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Universidade Federal Fluminense - 2012 Trabalho final da disciplina Sociologia da música popular massiva.

Aluna: Viviane Laprovita Apontamentos sobre as mudanças estruturais e organizacionais do Rap underground brasileiro em relação ao Mainstream.
 O fenômeno criolo doido: rap ou MPB?

Podemos observar que o rap sempre teve dificuldade de conseguir espaço para investimento nas majors. A cultura underground acabou fazendo parte da história do rap e muitos artistas passaram a buscar e organizar seus próprios recursos para difusão de suas músicas. Um desses artistas foi Criolo Doido, da periferia de São Paulo, passou por duas décadas de Rap, foi o fundador da mais conhecida batalha de improviso de SP, a Rinha dos Mc‟s e continuava a organizar e apresentar outras batalhas e sarais de poesia pela cidade. Foi professor de rede pública e trabalhou por oito anos em projetos sociais com crianças de rua, mantendo o ritmo e a poesia. Criolo sempre defendeu e fez muito pelo rap underground, criticava o domínio das majors e isso se refletia em suas letras: “Eu vou me organizar que é pra ganhar dinheiro, sem precisar me vender o ano inteiro!” (No sapatinho). Neste trecho da música, Criolo critica o „fluxo principal‟ e utiliza o termo „me vender‟ referindo-se ao molde musical sofrido por alguns artistas para se adequarem ao mainstream, que de acordo com Jorge Cardoso Filho e Jeder Janotti Júnior: „abriga escolhas de confecção do produto reconhecidamente eficientes, dialogando com elementos de obras consagradas e com sucesso relativamente garantido.‟( “A música popular massiva, o mainstream e o underground”) Mesmo criticando o sistema, Criolo a certa altura de sua carreira, se viu cansado dentro do Rap e decidiu experimentar novos ritmos sem esquecer de sua base musical. Foi de forma independente, na casa de cultura matilha cultural, com a ajuda dos produtores Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral que em 2011 Criolo teve seu primeiro álbum reconhecido pelo público. O Nó na orelha, álbum de estrutura altamente conceitual, muito diferente musicalmente dos „antigos‟ raps que gravou em seu real primeiro disco “Ainda há tempo”(2006). O novo disco foi considerado um dos melhores do ano, as faixas, prensadas em vinil, misturam samba, soul, reggae, rap e música brega.

mas passou a ser criticado pelo público que acompanhava sua carreira de 20 anos de Rap. Sou intérprete de mim mesmo. Trata-se de um posicionamento valorativo oposicional no qual o positivo corresponde a uma partilha segmentada. . o vídeo chamou a atenção de muitos internautas. depois de muitos anos de carreira no mundo artístico ver finalmente seu trabalho vir à tona é ótimo e contribui para espalhar sua poesia e suas ideias pelo mundo “Nunca deixei de fazer canções com meu coração. Chico ficou tão deslumbrado com a reapropriação de sua canção pelo Mc. que se defende e demonstra estar ciente de sua posição em uma de suas letras do disco novo: “Artista independente leva no peito a responsa. que em reconhecimento criou uma versão resposta para Criolo e apresentou em sua nova turnê.” Os antigos fãs não aceitam a „mudança de lado‟ de Criolo por associarem o sucesso e a reestruturação musical como „se vender‟ e tornar seu trabalho „comercial‟. Uma das estratégias tecnológicas que fez o artista conquistar visibilidade na „vitrine musical‟ foi a divulgação nas redes sociais. inclusive o próprio autor da música que atualmente em sua carreira também utiliza muitos recursos tecnológicos como as redes sociais para a difusão de seu trabalho e interação com fãs. Criolo disponibilizou seu disco para Download grátis no Facebook e promoveu sua poesia. O que reforça que os dois estilos musicais andam lado a lado com a poesia e a tecnologia. E percebemos que ela se espalhou de forma realmente significativa. Criolo conquistou seu espaço. independentemente da tensão entre o mainstream e o underground. pois musicalmente se reestruturou de forma a „sair do underground‟. quase invariavelmente. Mas isso não atrapalha o artista. que se contrapõe ao amplo consumo. a partir da negação do seu “outro” (o mainstream). tiozão. em um vídeo postado no Youtube antes de seu álbum ter sido lançado. Para o Mc. Criolo recita uma poesia inspirada na música Cálice de Chico Buarque e em 2012 diante de sua visibilidade. sua ascensão foi justa e merecida. E não vem dizer que não” (Lion Man). O consumo segmentado do trabalho de Criolo acabou se cruzando com o sistema de circulação das grandes companhias musicais no qual Chico Buarque está inserido.” Afirma o artista em entrevista para o site Ferida urbana. A crítica se explica no conceito de Underground definido por Jorge Cardoso Filho e Jeder Janotti Júnior: “Os produtos “subterrâneos” possuem uma organização de produção e circulação particulares e se firmam.Sem ajuda das majors.

aquela cantiga antiga minha e do Gil/ .O Cálice de Criolo Como ir pro trabalho sem levar um tiro?/ Voltar pra casa sem levar um tiro?/ Se as três da matina tem alguém que frita/ E é capaz de tudo pra manter sua brisa/ Os sarais tiveram que invadir os butecos/ Porque biblioteca não era lugar de poesia/ Biblioteca tinha que ter silêncio/ E uma gente que se acha ser muito sabida/ Há preconceito com o nordestino/ Há preconceito com o homem negro/ Há preconceito com o analfabeto/ Mas não há preconceito se um dos três for rico/ A ditadura segue meu amigo Milton/ A repressão segue meu amigo Chico/ Me chamo Criolo o meu berço é o rap/ Mas não existe fronteira pra minha poesia/ Pai. afasta de mim a biqueira Afasta de mim as ´biate´ Afasta de mim a ´cocaine´ Pois na quebrada escorre sangue O Rap de cálice – resposta ao Criolo Gosto de ouvir o rap o hip hop da rapaziada/ Um dia vi uma parada assim no youtube e disse/ Parece o cálice.

É notório que no fim do século XX. que vendia musicas digitalmente para os Ipods. Quatro anos depois. o que ajudava na continuidade da venda dos produtos. uma série de inovações online surgiriam para o universo da música e muitas gerariam grande preocupação para as majors que perderiam em lucro e domínio. era criado o Youtube. site que possibilitava o compartilhamento de arquivos em rede e o download de músicas em mp3 livres de direitos autorais. Apesar de proibida. A partir daí. chicão. com o lançamento do Napster. observamos a primeira iniciativa tecnológica musical formal e regulamentada realizada pela Apple.É como se um camarada me dissesse/ Bem vindo ao clube. a crise da indústria fonográfica se deu de forma significativa. . o lançamento do Itunes. a pirataria não parou de ser realizada. considerado um vilão poderoso que permitia o compartilhamento de vídeos e músicas livremente sem custos de acesso e também sem direitos autorais. Evoé jovem artista/ Palmas pro refrão do rapper paulista/ Pai. de propriedade intelectual e da indústria e a proliferação dos camelôs (vendedores dos produtos pirateados). mas com um preço muito mais acessível para a população que desacatava os direitos de marca. Em 2001. a possibilidade de cópias idênticas dos CD‟s e DVD‟s de entretenimento musical produzidos e gravadas nas majors. bem vindo ao clube!/ Valeu criolo Doido. afasta de mim a biqueira Afasta de mim as ´biate´ Afasta de mim a ´cocaine´ Pois na quebrada escorre sangue  O início da interação do rap underground com a tecnologia: Quinto andar e o álbum ‘Piratão’ – primeiro grupo de rap a disponibilizar músicas online para download grátis. Nascia a polêmica da pirataria. o controle era de difícil execução e se dava por repressão física e por processos judiciais que levavam tempo.

Em 2005. Outra coisa encerra o texto de lançamento do trabalho: “Por mais contraditório que possa soar. que acompanhavam a discussão da pirataria. Por chamarem atenção. não precisam da indústria/a indústria. para download grátis. músicos e produtores independentes de Rap do Rio de janeiro. o trabalho do grupo chegou até os ouvidos de Lobão. que consistia no lançamento e divulgação de iniciativas musicais independentes anexadas com os Cd‟s originais dos grupos. o grupo faz parceria com a revista e lança oficialmente seu único álbum: “Piratão” com destaque para a faixa "Melô do Piratão". uma janela de expressão para aqueles que não tinham visibilidade mostrarem seu trabalho e compartilharem entre si. Que de forma irreverente tratava sobre o polêmico assunto: “Essa é o melo da pirataria/ junte-se a nós na campanha a favor da pirataria/ porque o sanguessugas da indústria fonográfica. um grupo de Mc‟s . as trasformarções sofridas por ela acabaram abrindo um novo horizonte. Com equipamentos caseiros montaram a gravadora “Tomba Records” e começaram como uma banda de garagem chamada Quinto Andar.” A própria revista destaca a iniciativa inovadora feita pelo grupo de disponibilizar gratuitamente as músicas na internet : “Trocando em miúdos. interessado em parcerias para o projeto da revista Outra coisa. Em 1999. esse "Piratão" vale ser comprado na versão original. no mesmo ano do inicio da crise musical. mas os músicos.Muitas ameaças circulavam a indústria fonográfica. pode acabar. resolveram consolidar o conceito de underground através de uma iniciativa inédita que apoiava o pensamento do grupo. E com a mesma irreverência dos Mc‟s.estão matando a música brasileira/ A indústria. na qual eram a favor. mas a música vai continuar pra sempre. Foi o início de um importante movimento dentro do Rap underground. Djs. o que gerava maior consumo. e no cenário do Rap underground. vendida a preço popular. o maior fenômeno de combustão espontânea que o cenário musical brasileiro testemunhou em anos recentes!”.”  Os conflitos de interesse do underground : A profissionalização do Rap / A filosofia da Um só caminho e o espírito independente de Mc Marechal. Foi assim que o grupo começou a tornar-se popular. precisa dos músicos. onde as composições eram feitas e dispostas na Internet seguidamente. .

houve a inserção de processos estruturais de produção. Mc‟s e Dj‟s do Rap underground nos mostra um claro exemplo do contrário. o que gera contradição ideológica e nos remete a analisar o underground dividido sob o aspecto físico – capitalista x filosófico – independente. temos a defesa filosófica da liberdade pelo independente. As músicas são feitas com o objetivo de tocar nas boates e festas. Depois da mercantilização do ideal independente no rap. mas não abre mão da sua . Uma liberdade chamada solidão). Eles disputam entre si o reconhecimento de sua lógica empresarial. com recursos improvisados e ideal „independente‟. negando os métodos de produção e execução do maistream. que vem acompanhada do conceito „rap-empresa‟ onde as lógicas de consumo giram em torno da meta de „vender o ideal de identidade do artista‟ através de produtos e de todas as outras formas possíveis. Se fisicamente o rap underground deseja estar inserido no amplo segmento de consumo. criou a ideologia „Um só caminho‟. nos apresentam o underground como musica feita „para uma partilha segmentada‟. os clipes em Full HD e seguidores que se pretendem fiéis. Mas permanecem mantendo seu discurso underground de distanciamento das gravadoras.. e de rap libertário: aquele em que o indivíduo se mantém preocupado com o movimento.É de conhecimento que Jorge Cardoso Filho e Jeder Janotti Júnior em seu texto. são seus próprios empresários. Mc Marechal foi o Mc que mergulhou mais fundo na criação desse conceito. é quase uma „guerra fria‟ tecnológica:“Os que detém mais tecnologia agregada são os que tem maior respeito e merecimento de „estar na cena‟. cineastas. conquistar o público adolescente (grande consumidor dos produtos que imprimem algum „ideal‟) não mais com tanta intenção de crítica social e de eventos beneficentes. administradores. São os que tem as músicas mais bem mixadas. Obversamos uma constante afirmação pela profissionalização no rap. com uma forte identidade baseada no discurso religioso Taioísta: que propõe a restauração do estado pleno de vida e consciência. publicitários. difusão e organização que copiam estratégias e formas do próprio mainstream de maneira talvez até mais capitalista. Os Mc‟s „trabalham na empresa Mc”. Por outro lado. Porém o comportamento de alguns produtores. criam-se batalhas de improviso com prêmio de incentivo para o vencedor.. tudo gira em torno da aquisição de capital para investimentos e da construção uma rede de sustentabilidade a partir da vivência de operação das configurações de mercado e autogerenciamento.” (Arthur Moura. Até os rappers iniciantes cobram cachês de trabalho.

Não sei fazer o som do momento. Há também o fortalecimento da rede. Imprime a sensação de o todo ser um e de um ser o todo.” (retirado da Bio: Um só caminho) Vale ressaltar que Mc marechal foi um dos integrantes do grupo de rap Quinto Andar. Mas sem neurose. Como podemos ver. A troca de informação e conhecimento acabou gerando opinião e crítica.  Troca de papeis no Rap underground . a sensação de onipresença. Em sua carreira solo. inserção da marca Muro como uma subempresa. se representado por mais de uma pessoa. agenciamento de outros artistas.carreira. E por fim a propagação da „mensagem‟ onde muitos seguidores são influenciados a abrirem empresas com a mesma estrutura: „ideológica libertária e de capital‟. onde os seguidores da ideologia se tornam vendedores dos produtos. Igual calypso se eu puder. Sou Pé no chão!/ Meu som é de vida e se divive em longevidade e visão. permanece contra as gravadoras. Eu faço dos momentos um som!/ Underground . e Investimento em tecnologia de alta qualidade. que hoje executa com sucesso sua empresa Laboratório fantasma. uma delas foi a possibilidade de maior acesso as músicas através do download e o contato do artista com o público de forma mais direta através das redes sociais. Um dos exemplos é Emicida. onde vendem-se camisas. bonés que vem acompanhados dos Cds com singles lançados pelo artista e por todos os agenciados. “Um só caminho é um estado de espírito. o Mc em suas novas letras.não. as mudanças na estrutura do Rap underground foram diversas. fala sobre seu pensamento sobre o negócio da musica onde assume a importância do underground.Mcs. vendo um milhão!” (Espírito independente) A estratégia empresarial da um só caminho consiste na criação de estúdio musical próprio. fãs e críticos: a tecnologia e a facilidade de acesso para a criação de home estúdios. . depois de criar uma das mais influentes empresas da história do rap brasileiro. cópia idêntica apadrinhada pela Um só caminho. o que fez com que aumentasse o conhecimento sobre as novas tecnologias e processos de gravação independente. funcionários da empresa. Quer me por sobre pressão. mas não abre mão da sua „fatia do bolo‟: “Não rendo pra gravadora. aquele que defendia a pirataria e o compartilhamento gratuito da música com letras que criticavam o sistema da indústria fonográfica se posicionando contra o capitalismo. o sentimento pode estar em mais de um lugar ao mesmo tempo.

que nas redes sociais disponibilizam seus trabalhos para avaliação e crítica. Calor de proximidade digital. a facilidade técnica na produção do Rap é propícia para os novos Mc‟s.. contato . um dos maiores destaques atuais do rap underground: “Hoje tudo é hitech. a intercambiar conteúdos e informações.” Isso reforça o quanto a troca de papeis entre fã e artista é constante e cada vez mais se torna fácil participar da „dança da criação e da crítica‟. persistência e criatividade..) As bases do processo de criação artística e do conhecimento. como leitor.tem acesso a encontros de hiphop onde realizam network e quando menos esperam. O circuito se ampliou.Emicida e o LAB fantasma.Mc‟s compartilham letras que acabaram de escrever nas redes sociais reforçando a mudança de comportamento artístico: antes os fãs iam até o artista. alteram-se. cobra inovações criativas no trabalho do artista. Produtores e Dj‟s. propõe parcerias musicais. mais gente entrou na dança da criação e da crítica. É assim que começam muitos Home estúdios. Como nos define Herschmann: “Cada vez mais é possível encontrar na internet plataformas multimídias que encorajam artistas e consumidores a veicular sua produção. já estão comercializando seus produtos online. nascem produtores e beatmakers. suas opiniões circularem muito além (. Como relata Emicida. não se restringido ao papel de platéia observadora/fruidora. Com a prática. Eles baixam programas de criação de batidas. mais que isso..” O contato constante da obra com o consumidor e com a tecnologia começa a despertar no fã a possibilidade de arriscar suas próprias iniciativas musicais. E o público opina! Confere e fiscaliza o processo de andamento do disco.0 . passa a ter maiores possibilidades de transformar-se em sujeito do processo e fazer sua voz. wi-fi. Fãs viram praticamente „críticos musicais‟ e acabam como líderes de opinião de pequenos grupos. ouvinte ou observador. hoje o artista vai até o público. mas por mais complicados que sejam. tutoriais do Google substituem professores e as dicas são dadas pelos próprios „ídolos‟. que antes exercia um papel predominantemente de receptor. mas dispostos a aprender os passos da dança que está apresentada e.. “O público. É o „Surgimento do critico musical 2. internet. mil grau. incluindo aqui a crítica. outras vozes surgiram. propor e criar novos. vão evoluindo. bluetooth.0‟ que nos mostra o texto: “Novos mediadores na crítica musical” (Lucas Waltenberg e Marildo José Nercolini).  As redes sociais e o surgimento do Rap 2.

até que eu cheguei longe. de gerenciamento de carreiras artísticas.. novas formas de interação com os diversos segmentos de mercado permitiram aos Mc‟s. O Mc que „entrou com a rua pelo seu computador e roubou sua atenção antes que você pudesse se dar conta‟ (BIO Emicida).0. mas pela própria forma que conquistou para a difusão de sua primeira mixtape no estilo „faça você mesmo‟: “Pra quem já mordeu um cachorro por comida. vendem arte. defende o „espírito independente‟ e isso se reflete em sua carreira. “Hoje. . mas você tem também esses pequenos pontos independentes que conseguem usar essas ferramentas pra ter um resultado muito próximo daquele que é obtido pelas grandes empresas” . É preciso fazer mais.”(2009). de construção de alianças com os consumidores. não basta gravar um CD e descansar. não só pela influência de Mc marechal em sua empresa.completa. e a internet é uma aliada nesse sentido”. De acordo com ele. claro que você tem as grandes empresas que produzem musica. Além de fonte de negócios. Para Emicida essa interação é tão importante quanto „gravar cd‟. ele enxerga a internet como uma vitrine para a “democracia musical brasileira”. afirma o MC em uma entrevista para a revista Isto é dinheiro. o que gerou facilidade para que as pessoas conseguissem transmitir os vídeos de uma maneira viral umas pras outras: “interessante é como a tecnologia horizontalizou a produção. de sites como o youtube e de todos os compartilhadores de vídeo.”(A música como laboratório). que não estaria bem representada nas rádios e tevês. Emicida integrante da geração Rap 2.. CD virou um suporte para pegar autógrafo. Apostando na internet. diz ter comercializado de mão em mão mais de 30 mil cópias até hoje. Com cerca de 312 mil seguidores no Twitter e 380 mil fãs no Facebook.” (I love quebrada). de formação e renovação de público. Depois da convivência com a tecnologia. viajou o Brasil inteiro e contando com as unidades vendidas em seus shows. o que fez seu trabalho ter toda essa repercussão foi a popularização das câmeras digitais.virtual. É possível afirmar esse discurso reforça o que nos define Herschmann sobre as novas tecnologias. conhecer seu público e até direcionar melhor seu trabalho. usa sua influência para propagar o ideal da “ A rua é noiz” que ele mesmo criou e que deu inicio a empresa Laboratório Fantasma. a possibilidade de mapear. como uma forma de reorganização do mercado: “a utilização das tecnologias em rede como uma relevante estratégia de comunicação e circulação de conteúdos.

O próximo disco de emicida será financiado pelo “The Studio” uma iniciativa que vai oferecer recursos e novas tecnologias para viabilizar a produção do trabalho de artistas inovadores ao redor do mundo como uma espécie de Crowd found (rede colaborativa). feito pela Intel e a revista faz. capas de inspirar toda a cadeia de negócios do setor.4 milhão por ano. vendendo diversos produtos : CDs. Seu espírito empreendedor independente que gerou a Laboratório Fantasma.” (Zica. uma campanha publicitária da LG. atua na área de comércio eletrônico. fez o conceito „rap-empresa‟ chegar ao seu mais alto nível de execução no Brasil. heavy user de redes sociais e gerenciador das próprias estratégias de marketing. camisetas. As ultimas iniciativas que participa. Desde o ano passado. mas é mais fácil me ver nos Trending Topics” . esses itens são responsáveis pela maior parte do faturamento da Laboratório Fantasma. (Zica. que consiste em uma plataforma cultural onde arte. Observamos que o independente Emicida. Atualmente tem um faturamento R$ 1. A empresa aposta em um modelo de atuação adaptado para a era digital. com taxas vertiginosas de crescimento: 400% ao ano em média. bonés e moletons. Emicida ignora as críticas de quem o chama de “nerd” e assume sua permanente presença na internet: “Sou da norte. O Mc se orgulha de seus passos importantes tanto para o underground. demonstrando a eficiência de suas estratégias. que já emprega dez pessoas e deve contratar outras quatro ainda neste ano. vai lá). É notório que o mercado digital já identificou em Emicida uma boa conexão para gerar negócios ou ações de comunicação. Ele está participando atualmente do “The Creators Project” . diz em uma de suas músicas. vai lá!). produzindo álbuns de grupos novos. Além disso. As hash tags criadas por ele já estiveram até nos trending tops do mundo. . Apelidado “Mc twitter”. quanto para o mainstream e relata em uma das letras: “Tô tão bem nas esquina / que a Intel patrocina / E nem sei o que tem a ver processador e rima. chegando até a compor trilha sonora para jogo de o videogame americano Max payne 3. ligados aos músicos contratados. Ela funciona como um selo musical. fundada em 2009. conquistou muitos feitos aparentemente inimagináveis para o alcance do Rap underground.reforçando sua publicidade nas redes sociais. o empresário. entre outros. só o posiciona cada vez mais no alto nível de colocação do mercado: Uma ação de marketing da Intel. criatividade e tecnologia andam lado a lado. e também agencia carreiras de artistas e desenvolve estratégias de marketing nas redes sociais.

mas não só isso. inovando e misturarando estilos musicais. os nichos de mercado são explorados integralmente pelos novos Rappers interados com as novas tecnologias.00.. dividiu sua análise em físico e filosófico. “A reinvenção do mercado da música”. o mainstream e o underground: trajetórias e caminhos da música na cultura midiática”. “O rapper empresário” IstoéDinheiro. Nas bordas e fora do mainstream musical.47-59 Jeder JANOTTI JÚNIOR. ed.terra.. criar empresas. WALTEMBERG. 2010. Há uma contraditória convivência do espírito independente com o interesse pelo capital. “Novas formas de prescrição musical”. J.OI209660-EI1267. Mesmo com muitos focos diferentes. “Apontamentos sobre alguns dos novos negócios da música”. quebrou com o conceito de consumo segmentado. João.com. Micael. http://www.) Rumos da cultura da música: negócios. outra parte do público copia as estratégias idênticas a estrutura do Mainstream e se torna agora realizador. artista de „sucesso‟. 2011. p. “A música popular massiva. Menos abandonar o „discurso Underground‟. Diante disso.br/noticia. Da mesma forma em que parte do público critica. GALLEGO. porque não? Se a meta é ganhar dinheiro.html .  Bibliografia YUDICE.com. 2011.br/interna/0. VARELLA.vermelho. São Paulo: Estação de Letras e Cores. In: HERSCHMANN. tornar o Rap sustentável.“A indústria da música como laboratório” revista Itaú cultural. Nas bordas e fora do mainstream musical. Conclusão.12. Jorge. São Paulo: Estação de Letras e Cores. ed. MELO. IstoéDinheiro. M.19-45. tudo é válido.br/temas/entretenimento/2011/11/chico-corta-classicos-fazrap-resposta-a-quebrada-mas-mantem-o-tempo-da-delicadeza http://musica. Simone (org.out. p. 727. L. 2010 NERCOLINI.set. Clayton. estéticas e audibilidades. M. Juan Ignacio. In: PEREIRA DE SÁ. HERSCHMANN. p.11.redebrasilatual. M. A visibilidade que veio com as redes sociais. “Novos mediadores na crítica musical”.org. 784. 227-247. George. é necessário constatar que a reconfiguração geral sofrida pelo rap underground brasileiro.php?id_secao=11&id_noticia=168523 http://www. 11. Porto Alegre: Sulina. Rap ainda é Rap e sua expressão e conceito são mutantes e serão „eternas metamorfoses ambulantes da arte‟. In: HERSCHMANN. 9. Jéder e CARDOSO FILHO. o amplo consumo também.

br/outracoisa/cd_andar.blogspot.wordpress.br/quinto-andar/biografia http://umaliberdadechamadasolidao.emicida.uol.br/2011/10/um-pouco-sobre-historia-de-criolo.com.com.com/2012/08/29/o-rap-e-a-construcaodiscursiva-de-um-mercado-alternativo/ http://desinformemonos.htm http://feridaurbana.http://som13.com http://www.umsocaminho.html http://www.br .com.com.org/2011/03/a-lucidez-do-doido/ http://www2.