada. foram aprovados Parâmetros Curriculares Nacionais. p. 13) nos relata que esse sentimento de determinismo deve ser evitado.13) O pedagogo. pois. se façam no panorama educacional brasileiro.mec. aprisionada numa institucionalização específica” (CANDAU.29 Vimos no capítulo anterior. segundo Candau (2007.(MEC.

o sistema educacional brasileiro integra um modelo neoliberal.pdf http://www. segundo Toschi (1998. p.metodista. afim de garantir os objetivos de cada nível de ensino.17 Maués (2003.98) também faz essa observação. p.222) uma diretriz de educação não deveria se tornar uma referência quase que obrigatória ao sistema educacional. Além disso.15 Porém. os PCN‟s não trazem adequações às diferentes necessidades educacionais. sendo a LDB de 1996 uma reforma educacional que dá continuidade a este modelo:18 15 17 http://www. de acordo com Martelli e Manchope (2004.br/revistas/revistas-unimep/index. os governos passaram a pensar no sistema educacional.De acordo com Cury (1996.8). Segundo Aranha(2006. Fica então a função delegada somente ao educador. como foi dito anteriormente. desconsiderando as especificidades do dia a dia em sala de aula.346) quando finalmente.scielo. se estabelecendo como base para a seleção do material didático a ser adquirido por todas as unidades escolares.37). p. Para Piletti e Piletti (2010. é um desafio constante a participação dos atuantes da educação em sua legislação.30 Embora seja parte de sua proposta colocar o professor como participante dessa política educacional. p.p.6). acrescentandoque os currículos e os sistemas avaliativos foram repensados por influência dos indicadores externos de qualidade.php/comunicacao/article/view/1158/660 . que resultou em reformas contraditórias e que. esse documento controla o modo de avaliação das escolas. ao passo que torna quase inviável as adaptações às diversas situações que o professor enfrenta em seu dia a dia. foi um pensamento elitista. na verdade tinha como objetivo maiorampliar a formação do aluno e tornar o currículo “global”. até hoje apresenta resultados negativos. p. Os estabelecimentos de educação devem ter autonomia para construir sua estrutura de ensino.br/pdf/%0D/cp/n118/16831. Desde a década de 80.

não significa somente a privatização.. a escolarização que se atrela às necessidades do mercado. essa formação docente aparece. segundo Maués (2003. ou entendendo o papel do país na divisão internacional do trabalho e na acumulação do capital em que a elaboração de uma ou outra forma de organização escolar se adapta a interesses próprios a essa acumulação.php/reped/article/view/517/400 . p. segundo Hypolito e Gandin (2003. 2004. Essa postura neoliberal. p. p.10). Porém.] basta observar o percurso histórico da nossa escola e das políticas educacionais sempre a responder as necessidades do modo de produção capitalista e da formação da elite dirigente. tem a liberdade de mercado como solução para todos os problemas do país.facecla.” (MARTELLI e MANCHOPE. Nas últimas décadas. afeta também o papel do professor que.15 15 18 http://www. econômico. principalmente.60).108). principalmente quando diz respeito à formação docente.pdf http://revistas. ainda como espaço democrático da vitória pelo mérito. a partir do momento em que é incluída na educação. como se todos possuíssem as mesmas oportunidades e só houvesse fracasso se for por incompetência. como vimos no capítulo anterior. p. sofre mudanças de acordo com o contexto social. Significa que todas as mudanças políticas e econômicas surgem acompanhadas sempre por orientações educacionais que favorecem a acumulação do capital. o que de acordo com Martelli e Manchope (2004. como um vínculo com uma sociedade que considera o capital com maior importância que o cidadão crítico e capaz de construir conhecimento. p.com. político e. Esse vínculo interfere diretamente na função do professor em sala de aula.br/pdf/%0D/cp/n118/16831.362). Porém.. despreza a formação geral e crítica do aluno. no que se refere à educação.scielo. Para Aranha (2006. podemos considerar como uma evolução em relação ao papel do professor para as autoridades. o papel do professor tem aparecido nos pronunciamentos de alguns governantes.9)18 O neoliberalismo.31 “[.br/index.

são elaborados e definidos em âmbitos mais globais. afim de atender e aprimorar implicitamente o processo de acumulação de capital.77). Para Guzzo e Filho (2005). e.94)15 Sendo assim. procuram alinhar a escola à empresa. de descentralização e gestão de recursos. embora essas políticas sejam voltadas para a democratização da escola. Segundo Altmann (2002. é a continuidade das exclusões. FUNDEF ( Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério). de financiamento.scielo.pdf . p.32 A partir desse cenário é que as políticas educacionais são desenhadas. educação de jovens e adultos. as reformas passam a ser internacionais. e os conteúdosensinados às exigências do mercado. novos parâmetros para as IES.br/scielo.69). Parâmetros Curriculares Nacionais. 2002) Para Gandin e Hipolyto(2003. 19 15 http://www. (FREITAS. p. Lei da Autonomia Universitária.br/pdf/%0D/cp/n118/16831. 2003. educação profissional e tecnológica. ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). para tanto. p. as exclusões não foram extintas. explicam a “exclusão” progressiva efetivada pelo sistema educacional na medida em que a maioria da população fica sem alternativas para ingressar em uma IES pública. Uma das consequências desses sistemas de avaliações e da formação estratégica dos professores.br/pdf/%0D/ep/v28n1/11656.scielo.pdf 20 http://www. Plano Decenal. diretrizes curriculares nacionais para a educação básica.php?script=sci_arttext&pid=S0101 73302002008000009 http://www. apenas ocorrem com outras formas de hierarquização e novos mecanismos impostos na educação. bases para a reforma educativa que tem na avaliação a chave-mestra que abre caminho para todas as políticas: de formação. tendo em vista que seus objetivos são determinadospelos organismos multilaterais cujos fins estão voltados para o crescimentoeconômico. fazem com que a qualidade da educação seja estratégica. de acordo com Freitas (2002). são medidas que objetivam adequar o Brasil à nova ordem. para educação infantil. descentralização. Exame Nacional de Cursos (Provão). politicamente falando. avaliação do SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica ).scielo. as implementações de políticas educacionais que atendem ao neoliberalismo.20 O crescimento das escolas particulares concomitantemente com a ideia do neoliberalismo. para a educação superior. A autora destaca algumas delas:19 Educação para Todos. o ensino público de base. (MAUÉS.

a solução que nos é apresentada para a crise que atravessa o sistema educacional está diretamente relacionada à questão da qualidade. segundo Assis (2009.206).wordpress. ligada ao tipo de sociedade e cidadania que se deseja para o Brasil. que conta com uma estrutura moderna e voltada para a inserção no mercado de trabalho.³ Para Candau (2007. Faz parte do contexto atual do Brasil. considerando que os alunos não desenvolvem suas potencialidades. p.curriculohistoria.org/scielo. ter um sistema educacional que não cumpre os seus objetivos.pdf http://pepsic. p. não consegue prover o aluno de condições para que passe pela barreira social representada pelo vestibular.33 precarizado.files. 3 HTTP://www. pelo menos no que diz respeito ao Ensino Público. assim como não são preparados para exercer uma participação política consciente.21 De acordo com Piletti e Piletti (2010.php?pid=S1677-9843205000200005&script=sci_arttext&tlng=en 21 .bvsalud.com/2009/09/clara.8). as leis educacionais foram e ainda estão longe de serem postas em prática.12). p. ainda mais se considerar que este mesmo aluno entra em disputa com os da escola particular.

na verdade. Fico (2004). No âmbito da educação. o principal instrumento utilizado para realizar as punições durante o governo ditatorial foram os Atos Institucionais. Para Aranha (2006). o Congresso perdia poder e fazia com que a sociedade percebesse que essa instituição. de acordo com Chapoulie apud Schaffel (2007). acrescenta ainda o fato de que. Atualmente.34 3. levando em consideração que os Atos Institucionais tinham mais poder sobre o cidadão do que a própria Constituição. A partir desses aspectos. Entende-se. as manipulações no aspecto da educação eram feitas por meio dos Atos Institucionais. era apenas fictícia. Cunha e Góes (1991) relatam que as ações mais severas se direcionaram aos profissionais da educação. a crise política influenciou no papel do professor que. . o Golpe Militar de 1964 pôs fim a movimentos de conscientização popular. fazendo com que fossem impostas ações que eram contrárias aos direitos ou deverem instituídos em 1988. não só durante o período da ditadura. a partir desse relato. Veremos os dois instrumentos a seguir. a importância da educação para tornar o cidadão ciente de seus direitos e deveres e que. chegando a punir severamente quem os liderasse. com os Atos Institucionais. Discussão Como vimos ao longo do trabalho. Podemos refletir sobre esse aspecto. pois a instituição escolar era considerada o local de maior tentativa de subversão. é feita por meio de diretrizes e leis educacionais. Durante o período ditatorial. podemos entender que uma das características do contexto da Ditadura Militar era a crise política. foi incluído em um sistema militarizado e adequado à classe dominante. é manipulada afim de atender as necessidades do governo regente. mas ainda atualmente.

não por meio de Atos Institucionais. O que. principalmente após a LDB de 1996. afinal. Temos atualmente. cada um com um ritmo de aprendizagem diferenciado e que não podem ser totalmente respeitados. Os Parâmetros Curriculares Nacionais. ao invés de orientações. estes parâmetros controlam as formas de avaliação das instituições escolares. sendo um de seus objetivos. tornar o currículo global. quem elaborou as regras e diretrizes para que ele as seguisse. ao passo . Este instrumento de manipulação da educação é apenas um exemplo. por exemplo. mas por Leis e Diretrizes educacionais criadas. tornaram-se imposições aos profissionais da educação. A partir desses aspectos. foram estabelecidos em 1997. pode-se considerar a elaboração desses Parâmetros como uma forma de controlar a ação do professor em sala e direcioná-las às necessidades do governo. quando cita o professor como um empregado subordinado. além desse aspecto. Levando em conta este aspecto. de acordo com Freitas (2002) dezenas de diretrizes que influenciam o papel da educação no Brasil e a maioria delas são elaboradas por quem não faz parte do cotidiano escolar e não têm conhecimento das verdadeiras necessidades educacionais. de acordo com Pilleti e Pilleti (2010). não leva em consideração nenhuma especificidade que somente os profissionais da educação sabem lidar. Esse pensamento se concretiza quando passamos a pensar em um professor que tem sua sala de aula com número excessivo de alunos. Sendo assim. o profissional da educação não têm o material e apoio necessários para trabalhar e que atendam as características do seu dia a dia pedagógico.35 Podemos considerar que essa modificação do papel do professor a serviço da classe dominante existe ainda atualmente. principalmente com a LDB 9394/96. podemos considerar que. não conhece o seu trabalho e não o vivencia. O que confirma também Schaffel(2007). apesar do avanço na elaboração de Leis educacionais. Toschi (1998) nos relata que.

consequentemente transformando o papel do professor. citam a educação brasileira no período ditatorial como uma política ideológica que teve como objetivo ajudar a evoluir o processo de desenvolvimento econômico do país. Como vimos. principalmente com o governo de Médici. de acordo com Assis (2009). podemos entender porque as legislações educacionais atualmente. principalmente do Estado. do aluno e. . segundo Macarini (2005). a preocupação com a adequação ao capitalismo. A relação com a economia do país é um dos objetivos que ficaram claros durante as Reformas educacionais do período ditatorial e que estão presentes também de forma clara em nossas legislações atualmente. valorizando a acumulação do capital. são imposições que impossibilitam o professor de trabalhar da forma mais adequada. Pensando assim.36 que o governo cobra um planejamento a ser cumprido e avaliações externas que devem ser priorizadas. principalmente no segundo capítulo. houve um crescimento econômico que ajudou a implementar os ideais militares. transformou a escola em empresa. Sendo assim. o Brasil seguiu orientações estadunidenses. Com isso. vimos ao longo do trabalho que o fator econômico é a base de todas as transformações no sistema educacional. mesmo não sendo por meio de Atos Institucionais e um governo violento. Ferreira Jr. todos os setores tinham que ter apenas uma preocupação: o capital. realizando acordos entre o MEC e a USAID. afim de atingir metas e objetivos importantes para o desenvolvimento do país. Além do aspecto político. E Bittar (2008). Inclusive. o sistema educacional brasileiro foi submetido ao tecnicismo. também a respeito do fator econômico. que representaram a implantação do tecnicismo. Durante o período da Ditadura Militar e.

a situação do sistema educacional não difere da que ocorreu no período ditatorial. Podemos refletir a partir dessa ideia. ao passo que. para que nosso país atingisse o crescimento desejado. os sistemas avaliativos das instituições escolares. que rege atualmente nosso sistema educacional no Brasil. De acordo com Lira (2010.37 Podemos considerar essa relação com os norte-americanos como uma forma de fazer com que o país aderisse ao sistema capitalista. principalmente das escolas públicas. podemos perceber que hoje. Altman (2002) cita que as exclusões não foram extintas do sistema educacional. predominando assim. principalmente econômicas no país ocorram e. Hipolyto e Gandin (2003) trazem a ideia de que o neoliberalismo significa que todas as mudanças que ocorrerem no desenvolvimento do país acompanham mudanças no sistema educacional. principalmente. sofre mudanças de acordo com o contexto em que está inserida. Com isso. portanto. são excludentes. A principal consequência do neoliberalismo presente em nosso sistema educacional. Aranha (2006) relata que a LDB 9394/96. o predomínio das escolas privadas no Brasil foi a herança mais forte deixada pelo período da Ditadura Militar no Brasil. podemos considerar a educação como fundamental para que as mudanças políticas e. excludente. pois as escolas particulares estão em crescimento constante e cada vez mais a diferença entre o ensino público e o particular é gritante e. Atualmente. no que diz respeito à relação com a economia do país. p. . no que tange à privatização do ensino. Tínhamos que seguir o exemplo deles. o que ocorre é que outros mecanismos são utilizados para isso. os interesses da elite. Refletindo sobre esse aspecto. é acusada de ser neoliberal. é a continuidade da exclusão.327). um dos objetivos dos estadunidenses era o de auxiliar na eliminação do pensamento comunista e socialista no mundo.

e sim com a velocidade da formação e dos diplomas. que fazem com que o Estado não se preocupe com a qualidade da educação. mas para a vida social de cada indivíduo. e sim com a formação geral. Guzzo e Filho (2005) complementam essa reflexão quando nos trazem a ideia de que esses aspectos de exclusão e desvalorização do professor que o neoliberalismo traz para o contexto educacional atual. não é o que acontece. não só no âmbito dos estudos. Refletindo a partir desse relato dos autores. mas só pode acontecer se o sistema educacional não for diretamente atrelado aos interesses das classes dominantes não se preocupar com a formação para o trabalho na educação básica. Piletti e Piletti (2010) relatam que as leis educacionais sempre estiveram e ainda hoje estão longe de serem colocadas em prática. principalmente no que se refere à vida profissional. podemos considerar que essa afirmação da autora é coerente. principalmente na escola pública. assim como não são preparados para exercer uma participação política consciente. que terá essa exclusão afetando sua vida. . levando em conta que há uma divisãoentre trabalho manual e trabalho intelectual. faz com que o nível de capacitação de um indivíduo sirva aos interesses dominantes. Temos que nos submeter a atender os interesses capitalistas. considerando que os alunos não desenvolvem suas potencialidades. Essa exclusão deve ser pensada. podemos pensar que apesar da LDB sugerir educação de qualidade para todos. a solução para os problemas que enfrentamos em nosso sistema educacional só podem ser solucionados se houver discussões e legislações voltadas para a qualidade da formação do aluno. há uma grande diferença no preparo desses jovens para o vestibular. A partir do que vimos ao longo do trabalho.38 Mesmo com as vantagens instituídas para negros ou estudantes de escolas públicas nas Universidades. Para Candau (2007). Os alunos de escola pública não possuem o mesmo nível de conhecimento que os alunos de escolas particulares. principalmente técnicos.

para conseguirmos reverter os resultados ruins em nossas escolas. diminuir ou até mesmo acabar com os instrumentos de exclusão. que a cobrança que existe sobre o quê ecomo ensinar desde a ditadura militar até os dias de hoje afetam o trabalho do professor. apenas como espectadores. Podemos considerar. independente do contexto em que estiver inserido. porém. não podemos aceitar as imposições e influências. a partir da citação da autora e de tudo o que vimos a respeito do papel do professor historicamente. diminuir o índice de analfabetismo e. Aranha (2006) cita que. . e sim assumir um compromisso em construir o novo.39 visando melhorar a qualidade do ensino. está nas mãos deste profissional fazer valer o seu papel e trabalhar o melhor possível em função das mudanças na formação de seus alunos. principalmente.

A legislação atual difere das impostas no período ditatorial. Considerações Finais De acordo com as pesquisas realizadas para este trabalho. anexada à LDB 9394/96. Podemos concluir então. acumulam-se funções para o professor.40 4. E os que não possuem condições de estudar em escolas particulares. principalmente a omissão do Estado em relação à qualidade da formação do aluno. a democracia na verdade não saiu do papel e o professor ainda pode ser consideradoum empregado subordinado aos interesses do Estado. pois as escolas particulares estão oferecendo o que a escola pública não consegue: ensino de qualidade. Porém. . ao passo que traz a democratização na escola. É por esse motivo que a privatização do Ensino está em crescimento. passam por um processo de exclusão. Vimos que o sistema de ensino atual privilegia a formação de quantidade e rapidez. Sendo assim. que o sistema educacional atual herdou do sistema ditatorial as imposições aos professores e. podemos confirmar a hipótese de que ainda hoje existe uma ditadura no âmbito da educação que está implícita em Leis e Diretrizes educacionais. não só durante os estudos. foram elaborados Decretos e Diretrizes que tiram a autonomia do professor e o submete à avaliações externas e conteúdos prontos que são cobrados pelos supervisores de Ensino. mas ao longo de sua vida. que passa a não reconhecer qual o seu papel na educação e não ter mais condições de exercer seu trabalho com a qualidade adequada. As consequências disso são cada vez mais responsabilidades direcionadas aos professores e cada vez menos para o Estado e para a família. deixando o professor como único responsável pela qualidade. Ou seja.

Além disso. a participação dos educadores na elaboração de Leis deve ser ainda bastante discutida e ampliada. O assistencialismo cresce cada dia mais e influencia também o papel do educador.41 Ser educador hoje é assumir um papel histórico e lutar para que o determinismo na educação se acabe. principalmente no que se refere ao aspecto econômico. . O Sistema Educacional brasileiro ainda possui muitos aspectos a serem estudados.

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